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LISTÃO DE GRAMÁTICA
Luis Henrique Nunes Pereira - 240.635.388-50
Acessar Lista
Questão 1 Interpretação de Texto Variação linguística Português
Considere o anúncio jornalístico e os comentários do X (antigo Twitter) para responder à questão.
a) O anúncio da abertura de um café no Museu da Língua Portuguesa causou muita agitação nas redes sociais.
Considerando os comentários retirados do antigo Twitter, como se caracteriza a postura dos usuários em relação à
reportagem e ao próprio idioma?
b) Os comentários apresentados revelam o registro informal da língua. Identi que dois exemplos de registros informais
e explique de que maneira colaboram para a construção de sentido do texto.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288025
Questão 2 Interpretação de Texto Relações de sinonímia e antônímia Português
Leia o texto para responder à questão. 
“Tudo que nos acontece, especialmente nesta era da (Des)Informação, pode ser sintetizado pelas imagens que passam,
céleres, pela internet, com destaque para as que estão nas redes sociais. Os textos vão cando cada vez mais curtos, os
vídeos, minúsculos, porém, mais numerosos e cheios de efeitos. As fotos, cada vez mais so sticadas, mais ‘nítidas’ ou
elaboradas com técnicas de inteligência arti cial, fazem com que duvidemos do que vemos, o que nos torna cada vez mais
incrédulos e inseguros daquilo que nos acontece. Quem não se chocou com as imagens de destruição dos prédios dos
Três Poderes brasileiros por conta do ataque de vândalos no dia 8 de janeiro? E o que dizer das fotos e vídeos dos
Yanomami, exibindo o descaso, o descuido, a crueldade, o genocídio em curso, como já a rmam as diversas instituições
responsáveis pelos direitos humanos no Brasil e no mundo? Muitos de nós realmente camos sem palavras, e não porque
‘uma imagem vale mais do que mil palavras’, mas sobretudo porque ainda há quem questione se estamos vendo o que
estamos vendo e, o que é mais preocupante, saindo em defesa ou contrapondo essas imagens com outras, ‘fakes’ e
eivadas de teorias conspiratórias. Olhar, no mundo em que vivemos, mais do que nunca é buscar e ‘fabricar uma
signi cação’. Nesses tempos em que reinam a desinformação e as teorias conspiratórias, ter ‘olhos de ver’ é mais um dos
desa os que temos de enfrentar no nosso cotidiano, especialmente se estamos nas mídias sociais. Está cada dia mais
complicado pensar sobre o que vemos.” 
Januária Cristina Alves. Uma imagem é sempre muito mais do que uma imagem. 02/02/2023. Disponível em
https://www.nexojornal.com.br/. Adaptado.
 
a) Qual o signi cado no texto da expressão “olhos de ver”? Relacione o seu sentido com a sua importância em tempos de
“(Des)Informação”. 
b) Mantendo o sentido do texto, escreva três palavras que podem substituir, respectivamente, “céleres”, “incrédulos" e
“eivadas”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288024
Questão 3 Interpretação de Texto Relações de sinonímia e antônímia Processos de f ormação de palavras
https://vestibulares.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/1f3ce0dc-3003-4f6f-9dde-da532ce9d4ff
Leia o texto para responder à questão.
“Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me re ro a uma imensidão de seres que nós
excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para
mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham
nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba
gigante. Ao longo da história, os humanos, aliás, esse clube exclusivo da humanidade — que está na declaração universal
dos direitos humanos e nos protocolos das instituições —, foram devastando tudo ao seu redor. É como se tivessem
elegido uma casta, a humanidade, e todos que estão fora dela são a sub-humanidade. Não são só os caiçaras, quilombolas
e povos indígenas, mas toda vida que deliberadamente largamos à margem do caminho. E o caminho é o progresso: essa
ideia prospectiva de que estamos indo para algum lugar. Há um horizonte, estamos indo para lá, e vamos largando no
percurso tudo que não interessa, o que sobra, a sub-humanidade — alguns de nós fazemos parte dela.
 É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da
Terra tirar a teta da nossa boca e dizer: ‘Respirem agora, quero ver’. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós
criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o
aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. 
E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados
de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. Não é preciso nenhum sistema
bélico complexo para apagar essa tal de humanidade: se extingue com a mesma facilidade que os mosquitos de uma sala
depois de aplicado um aerossol. Nós não estamos com nada: essa é a declaração da Terra.” 
Ailton Krenak. A vida não é útil. 2020. 
Ailton Krenak. A vida não é útil. 2020.
a) Identifique o processo de formação das palavras “humanidade” e “sub-humanidade”, bem como o seu sentido no texto.
b) Mantendo a correlação verbal, reescreva, na folha de respostas, o trecho a seguir iniciando por “Estávamos”.
Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288023
Questão 4 Interpretação de Texto Português Classes de palavras
Considere os dois verbetes a seguir para responder à questão.
a) Qual o tratamento dado ao termo "traveco", na segunda acepção do Dicionário Michaelis, e no Glossário
Antidiscriminatório?
De que modo os sentidos desse termo, no Dicionário e no Glossário, se aproximam ou se afastam?
b) Redija uma atualização do verbete “travesti” para o Dicionário Michaelis, incluindo sua classe e gênero gramaticais.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288022
Questão 5 Interpretação de Texto Classes invariáveis Português
Leia o texto para responder à questão. 
“A Dinamarca vai devolver ao Brasil um manto tupinambá que está em Copenhague desde pelo menos 1699. A peça,
considerada extremamente rara, será doada para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, pelo Museu Nacional da
Dinamarca. O manto é feito de penas vermelhas de guará. Artista, Glicéria Tupinambá está completando sua formação em
antropologia no Museu Nacional e vem realizando um trabalho de encontro e pesquisa dos mantos e outros artefatos de
seus ancestrais junto às instituições europeias. Em 2006, Glicéria estava trabalhando na composição de um novo manto
tupinambá como forma de agradecimento a entidades sagradas, os Encantados, pelo processo de retomada do território
indígena. Por meio de fotos, ela vinha tentando entender a técnica para fazer a trama dos mantos da mesma forma que era
feita por seus antepassados. ‘Eu fui entendendo a questão do ponto, que é o ponto do jereré, que as mulheres tupinambá
utilizam para fazer instrumentos de pesca. Só duas mulheres sabiam fazer esse ponto na aldeia, minha madrinha de 97 anos e
minha prima de 78 anos. Mulheres detentoras de um saber que está quase extinto’, conta ela. O primeiro manto que Glicéria
teve oportunidade de conhecer pessoalmente está — ainda — na França. ‘Eu quero ver o avesso’, disse ela à equipe do
museu parisiense, em 2018. ‘O pessoal ca muito ligado na cor da pena, mas eu queria entender a malha, a técnica, ver o
avesso’. Mas não só isso. Glicéria também queria escutar o manto. ‘O manto fala comigo. A gente tem uma relação
ancestral’, explica ela. ‘Sei que para quem passou a vida inteira ouvindo que objetos não falam, eu pareço uma pessoa louca.
Mas eu venho de um contexto de aldeia, e a gente entende que osobjetos não são simplesmente objetos, ainda mais
quando se tratam de vestimentas usadas no ambiente religioso’. Glicéria conta que, na ocasião, o manto mostrou a ela três
imagens: ‘Uma quando ele estava dentro do território, eu via mulheres, crianças, as penas, a feitura. Outra imagem que ele
me apresenta era ele dentro de uma embarcação, as pessoas na margem. Eu podia sentir a areia nos meus pés e ver a
embarcação sumindo no o do horizonte. E, depois, eu vejo esse manto saindo da embarcação e desaparecendo por uma
viela escura’.” 
Isabel Seta. Raríssimo manto tupinambá que está na Dinamarca será devolvido ao Brasil; peça vai car no Museu Nacional.
28/06/2023. Disponível em: https://g1.globo.com/. 
a) Justi que o uso de "ainda" no trecho "O primeiro manto que Glicéria teve oportunidade de conhecer pessoalmente está
— ainda — na França.". Reescreva a frase, substituindo apenas a palavra "ainda", sem prejuízo do sentido. 
b) Explique o sentido do trecho "os objetos não são simplesmente objetos" no texto.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288021
Questão 6 Ambiguidade e duplo sentido
Examine a charge para responder à questão.
Alberto Benett. Folha de S. Paulo. 01/08/2023.
a) Qual a crítica social explorada pela charge?
b) Explique a polissemia expressa pela última palavra da gradação contida na charge.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288020
Questão 7 Verbos
Examine a charge de Millôr Fernandes, publicada originalmente em 12.03.1969. 
(Millor Fernandes. Guia Millôr da filosofia, 2016.) 
a) Explicite a relação de sentido estabelecida entre a expressão “engolir minhas próprias palavras” e a imagem da charge. 
b) Reescreva na voz passiva a fala que compõe a charge. 
Essa questão possui comentário do professor no site 4000287593
Questão 8 Sintaxe do período simples
Leia o conto cokwe"* “A lebre e o camaleão” e o trecho de uma crônica da escritora angolana Ana Paula Tavares, escrita
sobre esse conto.
*cokwe: relativo ao povo cokwe, uma etnia banta que se concentra sobretudo no nordeste de Angola. 
“Dizem os antigos que a lebre e o camaleão resolveram ir pelos caminhos das caravanas levando borracha para permutar
pelos belos tecidos vindos de oriente e ocidente. 
Muitas vezes a acelerada lebre ultrapassou e cruzou o lento camaleão nos longos caminhos do mato, levando produtos e
trazendo panos, gritando-lhe enquanto desaparecia: — Cá vou eu! 
Ao desafio respondia o camaleão: — Chegarei a meu tempo. 
Finalmente, a lebre, assim como adquiriu bonitos panos, também os perdeu, nos percalços da desordenada pressa, e anda
para aí vestida dum cinzento escuro e sem cor. 
O lento e pautado camaleão juntou farta fazenda, e tanta e tão diferente, que ainda hoje muda, a todo o instante, panos de
variado colorido.” 
(“Alebre e o camaleão”. Apud Ana Paula Tavares. Um rio preso nas mãos, 2019.) 
.....
Este conto cokwe parece resolver com felicidade questões da história do continente africano e lidar com uma
apreensão do real e do imaginário. A escolha das personagens da história é, em si, uma das apostas destes contadores e
cultores da linguagem que, de uma vez por todas, poupam a tartaruga desta disputa vulgar e da tensão de uma corrida. À
tartaruga estão reservados outros papéis, noutras histórias que lidam com os sentidos profundos da vida e da morte, do dia
e da noite. 
O jogo com a linguagem permite-nos perceber a história profunda das viagens que, em momentos diferentes, estiveram na
origem da formação dos cokwe como grupo autônomo: origens, terras ancestrais, relação com outros grupos, adoção de
novos costumes e ainda assim delização a um núcleo duro das origens. Sob sua superfície aparentemente simples, esta
história esconde todos os mitos de fundação, rituais de passagem e a escrita da história. Tudo ali faz sentido: as
personagens, a língua que falam e as vestes que as tornam atores de um complexo processo histórico. O resto é a lentidão
e o desenho na areia que se faz só para ser apagado. 
(Ana Paula Tavares. Um rio preso nas mãos, 2019. Adaptado.) 
a) Cite um provérbio que poderia servir como “moral da história” para o conto cokwe. Justifique sua resposta.
b) Reescreva em discurso indireto o seguinte trecho do conto cokwe: “Ao desa o respondia o camaleão: — Chegarei
a meu tempo.”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000287584
Questão 9 Enunciados f rase oração e período
Leia o trecho do ensaio “A corrida armamentista do consumo”, do economista e filósofo Eduardo Giannetti. 
Imagine uma corrida em que os contendores se afastam cada vez mais do objetivo pelo qual competem. A corrida
armamentista stricto sensu tem dinâmica e propriedades conhecidas: um país, por qualquer motivo, decide se armar; os
países vizinhos sentem-se vulneráveis e decidem fazer o mesmo a m de não carem defasados; sua reação, porém,
de agra uma nova rodada de investimento bélico no primeiro país, o que obriga os demais a seguirem outra vez os seus
passos. 
A escalada armamentista leva os participantes a dedicarem uma parcela crescente da sua renda e trabalho à garantia
d a segurança externa, mas o resultado é o contrário do pretendido. O objetivo da máxima segurança redunda, ao
generalizar-se, na insegurança geral — um tênue e onipresente equilíbrio armado do terror. 
A corrida armamentista do consumo tem uma lógica semelhante. Nenhum consumidor é uma ilha: existe uma forte
e intrincada interdependência entre os anseios de consumo das pessoas. Aquilo que cada uma delas sente que “precisa”
o u “não pode viver sem” depende não só dos seus “reais desejos e necessidades” (como se quiser de ni-los), mas
também — e, talvez, sobretudo, ao menos nas sociedades mais a uentes — daquilo que os outros ao seu redor possuem.
Ocorre, contudo, que a cada vez que um novo artigo de consumo é introduzido no mercado e passa a ser usado,
desfrutado ou ostentado por aqueles que pertencem ao nosso grupo de referência — restrito a amigos, parentes e
vizinhança no passado, hoje expandido pelo big bang das mídias, blogs e redes digitais — o equilíbrio se rompe e o
desconforto causado pela percepção da falta atiça e impele, como ardência de queimadura, à ação reativa da compra do
bem. Porém, quando todos se empenham em alcançar os que estão em cima — ou ao menos não car demasiado atrás
deles —, eles passam a trabalhar mais (e/ou se endividar) a m de poder gastar mais, ao passo que o maior nível de gasto e
consumo se torna, por sua vez, “o novo normal”. A lógica da situação obriga-os a correr cada vez mais depressa, como
hamsters con nados a esferas rotatórias, para não sair do lugar. Todos pioraram em relação ao status quo ante, pois agora
precisam ganhar mais (e/ou estão mais endividados), e nenhum dos envolvidos, a não ser que adote a opção radical de se
tornar um “excêntrico” e “pular fora do carrossel”, consegue isoladamente escapar da armadilha. 
(Eduardo Giannetti. Trópicos utópicos, 2016. Adaptado.) 
a) “Nenhum consumidor é uma ilha: existe uma forte e intrincada interdependência entre os anseios de consumo
das pessoas.” (22 paragrafo) 
Cite um sinônimo para cada um dos termos sublinhados na frase. 
b) “nenhum dos envolvidos, a não ser que adote a opção radical de se tornar um 'excêntrico' e 'pular fora do
carrossel, consegue isoladamente escapar da armadilha.” (2º parágrafo) 
Reescreva apenas a oração subordinada do trecho transcrito, substituindo a locução conjuntiva por outra de
valor semântico equivalente. 
Essa questão possui comentário do professor no site 4000287578
Questão 10 Português Gramática
Texto 1
Comecei este livro usando “povos da oresta”, conceito que costumo usar em meus artigos [...]. Povos da oresta implica
que os povos pertencem à oresta, e não a oresta pertence aos povos. A crase no “a” faz toda diferença. [...] Quando
compreendemos algo das centenas de diferentes povos indígenas, o algo que os une, e quando compreendemos a origem
de beiradeiros e quilombolas, alcançamos uma outracamada de conhecimento. Esses povos não possuem a oresta, a
formulação está clara. A rmar apenas que pertencem a ela, porém, ainda não é exato. Eles não pertencem, eles são, porque
ser ribeirinho e quilombola e indígena, para além de qualquer estatuto, é se compreender como natureza. Assim, não são
povos da oresta, mas povos- oresta. Deletamos a partícula de pertencimento – “da” – para que possam ser reintegrados
também na linguagem.
(Adaptado de: BRUM, E. Banzeiro Òkòtó: uma viagem à Amazônia Centro do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, p.
96-97, 2021).
 
(Tirinha da série do personagem Armandinho, de Alexandre Beck. Disponível em:
https://br.pinterest.com/pin/319685273533661898/. Acesso em: 30/08/2023.)
a) Duas a rmações do texto 1 se referem a aspectos gramaticais que estão na base das conceituações apresentadas a
partir dos termos povos e oresta. Transcreva as duas a rmações e explique por que as expressões construídas a partir
desses dois termos indicam conceituações diferentes.
b) Considere a interpretação que a autora do texto 1 propõe para a expressão “povos da oresta”. A partir dessa
interpretação, reformule em discurso direto a pergunta feita à avó do personagem no texto 2, de modo que a resposta dada
por ela seja “sim”. Justifique a sua reformulação.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000287070
Questão 11 Interpretação de Texto Português Gramática
Em sua página nas redes sociais, @sebastiao.salgados criou o “Festival Miojo Literário” (Instagram) em comemoração ao
Dia do Escritor (#sebastiaoseriesescritores). O desa o era que seus seguidores assumissem a máscara discursiva de um(a)
escritor(a) literário(a) para narrar o ato de comer um miojo. A primeira provocação se deu com a seguinte postagem: −
Você é escritora? − Sou sim. − Então fala: “Comi um miojo”. Vários seguidores toparam o desa o, como, por exemplo, o
internauta @aldanuzio, que assumiu ser o poeta Gonçalves Dias, e escreveu:
Texto 1
Minha terra tem miojo
E não é de Sabiá
É galinha caipira
Tempero que aqui não há.
Em cismar sozinho à noite
Não sabes prazer que me dá
O fervor em três minutos
Macarrão melhor não há.
Texto 2
Canção do exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
...
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá...
a) Considerando as formas de intertextualidade entre o tema “comer um miojo” e o poema de Gonçalves Dias, pode-se
dizer que a produção do internauta é uma paráfrase ou uma paródia? Justifique sua resposta, com base nos textos 1 e 2.
b) Para este Vestibular Unicamp 2024 , você leu a obra literária Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Aceite o
desa o de @sebastiao.salgados, entre no país das maravilhas e elabore um diálogo em discurso direto, entre o Coelho
Branco e o Chapeleiro Maluco. O diálogo deve mostrar ao menos uma característica de cada um dos personagens, o
Coelho e o Chapeleiro, com mínimo de 3 e máximo de 5 linhas.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000287064
Questão 12 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
“Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável
para nós é também indispensável para o próximo. (...).
Nesse ponto as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. Elas a rmam que o próximo tem
direito, sem dúvida, a certos bens fundamentais, como casa, comida, instrução, saúde, coisas que ninguém bem formado
admite hoje em dia que sejam privilégio de minorias, como são no Brasil. Mas será que pensam que seu semelhante pobre
teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? 
(...). Ora, o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da re exão sobre os
direitos humanos.”
CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3a ed. revista e ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
Com base na leitura do texto, pode-se a rmar que Antonio Candido defende que o acesso a bens como a literatura e
a música
A é privilégio de minorias, pois são bens que exigem reflexão.
B deve ser reivindicado como um direito, e não como um privilégio.
C vitimiza as pessoas que não têm acesso a bens fundamentais para viver.
D humaniza as minorias privilegiadas, incentivando-as a compartilhar seu conhecimento.
E é indispensável para quem luta pelos direitos humanos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286446
Questão 13 Relações de sinonímia e antônímia Português
“Quero dizer, numa palavra, que, levando em conta todas as coisas que nascem, devemos veri car se em cada caso é
bem assim que nasce cada um dos seres, isto é, se os contrários não nascem senão dos seus próprios contrários, em
toda parte onde existe tal relação: entre o belo, por exemplo, e o feio, que é, penso, o seu contrário; entre o justo e o
injusto; e assim milhares de outros casos. (...)
Exemplo: quando uma coisa se torna maior, não é necessário que ela anteriormente tenha sido menor, para em seguida
se tornar maior?”
Platão, Fédon, p.79.
No trecho transcrito do texto Fédon, Platão propõe uma compreensão filosófica própria sobre a relação existente entre os
opostos. Com base nela, dentre as inferências possíveis, aquela que descreve a articulação principal entre dois termos que
se opõem é:
A Entre os opostos, é possível inferir uma relação principal de complementariedade.
B Entre os opostos, é possível inferir uma relação principal de alternância.
C Entre os opostos, é possível inferir uma relação principal de exclusão. 
D Entre os opostos, é possível inferir uma relação principal de anulação.
E Entre os opostos, é possível inferir uma relação principal de geração.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286433
Questão 14 Gêneros textuais Português
Leia o texto a seguir:
Uma vida inteira pela frente.
O tiro veio por trás.
Cíntia Moscovich, Os cem menores contos brasileiros do século (organização: Marcelino Freire).
Embora seja um texto composto por apenas duas linhas, é possível caracterizá-lo como uma narrativa. Nesse texto,
essa caracterização deve-se ao fato de que ele apresenta
A adjetivação de tempos.
B diálogo entre narradores.
C referenciação de espaços.
D descrição de personagens.
E sequência de ações.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286414
Questão 15 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
“A história do skate no Brasil passou por fases diferentes e até mesmo antagônicas. Em 1988, por exemplo, na cidade de
São Paulo, sob acusação de ser prática displicente, foi promulgada a Lei n o 25.871, pelo então prefeito Jânio Quadros,
que proibia a prática da modalidade nas ruas da cidade. Essa proibição foi alterada no ano seguinte, quando a nova
prefeita da cidade, Luiza Erundina, em um de seus primeiros atos, revogou essa mesma lei e liberou a prática do skate nas
ruas da cidade.
Anos depois, em 2015, o Brasil somava 8,4 milhões de praticantes de skate, segundo pesquisa Datafolha. 
Já em 2021, quando o skate estreou como modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, o Brasil se destacou como
o segundo país com mais medalhas olímpicas na modalidade. 
No mesmo ano, a indústria nacional ligada ao esporte foi considerada a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados
Unidos, cujo mercado é estimado em US$ 4,5 bilhões ao ano.”
Thais Carrança, BBC News Brasil em São Paulo, 26 julho 2021. Adaptado. 
A partir da leitura do texto, é correto afirmar:
A O skate adentrou o mundo esportivo, entre outros motivos, por pressão dos praticantes da modalidade.
No entanto, práticas esportivas que surgem pautadas pelo lazer ou por atividades cotidianas não deveriam
ser consideradas modalidades esportivas por não terem sido institucionalizadas desde sua origem.
B Eventos esportivos de grande alcance, tal qual a Olimpíada, deveriam considerar as estruturasnormativas que dão
origem aos esportes para inseri-los nas competições. Apenas dessa forma, seria possível garantir a autenticidade
das modalidades e justificar a inserção do skate como esporte olímpico.
C Os esportes são uma forma de representação das práticas sociais. Sendo assim, as transformações sociais
podem resultar em alterações de regras esportivas, na esportivização de práticas de lazer e até na extinção
de modalidades esportivas.
D Os esportes podem sofrer alterações normativas ao longo dos tempos. Com tal efeito, torna-se equivocado
datar a criação de um esporte, pois ele já pode ter sofrido alterações que descaracterizaram sua origem. 
E O skate, bem como outras práticas esportivas, foi criado de modo discreto, por grupos pequenos, e ganhou
força e ascensão a partir do aumento de incentivo financeiro para sua realização, o que é determinante para um
esporte alcançar reconhecimento mundial.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286400
Questão 16 Variação linguística Português
“O preconceito linguístico é tanto mais poderoso porque, em grande medida, ele é ‘invisível’, no sentido de que
quase ninguém fala dele, com exceção dos raros cientistas sociais que se dedicam a estudá-lo. Pouquíssimas
pessoas reconhecem a existência do preconceito linguístico, quem dirá a sua gravidade como um sério problema social.” 
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. Edições Loyola, São Paulo, 1999.
Com base na leitura do texto, é possível depreender que o preconceito linguístico, apesar de nocivo para a
sociedade, muitas vezes é despercebido. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de
preconceito linguístico.
A A língua falada é um instrumento de sobrevivência em sociedade.
B A língua varia tão rapidamente quanto as mudanças que ocorrem na sociedade.
C Existem muitas maneiras de se expressar a mesma ideia.
D Os habitantes de uma cidade grande não possuem sotaque na língua falada.
E Todo falante nativo de uma língua a conhece plenamente.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286354
Questão 17 Conceitos básicos de português Português
Leia a crônica “Despedida”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente no Jornal do Brasil em
05.06.1971, e a resposta de Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), o Pelé, publicada no mesmo jornal em 29.06.1971.
Pelé despede-se em julho da Seleção Brasileira. Decidiu, está decidido. Querem que ele continue, mas sua educação
esportiva se dilata em educação moral, e Pelé dá muito apreço à sua palavra. Se atender aos apelos, cará bem com todo o
mundo e mal consigo. Pelé não quer brigar com Pelé. Não abandonará de todo o futebol, pois continuará jogando pelo seu
clube. Não vejo contradição nisto. Faz como um grande proprietário de terras, que trocasse a fazenda pela miniatura de um
sítio: continua a ter águas, plantas, criação, a mesma luminosidade das horas — menos a imensidão, que acaba cansando. Ou
como o leitor de muitos livros, que passasse a ler um só que contém o resumo de tudo. Pelé quer cultivar sua vida a seu
gosto, ele que a vivia tanto ao gosto dos outros. Sua municipalização voluntária me encanta. Não é só pelo ato de
sabedoria, que é sair antes que exijam a nossa saída. Uma atitude destas indica mais cautela do que desprendimento. É pelo
ato de escolha — de escolher o mais simples, envolvendo renúncia e gentileza. As massas brasileiras e internacionais não
poderão chamá-lo de ingrato, pois continuarão a vê-lo, aqui e no estrangeiro, em seu jogo de astúcia e arte. Mas ele
passará a jogar como particular, um famoso incógnito, que não aspira às glórias de um quarto campeonato mundial. E com
isso, dará lugar a outro, ou a outros, que por mais que caprichassem cavam sempre um tanto encobertos pela sombra de
Pelé — a sombra de que espontaneamente se desfaz. Bela jogada, a sua: a de não jogar como campeão, sendo
campeoníssimo.
(Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.)
Estou comovido. Entre tantas coisas que dizem a meu respeito, generosas ou menos boas, suas palavras tiveram a rara
virtude de se lembrarem do homem, da pessoa humana que quero ser, demonstrando compreensão e carinho por essa
condição fundamental. Recortei sua crônica, não porque fala de mim, mas porque traduz, no primor de seu estilo, um apoio
que me incentiva e me conforta.
(Pelé apud Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.)
No contexto da crônica, referem-se à Seleção Brasileira, em termos figurados, as seguintes expressões:
A “grande proprietário de terras” e “leitor de muitos livros”.
B “fazenda” e “imensidão”.
C “miniatura” e “resumo”.
D “fazenda” e “sítio”.
E “miniatura” e “imensidão”.
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Questão 18 Conceitos básicos de português Português
Leia a crônica “Despedida”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicada originalmente no Jornal do Brasil em
05.06.1971, e a resposta de Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), o Pelé, publicada no mesmo jornal em 29.06.1971.
Pelé despede-se em julho da Seleção Brasileira. Decidiu, está decidido. Querem que ele continue, mas sua educação
esportiva se dilata em educação moral, e Pelé dá muito apreço à sua palavra. Se atender aos apelos, cará bem com todo o
mundo e mal consigo. Pelé não quer brigar com Pelé. Não abandonará de todo o futebol, pois continuará jogando pelo seu
clube. Não vejo contradição nisto. Faz como um grande proprietário de terras, que trocasse a fazenda pela miniatura de um
sítio: continua a ter águas, plantas, criação, a mesma luminosidade das horas — menos a imensidão, que acaba cansando. Ou
como o leitor de muitos livros, que passasse a ler um só que contém o resumo de tudo. Pelé quer cultivar sua vida a seu
gosto, ele que a vivia tanto ao gosto dos outros. Sua municipalização voluntária me encanta. Não é só pelo ato de
sabedoria, que é sair antes que exijam a nossa saída. Uma atitude destas indica mais cautela do que desprendimento. É pelo
ato de escolha — de escolher o mais simples, envolvendo renúncia e gentileza. As massas brasileiras e internacionais não
poderão chamá-lo de ingrato, pois continuarão a vê-lo, aqui e no estrangeiro, em seu jogo de astúcia e arte. Mas ele
passará a jogar como particular, um famoso incógnito, que não aspira às glórias de um quarto campeonato mundial. E com
isso, dará lugar a outro, ou a outros, que por mais que caprichassem cavam sempre um tanto encobertos pela sombra de
Pelé — a sombra de que espontaneamente se desfaz. Bela jogada, a sua: a de não jogar como campeão, sendo
campeoníssimo.
(Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.)
Estou comovido. Entre tantas coisas que dizem a meu respeito, generosas ou menos boas, suas palavras tiveram a rara
virtude de se lembrarem do homem, da pessoa humana que quero ser, demonstrando compreensão e carinho por essa
condição fundamental. Recortei sua crônica, não porque fala de mim, mas porque traduz, no primor de seu estilo, um apoio
que me incentiva e me conforta.
(Pelé apud Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.)
• “Ou como o leitor de muitos livros, que passasse a ler um só que contém o resumo de tudo.” (Drummond) 
• “E com isso, dará lugar a outro, ou a outros, que por mais que caprichassem cavam sempre um tanto encobertos pela
sombra de Pelé — a sombra de que espontaneamente se desfaz.” (Drummond)
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a
A “livros” e “Pelé”.
B “um” e “sombra”.
C “livros” e “sombra”.
D “um” e “Pelé”.
E “leitor” e “Pelé”.
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Questão 19 Ambiguidade e duplo sentido Português
Examine a tirinha da cartunista Laerte.
(Laerte. O voo da Lola, 2021.)
Na construção de sua tirinha, Laerte mobiliza fundamentalmente o seguinte recurso expressivo:
A hipérbole
B redundância
C ambiguidade
D intertextualidade
E eufemismo
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Questão 20 Flexão verbal Português
Leia a letra da canção “Foi um rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola, gravada em 1970.
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Eu carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me lembro anunciou
Portela¹, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ah, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria a voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(www.paulinhodaviola.com.br)
¹Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela (ou simplesmente Portela): escola de samba brasileira da cidade do Rio de
Janeiro que adota como símbolo a águia e as cores azul e branco
Considerando o contexto em que se insere, está reescrito em ordem direta o seguinte verso da canção
A "Meu coração conquistou” (2ª estrofe) → conquistou meu coração
B “Meu coração for consultado” (1ª estrofe) → for consultado meu coração
C “Só um amor pode apagar” (1ª estrofe) → pode apagar só um amor
D “Há um caso diferente” (2ª estrofe) → um caso diferente há
E “Senti meu coração apressado” (3ª estrofe) → meu coração senti apressado
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Questão 21 Interpretação de texto Português
Leia a fábula árabe “Um cachorro e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e correu em direção ao rio, em cujas águas viu o
re exo do naco de carne, bem maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e agarrou a carne,
enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava,
mas também não a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por
ir atrás daquilo que eu não alcançaria.” 
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
Implícito à fábula está um elogio
A ao altruísmo.
B ao devaneio.
C à resiliência.
D à temperança.
E à ambição.
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Questão 22 Tipos de discurso direto indireto e indireto livre Português
Leia a fábula árabe “Um cachorro e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e correu em direção ao rio, em cujas águas viu o
re exo do naco de carne, bem maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e agarrou a carne,
enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava,
mas também não a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por
ir atrás daquilo que eu não alcançaria.” 
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
“Pensou então: ‘A ilusão me fez perder o bom senso [...]’.”
Ao se transpor esse trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem, respectivamente, as seguintes formas:
A “o” e “faria”.
B “o” e “fizera”.
C “lhe” e “fizesse”.
D “te” e “faz”.
E “lhe” e “fazia".
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Questão 23 Morf ologia Português
Leia a fábula árabe “Um cachorro e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e correu em direção ao rio, em cujas águas viu o
re exo do naco de carne, bem maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e agarrou a carne,
enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava,
mas também não a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por
ir atrás daquilo que eu não alcançaria.” 
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
No trecho “em cujas águas viu o re exo do naco de carne”, o termo sublinhado pertence à mesma classe gramatical
daquele sublinhado em
A “mas também não a encontrou”.
B “um cachorro roubou um naco de carne”.
C “enquanto o cachorro corria atrás do naco maior”.
D “Largou-o então".
E “Retornou para pegar a carne”.
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Questão 24 Flexão verbal Português
Olha, Marília, as flautas dos pastores,
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes
Os Zéfiros¹ brincar por entre as flores?
Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos² ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!
Naquele arbusto o rouxinol suspira;
Ora nas folhas a abelhinha para.
Ora nos ares, sussurrando, gira.
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah!, tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a noite me causara.
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
¹Zéfiro: vento que sopra do ocidente.
²ósculo: beijo
Na linguagem literária, visando obter maior expressividade, pode-se empregar um tempo verbal em lugar de outro. É o que
ocorre nos seguintes versos:
A “Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes / Os Zéfiros brincar por entre as flores?” (1ª estrofe)
B “Ora nas folhas a abelhinha para. / Ora nos ares, sussurrando, gira.” (3ª estrofe)
C “Mas ah!, tudo o que vês, se eu não te vira, / Mais tristeza que a noite me causara.” (4ª estrofe)
D “Olha, Marília, as flautas dos pastores, / Que bem que soam, como estão cadentes!” (1ª estrofe)
E “Vê como ali, beijando-se, os Amores / Incitam nossos ósculos ardentes!” (2ª estrofe)
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Questão 25 Ironia e humor Português
Examine a charge do cartunista Angeli.
— Feito isso, sairemos à cata de todos aqueles meus coleguinhas de escola que me chamavam de orelhudo!
(Angeli. O lixo da história, 2013.)
A charge ironiza os bastidores da invasão do Iraque em 2003. Depreende-se da análise da charge que, para o cartunista,
a invasão do Iraque se caracterizava como
A necessária
B arbitrária
C urgente
D ambígua
E refletida
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Questão 26 Adverbiais Português
Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava
mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o m e provavelmente nunca mais
dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu
poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim: 
Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os lhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o
outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.
— Ronca.
— Não ronco.
— Ele diz que não ronca — comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.
Mas não existe outra pessoa na casa. Os lhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o
almoço, deixa o jantar feito e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.
— Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer — diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. — É o que eu vou
fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.
— Humrfm — diz o velho.
Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não
podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono.Imagine se Shakespeare tivesse se
horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a
Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é
obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo é
deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo.
Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.
Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em
poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba. 
Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.
— Rará! — diz a velha, feliz.
Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa. A velha também ronca!
— Rará! — diz o velho, vingativo.
E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz inde nida.
Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio — por causa dos roncos — não se distingue o que ela diz. Mas
aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado.
“Estão prontos?”
“Não, acho que ainda não…”
“Então vamos voltar amanhã…”
(Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.)
Em “As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono.” (9º parágrafo), a
oração subordinada expressa ideia de
A consequência.
B causa.
C concessão.
D condição.
E comparação.
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Questão 27 Conotação e denotação Português
‘Nevou’ no Rio
Em pleno verão, o fenômeno que vem chamando atenção nas ruas do Rio é conhecido como “nevada carioca”, ou apenas
“nevou”. Trata-se da mania de descolorir, platinando os cabelos até os os carem completamente brancos, que tomou
conta das cabeças dos jovens de Norte a Sul e virou a febre do momento. A onda começou às vésperas do Natal, ganhou
força no réveillon e entrou em janeiro lotando os salões. Nascida nas comunidades e nos subúrbios, a tendência ultrapassou
fronteiras geográ cas e sociais da cidade, principalmente depois de ganhar as redes e de ter conquistado artistas e atletas.
Cabeleireiros e donos de salão apostam que o modismo resiste com força até os dias de folia.
(Adaptado de: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2023/01/nevou-no-rio-mania-de- -descolorir-o-cabelo-ate- car-
quase-branco-vira-moda-entre-os-cariocas.ghtml. Acesso em 22/06/2023.)
No texto, o verbo nevar apresenta sentido
A literal e é sinônimo de descolorir.
B figurado e quer dizer embranquecer.
C metafórico e é antônimo de escurecer.
D metonímico e significa cabelos brancos.
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Questão 28 Conceitos básicos de português Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras listadas têm um mesmo referente dentro do texto.
A fenômeno – onda – tendência – modismo
B mania – onda – febre – força
C fenômeno – momento – mania – febre
D modismo – tendência – força – momento
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Questão 29 Interpretação de texto jornalístico Português
Texto 1
Vivemos no limiar de uma transição, em que a automação ocupará cada vez mais espaços na sociedade. Neste novo
cenário, há um componente atuando com desenvoltura entre nós. Suas ações e decisões, invisíveis e muitas vezes
autônomas, estão cada vez mais presentes no dia a dia da vida contemporânea. Seu comportamento, no entanto, é opaco
e pouco compreendido. Trata-se dos algoritmos. São eles que, muitas vezes, decidem se você é contratado ou demitido,
se você vai ter acesso a um benefício social, se seu visto de imigração vai ser concedido ou negado, quais notícias você vai
ver nas redes sociais, qual o melhor trajeto do trabalho para casa ou qual o parceiro mais apropriado para um
relacionamento.
(Adaptado de: MENDONÇA, R.F.; FIGUEIRAS, F.; ALMEIDA, V. Algoritmos controlam sociedade e tomam decisões de
vida ou morte. Folha de S. Paulo, 7 abr. 2021.)
Texto 2
(Quadrinhos com o personagem laranja e amarelo, que representa um algoritmo, da série criada por André Dahmer.
Disponível em: https://diplomatique.org.br/novas-tirinhas- -de-andre-dahmer-transformam-algoritmo-em-personagem-
intrometido/. Acesso em 28/07/2023.)
A partir do texto 1, é possível afirmar que o texto 2 explora o fato de que os algoritmos
A definem o que é melhor ou mais apropriado para cada pessoa.
B são opacos porque aleatoriamente expõem às pessoas produtos para compra.
C se servem dos nossos dados para nos oferecer continuamente produtos a serem consumidos.
D controlam a vida humana para aperfeiçoar as nossas tomadas de decisão.
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Questão 30 Interpretação de texto Português
O anúncio (Texto 1) reproduzido a seguir foi postado nas redes sociais da Portela, escola de samba carioca, para divulgar
uma festa literária. A escola, que traz a águia como símbolo em todos os seus des les (Texto 2), completou 100 anos em
2023.
Texto 1
Texto 2
Considerando a imagem no texto 2, podemos afirmar que o texto 1 promove uma
A fusão entre o símbolo da escola e o produto da expressão literária, que aparece materializado no desenho das
asas da águia.
B relação entre a festa literária, mencionada em segundo plano, e o desenho do símbolo da escola, que passa a
personificar a literatura.
C associação das asas da águia com o título atribuído à festa literária, que mostra o nome da escola antecedido
pelo prefixo fli.
D ressignificação do símbolo da Portela, cujo desenho faz referência direta à arte literária, para destacar o
centenário da escola como tema da festa.
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Questão 31 Conceitos básicos de português Português
O texto a seguir é um trecho da canção Pantanal, que foi tema de abertura da novela com o mesmo nome, exibida
originalmente pela TV Manchete em 1990 e regravada pela TV Globo em 2022.
Lendas de raças, cidades perdidas nas selvas do coração do Brasil.
Contam os índios de deuses que descem do espaço no coração do Brasil.
Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois,
Lutar com unhas e dentes pra termos direito a um depois.
Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem.
A terra é tão verde e azul.
Os filhos dos filhos dos filhos dos nossos filhos verão.
(Pantanal, letra de Marcus Viana, gravada pelo grupo Sagrado Coração da Terra na coletânea em LP Sagrado – Farol da
Liberdade, lançada em 1991 pelo selo Sonhos & Sons.)
Nesse trecho da canção, podemos identificar
A repetição de advérbios que indicam as mesmas circunstâncias de tempo e de lugar, para produzir um efeito de
redundância a respeito da luta pela terra.
B indeterminação de sujeito com verbo na terceira pessoa do plural, para produzir um efeito de incerteza quanto ao
papel das futuras gerações.
C atribuição de características positivas por meio de substantivos que indicam cores, para produzir um efeito de
otimismo na preservação da natureza.
D encadeamento sucessivo de termos ligados por preposição, para produzir um efeito de continuidade temporal
quanto à condição do planeta.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000285800
Questão 32 Variação linguística Português
je ne parle pas bien*
je ne parle pas bien
je ne parle pas bien
je ne parle pas bien
eu tenho uma língua solta
que não me deixa esquecer
que cada palavra minha
é resquício da colonização
cada verbo que aprendi conjugar
foi ensinado com a missão
de me afastar de quem veio antes
nossas escolas não nos ensinam
a dar voos
[...]
reinvenção
nossa revolução surge e urge
das nossas bocas
das falas aprendidas
que são ensinadas
e muitas não compreendidassalve, a cada gíria
je ne parle pas bien
[...]
o que era pra ser arma de colonizador
está virando revide de ex colonizado
estamos aprendendo as suas línguas
e descolonizando os pensamento
* Je ne parle pas bien, do francês, significa “Eu não falo direito”.
(Fragmentos do poema Je ne parle pas bien, de Luz Ribeiro, publicado na Revista Opiniães: Revista dos alunos de Literatura
Brasileira, n.10, 2017.)
Podemos afirmar que o uso repetido do verso Je ne parle pas bien no poema slam de Luz Ribeiro
A expressa a necessidade de repetir muitas vezes uma mesma sentença como forma de resistir ao esquecimento
de uma língua.
B enfatiza a ideia de que a língua francesa do colonizador ainda não foi aprendida e precisa ser repetida várias
vezes.
C é uma constatação de que, na posição de ex-colônia, não conseguimos aprender línguas estrangeiras.
D indica um posicionamento de resistência por meio de uma crítica à aprendizagem forçada da língua do
colonizador.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000285799
Questão 33 Interpretação de texto LC Habilidade 29 Português
É vantajoso que as crianças possam entender o funcionamento por trás da tecnologia que está presente em diversos
aspectos da vida cotidiana, aproveitando a curiosidade infantil como impulso inicial. A computação ajuda a desenvolver o
raciocínio, a melhorar a comunicação e a trabalhar a capacidade de resolver problemas. Os computadores executam
tarefas por meio de comandos dados em uma programação. Essa, por sua vez, é feita com linguagens próprias, que
funcionam como uma espécie de “idioma”, por meio do qual o programador se comunica com as máquinas.
Porém, mais do que dominar essas linguagens, o programador precisa empregar a lógica computacional. O programador
precisa expressar em seu código as condições e seus efeitos, como “se acontecer A, faça B, a não ser que haja X, então
faça C”. A escrita de um algoritmo é repleta de condições interconectadas, do tipo “se”, “então”, “senão”, “ou”, “até que”,
“enquanto” etc. Por isso, para programar, é necessário compreender esse tipo de raciocínio. Para as crianças, isso é tarefa
fácil; afinal elas têm uma capacidade incrível de assimilar informações novas.
Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 25 nov. 2021.
Esse texto promove uma re exão sobre o ensino de programação na infância. A defesa da proposta está ancorada na
caracterização da programação com base na sua
A conexão com aspectos lúdicos da infância.
B autonomia em relação ao raciocínio lógico.
C presença crescente no dia a dia das pessoas.
D similaridade com o funcionamento das línguas.
E capacidade de inovação na resolução de tarefas.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288405
Questão 34 LC Habilidade 3 Interpretação de texto jornalístico Português
A solidão nas cidades grandes é muito mais um sinal da precariedade do sentido da comunidade e da convivência, é mais
um problema sociocultural do que de escolha individual.
Certamente ela re ete a impossibilidade de retornar às orestas, como um dia fez Henry Thoreau. As orestas estão em
extinção, assim como, curiosamente, a ideia de humanidade. Resta fugir para a moderna caverna na selva de pedra — sem
querer reeditar lugares-comuns — que é a casa de cada um.
A solidão é, assim, a categoria política que expressa a nostalgia de uma vivência de si mesmo. Ela é, por isso, a tentativa de
preservar a subjetividade e a intimidade consigo mesmo que não tem lugar no contexto de relações sociais transformadas
em mercadorias baratas.
A sociedade da antipolítica precisa tratar a solidão como uma pena e um mal-estar quando não consegue olhar para a
miséria da vez: o fetiche da hiperconectividade, que ilude que não somos sozinhos.
TIBURI, M. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br. Acesso em: 7 out. 2011.
Marcia Tiburi trata de um tema relevante para a sociedade moderna: a convivência interpessoal e a
hiperconectividade vivenciada no ciberespaço. O texto classi ca-se, quanto ao gênero textual, como artigo de opinião,
porque
A busca resolver a causa da perda de sentido ocorrida na convivência interpessoal.
B procura definir a solidão como uma epidemia que está além das doenças humanas.
C tenta explicar o comportamento do homem contemporâneo tendo como padrão o homem das cavernas.
D objetiva expressar o ponto de vista de que o mal-estar provocado na sociedade decorre da hiperconectividade.
E procura discutir os desejos dos antipolíticos que destroem a intimidade na tentativa de preservar a subjetividade.
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Questão 35 LC Habilidade 18 Conceitos básicos de português Português
Construindo uma irmandade da língua 
A ideia de que a língua portuguesa é pertença de todos os seus falantes é hoje quase pací ca. Só meia dúzia de
ultranacionalistas portugueses insiste ainda no disparate de se julgar proprietário exclusivo do idioma. Aliás, ao contrário da
Commonwealth e da francofonia, a irmandade da língua portuguesa não tem um único centro ou voz dominante, e essa é
precisamente uma das suas maiores virtudes.
AGUALUSA, J. E. O Globo, 8 maio 2021 (adaptado).
Nesse texto, o termo “Aliás” articula dois enunciados envolvidos numa mesma relação argumentativa, construindo, para o
segundo, uma ideia de
A questionamento da origem da língua portuguesa.
B semelhança de condições sociais dos falantes do português.
C acréscimo de fato comprobatório sobre a língua portuguesa.
D comparação entre o português brasileiro e o europeu.
E relevância do português sobre o inglês e o francês.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288400
Questão 36 Interpretação de texto Português LC Habilidade 22
TEXTO I
Você vai ficar obsoleto
Vivemos numa época em que as coisas cam obsoletas cada vez mais rápido. Produtos e serviços desaparecem
substituídos por outros, como também indústrias inteiras, devoradas por formas mais e cientes de trabalho. O
comportamento das pessoas também está mudando; hoje aceitamos a inovação muito mais rápido.
Você sabia que a eletricidade demorou 46 anos para ser adotada por pelos menos 25% da população norte-americana?
Para o telefone foram necessários 35 anos, 31 para o rádio, 26 para a televisão, 16 para o computador, 13 para o celular e
apenas 7 para a internet.
Dessa forma, tecnologia e empreendedorismo formam uma combinação explosiva que afeta os tradicionais setores
econômicos, transformando modelos de negócios inteiros e acelerando o envelhecimento das coisas. Portanto, a chave
para lidar com isso nos exige sair constantemente da zona de conforto. Deixar para trás o velho e abrir-se ao novo é despir-
se do medo do desconhecido. É deixar-se dominar pelo entusiasmo, pela curiosidade e pela vontade de viver e fazer
diferente.
SENGER, A. Disponível em: www.cloudcoaching.com.br. Acesso em: 20 nov. 2021 (adaptado).
TEXTO II
A rotina obsoleta
Ser do tempo da máquina de escrever não me assusta mais. Já é objeto de museu. De colecionador. Até seu sucessor, o
computador de mesa, está com os dias contados. Tão mais prático o laptop! Mas também existe o tablet, e quem sabe o
que logo mais.
É surpreendente a velocidade com que meu cotidiano se transforma. Objetos essenciais até um tempinho
atrás desapareceram.
Inventa-se um dispositivo, todo mundo tem, e, dali a pouco, ele é trocado por outro, mais avançado. A velocidade da
mudança supera as eras anteriores.
O próprio papel está perdendo a razão de ser. Documentos on-line são aceitos. Posso assinar um contrato por e-mail.
Houve um tempo em que ter xerox de RG com firma reconhecida era um avanço. Hoje...
Quem faz xerox? Imagine, eu sou do tempo em que na escola se faziam apostilas em xerox! Hoje, a gente recebe on-line.
Parece estável? Vai sumir. A vida se torna obsoleta a cada segundo. Mas o novo vai surgir. Isso torna a vida fascinante. A
realidade é deliciosamente instável.
CARRASCO, W. Disponível em: https://veja.abril.com.br. Acesso em: 20 nov.2021.
Os textos I e II abordam a temática da obsolescência e têm em comum a
A expressão de uma latente nostalgia.
B crítica à velocidade das inovações tecnológicas.
C percepção de uma constante sensação de inutilidade.
D opinião desfavorável a mudanças de hábitos e comportamentos.
E perspectiva otimista diante da impermanência do mundo contemporâneo.
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Questão 37 LC Habilidade 26 Níveis da linguagem Português
Nessa postagem dirigida aos seus seguidores de rede social, o autor utiliza uma linguagem
A própria de manifestações poéticas.
B aplicada em contextos da área desportiva.
C característica àquela atribuída a falantes escolarizados.
D empregada por falantes urbanos jovens de determinada região.
E marcada por uma relação de distanciamento entre os interlocutores.
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Questão 38 LC Habilidade 18 Sintaxe textual Português
Plantas superpoderosas
A bióloga Joanne Chory já tinha 60 anos e um diagnóstico de Parkinson quando decidiu se dedicar a um projeto que
capturasse gás carbônico da atmosfera — coisa que as plantas fazem regularmente há 2,8 bilhões de anos. Para isso, a
pesquisadora começou a estudar algumas espécies e alterá-las por meio de técnicas de horticultura e manipulação
genética. A ideia é que capturem mais carbono e o armazenem em suas raízes. Uma dessas plantas, um tipo de mostarda, já
cresce no delta do rio Mississipi. Caso funcione, a pesquisa tem potencial para diminuir em 46% o excesso de CO₂ jogado
anualmente na atmosfera. “Provavelmente não estarei aqui para ver os resultados. Mas pre ro ser parte da solução a me
sentar e reclamar”, diz Joanne. Que as superplantas criadas pela bióloga vinguem e vicejem!
CARNEIRO, F. Disponível em: https://veja.abril.com.br. Acesso em: 23 out. 2021 (adaptado).
Esse texto descreve a pesquisa inovadora realizada por uma bióloga de 60 anos com diagnóstico de Parkinson. O trecho
que permite uma referência indireta a essa condição física é
A “decidiu se dedicar a um projeto que capturasse gás carbônico”.
B “a pesquisadora começou a estudar algumas espécies”.
C “Caso funcione, a pesquisa tem potencial para diminuir em 46% o excesso de CO₂”.
D “‘Provavelmente não estarei aqui para ver os resultados’”.
E “Que as superplantas criadas pela bióloga vinguem e vicejem!”.
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Questão 39 Níveis da linguagem Português LC Habilidade 27
Proclamação do amor antigramática
“Dá-me um beijo”, ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala “dá-me” não ama,
Quem ama fala “me dá”
“Dá-me um beijo” é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas “me dá” tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz “amo-te”. Aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: “te gosto”
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
“Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo”.
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
“Vós és o meu bem querer”.
LAGO, M. Disponível em: www.mariolago.com.br. Acesso em: 30 out. 2021.
Nesse poema, o eu lírico defende o uso de algumas estruturas consideradas inadequadas na norma-padrão da língua. Esse
uso, exemplificado por “me dá” e “te gosto”, é legitimado
A pelo contexto de situação discutido ao longo do poema.
B pelas características enunciativas requeridas pelo gênero poema.
C pela interlocução construída entre o eu lírico e os leitores do poema.
D pela mobilização da função poética da linguagem na composição do texto.
E pelo reconhecimento do valor social da variedade de prestígio em textos escritos.
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Questão 40 LC Habilidade 19 Português Interpretação de imagens
Nesse cartum, a predominância da função poética da linguagem manifesta-se na
A ênfase dada à dificuldade de compreensão de um atlas.
B articulação entre a expressão verbal e as imagens representadas.
C singularidade da percepção da autora sobre a área de geografia.
D construção de uma representação cartográfica diferente.
E forma de organização das informações do mapa-múndi.
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Questão 41 Interpretação de texto jornalístico Português LC Habilidade 24
Uma marca de eletrodomésticos que retornou para o mercado brasileiro posicionou painéis em pontos estratégicos da
cidade de São Paulo com frases que trazem histórias reais de mulheres que desa aram padrões e estereótipos, com a
premissa de trazer uma reflexão sobre o Dia da Igualdade Feminina.
Cada uma das 9 frases traz um contraponto instigante e atualiza uma nova ideia em sintonia com o ambiente, dialogando
com a cidade, como “O cara que inventou a cerveja foi uma mulher”, perto de bares, e “O melhor artilheiro da seleção é
uma mulher nordestina”, em frente a estádios de futebol.
Frases como “O pai do wi- foi uma mulher, atriz e refugiada”; “O gênio por trás do GPS foi uma mulher negra”; “O arquiteto
que projetou o MASP foi uma mulher imigrante”; “O ator que mais vezes venceu o Oscar foi uma mulher”; “O cientista
precursor da energia limpa foi uma mulher”; “O primeiro piloto de testes da história foi uma mulher” e “O autor do primeiro
romance do mundo foi uma mulher japonesa” estavam presentes em 15 pontos da cidade de São Paulo.
ALVES, S. Disponível em: www.b9.com.br. Acesso em: 5 nov. 2021 (adaptado).
Ao provocar a reflexão sobre o Dia da Igualdade Feminina, a campanha descrita nesse texto fundamenta-se no(a)
A oposição proposital entre as referências de gênero presentes nas frases.
B relação entre os dizeres do painel e o local estratégico de instalação.
C alusão a grandes feitos científicos que são amplamente conhecidos.
D padrão das frases que favorece a assimilação da mensagem.
E apresentação de temáticas muito presentes no dia a dia.
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Questão 42 LC Habilidade 23 Polissemia Português
A palavra saudade faz parte do vocabulário cotidiano dos portugueses e, também, do povo brasileiro. Mas a nal, qual é a
sua verdadeira origem? Existem algumas especulações sobre a origem de saudade. Há quem defenda que a palavra vem do
árabe saudah. Outros entendem que a sua origem vem do latim sólitas, que significa solidão.
Alguns especialistas indicam que palavras como saud, saudá e suaida signi cam “sangue pisado” e “preto dentro do
coração”. A metáfora perfeita para alguém que carrega no seu coração uma profunda tristeza, tristeza esta que pode ser
causada pela saudade. Os árabes utilizam o termo as-saudá quando querem se referir a uma doença do fígado,
diagnosticada por eles como “melancolia do paciente”.
Em certos idiomas, o signi cado de solitate foi mantido, como é o caso do castelhano (soledad), do italiano (solitudine) ou
do francês (solitude). Em português e no galego (soidade), alterou-se com o tempo. Assim sendo, quando alguém dizia
“tenho saudades de casa” signi cava que sentia “solidão” por não estar em casa. De qualquer forma, os portugueses foram
atribuindo outros signi cados a saudade. Dizem até que passou a fazer parte do dicionário dos portugueses no tempo dos
Descobrimentos Marítimos. Saudade de nia a solidão que os portugueses tinham da sua terra, familiares e amigos, quando
estes partiam para o Brasil.
Disponível em: www.natgeo.pt. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).
Esse texto, que trata da acepção da palavra “saudade” em vários idiomas, tem como objetivo
A questionar sua evolução histórica.
B especular sobre suas origens etimológicas.
C explicar seu processo de dicionarização.
D problematizar seus diferentes sentidos na sociedade.
E defender a tese acerca de sua origem desconhecida.Essa questão possui comentário do professor no site 4000288371
Questão 43 Interpretação de texto LC Habilidade 29 Português
Foram 11 bilhões de palavras examinadas em mais de três milhões de livros que mostraram que a linguagem usada em
romances, durante mais de cem anos, é sexista. Um grupo de cientistas realizou um descomunal trabalho de campo no qual
analisou de forma maciça textos escritos em inglês em livros publicados entre 1900 e 2008. O que foi analisado
exatamente? A correlação entre gêneros e quali cativos em busca de um padrão: o tratamento diferente entre mulheres e
homens em textos escritos.
O estudo utilizou um sistema baseado em inteligência arti cial e aprendizagem de máquina para analisar, palavra por palavra,
as obras publicadas nesse período. A análise concluiu que as mulheres recebem apenas quali cativos relacionados ao seu
físico, enquanto para os homens as referências se concentram principalmente em sua força e personalidade. Os atributos
negativos relacionados ao físico e à aparência nessas obras são observados até cinco vezes mais nas mulheres do que nos
homens.
Os algoritmos aprendem com os textos já escritos e publicados. Assim, um sistema pode considerar bom um modelo que
se repete várias vezes (por exemplo, aquele relacionado à beleza e à mulher) e assimilá-lo em sua execução atual.
ZURIARRAIN, J. M. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 5 nov. 2021 (adaptado).
O desenvolvimento de tecnologias, como os algoritmos e a inteligência arti cial, permite a análise de um grande volume de
dados. Nesse texto, a utilização desses recursos
A avalia as qualidades positivas atribuídas aos homens.
B revela a materialidade linguística de estereótipos de gênero.
C indica a pouca eficácia da aprendizagem de máquina.
D questiona a linearidade de padrões linguísticos.
E atesta cientificamente as diferenças sociais.
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Questão 44 LC Habilidade 2 Objetivos do texto Português
Com essa postagem, o enunciador busca
A divulgar dispositivos legais criados para ajudar no combate a um crime.
B manifestar adesão a uma lei voltada para coibir a prática de um delito.
C incentivar o cidadão a obter informação sobre uma lei por vias informais.
D tornar pública uma lei voltada à criação de perfis nas salas de bate-papo.
E alertar o público usuário de redes sociais sobre mudanças em uma lei vigente.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288367
Questão 45 Interpretação de texto jornalístico LC Habilidade 28 Português
No tempo em que assistíamos televisão no meio da praça
O que eu vou contar nestas próximas linhas não fará sentido para os leitores mais jovens, mas houve um tempo em que
assistíamos televisão no meio da praça. Nessa fase, a propriedade de aparelhos ainda era restrita às camadas mais
abastadas.
Seja no meio de uma praça pública, seja na sala de casa, a televisão cumpriu um importante papel de sociabilização, mesmo
que de forma mitigada. Isso porque, ao contrário do que acontecia na antiguidade, as praças não eram (como ainda não
são) espaços de convivência pública ativa, no máximo um lugar para gastar o tempo, bater um papo. Naqueles tempos, os
aparelhos de TV nas praças reverteram um pouco dessa lógica.
Ao que parece, está se inaugurando no Brasil um novo tempo no campo da pesquisa sobre a televisão e sua inserção
sociocultural nas camadas populares.
Essas pesquisas não podem e não devem ignorar, especialmente, a intensa concentração desses veículos nas mãos de
poucas famílias e grupos econômicos, sob o risco de a televisão no Brasil continuar centrada num modelo antidemocrático,
antimediador, intransitivo, tendo como consequência direta a limitação crescente da participação da população nas
instâncias públicas de decisão (a televisão é uma concessionária de serviço público), só que agora com o agravante da falsa
sensação de que a comunicação se tornou mais democrática com a internet. Que a televisão permaneça por muitos e
muitos anos, mas que o seu atual modelo tenha seus dias contados! Quem sabe com isso um dia voltemos para o meio
da praça, não mais para assistir TV, mas para fazermos valer uma cultura de participação política realmente ativa e instruída,
como uma democracia de fato merece.
ARAÚJO, F. P. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
Embora reconheça o impacto social da televisão e seu importante papel de sociabilização ao longo do tempo, o texto
defende que essa tecnologia passe por mudanças que contribuam para
A ampliar o acesso a aparelhos de TV para toda a população.
B transformar a praça pública em um lugar de convivência social.
C divulgar os resultados de pesquisas sobre sua inserção social.
D fomentar uma maior participação da população nas esferas públicas.
E viabilizar sua permanência no futuro em contraposição ao advento da internet.
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Questão 46 Interpretação de texto jornalístico Português LC Habilidade 22
TEXTO I
A nova opinião pública e as redes digitais
Todas as vezes que os injustiçados do mundo ganham espaço nas telinhas dos gadgets de última geração e nas correntes
caudalosas de e-mails, e o barulho digital é tanto que chega até aos veículos de comunicação tradicionais, muita gente
destaca as boas qualidades do que chamam de uma nova opinião pública.
É difícil não nos confrontarmos com as novas formas que a sociedade utiliza para se inteirar, integrar-se, persuadir,
manipular, controlar, aprender, fazer-se ver e ser vista, conversar e fofocar. Isso porque, o tempo todo, as multidões estão
opinando, capturando imagens em quantidade descomunal e disponibilizando-as facilmente para audiências abrangentes.
Essa produção midiática da multidão, muitas vezes formatada sem preocupações técnicas, éticas e estéticas, com certeza
não contribui para a consolidação de uma conversação democrática, que respeite a alteridade, dê tempo ao contraditório e
à comunicação. Essa nova opinião pública é rápida em linchamentos simbólicos e em expressar preconceitos em
mensagens rapidinhas, de 140 caracteres.
AMADEU, S. Disponível em: www.sescsp.org.br. Acesso em: 26 nov. 2021 (adaptado). 
TEXTO II
Uma nova opinião pública. Será?
A internet inverteu o ecossistema comunicacional. O difícil não é falar. Agora, o grande problema é ser ouvido. Todavia,
quando alguém fala algo que todos queriam ouvir, uma onda imediatamente se forma no oceano informacional e pode gerar
ações concretas nas ruas, nos mercados, nas bolsas de valores.
A rede é um articulador coletivo de diversas causas. Não podemos ter a ilusão de que somente ideias democratizantes e
ligadas à nobre causa da defesa ambiental é que geram adeptos. Uma análise mais aprofundada das ações e do ativismo em
rede permite observar que cada vez mais se formam redes de opinião distintas e muitas vezes opostas.
Por fim, também é preciso notar que a internet é uma rede de arquitetura distribuída. Por isso, sua natureza é mais propícia às
ações democratizadoras, livres e favoráveis ao compartilhamento do que às posturas que visam simplesmente à
dominação, ao controle autoritário e ao impedimento da troca de arquivos digitais.
NASSAR, P. Disponível em: www.sescsp.org.br. Acesso em: 26 nov. 2021 (adaptado).
Com relação à produção da opinião pública na contemporaneidade, os textos I e II divergem sobre o(a)
A compreensão da internet como espaço de construção democrática.
B uso mal-intencionado das tecnologias de informação e comunicação.
C entendimento da internet como meio de exposição de pensamentos.
D impacto das postagens nas redes de defensores de causas minoritárias.
E falta de curadoria dos conteúdos disponíveis nos ambientes virtuais.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288365
Questão 47 LC Habilidade 4 Interpretação de texto jornalístico Português
Nesse texto, ao combinar os gêneros anúncio e manchete de notícia, o autorpretende
A destacar a variedade de informações divulgadas na mídia.
B aproximar o leitor da realidade vivenciada pelas celebridades.
C criticar a superficialidade de notícias em veículos de comunicação.
D ilustrar a inclusão da população carente em campanhas publicitárias.
E conscientizar o leitor acerca da responsabilidade social nos anúncios.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288364
Questão 48 Gêneros textuais Português LC Habilidade 1
A animação Vida Maria
Produzido em computação grá ca 3D e nalizado em 35 mm, o curta-metragem mostra personagens e cenários
modelados com texturas e cores pesquisadas e capturadas no sertão cearense, no Nordeste do Brasil, criando uma
atmosfera realista e humanizada.
O lme nos mostra a história da rotina da personagem Maria José, uma menina de cinco anos de idade que se diverte
aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres
domésticos e trabalhar na roça.
Enquanto trabalha, ela cresce, casa e tem lhos e depois envelhece, e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias
suas filhas, netas e bisnetas.
Disponível em: www.revistaprosaversoearte.com. Acesso em: 1 nov. 2021.
Esse fragmento é caracterizado como gênero sinopse, pois apresenta
A posicionamento da revista sobre a produção da animação.
B relato da história abordada no curta-metragem.
C acontecimentos do cotidiano de uma família.
D história sucinta com poucos personagens.
E fatos da vida de uma menina e seus familiares.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288362
Questão 49 LC Habilidade 21 Interpretação de texto jornalístico Português
A articulação entre os recursos verbais e não verbais utilizados na construção do texto tem como objetivo
A explicar para o público os efeitos de conteúdos enganosos.
B expor a fragilidade de tecnologias digitais na manipulação de dados.
C promover a partilha de conhecimentos por meio de recursos tecnológicos.
D orientar práticas para o reconhecimento de mensagens perigosas em ambientes digitais.
E incentivar a adoção de comportamentos adequados na disseminação de informações.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288360
Questão 50 LC Habilidade 3 Português Interpretação de imagens
Esse cartaz, parte de uma campanha publicitária, tem como propósito
A propagar a atuação de entidades de proteção a crianças.
B divulgar políticas de combate a crimes de violência.
C incentivar denúncias de violência contra crianças.
D estimular a criação de canais de denúncias.
E assegurar o anonimato dos denunciantes.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288359
Questão 51 Interpretação de texto LC Habilidade 9 Português
Rebeca Andrade superou a si mesma, fazendo história. Aos 22 anos, entrou para o Olimpo da ginástica mundial, ostentando
a medalha de prata no individual geral feminino e subindo ao topo do pódio olímpico na prova de salto. Sua caminhada
começou graças a uma tia que viu seu talento e a apresentou à técnica de ginástica da cidade. Não demorou para que
ganhasse o apelido de “Daiane dos Santos 2”. A atleta dá sequência a um legado iniciado por ginastas como Daniele
Hypólito e Daiane dos Santos, respectivamente, primeira medalhista e primeira campeã em campeonatos mundiais. Rebeca
tornou-se a primeira medalhista e campeã olímpica do Brasil na modalidade. Daiane a rmou que admira a jovem atleta, cuja
vitória é permeada por simbolismos importantes. “Durante muito tempo disseram que as pessoas negras não podiam
fazer alguns esportes, e a gente vê hoje a primeira medalha, de uma menina negra. Tem uma representatividade muito
grande atrás de tudo isso”, falou. A ginasta Nádia Comaneci, dona da primeira nota 10 na ginástica, parabenizou a
brasileira em suas redes.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).
A relevância social da conquista de Rebeca Andrade na ginástica se traduz no(a)
A continuidade de um legado iniciado por outras atletas.
B reconhecimento por atletas ícones da modalidade.
C ingresso no esporte por intermédio da família.
D visibilidade étnico-racial no esporte.
E medalha de ouro na modalidade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288358
Questão 52 Interpretação de texto LC Habilidade 10 Português
As práticas corporais representam uma possibilidade de promoção da educação, do lazer e da saúde. A identi cação das
preferências das práticas corporais pode ser um incentivo para a adesão dos usuários aos serviços de saúde mental. Desse
modo, a interação social por meio delas contribui para o desenvolvimento da identidade dos usuários, uma vez que essas
atividades permeiam as dimensões cognitiva, emocional, social e comportamental. Nesse contexto, realizar
atividades físicas, com um viés lúdico, converte-se numa maneira de cuidado com o corpo, gerando avaliações
positivas dos usuários.
SILVA, D. P.; RODRIGUES, L. T.; FLORES, F. F. Estágio em educação física na saúde mental: experiência em ministrar
práticas corporais. Ensino em Perspectivas, n. 1, 2021 (adaptado).
As práticas corporais realizadas em serviços de saúde mental estimulam o(a)
A aprimoramento cognitivo na realização de tarefas.
B aquisição da linguagem para a interação social.
C inserção no mercado de trabalho.
D fortalecimento da identidade.
E expansão da expressão corporal.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288357
Questão 53 Variação linguística Português LC Habilidade 20
A sobrevivência dos pomeranos
Ocorrem no Brasil atual casos como o da língua falada pelos pomeranos, que imigraram para o Brasil devido à Segunda
Guerra Mundial, e que conseguiu manter-se viva em pequenas comunidades do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. Essa
língua, em pleno uso e transmissão no Brasil, não é mais falada na Europa Central, sua região de origem. Após a guerra, a
região onde cava Pomerode foi incorporada à Polônia pela força do regime soviético. Quanto à etnia dos pomeranos,
praticamente foi extinta e os sobreviventes dispersados pela Polônia. Mas a língua permanece viva no Brasil.
CASAL JR., M. Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
De acordo com esse texto, a língua falada pelos pomeranos
A continua sendo transmitida em Pomerode, na Polônia.
B permanece preservada em algumas regiões do Brasil.
C apresenta características distintas no Brasil.
D contribui para o isolamento da Polônia no Leste Europeu.
E foi dispersada por ação do regime soviético.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000288354
Questão 54 Português Estilística LC Habilidade 1
Mestre e companheiro, disse eu que nos íamos despedir. Mas disse mal. A morte não extingue: transforma; não
aniquila: renova; não divorcia: aproxima. Um dia supuseste “morta e separada” a consorte dos teus sonhos e das tuas
agonias, que te soubera “pôr um mundo inteiro no recanto” do teu ninho; e, todavia, nunca ela te esteve mais presente, no
íntimo de ti mesmo e na expressão do teu canto, no fundo do teu ser e na face de tuas ações. Esses catorze versos
inimitáveis, em que o enlevo dos teus discípulos resume o valor de toda uma literatura, eram a aliança de ouro do teu
segundo noivado, um anel de outras núpcias, para a vida nova do teu renascimento e da tua glori cação, com a sócia sem
nódoa dos teus anos de mocidade e madureza, da orescência e fruti cação de tua alma. Para os eleitos do mundo das
ideias a miséria está na decadência, e não na morte. A nobreza de uma nos preserva das ruínas da outra. Quando eles
atravessavam essa passagem do invisível, que os conduz à região da verdade sem mescla, então é que entramos a sentir o
começo do seu reino, o reino dos mortos sobre os vivos.
BARBOSA, R. O adeus da Academia a Machado de Assis. Rio de Janeiro: Agir, 1962.
Esse é um trecho do discurso de Rui Barbosa na Academia Brasileira de Letras em homenagem a Machado de Assis por
ocasião de sua morte. Uma das característicasdesse discurso de homenagem é a presença de
A metáforas relacionadas à trajetória pessoal e criadora do homenageado.
B recursos fonológicos empregados para a valorização do ritmo do texto.
C frases curtas e diretas no relato de vida e da morte do homenageado.
D contraposição de ideias presentes na obra do homenageado.
E seleção vocabular representativa do sentimento de nostalgia.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286067
Questão 55 Português LC Habilidade 22 Interpretação de imagens
Essa campanha publicitária do Ministério da Saúde visa
A divulgar um conjunto de benefícios proporcionados pela amamentação.
B apresentar tratamentos para infecções respiratórias em bebês.
C defender o direito das mulheres de amamentar em público.
D orientar sobre os exercícios para uma boa amamentação.
E informar sobre o aumento de anticorpos nas mães.
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Questão 56 LC Habilidade 3 Interpretação de texto jornalístico Português
Carta aberta à população brasileira
Prezados Cidadãos e Cidadãs, 
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Infelizmente, nosso país ainda não está preparado para atender às
demandas dessa população.
Este é o retrato da saúde pública no Brasil, que, apesar dos indiscutíveis avanços, apresenta um cenário de de ciências e
falta de integração em todos os níveis de atenção à saúde: primária (atendimento de ciente nas unidades de saúde da
atenção básica), secundária (carência de centros de referência com atendimento por especialistas) e terciária (atendimento
hospitalar com abordagem ao idoso centrada na doença), ou seja, não há, na prática, uma rede de atenção à saúde do
idoso.
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) vem a público manifestar suas
preocupações com o presente e o futuro dos idosos no Brasil. É preciso garantir a saúde como direito universal.
Esperamos que tanto nossos atuais quanto os futuros governantes e legisladores re itam sobre a necessidade de investir na
saúde e na qualidade de vida associada ao envelhecimento.
Dignidade à saúde do idoso!
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2014.
Disponível em: www.sbgg.org.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).
O objetivo desse texto é
A A sensibilizar o idoso a respeito dos cuidados com a saude.
B alertar os governantes sobre os cuidados requeridos pelo idoso.
C divulgar o trabalho da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
D informar o setor público sobre o retrocesso da legislação destinada à população idosa.
E chamar a atenção da população sobre a qualidade dos serviços de saúde pública para o idoso.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286065
Questão 57 LC Habilidade 4 Conceitos básicos de português Português
A petição on-line criada por um cidadão paulista surtiu efeito: casado há três anos com seu companheiro, ele pedia a
alteração da de nição de “casamento” no tradicional dicionário Michaelis em português. Na de nição anterior, casamento
aparecia como “união legítima entre homem e mulher” e “união legal entre homem e mulher, para constituir família”.
O novo verbete não traz em nenhum momento as palavras homem ou mulher — agora a de nição de casamento se refere
a “pessoas”.
Para o diretor de comunicação do site onde a petição foi publicada, a iniciativa mostra a “e ciência da mobilização”. “Em
dois dias, mudou-se uma de nição que permanecia a mesma há décadas”, a rma. E conclui: “A plataforma serve para todos
os tipos de causas, para as mudanças que importam para as pessoas.”. 
SENRA, R. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 29 out. 2015.
A notícia trata da mudança ocorrida em um dicionário da língua portuguesa. Segundo o texto, essa mudança foi
impulsionada pela
A inclusão de informações no verbete.
B relevância social da instituição casamento.
C utilização pública da petição pelos cidadãos.
D rapidez na disseminação digital do verbete.
E divulgação de plataformas para a criação de petição
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Questão 58 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 11 Português
A neozelandesa Laurel Hubbard fez história nos Jogos Olímpicos. Apesar de ter cado de fora da disputa por medalhas, a
levantadora de peso deixou sua marca na edição de Tóquio por ser a primeira mulher abertamente transgênero a participar
de uma competição olímpica. No início da carreira, na década de 1990, a neozelandesa participava de disputas na categoria
masculina. Em 2001, aos 23 anos, ela se afastou da atividade. “A pressão de tentar me encaixar em um mundo que talvez
não tenha sido feito para pessoas como eu se tornou um fardo muito grande para suportar.” Em 2012, Laurel começou sua
transição de gênero por meio de terapias hormonais e, em 2013, declarou abertamente ser uma mulher trans. Para o Comitê
Olímpico Internacional, a participação de mulheres trans nos Jogos é permitida caso o nível de testosterona, hormônio que
aumenta a massa muscular, esteja abaixo de 10 nanomols por litro por pelo menos 12 meses.
Disponível em: https://revistagalileu.globo.com Acesso em: 18 nov. 2021 (adaptado).
No texto, os limites do potencial inclusivo do esporte são dados pela
A dificuldade de conseguir bons resultados esportivos.
B dependência de características biológicas padronizadas.
C inexistência de uma categoria para pessoas transgênero
D necessidade de afastamento temporário das competições
E impossibilidade de uso controlado de substâncias
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286063
Questão 59 LC Habilidade 10 Interpretação de texto jornalístico Português
“Ganhei 25 medalhas em mundiais, sete em Jogos Olímpicos, e sou uma sobrevivente de abuso sexual.” Foi assim que
Simone Biles se apresentou ao comitê do Senado norte-americano que investiga as supostas falhas do FBI no caso Larry
Nassar. Biles e outras três atletas, vítimas dos abusos do ex-médico da equipe de ginástica feminina dos EUA, exigiram que
os agentes da investigação sejam processados por falta de ação prévia contra Nassar, agora preso. Biles esclareceu que
culpa Larry Nassar e “todo o sistema que o permitiu e o perpetrou”, acusando a Federação de Ginástica e o Comitê
Olímpico dos Estados Unidos de saberem “muito antes” que ela havia sofrido abusos. A melhor ginasta do mundo é um
ícone. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, uma lesão psicológica a impediu de competir como previa. No entanto, ela chegou
ao topo como uma líder no trabalho de acabar com o preconceito com os problemas de saúde mental. “Não quero que
nenhum outro atleta olímpico sofra o horror que eu e outras centenas suportamos e continuamos suportando até hoje”,
afirmou.
Disponível em https://brasil.elpais.com Acesso em 31 out 2021 (adaptado).
O fato relatado na notícia chama a atenção acerca da necessidade de reflexão sobre a relação entre o esporte e
A o desempenho atlético internacional.
B a dimensão emocional dos atletas.
C os comitês olímpicos nacionais.
D as instituições de inteligência.
E as federações esportivas.
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Questão 60 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 10 Português
O acesso às Práticas Corporais/Atividades Físicas (PC/AF) é desigual no Brasil, à semelhança de outros indicadores sociais
e de saúde. Em geral, PC/AF prazerosas, diversi cadas, mais afeitas ao período de lazer estão concentradas nas
populações mais abastadas. As atividades físicas de deslocamento, trajetos a pé ou de bicicleta para estudar ou trabalhar,
por exemplo, são mais frequentes na classe social menos favorecida. Aqui, há uma relação inversa e perversa entre variáveis
socioeconômicas de acesso às PC/AF. As maiores prevalências de inatividade física foram em mulheres, pessoas com 60
anos ou mais, negros, pessoas com autoavaliação de saúde ruim ou muito ruim, com renda familiar de até quatro salários
mínimos por pessoa, pessoas que desconhecemprogramas públicos de PC/A e residentes em áreas sem locais públicos
para a prática.
KNUTH, A. G.; ANTUNES, P. C. Saúde e Sociedade, n. 2, 2021 (adaptado).
O fator central que impacta a realização de práticas corporais/atividades fisicas no tempo de lazer no Brasil é a
A diferença entre homens e mulheres.
B inexistência de políticas públicas.
C diversidade de faixa etária.
D variação de condição étnica.
E desigualdade entre classes sociais.
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Questão 61 Objetivos do texto LC Habilidade 11 Português
A indústria do esporte eletrônico é um mercado que está crescendo em um ritmo mais rápido do que a economia mundial.
Sua popularidade cresceu muito e no Brasil não é diferente. De acordo com os dados de uma pesquisa, mais de 64% dos
brasileiros que jogam videogame já ouviram falar de esporte eletrônico. No entanto, o que chama a atenção é o
crescimento superior a 10% do público praticante comparado ao ano anterior, que subiu de 44,7% para 55,4%. Trata-se de
um percentual expressivo, já que o Brasil está no top 3 dentre os países que têm maior número de espectadores de esporte
eletrônico do mundo. Comparado ao ano anterior, em 2020, o Brasil teve um marco de crescimento de 20% na audiência.
Mundo afora, a árdua dedicação de grandes gamers contribuiu para o reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional,
aliado a outras cinco federações esportivas e suas desenvolvedoras de jogos, que direcionaram um olhar mais atento ao
assunto, permitindo dar o primeiro passo para concretizar, pela primeira vez na história dos jogos eletrônicos, um evento
olímpico oficial.
Disponível em: https://chicoterra.com. Acesso em: 15 nov. 2021 (adaptado).
O contexto em que o esporte eletrônico é apresentado no texto demonstra o(a)
A condição favorável à expansão dessa modalidade.
B promoção dessa prática por jogadores profissionais.
C impulsionamento de um processo de marketing.
D favorecimento de fabricantes dos jogos.
E modificação da audiência televisiva.
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Questão 62 LC Habilidade 12 Interpretação de texto jornalístico Português
O uso das redes sociais como forma de ampliar universos foi uma descoberta recente para o artista Wolney Fernandes, que
começou a criar quando o ambiente em Goiás era mais árido em relação às artes visuais. “Hoje, ser diferente é uma
potência e quem sabe o que quer com a própria arte encontra espaço”, diz. As colagens artísticas do goiano aparecem em
capas de obras literárias pelo Brasil e exterior.
Disponível em: https://opopular.com.br. Acesso em: 15 nov. 2021 (adaptado).
O artista goiano Wolney Fernandes busca expor seu trabalho por meio de plataformas virtuais com o objetivo de
A dar suporte à técnica de colagem em Artes Visuais, contornando dificuldades práticas.
B aproximar-se da estética visual própria da editoração de obras artísticas, como capas de livros.
C oferecer uma vitrine internacional para sua produção artística, a fim de dar mais visibilidade a suas obras.
D enfatizar o caráter original e inovador de suas criações artísticas, diferenciando-se das artes tradicionais.
E trazer um sentido tecnológico às suas colagens, uma vez que as imagens artísticas são recorrentes nas redes
sociais.
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Questão 63 LC Habilidade 13 Português Interpretação de imagens
Texto I
SEGALL, L. Eternos caminhantes. Óleo sobre tela, 138 x 184 cm. Museu Lasar Segall. IbramMinc. São Paulo, 1919.
Texto II
Em 1933, a obra Eternos caminhantes ingressou em uma das primeiras edições das exposições de Arte Degenerada,
promovida por membros do partido nazista alemão. Nos anos seguintes, ela voltaria a ser exibida na mostra denominada
Exposição da Vergonha, promovida por pequenos grupos abastados. Em 1937, essa obra foi con scada pelo Ministério da
Propaganda daquele país, na grande ação nacional-socialista contra a “Arte Degenerada”.
SCHWARTZ, J. Perseguição à Arte Moderna em tempos de guerra. São Paulo: Museu Lasar Segall, 2018 (adaptado).
Quase cinquenta obras de Lasar Segall foram con scadas pelo regime totalitário alemão na primeira metade do século XX,
entre elas a obra Eternos caminhantes, considerada degenerada por
A representar uma estética tida como inconveniente para o ideário político vigente.
B manifestar um posicionamento político-cultural concebido por grupos de oposição.
C expressar a cultura artística por meio da representação parcial do corpo humano.
D apresentar uma composição que antecipa o imaginário artístico germânico.
E estimular discussões sobre o papel da arte na construção coletiva de cultura.
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Questão 64 LC Habilidade 14 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
TEXTO I
Logo no inicio de Gira, um grupo de sete bailarinas ocupa o centro da cena. Mãos cruzadas sobre a lateral esquerda do
quadril, olhos fechados, troncos que pendulam sobre si mesmos em vaguissimas órbitas, tudo nelas sugere o transe. Está
estabelecido o caráter volátil do que se passará no palco dali para frente. Mas engana-se quem pensa que vai assistir a uma
representação mimética dos cultos afro-brasileiros.
TEXTO II
No diálogo que estabelece com religiões afro-brasileiras, sintetizado na descrição e na imagem do espetáculo, a dança
exprime uma
A crítica aos movimentos padronizados do balé clássico.
B representação contemporânea de rituais ancestrais extintos.
C reelaboração estética erudita de práticas religiosas populares.
D releitura irónica da atmosfera mística presente no culto a entidades.
E oposição entre o resgate de tradições e a efemeridade da vida humana.
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Questão 65 LC Habilidade 18 Literatura contemporânea Literatura
E assim as coisas continuaram acontecendo entre os dois, em quase sustos, um grande por acaso com cacoetes de gestos
de nitivos. Com o Nunca Mais se oferecendo o tempo todo, bastaria dizer foi um prazer ter te conhecido, bastaria não
trocar telefones nem e-mails e enterrar a casualidade com a cal da sabedoria – nada poderia ser de nitivo, os encontros
duravam duas horas ou duas décadas ou duas vezes isso, mas em algum momento necessariamente seria o m. De todos
os grandes amores, De todos os pequenos. De todas as juras, das promessas, de todos os na-alegria-e-na-tristeza. De
todos os não amores, os desamores, os casamentos para sempre, os rancores para sempre, de todas as paralelas que só se
viabilizam na abstração da geometria, de todas as pequenas paixões e de todas as grandes paixões, de tudo que para na
antessala da paixão, de todos os vínculos não experimentados, de todos.
LISBOA, A. Rahushisha. Rio de Janeiro Objetiva 2014.
O recurso que promove a progressão textual, contribuindo para a construção da ideia de que as relações amorosas têm um
enredo comum, é a
A repetição do pronome indefinido "todos".
B utilização do travessão na marcação do oposto.
C retomada do antecedente pelo pronome "isso".
D contraposição de ideias marcada pela conjunção mas.
E substantivação de expressões pela anteposição do artigo.
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Questão 66 Literatura contemporânea Literatura Funções da linguagem
A garganta é a gruta que guarda o som
A garganta está entre a mente e o coração
Vem coisa de cima, vem coisa de baixo e de
[repente um nó (e o que eu quero dizer?)
Às vezes, acontece um negócio esquisito
Quando eu quero falar eu grito, quando eu quero
[gritar eu falo, o resultado
Calo.
ESTRELA D’ALVA, R. Disponível em: https://claudia.abril.com.br. Acesso em: 23 nov. 2021 (fragmento).
A função emotiva presente no poema cumpre o propósito do eu lírico de
A revelar as desilusões amorosas.
B refletir sobre a censura à sua voz
C expressar a dificuldade de comunicação.
D ressaltar a existência de pressões externas.
E manifestar as dores do processode criação.
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Questão 67 LC Habilidade 21 Português Interpretação de imagens
Esse anúncio publicitário, veiculado durante o contexto da pandemia de covid-19, tem por finalidade
A divulgar o canal telefônico de atendimento a casos de violência contra a mulher.
B informar sobre a atuação de uma entidade defensora da mulher vítima de violência.
C evidenciar o trabalho da Defensoria Pública em relação ao problema do abuso contra a mulher.
D alertar a sociedade sobre o aumento da violência contra a mulher em decorrência do coronavírus.
E incentivar o público feminino a denunciar crimes de violência contra a mulher durante o período de isolamento
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Questão 68 Interpretação de texto LC Habilidade 23 Português
“São tantas formas de matar um preto
Que para alguns sua morte é justificada
Devia tá fazendo coisa errada
Se não era bandido, um dia ia ser
Por ser PRETO sua morte é defendida
O PRETO sempre merece morrer”.
A estrofe acima é do poeta e educador social Baticum Proletário, que atua na periferia de Fortaleza, no Ceará, preparando
jovens — em quase sua totalidade negros – para enfrentar as dificuldades impostas pelo racismo estrutural no país.
É a partir da arte que Baticum consegue envolver a juventude em um projeto de fortalecimento dessa população ao
promover batalhas de rimas, slams e saraus com temáticas que discutem os problemas sociais. Não por acaso, o tema mais
explorado nas rimas, versos e prosas é a violência. De acordo com o mais recente Atlas da violência, em 2019, os negros
representaram 77% das vítimas de homicídios, quase 30 assassinatos por 100 mil habitantes, a maioria deles jovens.
O Atlas revela ainda que um negro tem quase 2,7 vezes mais chance de ser morto do que um branco, o que justi ca o
movimento de resistência crescente no Brasil.
MENDONÇA. F. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 22 nov. 2021 (adaptado).
O uso de citação e de dados estatísticos nesse texto tem o objetivo de
A ressaltar a importância da poesia para denunciar a morte de negros, que cresce a cada dia.
B destacar o crescimento exponencial da temática do preconceito na produção literária no Brasil.
C demonstrar o incremento no quantitativo de expressões artísticas na discussão de problemas sociais.
D evidenciar argumentos que reforçam a ideia de que os negros são vítimas em potencial da violência.
E salientar o aumento da participação de jovens nos movimentos de resistência na área da cultura.
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Questão 69 Objetivos do texto Português LC Habilidade 24
No princípio era o verbo. A frase que abre o primeiro capítulo do Evangelho de João e remete à criação do mundo, assim
como também faz o Gênesis, é a mais famosa da Bíblia. A ideia de que o mundo é criado pela palavra, porém, é tão
estruturante que está presente em outras religiões, para muito além das fundadas no cristianismo. Como humanos, a
linguagem é o mundo que habitamos. Basta tentar imaginar um mundo em que não podemos usar palavras para dizer de nós
e dos outros para compreender o que isso signi ca. Ou um mundo em que aquilo que você diz não é entendido pelo outro,
e o que o outro diz não é entendido por você.
O que acontece então quando a palavra é destruída e, com ela, a linguagem?
Durante séculos, em diferentes sociedades e línguas, é importante lembrar, a linguagem serviu — e ainda serve — para
manter privilégios de grupos de poder e deixar todos os outros de fora. Quem entende linguagem de advogados, juízes e
promotores, linguagem de médicos, linguagem de burocratas, linguagem de cientistas? A maior parte da população foi
submetida à violência de proposital mente ser impedida de compreender a linguagem daqueles que determinam seus
destinos.
Se o princípio é o verbo, o m pode ser o silenciamento. Mesmo que ele seja cheio de gritos entre aqueles que já não têm
linguagem comum para compreender uns aos outros.
BRUM, E. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 5 nov. 2021.
Nesse texto, a estratégia usada para convencer o leitor de que uma grande parcela da população não compreende a
linguagem daqueles que detêm o poder foi
A revelar a origem religiosa da linguagem.
B questionar o temor sobre o futuro da linguagem.
C descrever a relação entre sociedade e linguagem.
D apresentar as consequências do esfacelamento da linguagem.
E criticar o obstáculo promovido pelos usos especializa- dos da linguagem.
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Questão 70 LC Habilidade 25 Níveis de signif icação da linguagem Português
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará desenvolveu um dicionário para traduzir sintomas de
doenças da linguagem popular para os termos médicos. Defruço, chanha e piloura, por exemplo, podem ser termos
conhecidos para muitos, mas, durante uma consulta médica, o desconhecimento pode significar um diagnóstico errado.
“Isso é um registro histórico e pode ser muito útil para estudos dessas comunidades, na abordagem médica delas. É de
certa forma pioneiro no Brasil e, sem dúvida, um instrumento de trabalho importante, porque a comunicação é fundamental
na relação médico-paciente”, avalia o reitor da instituição.
Disponível em: https://gl.globo.com. Acesso em: 1 nov. 2021 (adaptado).
Ao registrarem usos regionais de termos da área médica, Pesquisadores
A apontaram erros motivados pelo desconhecimento da variedade linguística local.
B explicaram problemas provocados pela incapacidade de comunicação.
C descobriram novos sintomas de doenças existentes na comunidade.
D propiciaram melhor compreensão dos sintomas dos pacientes.
E divulgaram um novo rol de doenças características da localidade.
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Questão 71 LC Habilidade 26 Variação linguística Português
Mandioca, macaxeira, aipim e castelinha são nomes diferentes da mesma planta. Semáforo, sinaleiro e farol também
signi cam a mesma coisa. O que muda é só o hábito cultural de cada região. A mesma coisa acontece com a Língua
Brasileira de Sinais (Libras). Embora ela seja a comunicação o cial da comunidade surda no Brasil, existem sinais que variam
em relação à região, à idade e até ao gênero de quem se comunica. A cor verde, por exemplo, possui sinais diferentes no
Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. São os regionalismos na língua de sinais.
Essas variações são um dos temas da disciplina Linguística na língua de sinais, oferecida pela Universidade Estadual Paulista
(Unesp) ao longo do segundo semestre. “Muitas pessoas pensam que a língua de sinais é universal, o que não é verdade”,
explica a professora e chefe do Departamento de Linguística, Literatura e Letras Clássicas da Unesp. “Mesmo dentro de um
mesmo país, ela sofre variação em relação à localização geográ ca, à faixa etária e até ao gênero dos usuários” completa a
especialista.
Os surdos podem criar sinais diferentes para identi car lugares, objetos e conceitos. Em São Paulo, o sinal de “cerveja” é
feito com um giro do punho como uma meia- volta. Em Minas, a bebida é citada quando os dedos in- dicador e médio
batem no lado do rosto. Também ocorrem mudanças históricas. Um sinal pode sofrer alterações decorrentes dos costumes
da geração que o utiliza.
Disponível em: www.educacao.sp.gov.br. Acesso em 1 nov. 2021 (adaptado)
Nesse texto, a Língua Brasileira de Sinais (Libras)
A passa por fenômenos de variação linguística como qualquer outra língua.
B apresenta variações regionais, assumindo novo sentido para algumas palavras.
C sofre mudança estrutural motivada pelo uso de sinais diferentes para algumas palavras.
D diferencia-se em todo o Brasil, desenvolvendo cada região a sua própria língua de sinais.
E é ininteligível para parte dos usuários em razão das mudanças de sinais motivadas geograficamente.
Essa questão possui comentário do professor no site4000286040
Questão 72 Objetivos do texto Português LC Habilidade 27
Como é bom reencontrar os leitores da Revista da Cultura por meio de uma publicação com outro visual, conteúdo de
qualidade e interesses ampliados! ]cultura[, este nome simples, e eu diria mesmo familiar, nasce entre dois colchetes voltados
para fora. E não é por acaso: são sinais abertos, receptivos, propícios à circulação de ideias. O DNA da publicação se
mantém o mesmo, a nal, por longos anos montamos nossas edições com assuntos saídos das estantes de uma grande
livraria — e assim continuará sendo. Literatura, sociologia, loso a, artes… nunca será difícil montar a pauta da revista porque
os livros nos ensinam que monotonia é só para quem não lê.
HERZ, P. J ]cultura[, n. 1, jun. 2018 (adaptado).
O uso não padrão dos colchetes para nomear a revista atribui-lhes uma nova função e está correlacionado ao(à)
A perfil de público-alvo, constituído por leitores exigentes e especializados em leitura acadêmica.
B propósito do editor, chamando a atenção para o rigor normativo nos textos da revista.
C exclusividade na seleção temática, direcionada para a área das ciências humanas.
D identidade da revista, voltada para a recepção e a promoção de ideias circulantes em livros.
E padrão editorial dos artigos, organizados em torno de uma proposta de design inovador.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286039
Questão 73 LC Habilidade 30 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
As cinzas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, consumido pelas chamas no mês de setembro de 2018, são mais do que
restos de fósseis, cerâmicas e espécimes raros. O museu abrigava, entre mais de 20 milhões de peças, os esqueletos com
as respostas para perguntas que ainda não haviam sido respondidas — ou sequer feitas — por pesquisadores brasileiros. E o
incêndio pode ter calado para sempre palavras e cantos indígenas ancestrais, de línguas que não existem mais no mundo.
O acervo do local continha gravações de conversas, cantos e rituais de dezenas de sociedades indígenas, muitas feitas
durante a década de 1960 com antigos gravadores de rolo e que ainda não haviam sido digitalizadas. Alguns dos registros
abordavam línguas já extintas, sem falantes originais ainda vivos. “A esperança é que outras instituições tenham registros
dessas línguas”, diz a linguista Marilia Facó Soares. A pesquisadora, que trabalha com os índios Tikuna, o maior grupo da
Amazônia brasileira, crê ter perdido parte de seu material. “Terei que fazer novas viagens de campo para recompor meus
arquivos. Mas obviamente não dá para recuperar a fala de nativos já falecidos, geralmente os mais idosos”, lamenta.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 10 dez. 2018 (adaptado).
A perda dos registros linguísticos no incêndio do Museu Nacional tem impacto potencializado, uma vez que
A exige a retomada das pesquisas por especialistas de diferentes áreas.
B representa danos irreparáveis à memória e à identidade nacionais.
C impossibilita o surgimento de novas pesquisas na área.
D resulta na extinção da cultura de povos originários.
E inviabiliza o estudo da língua do povo Tikuna.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286036
Questão 74 LC Habilidade 30 Interpretação de texto jornalístico Português
Na Idade Média, as notícias se propagavam com surpreendente e cácia. Segundo uma emérita professora de Sorbonne,
um cavalo era capaz de percorrer 30 quilômetros por dia, mas o tempo podia se acelerar dependendo do interesse da
notícia. As ordens mendicantes tinham um papel importante na disseminação de informações, assim como os jograis, os
peregrinos e os vagabundos, porque todos eles percorriam grandes distâncias. As cidades também tinham correios
organizados e selos para lacrar mensagens e tentar certi car a veracidade das correspondências. Graças a tudo isso, a
circulação de boatos era intensa e politicamente relevante. Um exemplo clássico de fake news da era medieval é a história
do rei que desaparece na batalha e reaparece muito depois, idoso e transformado.
Disponível em: www.elpais.com.br. Acesso em: 18 jun. 2018 (adaptado)
A propagação sistemática de informações é um fenômeno recorrente na história e no desenvolvimento das sociedades. No
texto, a eficácia dessa propagação está diretamente relacionada ao (à)
A velocidade de circulação das notícias.
B nível de letramento da população marginalizada.
C poder de censura por parte dos serviços públicos.
D legitimidade da voz dos representantes da nobreza.
E diversidade dos meios disponíveis em uma época histórica.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286035
Questão 75 LC Habilidade 29 Interpretação de texto jornalístico Português
Se a interferência de contas falsas em discussões políticas nas redes sociais já representava um perigo para os sistemas
democráticos, sua sofisticação e maior semelhança com pessoas reais têm agravado o problema pelo mundo.
O perigo cresceu porque a tecnologia e os métodos evoluíram dos robôs, os “bots” — softwares com tarefas on-line
automatizadas —, para os “ciborgues” ou “trolls”, contas controladas diretamente por humanos com ajuda de um pouco de
automação.
Mas pesquisadores começam agora a observar outros padrões de comportamento: quando mensagens não são
programadas, sua publicação se concentra só em horários de trabalho, já que é controlada por pessoas cuja pro ssão é
exatamente essa, administrar um perfil falso durante o dia.
Outra pista: a pobreza vocabular das mensagens publicadas por esses per s. Um funcionário de uma empresa que
supostamente produzia e vendia per s falsos explica que às vezes “faltava criatividade” para criar mensagens distintas
controlando tantos perfis falsos ao mesmo tempo.
GRAGNANI, J. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 16 dez. 2017.
De acordo com o texto, a análise de características da linguagem empregada por perfis automatizados contribui para o(a)
A controle da atuação dos profissionais de TI.
B desenvolvimento de tecnologias como os "trolls".
C flexibilização dos turnos de trabalho dos controladores.
D necessidade de regulamentação do funcionamento dos "bots"
E identificação de padrões de disseminação de informações inverídicas.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286034
Questão 76 LC Habilidade 23 Interpretação de texto jornalístico Português
Maio foi colorido de amarelo, e o foi porque mundialmente amarelo é a cor convencionada para as advertências. No
trânsito, essas advertências têm sido fatais. A estimativa, caso nada seja feito, é a de que se atinjam assustadoras 2,4 milhões
de mortes no trânsito em 2030 em todo o mundo.
A pressa constante, o sentimento de invencibilidade, a certeza de invulnerabilidade, a necessidade de poder, a falta de
civilidade, a certeza de impunidade, a ausência de solidariedade, a inexistência de compaixão e o desrespeito por si próprio
são circunstâncias reais que, não raro, concorrem para o comportamento violento no trânsito.
O Maio Amarelo, que preconiza a atenção pela vida, é uma das iniciativas nesse sentido. E é precisamente a atenção pela
vida que está esquecida. Essa atenção, por certo, requer menos pressa, mais civilidade, limites assegurados, consciência de
vulnerabilidade, solidariedade, compaixão e respeito por si e pelo outro. Rea rmar e praticar esses princípios e valores
talvez seja um caminho mais seguro e menos violento, que garanta a vida e não celebre a morte.
Disponível em: http://portaldotransito.com.br. Acesso em: 11 dez. 2018 (adaptado).
Considerando os procedimentos argumentativos utilizados, infere-se que o objetivo desse texto é
A enumerar as causas determinantes da violência no trânsito.
B contextualizar a campanha de advertência no cenário mundial.
C divulgar dados numéricos alarmantes sobre acidentes de trânsito.
D sensibilizar o público para a importância de uma direção responsável.
E restringir os problemas da violência no trânsito a aspectos emocionaisEssa questão possui comentário do professor no site 4000286033
Questão 77 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 9 Português
A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em
1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema
tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos” mais rápido, mais alto, mais forte – juntos.
A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.
Disponível em: https://ge.globo.com Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado)
De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a
A unificação do lema anterior ao atual.
B aproximação entre o lema olímpico e o COI.
C junção do lema olímpico com os princípios esportivos.
D associação entre o lema olímpico e a cooperatividade.
E vinculação entre o lema olímpico e os eventos atléticos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286032
Questão 78 Variação linguística Literatura LC Habilidade 27
De quem é esta língua?
Uma pequena editora brasileira, a Urutau, acaba de lançar em Lisboa uma “antologia antirracista de poetas estrangeiros em
Portugal”, com o título Volta para a tua terra.
O livro denuncia as diversas formas de racismo a que os imigrantes estão sujeitos. Alguns dos poetas brasileiros
antologiados queixam-se do desdém com que um grande número de portugueses acolhe o português brasileiro. É uma
queixa frequente.
“Aqui em Portugal eles dizem / — eles dizem – / que nosso português é errado, que nós não falamos português”, escreve a
poetisa paulista Maria Giulia Pinheiro, para concluir: “Se a sua linguagem, a lusitana, / ainda conserva a palavra da opressão /
ela não é a mais bonita do mundo./ Ela é uma das mais violentas”.
AGUALUSA, J. E. Disponível em: https.iloglobo.globo.com Acesso em: 22 nov. 2021 (adaptado).
O texto de Agualusa tematiza o preconceito em relação ao português brasileiro. Com base no trecho citado pelo autor,
infere-se que esse preconceito se deve
A à dificuldade de consolidação da literatura brasileira em outros países.
B aos diferentes graus de instrução formal entre os falantes de língua portuguesa.
C à existência de uma língua ideal que alguns falantes lusitanos creem ser a falada em Portugal.
D ao intercâmbio cultural que ocorre entre os povos dos diferentes países de língua portuguesa.
E à distância territorial entre os falantes do português que vivem em Portugal e no Brasil.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000286030
Questão 79 Tipos textuais
Chargistas zeram, a convite, releituras da obra de Pedro Américo, publicadas no Caderno Especial Independência 200, da
Folha de São Paulo, em 7 de setembro de 2022. Leia o depoimento e a charge da Laerte publicados nesse Caderno.
Texto 1
Texto 2
Conheci o quadro numa visita escolar ao Museu Paulista, devia ter 10 anos. Me deram uma máquina fotográ ca (parecia
uma caixa, abria e se colocava o lme lá dentro). Alguém tinha colocado pra mim um lme de 36 poses. Fiz fotos de tudo
que me pareceu lindo ou importante, a pintura do Pedro Américo fazia parte. No nal da visita, dei uma olhada num pequeno
visor que mostrava quantas fotos tinham sido batidas e quantas faltavam para o lme terminar. Abri a máquina pra conferir.
Alguém me alertou, mas era tarde. Perdi todas, pobre Pedro Américo. Daí pra frente não consigo pensar no quadro sem
lembrar as tecnologias que tanto me desorientam. (Adaptado)
a) Explique por que a charge (texto 3) pode ser considerada uma releitura da obra de Pedro Américo (texto 1). Fundamente
sua explicação com elementos da charge.
b) Transcreva o trecho do texto 2 que traduz o sentimento da Laerte em relação ao quadro, após a visita ao Museu Paulista.
Como esse sentimento se reflete na releitura que faz do quadro?
Essa questão possui comentário do professor no site 4000275716
Questão 80 Classes variáveis
Considere a peça publicitária para responder à questão:
https://plugcitarios.com/blog/2013/08/04/15-anuncios-do-greenpeace-que-deveriam-mudar-o-mundo/. Adaptado. 
a) Explique como imagem e texto reforçam a relação entre passado e futuro expressa na peça publicitária. 
b) Tomando como referência o pronome possessivo “suas”, em que consiste a ambiguidade do texto publicitário?
Essa questão possui comentário do professor no site 4000275374
Questão 81 Coesão e coerência
Leia o trecho e responda à questão: 
Artistas não fazem arte apenas. Artistas criam e preservam mitos que tornam suas obras in uentes. Enquanto os pintores do
século XIX enfrentavam questões de credibilidade, Marcel Duchamp, o avô da arte contemporânea, fez da crença sua
preocupação artística central. Em 1917, ele declarou que um mictório suspenso era uma obra de arte intitulada Fonte. Ao
fazer isso, atribuiu aos artistas em geral um poder quase divino de designar qualquer coisa que quisessem como arte. Não é
fácil defender esse tipo de autoridade, mas é essencial para um artista que deseja obter sucesso. Numa esfera na qual tudo
pode ser arte, não existe nenhuma medida objetiva de qualidade, de modo que o artista ambicioso deve estabelecer seus
próprios padrões de excelência. A construção de padrões exige não apenas uma imensa autocon ança, mas também a
convicção dos outros. Como deidades competitivas, os artistas precisam hoje agir de modo a conquistar um séquito el.
Ironicamente, ser artista é um ofício. 
Sarah Thornton. O que é um artista? Trad. Alexandre Barbosa de Souza. 2015. Adaptado.
a) Considerando o sentido de “arte” e de “artista” no texto, explique por que, ironicamente, ser artista é um ofício. 
b) “A construção de padrões exige não apenas uma imensa autocon ança, mas também a convicção dos outros”.
Identifique os elementos coesivos do período transcrito e explique que ideia transmitem no texto.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000275373
Questão 82 Sintaxe textual
Leia o fragmento e responda à questão: 
A história do gênero biogra a nasceu de tal maneira colada à historiogra a do XIX que, a princípio, nem ao menos recebeu
nome ou alcunha. A nal, ele resumia a própria disciplina. O modelo dessa forma de fazer história era aquele que consagrava
ao pro ssional a capacidade de enaltecer e engrandecer aquele que seria biografado. Histórias de reis, príncipes, senadores
e governantes eram as mais recomendadas, para todo aquele que quisesse digni car seu personagem, mas também sua
pátria e nacionalidade. No Brasil, o gênero foi amplamente praticado pelo Instituto Histórico e Geográ co que nasceu
voltado ao enaltecimento do Império. Só se faziam estudos de grandes vultos, assim como era prática do estabelecimento
fazer biogra a dos “outros próceros” e dos da “casa”. Assim, ao lado das trajetórias de reis, rainhas, governadores gerais,
literatos de fama, realizavam-se, no dia a dia da instituição, relatos biográ cos sobre os sócios locais. Não por coincidência
media-se a importância do associado, a partir da pessoa que realizava sua biogra a. Isto é, quando um dos sócios falecia,
dizia a regra local que era preciso realizar uma peça biográfica que seria impressa nas páginas da revista do estabelecimento.
É muito fácil entender a economia interna da instituição que costumava avaliar a relevância do homenageado a partir da
projeção e proeminência daquele que redigia a homenagem, a qual também era dirigida à instituição e à própria nação,
como num jogo de dominó. 
Lilia Moritz Schwarcz. “Biogra a como gênero e problema”. 2013. Adaptado. Disponível em:
https://repositorio.usp.br/item/002720404 
a) Tendo em vista as informações sobre o gênero “biografia”, explique o sentido da expressão “jogo de dominó” no texto. 
b) Considerando a função sintática da locução "a princípio” e da oração “quando um dos sócios falecia”, justi que a
utilização das vírgulas.
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Questão 83 Ef eitos do texto Português
Para responder à questão, examine a tirinha da cartunista Laerte.
Contribui para o efeito de humor da tirinha o contraste entre
A a linguagem hermética do pai e a linguagem pedante do filho.
B a linguagem coloquial do pai e a linguagem concisa do filho.
C a linguagem erudita do pai e a linguagem enigmática do filho.
D a linguagem formal do pai e a linguagem coloquial do filho. 
E a linguagem informal do pai e a linguagem desleixada do filho.
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Questão 84 Morf ologia Português
Para responder à questão, examine a tirinha da cartunista Laerte.
Na fala do pai, os dois pronomes relativos “que” referem-se, respectivamente, a
A “vida” e “Deus”.
B “momento” e “caminho”.
C “Deus” e “caminho”.
D “momento” e “Deus”.
E “vida” e “fortuna”.
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Questão 85 Figuras de linguagem
Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “O recado da mata”, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro,
para o livro A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert.
A queda do céu é um acontecimento cientí co incontestável, que levará, suspeito, alguns anos para ser
devidamente assimilado pela comunidade antropológica. Mas espero que todos os seus leitores saibam identi car de
imediato o acontecimento político e espiritual muito mais amplo, e de muito grave signi cação, que ele representa. Chegou
a hora, em suma; temos a obrigação de levar absolutamente a sério o que dizem os índios pela voz de Davi Kopenawa —
os índios e todos os demais povos “menores” do planeta, as minorias extranacionais que ainda resistem à total dissolução
pelo liquidi cador modernizante do Ocidente. Para os brasileiros, como para as outras nacionalidades do Novo Mundo
criadas às custas do genocídio americano e da escravidão africana, tal obrigação se impõe com força redobrada. Pois
passamos tempo demais com o espírito voltado para nós mesmos, embrutecidos pelos mesmos velhos sonhos de cobiça e
conquista e império vindos nas caravelas, com a cabeça cada vez mais “cheia de esquecimento”, imersa em um
tenebroso vazio existencial, só de raro em raro iluminado, ao longo de nossa pouco gloriosa história, por lampejos de
lucidez política e poética. Davi Kopenawa ajuda-nos a pôr no devido lugar as famosas “ideias fora do lugar”, porque o seu é
um discurso sobre o lugar, e porque seu enunciador sabe qual é, onde é, o que é o seu lugar. Hora, então, de nos
confrontarmos com as ideias desse lugar que tomamos a ferro e a fogo dos indígenas, e declaramos “nosso” sem o menor
pudor [...].
(A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, 2015.)
Considerando a palavra “esquecimento” na acepção de “falta de memória”, a expressão “cheia de esquecimento”
constitui, em si,
A uma sinestesia.
B um pleonasmo.
C um paradoxo.
D um eufemismo.
E uma personificação.
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Questão 86 Interpretação de texto literário
Para responder à questão, leia o capítulo CXVII do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
A história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto So a a ache vulgar, vale a pena dizê-la. Fique desde já admitido
que, se não fosse a epidemia das Alagoas, talvez não chegasse a haver casamento; donde se conclui que as catástrofes são
úteis, e até necessárias. Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas
linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona, — um triste molambo de mulher, — chorava o seu desastre,
a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-
lhe se a casa era dela.
— É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo.
— Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto?
O padre que me contou isto certamente emendou o texto original; não é preciso estar embriagado para acender um
charuto nas misérias alheias. Bom padre Chagas! — Chamava-se Chagas. — Padre mais que bom, que assim me incutiste
por muitos anos essa ideia consoladora, de que ninguém, em seu juízo, faz render o mal dos outros; não contando o
respeito que aquele bêbado tinha ao princípio da propriedade, — a ponto de não acender o charuto sem pedir licença à
dona das ruínas. Tudo ideias consoladoras. Bom padre Chagas!
(Quincas Borba, 2012.)
No trecho “Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas linhas.”
(1º parágrafo), a inclusão do leitor na narrativa pode ser constatada pelo termo
A “basta”.
B “ouvi”.
C “aqui”.
D “lhes”.
E “dou”.
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Questão 87 Interpretação de texto literário
Para responder à questão, leia o capítulo CXVII do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
A história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto Sofia a ache vulgar, vale a pena dizê-la. Fique desde já admitido
que, se não fosse a epidemia das Alagoas, talvez não chegasse a haver casamento; donde se conclui que as catástrofes são
úteis, e até necessárias. Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas
linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona, — um triste molambo de mulher, — chorava o seu desastre,
a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-
lhe se a casa era dela.
— É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo.
— Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto?
O padre que me contou isto certamente emendou o texto original; não é preciso estar embriagado para acender um
charuto nas misérias alheias. Bom padre Chagas! — Chamava-se Chagas. — Padre mais que bom, que assim me incutiste
por muitos anos essa ideia consoladora, de que ninguém, em seu juízo, faz render o mal dos outros; não contando o
respeito que aquele bêbado tinha ao princípio da propriedade, — a ponto de não acender o charuto sem pedir licença à
dona das ruínas. Tudo ideias consoladoras. Bom padre Chagas!
(Quincas Borba, 2012.)
“A história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto Sofia a ache vulgar, vale a pena dizê-la.” (1º parágrafo)
No contexto em que se insere, a oração sublinhada expressa ideia de
A finalidade.
B consequência.
C condição.
D concessão.
E conclusão.
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Questão 88 Flexão verbal Português
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte E
tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não posso sofrer no ano passado 
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro 
Belchior. “Sujeito de sorte”. 
Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música:
I - Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico
do texto.
II. - A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sentimento inesperado em relação ao sentido de “muito
moço”.
III. – As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos distintos, apresentam sentido denotativo. 
Está correto o que se afirma em:
A I, apenas.
B II, apenas.
C I e II, apenas.
D II e III, apenas.
E I, II e III.
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Questão 89 Português Interpretação de imagens
Disponível em https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Adaptado.
Da leitura da tira, depreende-se que
A o filho leva o pai a uma reflexão inócua a respeito do patrimônio público.
B o patrimônio público é restrito a equipamentos dispostos nas vias de uma cidade.
C as lixeiras e as placas de trânsito não fazem parte do patrimônio público.
D a destruição de hospitais, universidades, florestas e estatais é também crime dedano ao patrimônio público.
E o pai e o filho discordam quanto aos efeitos da depreciação do patrimônio público.
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Questão 90 Variação linguística Português
Disponível em https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Adaptado.
Os verbos “detonar” e “avariar”, no texto, são exemplos de
A usos linguísticos próprios de gêneros da área jurídica.
B termos cujos sentidos se contradizem na composição da tira.
C vocábulos empregados informalmente.
D recursos linguísticos inadequados à situação de comunicação.
E escolhas vocabulares associadas ao contexto de cada personagem.
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Questão 91 Elementos do texto Português
TEXTO PARA A QUESTÃO
Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo nanceiro
que “engole” a linguagem do protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação social e
política a partir do próprio mercado
Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear as
novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a
impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.
Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a consciência
de sua superexploração; tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir de agora, o
próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a
cultura do empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais importante, se ele
falhar nessa empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso
socialmente construído. 
SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021.
O uso dos verbos “passar” (2º parágrafo) e “tentar” (3º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela
A adequação à forma analítica da voz passiva.
B construção com conjunção integrante.
C marcação da impessoalidade do discurso.
D informalidade correspondente ao gênero discursivo.
E ênfase na reciprocidade da linguagem.
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Questão 92 Interpretação de texto Português
TEXTO PARA AS QUESTÃO
Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo nanceiro
que “engole” a linguagem do protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação social e
política a partir do próprio mercado
Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear as
novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a
impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.
Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em "colaborador", para eufemizar e esconder a consciência
de sua superexploração; tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir de agora, o
próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a
cultura do empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais importante, se ele
falhar nessa empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso
socialmente construído. 
SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021.
De acordo com o texto, o uso de "colaborador” no lugar de “trabalhador”, no campo das relações de trabalho, indica
A o apagamento da linguagem de reivindicação e a falsa ideia de um trabalhador fortalecido.
B a valorização do trabalhador vigiado pelo Estado nas tradicionais relações empregatícias.
C a difusão da cultura da meritocracia, que fortalece as relações do trabalhador com o Estado.
D a consciência do patrão que rejeita a cultura do neoliberalismo.
E o impedimento de o trabalhador investir na prática do empreendedorismo.
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Questão 93 Interpretação de texto Português
Disponível em https://incrivel.club/admiracao-fotografia/. Adaptado. 
Com base na peça publicitária da Anistia Internacional, é correto afirmar que
A a correlação verbo-visual, reforçada pela polissemia do verbo “desligar”, contrapõe quem vive e quem observa a
guerra.
B os pronomes “você” e “eles” indicam compatibilidade ideológica entre grupos de regiões diferentes.
C a linguagem visual impede a conscientização acerca das realidades das zonas de guerra.
D a omissão do verbo no segundo período do texto coloca o leitor como participante da guerra.
E os recursos visuais possuem independência da expressão linguística na interpretação da publicidade.
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Questão 94 Vírgula Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,
vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação, e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
“o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância” (2º parágrafo) 
Nesse trecho, a segunda vírgula é empregada com a finalidade de
A separar o vocativo.
B indicar a supressão de um verbo.
C separar dois objetos diretos.
D separar o sujeito de seu predicado.
E indicar a supressão do conectivo “e”.
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Questão 95 Morf ologia Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação, e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
Em “eu não me dignaria [...] a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que
sempre seja uma só e a mesma.” (2o parágrafo), a locução sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do
texto, por:
A visto que.
B assim que.
C desde que.
D ainda que.
E de modo que.
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Questão 96 Relações de sinonímia e antônímia Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,
vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação, e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
No segundo parágrafo, depreende-se das reflexões de Montaigne a íntima relação entre
A sabedoria e contradição.
B sabedoria e intemperança.
C ignorância e temperança.
D ignorância e inconstância.
E vício e constância.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000273642
Questão 97 Interpretação de texto literário Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,
vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação, e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
No primeiro parágrafo, Montaigne ressalta que mesmo os bons autores tendem a
A adulterar a própria história de vida.
B manipular a biografia de um homem.
C enaltecer a própria história de vida.
D depreciar a própria história de vida.
E subestimar a biografia de um homem.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000273641
Questão 98 Interpretação de texto Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,
vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação,e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
Do ponto de vista temático, o texto de Montaigne dialoga especialmente com a seguinte citação:
A “Sou um homem; não considero alheio a mim nada do que é humano.” (Terêncio, 185-159 a.C.)
B “Não se deve indagar sobre tudo: é melhor que muitas coisas permaneçam ocultas.” (Sófocles, 486-406 a.C.)
C “Nunca acontece algo que, por natureza, não sejamos capazes de suportar.” (Marco Aurélio, 121-180 d.C.)
D “O hábito é o melhor mestre em todas as coisas.” (Plínio, 23-79 d.C.)
E “E amanhã não seremos o que fomos, nem o que somos.” (Ovídio, 43 a.C.-18 d.C.)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000273640
Questão 99 Relações de sinonímia e antônímia Português
Para responder à questão leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).
Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a
natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados
em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem,
vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o su ciente, atribuem-
nas à dissimulação. Creio mais di cilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais
facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões
de dizer a verdade.
Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro,
que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as
regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”,
“eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível
que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de
moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o
começo de toda virtude são a re exão e a deliberação, e seu m e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela re exão,
pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que
acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”
(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)
De acordo com Montaigne, as ações humanas caracterizam-se
A pela volubilidade.
B pela arrogância.
C pelo egoísmo.
D pela dissimulação.
E pela obstinação.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000273639
Questão 100 Interpretação de texto Português
Examine a tirinha da cartunista Laerte, publicada em sua conta do Instagram em 28.03.2022.
A se acreditar na narrativa do sapo,
A os solstícios e os equinócios seriam consequência de uma espécie de disputa entre o pai e a mãe da Terra.
B a Lua permaneceria imóvel no céu, quando vista da superfície da Terra.
C o dia e a noite seriam consequência de uma espécie de disputa entre o pai e a mãe da Terra.
D as quatro estações seriam consequência de uma espécie de disputa entre o pai e a mãe da Terra.
E o Sol permaneceria imóvel no céu, quando visto da superfície da Terra.
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Questão 101 Conceitos básicos de português Português
Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para
responder à questão
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres¹,
Posta nas palmas toda a picardia,
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)
¹Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza
os verdadeiros “homens nobres”
No soneto, verifica-se rima entre palavras de classes gramaticais diferentes
A em “vizinha”/“esquadrinha” (2ª estrofe) e em “nobres”/ “pobres” (3ª /4ª estrofes).
B em “vinha”/“cozinha” (1ª estrofe) e em “olheiro”/“terreiro” (2ª estrofe).
C em “conselheiro”/“inteiro” (1ª estrofe) e em “olheiro”/ “terreiro” (2ª estrofe).
D em “conselheiro”/“inteiro” (1ª estrofe) e em “vizinha”/ “esquadrinha” (2ª estrofe)
E em “desavergonhados”/“mercados” (3ª /4ª estrofes) e em “nobres”/“pobres” (3ª /4ª estrofes).
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Questão 102 Português Sintaxe do período simples
Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para
responder à questão
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres¹,
Posta nas palmas toda a picardia,
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)
¹Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza
os verdadeiros “homens nobres”
No soneto, o pronome “o” refere-se a
A “mundo”.
B “terreiro”.
C “conselheiro”.
D “olheiro”.
E “vizinho”.
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Questão 103 Português Interpretação de imagens
Examine o cartum de Paul Noth, publicado pela revista The New Yorker em 18.02.2021.
“Of course you feel great. These things are loaded with antidepressants.”
O cartum ironiza, sobretudo, um problema de
A êxodo rural.
B degradação das áreas urbanas.
C saúde pública.
D desigualdade social.
E desequilíbrio ambiental.
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Questão 104 Português Vozes verbais
Leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).
Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava
parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar
e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:
— Mãe, venha ouvir: está a bater!
A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo
de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.
Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só
piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi
ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar
na fronte a menina despertou:
— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.
A mãe sortiu-se de medo, aconchegouo lençol como se protegesse a lha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena
se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu,
rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A
senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do
seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]
Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa
imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.
Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a
mãe não escutava os piares.
— Agora não sonha, filha?
— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!
Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:
— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.
O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:
— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.
— Morta, a minha menina? Mas, assim...?
— Esta é a sua maneira de estar morta.
A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo
dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da
vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:
— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade. 
A mãe regressou à casa e encontrou a lha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela,
tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.
— Então, minha querida não escutou nada?
Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não
encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.
Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra ores que a mãe
depositou ao pé da cama. Ao m da tarde, as duas, mãe e lha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em
sinal de respeito.
E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir.
Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.
(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho:
A “A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta.” (1º parágrafo)
B “Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol.” (21º parágrafo)
C “Clareou a voz, para melhor se autorizar.” (12º parágrafo)
D “E o caso se vai seguindo, estória sem história.” (22º parágrafo)
E “Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.” (7º parágrafo)
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Questão 105 Processos de f ormação de palavras Português
Leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).
Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava
parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar
e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:
— Mãe, venha ouvir: está a bater!
A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo
de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.
Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só
piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi
ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar
na fronte a menina despertou:
— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.
A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a lha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena
se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu,
rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A
senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do
seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]
Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa
imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.
Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a
mãe não escutava os piares.
— Agora não sonha, filha?
— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!
Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:
— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.
O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:
— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.
— Morta, a minha menina? Mas, assim...?
— Esta é a sua maneira de estar morta.
A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo
dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da
vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:
— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade. 
A mãe regressou à casa e encontrou a lha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela,
tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.
— Então, minha querida não escutou nada?
Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não
encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.
Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra ores que a mãe
depositou ao pé da cama. Ao m da tarde, as duas, mãe e lha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em
sinal de respeito.
E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir.
Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.
(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
Constitui exemplo de neologismo formado pelo processo de sufixação a palavra
A “inexistisse” (18º parágrafo).
B “derradeiragem” (7º parágrafo).
C “intacta” (1º parágrafo).
D “descobrem” (21º parágrafo).
E “imobilidade” (7º parágrafo).
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Questão 106 Mia Couto Tipos de discurso direto indireto e indireto livre Interpretação de texto literário
Leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).
Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava
parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar
e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:
— Mãe, venha ouvir: está a bater!
A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciandopingo
de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.
Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só
piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi
ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar
na fronte a menina despertou:
— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.
A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a lha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena
se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu,
rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A
senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do
seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]
Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa
imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem.
Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a
mãe não escutava os piares.
— Agora não sonha, filha?
— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!
Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:
— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.
O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:
— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.
— Morta, a minha menina? Mas, assim...?
— Esta é a sua maneira de estar morta.
A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo
dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da
vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:
— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade. 
A mãe regressou à casa e encontrou a lha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela,
tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.
— Então, minha querida não escutou nada?
Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não
encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.
Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra ores que a mãe
depositou ao pé da cama. Ao m da tarde, as duas, mãe e lha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em
sinal de respeito.
E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir.
Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.
(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
Além da variedade de discursos diretos e indiretos, a narrativa de cção, a partir das últimas décadas do século XIX, utiliza
um tipo de discurso que consiste na combinação dos já existentes, misturando valores estilísticos de um e de outro: é o
discurso indireto livre. O discurso indireto livre não deixa claro quem está com a palavra, se o narrador ou a personagem.
(Nilce Sant’Anna Martins. Introdução à estilística, 1989. Adaptado.)
Constitui exemplo de discurso indireto livre o seguinte trecho:
A “— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!” (9º parágrafo)
B “A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta.” (1º parágrafo)
C “A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro.” (6º parágrafo)
D “Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida?” (16º parágrafo)
E “— Morta, a minha menina? Mas, assim...?” (14º parágrafo)
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Questão 107 Ironia e humor Português
Examine a tirinha do cartunista Silva João, publicada em sua conta do Instagram em 26.09.2019.
O efeito de humor da tirinha está centrado na ambiguidade do termo
A “inspire”.
B “cheguei”.
C “bolso”.
D “acreditei”.
E “sonho”.
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Questão 108 Interpretação de texto Português
“Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem, as arma, as
bebida, as puta
Eu?! Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola automática e
um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno”.
(RACIONAIS MC’S. Gênesis. In: Sobrevivendo no inferno. São Paulo: Companhia das Letras, p. 45, 2018.)
A palavra “Gênesis” dá nome ao primeiro livro da Bíblia. Considerando a obra, na íntegra, dos Racionais MC’s e o excerto
acima dela reproduzido, pode-se dizer que, em relação a esse trecho, “gênesis” seria uma alusão
A à influência do cristianismo na dinâmica das comunidades periféricas.
B ao colapso planetário entrevisto já na origem do mundo natural.
C à origem divina do mundo contraposta aos problemas criados pelo homem.
D à origem religiosa dos conflitos armados e da violência social no Brasil.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000272779
Questão 109 Interpretação de texto Português
Texto 1 
“Desde que, naufragado, se salvara, o marinheiro vivia ali... Como ele não tinha meio de voltar à pátria, e cada vez que se
lembrava dela sofria, pôs-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido: pôs-se a fazer ter sido sua uma outra pátria, uma
outra espécie de país com outras espécies de paisagens, e outra gente, e outro feitio de passarem pelas ruas e de se
debruçarem das janelas (...)”
(PESSOA, Fernando. O Marinheiro. Campinas: Editora da UNICAMP, p. 59, 2020.)
Texto 2 
“Na capacidade para amoldar-se a todos os meios, em prejuízo, muitas vezes de suas próprias características raciais e
culturais, revelou o português melhores aptidões de colonizador do que os demais povos (...). Os portugueses precisaram
anular-se durante o longo tempo para a nal vencerem. Como o grão de trigo dos Evangelhos, o qual há de primeiramente
morrer para depois crescer e dar muitos frutos.” 
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, p. 224, 2016.)
Levando em conta os textos 1 e 2, assinale a alternativa correta.
A O marinheiro e o colonizador português são capazes de criar valores e paisagens, reinventando-se, a ponto de
forjarem outra realidade e outra memória do passado.
B O marinheiro e o colonizador português constroem novos mundos e valores no além-mar, mas são incapazes de
anular sua identidade original.
C O marinheiro e o colonizador português, apesar do esforço de construção cultural, limitam-se a transpor
integralmente o que aprenderam no passado para as configurações do futuro.
D O marinheiro e o colonizador português acabam anulando suas identidades originais, representando, assim, figuras
inquestionáveis de niilismo.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000272777
Questão 110 Conceitos básicos de português Português
Na última crônica da série “Bons dias!”, de 29 de agosto de 1889, série na qual um tema são as questões gerais em torno do
curandeirismo, o narrador enuncia: 
“Hão de fazer-me esta justiça, ainda os meus mais ferrenhos inimigos; é que não sou curandeiro, eu não tenho parente
curandeiro, não conheço curandeiro, e nunca VI. cara, fotogra a ou relíquia, sequer, de curandeiro. Quando adoeço, não é
de espinhela caída*, — coisa que podia aconselhar-me a curanderia; é sempre de moléstias latinas ou gregas. Estou na
regra; pago impostos, sou jurado, não me podem arguir a menor quebra de dever público.”
(ASSIS, Machado de. Bons dias! Campinas: Editora da UNICAMP, p.295, 2008.)
*espinhela caída: designação popular para doenças caracterizadas por dores pelo corpo (peito, costas e pernas), além de
cansaço físico.
Na “profissão de fé”, feita pelo narrador da crônica no parágrafo citado, percebe-se
A a distinção do narrador como uma figura avessa ao curandeirismo, por crença na ciência dos filósofos e
pensadores gregos e latinos, o que marca o tom crítico da série.
B a caracterização do narrador como uma figura superior à população em geral, o que ecoa o tom analítico das
crônicas dessa série.
C a repetição exagerada da palavra “curandeiro” (e “curanderia”) no trecho, como marca estilística da simplicidade
linguística das crônicas dessa série.
D personificação gerada por “quando adoeço (...) é sempre de moléstias latinas ou gregas”, como marca do estilo
empolado do narrador nessa série de crônicas.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000272774
Questão 111 Variação linguística Português
Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegrá co de dizer que tal coisa é
muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua diferente do português que tenha incorporado um conceito parecido
na própria estrutura das palavras, criando o que foi apelidado de “su xo frustrativo”. Bom, é assim no kotiria, um idioma da
família linguística tukano falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a
função “frustrativa”, o kotiria usa um su xo com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que
queria indo até lá? Basta pegar o verbo ir, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”. 
(Adaptado de: LOPES, R. J. L. A sofisticação das línguas indígenas. Superinteressante, 18/11/2021.)
O excerto, retirado de uma revista de jornalismo cientí co, exempli ca um processo de formação de palavras na língua
indígena kotiria e o compara com o uso da hashtag #sqn. É correto afirmar que essa comparação
A cria uma falsa equivalência, pois os processos morfológicos em kotiria e em português são diferentes.
B enfatiza a construção de efeitos de sentido parecidos por meio de processos distintos em kotiria e no português
de internet.
C permite compreender processos idênticos de formação de palavras nas línguas portuguesa e kotiria.
D ressalta as diferenças no uso dos sufixos –ma, em kotiria, e #sqn, no português usado na internet.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000272773
Questão 112 Ironia e humor Português
(Fonte: Twitter. https://twitter.com/_paulo_bruno/status/1513855458456616969. Acesso em 03/06/2022.)
O texto apresenta a reprodução de uma postagem em Twitter do ilustrador e quadrinista Paulo Bruno. Considerando o texto
e as duas imagens do tuíte, assinale a alternativa que melhor descreve o sentido de “interpretação” nesse contexto particular
de uso.
A A imaginação, em desenho, do ponto de vista da selfie que é tematizada na foto.
B A adulteração, no desenho, do significado da foto pela mudança de perspectiva.
C A cópia, em ilustração, de uma fotografia que mostra a produção de uma selfie.
D A recriação, em fotografia, da ilustração que simula uma selfie em grupo.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000272772
Questão 113 Objetivos do texto Português
Quebrando o silêncio dos hospícios
Stella do Patrocínio, apesar de ser reconhecida postumamente como poeta, nunca se de niu assim e não escreveu
nenhuma das linhas que estão no livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, pelo qual cou conhecida. A potência
de suas palavras se encontra no seu falatório (como chamava suas falas), que foi preservado em tas de áudio pela artista
plástica Carla Guagliardi. As conversas entre as duas foram gravadas durante o cinas de arte para pacientes psiquiátricos,
entre 1986 e 1988, e o livro, publicado muitos anos depois da morte de Patrocínio, é um recorte de frases dela, transcritas
desses diálogos.
As falas de Patrocínio são de uma mulher negra e pobre que foi levada à força pela polícia e internada, no Centro Pedro 2º
e depois na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde cou por trinta anos; quando morreu, foi enterrada como
indigente. A história de Patrocínio é a história de milhares de vítimas que foram encarceradas nos hospícios brasileiros por
serem consideradas “desajustadas”. Em sua maioria negras. Ali, elas sofreram abusos, violências e torturas, além de serem
abandonadas pelo Estado. 
(Adaptado de: Quebrando o silêncio dos hospícios. Quatro cinco um, 05/2022, p. 27.)
Com base ainda no texto, “falatório” pode ser considerado como
A a modalidade declamada dos poemas de Stella do Patrocínio.
B uma prática discursiva oral nomeada por Stella do Patrocínio.
C a denominação, usada no manicômio, para conversas terapêuticas.
D um gênero de poesia transcrita produzida por Stella do Patrocínio.
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Questão 114 Interpretação de texto literário Português
Quebrando o silêncio dos hospícios
Stella do Patrocínio, apesar de ser reconhecida postumamente como poeta, nunca se de niu assim e não escreveu
nenhuma das linhas que estão no livro Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, pelo qual cou conhecida. A potência
de suas palavras se encontra no seu falatório (como chamava suas falas), que foi preservado em tas de áudio pela artista
plástica Carla Guagliardi. As conversas entre as duas foram gravadas durante o cinas de arte para pacientes psiquiátricos,
entre 1986 e 1988, e o livro, publicado muitos anos depois da morte de Patrocínio, é um recorte de frases dela, transcritas
desses diálogos.
As falas de Patrocínio são de uma mulher negra e pobre que foi levada à força pela polícia e internada, no Centro Pedro 2º
e depois na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde cou por trinta anos; quando morreu, foi enterrada como
indigente. A história de Patrocínio é a história de milhares de vítimas que foram encarceradas nos hospícios brasileiros por
serem consideradas “desajustadas”. Em sua maioria negras. Ali, elas sofreram abusos, violências e torturas, além de serem
abandonadas pelo Estado. 
(Adaptado de: Quebrando o silêncio dos hospícios. Quatro cinco um, 05/2022, p. 27.)
Examinando a relação do título com o corpo do excerto da reportagem de revista, o que representa a quebra do “silêncio
dos hospícios”?
A A morte esquecida de Stella do Patrocínio em uma instituição para reclusão de pessoas com transtornos mentais
(ou assim consideradas).
B As oficinas de arte que permitiram a Stella do Patrocínio tornar pública a sua voz e as histórias de mulheres
encarceradas em instituições manicomiais.
C O livro de Stella do Patrocínio que narra as histórias de mulheres vítimas de violência manicomial, abandonadas
pelo Estado.
D As falas gravadas de Stella do Patrocínio que expressam tanto o seu percurso individual quanto a história de
outras mulheres.
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Questão 115 Conceitos básicos de português Português
Papo Preto: Vamos falar sobre transfeminismo? 
Neste episódio do podcast Papo Preto, o apresentador Yago Rodrigues e a cinegra sta Débora Oliveira recebem Jarda
Maria, que se tornou símbolo da luta pelos direitos das transexuais em Recife após ingressar na Universidade Federal de
Pernambuco. Ela fala sobre os desa os de ocupar e se manter no ambiente acadêmico e da importância de compreender o
que é o transfeminismo.
Jarda explica que o conceito de transfeminismo ou feminismo trans surge nos EUA quando foi percebido que as pautas
discutidas no feminismo não abarcavam a situação das mulheres trans e travestis. Ela diz que há muita cobrança em cima da
comunidade de transexuais e travestis sobre os motivos e as causas da violência que sofrem todos os dias, mas as
respostas devem partir da sociedade, que deve praticar a não violência e dar exemplos.
“Nós já estamos preocupadas em pensar esses meios de sobrevivência, queas pessoas que movimentam a transfobia
pensem os movimentos de enfrentamento. A transfobia e a travestifobia são problemáticas cisgêneras e não nossa. Nós
somos vítimas desse processo”, afirma Jarda.
(PAPO PRETO 69: Vamos falar sobre transfeminismo? [Locução de] Yago Rodrigues. S. I. Ecoa Produções, 09/03/2020.
Podcast. Disponível em https://uol.com.br/ecoa/videos/2022/03/09/papo-preto-69-vamos-falar-sobre-
transfeminism0.htm. Acesso em 20/10/2022.)
Sobre as ocorrências do item trans no texto, podemos afirmar que
A introduzem termos como transfeminismo e transfobia, que servem para conceituar tipos de violência contra
mulheres trans.
B o seu emprego em transfeminismo indica que a pauta feminista já se estende às mulheres trans, mas ainda exclui
as travestis.
C é empregado como antônimo do prefixo cis- para indicar que a transfobia e a travestifobia devem preocupar
apenas as pessoas cisgêneras.
D remete a transexuais e travestis no termo feminismo trans, que é sinônimo de transfeminismo e abrange grupos
não incluídos na pauta feminista.
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Questão 116 Polissemia Português
Texto 1
(MARZ, Marília. Folha de São Paulo, 4 jun. 2022, p. A2.)
Texto 2
Cracolândia vive 30 anos de eterno retorno
Repressão à droga não faz mais do que dispersar usuários; especialistas cobram articulação de políticas
Ela surgiu na Santa E gênia, nos cruzamentos da rua dos Gusmões com as pequenas ruas dos Protestantes e do Triunfo,
logo atrás da Estação Ferroviária da Luz, no centro de São Paulo. E há quase 30 anos, migra de um quarteirão para outro,
em modo constante, se esparramando pelos bairros vizinhos. 
A itinerância da maior cena aberta de uso de crack e outras drogas do país, batizada de cracolândia nos anos 1990, é fruto
ora de um jogo de esconde-esconde, a partir do mando do crime organizado, ora do empurra-empurra das operações
policiais que incidem sobre ela, onde quer que esteja. 
(Adaptado de MENA, Fernanda, Cracolândia vive 30 anos de eterno retorno. Folha de São Paulo, 4 jun. 2022, p. B4.)
Indique a alternativa que apresenta palavras ou termos do Texto 2 diretamente relacionados a elementos representados na
charge (Texto 1).
A “articulação de políticas” e “esconde-esconde”
B “empurra-empurra” e “eterno retorno”
C “itinerância” e “crime organizado”
D “repressão à droga” e “bairros vizinhos”
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Questão 117 LC Habilidade 12 Interpretação de texto Português
O povo indígena Wajãpi utiliza o Kusiwa — reconhecido como bem imaterial da humanidade em 2003 — como repertório
codi cado de padrões grá cos que decora e colore o corpo e os objetos. Para além de enfeitar, Kusiwa aparece como
“arte”, “marca”, “pintura” e “desenho”. Esses gra smos ultrapassam a noção estética e alcançam a cosmologia e as crenças
religiosas.
ALMEIDA, C. S.; CARDOSO, P. B. Arte coussiouar, perspectivas históricas de alteridade e reconhecimento. Espaço
Ameríndio, n. 1, jan.-jul. 2021.
O povo Wajãpi, que vive na Serra do Tumucumaque, entre Amapá, Pará e Guiana Francesa, vivencia práticas culturais que
A perdem significado quando desprovidas de elementos gráficos.
B revelam uma concepção de arte para além de funções estéticas.
C funcionam como elementos de representação figurativa de seu mundo.
D padronizam uma mesma identidade gráfica entre diferentes povos indígenas.
E primam pela utilização dos grafismos como contraposição ao mundo imaginário.
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Questão 118 Variação linguística LC Habilidade 11 Português
Muitas brincadeiras preservam sua estrutura inicial, outras modi cam-se recebendo novos conteúdos. A força de tais
brincadeiras explica-se pelo poder da expressão oral. Como manifestação livre e espontânea da cultura popular, a
brincadeira tradicional tem a função de perpetuar a cultura infantil, desenvolver formas de convivência social e permitir o
prazer de brincar.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.
Dentre os jogos e as brincadeiras expressos na cultura popular, que se perpetuam e se transformam pela tradição oral,
podemos reconhecer o(a)
A jogo popular do pião e do bilboquê.
B jogo popular do queimado e o voleibol.
C brincadeira da amarelinha e a esgrima.
D brincadeira de esconde-esconde e o balé.
E jogo popular do taco e a ginástica artística.
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Questão 119 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 9 Português
Diante de uma fórmula consagrada, mas dando indícios de desgaste, a Federação Internacional de Vôlei quis mudar. No
calendário há quase três décadas, a Liga Mundial e o Grand Prix deram origem à nova Liga das Nações. Mas, além das
mudanças de formato, a competição promete revolucionar a forma com que o esporte chega ao público e também atende
a um pedido antigo das mulheres: a igualdade na premiação. A competição dará US$ 1 milhão para o campeão de cada
gênero. Há algumas temporadas, as mulheres contestavam a diferença na premiação. A nova Liga das Nações, no entanto,
atende ao pedido e iguala o valor recebido nos dois naipes. “Estamos compreendendo antes dos demais o espaço das
mulheres no esporte. Até então tínhamos a Liga Mundial masculina, que pagava 1 milhão de dólares para o campeão, e o
Grand Prix, que distribuía para a campeã feminina US$ 350 mil. Já no ano passado, o prêmio do Grand Prix subiu para US$
600 mil. Com a criação da Liga das Nações, igualamos as premiações. Ao dar a mesma premiação para os dois gêneros,
estamos dizendo ao mundo inteiro que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos” — disse o presidente da FIVB.
Disponível em: https://globoesporte.globo.com. Acesso em: 9 jun. 2018 (adaptado).
A modalidade esportiva apresentada no texto caracteriza-se por ser
A inovadora, ao equiparar a premiação para ambos os sexos.
B obsoleta, ao premiar homens e mulheres de forma desigual.
C reconhecida, ao manter o formato de seus eventos por décadas.
D desgastada, ao não atender a uma demanda do público espectador.
E conservadora, ao resistir à mudança do formato de seus eventos.
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Questão 120 LC Habilidade 12 Interpretação de texto jornalístico Português
Dentre as músicas clássicas que tinham potencial para ganhar as ruas das grandes cidades brasileiras, uma se destacou e
acabou se transformando em um recado ao inconsciente coletivo: se as notas ouvidas lá longe são a melodia Für Elise,
interpretada ao piano, é um caminhão vendendo gás que se aproxima. Essa história, que torna a obra do compositor
alemão Ludwig van Beethoven um meme nacional, começou quando as rmas de venda de gás porta a porta queriam uma
solução para substituir o barulho das buzinas e os gritos de “Ó o gás”. Com o objetivo de diminuir a poluição sonora, a
prefeitura de São Paulo promulgou a Lei n. 11 016, em 1991, que institui que “Fica proibido o uso da buzina, pelos caminhões
de venda de gás engarrafado a domicílio, para anunciar a sua passagem pelas vias e logradouros”. Entregadores de
empresas de distribuição de gás recorreram a chips com músicas livres de direitos autorais. No início, não era apenas Für
Elise — notas de outros temas clássicos também eram ouvidas. Mas a força da bagatela beethoveniana composta em 1810
acabou se sobrepondo às demais e virou praticamente um símbolo.
Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 21 dez. 2020 (adaptado).
Ludwig van Beethoven (1770-1827) é mundialmente conhecido como um dos maiores representantes da música de
concerto do período romântico. A adoção de uma de suas obras mais difundidas como anúncio de venda de gás
engarrafado indica a
A utilização da música erudita como forma de educar a população em geral.
B manutenção da música europeia nos mais variados aspectos da cultura brasileira.
C contribuição que a obra do compositor alemão tem na diminuiçãoda poluição sonora.
D modificação da função que uma obra artística pode sofrer em diferentes épocas e lugares.
E articulação entre o poder público e as empresas para contornar as limitações das leis de direito autoral.
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Questão 121 LC Habilidade 17 Interpretação de texto Português
Os homens estavam tratando de negócios e eu quei longe pra não atrapalhar. Já tinha ido com meu pai a muitos lugares e
sabia que, quando ele queria falar de negócio, não gostava que eu casse por perto pedindo isso e aquilo. O secos e
molhados era um mundo, enorme, eu me perdi lá dentro. Gostei de circular de um canto a outro [...]. Percebi que as vozes se
alteravam e escutei a do meu pai apertada, mais baixa que as outras. Não sei por que, em vez de ver o que estava
acontecendo, me escondi atrás das prateleiras e tentei ouvir o que eles diziam. Não entendi nada, mas pelo tom da
conversa, percebi que meu pai estava triste. [...] O dono do armazém, cigarro pendurado na boca, sorriu, anotou qualquer
coisa num saco de papel e en ou a caneta sobre a orelha. Tinha uma cara feia e, ao mesmo tempo, me deu raiva e dó dele.
[...] Meu pai disse, “Vamos, tá na hora”, e pagou a conta, a mercadoria não era boa, que ele compreendesse. Saímos. Antes
de chegar na Kombi, olhei de rabo de olho e vi, surpreso, que meu pai estava chorando. Na hora eu achei que seria melhor
não olhar, até procurei ngir, pra ele se controlar. Eu senti que ele se envergonharia se eu percebesse. Andamos depressa, a
grande mão dele no meu ombro, num toque leve, um carinho resignado. Como quem não quer nada, z que estava atento
ao movimento das ruas, mas via a dor cobrindo o rosto dele quando o sol cintilou seus olhos.
CARRASCOZA, J. A. Aos 7 e aos 40. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
No texto, a relação entre os personagens adquire uma representação tensa, na perspectiva do narrador--personagem, que
reconhece a
A humilhação sofrida pelo pai na negociação.
B ameaça nas atitudes do dono do comércio.
C compaixão pelo comportamento paterno.
D tensão entre os homens do armazém.
E hierarquia entre adulto e criança.
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Questão 122 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 10 Português
Saúde aprova implantação de 82 academias em praças públicas na PB
Setenta e oito municípios paraibanos deverão receber 82 unidades das Academias da Saúde, que são espaços apropriados
para a prática de atividades físicas. Os equipamentos são montados ao ar livre, e a população tem orientação gratuita sobre
o uso dos aparelhos para se exercitar. A implantação das academias faz parte de um plano de ações estratégicas para o
enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, cuja meta é reduzir as mortes prematuras em 2% ao ano. O
o bje tivo é alcançar melhorias em indicadores relacionados ao tabagismo, ao álcool, ao sedentarismo, à
alimentação inadequada e à obesidade.
Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 11 nov. 2011 (adaptado).
No texto, a atividade física é associada à prevenção de doenças crônicas, à redução da mortalidade e à promoção da
saúde. A partir de uma perspectiva ampliada e crítica sobre o conceito de saúde, interpretada como resultado de múltiplos
fatores, o texto
A reforça a necessidade de a atividade física ser orientada por um professor de educação física.
B considera a saúde de forma multifatorial, ou seja, resultante da interferência de diversos fatores.
C estabelece relação de causa-efeito entre atividade física e saúde, desconsiderando os condicionantes sociais.
D destaca a importância da atividade física como lazer para a sociedade brasileira.
E estabelece relações entre a prática de atividade física e a prevenção de doenças como a aids e a hepatite.
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Questão 123 Interpretação de texto jornalístico Português LC Habilidade 24
Reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise
Todo início de ano as pessoas fazem uma lista de propósitos para serem perseguidos ao longo dos próximos 12 meses. Ao
que tudo indica, o próximo ano será um período de extrema dificuldade. Reciclar pode ser uma alternativa.
Esse conceito — por ser muito abrangente — nos propicia uma re exão. No dia a dia pessoal, dentro de casa, podemos
reciclar roupas, sapatos, objetos de uso pessoal etc. Ou seja, ao adotarmos tal atitude, não gastamos o escasso e suado
dinheiro disponível. Vale também minimizar desperdícios. A vantagem dessa “consciência ecológica” acaba por bene ciar o
meio ambiente e também o bolso. 
Reciclar hábitos é muito difícil. Quantos se lembram de apagar a luz quando deixam um ambiente? E de desligar o chuveiro
quando estão se ensaboando?
Se estou desempregado ou com pouco dinheiro, não preciso ir à academia (e me endividar ainda mais) para cuidar da
saúde. Caminhar pelos parques ou jardins pode ser uma alternativa. Quantas vezes nos deparamos com pessoas andando —
ou correndo — nas ruas? Isso pode ser imitado. Não tem custo algum!
E nas nanças pessoais? Disciplina, disciplina. Reduzir o consumo desenfreado, os gastos desnecessários e pesquisar muito
antes de comprar o que é realmente essencial: supermercado, farmácia etc. Na verdade, as compras passam por gestão. Se
compro roupa nova (necessária), deixo para comprar sapato ou bolsa no mês que vem. Além de evitar o endividamento
numa hora de emprego difícil e renda baixa, o planejamento de gastos torna-se essencial.
Quem consegue poupar R$ 10,00 por semana terá R$ 40,00 no nal do mês. Ao longo do ano, terá acumulado quase R$
500. Sem sofrimento. Não foi uma reciclagem de hábito?
CALIL, M. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).
Para convencer o leitor de que a reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise, o autor desse texto
A sugere o planejamento dos gastos familiares com o acompanhamento de um gestor.
B revela o sofrimento ocasionado pela reciclagem de hábitos já arraigados na sociedade.
C utiliza perguntas retóricas direcionadas a um público leitor engajado em causas ambientais.
D apresenta sua preocupação em relação à dificuldade enfrentada pela indústria da reciclagem.
E faz um paralelo entre os ganhos da reciclagem para o meio ambiente e para as finanças pessoais.
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Questão 124 Interpretação de texto jornalístico LC Habilidade 28 Português
O boato insiste em ser um gênero da comunicação. Um rumor pode nascer da má-fé, do mal-entendido ou de uma
trapalhada qualquer. O primeiro impulso é acreditar, porque: 1 - con amos em quem o transmite; 2 - é sicamente impossível
veri car a veracidade de tudo; 3 - os meios de comunicação estão sistematicamente relapsos com a veri cação de
seus conteúdos e, se eles fazem isso, o que nos impede?
O boato não informa, mas ensina: mostra como uma sociedade se prepara para tomar posição. A nossa tem se aplicado na
tarefa de desmantelar equipes de jornalistas que dão nome de “informação” a todo tipo de “copia e cola” difundido pela
internet como se fosse um fato verídico. A comunicação atual depende, cada vez mais, do modo como vamos lidar com os
rumores.
PEREIRA JR., L. C. Língua Portuguesa, n. 93, jul. 2013 (adaptado).
Em relação aos boatos que circulam ininterruptamente na internet, esse texto reconhece a importância da posição tomada
pelo internauta leitor ao
A confiar nos contatos pessoais que transmitiram a informação.
B acompanhar e reproduzir o comportamento dos meios de comunicação.
C seguir as contas dos jornalistas nas diversas redes sociais existentes.
D excluir de seus contatos usuários que não confirmam a veracidade das notícias.
E pesquisar em diferentes mídias a veracidade das notícias que circulam na rede.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277503
Questão 125 LC Habilidade 3 Português Interpretação de imagens
No cartum, o confronto entre primatas produz um efeito dehumor que se vincula à função social de
A criticar a postura humana de fazer piada com assuntos sérios.
B acentuar a necessidade de respeito entre as diferentes espécies.
C questionar a indiferença do homem em relação ao meio ambiente.
D alertar a população para a conveniência do desenvolvimento tecnológico.
E destacar a limitação humana para a percepção da realidade da vida animal.
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Questão 126 Objetivos do texto Português LC Habilidade 24
Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival (2001)
Drama de trabalhadoras domésticas na cidade de São Paulo, mostradas a partir do cotidiano de Cida, Roxane, Quitéria,
Raimunda e Créo. Uma quer se casar; a outra é casada, mas sonha com um marido melhor; uma sonha em ser artista de
novela e a outra acredita que tem por missão na Terra servir a Deus e à sua patroa. Todas têm sonhos distintos, mas vivem a
mesma realidade: trabalhar como empregada doméstica. Conduzido com humor (e uma trilha musical dos hits populares do
Brasil brega dos anos 1970), o lme de Meirelles e Olival retrata o universo particular dessa categoria de trabalhadoras
domésticas. É curioso que, em nenhum momento, aparecem patrões ou patroas. A narrativa de Domésticas se desenvolve
segundo a ótica contingente das classes subalternas, dos de baixo, com seus anseios e sonhos, expectativas e frustrações.
Não aparecem situações de luta social por direitos, o que sugere que o lme se detém na epiderme da consciência de
classe contingente, expressando, desse modo, a fragmentação das perspectivas de vida e trajetórias das domésticas (quase
como um destino, como observa na palavra nal a doméstica Roxane). Do mesmo modo, ao retratar Zé Pequeno (em
Cidade de Deus), Meirelles tratou sua sina de bandido quase como destino. É baseado na peça de teatro de Renata Melo
(2005).
Disponível em: www.telacritica.org. Acesso em: 25 ago. 2017 (adaptado).
A sinopse, para convencer o leitor a assistir ao filme Domésticas, lança mão da seguinte estratégia de linguagem:
A Reflexão sobre a língua utilizada pelas personagens do filme.
B Avaliação positiva do filme disfarçada de comparação.
C Referência à mídia cinematográfica.
D Descrição de cenas do filme.
E Apelação ao leitor.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277501
Questão 127 Interpretação de texto Português LC Habilidade 22
TEXTO I
Há uma geração inteira sem conseguir emprego. Grande parte sonha com um concurso público. Não é novidade, multidões
sempre correram atrás de emprego municipal, estadual ou federal. Espanta é a disposição para trabalhar em qualquer área,
fora do que consideravam sua vocação. Em crise, vocação é ter salário. Há quem continue na casa dos pais,
inde nidamente. Ou quem volte. O problema é que nem sempre dá certo. Mães e pais que têm aposentadoria ainda
asseguram a sobrevivência dos filhos. É uma geração à deriva.
CARRASCO, W. Disponível em: http://epoca.globo.com. Acesso em: 23 ago. 2017(adaptado).
TEXTO II
Ah, a casa da avó! Sinônimo de comidinha gostosa, muita brincadeira, vontades feitas. O imaginário de muita gente traz da
infância as melhores lembranças da casa da avó. Mas o que para muitos é apenas um local para brincadeiras e férias, para
outros, nos últimos tempos, tem sido sinônimo da casa principal, onde os netos moram e são criados.
Não só o mercado de trabalho levou as crianças para a casa das avós em tempo integral, mas também a sociedade
moderna, com o divórcio e as novas constituições familiares. Com o divórcio, a correria do dia a dia no mercado de
trabalho e a própria emancipação da mulher, muitas mães delegaram aos avós a tarefa de criar seus filhos.
MAIA, K. Disponível em: www.cnte.org.br. Acesso em: 23 ago. 2017 (adaptado).
Esses dois textos têm temáticas diferentes, na medida em que o Texto I trata da volta dos lhos à casa dos pais, e o Texto
II, da permanência dos netos na casa dos avós. Entretanto, eles se aproximam no que diz respeito
A ao aconchego que os filhos e netos encontram nesses lugares.
B ao fator econômico, que é a causa do problema nos dois casos.
C aos problemas de relacionamento que surgem nessas situações.
D ao divórcio, que é apontado como comum nos dias de hoje.
E à independência da mulher, que causa a ausência das mães.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277500
Questão 128 LC Habilidade 14 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
O ano de 2005 foi importante para a arte indiana em razão das novas conjunções entre a globalização e a economia do
país. Mudanças geopolíticas e a evolução dos meios de comunicação intensi caram as trocas artísticas e a projeção dessa
cultura, que pôde
A trabalhar com novas mídias, instalações e performances.
B modificar a arte contemporânea com objetos extraídos do cotidiano.
C enfatizar a pintura e a escultura com a desmaterialização do objeto.
D apresentar um novo conceito de uso das formas e materiais naturais.
E retratar imagens múltiplas que expressam a agitação da modernidade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277499
Questão 129 Objetivos do texto Português LC Habilidade 24
O lobo que não é mau
A primeira coisa a saber é que o guará não é, na verdade, um lobo. Embora seja o maior canídeo silvestre da América do
Sul, sua espécie (Chrysocyon brachyurus) é de difícil classi cação. Alguns cientistas dizem que é parente das raposas,
outros, que é parente do cachorro-vinagre sul-americano. Mas, de lobo mesmo, ele não tem nada. Além disso, é um animal
onívoro. Porém, em algumas regiões, a sua dieta chega a quase 70% de frutas, especialmente da lobeira, uma árvore típica
das savanas brasileiras, que contribui para a saúde do animal, prevenindo um tipo de verminose que ataca os rins do guará.
O lobo-guará não é um animal perigoso ao homem. Não existe nenhum registro, em toda a história, de um guará que tenha
atacado uma pessoa, mas, ainda assim, são vistos como “malé cos”. Por quê? Porque, em ambientes degradados, o lobo,
para sobreviver, acaba atacando galinheiros ou comendo aves que são criadas soltas. Com a desculpa de “proteger sua
criação”, pessoas com baixo nível de consciência ecológica acabam matando os animais. 
Se não bastassem a matança e a destruição de ambientes naturais, o lobo-guará ainda apresenta grande índice de morte por
atropelamento em estradas.
O fato é que o lobo-guará precisa de nós mais do que nunca na história.
FERRAREZI JR., C. Revista QShow, n. 20, nov. 2015 (adaptado).
Esse texto de divulgação científica utiliza como principal estratégia argumentativa a
A sedução, mostrando o lado delicado e afetuoso do animal por meio da negação de seu nome popular.
B comoção, relatando a perseguição que o animal sofre constantemente pelos fazendeiros com baixo grau de
instrução.
C intertextualidade, buscando contraponto numa famosa história infantil, confrontada com dados concretos e fatos
históricos.
D chantagem, modificando a verdadeira índole do lobo-guará para proteger as criações de animais domésticos em
áreas degradadas.
E intimidação, explorando os efeitos de sentido desencadeados pelo uso de palavras como “matança”, “perigoso”,
“degradados” e “atacando”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277496
Questão 130 Elementos do texto Português LC Habilidade 27
Preconceito: do latim prae, antes, e conceptus, conceito, esse termo pode ser de nido como o conjunto de crenças e
valores aprendidos, que levam um indivíduo ou um grupo a nutrir opiniões a favor ou contra os membros de determinados
grupos, antes de uma efetiva experiência com eles. Tecnicamente, portanto, existe um preconceito positivo e um negativo,
embora, nas relações raciais e étnicas, o termo costume se referir ao aspecto negativo de um grupo herdar ou gerar visões
hostis a respeito de um outro, distinguível com base em generalizações. Essas generalizações derivam invariavelmente
da informação incorreta ou incompleta a respeito do outrogrupo.
CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000 (adaptado)
Nesse verbete de dicionário, a apropriação adequada do uso padrão da língua auxilia no estabelecimento
A da precisão das informações veiculadas.
B da linguagem conotativa característica desse gênero.
C das marcas do interlocutor como uma exigência para a validade das ideias.
D das sequências narrativas como recurso de progressão textual.
E do processo de contraposição argumentativa para conseguir a adesão do leitor.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277495
Questão 131 LC Habilidade 26 Português Ortograf ia
Cuidadora humilhada por erros de português ao enviar currículo para asilo recebe ofertas de emprego
Nessa conversa por aplicativo, em que se evidencia uma forma de preconceito, a atendente avaliou a candidata a uma vaga
de emprego pelo(a)
A ausência de autocorreção durante um diálogo.
B desleixo com a pontuação adequada durante um bate-papo.
C desprezo pela linguagem utilizada em entrevistas de emprego.
D descuido com os padrões linguísticos no contexto de busca por emprego.
E negligência com a correção automática de palavras pelo corretor de textos do celular.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277494
Questão 132 Níveis da linguagem Português LC Habilidade 27
Esse cartaz tem como função social conquistar clientes para um evento turístico, e, por isso, seria recomendável que fosse
escrito na norma-padrão da língua portuguesa. O comentário acrescentado por um interlocutor sugere que a gra a incorreta
da palavra “excursão”
A interfere na pronúncia do vocábulo.
B reflete uma interferência da fala na escrita.
C caracteriza uma violação proposital para chamar a atenção dos clientes. 
D diminui a confiabilidade nos serviços oferecidos pela prestadora.
E compromete o entendimento do conteúdo da mensagem.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277493
Questão 133 Interpretação de texto jornalístico LC Habilidade 28 Português
A busca do “texto oculto” na leitura de notícias
Os meus colegas jornalistas que me perdoem, mas não dá mais para ler uma notícia de jornal apenas pelo que está
publicado. O nosso universo informativo cou muito mais complexo depois do surgimento da avalanche informativa na
internet.
Esse fenômeno, inédito na história do jornalismo, está nos obrigando a tomar uma notícia de jornal apenas como um ponto
de partida para uma análise que, necessariamente, envolve a preocupação em descobrir o contexto do que foi publicado. A
notícia de jornal não é mais a verdade de nitiva, mas a porta de entrada numa realidade desconhecida e inevitavelmente
complexa, contraditória e diversa.
A principal mudança que todos nós teremos que incorporar às nossas rotinas informativas é a necessidade de sermos
críticos em relação às notícias que leremos, ouviremos ou assistiremos.
A busca de um novo modelo de formatação de notícias baseado numa cultura da diversi cação informativa está apenas
começando. O público passou a ter uma importância estratégica na atividade pro ssional porque os jornalistas necessitam,
cada vez mais, dos blogs pessoais, das páginas da web e das postagens em redes sociais como fonte de notícias. A
histórica dependência de fontes governamentais e corporativas está rapidamente sendo substituída pela notícia oriunda de
comunidades, grupos sociais organizados e in uenciadores digitais. A agenda de notícias das elites perde espaço para
a agenda do público.
É essa nova forma de ver a realidade que está na base da necessidade do chamado “texto oculto”, um jargão acadêmico
para uma diversificação na nossa nova forma de ler, ouvir e ver notícias.
CASTILHO, C. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
Ao problematizar os modos de ler notícias e a necessidade de se buscar o chamado “texto oculto”, o texto defende que
esse processo implicará
A adaptação na forma como a imprensa e o jornalismo abordam a informação.
B alteração na prática interacional entre os usuários de redes sociais.
C ampliação da quantidade de informação disponível na internet.
D demanda por informações fidedignas em fontes oficiais.
E percepção da notícia como um produto acabado.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000277492
Questão 134 Interpretação de texto jornalístico Português LC Habilidade 22
TEXTO I
De casa para a escola
Saber respeitar limites, esperar, suportar, ter seus desejos frustrados, fazer trocas e planejar é ter educação nanceira. E o
exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais somente serão referências para a educação nanceira se eles mesmos
usarem o dinheiro de forma consciente, zerem pesquisa de preço, comprarem à vista, pedirem descontos, tiverem
controle de suas nanças, souberem o quanto têm e o quanto podem gastar, investir e poupar. Portanto, boa parte das
razões que levam um adulto a se tornar consumista e a se endividar está na educação que recebe quando criança ou na
adolescência.
MACEDO, C. Revista Carta Fundamental, n. 37, abr. 2012 (adaptado).
TEXTO II
Educação financeira para crianças
Ensinar para os lhos o valor das coisas é responsabilidade dos pais, mas, se lidar com dinheiro é complicado para adultos,
passar esse conhecimento para crianças é uma tarefa bem mais delicada. De acordo com a especialista em educação
nanceira infantil Cássia D’Aquino, o momento certo de começar a ensinar a criança a lidar com as nanças é anunciado
pela própria, na primeira vez em que pede aos pais para lhe comprarem alguma coisa. Isso costuma acontecer por volta dos
dois anos e meio, e, nessa hora, o pequeno mostra que já percebeu o que é dinheiro e que o dinheiro “compra” as coisas
que ele pode vir a querer. À medida que os pequenos vão crescendo, os lhos vão convivendo com a forma com que seus
pais trabalham com o dinheiro. Para Cássia, a melhor base para uma educação nanceira e ciente é aquela transmitida
por meio de atitudes simples na rotina do relacionamento entre pais e lhos. Assim que a criança manifestar uma noção
básica em relação a dinheiro, os pais já podem, de maneira gradual, adotar uma postura educativa. 
Disponível em: http://brasil.gov.br. Acesso em: 27 fev. 2013.
Sob diferentes perspectivas, os textos I e II abordam o tema educação nanceira. No entanto, em ambos os textos, os
autores sustentam a opinião de que
A os modelos familiares impostos na infância e na juventude são espelhos para os filhos.
B o sucesso da educação financeira está ligado à forma como a escola trabalha o tema.
C uma das tarefas mais difíceis do processo de educação é estabelecer limites.
D a educação imposta pela sociedade substitui aquela recebida em casa.
E os filhos devem poupar na infância para investirem quando adultos.
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Questão 135 LC Habilidade 23 Interpretação de texto jornalístico Português
A criança e a lógica
Uma menina vê a foto da mãe grávida e ouve a seguinte explicação: “Você estava na minha barriga, lha”. Imediatamente, a
criança chega à incrível conclusão: “Mamãe, então você é o lobo mau?”. A partir dos 2 anos, a criança começa a dominar
as palavras, mas sua lógica, que difere da do adulto, surpreende os pais pelas associações. Para uma psicóloga infantil, esse
raciocínio se explica pelo fato de que a lógica, nos primeiros anos de vida, é primitiva e rígida, não admite que para a mesma
questão existam várias possibilidades. Quando a mãe diz que vai chegar em casa à noite, a criança não compreende por
que, a nal, a promessa ainda não foi cumprida se já está escuro. Ou se ela já ouviu que as pessoas morrem quando estão
velhinhas e de repente acontece de alguém próximo perder a vida ainda jovem, ela pode custar a se conformar. “O
importante é falar a verdade e ter paciência. Com o tempo, as crianças percebem que um fato pode ter mais de uma
explicação, e vários fatos in uenciam uma mesma situação. A lógica vai, assim, aprimorando-see cando mais próxima da
do adulto entre os 5 e 6 anos”, afirma a especialista.
Disponível em: http://revistacrescer.globo.com. Acesso em: 15 nov. 2014 (adaptado).
O texto cita a opinião de uma psicóloga como estratégia argumentativa para
A explicar as associações inesperadas das crianças de 2 a 5 anos.
B apresentar dados científicos sobre a falta de lógica na infância.
C gerar efeitos de credibilidade às informações apresentadas.
D justificar a natureza rudimentar do raciocínio infantil.
E ajudar os adultos na interlocução com as crianças.
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Questão 136 Variação linguística Português LC Habilidade 20
A historiogra a do país demonstra que foi necessário considerável esforço do colonizador português em impor sua língua
pátria em um território tão extenso. Trata-se de um fenômeno político e cultural relevante o fato de, na atualidade, a língua
portuguesa ser a língua o cial e plenamente inteligível de norte a sul do país, apesar das especi cidades e da
g ra nde diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse empreendimento relacionado à imposição da
língua portuguesa foi adotado como uma das estratégias de dominação, ocupação e demarcação das fronteiras
do território nacional, sucessivamente, em praticamente todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao Império, da
República ao Estado Novo e daí em diante.
Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua baseada no tupi antigo e que foi fruto do encontro, muitas vezes
belicoso e violento, entre o colonizador e as populações indígenas da costa brasileira e de grande parte da Amazônia. Foi a
língua geral de comunicação no período colonial até ser banida pelo Marquês de Pombal, a partir de 1758, caindo em pleno
processo de desuso e decadência a partir de então. Foram falantes de nheengatu que nominaram uma in nidade de lugares,
paisagens, acidentes geográ cos, rios e até cidades. Atualmente, resta um pequeno contingente de falantes dessa língua
no extremo norte do país. É utilizada como língua franca em regiões como o Alto Rio Negro, sendo inclusive fator de
afirmação étnica de grupos indígenas que perderam sua língua original, como os Barés, Arapaços, Baniwas e Werekenas.
Disponível em: http://desafios.ipea.gov.br. Acesso em: 20 out. 2021 (adaptado).
Da leitura do texto, depreende-se que o patrimônio linguístico brasileiro é
A constituído por processos históricos e sociais de dominação e violência.
B decorrente da tentativa de fusão de diferentes línguas indígenas.
C exemplificativo da miscigenação étnica da sociedade nacional.
D caracterizado pela diversidade de sotaques e regionalismos.
E resultado de sucessivas ações de expansão territorial.
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Questão 137 LC Habilidade 21 Português Interpretação de imagens
Ao abordar a temática da violência contra a mulher, o cartaz conjuga as linguagens verbal e não verbal para
A apresentar políticas públicas de combate à discriminação de gênero.
B mobilizar a vítima para denunciar as agressões sofridas.
C expressar a reação da sociedade em relação ao crime.
D analisar as consequências resultantes do sofrimento.
E discutir o comportamento psicológico do agressor.
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Questão 138 LC Habilidade 18 Interpretação de texto jornalístico Português
Tiranos de nós mesmos: a servidão voluntária na era da sociedade do desempenho
Byung-Chul Han, no opúsculo Sociedade do cansaço, discute a ascensão de um novo paradigma social, em que a
sociedade disciplinar de Foucault é substituída pela sociedade do desempenho. Esse novo modelo social é movido por um
imperativo de maximizar a produção. Nós, sujeitos de desempenho, somos constante e sistematicamente pressionados a
aperfeiçoar nossa performance e a aumentar nossa produção.
A crença subjacente, segundo Han, é a de que nada é impossível. Nós podemos fazer tudo. Estamos constantemente
pressionados por um poder fazer ilimitado. É um excesso de positividade, que se constitui em verdadeira violência neuronal.
E por isso produzimos. Produzimos até a exaustão. E, mesmo cansados, continuamos produzindo. Uma meta é sempre
substituída por outra. A tarefa nunca acaba. É frustrante e esgotante. O resultado é uma sociedade que gera fracassados e
depressivos, a quem só resta recorrer a medicamentos para continuar produzindo mais eficientemente.
Disponível em: http://justificando.cartacapital.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).
Com base nessa re exão acerca do livro Sociedade do cansaço, que discute o novo modelo da sociedade
do desempenho, o resenhista a
A conceitua, apresenta seus fundamentos e conclui com suas consequências.
B fundamenta com argumentos, apresenta sua conclusão e oferece exemplos.
C descreve, apresenta suas consequências e conclui com sua conceituação.
D exemplifica, apresenta sua fundamentação e avalia seus resultados.
E discute, apresenta seu conceito e promove uma discussão.
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Questão 139 Objetivos do texto LC Habilidade 3 Português
Pelo modo como seleciona e organiza as informações, esse infográfico cumpre a função de
A questionar o processo de enfraquecimento da identidade indígena.
B apresentar dados sobre a atual configuração da realidade indígena no país.
C defender políticas de preservação da cultura indígena.
D divulgar as etnias indígenas mais representativas do Brasil.
E criticar a distribuição geográfica desigual das comunidades indígenas.
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Questão 140 LC Habilidade 3 Interpretação de texto jornalístico Português
As informações contidas no texto dessa campanha têm o objetivo de
A avaliar as políticas públicas para melhorar a qualidade dos serviços prestados ao povo brasileiro.
B apresentar os canais de participação social, como os Conselhos previstos na Constituição Federal de 1988.
C descrever o ciclo e as etapas de organização de uma política pública como incentivo à participação social.
D fazer a distinção entre as políticas de governo e as políticas de Estado a fim de incentivar a busca por direitos.
E estimular a participação da sociedade civil em políticas públicas para fortalecer a cidadania e o bem comum.
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Questão 141 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 10 Português
Uma polêmica relacionada à covid-19 com clara relação com a Educação Física foi a discussão sobre a reabertura ou não
das academias de ginástica em plena pandemia. Entre os argumentos apresentados pelos que defendiam a abertura estava o
de que o exercício teria um efeito protetor contra a covid-19, pelo fortalecimento do sistema imunológico. A realização
dessas práticas pode ser importante para a saúde, inclusive com foco na melhoria/manutenção da saúde mental, mas em
muitas recomendações há mais um sentido de “ter que fazer”, com caráter “obrigatório”. Outro ponto ignorado diz respeito
ao aconselhamento para a realização de exercícios físicos em casa durante a pandemia, considerando aspectos como a
habilidade das pessoas para realizarem essas atividades, suas preferências, as condições das residências etc. Entendemos
que essas recomendações, algumas vezes de caráter persecutório e descontextualizadas da realidade de muitas pessoas,
não favorecem um olhar mais ampliado sobre a saúde.
LOCH, M. R. et al. A urgência da saúde coletiva na formação em Educação Física: lições com a covid-19. Ciência & Saúde
Coletiva, n. 25, 2020 (adaptado).
Segundo o texto, no contexto da pandemia, a relação entre exercício físico e saúde deveria considerar a
A necessidade de que as academias se mantivessem abertas para orientação das práticas corporais.
B recomendação de que as atividades físicas atendessem às preferências individuais.
C relevância de adaptar as atividades físicas à realidade social dos sujeitos.
Dobrigatoriedade de adotar o hábito de praticar atividades físicas em casa.
E importância de melhorar as defesas orgânicas contra a doença.
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Questão 142 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 11 Português
A partir da década de 1980, o voleibol começa a ser visto como um ótimo meio de comercialização de produtos
esportivos. Esse fenômeno apresenta uma vertiginosa escalada na década de 1990, e a Federação Internacional de
Voleibol, tendo o mexicano Rubem Acosta na presidência, vê-se com a obrigação de alterar algumas regras para a melhoria
do voleibol como espetáculo, já que a alta performance alcançada pelas equipes vinha tornando enfadonhas as
competições.
SANTOS NETO, S. C. A evolução das regras visando ao espetáculo no voleibol. Disponível em:
www.efdeportes.com. Acesso em: 3 ago. 2012 (adaptado)
Uma das principais mudanças nas regras do voleibol, decorrentes do processo identificado no texto, refere-se à
A restrição para que a bola possa ser tocada apenas pelas partes do corpo acima da cintura, imprimindo maior
dinamicidade ao jogo.
B modificação na contagem de pontos, com o fim do sistema de vantagem, tornando as partidas mais interessantes
para as transmissões televisivas.
C destinação de um espaço restrito e predefinido para a realização do saque, permitindo um maior índice
de acertos nesse fundamento do jogo.
D indicação de que contatos simultâneos sejam considerados como toque apenas, permitindo maior permanência
da bola em disputa.
E permissão ao chamado bloqueio ou ataque, ampliando a possibilidade de utilização de recursos técnicos e
estratégicos no jogo.
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Questão 143 Interpretação de texto LC Habilidade 28 Português
A produção em massa em grandes fábricas se tornou o símbolo da Segunda Revolução Industrial. Agora, após um século,
uma nova transformação se anuncia. Ela é trazida por aparelhos do tamanho de um micro-ondas que constroem um objeto
real a partir de um arquivo digital: as impressoras tridimensionais. Elas funcionam como uma impressora convencional que
muitos têm em casa. Basta apertar o botão na tela do computador para que o arquivo digital, com o desenho em três
dimensões do objeto a fabricar, seja enviado para a máquina. Em vez de tinta, elas usam materiais como plástico, gesso,
silicone, borracha ou metais para fazer sapatos, próteses dentárias, joias, luminárias, brinquedos ou peças de equipamentos
hospitalares. Até há pouco tempo, esses equipamentos custavam centenas de milhares de reais e cavam restritos às
grandes indústrias. Hoje já é possível levar para casa uma impressora 3D e usá-la para fabricar objetos. “Uma nova revolução
industrial está a caminho”, diz o jornalista e físico Chris Anderson.
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).
Segundo esse texto, as impressoras tridimensionais prenunciam uma nova Revolução Industrial porque são tecnologias que
A diminuíram de tamanho.
B tiveram seus preços reduzidos.
C trabalham com um arquivo digital.
D facilitam a confecção de objetos 3D.
E permitem a individualização da manufatura.
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Questão 144 LC Habilidade 30 Interpretação de texto jornalístico Português
O sucesso das redes sociais é fruto da combinação inteligente da capacidade de interagir dentro de uma mesma página da
internet e do uso de sistemas de avaliação. Existem duas dinâmicas psicossociais legitimando tais recursos de avaliação. Na
primeira, alguém produz conteúdo e é recompensado com essas reações. Já na segunda dinâmica, a produção
de conteúdo serve de balão de ensaio para a vida off-line.
Prazer e aprendizado são, portanto, as duas promessas originais das redes sociais (anteriores à monetização), nas quais os
algoritmos de recomendação prometem reduzir o tempo e a energia para encontrar aquilo que interessa a cada um, no mar
de opções disponibilizadas, levando a situação a outro patamar, pela exposição reiterada dos usuários aos conteúdos
que agravam sua ansiedade.
Assim, por exemplo, pessoas que estão insatisfeitas com o seu corpo fazem buscas que re etem esse desconforto,
procurando postagens relacionadas a essa temática. O algoritmo, então, passa a recomendar cada vez mais conteúdos
nessa linha e, o que é pior, a convergir para os mais extremos, já que estes tendem a xar mais a atenção. Em pouco tempo,
o usuário “desconfortável” está sendo bombardeado por vídeos que elevam em muito o seu pessimismo e que muitas
vezes servem de caminho à anorexia, à bulimia e à depressão.
DIAS, A. M. Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 5 nov. 2021 (adaptado)
As sociedades têm evoluído concomitantemente ao desenvolvimento de tecnologias que buscam, cada vez mais,
automatizar a gestão das informações. No texto, uma consequência negativa desse processo é o fato de ele
A ser dirigido por um sistema de recomendações individualizado.
B estar vinculado ao aumento da satisfação e da prática dos usuários.
C sobrecarregar o usuário com um fluxo massivo de informações.
D guiar-se pela confluência das interações on-line em busca de avaliações positivas.
E focar no engajamento dos usuários em detrimento de suas necessidades concretas.
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Questão 145 Interpretação de texto LC Habilidade 9 Português
A anorexia é um transtorno alimentar caracterizado por grande perda de peso, ausência de menstruação e distúrbio na
vivência do peso ou da forma corporal. Fatores familiares, psicológicos, socioculturais e siológicos interagem entre si,
predispondo, precipitando e/ou mantendo o transtorno. Anoréxicos têm medo doentio de engordar e experienciam uma
grande necessidade de controle sobre o peso e a forma do corpo. Dietas exíguas, uso de laxantes, diuréticos e indução de
vômito são estratégias para manter o peso e a forma corporal. O exercício também é uma estratégia para perder e
controlar o peso, sendo praticado de maneira ritualizada e excessiva. O objetivo é alcançar um corpo ideal condizente com
os padrões de beleza, eliminando as poucas calorias que o sujeito se permite ingerir.
CUMMING, G. et al. Experiências e expectativas em práticas de atividades físicas de pessoas com anorexia nervosa.
Movimento, n. 2, 2009 (adaptado).
Uma causa determinante que contribui para a anorexia, vinculada ao exercício físico, é o(a)
A busca por um modelo de corpo e beleza estereotipado socialmente.
B conjunto de fatores familiares, psicológicos e socioculturais.
C utilização de medicamentos e dietas restritivas.
D recorrência da provocação do vômito.
E medo exagerado de ganhar peso.
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Questão 146 Objetivos do texto LC Habilidade 9 Português
A conquista da medalha de prata por Rayssa Leal, no skate street nos Jogos Olímpicos, é exemplo da representatividade
feminina no esporte, avalia a âncora do jornal da rede de televisão da CNN. A apresentadora, que também anda de skate,
celebrou a vitória da brasileira, que entrou para a história como a atleta mais nova a subir num pódio defendendo o Brasil.
“Essa representatividade do esporte nos Jogos faz pensarmos que não temos que car nos encaixando em nenhum lugar.
Posso gostar de passar notícia e, mesmo assim, gostar de skate, subir montanha, mergulhar, andar de bike, fazer yoga.
Temos que parar de car enquadrando as pessoas dentro de regras. A gente vive num padrão no qual a menina
ganha boneca, mas por que também não fazer um esporte de aventura? Por que o homem pode se machucar, cair
de joelhos, e a menina tem que estar sempre lindinha dentro de um padrão? Acabamos limitando os talentos das pessoas”,
afirmou a jornalista, sobre a prática do skate por mulheres.
Disponível em: www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 31 out. 2021 (adaptado).
O discurso da jornalista traz questionamentos sobre a relação da conquistada skatista com a
A conciliação do jornalismo com a prática do skate.
B inserção das mulheres na modalidade skate street.
C desconstrução da noção do skate como modalidade masculina.
D vanguarda de ser a atleta mais jovem a subir no pódio olímpico.
E conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
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Questão 147 Interpretação de texto LC Habilidade 9 Português
Pisoteamento, arrastão, empurra-empurra, agressões, vandalismo e até furto a um torcedor que estava caído no asfalto
após ser atropelado nas imediações do estádio do Maracanã. As cenas de selvageria tiveram como estopim a invasão de
milhares de torcedores sem ingresso, que furaram o bloqueio policial e transformaram o estádio em terra de ninguém. Um
reflexo não só do quadro de insegurança que assola o Rio de Janeiro, mas também de como a violência social se embrenha
pelo esporte mais popular do país. Em 2017, foram registrados 104 episódios de violência no futebol brasileiro,
que resultaram em 11 mortes de torcedores. Desde 1995, quando 101 torcedores caram feridos e um morreu durante uma
batalha campal no estádio do Pacaembu, autoridades têm focado as ações de enfrentamento à violência no futebol em
grupos uniformizados, alguns proibidos de frequentar estádios. Porém, a postura meramente repressiva contra torcidas
organizadas é ine caz em uma sociedade que registra mais de 61 000 homicídios por ano. “É impossível dissociar a
escalada de violência no futebol do panorama de desordem pública, social, econômica e política vivida pelo país”, de
acordo com um doutor em sociologia do esporte.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).
Nesse texto, a violência no futebol está caracterizada como um(a)
A problema social localizado numa região do país.
B desafio para as torcidas organizadas dos clubes.
C reflexo da precariedade da organização social no país.
D inadequação de espaço nos estádios para receber o público.
E consequência da insatisfação dos clubes com a organização dos jogos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274165
Questão 148 LC Habilidade 10 Interpretação de texto jornalístico Português
Seis em cada dez pessoas com 15 anos ou mais não praticam esporte ou atividade física. São mais de 100 milhões de
sedentários. Esses são dados do estudo Práticas de esporte e atividade física, da Pnad 2015, realizado pelo IBGE. A falta de
tempo e de interesse são os principais motivos apontados para o sedentarismo. Paralelamente, 73,3% das pessoas de 15
anos ou mais a rmaram que o poder público deveria investir em esporte ou atividades físicas. Observou-se uma relação
direta entre escolaridade e renda na realização de esportes ou atividades físicas. Enquanto 17,3% das pessoas que
não tinham instrução realizavam diversas práticas corporais, esse percentual chegava a 56,7% das pessoas com superior
completo. Entre as pessoas que têm práticas de esporte e atividade física regulares, o percentual de praticantes ia de 31,1%,
na classe sem rendimento, a 65,2%, na classe de cinco salários mínimos ou mais. A falta de tempo foi mais declarada pela
população adulta, com destaque entre as pessoas de 25 a 39 anos. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o principal
motivo foi não gostarem ou não quererem. Já o principal motivo para praticar esporte, declarado por 11,2 milhões de
pessoas, foi relaxar ou se divertir, seguido de melhorar a qualidade de vida ou o bem-estar. A falta de instalação esportiva
acessível ou nas proximidades foi um motivo pouco citado, demonstrando que a não prática estaria menos associada à
infraestrutura disponível.
Disponível em: www.esporte.gov.br. Acesso em: 9 ago. 2017 (adaptado).
Com base na pesquisa e em uma visão ampliada de saúde, para a prática regular de exercícios ter in uência signi cativa na
saúde dos brasileiros, é necessário o desenvolvimento de estratégias que
A promovam a melhoria da aptidão física da população, dedicando-se mais tempo aos esportes.
B combatam o sedentarismo presente em parcela significativa da população no território nacional.
C facilitem a adoção da prática de exercícios, com ações relacionadas à educação e à distribuição de renda.
D auxiliem na construção de mais instalações esportivas e espaços adequados para a prática de atividades físicas e
esportes.
E estimulem o incentivo fiscal para a iniciativa privada destinar verbas aos programas nacionais de promoção da
saúde pelo esporte.
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Questão 149 Interpretação de texto LC Habilidade 11 Português
Criado há cerca de 20 anos na Califórnia, o mountainboard é um esporte de aventura que utiliza uma espécie de skate off-
road para realizar manobras similares às das modalidades de snowboard, surf e do próprio skate. A atividade chegou ao
Brasil em 1997 e hoje possui centenas de praticantes, um circuito nacional respeitável e mais de uma dezena de pistas
espalhadas pelo país. Segundo consta na história o cial, o mountainboard foi criado por praticantes de snowboard que
sentiam falta de praticar o esporte nos períodos sem neve. Para isso, eles desenvolveram um equipamento bem
simples: uma prancha semelhante ao modelo utilizado na neve (menor e um pouco menos exível), com dois eixos bem
resistentes, alças para encaixar os pés e quatro pneus com câmaras de ar para regular a velocidade que pode ser alcançada
em diferentes condições. Com essa con guração, o esporte se mostrou possível em diversos tipos de terreno: grama,
terra, pedras, asfalto e areia. Além desses pisos, também é possível procurar pelas próprias trilhas para treinar as manobras.
Disponível em: www.webventure.com.br. Acesso em: 19 jun. 2019.
A história da prática do mountainboard representa uma das principais marcas das atividades de aventura, caracterizada pela
A competitividade entre seus praticantes.
B atividade com padrões técnicos definidos.
C modalidade com regras predeterminadas.
D criatividade para adaptações a novos espaços.
E necessidade de espaços definidos para a sua realização.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274163
Questão 150 LC Habilidade 2 Interpretação de texto jornalístico Português
Projeto na Câmara de BH quer a vacinação gratuita de cães contra a leishmaniose
A doença é grave e vem causando preocupação na região metropolitana da capital mineira
Ela é uma doença grave, transmitida pela picada do mosquito-palha, e afeta tanto os seres humanos quanto os cachorros: a
leishmaniose. Por ser um problema de saúde pública, a doença pode ganhar uma ação preventiva importante, caso um
projeto de lei seja aprovado na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Diante do alto número de casos da doença
na Grande BH, a Comissão de Saúde e Saneamento da CMBH aprovou a proposta de realização de campanhas públicas
de vacinação gratuita de cães contra a leishmaniose, tema do PL 404/17, apreciado pelo colegiado em reunião ordinária, no
dia 6 de dezembro.
Disponível em: https://revistaencontro.com.br. Acesso em: 11 dez. 2017.
Essa notícia, além de cumprir sua função informativa, assume o papel de
A fiscalizar as ações de saúde e saneamento da cidade.
B defender os serviços gratuitos de atendimento à população.
C conscientizar a população sobre grave problema de saúde pública.
D propor campanhas para a ampliação de acesso aos serviços públicos.
E responsabilizar os agentes públicos pela demora na tomada de decisões.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274161
Questão 151 Gêneros textuais LC Habilidade 3 Português
Ela era linda. Gostava de dançar, fazia teatro em São Paulo e sonhava ser atriz em Hollywood. Tinha 13 anos quando ganhou
uma câmera de vídeo — e uma irmã. As duas se tornaram suas companheiras de experimentações. Adolescente, Elena vivia
a criar lminhos e se empenhava em dirigir a pequena Petra nas cenas que inventava. Era exigente com a irmã. E
acreditava no potencial da meninapara satisfazer seus arroubos de diretora precoce. Por cinco anos, integrou algumas
das melhores companhias paulistanas de teatro e participou de preleções para lmes e trabalhos na TV. Nunca foi chamada.
No início de 1990, Elena tinha 20 anos quando se mudou para Nova York para cursar artes cênicas e batalhar uma chance
no mercado americano. Deslocada, ansiosa, frustrada após alguns testes de elenco malsucedidos, decepcionada com a
ausência de reconhecimento e vitimada por uma depressão que se agravava com a falta de perspectivas, Elena pôs m à
vida no segundo semestre. Petra tinha 7 anos. Vinte anos depois, é ela, a irmã caçula, que volta a Nova York para percorrer
os últimos passos da irmã, vasculhar seus arquivos e transformar suas memórias em imagem e poesia.
Elena é um lme sobre a irmã que parte e sobre a irmã que ca. É um lme sobre a busca, a perda, a saudade, mas também
sobre o encontro, o legado, a memória. Um lme sobre a Elena de Petra e sobre a Petra de Elena, sobre o que cou
de uma na outra e, essencialmente, um filme sobre a delicadeza.
VANUCHI, C. Época, 19 out. 2012 (adaptado).
O texto é exemplar de um gênero discursivo que cumpre a função social de
A narrar, por meio de imagem e poesia, cenas da vida das irmãs Petra e Elena.
B descrever, por meio das memórias de Petra, a separação de duas irmãs.
C sintetizar, por meio das principais cenas do filme, a história de Elena.
D lançar, por meio da história de vida do autor, um filme autobiográfico.
E avaliar, por meio de análise crítica, o filme em referência.
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Questão 152 LC Habilidade 4 Português Estilística
PALAVRA – As gramáticas classi cam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral,
artigo e preposição. Os poetas classi cam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas, e para brincar com
elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que de ne, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o
signi cante e o signi cado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. A palavra nuvem chove. A
palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra
carro corre. A palavra “palavra” diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes
das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e pronto.
FALCÃO, A. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Salamandra, 2013 (adaptado).
Esse texto, que simula um verbete para a palavra “palavra’’, constitui-se como um poema porque
A tematiza o fazer poético, como em “Os poetas classificam as palavras pela alma”.
B utiliza o recurso expressivo da metáfora, como em “As palavras têm corpo e alma”.
C valoriza a gramática da língua, como em “substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção”.
D estabelece comparações, como em “As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas”.
E apresenta informações pertinentes acerca do conceito de “palavra”, como em “As gramáticas classificam as
palavras”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274159
Questão 153 LC Habilidade 18 Interpretação de texto literário Interpretação de texto literário
Morte lenta ao luso infame que inventou a calçada portuguesa. Maldito D. Manuel I e sua corja de tenentes Eusébios.
Quadrados de pedregulho irregular socados à mão. À mão! É claro que ia soltar, ninguém reparou que ia soltar? Branco,
preto, branco, preto, as ondas do mar de Copacabana. De que me servem as ondas do mar de Copacabana? Me deem
chão liso, sem protuberâncias calcárias. Mosaico estúpido. Mania de mosaico. Joga concreto em cima e aplaina. Buraco,
cratera, pedra solta, bueiro-bomba. Depois dos setenta, a vida se transforma numa interminável corrida de obstáculos. A
queda é a maior ameaça para o idoso. “Idoso”, palavra odienta. Pior, só “terceira idade”. A queda separa a velhice da
senilidade extrema. O tombo destrói a cadeia que liga a cabeça aos pés. Adeus, corpo. Em casa, vou de corrimão em
corrimão, tateio móveis e paredes, e tomo banho sentado. Da poltrona para a janela, da janela para a cama, da cama para a
poltrona, da poltrona para a janela. Olha aí, outra vez, a pedrinha traiçoeira atrás de me pegar. Um dia eu caio, hoje não.
TORRES, F. Fim. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.
O recurso que caracteriza a organização estrutural desse texto é o(a)
A justaposição de sequências verbais e nominais.
B mudança de eventos resultante do jogo temporal.
C uso de adjetivos qualificativos na descrição do cenário.
D encadeamento semântico pelo uso de substantivos sinônimos.
E inter-relação entre orações por elementos linguísticos lógicos.
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Questão 154 Conotação e denotação LC Habilidade 19 Português
Assentamento
Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora
Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora
Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora
BUARQUE, C. As cidades. Rio de Janeiro: RCA, 1998 (fragmento).
Nesse texto, predomina a função poética da linguagem. Entretanto, a função emotiva pode ser identificada no verso:
A “Zanza pra acolá”.
B “Fim de feira, periferia afora”.
C “A cidade não mora mais em mim”.
D “Onde só vento se semeava outrora”.
E “Ó Manuel, Miguilim”.
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Questão 155 LC Habilidade 21 Objetivos do texto Português
A articulação entre os elementos verbais e os não verbais do texto tem como propósito desencadear a
A identificação de distinções entre mulheres e homens.
B revisão de representações estereotipadas de gênero. 
C adoção de medidas preventivas de combate ao sexismo.
D ratificação de comportamentos femininos e masculinos.
E retomada de opiniões a respeito da diversidade dos papéis sociais.
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Questão 156 Objetivos do texto Português LC Habilidade 20
As línguas silenciadas do Brasil
Para aprender a língua de seu povo, o professor Txaywa Pataxó, de 29 anos, precisou estudar os fatores que, por diversas
vezes, quase provocaram a extinção da língua patxôhã. Mergulhou na história do Brasil e descobriu fatos violentos que
dispersaram os pataxós, forçados a abandonar a própria língua para escapar da perseguição. “Os pataxós se espalharam,
principalmente, depois do Fogo de 1951. Queimaram tudo e expulsaram a gente das nossas terras. Isso constrange o nosso
povo até hoje”, conta Txaywa, estudante da Universidade Federal de Minas Gerais e professor na aldeia Barra Velha, região
de Porto Seguro (BA). Mais de quatro décadas depois, membros da etnia retornaram ao antigo local e iniciaram um
movimento de recuperação da língua patxôhã. Os lhos de Sameary Pataxó já são uentes — e ela, que se mudou quando
já era adulta para a aldeia, tenta aprender um pouco com eles. “É a nossa identidade. Você diz quem você é por meio da sua
língua”, a rma a professora de ensino fundamental sobre a importância de restaurar a língua dos pataxós. O patxôhã está
entre as línguas indígenas faladas no Brasil: o IBGE estimou 274 línguas no último censo. A publicação Povos indígenas no
Brasil 2011/2016, do Instituto Socioambiental, calcula 160. Antes da chegada dos portugueses, elas totalizavam mais de mil.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 11 jun. 2019 (adaptado).
O movimento de recuperação da língua patxôhã assume um caráter identitário peculiar na medida em que
A denuncia o processo de perseguição histórica sofrida pelos povos indígenas.
B conjuga o ato de resistência étnica à preservação da memóriacultural.
C associa a preservação linguística ao campo da pesquisa acadêmica.
D estimula o retorno de povos indígenas a suas terras de origem.
E aumenta o número de línguas indígenas faladas no Brasil.
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Questão 157 LC Habilidade 23 Interpretação de texto jornalístico Português
É ruivo? Tem olhos azuis? É homem ou mulher? Usa chapéu? Quem jogou Cara a Cara na infância sabe de cor o roteiro de
perguntas para adivinhar quem é o personagem misterioso do seu oponente.
Agora, o jogo está prestes a ganhar uma nova versão. A designer polonesa Zuzia Kozerska-Girard está desenvolvendo uma
variação do Guess Who? (nome do Cara a Cara em inglês), em que as personalidades do tabuleiro são, na verdade,
mulheres notáveis da história e da atualidade, como a artista Frida Kahlo, a ativista Malala Yousafzai, a astronauta Valentina
Tereshkova e a aviadora Amelia Earhart. O Who’s She? (“Quem é ela?”, em português) traz, no total, 28 mulheres que
representam diversas profissões, nacionalidades e idades.
A ideia é que, em vez de perguntar sobre a aparência das personagens, as questões sejam direcionadas aos feitos delas:
ganhou algum Nobel, fez alguma descoberta? Para cada personagem há um cartão com fatos divertidos e interessantes
sobre sua vida. Uma campanha entrou no ar com o objetivo de arrecadar dinheiro para desenvolver o Who’s She?. A meta
inicial era reunir 17 mil dólares. Oito dias antes de a campanha acabar, o projeto já angariou quase 350 mil dólares.
A chegada do jogo à casa do comprador varia de acordo com a quantia doada — quanto mais você doou, mais rápido vai
poder jogar.
Disponível em: www.super.abril.com.br. Acesso em: 4 dez. 2018 (adaptado).
Ao divulgar a adaptação do jogo para questões relativas a ações e habilidades de mulheres notáveis, o texto busca
A contribuir para a formação cidadã dos jogadores.
B refutar modelos estereotipados de beleza e elegância.
C estimular a competitividade entre potenciais compradores.
D exemplificar estratégias de arrecadação financeira pela internet.
E desenvolver conhecimentos lúdicos específicos dos tempos atuais.
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Questão 158 Português LC Habilidade 24 Interpretação de imagens
Para convencer o público-alvo sobre a necessidade de um trânsito mais seguro, essa peça publicitária apela para o(a)
A sentimento de culpa provocado no condutor causador de acidentes.
B dano psicológico causado nas vítimas da violência nas estradas.
C importância do monitoramento do trânsito pelas autoridades competentes.
D necessidade de punição a motoristas alcoolizados envolvidos em acidentes.
E sofrimento decorrente da perda de entes queridos emacidentes automobilísticos.
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Questão 159 LC Habilidade 25 Conceitos básicos de português Português
Urgência emocional
Se tudo é para ontem, se a vida engata uma primeira e sai em disparada, se não há mais tempo para paradas estratégicas,
caímos fatalmente no vício de querer que os amores sejam igualmente resolvidos num átimo de segundo. Temos pressa
para ouvir “eu te amo”. Não vemos a hora de que quem estabelecidas as regras de convívio: somos namorados, cantes,
casados, amantes? Urgência emocional. Uma cilada. Associamos diversas palavras ao AMOR: paixão, romance, sexo,
adrenalina, palpitação. Esquecemos, no entanto, da palavra que viabiliza esse sentimento: “paciência”. Amor sem paciência
não vinga.Amor não pode ser mastigado e engolido com emergência, com fome desesperada. É uma refeição que pode
durar uma vida.
MEDEIROS, M. Disponível em: http://porumavidasimples.blogspot.com.br. Acesso em: 20 ago. 2017 (adaptado).
Nesse texto de opinião, as marcas linguísticas revelam uma situação distensa e de pouca formalidade, o que se evidencia
pelo(a)
A impessoalização ao longo do texto, como em: “se não há mais tempo”.
B construção de uma atmosfera de urgência, em palavras como: “pressa”.
C repetição de uma determinada estrutura sintática, como em: “Se tudo é para ontem”.
D ênfase no emprego da hipérbole, como em: “uma refeição que pode durar uma vida”.
E emprego de metáforas, como em: “a vida engata uma primeira e sai em disparada”.
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Questão 160 LC Habilidade 26 Níveis de signif icação da linguagem Português
O complexo de falar difícil
O que importa realmente é que o(a) detentor(a) do notável saber jurídico saiba quando e como deve fazer uso desse
português versão 2.0, até porque não tem necessidade de alguém entrar numa padaria de manhã com aquela cara de sono
falando o seguinte: “Por obséquio, Vossa Senhoria teria a hipotética possibilidade de estabelecer com minha pessoa
uma relação de compra e venda, mediante as imposições dos códigos Civil e do Consumidor, para que seja possível a
obtenção de 10 pãezinhos em temperatura estável para que a relação pecuniária no valor de R$ 5,00 seja plenamente
legítima e capaz de saciar minha fome matinal?”.
O problema é que temos uma cultura de valorizar quem demonstra ser inteligente ao invés de valorizar quem é. Pela nossa
lógica, todo mundo que fala difícil tende a ser mais inteligente do que quem valoriza o simples, e 99,9% das pessoas que
estivessem na padaria iriam car boquiabertas se alguém zesse uso das palavras que eu disse acima em plenas 7 da manhã
em vez de dizer: “Bom dia! O senhor poderia me vender cinco reais de pão francês?”.
Agora entramos na parte interessante: o que realmente é falar difícil? Simplesmente fazer uso de palavras que a maioria não
faz ideia do que seja é um ato de falar difícil? Eu penso que não, mas é assim que muita gente age. Falar difícil é fazer uso do
simples, mas com coerência e coesão, deixar tudo amarradinho gramaticalmente falando. Falar difícil pode fazer
alguém parecer inteligente, mas não por muito tempo. É claro que em alguns momentos não temos como fugir do
português rebuscado, do juridiquês propriamente dito, como no caso de documentos jurídicos, entre outros.
ARAÚJO, H. Disponível em: www.diariojurista.com. Acesso em: 20 nov. 2021 (adaptado).
Nesse artigo de opinião, ao fazer uso de uma fala rebuscada no exemplo da compra do pão, o autor evidencia a
importância de(a)
A se ter um notável saber jurídico.
B valorização da inteligência do falante.
C falar difícil para demonstrar inteligência.
D coesão e da coerência em documentos jurídicos.
E adequação da linguagem à situação de comunicação.
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Questão 161 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 28 Português
Ciente de que, no campo da criação, as inovações tecnológicas abrem amplo leque de possibilidades — ao permitir, e
mesmo estimular, que o artista explore a fundo, em seu processo criativo, questões como a aleatoriedade, o acaso, a não
linearidade e a hipermídia —, Leo Cunha comenta que, no que tange ao campo da divulgação, as alternativas são ainda mais
evidentes: “Afinal, é imensa a capacidade de reprodução, multiplicação e compartilhamento das obras artísticas/culturais. Ao
mesmo tempo, ganham dimensão os dilemas envolvidos com a questão da autoria, dos direitos autorais, da reprodução
e intervenção não autorizadas, entre outras questões”. Já segundo a professora Yacy-Ara Froner, o uso de ferramentas
tecnológicas não pode ser visto como um m em si mesmo. Isso porque computadores, samplers, programas de imersão,
internet e intranet, vídeo, televisão, rádio, GPD etc. são apenas suportes com os quais os artistas exercem sua imaginação.
SILVA JR., M. G. Movidas pela dúvida. Minas faz Ciências, n. 52, dez.-fev. 2013 (adaptado).
Segundo os autores citados no texto, a expansão de possibilidades no campo das manifestações artísticas promovida pela
internet pode pôr em risco o(a)
A sucesso dos artistas.
B valorização dos suportes.
C proteção da produção estética.
D modo de distribuição de obras.
Ecompartilhamento das obras artísticas.
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Questão 162 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 29 Português
Ora, sempre que surge uma nova técnica, ela quer demonstrar que revogará as regras e coerções que presidiram o
nascimento de todas as outras invenções do passado. Ela se pretende orgulhosa e única. Como se a nova técnica carreasse
com ela, automaticamente, para seus novos usuários, uma propensão natural a fazer economia de qualquer aprendizagem.
Como se ela se preparasse para varrer tudo que a precedeu, ao mesmo tempo transformando em analfabetos todos os
que ousassem repeli-la. 
Fui testemunha dessa mudança ao longo de toda a minha vida. Ao passo que, na realidade, é o contrário que acontece.
Cada nova técnica exige uma longa iniciação numa nova linguagem, ainda mais longa na medida em que nosso espírito é
formatado pela utilização das linguagens que precederam o nascimento da recém-chegada.
ECO, U.; CARRIÈRE, J.-C. Não contem com o fim do livro. Rio de Janeiro: Record, 2010 (adaptado).
O texto revela que, quando a sociedade promove o desenvolvimento de uma nova técnica, o que mais impacta seus
usuários é a
A dificuldade na apropriação da nova linguagem.
B valorização da utilização da nova tecnologia.
C recorrência das mudanças tecnológicas.
D suplantação imediata dos conhecimentos prévios.
E rapidez no aprendizado do manuseio das novas invenções.
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Questão 163 Níveis da linguagem Português LC Habilidade 27
Papos
— Me disseram...
— Disseram-me.
— Hein?
— O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
— Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
— O quê?
— Digo-te que você...
— O “te” e o “você” não combinam.
— Lhe digo?
— Também não. O que você ia me dizer?
— Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. [...]
— Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me.
Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
— O quê?
— O mato.
— Que mato?
— Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te.
Ouviu bem? Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
— Se você prefere falar errado...
— Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (adaptado).
Nesse texto, o uso da norma-padrão defendido por um dos personagens torna-se inadequado em razão do(a)
A falta de compreensão causada pelo choque entre gerações.
B contexto de comunicação em que a conversa se dá.
C grau de polidez distinto entre os interlocutores.
D diferença de escolaridade entre os falantes.
E nível social dos participantes da situação.
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Questão 164 LC Habilidade 30 Interpretação de texto jornalístico Português
“Vida perfeita” em redes sociais pode afetar a saúde mental
Nas várias redes sociais que povoam a internet, os chamados digital in uencers estão sempre felizes e pregam a felicidade
como um estilo de vida. Essas pessoas espalham conteúdo para milhares de seguidores, ditando tendência e mostrando um
estilo de vida sonhado por muitos, como o corpo esbelto, viagens incríveis, casas deslumbrantes, carros novos e alegria em
tempo integral, algo bem improvável de ocorrer o tempo todo, aponta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do
Instituto Feliciência.
A problemática pode surgir com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome
diariamente a “vida perfeita” de outros. Daí vem o conceito de positividade tóxica: a expressão tem sido usada para abordar
uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo, aliada a uma vida editada para as redes sociais. Para manter a
saúde mental e evitar ser atingido pela positividade tóxica, o uso racional das redes sociais é o mais indicado, aconselha a
médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado).
Associada ao ideário de uma “vida perfeita”, a positividade tóxica mencionada no texto é um fenômeno social recente, que
se constitui com base em
A representações estereotipadas e superficiais de felicidade.
B ressignificações contemporâneas do conceito de alegria.
C estilos de vida inacessíveis para a sociedade brasileira.
D atitudes contraditórias de influenciadores digitais.
E padrões idealizados e nocivos de beleza física.
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Questão 165 LC Habilidade 17 Interpretação de texto literário
Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a
dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebê-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou
tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto, a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: “A
partir de hoje, você não vai mais nem sentir o cheiro dessas comidas!”.
Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa
com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.
Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias
da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das lhas da “patroa” com um rolo de amassar
pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.
PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado).
Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente da
A citação a referências literárias tradicionais.
B alusão à inocência das crianças da época.
C estratégia de questionar a bondade humana.
D descrição detalhada das pessoas do interior.
E representação anedótica de atos de violência.
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Questão 166 Interpretação de texto literário LC Habilidade 15 Gêneros literários
A escrava
— Admira-me —, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa
sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí
se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e
avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me: 
— Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não é verdade que seu
sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a
sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!… Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a
destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal. Dela a decadência do comércio;
porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer orescer a lavoura; porque o seu
trabalho é forçado.
REIS, M. F. Úrsula e outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.
Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao
A revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.
B apontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da escravidão.
C sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.
D relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.
E ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274140
Questão 167 Interpretação de texto teórico e científ ico Português LC Habilidade 22
TEXTO I
ProjetoMural Eletrônico desenvolvido no INT, semelhante a um totem, promete tornar o acesso à informação
disponível para todos
A inclusão de pessoas com de ciência se constituiu um dos principais desa os e preocupações para a sociedade ao longo
das últimas décadas. E o uso da tecnologia tem se revelado um aliado fundamental em muitas iniciativas voltadas para essa
área. Exemplo disso é uma das recentes criações do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) — unidade de pesquisa do
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Ali, com o objetivo de que as diferenças entre
pessoas não sejam sinônimo de obstáculos no acesso à informação ou na comunicação, engenheiros e tecnólogos vêm
trabalhando no desenvolvimento do projeto Mural Eletrônico. 
O Mural Eletrônico nasceu da necessidade de promover a inclusão nas escolas. Com interface multimídia e interativa, todos
têm a possibilidade de acessar o Mural Eletrônico. Por meio do equipamento, podem ser disponibilizados vídeos com
Libras, leitura sonora de textos, que também estarão acessíveis em uma plataforma de braille dinâmico, ao lado do teclado.
KIFFER, D. Inclusão ampla e irrestrita. Rio Pesquisa, n. 36, set. 2016 (adaptado).
TEXTO II
Proje to Surdonews, desenvolvido na UFRJ, garante acesso de surdos à informação e contribui para sua
“inclusão científica”
Para não permitir que a falta de informação seja um fator para o isolamento e a inacessibilidade da comunidade surda, a
jornalista e pesquisadora Roberta Savedra Schia no criou o projeto “Surdonews: montando os quebra-cabeças das notícias
para o surdo”. Trata-se de uma página no Facebook, com notícias constantemente atualizadas e apresentadas por surdos
em Libras, e veiculadas por meio de vídeos.
A ideia de criar o projeto surgiu quando Roberta, ela própria surda profunda, ainda cursava o mestrado. Para isso, ela
procurou traçar um diagnóstico do conhecimento informal entre as pessoas com surdez. Ela entrevistou cinquenta alunos
surdos do ensino fundamental e viu que eles tinham muita di culdade de ler, além de não captar a notícia falada. “Isso é
muito grave, pois 90% do saber de um indivíduo vem do conhecimento informal, adquirido em feiras cientí cas, conversas,
cinema, teatro, incluindo a mídia, por todas as suas possibilidades disseminadoras”, explica a pesquisadora. “Prezamos pelo
conteúdo cientí co em nossas pautas. Contudo, independentemente disso, nosso principal trabalho é, além de informar e
atualizar, fazer com que os textos não sejam empobrecidos no processo de ‘tradução’ e, sim, acessíveis”.
KIFFER, D. Comunicação sem barreiras. Rio Pesquisa, n. 37, dez. 2016 (adaptado).
Considerando-se o tema tecnologias e acessibilidade, os textos I e II aproximam-se porque apresentam projetos que
A garantem a igualdade entre as pessoas.
B foram criados por uma pesquisadora surda.
C tiveram origem em um curso de pós-graduação.
D estão circunscritos ao espaço institucional da escola.
E têm como objetivo a disseminação do conhecimento.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274139
Questão 168 Interpretação de texto literário LC Habilidade 16 Interpretação de texto literário
Mas seu olhar verde, inconfundível, impressionante, iluminava com sua luz misteriosa as sombrias arcadas superciliares, que
pareciam queimadas por ela, dizia logo a sua origem cruzada e decantada através das misérias e dos orgulhos de homens
de aventura, contadores de histórias fantásticas, e de mulheres caladas e sofredoras, que acompanhavam os maridos e
amantes através das matas intermináveis, expostas às febres, às feras, às cobras do sertão indecifrável, ameaçador e sem
m, que elas percorriam com a ambição única de um “pouso” onde pudessem viver, por alguns dias, a vida ilusória de
família e de lar, sempre no encalço dos homens, enfebrados pela procura do ouro e do diamante.
PENNA, C. Fronteira. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d.
Ao descrever os olhos de Maria Santa, o narrador estabelece correlações que refletem a
A caracterização da personagem como mestiça.
B construção do enredo de conquistas da família.
C relação conflituosa das mulheres e seus maridos.
D nostalgia do desejo de viver como os antepassados.
E marca de antigos sofrimentos no fluxo de consciência.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274138
Questão 169 Interpretação de texto literário LC Habilidade 15 Interpretação de texto literário
A senhora manifestava-se por atos, por gestos, e sobretudo por um certo silêncio, que amargava, que esfolava. Porém
desmoralizar escancaradamente o marido, não era com ela. [...]
As negras receberam ordem para meter no serviço a gente do tal compadre Silveira: as cunhadas, ao fuso; os cunhados, ao
campo, tratar do gado com os vaqueiros; a mulher e as irmãs, que se ocupassem da ninhada. Margarida não tivera lhos, e
como os desejasse com a força de suas vontades, tratava sempre bem aos pequenitos e às mães que os estavam criando.
Não era isso uma sentimentalidade cristã, uma ternura, era o egoísta e cru instinto da maternidade, obrando por
mera simpatia carnal. Quanto ao pai do lote (referia-se ao Antônio), esse que fosse ajudar ao vaqueiro das bestas.
Ordens dadas, o Quinquim referendava. Cada um moralizava o outro, para moralizar-se.
PAIVA, M. O. Dona Guidinha do Poço. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d.
No trecho do romance naturalista, a forma como o narrador julga comportamentos e emoções das personagens femininas
revela influência do pensamento
A capitalista, marcado pela distribuição funcional do trabalho.
B liberal, buscando a igualdade entre pessoas escravizadas e livres.
C científico, considerando o ser humano como um fenômeno biológico.
D religioso, fundamentado na fé e na aceitação dos dogmas do cristianismo.
E afetivo, manifesto na determinação de acolher familiares e no respeito mútuo.
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Questão 170 Interpretação de texto literário LC Habilidade 16 Interpretação de texto literário
Era o êxodo da seca de 1898. Uma ressurreição de cemitérios antigos — esqueletos redivivos, com o aspecto terroso e o
fedor das covas podres. 
Os fantasmas estropiados como que iam dançando, de tão trôpegos e trêmulos, num passo arrastado de quem leva as
pernas, em vez de ser levado por elas. 
Andavam devagar, olhando para trás, como quem quer voltar. Não tinham pressa em chegar, porque não sabiam aonde iam.
Expulsos de seu paraíso por espadas de fogo, iam, ao acaso, em descaminhos, no arrastão dos maus fados. 
Fugiam do sol e o sol guiava-os nesse forçado nomadismo. 
Adelgaçados na magreira cômica, cresciam, como se o vento os levantasse. E os braços a nados desciam-lhes aos
joelhos, de mãos abanando.
Vinham escoteiros. Menos os hidrópicos — de ascite consecutiva à alimentação tóxica — com os fardos das barrigas
alarmantes. 
Não tinham sexo, nem idade, nem condição nenhuma. Eram os retirantes. Nada mais.
ALMEIDA, J. A. A bagaceira. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1978.
Os recursos composicionais que inserem a obra no chamado “Romance de 30” da literatura brasileira manifestam-se aqui
no(a)
A desenho cru da realidade dramática dos retirantes.
B indefinição dos espaços para efeito de generalização.
C análise psicológica da reação dos personagens à seca.
D engajamento político do narrador ante as desigualdades.
E contemplação lírica da paisagem transformada em alegoria.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274135
Questão 171 LC Habilidade 17 Interpretação de texto literário Interpretação de texto literário
10 de maio
Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na
delegacia na primeira intimação. [...] O tenente interessou-se pela educação dos meus lhos. Disse-me que a favela é um
ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidade de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele
sabe disto, porque não faz um relatorio e envia para os politicos?O senhor Janio Quadros, o Kubstchek e o Dr. Adhemar
de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.
... O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome tambem é professora.
Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.
A partir da intimação recebida pelo filho de 9 anos, a autora faz uma reflexão em que transparece a
A lição de vida comunicada pelo tenente.
B predisposição materna para se emocionar.
C atividade política marcante da comunidade.
D resposta irônica ante o discurso da autoridade.
E necessidade de revelar seus anseios mais íntimos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000274132
Questão 172 LC Habilidade 30 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
São vários os fatores, internos e externos, que in uenciam os hábitos das pessoas no acesso à internet, assim como nas
práticas culturais realizadas na rede. A utilização das tecnologias de informação e comunicação está diretamente
relacionada aos aspectos como: conhecimento de seu uso, acesso à linguagem letrada, nível de instrução, escolaridade,
letramento digital etc. Os que detêm tais recursos (os mais escolarizados) são os que mais acessam a rede e também os
que possuem maior índice de acumulatividade das práticas. A análise dos dados nos possibilita dizer que a falta de acesso à
rede repete as mesmas adversidades e exclusões já veri cadas na sociedade brasileira no que se refere a analfabetos,
menos escolarizados, negros, população indígena e desempregados. Isso signi ca dizer que a internet, se não produz
diretamente a exclusão, certamente a reproduz, tendo em vista que os que mais a acessam são justamente os mais jovens,
escolarizados, remunerados, trabalhadores qualificados, homens e brancos.
SILVA, F. A. B.; ZIVIANE, P.; GHEZZI, D. R. As tecnologias digitais e seus usos. Brasília; Rio de Janeiro: Ipea, 2019
(adaptado).
Ao analisarem a correlação entre os hábitos e o perfil socioeconômico dos usuários da internet no Brasil, os pesquisadores
A apontam o desenvolvimento econômico como solução para ampliar o uso da rede.
B questionam a crença de que o acesso à informação é igualitário e democrático.
C afirmam que o uso comercial da rede é a causa da exclusão de minorias.
D refutam o vínculo entre níveis de escolaridade e dificuldade de acesso.
E condicionam a expansão da rede à elaboração de políticas inclusivas.
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Questão 173 Níveis de signif icação da linguagem Português LC Habilidade 22
TEXTO I
A língua não é uma nomenclatura, que se apõe a uma realidade pré-categorizada, ela é que classi ca a realidade. No léxico,
percebe-se, de maneira mais imediata, o fato de que a língua condensa as experiências de um dado povo.
FIORIN, J. L. Língua, modernidade e tradição. Diversitas, n. 2, mar.-set. 2014.
TEXTO II
As expressões coloquiais ainda estão impregnadas de discriminação contra os negros. Basta recordar algumas delas, como
passar um “dia negro”, ter um “lado negro”, ser a “ovelha negra” da família ou praticar “magia negra”.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 22 maio 2018.
O Texto II exempli ca o que se a rma no Texto I, na medida em que defende a ideia de que as escolhas lexicais são
resultantes de um
A expediente próprio do sistema linguístico que nos apresenta diferentes possibilidades para traduzir estados de
coisas.
B ato inventivo de nomear novas realidades que surgem diante de uma comunidade de falantes de uma língua.
C mecanismo de apropriação de formas linguísticas que estão no acervo da formação do idioma nacional.
D processo de incorporação de preconceitos que são recorrentes na história de uma sociedade.
E recurso de expressão marcado pela objetividade que se requer na comunicação diária.
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Questão 174 LC Habilidade 4 Português Interpretação de imagens
Considerando-se a função social dos posts, essa imagem evidencia a apropriação de outro gênero com o objetivo de
A promover o uso adequado de campanhas publicitárias do governo.
B divulgar o projeto sobre transparência da administração pública.
C responsabilizar o cidadão pelo controle dos gastos públicos.
D delegar a gestão de projetos de lei ao contribuinte.
E assegurar a fiscalização dos gastos públicos.
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Questão 175 LC Habilidade 3 Interpretação de texto jornalístico Português
MANUAL DE ORIENTAÇÃO
O primeiro guia prático da Sociedade Brasileira de Pediatria para ajudar pais e pediatras no desa o de educar
nativos digitais
O texto sobre os chamados nativos digitais traz informações com a função de
A propor ações específicas para cada etapa da infância.
B estabelecer regras que devem ser seguidas à risca.
C explicar os efeitos do acesso precoce à internet.
D determinar a incorporação de rituais à educação dos filhos.
E educar com base em um conjunto de estratégias formativas.
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Questão 176 Português Estilística LC Habilidade 1
Notas
Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida
do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à
família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão, a prego
e martelo, seis pessoas que o tomam da essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos,
soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o
rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para
um capítulo triste e vulgar que não escrevo.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 25 jul. 2022.
O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas como
inventário é a
A enumeração de objetos e fatos.
B predominância de linguagem objetiva.
C ocorrência de período longo no trecho.
D combinação de verbos no presente e no pretérito.
E presença de léxico do campo semântico de funerais.
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Questão 177 Lugar de f ala Classes variáveis
Em julho de 2021, a atriz e youtuber Antônia Fontenelle fez um comentário sobre o DJ Ivis, preso por agredir sua ex-mulher,
Pamella Holanda. Ao se posicionar contra as agressões, Fontenelle disse:
Criticada por celebridades da Paraíba, como o cantor Chico César e a ex-BBB Juliette, pelo uso da expressão
preconceituosa “esses paraíbas”, Fontenelle tentou se explicar, a rmando, em outro tweet, se tratar de uma força de
expressão: “Paraíba eu me refiro a quem faz paraibada, pode ser ele sulista, pode ser ele nordestino, pode ser ele o que for”.
Em seguida, recebeu novas críticas:
Nota de reti cação: A banca elaboradora da prova de Língua Portuguesa do Vestibular Unicamp 2022, responsável pela
formulação da questão 7, reti ca o erro cometido em relação à autoria do poema publicado na referida prova. Trata-se de
um poema do artista, cantor e compositor paraibano Titá Moura (Tiago Sorrentino Moura de Lima). O poema foi publicado
em seu Instagram (@_titah) no dia 12 de julho de 2021 e, em seguida, replicado por Chico César em suas redes sociais. A
banca reproduziu a postagem de Chico César sem indicar a devida autoria. Lamentamos o equívoco e realizamos a devida
correção.
a) Por que a explicação de Fontenelle continuou sendo preconceituosa? Reescreva a primeira frase do primeiro tweet,
desfazendo o preconceito enunciado por ela.
b) Explique o jogo de palavras no tweet de ChicoCésar a partir do tweet de Juliette. Em seguida, explique a característica
atribuída ao termo “paraíba” pelo artista.
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Questão 178 Interpretação de texto Elementos do texto Português
A crise atual no mundo — no Oriente Médio, em Israel e na Palestina — não diz respeito aos valores do Islã. Não diz
respeito, de jeito algum, à mentalidade dos árabes, como querem alguns racistas. Diz respeito à luta antiga entre fanatismo e
pragmatismo. Entre fanatismo e pluralismo. Entre fanatismo e tolerância. O 11 de setembro não tem a ver nem mesmo com a
questão de se a América é boa ou má, se o capitalismo é ameaçador ou transparente, se a globalização deveria cessar ou
não. Diz respeito, isto sim, à reivindicação típica dos fanáticos: se julgo algo mau, elimino-o, junto com seus vizinhos. (...)
Minha própria infância em Jerusalém tornou-me um especialista em fanatismo comparado. Jerusalém da minha infância, lá
pelos idos dos anos 1940, era cheia de profetas espontâneos, Redentores e Messias. Mesmo atualmente, cada um dos
jerosolimitanos tem sua fórmula pessoal de salvação instantânea. Todos dizem que vieram a Jerusalém — e aqui cito uma
frase famosa de uma velha canção — para construí-la e para serem construídos por ela. De fato, alguns deles e algumas
delas, judeus, cristãos e muçulmanos, realmente vieram a Jerusalém não tanto para construí-la, para serem construídos por
ela, mas antes para serem cruci cados, ou para cruci car outros, ou ambas as coisas. Há um transtorno mental
reconhecido, uma doença mental designada “síndrome de Jerusalém”: as pessoas vão pra Jerusalém, inalam o maravilhoso
ar transparente da montanha e, em seguida, repentinamente, in amam-se e põem fogo numa mesquita, numa igreja ou
sinagoga. Ou, de outra forma, tiram as roupas, sobem numa pedra e começam a profetizar. Ninguém escuta, jamais.
Amós Oz. Contra o fanatismo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
a) Como a “síndrome de Jerusalém” pode ser relacionada a’ “reivindicação típica dos fanáticos”?
b) As duas ocorrências da palavra “transparente” apresentam o mesmo sentido no texto? Justifique.
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Questão 179 Interpretação de texto Português
Disponível em https://deposito-detirinhas.tumbir.com/post/46675766891/por-laerte.
a) Como as formas verbais “gostaria” e “acho” contribuem para a construção de sentido dos quadros 1 e 2?
b) Considerando o contexto da tirinha, como o enunciador se vê no último quadro?
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Questão 180 Figuras de linguagem
Existe o Rio de Janeiro, o Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro. O primeiro Rio é aquele que ainda anseia por Ipanemas
perdidas, de um tempo em que os amores eram recatados e silenciosos, o povo sorridente e polido, a água do mar
cristalina e tépida e a música suave e gingada. O segundo Rio é a terra de ninguém, trombeteada nos noticiários de TV, em
que cada esquina é um Vietnã ou Iraque e não há lugar seguro para correr. Uma cidade de favelas que cercam os redutos de
cidadania, favelas dominadas por tra cantes e demais bandidos que cada vez mais transbordam para o asfalto a sua
violência. Mas há ainda um terceiro Rio de Janeiro. Aquele de quem anda de ônibus, compra nas bancas os jornais
populares, zanza pelo camelódromo, permite-se um churrasquinho de gato com cerveja na esquina e sabe que existem
muitos matizes entre o preto e o branco, a favela e o asfalto, a lei e o crime. Cidade de pessoas que, seja qual for a cor e a
classe social, andam pra lá e pra cá com celulares, rádios minúsculos, CDs piratas ou não e DVDs idem. É uma cidade que
pode ir do samba de roda ao techno music, da umbanda ao padre pop, do grito para a casa da vizinha à internet num
microinstante. É o Rio de Janeiro que, musicalmente, não cabe mais no compasso da bossa nova — por mais que alguns
tenham tentado aditivar eletronicamente o seu balanço — e nem no chamado samba de raiz, cultuado por setores jovens da
classe média, mas de nitivamente trocado pela grande massa pelo exível pagode romântico, que assume sem
preconceitos as formas úteis de toda a música popular, seja ela o rock, o sertanejo, o pop negro americano. Silvio Essinger.
Batidão. Uma história do Funk. Rio de Janeiro:
Record, 2005. Adaptado.
a) Aponte a gura de linguagem utilizada para descrever o “segundo Rio” e explique como o seu uso contribui para a
caracterização em curso no texto.
b) Com base no texto, explique em que consiste o “terceiro Rio de Janeiro”.
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Questão 181 Níveis de signif icação da linguagem
Ela desatinou
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente
Já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida
Da falsa vida da avenida onde
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz
Feliz no seu mundo de cetim
Assim debochando
Da dor, do pecado
Do tempo perdido
Do jogo acabado
Chico Buarque de Hollanda, 1958.
a) Explique quais são os universos em oposição apresentados na letra da canção e exemplifique com dois versos.
b) Considerando a ambiguidade presente no verso “Os dias sem sol raiando”, transforme a oração reduzida de gerúndio em
duas possíveis orações desenvolvidas, contemplando os diferentes sentidos do verso
Essa questão possui comentário do professor no site 4000259082
Questão 182 Figuras de linguagem
Fico imaginando se, em uma visita à casa de amigos, alguém me receber de cara fechada ou demorar para abrir a porta,
sem demonstrar o mínimo de acolhimento. Talvez eu perca o tesão do encontro, deixando toda minha empolgação do lado
de fora. Para mim, não é diferente do serviço em um restaurante. Por mais que a comida seja meu ponto principal, já perdi
literalmente a fome quando fui ignorada, presenciei erros e mais erros de anotações de pratos, causando estresse nos
comensais e na cozinha, sem contar as atitudes desagradáveis da brigada, quando resolve discutir no meio do salão. De
outro lado, criei laços com restaurantes e bares por conta do atendimento impecável, dos quais os comes e bebes não são
necessariamente maravilhosos. O fato de me sentir acolhida e bem atendida causa um grande peso naquilo que tanto se fala
na gastronomia: a experiência. Beatriz Marques. “A arte de servir”. Revista Menu.
Março/2019. Adaptado.
a) Explique o sentido do termo “literalmente” no trecho “Por mais que a comida seja meu ponto principal, já perdi
literalmente a fome quando fui ignorada”.
b) Reescreva o excerto “causando estresse nos comensais e na cozinha, sem contar as atitudes desagradáveis da brigada”,
substituindo os termos grifados por outros de sentido equivalente
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Questão 183 Complementos verbais e adjuntos
Texto 1 
Disponível em https://www.publicitarioscriativos.com/21- propagandas-surpreendemente-criativas/.Traduzido e adaptado.
Texto 2
Por respeito à natureza, artista Tikuna levou 16 anos para criar um cocar
As primeiras penas de gavião real que conseguiu chegaram em 2005. Um amigo o encontrou na aldeia certa vez e ofereceu
algumas penas do animal que tinha encontrado morto no meio do mato tempos antes.
“Depois, em 2011, um cacique me disse que tinha algumas também, perguntou se eu queria, eram umas oito. Juntando com
as que eu tinha, já dava para fazer um pedaço do cocar”, conta José Tikuna.
Para completar a peça, ele precisou contar com mais doações de amigos e conhecidos. José mesmo chegou a rodar pela
floresta atrás das penas do bicho, mas não encontrava nada. Os anospassavam, e ele seguia procurando e esperando.
Só em 2014 encontrou novas penas. Dessa vez, um colega o procurou para que ele usasse seus dotes artísticos para criar
um amarrador de cabelo com pena. José topou fazer e ainda conseguiu ficar com algumas para colocar em seu cocar.
José lembra das conversas com amigos tocadores de tambor que sempre falam que se um animal ou uma árvore sofreu ou
morreu para que conseguissem produzir o instrumento musical, o mínimo que eles deveriam ter é respeito.
Paula Rodrigues. Disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/09/08/porrespeito-a-natureza-tikuna-
levou-16-anos-para-criar-um-cocar.htm. 08/09/2021. Adaptado.
a) Explique o sentido da expressão “mais assustador” no contexto do anúncio, comparando-a com o processo
de produção do cocar mencionado na notícia.
b) Aponte a função sintática de “por respeito à natureza” e explique como a expressão contribui para o sentido do título e
do texto.
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Questão 184 Gêneros textuais
Sem dúvida, o capital não tem pátria, e é esta uma das suas vantagens universais que o fazem tão ativo e irradiante. Mas o
trabalho que ele explora tem mãe, tem pai, tem mulher e lhos, tem língua e costumes, tem música e religião. Tem uma
fisionomia humana que dura enquanto pode. E como pode, já que a sua situação de raiz é sempre a de falta e dependência.
Narrar a necessidade é perfazer a forma do ciclo. Entre a consciência narradora, que sustém a história, e a matéria narrável,
sertaneja, opera um pensamento desencantado, que gura o cotidiano do pobre em um ritmo pendular: da chuva à seca, da
folga à carência, do bem-estar à depressão, voltando sempre do último estado ao primeiro. É a narração, que se quer
objetiva, da modéstia dos meios de vida registrada na modéstia da vida simbólica.
(Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica, 2003. Adaptado.)
O comentário aplica-se com precisão à obra
A Vidas secas, de Graciliano Ramos.
B Macunaíma, de Mário de Andrade.
C Os sertões, de Euclides da Cunha.
D Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
E A hora da estrela, de Clarice Lispector.
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Questão 185 Classes de palavras
Leia a crônica “Elegia do Guandu”, de Carlos Drummond de Andrade, publicada originalmente em 2 de novembro de 1974.
E se reverenciássemos neste 2 de novembro os mortos do Guandu, que descem a correnteza, a caminho do mar — o mar
que eles não alcançam, pois encalham na areia das margens, e os urubus os devoram?
Perdoai se apresento matéria tão feia, em dia de ores consagradas aos mortos queridos. Estes não são amados de
ninguém, ou o são de mínima gente. Seus corpos, não há quem os reclame, de medo ou seja lá pelo que for.
Se algum deles tem sorte de derivar pela restinga da Marambaia e ali é recolhido por pescadores — ah, peixe menos
desejado — ganha sepultura anônima, que a piedade dos humildes providencia. Mas não é prudente pescar mortos do
Guandu: há sempre a perspectiva de interrogatórios que fazem perder o dia de trabalho, às vezes mais do que isso: a
liberdade, que se confisca aos suspeitos e aos que explicam mal suas pescarias macabras.
São marginais caçados pela polícia ou por outros marginais, são suicidas, são acidentados? Difícil classi cá-los, se não
trazem a marca registrada dos trucidadores ou estes sinais: mãos amarradas, amarrado de vários corpos, pesos amarrados
aos pés. Estes últimos são mortos fáceis de catalogar, embora só se lhes vejam as cabeças em rodopio à or d’água, mas
os que vêm boiando e uindo, uindo e boiando, em sonho aquático deslizante, estes desesperaram da vida, ou a vida lhes
faltou de surpresa?
Os mortos vão passando, procissão falhada. Eis desce o rio um lote de seis, uns aos outros ligados pela corda fraternizante.
É espetáculo para se ver da janela de moradores de Itaguaí, assistentes ribeirinhos de novela de espaçados capítulos. Ver e
não contar. Ver e guardar para conversas íntimas:
— Ontem, na tintura da madrugada, passaram três garrafinhas. Eu vi, chamei a Teresa pra espiar também...
Garra nhas chamam-se eles, os trucidados com chumbo aos pés, e não mais como cou escrito em livros de cartório. O
garra nha no 1 não é diferente do garra nha no 2 ou 3. Foram todos nivelados pelo Guandu. Como frascos vazios, de
pequeno porte e nenhuma importância, lá vão rio abaixo, Nova Iguaçu abaixo, rumo do esquecimento das garrafas e dos
crimes que cometeram ou não cometeram, ou dos crimes que neles foram cometidos.
[...]
O Guandu não responde a inquéritos nem a repórteres. Não distingue, carrega. Não comenta, não julga, não reclama se lhe
corrompem as águas; transporta. Em sua impessoalidade serve a desígnios vários, favorece a vida que quer se
desembaraçar da morte, facilita a morte que quer se libertar da vida. Pela justiça sumária, pelo absurdo, pelo desespero.
Mas não é ao Guandu que cabe dedicar uma elegia, é aos mortos do Guandu, nos quais ninguém pensa no dia de pensar os
e nos mortos. Os criminosos, os não criminosos, os que se destruíram, os que resvalaram. Mortos sem sepultura e sem
lembrança. Trágicos e apagados deslizantes na correnteza. Passageiros do Guandu, apenas e afinal.
(Carlos Drummond de Andrade. Os dias lindos, 2013.)
O termo sublinhado em “Estes últimos são mortos fáceis de catalogar, embora só se lhes vejam as cabeças em rodopio à
flor d’água” (4º parágrafo) pertence à mesma classe gramatical do termo sublinhado em:
A “Mas não é prudente pescar mortos do Guandu” (3º parágrafo)
B “Eis desce o rio um lote de seis, uns aos outros ligados pela corda fraternizante” (5º parágrafo)
C “Difícil classificá-los, se não trazem a marca registrada dos trucidadores” (4º parágrafo)
D “É espetáculo para se ver da janela de moradores de Itaguaí” (5º parágrafo)
E “Estes não são amados de ninguém, ou o são de mínima gente” (2º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000258090
Questão 186 Tipos de discurso direto indireto e indireto livre
Leia o ensaio “Império reverso”, de Eduardo Giannetti.
Império reverso — O lósofo grego Diógenes fez da autossu ciência e do controle das paixões os valores centrais de sua
vida: um casaco, uma mochila e uma cisterna de argila no interior da qual pernoitava eram suas únicas posses. Intrigado com
relatos sobre essa estranha gura, o imperador Alexandre Magno resolveu conferir de perto. Foi até ele e propôs: “Sou o
homem mais poderoso do mundo, peça-me o que desejar e lhe atenderei.” Diógenes [...] não titubeou: “O senhor teria a
delicadeza de afastar-se um pouco? Sua sombra está bloqueando o meu banho de sol.” O lósofo e o imperador são casos
extremos, mas ambos ilustram a tese socrática de que, entre os mortais, o mais próximo dos deuses em felicidade é aquele
que de menor número de coisas carece. Alexandre, ex-pupilo e depois mecenas de Aristóteles, aprendeu a lição. Quando
um cortesão zombou do morador da cisterna por ter “desperdiçado” a oferta que lhe caíra do céu, o imperador rebateu:
“Pois saiba então você que, se eu não fosse Alexandre, eu teria desejado ser Diógenes.” Os extremos se tocam. — “Querei
só o que podeis”, pondera o padre Antônio Vieira, “e sereis omnipotentes.”
(Eduardo Giannetti. Trópicos utópicos, 2016.)
Ao se transpor o trecho “Foi até ele e propôs: ‘Sou o homem mais poderoso do mundo, peça-me o que desejar e lhe
atenderei.’” para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem as formas:
A pedisse e atenderia.
B pedia e atendia.
C pediria e atenderia.
D pedisse e atendesse.
E pediria e atendesse.
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Questão 187 Figuras de linguagem
Examine a tirinha do cartunista André Dahmer.
Para produzir o efeito cômico e também crítico da tirinha, o cartunista mobiliza os seguintes recursos expressivos:
A eufemismo e pleonasmo.
B personificação e hipérbole.
C hipérbole e eufemismo.
D personificação e antítese.E hipérbole e antítese.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000258081
Questão 188 Relações de sinonímia e antônímia Conceitos básicos de português Português
A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que poderia servir de de nição dela própria. A história da humanidade
se divide em duas imensas eras: antes e a partir da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era — depois da escrita.
Vivemos os séculos da civilização escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se no escrito. A lei escrita substitui a lei oral,
o contrato escrito substitui a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E sobretudo não existe
história que não se funde sobre textos.
Charles Higounet. A história da escrita. Adaptado.
A locução conjuntiva “de tal modo…que” e o advérbio “sobretudo”, respectivamente, expressam noção de:
A conformidade e dúvida.
B consequência e realce.
C condição e negação.
D consequência e negação.
E condição e realce.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000257704
Questão 189 Interpretação de texto teórico e científ ico Interpretação de texto Interpretação de Texto
A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que poderia servir de de nição dela própria. A história da humanidade se
divide em duas imensas eras: antes e a partir da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era — depois da escrita. Vivemos
os séculos da civilização escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se no escrito. A lei escrita substitui a lei oral, o
contrato escrito substitui a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E sobretudo não existe história
que não se funde sobre textos.
Charles Higounet. A história da escrita. Adaptado.
A escrita poderia servir de definição da nossa civilização, uma vez que
A a terceira era está prestes a acontecer.
B o escrito respalda as atividades humanas.
C as convenções verbais substituíram o escrito.
D a oralidade deixou de ser usada em períodos remotos.
E os textos pararam de se modificar a partir da escrita.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000257703
Questão 190 Interpretação de texto teórico e científ ico Interpretação de texto Interpretação de Texto
Chega um momento em que a tensão eu/mundo se exprime mediante uma perspectiva crítica, imanente à escrita, o que
torna o romance não mais uma variante literária da rotina social, mas o seu avesso; logo, o oposto do discurso ideológico
do homem médio. O romancista “imitaria” a vida, sim, mas qual vida? Aquela cujo sentido dramático escapa a homens e
mulheres entorpecidos ou automatizados por seus hábitos cotidianos. A vida como objeto de busca e construção, e não a
vida como encadeamento de tempos vazios e inertes. 
Caso essa pobre vida- morte deva ser tematizada, ela aparecerá como tal, degradada, sem a aura positiva com que as
palavras “realismo” e “realidade” são usadas nos discursos que fazem a apologia conformista da “vida como ela é”... A
escrita da resistência, a narrativa atravessada pela tensão crítica, mostra, sem retórica nem alarde ideológico, que essa “vida
como ela é” é, quase sempre, o ramerrão de um mecanismo alienante, precisamente o contrário da vida plena e digna de
ser vivida.
É nesse sentido que se pode dizer que a narrativa descobre a vida verdadeira, e que esta abraça e transcende a vida real. A
literatura, com ser cção, resiste à mentira. É nesse horizonte que o espaço da literatura, considerado em geral como lugar
da fantasia, pode ser o lugar da verdade mais exigente.
Alfredo Bosi. “Narrativa e resistência”. Adaptado.
O conceito de resistência, expresso pela tensão do indivíduo perante o mundo, adquire perspectiva crítica na escrita do
romance quando o autor
A rompe a superfície enganosa da realidade.
B forja um realismo rente à vida mesquinha.
C é neutro ao figurar a vacuidade do presente.
D conserva o discurso positivo da ordem.
E consegue sobrepor a fantasia à verdade.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000257702
Questão 191 Conectivos e ref erenciação Morf ologia Português
A taxação de livros tem um efeito cascata que acaba custando caro não apenas ao leitor, como também ao mercado
editorial – que há anos não anda bem das pernas – e, em última instância, ao desenvolvimento econômico do país. A gente
explica. Taxar um produto signi ca, quase sempre, um aumento no valor do produto nal. Isso porque ao menos uma parte
desse imposto será repassada ao consumidor, especialmente se considerarmos que as editoras e livrarias enfrentam há anos
uma crise que agora está intensi cada pela pandemia e não poderiam retirar o valor desse imposto de seu já apertado lucro.
Livros mais caros também resultam em queda de vendas, que, por sua vez, enfraquece ainda mais editoras e as impede de
investir em novas publicações – especialmente aquelas de menor apelo comercial, mas igualmente importantes para a
pluralidade de ideias. Já deu para perceber a confusão, não é? Mas, além disso, qual seria o custo de uma sociedade com
menos leitores e menos livros? Taís Ilhéu. “Por que taxar os livros pode gerar retrocesso social e econômico no país”. 
Guia do Estudante. Setembro/2020. Adaptado.
No texto, os pronomes em negrito referem-se, respectivamente, a:
A taxação de livros, mercado editorial, crise, queda de vendas.
B taxação de livros, leitor, crise, queda de vendas.
C efeito cascata, mercado editorial, crise, queda de vendas.
D efeito cascata, mercado editorial, livrarias, livros.
E efeito cascata, leitor, crise, livros.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000257701
Questão 192 Interpretação de texto Interpretação de Texto Interpretação de texto jornalístico
A taxação de livros tem um efeito cascata que acaba custando caro não apenas ao leitor, como também ao mercado
editorial – que há anos não anda bem das pernas – e, em última instância, ao desenvolvimento econômico do país. A gente
explica. Taxar um produto signi ca, quase sempre, um aumento no valor do produto nal. Isso porque ao menos uma parte
desse imposto será repassada ao consumidor, especialmente se considerarmos que as editoras e livrarias enfrentam há anos
uma crise que agora está intensi cada pela pandemia e não poderiam retirar o valor desse imposto de seu já apertado lucro.
Livros mais caros também resultam em queda de vendas, que, por sua vez, enfraquece ainda mais editoras e as impede de
investir em novas publicações – especialmente aquelas de menor apelo comercial, mas igualmente importantes para a
pluralidade de ideias. Já deu para perceber a confusão, não é? Mas, além disso, qual seria o custo de uma sociedade com
menos leitores e menos livros? Taís Ilhéu. “Por que taxar os livros pode gerar retrocesso social e econômico no país”. 
Guia do Estudante. Setembro/2020. Adaptado.
De acordo com o texto, os eventos sequenciais aos quais alude a expressão “efeito cascata” são:
A livros mais caros, decréscimo de vendas, estímulo às editoras, supressão de investimento em novas publicações.
B aumento do valor do produto final, queda de vendas, encolhimento das editoras, aumento do investimento em
novas obras.
C livros mais caros, instabilidade nas vendas, enfraquecimento das editoras, expansão das publicações.
D aumento do valor do produto final, contração nas vendas, esgotamento das editoras, falta de investimento em
novas publicações.
E livros mais caros, equilíbrio nas vendas, diminuição das editoras, carência de investimento em novas publicações.
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Questão 193 Sujeito classif icação e identif icação Termos subordinados ao nome Português
No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco
tempo para a mobilidade, a exibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria
algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a exibilidade e outros.Na prática, muitos
alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento. 
Como a prática cardiovascular é in nitamente mais signi cativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo,
podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.
Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.
Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em “o treino restaurativo,
o relaxamento e o treinamento cardiovascular” é:
A um atleta de seleção precisa de treinamento intenso.
B o amor ao esporte é fundamental para o atleta.
C a população incorpora radicalmente atitudes saudáveis.
D muitas pessoas se beneficiam de alimentos verdes.
E todo tipo de atividade física faz bem à saúde mental.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000257693
Questão 194 Sintaxe do período composto Período simples e período composto Português
No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco
tempo para a mobilidade, a exibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria
algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a exibilidade e outros. Na prática, muitos
alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento. 
Como a prática cardiovascular é in nitamente mais signi cativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo,
podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.
Nuno Cobra Jr. “Fitness não é saúde”. Uol. 06/05/2021. Adaptado.
Sem alteração de sentido, o segundo parágrafo do texto poderia ser reescrito da seguinte maneira:
A Ainda que a prática cardiovascular seja infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica
como um todo, essa ordem deveria ser revista, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento
consciente e saudável.
B Para evitar que a prática cardiovascular se torne infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde
orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa
ordem deveria ser revista.
C Quando a prática cardiovascular for infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica
como um todo, essa ordem deveria ser revista, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento
consciente e saudável.
D Quanto mais a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica
como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem
deveria ser revista.
E Essa ordem deveria ser revista: a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a
nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e
saudável.
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Questão 195 Interpretação de texto Interpretação de Texto Português
Disponível em http://www.malvados.com.br/.
Considerando a ironia da tirinha, é possível inferir que
A o serviço de transporte público é gerido pelo Estado.
B a qualidade do transporte é uma forma de punição.
C os responsáveis pelo transporte são punidos no Brasil.
D o brasileiro é um povo que tolera a criminalidade.
E o transporte público é responsável pela mobilidade urbana.
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Questão 196 Interpretação de texto teórico e científ ico Interpretação de texto Interpretação de Texto
Por mais bem informado que você possa ser, não dá para baixar a guarda. Mas por que as notícias falsas – mesmo aquelas
mais improváveis – parecem tão convincentes para tantas pessoas? Van Bavel, professor de psicologia e ciência neural da
Universidade de Nova York, se especializou em entender como as crenças políticas e identidades de grupo in uenciam a
mente, e descobriu que a identi cação com posições políticas pode interferir em como o cérebro processa as
informações.
Tendemos a rejeitar fatos que ameaçam nosso senso de identidade e sempre buscar informações que con rmem nossas
próprias crenças, seja por meio de memórias seletivas, leituras de fontes que estão do nosso lado ou mesmo interpretando
os fatos de determinada maneira. Isso tudo está relacionado a não querermos ter nossas ideias, gostos, identidade
questionados, e por isso temos dificuldade em aceitar o que contradiz aquilo em que acreditamos.
Ana Prado. “A ciência explica por que caímos em fake news”. Superinteressante. 15/06/2018. Adaptado.
De acordo com o texto,
A as pessoas bem informadas estão protegidas de polêmicas, uma vez que o modo como processam os fatos
tornam suas opiniões mais convincentes.
B o posicionamento político garante a disseminação de notícias verdadeiras e resulta de crenças já estabelecidas
socialmente.
C a rejeição a questionamentos impede que se admitam pontos de vista antagônicos, em razão da tendência de se
confirmar crenças pessoais.
D as memórias seletivas auxiliam na rejeição de fatos contrários à realidade, já que conduzem à interpretação das
reportagens de modo imparcial.
E os fatos hostis normalmente são preteridos por grande parte da sociedade, embora sejam utilizados como
identificador cultural.
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Questão 197 Interpretação de imagens
O texto a seguir faz parte de um glossário publicado nas redes sociais do Alto-comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados (ACNUR).
(Fonte: Per l de Instagram do ACNUR Brasil: Disponível em: https://www. instagram.com/acnurbrasil. Acessado em
26/06/2021.)
Sobre os verbetes do glossário do ACNUR, é correto dizer que
A contextualizam os usos dos dois termos pela agência.
B enfatizam a sinonímia dos termos no uso pela agência.
C evidenciam uma antonímia dos significados dos termos.
D informam as acepções figuradas de cada um dos termos.
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Questão 198 Processos de f ormação de palavras
Leia, a seguir, o título e subtítulo de uma reportagem.
(Fonte: Correio 24horas. 21/06/2021.) 
Ao longo da pandemia da Covid-19 tornou-se cada vez mais recorrente o uso da expressão de língua inglesa home o ce
(em tradução literal, “escritório em casa”) para se referir a trabalho a distância ou a teletrabalho. Indique a alternativa que
descreve o processo de composição do neologismo “roça-office”, conforme empregado no título da reportagem.
A A substituição do vocábulo em inglês “home” por “roça” torna o uso desse estrangeirismo mais adequado à grafia
do português.
B A justaposição de “roça” e “office” produz um efeito cômico pelo contraste entre os meios rural e urbano na
formação do neologismo.
C A justaposição de “roça” e do neologismo “office” baseia-se na similaridade fonético-fonológica entre os
vocábulos “home” e “roça”.
D A aglutinação dos radicais “roça” e “office” adapta o neologismo aos imóveis brasileiros e produz o efeito de
humor na manchete.
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Questão 199 Figuras de linguagem
Texto I
(Denilson Baniwa, Repovoamento da memória de uma cidade- oresta, 2021, Mural Lambe-lambe, 3,80m x 12m. Disponível
em https://www.premiopipa.com/wp-content/uploads/2019/03/23-Denilson​Baniwa.jpeg .Acessado em 05/07/2021.)
Texto II
Para que as memórias e tradições permaneçam vivas, o Museu da Pessoa, a Rádio Yandê e Ailton Krenak vão realizar uma
formação virtual em memória e mídias para que jovens das comunidades originárias registrem as histórias de vida de seus
anciãos e anciãs.
O ditado “Cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima” é válido para os povos indígenas, portanto nosso lema é
“Cada ancião que se preserva é uma biblioteca que se salva”. Na tradição dos povos indígenas, todo conhecimento de
plantas, de cura, de mitos enarrativas é produzido de maneira oral. “A gente não sabe até quando que vão ter esse
conhecimento completo. A gente vai morrendo e vai se apagando tudo. A gente não é igual vocês, que ca tudo guardado
em algum lugar (...)” (Awapataku Waura, ancião e pajé do povo Waura).
(Adaptado de “Projeto Vidas Indígenas”, vídeo institucional do Museu da Pessoa, sobre registro de narrativas orais
indígenas. Disponível em: https://benfeitoria.com/vidasindigenas. Acessado em 04/04/2021.
No texto II. (Projeto Vidas Indígenas), é utilizada uma metáfora que relaciona “ancião” e “biblioteca”. As citações a seguir
tratam da importância de anciãos e anciãs indígenas para a transmissão do conhecimento. Assinale aquela que também faz
uso de uma metáfora.
A “Perder um ancião é o mesmo que fechar um livro. Ou mesmo queimar um livro” (Comissão Pró-Índio, Twitter, via
@g1).
B “Morte de anciãos indígenas na pandemia pode fazer línguas inteiras desaparecerem” (manchete da BBC Brasil
News).
C “A morte de uma anciã ou um ancião é tratada como se uma biblioteca fosse perdida” (site “Racismo Ambiental”).
D “Nikaiti Mekranotire é mais uma vítima do covid-19. Perdemos uma enciclopédia” (Mayalú Txucarramãe, Twitter).
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Questão 200 Signif icação a partir de construções verbais
Para responder à questão leia o trecho inicial da crônica “Está aberta a sessão do júri”, de Graciliano Ramos, publicada
originalmente em 1943.
O Dr. França, Juiz de Direito numa cidadezinha sertaneja, andava em meio século, tinha gravidade imensa, verbo escasso,
bigodes, colarinhos, sapatos e ideias de pontas muito nas. Vestia-se ordinariamente de preto, exigia que todos na justiça
procedessem da mesma forma – e chegou a mandar retirar-se do Tribunal um jurado inconveniente, de roupa clara,
ordenar-lhe que voltasse razoável e fúnebre, para não prejudicar a decência do veredicto.
Não via, não sorria. Quando parava numa esquina, as cavaqueiras dos vadios gelavam. Ao afastar-se, mexia as pernas
matematicamente, os passos mediam setenta centímetros, exatos, apesar de barrocas¹ e degraus. A espinha não se
curvava, embora descesse ladeiras, as mãos e os braços executavam os movimentos indispensáveis, as duas rugas
horizontais da testa não se aprofundavam nem se desfaziam.
Na sua biblioteca digna e sábia, volumes bojudos, tratados majestosos, severos na encadernação negra semelhante à do
proprietário, empertigavam-se – e nenhum ousava deitar-se, inclinar-se, quebrar o alinhamento rigoroso.
Dr. França levantava-se às sete horas e recolhia-se à meia-noite, zesse frio ou calor, almoçava ao meio-dia e jantava às
cinco, ouvia missa aos domingos, comungava de seis em seis meses, pagava o aluguel da casa no dia 30 ou no dia 31,
entendia-se com a mulher, parcimonioso, na linguagem usada nas sentenças, linguagem arrevesada e arcaica das
ordenações. Nunca julgou oportuno modificar esses hábitos salutares.
Não amou nem odiou. Contudo exaltou a virtude, emanação das existências calmas, e condenou o crime, infeliz
consequência da paixão.
Se atentássemos nas palavras emitidas por via oral, poderíamos a rmar que o Dr. França não pensava. Vistos os autos, etc.,
perceberíamos entretanto que ele pensava com alguma frequência. Apenas o pensamento de Dr. França não seguia a
marcha dos pensamentos comuns. Operava, se não nos enganamos, deste modo: “considerando isto, considerando isso,
considerando aquilo, considerando ainda mais isto, considerando porém aquilo, concluo.” Tudo se formulava em obediência
às regras – e era impossível qualquer desvio.
Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, títulos, artigos e
parágrafos. E o que se distanciava desses parágrafos, artigos, títulos e capítulos não o comovia, porque Dr. França está livre
dos tormentos da imaginação. 
(Graciliano Ramos. Viventes das Alagoas, 1976.) 
¹barroca: monte de terra ou de barro.
Expressa sentido hipotético a forma verbal sublinhada em:
A “Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, títulos,
artigos e parágrafos.” (7º parágrafo)
B “Ao afastar-se, mexia as pernas matematicamente, os passos mediam setenta centímetros, exatos, apesar de
barrocas e degraus.” (2º parágrafo)
C “Vistos os autos, etc., perceberíamos entretanto que ele pensava com alguma frequência.” (6º parágrafo)
D “Tudo se formulava em obediência às regras – e era impossível qualquer desvio.” (6º parágrafo)
E “Nunca julgou oportuno modificar esses hábitos salutares.” (4º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252935
Questão 201 Figuras de linguagem
Para responder à questão leia o trecho inicial da crônica “Está aberta a sessão do júri”, de Graciliano Ramos, publicada
originalmente em 1943.
O Dr. França, Juiz de Direito numa cidadezinha sertaneja, andava em meio século, tinha gravidade imensa, verbo escasso,
bigodes, colarinhos, sapatos e ideias de pontas muito nas. Vestia-se ordinariamente de preto, exigia que todos na justiça
procedessem da mesma forma – e chegou a mandar retirar-se do Tribunal um jurado inconveniente, de roupa clara,
ordenar-lhe que voltasse razoável e fúnebre, para não prejudicar a decência do veredicto.
Não via, não sorria. Quando parava numa esquina, as cavaqueiras dos vadios gelavam. Ao afastar-se, mexia as pernas
matematicamente, os passos mediam setenta centímetros, exatos, apesar de barrocas¹ e degraus. A espinha não se
curvava, embora descesse ladeiras, as mãos e os braços executavam os movimentos indispensáveis, as duas rugas
horizontais da testa não se aprofundavam nem se desfaziam.
Na sua biblioteca digna e sábia, volumes bojudos, tratados majestosos, severos na encadernação negra semelhante à do
proprietário, empertigavam-se – e nenhum ousava deitar-se, inclinar-se, quebrar o alinhamento rigoroso.
Dr. França levantava-se às sete horas e recolhia-se à meia-noite, zesse frio ou calor, almoçava ao meio-dia e jantava às
cinco, ouvia missa aos domingos, comungava de seis em seis meses, pagava o aluguel da casa no dia 30 ou no dia 31,
entendia-se com a mulher, parcimonioso, na linguagem usada nas sentenças, linguagem arrevesada e arcaica das
ordenações. Nunca julgou oportuno modificar esses hábitos salutares.
Não amou nem odiou. Contudo exaltou a virtude, emanação das existências calmas, e condenou o crime, infeliz
consequência da paixão.
Se atentássemos nas palavras emitidas por via oral, poderíamos a rmar que o Dr. França não pensava. Vistos os autos, etc.,
perceberíamos entretanto que ele pensava com alguma frequência. Apenas o pensamento de Dr. França não seguia a
marcha dos pensamentos comuns. Operava, se não nos enganamos, deste modo: “considerando isto, considerando isso,
considerando aquilo, considerando ainda mais isto, considerando porém aquilo, concluo.” Tudo se formulava em obediência
às regras – e era impossível qualquer desvio.
Dr. França possuía um espírito, sem dúvida, espírito redigido com circunlóquios, dividido em capítulos, títulos, artigos e
parágrafos. E o que se distanciava desses parágrafos, artigos, títulos e capítulos não o comovia, porque Dr. França está livre
dos tormentos da imaginação. 
(Graciliano Ramos. Viventes das Alagoas, 1976.) 
¹barroca: monte de terra ou de barro.
O cronista recorre à personificação no seguinte trecho:
A “Na sua biblioteca digna e sábia, volumes bojudos, tratados majestosos, severos na encadernação negra
semelhante à do proprietário, empertigavam-se – e nenhum ousava deitar-se, inclinar-se, quebrar o alinhamento
rigoroso.” (3º parágrafo)
B “A espinha não se curvava, embora descesse ladeiras, as mãos e os braços executavam os movimentos
indispensáveis, as duas rugas horizontais da testa não se aprofundavam nem se desfaziam.” (2º parágrafo)
C “Ao afastar-se, mexia as pernas matematicamente, os passos mediam setenta centímetros, exatos, apesar de
barrocas e degraus.” (2º parágrafo)D “E o que se distanciava desses parágrafos, artigos, títulos e capítulos não o comovia, porque Dr. França está livre
dos tormentos da imaginação.” (7º parágrafo)
E “Vestia-se ordinariamente de preto, exigia que todos na justiça procedessem da mesma forma – e chegou a
mandar retirar-se do Tribunal um jurado inconveniente, de roupa clara, ordenar-lhe que voltasse razoável e
fúnebre, para não prejudicar a decência do veredicto.” (1º parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252934
Questão 202 Classes de palavras
Para responder à questão leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identi cação com outras
pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, di cilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seus semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito
mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar
ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil
identificar-se com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade,
a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever
seu próprio m, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como
indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação. 
(A solidão dos moribundos, 2001.)
Em “De todo modo, teria sido mais apropriado se os gladiadores dissessem ‘Morituri moriturum salutant’ (Os que vão morrer
saúdam aquele que vai morrer)” (1º parágrafo), o termo sublinhado pertence à mesma classe gramatical do termo sublinhado
em
A “Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios
na roda.” (1º parágrafo)
B “Porém, numa sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou
imperadores.” (1º parágrafo)
C “Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais.” (1º parágrafo)
D “as pessoas necessitadas só podem esperar ajuda de outras pessoas.” (1º parágrafo)
E “Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte constitui um problema só para os seres humanos.” (2º
parágrafo)
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252930
Questão 203 Conectivos e ref erenciação
Para responder à questão leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identi cação com outras
pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, di cilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seus semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito
mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar
ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil
identificar-se com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade,
a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever
seu próprio m, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como
indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação. 
(A solidão dos moribundos, 2001.)
Em “Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte com os animais, apenas
eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão” (2º parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo
para o sentido do texto, por:
A A menos que.
B Mesmo que.
C Desde que.
D Uma vez que.
E Contanto que.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252929
Questão 204 Níveis da linguagem
Para responder à questão leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identi cação com outras
pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, di cilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seussemelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito
mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar
ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil
identificar-se com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade,
a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever
seu próprio m, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como
indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação. 
(A solidão dos moribundos, 2001.)
No primeiro parágrafo, a impessoalidade da linguagem está bem exemplificada no trecho:
A “Se comparados aos da Antiguidade, nossa identificação com outras pessoas e nosso compartilhamento de seus
sofrimentos e morte aumentaram.”
B “Como sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras ‘Morituri te salutant’ (Os que
vão morrer te saúdam).”
C “Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena.”
D “Tudo indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por
suas vidas.”
E “Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios
na roda.”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252928
Questão 205 Interpretação de texto teórico e científ ico
Para responder à questão leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, do sociólogo alemão Norbert Elias
Não mais consideramos um entretenimento de domingo assistir a enforcamentos, esquartejamentos e suplícios na roda.
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa identi cação com outras
pessoas e nosso compartilhamento de seus sofrimentos e morte aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos devorando
pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente se ferindo e matando, dificilmente
constituiria uma diversão para a qual nos prepararíamos com o mesmo prazer que os senadores ou o povo romano. Tudo
indica que nenhum sentimento de identidade unia esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador ao entrar com as palavras “Morituri te salutant” (Os que vão morrer te
saúdam). Alguns dos imperadores sem dúvida se acreditavam imortais. De todo modo, teria sido mais apropriado se os
gladiadores dissessem “Morituri moriturum salutant” (Os que vão morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém, numa
sociedade em que tivesse sido possível dizer isso, provavelmente não haveria gladiadores ou imperadores. A possibilidade
de se dizer isso aos dominadores — alguns dos quais mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre um sem-número de
seus semelhantes — requer uma desmitologização da morte mais ampla do que a que temos hoje, e uma consciência muito
mais clara de que a espécie humana é uma comunidade de mortais e de que as pessoas necessitadas só podem esperar
ajuda de outras pessoas. O problema social da morte é especialmente difícil de resolver porque os vivos acham difícil
identificar-se com os moribundos.
A morte é um problema dos vivos. Os mortos não têm problemas. Entre as muitas criaturas que morrem na Terra, a morte
constitui um problema só para os seres humanos. Embora compartilhem o nascimento, a doença, a juventude, a maturidade,
a velhice e a morte com os animais, apenas eles, dentre todos os vivos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever
seu próprio m, estando cientes de que pode ocorrer a qualquer momento e tomando precauções especiais — como
indivíduos e como grupos — para proteger-se contra a ameaça da aniquilação. 
(A solidão dos moribundos, 2001.)
De acordo com o autor,
A a antecipação da própria morte tornou-se fonte de problemas para os seres humanos.
B o reconhecimento da própria finitude conduziria o ser humano a uma existência verdadeira.
C os seres humanos acabaram por se afastar da ideia da inevitabilidade da morte.
D a morte tornou-se, em razão do processo de aniquilação da natureza, um problema para a humanidade.
E os animais, a exemplo dos seres humanos, também seriam confrontados com a experiência da própria finitude.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252927
Questão 206 Interpretação de imagens
Examine a tirinha de André Dahmer.
(André Dahmer. Malvados, 2019.)
Na tirinha, o personagem que fala ao microfone
A pretende tornar o mundo mais solidário.
B mostra-se empenhado em tornar o mundo menos egoísta.
C está preocupado com a própria sobrevivência.
D mostra-se empenhado na difusão do egoísmo.
E está preocupado em tornar-se menos egoísta.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252926
Questão 207 Transitividade verbal
Para responder à questão leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro..
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
[...]
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia.
Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. 
Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e
odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso.
Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos
sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.
O DESCONHECIDO: E a poesia?
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de
cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado¹. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou-se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje
o povo fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 
¹azinhavrado: coberto deazinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão,
resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido)
“MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...”
Na oração em que está inserido, o termo sublinhado é um verbo que pede
A objeto direto, expresso pelo vocábulo “mala”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”.
B apenas objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”.
C apenas objeto direto, expresso pelo vocábulo “ma”.
D objeto direto, expresso pelo vocábulo “burro”, e objeto indireto, expresso pelo vocábulo “ma”.
E objeto direto e objeto indireto, ambos expressos pelo vocábulo “ma”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252924
Questão 208 Conectivos e ref erenciação
Para responder à questão leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro..
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
[...]
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia.
Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. 
Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e
odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso.
Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos
sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.
O DESCONHECIDO: E a poesia?
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de
cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado¹. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou-se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje
o povo fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 
¹azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão,
resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido)
Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
A “O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?”
B “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis…”
C “A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!…”
D “A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?”
E “MACÁRIO: Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252923
Questão 209 Adverbiais
Para responder à questão leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro..
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
[...]
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia.
Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. 
Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e
odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso.
Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos
sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.
O DESCONHECIDO: E a poesia?
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de
cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado¹. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou-se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje
o povo fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 
¹azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão,
resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido)
“Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem.”
Em relação à oração que o sucede, o trecho sublinhado expressa noção de
A tempo.
B comparação.
C concessão.
D causa.
E condição.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252922
Questão 210 Conotação e denotação
Para responder à questão leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO:Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro..
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
[...]
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia.
Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. 
Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e
odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso.
Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos
sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.
O DESCONHECIDO: E a poesia?
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de
cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado¹. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou-se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje
o povo fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 
¹azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão,
resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido)
Observa-se expressão empregada em sentido figurado na seguinte fala:
A “MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu…”
B “A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!…”
C “A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.”
D “O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis…”
E “A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252921
Questão 211 Ambiguidade e duplo sentido
Para responder à questão leia o trecho do drama Macário, de Álvares de Azevedo.
MACÁRIO (chega à janela): Ó mulher da casa! olá! ó de casa!
UMA VOZ (de fora): Senhor!
MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.
A VOZ: O senhor é o moço que chegou primeiro?
MACÁRIO: Sim. Mas vai ver o burro.
A VOZ: Um moço que parece estudante?
MACÁRIO: Sim. Mas anda com a mala.
A VOZ: Mas como hei de ir buscar a mala? Quer que vá a pé?
MACÁRIO: Esse diabo é doido! Vai a pé, ou monta numa vassoura como tua mãe!
A VOZ: Descanse, moço. O burro há de aparecer. Quando madrugar iremos procurar.
OUTRA VOZ: Havia de ir pelo caminho do Nhô Quito. Eu conheço o burro..
MACÁRIO: E minha mala?
A VOZ: Não vê? Está chovendo a potes!...
MACÁRIO (fecha a janela): Malditos! (atira com uma cadeira no chão)
O DESCONHECIDO: Que tendes, companheiro?
MACÁRIO: Não vedes? O burro fugiu...
O DESCONHECIDO: Não será quebrando cadeiras que o chamareis...
MACÁRIO: Porém a raiva...
[...]
O DESCONHECIDO: A mala não pareceu-me muito cheia.
Senti alguma coisa sacolejar dentro. Alguma garrafa de vinho?
MACÁRIO: Não! não! mil vezes não! Não concebeis, uma perda imensa, irreparável... era o meu cachimbo...
O DESCONHECIDO: Fumais?
MACÁRIO: Perguntai de que serve o tinteiro sem tinta, a viola sem cordas, o copo sem vinho, a noite sem mulher – não me
pergunteis se fumo!
O DESCONHECIDO (dá-lhe um cachimbo): Eis aí um cachimbo primoroso.
[...]
MACÁRIO: E vós?
O DESCONHECIDO: Não vos importeis comigo. (tira outro cachimbo e fuma)
MACÁRIO: Sois um perfeito companheiro de viagem. Vosso nome?
O DESCONHECIDO: Perguntei-vos o vosso?
MACÁRIO: O caso é que é preciso que eu pergunte primeiro. 
Pois eu sou um estudante. Vadio ou estudioso, talentoso ou estúpido, pouco importa. Duas palavras só: amo o fumo e
odeio o Direito Romano. Amo as mulheres e odeio o romantismo.
O DESCONHECIDO: Tocai! Sois um digno rapaz. (apertam a mão)
MACÁRIO: Gosto mais de uma garrafa de vinho que de um poema, mais de um beijo que do soneto mais harmonioso.
Quanto ao canto dos passarinhos, ao luar sonolento, às noites límpidas, acho isso sumamente insípido. Os passarinhos
sabem só uma cantiga. O luar é sempre o mesmo. Esse mundo é monótono a fazer morrer de sono.
O DESCONHECIDO: E a poesia?
MACÁRIO: Enquanto era a moeda de ouro que corria só pela mão do rico, ia muito bem. Hoje trocou-se em moeda de
cobre; não há mendigo, nem caixeiro de taverna que não tenha esse vintém azinhavrado¹. Entendeis-me?
O DESCONHECIDO: Entendo. A poesia, de popular tornou-se vulgar e comum. Antigamente faziam-na para o povo; hoje
o povo fá-la... para ninguém...
(Álvares de Azevedo. Macário/Noite na taverna, 2002.) 
¹azinhavrado: coberto de azinhavre (camada de cor verde que se forma na superfície dos objetos de cobre ou latão,
resultante da corrosão destes quando expostos ao ar úmido)
“MACÁRIO: Desate a mala de meu burro e tragam-ma aqui...
A VOZ: O burro?
MACÁRIO: A mala, burro!
A VOZ: A mala com o burro?
MACÁRIO: Amarra a mala nas tuas costas e amarra o burro na cerca.”
Para produzir o efeito cômico desse diálogo, o autor lança mão do recurso expressivo denominado
A antítese: a oposição, numa mesma expressão ou frase, de duas palavras ou de dois pensamentos de sentidos
contrários.
B eufemismo: o emprego de palavra ou expressão no lugar de outra palavra ou expressão considerada
desagradável.
C hipérbole: a ênfase resultante do exagero na expressão ou na comunicação de uma ideia.
D ambiguidade: a presença, num texto, de unidades linguísticas que podem significar coisas diferentes.
E personificação: a atribuição de características humanas a seres inanimados ou irracionais.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252920
Questão 212 Interpretação de imagens
Examine o cartum de David Sipress, publicado no Instagram por CartoonStock, em 13.06.2021.
“I can cure your back problem, but there’s a risk that you’ll be left with nothing to talk about.”
Depreende-se da fala do médico que seu paciente é
A arrogante.
B dissimulado.
C monótono.
D distraído.
E pedante.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252917
Questão 213 Vozes verbais
Para responder à questão leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de
macela¹. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de
supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No lme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro
da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e
profereestupefato: “I know kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado
de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso
hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais,
impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as
planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento,
associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram
que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,
independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de
signi cado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da
otimização de variáveis siológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo
benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre
os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é su ciente para melhorar o
aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 
¹macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros.
Pode ser reescrito na voz passiva o seguinte trecho do artigo:
A “Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de
vastas redes neuronais” (2° parágrafo).
B “Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono” (4° parágrafo).
C “A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais” (4° parágrafo).
D “Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral”
(4° parágrafo).
E “Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso” (1° parágrafo).
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252845
Questão 214 Conectivos e ref erenciação
Para responder à questão leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de
macela¹. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de
supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No lme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro
da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e
profere estupefato: “I know kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado
de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso
hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais,
impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as
planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento,
associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram
que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,
independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de
signi cado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da
otimização de variáveis siológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo
benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre
os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é su ciente para melhorar o
aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 
¹macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros.
Em “Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o
aprendizado” (3º parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
A Por conseguinte.
B Inclusive.
C Todavia.
D Além disso.
E Conquanto.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000252844
Questão 215 Relações de sinonímia e antônímia
Para responder à questão leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de
macela¹. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de
supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No lme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro
da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e
profere estupefato: “I know kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado
de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso
hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais,
impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as
planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento,
associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram
que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,
independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de
signi cado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da
otimizaçãode variáveis siológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo
benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre
os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é su ciente para melhorar o
aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 
¹ macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros.
“Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: ‘Urubu, pra cantar, demora.’” (2° parágrafo) 
Considerando o contexto, o ditado popular mencionado pode ser substituído pelo seguinte provérbio:
A “Quem espera sempre alcança.”
B “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”
C “Para bom entendedor, meia palavra basta.”
D “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.”
E “Quem canta seus males espanta.”
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Questão 216 Interpretação de texto teórico e científ ico
Para responder à questão leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.
Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de
macela¹. Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de
supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o
personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro
da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e
profere estupefato: “I know kung fu”.
Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado
de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso
hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais,
impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.
Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as
planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento,
associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente
revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram
que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico,
independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.
A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de
signi cado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da
otimização de variáveis siológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo
benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre
os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um
estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é su ciente para melhorar o
aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.
(Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 
¹macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros.
Por se tratar de um artigo de divulgação cientí ca (e não um artigo cientí co propriamente), predomina no texto uma
linguagem
A técnica.
B acessível.
C informal.
D figurada.
E hermética.
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Questão 217 Processos de f ormação de palavras
Para responder à questão leia a cena inicial da comédia O noviço, de Martins Pena.
AMBRÓSIO: No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não
tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna.
Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os
meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, era eu pobre e miserável, e hoje sou rico, e
mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está o mérito... Mas um dia pode tudo mudar. Oh, que temo eu? Se
em algum tempo tiver de responder pelos meus atos, o ouro justi car-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais zeram-
se para os pobres... 
(Martins Pena. Comédias (1844-1845), 2007.)
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a modi cação de sua forma.
É o que se denomina derivação imprópria. Na fala de Ambrósio, constitui exemplo de derivação imprópria o vocábulo
sublinhado em
A “O como não importa”.
B “Mas um dia pode tudo mudar”.
C “No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la”.
D “Pintam-na cega”.
E “Em mim se vê o exemplo”.
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Questão 218 Sintaxe do período simples
Leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.
Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu
lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as
crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de
beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é
ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o
terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.
O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro —
como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido¹ passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao
longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende
macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem
os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, en m, pode um
homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da
Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando
encontra na rua, a desoras² , uma avantesma³ ...
Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios
assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido,
por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula
tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado
pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as
galinhas, daquela outra as joias... E a polícia,nalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema
vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de
excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.
Dizem as folhas⁴ que a polícia, competentemente munida de bentinhos⁵ e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou
anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra
— um velho pardieiro⁶ que ca no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos
“pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que
os sitiantes⁷ empunhavam”.
Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um
poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados,
companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam
espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu
tempo passou. 
(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)
1 esbatido: de tom pálido.
2 a desoras: muito tarde.
3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.
4 folha: periódico diário, jornal.
5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.
6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.
7 sitiante: policial
A expressão sublinhada em “No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta...” (5° parágrafo) exerce a mesma
função sintática da expressão sublinhada em
A “Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista.” (5° parágrafo)
B “Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade.” (1° parágrafo)
C “Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas...” (5°
parágrafo)
D “Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias...” (3° parágrafo)
E “Dizem as folhas que a polícia, competentemente munida de bentinhos e de revólveres, de amuletos e de sabres,
assaltou anteontem o reduto do fantasma.” (4° parágrafo)
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Questão 219 Relações de sinonímia e antônímia
Leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.
Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu
lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as
crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de
beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é
ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o
terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.
O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro —
como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido¹ passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao
longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende
macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem
os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, en m, pode um
homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da
Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando
encontra na rua, a desoras² , uma avantesma³ ...
Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios
assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido,
por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula
tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado
pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as
galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, nalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema
vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de
excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.
Dizem as folhas⁴ que a polícia, competentemente munida de bentinhos⁵ e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou
anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra
— um velho pardieiro⁶ que ca no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos
“pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que
os sitiantes⁷ empunhavam”.
Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um
poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados,
companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam
espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu
tempo passou. 
(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)
1 esbatido: de tom pálido.
2 a desoras: muito tarde.
3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.
4 folha: periódico diário, jornal.
5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.
6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.
7 sitiante: policial
Em “Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos” (5° parágrafo), o termo sublinhado está empregado na
mesma acepção do termo sublinhado em
A “ela correu um risco desnecessário”.
B “a notícia corria por toda a cidade”.
C “a manhã corria especialmente tranquila”.
D “segundo corria, ela seria facilmente eleita”.
E “um arrepio correu-lhe pela espinha”.
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Questão 220 Figuras de linguagem
Leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.
Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu
lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as
crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de
beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é
ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o
terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.
O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro —
como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido¹ passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao
longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende
macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem
os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo.Porque, en m, pode um
homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da
Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando
encontra na rua, a desoras² , uma avantesma³ ...
Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios
assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido,
por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula
tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado
pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as
galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, nalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema
vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de
excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.
Dizem as folhas⁴ que a polícia, competentemente munida de bentinhos⁵ e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou
anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra
— um velho pardieiro⁶ que ca no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos
“pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que
os sitiantes⁷ empunhavam”.
Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um
poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados,
companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam
espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu
tempo passou. 
(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)
1 esbatido: de tom pálido.
2 a desoras: muito tarde.
3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.
4 folha: periódico diário, jornal.
5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.
6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.
7 sitiante: policial
Em “o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os
pecados antigos, e dando-se à prática de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia” (3° parágrafo), o
trecho sublinhado constitui um exemplo de
A sinestesia.
B paradoxo.
C pleonasmo.
D hipérbole.
E eufemismo.
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Questão 221 Interpretação de texto Português
Leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.
Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu
lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as
crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de
beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é
ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o
terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.
O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro —
como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido¹ passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao
longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende
macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem
os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, en m, pode um
homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da
Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando
encontra na rua, a desoras² , uma avantesma³ ...
Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios
assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido,
por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula
tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado
pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as
galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, nalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema
vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de
excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.
Dizem as folhas⁴ que a polícia, competentemente munida de bentinhos⁵ e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou
anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra
— um velho pardieiro⁶ que ca no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos
“pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que
os sitiantes⁷ empunhavam”.
Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um
poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados,
companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam
espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu
tempo passou. 
(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)
1 esbatido: de tom pálido.
2 a desoras: muito tarde.
3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.
4 folha: periódico diário, jornal.
5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.
6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.
7 sitiante: policial
Constitui exemplo de interação do cronista com o leitor o trecho
A “o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados
sobre os pecados antigos” (3° parágrafo).
B “As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão
rejubilando” (1° parágrafo).
C “Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi” (3°
parágrafo).
D “as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea”
(2° parágrafo).
E “O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os
fantasmas” (2° parágrafo).
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Questão 222 Interpretação de imagens
Examine o cartum de Pietro Soldi, publicado em sua conta do Instagram em 11.09.2019.
Depreende-se do cartum que o motorista
A acredita que todas as pessoas estarão extintas em menos de dez anos.
B duvida de que todas as pessoas estarão extintas em menos de dez anos.
C acredita que todas as pessoas estarão extintas em dez anos.
D duvida daqueles que dizem que todas as pessoas irão se extinguir.
E acreditaque todas as pessoas estarão extintas em mais de dez anos.
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Questão 223 LC Habilidade 2 Interpretação de texto Português
Partindo a pé do Museu Mineiro pelo trajeto mais curto até a próxima atração com tradução em Libras, serviço de
alimentação e venda de livros, o leitor do mapa passará em frente ao(à)
A Escola de Design.
B Academia Mineira de Letras.
C Museu das Minas e do Metal.
D Espaço do Conhecimento UFMG.
E Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais.
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Questão 224 Tipos textuais Literatura LC Habilidade 24
Espaço e memória
O termo “Na minha casa...” é uma metáfora que guarda múltiplas acepções para o conjunto de pessoas, de adeptos, dos
que creem nos orixás. Múltiplos deuses que a diáspora negra trouxe para o Brasil. Refere-se ao espaço onde as
comunidades edi caram seus templos, referência de orgulho, aludindo ao patrimônio cultural de matriz africana, reelaborado
em novo território.
O espaço é fundamental na constituição da história de um povo. Halbwachs (1941, p. 85), ao a rmar que “não há memória
coletiva que não se desenvolva em um quadro espacial”, aponta para a importância de aspecto tão signi cativo no
desenvolvimento da vida social.
Lugar para onde está voltada a memória, onde aqueles que viveram a condição-limite de escravo podiam pensar-se como
seres humanos, exercer essa humanidade e encontrar os elementos que lhes conferiam e garantiam uma identidade religiosa
diferenciada, com características próprias, que constituiu um “patrimônio simbólico do negro brasileiro (a memória cultural
da África), a rmou-se aqui como território político-mítico-religioso para sua transmissão e preservação” (SODRÉ, 1988, p.
50).
BARROS, J. F. P. Na minha casa. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
Na construção desse texto acadêmico, o autor se vale de estratégia argumentativa bastante comum a esse gênero textual,
a intertextualidade, cujas marcas são
A aspas, que representam o questionamento parcial de um ponto de vista.
B citações de autores consagrados, que garantem a autoridade do argumento.
C construções sintáticas, que privilegiam a coordenação temporal de argumentos.
D comparações entre dois pontos de vista, que são antagônicos.
E parênteses, que representam uma digressão para as considerações do autor.
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Questão 225 LC Habilidade 21 Interpretação de texto jornalístico Português
TEXTO I
Disponível em: www.educacaotransito.pr.gov.br. Acesso em: 20 dez. 2012.
TEXTO II
Quem pensa na frente anda com segurança no banco de trás
As consequências de uma colisão no trânsito podem ser minimizadas com o simples ato de SEMPRE utilizar o cinto de
segurança, INCLUSIVE NOS PASSAGEIROS DO BANCO DE TRÁS.
A utilização do cinto e dos assentos infantis no banco traseiro é uma determinação prevista em lei e sujeita à multa, mas a
maior razão de seu uso é em RESPEITO À VIDA. 
Disponível em: http://portfolio-rocha.blogspot.com.br. Acesso em: 20 dez. 2012 (adaptado).
A segurança no trânsito tem sido tema de diversas campanhas. Da comparação entre os textos, depreende-se que ambos
A advertem sobre a importância do uso adequado dos artigos de segurança no trânsito.
B criticam o fato de os cintos de segurança serem projetados apenas para adultos.
C apresentam exemplos de consequências da falta de uso do cinto de segurança.
D chamam a atenção para as sanções impostas aos motoristas infratores.
E sugerem aos pais atitudes a serem tomadas na condução de veículos.
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Questão 226 Variação linguística Português LC Habilidade 20
Muitos imigrantes de Hunsrück, localizada no sudoeste da Alemanha, chegaram ao Brasil no século 19 trazendo consigo
uma variante do alemão, o hunsrückisch. Em contato com o português, essa variante se fundiu com algumas palavras, dando
origem a uma nova língua falada no Brasil há quase 200 anos, considerada uma língua de imigração.
A partir de 2007, línguas de imigração se tornaram línguas coo ciais em 19 municípios, sendo ensinadas nas escolas
municipais. Em 2012, o hunsrückisch se tornou patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul, falado também em Santa
Catarina e no Espírito Santo. 
Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 11 jun. 2019 (adaptado). 
Ao informar que o hunsrückisch é falado em algumas regiões do país, o texto revela que o Brasil
A foi subordinado à cultura alemã.
B é caracterizado pelo plurilinguismo.
C foi consagrado por sua diversidade linguística.
D foi beneficiado pelo ensino bilíngue em seu território.
E E está sujeito a imposições linguísticas de outros povos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000259023
Questão 227 LC Habilidade 4 Interpretação de texto jornalístico Português
Os números preocupantes sobre a saúde do brasileiro indicam que alguns hábitos alimentares favoreceram o crescimento
da incidência dos índices de sobrepeso e obesidade e, paralelamente, de doenças como diabetes e hipertensão arterial.
Isso sinaliza que o Brasil precisa reforçar suas políticas públicas para a conscientização sobre alimentação adequada. Entre
as diversas ações em curso, merece destaque a questão da rotulagem dos produtos industrializados.
O “modelo semafórico nutricional”, que indica as quantidades de ingredientes como açúcar, gorduras e sal na parte frontal
da embalagem, de acordo com recomendações de consumo diário adotadas em alguns países da Europa e EUA, ou das
“ guras geométricas” na cor preta com inscrições como “alto em açúcar” ou “alto em gordura saturada”, adotado no Chile,
são algumas das alternativas. Esse seria, segundo alguns representantes do setor, o modelo mais e ciente na transmissão da
mensagem ao consumidor. Mas cabe a pergunta: mais eficiente em informar ou em aterrorizar?
Disponível em: www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 11 dez. 2017. 
Apoiando-se na premissa de que alguns dados contidos nas embalagens dos alimentos podem in uenciar hábitos
alimentares, esse texto faz uma crítica a quê?
A À forma de organizar as informações nos rótulos dos produtos.
B Às práticas de consumo e sua relação com a saúde alimentar do brasileiro.
C À relação entre os índices de sobrepeso e determinadas epidemias.
D Às políticas públicas de saúde adotadas por países estrangeiros.
E Ao desconhecimento da população sobre a composição dos alimentos.
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Questão 228 Tipos textuais LC Habilidade 3 Português
A invenção de Hugo Cabret
O livro conta a jornada de Hugo Cabret, um menino órfão que mora em uma estação de trem parisiense, nos anos 1930.
Seu trabalho é a manutenção do relógio da estação, porém a tarefa que lhe tem uma importância maior é completar a
construção de um autômato — espécie de robô — deixado a ele pelo pai. Junto de sua mais nova amiga, Isabelle, sobrinha
do amargo mercador de brinquedos, Hugo embarca em uma enorme aventura em busca de respostas para suas inúmeras
perguntas.
O que chama atenção antes mesmo do início da leitura é o visual do livro. Muito bonito, colorido e simbólico. Brian, além de
escrever, ilustrou toda a sua obra. E são essas mesmas ilustrações que constroem o grande clímax ao redor da leitura. O
autor simula a experiência do cinema em suas páginas, colocando, por exemplo, páginas pretas no início, representando a
escuridão das salas de cinema. Os desenhos, que estão presentes na maioria das páginas, não são apenas ilustrações. São
parte complementar da história, pois substituem as palavras em vários trechos.
Leitura rápida, experimental e muito interessante — ainda mais se você é amante da história do cinema. 
Disponível em: www.cantodosclassicos.com. Acesso em: 1 dez. 2017 (adaptado). 
Nesse texto, os elementos constitutivos do gênero são utilizados para atender à função social de
A explicar para o leitor os acontecimentos da narrativa.B informar o leitor sobre o conteúdo do livro de modo impessoal.
C convencer o leitor sobre a tese defendida ao longo da descrição da obra.
D oferecer ao leitor uma avaliação do livro por meio de uma síntese crítica.
E divulgar para o leitor a obra cuja temática interessa a um grande público.
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Questão 229 LC Habilidade 12 Interpretação de texto teórico e científ ico Português
Vamos ao teatro para um encontro com a vida, mas, se não houver diferença entre a vida lá fora e a vida em cena, o teatro
não terá sentido. Não há razão para fazê-lo. Se aceitarmos, porém, que a vida no teatro é mais visível, mais vívida do que lá
fora, então veremos que é a mesma coisa e, ao mesmo tempo, um tanto diferente. Convém acrescentar algumas
particularidades. A vida, no teatro é mais compreensível e intensa porque é mais concentrada. A limitação do espaço e a
compressão do tempo criam essa concentração.
BROOK, P. A porta aberta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. 
Segundo o diretor inglês Peter Brook, na passagem citada, a relação entre vida cotidiana e teatro pode ser resumida da
maneira seguinte:
A Para assistir a uma peça de teatro, é preciso estar concentrado.
B Não existe diferença entre a vida cotidiana e o teatro, eles são iguais.
C No teatro, uma vida inteira pode acontecer e ser compreendida em apenas duas horas sobre um palco de dez
metros quadrados.
D No teatro, as falas são mais longas do que na vida cotidiana, e o palco é mais bonito.
E No teatro, tudo é visível, os atores falam mais alto e mais pausadamente do que falamos no cotidiano, o que
torna a vida mais compreensível.
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Questão 230 Interpretação de texto Português
É nesse sentido que se defendem a valorização e a inclusão das vozes dos grupos oprimidos, que deixam de ser silenciadas
para ganhar espaço e reconhecimento no currículo escolar, superando visões etnocêntricas e homogeneizantes. No âmbito
da educação física, isso signi ca o diálogo com o estudo das manifestações corporais dos diversos grupos culturais, sem
qualquer tipo de hierarquização entre elas.
NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F.; LIMA, M. E. (Org.). Educação física e culturas: ensaios sobre a prática. São Paulo: Feusp,
2014. 
Com base nas ideias do texto, pode ser considerado(a) uma atividade visão homogeneizante e con ra voz aos grupos
oprimidos o(a)
A prática de fundamentos do futebol.
B preparação de uma rotina de ginástica.
C desenvolvimento das técnicas do voleibol.
D estudo da inserção do skate na cultura brasileira.
E envolvimento dos alunos nas olimpíadas escolares.
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Questão 231 LC Habilidade 26 Variação linguística Português
Agora sei que a minha língua é a língua de sinais. Agora sei também que o português me convém. Eu quero ensinar português
para os meus alunos surdos, pois eles precisam dessa língua para ter mais poder de negociação com os ouvintes [G, 2004].
Eu me sinto bilíngue, eu converso com os surdos na minha língua e converso com os ouvintes no português, porque aprendi
a falar o português, embora eu tenha voz de surdo, mas as pessoas muitas vezes me entendem. Eu já me acostumei a
conversar com os ouvintes no meu português. Se alguns não me entendem, eu escrevo [SZ, 2011].
QUADROS, R. M. Libras. São Paulo: Parábola, 2019. 
Considerando os contextos de uso da Libras e da língua portuguesa, o depoimento desses surdos revela que no contato
entre essas línguas há uma
A situação de complementariedade quanto aos efeitos sociais e interativos.
B condução do contrato comunicativo com base nas regras do português falado e escrito.
C ameaça à proficiência em Libras provocada por dificuldades de articulação.
D preferência pela língua de sinais em decorrência de fatores identitários.
E ideia do bilinguismo como fator de distinção econômica dos interlocutores.
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Questão 232 LC Habilidade 25 Variação linguística Português
Piquititim
Se eu fosse um passarim
Destes bem avoadô
Destes bem piquititim
Assim que nem beija-flor
Avoava do gaim e assentava sem assombro
Nas grimpinha do seu ombro
Mode beijá seus beicim
E se ocê deixasse as veiz
Com um fio do seu cabelim
No prazo de quaiz um mês
Eu fazia nosso nin
Aí sei que dessa veiz
Em poquim tempo dispoiz
Nóis largava de ser dois
Pra ser quatro, cinco ou seis
CARNEIRO, H.; MORAIS, J. E. Disponível em: www.palcomp3.com.br. Acesso em: 3 jul. 2019.
A estratégia linguística predominante na configuração regional da linguagem representada na letra de canção é o(a)
A ausência da marca de concordância nominal.
B redução da sílaba final de determinadas palavras.
C emprego de vocabulário característico da fauna brasileira.
D uso da regra variável de concordância verbal.
E supressão do R na sílaba final dos vocábulos.
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Questão 233 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 25 Português
Bola na rede
Futebol de várzea, pelada, baba, racha, rachão. Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil, mas bater uma
bolinha é mesmo uma paixão nacional. Os dados do suplemento de esporte da PNAD 2015 mostraram que o futebol foi a
principal modalidade esportiva praticada no Brasil, com 15,3 milhões de adeptos.
É claro que o fato de o nosso país ter um futebol pro ssional consagrado, com times que arrebatam torcidas e revelam
jogadores, é uma in uência positiva, mas a maioria dessa galera que gosta de correr atrás da bola não tem nenhuma
pretensão pro ssional com o esporte. Para eles, tão bom quanto marcar um gol é juntar velhos amigos, fazer novas
amizades e se divertir muito.
BENEDICTO, M.; MARLI, M. Retratos: a revista do IBGE, n. 2, ago. 2017 (adaptado). 
Ao abordar a temática do futebol no Brasil, o texto apresenta diferentes nomes para uma partida do esporte. Ao fazer isso,
fica evidente que
A os torcedores enaltecem seus times favoritos.
B o futebol é um esporte presente em todo o Brasil.
C a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes.
D os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil.
E as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol.
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Questão 234 LC Habilidade 29 Interpretação de texto jornalístico Português
Seja por meio de uma conversa, uma mensagem de texto ou uma fotogra a, a interação em sociedade acontece por meio
da comunicação, e isso não é diferente na internet. Como colaborar para a inclusão digital de outros usuários para uma
internet mais livre, aberta e, de fato, comunicativa?
Os termos “acesso”, “usabilidade” e “inclusão digital” sempre acabam aparecendo em conjunto em discussões sobre como
a sociedade se comunica pela internet. Ter um computador com acesso à internet é, como primeiro passo, essencial —
mas saber utilizá-lo e conseguir, de fato, se comunicar, acessar a informação disponível na internet e usá-la é uma questão
de caráter social muito mais profunda e diversa.
Estar conectado é, acima de tudo, estabelecer comunicação com o outro — o qual pode viver em contextos sociais,
econômicos e até mesmo físicos totalmente diferentes dos nossos. Ao levarmos em conta a internet como um ambiente
que re ete e traz novas possibilidades à sociedade o -line — se é que podemos fazer essa distinção —, é indispensável
considerar, na infraestrutura, na linguagem e nos conteúdos que circulam em rede, todas as diferenças presentes em nossa
sociedade.
Pensar em inclusão digital, como já dito, é pensar sempre no lugar do outro na interação e comunicação. Nem sempre a
forma como costumamos escrever posts, criar imagens ou publicar vídeos é a mais adequada para que aquilo que
elaboramos seja, de fato, acessível a todos. Reconhecer que nossa perspectiva é diferente da perspectiva do outro é
imprescindívelpara que pensemos, incluindo todos esses outros, em novas formas de criar que levem em consideração
diversas realidades de uso na internet. 
Disponível em: https://irisbh.com.br. Acesso em: 5 maio 2019 (adaptado).
No contexto das tecnologias de informação e comunicação, o texto amplia o conceito de inclusão digital ao
A vincular a utilização da linguagem e do conteúdo ao reconhecimento do interlocutor.
B ressaltar a importância do acesso aos aparelhos tecnológicos.
C destacar a infraestrutura da internet como imprescindível.
D descrever o aspecto multimídia das mensagens virtuais.
E comparar a vida virtual on-line com a vida real off-line.
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Questão 235 Interpretação de texto jornalístico LC Habilidade 28 Português
Não cobra assinatura. Não cobra para fazer o download. Não tem anúncios. Não tem compras dentro do aplicativo. Mas,
então, como o WhatsApp ganha dinheiro? Ou melhor, que tipo de magia fez o Facebook decidir comprar o app por R$ 19
bilhões, em 2014?
Quando fundado em 2009, o WhatsApp cobrava US$ 1 por instalação em alguns países. Em outros, a empresa cobrava US$
1 por ano como forma simbólica de assinatura. E, em alguns outros, o app era completamente gratuito, caso do Brasil.
Em agosto de 2014, ano da compra pelo Facebook, cerca de 600 milhões de pessoas usavam o aplicativo de mensagens.
Até setembro do mesmo ano, os relatórios nanceiros do Facebook apontavam que o faturamento da empresa não
ultrapassava a casa do US$ 1,3 milhão, menos de um centésimo do valor da compra. Se você pensou “então o WhatsApp
não dá dinheiro”, isso faz algum sentido. O que levou o Facebook a gastar tanto, então? 
Especialistas apontam o “big data” — campo da tecnologia que lida com grandes volumes de dados digitais — como
impulsionador da compra. Com mais informações, a empresa pode analisar melhor o comportamento dos usuários.
Em agosto de 2016, o WhatsApp começou a compartilhar dados com o Facebook. O objetivo? Fomentar relações entre
as bases de Facebook, WhatsApp e Instagram — sugerir amizades em uma rede com base em contatos da outra, por
exemplo — mas, principalmente, otimizar a recomendação de publicidade. A nal, é aí que está o maior volume de
faturamento do Facebook atualmente. 
Disponível em: https://noticias.uol.com.br. Acesso em: 4 jun. 2019 (adaptado).
As estratégias descritas no texto para a obtenção de lucro de forma indireta fundamentam-se no(a)
A reconhecimento da mudança de comportamento dos usuários.
B necessidade de monopolizar o mercado de redes sociais.
C importância de arriscar na compra de concorrentes.
D valor das informações no mundo contemporâneo.
E impacto social de oferecer soluções gratuitas.
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Questão 236 Interpretação de texto LC Habilidade 3 Português
Na tarefa diária de fazer jornalismo, bons títulos que apresentem de maneira clara o conteúdo da matéria são uma arte. Um
leitor tem apontado, insistentemente, ao longo deste ano, títulos com sentido ambíguo em O Povo. No dia 8 de agosto, na
editoria Brasil, o título destacava: “Justiça suspende processo por homicídio de acidente em Mariana”. Mais uma vez, ele
apontou: “Do jeito como está escrito, cou a dúvida: o acidente de Mariana cometeu ou sofreu o homicídio? Matou ou
morreu?”. O leitor ainda deu a sugestão de como poderia ser: “Poderia ter sido assim: Suspenso o processo por homicídio
resultante do acidente em Mariana”. Entendo que a insistência do leitor em apontar ambiguidades nos títulos é uma maneira
de cobrar mais atenção com eles. É nossa obrigação, como jornalistas, oferecer títulos precisos e coerentes, mesmo que o
espaço para escrevê-los seja delimitado por colunas e caracteres.
Disponível em: www.opovo.com.br. Acesso em: 10 dez. 2017 (adaptado). 
Esse texto é de uma coluna de jornal escrita por um ombudsman, pro ssional que, de maneira independente, critica o
material publicado e responde às queixas dos leitores. Quais trechos do texto ratificam o papel desse profissional?
A “Do jeito como está escrito, ficou a dúvida” e “No dia 8 de agosto, na editoria Brasil”.
B “Entendo que a insistência” e “É nossa obrigação, como jornalistas”.
C “Na tarefa diária de fazer jornalismo” e “Suspenso o processo por homicídio”.
D “O leitor ainda deu a sugestão” e “apontar ambiguidades nos títulos”.
E “o acidente de Mariana cometeu ou sofreu o homicídio?” e “Matou ou morreu?”.
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Questão 237 LC Habilidade 2 Níveis de signif icação da linguagem Português
Letramento entra em cena
Houve uma signi cativa mudança conceitual com a entrada em cena da ideia de letramento ou níveis de alfabetismo, a partir
da década de 1980. Trocando em miúdos, deixou-se de lado a divisão entre indivíduos alfabetizados (capacitados para
codi car e decodi car os elementos linguísticos) e analfabetos. O letramento implica associar escrita e leitura a práticas
sociais que tenham sentido para aqueles que as utilizam, além de pressupor níveis de domínio das práticas que exigem essas
habilidades. 
 BARROS, R. Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado).
A ideia de letramento compreende a alfabetização de forma processual. Pela leitura e análise do texto, para que o cidadão
entre efetivamente no mundo da escrita, a escola deve dar condições a ele de
A dar sentido ao que é lido.
B decodificar as palavras.
C expressar-se oralmente.
D assinar o próprio nome.
E soletrar as palavras.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000258915
Questão 238 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 11 Português
TEXTO I
O usufruto de jogos eletrônicos, vinculado à psicopatologia, pode ser considerado um comportamento desadaptativo
quando são apresentados sinais de excesso na utilização de tais tecnologias. Isso ocorre quando o comportamento afeta o
sujeito de forma que ele se encontre incapaz de controlar a frequência e o tempo diante de um comportamento que
anteriormente era considerado inofensivo.
LEMOS, I. L.; SANTANA, S. M. Rev. Psiq. Clín., n. 1, 2012.
TEXTO II
A maior parte da literatura cientí ca relacionada aos exergames e educação se concentra no potencial do jogo para
melhorar a saúde física dos alunos, envolvê-los em atividades sociais e melhorar seu desempenho acadêmico. Resultados
de pesquisas recentes também têm mostrado que tais jogos podem contribuir para o treinamento de práticas esportivas e
outras atividades envolvendo movimento, ou para o desenvolvimento de habilidades motoras.
FINCO, M. D.; REATEGUI, E. B.; ZARO, M. A. Movimento, n. 3, jul.-set. 2015.
Apesar de interpretarem de forma distinta os jogos eletrônicos, ambos os textos abordam o(a)
A doença como foco central.
B relação do jogo com o indivíduo.
C controle do tempo de uso do jogo.
D necessidade de treinamento físico.
E envolvimento em práticas coletivas.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000258913
Questão 239 Interpretação de texto teórico e científ ico LC Habilidade 10 Português
A prática de jogos, esportes, lutas, danças e ginásticas é considerada, no senso comum, como sinônimo de saúde. Essa
relação direta de causa e efeito linear e incondicional é explorada e estimulada pela indústria cultural, do lazer e da saúde ao
reforçar conceitos e cultivar valores, no mínimo contestáveis, de dieta, de forma física e de modelos de corpos ideais.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998.
O texto demonstra uma compreensão de saúde baseada na
A realização de exercícios físicos para uma boa forma.
B complexidade dos diversos fatores para sua manutenção.
C prática de ginástica como sinônimo de sucesso e bem-estar.
D superação de limites no esporte como forma de satisfação e prazer.
E alimentação balanceada para o alcance de padrão corporal hegemônico.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000258912
Questão 240

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