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12 O poema a seguir é de Castro Alves. Leia-o Oh! Bendito o que semeia Livros... livros à mão cheia... E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar. Vós, que o templo das ideias Largo abris às multidões, P’ra o batismo luminoso Das grandes revoluções Agora que o trem de ferro Acorda o tigre no cerro E espanta os caboclos nus, Fazei desse “rei dos ventos” – Ginete dos pensamentos, – Arauto da grande luz!... Se iniciarmos a segunda estrofe pelo pronome tu, os verbos abris e fazei, que aparecem no texto, deverão mudar, respectivamente, para: A abre; faz abras; faças C abres; faze D abre; faça E abres; fazes O texto a seguir refere-se às questões 13 e 14. Barcos de papel Quando a chuva cessava e um vento fino Franzia a tarde tímida e lavada, Eu saía a brincar pela calçada Nos meus tempos felizes de menino. Guilherme de Almeida. 13 “[...] eu saía a brincar [...]”. O verbo está no passado imperfeito do indicativo. O nome imperfeito advém, porque a ação de sair a brincar é: A presente em relação a cessar. passado em relação a cessar. C futuro em relação a cessar. D condição em relação a cessar. E concessão em relação a cessar. 14 Assinale a forma do imperativo em desacordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. A faze tu uma armada e solta os barquinhos faça você uma armada e solte os barquinhos. C façamos nós uma armada e soltemos os barquinhos D façais vós uma armada e soltai os barquinhos E façam vocês uma armada e soltem os barquinhos 15 “[...] arranhando sempre e não temendo nunca”. A forma do imperativo em desacordo com a norma-padrão é: A arranha sempre e não temas nunca. arranhe sempre e não tema nunca. C arranhemos sempre e não temamos nunca. D arranheis sempre e não temais nunca. E arranhem sempre e não temam nunca. Texto para a questão 16 [...] Durante este período de depressão contemplativa, uma coisa apenas magoava-me: não tinha o ar angélico do Ribas, não cantava tão bem como ele Que faria se morresse, entre os anjos, sem saber cantar? Ribas, quinze anos, era feio, magro, linfático Boca sem lábios, de velha carpideira, desenhada em angústia – a súplica feita boca, a prece perene rasgada em beiços sobre dentes; o queixo fugia-lhe pelo rosto, infinitamente, como uma gota de cera pelo fuste de um círio... Mas, quando, na capela, mãos postas ao peito, de joelhos, voltava os olhos para o medalhão azul do teto, que sentimento! Que doloroso encanto! Que piedade! Um olhar penetrante, adorador, de enlevo, que subia, que furava o céu como a extrema agulha de um templo gótico! E depois cantava as orações com a doçura feminina de uma virgem aos pés de Maria, alto, trêmulo, aéreo, como aquele prodígio celeste de garganteio da freira Virgínia em um romance do conselheiro Bastos. Oh! Não ser eu angélico como o Ribas! Lembro-me bem de o ver ao banho: tinha as omoplatas magras para fora, como duas asas! [...] Raul Pompeia. O ateneu São Paulo: FTD, 1991 16 Numa descrição, os verbos estão, em sua maioria, no: A presente do indicativo futuro do indicativo. C pretérito mais que-perfeito do indicativo. D pretérito perfeito do indicativo. E pretérito imperfeito do indicativo. 17 Assinale a letra correspondente à alternativa que preen- che corretamente as lacunas da frase apresentada. Assim como as pupilas não tudo o que , minhas memórias apenas do que pude amar A retêm vem alimentar se ão retém veem alimentar-se-ão C retêm vem alimentarão-se D retém veem alimentarão se E retêm veem alimentar-se-ão 18 Cefet-MG 2020 Um escritor! Um escritor! Antônio Prata* Com o jornal numa mão e um guaraná diet na outra, eu caminhava pelas ruas de Kiev, desviando de barrica- das e coquetéis molotov(1), quando a voz no sistema de som me trouxe de volta à poltrona 11C do Boeing 737: “Atenção, senhores passageiros, caso haja um médico a bordo, favor se apresentar a um de nossos comissários”. Foi aquele discreto alvoroço: todos cochichando, olhando em volta, procurando o doente e torcendo por um doutor, até que, do fundo da aeronave, despontou o nosso herói Vinha com passos firmes grisalho, como convém —, a vaidade disfarçada num leve enfado, como LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 16 Verbo94 um Clark Kent que, naquele momento, estivesse menos interessado em demonstrar os superpoderes do que em comer seus amendoins. Um comissário o encontrou no meio do corredor e o levou, apressado, até uma senhora gorducha que segurava a cabeça e hiperventilava na primeira fileira do avião. O médico se agachou, tomou o pulso, auscultou peito e costas, conversou baixinho com ela, depois falou com a aeromoça. Trouxeram uma caixa de metal, ele deu um comprimido à mulher e, nem dez minutos mais tarde, voltou pros seus amendoins, sob os olhares admirados de todos. Ou de quase todos, pois a minha admiração, devo admitir, foi rapidamente fagocitada(2) pela inveja. Ora, quando a medicina nasceu, com Hipócrates, a história de Gilgamesh(3) já circulava pelo mundo havia mais de dois milênios: desde tempos imemoriais, enquanto o corpo seguia ao deus-dará, a alma era tratada por mitos, versos, fábulas — e, no entanto... No entanto, caros leitores, quem aí já ouviu uma ae romoça pedir, ansiosa: “Atenção, senhores passageiros, caso haja um escritor a bordo, favor se apresentar a um de nossos comissários”? Eu não me abalaria. Fecharia o jornal, sem afobação, poria uma Bic e um guardanapo no bolso, iria até a senho ra gorducha e me agacharia ao seu lado. Conversaríamos baixinho Ela me confessaria, quem sabe, estar prestes a reencontrar o filho, depois de dez anos brigados: queria falar alguma coisa bonita pra ele, mas não era boa com as palavras. Eu faria uma rápida anamnese(4): perguntaria os motivos da briga, se o filho estava mais pra Proust ou pra UFC(5), levantaria recordações prazerosas da rela ção e, antes de tocarmos o solo, entregaria à mulher três parágrafos capazes de verter lágrimas até da estátua do Borba Gato. De volta ao meu lugar, passageiros me cumprimenta- riam e compartilhariam histórias semelhantes Uma jovem mãe me contaria do primo poeta que, num restaurante, ao ouvir os apelos do garçom —”Um escritor, pelo amor de Deus, um escritor!”—, tinha sido levado até um rapaz apaixonado e conseguido escrever seu pedido de casa- mento no cartão de um buquê antes que a futura noiva voltasse do banheiro. Um senhor comentaria o caso muito conhecido do romancista que, após as súplicas de mil turistas, fora capaz de convencer 200 tripulantes de um cruzeiro a abandonar o gerúndio. Eu sorriria, de leve. Diria “Pois é, se você escolheu essa profissão, tem que estar preparado pras emergências”, então recusaria, educadamente, o segundo saquinho de amendoins que a aeromoça me ofereceria e voltaria, como se nada tivesse acontecido, para as bombas da Crimeia(6), com meu copo de guaraná *Antonio Prata Escritor e roteirista, autor de Nu, de Botas Jornal Folha de São Paulo, 25 mai. 2014 Disponível em: Acesso em 27 ago. 2019. Vocabulário de apoio: 1 Kiev: capital e maior cidade da Ucrânia. No trecho: “eu caminhava pelas ruas de Kiev, desviando de bar ricadas e coquetéis molotov”, o autor se refere ao tema do livro (Guerra da Crimeia) que ele lia, enquanto estava no voo Os termos ‘barricadas’(trincheiras fei- tas de improviso) e ‘coquetéis molotov’ (tipo de arma química, geralmente usada em guerrilhas) estão rela- cionados ao tema da leitura feita pelo autor 2 fagocitada: neologismo criado a partir de fagocito- se: processo de ingestão e destruição de partículas sólidas, como bactérias ou pedaços de tecido necro- sado, por células ameboides chamadas de fagócitos [tem como uma das funções a proteção do organis- mo contra infecções.]; no texto, ‘fagocitada’ pode ser substituída por ‘devorada’. 3- No trecho: “a medicina nasceu, com Hipócrates, a história de Gilgamesh”, o autor se refere a Hipó- crates – pensador grego, considerado o “pai da Medicina” e a Gilgamesh rei da Suméria, mais co- nhecido atualmente por ser o personagem principal da Epopeia de Gilgamesh,um épico mesopotâmico preservado em tabuletas escritas com caracteres cuneiformes (o mais antigo tipo de escrita do mundo) 4 anamnese: lembrança, recordação pouco precisa. No campo da medicina, anamnese é um histórico que vai desde os sintomas iniciais até o momento da ob- servação clínica, realizado com base nas lembranças do paciente. 5- No trecho: “se o lho estava mais pra Proust ou pra UFC”, o autor se refere a um escritor francês (Proust, importante escritor no cenário da literatura mun- dial) e a UFC, cuja sigla em inglês Ultimate Fighting Championship, designa organização de MMA (Artes Marciais Mistas) que produz eventos ao redor de todo o mundo. 6 bombas da Crimeia referência à Guerra da Crimeia (1853 1856), assunto do livro que o autor lia, durante o voo. No trecho: “Eu não me abalaria. Fecharia o jornal, sem afobação, poria uma Bic e um guardanapo no bolso, iria até a senhora gorducha e me agacharia ao seu lado Conversaríamos baixinho ”, o autor empregou o mesmo tempo e o mesmo modo nos verbos grifados para expressar uma A situação imaginada a partir da narração. sequência de fatos narrados no passado. C ação planejada para o futuro do narrador. D imposição de ações aos personagens da cena. 19 Famerp 2020 Leia o texto de Luiz Eduardo Soares para responder à questão. Logo depois que assumi a Secretaria Nacional de Segurança, em 2003, recebi, por vias transversas, uma mensagem de Luciano, da Rocinha Ele desejava deixar a vida de traficante e viajar para longe. Tinha chegado à conclusão de que seu caminho era a perdição: morreria cedo, de modo cruel, em mãos inimigas. Queria começar de novo e pedia uma chance. Tratara com respeito a comu- nidade, que era, afinal de contas, sua família. A violência, ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus negócios. Esse era seu ponto de vista, sem dúvida demasia- do edulcorado. Não obstante a possível autoidealização, o F R E N T E 1 95 fato é que explicitá la, naquele contexto, não deixava de ser significativo, indicando a valorização positiva do lado certo da vida. Era um negociante clandestino, dizia, não um criminoso selvagem: alguns traziam uísque do Para- guai; ele vendia outras drogas. Reivindicava uma diferença importante, no mundo do crime carioca. (Cabeça de porco, 2005 ) A forma verbal no pretérito mais-que-perfeito, que in- dica uma ação, anterior a outra, ambas ocorridas no passado, está sublinhada em: A “morreria cedo, de modo cruel, em mãos inimigas”. “Ele desejava deixar a vida de traficante”. C “Esse era seu ponto de vista”. D “recebi, por vias transversas, uma mensagem de Luciano, da Rocinha” E “Tratara com respeito a comunidade” 20 Unifesp 2020 Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder à questão. Havia um homem que odiava Van Gogh Pintor des- conhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador. Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem. Come- çaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Seu plano era de uma simplicidade diabólica Não faria como outros destruidores de telas que entram num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí las; tais insanos não apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspei- tados: os cupins Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van Gogh Para isso, recorreu a uma técnica pa vloviana. Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais obras de outras. Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava. Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar E por isso foram detectados O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma coisa (O imaginário cotidiano, 2002.) “Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis giras- sóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador.” (1o parágrafo) Ao se transpor o trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem a seguinte redação: A existirem, pode, meu. existissem, poderia, seu. C existiam, puderem, meu D existem, poderei, dele. E tenham existido, terá podido, seu. 21 UEM 2019 (Adapt.) Reflexões sobre o tempo (Marcelo Gleiser professor de física) Para alguns, os mais pragmáticos, o tempo não tem nada de misterioso: ele passa, envelhecemos e um dia mor- remos, ponto final. Já para outros, este colunista incluído, o tempo é um paradoxo, nosso grande amigo e inimigo. Amigo por nos ensinar a ser pacientes com a impa- ciência dos outros, por nos fazer esquecer coisas que devem ser esquecidas e lembrar aquelas que devem ser lembradas Inimigo por interromper vidas e relações, mu- dar coisas que não queremos que sejam mudadas, por nos fazer esquecer coisas que devem ser lembradas. Em termos psicológicos não temos dúvidas: como ninguém consegue se lembrar do futuro, o tempo anda sempre avante. Mas a situação não é assim tão simples. Em arte, po- demos inventar o futuro no presente, “visualizar” o que vai (1) ser e tentar dar vida a essa visão. O paradoxo, aqui, é que toda criação depende apenas do passado: criamos o futuro re-experimentando e reintegrando o passado Isso não significa que tudo já existe; significa apenas que exis- tem infinitos modos de olhar para trás. Em física, a direção do tempo não é obviamente para a frente. Na verdade, as leis da mecânica não distinguem (2) entre ir avante ou para trás. Imagine, por exemplo, que alguém tenha filmado uma bola voando da direita para a esquerda. Se o filme for passado de trás para a frente, a bola voa da esquerda para direita: quem não esteve pre- sente durante a gravação, não saberia em qual das duas situações o tempo vai do passado para o futuro. Dizemos que as leis da mecânica são reversíveis temporalmente Se a física dissesse que o tempo é reversível sem- pre (3), estaria em séria contradição com a realidade que vemos à nossa volta (E em nós mesmos ) Basta (4) ob- servarmos o mundo para saber que o tempo vai para a frente: os dias passam, coisas mudam, pessoas e animais envelhecem, planetas giram em torno do Sol, o Sol en velhece, estrelas nascem e morrem, o próprio Universo cresce cada vez mais, definindo a direção cosmológica do tempo Como então reconciliar estas observações com as leis básicas da física? A resposta se encontra na comple- xidade do sistema: uma bola é um sistema extremamente simples, sua trajetória para a direita ou para a esquerda é essencialmente a mesma. Mas um ovo virar omelete, por exemplo, é um processo irreversível: não vemos um omelete virar ovo. A diferença é que um ovo pode ser transformado em omelete através de inúmeros caminhos. LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 16 Verbo96