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Língua portuguesa - Livro 4-0047

Conjunto de questões sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto: perguntas objetivas e V/F que abordam os poemas "A voz do canavial", "Morte e vida severina" e "O sertanejo falando", além de trecho de "Funeral de um lavrador" de Chico Buarque.

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38 ITA 2015 O poema a seguir, de João Cabral de Melo
Neto, integra o livro A escola das facas.
A voz do canavial
Voz sem saliva da cigarra,
do papel seco que se amassa,
de quando se dobra o jornal:
assim canta o canavial,
ao vento que por suas folhas,
de navalha a navalha, soa,
vento que o dia e a noite toda
o folheia, e nele se esfola.
Sobre o poema, é incorreto armar que a descrição
A compara o som das folhas do canavial com o da
cigarra
 põe em relevo a rusticidade da plantação de cana
-de-açúcar.
 destaca o som do vento que passa pela plantação.
d associa o som do canavial com o amassar das fo
lhas de papel
E faz do vento a navalha que corta o canavial.
39 UPE 2015 Em relação a Morte e vida severina, de João
Cabral de Melo Neto, coloque V para as afirmativas
verdadeiras e F para as falsas
J Trata-se do relato da história de um retirante que,
tomando como modelo Vidas secas, deixa seu
torrão natal e vai para a metrópole em busca de
melhor qualidade de vida. Assim, Severino, prota-
gonista do Auto de Natal pernambucano, chega
a Recife e consegue ascender socialmente, pois é
contratado para trabalhar em uma fábrica atingindo
seus objetivos.
J Integra o texto cabralino uma cena intitulada “Fu-
neral do lavrador”, composta por redondilhas, a
qual foi musicada por Chico Buarque de Holanda,
na década de 1970, momento de plena ditadura.
Contudo, o texto não sofreu nenhuma censura do
sistema constituído, por não apresentar ideologia,
na época, considerada subversiva.
J Morte e vida severina segue a estrutura de um
auto. Como romance que é, em treze capítulos, a
personagem central desloca-se da Serra da Coste-
la, situada no interior de Alagoas, vem margeando
o Rio Capibaribe, chega ao Recife, onde se encon
tra com Mestre Carpina
J O texto de João Cabral é composto por versos
metrificados, redondilhas, em uma perfeita harmo-
nia entre a personagem e a linguagem, peculiar
à literatura popular desde os autos do teatrólogo
português Gil Vicente até a atualidade.
J Nos versos: “E se somos Severinos / iguais em
tudo na vida, / morremos de morte igual, / mesma
morte severina: / que é a morte de que se morre
/ de velhice antes dos trinta”, encontramos o uso
de aliterações que trazem musicalidade ao texto.
Além disso, a palavra severina exerce uma função
adjetiva, pois qualifica o substantivo “morte” de
modo criativo e inusitado.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A F - F - F - V - V
 V - V - V - F - V
 V V F F V
d V F V F V
E V - V - V - F - F
40 UFRGS 2020 Leia o fragmento da canção Funeral de um
lavrador, feita por Chico Buarque de Holanda, em 1968,
a partir da obra Morte e vida Severina (Auto de Natal
pernambucano), de João Cabral de Melo Neto.
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca
Considere as armações abaixo, sobre o fragmento.
I. O tema da reforma agrária, recuperado por Chico
Buarque de Holanda, também está presente no
Auto de João Cabral de Melo Neto
II. A magreza do lavrador faz a cova parecer um
latifúndio.
III. A morte, para o lavrador pobre, parece ser mais
vantajosa do que a miséria em vida
Quais estão corretas?
A Apenas I
 Apenas II.
 Apenas III.
d Apenas II e III.
E I, II e III
41 UFRGS 2014 (Adapt.) Leia o poema a seguir, de João
Cabral de Melo Neto.
O sertanejo falando
A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuçadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra
2
Daí por que o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também por que ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-las na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho.
F
R
E
N
T
E
 2
139
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes
armações sobre o poema
J O eu lírico do poema é o próprio sertanejo que
reflete sobre sua forma de falar
J A ideia dos quatro primeiros versos da primeira es
trofe é retomada nos quatro últimos da segunda;
neles, é descrita a melodia aparentemente doce
da fala do sertanejo.
J Os quatro últimos versos da primeira estrofe estão
relacionados aos quatro primeiros da segunda; ne-
les, é descrita a essência rude do falar sertanejo.
J O sertanejo falando opõe-se aos demais poemas
de A educação pela pedra; nele, João Cabral de
Melo Neto apresenta um rigor formal, uma preo-
cupação com a estrutura do poema, ausente no
restante do livro
A sequência correta de preenchimento, de cima para
baixo, é
A V V V F
 F V F V
 V F V V
d F F F V
E F V V F
42 PUC-Campinas 2017 Nos anos de 50 e 60 do sécu-
lo passado, surgiu e consolidou-se uma vanguarda
poética, o Concretismo, que assumiu modelos de
composição inspirados, por exemplo,
A nos recursos de uma poética clássica pela qual se
valorizavam as narrativas de cunho mítico
 no aproveitamento gráfico do espaço e na lingua
gem visual dos signos, renunciando a uma sintaxe
tradicional.
 na rearticulação mais ousada de versos modernos
em formas tradicionais, como a do soneto.
d nas múltiplas formas do poema em prosa, garan-
tindo assim a incorporação de originais narrativas.
E em formas musicais consagradas, como a da so-
nata, com destaque para a técnica do contraponto.
43 Enem 2015
da sua memória
mil
e
mui
tos
out
ros
ros
tos
sol
tos
pou
coa
pou
coa
pag
amo
meu
ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1998.
Trabalhando com recursos formais inspirados no Con-
cretismo, o poema atinge uma expressividade que se
caracteriza pela
A interrupção da fluência verbal, para testar os limites
da lógica racional.
 reestruturação formal da palavra, para provocar o
estranhamento no leitor.
 dispersão das unidades verbais, para questionar o
sentido das lembranças
d fragmentação da palavra, para representar o estrei-
tamento das lembranças.
E renovação das formas tradicionais, para propor
uma nova vanguarda poética.
44 Unifesp Leia os textos e analise as afirmações.
Texto 1
Disponível em: <www.custodio.net>. (Adapt.).
Texto 2
ra terra ter
rat erra ter
rate rra ter
rater ra ter
raterr a ter
raterra terr
araterra ter
raraterra te
rraraterra t
erraraterra
terraraterra
Pignatari, Décio.
I. A graça do texto 1 decorre da ambiguidade que as-
sume o termo “concreta” na situação apresentada.
II. O texto 2 é exemplo de poesia concreta, rela-
cionada ao experimentalismo poético, no qual o
poema rompe com o verso tradicional e transfor
ma-se em objeto visual
III. Para a interpretação do texto 2, pode-se prescin-
dir dos signos verbais.
Está correto o que se arma em
A I, apenas.
 III, apenas.
 I e II, apenas
d I e III, apenas.
E I, II e III.
45 UPF 2015 Na década de 1950, surge, no Brasil, o movimento
da poesia concreta, liderado pelos irmãos Augusto e
Haroldo de Campos e por Décio Pignatari. Algumas ca-
racterísticas marcantes da poesia concreta são:
A a valorização da palavra solta, que se fragmenta e
se recompõe na página, e o uso do espaço gráfico
como elemento estrutural do poema
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 15 Século XX: novas identidades literárias140
 a retomada das formas fixas, como o soneto e o
epigrama, e a valorização dos temas universais.
 o emprego da linguagem coloquial e o desenvolvi-
mento de temas do cotidiano.
d o uso estilizado de formas da literatura oral, como o
cordel nordestino, e a pregação político partidária
E o recurso à musicalidade do verso e a afirmação do
corpo e do desejo.
46 Enem 2014
CLARK, L. Bicho de bolso. Placas de metal, 1966.
O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, repre-
sentante do Neoconcretismo, exemplica o início de
uma vertente importantena arte contemporânea, que
amplia as funções da arte. Tendo como referência a
obra Bicho de bolso, identica-se essa vertente pelo(a)
A participação efetiva do espectador na obra, o que
determina a proximidade entre arte e vida.
 percepção do uso de objetos cotidianos para a con-
fecção da obra de arte, aproximando arte e realidade
 reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte,
o que determina a consolidação de valores culturais.
d reflexão sobre a captação artística de imagens com
meios ópticos, revelando o desenvolvimento de
uma linguagem própria
E entendimento sobre o uso de métodos de produ-
ção em série para a confecção da obra de arte, o
que atualiza as linguagens artísticas.
Observe os dois poemas a seguir para responder à
questão 47.
CAMPOS, Haroldo de. Cristal, em fome de forma. In: AGUILAR, Gonçalo.
Poesia concreta brasileira: as vanguardas na encruzilhada modernista. São
Paulo: Unesp, 2005. p. 195.
hugo PONTES
Poços de Caldas-MG, Brasil
PONTES, Hugo. Disponível em: <www.germinaliteratura.com.br>.
Acesso em: 24 mar. 2015.
47 UEG 2015 Considerando o experimentalismo surgido
com as vanguardas do século XX, constata se que os
poemas de Campos e Pontes são respectivamente
A poema árcade e poesia futurista
 poesia concreta e poema processo.
 poema abstrato e poesia surreal.
d poesia parnasiana e poema barroco.
48 UFJF/Pism 2015
Pulsar
Campos, Augusto Viva vaia – poesia 1949-1979 São Paulo:
Duas cidades, 1979. p. 175.
Explique como se articula a substituição de letras por
outros sinais grácos na construção do poema con-
creto “Pulsar”, de Augusto de Campos.
49 UEM Leia as informações a seguir sobre tendências con-
temporâneas da literatura e assinale o que for correto.
O que, no campo literário, de modo geral, a crítica
tem chamado de tendências contemporâneas aponta para
as obras e os movimentos surgidos a partir de meados da
década de 1950 e que refletem, nas décadas de 1960 e
1970, um momento histórico caracterizado inicialmente
pelo autoritarismo e pela censura, seguido de um progressi-
vo processo de democratização. Trata-se de uma produção
literária bastante vasta e diversificada. Na poesia, dois as-
pectos são considerados: um marcado pela permanência,
em que autores consagrados continuam produzindo com
certa ênfase na temática social; outro, pela ruptura, em que
ganha corpo a luta contra esquemas analítico-discursivos
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