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38 ITA 2015 O poema a seguir, de João Cabral de Melo Neto, integra o livro A escola das facas. A voz do canavial Voz sem saliva da cigarra, do papel seco que se amassa, de quando se dobra o jornal: assim canta o canavial, ao vento que por suas folhas, de navalha a navalha, soa, vento que o dia e a noite toda o folheia, e nele se esfola. Sobre o poema, é incorreto armar que a descrição A compara o som das folhas do canavial com o da cigarra põe em relevo a rusticidade da plantação de cana -de-açúcar. destaca o som do vento que passa pela plantação. d associa o som do canavial com o amassar das fo lhas de papel E faz do vento a navalha que corta o canavial. 39 UPE 2015 Em relação a Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, coloque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas J Trata-se do relato da história de um retirante que, tomando como modelo Vidas secas, deixa seu torrão natal e vai para a metrópole em busca de melhor qualidade de vida. Assim, Severino, prota- gonista do Auto de Natal pernambucano, chega a Recife e consegue ascender socialmente, pois é contratado para trabalhar em uma fábrica atingindo seus objetivos. J Integra o texto cabralino uma cena intitulada “Fu- neral do lavrador”, composta por redondilhas, a qual foi musicada por Chico Buarque de Holanda, na década de 1970, momento de plena ditadura. Contudo, o texto não sofreu nenhuma censura do sistema constituído, por não apresentar ideologia, na época, considerada subversiva. J Morte e vida severina segue a estrutura de um auto. Como romance que é, em treze capítulos, a personagem central desloca-se da Serra da Coste- la, situada no interior de Alagoas, vem margeando o Rio Capibaribe, chega ao Recife, onde se encon tra com Mestre Carpina J O texto de João Cabral é composto por versos metrificados, redondilhas, em uma perfeita harmo- nia entre a personagem e a linguagem, peculiar à literatura popular desde os autos do teatrólogo português Gil Vicente até a atualidade. J Nos versos: “E se somos Severinos / iguais em tudo na vida, / morremos de morte igual, / mesma morte severina: / que é a morte de que se morre / de velhice antes dos trinta”, encontramos o uso de aliterações que trazem musicalidade ao texto. Além disso, a palavra severina exerce uma função adjetiva, pois qualifica o substantivo “morte” de modo criativo e inusitado. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. A F - F - F - V - V V - V - V - F - V V V F F V d V F V F V E V - V - V - F - F 40 UFRGS 2020 Leia o fragmento da canção Funeral de um lavrador, feita por Chico Buarque de Holanda, em 1968, a partir da obra Morte e vida Severina (Auto de Natal pernambucano), de João Cabral de Melo Neto. É uma cova grande pra tua carne pouca Mas a terra dada, não se abre a boca É a conta menor que tiraste em vida É a parte que te cabe deste latifúndio É a terra que querias ver dividida Estarás mais ancho que estavas no mundo Mas a terra dada, não se abre a boca Considere as armações abaixo, sobre o fragmento. I. O tema da reforma agrária, recuperado por Chico Buarque de Holanda, também está presente no Auto de João Cabral de Melo Neto II. A magreza do lavrador faz a cova parecer um latifúndio. III. A morte, para o lavrador pobre, parece ser mais vantajosa do que a miséria em vida Quais estão corretas? A Apenas I Apenas II. Apenas III. d Apenas II e III. E I, II e III 41 UFRGS 2014 (Adapt.) Leia o poema a seguir, de João Cabral de Melo Neto. O sertanejo falando A fala a nível do sertanejo engana: as palavras dele vêm, como rebuçadas (palavras confeito, pílula), na glace de uma entonação lisa, de adocicada Enquanto que sob ela, dura e endurece o caroço de pedra, a amêndoa pétrea, dessa árvore pedrenta (o sertanejo) incapaz de não se expressar em pedra 2 Daí por que o sertanejo fala pouco: as palavras de pedra ulceram a boca e no idioma pedra se fala doloroso; o natural desse idioma fala à força. Daí também por que ele fala devagar: tem de pegar as palavras com cuidado, confeitá-las na língua, rebuçá-las; pois toma tempo todo esse trabalho. F R E N T E 2 139 Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes armações sobre o poema J O eu lírico do poema é o próprio sertanejo que reflete sobre sua forma de falar J A ideia dos quatro primeiros versos da primeira es trofe é retomada nos quatro últimos da segunda; neles, é descrita a melodia aparentemente doce da fala do sertanejo. J Os quatro últimos versos da primeira estrofe estão relacionados aos quatro primeiros da segunda; ne- les, é descrita a essência rude do falar sertanejo. J O sertanejo falando opõe-se aos demais poemas de A educação pela pedra; nele, João Cabral de Melo Neto apresenta um rigor formal, uma preo- cupação com a estrutura do poema, ausente no restante do livro A sequência correta de preenchimento, de cima para baixo, é A V V V F F V F V V F V V d F F F V E F V V F 42 PUC-Campinas 2017 Nos anos de 50 e 60 do sécu- lo passado, surgiu e consolidou-se uma vanguarda poética, o Concretismo, que assumiu modelos de composição inspirados, por exemplo, A nos recursos de uma poética clássica pela qual se valorizavam as narrativas de cunho mítico no aproveitamento gráfico do espaço e na lingua gem visual dos signos, renunciando a uma sintaxe tradicional. na rearticulação mais ousada de versos modernos em formas tradicionais, como a do soneto. d nas múltiplas formas do poema em prosa, garan- tindo assim a incorporação de originais narrativas. E em formas musicais consagradas, como a da so- nata, com destaque para a técnica do contraponto. 43 Enem 2015 da sua memória mil e mui tos out ros ros tos sol tos pou coa pou coa pag amo meu ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1998. Trabalhando com recursos formais inspirados no Con- cretismo, o poema atinge uma expressividade que se caracteriza pela A interrupção da fluência verbal, para testar os limites da lógica racional. reestruturação formal da palavra, para provocar o estranhamento no leitor. dispersão das unidades verbais, para questionar o sentido das lembranças d fragmentação da palavra, para representar o estrei- tamento das lembranças. E renovação das formas tradicionais, para propor uma nova vanguarda poética. 44 Unifesp Leia os textos e analise as afirmações. Texto 1 Disponível em: <www.custodio.net>. (Adapt.). Texto 2 ra terra ter rat erra ter rate rra ter rater ra ter raterr a ter raterra terr araterra ter raraterra te rraraterra t erraraterra terraraterra Pignatari, Décio. I. A graça do texto 1 decorre da ambiguidade que as- sume o termo “concreta” na situação apresentada. II. O texto 2 é exemplo de poesia concreta, rela- cionada ao experimentalismo poético, no qual o poema rompe com o verso tradicional e transfor ma-se em objeto visual III. Para a interpretação do texto 2, pode-se prescin- dir dos signos verbais. Está correto o que se arma em A I, apenas. III, apenas. I e II, apenas d I e III, apenas. E I, II e III. 45 UPF 2015 Na década de 1950, surge, no Brasil, o movimento da poesia concreta, liderado pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e por Décio Pignatari. Algumas ca- racterísticas marcantes da poesia concreta são: A a valorização da palavra solta, que se fragmenta e se recompõe na página, e o uso do espaço gráfico como elemento estrutural do poema LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 15 Século XX: novas identidades literárias140 a retomada das formas fixas, como o soneto e o epigrama, e a valorização dos temas universais. o emprego da linguagem coloquial e o desenvolvi- mento de temas do cotidiano. d o uso estilizado de formas da literatura oral, como o cordel nordestino, e a pregação político partidária E o recurso à musicalidade do verso e a afirmação do corpo e do desejo. 46 Enem 2014 CLARK, L. Bicho de bolso. Placas de metal, 1966. O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, repre- sentante do Neoconcretismo, exemplica o início de uma vertente importantena arte contemporânea, que amplia as funções da arte. Tendo como referência a obra Bicho de bolso, identica-se essa vertente pelo(a) A participação efetiva do espectador na obra, o que determina a proximidade entre arte e vida. percepção do uso de objetos cotidianos para a con- fecção da obra de arte, aproximando arte e realidade reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte, o que determina a consolidação de valores culturais. d reflexão sobre a captação artística de imagens com meios ópticos, revelando o desenvolvimento de uma linguagem própria E entendimento sobre o uso de métodos de produ- ção em série para a confecção da obra de arte, o que atualiza as linguagens artísticas. Observe os dois poemas a seguir para responder à questão 47. CAMPOS, Haroldo de. Cristal, em fome de forma. In: AGUILAR, Gonçalo. Poesia concreta brasileira: as vanguardas na encruzilhada modernista. São Paulo: Unesp, 2005. p. 195. hugo PONTES Poços de Caldas-MG, Brasil PONTES, Hugo. Disponível em: <www.germinaliteratura.com.br>. Acesso em: 24 mar. 2015. 47 UEG 2015 Considerando o experimentalismo surgido com as vanguardas do século XX, constata se que os poemas de Campos e Pontes são respectivamente A poema árcade e poesia futurista poesia concreta e poema processo. poema abstrato e poesia surreal. d poesia parnasiana e poema barroco. 48 UFJF/Pism 2015 Pulsar Campos, Augusto Viva vaia – poesia 1949-1979 São Paulo: Duas cidades, 1979. p. 175. Explique como se articula a substituição de letras por outros sinais grácos na construção do poema con- creto “Pulsar”, de Augusto de Campos. 49 UEM Leia as informações a seguir sobre tendências con- temporâneas da literatura e assinale o que for correto. O que, no campo literário, de modo geral, a crítica tem chamado de tendências contemporâneas aponta para as obras e os movimentos surgidos a partir de meados da década de 1950 e que refletem, nas décadas de 1960 e 1970, um momento histórico caracterizado inicialmente pelo autoritarismo e pela censura, seguido de um progressi- vo processo de democratização. Trata-se de uma produção literária bastante vasta e diversificada. Na poesia, dois as- pectos são considerados: um marcado pela permanência, em que autores consagrados continuam produzindo com certa ênfase na temática social; outro, pela ruptura, em que ganha corpo a luta contra esquemas analítico-discursivos F R E N T E 2 141