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Psoríase 1 🕯 Psoríase É uma doença inflamatória crônica, imunomediada e que atinge a pele e as articulações. Possui bases genéticas e apresenta grande polimorfismo de expressão clínica. Etiologia Doença imunomediada com células T produzindo citocinas padrão Th1. Acomete ambos os sexos. Pode ser desencadeada por traumatismos (fenômeno de Koebner), infecções (estreptocócica), fatores emocionais, drogas (lítio, corticosteroides orais, antimaláricos, interferon e bloqueadores beta-adrenérgicos), ingesta de álcool e uso de tabaco. Todos esses fatores atuam como agravantes da psoríase. Esta afecção pode ainda ser acompanhada de artropatia. A psoríase pode aparecer em qualquer idade, sendo mais frequente no adulto jovem e ocorrendo igualmente ambos os sexos. Apresenta dois picos de incidência: entre 20 anos e 30 anos e após os 50 anos, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Manifestações Clínicas Psoríase 2 Psoríase Vulgar É a forma mais comum. É simétrica e tipicamente encontrada na região da face extensora dos músculos. de joelhos, cotovelos, couro cabeludo e sacro. Pode possuir número variável de lesões e eventualmente alterar unhas principalmente se houver artropatia. Exposição solar diminui a inflamação diminuindo a quantidade de linfócitos. Sinais clínicos podem ser observados na curetagem metódica de Brocq Sinal da vela: pela raspagem da lesão, destacam-se escamas esbranquiçadas, semelhantes à raspagem da parafina de uma vela. Sinal do orvalho sanguento ou de Ausptitz: quando, pela continuação da raspagem, após a retirada das escamas, surge uma superfície vermelho- brilhante, com pontos hemorrágicos. Psoríase 3 Outra característica clínica comum à forma vulgar é o fenômeno isomórfico de Koebner, que corresponde ao surgimento da dermatose em áreas de pele sã após trauma local em pacientes geneticamente predispostos. Outro fenômeno descrito é o fenômeno de Renbok, também registrado como Koebner reverso . Ele expressa a situação na qual o traumatismo local imposto a uma placa de psoríase resulta no desaparecimento da lesão e no surgimento de pele aparentemente sã no local. *Sinal de Ausptitz *Fenômeno de Koebner Psoríase 4 Psoríase Invertida Ocorre essencialmente nas regiões de flexuras. Possui menos escamas em decorrência da sudorese desses locais. Pode acometer também mucosas genitais e boca. Psoríase Gutata Mais comum em crianças e adolescentes. Ocorre o aparecimento súbito de pequenas pápulas eritematodescamativasde até 1 cm, acometendo mais o tronco que as outras regiões do corpo. Geralmente ocorre precedida de infecção estreptocócica comumente de vias aéreas superiores. Psoríase 5 Psoríase Pustulosa É conhecida como psoríase do tipo Von Zumbusch. Ocorre sobre base eritematosa em grupos de pequenas pústulas por todo tegumento cutâneo. Pode haver também comprometimento do estado geral. Episódios de febre alta. Autolimitada. Associada a gravidez De mãos e pés Ocorre em surtos, apresenta vesículas e pústulas em palmas e plantas, possui poucas lesões e de evolução benigna. Psoríase 6 Psoríase Eritrodérmica Eritema intenso, de caráter universal, acompanhado de descamação discreta. A eritrodermia pode ocorrer no curso evolutivo da doença. É desencadeada, frequentemente, por terapias intempestivas, por administração e posterior interrupção abrupta de corticoide sistêmico, podendo corresponder à exacerbação da doença em pacientes imunossuprimidos. Há proliferação aumentada e perda da manutenção das células epidérmicas, levando à produção de queratinas anormais. Assim, a descamação é discreta e predomina o eritema. Devido ao fato de haver vasodilatação generalizada, existe perda de calor, levando à hipotermia. A função de barreira da pele está comprometida, nesses quadros, podendo ocorrer bacteremia e septicemia, além do aumento de perda de água transepidérmica. Nos casos de longa duração, pode ocorrer diminuição do débito cardíaco e até mesmo comprometimento das funções hepática e renal. Psoríase 7 Psoríase Ungueal Caracterizada por pressões puntiformes da lâmina ungueal ou unha em dedal. Manchas de óleo, hemorragias em estilhaço, onicólise e hiperqueratose subungueal caracterizam lesões do leito ungueal, enquanto depressões (pits ungueais), manchas cor de salmão da lúnula, leuconíquia e sulcos de Beau são manifestações de lesões em matriz. Psoríase 8 Psoríase de couro cabeludo Psoríase 9 A psoríase do couro cabeludo surge como áreas vermelhas com escamas branco-prateadas que costuma causar comichão. As manchas escamosas podem se estender além da linha do cabelo, aparecendo na testa, nuca e ao redor das orelhas. Diagnóstico Clínico e anatomopatológico Por meio de anamnese detalhada e do exame físico com caracterização detalhada das lesões, é possível suspeitar dessa patologia. A solicitação de exames para confirmação é restrita para casos em que as manifestações clínicas não são tão esclarecedoras. Por meio da biópsia da lesão, se torna possível confirmar o diagnóstico. Psoríase 10 Diagnóstico diferencial Algumas formas de eczema podem apresentar aspecto numular, principalmente o eczema numular. � A pitiríase rósea de Gilbert, em regra, pode ser excluída pelos dois tipos de lesões e pela evolução para a cura em oito semanas. Lesões em “medalhão ,ˮ placa mãe e lesões placa filha ao redor. Bordas mais definidas e elevadas, centro mais amarelado e levemente descamativo. Autolimitada 8 semanas) � A sífilis pode apresentar lesões psoriasiformes, mas a presença de outros achados, como adenopatia, placas mucosas e sorologia específica, confirma a infecção sifilítica. Acastanhadas. Acomete região palmoplantar. � O lúpus eritematoso cutâneo subagudo pode apresentar lesões psoriasiformes em áreas fotoexpostas o exame histopatológico pode definir *Lesões eritêmato-pápulo-escamosas da pitiríase rósea *Lesões eritêmatoescamosas da psoríase Psoríase 11 o diagnóstico. Lesões apesar da exposição solar. Psoríase melhora com fotoexposição. � A psoríase no couro cabeludo costuma se manifestar por placas bem delimitadas, o que as diferencia das lesões de dermatite seborreica (associada à infecções por HIV. A delimitação das lesões é também critério para diferenciar a dermatite seborreica da psoríase invertida. Acomete mais o sexo masculino. � A curetagem de Brocq geralmente permite diferenciar a psoríase em gotas da pitiríase liquenoide, em que a descamação não é estratificada. � A psoríase eritrodérmica deve ser diferenciada das eritrodermias encontradas em pacientes atópicos, nas erupções medicamentosas e nos linfomas. A histopatologia pode ser necessária para o diagnóstico. *Psoríase no couro cabeludo *Dermatite seborreica Psoríase 12 Tratamento O tratamento de todas as patologias abordadas consiste no uso de imunossupressores. ➔ 1 Linha Em placas: corticosteroides tópicos ou intralesionais potentes, calcipotriol, tacrolimo ou pimecrolimo tópicos. Generalizada: metrotrexato sistêmico, fototerapia com UVB ou com UVA e psoralenos PUVA. ➔ 2 Linha Acitretina, Metotrexato, Ciclosporina ➔ 3 Linha Imunobiológicos CURIOSIDADE A psoríase associa-se frequentemente com a síndrome metabólica. Psoríase 13 Psoríase 14 Acúmulo de neutrófilos na psoríase pustulosa Pústula de Kogoj Microabcesso de Munro → neutrófilo Alterações de fatores reumatoides e nem nucleares Morgana Rodrigues Duarte- TXI