Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

PSORÍASE
I-INTRODUÇÃO
A psoríase é uma doença auto inflamatória crônica de pele e articulações, que se manifesta em diversos fenótipos.Não é considerada uma doença contagiosa e/ou hereditária.No Brasil, cerca de 1,3% da população é acometida pela doença, que pode atingir indivíduos de qualquer gênero ou faixa etária, com destaque para aqueles dos 30 aos 40 e dos 50 aos 70 anos de idade. 
Os tipos de psoríase são inúmeros, porém, dos pacientes acometidos, 90% apresentam a forma vulgar, índice discrepante quando comparado com os outros tipos clínicos.Apesar de menos comum, a psoríase pode se manifestar também nas formas invertida, gutata, eritrodérmica,ungueal, artropática,pustulosa e palmo-plantar.
 II-MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A psoríase vulgar, presente em 90% dos casos relatados. Ela é caracterizada por placas eritematosas, facilmente delimitadas, de tamanhos variados, com presença de descamação acinzentada, podendo ser localizada no couro cabeludo, tronco, cotovelos e joelhos, distribuindo-se frequentemente de forma simétrica. Já a psoríase invertida atinge principalmente áreas úmidas, como axilas e virilha, na forma de placas eritematosas, normalmente sem escamas.
A psoríase gutata apresenta íntima relação com infecções bacterianas, como as que acometem a via respiratória superior. Manifesta-se na forma de lesões em formato de gota principalmente no tronco e nos membros, cobertas por finas escamas. 
O tipo pustulosa é uma forma de maior gravidade da doença, caracterizada pela presença de pústulas sobre base eritematosa edematosa. Pode também ocasionar sintomas sistêmicos, como febre e fadiga, e levar a hospitalização.
No caso eritrodérmica é uma manifestação menos comum, que acomete toda a superfície corporal na forma de máculas, que podem estar acompanhadas de prurido intenso ou dor. Em muitos casos é desencadeada por queimaduras ou tratamentos intempestivos, e pode levar a internação hospitalar. 
A característica da psoríase ungueal pode acometer as unhas dos pés ou das mãos, fazendo com que cresçam de forma atípica, ganhando aparência descamativa, mais grossa, com mudanças de coloração ou forma. 
Por fim, a artrite psoriásica é uma manifestação sistêmica relacionada à psoríase, que acomete até 3% da população. Ela é caracterizada por artrite, entesite ou dactilite e pode ser responsável por queixas musculoesqueléticas, como artralgia, edema local e limitação dos movimentos.
 Destaca-se, ainda, que cerca de 44% dos portadores de psoríase desenvolvem também artrite psoriásica associada, com índices similares entre homens e mulheres. A psoríase é provocada pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele, em consequência de um processo inflamatório mediado principalmente por linfócitos T, que liberam mediadores inflamatórios responsáveis por vasodilatação e mobilização de células de defesa até o tecido cutâneo. 
A etiologia ainda é idiopática, embora exista uma certa predisposição genética (não necessariamente transmitida), também associada a fatores ambientais (variações climáticas) e hábitos de vida, como o consumo excessivo de álcool, tabagismo e estresse psicológico. Como consequência da presença das lesões psoriásicas na pele, que em 80% dos casos são acompanhadas por prurido, verificam-se impactos psicológicos e sociais na vida dos pacientes, gerados, dentre outros fatores, por deficiências no sono e pela estigmatização em relação à aparência cutânea.
III-IMPACTOS PSICOSSOCIAIS
O estresse psicológico pode desencadear e agravar casos reincidentes de psoríase, uma vez que promove aumento de citocinas inflamatórias, como proteína C reativa (PCR), TNF-α, IL-1β e IL6. Em situações de estresse, físico ou psicológico, há reforço no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal de produção de cortisol, percebendo-se aumento na liberação de hormônio liberador de corticotrofina (CRH) hipotalâmico, que resulta em maior secreção de corticotrofina (ACTH) pela hipófise anterior e, por fim, produção e liberação de glicocorticóides (GC) na corrente sanguínea pelas glândulas adrenais. De acordo com estudos recentes, elevados níveis de CRH, ACTH e GC, são responsáveis por maior ativação de mastócitos e de linfócitos T, o que promove a liberação de citocinas, e, por fim, aumento da permeabilidade vascular e da proliferação celular, exacerbando, assim, o quadro inflamatório e os seus impactos na pele. Além disso, altos níveis de ansiedade estão associados com maior ativação do sistema nervoso simpático. Receptores alfa-adrenérgicos, quando ativados pela norepinefrina, podem promover aumento na liberação de citocinas pró-inflamatórias (como IL-6 e IL-1β), levando a piora nos quadros de psoríase.
A pressão estética socialmente imposta pode ser nociva a todos os indivíduos, com destaque para aqueles portadores de doenças que acometem a pele, como psoríase vulgar. De acordo com pesquisas, a aparência física do portador de psoríase pode ser um fator estressante, por gerar insegurança, sofrimento e dificuldade de auto aceitação, principalmente em casos mais graves, com acometimento de maior área de superfície corporal. Além disso, o sentimento de rejeição é reforçado pelo preconceito amplamente difundido na sociedade, representado por falas e olhares que fazem com que os pacientes se sintam desprezados. Como consequência, percebe-se isolamento emocional, que pode prejudicar os indivíduos em situações sociais, comprometendo as relações interpessoais. Estudos sugerem, também, que a psoríase pode ter impacto nas relações afetivas entre indivíduos, o que pode ser justificado pela baixa autoestima do paciente, pelos seus distúrbios emocionais e por maior dificuldade de se integrar em atividades familiares. Além disso, o prejuízo à vida sexual é uma queixa comum entre pacientes, principalmente aqueles cuja região genital é acometida pela doença. Assim, é registrada maior taxa de divórcio entre portadores de psoríase em comparação a indivíduos hígidos. A psoríase pode ter forte impacto também nas condições socioeconômicas dos indivíduos, uma vez que, devido a aparência das lesões, muitos não conseguem permanecer em seus empregos, ou se restabelecer financeiramente, por serem constantemente vítimas da estigmatização. Nesse cenário, percebe-se diminuição na remuneração, que pode promover queda na qualidade de vida, estresse psicológico e menor adesão ao tratamento, contribuindo para o agravamento da doença. Assim, indivíduos diagnosticados com psoríase têm maior risco de desenvolvimento de doenças psicológicas, como depressão e ansiedade. Essa lógica vai ao encontro de estudos de coorte, que apontam que 1 a cada 39 indivíduos diagnosticados com psoríase grave desenvolve depressão. Além do desconforto estético e suas consequências, a psoríase pode se manifestar na forma de lesões pruriginosas, gerando sensação desagradável aos pacientes. Como possíveis consequências, tem-se irritabilidade, que pode comprometer a capacidade de socialização e de exercer atividades cotidianas dos indivíduos. Estudos sugerem, também, que o prurido, que tende a se agravar à noite, prejudica o adormecer, contribuindo, assim, para menor qualidade de sono. É importante ressaltar que a maior predisposição à depressão também é sustentada por fatores fisiopatológicos da psoríase, na medida em que a doença autoinflamatória influencia no padrão de secreção de melatonina. A desregulação desse hormônio (diminuição de sua concentração) principalmente à noite, bastante frequente em indivíduos com psoríase, está relacionada ao desenvolvimento de depressão e também à distúrbios de sono. Baixos níveis de melatonina levam a liberação do hormônio estimulador de melanócito (MSH), substância que contribui para o aparecimento de sintomas depressivos. Além disso, dado que a melatonina é essencial para o sono, menores concentrações desse hormônio à noite são responsáveis por quadros de insônias inicial e terminal e interrupções no sono. Diante disso, muitos pacientes portadores de psoríase relatam indisposição, irritabilidade e dificuldadede concentração como consequência da privação do sono, o que compromete a capacidade de realizar atividades cotidianas e, portanto, a qualidade de vida.
 IV-PREVALÊNCIA DE COMORBIDADES
Principais Comorbidades Associadas à Psoríase 
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) 
Hipertensos têm maior risco de psoríase, mesmo após ajuste de comorbidades, uso de medicamentos e fatores sociodemográficos. A HAS é ainda mais prevalente em pacientes com artrite psoriásica. Os mais susceptíveis são os que têm maior índice de massa corporal e início de psoríase em idade avançada.
Obesidade
Existe comprovada associação entre obesidade e maior gravidade da psoríase. Do mesmo modo, obesidade é altamente prevalente e incidente em psoríase. O mecanismo exato que explica essa associação ainda não está esclarecido, mas tem sido aventado que os adipócitos produzem citocinas pró-inflamatórias que podem piorar a psoríase.
 
Dislipidemia 
Foram associados à psoríase: aumento de triglicerídeos e de lipoproteína A e redução de HDL.
Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM) 
Está associada à DM e suas complicações (resistência à insulina, complicações vasculares e retinopatia diabética) quando comparada a controles com ou sem diabetes.
Foi encontrada maior prevalência de diabetes em pacientes com psoríase moderada a grave.
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) 
Há evidência de associação independente entre DPOC e psoríase, sendo esta maior nos casos de doença cutânea grave.
Apnéia do sono 
A psoríase pode ser um fator de risco independente para apnéia do sono Descreve-se associação bilateral entre estas doenças.
Doença renal 
Observa-se também maior risco de doença renal crônica e doença renal terminal. O dano renal pode ocorrer por inflamação crônica imunomediada, associação de drogas (ciclosporina, metotrexate e AINES) e pelas comorbidades (HAS, DM). A doença renal tem forte associação como causa de morte em pacientes com psoríase.
 Vale ressaltar que, apesar do alto potencial de atividade da doença psoriásica, há uma pluralidade de terapias que visam conter suas manifestações, buscando melhor qualidade de vida para os portadores. Dentre essas abordagens, temos os tratamentos tópicos, a fototerapia e os medicamentos sistêmicos, os quais podem ser combinados ou usados isoladamente, conforme a gravidade clínica e a resposta individual apresentada pelo paciente.
IV-FISIOPATOLOGIA DA PSORÍASE
 A doença envolve a hiperplasia epidérmica e uma resposta imune inadequada, com linfócitos T ativados e macrófagos liberando citocinas como TNF-α, fundamentais no processo inflamatório. A fisiopatologia inclui alterações no queratinócito e na resposta imunológica, com envolvimento de células como queratinócitos e dendríticas, resultando em condições como psoríase vulgar, gutata, eritrodérmica, inversa e palmo-plantar. 
Observa-se que a psoríase tem seu mecanismo inflamatório mediado primeiramente por células dendríticas (CD), que reconhecem na pele a proteína SLC9A3RI, responsável pelo transporte antiporte de sódio e prótons, localizada na membrana plasmática dos queratinócitos. As CDs, então, apresentam aos linfócitos T, via MHC II (complexo de histo-compatibilidade humana da classe II) os antígenos captados, o que faz com que assumam diferentes fenótipos: Th1 e Th17. Através da resposta Th1, se tem aumento nos níveis de interferon gama (IFN-γ), fator transformador de crescimento alfa (TGF- α), interleucina-8 (IL8) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), com destaque para o último, que promove angiogênese e estimula a proliferação de queratinócitos e sinoviócitos sendo, assim uma das principais citocinas envolvidas na patogênese da doença. Já pela resposta Th17, se tem aumento da secreção das interleucinas 17 e 22, que atuam sobre queratinócitos na derme também promovendo a proliferação celular. Além disso, ocorre também a ativação de macrófagos, que liberam IL1 (que origina IL-1 B), IL-20, IL-19 e IL-24, contribuindo para a manutenção do cenário inflamatório. Nesse contexto, os queratinócitos também liberam citocinas inflamatórias: TNFα, IL-6 e IL-8, que estimulam mitose e aumentam a quimiotaxia de neutrófilos. Como resultado do desenvolvimento de um padrão hiperproliferativo, o ciclo evolutivo das células epidérmicas fica mais acelerado na psoríase em comparação a situações fisiológicas. Assim, se tem a formação de células imaturas (em consequência de mitoses mais rápidas), que ascendem de modo rápido e precoce na epiderme, causando a produção de escamas (paraceratose). Em relação ao prurido, queixa de mais de 70% dos portadores de psoríase, se tem participação relevante dos mastócitos, que liberam substâncias vasoativas, como histamina, heparina e prostaglandinas.
O estresse psicológico pode desencadear e agravar casos reincidentes de psoríase, uma vez que promove aumento de citocinas inflamatórias, como proteína C reativa (PCR), TNF-α, IL-1β e IL6. Em situações de estresse, físico ou psicológico, há reforço no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal de produção de cortisol, percebendo-se aumento na liberação de hormônio liberador de corticotrofina (CRH) hipotalâmico, que resulta em maior secreção de corticotrofina (ACTH) pela hipófise anterior e, por fim, produção e liberação de glicocorticóides (GC) na corrente sanguínea pelas glândulas adrenais. De acordo com estudos recentes, elevados níveis de CRH, ACTH e GC, são responsáveis por maior ativação de mastócitos e de linfócitos T, o que promove a liberação de citocinas, e, por fim, aumento da permeabilidade vascular e da proliferação celular, exacerbando, assim, o quadro inflamatório e os seus impactos na pele. Além disso, altos níveis de ansiedade estão associados com maior ativação do sistema nervoso simpático. Receptores alfa-adrenérgicos, quando ativados pela norepinefrina, podem promover aumento na liberação de citocinas pró-inflamatórias (como IL-6 e IL-1β), levando a piora nos quadros de psoríase.
Tratamentos
 Tópicos 
O tratamento tópico é amplamente usado para a psoríase, podendo ser feito isoladamente em casos mais leves ou combinado com tratamentos sistêmicos em casos mais avançados. Existem vários fármacos tópicos utilizados para tratar a psoríase vulgar, como: • Corticoides tópicos: Agem na redução da inflamação e do prurido e são muito prescritos para tratamento. Eles exercem na pele ação antiproliferativa, imunossupressora, antipruriginosa, anti-inflamatória e vasoconstritora. O corticoide prescrito varia em potência, dependendo da gravidade da condição e da localização anatômica. Dentre esses fármacos, os de aplicação mais comum incluem o propionato de clobetasol a 0,05% e o dipropionato de betametasona 0,05 mg/g, principalmente para lesões mais extensas ou espessas. O período de uso dos corticoides tópicos pode variar dependendo do caso clínico e da resposta individual ao medicamento. Geralmente, é recomendado o uso intermitente e por curtos períodos, com o intuito de evitar possíveis efeitos adversos, como atrofia da epiderme e estrias. Além disso, podem ser alternados com outros tratamentos tópicos, como análogos de vitamina D ou antralina, para minimizar o risco de efeitos colaterais e prolongar a eficácia terapêutica. • Análogos de Vitamina D: O calcipotriol e o calcitriol são análogos sintéticos da vitamina D e agem estimulando a diferenciação dos queratinócitos, inibindo sua proliferação excessiva e modulando a resposta inflamatória da psoríase vulgar. Podem ser usados como monoterapia ou em combinação com corticoides tópicos, como calcipotriol pomada 50 mcg/g associado à betametasona, de modo a potencializar o efeito terapêutico. O calcipotriol tende a ser bem tolerado e os pacientes, geralmente, notam melhorias na pele dentro de algumas semanas, devendo ser mantida a avaliação contínua pela equipe médica. Como efeitos adversos, destacam-se eritema, ressecamento da pele, prurido e ardor, de caráter geralmente leves e transitórios. • Emolientes: São amplamente prescritos. Agem de modo a hidratar e suavizar a pele, reduzindo fissuras, prurido e irritação.Formam uma camada protetora na superfície da pele,ajudando a reter a umidade e a restaurar a barreira cutânea. Podem ser usados como parte de uma rotina de cuidados com a pele e devem ser aplicados regularmente, especialmente após o banho ou a condições que possam ressecar a pele. Seu uso é frequentemente combinado com outras terapias tópicas, como corticóides ou análogos de vitamina D, para reduzir os efeitos colaterais desses medicamentos, como o ressecamento da pele. •Ceratolíticos: Atuam removendo o excesso de camadas da pele e promovendo sua renovação, por meio da quebra das ligações entre as células mortas da pele. Dentre os ceratolíticos, destacam-se o ácido salicílico e a ureia. O ácido salicílico (mais utilizado) pode ser aplicado em áreas de pele mais espessa, como palmas e couro cabeludo, devendo ser evitadas as genitais, as membranas mucosas e os olhos. É encontrado em formulações como cremes, loções ou shampoos. Seu uso deve ser cauteloso, uma vez que, em casos raros, pode levar ao salicismo. O salicismo é a toxicidade pelo excesso de salicilato no organismo, podendo ser causado se o medicamento é aplicado em áreas extensas e em doses elevadas. Já a uréia é um agente hidratante que pode potencializar a penetração de corticoides e diminuir a perda de água transdérmica. A hidratação da pele propiciada contribui para a redução da secura e do prurido. • Antralina: Derivado sintético da crisarobina, obtida da araroba, uma árvore encontrada na América do Sul. Ela possui propriedades antiinflamatórias, anti proliferativas e queratolíticas, atuando de forma a diminuir a inflamação e a reduzir a hiperproliferação celular, o que leva a uma redução na espessura das placas da psoríase. É importante destacar que a antralina pode causar irritação na pele e seu uso na psoríase é restrito atualmente, podendo ser utilizada em baixas (0,1 a 0,5%) ou altas concentrações (1 a 3%) em aplicações de 15 a 30 minutos, devendo ser supervisionado por um médico. Em geral, é reservada para casos de psoríase mais graves ou resistentes a outros tratamentos tópicos, e pode ser combinada com outras terapias tópicas, como corticoides. • Inibidores de calcineurina: Esses inibidores, como o tacrolimo (em pomada a 0,03% e 0,1%- para maiores de dois e dezesseis anos, respectivamente) e pimecrolimo (em creme a 1%- aprovado para maiores de três meses de idade) são de uso off label na psoríase vulgar. Esses medicamentos funcionam bloqueando a atividade da calcineurina, uma enzima envolvida na resposta imune e na inflamação. Ao realizar a inibição, é reduzida a produção de citocinas pró-inflamatórias e a ativação dos linfócitos T, que desempenham um papel importante na patogênese da psoríase. Pode causar sensação de queimaçãomais comum com o tacrolimo- e, logo, seu uso deve ser supervisionado e limitado a curtos períodos de tempo, conforme necessário para controlar os sintomas da psoríase vulgar.
V- DIAGNÓSTICO
 O diagnóstico da psoríase é principalmente clínico, feito por um dermatologista através do exame físico das lesões (placas vermelhas com escamas prateadas), sua localização (couro cabeludo, cotovelos, joelhos) e o histórico familiar/clínico; em casos atípicos, uma biópsia da pele pode ser necessária para confirmar ou descartar outras condições.
Como o diagnóstico é realizado:
1. Exame Físico: 
O médico observa as características das lesões na pele, couro cabeludo e unhas, como vermelhidão, espessura e escamas.
2. Histórico Clínico e Familiar: 
Perguntas sobre o início dos sintomas, estresse, infecções recentes, uso de medicamentos e histórico familiar de psoríase são importantes.
3. Localização Típica: 
Lesões em cotovelos, joelhos, couro cabeludo e tronco são comuns, mas podem aparecer em qualquer lugar.
4. Biópsia da Pele (se necessário): 
Uma pequena amostra de pele é retirada e analisada ao microscópio para confirmar o diagnóstico ou diferenciar de outras doenças de pele, como dermatite.
VI-TRATAMENTO
O tratamento procura principalmente reduzir o número e a gravidade das lesões e vai depender das características do paciente. Os medicamentos utilizados podem ser tópicos (para passar no corpo) ou sistêmicos (devem ser ingeridos). Casos leves e moderados (cerca de 80%) podem ser controlados com o uso de medicação local, hidratação da pele e exposição ao sol. É importante salientar que qualquer tratamento deve ser feito sob rigorosa orientação médica, de forma persistente, sendo necessário, em alguns casos, suporte psicológico para uma melhor adaptação ao impacto provocado pela doença.
Tratamentos Tópicos
 O tratamento tópico é amplamente usado para a psoríase, podendo ser feito isoladamente em casos mais leves ou combinado com tratamentos sistêmicos em casos mais avançados. Existem vários fármacos tópicos utilizados para tratar a psoríase vulgar, como: 
• Corticoides tópicos: Agem na redução da inflamação e do prurido e são muito prescritos para tratamento. Eles exercem na pele ação antiproliferativa, imunossupressora, antipruriginosa, anti-inflamatória e vasoconstritora. O corticoide prescrito varia em potência, dependendo da gravidade da condição e da localização anatômica. Dentre esses fármacos, os de aplicação mais comum incluem o propionato de clobetasol a 0,05% e o dipropionato de betametasona 0,05 mg/g, principalmente para lesões mais extensas ou espessas. O período de uso dos corticoides tópicos pode variar dependendo do caso clínico e da resposta individual ao medicamento. Geralmente, é recomendado o uso intermitente e por curtos períodos, com o intuito de evitar possíveis efeitos adversos, como atrofia da epiderme e estrias. 
Além disso, podem ser alternados com outros tratamentos tópicos, como análogos de vitamina D ou antralina, para minimizar o risco de efeitos colaterais e prolongar a eficácia terapêutica. 
• Análogos de Vitamina D: O calcipotriol e o calcitriol são análogos sintéticos da vitamina D e agem estimulando a diferenciação dos queratinócitos, inibindo sua proliferação excessiva e modulando a resposta inflamatória da psoríase vulgar. Podem ser usados como monoterapia ou em combinação com corticoides tópicos, como calcipotriol pomada 50 mcg/g associado à betametasona, de modo a potencializar o efeito terapêutico. O calcipotriol tende a ser bem tolerado e os pacientes, geralmente, notam melhorias na pele dentro de algumas semanas, devendo ser mantida a avaliação contínua pela equipe médica. Como efeitos adversos, destacam-se eritema, ressecamento da pele, prurido e ardor, de caráter geralmente leves e transitórios.
 • Emolientes: São amplamente prescritos. Agem de modo a hidratar e suavizar a pele, reduzindo fissuras, prurido e irritação. Formam uma camada protetora na superfície da pele,ajudando a reter a umidade e a restaurar a barreira cutânea. Podem ser usados como parte de uma rotina de cuidados com a pele e devem ser aplicados regularmente, especialmente após o banho ou a condições que possam ressecar a pele. Seu uso é frequentemente combinado com outras terapias tópicas, como corticóides ou análogos de vitamina D, para reduzir os efeitos colaterais desses medicamentos, como o ressecamento da pele. 
•Ceratolíticos: Atuam removendo o excesso de camadas da pele e promovendo sua renovação, por meio da quebra das ligações entre as células mortas da pele. Dentre os ceratolíticos, destacam-se o ácido salicílico e a ureia. O ácido salicílico (mais utilizado) pode ser aplicado em áreas de pele mais espessa, como palmas e couro cabeludo, devendo ser evitadas as genitais, as membranas mucosas e os olhos. É encontrado em formulações como cremes, loções ou shampoos. Seu uso deve ser cauteloso, uma vez que, em casos raros, pode levar ao salicismo. O salicismo é a toxicidade pelo excesso de salicilato no organismo, podendo ser causado se o medicamento é aplicado em áreas extensas e em doses elevadas. Já a uréia é um agente hidratante que pode potencializar a penetração de corticoides e diminuir a perda de água transdérmica. A hidratação da pele propiciada contribui para a redução da secura e do prurido.• Antralina: Derivado sintético da crisarobina, obtida da araroba, uma árvore encontrada na América do Sul. Ela possui propriedades antiinflamatórias, anti proliferativas e queratolíticas, atuando de forma a diminuir a inflamação e a reduzir a hiperproliferação celular, o que leva a uma redução na espessura das placas da psoríase. É importante destacar que a antralina pode causar irritação na pele e seu uso na psoríase é restrito atualmente, podendo ser utilizada em baixas (0,1 a 0,5%) ou altas concentrações (1 a 3%) em aplicações de 15 a 30 minutos, devendo ser supervisionado por um médico. Em geral, é reservada para casos de psoríase mais graves ou resistentes a outros tratamentos tópicos, e pode ser combinada com outras terapias tópicas, como corticoides.
 • Inibidores de calcineurina: 
Esses inibidores, como o tacrolimo (em pomada a 0,03% e 0,1%- para maiores de dois e dezesseis anos, respectivamente) e pimecrolimo (em creme a 1%- aprovado para maiores de três meses de idade) são de uso off label na psoríase vulgar. Esses medicamentos funcionam bloqueando a atividade da calcineurina, uma enzima envolvida na resposta imune e na inflamação. Ao realizar a inibição, é reduzida a produção de citocinas pró-inflamatórias e a ativação dos linfócitos T, que desempenham um papel importante na patogênese da psoríase. Pode causar sensação de queimaçãomais comum com o tacrolimo- e, logo, seu uso deve ser supervisionado e limitado a curtos períodos de tempo, conforme necessário para controlar os sintomas da psoríase vulgar. 
Fototerapia 
A fototerapia é um tratamento médico realizado por meio da exposição controlada à luz ultravioleta para reduzir a inflamação, descamação e o prurido da psoríase vulgar, ajudando a reter a umidade e a restaurar a barreira cutânea. Podem ser usados como parte de uma rotina de cuidados com a pele e devem ser aplicados regularmente, especialmente após o banho ou a condições que possam ressecar a pele. Seu uso é frequentemente combinado com outras terapias tópicas, como corticóides ou análogos de vitamina D, para reduzir os efeitos colaterais desses medicamentos, como o ressecamento da pele.
 •Ceratolíticos: Atuam removendo o excesso de camadas da pele e promovendo sua renovação, por meio da quebra das ligações entre as células mortas da pele. Dentre os ceratolíticos, destacam-se o ácido salicílico e a ureia. O ácido salicílico (mais utilizado) pode ser aplicado em áreas de pele mais espessa, como palmas e couro cabeludo, devendo ser evitadas as genitais, as membranas mucosas e os olhos. É encontrado em formulações como cremes, loções ou shampoos. Seu uso deve ser cauteloso, uma vez que, em casos raros, pode levar ao salicismo. O salicismo é a toxicidade pelo excesso de salicilato no organismo, podendo ser causado se o medicamento é aplicado em áreas extensas e em doses elevadas. Já a uréia é um agente hidratante que pode potencializar a penetração de corticoides e diminuir a perda de água transdérmica. A hidratação da pele propiciada contribui para a redução da secura e do prurido. 
• Antralina: Derivado sintético da crisarobina, obtida da araroba, uma árvore encontrada na América do Sul. Ela possui propriedades antiinflamatórias, anti proliferativas e queratolíticas, atuando de forma a diminuir a inflamação e a reduzir a hiperproliferação celular, o que leva a uma redução na espessura das placas da psoríase. É importante destacar que a antralina pode causar irritação na pele e seu uso na psoríase é restrito atualmente, podendo ser utilizada em baixas (0,1 a 0,5%) ou altas concentrações (1 a 3%) em aplicações de 15 a 30 minutos, devendo ser supervisionado por um médico. Em geral, é reservada para casos de psoríase mais graves ou resistentes a outros tratamentos tópicos, e pode ser combinada com outras terapias tópicas, como corticoides. • Inibidores de calcineurina: Esses inibidores, como o tacrolimo (em pomada a 0,03% e 0,1%- para maiores de dois e dezesseis anos, respectivamente) e pimecrolimo (em creme a 1%- aprovado para maiores de três meses de idade) são de uso off label na psoríase vulgar. Esses medicamentos funcionam bloqueando a atividade da calcineurina, uma enzima envolvida na resposta imune e na inflamação. Ao realizar a inibição, é reduzida a produção de citocinas pró-inflamatórias e a ativação dos linfócitos T, que desempenham um papel importante na patogênese da psoríase. Pode causar sensação de queimaçãomais comum com o tacrolimo- e, logo, seu uso deve ser supervisionado e limitado a curtos períodos de tempo, conforme necessário para controlar os sintomas da psoríase vulgar. 
 Existem duas formas principais de fototerapia para essa patologia: terapia com radiação ultravioleta B de banda estreita (UVBnb) e a terapia com a radiação ultravioleta A (UVA) em combinação com o psoraleno (PUVA). Esse tratamento pode ser realizado isoladamente ou combinado com outras terapêuticas, como calcipotriol (com PUVA ou UVBnb) e a Antralina (UVBnb). 
• PUVA: É administrado o psoraleno antes da exposição ao Sol, que é um medicamento sensibilizador à luz ultravioleta, tornando a pele mais receptiva aos efeitos terapêuticos da radiação. A administração do psoraleno pode ser tópica ou sistêmica, a depender do caso clínico do paciente. Na administração sistêmica do medicamento, é realizada a ingestão na forma de comprimidos ou cápsulas. O fármaco, desse modo, pode ser distribuído por todo o corpo, tornando sensível à UVA. Na administração tópica do medicamento, é realizada a aplicação diretamente na pele na forma de pomada, loção ou gel, gerando uma sensibilidade local à UVA. Após a ação do psoraleno- sistêmica ou tópica- o paciente é exposto à radiação, a qual penetra na pele e suprime a resposta imunológica hiperativa. O tempo de incidência depende da resposta individual do paciente e da gravidade da condição. Geralmente, são realizadas sessões de uma a duas vezes na semana, em uma duração que pode variar em minutos. A sensibilidade da pele, a intensidade da fonte de luz e a condição clínica devem ser cautelosamente avaliadas, e a frequência de sessões podem ser ajustadas conforme evolução do caso. Dentre os efeitos terapêuticos adversos, especialmente quando o tratamento não é realizado corretamente, incluem-se: queimaduras solares, foto envelhecimento (rugas, manchas senis), desenvolvimento de câncer de pele, náuseas e vômitos, fototoxicidade (reações fototóxicas graves, como erupções cutâneas e queimaduras graves) e hiperpigmentação (como melanoníquia). • UVB: Dentre os tipos de luz UVB, a majoritariamente utilizada para tratamento da psoríase vulgar é a UVB de banda estreita (UVBnb), realizada em uma faixa específica de comprimento de onda: 311-313 nm. É a mais comumente administrada em razão de ser considerada mais segura e eficaz pelo seu espectro restrito, com menor risco de efeitos adversos. Nesse caso, uma fonte de luz é colocada em direção às áreas da pele afetadas pela doença, em uma quantidade de 2 a 3 sessões semanais e em uma duração de segundos a alguns minutos (de acordo com a condição do paciente), devendo ser gradualmente aumentados devido ao grande potencial de penetração dessa radiação. Os efeitos adversos incluem queimaduras solares, ressecamento da pele (pode ser aliviado com o uso de hidratantes emolientes), eritema, prurido, agravamento temporário da psoríase (flare-up) e fotoenvelhecimento. Os pacientes possuem risco semelhante à população geral para câncer de pele não-melanoma. 
Medicamentos Sistêmicos 
Os tratamentos sistêmicos são aqueles que afetam o organismo como um todo, diferentemente dos tópicos, que agem diretamente sobre a pele. Eles costumam ser prescritos em casos mais avançados de psoriase vulgar, como um reforço ao tratamento tópico.
 Exemplos desses medicamentos:
 Metotrexato - age inibindo a proliferação celular, o que inclui células do sistema imunológico. Isso resulta em uma diminuição da atividade imunológica, a qual se encontra hiperativa na psoríase vulgar. A sua ação anti-inflamatória e imunorreguladora favorece o controle da doença.Possui meia-vida de 3-10h e, na circulação, cerca de 50% está ligado a proteínas. Pode ser administrado via intravenosa, via intramuscular, via subcutânea e via oral (mais comum). Os efeitos adversos incluem intolerância gastrointestinal, hepatotoxicidade, supressão da medula óssea e aumento do risco de infecções (devido à ação imunossupressora). É contraindicado durante o aleitamento materno, em razão de parte do metotrexato ser eliminado no leite.
 Ciclosporina- é um imunossupressor que age, principalmente, inibindo a atividade dos linfócitos T. É reservado para uso em psoríase de placas moderada a grave com falha terapêutica em, ao menos, uma terapia sistêmica (como metotrexato, fototerapia). Deve ser utilizada por um período curto período (8-16 semanas), com redução da dose e substituição por outra terapia sistêmica. O medicamento está disponível em forma de cápsulas e é administrado por via oral. Dentre os efeitos adversos, destacamse danos renais, aumento da pressão arterial e aumento do risco de infecções. Visto esses efeitos, a ciclosporina não deve ser usada em pacientes com insuficiência renal grave, hipertensão não controlada, infecções não tratadas ou doenças autoimunes.
 Acitretina - medicamento oral que pertence à classe dos retinoides (retinoide sintético de segunda geração), derivados da vitamina A. Como funções, reduz a proliferação, aumenta a diferenciação do queratinócito, inibe a quimiotaxia de neutrófilos para a epiderme, dentre outros aspectos que culminam na normalização do crescimento celular e na redução da inflamação. Apesar da mínima excreção no leite materno, é contraindicado o aleitamento concomitante ao uso da acitretina. Os efeitos colaterais incluem ressecamento de pele e mucosas, dores articulares e musculares, graves formações congênitas no feto (como anormalidade dos membros, meningomielocele, sinostose múltipla) - contraindicado para gestantes. 
Imunobiológicos - agem predominantemente inibindo o TNF-alfa (fator de necrose tumoral), que é uma citocina envolvida na resposta inflamatória do sistema imunológico. Nesse sentido, bloquear essa substância contribui para reduzir a inflamação e os sintomas associados à psoríase vulgar. Alguns exemplos: infliximabe, etanercepte, adalimumabe, certolizumabe. São normalmente administrados por infusão (via intravenosa) ou via subcutânea. Como reações infusionais agudas comuns, temos náuseas, vômitos, cefaleia, estado confusional, dispneia, aumento da pressão arterial, palpitações, urticária, prurido e eritema no local da administração, dentre outros. Nem todos os pacientes apresentaram essas reações e a gravidade varia conforme o caso clínico. 
A fototerapia é um tratamento médico realizado por meio da exposição controlada à luz ultravioleta para reduzir a inflamação, descamação e o prurido da psoríase vulgar,ajudando a reter a umidade e a restaurar a barreira cutânea. Podem ser usados como parte de uma rotina de cuidados com a pele e devem ser aplicados regularmente, especialmente após o banho ou a condições que possam ressecar a pele. Seu uso é frequentemente combinado com outras terapias tópicas, como corticóides ou análogos de vitamina D, para reduzir os efeitos colaterais desses medicamentos, como o ressecamento da pele. •Ceratolíticos: Atuam removendo o excesso de camadas da pele e promovendo sua renovação, por meio da quebra das ligações entre as células mortas da pele. Dentre os ceratolíticos, destacam-se o ácido salicílico e a ureia. O ácido salicílico (mais utilizado) pode ser aplicado em áreas de pele mais espessa, como palmas e couro cabeludo, devendo ser evitadas as genitais, as membranas mucosas e os olhos. É encontrado em formulações como cremes, loções ou shampoos. Seu uso deve ser cauteloso, uma vez que, em casos raros, pode levar ao salicismo. O salicismo é a toxicidade pelo excesso de salicilato no organismo, podendo ser causado se o medicamento é aplicado em áreas extensas e em doses elevadas. Já a uréia é um agente hidratante que pode potencializar a penetração de corticoides e diminuir a perda de água transdérmica. A hidratação da pele propiciada contribui para a redução da secura e do prurido. • Antralina: Derivado sintético da crisarobina, obtida da araroba, uma árvore encontrada na América do Sul. Ela possui propriedades antiinflamatórias, anti proliferativas e queratolíticas, atuando de forma a diminuir a inflamação e a reduzir a hiperproliferação celular, o que leva a uma redução na espessura das placas da psoríase. É importante destacar que a antralina pode causar irritação na pele e seu uso na psoríase é restrito atualmente, podendo ser utilizada em baixas (0,1 a 0,5%) ou altas concentrações (1 a 3%) em aplicações de 15 a 30 minutos, devendo ser supervisionado por um médico. Em geral, é reservada para casos de psoríase mais graves ou resistentes a outros tratamentos tópicos, e pode ser combinada com outras terapias tópicas, como corticoides. • Inibidores de calcineurina: Esses inibidores, como o tacrolimo (em pomada a 0,03% e 0,1%- para maiores de dois e dezesseis anos, respectivamente) e pimecrolimo (em creme a 1%- aprovado para maiores de três meses de idade) são de uso off label na psoríase vulgar. Esses medicamentos funcionam bloqueando a atividade da calcineurina, uma enzima envolvida na resposta imune e na inflamação. Ao realizar a inibição, é reduzida a produção de citocinas pró-inflamatórias e a ativação dos linfócitos T, que desempenham um papel importante na patogênese da psoríase. Pode causar sensação de queimaçãomais comum com o tacrolimo- e, logo, seu uso deve ser supervisionado e limitado a curtos períodos de tempo, conforme necessário para controlar os sintomas da psoríase vulgar. 
Existem duas formas principais de fototerapia para essa patologia: terapia com radiação ultravioleta B de banda estreita (UVBnb) e a terapia com a radiação ultravioleta A (UVA) em combinação com o psoraleno (PUVA). Esse tratamento pode ser realizado isoladamente ou combinado com outras terapêuticas, como calcipotriol (com PUVA ou UVBnb) e a Antralina (UVBnb). • PUVA: É administrado o psoraleno antes da exposição ao Sol, que é um medicamento sensibilizador à luz ultravioleta, tornando a pele mais receptiva aos efeitos terapêuticos da radiação. A administração do psoraleno pode ser tópica ou sistêmica, a depender do caso clínico do paciente. Na administração sistêmica do medicamento, é realizada a ingestão na forma de comprimidos ou cápsulas. O fármaco, desse modo, pode ser distribuído por todo o corpo, tornando sensível à UVA. Na administração tópica do medicamento, é realizada a aplicação diretamente na pele na forma de pomada, loção ou gel, gerando uma sensibilidade local à UVA. Após a ação do psoraleno- sistêmica ou tópica- o paciente é exposto à radiação, a qual penetra na pele e suprime a resposta imunológica hiperativa. O tempo de incidência depende da resposta individual do paciente e da gravidade da condição. Geralmente, são realizadas sessões de uma a duas vezes na semana, em uma duração que pode variar em minutos. A sensibilidade da pele, a intensidade da fonte de luz e a condição clínica devem ser cautelosamente avaliadas, e a frequência de sessões podem ser ajustadas conforme evolução do caso. Dentre os efeitos terapêuticos adversos, especialmente quando o tratamento não é realizado corretamente, incluem-se: queimaduras solares, fotoenvelhecimento (rugas, manchas senis), desenvolvimento de câncer de pele, náuseas e vômitos, fototoxicidade (reações fototóxicas graves, como erupções cutâneas e queimaduras graves) e hiperpigmentação (como melanoníquia). • UVB: Dentre os tipos de luz UVB, a majoritariamente utilizada para tratamento da psoríase vulgar é a UVB de banda estreita (UVBnb), realizada em uma faixa específica de comprimento de onda: 311-313 nm. É a mais comumente administrada em razão de ser considerada mais segura e eficaz pelo seu espectro restrito, com menor risco de efeitos adversos. Nesse caso, uma fonte de luz é colocada em direção às áreas da pele afetadas pela doença, em uma quantidadede 2 a 3 sessões semanais e em uma duração de segundos a alguns minutos (de acordo com a condição do paciente), devendo ser gradualmente aumentados devido ao grande potencial de penetração dessa radiação. Os efeitos adversos incluem queimaduras solares, ressecamento da pele (pode ser aliviado com o uso de hidratantes emolientes), eritema, prurido, agravamento temporário da psoríase (flare-up) e fotoenvelhecimento. Os pacientes possuem risco semelhante à população geral para câncer de pele não-melanoma. Medicamentos Sistêmicos Os tratamentos sistêmicos são aqueles que afetam o organismo como um todo, diferentemente dos tópicos, que agem diretamente sobre a pele. Eles costumam ser prescritos em casos mais avançados de psoriase vulgar, como um reforço ao tratamento tópico. Exemplos desses medicamentos: Metotrexato - age inibindo a proliferação celular, o que inclui células do sistema imunológico. Isso resulta em uma diminuição da atividade imunológica, a qual se encontra hiperativa na psoríase vulgar. A sua ação anti-inflamatória e imunorreguladora favorece o controle da doença. Possui meia-vida de 3-10h e, na circulação, cerca de 50% está ligado a proteínas. Pode ser administrado via intravenosa, via intramuscular, via subcutânea e via oral (mais comum). Os efeitos adversos incluem intolerância gastrointestinal, hepatotoxicidade, supressão da medula óssea e aumento do risco de infecções (devido à ação imunossupressora). É contraindicado durante o aleitamento materno, em razão de parte do metotrexato ser eliminado no leite. Ciclosporina- é um imunossupressor que age, principalmente, inibindo a atividade dos linfócitos T. É reservado para uso em psoríase de placas moderada a grave com falha terapêutica em, ao menos, uma terapia sistêmica (como metotrexato, fototerapia). Deve ser utilizada por um período curto período (8-16 semanas), com redução da dose e substituição por outra terapia sistêmica. O medicamento está disponível em forma de cápsulas e é administrado por via oral. Dentre os efeitos adversos, destacamse danos renais, aumento da pressão arterial e aumento do risco de infecções. Visto esses efeitos, a ciclosporina não deve ser usada em pacientes com insuficiência renal grave, hipertensão não controlada, infecções não tratadas ou doenças autoimunes. Acitretina - medicamento oral que pertence à classe dos retinoides (retinoide sintético de segunda geração), derivados da vitamina A. Como funções, reduz a proliferação, aumenta a diferenciação do queratinócito, inibe a quimiotaxia de neutrófilos para a epiderme, dentre outros aspectos que culminam na normalização do crescimento celular e na redução da inflamação. Apesar da mínima excreção no leite materno, é contraindicado o aleitamento concomitante ao uso da acitretina. Os efeitos colaterais incluem ressecamento de pele e mucosas, dores articulares e musculares, graves formações congênitas no feto (como anormalidade dos membros, meningomielocele, sinostose múltipla) - contraindicado para gestantes. Imunobiológicos - agem predominantemente inibindo o TNF-alfa (fator de necrose tumoral), que é uma citocina envolvida na resposta inflamatória do sistema imunológico. Nesse sentido, bloquear essa substância contribui para reduzir a inflamação e os sintomas associados à psoríase vulgar. Alguns exemplos: infliximabe, etanercepte, adalimumabe, certolizumabe. São normalmente administrados por infusão (via intravenosa) ou via subcutânea. Como reações infusionais agudas comuns, temos náuseas, vômitos, cefaleia, estado confusional, dispneia, aumento da pressão arterial, palpitações, urticária, prurido e eritema no local da administração, dentre outros. Nem todos os pacientes apresentaram essas reações e a gravidade varia conforme o caso clínico.
VII- CONCLUSÃO
A psoríase é concluída como uma doença crônica, autoimune e não contagiosa, marcada por inflamação sistêmica que gera manchas avermelhadas e escamas, afetando a pele, unhas e articulações. Não tem cura, mas possui tratamentos eficazes que controlam a reincidência e melhoram a qualidade de vida, sendo o estresse um fator agravante comum. 
Aqui estão as principais conclusões sobre a psoríase:
· Natureza da Doença: É um processo inflamatório crônico, muitas vezes hereditário, onde o sistema imunológico faz as células da pele se multiplicarem muito rápido.
· Tratamento e Controle: Não tem cura, mas tem tratamento, incluindo cremes, banhos de luz (fototerapia) e medicamentos orais/injetáveis para casos graves. O controle precoce é fundamental.
· Não é Contagiosa: O estigma é alto, mas a psoríase não é transmitida por contato físico.
· Sintomas Comuns: Manchas vermelhas com escamas esbranquiçadas (vulgar), acometimento do couro cabeludo, unhas e dobras (invertida).
· Impacto Sistêmico: Pode estar associada à artrite psoriásica (dor/rigidez nas articulações) e maior risco de problemas cardiovasculares, como infarto.
· Fatores de Piora: Estresse, infecções, traumas na pele e clima frio podem desencadear ou agravar os sintomas. 
Conclui-se que, embora existam muitos trabalhos e pesquisas visando esclarecer a fisiopatologia da psoríase, é necessário destacar a persistência de diversas lacunas em seus mecanismos, que comprometem o entendimento e a abordagem da doença na clínica. Além disso, é evidente a urgência de se intervir sobre o estigma social que sustenta a discriminação de pacientes com psoríase na comunidade, de modo a evitar seu isolamento social. Assim, busca-se mitigar os efeitos negativos explícitos que a patologia promove sobre a saúde mental dos portadores, promovendo melhor qualidade de vida e integração social. Apesar da pluralidade de tratamentos existentes, entre 31-70% dos pacientes não se encontram satisfeitos com suas terapias. Logo, percebe-se a necessidade de uma maior atenção ao desenvolvimento de novos medicamentos, que causem menor toxicidade e efeitos adversos no organismo e que permitam uma eficácia a longo prazo (menor atividade da doença por mais tempo).
 BIBLIOGRAFIA
ABBAS, A.K.; LICHTMAN, A.H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 8ᵃ Edição. Rio de Janeiro, Elsevier, 2015. 
CASTILHO, A.C.S. et al. Fisiopatologia da psoríase e seus aspectos imunológicos: uma revisão sistemática. Research, Society and Development, v. 10, n. 11, e256101119346, 2021.
 OLIVIER, C. et al. The risk of depression, anxiety, and suicidality in patients with psoriasis: A population-based cohort study. Archives of dermatology, v. 146, n. 8, p. 891, 2010. 
PALMA, S. et al. Consenso Brasileiro de Psoríase de 2020 - Algoritmo de Tratamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 3° edição. Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2020. SBD. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Psoríase. Disponível em: . Acesso em: 6 mar. 2024. 
SILVA, K.S. et al. Psoríase e sua relação com aspectos psicológicos, stress e eventos da vida. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 24, n. 2, p. 257–266, 2007. SILVEIRA, M.E.B. et al. Perfil Epidemiológico e qualidade de vida na psoríase. Revista Sociedade Brasileira de línica Médica. 15(4):246-51, 2017
soriasis_MayoClinic (v1.0) [Internet]. (Acedido em agosto de 2022) Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/psoriasis/symptoms-causes/syc-20355840.
3. Raychaudhuri S, Maverakis E, Raychaudhuri S, Diagnosis and Classification of Psoriasis. Autoimmun. Rev. 2014; 13 (4-5), 490–495.
Van Ee I, Deprez E, Egeberg A, Augustin M, Conrad C, Corazza V, et al. Freedom from disease in psoriasis: a Delphi consensus definition by patients, nurses and physicians. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2021; DOI:10.1111/jdv.17829.Atualizado em novembro de 2024 | C-491049
FERREIRA, I.I.B. et al. Plantas e produtos vegetais no trata-mento da psoríase. Dissertação (Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas) -Universidade de Lisboa, Porto, Portugal, 2019.
LEBWOHL M. Psoriasis. Annals of Internal Medicine, v. 168, n.7, p.49-64, 2018.
LIMA, E.A. et al. Imunopatogênese da psoríase: revisando conceitos. Anais Brasileiros de Dermatologia, v.86, n.6,p.1151–1158, 2011.
www.gov.brhttps://www.gov.br - protocolos › resumidos › 2...
Biblioteca Virtual em Saúdehttps://bvsms.saude.gov.br › 
Johnson & Johnsonhttps://www.jnj.com › psoriase

Mais conteúdos dessa disciplina