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Afecções inflamatórias ERUPÇÕES ERITÊMATO-ESCAMOSAS Psoríase Dermatose inflamatória crônica (não tem cura, e sim controle) e proliferativa · As células da epiderme estão em crescimento maior que o normal #não é uma doença autoimune Passa por fases de remissão e exacerbação, as lesões podendo por vezes desaparecer por completo durante muito tempo e então reaparecer Compromete pele e articulações, sendo o comprometimento articular indicativo da necessidade de terapia sistêmica Multifatorial, de etiopatogenia não esclarecida Maior velocidade do ciclo evolutivo dos queratinócitos (turn-over7x maior nas lesões) · Essa velocidade do ciclo causa o aparecimento de escamas A lesão clássica da psoríase é a placa eritemato-descamativa, bem delimitada Epidemiologia Distribuição universal (prevalência média = 1,31%) – 18,2% formas moderada a grave · Psoríase leve é tratada pelo médico generalista (quase 80%) Rara em negros e asiáticos Acomete os sexos igualmente Mais frequente na terceira década/ rara na infância, mas pode ocorrer Há dois picos de incidência 1. Antes dos 40 anos (entre 16 e 22 anos) 2. Após os 40 anos (entre 57 e 60 anos) Pior prognóstico — início precoce e parente de 1º grau afetado Tipos de psoríase de acordo com o início bimodal: 1. Psoríase tipo 1 — início precoce, hereditária, associada HLA (antígeno leucocitário humano), de maior gravidade 2. Psoríase tipo 2 — mais tardia, esporádica, sem relação com HLA, com quadro mais leve Fisiopatogenia A psoríase é uma doença inflamatória mediada pelo linfócito T, através da resposta Th1 · Linfócitos T CD4 da derme e da membrana sinovial ativados · TNF—α (principal via do processo inflamatório) · INF—γ · TGF—α · IL—8 · Depósito de Ac e de frações de complemento · Aumento de IGA e IgG · Aumento de complexos imunes circulantes · Aumento de proteína C reativa O resultado turn-over acelerado por parte dos ceratinócitos, com produção de escamas pela imaturidade das mesmas Também está relacionada com fatores como a imunidade inata e a resposta Th17 Genética e Epigenética: + de 30 genes relacionados · Deflagladores: tabagismo, obesidade, infecções, álcool, drogas (lítio, betabloqueadores, antimaláricos) Psoríase vulgar Padrões de apresentação na pele · Psoríase em placas (psoríase vulgar) · Psoríase gutata (eruptiva) · Psoríase em pequenas placas · Psoríase invertida- · Psoríase pustulosa · Psoríase eritrodérmica Psoríase em placas · Mais comum (90%) · 80% - acometimento do couro cabeludo · Geralmente monomórfica (placas bem semelhantes) · Distribuição simétrica · Comum prurido e queimação · Artrite (40%) · Halo de Woronoff (halo esbranquiçado ao redor da lesão) · Curetagem metódica de Brocq — sinal da vela (estratificação em escamas) e de Auspitz (pequenos pontos hemorrágicos) #Sinal de vela => diagnóstico de psoriase · Psoríase ostrácea — placas com descamação tão exacerbada que forma crostas muito espessas e aderidas · Quadro pode ser exacerbado por associação a doenças como HIV · Diagnóstico diferencial = dermatite de contato Psoríase gutata · 7% · Crianças, adolescentes e adultos jovens · Quadro caracterizado pelo surgimento súbito de várias lesões, também conhecida como forma eruptiva · Lesões pequenas e disseminadas (2mm a 1cm) · Episódios agudos pós infecção estreptocócica, aliado à história familiar de psoríase em placas · Sobretudo tronco e região proximal dos MM · Bom prognóstico — resolução em 2 a 3 meses (doença se torna “dormente”) · 1/3 dos casos evolui para forma crônica (em placas) Psoríase em pequenas placas: · Semelhante à forma gutata · Surgimento lento e crônico · Ocorre geralmente em indivíduos mais velhos Psoríase invertida · As lesões aparecem nas grandes dobras do corpo (apresentação incomum) · Descamação mínima ou ausente, com bordas bem definidas · Causa redução da sudorese na área afetada · Crianças, obesos e pacientes HIV+ · Pode surgir após intertrigo (infecção que ocorre pelo atrito da pele, em que há proliferação de bactérias e fungos dermatófitos) · Diagnóstico difícil e tardio · Diagnóstico diferencial de cândida Psoríase pustulosa · Três subtipos: 1. Tipo Von Zumbusch - Forma generalizada · Lesões eritemato-edematosas, com discreta descamação · Presença de pústulas estéreis (sem infecção) · Febre, comprometimento do estado geral e leucocitose · Interrupção de corticoide oral, hipocalcemia, infecções ou irritação local · Curta duração, evoluindo para eritrodermia ou revertendo ao quadro anterior 2. Forma localizada (divide-se em 3 formas) I. Lesão única ou algumas II. Acrodermatite contínua de Hallopeau - lesões em extremidades dos dedos das mãos e pés III. Pustulose palmoplantar — eritema descamação e pústulas, geralmente simétricas e bilaterais nas palmas e/ou cavos plantares 3. Imperigo Herpetiforme - Psoríase pustulosa generalizada que ocorre na gravidez Psoríase eritrodérmica ( 40 anos são 2x vezes mais acometidas que pessoas com menos de 20 anos · Sem predileção por sexo · Instalação precoce e familiar — maior gravidade · Lesões variáveis — pittings (pontinhos avermelhados), onicólise, onicorrexe, ceratose subungueal, “mancha de óleo” (manchas amareladas) Psoríase na infância · 1/3 dos casos de psoríase inicia antes dos 20 anos · Comum a ocorrência de pittings ungueais · Apresentação mais rara na população pediátrica, mas a forma congênita existe · Características especiais: · Maior comprometimento facial (periorificial) · Áreas de dobra (psoríase invertida) e psoríase “das fraldas” · Lesões úmidas com pouca descamação Fatores modificadores da doença · Traumas · Infecções · Hábitos de vida · Medicações Influência do ambiente e dos hábitos Traumas — Fenômeno de Koebner · Surgimento de lesões em áreas de trauma · Geralmente entre 7 a 14 dias após trauma · Mais frequente na psoríase grave e em expansão · Marcador de psoríase de instalação precoce e resistente · Koebner reverso — trauma em áreas de lesão evoluindo com cura da mesma Infecções · Infecção estreptocócica de orofaringe — psoríase gutata · Colonização estreptocócica — psoríase em placas refratária · HIV — aumento da atividade da doença, não da prevalência, ocorrendo piora com a progressão da doença e remissão na fase terminal Hábitos de vida · Fatores psicogênicos e emocionais · Álcool e fumo · Obesidade e síndrome metabólica · Fatores hormonais · Gravidez · Exposição à radiação solar — promove melhora das lesões Medicações que exacerbam a psoríase · Betabloqueadores (principalmente cloroquina) · Antimaláricos · Lítio · AINH (cousticina) · Corticoterapia sistêmica · Inibidores da ECA Tratamento · Orientações e esclarecimentos · Ocorre melhora clínica e não cura · Tratamento individualizado e rotacional · Varia de acordo com a forma clínica e a gravidade do comprometimento · Localizadas — tratamento tópico · Generalizadas, graves e refratárias — tratamento sistêmico + tratamento tópico · Gravidade da doença · Comprometimento de mais de 40% da superficie corporal · Acometimento de áreas nobres (face/palmas e plantas/genital e perineal/couro cabeludo) – PASI, BSA, DLQI · Comprometimento extracutâneo (Artrite Psoriásica) · Comprometimento da qualidade de vida - DLQI · Hidratação: Tópicos ceratolíticos, emolientes ou umectantes são sempre incluídos em qualquer programa terapêutico (em alternânciacom produtos ativos, coadjuvante e nas fases assintomáticas) · Ceratolíticos/hidratantes: · Ácido salicílico 3 a 6% (vaselina, cold cream, loção capilar) · Ureia 5 a 20% (creme, pomada ou loção) · Lactato de amônio 12% (loção ou creme) · Ceramidas (loção ou creme) · Silicone (loção ou creme) · Outros: águas termais e óleo mineral · Corticoides Tópicos · Propionato de clobetasol a 0,05% e dipropionato de betametasona 0,05% · A utilização não deve ultrapassar: · 2 a 3 semanas para os de alta potência (clobetasol/halobetasol) · 4 semanas para os de média potência (betametasona/mometasona) · 3 meses para os de baixa potência (daxametasona/hidrocortisona) · Após a melhor clínica, deve-se tentar a substituição por corticosteroides de menor potência, explicitando no receituário o tempo adequado de uso · Respostas aos corticosteroides tópicos variam conforme a forma clínica · Resposta alta na psoríase invertida · Resposta moderada na psoríase do corpo · Resposta discreta na palmoplantar e ungueal · Taquifilaxia — importante realizar a rotação dos corticoides para evitar que o paciente crie resistência · Outras modalidades terapêuticas: Imagem setas Dermatite Seborreica Dermatose eczematosa crônica e recidivante Lesões morfologicamente variáveis Distribuição por áreas típicas (áreas seborreicas) · Região centro facial, couro cabeludo e tronco superior Epidemiologia Alta prevalência (3 a 5%) Sem predileção racial ou por faixa etária Mais comum em homens Condições sistêmicas associadas: · HIV (85%) · Doenças neurológicas (Parkinson e epilepsia) · Alcoolismo e tabagismo · Doença inflamatória intestinal (má absorção) · Obesidade (má alimentação) · Higiene precária · Hospitalização Manifestações Clínicas · Há dois picos de incidência, com duas apresentações distintas: · Infância — 3 meses de vida · Adulto — quarta e sétima décadas de vida Dermatite seborreica da infância · Surgimento precoce · Base eritematosa com escamas gordurosas, amareladas, aderentes (crosta láctea) · Áreas mais afetadas — face, couro cabeludo, região cervical, tronco superior e área de dobras · Infecção secundária: S. aureus e Candida albicans · Prurido variável (discreto) · 2º semana ao 6º mês de vida (mas geralmente não ultrapassa os 3 primeiros meses) · Alta associação com os fatores hormonais da mãe Dermatite seborreica do adulto · Lesões eritemato-escamosas mal delimitadas · Distribuição típica · Pitiríase esteatoide (descamação do couro cabeludo) · Períodos de exacerbação · Calor, sudorese, fricção, estresse emocional, álcool, alimentos condimentados e hipercalóricos, infecções secundárias Seborríase · Forma do adulto · Sobreposição da dermatite seborreica com a psoríase · Placas eritemato-escamosas infiltradas em áreas seborreicas · Ausência de lesões típicas da psoríase Pitiríase amiantácea · Escamas mais grossas e secas, prateadas e compactadas · Extensão para os cabelos · Pele sobrejacente normal · Qualquer faixa etária, mas principalmente crianças e jovens · Exacerbação de condição pré-existente · Recorrência frequente Tratamento · Crianças: · Remoção delicada das crostas (uso de óleos) · Limpeza com xampus próprios · Tratar infecção secundária · Corticoides e/ou antifúngicos tópicos (cetoconazol) · Adultos · Orientações ao paciente · Higiene, hidratação e fotoproteção adequadas · Corticoides e antifúngicos — 1ª linha · Imunomoduladores, metronidazol e calcipotriol — 2ª linha · Antifúngicos, retinoides sistêmicos e fototerapia — resgate image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.png image10.jpeg image11.png image12.jpeg image13.jpeg image14.png image15.jpeg image16.png image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg