Prévia do material em texto
Revisar a anatomia do aparelho genitourinário masculino:
URETERES
• Anatomia macroscópica: Os
ureteres são tubos delgados,
com aproximadamente 25 cm
de comprimento, que
transportam a urina dos rins
para a bexiga.
Cada ureter começa superiormente, no nível de L II, como uma
continuação da pelve renal. A partir daí, ele desce na posição retroperi-
toneal através do abdome, entra na pelve verdadeira ao cruzar a
cavidade pélvica na junção sacroilíaca, entra no ângulo posterolateral da
bexiga e depois segue medialmente dentro da parede posterior da
bexiga antes de se abrir para o interior. Essa entrada oblíqua na bexiga
evita o refluxo de urina para os ureteres, pois qualquer aumento de
pressão dentro da bexiga comprime a parede desse órgão, fechando
assim as extremidades distais dos ureteres.
Geovana Cavalcante - 7ºP - UNIVSF
• Anatomia microscópica: A estrutura histológica dos ureteres
tubulares é a mesma dos cálices renais e da pelve renal; as paredes
possuem três camadas básicas: mucosa, muscular e adventícia.
—A mucosa de revestimento é
composta por um epitélio
transicional, que estica quando os
ureteres se enchem de urina, e
uma lâmina própria, composta por
um tecido conjuntivo fibroelástico
contendo placas de tecido
linfático.
—A camada muscular
intermediária consiste em duas
camadas de músculo liso: uma
camada longitudinal interna e uma
camada circular externa. Uma
terceira camada muscular, a
camada longitudinal externa,
aparece no terço inferior do
ureter.
—A adventícia (externa) da parede do ureter é um tecido conjuntivo
típico.
Os ureteres desempenham um papel ativo no transporte da urina. A
distensão do ureter pela entrada da urina estimula sua musculatura a
contrair, estabelecendo ondas peristálticas que impelem a urina para a
bexiga. Isso significa que a urina não chega à bexiga apenas por
gravidade. Embora os ureteres sejam inervados por fibras nervosas
simpáticas e parassimpáticas, o controle neural da peristalse parece
insignificante comparado à resposta de estiramento local do músculo liso
ureteral.
BEXIGA URINÁRIA
• Anatomia macroscópica: A bexiga urinária, um reservatório (bolsa)
muscular dobrável que armazena e expele urina, situa-se abaixo da
cavidade peritoneal no assoalho pélvico, imediatamente posterior à
sínfise púbica. Nos homens, a bexiga situa-se na posição anterior ao
reto; nas mulheres, a bexiga localiza-se imediatamente anterior à vagina
e ao útero.
Uma bexiga cheia é aproximadamente esférica e expande-se
superiormente na cavidade abdominal; uma bexiga vazia, por outro
lado, situa-se inteiramente dentro da pelve. Quando cheia, a bexiga fica
firme e pode ser palpada através da parede anterior do abdome imedia-
tamente superior à sínfise púbica. Uma bexiga que pode ser palpada
mais de alguns centímetros acima da sínfise está perigosamente cheia de
urina e requer drenagem por cateterismo.
A bexiga vazia tem a forma de uma pirâmide de cabeça para baixo com
quatro superfícies triangulares e quatro cantos, ou ângulos. Os dois ân-
gulos posterolaterais recebem os ureteres. No ângulo anterior da bexiga
(ou ápice) há uma faixa fibrosa chamada úraco (“canal urinário do
feto”), o remanescente.
O ângulo inferior (colo) converge para a uretra. Nos homens, a
próstata, uma glândula do sistema genital, situa-se diretamente inferior à
bexiga, onde circunda a uretra.
No interior da bexiga, as aberturas dos ureteres e da uretra definem
uma região triangular na parede posterior chamada trígono. O trígono
tem uma importância clínica especial porque as infecções tendem a
persistir nessa região.
Vasos e nervos - As artérias que irrigam a bexiga são ramos das artérias
ilíacas internas, principalmente as artérias vesicais superiores e
inferiores. As veias que drenam a bexiga formam um plexo nas
superfícies inferior e posterior desse órgão cujo sangue drena nas veias
ilíacas internas. Os nervos que vão do plexo hipogástrico até a bexiga
consistem em fibras parassimpáticas provenientes dos nervos
esplâncnicos pélvicos, algumas fibras simpáticas oriundas dos nervos
esplâncnicos torácicos inferiores e lombares superiores e fibras sensitivas
viscerais.
• Anatomia microscópica: A parede da bexiga possui três camadas.
—Uma mucosa, com um epitélio transicional distensível e uma lâmina
própria, forma o revestimento interno da bexiga. O revestimento
mucoso contém pregas, ou rugas, que se achatam quando a bexiga
enche.
—Uma musculatura espessa, chamada músculo detrusor da bexiga
(“empurrar para fora”), forma a camada intermediária. Esse músculo
consiste em fibras musculares lisas altamente misturadas e em duas
camadas longitudinais (externa e interna) e uma circular (média). A
contração desse músculo espele a urina da bexiga durante a micção.
—Nas superfícies lateral e inferior, a camada mais externa é a adventícia.
A superfície superior da bexiga é coberta pelo peritônio parietal.
A grande capacidade de distensão da bexiga a torna unicamente
adequada para sua função de armazenar urina. Quando há pouca urina
dentro dela, a bexiga dobra-se em seu formato piramidal básico, suas
paredes espessam-se e sua mucosa enruga-se. No entanto, conforme a
urina acumula-se, as rugas aplainam e a parede da bexiga fica mais fina à
medida que estica, permitindo que o órgão armazene quantidades
maiores de urina sem elevar de modo significativo a pressão interna
(pelo menos até um acúmulo de 300 ml). Uma bexiga adulta cheia
abriga cerca de 500 ml de urina, 15 vezes o seu volume quando vazia.
URETRA
A uretra é um tubo de parede fina, que drena urina da bexiga e a
transporta para fora
do corpo. Esse tubo
consiste em músculo
liso e em uma
mucosa interna. Nos
homens, a camada
muscular fica muito
fina na extremidade
distal da uretra. O
epitélio de
revestimento muda
de epitélio
transicional próximo
à bexiga para um
epitélio colunar
estratificado e
pseudoestratificado na parte média da uretra (escasso nas mulheres) e
depois para um epitélio escamoso estratificado na sua extremidade final.
Na junção bexiga-uretra, um espessamento do detrusor forma o
esfíncter interno da uretra. Esse é um esfíncter involuntário de músculo
liso que mantém a uretra fechada quando a urina não está passando e
evita o seu gotejamento entre as micções. Um segundo esfíncter, o
esfíncter externo da uretra, circunda a uretra no interior da camada
muscular chamada diafragma urogenital. Esse esfíncter externo é um
músculo esquelético utilizado para inibir voluntariamente a micção. O
músculo levantador do ânus do diafragma da pelve também serve como
um constritor voluntário da uretra.
Nos homens, a uretra tem aproximadamente 20 cm de comprimento e
possui três regiões: a parte prostática da uretra, que tem
aproximadamente 2,5 cm de comprimento e passa pela próstata; a parte
intermédia da uretra, que ocupa aproximadamente 2,5 cm do diafragma
urogenital membranoso; e a parte esponjosa da uretra, que tem
aproximadamente 15 cm de comprimento, percorre pelo interior do
pênis e se abre na glande do pênis através do óstio externo da uretra. A
uretra masculina transporta para fora do corpo tanto o sêmen na
ejaculação, como a urina na micção, embora não simultaneamente.
TESTÍCULOS
Localização
O par de testículos ovais está situado no escroto, um saco de pele e
fáscia superficial localizado inferiormente e do lado de fora da cavidade
da pelve, próximo à raiz do pênis. O escroto é coberto por pelos
esparsos. Um septo na linha mediana divide o escroto em metades
direita e esquerda, proporcionando um compartimento para cada
testículo.
Além disso, o escroto responde às mudanças na temperatura externa.
Em condições de frio, os testículos são tracionados para cima na direção
da parede corporal aquecida e a pele escrotal se enruga para aumentar
sua espessura e diminuir a perda de calor. Essas ações são realizadas por
dois músculos no escroto:
—O músculo dartos (“com pele”), uma camada de músculo liso na
fáscia superficial,é responsável por enrugar a pele do escroto.
Como o espermatozoide
viável não pode ser
produzido na temperatura
central do corpo (37°C), a
posição superficial do es-
croto proporciona um
ambiente aproximadamente
3 °C mais frio, uma
adaptação essencial.
— Os músculos cremaster (“suspensórios”), faixas de músculo
esquelético que se estendem inferiormente a partir dos músculos
oblíquos internos do tronco, responsáveis por elevar os testículos. Em
condições de calor, esses músculos relaxam, então a pele do escroto fica
flácida e frouxa, e os testículos ficam pendentes para aumentar a
superfície de pele disponível para refrigerar (suar); isso também
movimenta os testículos para longe do tronco aquecido.
• Anatomia macroscópica: Cada testículo tem, em média, 2,5 cm de
largura e 4 cm de comprimento. Dentro do escroto, cada testículo é
posterior e parcialmente envolvido por um saco seroso chamado
túnica vaginal. Esse envoltório desenvolve-se como uma projeção da
cavidade peritoneal abdominal, que precede a descida dos testículos
para dentro do escroto. A túnica vaginal consiste em uma lâmina
parietal superficial, uma cavidade intermediária contendo fluido
seroso (uma reminiscência da cavidade peritoneal) e uma lâmina
visceral mais profunda que abraça a superfície do testículo. Desse
modo, embora os testículos tenham migrado para o escroto, eles
ainda são retroperitoneais. Profunda à lâmina visceral da túnica
vaginal situa-se a túnica albugínea, a cápsula fibrosa do testículo.
As extensões septais
da túnica albugínea
projetam-se para
dentro e dividem o
testículo em 250-
-300
compartimentos
cuneiformes
chamados lóbulos,
cada um deles
contendo de um a quatro túbulos seminíferos contorcidos
(“transportadores de espermatozoides”), as verdadeiras “fábricas de
espermatozoides”.
A maioria desses túbulos consiste em alças parecidas com grampos de
cabelo.
Posteriormente, os túbulos seminíferos contorcidos de cada lóbulo
convergem e formam um túbulo seminífero reto que transporta os
espermatozoides para a rede do testículo, uma rede complexa de
minúsculos tubos ramificados. A rede do testículo situa-se no mediastino
do testículo, uma região de tecido conjuntivo denso na parte posterior
do testículo. Partindo da rede do testículo, os espermatozoides saem do
testículo através de uma dúzia, aproximadamente, de dúctulos eferentes
que entram no epidídimo, uma estrutura em forma de vírgula que
abraça a superfície externa posterior do testículo.
Nervos e vasos Os testículos recebem sangue arterial das longas artérias
testiculares que se ramificam da aorta no abdome superior. As veias
testiculares, que seguem aproximadamente em paralelo com as artérias
testiculares na parede posterior do abdome, surgem de uma rede venosa
no escroto chamada plexo pampiniforme. As veias desse plexo, que
envolvem as artérias testiculares como trepadeiras, absorvem calor do
sangue arterial, refrigerando-o antes de entrar nos testículos e, assim,
mantendo os testículos frios. Esse mecanismo passivo de transferência
térmica é chamado troca de calor em contracorrente. Os testículos são
inervados pelas duas partes da divisão autônoma do sistema nervoso.
Os abundantes nervos sensitivos viscerais transmitem impulsos que
resultam em dor agonizante e nauseante quando os testículos são
golpeados vigorosamente.
Os vasos e nervos do testículo se estendem até o testículo
aproximadamente a partir do nível de L II na parede posterior do
abdome. No embrião, os testículos formam-se na região lombar superior
e, portanto, seus vasos provêm da parte abdominal da aorta ou
projetam-se na veia cava inferior antes de migrarem para o escroto.
EPIDÍDIMO
Os espermatozoides ainda não são plenamente funcionais quando saem
dos testículos. É no epidídimo (“ao lado do testículo”) que os
espermatozoides amadurecem. Ele é um órgão em forma de vírgula que
se arqueia sobre a face posterior e lateral do testículo.
A cabeça do epidídimo contém os dúctulos eferentes que desembocam
no ducto do epidídimo, um ducto altamente espiralado que completa a
cabeça e forma todo o corpo e cauda desse órgão. Com um comprimento
não espiralado de mais de 6 m, o ducto do epidídimo é maior em
comprimento do que o intestino inteiro.
Histologicamente, o ducto do epidídimo apresenta um epitélio colunar
pseudoestratificado.
A superfície livre desse epitélio voltada para a luz do epidídimo possui
tufos de microvilosidades longas, chamados estereocílios, que não são
cílios nem se movem. Em vez disso, eles proporcionam às células
epiteliais uma vasta área de superfície para reabsorver fluido testicular e
transferir nutrientes e secreções para os muitos espermatozoides
armazenados na luz do epidídimo. Externamente ao epitélio, situa-se
uma camada de músculo liso.
Os espermatozoides imaturos e quase sem mobilidade que saem do
testículo são movimentados lentamente pelo ducto do epidídimo.
Durante essa jornada, que leva aproximadamente 20 dias, os
espermatozoides adquirem capacidade de nadar e de fertilizar o óvulo
por meio da reação acrossômica. Esses processos de maturação são
estimulados por proteínas secretadas pelo epitélio do epidídimo. Os
espermatozoides são ejaculados do epidídimo, e não diretamente dos
testículos. No início da ejaculação, o músculo liso nas paredes do
epidídimo contrai, expelindo os espermatozoides da cauda do epidídimo
para o próximo segmento do sistema de ductos, o ducto deferente.
Os espermatozoides podem ser armazenados no epidídimo durante
vários meses, após os quais eles são fagocitados pelas células epiteliais
do ducto do epidídimo.
DUCTO DEFERENTE
O ducto deferente (“que leva
para longe”), ou vaso
deferente, armazena e
transporta os espermatozoides
durante a ejaculação e tem
aproximadamente 45 cm de
comprimento.
Partindo da cauda do epidídimo, o ducto deferente segue superiormente
dentro do funículo espermático, passa pelo canal inguinal, através da
parede do abdome e entra na cavidade pélvica. A partir daí, o ducto
deferente continua posteriormente ao longo da parede lateral da pelve
verdadeira, arqueia-se medialmente sobre o ureter e desce ao longo da
parede posterior da bexiga. Sua extremidade distal expande-se como a
ampola (“frasco”) do ducto deferente e depois se junta ao ducto da
glândula seminal para formar o curto ducto ejaculatório. Cada ducto
ejaculatório segue dentro da próstata, onde se abre na parte prostática
da uretra.
A parede do ducto deferente consiste em:
— Uma mucosa interna com o mesmo epitélio pseudoestratificado do
epidídimo, além de uma lâmina própria.
VESÍCULAS SEMINAIS
As glândulas seminais (ou vesículas seminais) situam-se na superfície
posterior da bexiga, são ocas e têm aproximadamente a forma e o
tamanho de um dedo (5 a 7 cm); porém, como uma glândula seminal é
dobrada e enrolada sobre si mesma, seu comprimento verdadeiro
(desenrolado) é de aproximadamente 15 cm. Internamente, a mucosa é
pregueada em um padrão de colmeia, com criptas e câmaras sem saída,
sendo revestida por um epitélio colunar pseudoestratificado.
Além disso, a mucosa é envolvida por uma
espessa camada de músculo liso que se
contrai durante a ejaculação para esvaziar
a glândula. A parede externa é composta
por uma cápsula fibrosa de tecido
conjuntivo denso.
A secreção das glândulas seminais, que
constitui aproximadamente 60% do
volume do sêmen, é um fluido viscoso que
contém:
• Um açúcar chamado frutose e outros
nutrientes que alimentam o
espermatozoide em sua jornada.
• Prostaglandinas que estimulam a contração do útero para ajudar a
mover o espermatozoide através do trato reprodutor feminino.
• Substâncias que suprimem a resposta imune contra o sêmen nas
mulheres.
• Substâncias que melhoram a motilidade do espermatozoide.
• Enzimas que coagulam o sêmen ejaculado na vagina e depois o
liquefazem para que os espermatozoides possam nadar.
O fluido seminal também contém um pigmento amarelo que emite
fluorescência sob a luzultravioleta. Essa característica permite o
reconhecimento dos resíduos de sêmen nas investigações criminais sobre
agressões sexuais.
Como foi observado anteriormente, o ducto de cada glândula seminal
une-se ao ducto deferente no mesmo lado do corpo para formar um
ducto ejaculatório dentro da próstata. Os espermatozoides e o fluido
seminal misturam-se no ducto ejaculatório e entram na parte prostática
da uretra durante a ejaculação.
PRÓSTATA
A próstata, que tem o tamanho e a forma de uma castanha, circunda a
primeira parte da uretra numa posição imediatamente inferior à bexiga.
A próstata consiste em 20-30 glândulas tubuloalveolares compostas,
pertencentes a três classes — principal, submucosa e mucosa. As
glândulas estão embutidas em uma massa de tecido conjuntivo denso e
músculo liso, chamada estroma fibromuscular, e são circundadas por
uma cápsula de tecido conjuntivo denso. O músculo do estroma contrai-
se durante a ejaculação para comprimir a secreção prostática para dentro
da uretra.
A secreção prostática constitui aproximadamente um terço do volume do
sêmen, um líquido leitoso, como a secreção das glândulas seminais, que
contém várias substâncias que melhoram a motilidade do espermatozoide
e enzimas que coagulam e liquefazem o sêmen ejaculado. Uma das
enzimas que liquefazem o sêmen é o antígeno prostático específico (do
inglês postate-specific antigen PSA); a medição dos níveis do PSA no
sangue do homem é o método mais importante para a triagem do câncer
de próstata.
Além de sua susceptibilidade a tumores, a próstata está sujeita à
infecção nas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A prostatite,
inflamação da próstata, é a razão mais comum para os homens
consultarem um urologista.
GLÂNDULAS BULBOURETRAIS
As glândulas bulbouretrais têm o
tamanho de uma ervilha e estão
situadas inferiormente à próstata,
dentro do diafragma urogenital. Essas
glândulas tubuloalveolares compostas
produzem um muco, parte do qual
entra na parte esponjosa da uretra
quando o homem fica excitado
sexualmente, antes da ejaculação. Esse
muco neutraliza os traços de urina
ácida na uretra e a lubrifica para a
passagem suave do sêmen durante a ejaculação.
PÊNIS
O pênis (“cauda”), o órgão masculino para o intercurso sexual, leva
espermatozoides para dentro do trato reprodutor feminino. Juntos, ele e
o escroto compõem as estruturas reprodutoras externas, ou genitais
externos, do homem. À medida que descrevermos as estruturas internas
do pênis, tenha em mente que as superfícies dorsal e ventral do pênis são
nomeadas em relação ao pênis ereto.
O pênis consiste em uma raiz fixa e um corpo livre que termina em uma
ponta alargada chamada glande do pênis. A pele que cobre o pênis é
frouxa e estende-se na direção distal em volta da glande, formando uma
manga chamada prepúcio.
Internamente, o pênis contém a parte esponjosa da uretra e três corpos
cilíndricos longos de tecido erétil. Cada um desses três corpos eréteis é
um tubo espesso coberto por uma bainha de tecido conjuntivo denso e
preenchido com uma rede de partições que consistem em músculo liso e
tecido conjuntivo. Essa rede esponjosa, por sua vez, é preenchida com
espaços vasculares.
— O corpo erétil mesoventral circundando a parte esponjosa da uretra,
o corpo esponjoso, é mais largo na extremidade distal, onde forma a
glande do pênis, e na direção proximal, onde forma uma parte da raiz
chamada bulbo do pênis. Esse bulbo é inserido no diafragma da pelve e
coberto externamente pelo músculo bulboesponjoso, similar a uma
bainha.
— O par de corpos eréteis dorsais, os corpos cavernosos, compõe a
maior parte da massa do pênis. Suas extremidades proximais na raiz são
os ramos do pênis; cada ramo é inserido ao periósteo do arco púbico da
pelve óssea e coberto pelo respectivo músculo isquiocavernoso.
Vasos e nervos
A maioria dos principais vasos e nervos do pênis localiza-se perto da
linha média dorsal. Os nervos sensitivos dorsais são ramos do nervo
pudendo a partir do plexo sacral, e as artérias dorsais são ramos das
artérias pudendas internas a partir das artérias ilíacas internas.
Duas veias dorsais (superficial e profunda) situam-se precisamente na
linha média dorsal e drenam todo o sangue do pênis. Finalmente, uma
artéria profunda segue dentro de cada corpo cavernoso. Os nervos
autônomos para o pênis, que acompanham as artérias e abastecem os
corpos eréteis, surgem do plexo hipogástrico inferior na pelve.
Discutir as indicações de rastreamento do câncer de próstata:
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA),
órgão do Ministério da Saúde, não recomenda o rastreamento do câncer
de próstata, ou seja, exames de rotina em homens assintomáticos.
Os estudos mostram que homens com idade entre 55 e 69 anos que
fazem esses exames (PSA e toque retal) de rotina podem ter um
pequeno benefício, porém os riscos para a saúde são mais frequentes.
Possíveis benefícios:
• Os exames são simples de realizar;
• Os exames ajudam no diagnóstico do câncer de próstata, que pode
não apresentar sintomas iniciais;
• O diagnóstico mais cedo pode facilitar o tratamento do câncer;
Possíveis malefícios:
• O resultado do exame de PSA pode estar elevado mesmo quando
não é câncer e pode estar normal em alguns casos de câncer;
• Níveis elevados de PSA indicam a necessidade de biópsia de
próstata para confirmar se há câncer e, na maioria das vezes, isso
não se confirma. A biópsia pode ter complicações, como
sangramento e infecção, além de causar dor, ansiedade e estresse no
homem e em sua família;
• O diagnóstico e o tratamento de um câncer que não ameaça a vida
pode causar ansiedade e resultar em incontinência urinária e
impotência sexual.
Pesquisas mostram que de 1.000 homens entre 55 e 69 anos que
realizam os exames de rotina por 13 anos: 178 poderão ter um resultado
alterado e descobrir, após realizar a biópsia, que não tem câncer de
próstata. A biópsia pode causar ou, sangramento e infecção;100
confirmarão câncer de próstata, sendo que 50% desses cânceres serão
de crescimento lento que não ameaça a vida. A cada 100 homens que
tratam com cirurgia, 60 poderão ter impotência sexual e 20
incontinência urinária. 5 morrerão de câncer de próstata, mesmo após o
tratamento. 1 poderá ter a morte evitada por câncer de próstata por
causa dos exames.
Os benefícios de realizar esses exames são incertos, e é mais provável
que você tenha o diagnóstico de um câncer que não iria evoluir, e assim
se expor desnecessariamente aos riscos dos tratamento.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA
O rastreamento universal de toda população masculina (sem considerar
idade, raça e história familiar) não parece ser a melhor abordagem.
Apesar de associado ao diagnóstico precoce e diminuição da
mortalidade, pode trazer malefícios a muitos homens. Individualizar a
abordagem é fundamental neste sentido.
A identificação de pacientes com alto risco de desenvolverem a doença
de uma forma mais agressiva através de parâmetros clínicos ou
laboratoriais pode ajudar a individualizar a indicação e frequência do
rastreamento. Entre diversos fatores, a idade, a raça e a história familiar
apresentam-se como os mais importantes.
Outro ponto importante deste debate é a própria medida do benefício
do rastreamento. Sobrevida global talvez não seja o melhor desfecho
para se avaliar a eficácia do rastreamento. Em câncer de mama, por
exemplo, a mamografia também não diminui a mortalidade geral das
pacientes. O rastreamento atua na mortalidade específica por câncer
(além de se questionar o benefício de cirurgias mais conservadoras e
diminuição de quimioterapia ou hormonioterapia adjuvantes). O
impacto do rastreamento sobre mortalidade câncer específica, a
qualidade de vida, a diminuição de metástases, dor ou outros benefícios
não podem ser avaliados nesses trabalhos.
A Sociedade Brasileira de Urologia mantém sua recomendação de que
homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional
especializado,para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou
com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar
aos 45 anos. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão
de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o
paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles
com expectativa de vida acima de 10 anos.
O screening deve ser feito em todos os homens entre 50-75 anos, desde
que a expectativa de sobrevida seja > 10 anos.
• Se alto risco (negros, história familiar), começar aos 45 anos.
• O screening deve ser feito com PSA + TR.
• Um TR pos i t ivo (nódulo , induração) ind ica b ióps ia ,
independentemente do PSA.
• O valor de referência do PSA para considerar a realização de biópsia
é 4 ng/ml, porém, para homens < 60 anos este valor passa a ser 2,5 ng/
ml. Todavia, cabe ao médico avaliar individualmente o ponto de corte
do PSA.
• O seguinte "derivativo do PSA" pode ser utilizado:
➤ Velocidade de crescimento > 0,75 ng/ml/ano (> 0,4 em pacientes
jovens).
• A periodicidade do screening também deve ser individualizada:
➤ PSA < 1,0 ng/ml pode fazer PSA + TR a cada dois a quatro anos;
➤ PSA > 1,0 ng/ml, negros ou história familiar positiva devem fazer
PSA + TR anualmente.
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE UROLOGIA
O screening não deve ser feito em homens com idade < 40 e ≥ 70 .
• O screening não deve ser feito se a expectativa de sobrevida for < 10
anos.
• Entre 40-55 anos, considerar screening apenas se alto risco (negros,
história familiar).
• Para os demais homens, considerar screening entre 55-69 anos.
• O paciente deve ser informado sobre potenciais riscos e benefícios.
A decisão de realizar ou não o screening deve ser partilhada entre
médico e paciente.
• O TR faz parte do exame urológico de rotina, devendo ser feito em
toda consulta.
• Se TR positivo (nódulo, induração), indicar biópsia.
• O PSA deve ser dosado a cada dois anos ou mais (e não
anualmente).
• O valor de referência do PSA para considerar a realização de
biópsia é 3 ng/ml.
• Todavia, esse ponto de corte deve ser avaliado individualmente,
levando em conta:
1. O volume prostático;
2. A idade do paciente;
3. A suspeita de inflamação.
➤ Isso quer dizer que pode-se optar por não realizar biópsia caso idade
próxima aos 70, HPB volumosa e/ou suspeita de inflamação, mesmo
com um PSA > 3 ng/ml. O julgamento clínico do urologista é
que vai decidir.
● Os "derivativos do PSA" (velocidade de aumento, relação PSA livre/
PSA total, valores de referência por faixa etária e densidade do PSA)
são considerados secundários, e podem ser utilizados para reforçar ou
não a indicação de biópsia.
Explicar as manifestações clínicas e achados ao exame físico
associadas ao câncer de próstata e a Hiperplasia prostática:
HIPERTROFIA PROSTÁTICA
Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma entidade definida pela
proliferação (hiperplasia) das células do epitélio e do estroma prostático,
formando um tecido nodular adenomatoso.
Tal processo geralmente promove aumento no volume da glândula,
justificando sinais e sintomas obstrutivos/irritativos. Existem evidências
incontestáveis de que a prevalência histológica aumenta linearmente com
a idade. Sendo assim, a HPB está presente em 8% de homens entre
31-40 anos, em 50% de indivíduos entre 51-60 anos e em mais de 80%
dos homens na 9ª década de vida. A prevalência através de critério
clínico é um pouco menor, uma vez que nem todos os homens com
histologia de HPB apresentam sintomas.
A próstata normal é um órgão de consistência fibroelástica (como a
ponta do nariz), com peso aproximado de 20-30 g (1 g = 1 ml = 1
cm³). Localiza-se inferiormente à bexiga, sendo atravessada pela
primeira porção da uretra, limitada anteriormente pela sínfise púbica
e posteriormente pelo reto. Podemos dividi-la em três regiões anátomo-
histológicas distintas, de acordo com a morfologia das glândulas
encontradas:
(1) zona central ou periuretral, composta por glândulas curtas;
(2) zona de transição, composta por glândulas de tamanho
intermediário; e
(3) zona periférica, constituída por glândulas longas, ramificadas e
tortuosas. A região periférica é separada das demais por uma fina
camada de tecido fibroelástico: a cápsula cirúrgica.
Esta divisão é de grande relevância clínica e cirúrgica, pois a HPB se
desenvolve na zona de transição, ao passo que os adenocarcinomas
costumam surgir na zona periférica.
ETIOPATOGENIA
A etiopatogenia da HPB não é totalmente compreendida. Sabe-se, no
entanto, que idade avançada e história familiar de doença precoce são
fatores de risco bem estabelecidos. Uma forma hereditária de HPB é
encontrada em até 50% dos indivíduos que necessitam de cirurgia com
idade inferior a 60 anos para o tratamento desta condição. Sabe-se
também que existe uma importante influência endócrina, haja vista que
a castração (supressão dos androgênios) evita seu surgimento, além de
ser capaz de reverter uma HPB previamente estabelecida. Estudos têm
demonstrado uma possível correlação entre obesidade e síndrome
metabólica com HPB.
A testosterona livre penetra na célula epitelial prostática e, por ação da
enzima 5-alfa redutase, é transformada em DHT (di-hidrotestosterona)
– a forma biologicamente ativa do hormônio. A isoforma tipo 1 desta
enzima está presente em várias partes do organismo, porém, a isoforma
tipo 2 é exclusiva do tecido prostático (logo, representa um importante
"alvo terapêutico"). A DHT se liga a receptores androgênicos nucleares,
formando um complexo que atua sobre genes específicos e inicia um
processo de síntese proteica que modula a proliferação das células
epiteliais da glândula. Além de atuar diretamente no epitélio, a DHT
estimula também as células do estroma, levando-as a secretar fatores de
crescimento, que através de mecanismos parácrinos, estimulam ainda
mais a proliferação glandular.
Um fenômeno interessante (e recém-descrito) explica a relação entre
idade e HPB: na medida em que o homem envelhece é natural que
aumentem os níveis de estrogênio em seu sangue. O estrogênio induz
as células prostáticas a expressarem receptores de androgênio. Logo,
homens mais velhos possuem próstatas "mais sensíveis" aos androgênios
circulantes, que assim têm seu estímulo trófico potencializado. Como os
níveis de testosterona livre podem se manter inalterados, boa parte dos
homens passa a apresentar crescimento prostático com o tempo.
FISIOPATOLOGIA
O processo de obstrução uretral pode ser decorrente de um efeito
mecânico secundário ao crescimento prostático exagerado e/ou um
efeito funcional ("dinâmico"), relacionado à contração das fibras
musculares do estroma prostático. Estas fibras, ricas em receptores
alfa-1 adrenérgicos, tendem a se contrair por influência do sistema
nervoso simpático, aumentando o grau de obstrução uretral. Este último
mecanismo explica os quadros de prostatismo em pacientes com
próstatas pouco volumosas, bem como a rápida variação dos sintomas
observada em alguns pacientes. Além disso, alterações vesicais
COSTUMAM ESTAR PRESENTES nos casos de HPB, sendo
responsáveis por parte dos sintomas apresentados. Com o surgimento
da obstrução uretral, o músculo detrusor (parede da bexiga) se
hipertrofia, na tentativa de manter um fluxo urinário normal. Como
consequência, há uma diminuição da complacência
Juntas, todas essas alterações condicionam o surgimento de
"instabilidade vesical" (hiperatividade espontânea do detrusor),
agravando ainda mais os sintomas da síndrome de prostatismo.
A hipertrofia do detrusor leva à formação de trabéculas na mucosa
vesical, as quais podem ser vistas na cistoscopia. As trabéculas nada
mais são do que "bandas" de musculatura hipertrofiada. Quando
isso acontece, começam a surgir divertículos vesicais! Trata-se, na
realidade, de "falsos divertículos", pois são compostos apenas pela
mucosa herniada entre as trabéculas (para serem "verdadeiros", os
divertículos devem possuir todas as camadas da parede de um órgão). A
presença de divertículosna parede vesical denota a existência de
obstrução uretral grave e prolongada, além de constituir fator de risco
para infecção urinária e formação de cálculos vesicais (devido à estase
local de urina). É por este motivo, inclusive, que divertículos vesicais
"grandes" constituem indicação de tratamento intervencionista da HPB.
e da capacidade vesical, o que
ocasiona sintomas miccionais
"irritativos", como urgência,
polaciúria, incontinência de
urgência e redução do volume
miccional. Nesta mesma fase
surgem alterações neurogênicas,
como ativação dos receptores de
tensão presentes na mucosa vesical,
redução do número de terminações
colinérgicas (denervação local) e
aumento de receptores alfa-
adrenérgicos.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Os pacientes com HPB apresentam Sintomas do Trato Urinário
Inferior (STUI) ocasionados por obstrução infravesical pela próstata
hiperplásica. Embora possam ser ocasionados por outras condições,
a etiologia mais comum de STUI em homens acima de 40 anos é a
HPB. Os STUI podem ser divididos em obstrutivos e irritativos
(armazenamento). Os sintomas obstrutivos podem ser de
esvaziamento ou pós-miccionais;
encontram-se presentes em 70-80%
dos casos e resultam do efeito
mecânico ou muscular (dinâmico) da
glândula sobre a luz uretral. Esta
sintomatologia costuma quase sempre
desaparecer com a remoção cirúrgica
da glândula. Os sintomas irritativos,
conhecidos como de armazenamento,
surgem por reação do detrusor à
obstrução uretral, levando à
"instabilidade vesical". Tais alterações,
presentes em 50-70% dos indivíduos, nem sempre desaparecem após
intervenção cirúrgica... Sempre que os sintomas irritativos forem
exuberantes, deve-se estar atento para a eventual presença de outras
doenças, como disfunção vesical primária (ex.: bexiga neurogênica),
infecção urinária, litíase vesical, etc.
As manifestações clínicas costumam ser oscilantes, com períodos de
melhora, que podem durar meses ou anos, intercalados com fases de
recrudescência. Outro aspecto importante é que a intensidade e o grau
de desconforto dos sintomas não necessariamente são proporcionais ao
volume da próstata ou à diminuição do fluxo urinário.
Pacientes com HPB podem evoluir com complicações como retenção
urinária aguda, litíase vesical, infecção urinária, falência do detrusor,
insuficiência renal pós-renal e hematúria:
• Retenção urinária aguda: representa a incapacidade abrupta de
esvaziamento vesical. Ocorre em 2-10% dos pacientes e não
representa necessariamente o grau máximo de obstrução uretral
pelo adenoma. É observada tanto em próstatas pequenas quanto
volumosas, sugerindo que outros mecanismos, além do quadro
obstrutivo, estão implicados no processo. Diversos são os fatores
que podem desencadear retenção urinária aguda, como: (1) uso de
simpaticomiméticos ou anticolinérgicos; (2) distensão aguda da
bexiga, como nos casos de diurese forçada; (3) prostatite infecciosa
aguda; (4) cálculo vesical; ou (5) infarto prostático. O prognóstico
desses pacientes é relativamente desfavorável, já que 60-70% voltam
a apresentar retenção após 1-3 meses da retirada do cateter de
Foley. As chances dos pacientes voltarem a urinar de maneira
espontânea são, respectivamente, de 60% e de 15% nos casos com
menos de 900 ml e mais de 900 ml de urina retida.
• Infecção urinária e prostatite: surge em torno de 5% dos pacientes
com HPB, exacerbando os sintomas urinários, e por vezes
desencadeando retenção urinária. Essas infecções resultam de
colonização prostática ou da presença de urina residual, e podem
provocar quadros de bacteremia, o que justifica a remoção da
próstata em casos de infecção persistente.
• Litíase vesical: pode surgir por estase local ou impossibilidade de
expulsar cálculos migrados dos rins. Estes pacientes apresentam
bloqueios abruptos do jato urinário, interrompendo a micção, e
outras vezes, quadros de hematúria macroscópica de graus variados.
Há uma grande tendência à recidiva, se for realizada remoção
exclusiva dos cálculos, sem correção do processo obstrutivo.
• Falência do detrusor (descompensação vesical): nos casos de
prostatismo de longa duração, o detrusor pode sofrer um processo
de hipertrofia acentuada, seguido pela deposição local de colágeno.
Por conseguinte, instala-se falência vesical progressiva, com
aumento do volume de urina residual e dilatação da bexiga. A
existência de grande volume residual pode ter outras consequências,
como dilatação progressiva do trato urinário superior, formação de
cálculos vesicais e aparecimento dos divertículos da bexiga, estes
últimos também responsáveis por piora do esvaziamento vesical.
• Insuficiência Renal Aguda ou Crônica : o comprometimento crônico
da função renal é observado em cerca de 15% dos pacientes com
HPB, mas, em muitos casos, deve-se a outros fatores, tais como
hipertensão, diabetes ou outras formas de nefropatia preexistente.
Na verdade, apenas 3% dos pacientes com HPB têm lesão renal
causada pela própria obstrução prostática (nefropatia obstrutiva
crônica), e em metade desses casos, o quadro de hidronefrose se
instala de maneira silenciosa, frequentemente sem manifestações
urinárias importantes. A existência dessa complicação torna
obrigatória a realização de cirurgia, que deve ser executada após um
período de cateterismo vesical contínuo. Este cuidado promove
melhora, pelo menos parcial, do quadro de insuficiência renal e, com
isso, reduz a morbimortalidade. Uma crise de retenção urinária
aguda da HPB é uma das principais causas de insuficiência renal
aguda pós-renal, prontamente revertida com o cateter de Foley ou a
cistostomia.
• Hematúria: a hematúria macroscópica surge em alguns poucos
pacientes com hiperplasia prostática e deve-se à ruptura de vasos
submucosos locais. Esta manifestação tende a ceder
espontaneamente, porém, os pacientes nesta situação devem ser
explorados cuidadosamente com cistoscopia e USG renal, já que a
hematúria macroscópica pode estar relacionada com a presença de
outra afecção, como neoplasias urogenitais (bexiga, rim) ou litíase
renal ou ureteral. A hematúria microscópica também deve suscitar a
procura de outras causas, já que pode ser o único sinal de um
carcinoma de células renais.
AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DOS SINTOMAS
Com o objetivo de classificar e acompanhar a evolução dos pacientes,
bem como padronizar critérios de avaliação de trabalhos científicos, a
Associação Americana de Urologia criou um escore para quantificar
com mais precisão o quadro clínico dos pacientes prostáticos.
Posteriormente, com o apoio da Organização Mundial de Saúde, foi
acrescentada uma nova avaliação, relacionada à qualidade de vida.
Esta avaliação, conhecida como escore internacional de sintomas
prostáticos (IPSS), estratifica os sintomas do trato urinário inferior,
além de ser, atualmente, o padrão mais utilizado para determinar a
eficácia do tratamento. É composto de sete perguntas, com notas
individuais de 0 a 5, dependendo da intensidade de cada sintoma, e de
acordo com os resultados obtidos,
os pacientes podem ser classificados em:
1. Sintomatologia leve – escore de 0 a 7;
2. Sintomatologia moderada – de 8 a 19;
3. Sintomatologia grave – de 20 a 35.
CÂNCER DE PRÓSTATA
Modernamente, o Ca de próstata é classificado em dois subgrupos: (1)
lesão histológica clinicamente oculta ou "latente"; e (2) doença
clinicamente manifesta. Acredita-se que a prevalência de Ca de próstata
"latente" seja idêntica em todas as etnias e em todas as partes do mundo,
sendo proporcional à idade (algo em torno de 30% dos homens com 50
anos e 60-70% dos homens > 80 anos). Já a prevalência da doença
manifesta é amplamente variável conforme a etnia e a região geográfica,
além de outros fatores.
A principal conclusão que pode ser inferida a partir de tais observações
é que existem dois grandes passos na etiopatogênese dessa neoplasia:
(1) iniciação (que cria a doença "latente") e (2) progressão (que torna a
doença "clinicamente manifesta").São fatores de risco para Ca de
próstata todos os eventos capazes de promover iniciação e/ou
progressão do processo de transformação neoplásica da célula
prostática.
Que fenômenos moleculares sabidamente participam da iniciação/
progressão do Ca de próstata? As exatas relações etiopatogênicas ainda
não foram plenamente esclarecidas, porém, diversas mutações genéticas
e alterações epigenéticas já foram bem caracterizadas e estão presentes
na maioria dos pacientes.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Devido ao screening, a maioria dos pacientes (> 60%) recebe o
diagnóstico numa fase completamente assintomática, com um tumor de
pequeno volume restrito à zona periférica da glândula. Sintomas de
obstrução urinária (hesitação, jato intermitente e/ou fraco) acompanham
a doença localmente avançada, que invade a uretra ou o colo vesical,
fazendo diagnóstico diferencial com HPB. Nesse contexto, apontam
para um diagnóstico de Ca de próstata, a coexistência de hematúria e,
principalmente, hematoespermia, achados não esperados na HPB
isolada.
São indícios de disseminação linfática locorregional (com obstrução
de linfonodos pélvicos) o surgimento de edema de membros inferiores e
uma vaga sensação de "desconforto" pélvico ou perineal constante. As
metástases esqueléticas costumam ser indolores no início, mas com o
tempo queixas como dor óssea crônica (lombar, pelve, quadril) e/ou
aguda (fratura patológica) vão se tornando mais frequentes. O
envolvimento da coluna pode ocasionar uma síndrome de compressão
epidural da medula espinhal (paraplegia, nível sensitivo, distúrbio
esfincteriano). Raramente, o diagnóstico será feito por conta de
sintomas relacionados às metástases viscerais (ex.: linfangite
carcinomatosa pulmonar, derrame pleural ou ascite neoplásica, falência
hepática, deficit neurológico focal). Estas últimas manifestações, por
outro lado, não são raras nas fases terminais da doença, em particular
quando já existe refratariedade à terapia de deprivação androgênica.
A grande maioria dos pacientes com CaP em estágio inicial é
assintomática. A presença de sintomas frequentemente sugere doença
avançada localmente ou metastática. Queixas miccionais obstrutivas ou
irritativas podem resultar de crescimento local do tumor para dentro da
uretra ou do colo vesical, ou de sua extensão direta para o trígono da
bexiga. É muito mais comum, entretanto, que esses sintomas sejam
atribuíveis a HPB coexistente. A doença metastática para os ossos pode
causar dor óssea. Doença metastática para a coluna vertebral com
invasão para a medula espinal pode estar associada a sintomas de
compressão medular, inclusive parestesias e fraqueza das extremidades
inferiores, e incontinência urinária ou fecal.
Citar indicações e modalidades de tratamento da hiperplasia prostática:
Pacientes assintomáticos não necessitam de tratamento, seja qual for o
tamanho da próstata! Por outro lado, para aqueles que apresentam
alguma das condições citadas na tabela abaixo, existe indicação
ABSOLUTA de cirurgia. A melhor compreensão da
história natural da HPB, bem
como dos processos
fisiopatológicos envolvidos,
permitiu uma grande evolução
do tratamento clínico. O
surgimento de medicamentos
eficazes fez com
que muitos pacientes passassem ser satisfatoriamente tratados sem
necessidade de cirurgia! Existe uma importante correlação entre o
escore de sintomas (IPSS) e a evolução da HPB. Por tal motivo, este
escore atualmente é considerado imprescindível, devendo ser calculado
em TODOS os doentes de maneira periódica. Pacientes com sintomas
leves (IPSS entre 0 e 7) podem apresentar remissão espontânea das
queixas clínicas ao longo do tempo.
Quais são as opções terapêuticas?
1. Observação e acompanhamento (watchful waiting).
2. Terapia farmacológica: alfa-1 bloqueadores, inibidores da 5-alfa
redutase (antiandrogênicos), terapia combinada.
3. Tratamento intervencionista: ressecção transuretral (RTUP),
prostatectomia subtotal;
A observação e o acompanhamento anual estão indicados em pacientes
com sintomas leves e sem complicações (IPSS entre 0 e 7). Esta
modalidade também se aplica a pacientes que não querem iniciar o
tratamento medicamentoso ou intervencionista.
O tratamento farmacológico está indicado nos pacientes com
sintomatologia moderada (IPSS entre 8 e 19). Este tratamento deve ter
morbidade mínima, boa aceitação pelo paciente e não interferir
negativamente em sua qualidade de vida.
Os poucos indivíduos que não obtém melhora com a terapia
medicamentosa devem ser avaliados para intervenção cirúrgica.
Os pacientes com sintomatologia grave (IPSS entre 20 e 35) devem
inicialmente ser abordados com terapia medicamentosa, porém muitos
indivíduos dentro desse grupo acabarão se submetendo a tratamento
cirúrgico – uma não resposta ao tratamento farmacológico é uma
indicação clássica de cirurgia.
Para definirmos um paciente como não responsivo às medicações, é
necessário um período inicial de seis meses a um ano de
acompanhamento, uma vez que os antiandrogênicos demoram a exercer
seu efeito máximo. Além disso, o termo "não responsivo" implica em um
IPSS que se manteve grave ou que se reduziu apenas para moderado.
As formas de tratamento chamadas de minimamente invasivas podem
ser consideradas em casos selecionados.
FORMAS DE DISSEMINAÇÃO DO ADENOCARCINOMA
PROSTÁTICO
A disseminação LOCAL compromete estruturas periprostáticas como
as vesículas seminais e a base da bexiga (onde pode causar obstrução
urinária). A disseminação LINFÁTICA ocorre primeiro para os
linfonodos obturadores e, depois, os para-aórticos. A disseminação
HEMATOGÊNICA acomete preferencialmente o esqueleto axial, mas
o envolvimento de ossos longos e outros órgãos e tecidos também é
comum. É importante ressaltar que as metástases ósseas em geral são
osteoblásticas (isto é, têm aspecto "branco" ou radiopaco no RX simples,
e o achado de lesões ósseas desse tipo é muito sugestivo de Ca de
próstata em homens com > 50 anos de idade.
Descrever a indicação e os achados dos exames complementares no paciente
com câncer de próstata
TOQUE RETAL
Tumores de próstata identificados pelo TR em geral já possuem um
tamanho relativamente grande, o que implica maior chance de doença
avançada. Este exame só detecta as lesões mais periféricas, localizadas
nas faces lateral e/ou posterior da glândula. Sabemos que em 25-35%
das vezes o Ca de próstata se localiza em outras topografias e, por conta
disso, acaba não sendo percebido pelo TR.
Diz-se que o TR é "positivo" quando se nota a presença de
nodularidade, induração ou assimetria lobar acentuada. É importante
ter em mente que, apesar de sua sensibilidade para o diagnóstico de Ca
de próstata ser muito "examinado dependente", de um modo geral ela é
baixa (59%), assim como sua especificidade (94%). O valor preditivo de
um TR positivo situa-se entre 20-50%, logo, ainda que um TR negativo
não descarte a presença de câncer, é mandatório realizar biópsia em
caso de positividade, mesmo que o PSA esteja normal (raros casos de
Ca de próstata cursam com TR positivo e PSA baixo). Outras condições
podem justificar um TR positivo (ex.: cálculos, prostatite
granulomatosa, infarto prostático, tuberculose, linfoma).
ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO (PSA)
O PSA é "próstata-específico", e não "câncer-específico". Isso quer dizer
que ele é um marcador laboratorial exclusivo de dano ao epitélio
prostático, aumentando não apenas no câncer, mas também em
condições não neoplásicas. Na realidade, as células malignas produzem
até menos PSA do que as células normais (cerca de 1,5x menos)! Os
níveis séricos se elevam nos casos de câncer por conta da distorção na
arquitetura do parênquima, o que aumenta a permeabilidade dos ductos
prostáticos fazendo o PSA secretado refluir para a circulação.
O TR simples (sem massagem da glândula) comprovadamente aumenta
o PSA, porém, este aumento é clinicamente insignificante (não costuma
produzir um resultado "falso-positivo"). Desse modo,pode-se dosar este
marcador após um TR. Após procedimentos como biópsia e RTU de
próstata, por outro lado, deve-se aguardar de oito a dez semanas para
dosar o PSA no sangue. Para aumentar a confiabilidade da dosagem,
idealmente deve-se evitar a ejaculação nas 48h que antecedem a coleta
(a ejaculação pode aumentar transitoriamente o valor do PSA em até
0,8 ng/ml, uma variação grande o bastante para produzir um resultado
"falso-positivo").
Causas não malignas de aumento do PSA:
• HPB;
• Prostatite;
• Infarto prostático;
• Pós-biópsia prostática;
• Citoscopia;
• RTU de próstata;
• Retenção urinária;
• Ejaculação;
• Trauma perineal;
• Massagem prostática.
O PSA é uma enzima do tipo serina-protease pertencente à família
das calicreínas. Sua principal função fisiológica é liquefazer o coágulo
seminal. O PSA circula no sangue sob duas formas bioquímicas: (1)
forma livre; (2) complexado a uma antiprotease chamada alfa-1
antiquimiotripsina (ACT). Outras moléculas também podem carrear o
PSA (ex.: alfa-2 macroglobulina). A meia-vida do PSA livre é de 12-
18h (eliminação por filtração glomerular), mas a forma complexada,
por não ser filtrada pelos rins, possui meia-vida entre uma a duas
semanas.
Depois de uma prostatectomia radical espera-se que o PSA se torne
indetectável dentro de, no máximo, seis semanas (em geral, ele leva de
duas a três semanas para normalizar). Um PSA que "zera" e depois
volta a subir provavelmente indica recidiva tumoral. No caso da
radioterapia, a queda do PSA é bem mais lenta, podendo demorar de
três a cinco meses. É importante ter em mente que – devido ao fato de
a radioterapia não eliminar o parênquima prostático por completo – o
PSA não "zera" após este procedimento, apenas atinge um nadir
(idealmente, numa faixa abaixo de 0,5 ng/ml).
Nas patologias prostática benignas, o PSA costuma se manter na
faixa entre 4-10 ng/ml. Valores > 10 ng/ml são mais específicos para
câncer, e valores muito aumentados (> 100 ng/ml) predizem com
grande acurácia a existência de doença metastática. O acompanhamento
evolutivo dos níveis séricos de PSA é útil para monitorar a resposta ao
tratamento.
BIÓPSIA
A biópsia de próstata deve ser considerada em homens com um PSA
sérico elevado, TR anormal ou uma combinação dos dois, a depender
adicionalmente da saúde geral do paciente, comorbidades, expectativa
de vida, níveis de ansiedade e de aversão ao risco, e preferências de
informação. A biópsia de próstata é guiada pela USTR usando-se um
dispositivo de biópsia carregado com mola acoplado à sonda de imagem.
Biópsias são colhidas por meio da zona periférica da próstata, com
amostras adicionais opcionais de quaisquer áreas anormais no TR e/ou
na USTR. Tradicionalmente, seis biópsias (sextante) eram colhidas ao
longo de uma linha parassagital entre a margem lateral e a linha média
da próstata, no ápice, meio da glândula e na base, bilateralmente.
A biópsia de próstata geralmente é realizada usando-se anestesia local e
profilaxia antibiótica pré-procedimento (habitualmente uma
fluoroquinolona). O uso de anestesia local, ou aplicada topicamente ao
longo da parede retal anterior, ou injetada na próstata ou adjacente a ela,
ou uma combinação das duas, diminui a dor associada ao procedimento.
Hematospermia, hematoquezia e hematúria são comuns, ocorrendo em
aproximadamente 40 a 50% dos pacientes. Com a prevalência crescente
de bactérias resistentes aos antibióticos, as taxas de sepse têm
aumentado, apesar da profilaxia-padrão (Lange et aL, 2009). Elas
podem ser ameaçadoras para a vida, mesmo em homens sadios afora
isso, e os pacientes são aconselhados a retornar imediatamente ao
departamento de emergência caso ocorra febre alta após o
procedimento.
Os esquemas de saturação consistem em 20 ou mais fragmentos, com
ênfase em amostras da zona periférica. Um dos esquemas de saturação
mais comuns envolve retirar dois fragmentos da base lateral, três
fragmentos do meio da lateral, três fragmentos do ápice (incluindo o
ápice anterior), um fragmento parassagital médio e um fragmento
parassagital da base. Conquanto os esquemas de saturação iniciais
incluíssem dois fragmentos tanto parassagitais médios como
parassagitais da base, a identificação de câncer isolado nessas áreas é
rara, e, assim, tem sido recomendado que se obtenha apenas um
fragmento para cada uma dessas áreas. Pesquisadores têm demonstrado
que biópsias de saturação podem ser realizadas no consultório, usando-
se um bloqueio periprostático. Eles não observaram melhora da
positividade com o uso da biópsia de saturação na biópsia inicial ou na
primeira rebiópsia, defendendo a saturação como estratégia a partir da
segunda repetição de biópsia.
98% dos tumores malignos prostáticos correspondem ao
adenocarcinoma de próstata, tendo o sistema de graduação de Gleason
um papel primordial no prognóstico da doença. O sistema (ou escore) de
Gleason baseia-se na arquitetura microscópica do tumor e é composto
por cinco padrões histológicos (1 a 5).
Do menor para o maior, as células malignas vão progressivamente
perdendo a diferenciação celular (quanto mais diferenciada, mais
próxima da célula normal) e adquirindo arquitetura mais complexa.
Nesse sentido, o escore de Gleason pode classificar o tumor em padrões
mais bem diferenciados (padrão 1, 2 e 3), até aqueles pouco
diferenciados ou indiferenciados (padrão 4 e 5). O escore de Gleason é
composto por dois valores (duas notas). Ambas as notas variam de 1 a 5,
sendo a primeira atribuída ao padrão mais prevalente, e a segunda
igualmente atribuída ao segundo padrão mais prevalente nos fragmentos
analisados pelo patologista. Dessa forma, o escore de Gleason pode
variar de 2 a 10, mas na prática atual, a maioria dos CaP possui escore ≥
6. Portanto, tumores compostos por padrões 3, 4 e ou 5 são
considerados clinicamente significativos, assim classificados:
■ Neoplasia de baixo grau – Gleason 3+3
■ Neoplasia de grau intermediário – Gleason 3+4 ou 4+3
■ Neoplasia de alto grau – Gleason 4+4, 4+5, 5+4 ou 5+5
A partir de 2014 foi proposto um valor prognóstico à graduação de
Gleason, agrupando pacientes com CaP em categorias diferentes,
dependendo do escore de Gleason apresentado na biópsia. Os pacientes
foram então classificados em 5 grupos de prognósticos distintos:
■ ISUP 1 – Gleason 3+3
■ ISUP 2 – Gleason 3+4
■ ISUP 3 – Gleason 4+3
■ ISUP 4 – Gleason 4+4
■ ISUP 5 – Gleason 4+5, 5+4 e 5+5
A biópsia transretal de próstata guiada por ultrassom (BTRP) é o
método recomendado na grande maioria dos casos suspeitos.
Discutir a problematização da resistência em realizar o exame do toque retal:
O preconceito é um dos problemas que levam os homens a se negarem a
fazer este exame. Esse procedimento interfere na imaginação masculina,
no qual eles acreditam que o homem viril é obrigado a não demonstrar
sentimentos, ou seja, nao apresentar medo, fraqueza ou dor. Os aspectos
figurativos devem ser considerados, pois estes estabelecem barreiras que
implicam na sua masculinidade. Acredita-se que o homem é violado em
sua perspectiva sobre qual é o papel do “macho”, o que afeta em sua
aceitação em fazer o exame retal digital, essa atitude representa para a
maioria deles um obstante obstáculo para efetivar este procedimento.
Os homens criam obstáculos relativos ao exame do toque retal,
ocasionando um afastamento significativo deles nos serviços voltados
para prevenção. Observa-se uma escassez destes nos locais de saúde,
contribuindo para o aumento dos problemas encontrados relativos à
saúde do homem. As medidas direcionadas pelos órgãos públicos
existem para cuidar dos homens, com o intuito de diminuir ou eliminar
os agravos de doenças que afetam o público masculino. Quando estes
procuram as unidades de saúde, dificilmente os profissionais da área
propiciam uma orientação para a realização do exame para detectar o
câncer de próstata, dificultando o cuidado com o homem.
Quanto a questão do medo, Sousa MCP, et al. (2014) ressalta que entre
as causas queinterferem na busca da prevenção, está o receio de ser
mexido em suas partes íntimas e, de sentir dor física ou simbólica, ou até
mesmo o medo de identificar alguma doença séria em seu corpo. O
desconhecimento sobre a existência de alguma doença gera uma falsa
segurança, pois preferem não ter conhecimento de estarem doentes do
que fazerem o exame e constatarem que possuem uma enfermidade.
Infelizmente, esta é uma premissa que permeia o "imaginário" dos
homens e que dita o seu comportamento.
Ferreira DC, et al. (2015), na sua perspectiva, o medo ou o preconceito
estão ligados às emoções, mostrando assim porque a maioria dos
homens demoram ou evitam a realização dos exames que rastreiam o
câncer de próstata. Provavelmente isto acontece por falta de informação
que deveria ser colocada em prática para buscarem o exame no
momento adequado para cada homem. Outro item observado é o medo
gerado de que a descoberta de um problema na próstata está ligada a
possibilidade de impotência sexual.
Para Oliveira PSD, et al. (2015), a propagação do medo em relação a
este exame acontece entre a própria população masculina, o que cria
esses sentimentos das situações relacionadas a cultura, onde é
desvalorizado o cuidado com a saúde.
Em relação ao preconceito, Freitas MEM, et al. (2015) reflete no seu
estudo, que a homossexualidade está nos pensamentos dos homens
como fator que impede o toque retal; apresentando a questão de que o
homem que é homem não pode ser penetrado. Quando na verdade, o
exame não muda seu comportamento como homem, mas passa a
protegê-lo de uma doença que pode se agravar e atingir outros órgãos,
impossibilitando que ele tenha uma vida longa e plena. Sob esse olhar,
Souza LM, et al. (2011) descreve como a masculinidade interfere na
realização do exame retal, principalmente nas zonas rurais, devido ao
fato de lá os homens terem pensamentos antiquados, em que a
masculinidade prevalece como barreira cultural. Além disso, os homens
destes lugares, muitas vezes, estão sem serviços de saúde para fazer este
exame. Este quadro é diferente dos homens que moram na zona urbana,
os quais tem mais facilidade de buscar este exame, sendo que uma
parcela significativa destes tem acesso nas instituições particulares.
Na compreensão de Freitas MEM, et al. (2015), o exame do toque retal
abala a masculinidade, pois este requer um procedimento que vem de
encontro a certas verdades já instaladas na mente dos homens, e exigirá
que eles transponham a vergonha, o medo e outras situações que os
deixam apavorados e inquietos, fazendo com que se sintam
constrangidos e se recusem em realizar este exame. Fortalecendo o
mesmo pensamento, Oliveira PSD, et al. (2015) divulga que o toque
retal interfere no comprometimento da masculinidade, a partir do que
representa na imaginação deste homem, mesmo que fique salientando
a eficácia do exame pelos especialistas; assim, essa maneira de pensar
impede na sua decisão de fazer. No estudo de Freitas MEM, et al.
(2015) evidencia-se que entre outros fatores da recusa, está que o
médico não solicita o exame de toque retal durante as consultas. Este
exame é importante, mas é insuficiente para detectar o câncer da
próstata; sendo necessário esclarecerimentos para os homens. Outro
fator colocado é a ausência de sintomas, em seu estágio inicial, em
relação a algum possível problema da próstata; fazendo com que muitos
achem que não há necessidades de realizar o exame, pois não sentem
nenhum distúrbio. Contudo, há uma variedade de indicativos
relevantes, mas que são fáceis de serem identificados, e que permitirão
que o homem conheça a sua verdadeira situação, possibilitando que se
tratem.
Descrever os achados da cintilografia óssea em paciente com
câncer de próstata:
A cintilografia óssea é o método mais sensível para a detecção de
metástases esqueléticas do Ca de próstata (o RX simples só se altera em
fases tardias). Como acontece com todo exame de alta sensibilidade,
espera-se uma perda relativa de especificidade (existem várias outras
causas que justificam uma CO alterada, por exemplo: fraturas,
processos degenerativos, doença de Paget do osso).
Desse modo, na atual era do diagnóstico precoce do Ca de próstata, em
que a imensa maioria dos casos é detectada antes do surgimento de
metástases, recomenda-se que a CO seja realizada apenas nos pacientes
com maior probabilidade pré-teste de doença difusa. A solicitação
rotineira desse exame não é recomendada, pois se associa a uma elevada
taxa de falso-positivo, gerando custos adicionais e ansiedade para o
paciente... Modernamente, a CO está indicada nas seguintes situações.
Quando o CaP dissemina metástases, ele mais comumente o faz para os
ossos. Metástases para partes moles (p. ex., pulmão e fígado) são raras
na apresentação inicial. Embora a cintilografia óssea tenha sido
considerada uma parte rotineira da avaliação inicial de homens com
CaP recém-diagnosticado, boas evidências têm se acumulado de que ela
pode ser excluída na maioria desses homens com base no PSA sérico.
Vários pesquisadores têm mostrado que as cintilografias ósseas podem
ser omitidas em pacientes com CaP recém-diagnosticado, não tratado,
que estão assintomáticos, têm doença TI ou T2 e concentrações séricas
de PSA < 20 ng/mL. De fato, essas recomendações estão incorporadas
nas diretrizes clínicas para o tratamento de CaP clinicamente localizado;
porém a cintilografia óssea permanece largamente superutilizada entre
homens com doença de baixo risco, conforme confirmado por
numerosos estudos recentes.
REFERÊNCIA
OBJETIVO 1:
MARIEB, Elaine; WILHELM, Patrícia; MALLAT, Jon.
Anatomia humana - São Paulo : Pearson Education do Brasil, 2014.
OBJETIVO 2:
INCA. Apoio a decisão no rastreamento do câncer de próstata. Disponível:
<https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document/
apoio_decisao_cancer_prostata_2019_0.pdf >. Acesso em 1 mar. 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA. Nota oficial 2018
rastreamento do câncer de próstata. Disponível em:<https://
portaldaurologia.org.br/novidades/noticias/nota-oficial-2018-rastreamento-do-
cancer-de-prostata>. Acesso em 02 mar. 2024.
OBJETIVO 3, 4 e 5
Urologia
OBJETIVO 6:
DE OLIVEIRA, Suzana Leite et. al. Exame retal digital: fatores relacionados
a recusa do homem. Revista eletrônica acervo enfermagem. Vol. 4. Disponível
em:<chrome://external-file/5063-Artigo-53834-3-10-20201106.pdf>. Acesso
em 2 mar. 2024.