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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNESP 
Prof. Fernando Andrade 
Aula 02 – Epistemologia III 
O irracionalismo; Crítica à razão: Escola de Frankfurt e Foucault; 
Filosofia da ciência; Bioética 
estretegiavestibulares.com.br vestibulares.estrategia.com 
EXTENSIVO 
2024 
Exasi
u 
t.me/CursosDesignTelegramhub
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
2 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO 4 
Comentário sobre a exigência do Enem 4 
1. A HORA E A VEZ DA VONTADE 5 
1.1 Schopenhauer 6 
1.1.2 Trechos de Schopenhauer 7 
1.2 Nietzsche: a vontade de poder 7 
1.3 Freud 8 
1.4 Questões de fixação 9 
1.5 Quadro Sinóptico 13 
2. A NEGATIVIDADE DA RAZÃO 14 
2.1 A técnica 16 
3. A ESCOLA DE FRANKFURT 18 
3.1 Escola de Frankfurt e teoria Crítica 19 
3.2 A dialética do Iluminismo: A razão Instrumental 21 
3.3 Uma nota de otimismo: Habermas 22 
3.4 Questões de fixação 22 
3.5 Quadro Sinóptico 28 
4. FOUCAULT: SABER E PODER 29 
4.1 O saber 29 
4.2 O saber tem uma história relações de poder numa sociedade 30 
4.3 Outro exemplo de crítica à razão: o Biopoder 32 
4.4 Fragmentos 32 
4.5 Questões de fixação 33 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
3 
4.6 Quadro sinóptico 37 
5. INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DA CIÊNCIA 38 
5.1 Ciência e método 39 
5.2 História da Filosofia da Ciência: a contemplação 41 
5.3 História da Filosofia da Ciência: o saber ativo 43 
5.3.1 A nova organização do conhecimento: o método 44 
5.4 O ápice da ciência: o Positivismo 46 
5.5 A fenomenologia: o antipositivismo 49 
5.6 As mais recentes concepções da ciência 50 
5.7 Questões de fixação 51 
5.8 Quadro sinóptico 55 
6. INTRODUÇÃO À BIOÉTICA 57 
6.1 A questão da vida 58 
6.2 Experiências desastrosas 60 
6.3 Os problemas éticos já conhecidos 62 
6.4 Os problemas éticos criados pela ciência 62 
6.5 Os direitos 63 
6.6 Questões de fixação 64 
6.7 Quadro sinóptico 69 
7. QUESTÕES 70 
7.1Gabarito 92 
7.2 Questões Comentadas 92 
8. VERSÕES DE AULAS 127 
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS 128 
10. REFERÊNCIAS 129 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
4 
 
Introdução 
 
 Até o pdf anterior, a história contada era a da gloriosa razão. Desde que os gregos inventaram a 
ideia de que o universo era organizado, cuja manutenção era atribuída ao logos, a razão sempre fora 
exaltada em prosa e verso como o meio que o homem teria para a condução de seu destino. 
 Alguns filósofos que surgiram como vozes destoantes, como os céticos, foram jogados para 
debaixo do tapete da tradição que, em larga medida, foi dominada pelo orientação aristotélica-platônica. 
A coisa já começou a engripar no Renascimento. Houve uma tentativa de reestruturar a racionalidade dos 
clássicos, fato que daria origem à ciência moderna. 
 Autores como Hume conseguiram colocar o dedo na ferida. A razão é autorreferente. A 
metodologia e as relações válidas não têm qualquer fundamentação da realidade a não ser o fato de que 
a tecnologia associada à racionalidade parece funcionar muito bem no mundo real. Kant ainda tentou 
salvar sua preciosa razão, mas para isso teve que admitir que ela era limitada. 
 É assim que chegamos à parte divertida da filosofia. Todo aquele pensamento que foi construído 
a duras penas durante séculos começará a ser questionado seriamente. Mas eis que, ali, no começo do 
século XIX, depois de a razão alcançar o céu de brigadeiro com Kant, pensadores, com argumentos de 
peso investiram contra aquilo que eles acreditavam ser uma ilusão: a razão como paradigma da vontade. 
 Na verdade, essa revolta contra a razão começa com uma filosofia ética, de crítica da cultura. Por 
isso, vamos passar rapidamente por 2 filósofos e pelo pai da psicanálise. Se você quiser, pode inclusive 
pular esse capítulo, mas você verá que essa informação o ajudará a entender melhor onde a Epistemologia 
se meteu no século XX. 
Comentário sobre a exigência do Enem 
 O Enem, como até o mundo mineral sabe, não determina exatamente qual é o conteúdo que será 
cobrado. O perfil da prova, baseada em interpretação de texto, permite que a banca utilize quase 
qualquer autor, já que, em muitos, casos, o candidato que tem experiência em leitura de texto de 
filosófico consegue resolver a questão pela leitura atenta. 
 Apesar de não haver o conteúdo discriminado, a análise das questões anteriores permite dizer 
que o conteúdo deste pdf tem baixa incidência no exame. Basicamente, não houve questão sobre 
bioética, e aqueles que cobravam algum conhecimento sobre ciência poderiam ser resolvidos com o que 
foi discutido nos pdfs anteriores. Três tópicos tem alguma recorrência: Nietzsche, Escola de Frankfurt e 
Foucault. 
 Em todo caso, considere ler o pdf inteiro. A história da ciência, a discussão sobre a técnica e 
sobre a bioética fornecem repertório interessante para várias propostas de redação. 
 Bom estudo. 
 
 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
5 
 
1. A hora e a vez da vontade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Até o século XIX, por algum motivo até esotérico, a tese de que a razão poderia se sobrepor às 
paixões continuava inabalável. A figura platônica de dois cavalos sendo dirigidos por um bom condutor, 
ou seja, a razão condutora dos instintos e da ira parecia óbvia demais, até que alguns autores começaram 
a se perguntar: de onde vem a força da razão? 
 A resposta terá que incluir não exatamente a discussão sobre as paixões, algo tão discutido pela 
filosofia, mas pela ressignificação da vontade e do desejo. Para Kant e outros moralistas, o desejo seria 
a força irrefreável que faz o sujeito querer algo, geralmente associada ao corpo; já a vontade se traduz 
por uma força racional calcada na liberdade de aceitar ou não o que a vontade propõe, ou seja, sob o 
comando da razão, pode-se fazer ou deixar de fazer algo. Você pode estar morrendo de preguiça, o desejo 
é não fazer nada, mas a vontade, e Kant diria a boa vontade, impele você a abrir este pdf. Parabéns! 
 Schopenhauer vai inverter ou embaralhar essa equação. 
Só pare um pouco para pensar: Nós somos realmente 
movidos pela razão, ou usamos nossa capacidade de 
fazer raciocínios para justificar desejos? 
 
Ao final desse tópico, responda: 
O que é a vontade para Schopenhauer? 
Qual e a relação que Nietzsche estabelece entre conhecer 
e poder? 
O que significa a frase não somos senhores de nossa 
própria casa, segundo Freud? 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
6 
1.1 Schopenhauer 
 Arthur Schopenhauer (1788-1860) ficou conhecido pela obra O 
mundo como vontade de representação e pelo seu pessimismo, que 
influenciou vários poetas e escritores românticos. Talvez nenhum outro 
filósofo tenha significado tanto para a literatura quanto ele. 
 Sua primeira obra e mais densa de cunho filosófico não obteve nem 
reconhecimento, nem relativo sucesso. No final da vida, com a publicação 
de Paraerga e Paraneponema, uma compilação de aforismos (trechos 
curtos) de cunho ético, o filósofo conseguiu vislumbrar a fama que seu 
nome alcançou até os dias de hoje. 
 O filósofo retoma Kant para acrescentar uma visão bastante particular da divisão Kantiana entre 
fenômeno e coisa em si e para se contrapor à 
racionalidade cantada em verso e prosa pelo filósofo de 
Könisberg. Lembre-se: o filósofo de Konisberg tinha 
abandonado a ideia de coisa em si. Só podemos conhecer 
os fenômenos nos quais os objetos estão envolvidos. Para 
Schopenhauer, é verdade que conhecemos os fenômenos 
pela representação que temos do mundo, por aquilo que 
nossos sentidosnos revelam sobre as coisas, mas também 
conseguimos perceber a realidade por aquilo que a 
constitui em si mesma, e isso não é a razão, mas a 
Vontade. 
 Veja, o pensador trocou o par “representação através de sensações/razão” por 
“representação/vontade. Kant diria recebemos as sensações e o a priori organiza de forma racional o que 
os sentidos nos oferecem. Schopenhauer diria, fazemos representações do mundo na nossa mente, e 
elas são organizadas na nossa subjetividade pela vontade. Mas que vontade é essa? Não é aquela que 
você manifesta quando quer comprar um tênis, embora isso tenha algum parentesco com essa grande 
vontade. Trata-se de algo universal que move o cosmos e é incognoscível para o indivíduo. Ele a sente 
dentro de si e, por isso, cada indivíduo experimenta a coisa em si, mas o homem não é capaz de saber o 
que é essa força e para onde ela vai, ela é irracional, pois não pode ser apreendida pela razão humana. 
 Disso decorre o extremo pessimismo do pensador. A razão humana produz ideias, valores e 
esperanças que não condizem com a Vontade universal. Nesse embate, movido pela ilusão do indivíduo, 
não há como não se frustrar e não sentir dor, aliás uma das frases mais famosas dele é justamente essa: 
“pode-se deduzir que a vida é dor, porque vontade é desejo daquilo que não se tem...” 
 O mais interessante para essa nossa viagem pela Epistemologia é o seguinte: 
 
Fi
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P
ix
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
7 
1.1.2 Trechos de Schopenhauer 
Nas plantas, ainda não há sensibilidade: por conseguinte, não há dor; nos animais mais ínfimos, os 
infusórios e os radiados, apenas um fraco começo de sofrimento; mesmo nos insetos, a faculdade de 
receber impressões e de sofrê-las é ainda muito limitada. É preciso chegar aos vertebrados, com 
o seu sistema nervoso completo, para vê-la aumentar ao mesmo passo da inteligência. Assim, conforme 
o conhecimento se ilumina, a consciência se eleva, a desgraça também vai crescendo; é no homem 
que ela atinge seu mais alto grau, e aí também se eleva tanto mais quanto o indivíduo tem uma visão 
mais clara, é mais inteligente: é aquele em quem o gênio reside que mais sofre. 
* 
Nenhuma verdade é, portanto, mais certa, mais absoluta, mais evidente do que esta: tudo o que 
existe, existe para o pensamento, isto é, o universo inteiro apenas é o objeto em relação a um sujeito. 
Percepção apenas, em relação a um espírito que percebe. Em uma palavra, é pura representação 
- vorstellung. 
 
 
(Schopenhauer, A. O mundo como vontade e representação . Tradução de M. F. Sá Correia. Rio de 
Janeiro: Contraponto, 2001.) 
 
 
1.2 Nietzsche: a vontade de poder 
 Nossa passagem por esse pensador será bastante breve. Friedrich 
Wilheim Nietzsche (1844- 1930) ficou conhecido pela sua agressividade, que 
lhe valeu alguns codinomes como o de “anticristo” ou “o filósofo do martelo”. 
Realmente sua verve era de destruição direcionada sobretudo contra o 
cristianismo, a cultura europeia e até mesmo a ciência. 
 Algumas ideias suas ficaram famosas como: “Deus está morto” e o que 
move o homem é a “vontade de poder”. 
 No caso da primeira, somente sua contextualização pode revelar o seu 
significado. Por mais que Nietzsche atacasse a religião, sobretudo a cristã, ele 
não estava querendo acabar com Deus. Ele estava constatando que, no mundo moderno, a ciência e a 
racionalidade mataram Deus. Os atores sociais relevantes deixaram de ser o padre ou o pastor para 
darem lugar ao cientista e ao especialista. No passado, diante de uma epidemia, as pessoas se voltavam 
para Deus em oração e para os religiosos para aplacar a ira divina. Hoje, diante de uma doença, o indivíduo 
vai ao médico. 
 Nessa nova configuração, a ciência permite que se abra espaço para a crítica da religião e Nietzsche 
explorou isso muito bem. O cristianismo se assenta em valores que vão contra a índole humana, fazendo 
com que prospere a hipocrisia. É próprio da essência humana querer sobrepujar o outro, mas o 
cristianismo prega a humildade. Resumo da ópera: através da fala macia e aparentemente humilde, os 
religiosos tentam se impor hipocritamente. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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 Essa reversão de valores acima do que pode o ser humano levou a sociedade europeia a 
desenvolver a razão. O europeu esconde a vontade de subjugar o outro pela força, submetendo-o em 
nome da racionalidade. Para comprovar isso, basta lembrar que o processo de colonização foi justificado 
como um processo civilizatório. 
 A racionalidade e a ciência seriam formas dominação. Se para Schopenhauer a vontade era 
desconhecida, para Nietzsche ela pode ser caracterizada, ela é vontade de poder, e isso está presente na 
ciência. A ciência não é um campo neutro, no qual o homem procura saciar sua sede de curiosidade e um 
apoio para uma forma sábia de viver. A ciência configura-se como expressão de uma inconfessável luta 
por supremacia. Se você se lembrar da frase de Bacon (“saber é poder”), observará que ela vai adquirir 
outros contornos nem tanto virtuosos. 
1.3 Freud 
 Esse passeio não pelo irracionalismo não poderia terminar sem 
algum comentário sobre o personagem que vai coroar toda essa viagem 
pelo lado obscuro do homem: o pai da psicanálise. Não se trata aqui de 
resumir suas ideias principais, pois a probabilidade de que você tenha 
que resolver alguma questão sobre o pensamento dele é bastante 
remota. Contudo, ele vai influenciar decisivamente o pensamento e a 
filosofia do século XX. Vou apresentar o básico do básico, o 
extremamente necessário para que você possa entender até onde vai o 
irracionalismo. 
 Sigmund Freud(1856-1939) começou sua carreira intelectual como 
médico, tendo se especializado em neurologia. Em 1884 conhece Josef 
Breuer, que desenvolve um método de cura da histeria através da hipnose. No ano seguinte, ganha uma 
bolsa de especialização com o neurologista francês J. M. Charcot. Em 1895, publica junto com Breuer 
Estudos sobre a Histeria. A partir daí começa a profundar suas investigações psicanalíticas. 
 Qual é a grande descoberta de Freud para a filosofia? Ele retoma a ideia de Hume de que o homem 
é um feixe de sensações, a ideia de Schopenhauer de que há uma vontade irracional e a de Nietzsche de 
que o homem é vontade de poder. Contudo, ele não faz isso filosoficamente, mas de maneira prática, 
enfrentando seus pacientes com seus problemas psicológicos. 
 Freud percebe que o caráter de cada indivíduo aparece como uma construção particular que não 
poderia ser explicada mecanicamente. Há uma diferença entre o cérebro, a parte mecânica, e a mente, a 
manifestação dos pensamentos. Um paciente com depressão, por exemplo, não apresenta mudanças 
neurológicas relevantes, mas os pensamentos se alteram e produzem mudanças até mesmo físicas. No 
caso de algumas histéricas, a mente produzia inclusive paralisia em partes do corpo. 
 Partindo, da vivência dos indivíduos e de suas experiências infantis, Freud postula que esse começo 
de vida deixa marcas que irão constituir não só as personalidades particulares, mas também as patologias 
de cada um. Isso porque essas experiências são vividas como conflito interno entre o desejo e as 
repressões interiores. Esse conflito, por ser penoso demais ou vergonhoso demais para o sujeito, é 
cuidadosamente escondido da consciência. Há, portanto, uma parte do próprio eu que não pode se deixar 
reconhecer, o tal do inconsciente. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
9 
 A subjetividade poderia ser entendida por 3 
instâncias que se relacionam: o id (inconsciente), o 
ego (a instância que representa a consciência) e o 
superego (a repressãointernalizada pelo sujeito e 
que surge como um acusador que está dentro de 
cada um). 
 O inconsciente dá indícios de sua existência 
através das fantasias, lapsos e impulsos 
incontroláveis. Essa parte da subjetividade está 
incrustrada na nossa persona e mesmo na nossa 
racionalidade. O ego frequentemente se submente 
aos desejos inconfessáveis ou mesmo desconhecidos, ficando responsável por arranjar desculpas que 
pareçam coerentes para comportamentos injustificáveis. 
 Freud, portanto, dá um golpe terrível nas pretensões de poder compreender a realidade. Somos 
seres do desejo e não da razão, desejos jamais conhecidos. A frase do pai da psicanálise que ecoará contra 
as pretensões racionalistas é assustadora: “o eu não sou mais senhor de sua própria casa”. Ou seja, a 
crença na atitude responsável de um “eu” pensante, capaz de decidir pelos melhores argumentos, 
recebeu a última pá de cal. 
1.4 Questões de fixação 
1. (UNESP 2016) 
Nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das 
vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que 
alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é 
manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. 
Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com 
seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de 
sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza. 
 
(Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado.) 
 
Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer 
a) corrobora os padrões hegemônicos de comportamento da sociedade de consumo atual. 
b) valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana. 
c) valoriza preferencialmente a simplicidade e a humildade, em vez do cultivo de qualidades intelectuais. 
d) prioriza a condição social e a riqueza material como as determinações mais relevantes da vida humana. 
e) realiza um elogio à fé religiosa e à espiritualidade em detrimento da atração pelos bens materiais. 
 
 
Fi
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2. (UNESP 2018) 
Convicção é a crença de estar na posse da verdade absoluta. Essa crença pressupõe que há verdades 
absolutas, que foram encontrados métodos perfeitos para chegar a elas e que todo aquele que tem 
convicções se serve desses métodos perfeitos. Esses três pressupostos demonstram que o homem das 
convicções está na idade da inocência, e é uma criança, por adulto que seja quanto ao mais. Mas milênios 
viveram nesses pressupostos infantis, e deles jorraram as mais poderosas fontes de força da humanidade. 
Se, entretanto, todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem dedicado apenas 
metade de sua força para investigar por que caminho haviam chegado a ela: que aspecto pacífico teria a 
história da humanidade! 
(Nietzsche. Obras incompletas, 1991. Adaptado.) 
Nesse excerto, Nietzsche 
(A) defende o inatismo metafísico contra as teses empiristas sobre o conhecimento. 
(B) valoriza a posse da verdade absoluta como meio para a realização da paz. 
(C) defende a fé religiosa como alicerce para o pensamento crítico. 
(D) identifica a maturidade intelectual com a capacidade de conhecer a verdade absoluta. 
(E) valoriza uma postura crítica de autorreflexão, em oposição ao dogmatismo. 
3. (Autoral) 
“Ainda assim, apesar da grande importância da ciência, ela jamais poderá indicar o “para onde?” de nós. 
Porque desta maneira corre o risco de tornar-se dogmática. O principal, para Nietzsche, está no 
questionamento das verdades, no ceticismo de não aceitar tão facilmente uma verdade nova e na 
experimentação que encontra caminhos não trilhados. Se ela cair novamente em dogmatismos, 
procurando a verdade por trás das coisas, ela se tornará reativa (niilismo reativo). Para Nietzsche, a busca 
por verdades eternas, pontos imutáveis, é sinal de que uma força de criação declina e torna-se fraca.” 
(disponível em https://razaoinadequada.com/2017/03/01/nietzsche-e-a-ciencia/, acessado em 
12.09.2020) . 
 Nesse fragmento, o autor do blog Razão inadequada, comenta a ideia de Nietzsche sobre a ciência. Qual 
das frases abaixo poderia sintetizar a ideia do filósofo alemão? 
 
a) “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” (Alice no país das Maravilhas). 
b) “Na vida, não existe nada a temer, mas a entender.” (Marie Curie) 
c) “O conhecimento é em si mesmo um poder”. (Francis Bacon) 
d) A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez”. (George Bernard Shaw) 
e) “A ciência não passa do bom senso exercitado e organizado”. (Frase de Aldous Huxley) 
 
1.B 
2.E 
3.A 
Gabarito 
t.me/CursosDesignTelegramhub
http://razaoinadequada.com/2015/11/25/niilismo-reativo-a-falsa-morte-de-deus/
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1. (UNESP 2016) 
 
Nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das 
vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que 
alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é 
manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. 
Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus 
próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, 
espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza. 
 
(Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado.) 
 
Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer 
a) corrobora os padrões hegemônicos de comportamento da sociedade de consumo atual. 
b) valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana. 
c) valoriza preferencialmente a simplicidade e a humildade, em vez do cultivo de qualidades intelectuais. 
d) prioriza a condição social e a riqueza material como as determinações mais relevantes da vida humana. 
e) realiza um elogio à fé religiosa e à espiritualidade em detrimento da atração pelos bens materiais. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. A sociedade de consumo considera importante “ter”, o autor afirma que 
“nossa felicidade depende daquilo que somos”. 
Alternativa "b" está correta. O aprimoramento formativo está implícito no seguinte trecho: “um homem 
espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios 
pensamentos”. O espiritualmente rico não se refere a alguém religioso, mas aquele que aprimora suas 
habilidades do pensamento. 
Alternativa "c" está incorreta. O texto defende a tese de que o indivíduo deve se bastar a si mesmo, a 
humildade é sempre uma forma de agir diante do outro. 
Alternativa "d" está incorreta. O autor defende que “ser” é superior ao “ter”, isso está expresso logo nas 
duas primeiras linhas. 
Alternativa "e" está incorreta. Se Schopenhauer estivesse falando de religião, ele deveria dizer que o 
homem “espiritual” deveria se divertir com pensamento voltados para Deus e não com suas próprias 
reflexões. 
Gabarito: B 
 
 
Questões comentadas 
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2. (UNESP 2018) 
Convicção é a crença de estar na posse da verdade absoluta. Essa crença pressupõe que há verdades 
absolutas, que foram encontrados métodos perfeitos para chegar a elas e que todo aquele que tem 
convicções se serve desses métodosperfeitos. Esses três pressupostos demonstram que o homem das 
convicções está na idade da inocência, e é uma criança, por adulto que seja quanto ao mais. Mas milênios 
viveram nesses pressupostos infantis, e deles jorraram as mais poderosas fontes de força da humanidade. 
Se, entretanto, todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem dedicado apenas 
metade de sua força para investigar por que caminho haviam chegado a ela: que aspecto pacífico teria a 
história da humanidade! 
(Nietzsche. Obras incompletas, 1991. Adaptado.) 
Nesse excerto, Nietzsche 
(A) defende o inatismo metafísico contra as teses empiristas sobre o conhecimento. 
(B) valoriza a posse da verdade absoluta como meio para a realização da paz. 
(C) defende a fé religiosa como alicerce para o pensamento crítico. 
(D) identifica a maturidade intelectual com a capacidade de conhecer a verdade absoluta. 
(E) valoriza uma postura crítica de autorreflexão, em oposição ao dogmatismo. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. “Inatismo metafísico” significa que o homem traz algumas verdades na sua 
mente que lhe dão certeza; ora, o autor está dizendo justamente o contrário: não há ideia que possa ser 
considerada segura e fonte de certeza. 
Alternativa "b" está incorreta. O autor diz o contrário, se as pessoas reconhecessem que não têm essa 
verdade que arrogantemente expõem, “que aspecto pacífico teria a história da humanidade!” 
Alternativa "c" está incorreta. Nietzsche nesse trecho crítica a crença, ou seja, critica a fé. 
Alternativa "d" está incorreta. Para Nietzsche não há verdade absoluta, quem acredita em tal tipo de 
verdade é infantil. 
Alternativa "e" está correta. Há um convite implícito à autorreflexão quando ele diz que “se, entretanto, 
todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem dedicado apenas metade de sua 
força para investigar por que caminho haviam chegado”, haveria paz na história da humanidade. Além 
disso, o texto manifesta uma grande crítica ao dogmatismo, às verdades absolutas. 
Gabarito: E 
 3. (Autoral) 
“Ainda assim, apesar da grande importância da ciência, ela jamais poderá indicar o “para onde?” de nós. 
Porque desta maneira corre o risco de tornar-se dogmática. O principal, para Nietzsche, está no 
questionamento das verdades, no ceticismo de não aceitar tão facilmente uma verdade nova e na 
experimentação que encontra caminhos não trilhados. Se ela cair novamente em dogmatismos, 
procurando a verdade por trás das coisas, ela se tornará reativa (niilismo reativo). Para Nietzsche, a busca 
por verdades eternas, pontos imutáveis, é sinal de que uma força de criação declina e torna-se fraca.” 
(disponível em https://razaoinadequada.com/2017/03/01/nietzsche-e-a-ciencia/, acessado em 
12.09.2020) . 
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http://razaoinadequada.com/2015/11/25/niilismo-reativo-a-falsa-morte-de-deus/
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
13 
 Nesse fragmento, o autor do blog Razão inadequada, comenta a ideia de Nietzsche sobre a ciência. Qual 
das frases abaixo poderia sintetizar a ideia do filósofo alemão? 
 
a) “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” (Alice no país das Maravilhas). 
b) “Na vida, não existe nada a temer, mas a entender.” (Marie Curie) 
c) “O conhecimento é em si mesmo um poder”. (Francis Bacon) 
d) A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez”. (George Bernard Shaw) 
e) “A ciência não passa do bom senso exercitado e organizado”. (Frase de Aldous Huxley) 
Comentário. 
Alternativa "a" está correta. Logo no começo do comentário, o autor diz que Nietzsche valoriza a ciência 
justamente por não indicar o “onde”, ideia presente na frase tirada de Alice no país das Maravilhas. 
Alternativa "b" está incorreta. Poderia estar adequado a Nietzsche se a autora dissesse “nada a temer, 
mas a duvidar”. O “entender” supõe uma certeza que Nietzsche procura evitar. 
Alternativa "c" está incorreta. Essa ideia realmente foi retomada por Nietzsche que deu outro sentido a 
ela, mas o comentário em questão destaca o valor que Nietzsche dava para a incerteza. 
Alternativa "d" está incorreta. A explicação do autor do blog não discorre sobre as consequências da 
ciência. 
Alternativa "e" está incorreta. Para Nietzsche, a importância da ciência não está no fato de ser ou não 
bom senso, mas de questionar a posição estável do indivíduo. 
Gabarito: A 
1.5 Quadro Sinóptico 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
14 
 
 
 
 
2. A negatividade da Razão 
 
 
 
 
 
 
 
 A melhor maneira de apresentar este tópico é começando pela história. Por que o Nazismo foi 
uma das experiências mais terríveis da humanidade? Por causa do número de mortos nos campos de 
concentração? Não necessariamente. Extermínio de populações não é algo novo na história da 
humanidade, mas o que torna o nazismo algo abominável tem a ver com o país em que isso aconteceu e 
com os meios utilizados para a matança de tantos seres humanos. 
Para pensar: se a racionalidade deveria produzir um 
mundo melhor, por que vivemos conflitos tão intensos 
na modernidade? 
 
Explique as 3 formas de criticar a razão: o seu 
dogmatismo, seu vínculo com o capitalismo, sua 
relação com a exploração e domínio de populações. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
15 
 Comecemos pela Alemanha. Realmente torna-se 
surpreendente que a nação do maior entusiasta do Iluminismo, 
Kant, tenha se entregado tão rapidamente aos argumentos 
bárbaros e toscos de Hitler. Os alemães instruídos, até mesmo 
em filosofia, deixaram-se convencer por razões obscuras. No 
século XIX, os filósofos acreditavam que a marcha da razão 
livraria os homens de massacres sem sentido, como os que 
haviam ocorrido durante a Reforma Protestante. 
 No século XX, a racionalidade não foi suficiente para 
barrar a barbárie. Aliás, ela até auxiliou no processo. 
 Nunca antes na história da humanidade houve um 
massacre tão bem planejado no qual se percebeu o uso da 
racionalidade voltada para fins, marca da Modernidade. 
 Segundo Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão, a racionalidade moderna se distingue por 
orientar ações relacionadas a fins, baseando-se no cálculo dos meios. Essa forma de agir torna a ação mais 
eficaz. 
 No caso dos campos de concentração, estava presente uma racionalidade moderna calcada no 
planejamento. Os problemas de como matar seres humanos era técnico instrumental. Como fazer para 
estocar seres humanos? Qual a melhor maneira de transportá-los? Que método de morte poderia ser 
mais barato? 
 Note que os campos da morte pareciam indústrias em que se procurava manter a produtividade 
da morte. Nos episódios de massacres ocorridos antes de Auschwitz, normalmente, as pessoas eram 
mortas no calor da batalha, por ódio ou vingança. Na Alemanha, a barbárie foi técnica e meticulosamente 
calculada. 
 Onde estava a razão? 
 Vamos relembrar. A racionalidade na Antiguidade que estava ligada a uma certa aristocracia dos 
espíritos passa, a partir do Renascimento, a ser critério de validade para os discursos sociais de validação 
de práticas éticas e políticas. A ciência ganha espaço e se torna independente da filosofia. 
 Esse avanço da razão na Europa justificou a ideologia de superioridade dos habitantes do velho 
continente. Mas esse ímpeto não seria tão significativo se o Capitalismo nascente não fosse também 
tributário e também propulsor do pensamento racional. A avanço tecnológico confirmou a hegemonia 
da razão, pois tecnicamente os europeus tinham condições materiais de subjugar os outros povos e assim 
o fizeram em nome da “civilização”, ou seja, em nome dos mais altos valores da razão. 
 A aliança entre racionalidade a serviço do capital e do poder político foi crucial paraa crise da 
razão. As exigências econômicas, baseadas em números e projeções, foram “enfiadas goela abaixo” aos 
cidadãos do mundo, apesar de ir contra o bem-estar das pessoas. Em meados do século XX, a ideia de 
Schopenhauer de que a razão seria somente um instrumento de justificação da vontade torna-se 
evidente não só no que diz respeito ao comportamento do indivíduo, mas também como paradigma da 
sociedade. 
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 Qual foi o real problema? A racionalidade científica e filosófica, ao final do século XIX, propôs ideias 
“verdadeiras” que levaram o mundo à morticínios. Desde regimes planificados, como o da URRS ou China, 
até à defesa da Liberdade Democrática por parte das potências capitalistas. Em nome do “eu estou certo, 
pois tenho razões racionais para isso”, houve derramamento de sangue e exploração sem precedentes. 
 Além disso, ficou evidente que a racionalização da vida esvazia o sentido simbólico da existência 
deixando um vazio, incapaz de ser preenchido por respostas científicas. Uma certa sensação de que a 
modernidade, ao destruir as formas tradicionais de vida, baseadas em valores morais e ideais religiosos, 
destruí também formas de viver que permitam a solidariedade coletiva. Um movimento tradicionalista 
de repúdio à modernidade e à razão tomou forma no começo do século XX. 
 Estamos numa encruzilhada. 
 A razão se mostrou tão tirânica quanto o pensamento 
teológico e mítico. Contudo, sobretudo através da 
ciência, proporcionou-nos avanços inquestionáveis. Não 
conseguimos mais viver sem todos os avanços 
tecnológicos. Dai surge a questão: se rejeitarmos a 
razão, o que nos resta? O pensamento preconceituoso 
e autoritário baseado na verdade de uma pessoa que se 
diz iluminada por Deus? 
 Outro problema relacionado à racionalidade tecnológica começa a se desenhar. Os avanços que a 
humanidade conseguiu através da ciência estão além de nossa capacidade de dominá-los. Por exemplo, 
os drones utilizados pelos EUA para vigilância e espionagem processam uma quantidade de informações 
que se tornou impossível processá-las e dar significado a elas. O uso do algoritmo, rotinas matemáticas 
capazes de selecionar informações, tornam essa atividade humana automatizada. Mas isso não está 
restrito à área informacional. Pense nos avanços na genética, e nas possibilidades imprevisíveis de se 
utilizar os rearranjos dos genes. Pense nos avanços da física e as possibilidades de intervir no mundo físico 
etc. 
2.1 A técnica 
 No dicionário, você encontra a seguinte definição 
para a palavra “técnica”: "conjunto de procedimentos 
ligados a uma arte ou ciência". Em filosofia, diríamos que se 
trata de ações metodicamente adotadas como meio de 
conseguir um fim. 
 Tomemos como exemplo a agricultura, que para os 
gregos era uma técnica. Tratava-se de um saber de como, 
quando e de que forma se poderiam plantar as sementes 
para que se pudesse controlar o processo natural do 
crescimento das plantas. O processo em si era um meio para se conseguir o que era realmente importante, 
abundância de alimentos e, portanto, saciedade e conforto. 
 A técnica, portanto, parte da observação empírica, não exatamente para conhecer o real, mas para 
desenvolver práticas de alteração do real. Nesse sentido, há um parentesco entre técnica e magia. Os 
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rituais que nossos antepassados faziam para conseguir algum tipo de benefício eram meios para 
conseguir algum tipo de vantagem. Tratava-se do "lado negro" da força. 
Os rituais de adoração em que o ser humano entrava em comunhão com a divindade ou com a 
natureza eram um procedimento simbólico cheio de significados com a finalidade de tornar a vida das 
pessoas mais plena e satisfatória. O ritual de adoração tinha caráter universal. Já a magia não. Era vista 
como um uso secundário dos rituais, muitas vezes impróprio, porque o indivíduo poderia se apropriar de 
forças poderosas para uso particular e mesquinho. 
Quando surge a filosofia e a ciência na Grécia, esses campos de conhecimento trazem a marca da 
divisão que existia entre religião e magia. O conhecimento não deveria ser procurado por seu caráter 
instrumental, mas por si mesmo. Saber como o universo funciona levaria a uma contemplação muito 
próxima da reverência religiosa. Com raras exceções, os gregos tinham verdadeiro desprezo pelo 
conhecimento técnico. Para eles, essa preocupação com o mundo da vida, como tornar mais confortável 
o cotidiano, era preocupação própria para comerciantes e escravos. 
A expansão comercial e marítima no século XV, na Europa, exige o desenvolvimento de técnicas 
nunca antes experimentadas e pautadas no conhecimento científico. Lentamente, vai se estabelecendo 
uma relação íntima entre ciência e técnica, até porque a ciência nascente compartilha do empirismo 
próprio da técnica. 
Mas o que dá realmente impulso ao que hoje chamamos tecnologia é o Capitalismo e a Revolução 
Industrial. O sistema econômico pautado pela acumulação de Capital exige que se amplie a produção 
para que haja ganhos cada vez maiores. Ora, a produção só pode ser aumentada se for organizada por 
procedimentos metódicos racionais. Além disso, as máquinas, inventadas a partir de conceitos da física, 
mostram o caminho de como se pode não só usar o ritmo da natureza em favor próprio (como se faz na 
agricultura), mas criar algo novo com um sistema próprio independente das forças naturais. 
No século XX, consolida-se a "tecnologia", como o final da palavra já menciona, "logia", trata-se 
de um conhecimento. Finalmente, a técnica deixa de ser o "patinho feio" ou o "lado negro" do 
conhecimento para se tornar o saber mais importante e mais valorizado no mundo moderno. 
Contudo, ela não perdeu seu caráter de meio, só que, dado o avanço da tecnologia, parece que 
perdemos a resposta para isso. Meio para quê? Para consumirmos o último lançamento da Apple? Para 
poder se valer de videoconferência? Para ter um carro de último modelo? 
Não sei se você percebeu, mas as respostas também não dão a finalidade da tecnologia. Aristóteles 
nos lembra que a finalidade da vida é ser feliz, não viver de forma confortável. Lógico que conforto faz 
parte, mas de que adianta toda a tecnologia se o ritmo que esse mundo tecnológico imprime à vida nos 
torna mais estressados e infelizes? 
Quando se considera, verdadeiramente, a tecnologia, observa-se que ela se tornou um fim para 
o Capital. Através da tecnologia, as empresas podem aumentar a produção ou lançar produtos que 
devem estimular o consumo. Ora, o capital não pode ser fim em si mesmo, porque ele não é humano. O 
dinheiro sempre foi meio para que o homem conseguisse fazer trocas. Sendo assim, a crítica filosófica 
que se faz à tecnologia é que ela se tornou um obstáculo à verdadeira procura pelo bem-estar humano. 
Em nome de razões técnicas que devem ser adotadas, esquece-se de que, no plano social, o fim deve ser 
o próprio homem e não as bugigangas que criamos cada vez mais para ganhar dinheiro ou para diversão. 
Vale a pena aqui considerar a história do aprendiz de feiticeiro, imortalizado em uma animação 
da Disney. No desenho, Mickey é um aluno ansioso por aprender as técnicas mágicas de seu mestre, mas 
o que ele aprende é somente limpar com as próprias mãos o laboratório do mágico. Um dia, o feiticeiro 
deixa o aprendiz sozinho com todas as informações necessárias para realizar qualquer tipo de mágica e 
solicita que ele limpe toda a bagunça. Por que fazer isso com as próprias mãos, se ele pode usar a magia 
a seu favor, não é mesmo? 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III18 
Mickey então abre os livros proibidos e, através das palavras mágicas, faz o mundo à sua volta 
trabalhar a seu favor: vassouras, baldes, escovões ganham vida. O problema é que ele não consegue 
controlar as forças potentes que ele mesmo despertou. O laboratório fica inundado, os objetos não 
param, desesperado ele fica sem saber o que fazer. A situação só volta ao normal quando o feiticeiro 
retorna. 
Essa metáfora dá uma ideia de um dos grandes desafios do século XXI: a tecnologia ganhou uma 
tal dimensão de possibilidades que o homem não consegue abarcá-las. As forças tecnológicas estão 
soltas e, não necessariamente estão sendo direcionadas para o benefício da própria sociedade. 
 Vamos considerar duas vertentes críticas que têm como alvo a tecnologia, não como forma de 
negá-la, mas como forma de entender seus limites e perigos. 
 
3. A Escola de Frankfurt 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não mencionei o Nazismo à toa. A grande crítica que foi feita ao conhecimento partiu 
de pensadores que experimentaram na pele o que foi o Nazismo: Theodor Adorno, Walter Benjamin, Max 
Horkheimer, Herbert Marcuse, entre outros. 
 Todos eles tinham em comum o fato de terem passado algum tempo no Instituto de Pesquisa 
Social, fundado em Frankfurt e por serem marxistas não ortodoxos. O Instituto foi criado em 1923 com a 
finalidade de reinterpretar o marxismo. Dada a falência das expectativas revolucionárias. Eles se voltam 
para a análise cultural. 
 O desmascaramento das relações de exploração não levou imediatamente à revolução. Algo 
impedia a tomada de consciência de classe operária, a alienação proporcionada, sobretudo, pelas ideias 
mistificadoras da cultura. Eles passam, portanto, a estudar principalmente aquilo que Marx chamava de 
superestrutura. Utilizavam, para isso, tanto as ideias de Freud quanto as ideias de Max Weber, fazendo 
uma fusão teórica que permitiu outras interpretações da sociedade capitalista. 
 Com a ascensão do nazismo, o Instituto mudou-se para Genebra (1933) e depois para Nova Iorque 
(1935). 
 
Para responder: 
 
Qual é o traço mais importante da Teoria crítica? 
O que a expressão dialética do Iluminismo significa? 
Como Habermas evita o negativismo próprio da Escola 
de Frankfurt? 
 
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3.1 Escola de Frankfurt e teoria Crítica 
 Esse aglomerado de pensadores geniais que se reuniram em torno do Instituto Social 
consideraram a necessidade de fazer uma crítica aos pressupostos da ciência e de considerar uma outra 
teoria para o conhecimento. 
 Vamos a explicação do filósofo... 
Em meu ensaio "Teoria Tradicional e Teoria Crítica” apontei a diferença entre 
dois métodos gnosiológicos. Um foi fundamentado no Discours de la Méthode 
[Discurso sobre o Método], cujo jubileu de publicação se comemorou neste 
ano, e o outro, na crítica da economia política. A teoria em sentido tradicional, 
cartesiano, como a que se encontra em vigor em todas as ciências 
especializadas, organiza a experiência à base da formulação de questões que 
surgem em conexão com a reprodução da vida dentro da sociedade atual. Os 
sistemas das disciplinas contém os conhecimentos de tal forma que, sob 
circunstâncias dadas, são aplicáveis ao maior número possível de ocasiões. A 
gênese social dos problemas, as situações reais nas quais a ciência é empregada 
e os fins perseguidos em sua aplicação, são por ela mesma consideradas 
exteriores. – A teoria crítica da sociedade, ao contrário, tem como objeto os 
homens como produtores de todas as suas formas históricas de vida. As 
situações efetivas, nas quais a ciência se baseia, não são para ela uma coisa 
dada, cujo único problema estaria na mera constatação e previsão segundo as 
leis da probabilidade. O que é dado não depende apenas da natureza, mas 
também do poder do homem sobre ele. Os objetos e a espécie de percepção, 
a formulação de questões e o sentido da resposta dão provas da atividade 
humana e do grau de seu poder." 
— Max Horkheimer, "Filosofia e Teoria Crítica", 1968. 
 
 O que ele quis dizer? 
 Horkheimer considera a finalidade da ciência. Desde de Descartes, 
esse tipo de metodologia racional é encarada como uma forma neutra de 
atacar problemas colocados pela sociedade. Podemos tomar como exemplo 
o desenvolvimento de energia limpa. A crise ambiental exigiu respostas, e a 
ciência se debruçou sobre o problema produzindo teorias e possibilidades de 
intervenção para reverter o problema. 
 A teoria crítica supõe um grau acima: por que a ciência se põe a resolver tais questões? A 
ciência surge em determinado contexto histórico e perpassada de intencionalidades sociais que não são 
apresentadas de imediato, daí a sensação de que o cientista é um espécie de sacerdote da verdade, cujo 
interesse se volta unicamente para o conhecimento. E qual é o contexto? 
 A ciência está a serviço de uma ordem política e econômica que produz “um mundo administrado”. 
Razão e ciência são coadjuvantes no processo de homogeneização e padronização de formas de viver na 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Horkheimer
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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sociedade capitalista. O método utilizado para isso é a dialética negativa. O grupo entende que a realidade 
deve ser captada pelo paradoxo, mas diferentemente de Hegel, que supunha um momento de superação 
das contradições, os frankfurtianos entendem a dinâmica da antinomia constante entre autonomia e 
liberdade como um mecanismo de impedir a liberdade humana. E essa análise se espraia para a 
epistemologia, ética e estética. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ímpeto à valorização da subjetividade própria da 
modernidade poderia levar o homem a poder 
afirmar o seu próprio caminho, mas a sociedade 
que satisfaz parâmetros de consumo elimina 
qualquer possibilidade de traço próprio do 
indivíduo. 
Ética 
A reprodução da arte deveria levar as pessoas a entrar em 
contato do um tipo de manifestação que produz uma 
aprimoramento da sensibilidade, mas essa reprodutibilidade a 
serviço da indústria cultural torna a arte banal. 
 
 Estética 
A ciência deveria libertar o homem das tradições, mas 
leva-o a agir de forma padronizada 
Teoria da 
Ciência 
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3.2 A dialética do Iluminismo: A razão Instrumental 
 De toda produção dos filósofos ligados à escola de Frankfurt, o que realmente interessa para a 
nosso caminho na epistemologia é a crítica que esses pensadores fizeram à 
ciência e à técnica. Talvez o texto mais impactante seja Dialética do 
Iluminismo, escrito por Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkeimer 
(1895-1973), que foi publicado em 1947. 
 Para ilustrar a crítica, os autores relembram um episódio da Odisséia. 
Ulisses estava voltando para casa depois de ter participado da Guerra de Tróia 
por mar e teria que passar num estreito habitado por sereias. Como o grego 
era muito astucioso, resolveu ouvir o canto delas, mas sem se colocar em 
risco. Cuidadosamente, ele coloca cera nos ouvidos dos marinheiros que 
estão remando e pede que o amarrem ao mastro da embarcação. Feito isso, 
ele consegue usufruir do canto a partir dessa dominação, seja dos outros, seja 
de si mesmo. 
 A esperteza de Ulisses revela uso de uma racionalidade voltada a fins específicos, calcula os meios 
e orienta suas ações para conseguir o que deseja. Adorno e Horkheimer chamaram esse tipo de uso da 
razão de instrumental. 
 É essa racionalidade que separa o guerreiro das 
sereias; é a ciência e a técnica que separaram o 
homem moderno do mundo mítico e religioso. O 
mundo dos seres sobrenaturais representava um 
mundo encantado, no qual o homem encontravaalgum acolhimento, mesmo que ilusório. O 
mundo tecno-científico é pautado pela 
objetividade e frieza. Ulisses tem êxito, assim 
como a ciência conseguiu resolver vários 
desafios propostos pela natureza. 
 Mas a que custo Ulisses consegue tudo 
isso? Ao custo da exploração e controle dos seus marinheiros e de ser amarrado. Esse tipo de 
racionalidade não permitiu a liberdade do homem autônomo proposta por Kant. 
 Quando o Iluminismo elevou a razão como meio para alcançar o ápice do que é humano em nós, 
isso representou o golpe final no pensamento mítico. Começa ascensão da ciência e da técnica como 
forma inequívoca de se relacionar com a natureza. 
 Contudo, nesse processo, não se percebeu que também o homem faz parte da natureza. Nesse 
sentido, a tecnologia intensifica a exploração dos próprios homens e da natureza. Os homens, servindo 
de apêndice das máquinas na revolução industrial, ou a forma como nossos comportamentos se regulam 
pelos paradigmas dos computadores, hoje em dia, são fatos que ilustram essa ideia dos dois alemães. 
 Nesse ponto, é possível compreender com clareza o que significa Dialética do Esclarecimento. O 
iluminismo estimulou o pensamento racional, realmente exitoso da modernidade, é em seu bojo que a 
razão traz tanto a possibilidade de autonomia nos moldes kantianos, quanto o seu contrário, o controle e 
Herbert James Draper: 'Ulisses e as sereias' 1909) 
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Theodor Adorno 
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a exploração. Trata-se de uma visão bem pessimista, pois, por mais que os ideais da razão permitam uma 
visão crítica do mundo, na prática, o que vivenciamos é o cálculo instrumental. 
 
 
3.3 Uma nota de otimismo: Habermas 
 Jurgen Habermas (1929) foi assistente de Theodor Adorno e compartilhou com o mestre a crítica 
ao positivismo lógico e outras concepções de tal maneira que é comum classificar Habermas como um 
expoente tardio da Escola de Frankfurt. Contudo, ele procurou algum tipo de abertura que a teoria dos 
frankfurtianos não permitia. 
 Volta-se para a democracia como meio de alcançar a emancipação que a razão por si só não é 
capaz de promover. Ele desenvolve a teoria da ação comunicativa. Os grandes críticos da razão 
cometeram um erro, pois tomaram a razão instrumental como um todo, quando ela é apenas parte do 
processo e, se for restrita aos fins propostos (tornar a vida do homem mais confortável), ela não 
representaria nenhum perigo. 
 Primeiro, ele segue o diagnóstico de Adorno usando outros dois conceitos: mundo da vida e 
sistema. Mundo da vida é a esfera da reprodução simbólica, da linguagem e da rede de significados 
construídos coletivamente. Sistema refere-se à estrutura de reprodução material (algo como o sistema 
capitalista), onde predomina a razão instrumental. O problema surge quando o sistema coloniza a mundo 
da vida. 
 Para evitar isso, os atores sociais devem se valer da razão comunicativa. Nas sociedades 
democráticas, as decisões devem se pautar pela discussão pública dos temas relevantes para a 
coletividade. O próprio pressuposto da democracia – a liberdade de expressão - reforça a possibilidade. 
Os atores sociais poderiam fazer uso da razão comunicativa na esfera pública, construindo um consenso 
a partir dos melhores argumentos, o que levaria à limitação do sistema e fortaleceria o mundo da vida. 
3.4 Questões de fixação 
1. (Uel 2011) 
Leia o texto a seguir. 
 
 Francis Bacon, em sua obra Nova Atlântida, imagina uma utopia tecnocrática na qual o 
sofrimento humano poderia ser removido pelo desenvolvimento e pelo aperfeiçoamento do 
conhecimento científico, o qual permitiria uma crescente dominação da natureza e um suposto 
afastamento do mito. Na obra Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer defendem que o 
projeto iluminista de afastamento do mito foi convertido, ele próprio, em mito, caindo no dogmatismo e 
em numa forma de mitologia. O progresso técnico-científico consiste, para Adorno e Horkeheimer, no 
avanço crescente da racionalidade instrumental, a qual é incapaz de frear iniciativas que afrontam a 
moral, como foram, por exemplo, os campos de concentração nazistas. 
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Com base no texto e nos conhecimentos sobre o desenvolvimento técnico-científico, é correto afirmar: 
a) Bacon pensava que o incremento da racionalidade instrumental aliviaria as causas do sofrimento 
humano, apesar de a razão, a longo prazo, sucumbir novamente ao mito. 
b) Adorno e Horkheimer concordavam que o progresso científico não consegue superar o mito, mas se 
torna um tipo de concepção mítica incapaz de discriminar o que é certo do que é errado moralmente. 
c) Adorno e Horkheimer sustentavam que o crescente avanço da racionalidade instrumental consistia 
num incremento da capacidade humana de avaliar moralmente. 
d) Bacon apontava que o aumento da capacidade de domínio do homem sobre a natureza conduziria os 
seres humanos a uma forma de dogmatismo. 
e) Tanto Adorno e Horkheimer quanto Bacon viam o progresso técnico e científico como a solução para 
os sofrimentos humanos e para as incertezas morais humanas. 
2. (Autoral) 
Para responder à próxima questão, leia o texto abaixo. 
 
No entanto, no século XX, a Filosofia passou a desconfiar do otimismo científico-tecnológico do século 
anterior em virtude de vários acontecimentos: as duas guerras mundiais, o bombardeio de Hiroshima e 
Nagasaki, os campos de concentração nazistas, as guerras da Coréia, do Vietnã, do Oriente Médio, do 
Afeganistão, as invasões comunistas da Hungria e da Tchecoslováquia, as ditaduras sangrentas da 
América Latina, a devastação de mares, florestas e terras, os perigos cancerígenos de alimentos e 
remédios, o aumento de distúrbios e sofrimentos mentais, etc. 
Uma escola alemã de Filosofia, a Escola de Frankfurt, elaborou uma concepção conhecida como Teoria 
Crítica, na qual distingue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. 
 
A razão instrumental é a razão técnico-científica, que faz das ciências e das técnicas não um meio de 
liberação dos seres humanos, mas um meio de intimidação, medo, terror e desespero. Ao contrário, a 
razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e 
afirma que as mudanças sociais, políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como 
finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico 
sobre a Natureza, a sociedade e a cultura. 
(Chauí, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editorar Ática, 2000) 
 
 
A razão é um dos temas mais importantes da filosofia. O texto acima faz a diferenciação entre razão 
crítica e razão instrumental. Como essa divisão pode ser relacionada com o grande tema da 
racionalidade que vêm desde a época dos gregos? 
a) Razão instrumental e a razão crítica são dois lados da mesma moeda da razão grega: a primeira serve 
como justificativa dos grandes crimes da humanidade; a segunda fornece os instrumentos teóricos para 
a viabilidade da razão tecnicista. 
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b) No texto, a razão instrumental aparece como uma face intimidatória da racionalidade proposta pela 
filosofia, enquanto a razão crítica manteria a promessa de uma possibilidade de autonomia, na medida 
em que expressa os perigos do tecnicismo. Ambas podem ser encaradas como desdobramento da 
apologia da razão que vem dos gregos. 
c) A razão crítica mantém a aparência de emancipação, quando, na verdade, capitula diante dos 
imperativos do capitalismo, dinamizado pela razão instrumental; ou seja, nenhuma das duas se 
relaciona com a razão grega. 
d) A razão instrumental é o modo mais apropriadode dominar a Natureza, enquanto a razão crítica tem 
a finalidade de submeter a sociedade e a cultura; as duas representam os ideais da razão grega. 
e) A razão crítica se manifesta como racionalidade cínica, na medida em que manifesta a má fé, ao 
justificar os crimes da humanidade; a razão instrumental se expressa nos meios encontrados pelos 
homens para minimizar os efeitos da razão crítica. 
 
3(Uel 2011) Leia o texto a seguir. 
 
 Habermas distingue entre racionalidade instrumental e racionalidade comunicativa. A 
racionalidade comunicativa ocorre quando os seres humanos recorrem à linguagem com o intuito de 
alcançar o entendimento não coagido sobre algo, por exemplo, decidir sobre a maneira correta de agir 
(ação moral). A racionalidade instrumental, por sua vez, ocorre quando os seres humanos utilizam as 
coisas do mundo, ou até mesmo outras pessoas, como meio para se alcançar um fim (raciocínio meio e 
fim). 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria da ação comunicativa de Habermas, é correto 
afirmar: 
a) Contar uma mentira para outra pessoa buscando obter algo que desejamos e que sabemos que não 
receberíamos se disséssemos a verdade é um exemplo de racionalidade comunicativa. 
b) Realizar um debate entre os alunos de turma da faculdade buscando decidir democraticamente a 
melhor maneira de arrecadar fundos para o baile de formatura é um exemplo de racionalidade 
instrumental. 
c) Um adolescente que diz para seu pai que vai dormir na casa de um amigo, mas, na verdade, vai para 
uma festa com amigos, é um exemplo de racionalidade comunicativa. 
d) Alguém que decide economizar dinheiro durante vários anos a fim de fazer uma viagem para os 
Estados Unidos da América é um exemplo de racionalidade instrumental. 
e) Um grupo de amigos que se reúne para decidir democraticamente o que irão fazer com o dinheiro 
que ganharam em um bolão da Mega Sena é um exemplo de racionalidade instrumental. 
 
 
1.B 
2.B 
Gabarito 
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3.D 
 
1. (Uel 2011) Leia o texto a seguir. 
 
 Francis Bacon, em sua obra Nova Atlântida, imagina uma utopia tecnocrática na qual o 
sofrimento humano poderia ser removido pelo desenvolvimento e pelo aperfeiçoamento do 
conhecimento científico, o qual permitiria uma crescente dominação da natureza e um suposto 
afastamento do mito. Na obra Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer defendem que o 
projeto iluminista de afastamento do mito foi convertido, ele próprio, em mito, caindo no dogmatismo e 
em numa forma de mitologia. O progresso técnico-científico consiste, para Adorno e Horkeheimer, no 
avanço crescente da racionalidade instrumental, a qual é incapaz de frear iniciativas que afrontam a 
moral, como foram, por exemplo, os campos de concentração nazistas. 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o desenvolvimento técnico-científico, é correto afirmar: 
a) Bacon pensava que o incremento da racionalidade instrumental aliviaria as causas do sofrimento 
humano, apesar de a razão, a longo prazo, sucumbir novamente ao mito. 
b) Adorno e Horkheimer concordavam que o progresso científico não consegue superar o mito, mas se 
torna um tipo de concepção mítica incapaz de discriminar o que é certo do que é errado moralmente. 
c) Adorno e Horkheimer sustentavam que o crescente avanço da racionalidade instrumental consistia 
num incremento da capacidade humana de avaliar moralmente. 
d) Bacon apontava que o aumento da capacidade de domínio do homem sobre a natureza conduziria os 
seres humanos a uma forma de dogmatismo. 
e) Tanto Adorno e Horkheimer quanto Bacon viam o progresso técnico e científico como a solução para 
os sofrimentos humanos e para as incertezas morais humanas. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. Bacon não percebeu que “a longo prazo, (a ciência poderia) sucumbir novamente ao 
mito”. 
Alternativa b, verdadeira. Essa ideia está explícita no seguinte trecho “projeto iluminista de afastamento 
do mito foi convertido, ele próprio, em mito”. 
Alternativa c, falsa. O avanço da racionalidade instrumental não incrementa a capacidade moral da 
humanidade, mas, segundo o texto, ele é “incapaz de frear iniciativas que afrontam a moral.” 
Alternativa d, falsa. Bacon acreditava que a ciência livraria o homem do dogmatismo. 
Alternativa e, falsa. O texto aponta justamente a oposição entre os pesadões: Bacon era entusiasta da 
ciência, Adorno e Horkheimer eram críticos da ciência. 
Gabarito: B 
 
2. (Autoral) 
Questões comentadas 
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26 
Para responder à próxima questão, leia o texto abaixo. 
 
No entanto, no século XX, a Filosofia passou a desconfiar do otimismo científico-tecnológico do século 
anterior em virtude de vários acontecimentos: as duas guerras mundiais, o bombardeio de Hiroshima e 
Nagasaki, os campos de concentração nazistas, as guerras da Coréia, do Vietnã, do Oriente Médio, do 
Afeganistão, as invasões comunistas da Hungria e da Tchecoslováquia, as ditaduras sangrentas da 
América Latina, a devastação de mares, florestas e terras, os perigos cancerígenos de alimentos e 
remédios, o aumento de distúrbios e sofrimentos mentais, etc. 
Uma escola alemã de Filosofia, a Escola de Frankfurt, elaborou uma concepção conhecida como Teoria 
Crítica, na qual distingue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. 
 
A razão instrumental é a razão técnico-científica, que faz das ciências e das técnicas não um meio de 
liberação dos seres humanos, mas um meio de intimidação, medo, terror e desespero. Ao contrário, a 
razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e 
afirma que as mudanças sociais, políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como 
finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico 
sobre a Natureza, a sociedade e a cultura. 
(Chauí, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editorar Ática, 2000) 
 
 
A razão é um dos temas mais importantes da filosofia. O texto acima faz a diferenciação entre razão 
crítica e razão instrumental. Como essa divisão pode ser relacionada com o grande tema da 
racionalidade que vêm desde a época dos gregos? 
a) Razão instrumental e a razão crítica são dois lados da mesma moeda da razão grega: a primeira serve 
como justificativa dos grandes crimes da humanidade; a segunda fornece os instrumentos teóricos para 
a viabilidade da razão tecnicista. 
b) No texto, a razão instrumental aparece como uma face intimidatória da racionalidade proposta pela 
filosofia, enquanto a razão crítica manteria a promessa de uma possibilidade de autonomia, na medida 
em que expressa os perigos do tecnicismo. Ambas podem ser encaradas como desdobramento da 
apologia da razão que vem dos gregos. 
c) A razão crítica mantém a aparência de emancipação, quando, na verdade, capitula diante dos 
imperativos do capitalismo, dinamizado pela razão instrumental; ou seja, nenhuma das duas se 
relaciona com a razão grega. 
d) A razão instrumental é o modo mais apropriado de dominar a Natureza, enquanto a razão crítica tem 
a finalidade de submeter a sociedade e a cultura; as duas representam os ideais da razão grega. 
e) A razão crítica se manifesta como racionalidade cínica, na medida em que manifesta a má fé, ao 
justificar os crimes da humanidade; a razão instrumental se expressa nos meios encontrados pelos 
homens para minimizar os efeitos da razão crítica. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. Os gregos tinham uma visão otimista em relação à razão e a 
consideravam na sua dimensão pura, ou seja, associada à contemplação e não de forma utilitária. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III27 
Alternativa "b" está correta. Marilena Chauí diz textualmente que a razão instrumental representa “não 
um meio de liberação dos seres humanos, mas um meio de intimidação”, enquanto a razão crítica tem 
como foco análises que “só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação 
do gênero humano”. O desenvolvimento das duas é um desdobramento da filosofia grega cuja 
perspectiva era racionalista. 
Alternativa "c" está incorreta. As duas são desdobramentos da filosofia grega. 
Alternativa "d" está incorreta. A razão crítica, como o nome já diz, tem como finalidade contestar a 
sociedade tecnicista. 
Alternativa "e" está incorreta. A razão crítica mantém o ímpeto de emancipação, não é cínica. 
Gabarito: B 
3.(Uel 2011) Leia o texto a seguir. 
 
 Habermas distingue entre racionalidade instrumental e racionalidade comunicativa. A 
racionalidade comunicativa ocorre quando os seres humanos recorrem à linguagem com o intuito de 
alcançar o entendimento não coagido sobre algo, por exemplo, decidir sobre a maneira correta de agir 
(ação moral). A racionalidade instrumental, por sua vez, ocorre quando os seres humanos utilizam as 
coisas do mundo, ou até mesmo outras pessoas, como meio para se alcançar um fim (raciocínio meio e 
fim). 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria da ação comunicativa de Habermas, é correto 
afirmar: 
a) Contar uma mentira para outra pessoa buscando obter algo que desejamos e que sabemos que não 
receberíamos se disséssemos a verdade é um exemplo de racionalidade comunicativa. 
b) Realizar um debate entre os alunos de turma da faculdade buscando decidir democraticamente a 
melhor maneira de arrecadar fundos para o baile de formatura é um exemplo de racionalidade 
instrumental. 
c) Um adolescente que diz para seu pai que vai dormir na casa de um amigo, mas, na verdade, vai para 
uma festa com amigos, é um exemplo de racionalidade comunicativa. 
d) Alguém que decide economizar dinheiro durante vários anos a fim de fazer uma viagem para os 
Estados Unidos da América é um exemplo de racionalidade instrumental. 
e) Um grupo de amigos que se reúne para decidir democraticamente o que irão fazer com o dinheiro 
que ganharam em um bolão da Mega Sena é um exemplo de racionalidade instrumental. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. Racionalidade comunicativa significa recorrer à linguagem para chegar a um 
entendimento baseado na sinceridade dos participantes; nesse sentido, a mentira deve ser excluída ou 
denunciada como algo que prejudica o entendimento coletivo. 
Alternativa b, falsa. A forma democrática reflete a racionalidade comunicativa, mas a reunião tem como 
finalidade a racionalidade instrumental para resolver uma questão particular do grupo. 
Alternativa c, falsa. O interesse de um adolescente privado, não tem o caráter público da racionalidade 
comunicativa. 
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Alternativa d, verdadeira. O uso do cálculo para resolver um problema define a racionalidade 
instrumental. 
Alternativa e, falsa. Trata-se de circunstância similar a descrita na alternativa “b”. 
Gabarito: D 
3.5 Quadro Sinóptico 
 
 
 
 
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4. Foucault: saber e poder 
 
 
 
 
 
 
É dentro desse contexto de denúncia do saber como forma de submissão que o filósofo Michael 
Foucault (1926-1984) surge na pensamento europeu. A sua crítica não seguirá o caminho da denúncia 
da história imperialista dos europeus, mas atacará a trajetória do saber no Ocidente, algo que revela na 
própria ciência uma prática voltada para a exclusão e marginalização. 
 Vamos a apresentação básica, tirada da Wikipedia. 
Michel Foucalt (1926-1984) “foi um filósofo, historiador das ideias, teórico 
social, filólogo, crítico literário e professor da cátedra História dos Sistemas do 
Pensamento, no célebre Collège de France, de 1970 até 1984 (ano da sua 
morte). Suas teorias abordam a relação entre poder e conhecimento e como 
eles são usados como uma forma de controle social por meio de instituições 
sociais. Embora muitas vezes seja citado como um pós-estruturalista e pós-
modernista, Foucault acabou rejeitando esses rótulos, preferindo classificar 
seu pensamento como uma história crítica da modernidade. Seu pensamento 
foi muito influente tanto para grupos acadêmicos, quanto para ativistas.” 
4.1 O saber 
 A primeira coisa que Foucault desconstrói é a singularidade dada pelos ocidentais ao 
conhecimento científico. Para ele, trata-se um saber e como tal é uma formação discursiva. Veja como 
ele expressa isso no fragmento abaixo. 
Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se 
encontra assim especificada: o domínio constituído pelos diferentes objetos 
que irão adquirir ou não um status científico; (...) um saber é, também, o espaço 
em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa 
em seu discurso; (...) um saber é também o campo de coordenação e de 
subordinação dos enunciados em que os conceitos aparecem, se definem, se 
aplicam e se transformam; (...) finalmente, um saber se define por 
possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso 
(FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 
2013). 
Para responder: 
 
Como o saber se associa ao poder? 
Existe para Foucault saber neutro? 
O que é biopoder? 
 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Fil%C3%B3sofo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_das_ideias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filologia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Coll%C3%A8ge_de_France
https://pt.wikipedia.org/wiki/Poder
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Controle_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-estruturalismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade
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30 
 Nesse fragmento, Foucault considera o discurso científico não a partir da sua metodologia 
rigorosa, mas da forma como ele distribui poderes. A ciência escolhe um objeto, por exemplo, a vida, a 
“bio”, e gera discursos sobre esse objeto. Essa prática cria hierarquias, quem deve ser o agente capacitado 
para emitir opiniões sobre a vida, quem deve ser o espectador. Além de dar ao agente a legitimidade de 
interferência no real. O discurso validado em uma sociedade como aquele capaz de emitir verdades está 
atrelado ao poder. 
 Como comprovar essa tese? A ideia que temos da ciência e da razão é que elas descobrem a 
verdade que estava aí jogada no mundo. 
Era uma vez, havia uma força da gravidade. Ninguém dava por ela, 
embora as pessoas continuassem a cair. Até que um dia, Newton 
descobre essa verdade sobre o mundo impulsionado pela sua inocente 
vontade de conhecer. Foucault diria, reveja essa história. A constituição 
de uma nova teoria deu um lugar social a Newton que quase nenhum 
homem ocupou. Ao se voltar para a natureza manipulável e criar um discurso e até uma teoria sobre isso, 
ele também criava o lugar da autoridade. 
4.2 O saber tem uma história relações de poder numa sociedade 
 Normalmente, o método filosófico se pauta pelo estabelecimento de premissas abstratas e, 
consequentemente, tiram-se conclusões dessa ideia. Por exemplo, Kant, ao exaltar a razão, considera as 
partes da racionalidade, atividade empírica e processamento mental dos dados, para daí tirar uma série 
de conclusões. Foucault considera que, dessa forma, não se percebe a relação entre o saber, o poder e a 
história. 
 Ele toma outro caminho. Retoma uma técnica de Nietzschede deixar a história falar e chama esse 
procedimento de método genealógico, ou seja, método que busca o nascimento (gene) de uma 
determinada ideia cara à modernidade, pois assim ele destrói o edifício inteiro do saber, como atividade 
humana e desinteressada. 
 Apontar os canhões da história para qual ideia? Ora, para a mais importante do mundo 
contemporâneo, a ideia de razão como proposta pelos iluministas com pompa e circunstância. No livro A 
história da Loucura, Foucault deixa claro o seu método. 
Persegue a história do conceito loucura para atacar o seu 
contrário: a racionalidade. 
 Na Antiguidade, a loucura não tinha o significado que 
hoje possui, uma espécie de patologia que relega o indivíduo 
à situação de menoridade intelectual, necessitando ou de 
medicação, ou de ser tutelado. Os indivíduos acometidos 
pelo que hoje chamamos loucura eram considerados como 
portadores do espírito divino, ou tomados pelos daimons 
(espírito) do excesso. Circulavam livremente pela praça pública. 
 Na Idade Média, a loucura começa a ser associada ao herético, ao excêntrico e ao bruxo. Figuras 
que podem ser integradas ou marginalizadas de acordo com a conveniência. No Renascimento, no qual 
as cidades ganham relevo, o louco passa a ser todo indivíduo que “suja” a cidade, ou seja, o mendigo, a 
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gu
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31 
prostituta, o sifilítico etc. Outro espaço é organizado para estes que deve ficar à parte, a nau dos loucos, 
uma embarcação que ficava à deriva no Mediterrâneo. 
 A partir do Iluminismo, e com o nascimento da sociedade industrial, o louco passa a ser associado 
ao indivíduo incapaz de se tornar produtivo segundo critérios da mentalidade burguesa: estabelecimento 
de fins e uso do pensamento instrumental. Mendigos, vadios, desempregados serão lançados nos asilos, 
naquilo que Foucault chamou de Grande Internação. Percebeu como o conteúdo da palavra “loucura” foi 
sendo alterado? 
 
 
 
 
 Sim, é verdade. Mas se a ciência considerasse esse pressuposto, você acha que poderia haver 
psiquiatria? Se loucura é uma doença etiquetada historicamente, por que passar anos estudando o 
funcionamento da mente humana, se loucura não existe? A resposta de Foucault é: porque hoje há uma 
necessidade história para se definir doença mental. Desde o Iluminismo, a razão tornou-se parâmetro 
fundamental para o saber e o poder. 
 Para Foucault, essa história da senhora loucura deixa claro que o seu inverso também é uma 
construção mental cuja finalidade é simplesmente criar dispositivos de poder. Vejamos. A modernidade 
criou necessidades de uso de metodologias que não eram exigidas no passado. Algumas pessoas não se 
acostumaram ou tiveram problemas com esse novo modo de viver. Surgiram os problemas que começam 
a ser percebidos como “doença”. Cria-se o objeto “loucura”. A partir dessa definição, uma série de estudos 
são feitos descrevendo, definindo, hierarquizando tal patologia. Esse saber permite ao detentor do 
conhecimento medicar, separar, internar aquele é que é alvo da nova ciência. 
 Mas não é só por isso que Foucault resolveu estudar a loucura. Qual é o contrário da loucura? 
Acertou quem disse razão. 
 A razão iluminista não era neutra e não significa a liberdade do homem de sua menoridade. 
Representava um expediente que permitiu, ao longo dos dois últimos séculos, varrer para debaixo de 
asilos e hospícios aqueles que não se submetiam à uniformização de uma sociedade pautada pela tal 
racionalidade. 
 No passado, a fé penalizava e mandava para fogueira os sem-fé. Isso pareceu escandaloso para os 
iluministas. Pois agora a razão manda para o arcabouço da história os sem-razão com o pretexto de seriam 
doentes. 
 Falando da loucura, Foucault explica a relação entre poder e saber e, ao mesmo tempo, 
desmistifica a razão. 
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32 
4.3 Outro exemplo de crítica à razão: o Biopoder 
 Inicialmente, Foucault considera a mudança de paradigma social em que passamos da sociedade 
da punição para a sociedade disciplinar. Em seu livro Vigiar e Punir, ele faz questão de mostrar o 
nascimento da sociedade moderna a partir da maneira como eram tratados os fora da lei. Por volta do 
século XVII, as punições eram exemplares, mas ocasionais. Eram horríveis, sem dúvida, um espetáculo 
grotesco, mas eram raras. As sociedades modernas começam a abolir os suplícios e a humanizar os 
castigos. Contudo, isso ocorre a partir da criação de instituições disciplinares de controle e vigilância 
social: a escola, o quartel ou o manicômio. Na verdade, o controle se faz através do corpo. Retomaremos 
essa questão em política. 
 Depois de disciplinados, o poder se torna mais sutil ainda. Trata-se de mecanismos de poder “que 
fazem viver”, pois as práticas visam a garantir o desenvolvimento do indivíduo. Desses mecanismos o 
mais bem sucedido relaciona-se à saúde. O desenvolvimento da biologia e da medicina realmente 
proporcionou bem-estar ao homem. O Estado moderno assumiu o papel de organizar a saúde pública. Em 
nome desta tarefa, a nação passou a ser monitorada, através de estatísticas que apresentem o aumento 
populacional, o número de nascimento, os tipos de mortes etc. 
 Mas o Estado não deve somente registrar o que acontece, ações em nome da saúde pública são 
tomadas mesmo que isso signifique uma interferência na liberdade do indivíduo. O poder faz viver, por 
conta disse, administra a vida do cidadão. O preço pago é o controle e a vigilância. Antigamente, o 
padre extraia os segredos inconfessáveis do indivíduo para a saúde da alma; atualmente, o médico faz o 
mesmo para saúde do corpo. 
 Realmente, depois de considerar tanto a Escola de Frankfurt quando as ideias de Foucault, 
percebe-se o dilema no qual a razão se meteu: a razão pode dar vazão ao desejo irracional de poder e 
controle. 
4.4 Fragmentos 
Fragmento 1 
 É interessante como Foucault desqualifica a verdade científica. Deixa claro que, para ele, a 
demonstração científica é um ritual e que o cientista não é um sujeito perpassado pela objetividade 
atemporal. É um sujeito de carne e osso, submetido a desejos e vontades. A verdade é produzida como 
efeito de verdade. 
Eu gostaria de fazer valer a verdade-raio contra a verdade-céu, isto é, 
mostrar por um lado como esta verdade-demonstração (...) identificada, 
grosso modo, em sua tecnologia, com a prática científica (...), deriva na 
realidade da verdade-ritual, da verdade acontecimento, da estratégia, como 
a verdade-conhecimento no fundo não passa de uma região e de um aspecto, 
um aspecto que se tornou pletórico, que adquiriu dimensões gigantescas, 
mas um aspecto ou uma modalidade, mais uma vez, da verdade como 
acontecimento e da tecnologia dessa verdade-acontecimento. Mostrar que 
a demonstração científica no fundo nada mais é que um ritual, mostrar que 
o sujeito supostamente universal do conhecimento na realidade nada mais é 
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33 
que um indivíduo historicamente qualificado de acordo com certo número de 
modalidades, mostrar que a descoberta da verdade é na realidade certa 
modalidade de produção da verdade. 
Foucault, Michel. O poder psiquiátrico. São Paulo: Martins Fontes, 2006. 
Fragmento 2 
 No fragmento abaixo, Foucault investe contra a objetividade do cientista. Ele é um sujeito que 
procura um poder, vive em um determinado espaço (de pesquisa), explora as conveniências de sua fala 
que se replicam de acordo com as práticas sociais. 
Quais tipos de saber vocês querem desqualificar no momento em que vocês 
dizem ser este saber uma ciência? Qual sujeito falante, qual sujeito 
discorrente, qual sujeito de experiência e de saber vocês querem minimizar 
quando dizem:‘eu, que faço esse discurso, faço um discurso científico e sou 
cientista’? Qual vanguarda teórico-política vocês querem entronizar, para 
destacá-la de todas as formas maciças, circulantes e descontínuas de saber? 
Foucault, Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2005. 
Fragmento 3 
[...]’’biopolítica da população, que age sobre a espécie humana, sobre o corpo 
como espécie, com o objetivo de assegurar sua existência. Questões como as 
do nascimento e da mortalidade, do nível de vida e da duração da vida estão 
ligadas não apenas a um poder disciplinar, mas a um tipo de poder que se 
exerce no âmbito da espécie, da população, com o objetivo de gerir a vida do 
corpo social[...] 
Foucault, Michel. Nascimento da Biopolítica. Lisboa: Edições70, 2010. 
 
Para pensar... 
 
 
4.5 Questões de fixação 
1. Q (Autoral) 
 
O que Foucault diria do 
negacionismo científico de 
hoje? 
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34 
“O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder (não é − não obstante um 
mito, de que seria necessário esclarecer a história e as funções − a recompensa dos espíritos livres, o 
filho das longas solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo; ela 
é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse fragmento, Foucault expressa seu conceito de verdade; segundo o autor, a verdade é 
a) refutada pelo poder. 
b) utilizada para estabelecer critérios de ação. 
c) constituída por práticas contingentes. 
d) regulamentada pela política. 
e) revelada pela história. 
 
2. Q.(Autoral) 
“Queria ver como estes problemas de constituição podiam ser resolvidos no interior de uma trama 
histórica, em vez de remetê−los a um sujeito constituinte. E preciso se livrar do sujeito constituinte, 
livrar−se do próprio sujeito, isto é, chegar a uma análise que possa dar conta da constituição do sujeito 
na trama histórica. E isto que eu chamaria de genealogia, isto é, uma forma de história que dê conta da 
constituição dos saberes, dos discursos, dos domínios de objeto, etc., sem ter que se referir a um 
sujeito, seja ele transcendente com relação ao campo de acontecimentos, seja perseguindo sua 
identidade vazia ao longo da história.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse trecho, Foucault explica o seu método genealógico. Qual o papel que a história desempenha? 
a) a trama histórica constituiu os valores e a subjetividade moderna. 
b) o resgate da história valoriza os sujeitos que tornaram possível o mundo atual. 
c) a história manifesta o processo de construção das verdades universais que desconsideravam o sujeito. 
d) a história se revela como campo onde se podem resolver os problemas gerados pela subjetivação 
excessiva. 
e) o uso do conhecimento histórico pode limitar o narcisismo preponderante na sociedade atual. 
 
3. (Enem (Libras) 2017) 
“O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa 
não unicamente ao aumento das suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas à 
formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e 
inversamente. Forma-se então uma política das coerções, que são um trabalho sobre o corpo, uma 
manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos.” 
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987. 
Na perspectiva de Michel Foucault, o processo mencionado resulta em 
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35 
a) declínio cultural. 
b) segregação racial. 
c) redução da hierarquia. 
d) totalitarismo dos governos. 
e) modelagem dos indivíduos. 
 
 
1.C 
2.A 
3.E 
 
1. Q (Autoral) 
“O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder (não é − não obstante um 
mito, de que seria necessário esclarecer a história e as funções − a recompensa dos espíritos livres, o 
filho das longas solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo; ela 
é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse fragmento, Foucault expressa seu conceito de verdade; segundo o autor, a verdade é 
a) refutada pelo poder. 
b) utilizada para estabelecer critérios de ação. 
c) constituída por práticas contingentes. 
d) regulamentada pela política. 
e) revelada pela história. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. Refutar pode significar “rejeitar”, o texto diz que a verdade “não existe 
fora do poder”, ou seja, ela jamais poderia ser rejeitada pelo poder, pois faz parte dele. 
Alternativa "B" está incorreta. O autor não diz que ela serve como critério de ação, mas que ela é 
resultado da ação do poder, como dá a entender o seguinte trecho “ela é produzida nele graças a 
múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder”. 
Alternativa "C" está correta. “Contingentes” significa por práticas acidentais, ocasionais, por aquilo que 
acontece em um determinado momento. Se a verdade é formada pelo poder e o poder é fluído, a 
verdade depende da ocasião e do que é mais relevante em dado momento, portanto, ela se associa a 
práticas contingentes. 
Gabarito 
Questões comentadas 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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Alternativa "D" está incorreta. O texto diz que a verdade “produz (no mundo) efeitos regulamentados 
de poder”, ou seja, ela é produzida pelo poder, mas produz regulamentações, ou seja, ela não 
exatamente é regulamentada pelo poder, embora isso possa acontecer. 
Alternativa "E" está incorreta. Nesse fragmento, o autor não fala da história e, na sua obra, a história 
não revela a verdade, pelo contrário, mostra-se que a verdade é uma conveniência. 
Gabarito: C 
 
2. Q.(Autoral) 
“Queria ver como estes problemas de constituição podiam ser resolvidos no interior de uma trama 
histórica, em vez de remetê−los a um sujeito constituinte. E preciso se livrar do sujeito constituinte, 
livrar−se do próprio sujeito, isto é, chegar a uma análise que possa dar conta da constituição do sujeito 
na trama histórica. E isto que eu chamaria de genealogia, isto é, uma forma de história que dê conta da 
constituição dos saberes, dos discursos, dos domínios de objeto, etc., sem ter que se referir a um 
sujeito, seja ele transcendente com relação ao campo de acontecimentos, seja perseguindo sua 
identidade vazia ao longo da história.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse trecho, Foucault explica o seu método genealógico. Qual o papel que a história desempenha? 
a) a trama histórica constituiu os valores e a subjetividade moderna. 
b) o resgate da história valoriza os sujeitos que tornaram possível o mundo atual. 
c) a história manifesta o processo de construção das verdades universais que desconsideravam o sujeito. 
d) a história se revela como campo onde se podem resolver os problemas gerados pela subjetivação 
excessiva. 
e) o uso do conhecimento histórico pode limitar o narcisismo preponderante na sociedade atual. 
Comentário. 
Alternativa "A" está correta. Ao começar o texto afirmando “Queria ver como estes problemas de 
constituição podiam ser resolvidos no interior de uma trama histórica”, Foucault expressa a ideia de que 
sujeito e valores são construídos historicamente, não têm substância atemporal. 
Alternativa "B" está incorreta. No seu texto, o filósofo deixa claro que o sujeito histórico não é 
importante, ele avalia as práticas sociais e não indivíduos em particular. 
Alternativa "C" está incorreta. Foucault nãoacredita em “verdades universais”, já que elas seriam 
produtos de uma prática social precisa. 
Alternativa "D" está incorreta. O texto se debruça sobre a formação do sujeito e não sobre o que 
acontecerá no futuro. 
Alternativa "E" está incorreta. O autor não emite opinião sobre o homem contemporâneo, não afirma 
que há narcisismo preponderante e nem defende a tese de que o uso do conhecimento poderia limitar 
esse processo. 
Gabarito: A 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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3. (Enem (Libras) 2017) 
“O momento histórico das disciplinas é o momento em que nasce uma arte do corpo humano, que visa 
não unicamente ao aumento das suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua sujeição, mas à 
formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto é mais útil, e 
inversamente. Forma-se então uma política das coerções, que são um trabalho sobre o corpo, uma 
manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos.” 
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987. 
Na perspectiva de Michel Foucault, o processo mencionado resulta em 
a) declínio cultural. 
b) segregação racial. 
c) redução da hierarquia. 
d) totalitarismo dos governos. 
e) modelagem dos indivíduos. 
 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O autor fala, na verdade, na ascensão de práticas que têm como alvo o 
corpo, e não a cultura. 
Alternativa "b" está incorreta. Foucault fala de um processo de disciplinarização dos corpos no geral, e 
não relacionado a uma raça. 
Alternativa "c" está incorreta. Uma política de coerções geral não se relaciona com uma hierarquia em 
que a coerção já está concretizada nos direitos das classes, sendo desnecessárias as práticas de 
submissão. 
Alternativa "d" está incorreta. O totalitarismo envolve coerção através da violência, o autor fala de 
coerção através de práticas sutis de dominação. 
Alternativa "e" está correta. A ideia de modelagem pode ser inferida do seguinte trecho: “uma 
manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos”. 
 
Gabarito: E 
4.6 Quadro sinóptico 
 
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5. Introdução à Filosofia da Ciência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Até agora, nos divertimos com a história da filosofia do conhecimento. Fomos da lenta 
construção da ideia de razão como método eficaz para conhecer o mundo até a crise da racionalidade 
em pleno século XXI. 
 Mas faltou falar com mais propriedade de uma filha dileta da filosofia do conhecimento, a 
ciência. Rigorosamente falando, não deveria haver muita diferença entre ciência e epistemologia, mas é 
que esse menina nascida no Renascimento ganhou vida própria e causou discussões em torno daquilo 
A racionalidade não tem qualquer 
superioridade diante de outros tipos de 
saber, quando se considera a relação entre 
saber e poder. 
 
Para considerar: 
 
Diferencie saber contemplativo de saber ativo. 
Relacione ciência e método. 
Caracterize o Positivismo. 
Explique o conceito de falseabilidade. 
Explique a ideia de paradigma. 
 
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que é extremamente caro ao pensamento científico, o método. Nesse sentido, vale a reservar algumas 
páginas para discutir a própria ciência e seus desafios. 
5.1 Ciência e método 
 
 Mas afinal, o que é ciência? Ah, a resposta não deve ser tão difícil já que, ao falar sobre filosofia, 
fui fazendo algumas comparações com a ciência. A primeira observação não diz muito, etimologicamente 
ciência significa conhecimento. Bom, aí, você já sabe. Até mito pode ser um conhecimento. O que 
diferencia essa área de outras? O objeto e o método. 
 O objeto, nós já vimos qual é. A ciência se volta para o mundo físico. Sua finalidade é fazer 
afirmações sobre esse mundo que não sejam meras opiniões, mas que se mostrem adequadas a como o 
universo se comporta. No sentido de se desconfiar do senso comum, a ciência segue o mesmo caminho 
da filosofia. A resposta do senso comum não é válida a não ser que possa ser justificada por um método 
muito preciso e que tenha se mostrado eficiente. 
 Em ciência, queremos saber como cada coisa nesse mundo funciona: como as plantas se 
desenvolvem, qual a composição dos elementos, por que os objetos caem, por que temos febre etc. Essas 
perguntas podem ser respondidas através do mito, de crendices e até de superstições. São respostas. Ou 
através do método científico, desenvolvido a partir de 1500 d. C. 
 Esse método tem uma história e, depois, vamos nos debruçar 
sobre ele. Por ora, precisamos é saber como é o método científico. 
 Vamos considerar como exemplo, a descoberta do sistema 
circulatório do corpo humano, algo banal hoje em dia. Até 1600 d. 
C, acreditava-se na teoria de Galeano ( 131-201 d.C.). Para ele, o 
coração era simplesmente uma espécie de câmara de combustão 
que deveria aquecer o sangue. O pulmão era o responsável por fazer 
com que o sangue entrasse em contato com “espíritos vitais” que 
davam ânimo ao corpo. O sangue chegava a todo corpo num vai e vem como o das marés. 
 Mas, no início do século XVII, o inglês Willian Harvey 
descobriu que o coração tinha outra finalidade: bombear o sangue 
através das veias e artérias. Como ele descobriu isso? 
 
Image from Harvey's Exercitatio 
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Ele desconfiou das ideias de 
Galeano 
 
Questionamento 
Observou animais abertos e o 
funcionamento do coração, 
observou que o coração era um 
músculo. 
 
Observação 
Levantou a hipótese de que o 
coração deveria ser uma espécie de 
bomba que servia para fazer 
circular o sangue. 
Hipótese 
Ele fez uma experiência: parou a 
circulação do sangue em um braço 
com um torniquete para provar que 
o sangue corria de forma circular. 
 Experimento:: provocar 
fenômenos em condições 
controladas (no laboratório, por 
exemplo) 
E fez um cálculo matemático para 
provar que a teoria de Galeano era 
absurda. 
 
Verificar em quantos casos os 
fenômenos esperados ocorrem. 
Levantamento estatístico. 
Tendo feito isso, sua hipótese se 
tornou uma teoria. 
 
Resultado final: a hipótese se 
torna uma teoria ou é 
descartada. 
 A ciência é, portanto, um conhecimento ativo sobre o mundo, pois ela se volta para a descoberta 
dos processos físicos para melhor se apropriar deles. Conhecendo o funcionamento do aparelho 
circulatório, foi possível desenvolver técnicas cirúrgicas para interferir em doenças do coração, por 
exemplo. 
 Tal conhecimento só pode se dar em torno de fenômenos que se repetem, ou seja, fenômenos 
regulares, pois atendem ao requisito daquela expressão estranha, o que é, é; o que não é, não é. A ciência 
só pode ter como matéria aquilo que apresenta algum tipo de coerência. 
 Fundamental para o desenvolvimento do método científico foi a validação da indução como forma 
de processar os dados e a observação empírica como forma de recolher informações. Para entender 
melhor isso, é preciso outra história. 
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5.2 História da Filosofia da Ciência: a contemplação 
 Quando esse olhar metódico sobre a natureza surge na história humana? Ah, nós já vimos. Surge 
como filosofia pré-socrática. Mas aquele tipo de conhecimento ainda não era a ciência que conhecemos 
hoje, porque ele era especulativo. 
 O que isso significa? Que eles observavam de fato a natureza, levantavam hipóteses que eram 
lógicas, dedutivas. Não se preocupavam em provar empiricamentea hipótese que levantaram. Além 
disso, era um conhecimento diletante. Segundo o dicionário Priberam on-line, essa palavra significa 
“Que ou quem se dedica a algo por prazer, e não como modo de ganhar a vida”. Aqueles filósofos eram 
nobres que não precisavam ganhar a vida e, como não tinham nada para fazer, pensavam na vida, ou 
melhor, no mundo. O conhecimento para eles era uma marca de almas elevadas. 
 Veja que isso está muito distante da ciência moderna, que tem uma postura ativa. O conhecimento 
deve se tornar técnica e ajudar-nos a viver melhor na Terra. 
 Então vamos para uma rápida história da ciência nesse período em que predominava a 
contemplação como postura e a especulação dedutiva como método. 
 Nossa história, como já foi dito, começa lá com os Pré-socráticos, os 
pensadores que eram “pela” procura de um elemento que pudesse 
explicar a constituição material do universo e como ele funciona. O pai 
de todo esse movimento, Tales (século VII a.C) não só propôs a água 
como elemento fundamental (o que para nós parece bobagem) como 
também a matemática, campo do pensamento puro. 
 Mas foi Pitágoras (século VI a.C), outro grande pensador, que dará um passo importante dentro 
do pensamento científico grego. Ele elege a matemática como elemento primordial da formação do 
mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
Pois é, isso é para você perceber como essa ciência era especulativa. Pitágoras supunha que toda 
a ordem do universo seguia pressupostos matemáticos, a linguagem da natureza seria essa, portanto, ela 
seria um elemento primordial. Uma das formas que ele prova isso é através da música. Uma coisa sempre 
impressionou qualquer pensador: por que alguns sons são percebidos como barulhos e outros como 
música? Ele analisou as composições musicais a partir do instrumento lira, e percebeu que havia uma 
relação de proporcionalidade entre as cordas, uma era de um tamanho, a outra era 3/4 desse tamanho 
a outra 1/2 e assim por diante. 
Ou seja, quando escutamos uma música, o que, lá fundo, nosso cérebro processa é a matemática. 
E aliás, você deve conhecer algo dele, pois foi quem formulou o célebre teorema de Pitágoras, que permite 
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descobrir medidas de um triângulo. Na geometria, ainda outro pensador surge, Euclides (século III a.C), e 
estabelece os fundamentos da área do conhecimento: o ponto, a reta e o plano. 
Outro monstro da ciência especulativa foi Demócrito (século V a.C), que introduziu a ideia de 
átomos, retomada posteriormente com muito sucesso. 
Na Mecânica, surgiu Arquimedes (século III a.C), responsável por 
aquela lei do empuxo que estudamos até hoje: força exercida por um 
fluido sobre um objeto mergulhado total ou parcialmente nele. A história 
é interessante. O rei havia pedido para o sábio que descobrisse se sua 
coroa era de ouro maciço ou se ele tinha sido enganado. Detalhe: ele não 
poderia derreter a peça. Com esse problema na cabeça, ele foi tomar 
banho e percebeu "um corpo imerso em um líquido irá flutuar, afundar 
ou ficar neutro de acordo com o peso do líquido deslocado por este 
corpo". 
 Aí foi só mergulhar na água um bloco de ouro que deveria ter a mesma massa da coroa e depois 
mergulhar a própria coroa e ele descobriu que... ela era uma fraude. Ah... ele também teria inventado a 
expressão "Eureka". 
Na medicina, outro pensador famoso, Hipócrates (século V a. C), formulou os pressupostos de 
uma medicina que perduraria por séculos. Ele tentou resolver o problema do que seria a doença. Sua 
resposta seria de acordo com a crença de cosmos ordenado dos gregos, doença é uma desarmonia. Ele 
percebeu que havia líquidos no corpo: sangue, fleuma (os líquidos transparentes e viscosos) e a bílis. Para 
seu modelo, ele imaginou que deveria haver um quarto líquido, não observável e que seria responsável 
pela melancolia: a bílis negra. Esses fluídos deveriam estar em doses certas. Por isso, muito tempo mais 
tarde, ainda se acreditava que, quando alguém estava doente, deveriam ser aplicadas sanguessugas para 
forçar o corpo a voltar à sua harmonia. 
Mas quem vai definir o que será ciência durante os próximos séculos será Aristóteles (século IV 
a.C). Esse pensador, já conhecido, amante da biologia, deu os primeiros passos para o que seria o método 
experimental. Ele acreditava que conhecer algo era saber sua essência, daí a necessidade de observar os 
animais para separá-los por espécies e defini-los bem, pois daí, seguindo um raciocínio dedutivo a partir 
do que o animal era, tornava-se possível conhecer a natureza. 
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Na física e na astronomia, ele deixou suas marcas. 
Aceitou a teoria dos quatro elementos, água, ar, terra e 
fogo, e supôs que o movimento era provocado pelo fato de 
esses elementos estarem à procura do lugar natural deles. 
Quando alguém solta uma pedra, ela cai, pois o seu lugar é 
embaixo. Isso revela algo muito importante dessa física 
aristotélica. Ele entende o universo como uma hierarquia 
de elementos. Cada coisa deveria estar no seu lugar. 
Reelaborou as ideias de Eudoxo (século VI a.C). O 
universo seria finito limitado pela esfera do Céu. Fora disso, 
haveria absolutamente nada. A Terra seria o centro do 
universo envolta em sete círculos onde estão cravados os 
sete corpos celestes, Sol, Lua e os cinco planetas. Ao todo 
deveriam existir 55 esferas para que as ligações mecânicas 
pudessem ocorrer. 
Observe, novamente, como esse modelo era 
especulativo. Só para se ter uma ideia, eles não supunham 
a possibilidade de os movimentos dos astros ocorrerem em forma de elipse, pois tal forma geométrica 
não era perfeita como o círculo. 
Em linhas gerais, essa ciência grega é que vai predominar até o Renascimento, quando começa de 
fato o que chamamos de ciência moderna. 
5.3 História da Filosofia da Ciência: o saber ativo 
O Renascimento foi um movimento cultural, econômico que surgiu na Europa entre os séculos XIV 
e XVI, inspirado nos valores da Antiguidade (antropocentrismo e racionalismo). Esse movimento 
reformulou totalmente a forma de viver na Europa, dando início à Idade Moderna. 
O comércio floresce na região a partir do século XIII, outra classe social torna-se um ator social 
importante, o burguês, e novas necessidades surgem, demandando respostas criativas e técnicas para 
situações, como a das navegações. 
 Dos séculos XIV ao XVI, toda uma nova cultura é criada no velho continente: novas artes, novos 
conhecimentos, novos métodos de abordar o real. 
Surge, então, o primeiro "sábio" preocupado com a natureza, que vai revolucionar a forma de 
produzir conhecimento sobre o mundo: Galileu Galilei (1564-1642 d.C). 
 Antes de mais nada, vamos para o básico desse senhor que ousou descobrir mais do que devia. É 
sabido seu grande pecado, dizer que a Terra não é o centro do universo, pecado que demorou séculos 
para ser perdoado pela Igreja. 
Ele aperfeiçoa lentes e faz um telescópio com o qual começa a observar as estrelas. Contraria 
Aristóteles em relação ao que o pensador havia falado sobre a lua e começa a questionar seriamente o 
geocentrismo. Valendo-se da observação da realidade, de instrumentos e de cálculos matemáticos, ele 
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revoluciona o conhecimento e coloca novas questões para a Teoria do Conhecimento que só seriam 
sistematizadas mais tarde como Ciência. Mas o que havia de tão subversivo nessa forma de conhecer do 
italiano? 
 
5.3.1 A nova organização do conhecimento: o métodoE, no princípio, Aristóteles criou o Organon, e o Organon criou o conhecimento. Este poderia ser 
o início mais sistematizado da história da Teoria do Conhecimento. Mas o que é esse tal de Organon? É 
o nome dado à reunião de textos sobre lógica do pensador grego. A palavra significa “instrumento”, 
pois era o meio pelo qual alguém poderia alcançar a verdade, já que estaria apto para conduzir bem o 
raciocínio. 
 Só que isso já não bastava para os novos tempos. A lógica aristotélica não impediu o 
desenvolvimento de um tipo de conhecimento baseado na tradição, típico da Idade Média e se mostrou 
estéril para a elaboração de técnicas que permitissem avançar no conhecimento do mundo. Na verdade, 
a união entre racionalismo antigo e teologia acabou redundando na Escolástica. 
 Essa forma de ciência baseava-se na tradição e no método dedutivo. Por conta disso, durante 
quase dois séculos, não se produziu conhecimento significativo. O Renascimento comercial precisava de 
outras matrizes de conhecimento. O mundo que se descortinava era bastante diferente daquele que os 
livros desenhavam. 
Surgiram pensadores maravilhosos, homens que mudaram a face da Europa: Copérnico, Galileu, 
Colombo, Paracelso etc. Não se apoiavam nos instrumentos do passado para suas grandes contribuições 
para a humanidade. Era preciso um novo Organon... 
Abandonou o argumento de autoridade, do senso 
comum e desprezou a tradição. 
Observou atentamente a realidade, valendo-se 
inclusive de instrumentos. 
Programou e organizou o experimento com o objetivo 
de confirmar uma hipóteses. 
Usou a matemática como instrumento do 
conhecimento.
Valeu-se da lógica indutiva e não da dedutiva.
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 Ao final do século XVII, quando a ciência moderna já havia se consagrado, o método científico 
pôde ser sistematizado da forma que segue. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Boa pergunta corujinha cética. Basicamente porque é a única forma de produzir resultados 
previsíveis com alguma segurança. A repetição do processo até a exaustão, os resultados semelhantes, a 
verificação constante da passagem de uma etapa para outra permitem algum sucesso. Sem o método, 
a ciência seria mais uma opinião entre outras. 
 Se Newton diz que os objetos caem por causa da lei da gravidade, mas Aristóteles discorda, então 
cada um que escolha de quem ser discípulo....Ora, não é bem assim. Primeiro, porque Newton validou 
Mas qual foi a novidade que esses cientistas introduziram que revolucionou o 
conhecimento? 
- A experimentação, o empirismo, a observação da realidade; 
- O uso da matemática aplicada para a explicação dos fenômenos; 
- A aceitação da indução no lugar da dedução. 
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sua tese com cálculos matemáticos e experimentos, segundo porque com a teoria do inglês pudemos 
lançar espaçonaves no espaço. 
5.4 O ápice da ciência: o Positivismo 
 A ciência ia de vento em popa no século XIX, alterando a forma das 
pessoas viverem, quando surgiu o Positivismo, uma escola filosófica 
desenvolvida por Augusto Comte (1798-1857) 
 A palavra “Positivo” vem do latim e significa “postium”, ou seja, a o 
que foi colocado. Tal doutrina filosófica supõe que a realidade está posta 
diante de nós como um desafio para que seja desmistificada pelo poder da 
ação de conhecer, através da ciência. 
 Para Comte, somente um pensamento voltado para a concretude do 
mundo e pautado pela objetividade seria capaz de produzir conhecimento 
de fato. A máxima de Comte era “ver para prever. 
 Alguns pressupostos do Positivismo são: 
 
 
 
 O Positivismo pode ser visto como uma reação à Revolução Francesa, colocando a “ordem” como 
imperativo social. Comte acreditava que através da racionalidade era possível ordenar a sociedade para 
que o progresso social se efetivasse. Logicamente, você deve ter percebido que Comte introduz a 
sociedade nas suas reflexões. Aliás, ele defende que também seria possível considerar a sociedade como 
objeto da ciência, sendo ele quem lançou as bases da sociologia nascente. 
- O único tipo de conhecimento autêntico é o científico;
- A lógica da investigação deve ser a mesma para todas as 
ciências, inclusive para as ciências sociais;
- O objetivo da pesquisa é explicar e prever;
- A investigação deve ser provada empiricamente; 
- A lógica indutiva deve ser usada como base para as conclusões. 
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 O que distingue realmente essa vertente filosófica é o lugar dado para a ciência. Comte acreditava 
que o conhecimento científico era o único critério seguro para nossas opiniões e, até mesmo, o estágio 
final e o mais alto da civilização. Ao definir o Positivismo, o filósofo usou palavras como “real”, “útil”, 
“preciso”. A ciência seria o antídoto contra as incertezas que levam à indecisão. 
 Ele entende, como Hegel, que houve um processo progressivo no qual o conhecimento se realizou. 
Ele discute isso na teoria dos 3 estados: 
 
 Mas, diferentemente de Hegel, ele não pensa a história como movimento, mas como sequência 
na qual a ciência ou o estado positivo é o ápice. O conhecimento positivo seria uma verdade acabada, 
que se revela pelos resultados, tecnológicos inclusive. 
 A consequência que ele tira desse pressuposto é a de que a sociedade deveria se submeter à 
ciência. Se a ciência através de seu método e de seu rigor nos procedimentos metodológicos conseguia 
grandes resultados, uma tal metodologia aplicada à organização da sociedade só poderia trazer um 
progresso indefinido. 
 O Positivismo associou ciência à organização, progresso e otimismo. No Brasil, essa filosofia foi tão 
bem recebida, que os republicanos estamparam o lema de Auguste Comte na bandeira brasileira. 
1º Estado
Teológico
O homem explica a 
realidade a partir do 
sobrenatural; procura-
se o absoluto
2º Estado
Metafísico
No lugar dos deuses, 
há entidades abstratas 
(povo, nação etc). 
Procura-se ainda o 
absoluto. 
3º Estado 
Positivo 
Não se procura o 
absoluto das coisas, 
mas procura-se 
entender a relação 
entre as coisas, 
estabelecendo as leis 
naturais
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 Contudo, a formulação determinista logo mostrou todos os seus perigos. Considerar a sociedade 
de forma técnica significa negar a humanidade, o que pode levar a tragédias. Não há como negar que 
havia um tanto de tecnicismo na ideologia nazista, por exemplo. 
 Sem dúvida, a organização produtiva baseada num planejamento racional de um Estado inteiro 
como o alemão proporcionou um progresso material sem precedentes. A Alemanha dos entreguerras 
estava destruída e o regime de Hitler conseguiu alçar a nação à potência. Mas qual foi o preço humano? 
 Na prática, os fatos marcantes do século XX vão reforçar as desconfianças dos irracionalistas e dos 
marxistas em relação à ciência positiva ou tecnicista. 
 
Q.(UNESP/2016) 
Texto 1 
Diversamente do idealismo, o positivismo reivindica o primado da ciência: nós conhecemos somente 
aquilo que as ciências nos dão a conhecer, pois o único método de conhecimento é o das ciências 
naturais. O positivismo não apenas afirma a unidade do método científico e o primado desse método 
como instrumento de conhecimento, mas também exalta a ciência como o único meio em condições de 
resolver, ao longo do tempo, todos os problemas humanos e sociais que até então haviam atormentado 
a humanidade. (Giovanni Reale e Dario Antiseri. História da Filosofia, vol. 3, 1999. Adaptado.) 
 Texto 2 
Basta, portanto, que os homens sejam considerados coisas para que se tornem manipuláveis, 
submetidos à ditaduraracionalizada moderna que encontra seu apogeu no campo de concentração. 
Assim, a nova crise da razão é interna e traz subitamente à luz, no cerne da racionalização, a presença 
destrutiva da desrazão. Já não é apenas a suficiência e a insuficiência da razão que estão em causa, é a 
irracionalidade do racionalismo e da racionalização. Essa irracionalidade pode devorar a razão sem que 
ela se dê conta. (Edgar Morin. Ciência com consciência, 1996. Adaptado.) 
 
Considerando a análise realizada por Edgar Morin sobre as tendências irracionais da razão, explique sua 
importância para uma crítica ao otimismo positivista diante da ciência. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
49 
Comentário. 
Pode-se inferir do próprio fragmento de Edgard Morin o que ele chama de “tendências irracionais da 
razão”. Trata-se de um racionalismo que, ao ser aplicado, produziu a manipulação do homens, sendo o 
campo de concentração o exemplo mais trágico do processo. Esse fato a que Morin se refere pode ser 
usado contra o otimismo do Positivismo. O campo de concentração desmente “a ciência como o único 
meio em condições de resolver, ao longo do tempo, todos os problemas humanos”, a ciência pode se 
ampliar os problemas humanos. 
 
5.5 A fenomenologia: o antipositivismo 
 
 No próprio século XIX, já surgem correntes de pensamento que contestam o Positivismo, dentre 
elas, pode-se destacar a fenomenologia. Surgiu com Franz Bretano e se tornou popular sobretudo com 
Edmund Husserl (1859-1958). O termo se refere à palavra “fenômeno” que já vimos que pode ser 
traduzido como “aquilo que me aparece”. Isso se opõe à visão positiva do que é o conhecimento. 
 O que confunde a cabeça de qualquer um é essa palavra “positivo”. Então, preste atenção, 
corujinha atenta. Em filosofia e na teoria do conhecimento, “positivo” assumiu a ideia de 
“afirmativo”, “certeiro”, “indubitável”. A ciência seria positiva porque, certamente, poderia nos 
fornecer um conhecimento que se adequa ao real. Mas para isso, deveríamos voltar aos 
postulados de que a realidade tem algo de imutável, uma verdade em si e que o conhecimento 
metódico e sistemático é capaz de extrair. 
 Os filósofos da fenomenologia vão insistir no fato de que não há essência no real. Além 
disso, aquele que observa o real também está submetido a circunstâncias de momento. Nesse 
ponto, eles introduzem o conceito de intencionalidade. O positivista vê o cientista como sujeito 
acima do bem o mal, capaz de manter a neutralidade diante do mundo, sendo apto para registrar 
e decodificar o que acontece na natureza. 
 Ora, conhecer sempre foi uma atividade voltada para algo, não como fim. É impossível que 
a ciência seja o registro desinteressado de como o cosmos se movimenta. Ao introduzir o 
interesse na ciência, observam-se dois movimentos: introduz-se o ceticismo em relação à 
objetividade da ciência; humaniza-se a ciência. 
 Muito abstrato? 
 Basta que você reflita um pouco no fato de que a física deu grandes saltos na época da 
Segunda Guerra Mundial e faça uma pergunta ingênua- por quê? - para compreender a tal 
intencionalidade. Se você se lembrar de outro fato, a bomba atômica, tenho certeza de que irá 
ligar os pontos. A ciência se desenvolve de acordo com os interesses de uma dada sociedade. A 
sociedade submete a ciência aos interesses de ocasião e não o contrário, como acreditavam os 
positivistas. 
 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
50 
5.6 As mais recentes concepções da ciência 
 Devido a todo esse caminho da Teoria do Conhecimento, a perspectiva em relação ao que é 
conhecer e às possibilidades de se poder conhecer a realidade se alterou no século XX. As críticas feitas à 
ciência, a admissão de limites e os resultados éticos da aplicação da tecnologia dividiram os filósofos e 
cientistas quanto ao significado da ciência. 
 Desenvolveram-se 4 perspectivas em relação ao conhecimento: positivista, realista, pragmática e 
relativista. 
 
 Dentro desse quadro, dois filósofos se destacaram no século XX. 
 
 Karl Popper (1902-1994), geralmente associado ao Positivismo, é considerado um dos maiores 
filósofos da ciência do século XX. Ele rejeitou o empirismo clássico baseado na observação e na indução. 
Desde o avanço da ciência, o raciocínio se pautava na observação dos fenômenos, na estatística das 
ocorrências para daí estabelecer uma tese. A indução não é um sistema seguro. Não é porque nunca 
vimos um coelho cor de rosa que ele não possa existir. 
 Argumentou que as teorias são sempre provisórias. Elas devem prevalecer enquanto não forem 
contrariadas pelos fatos ou por outras teorias. Já que não é possível provar com certeza a infalibilidade 
de uma teoria, então o meio para aceitá-la é confrontá-la com aquilo que poderia falseá-la 
Positivista: acredita no progressso científico, que uma teoria nova deve conter a
antiga, que esse processo é cumulativo; cultiva a observação e é contrária à
causação.
Realista: mantém a ideia tradicional de que a ciência, a cada nova teoria, aproxima-
se mais do real e que se pode fazer uma boa correspondência entre a hipótese e o
objeto; as teorias devem ter como referência os fenômenos e podem ser rechaçadas
as que não cumprem esse papel.
Pragmática: não dá crédito à concepção de correspondência entre teoria e
realidade; a verdade é o que o método científico estabelece; real é aquilo que uma
comunidade científica determina que seja; procuram-se atingir as finalidades da
ciência. A ciência é dinâmica e provisória. Sua finalidade é estabelecer um bom grau
de predição e de capacidade manipulativa da natureza.
Relativista: parte da ideia de que a ciência é uma entre outras formas de descrever a
realidade e não há possibilidade de saber se é a mais verdadeira; trata-se de uma
percepção social.
Popper
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
51 
(falseabilidade). Uma observação que negue uma teoria pode derrubá-la, enquanto indefinidas 
observações que reforçam uma teoria jamais provarão que ela é verdadeira. 
 
 Thomas Kuhn (1922-1996) nasceu nos EUA e formou-se em Física por Harvard. Tornou-se 
historiador da ciência. Ele privilegiou o contexto social de descobertas científicas, destacando os aspectos 
psicológicos, sociológicos e históricos como sendo importantes para a fundamentação do conhecimento 
de dada época. Para ele, a ciência não é progressiva, mas desenvolve-se em quadros, ou unidades amplas 
de metodologia que marcam tanto o avanço naquele sentido, quanto os limites do que a comunidade 
científica irá aceitar. A essa unidade metodológica de grande alcance ele chamou de paradigma. 
 Para ele, pode-se numerar 6 fases. 
1. Estabelecimento de um paradigma 
2. Ciência Normal (em que as pesquisas e o avanço da ciência se dão dentro do paradigma) 
3. Crise (percebe-se que o paradigma não dá conta de vários fenômenos) 
4. Ciência Extraordinária (criam-se paradigmas concorrentes) 
5. Revolução científica (um dos paradigmas substitui o anterior) 
6. Estabelecimento de um novo paradigma 
Pode-se tomar como exemplo o aristotelismo, que perdurou até o Renascimento. A partir do momento 
que o conhecimento necessário se tornou insuficiente devido às grandes navegações, por exemplo, as 
teorias existentes dentro desse paradigma não deram conta da realidade. Tal paradigma entrou em crise, 
e Galileu forneceu um novo paradigma que vai circunscreveu a ciência nos próximos séculos. 
 Se a ciência se desenvolve a partir de paradigmas, ela não é progressiva e tampouco marcada pela 
isenção objetivista. Ela é determinada por limites explicativos que são aceitos em determinada época. 
 A ciência nas mãos de Kuhn ganha ares de um mito social particular que funciona durante algum 
tempo para ser substituído por outro. 
5.7 Questões de fixação1. (Autoral) 
“Em oposição ao saber contemplativo dos antigos, surge uma nova postura diante do mundo. O 
conhecimento não parte apenas de noções e princípios, mas da própria realidade observada e 
submetida a experimentações. Da mesma forma, o saber deve retornar ao mundo para transformá-lo. 
Dá-se a aliança da ciência com a técnica.” 
(Aranha, M. L. & Matins, M, H.Filosofando. São Paulo : Editora Moderna, 1993) 
 
Podemos considerar como consequência dessa nova postura do homem diante do saber: 
 
a) a ideia de que os objetos estão a nosso dispor e que, portanto, podemos usá-los segundo o 
desejo da razão humana, tornamos a natureza nossa escrava. 
Kuhn
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b) a ideia de que aquilo que a ciência desvenda deve aumentar nosso apreço pelo criador, ou seja, 
o conhecimento deve estar a serviço da teologia. 
c) levaria o observador a conhecer os princípios básicos do universo que, por serem harmônicos, 
deveriam fazer com que os homens vivessem de forma justa. 
d) a ciência passa a se preocupar somente com o que pode ser transformado em produto 
comercial. 
e) a ciência passa a ser um conjunto de conhecimentos adquiridos através dos séculos que nos dão 
noções e princípios que não podem ser contrariados. 
2. (Banca VUNESP/2018 MT Aluno-oficial PM-SP) 
“A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à 
opinião. Se, em determinada questão, ela legitimar a opinião, é por motivos diversos daqueles que dão 
origem à opinião; de modo que a opinião está, de direito, sempre errada. A opinião pensa mal; não 
pensa: traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objetos pela utilidade, ela se impede de 
conhecê-los. Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruí-la. Ela é o primeiro 
obstáculo a ser superado. Não basta, por exemplo, corrigi-la em determinados pontos, mantendo, como 
uma espécie de moral provisória, um conhecimento vulgar provisório. O espírito científico proíbe que 
tenhamos uma opinião sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos 
formular com clareza”. 
(Gaston Bachelard, A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996) 
 
O excerto discute uma questão de ordem epistemológica que atravessa, em certa medida, a história da 
filosofia. No entender do autor, a ciência 
(A) é habitualmente desviada de seu caminho necessário pela opinião pública. 
(B) confirma a racionalidade estrita dos postulados baseados na opinião. 
(C) é contrária à opinião, pois visa produzir conhecimentos úteis à humanidade. 
(D) opõe-se à opinião, pois suas teses não são formuladas espontaneamente. 
(E) contradiz a opinião porque parte de hipóteses baseadas no senso comum. 
 
 
3. (Autoral) 
“(...)o estudo das ciências evidencia a existência de um ideal científico: embora continuidades e rupturas 
marquem os conhecimentos científicos, a ciência é a confiança que a cultura ocidental deposita na razão 
como capacidade para conhecer a realidade, mesmo que esta, afinal, tenha de ser inteiramente 
construída pela própria atividade racional. A lógica que rege o pensamento científico contemporâneo 
está centrada na ideia de demonstração e prova baseada na definição ou construção do objeto do 
conhecimento, por meio das operações de análise, síntese e interpretação”. 
(CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005. p. 232-233) 
A partir da leitura desse fragmento de Marilena Chauí, pode-se dizer que, em relação à ciência, ela 
manifesta uma concepção 
 
a) progressiva da ciência, segundo a qual, a ciência progride de forma linear. 
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53 
b) positivista, já que para ela, a ciência nos dá certezas que nos torna superiores aos nossos 
antepassados. 
c) metodológica, uma vez que é o método que fundamenta essa forma de conhecer. 
d) metafísica, pois a ciência supõe a existência de um ideal fora do tempo e do espaço. 
e) relativista, uma vez que reconhece que essa forma de conhecer é própria da cultura ocidental. 
 
 
1.A 
2.D 
3.C 
 
1. (Autoral) 
“Em oposição ao saber contemplativo dos antigos, surge uma nova postura diante do mundo. O 
conhecimento não parte apenas de noções e princípios, mas da própria realidade observada e 
submetida a experimentações. Da mesma forma, o saber deve retornar ao mundo para transformá-lo. 
Dá-se a aliança da ciência com a técnica.” 
(Aranha, M. L. & Matins, M, H.Filosofando. São Paulo : Editora Moderna, 1993) 
 
Podemos considerar como conseqüência dessa nova postura do homem diante do saber: 
 
a) a ideia de que os objetos estão a nosso dispor e que, portanto, podemos usá-los segundo o desejo da 
razão humana, tornamos a natureza nossa escrava. 
b) a ideia de que aquilo que a ciência desvenda deve aumentar nosso apreço pelo criador, ou seja, o 
conhecimento deve estar a serviço da teologia. 
c) levaria o observador a conhecer os princípios básicos do universo que, por serem harmônicos, 
deveriam fazer com que os homens vivessem de forma justa. 
d) a ciência passa a se preocupar somente com o que pode ser transformado em produto comercial. 
e) a ciência passa a ser um conjunto de conhecimentos adquiridos através dos séculos que nos dão 
noções e princípios que não podem ser contrariados. 
Comentário. 
 
Alternativa "A" está correta. Segundo a Escola de Frankfurt, o uso prático do conhecimento tem como 
objeto a máxima de Bacon “ vontade de saber é vontade de poder”. 
Alternativa "B" está incorreta. O conhecimento moderno não tem como finalidade o apreço ao Criador. 
Alternativa "C" está incorreta. Essa concepção de cosmos é grega, não reflete nossa concepção que é 
baseada no uso instrumental da natureza. 
Alternativa "D" está incorreta. A Ciência se preocupa com fundamentos físicos da realidade, nem todos 
são de uso comercial. 
Alternativa "E" está incorreta. A Ciência se pauta pela dúvida, ou seja, ela deve aceitar a contradição. 
Gabarito: A 
Gabarito 
Questões comentadas 
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2. (Banca VUNESP/2018 MT Aluno-oficial PM-SP) 
“A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à 
opinião. Se, em determinada questão, ela legitimar a opinião, é por motivos diversos daqueles que dão 
origem à opinião; de modo que a opinião está, de direito, sempre errada. A opinião pensa mal; não 
pensa: traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objetos pela utilidade, ela se impede de 
conhecê-los. Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruí-la. Ela é o primeiro 
obstáculo a ser superado. Não basta, por exemplo, corrigi-la em determinados pontos, mantendo, como 
uma espécie de moral provisória, um conhecimento vulgar provisório. O espírito científico proíbe que 
tenhamos uma opinião sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos 
formular com clareza”. 
(Gaston Bachelard, A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996) 
 
O excerto discute uma questão de ordem epistemológica que atravessa, em certa medida, a história da 
filosofia. No entender do autor, a ciência 
(A) é habitualmente desviada de seu caminho necessário pela opinião pública. 
(B) confirma a racionalidade estrita dos postulados baseados na opinião. 
(C) é contrária à opinião, pois visa produzir conhecimentos úteis à humanidade. 
(D) opõe-se à opinião, pois suas teses não são formuladas espontaneamente. 
(E) contradiz a opinião porque parte de hipóteses baseadas no senso comum. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. A ciência não deve se deixar levar pela opinião pública, diz o texto : opõe-
se absolutamente à opinião". 
Alternativa "b" estáincorreta. Confirmar os postulados baseados na opinião é o mesmo que dizer que a 
ciência se baseia na opinião, ideia que o texto contraria. 
Alternativa "c" está incorreta. O texto diz que quem se pauta pela opinião é que busca utilidade nas 
coisas, isso está expresso no seguinte trecho: ". (A opinião) ao designar os objetos pela utilidade, ela se 
impede de conhecê-los". 
Alternativa "d" está correta. O autor afirma que a " A opinião pensa mal; não pensa", ou seja, ela é 
caracterizada pela espontaneidade e por isso o autor diz que ciência não deve considerá-la. 
Alternativa "e" está incorreta. Opinião e senso comum são a mesma coisa. 
Gabarito: D. 
 
 
 
3. (Autoral) 
“(...)o estudo das ciências evidencia a existência de um ideal científico: embora continuidades e rupturas 
marquem os conhecimentos científicos, a ciência é a confiança que a cultura ocidental deposita na razão 
como capacidade para conhecer a realidade, mesmo que esta, afinal, tenha de ser inteiramente 
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55 
construída pela própria atividade racional. A lógica que rege o pensamento científico contemporâneo 
está centrada na ideia de demonstração e prova baseada na definição ou construção do objeto do 
conhecimento, por meio das operações de análise, síntese e interpretação”. 
(CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005. p. 232-233) 
A partir da leitura desse fragmento de Marilena Chauí, pode-se dizer que, em relação à ciência, ela 
manifesta uma concepção 
 
a) progressiva da ciência, segundo a qual, a ciência progride de forma linear. 
b) positivista, já que para ela, a ciência nos dá certezas que nos torna superiores aos nossos 
antepassados. 
c) metodológica, uma vez que é o método que fundamenta essa forma de conhecer. 
d) metafísica, pois a ciência supõe a existência de um ideal fora do tempo e do espaço. 
e) relativista, uma vez que reconhece que essa forma de conhecer é própria da cultura ocidental. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O texto deixa claro que a ciência não progressiva; pode ler isso no 
seguinte trecho : “embora continuidades e rupturas marquem os conhecimentos científicos”. 
Alternativa "b" está incorreta. A autora não fala de outros povos, e ela faz uma descrição do que é o 
pensamento científico sem julgamento de valor. 
Alternativa "c" está correta. Basicamente, ela reconhece que a ciência se confunde com o próprio 
método científico que ela menciona no seguinte trecho “centrada na ideia de demonstração e prova 
baseada na definição ou construção do objeto do conhecimento, por meio das operações de análise, 
síntese e interpretação”. 
Alternativa "d" está incorreta. No texto, a autora afirma que “o estudo das ciências evidencia a 
existência de um ideal científico”, mas esse ideal está condicionado ao mundo físico e não a algo fora do 
tempo e do espaço. 
Alternativa "e" está incorreta. É verdade que a ciência moderna surgiu na Europa que impôs esse modo 
de ver o mundo a outros povos, mas o texto não desenvolve essa ideia, até porque, embora a ciência 
seja relativa a um continente, ela apresenta explicações convincentes para todos os povos. 
Gabarito: C 
 
5.8 Quadro sinóptico 
 
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57 
 
 
6. Introdução à bioética 
 O Termo Bioética foi formulado e posto em circulação em 1971, 
no livro do oncologista americano Van Resselder Potter, Bioethics, bridge 
to the future (Bioética uma ponte para o futuro), estabelecendo uma 
ligação entre os valores éticos e os fatos biológicos. Depois que você 
entendeu o conceito ética, fica bem mais fácil entender do que se trata. 
Nesse caso, a distinção entre a ética de princípio e a ética de 
resultados não é tão nítida, afinal se supõe a ação que deva prolongar a 
vida. Mesmo aí, os dilemas, claro, vão aparecer, afinal, até que ponto se 
pode prolongar a vida? E se o indivíduo não quiser, devemos obrigá-lo? 
Dadas as condições de prolongamento da vida, em que momento 
podemos declarar que o indivíduo está morto? 
 Mas não são só essas questões sobre o prolongamento da vida, 
que incluem uma boa discussão sobre a morte, o único campo da 
bioética. A questão do poder do médico, do pesquisador ou mesmo da sociedade sobre o que se 
considera vida também deve ser discutida ? Como proceder quando a tecnologia existente não atende a 
Fi
gu
ra
 : 
P
ix
ab
ay
 
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58 
todos (como aconteceu na pandemia do coronavírus)? Quem pode decidir quem receberá assistência e 
quem não receberá? 
 Até agora, parece que ficamos no campo dos problemas. De fato, para variar, a Filosofia começa 
justamente por aí. Não que não seja possível alguma definição. Vamos a ela: 
 
 
 
 
 
 
 
6.1 A questão da vida 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ambiente da "bios" ou da vida sempre foi o lugar do sagrado, envolto em tabus e procedimentos 
que associavam o corpo à alma. Os nossos ancestrais tinham plena consciência do limite do corpo e de 
que pouco poderia ser feito para manter a vida. Os corpos estavam submetidos a desfalecimento, 
corrupção, doença e morte. Restava ao homem a resignação diante do destino. 
 Apesar disso, a dor física representava possivelmente dor da alma, ou poderia estar associada a 
causas espirituais. Novamente, são os gregos que introduzem uma visão mais naturalista em relação ao 
que é a doença ou a saúde. A prática médica era bem diferente da concepção que temos hoje. O médico 
tinha uma técnica, dominava alguns procedimentos que deveriam ajudar a restabelecer o equilíbrio do 
corpo. A doença era encarada como a perda da estabilidade vital. 
 O corpo era análogo ao universo. A prática era homeopática e espelhava esse conceito. A palavra 
"homo" significa igual, e "pathos", dor. Procurava-se perceber os ritmos da natureza no corpo. Os 
remédios eram escolhidos entre aqueles que demonstravam semelhanças com as partes do corpo ou que 
provocavam dores semelhantes para que o próprio corpo produzisse a saúde. Não se deveria interferir 
nos processos corporais, apenas ajudar na recuperação física. 
Bioética (grego: bios, vida + ethos, relativo à ética) é o 
estudo transdisciplinar entre Ciências Biológicas, Ciências da 
Saúde, Filosofia (Ética), e Direito (Biodireito) que investiga as condições 
necessárias para uma administração responsável da Vida Humana, animal e 
ambiental. 
Wikipedia 
 
Fi
gu
ra
 : 
P
ix
ab
ay
 
Ao final deste tópico, você deve responder as 
seguintes questões: 
Qual era o pressuposto da medicina antiga? Qual foi a 
ética proposta por Hipócrates? 
Que mudança o Renascimento trouxe? Como Descartes 
expressa isso? 
 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_grega
https://pt.wikipedia.org/wiki/Interdisciplinaridade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_Biol%C3%B3gicas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_da_Sa%C3%BAde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_da_Sa%C3%BAde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vida
https://pt.wikipedia.org/wiki/Humana
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59 
 Nesse contexto, surge o primeiro grande pensador das práticas médicas, Hipócrates (460-370 a.C.), 
que elevou a medicina à categoria de ciência, ao descartar influências sobrenaturais no funcionamento 
corporal. Uma ética em relação à vida, ou a bios é formulada claramente. Ele elabora o que ficou 
conhecido como juramento de Hipócrates e que até hoje é declamadopor ocasião da formatura de 
médicos. 
 Dois procedimentos já parecem fundar o que será a base da bioética. O primeiro referia-se à 
relação médico-paciente, que deveria ser pautada pela ideia expressa no seguinte juramento: "Aplicarei 
os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal 
a alguém". O segundo tem a ver com o poder que a manipulação da vida concedia a quem tivesse a técnica 
de conhecê-la, "A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a 
perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva"1. 
 Esse período marcado pela busca do conhecimento pautado pelo cosmos cede lugar à cosmovisão 
cristã. O corpo é o templo do espírito e, segundo o dogma da Igreja, haverá a ressurreição dos corpos no 
acerto de contas final. Constrói-se um tabu em torno daquilo que pertence a Deus e não aos homens. 
Contribui para essa visão restritiva com respeito ao corpo a ideia de que o homem vive 
irremediavelmente em um vale de lágrimas e, portanto, nenhuma interferência humana nos processos 
naturais alteraria o destino das coisas. 
A ética que surge daí, na verdade um preceito religioso, é o da sacralidade do corpo, e, portanto, 
da sua não violação. 
Somente com o Renascimento, as coisas começam a mudar, mesmo assim com muita dificuldade. 
São conhecidas as histórias da dificuldade enfrentada por aqueles que queriam dissecar corpos para 
compreender como funcionava a vida humana. A ciência se desenvolve e, na filosofia, Descartes (1596-
1650), filósofo francês, que já conhecemos de outras paragens, fez uma distinção que servirá de base 
para a medicina, então, em desenvolvimento. 
Descartes fez a distinção entre duas partes existentes no homem: a res cogitans (a coisa que pensa) 
e a res extensa (a coisa extensa, o corpo). Ele dá grande valor à parte pensante do homem, mas considera 
o corpo como uma máquina, com o mesmo valor que qualquer animal teria. Isso tira a sacralidade do 
corpo. Mas o autor vai mais longe. Propõe um método de análise do que está disponível na natureza, 
deve-se separar o que se estuda em partes e depois fazer a síntese do que se sabe. 
Essa ideia revela o que será a prática médica nos séculos seguintes: dividir o corpo para conhecê-
lo e conhecer para interferir nos processos naturais. A palavra que será introduzida no século XVIII para 
definir essa prática, "alopatia", dá uma ideia de um novo dilema ética, "alo" significa "outro", e "patia", 
dor. A prática médica de interferência é pautada por uma indiferença à dor do outro e por uma 
interferência que provoca outra dor. 
Essa perspectiva proporcionou um grande avanço da medicina sobretudo nos séculos XIX e XX. 
Assiste-se ao desenvolvimento de práticas de interferência ativa do corpo e dos processos biológicos. 
Mas, sobretudo, a partir da segunda metade do século XX, o avanço do conhecimento da biologia permitiu 
ao homem não apenas interferir nos processos em andamento, como fazer uma cirurgia do coração, mas 
manipular o próprio começo da vida através do conhecimento genético. 
 
1 Disponível em https://www.cremeàp.org.br/?siteAcao=Historia&esc=3, acessado em 28.05.2020. 
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As questões levantadas por Hipócrates tornam-se mais urgentes do que nunca: o poder que a 
medicina tem hoje permite algo inimaginável, mas e o paciente? O ser humano? O próprio Hipócrates 
reconhecia que o limite entre o veneno e o remédio era ínfimo, dependia da dose. E quando os homens 
sequer sabem qual o potencial do que eles descobriram? Como saber quando o remédio se torna veneno? 
6.2 Experiências desastrosas 
 
 
 
 
 
 
O começo do século nasce sob o otimismo proporcionado pela tecnologia e pela 
ciência. O positivismo, uma corrente sociológica-filosófica, propõe que tudo deve se submeter à ciência, 
que levará a humanidade a um patamar nunca alcançado. Essa ideia, aliada ao evolucionismo, leva à 
crença de que a humanidade deve ser melhorada. 
 Entre os séculos XIX e XX, espalha-se a ideia de que há 
uma hierarquia de raças. No topo, estariam as raças 
brancas puras; no último degrau, os negros e índios. Isso 
levou a práticas de eugenia, "eu" em grego é bom; 
"genos", nascimento, ou seja, o bem nascido 
fisicamente. A ideia encabeçada por determinadas 
autoridades era promover um aprimoramento da raça. 
No Brasil, por exemplo, o Imperador D. Pedro II 
incentivou a vinda de europeus brancos como uma 
forma de embranquecer a raça. 
 Nos EUA, em 1909 Charles Davenport criou o Eugenics Record Offic, um registro de antecedentes 
genéticos para que o governo criasse leis para a prevenção de nascimento de indesejáveis. Houve, de 
1922 a 1950, um número elevado de esterilização coercitiva de mulheres hispano-americanas. 
 Mas foi na Alemanha nazista que a ideia de eugenia foi levada ao seu mais alto grau de elaboração 
e de crueldade. Milhões de judeus foram mortos por "pertencerem a uma raça inferior". Os cientistas 
alemães se permitiram usar humanos (judeus) como cobaias para provar teorias sobre gêmeos, ou para 
experimentar infusões que pudessem mudar a cor dos olhos da pessoa, fazer transplantes etc. 
 Até meados do século XX, práticas médicas envolvendo cobaias humanas eram toleradas sem que 
houvesse contestação. Nos EUA, presos que se oferecessem como cobaias teriam suas penas reduzidas. 
E sabe-se de experiências entre africanos de drogas que não seriam experimentadas pelos cidadãos da 
Europa ou EUA. 
 O horror às práticas de manipulação biológica no Nazismo levou à criação do código de Nuremberg 
(1947): 
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 Ao final deste tópico, você deve responder as 
seguintes questões: 
Por que foram necessários códigos éticos? 
Quais são os 4 princípios básicos da bioética? 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
61 
1) O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial; 
2) O experimento deve ser útil para o bem da sociedade, mas não pode ser feito de maneira casuística ou 
desnecessariamente; 
3) O experimento deve ser baseado em resultados de experimentação em animais; 
4) O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar todo sofrimento e danos desnecessários, quer 
físicos, quer materiais; 
5) Não deve ser conduzido qualquer experimento quando existirem razões para acreditar que pode 
ocorrer morte ou invalidez permanente; 
6) O grau de risco aceitável é limitado; 
7) Devem ser tomados cuidados especiais para proteger o participante do experimento de qualquer 
possibilidade de dano, invalidez ou morte; 
8) O experimento deve ser conduzido apenas por pessoas cientificamente qualificadas. 
9) O participante do experimento deve ter a liberdade de se retirar no decorrer do experimento; 
10) O pesquisador deve estar preparado para suspender os procedimentos experimentais em qualquer 
estágio, se ele tiver motivos razoáveis para acreditar que a continuação do experimento provavelmente 
causará dano, invalidez ou morte para os participantes. 
 Ainda assim, na segunda metade do século XX, três casos nos EUA provocaram indignação, 
exigindo uma discussão mais ampla sobre a bioética. Em 1963, em Nova Iorque, em um hospital de 
doenças crônicas, células cancerosas vivas foram injetadas em idosos doentes. Em um hospital estatal, 
também em Nova York, foi injetada hepatite viral em crianças com problemas mentais. No caso mais 
aberrante, nos anos 40, quatrocentos negros sifilíticos não foram tratados propositalmente para que 
fosse possível pesquisar o desenvolvimento natural da doença. Tal experimento só foi descoberto 40 anos 
depois. 
 Por conta disso, em 1974, o Congresso americano criou a Comissão Nacional para a Proteção dos 
Seres Humanos,da Pesquisa Biomédica e Comportamental. Dessa iniciativa, surgiu a publicação do que 
ficou conhecido como relatório Belmont, que distingue quatro princípios básicos: 
a) BENEFICÊNCIA: atenção aos riscos e benefícios. 
b) NÃO MALEFICÊNCIA: a vida não é privilégio de alguns nem depende de tempo de duração ou de lugar 
c) AUTONOMIA: responsável pelas consequências de seus atos. 
d) JUSTIÇA: equidade quanto aos sujeitos de experimentação. 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
62 
6.3 Os problemas éticos já conhecidos 
 Quando Hipócrates elaborou aquilo que ficou conhecido como juramento médico, ele mencionou 
o conhecimento médico de fármacos capazes de fazer mal e da possibilidade de serem usados contra a 
vida humana. Duas situações de imediato já eram fonte de reflexão por parte dos médicos: o aborto e a 
eutanásia. 
 No caso do aborto, o uso de substância para interromper a gravidez leva à discussão em relação 
a quem é o paciente e quem deve decidir se o feto deve nascer ou não. Enquanto os governos eram 
influenciados pela Igreja, a decisão era fácil de ser tomada: a feto tinha alma e a destruição do suporte da 
alma era um pecado contra Deus. Mas a ciência avançou e nos deu explicações sobre o desenvolvimento 
do feto. Até os 3 meses de gestação, o embrião ainda não tem o sistema nervoso formado, ou seja, ele 
poderia ser encarado como um amontoado de tecidos. Como avaliar o aborto nessas novas 
circunstâncias? 
 Também a abreviação da vida de quem sofre, eutanásia, passa a ter uma outra perspectiva quando 
a medicina descobre meios para prolongar a vida. Até o final do século XIX, a vida média não passava e 
quarenta e poucos anos. A ciência estende e pode estender mais ainda a vida das pessoas, inclusive dos 
enfermos. Um doente terminal pode ficar anos sofrendo sob cuidados de aparelhos que mantêm a vida 
de forma artificial. Até que ponto a morte induzida ou mesmo a passividade diante de um enfermo nessa 
situação podem ser consideradas uma transgressão ética? Se o médico deixar de aplicar uma determinada 
terapêutica para um indivíduo, ele viola a ética médica, mas e se ele fizer isso para alguém que sofre e 
não deseja mais viver? 
 
6.4 Os problemas éticos criados pela ciência 
Clonagem: é um processo de reprodução assexuada, onde são obtidos 
indivíduos geneticamente iguais (micro organismo, vegetal ou animal) a 
partir de uma célula-mãe. É um mecanismo comum de propagação de 
espécies de plantas, bactérias e protozoários. Na segunda metade do 
século XX, os cientistas conseguiram duplicar o material genético de 
animais e inserir tal núcleo numa outra célula, criando um animal que 
seria a cópia perfeita de um outro. A clonagem abriria espaço para a 
produção de pessoas idênticas a um indivíduo matriz. As possibilidades 
do ponto de vista da ética de resultados são, no mínimo, perturbadoras. 
Alguém poderia pensar em reproduzir grandes gênios da humanidade. 
Um outro uso da técnica tem a ver com a possibilidade de salvar uma 
vida. Por exemplo, suponha que uma criança tenha sofrido um acidente 
e, no futuro, precisará de um transplante de rim, os pais poderiam fazer 
um clone da filha que, no futuro, poderia doar o rim. Até que ponto esse tipo de manipulação da vida 
realmente representa um bem? 
Células troncos: trata-se da manipulação de células não determinadas, não especializadas. Elas são 
capazes de se tornar parte de qualquer órgão. Isso significa que elas têm um alto potencial de cura. 
Imagine que alguém perdeu os movimentos das pernas porque teve rompimento da medula. As células 
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63 
tronco aplicadas na região poderiam reconstituir os tecidos rompidos. O grande problema é que essas 
células existem só no início da vida, ou seja, nos primeiros momentos do embrião. Ou seja, o uso dessa 
terapêutica significaria a destruição de embriões, o que para muitos significaria a destruição de possíveis 
vidas. 
Transgênicos: processo de alteração do material genético pela inserção de uma ou mais sequências 
de genes de outra espécie através do emprego de técnicas de engenharia genética. O genoma dos 
organismos transgênicos contém fragmentos do genoma de bactérias, vírus ou outros organismos em 
seu DNA. Atualmente, algumas empresas conseguiram através de tal técnica produzir sementes de trigo, 
por exemplo, muito mais resistentes. Se por um lado, os benefícios parecem evidentes, por outro, não se 
sabe a longo prazo o que um tipo de alteração dessa pode provocar. 
 
6.5 Os direitos 
Declaração Bioética de Gijón 
I Congrésso Mundial de Bioética (Gijón, Espanha, 2000) 
À saída do I Congresso Mundial de Bioética (Gijon, Espanha, 20-24 de Junho), o Comité Científico da 
Sociedade Internacional de Bioética (SIBI) afirma que a ciência e a tecnologia devem tomar em 
consideração o interesse geral. 
(...) 
o Comité Científico apresenta as observações e recomendações seguintes.: 
- As biociências e as suas tecnologias devem servir ao bem-estar do tipo humano (...)Isto implica que os 
países desenvolvidos devem compartilhar os benefícios das biociências e as suas tecnologias com os 
habitantes dos países em vias de desenvolvimento e servir ao bem-estar do ser humano. 
(...) 
- O ensino da Bioética deveria ser incorporado ao sistema educativo e ser objecto de textos 
compreensíveis e rigorosos. 
(...) 
- O exercício da autonomia da pessoa deve ser respeitado, bem como a identidade e a especificidade da 
pessoa, a solidariedade e a justiça devem ser reforçadas. 
- Cada um tem o direito aos melhores cuidados médicos possíveis. O doente e o médico devem decidir 
juntos o domínio do tratamento. O doente deverá exprimir o seu consentimento livre após ter sido 
informado de maneira adequada. 
- O genoma humano é um património de toda a humanidade. Não é patenteável como tal. 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Genes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_gen%C3%A9tica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Genoma
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bact%C3%A9rias
https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%ADrus
https://pt.wikipedia.org/wiki/DNA
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
64 
- Um dos objectivos fundamentais das técnicas de reprodução assistida é o tratamento médico dos efeitos 
da esterilidade humana para facilitar a procriação se outras terapêuticas forem afastadas como 
inutilizáveis ou ineficazes. Estas técnicas poderão também ser utilizadas para o diagnóstico e o tratamento 
das doenças hereditárias, bem como para a investigação autorizada. 
- A produção de indivíduos humanos geneticamente idênticos pela clonagem deve ser proibida. 
- O emprego de células mãe para fins terapêuticos deve ser autorizado se a obtenção destas células não 
provoca a destruição de embriões. 
- As modalidades da investigação - experimentação sobre o ser humano deverá assegurar o equilíbrio 
entre a liberdade da ciência e o respeito da dignidade humana. 
- Os produtos alimentares geneticamente alterados deverão comportar prova preliminar, em 
conformidade com o conhecimento técnico do momento, sua inocuidade para a saúde humana e para a 
natureza. Serão produzidos e oferecidos no mercado com todas as exigências necessárias de informação, 
de precaução, de segurança e de qualidade. As biotecnologias devem inspirar-se junto ao princípio de 
precaução. 
- Deve-se proibir o comércio de órgãos humanos. 
- O debate ético sobre o fim da vida humana deve prosseguir-se para aprofundar a análise das diferentes 
concepções éticas e culturais neste domínio e procurar as vias da sua harmonização. 
- A fim de promover uma linguagem universal para a Bioética, conviria realizar um esforço para 
harmonizar e unificar os conceitos diversos no respeito das identidades socioculturais.Gijon (Espanha), o 24 de Junho de 2000 
Disponível em http://www.ghente.org/bioetica/giron.htm, acessado em 25.05.2020. 
 
6.6 Questões de fixação 
1. (Autoral) 
 
“A visão ambientalista é o que melhor distingue o pensamento moderno do antigo: Admitiu-se a ideia 
de uma natureza criada por Deus, natura naturans ( é o primeiro momento da modernidade clássica), 
uma natureza-processo e depois uma natureza-objeto, natura naturata, natureza artefacto, exterior ao 
homem, de que ele se separou ao instrumentalizá-la. Mas, como sublinha Larrère, os processos naturais 
continuam e a artificialização da natureza não é controlável pelo homem nos seus efeitos. Acresce que a 
filosofia ambiental reintegrou o homem na natureza, sem nenhum estatuto de domínio ou privilégio. 
Mas reconheceu na Vida Humana o ente mais complexo da evolução cósmica, que não o seu cume ou 
final.” 
(Queirós, António dos Santos. “Origem e Projeto Filosófico de uma Bioética Global”. Ind. Gutiérrez, Jorge 
(org.). Bioética, Filosofia e Biotecnologia. São Paulo: Editora LiberARs. 2018) 
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http://www.ghente.org/bioetica/giron.htm
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
65 
Esse texto resume a transformação na relação entre o homem e a natureza. Em relação a isso, assinale 
a alternativa correta. 
a) A relação do homem com a natureza sofreu poucas alterações, uma vez que o ser humano não 
conseguiu controlá-la. 
b) A partir da modernidade, a natureza é vista como separada do homem e esse distanciamento torna-
se maior no momento em que ele a instrumentaliza. 
c) Vivemos uma fase na qual se observa uma integração entre homem e natureza sem nenhum 
privilégio de uma das duas instâncias. 
d) A filosofia ambiental, para reintegrar o homem à natureza, buscou inspiração na primeira fase 
moderna dessa relação homem-natureza: a crença numa natureza criada por Deus. 
e) Os processos naturais são os mesmos do passado, o que permitirá sempre a artificialização e a 
instrumentalização da natureza como ocorre hoje. 
 
 
2. (UNESP/2014) 
O psicólogo Antoni Bolinches afirma que nas depressões leves ou moderadas os medicamentos tratam 
os sintomas, mas não a causa. Por isso, às vezes, quando o tratamento acaba, o problema continua 
existindo. “As depressões exógenas ou reativas, isto é, aquelas que vêm de fora, de algo que o está 
afetando ou que lhe aconteceu, deveriam ser tratadas principalmente, ou também, psicologicamente. 
Porque se o paciente aprende a lidar com o problema obtém o dobro de benefícios: o supera, mas 
também aprende”, diz. Entretanto, reconhece que há pessoas que preferem tomar medicação. “Criamos 
um modelo social em que não estamos acostumados com o esforço e as dificuldades, por isso 
recorremos à farmacologia”, diz. 
(Comprimidos para as dores da vida: cresce o consumo de antidepressivos na Europa. El País, 
26.12.2013. Adaptado.) 
Para o psicólogo, a diferença entre estados de normalidade e de patologia mental 
a) envolve questões de natureza psiquiátrica e espiritualista. 
b) é determinada pela herança genética de cada indivíduo. 
c) depende sobretudo de condicionamentos econômicos. 
d) depende do cruzamento de fatores neurológicos e sociais. 
e) envolve fatores primordialmente químicos e biológicos. 
 
3. (UNESP/ 2015) 
Questão 58 
IHU On-Line – A medicalização de condutas classificadas como “anormais” se estendeu a praticamente 
todos os domínios de nossa existência. A quem interessa a medicalização da vida? 
Sandra Caponi – A muitas pessoas. Em primeiro lugar ao saber médico, aos psiquiatras, mas também aos 
médicos gerais e especialistas. Interessa muito especialmente aos laboratórios farmacêuticos que, desse 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
66 
modo, podem vender seus medicamentos e ampliar o mercado de consumidores de psicofármacos de 
modo quase indefinido. Porém, esse interesse seria irrelevante se não existisse uma demanda social que 
aceita e até solicita que uma ampla variedade de comportamentos cotidianos ingresse no domínio do 
patológico. Um exemplo bastante óbvio é a escola. Crianças com problemas de comportamento mais ou 
menos sérios hoje recebem rapidamente um diagnóstico psiquiátrico. São medicadas, respondem à 
medicação e atingem o objetivo social procurado. Essas crianças que tomam ritalina ou antipsicóticos 
ficam mais calmas, mais sossegadas, concentradas e, ao mesmo tempo, mais tristes e isoladas. 
(www.ihuonline.unisinos.br. Adaptado.) 
Podemos considerar como uma importante implicação filosófica da medicalização da vida 
(A) a incorporação do conhecimento científico como meio de valorização da autonomia emocional e 
intelectual. 
(B) a institucionalização de procedimentos de análise e de cura psiquiátrica absolutamente objetivos e 
eficientes. 
(C) a proliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos que pressupõem a patologização da 
vida cotidiana. 
(D) a contribuição eticamente positiva da psiquiatrização do comportamento infantil e juvenil na esfera 
pedagógica. 
(E) o caráter neutro do progresso científico em relação a condicionamentos materiais e a demandas 
sociais. 
 
1.B 
2.D 
3.C 
 
1. (Autoral) 
 
“A visão ambientalista é o que melhor distingue o pensamento moderno do antigo: Admitiu-se a ideia 
de uma natureza criada por Deus, natura naturans ( é o primeiro momento da modernidade clássica), 
uma natureza-processo e depois uma natureza-objeto, natura naturata, natureza artefacto, exterior ao 
homem, de que ele se separou ao instrumentalizá-la. Mas, como sublinha Larrère, os processos naturais 
continuam e a artificialização da natureza não é controlável pelo homem nos seus efeitos. Acresce que a 
filosofia ambiental reintegrou o homem na natureza, sem nenhum estatuto de domínio ou privilégio. 
Mas reconheceu na Vida Humana o ente mais complexo da evolução cósmica, que não o seu cume ou 
final.” 
(Queirós, António dos Santos. “Origem e Projeto Filosófico de uma Bioética Global”. Ind. Gutiérrez, Jorge 
(org.). Bioética, Filosofia e Biotecnologia. São Paulo: Editora LiberARs. 2018) 
Esse texto resume a transformação na relação entre o homem e a natureza. Em relação a isso, assinale 
a alternativa correta. 
Gabarito 
Questões comentadas 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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a) A relação do homem com a natureza sofreu poucas alterações, uma vez que o ser humano não 
conseguiu controlá-la. 
b) A partir da modernidade, a natureza é vista como separada do homem e esse distanciamento torna-
se maior no momento em que ele a instrumentaliza. 
c) Vivemos uma fase na qual se observa uma integração entre homem e natureza sem nenhum 
privilégio de uma das duas instâncias. 
d) A filosofia ambiental, para reintegrar o homem à natureza, buscou inspiração na primeira fase 
moderna dessa relação homem-natureza: a crença numa natureza criada por Deus. 
e) Os processos naturais são os mesmos do passado, o que permitirá sempre a artificialização e a 
instrumentalização da natureza como ocorre hoje. 
 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. A natureza não sofreu alterações no seu processo, mas a relação do 
homem com a natureza se modificou desde o respeito reverente pela natureza até sua 
instrumentalização. 
Alternativa "B" está correta. O texto deixa claro que, no primeiro momento da Modernidade, o homem 
considerava a natureza como algo dado por Deus e isso vai se transformando, até encaramos a 
natureza como objeto que deve ser manipulado, ou seja, essa separação entre homem e natureza foi se 
tornando maior. 
Alternativa "C" está incorreta. A filosofia ambiental passou a manifestar a consciência de que deve haver 
uma integração entre natureza e homem, mas isso não significa que ela ocorra, ao contrário, 
percebemos cada vez mais o uso desenfreado dos recursos naturais.Alternativa "D" está incorreta. O texto não afirma que a filosofia ambiental tenha se inspirado nessa 
primeira fase; além disso, a filosofia que tem como o objeto o meio ambiente não tem viés religioso, 
traço típico da primeira fase da modernidade. 
Alternativa "E" está incorreta. O texto dá a entender que há uma crise nessa relação de 
instrumentalização da natureza ao afirmar que “os processos naturais continuam e a artificialização da 
natureza não é controlável pelo homem nos seus efeitos”, ou seja, o homem não conseguirá controlar a 
natureza como deseja. 
Gabarito: B 
 
2. (UNESP/2014) 
O psicólogo Antoni Bolinches afirma que nas depressões leves ou moderadas os medicamentos tratam 
os sintomas, mas não a causa. Por isso, às vezes, quando o tratamento acaba, o problema continua 
existindo. “As depressões exógenas ou reativas, isto é, aquelas que vêm de fora, de algo que o está 
afetando ou que lhe aconteceu, deveriam ser tratadas principalmente, ou também, psicologicamente. 
Porque se o paciente aprende a lidar com o problema obtém o dobro de benefícios: o supera, mas 
também aprende”, diz. Entretanto, reconhece que há pessoas que preferem tomar medicação. “Criamos 
um modelo social em que não estamos acostumados com o esforço e as dificuldades, por isso 
recorremos à farmacologia”, diz. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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(Comprimidos para as dores da vida: cresce o consumo de antidepressivos na Europa. El País, 
26.12.2013. Adaptado.) 
Para o psicólogo, a diferença entre estados de normalidade e de patologia mental 
a) envolve questões de natureza psiquiátrica e espiritualista. 
b) é determinada pela herança genética de cada indivíduo. 
c) depende sobretudo de condicionamentos econômicos. 
d) depende do cruzamento de fatores neurológicos e sociais. 
e) envolve fatores primordialmente químicos e biológicos. 
Comentário 
Alternativa "a" está incorreta. O texto não faz menção em parte alguma a fatores espiritualistas. 
Alternativa "b" está incorreta. O autor discute sobretudo fatores exógenos (externos) e uso de 
medicamentos, não considera a herança genética. 
Alternativa "c" está incorreta. Não há no texto qualquer índice linguístico que remeta a questão 
econômica. 
Alternativa "d" está correta. A medicação regula a desarmonia neurológica, mas o médico defende que 
haveria necessidade de ensinar o indivíduo a lidar com as pressões sociais, logo, a questão da 
depressão envolve esses dois fatores. 
Alternativa "e" está incorreta. Ao falar em medicação, pode-se deduzir que se consideram fatores 
químicos e biológicos, mas a tese mais importante do texto acrescenta a essa equação os fatores 
exógenos, que esse alternativa não considera. 
Gabarito: D 
 
3. (UNESP/ 2015) 
Questão 58 
IHU On-Line – A medicalização de condutas classificadas como “anormais” se estendeu a praticamente 
todos os domínios de nossa existência. A quem interessa a medicalização da vida? 
Sandra Caponi – A muitas pessoas. Em primeiro lugar ao saber médico, aos psiquiatras, mas também aos 
médicos gerais e especialistas. Interessa muito especialmente aos laboratórios farmacêuticos que, desse 
modo, podem vender seus medicamentos e ampliar o mercado de consumidores de psicofármacos de 
modo quase indefinido. Porém, esse interesse seria irrelevante se não existisse uma demanda social que 
aceita e até solicita que uma ampla variedade de comportamentos cotidianos ingresse no domínio do 
patológico. Um exemplo bastante óbvio é a escola. Crianças com problemas de comportamento mais ou 
menos sérios hoje recebem rapidamente um diagnóstico psiquiátrico. São medicadas, respondem à 
medicação e atingem o objetivo social procurado. Essas crianças que tomam ritalina ou antipsicóticos 
ficam mais calmas, mais sossegadas, concentradas e, ao mesmo tempo, mais tristes e isoladas. 
(www.ihuonline.unisinos.br. Adaptado.) 
Podemos considerar como uma importante implicação filosófica da medicalização da vida 
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(A) a incorporação do conhecimento científico como meio de valorização da autonomia emocional e 
intelectual. 
(B) a institucionalização de procedimentos de análise e de cura psiquiátrica absolutamente objetivos e 
eficientes. 
(C) a proliferação social de conhecimentos e procedimentos médicos que pressupõem a patologização da 
vida cotidiana. 
(D) a contribuição eticamente positiva da psiquiatrização do comportamento infantil e juvenil na esfera 
pedagógica. 
(E) o caráter neutro do progresso científico em relação a condicionamentos materiais e a demandas 
sociais. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. A medicalização é usada para adaptar o indivíduo às demandas sociais, ou 
seja, ela deve promover a sujeição social e não proporcionar autonomia. 
Alternativa "b" está incorreta. No final do texto, a entrevistadora diz que as crianças, por um lado ficam 
mais calmas e, por outro, ficam mais isoladas e tristes; ora, isso não pode ser considerado “eficiente”. 
Alternativa "c" está correta. O comentário da entrevistadora “A medicalização de condutas classificadas 
como “anormais” se estendeu a praticamente todos os domínios de nossa existência”, insere a discussão 
no tema da patologização da vida cotidiana; os médicos consideram “doença” aquilo que deveria ser algo 
normal na vida de uma criança. 
Alternativa "d" está incorreta. Não há contribuição “eticamente positiva” se as crianças que tomam os 
remédios ficam mais tristes. 
Alternativa "e" está incorreta. O progresso científico está sendo usado para normatizar a sociedade, isso 
não é neutro. 
Gabarito: C 
 
 
6.7 Quadro sinóptico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bioética Valores éticas 
-Métodos de pesquisas 
científicas 
- relação entre 
paciente e médico 
 
- 
Hipócrates 
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Medicina no passado Medicina moderna 
- Visão cosmológica: corpo e 
universo têm os mesmos 
pressupostos 
- Visão mecanicista: o corpo é um 
objeto 
-Medicina como procura de 
equilíbrio 
- Medicina como técnica invasiva 
-Auxiliar nos processos naturais -Controle dos processos naturais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. Questões 
 
1. (Unesp Final do ano 2011) 
Leia o trecho da entrevista com um médico epidemiologista. 
Obrigação de salvar; 
de tratar bem o 
paciente. 
 
- 
Não se valer do 
conhecimento para 
objetivos próprios 
Evitar a todo custo 
maleficência 
 
Problema 
Manipulação da 
vida do outro 
Políticos de 
Eugenia 
 
Desconsideração do paciente 
Aumento das potencialidades 
biológicas que se 
contrapõem aos valores 
humanos 
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71 
Folha – Não é contraditório um epidemiologista questionar o conceito de risco? 
Luis David Castiel – Tem também um lado opressivo que me incomoda. Uma dimensão moralista, que 
rotula as pessoas que se expõem ao risco como displicentes e que, portanto, merecem ser punidas [pela 
doença], se acontecer o evento ao qual estão se expondo. Estamos à mercê dessa prescrição constante 
que a gente tem que seguir. Na hora em que você traz para perto a ameaça, tem que fazer uma gestão 
cotidiana dela. Não há como, você teria que controlar todos os riscos possíveis e os impossíveis de se 
imaginar. É a riscofobia. 
 Folha – Há um meio do caminho entre a fobia e o autocuidado? 
 Luis David Castiel – A pessoa tem que puxar o freio de emergência quando achar necessário, decidir até 
que ponto vai conseguir acompanhar todos os ditames da saúde. (…) Na saúde, a vigilância constante, o 
excesso de exames criou uma nova categoria: a pessoa não está doente, mas não é saudável.Está sob 
risco. 
(Folha de S.Paulo, 11.04.2011.Adaptado.) 
Assinale a alternativa que contempla adequadamente a opinião do médico, sob o ponto de vista filosófico. 
a) Para o médico Luis Castiel, os imperativos da ciência, se adotados como norma absoluta na avaliação 
dos comportamentos individuais, podem causar sofrimento emocional. 
b) Para o médico, os comportamentos individuais devem ser submetidos a padrões científicos de controle. 
c) A riscofobia abordada na entrevista decorre da displicência dos indivíduos em atenderem aos ditames 
da saúde e da boa forma. 
d) Na entrevista, o médico defende a autonomia individual como padrão absoluto para a avaliação de 
comportamentos de risco. 
e) Para o médico, a gestão cotidiana dos riscos depende diretamente da vigilância constante no campo 
da saúde. 
 
2.(UNESP/ 2014) Questão 33. 
A condenação à violência pode ser estendida à ação dos militantes em prol dos direitos animais que 
depredaram os laboratórios do Instituto Royal, em São Roque. A nota emocional é difícil de contornar: 
178 cães da raça beagle, usados em testes de medicamentos, foram retirados do local. De um lado, por 
mais que seja minimizado e controlado, há o sofrimento dos bichos. Do outro lado, está nosso bem maior: 
nas atuais condições, não há como dispensar testes com animais para o desenvolvimento de drogas e 
medicamentos que salvarão vidas humanas. 
(Direitos animais. Veja, 25.10.2013.) 
Sob o ponto de vista filosófico, os valores éticos envolvidos no fato relatado envolvem problemas 
essencialmente relacionados 
a) à legitimidade do domínio da natureza pelo homem. 
b) a diferentes concepções de natureza religiosa. 
c) a disputas políticas de natureza partidária. 
d) à instituição liberal da propriedade privada. 
e) aos interesses econômicos da indústria farmacêutica. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
72 
 
3. (Unesp Final de 2019) 
Questão 59 
Diariamente somos inundados por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura 
ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. Basta abrir o jornal, ver televisão, escutar o rádio, ou 
simplesmente abrir a caixa de correio eletrônico. A grande maioria desses milagres cotidianos é vestida 
com alguma roupagem científica: linguagem um pouco mais rebuscada, aparente comprovação 
experimental, depoimentos de “renomados” pesquisadores, utilização em grandes universidades. São 
casos típicos do que se costuma definir como “pseudociência”. 
(Marcelo Knobel. “Ciência e pseudociência”. In: Física na escola, vol. 9, no 1, 2008.) 
Pode-se elaborar a crítica filosófica aos conhecimentos pseudocientíficos por meio 
(A) da imposição de novos sistemas ideológicos. 
(B) da confiança em teorias fundamentadas no senso comum. 
(C) da ampla divulgação de ideias individuais. 
(D) da preservação de saberes populares. 
(E) da demonstração de ausência de evidências empíricas. 
 
4. (Unesp 2014) 
A condenação à violência pode ser estendida à ação dos militantes em prol dos direitos animais 
que depredaram os laboratórios do Instituto Royal, em São Roque. A nota emocional é difícil de contornar: 
178 cães da raça beagle, usados em testes de medicamentos, foram retirados do local. De um lado, por 
mais que seja minimizado e controlado, há o sofrimento dos bichos. Do outro lado, está nosso bem maior: 
nas atuais condições, não há como dispensar testes com animais para o desenvolvimento de drogas e 
medicamentos que salvarão vidas humanas. 
 
(𝗗𝗶𝗿𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗶𝗺𝗮𝗶𝘀. , 𝟮𝟱.𝟭𝟬.𝟮𝟬𝟭𝟯.) 
 
Sob o ponto de vista filosófico, os valores éticos envolvidos no fato 
 
a)à legitimidade do domínio da natureza pelo homem. 
 
b)a diferentes concepções de natureza religiosa. 
 
c)a disputas políticas de natureza partidária. 
 
d)à instituição liberal da propriedade privada. 
 
e)aos interesses econômicos da indústria farmacêutica. 
 
5. (Unesp 2018) 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
73 
Convicção é a crença de estar na posse da verdade absoluta. Essa crença pressupõe que há verdades 
absolutas, que foram encontrados métodos perfeitos para chegar a elas e que todo aquele que tem 
convicções se serve desses métodos perfeitos. Esses três pressupostos demonstram que o homem das 
convicções está na idade da inocência, e é uma criança, por adulto que seja quanto ao mais. Mas 
milênios viveram nesses pressupostos infantis, e deles jorraram as mais poderosas fontes de força da 
humanidade. Se, entretanto, todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem 
dedicado apenas metade de sua força para investigar por que caminho haviam chegado a ela: que 
aspecto pacífico teria a história da humanidade! 
 
(Nietzsche. Obras incompletas, 1991. Adaptado.) 
 
Nesse excerto, Nietzsche 
 
a) defende o inatismo metafísico contra as teses empiristas sobre o conhecimento. 
b) valoriza a posse da verdade absoluta como meio para a realização da paz. 
c) defende a fé religiosa como alicerce para o pensamento crítico. 
d) identifica a maturidade intelectual com a capacidade de conhecer a verdade absoluta. 
e) valoriza uma postura crítica de autorreflexão, em oposição ao dogmatismo. 
 
6. (Unesp 2011) 
Coisas que este livro fará por você: facilitar-lhe-á fazer amigos rápida e facilmente; aumentará sua 
popularidade; ajuda-loá a conquistar pessoas para seu modo de pensar; aumentará sua influência, 
seu prestígio, sua habilidade em obter a realização das coisas; facilitar-lhe-á conseguir novos 
clientes, novos fregueses; aumentará suas rendas; torna-lo-á um melhor vendedor, um melhor 
diretor; ajudá-lo-á a resolver reclamações, evitar discussões e manter seus contatos humanos 
agradáveis e suaves; torná-lo-á um melhor orador, um conversador mais atraente; tornará os 
princípios de psicologia fáceis para que você os aplique nos seus contatos diários. 
 
(Dale Carnegie. Como fazer amigos e influenciar pessoas, 1936.) 
 
Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos 
Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos 
desconhecermos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que não 
se usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, 
não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. 
Ninguém conhece outro, e ainda bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda 
que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo. 
 
(Fernando Pessoa. Livro do desassossego, 1931.) 
 
Sobre os dois textos, é correto afirmar: 
 
a) A obra de Dale Carnegie transmite nítida visão instrumental acerca das relações humanas. 
b) Os dois textos transmitem uma visão cética sobre a importância da psicologia para o 
desenvolvimento humano. 
c) Embora escritos na década de 30 do século passado, ambos os textos podem ser considerados 
precursores do estilo atualmente conhecido como autoajuda. 
d) O texto de Fernando Pessoa transmite uma visão edificante acerca das relações humanas. 
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e) Os dois textos valorizam a importância da inteligência emocional nas relações humanas. 
 
 
7. (Unesp 2011) 
A inclinação para o ocultismo é um sintoma da regressão da consciência. A tendência velada da 
sociedade para o desastre faz de tolas suas vítimas com falsas revelações e fenômenos alucinatórios. O 
ocultismo é a metafísica dos parvos. Procurando no além o que perderam, as pessoas dão de encontro 
apenas com sua própria nulidade. 
 
(Theodor Adorno, filósofo alemão, 1947. Adaptado.) 
 
Ilumine seus caminhos e encontre a paz espiritual com Dona Márcia, espírita conceituada com fortes 
poderes. Corta mau-olhado, inveja, demandas, feitiçaria. Desfaz amarrações, faz simpatia para o amor, 
saúde, negócios, empregos, impotênciae filhos problemáticos. Seja qual for o seu problema, em uma 
consulta, ela lhe dará orientação espiritual para resolver o seu problema. 
 
(Panfleto distribuído nas ruas do centro de uma cidade brasileira.) 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Os dois textos evidenciam que, em nossa sociedade, prevalece o apelo racional na resolução de 
problemas pessoais. 
b)O texto do filósofo Adorno aborda o ocultismo sob uma perspectiva crítica. 
c)De acordo com o filósofo Adorno, a espiritualidade permite a elevação da consciência. 
d) Nos dois textos predomina a irracionalidade na abordagem da relação entre mundo material e 
mundo espiritual. 
e)Os dois textos enfatizam a importância da espiritualidade na vida das pessoas. 
 
8. (Unesp 2010) 
Em algum remoto rincão do sistema solar cintilante em que se derrama um sem-número de sistemas 
solares, havia uma vez um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto 
mais soberbo e mais mentiroso da história universal: mas também foi somente um minuto. Passados 
poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim 
poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, 
quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da 
natureza. Houve eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá 
acontecido. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, 
como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, 
perceberíamos então que também ela boia no ar (...) e sente em si o centro voante desse mundo. 
 
(Nietzsche. O Livro das Citações, 2008.) 
 
Sobre este texto, é correto afirmar que: 
a) Seu teor acerca do lugar da humanidade na história do universo é antropocêntrico. 
b) O autor revela uma visão de mundo cristã. 
c) O autor apresenta uma visão cética acerca da importância da humanidade na história do universo. 
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d) Ao comparar a vida humana com a vida de uma mosca, Nietzsche corrobora os fundamentos de 
diversas teologias, não se limitando ao ponto de vista cristão. 
e) Para o filósofo, a vida humana é eterna. 
 
9. (Unesp 2021) 
(...) só reconhecerei um sistema como empírico ou científico se ele for possível de comprovação pela 
experiência. Essas considerações sugerem que deve ser tomado como critério de demarcação, não a 
verificabilidade, mas a falseabilidade de um sistema. Em outras palavras, não exigirei que um sistema 
científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, sem sentido positivo; exigirei, 
porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo por meio de recurso a provas 
empíricas, em sentidos negativo: deve ser possível refutar, pela experiência, um sistema científico 
empírico. 
 
(Karl Popper. A lógica da pesquisa científica, 2001.) 
 
Popper deu o nome de Problema da Demarcação ao problema de estabelecer um critério que permita 
distinguir entre ciências empíricas e os sistemas ’metafísicos’. Sobre esse assunto assinale a alternativa 
correta. 
a)A experiência não é empregada como teste, nas falsificações propostas aos sistemas teóricos. 
b)A possibilidade de falseamento não é capaz de promover a separação entre o que é ciência e o que é 
especulação metafísica. 
c)Teorias metafísicas podem ser falseadas. 
d)A possibilidade de falsificação, com o auxílio da observação e dos experimentos, permite o julgamento 
do conteúdo empírico de teorias postas. 
e)Teorias que podem ser submetidas a testes empíricos obviamente não podem ser falsificadas. 
10. (Autoral) 
Em algum remoto rincão do sistema solar cintilante em que se derrama um sem-número de sistemas 
solares, havia uma vez um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto 
mais soberbo e mais mentiroso da história universal: mas também foi somente um minuto. Passados 
poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim 
poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão 
fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve 
eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Ao contrário, 
ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo 
girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela 
boia no ar (...) e sente em si o centro voante desse mundo. 
(Nietzsche. O Livro das Citações, 2008.) 
 Sobre este texto, é correto afirmar que: 
 
a) Seu teor acerca do lugar da humanidade na história do universo é antropocêntrico. 
b) O autor revela uma visão de mundo cristã. 
c) O autor apresenta uma visão cética acerca da importância da humanidade na história do universo. 
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d) Ao comparar a vida humana com a vida de uma mosca, Nietzsche corrobora os fundamentos de 
diversas teologias, não se limitando ao ponto de vista cristão. 
 e) Para o filósofo, a vida humana é eterna. 
 
11. (Autoral) 
Texto 1 
“Segundo uma concepção amplamente difundida, objetividade e neutralidade são características centrais 
do conhecimento científico. Opiniões, referências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na 
ciência. As teorias científicas são neutras no sentido de não possuírem vínculo com ideologias, interesses 
pessoais ou de grupos, fatores políticos ou econômicos. O conhecimento científico é conhecimento 
confiável porque é neutro e provado objetivamente.” 
WARBURTON, Nigel. O básico da Filosofia. Tradução de Eduardo F. Alves Rio de Janeiro: José Olympio 
Editora, 2008. p. 167. 
 
Texto 2 
“Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se encontra assim especificada: 
o domínio constituído pelos diferentes objetos que irão adquirir ou não um status científico; (...) um saber 
é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu 
discurso; (...) um saber é também o campo de coordenação e de subordinação dos enunciados em que os 
conceitos aparecem, se definem, se aplicam e se transformam; (...) finalmente, um saber se define por 
possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso.” 
 (FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária) 
 
Ao ler dois textos observa-se que 
a) a filosofia caminha no sentido da valorização, sem reservas, da ciência. 
b) Foucault, autor do texto 2, não teria dificuldade em aceitar a ideia de que a ciência é neutra, afirmação 
expressa no texto 1. 
c) O texto 2 aproxima-se mais do espírito questionador, próprio da filosofia. 
d) O texto 1 se pauta pela valorização da ciência a partir da neutralidade; o texto 2 valoriza o saber 
científico pela utilidade. 
e) O texto 1 tem como objeto a metodologia empírica da ciência; já o texto 2 volta-se para a forma como 
a ciência é divulgada, para os discursos de validação dos saberes. 
 
12.(Autoral) 
 
Considerando a relação entre Filosofia e Ciência, assinale a alternativa correta. 
a) A Ciência e a Filosofia nascem juntas e com os mesmos métodos, a diferença entre elas está no objeto; 
enquanto a Ciência se volta para o mundo físico, a Filosofia considera o mundo humano. 
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b) A Ciência Moderna nasce com os pré-socráticos, mas depois ela é foi suplantada pela Filosofia que 
tomou o lugar central do pensamento após o Renascimento. 
c) A Ciência Moderna e a Filosofia partilham da mesma preocupação com o rigor daspremissas para 
estabelecimento de ideias, divergem quanto ao objeto. 
d) A Ciência Moderna se opõe à Filosofia, pois o método da segunda, extremamente falho se baseia em 
construções de doutrinas contrárias sem chegar à conclusão alguma. 
e) A Filosofia sempre foi crítica da Ciência, sobretudo da Ciência Moderna, pelo seu caráter dogmático e 
autoritário. 
 
13. (Autoral) 
O projeto Manhattan e sua aplicação em Hiroshima, além de outros casos de desenvolvimentos 
tecnológicos vinculados à guerra e utilização militar, na opinião de Garcia et al. (1996), representaram o 
primeiro ponto de inflexão da concepção otimista do caráter benfeitor da ciência-tecnologia, junto com 
as preocupações dos problemas ambientais. Publicações como Silent Spring (1962) de Rachael Carson, 
que levantava os riscos associados aos inseticidas DDT, e Estrutura das Revoluções Científicas (1962) de 
Thomas Kuhn, que introduzia conceitos sociais para explicar a dinâmica e o desenvolvimento da ciência, 
exerceram influências na reação acadêmica, começando-se a falar sobre os efeitos negativos das 
tecnologias, assim como colocava em questão sua neutralidade política, social e econômica que, até o 
momento, eram tidas como benfeitoras. 
Assim, a partir da década de 1960, a credibilidade nas benesses e neutralidade da ciência e da tecnologia 
começava a ser questionada, o que é materializado pela reação social e acadêmica. 
(Disponível em http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/514.pdf , acessado em 04.12.2019) 
 
A perspectiva em relação à ciência manifestada nesse texto permite afirmar que 
a) a visão pessimista do texto manifesta uma perspectiva equivocada em relação à ciência. 
b) Não só a experiência histórica, mas também os parâmetros teóricos questionam o valor da ciência para 
nós. 
c) Trata-se de um equívoco deixar que as experiências negativas relacionada ao DDT e ao projeto 
Manhatan tenham diminuído o valor da ciência. 
d) É de se esperar que a ciência caia em descrédito nas próximas décadas. 
e) Estamos caminhando para um meio termo entre o otimismo exagerado e a decepção frustrante em 
relação à ciência. 
 
14. (Autoral) 
Texto I 
“Outro ponto é que, para saber se uma droga é eficaz, é necessária comparação com um grupo de controle 
e, em geral, um grande número de participantes. Idealmente parte dos pacientes recebe a droga, outra 
parte recebe um placebo. Aqui ainda entra a randomização, melhor método para criar grupos com 
características semelhantes. Isso é necessário para que não aconteça algo como dar o medicamento para 
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http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/514.pdf
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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casos mais leves (que irão morrer menos) e placebo para casos mais graves (que irão morrer mais), 
levando a falsas conclusões. Nenhuma dessas premissas foi seguida neste trabalho.” 
(Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/replica-ciencia-e-nao-o-achismo-nos-
levara-a-sucesso-no-combate-ao-coronavirus.shtml , acessado em 08.04.2020). 
 
Texto II 
Xô gripe! 
No primeiro dia de Lua Minguante, descasque um dente de alho, risque-o com um objeto de metal e coloque-o em meio 
copo com água. Tampe o copo e deixe-o passar a noite no sereno, coberto, até o outro dia. Antes do Sol nascer, pegue o 
copo e tome a água em jejum, jogando o alho fora. Repita esta simpatia nos dois dias seguintes. Depois de lavado, use o 
copo normalmente. 
(Disponível em https://joaobidu.com.br/simpatias-imunidade-protecao , acessado em 08.04.2020). 
 
A partir da leitura dos dois textos, são feitas as seguintes afirmações: 
I. A oposição entre os textos pode ser associada à oposição entre sofistas e filósofos no que diz respeito à 
aceitação ou não de explicações naturalistas dos fenômenos. 
II. O que torna a ciência uma forma de conhecimento mais confiável é o fato de ela se apoiar em um 
método rigoroso e não adotar protocolos ao sabor das conveniências. 
III. O texto II manifesta uma concepção mítica sobre o mundo, que se apoia na concepção central de que 
há interferência proposital de entidades sobrenaturais no mundo material. 
IV. Embora partam de premissas bastante diferentes, nos dois, observa-se a tentativa do controle da 
natureza, no primeiro texto pela técnica, no segundo pela magia. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmações I e II são corretas. 
b) As afirmações I, II e III são corretas. 
c) Todas as afirmações são corretas 
d) As afirmações II e IV são corretas. 
e) As afirmações I e III são corretas. 
 
15.(Autoral) 
“A loucura é um momento difícil, porém essencial, na obra da razão; através dela, e mesmo em suas 
aparentes vitórias, a razão se manifesta e triunfa. A loucura é, para a razão, sua força viva e secreta” 
(Foucault, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. 8ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.) 
Michel Foucault, filósofo contemporâneo, foi um grande crítico da razão ocidental. Nesse trecho, ele 
expressa um pouco dessa perspectiva. Em relação ao fragmento e às ideias de Foucault, assinale a 
alternativa que um ideia que jamais poderia ser endossada pelo autor. 
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https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/replica-ciencia-e-nao-o-achismo-nos-levara-a-sucesso-no-combate-ao-coronavirus.shtml
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a) Sem uma dose de loucura, a vida não tem sentido. 
b) A razão triunfa na sociedade moderna a partir da estigmatização da loucura. 
c) A loucura não tem um conteúdo de verdade em si. 
d) O rótulo de “louco” permitiu que fosse possível encarcerar quem não era racional. 
e) A forma como os loucos foram barbaramente encarcerados deixa entrever a barbárie da razão. 
 
16.(Autoral) 
Giorgio Agamben, um dos maiores filósofos vivos, publica regularmente breves crônicas no site da editora 
Quodlibet. Os três últimos textos comentam as medidas de confinamento e quarentena em vigor hoje na 
maior parte do mundo. 
Para ele, qualquer poder sempre tende a querer uma dominação mais capilar, profunda e desobstruída 
da existência da gente. 
E, para esse fim, o poder moderno achou uma artimanha perfeita. Deixou que a medicina erigisse sua arte 
e seu propósito em sistema de valores; com isso, o poder convenceu a todos de que o valor supremo seria 
o simples fato de viver ou sobreviver (o que Agamben chama de a “vida nua”). 
(Caligaris, Contardo. “Para Agamben, pandemia funciona como pretexto para o poder satisfazer sua sede 
de mais domínio”. Folha de São Paulo, 26.03.2020) 
 
De acordo com o texto 
A) O poder político submete os homens a leis supostamente transcendentes ao negar-lhes a liberdade em 
épocas de crise. 
B) A ciência e a medicina se aliam para tornar capilar uma dominação totalitária. 
C) A medicina tornou-se um meio para que o poder, de forma capilar, pudesse se realizar como 
onipresente. 
D) A ciência retira dos homens a capacidade de livre-arbítrio deixando o indivíduo à mercê do poder 
político que se tornou capilar. 
 
17.(Autoral) 
“A ciência, sem essa seleção, sem esse refinamento de gosto, precipita-se sobre tudo o que é possível 
saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço; enquanto o pensar filosófico está sempre no 
rastro das coisas dignas de serem sabidas, dos conhecimentos importantes e grandes” 
(In: Os Pré-Socráticos. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1999, p. 43-46.) 
Nesse trecho, Nietzsche, ao fazer uma crítica da ciência, salienta quais traços do conhecimento científico? 
a) soberba e refinamento. 
b) indignidade e futilidade. 
c) seletividade e obscuridade. 
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d) objetividade e ambição. 
e) sabedoria e precipitação. 
 
18.(Autoral) 
Possibilidades econômicas da célula sintética podem chegar a US$ 1 trilhão 
Pesquisa consumiu US$ 40 bilhões e uma década de trabalho 
Possibilidade de usar o micro-organismo para transformar o CO2 da atmosfera em combustível pode valer 
cerca de US$ 1 trilhão 
Era um sonho que começou há quase 15 anos, quando o veterano da Guerra do Vietnã Craig Venter, 63 
anos, se tornou geneticista, resolvendo, um dia, criar um novo genoma – e com isso, fazer a primeira 
forma de vida sintética. Na noite de quinta-feira, em um anúncio bombástico, no qual o acusavam de 
brincar de Deus, Venter disse que o sonho havia se tornado realidade, ao contar que havia criado um 
organismo com DNA sintético. 
(...) 
Venter tem um contrato garantido com a gigante petrolífera ExxonMobil para desenvolver algas que 
possam absorver CO2 da atmosfera e convertê-lo em combustível - uma inovação, ele acredita, que pode 
valer mais de US$ 1 trilhão. 
(Disponível em https://www.nsctotal.com.br/noticias/possibilidades-economicas-da-celula-sintetica-
podem-chegar-a-us-1-trilhao, acessado em 22.06.2020) 
 
Qual é o conceito típico da Escola de Frankfurt que se relaciona ao fato mencionado? 
 
a) Autonomia da razão 
b) Razão instrumental 
c) Cientificismo 
d) Razão Crítica 
e) Razão Prática 
 
19.(Autoral) 
Texto 1 
“Segundo uma concepção amplamente difundida, objetividade e neutralidade são características centrais 
do conhecimento científico. Opiniões, referências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na 
ciência. As teorias científicas são neutras no sentido de não possuírem vínculo com ideologias, interesses 
pessoais ou de grupos, fatores políticos ou econômicos. O conhecimento científico é conhecimento 
confiável porque é neutro e provado objetivamente.” 
WARBURTON, Nigel. O básico da Filosofia. Tradução de Eduardo F. Alves Rio de Janeiro: José Olympio 
Editora, 2008. p. 167. 
 
Texto 2 
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https://www.nsctotal.com.br/noticias/possibilidades-economicas-da-celula-sintetica-podem-chegar-a-us-1-trilhao
https://www.nsctotal.com.br/noticias/possibilidades-economicas-da-celula-sintetica-podem-chegar-a-us-1-trilhao
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“Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se encontra assim especificada: 
o domínio constituído pelos diferentes objetos que irão adquirir ou não um status científico; (...) um saber 
é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu 
discurso; (...) um saber é também o campo de coordenação e de subordinação dos enunciados em que os 
conceitos aparecem, se definem, se aplicam e se transformam; (...) finalmente, um saber se define por 
possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso.” 
 (FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária) 
 
Ao ler dois textos observa-se que 
a) a filosofia caminha no sentido da valorização, sem reservas, da ciência. 
b) Foucault, autor do texto 2, não teria dificuldade em aceitar a ideia de que a ciência é neutra, afirmação 
expressa no texto 1. 
c) O texto 2 aproxima-se mais do espírito questionador, próprio da filosofia. 
d) O texto 1 se pauta pela valorização da ciência a partir da neutralidade; o texto 2 valoriza o saber 
científico pela utilidade. 
e) O texto 1 tem como objeto a metodologia empírica da ciência; já o texto 2 volta-se para a forma como 
a ciência é divulgada, para os discursos de validação dos saberes. 
 
20. (Autoral) 
“O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder (não é − não obstante um 
mito, de que seria necessário esclarecer a história e as funções − a recompensa dos espíritos livres, o filho 
das longas solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo; ela é 
produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse fragmento, Foucault expressa seu conceito de verdade; segundo o autor, a verdade é 
a) refutada pelo poder. 
b) utilizada para estabelecer critérios de ação. 
c) constituída por práticas contingentes. 
d) regulamentada pela política. 
e) revelada pela história. 
 
21.(Autoral) 
“Os sistemas de pesquisa que geram um conhecimento tecnicamente utilizável tornaram-se de fato forças 
produtivas da sociedade industrial. Como eles só produzem técnicas, porém, não são capazes 
precisamente da orientação no agir. O agir social é de início uma conjugação de fatores mediada pela 
tradição em uma comunicação corrente, uma conjugação que exige respostas a questões práticas. A 
práxis só equivaleria ao agir instrumental, se a vida social tivesse se reduzido a uma existência em sistemas 
de trabalho social e de autoafirmação violenta. A autocompreensão positivista das ciências monológicas 
favorece certamente uma repressão do agir por meio da técnica” (Habermas, 2011: 36). 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
82 
(HABERMAS, J. (2011). A Lógica das Ciências Sociais, Petrópolis, Vozes) 
Nesse texto, percebe uma crítica 
a) aos sistemas de pesquisa. 
b) às forças produtivas. 
c) ao agir social pautado pela comunicação. 
d) à perspectiva monológica de valorização técnica. 
e) à busca por respostas às ações práticas. 
 
22.(Autoral) 
Para responder à próxima questão, leia os fragmentos abaixo 
“a verdade não existe fora do poder ou sem o poder (não é — não obstante um mito, de que 
seria necessário estabelecer a história e as funções — a recompensa dos espíritos livres, o filho das longas 
solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo, ela é produzida nele 
graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu 
regime de verdade, sua «política geral» de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz 
funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados 
verdadeiros dos falsos, a maneira como se sancionam uns e outros; as técnicas e os procedimentos que 
são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que 
funciona como verdadeiro.” 
Michel Foucault in Microfísica do Poder (Org. e Tradução de Roberto Machado. 26ª ed. São Paulo: Edições 
Graal, 2008. p. 12). 
Percebe-se nesse fragmento de Foucault, 
 
a) a crítica à perspectiva metafísica da verdade. 
b) a aceitação do empirismo na política. 
c)a defesa do relativismo cultural. 
d) o estabelecimento do negacionismo como possibilidade epistemológica. 
e)a redução da política à ética. 
 
23. (Enem/2013) 
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi 
proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar 
a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como 
Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero 
imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e 
culturalmente. 
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http://www.cafecomsociologia.com/2013/03/o-poder-em-foucault-breves-apontamentos.html
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
83 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 
2004 (adaptado). 
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência 
como uma forma de saberque almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a 
investigação científica consiste em 
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. 
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. 
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. 
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. 
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 
 
24. (Enem 2016) 
Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as 
demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; 
não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular 
um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas 
histórias. 
DESCARTES. R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 
Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado 
da 
a) investigação de natureza empírica. 
b) retomada da tradição intelectual. 
c) imposição de valores ortodoxos. 
d) autonomia do sujeito pensante. 
e) liberdade do agente moral. 
 
25. (Enem 2016) 
A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma 
indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a 
submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do 
homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da 
práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de 
ninguém. 
JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 
(adaptado). 
As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de 
um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a) 
a) pragmatismo da escolha individual. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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b) sobrevivência de gerações futuras. 
c) fortalecimento de políticas liberais. 
d) valorização de múltiplas etnias. 
e) promoção da inclusão social. 
 
26. (Enem 2016 – 2ª aplicação) 
Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder 
de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do 
sistema-Terra. Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda? 
Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável 
e cooperativa para com a natureza. Queremos, agora, agregar a ética da responsabilidade. 
BOFF, L. Responsabilidade coletiva. Disponível em: http://leonardoboff.wordpress.com. Acesso em: 14 
mai 2013. 
A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reivindicada no texto é 
expressa pela máxima: 
a) “A tua ação possa valer como norma para todos os homens.” 
b) “A norma aceita por todos advenha da ação Comunicativa e do discurso.” 
c) “A tua ação possa produzir a máxima felicidade para a maioria das pessoas.” 
d) O “O teu agir almeje alcançar determinados fins que possam justificar os meios.” 
e) “O efeito de tuas ações não destrua a possibilidade futura da vida das novas gerações.” 
 
27. (Enem 2013) 
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi 
proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar 
a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como 
Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero 
imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e 
culturalmente. 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 
2004 (adaptado). 
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência 
como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a 
investigação científica consiste em 
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. 
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. 
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. 
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. 
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 
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28. (Enem 2014) 
 
Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou 
possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa 
norma. 
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. 
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida peloa)19 
a)liberdade humana, que consagra a vontade. 
b)razão comunicativa, que requer um consenso. 
c)conhecimento filosófico, que expressa a verdade. 
d)técnica científica, que aumenta o poder do homem. 
e)poder político, que se concentra no sistema partidário. 
 
29. (Enem 2015 – 2ª aplicação) 
O filósofo Auguste Comte (1798 – 1857) preenche sua doutrina com uma imagem do progresso social na 
qual se conjugam ciência e política deve assumir o aspecto de uma ação científica e a política deve ser 
estudada de maneira científica (a física social). Desde que a Revolução francesa favoreceu a integração 
do povo na vida social, o positivismo obstina-se no programa de uma comunidade pacífica. E o Estado, 
instituição do “reino absoluto da lei”, é a garantia da ordem que impede o retorno potencial das 
revoluções e engendra o progresso. 
RUBY, C. Introdução à filosofia política. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado). 
A característica do Estado positivo que lhe permite garantir não só a ordem, como também o desejado 
progresso das nações, é ser 
a) espaço coletivo, onde as carências e desejos da população se realizam por meio das leis. 
b) produto científico da física social, transcendendo e transformando as exigências da realidade. 
c) elemento unificador, organizando e reprimindo, se necessário, as ações dos membros da comunidade. d) 
programa necessário, tal como a Revolução Francesa, devendo, portanto, se manter aberto a novas insurreições. 
e) agente repressor, tendo um papel importante a cada revolução, por impor pelo menos um curto período de 
ordem. 
 
30. (Enem 2016 – 3ª aplicação) 
A atividade atualmente chamada de ciência tem se mostrado fator importante no desenvolvimento da 
civilização liberal: serviu para eliminar crenças e práticas supersticiosas, para afastar temores brotados da 
ignorância e para fornecer base intelectual de avaliação de costumes herdados e de normas tradicionais 
de conduta. 
NAGEL, E. et al. Ciência: natureza e objetivo. São Paulo: Cultrix, 1975 (adaptado). 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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Quais características permitem conceber a ciência com os aspectos críticos mencionados? 
a) Apresentar explicações em uma linguagem determinada e isenta de erros. 
b)Possuir proposições que são reconhecidas como inquestionáveis e necessárias. 
c) Ser fundamentada em um corpo de conhecimento autoevidente e verdadeiro. 
d) Estabelecer rigorosa correspondência entre princípios explicativos e fatos observados. 
e)Constituir-se como saber organizado ao permitir classificações deduzidas da realidade. 
 
31. (Enem 2019 PPL) 
A ciência ativa rompe com a separação antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técnica 
(techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica. Do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização 
da observação e do método experimental opõe a ciência ativa à ciência contemplativa dos antigos; assim 
também, a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração 
platônica e pitagórica, e contrária à concepção aristotélica. 
 
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2008 (adaptado). 
 
Nesse contexto, a ciência encontra seu novo fundamento na 
a) utilização da prova para confirmação empírica. 
b) apropriação do senso comum como inspiração. 
c) reintrodução dos princípios da metafísica clássica. 
d) construção do método em separado dos fenômenos. 
e) consolidação da independência entre conhecimento e prática. 
 
32. (Uema 2015) 
Gilberto Cotrim (2006. p. 212), ao tratar da pós-modernidade, comenta as ideias de Michel Foucault, nas 
quais “[...] as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder que se desenvolveu a 
partir do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas no setor político e nas 
suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da vida social [...] [e] o poder 
fragmentou-se em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Assim, em vez de se deter apenas no 
macropoder concentrado no Estado, [os] micropoderes se espalham pelas mais diversas instituições da 
vida social. Isto é, os poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas, por exemplo: os pais, os 
porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretarias, os guardas, os fiscais etc.” 
Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006. 
(adaptado) 
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87 
Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal função dos micropoderes no 
corpo social é interiorizar e fazer cumprir 
a) o ideal de igualdade entre os homens. 
b) o total direito político de acordo com as etnias. 
c) as normas estabelecidas pela disciplina social. 
d) a repressão exercida pelos menos instruídos. 
e) o ideal de liberdade individual. 
 
33. (Pucpr 2010) 
Na sua obra Vigiar e punir, o filósofo francês Michel Foucault analisa as novas faces de exercício do poder 
disciplinar e afirma: 
“Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas 
também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de 
dominação. (...) O momento histórico das disciplinas e o momento em que nasce uma arte do corpo 
humano, que visa não unicamente ao aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua 
sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto 
é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, 
uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo 
humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma "anatomia 
política", que é também igualmente uma "mecânica do poder", está nascendo; ela define como se pode 
ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que 
operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina 
fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". 
 (Vigiar e Punir, p. 118). 
 Segundo essa passagem, seria correto afirmar que: 
I. O texto mostra como, a partir dos séculos XVII e XVIII, o corpo foi descoberto como objeto e alvo de um 
novo poder e de novas formas de controle, pelas quais são superadas antigas formas de domínio e 
instaurado um novo modelo com o fim de tornar os corpos mais dóceis. 
II. O fim dessas práticas é tornar o corpo obediente e disciplinado através de um rigoroso exercício de 
controle sobre gestos e comportamentos. É assim que o corpo vira um novo objeto de poder. 
III. Segundo o autor, essa é a primeira vez na história que o corpo se tornara objeto de poder, já que essas 
práticas eram comuns tanto nos regimes escravocratas quanto nos monásticos. 
IV. Esses novos mecanismos de controle têm, segundo o autor, uma única motivação: o domínio do corpo 
para exploração econômica. 
 
a) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras. 
b) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras. 
c) Apenas a assertiva IV é verdadeira. 
d) Todas as assertivas são verdadeiras. 
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e) Apenas a assertiva I é verdadeira. 
 
34. (Unioeste 2012) 
“Kuhn sustenta que a ciência progride quando os cientistas são treinados numa tradição intelectual 
comum e usam essa tradição para resolver os problemas que ela suscita. Kuhn vê a história de uma ciência 
‘madura’ como sendo, essencialmente, uma sucessão de tradições, cada uma das quais com sua própria 
teoria e seus próprios métodos de pesquisa, cada um guiando uma comunidade de cientistas durante um 
certo período de tempo e sendo finalmente abandonada. Kuhn começou por chamar às ideias de uma 
tradição científica um ‘paradigma’ [...] O paradigma, como um todo, determina que problemas são 
investigados, que dados são considerados pertinentes, que técnicas de investigação são usadas e que 
tipos de solução se admitem. [...] Revoluções, como as de Copérnico, Newton, Darwin e Einstein não são 
frequentes, diz Kuhn, e são deflagradas por crises. Uma crise ocorre quando os cientistas são incapazes 
de resolver muitos problemas de longa data com que o paradigma se defronta”. 
Kneller 
 
Considerando o texto acima e as ideias de Kuhn sobre a atividade científica, seguem as afirmativas abaixo: 
I. O paradigma determina o que uma comunidade científica pode investigar, quais os métodos e as 
soluções possíveis. 
II. A história da ciência mostra uma sucessão de rupturas ou revoluções, ou seja, mudanças de paradigmas 
e não um processo progressivo linear contínuo do conhecimento científico. 
III. Um paradigma entra em crise e pode ser substituído por outro quando ele não permite mais a solução 
de problemas considerados importantes pela comunidade científica. 
IV. A história da ciência não tem nenhuma importância para a investigação da atividade científica, pois a 
ciência não é condicionada, de forma alguma, por seu contexto histórico. 
V. O progresso científico ocorre dentro de uma tradição enquanto o paradigma permitir que os problemas 
considerados importantes sejam resolvidos (ciência normal). 
 
Das afirmativas feitas acima 
a) apenas IV está correta. 
b) apenas III e V estão corretas. 
c) apenas I, II e IV estão corretas. 
d) apenas I, II e V estão corretas. 
e) apenas I, II, III, V estão corretas. 
 
35.(Uel 2005) 
“As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes 
por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a 
experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarão deleitados se puderem encontrar 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
89 
uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e essestestes pelo menos tão bem quanto suas 
concorrentes, será eliminada”. 
 
(POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.) 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciência e método científico, é correto afirmar: 
a) O método científico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos 
cruciais. 
b) A crítica no meio científico significa o fracasso do cientista que formulou hipóteses incorretas. 
c) O conflito de hipóteses científicas deve ser resolvido por quem as formulou, sem ajuda de outros 
cientistas. 
d) O método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas. 
e) A atitude crítica é um empecilho para o progresso científico. 
 
36. (Uel 2019) 
Leia o texto a seguir. 
 
O programa do esclarecimento era o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e 
substituir a imaginação pelo saber. [..] O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera 
objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de poder é a alienação daquilo sobre o que 
exercem o poder. [...] 
Quanto mais a maquinaria do pensamento subjuga o que existe, tanto mais cegamente ela se contenta 
com essa reprodução. Desse modo, o esclarecimento regride à mitologia da qual jamais soube escapar. 
 
ADORNO & HORKHEIMER. Dialética do esclarecimento. Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de 
Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.17; 21; 34. 
 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a crítica à racionalidade instrumental e a relação entre 
mito e esclarecimento em Adorno e Horkheimer, assinale a alternativa correta. 
a) O mito revela uma constituição irracional, na medida em que lhe é impossível apresentar uma 
explicação convincente sobre o seu modo próprio de ser. 
b) A regressão do esclarecimento à mitologia revela um processo estratégico da razão, com o objetivo de 
ampliar e intensificar seus poderes explicativos. 
c) A explicação da natureza, instaurada pela racionalidade instrumental, pressupõe uma compreensão 
holística, em que as partes são incorporadas, na sua especificidade, ao todo. 
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d) O esclarecimento implica a libertação humana da submissão à natureza, atestada pelo poder racional 
de diagnosticar, prever e corrigir as limitações naturais. 
e) O esclarecimento se caracteriza por uma explicação baseada no cálculo, do que resulta uma 
compreensão da natureza como algo a ser conhecido e dominado. 
 
37.(UEL 2020) Leia o texto a seguir. 
Esta é uma concepção de ciência que considera a abordagem crítica sua característica mais importante. 
Para avaliar uma teoria o cientista deve indagar se pode ser criticada - se se expõe a críticas de todos os 
tipos e, em caso afirmativo, se resiste a essas críticas. 
POPPER, Karl. Conjecturas e refutações. Trad. Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1982. p. 284. 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Popper, assinale a alternativa correta. 
a) A concepção de ciência da qual fala Popper é aquela que possui o princípio de verificabilidade, com 
proposições rigorosas que procuram corrigir as teorias científicas. 
b) A ciência busca alcançar o conhecimento de tipo essencial, pois ele garante a verdade de uma teoria 
científica, permitindo o desenvolvimento em direção à verdade objetiva visada pela ciência. 
c) Uma teoria científica é verdadeira se suas proposições são empiricamente falsificáveis via testes, 
permitindo que sejam autocorrigidas e desenvolvidas na direção de uma verdade objetiva. 
d) Os testes empíricos nas ciências humanas, tais como psicologia e sociologia, visam confirmar seu valor 
de cientificidade, pois suas teorias são falsificáveis. 
e) A concepção de ciência que Popper sustenta é a passivista ou receptacular, na qual as teorias científicas 
são elaboradas por meio dos sentidos e o erro surge ao interferirmos nos dados obtidos da experiência. 
 
38.(Uem 2017/Modificada) 
“Há efeitos de verdade que uma sociedade como a sociedade ocidental, e agora se pode dizer que a 
sociedade mundial produz a cada instante. Produz-se verdade. Estas produções de verdade não podem 
ser dissociadas do poder e dos mecanismos de poder, ao mesmo tempo porque estes mecanismos de 
poder tornam possíveis essas produções de verdade, as induzem; e elas próprias são efeitos de poder que 
nos ligam, nos conectam. São essas relações de verdade/poder, saber/poder que me preocupam. Então, 
esta camada de objetos, ou melhor, esta camada de relações, é difícil de ser apreendida; e como não há 
uma teoria geral para apreendê-las, eu sou, por assim dizer, um empirista cego, quer dizer que eu estou 
na pior das situações. Não tenho teoria geral e nem mesmo um instrumento seguro. 
FOUCAULT, M. Poder e saber. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. 
Curitiba: Seed, 2009, p. 237. 
 
A partir do texto citado, observe as afirmações. 
I. O conhecimento científico, também entendido como verdadeiro, não está isento das influências dos 
interesses de poder. 
II. Foucault chama a atenção para a falta de instrumentos para investigar e conhecer melhor os 
mecanismos que vinculam saber e poder. 
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III. Para Foucault, poder e verdade são relações reais que atuam decisivamente na produção do 
conhecimento, a despeito da dificuldade de constatá-las. 
IV. Para Foucault, há uma teoria geral e um método que explicam as relações inerentes entre saber e 
poder. 
Assinale a alternativa correta. 
a) apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. 
b) apenas as afirmativas I e III estão corretas. 
c) apenas as afirmativas I, II e III estão corretas. 
d) apenas a afirmativa IV está incorreta. 
e) todas as afirmativas estão corretas. 
 
39.(Unioeste 2013) “A ideia de conduzir os negócios da ciência com o auxílio de um método que encerre 
princípios firmes, imutáveis e incondicionalmente obrigatórios, vê-se diante de considerável dificuldade, 
quando posta em confronto com os resultados da pesquisa histórica. Verificamos, fazendo um confronto, 
que não há uma só regra, embora plausível e bem fundada na epistemologia, que deixe de ser violada em 
algum momento. Torna-se claro que tais violações não são eventos acidentais, não são o resultado de 
conhecimento insuficiente ou de desatenção que poderia ter sido evitada. Percebemos, ao contrário, que 
as violações são necessárias para o progresso. Com efeito, um dos notáveis traços dos recentes debates 
travados em torno da história e da filosofia da ciência é a compreensão de que acontecimentos e 
desenvolvimentos tais como a invenção do atomismo na Antiguidade, a revolução copernicana, o 
surgimento do moderno atomismo (teoria cinética; teoria da dispersão; estereoquímica; teoria quântica), 
o aparecimento gradual da teoria ondulatória da luz só ocorreram porque alguns pensadores decidiram 
não se deixar limitar por certas regras metodológicas ‘óbvias’ ou porque involuntariamente as violaram.” 
Paul Feyerabend. 
Considerando o texto acima, que trata do método na ciência, seguem as afirmativas abaixo: 
 
I. A história da atividade científica, segundo Feyerabend, mostra que os resultados alcançados pela ciência 
são fruto da perseverança e do trabalho duro dos cientistas em torno de um conjunto de métodos 
precisos. 
II. O método em ciência, visto como a construção de um caminho que leve, inevitavelmente, a um 
conjunto de verdades imutáveis, é algo sumamente problemático. 
III. O surgimento de avanços científicos significativos está intimamente ligado à violação involuntária de 
regras de método que, na sua simplicidade, emperram o avanço científico. 
IV. Dada qualquer regra, por mais fundamental que se apresente para a ciência, sempre surgirãoocasiões 
nas quais é conveniente ignorar a regra e mesmo adotar uma regra contrária. 
V. A epistemologia, à luz da pesquisa histórica, apresenta um conjunto de eventos não acidentais que se 
mostraram decisivos quando se trata de compreender o desenvolvimento exitoso de seus resultados. 
Das afirmativas acima 
a) somente as afirmações I e II estão corretas. 
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b) somente as afirmações IV e V estão corretas. 
c) somente as afirmações I e IV estão corretas. 
d) somente as afirmações II, IV e V estão corretas. 
e) somente as afirmações I, III e V estão corretas. 
 
7.1Gabarito 
 
 
1.A 15.A 29.C 
2.A 16.C 30.D 
3.E 17.D 31.A 
4.A 18.B 32.C 
5.E 19.C 33.B 
6.A 20.C 34.E 
7.B 21.D 35.A 
8.C 22.A 36.E 
9.D 23.C 37.C 
10.C 24.D 38.C 
11.C 25.B 39.D 
12.C 26.E 
13.B 27.C 
14.D 28.B 
 
 
7.2 Questões Comentadas 
 
1. (Unesp Final do ano 2011) 
Leia o trecho da entrevista com um médico epidemiologista. 
Folha – Não é contraditório um epidemiologista questionar o conceito de risco? 
Luis David Castiel – Tem também um lado opressivo que me incomoda. Uma dimensão moralista, que 
rotula as pessoas que se expõem ao risco como displicentes e que, portanto, merecem ser punidas [pela 
doença], se acontecer o evento ao qual estão se expondo. Estamos à mercê dessa prescrição constante 
que a gente tem que seguir. Na hora em que você traz para perto a ameaça, tem que fazer uma gestão 
cotidiana dela. Não há como, você teria que controlar todos os riscos possíveis e os impossíveis de se 
imaginar. É a riscofobia. 
 Folha – Há um meio do caminho entre a fobia e o autocuidado? 
 Luis David Castiel – A pessoa tem que puxar o freio de emergência quando achar necessário, decidir até 
que ponto vai conseguir acompanhar todos os ditames da saúde. (…) Na saúde, a vigilância constante, o 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
93 
excesso de exames criou uma nova categoria: a pessoa não está doente, mas não é saudável.Está sob 
risco. 
(Folha de S.Paulo, 11.04.2011. Adaptado.) 
Assinale a alternativa que contempla adequadamente a opinião do médico, sob o ponto de vista filosófico. 
a) Para o médico Luis Castiel, os imperativos da ciência, se adotados como norma absoluta na avaliação 
dos comportamentos individuais, podem causar sofrimento emocional. 
b) Para o médico, os comportamentos individuais devem ser submetidos a padrões científicos de controle. 
c) A riscofobia abordada na entrevista decorre da displicência dos indivíduos em atenderem aos ditames 
da saúde e da boa forma. 
d) Na entrevista, o médico defende a autonomia individual como padrão absoluto para a avaliação de 
comportamentos de risco. 
e) Para o médico, a gestão cotidiana dos riscos depende diretamente da vigilância constante no campo 
da saúde. 
Comentário. 
Alternativa "a" está correta. A ciência como norma absoluta significaria “prescrição constante”, isso se 
traduz na opressão de julgamento morais que rotulam as pessoas que se expõem como displicentes que 
merecem ser punidas. Ou seja, o autor deixa claro que a ciência como norma pode gerar sofrimento. 
Alternativa "b" está incorreta. Ele acredita que submeter o comportamento a padrões científicos de 
controle é riscofobia. 
Alternativa "c" está incorreta. A riscofobia decorre da aceitação de critérios científicos de comportamento 
como sendo regra; ou seja, o medo de correr risco leva o indivíduo a adotar um comportamento tutelado 
por regras. 
Alternativa "d" está incorreta. Quando o entrevistador pergunta se há um meio termo, a resposta dada 
pelo Médico Luís Castiel sugere que ele defende essa tese, ou seja, a autonomia pessoas não deve ser 
padrão absoluto. 
Alternativa "e" está incorreta. Segundo a entrevista, a gestão dos riscos deve ser feita pelo indivíduo. 
Gabarito: A 
 
2.(UNESP/ 2014) 
A condenação à violência pode ser estendida à ação dos militantes em prol dos direitos animais que 
depredaram os laboratórios do Instituto Royal, em São Roque. A nota emocional é difícil de contornar: 
178 cães da raça beagle, usados em testes de medicamentos, foram retirados do local. De um lado, por 
mais que seja minimizado e controlado, há o sofrimento dos bichos. Do outro lado, está nosso bem maior: 
nas atuais condições, não há como dispensar testes com animais para o desenvolvimento de drogas e 
medicamentos que salvarão vidas humanas. 
(Direitos animais. Veja, 25.10.2013.) 
Sob o ponto de vista filosófico, os valores éticos envolvidos no fato relatado envolvem problemas 
essencialmente relacionados 
a) à legitimidade do domínio da natureza pelo homem. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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b) a diferentes concepções de natureza religiosa. 
c) a disputas políticas de natureza partidária. 
d) à instituição liberal da propriedade privada. 
e) aos interesses econômicos da indústria farmacêutica. 
Comentário. 
Alternativa "a" está correta. O protesto que envolveu a libertação dos cães coloca em evidência uma 
questão incômoda: quem deu ao homem a prerrogativa de usar a natureza do jeito que ele quisesse? 
Alternativa "b" está incorreta. O texto não menciona questões religiosas. 
Alternativa "c" está incorreta. Não há referência a questões políticas no texto. 
Alternativa "d" está incorreta. Houve, é fato, uma depredação à propriedade particular de um laboratório, 
mas essa não era a questão principal, o que pode ser verificado pelo título do artigo publicado pela Veja: 
“Direitos animais”. 
Alternativa "e" está incorreta. O autor do texto explicita a polêmica: abrir mão dos animais e ficar sem 
recursos farmacêuticos capazes de salvar vidas ou usar os animais e promover uma vida mais longa para 
os homens? Considerando esse grande tema, o autor não discute prioritariamente os interesses da 
indústria farmacêutica. 
Gabarito: A 
 
3. (Unesp Final de 2019) 
Questão 59 
Diariamente somos inundados por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura 
ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. Basta abrir o jornal, ver televisão, escutar o rádio, ou 
simplesmente abrir a caixa de correio eletrônico. A grande maioria desses milagres cotidianos é vestida 
com alguma roupagem científica: linguagem um pouco mais rebuscada, aparente comprovação 
experimental, depoimentos de “renomados” pesquisadores, utilização em grandes universidades. São 
casos típicos do que se costuma definir como “pseudociência”. 
(Marcelo Knobel. “Ciência e pseudociência”. In: Física na escola, vol. 9, no 1, 2008.) 
Pode-se elaborar a crítica filosófica aos conhecimentos pseudocientíficos por meio 
(A) da imposição de novos sistemas ideológicos. 
(B) da confiança em teorias fundamentadas no senso comum. 
(C) da ampla divulgação de ideias individuais. 
(D) da preservação de saberes populares. 
(E) da demonstração de ausência de evidências empíricas. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. Novos sistemas ideológicos (crenças) não garantem que a proposição feita sobre a 
realidade seja verdadeira. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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Alternativa b, falsa. O senso comum é a base do conhecimento pseudocientífico; a ciência é contrária ao 
senso comum. 
Alternativa c, falsa. O ponto de vista individual é sujeito a erros advindos dos sentidos. 
Alternativa d, falsa. Os saberes populares são base da tradição e do preconceito; a ciência nasce do 
rompimento com os saberes tradicionais. 
Alternativa e, verdadeira. Para saber se a afirmação feita sobre o real é verdadeira, é preciso confrontar 
o que se afirma com a realidade; ou seja, contrapor a tese às “evidências empíricas”. 
Gabarito: E 
4. (Unesp 2014) 
A condenação à violência pode ser estendidaà ação dos militantes em prol dos direitos animais 
que depredaram os laboratórios do Instituto Royal, em São Roque. A nota emocional é difícil de contornar: 
178 cães da raça beagle, usados em testes de medicamentos, foram retirados do local. De um lado, por 
mais que seja minimizado e controlado, há o sofrimento dos bichos. Do outro lado, está nosso bem maior: 
nas atuais condições, não há como dispensar testes com animais para o desenvolvimento de drogas e 
medicamentos que salvarão vidas humanas. 
 
(𝗗𝗶𝗿𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗶𝗺𝗮𝗶𝘀. , 𝟮𝟱.𝟭𝟬.𝟮𝟬𝟭𝟯.) 
 
Sob o ponto de vista filosófico, os valores éticos envolvidos no fato 
 
a)à legitimidade do domínio da natureza pelo homem. 
 
b)a diferentes concepções de natureza religiosa. 
 
c)a disputas políticas de natureza partidária. 
 
d)à instituição liberal da propriedade privada. 
 
e)aos interesses econômicos da indústria farmacêutica. 
Comentário 
Alternativa a: Correta. O protesto que envolveu a libertação dos cães coloca em evidência uma questão 
incômoda: quem deu ao homem a prerrogativa de usar a natureza do jeito que ele quisesse? 
Alternativa b: Incorreta. O texto não menciona questões religiosas. 
Alternativa c: Incorreta. Não há referência a questões políticas no texto. 
Alternativa d: Incorreta. Houve, é fato, uma depredação à propriedade particular de um laboratório, 
mas essa não era a questão principal, o que pode ser verificado pelo título do artigo publicado pela Veja: 
“Direitos animais”. 
Alternativa e: Incorreta. O autor do texto explicita a polêmica: abrir mão dos animais e ficar sem 
recursos farmacêuticos capazes de salvar vidas ou usar os animais e promover uma vida mais longa para 
os homens? Considerando esse grande tema, o autor não discute prioritariamente os interesses da 
indústria farmacêutica. 
Gabarito: A 
 
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5. (Unesp 2018) 
Convicção é a crença de estar na posse da verdade absoluta. Essa crença pressupõe que há verdades 
absolutas, que foram encontrados métodos perfeitos para chegar a elas e que todo aquele que tem 
convicções se serve desses métodos perfeitos. Esses três pressupostos demonstram que o homem das 
convicções está na idade da inocência, e é uma criança, por adulto que seja quanto ao mais. Mas 
milênios viveram nesses pressupostos infantis, e deles jorraram as mais poderosas fontes de força da 
humanidade. Se, entretanto, todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem 
dedicado apenas metade de sua força para investigar por que caminho haviam chegado a ela: que 
aspecto pacífico teria a história da humanidade! 
 
(Nietzsche. Obras incompletas, 1991. Adaptado.) 
 
Nesse excerto, Nietzsche 
 
a) defende o inatismo metafísico contra as teses empiristas sobre o conhecimento. 
b) valoriza a posse da verdade absoluta como meio para a realização da paz. 
c) defende a fé religiosa como alicerce para o pensamento crítico. 
d) identifica a maturidade intelectual com a capacidade de conhecer a verdade absoluta. 
e) valoriza uma postura crítica de autorreflexão, em oposição ao dogmatismo. 
Comentário 
Alternativa "a" está incorreta. “Inatismo metafísico” significa que o homem traz algumas verdades 
na sua mente que lhe dão certeza; ora, o autor está dizendo justamente o contrário: não há ideia que 
possa ser considerada segura e fonte de certeza. 
Alternativa "b" está incorreta. O autor diz o contrário, se as pessoas reconhecessem que não têm essa 
verdade que arrogantemente expõem, “que aspecto pacífico teria a história da humanidade!” 
Alternativa "c" está incorreta. Nietzsche nesse trecho crítica a crença, ou seja, critica a fé. 
Alternativa "d" está incorreta. Para Nietzsche não há verdade absoluta, quem acredita em tal tipo de 
verdade é infantil. 
Alternativa "e" está correta. Há um convite implícito à autorreflexão quando ele diz que “se, entretanto, 
todos aqueles que faziam uma ideia tão alta de sua convicção houvessem dedicado apenas metade de 
sua força para investigar por que caminho haviam chegado”, haveria paz na história da humanidade. 
Além disso, o texto manifesta uma grande crítica ao dogmatismo, às verdades absolutas. 
Gabarito: E 
 
 
6. (Unesp 2011) 
Coisas que este livro fará por você: facilitar-lhe-á fazer amigos rápida e facilmente; aumentará sua 
popularidade; ajuda-loá a conquistar pessoas para seu modo de pensar; aumentará sua influência, 
seu prestígio, sua habilidade em obter a realização das coisas; facilitar-lhe-á conseguir novos 
clientes, novos fregueses; aumentará suas rendas; torna-lo-á um melhor vendedor, um melhor 
diretor; ajudá-lo-á a resolver reclamações, evitar discussões e manter seus contatos humanos 
agradáveis e suaves; torná-lo-á um melhor orador, um conversador mais atraente; tornará os 
princípios de psicologia fáceis para que você os aplique nos seus contatos diários. 
 
(Dale Carnegie. Como fazer amigos e influenciar pessoas, 1936.) 
 
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Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos 
Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos 
desconhecermos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que não 
se usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, 
não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. 
Ninguém conhece outro, e ainda bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda 
que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo. 
 
(Fernando Pessoa. Livro do desassossego, 1931.) 
 
Sobre os dois textos, é correto afirmar: 
 
a) A obra de Dale Carnegie transmite nítida visão instrumental acerca das relações humanas. 
b) Os dois textos transmitem uma visão cética sobre a importância da psicologia para o 
desenvolvimento humano. 
c) Embora escritos na década de 30 do século passado, ambos os textos podem ser considerados 
precursores do estilo atualmente conhecido como autoajuda. 
d) O texto de Fernando Pessoa transmite uma visão edificante acerca das relações humanas. 
e) Os dois textos valorizam a importância da inteligência emocional nas relações humanas. 
Comentário 
Alternativa a: Correta. “Razão instrumental” é um termo da filosofia para designar o uso da razão para 
manipular qualquer objeto em questão, pode ser matéria-prima, um animal ou uma pessoa. Nesse caso, 
o primeiro texto dá sugestões baseadas na psicologia (razão) para fazer amizades e usá-las em seu 
benefício, o titulo deixa claro isso, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”. 
Alternativa b: Incorreta. “Cético” pode ser entendido na alternativa como visão duvidosa de que a 
psicologia seja importante. Ora, o texto 1, pelo menos, é assertivo em relação à psicologia. 
Alternativa c: Incorreta. O texto de Fernando Pessoa não pode ser encarado de forma nenhuma como 
autoajuda, pois apresenta uma perspectiva pessimista em relação ao indivíduo, algo que vai na 
contramão da autoajuda. 
Alternativa d: Incorreta. Fernando Pessoa diz o contrário do que se afirma na alternativa, segundo ele, 
se nos conhecêssemos, não gostaríamos de saber o que realmente somos, pois, moralmente falando, 
perceberíamos quão desprezíveis nós somos. 
Alternativa e: Incorreta. O primeiro texto valoriza o uso de conhecimento para atrair pessoas e 
influenciá-las; o segundo considera a condição humana sob a perspectiva do inconsciente e não da 
inteligência emocional 
Gabarito: A 
 
7. (Unesp 2011) 
A inclinação para o ocultismo é um sintoma da regressão da consciência. A tendência velada da 
sociedade para o desastre faz de tolas suas vítimas com falsas revelações e fenômenos alucinatórios. O 
ocultismo é a metafísica dos parvos. Procurando no além o que perderam, as pessoas dão de encontro 
apenas com sua própria nulidade. 
 
(Theodor Adorno,filósofo alemão, 1947. Adaptado.) 
 
Ilumine seus caminhos e encontre a paz espiritual com Dona Márcia, espírita conceituada com fortes 
poderes. Corta mau-olhado, inveja, demandas, feitiçaria. Desfaz amarrações, faz simpatia para o amor, 
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saúde, negócios, empregos, impotência e filhos problemáticos. Seja qual for o seu problema, em uma 
consulta, ela lhe dará orientação espiritual para resolver o seu problema. 
 
(Panfleto distribuído nas ruas do centro de uma cidade brasileira.) 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Os dois textos evidenciam que, em nossa sociedade, prevalece o apelo racional na resolução de 
problemas pessoais. 
b)O texto do filósofo Adorno aborda o ocultismo sob uma perspectiva crítica. 
c)De acordo com o filósofo Adorno, a espiritualidade permite a elevação da consciência. 
d) Nos dois textos predomina a irracionalidade na abordagem da relação entre mundo material e 
mundo espiritual. 
e)Os dois textos enfatizam a importância da espiritualidade na vida das pessoas. 
Comentário 
Alternativa a: Incorreta. O primeiro texto defende a tese de que, em nossa sociedade, há pessoas que 
buscam no irracionalismo a saída para a existência; e o texto seguinte dá uma prova disso, pois trata-se 
de um convite para a paz espiritual através do ocultismo. 
Alternativa b: Correta. Adorno é associado à teoria crítica e analisa o ocultismo como um ímpeto 
irracional da sociedade moderna. 
Alternativa c: Incorreta. Para Adorno, a espiritualidade é uma forma de se alienar da própria condição, 
como se observa no seguinte trecho “Procurando no além o que perderam, as pessoas dão de encontro 
apenas com sua própria nulidade”. 
Alternativa d: Incorreta. No primeiro texto, Adorno, racionalmente, desvela o aspecto irracional do 
ocultismo; no segundo texto, o autor do panfleto se vale do discurso metafísico baseado na crença e na 
emoção e não na racionalidade. Em resumo, a racionalidade só predomina 
em um texto, não nos dois. 
Alternativa e: Incorreta. O primeiro texto desmascara a espiritualidade como engodo, não destaca a 
importância da espiritualidade na vida das pessoas. 
Gabarito: B 
 
8. (Unesp 2010) 
Em algum remoto rincão do sistema solar cintilante em que se derrama um sem-número de sistemas 
solares, havia uma vez um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto 
mais soberbo e mais mentiroso da história universal: mas também foi somente um minuto. Passados 
poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim 
poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, 
quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da 
natureza. Houve eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá 
acontecido. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, 
como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, 
perceberíamos então que também ela boia no ar (...) e sente em si o centro voante desse mundo. 
 
(Nietzsche. O Livro das Citações, 2008.) 
 
Sobre este texto, é correto afirmar que: 
a) Seu teor acerca do lugar da humanidade na história do universo é antropocêntrico. 
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b) O autor revela uma visão de mundo cristã. 
c) O autor apresenta uma visão cética acerca da importância da humanidade na história do universo. 
d) Ao comparar a vida humana com a vida de uma mosca, Nietzsche corrobora os fundamentos de 
diversas teologias, não se limitando ao ponto de vista cristão. 
e) Para o filósofo, a vida humana é eterna. 
Comentário 
Alternativa a: incorreta. O texto relativiza a importância do homem no universo. Segundo Nietzsche, 
nada dá a dimensão de “quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito 
fica o intelecto humano dentro da natureza”. 
Alternativa b: Incorreta. A visão de mundo cristã é totalmente diferente, o homem é imortal e centro 
das preocupações divinas. 
Alternativa c: Correta. A palavra “cética”, nesse contexto, significa aquele que duvida de que o homem 
tenha alguma importância no universo, algo que resume a ideia desse trecho e que está de acordo com 
a perspectiva de Nietzsche. 
Alternativa d: Incorreta. A comparação com a mosca tem a finalidade de mostrar a pequenez do homem 
e não corroborar outras teologias. 
Alternativa e: Incorreta. Ele deixa claro que o homem, em algum momento, vai desaparecer do universo 
sem deixar rastros. 
Gabarito: C 
9. (Unesp 2021) 
(...) só reconhecerei um sistema como empírico ou científico se ele for possível de comprovação pela 
experiência. Essas considerações sugerem que deve ser tomado como critério de demarcação, não a 
verificabilidade, mas a falseabilidade de um sistema. Em outras palavras, não exigirei que um sistema 
científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, sem sentido positivo; exigirei, 
porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo por meio de recurso a provas 
empíricas, em sentidos negativo: deve ser possível refutar, pela experiência, um sistema científico 
empírico. 
 
(Karl Popper. A lógica da pesquisa científica, 2001.) 
 
Popper deu o nome de Problema da Demarcação ao problema de estabelecer um critério que permita 
distinguir entre ciências empíricas e os sistemas ’metafísicos’. Sobre esse assunto assinale a alternativa 
correta. 
a)A experiência não é empregada como teste, nas falsificações propostas aos sistemas teóricos. 
b)A possibilidade de falseamento não é capaz de promover a separação entre o que é ciência e o que é 
especulação metafísica. 
c)Teorias metafísicas podem ser falseadas. 
d)A possibilidade de falsificação, com o auxílio da observação e dos experimentos, permite o julgamento 
do conteúdo empírico de teorias postas. 
e)Teorias que podem ser submetidas a testes empíricos obviamente não podem ser falsificadas. 
Comentário 
Ao se deparar com tal questão, tenha em mente a teoria da falseabilidade de Popper e explore o texto 
que também explica um pouco de sua teoria. A possibilidade de falsificação, com o auxílio da 
observação e dos experimentos, permite o julgamento do conteúdo empírico de teorias postas e, 
provisoriamente, define-as como científicas. Segundo Popper, o erro característico do critério de 
demarcação positivista é o que define que testes empíricos são o ponto de partida para a definição de 
sistemas teóricos; já em sua concepção, testes empíricos têm um valor intrínseco na caracterização da 
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ciência, porém, aplicados no sentido das tentativas de falseamento de sistemas teóricos já propostos e 
não de verificar se estão corretos, mas colocá-los em teste para ver se podem ser falsos. “Não sabemos: 
só podemos conjecturar”. Isso significa provisoriedade. Este é um alerta de Popper: nunca poderemos 
dizer, verdadeira e justificadamente, que conhecemos a verdade; teorias científicas são, em sua visão, 
apenas hipóteses provisórias que devem estar prontas ao crivo crítico, disponíveis à falsificação. 
 
O comando da questão pede que assinale a alternativa que melhor representa as ideias de Popper. 
Alternativa a: A alternativa está incorreta. A experiência é sim empregada como teste para 
falseabilidade. 
Alternativa b: A alternativa está incorreta. Pelo contrário, possibilidade de falseamento é capaz de 
promover a separação entre o que é ciência e o que é especulação metafísica. 
Alternativa c: A alternativa está incorreta. Teorias metafísicas não podem ser falseadas, visto que teorias 
científicas nos dão informações sobre o mundo físico; teorias que nunca podem ser submetidas a testesempíricos obviamente não podem ser falsificadas e, neste sentido, são metafísicas. 
Alternativa d: A alternativa está correta. Perfeito, condiz com o que foi exposto nos comentários. 
Alternativa e: A alternativa está incorreta. Pelo contrário é sendo submetidas a testes empíricos que as 
teorias podem ser falseadas. 
Gabarito: D 
 
10. (Autoral) 
Em algum remoto rincão do sistema solar cintilante em que se derrama um sem-número de sistemas 
solares, havia uma vez um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto 
mais soberbo e mais mentiroso da história universal: mas também foi somente um minuto. Passados 
poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim 
poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão 
fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve 
eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Ao contrário, 
ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo 
girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela 
boia no ar (...) e sente em si o centro voante desse mundo. 
(Nietzsche. O Livro das Citações, 2008.) 
 Sobre este texto, é correto afirmar que: 
 
a) Seu teor acerca do lugar da humanidade na história do universo é antropocêntrico. 
b) O autor revela uma visão de mundo cristã. 
c) O autor apresenta uma visão cética acerca da importância da humanidade na história do universo. 
d) Ao comparar a vida humana com a vida de uma mosca, Nietzsche corrobora os fundamentos de 
diversas teologias, não se limitando ao ponto de vista cristão. 
 e) Para o filósofo, a vida humana é eterna. 
Comentário. 
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Alternativa "a" está incorreta. O texto relativiza a importância do homem no universo. Segundo Nietzsche, 
nada dá a dimensão de “quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito 
fica o intelecto humano dentro da natureza”. 
Alternativa "b" está incorreta. A visão de mundo cristã é totalmente diferente, o homem é imortal e 
centro das preocupações divinas. 
Alternativa "c" está correta. A palavra “cética”, nesse contexto, significa aquele que duvida de que o 
homem tenha alguma importância no universo, algo que resume a ideia desse trecho e que está de acordo 
com a perspectiva de Nietzsche. 
Alternativa "d" está incorreta. A comparação com a mosca tem a finalidade de mostrar a pequenez do 
homem e não corroborar outras teologias. 
Alternativa "e" está incorreta. Ele deixa claro que o homem, em algum momento, vai desaparecer do 
universo sem deixar rastros. 
Gabarito: C 
 
11. (Autoral) 
Texto 1 
“Segundo uma concepção amplamente difundida, objetividade e neutralidade são características centrais 
do conhecimento científico. Opiniões, referências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na 
ciência. As teorias científicas são neutras no sentido de não possuírem vínculo com ideologias, interesses 
pessoais ou de grupos, fatores políticos ou econômicos. O conhecimento científico é conhecimento 
confiável porque é neutro e provado objetivamente.” 
WARBURTON, Nigel. O básico da Filosofia. Tradução de Eduardo F. Alves Rio de Janeiro: José Olympio 
Editora, 2008. p. 167. 
 
Texto 2 
“Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se encontra assim especificada: 
o domínio constituído pelos diferentes objetos que irão adquirir ou não um status científico; (...) um saber 
é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu 
discurso; (...) um saber é também o campo de coordenação e de subordinação dos enunciados em que os 
conceitos aparecem, se definem, se aplicam e se transformam; (...) finalmente, um saber se define por 
possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso.” 
 (FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária) 
 
Ao ler dois textos observa-se que 
a) a filosofia caminha no sentido da valorização, sem reservas, da ciência. 
b) Foucault, autor do texto 2, não teria dificuldade em aceitar a ideia de que a ciência é neutra, afirmação 
expressa no texto 1. 
c) O texto 2 aproxima-se mais do espírito questionador, próprio da filosofia. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
102 
d) O texto 1 se pauta pela valorização da ciência a partir da neutralidade; o texto 2 valoriza o saber 
científico pela utilidade. 
e) O texto 1 tem como objeto a metodologia empírica da ciência; já o texto 2 volta-se para a forma como 
a ciência é divulgada, para os discursos de validação dos saberes. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. O primeiro texto realmente faz uma apologia (um elogio) da ciência, mas 
no segundo, Foucault deixa claro que o saber científico é perpassado por interesses e subjetividades, 
quando diz “um saber é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição”. 
Alternativa "B" está incorreta. No seu texto, Foucault está justamente afirmando que a ciência jamais será 
neutra, pois “um saber se define por possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo 
discurso”, ou seja, o discurso do saber permite a apropriação interessada do que se ganha com o 
conhecimento. 
Alternativa "C" está correta. A filosofia nasce a partir da postura questionadora; ora, Foucault lança 
dúvidas sobre a tão propalada isenção científica, renovando o ímpeto questionador da filosofia agora 
voltado contra a ciência. 
Alternativa "D" está incorreta. Embora a palavra utilidade apareça no final do texto 2, Foucault está se 
referindo à utilidade interesseira por parte de quem detém o saber e, portanto, o poder, e não ao 
desenvolvimento do conhecimento para a produção do que é útil para o homem. 
Alternativa "E" está incorreta. O texto 1 considera um possível aspecto da ciência, não discute a 
metodologia empírica do método, além disso, Foucault não está discutindo somente os discursos de 
validação da ciência, ele crítica a própria ciência como produtora de discursos que reforçam poderes 
sociais. 
Gabarito C. 
 
12.(Autoral) 
 
Considerando a relação entre Filosofia e Ciência, assinale a alternativa correta. 
a) A Ciência e a Filosofia nascem juntas e com os mesmos métodos, a diferença entre elas está no objeto; 
enquanto a Ciência se volta para o mundo físico, a Filosofia considera o mundo humano. 
b) A Ciência Moderna nasce com os pré-socráticos, mas depois ela é foi suplantada pela Filosofia que 
tomou o lugar central do pensamento após o Renascimento. 
c) A Ciência Moderna e a Filosofia partilham da mesma preocupação com o rigor das premissas para 
estabelecimento de ideias, divergem quanto ao objeto. 
d) A Ciência Moderna se opõe à Filosofia, pois o método da segunda, extremamente falho se baseia em 
construções de doutrinas contrárias sem chegar à conclusão alguma. 
e) A Filosofia sempre foi crítica da Ciência, sobretudo da Ciência Moderna, pelo seu caráter dogmático e 
autoritário. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. A Ciência e a Filosofia não nascem juntas e também têm métodos distintos. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
103 
Alternativa "B" está incorreta. A Ciência Moderna nasce no Renascimento, além disso é a Ciência que 
passa a ter proeminência a partir do Renascimento e não a Filosofia. 
Alternativa "C" está correta. A duas áreas do conhecimento humano se valem de critérios bem rigorosos 
em seus métodos e se preocupam com a veracidade das premissas; divergem quanto aos objetos, a 
Ciência se volta para o mundo físico; a Filosofia para omundo humano. 
Alternativa "D" está incorreta. A Ciência Moderna não se opõe à Filosofia, já que elas têm objetos 
distintos. 
Alternativa "E" está incorreta. Não é verdade que a Filosofia tenha sido “sempre” crítica à Ciência, mas, 
de fato, aponta o possível exagero do lugar que a Ciência ocupa na sociedade, manifestando uma visão 
complexa em relação à Ciência dentro da sociedade. 
Gabarito: C 
 
13. (Autoral) 
O projeto Manhattan e sua aplicação em Hiroshima, além de outros casos de desenvolvimentos 
tecnológicos vinculados à guerra e utilização militar, na opinião de Garcia et al. (1996), representaram o 
primeiro ponto de inflexão da concepção otimista do caráter benfeitor da ciência-tecnologia, junto com 
as preocupações dos problemas ambientais. Publicações como Silent Spring (1962) de Rachael Carson, 
que levantava os riscos associados aos inseticidas DDT, e Estrutura das Revoluções Científicas (1962) de 
Thomas Kuhn, que introduzia conceitos sociais para explicar a dinâmica e o desenvolvimento da ciência, 
exerceram influências na reação acadêmica, começando-se a falar sobre os efeitos negativos das 
tecnologias, assim como colocava em questão sua neutralidade política, social e econômica que, até o 
momento, eram tidas como benfeitoras. 
Assim, a partir da década de 1960, a credibilidade nas benesses e neutralidade da ciência e da tecnologia 
começava a ser questionada, o que é materializado pela reação social e acadêmica. 
(Disponível em http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/514.pdf , acessado em 04.12.2019) 
 
A perspectiva em relação à ciência manifestada nesse texto permite afirmar que 
a) a visão pessimista do texto manifesta uma perspectiva equivocada em relação à ciência. 
b) Não só a experiência histórica, mas também os parâmetros teóricos questionam o valor da ciência para 
nós. 
c) Trata-se de um equívoco deixar que as experiências negativas relacionada ao DDT e ao projeto 
Manhatan tenham diminuído o valor da ciência. 
d) É de se esperar que a ciência caia em descrédito nas próximas décadas. 
e) Estamos caminhando para um meio termo entre o otimismo exagerado e a decepção frustrante em 
relação à ciência. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O texto não tem uma visão pessimista, ele relata a mudança de perspectiva 
em relação à ciência de forma objetiva. O pessimismo não é do autor do texto, mas das pessoas que 
viveram na primeira metade do século XX. 
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http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/514.pdf
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
104 
Alternativa "b" está correta. As atrocidades de Hiroshima, do ponto de vista histórico, obrigaram as 
pessoas a reconhecerem que o otimismo em relação à ciência era exagerado; concomitante a isso, alguns 
teóricos como Thomas Kuhn puseram em dúvida a isenção científica. 
Alternativa "c" está incorreta. O autor do texto não defende que houve equívoco, simplesmente descreve 
o que aconteceu. 
Alternativa "d" está incorreta. Não se pode inferir isso, até porque a sociedade tecno-científica em que 
vivemos não permite mais o retrocesso a uma sociedade que pode se dar ao luxo de dispensar o 
conhecimento científico. 
Alternativa "e" está incorreta. O fornece elementos para a conclusão de que estamos caminhando para 
um meio termo. 
Gabarito:B 
 
14. (Autoral) 
Texto I 
“Outro ponto é que, para saber se uma droga é eficaz, é necessária comparação com um grupo de controle 
e, em geral, um grande número de participantes. Idealmente parte dos pacientes recebe a droga, outra 
parte recebe um placebo. Aqui ainda entra a randomização, melhor método para criar grupos com 
características semelhantes. Isso é necessário para que não aconteça algo como dar o medicamento para 
casos mais leves (que irão morrer menos) e placebo para casos mais graves (que irão morrer mais), 
levando a falsas conclusões. Nenhuma dessas premissas foi seguida neste trabalho.” 
(Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/replica-ciencia-e-nao-o-achismo-nos-
levara-a-sucesso-no-combate-ao-coronavirus.shtml , acessado em 08.04.2020). 
 
Texto II 
Xô gripe! 
No primeiro dia de Lua Minguante, descasque um dente de alho, risque-o com um objeto de metal e coloque-o em meio 
copo com água. Tampe o copo e deixe-o passar a noite no sereno, coberto, até o outro dia. Antes do Sol nascer, pegue o 
copo e tome a água em jejum, jogando o alho fora. Repita esta simpatia nos dois dias seguintes. Depois de lavado, use o 
copo normalmente. 
(Disponível em https://joaobidu.com.br/simpatias-imunidade-protecao , acessado em 08.04.2020). 
 
A partir da leitura dos dois textos, são feitas as seguintes afirmações: 
I. A oposição entre os textos pode ser associada à oposição entre sofistas e filósofos no que diz respeito à 
aceitação ou não de explicações naturalistas dos fenômenos. 
II. O que torna a ciência uma forma de conhecimento mais confiável é o fato de ela se apoiar em um 
método rigoroso e não adotar protocolos ao sabor das conveniências. 
III. O texto II manifesta uma concepção mítica sobre o mundo, que se apoia na concepção central de que 
há interferência proposital de entidades sobrenaturais no mundo material. 
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https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/replica-ciencia-e-nao-o-achismo-nos-levara-a-sucesso-no-combate-ao-coronavirus.shtml
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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IV. Embora partam de premissas bastante diferentes, nos dois, observa-se a tentativa do controle da 
natureza, no primeiro texto pela técnica, no segundo pela magia. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmações I e II são corretas. 
b) As afirmações I, II e III são corretas. 
c) Todas as afirmações são corretas 
d) As afirmações II e IV são corretas. 
e) As afirmações I e III são corretas. 
Comentário. 
A afirmação I está incorreta. Os sofistas não discutiam a natureza. Os sofistas acreditavam na relatividade 
das ideias considerando o meio político. A oposição lembra o contraste entre período mitológico e pré-
socrático. 
A afirmação II está correta. O método científico, que demorou séculos para ser aprimorado, estabelece 
procedimentos e protocolos que devem ser obedecidos para que se possa afirmar que algo tem grande 
probabilidade de ser verdadeiro. 
A afirmação III está incorreta. A concepção mítica deve necessariamente se pautar pela presença de 
deuses. No texto, o autor propõe uma simpatia, sem conexão com qualquer divindade. 
A afirmação IV está correta. Os dois textos giram em torno de como evitar a disseminação do vírus da 
gripe. A finalidade dos dois é alterar o contágio natural. A diferença é que um se pauta por análise de 
causas naturais e propõe técnicas de interferência enquanto o outro acredita numa espécie de 
contaminação de propriedades mágicas. 
Gabarito: D 
 
15.(Autoral) 
“A loucura é um momento difícil, porém essencial, na obra da razão; através dela, e mesmo em suas 
aparentes vitórias, a razão se manifesta e triunfa. A loucura é, para a razão, sua força viva e secreta” 
(Foucault, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. 8ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.) 
Michel Foucault, filósofo contemporâneo, foi um grande crítico da razão ocidental. Nesse trecho, ele 
expressa um pouco dessa perspectiva. Em relação ao fragmento e às ideias de Foucault, assinale a 
alternativa que um ideia que jamais poderia ser endossada pelo autor. 
 
a) Sem uma dose de loucura, a vida não tem sentido. 
b) A razão triunfa na sociedade moderna a partir da estigmatização da loucura. 
c) A loucura não tem um conteúdo de verdade em si. 
d) O rótulo de “louco” permitiu que fosse possível encarcerar quem não era racional.e) A forma como os loucos foram barbaramente encarcerados deixa entrever a barbárie da razão. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
106 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. Essa frase com traço de autoajuda nada tem a ver com as ideias de 
Foucault. O filósofo usava a história da loucura para mostrar como a racionalidade ocupou um lugar de 
poder nas sociedades modernas, fez isso encarcerando a loucura, ou os loucos. 
Alternativa "b" está correta. O período de estigmatização da loucura (séculos XVIII e XIX) coincidem com 
o triunfo da razão. Na Europa, a religião é desbancada pela ciência nesse período. 
Alternativa "c" está correta. Foucault em sua obra História da Loucura mostra como a definição de loucura 
foi sendo alterado no decorrer dos séculos. O que hoje é loucura, não era no século XV, por exemplo. 
Alternativa "d" está correta. A prática de encarceramento cruel dos chamados loucos durou até o final do 
século XX. 
Alternativa "e" está correta. Para que socialmente a racionalidade fosse privilegiada, era preciso punir os 
não-racionais; essa punição através dos manicômios fez-nos perceber o quanto a ciência e a razão podem 
produzir pressupostos que beiram a crueldade e a barbárie. 
Gabarito: A 
 
16.(Autoral) 
Giorgio Agamben, um dos maiores filósofos vivos, publica regularmente breves crônicas no site da editora 
Quodlibet. Os três últimos textos comentam as medidas de confinamento e quarentena em vigor hoje na 
maior parte do mundo. 
Para ele, qualquer poder sempre tende a querer uma dominação mais capilar, profunda e desobstruída 
da existência da gente. 
E, para esse fim, o poder moderno achou uma artimanha perfeita. Deixou que a medicina erigisse sua arte 
e seu propósito em sistema de valores; com isso, o poder convenceu a todos de que o valor supremo seria 
o simples fato de viver ou sobreviver (o que Agamben chama de a “vida nua”). 
(Caligaris, Contardo. “Para Agamben, pandemia funciona como pretexto para o poder satisfazer sua 
sede de mais domínio”. Folha de São Paulo, 26.03.2020) 
 
De acordo com o texto 
A) O poder político submete os homens a leis supostamente transcendentes ao negar-lhes a liberdade em 
épocas de crise. 
B) A ciência e a medicina se aliam para tornar capilar uma dominação totalitária. 
C) A medicina tornou-se um meio para que o poder, de forma capilar, pudesse se realizar como 
onipresente. 
D) A ciência retira dos homens a capacidade de livre-arbítrio deixando o indivíduo à mercê do poder 
político que se tornou capilar. 
 
Comentário 
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https://quodlibet.it/giorgio-agamben-l-invenzione-di-un-epidemia
https://quodlibet.it/giorgio-agamben-l-invenzione-di-un-epidemia
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Alternativa "A" está incorreta. O texto fala da relação entre medicina e poder político. A medicina não 
tem como objeto “leis transcendentes”, ou seja, leis eternas. Quem advoga leis eternas é a religião. 
Alternativa "B" está incorreta. No texto, afirma-se que “o poder moderno achou uma artimanha perfeita”, 
ou seja, o poder político usa pressupostos vindos da medicina; a medicina não se aliou ao poder político. 
Alternativa "C" está correta. O filósofo faz uma advertência de que a medicina fornece ao poder meios 
para que ele estabeleça regras autoritárias em nome da saúde pública. 
Alternativa "D" está incorreta. A ciência produz informação, logo, ela não tira o livre-arbítrio. “Liberdade” 
refere-se ao agir; “informação” refere-se ao conhecimento. 
Gabarito: C 
 
17.(Autoral) 
“A ciência, sem essa seleção, sem esse refinamento de gosto, precipita-se sobre tudo o que é possível 
saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço; enquanto o pensar filosófico está sempre no 
rastro das coisas dignas de serem sabidas, dos conhecimentos importantes e grandes” 
(In: Os Pré-Socráticos. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1999, p. 43-46.) 
Nesse trecho, Nietzsche, ao fazer uma crítica da ciência, salienta quais traços do conhecimento científico? 
a) soberba e refinamento. 
b) indignidade e futilidade. 
c) seletividade e obscuridade. 
d) objetividade e ambição. 
e) sabedoria e precipitação. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. O autor diz que a ciência não tem refinamento, esse não seria um traço de 
tal conhecimento. 
Alternativa "B" está incorreta. Nada indica no texto que Nietzsche desacreditava a ciência como algo fútil. 
Alternativa "C" está incorreta. O autor afirma que a ciência não tem seletividade (“sem essa seleção”), 
além disso, Nietzsche não afirma que a ciência é obscura. 
Alternativa "D" está correta. Objetividade se relaciona com o querer conhecer os objetos; o traço da 
ambição percebe-se no trecho em que o autor se refere à “cega avidez de querer conhecer a qualquer 
preço”. 
Alternativa "E" está incorreta. O autor encara o conhecimento filosófico como próximo da sabedoria e 
não o conhecimento científico. 
Gabarito: D 
 
18.(Autoral) 
Possibilidades econômicas da célula sintética podem chegar a US$ 1 trilhão 
Pesquisa consumiu US$ 40 bilhões e uma década de trabalho 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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Possibilidade de usar o micro-organismo para transformar o CO2 da atmosfera em combustível pode valer 
cerca de US$ 1 trilhão 
Era um sonho que começou há quase 15 anos, quando o veterano da Guerra do Vietnã Craig Venter, 63 
anos, se tornou geneticista, resolvendo, um dia, criar um novo genoma – e com isso, fazer a primeira 
forma de vida sintética. Na noite de quinta-feira, em um anúncio bombástico, no qual o acusavam de 
brincar de Deus, Venter disse que o sonho havia se tornado realidade, ao contar que havia criado um 
organismo com DNA sintético. 
(...) 
Venter tem um contrato garantido com a gigante petrolífera ExxonMobil para desenvolver algas que 
possam absorver CO2 da atmosfera e convertê-lo em combustível - uma inovação, ele acredita, que pode 
valer mais de US$ 1 trilhão. 
(Disponível em https://www.nsctotal.com.br/noticias/possibilidades-economicas-da-celula-sintetica-
podem-chegar-a-us-1-trilhao, acessado em 22.06.2020) 
 
Qual é o conceito típico da Escola de Frankfurt que se relaciona ao fato mencionado? 
 
a) Autonomia da razão 
b) Razão instrumental 
c) Cientificismo 
d) Razão Crítica 
e) Razão Prática 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. “Autonomia da razão” se refere ao uso da razão que permitiria avaliar e 
escolher o que seria melhor para o indivíduo ou para a sociedade independentemente das coerções 
externas. O texto expressa um outro tipo de uso da racionalidade. 
Alternativa "B" está correta. O cientista usa a razão com o objetivo de alterar ou subjugar a natureza, a 
razão volta-se à natureza e a transforma em instrumento para a finalidade lucrativa. 
Alternativa "C" está incorreta. O cientificismo é uma teoria que considera a ciência como capaz de não só 
de produzir conhecimento, mas também de organizar a sociedade, vingou entre os séculos XIX e XX. 
Alternativa "D" está incorreta. A palavra crítica é complicada, normalmente relacionada à ideia de Kant 
de uma razão que se volta para análise dos próprios pressupostos do conhecimento. 
Alternativa "E" está incorreta. Razão prática é uma expressão kantiana que se refere à racionalidade 
aplicada ao comportamento, à ética. 
Gabarito: B 
 
19.(Autoral) 
Texto 1 
“Segundo uma concepção amplamente difundida, objetividade e neutralidade são características centrais 
do conhecimento científico. Opiniões, referências pessoais e suposições especulativas não têm lugar na 
ciência. As teorias científicas são neutras no sentido de não possuírem vínculo com ideologias, interesses 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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pessoais ou de grupos, fatores políticos ou econômicos. O conhecimento científico é conhecimento 
confiável porque é neutro e provado objetivamente.” 
WARBURTON, Nigel. O básico da Filosofia. Tradução de Eduardo F. Alves Rio de Janeiro: José Olympio 
Editora, 2008. p. 167. 
 
Texto 2 
“Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se encontra assim especificada: 
o domínio constituído pelos diferentes objetos que irão adquirir ou não um status científico; (...) um saber 
é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu 
discurso; (...) um saber é também o campo de coordenação e de subordinação dos enunciados em que os 
conceitos aparecem, se definem, se aplicam e se transformam; (...) finalmente, um saber se define por 
possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo discurso.” 
 (FOUCAULT, M. A Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária) 
 
Ao ler dois textos observa-se que 
a) a filosofia caminha no sentido da valorização, sem reservas, da ciência. 
b) Foucault, autor do texto 2, não teria dificuldade em aceitar a ideia de que a ciência é neutra, afirmação 
expressa no texto 1. 
c) O texto 2 aproxima-se mais do espírito questionador, próprio da filosofia. 
d) O texto 1 se pauta pela valorização da ciência a partir da neutralidade; o texto 2 valoriza o saber 
científico pela utilidade. 
e) O texto 1 tem como objeto a metodologia empírica da ciência; já o texto 2 volta-se para a forma como 
a ciência é divulgada, para os discursos de validação dos saberes. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. O primeiro texto realmente faz uma apologia (um elogio) da ciência, mas 
no segundo, Foucault deixa claro que o saber científico é perpassado por interesses e subjetividades, 
quando diz “um saber é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição”. 
Alternativa "B" está incorreta. No seu texto, Foucault está justamente afirmando que a ciência jamais será 
neutra, pois “um saber se define por possibilidades de utilização e de apropriação oferecidas pelo 
discurso”, ou seja, o discurso do saber permite a apropriação interessada do que se ganha com o 
conhecimento. 
Alternativa "C" está correta. A filosofia nasce a partir da postura questionadora; ora, Foucault lança 
dúvidas sobre a tão propalada isenção científica, renovando o ímpeto questionador da filosofia agora 
voltado contra a ciência. 
Alternativa "D" está incorreta. Embora a palavra utilidade apareça no final do texto 2, Foucault está se 
referindo à utilidade interesseira por parte de quem detém o saber e, portanto, o poder e não do 
desenvolvimento do conhecimento para a produção do que é útil para o homem. 
Alternativa "E" está incorreta. O texto 1 considera um possível aspecto da ciência, não discute a 
metodologia empírica do método, além disso, Foucault não está discutindo somente os discursos de 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
110 
validação da ciência, ele crítica a própria ciência como produtora de discursos que reforçam poderes 
sociais. 
Gabarito: C 
 
20. (Autoral) 
“O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder (não é − não obstante um 
mito, de que seria necessário esclarecer a história e as funções − a recompensa dos espíritos livres, o filho 
das longas solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo; ela é 
produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder.” 
(Foucault, Michel. Microfísica do Poder) 
Nesse fragmento, Foucault expressa seu conceito de verdade; segundo o autor, a verdade é 
a) refutada pelo poder. 
b) utilizada para estabelecer critérios de ação. 
c) constituída por práticas contingentes. 
d) regulamentada pela política. 
e) revelada pela história. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. Refutar pode significar “rejeitar”, o texto diz que a verdade “não existe 
fora do poder”, ou seja, ela jamais poderia ser rejeitada pelo poder, pois faz parte dele. 
Alternativa "B" está incorreta. O autor não diz que ela serve como critério de ação, mas que ela é resultado 
da ação do poder, como dá a entender o seguinte trecho “ela é produzida nele graças a múltiplas coerções 
e nele produz efeitos regulamentados de poder”. 
Alternativa "C" está correta. “Contingentes” significa por práticas acidentais, ocasionais, por aquilo que 
acontece em um determinado momento. Se a verdade é formada pelo poder e o poder é fluído, a verdade 
depende da ocasião e do que é mais relevante em dado momento, portanto, ela se associa a práticas 
contingentes. 
Alternativa "D" está incorreta. O texto diz que a verdade “produz (no mundo) efeitos regulamentados de 
poder, ou seja, ela é produzida pelo poder, mas produz regulamentações, ou seja, ela não exatamente 
regulamentada pelo poder, embora isso possa acontecer. 
Alternativa "E" está incorreta. Nesse fragmento, o autor não fala da história e, na sua obra, a história não 
revela a verdade, pelo contrário, mostra que a verdade é uma conveniência. 
Gabarito: C 
 
21.(Autoral) 
“Os sistemas de pesquisa que geram um conhecimento tecnicamente utilizável tornaram-se de fato forças 
produtivas da sociedade industrial. Como eles só produzem técnicas, porém, não são capazes 
precisamente da orientação no agir. O agir social é de início uma conjugação de fatores mediada pela 
tradição em uma comunicação corrente, uma conjugação que exige respostas a questões práticas. A 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
111 
práxis só equivaleria ao agir instrumental, se a vida social tivesse se reduzido a uma existência em sistemas 
de trabalho social e de autoafirmação violenta. A autocompreensão positivista das ciências monológicas 
favorece certamente uma repressão do agir por meio da técnica” (Habermas, 2011: 36). 
(HABERMAS, J. (2011). A Lógica das Ciências Sociais, Petrópolis, Vozes) 
Nesse texto, percebe uma crítica 
a) aos sistemas de pesquisa. 
b) às forças produtivas. 
c) ao agir social pautado pela comunicação. 
d) à perspectiva monológica de valorização técnica. 
e) à busca por respostas às ações práticas. 
Comentário. 
Alternativa "A" está incorreta. No texto, o autor menciona os sistemas de pesquisa para falar do 
“conhecimento tecnicamente utilizável”, esse é o alvo da crítica. 
Alternativa "B" está incorreta. Ao mencionar “forças produtivas”, o autor simplesmente relaciona 
“conhecimento tecnicamente utilizável” às forças, não as critica. 
Alternativa "C" está incorreta. Habermas defende o agir comunicacional e critica o fato de que as 
necessidades técnicas e econômicas não deixam espaço para as questões humanas. Ele, portanto, não 
crítica o agir comunicacional. 
Alternativa "D" está correta. O autor menciona essa visão monológica em “A autocompreensão positivista 
das ciências monológicas favorece certamente uma repressão do agir por meio da técnica”. Ele quer dizer 
que há uma valorização restrita da racionalidade, até única, valoriza-se o conhecimento técnico. 
Alternativa "E" está incorreta. A busca por respostas práticas é algo comum para os homens, o que pode 
ser criticado é a redução da vida humana a somente essa dimensão. 
Gabarito: D 
 
22.(Autoral) 
Para responder à próxima questão, leia os fragmentos abaixo 
“a verdade não existe fora do poder ou sem o poder (não é — não obstante um mito, de que 
seria necessário estabelecer a história e as funções — a recompensa dos espíritos livres, o filho das longas 
solidões, o privilégio daqueles que souberam se libertar). A verdade é deste mundo, ela é produzida nelegraças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu 
regime de verdade, sua «política geral» de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz 
funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados 
verdadeiros dos falsos, a maneira como se sancionam uns e outros; as técnicas e os procedimentos que 
são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que 
funciona como verdadeiro.” 
Michel Foucault in Microfísica do Poder (Org. e Tradução de Roberto Machado. 26ª ed. São Paulo: Edições 
Graal, 2008. p. 12). 
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http://www.cafecomsociologia.com/2013/03/o-poder-em-foucault-breves-apontamentos.html
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
112 
Percebe-se nesse fragmento de Foucault, 
 
a) a crítica à perspectiva metafísica da verdade. 
b) a aceitação do empirismo na política. 
c)a defesa do relativismo cultural. 
d) o estabelecimento do negacionismo como possibilidade epistemológica. 
e)a redução da política à ética. 
Comentário. 
Alternativa "a" está correta. A palavra metafísica se refere a uma ideia que está acima das 
transformações físicas do mundo em que vivemos. Vários pensadores, entre eles Platão, acreditavam em 
uma verdade absoluta que pairava acima do mundo humano. Foucault nega isso. Para ele, as ditas 
verdades depende do poder, ou seja, elas não são imutáveis, são históricas. 
Alternativa "b" está incorreta. Aceitar o empirismo na política significa que se deve considerar as práticas 
políticas ao se pensar no poder. Algo que Maquiavel fez. Ora, Foucault está discutindo a verdade não a 
política. 
Alternativa "c" está incorreta. Ele não está defendendo o relativismo, ele está constatando como 
funcionam os circuitos de circulação das “verdades”. Além disso, ele não está considerando a cultura. 
Alternativa "d" está incorreta. Foucault nem sonhava com a onda de negacionismo. Embora o que ele diga 
poderia ser usado como pressuposto do negacionismo, tal tipo de pensamento jamais poderia ser 
“possibilidade epistemológica”, já que tal movimento nega o que o conhecimento fornece. Ele, em si, não 
fornece nada. 
Alternativa "e" está incorreta. Foucault não discute como se deve agir. Não pensa em princípios de ação 
de cada indivíduo de tal forma que a política deva ser avaliada por novos critérios. Ele avalia o que é a 
verdade. 
Gabarito: A 
 
23. (Enem/2013) 
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi 
proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar 
a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como 
Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero 
imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e 
culturalmente. 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 
2004 (adaptado). 
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência 
como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a 
investigação científica consiste em 
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
113 
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. 
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. 
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. 
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. Segundo os autores, a finalidade de Bacon e Descartes é prática e não simplesmente 
“resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes”. 
Alternativa b, falsa. A ciência não pretende dizer o que as coisas são (“a última palavra acerca das coisas 
que existem”), mas explicar os fenômenos relacionados aos objetos para poder controlá-los. 
Alternativa c, verdadeira. Tanto Bacon como Descartes acreditavam que o conhecimento metódico era 
a forma mais bem acabada da razão e poderia ser utilizado para analisar todo tipo de objeto que se 
oferece ao entendimento humano ( “servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o 
progresso”). 
Alternativa d, falsa. Os dois autores não queriam “eliminar os discursos éticos”. 
Alternativa e, falsa. Eles não queriam só “explicar a dinâmica” dos fenômenos, eles queriam um 
conhecimento que permitisse o controle da natureza. 
Gabarito: C 
 
24. (Enem 2016) 
Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as 
demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; 
não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular 
um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas 
histórias. 
DESCARTES. R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 
Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado 
da 
a) investigação de natureza empírica. 
b) retomada da tradição intelectual. 
c) imposição de valores ortodoxos. 
d) autonomia do sujeito pensante. 
e) liberdade do agente moral. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O autor não fala da observação da natureza, mas da própria capacidade do 
espírito em resolver os problemas. 
Alternativa "b" está incorreta. Ele rechaça a tradição intelectual. Ele afirma que não seremos mais capazes 
por “ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles”. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
114 
Alternativa "c" está incorreta. Não há no texto referência à imposição de valores. 
Alternativa "d" está correta. O autor afirma que a ciência não se faz pela tradição que acessa a memória, 
mas pela própria capacidade individual de resolver “toda espécie de problemas”. 
Alternativa "e" está incorreta. No texto, Descartes está discutindo questões relacionadas ao 
conhecimento, não à moral. 
Gabarito: D 
25. (Enem 2016) 
A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma 
indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a 
submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do 
homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da 
práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de 
ninguém. 
JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 
(adaptado). 
As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de 
um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a) 
a) pragmatismo da escolha individual. 
b) sobrevivência de gerações futuras. 
c) fortalecimento de políticas liberais. 
d) valorização de múltiplas etnias. 
e) promoção da inclusão social. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O “pragmatismo da escolha individual” não seria um novo paradigma, esse 
é o que existe na sociedade liberal, que parte do pressuposto de que cada um deve procurar atender aos 
seus interesses. 
Alternativa "b" está correta. Para perceber que elefala de “gerações futuras” seria importante notar o 
título do livro de onde o fragmento foi retirado, O princípio de responsabilidade. Diante desse título e da 
interpretação de que o autor fala da forma irresponsável com que lidamos com a natureza, decorrem 
duas possibilidades, ou ele está falando da responsabilidade para com a natureza, ou para com as 
gerações futuras. 
Alternativa "c" está incorreta. Ele critica o que foi feito até agora, o que foi feito baseou-se em políticas 
liberais, sendo assim, deduz-se que ele não esteja pregando o fortalecimento de políticas liberais. 
Alternativa "d" está incorreta. O texto não menciona etnias. 
Alternativa "e" está incorreta. O texto gira em torno da tecnologia e da ameaça que ele representa para 
natureza e para o próprio homem, não está discutindo a marginalização social. 
Gabarito: B 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
115 
26. (Enem 2016 – 2ª aplicação) 
Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder 
de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do 
sistema-Terra. Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda? 
Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável 
e cooperativa para com a natureza. Queremos, agora, agregar a ética da responsabilidade. 
BOFF, L. Responsabilidade coletiva. Disponível em: http://leonardoboff.wordpress.com. Acesso em: 14 
mai 2013. 
A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reivindicada no texto é 
expressa pela máxima: 
a) “A tua ação possa valer como norma para todos os homens.” 
b) “A norma aceita por todos advenha da ação Comunicativa e do discurso.” 
c) “A tua ação possa produzir a máxima felicidade para a maioria das pessoas.” 
d) O “O teu agir almeje alcançar determinados fins que possam justificar os meios.” 
e) “O efeito de tuas ações não destrua a possibilidade futura da vida das novas gerações.” 
 
Comentário. 
O filósofo Hans Jonas é conhecido pela sua defesa de uma filosofia pós-antropológica que inclua a 
natureza na reflexão sobre a realidade social. 
Alternativa "a" está incorreta. Essa máxima é de Kant e bastante apropriada para as relações 
intersubjetivas, mas não serve para a relação entre homem e natureza, pois todos os homens podem 
destruir a natureza ou fazem em isso em alguma medida. 
Alternativa "b" está incorreta. Essa é uma ideia de Habermas que aperfeiçoa o procedimento próprio da 
democracia. Essa máxima não basta para reprimir o ímpeto de destruição de meio ambiente, já que eleva 
o acordo entre pares à norma de ação, ou seja, se todo mundo concordar em explorar o meio ambiente 
não haveria problema nisso. 
Alternativa "c" está incorreta. Trata-se de uma máxima utilitarista que, de novo, é restrita, pois considera 
a relação entre homens. Hans Jonas procura uma máxima mais abrangente. 
Alternativa "d" está incorreta. Essa ideia, tradução tosca de Maquiavel, é perigosa para a questão 
ambiental. Sugere que se o indivíduo quiser ficar rico, tudo é válido, inclusive destruir e pôr fogo nas 
florestas. 
Alternativa "e" está correta. Somente pensando nas gerações futuras é que a ação ética em relação à 
natureza tem sentido. Qual o problema em desmatar? Estaremos deixando para as gerações futuras um 
ambiente hostil, feio e em condições precárias. 
Gabarito: E 
 
27. (Enem 2013) 
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi 
proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar 
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a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como 
Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero 
imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e 
culturalmente. 
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 
2004 (adaptado). 
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência 
como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a 
investigação científica consiste em 
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. 
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. 
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. 
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. 
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. Segundo os autores a finalidade de Bacon e Descartes é prática e não simplesmente 
“resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes”. 
Alternativa b, falsa. A ciência não pretende dizer o que as coisas são (“a última palavra acerca das coisas 
que existem”), mas explicar os fenômenos relacionados aos objetos para poder controlá-los. 
Alternativa c, verdadeira. Tanto Bacon como Descartes acreditavam que o conhecimento metódico era a 
forma mais bem acabada da razão e poderia ser utilizado para analisar todo tipo de objeto que se oferece 
ao entendimento humano ( “servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso”). 
Alternativa d, falsa. Os dois autores não queriam “eliminar os discursos éticos”. 
Alternativa e, falsa. Eles não queriam só “explicar a dinâmica” dos fenômenos, eles queriam um 
conhecimento que permitisse o controle da natureza. 
Gabarito: C 
 
28. (Enem 2014) 
 
Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou 
possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa 
norma. 
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989. 
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida peloa)19 
a)liberdade humana, que consagra a vontade. 
b)razão comunicativa, que requer um consenso. 
c)conhecimento filosófico, que expressa a verdade. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
117 
d)técnica científica, que aumenta o poder do homem. 
e)poder político, que se concentra no sistema partidário. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O autor fala em acordo, a liberdade é dependente do indivíduo e não 
precisa ser validada por acordos, basta a vontade subjetiva. 
Alternativa "b" está correta. O consenso envolve discussão de vários atores sociais que são identificados 
no fragmentos como “participantes de um discurso prático” e que, segundo Habermas, devem chegar a 
um acordo. 
Alternativa "c" está incorreta. Habermas é bem conhecido como filósofo que discute os critérios da 
democracia como agir comunicativo. Ele não está discutindo os efeitos disso na filosofia, mas o próprio 
procedimento da essência da democracia: discussão com vistas ao acordo. 
Alternativa "d" está incorreta. Nesse fragmento, o filósofo fala de “discurso prático” e “agir 
comunicativo”, a técnica científica é um agir instrumental. 
Alternativa "e" está incorreta. O autor sequer menciona partidos políticos. 
Gabarito: B 
 
29. (Enem 2015 – 2ª aplicação) 
O filósofo Auguste Comte (1798 – 1857) preenche sua doutrina com uma imagem do progresso social na 
qual se conjugam ciência e política deve assumir o aspecto de uma ação científica e a política deve ser 
estudada de maneira científica(a física social). Desde que a Revolução francesa favoreceu a integração 
do povo na vida social, o positivismo obstina-se no programa de uma comunidade pacífica. E o Estado, 
instituição do “reino absoluto da lei”, é a garantia da ordem que impede o retorno potencial das 
revoluções e engendra o progresso. 
RUBY, C. Introdução à filosofia política. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado). 
A característica do Estado positivo que lhe permite garantir não só a ordem, como também o desejado 
progresso das nações, é ser 
a) espaço coletivo, onde as carências e desejos da população se realizam por meio das leis. 
b) produto científico da física social, transcendendo e transformando as exigências da realidade. 
c) elemento unificador, organizando e reprimindo, se necessário, as ações dos membros da comunidade. d) 
programa necessário, tal como a Revolução Francesa, devendo, portanto, se manter aberto a novas insurreições. 
e) agente repressor, tendo um papel importante a cada revolução, por impor pelo menos um curto período de 
ordem. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. Pelo comentário do texto, percebe-se que o papel chave é dado ao Estado e não 
à coletividade. Nesse sentido, ele não é espaço coletivo. 
Alternativa "b" está incorreta. O texto afirma que a “ação científica e a política devem ser estudadas de 
maneira científica (a física social)”, mas não que o Estado é um produto da ciência, a ciência deve ser 
usada no Estado e pelo estado como forma de alimentar o progresso. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
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Alternativa "c" está correta. O autor afirma que “Desde que a Revolução francesa favoreceu a integração 
do povo na vida social, o positivismo obstina-se no programa de uma comunidade pacífica”, ou seja, o 
positivismo vê o Estado como elemento unificador; além disso, por se tratar do reino da “ordem” é óbvio 
que o Estado deva ser repressor. 
 Alternativa "d" está incorreta. O Estado positivista deve ser uma garantia contra o “retorno potencial das 
revoluções”, ou seja, ele jamais estaria “aberto a novas insurreições”. 
Alternativa "e" está incorreta. Pelo texto, não se discute um “curto período de ordem”; a finalidade do 
Estado positivo era a ordem perpétua que levaria ao progresso. 
Gabarito: C 
 
30. (Enem 2016 – 3ª aplicação) 
A atividade atualmente chamada de ciência tem se mostrado fator importante no desenvolvimento da 
civilização liberal: serviu para eliminar crenças e práticas supersticiosas, para afastar temores brotados da 
ignorância e para fornecer base intelectual de avaliação de costumes herdados e de normas tradicionais 
de conduta. 
NAGEL, E. et al. Ciência: natureza e objetivo. São Paulo: Cultrix, 1975 (adaptado). 
 
Quais características permitem conceber a ciência com os aspectos críticos mencionados? 
a) Apresentar explicações em uma linguagem determinada e isenta de erros. 
b) Possuir proposições que são reconhecidas como inquestionáveis e necessárias. 
c) Ser fundamentada em um corpo de conhecimento autoevidente e verdadeiro. 
d) Estabelecer rigorosa correspondência entre princípios explicativos e fatos observados. 
e)Constituir-se como saber organizado ao permitir classificações deduzidas da realidade. 
Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. A ciência não está isenta de erros; acreditar na ciência dessa forma seria 
entronizar um outro paradigma de crença. 
Alternativa "b" está incorreta. A ciência não pode ser inquestionável; ela contribui para a eliminação de 
práticas supersticiosas justamente porque cultiva a dúvida, inclusive ao que se supõe científico. 
Alternativa "c" está incorreta. A ciência é um conhecimento que supõe a procura da verdade, mas não 
como um corpo de conhecimento reconhecido como verdade autoevidente. 
Alternativa "d" está correta. O que faz a ciência ser melhor do que crenças e tradições é a adoção de 
método que deve ser rigoroso e capaz de ser convincente. Ou seja, certifica-se de que as teorias expostas 
sejam capazes de explicar os fenômenos discutidos. 
Alternativa "e" está incorreta. Um saber organizado significa um conjunto de ideias estabelecidas; 
qualquer ideia religiosa ou tradicional é um conjunto de ideias organizadas. Se a ciência é importante 
porque promove a eliminação de crenças (saberes organizados) é porque ele não é um saber como os 
outros, aliás, ela é um método e não um saber. 
Gabarito: D 
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119 
 
31. (Enem 2019 PPL) 
A ciência ativa rompe com a separação antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técnica 
(techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica. Do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização 
da observação e do método experimental opõe a ciência ativa à ciência contemplativa dos antigos; assim 
também, a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração 
platônica e pitagórica, e contrária à concepção aristotélica. 
 
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2008 (adaptado). 
 
Nesse contexto, a ciência encontra seu novo fundamento na 
a) utilização da prova para confirmação empírica. 
b) apropriação do senso comum como inspiração. 
c) reintrodução dos princípios da metafísica clássica. 
d) construção do método em separado dos fenômenos. 
e) consolidação da independência entre conhecimento e prática. 
Comentário. 
Alternativa "a" está correta. “Confirmação empírica” significa propor uma teoria que possa ser 
comprovada pela experiência, ideia que está expressa quando se afirma que a ciência moderna promove 
a” valorização da observação e do método experimental”. 
Alternativa "b" está incorreta. A ciência rejeita o senso comum em seu método. 
Alternativa "c" está incorreta. Reintroduzir a metafísica supõe permitir a abertura para noções 
sobrenaturais e até religiosas, algo que desconfiguraria a ciência como nós a entendemos. 
Alternativa "d" está incorreta. A ciência precisa da confirmação empírica, ou seja, da confirmação dos 
fenômenos. 
Alternativa "e" está incorreta. O texto deixa claro que, no método científico, conhecimento e prática são 
interdependentes no seguinte trecho: “A ciência ativa rompe com a separação antiga entre a ciência 
(episteme), o saber teórico, e a técnica (techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica.” 
Gabarito: A 
 
32. (Uema 2015) 
Gilberto Cotrim (2006. p. 212), ao tratar da pós-modernidade, comenta as ideias de Michel Foucault, nas 
quais “[...] as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder que se desenvolveu a 
partir do século XVIII. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas no setor político e nas 
suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da vida social [...] [e] o poder 
fragmentou-se em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Assim, em vez de se deter apenas no 
macropoder concentrado no Estado, [os] micropoderes se espalham pelas mais diversas instituições da 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
120 
vida social. Isto é, os poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas, por exemplo: os pais, os 
porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretarias, os guardas, os fiscais etc.” 
Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006. 
(adaptado) 
Pelo exposto por Gilberto Cotrim sobre as ideias de Foucault, a principal função dos micropoderes no 
corpo social é interiorizar e fazer cumprir 
a) o ideal de igualdade entre os homens. 
b) o total direito político de acordo com as etnias. 
c) as normas estabelecidas pela disciplina social. 
d) a repressão exercida pelos menos instruídos. 
e) o ideal de liberdade individual.Comentário. 
Alternativa "a" está incorreta. O autor analisa o poder através da sua fragmentação, ou seja, ele não 
discute igualdade ou desigualdade. 
Alternativa "b" está incorreta. A ideia de etnia não aparece no texto e este não é um tema relevante na 
obra de Foucault. 
Alternativa "c" está correta. O texto fala das “formas de repressão”, ou seja, de normas; e deixa claro que 
tais regras são geridas por vários atores sociais, ou seja, elas são estabelecidas por uma disciplina 
constituída socialmente. 
Alternativa "d" está incorreta. O autor nem menciona os menos instruídos. 
Alternativa "e" está incorreta. O autor discute o poder e não a liberdade individual. 
Gabarito : C 
33. (Pucpr 2010) 
Na sua obra Vigiar e punir, o filósofo francês Michel Foucault analisa as novas faces de exercício do poder 
disciplinar e afirma: 
“Muitos processos disciplinares existiam há muito tempo: nos conventos, nos exércitos, nas oficinas 
também. Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de 
dominação. (...) O momento histórico das disciplinas e o momento em que nasce uma arte do corpo 
humano, que visa não unicamente ao aumento de suas habilidades, nem tampouco aprofundar sua 
sujeição, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto mais obediente quanto 
é mais útil, e inversamente. Forma-se então uma política das coerções que são um trabalho sobre o corpo, 
uma manipulação calculada de seus elementos, de seus gestos, de seus comportamentos. O corpo 
humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o recompõe. Uma "anatomia 
política", que é também igualmente uma "mecânica do poder", está nascendo; ela define como se pode 
ter domínio sobre o corpo dos outros, não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que 
operem como se quer, com as técnicas, segundo a rapidez e a eficácia que se determina. A disciplina 
fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos "dóceis". 
 (Vigiar e Punir, p. 118). 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
121 
 Segundo essa passagem, seria correto afirmar que: 
I. O texto mostra como, a partir dos séculos XVII e XVIII, o corpo foi descoberto como objeto e alvo de um 
novo poder e de novas formas de controle, pelas quais são superadas antigas formas de domínio e 
instaurado um novo modelo com o fim de tornar os corpos mais dóceis. 
II. O fim dessas práticas é tornar o corpo obediente e disciplinado através de um rigoroso exercício de 
controle sobre gestos e comportamentos. É assim que o corpo vira um novo objeto de poder. 
III. Segundo o autor, essa é a primeira vez na história que o corpo se tornara objeto de poder, já que essas 
práticas eram comuns tanto nos regimes escravocratas quanto nos monásticos. 
IV. Esses novos mecanismos de controle têm, segundo o autor, uma única motivação: o domínio do corpo 
para exploração econômica. 
 
a) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras. 
b) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras. 
c) Apenas a assertiva IV é verdadeira. 
d) Todas as assertivas são verdadeiras. 
e) Apenas a assertiva I é verdadeira. 
Comentário. 
A afirmação I está correta. A ideia expressa nessa afirmação pode ser confirmada pelo que se diz no início 
do texto: “ Mas as disciplinas se tornaram no decorrer dos séculos XVII e XVIII fórmulas gerais de 
dominação”. Além disso, trata-se do tema central da obra de Foucault, a saber, como práticas disciplinares 
restritas tomaram o corpo social na Modernidade. 
A afirmação II está correta. A frase final do fragmento, “A disciplina fabrica assim corpos submissos e 
exercitados, corpos "dóceis", comprova o que se diz na afirmação. 
A afirmação III está incorreta. O autor deixa claro que essas práticas já tinham existiam no exército, nos 
monastérios e nas oficinas, mas eram restritas a esses lugares. Ou seja, não era a primeira vez que o corpo 
se tornara objeto de poder. 
A afirmação IV está incorreta. Foucault tematiza o poder de forma geral, e não o poder econômico. 
Gabarito: B 
 
34. (Unioeste 2012) 
“Kuhn sustenta que a ciência progride quando os cientistas são treinados numa tradição intelectual 
comum e usam essa tradição para resolver os problemas que ela suscita. Kuhn vê a história de uma ciência 
‘madura’ como sendo, essencialmente, uma sucessão de tradições, cada uma das quais com sua própria 
teoria e seus próprios métodos de pesquisa, cada um guiando uma comunidade de cientistas durante um 
certo período de tempo e sendo finalmente abandonada. Kuhn começou por chamar às ideias de uma 
tradição científica um ‘paradigma’ [...] O paradigma, como um todo, determina que problemas são 
investigados, que dados são considerados pertinentes, que técnicas de investigação são usadas e que 
tipos de solução se admitem. [...] Revoluções, como as de Copérnico, Newton, Darwin e Einstein não são 
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122 
frequentes, diz Kuhn, e são deflagradas por crises. Uma crise ocorre quando os cientistas são incapazes 
de resolver muitos problemas de longa data com que o paradigma se defronta”. 
Kneller 
 
Considerando o texto acima e as ideias de Kuhn sobre a atividade científica, seguem as afirmativas abaixo: 
I. O paradigma determina o que uma comunidade científica pode investigar, quais os métodos e as 
soluções possíveis. 
II. A história da ciência mostra uma sucessão de rupturas ou revoluções, ou seja, mudanças de paradigmas 
e não um processo progressivo linear contínuo do conhecimento científico. 
III. Um paradigma entra em crise e pode ser substituído por outro quando ele não permite mais a solução 
de problemas considerados importantes pela comunidade científica. 
IV. A história da ciência não tem nenhuma importância para a investigação da atividade científica, pois a 
ciência não é condicionada, de forma alguma, por seu contexto histórico. 
V. O progresso científico ocorre dentro de uma tradição enquanto o paradigma permitir que os problemas 
considerados importantes sejam resolvidos (ciência normal). 
 
Das afirmativas feitas acima 
a) apenas IV está correta. 
b) apenas III e V estão corretas. 
c) apenas I, II e IV estão corretas. 
d) apenas I, II e V estão corretas. 
e) apenas I, II, III, V estão corretas. 
Comentário. 
Afirmação I, verdadeira. O que o autor diz de forma geral, “os cientistas são treinados numa tradição 
intelectual comum e usam essa tradição para resolver os problemas” define o que Kuhn considera ser 
paradigma, ou seja, é isso que determina “o que uma comunidade científica pode investigar”. 
Afirmação II, verdadeira. O texto afirma “Revoluções, como as de Copérnico, Newton, Darwin e Einstein 
não são frequentes, diz Kuhn, e são deflagradas por crises”, portanto, na ciência, observam-se rupturas. 
Afirmação III, verdadeira. A causa da mudança de paradigma aparece no seguinte trecho do texto “Uma 
crise ocorre quando os cientistas são incapazes de resolver muitos problemas”. 
Afirmação IV, falsa. Essa teoria dos paradigmas só pode ser inferida se considerarmos as grandes 
mudanças ocorridas na história da ciência, portanto, essa história é fundamental. 
Afirmação V, verdadeira. A ideia de que o progresso ocorre dentro de uma mesma tradição pode ser 
provado com a primeira frase do fragmento, “Kuhn sustenta que a ciência progride quando os cientistas 
são treinados numa tradição intelectual”. 
Gabarito: E 
 
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35.(Uel 2005) 
“As experiências e erros do cientista consistem de hipóteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes 
por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a 
experimentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que ficarãodeleitados se puderem encontrar 
uma brecha nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses testes pelo menos tão bem quanto suas 
concorrentes, será eliminada”. 
 
(POPPER, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo: Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.) 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciência e método científico, é correto afirmar: 
a) O método científico implica a possibilidade constante de refutações teóricas por meio de experimentos 
cruciais. 
b) A crítica no meio científico significa o fracasso do cientista que formulou hipóteses incorretas. 
c) O conflito de hipóteses científicas deve ser resolvido por quem as formulou, sem ajuda de outros 
cientistas. 
d) O método crítico consiste em impedir que as hipóteses científicas tenham brechas. 
e) A atitude crítica é um empecilho para o progresso científico. 
Comentário. 
Alternativa a, verdadeira. O texto afirma que os cientistas deleitam-se em encontrar brechas nas teorias 
ou hipóteses, pois a ciência deve ser fortalecida pela procura de experimentos que neguem a hipótese 
(critério de falseabilidade). 
Alternativa b, falsa. Segundo Popper, a crítica é fundamental para a ciência. 
Alternativa c, falsa. No texto, o autor menciona que os colegas cientistas terão prazer em tentar mostrar 
que a teoria é falsa, é necessária a ajuda de toda comunidade científica. 
Alternativa d, falsa. A brecha faz parte do método científico, pois é isso que permite à ciência avançar. 
Alternativa e, falsa. Só a crítica pode fazer com que a ciência não se torne dogmática. 
Gabarito: A 
 
36. (Uel 2019) 
Leia o texto a seguir. 
 
O programa do esclarecimento era o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e 
substituir a imaginação pelo saber. [..] O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera 
objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de poder é a alienação daquilo sobre o que 
exercem o poder. [...] 
Quanto mais a maquinaria do pensamento subjuga o que existe, tanto mais cegamente ela se contenta 
com essa reprodução. Desse modo, o esclarecimento regride à mitologia da qual jamais soube escapar. 
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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – EPISTEMOLOGIA III 
 
 
AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
124 
 
ADORNO & HORKHEIMER. Dialética do esclarecimento. Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de 
Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.17; 21; 34. 
 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a crítica à racionalidade instrumental e a relação entre 
mito e esclarecimento em Adorno e Horkheimer, assinale a alternativa correta. 
a) O mito revela uma constituição irracional, na medida em que lhe é impossível apresentar uma 
explicação convincente sobre o seu modo próprio de ser. 
b) A regressão do esclarecimento à mitologia revela um processo estratégico da razão, com o objetivo de 
ampliar e intensificar seus poderes explicativos. 
c) A explicação da natureza, instaurada pela racionalidade instrumental, pressupõe uma compreensão 
holística, em que as partes são incorporadas, na sua especificidade, ao todo. 
d) O esclarecimento implica a libertação humana da submissão à natureza, atestada pelo poder racional 
de diagnosticar, prever e corrigir as limitações naturais. 
e) O esclarecimento se caracteriza por uma explicação baseada no cálculo, do que resulta uma 
compreensão da natureza como algo a ser conhecido e dominado. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. O mito pode ser considerado irracional, pois não se vale de uma elaboração metódica 
fundada na relação entre ideias; é por esse motivo e não pelo fato de que “lhe é impossível apresentar 
uma explicação convincente sobre o seu modo próprio de ser”. 
Alternativa b, falsa. O esclarecimento não regrediu até a mitologia. Adorno usa a mitologia para explicar 
o dilema da razão de forma ilustrativa. 
Alternativa c, falsa. Desde Descartes, a forma de operar da racionalidade é pela separação dos elementos, 
pois acredita-se que a junção das partes equivale ao todo. 
Alternativa d, falsa. Essa seria uma das finalidades do Esclarecimento, mas a principal seria a de 
proporcionar autonomia ao homem. 
Alternativa e, verdadeira. Usar a razão como cálculo é uma das principais teses de Adorno e Horkheimer 
para criticar o que eles chamaram de razão instrumental. 
Gabarito: E 
 
37.(UEL 2020) Leia o texto a seguir. 
Esta é uma concepção de ciência que considera a abordagem crítica sua característica mais importante. 
Para avaliar uma teoria o cientista deve indagar se pode ser criticada - se se expõe a críticas de todos os 
tipos e, em caso afirmativo, se resiste a essas críticas. 
POPPER, Karl. Conjecturas e refutações. Trad. Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1982. p. 284. 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Popper, assinale a alternativa correta. 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
125 
a) A concepção de ciência da qual fala Popper é aquela que possui o princípio de verificabilidade, com 
proposições rigorosas que procuram corrigir as teorias científicas. 
b) A ciência busca alcançar o conhecimento de tipo essencial, pois ele garante a verdade de uma teoria 
científica, permitindo o desenvolvimento em direção à verdade objetiva visada pela ciência. 
c) Uma teoria científica é verdadeira se suas proposições são empiricamente falsificáveis via testes, 
permitindo que sejam autocorrigidas e desenvolvidas na direção de uma verdade objetiva. 
d) Os testes empíricos nas ciências humanas, tais como psicologia e sociologia, visam confirmar seu valor 
de cientificidade, pois suas teorias são falsificáveis. 
e) A concepção de ciência que Popper sustenta é a passivista ou receptacular, na qual as teorias científicas 
são elaboradas por meio dos sentidos e o erro surge ao interferirmos nos dados obtidos da experiência. 
Comentário. 
Alternativa a, falsa. O princípio defendido por Popper é o da falseabilidade, ou seja, uma teoria deve ser 
exposta a ideias e experiências que podem falseá-la, enquanto não se encontrar um princípio de 
falseabilidade, pode-se confiar nela, mas isso é provisório. 
Alternativa b, falsa. Não se pode ter certeza da essência das proposições da ciência, ela deve ser um 
sistema de aprimoramento constante. 
Alternativa c, verdadeira. Segundo o critério de falseabilidade, a ciência deve ser um sistema de 
autocorreção; o trabalho do cientista consiste em tentar falsear a teoria já estabelecida, para melhorá-la. 
Alternativa d, falsa. Popper tem como objeto de sua teoria as ciências, e não as ciências sociais e 
psicológicas, cuja metodologia difere daquela que se usa para as ciências naturais. 
Alternativa e, falsa. A ideia dessa alternativa expressa o empirismo radical típico dos séculos XVII e XVIII. 
Gabarito: C. 
 
38.(Uem 2017/Modificada) 
“Há efeitos de verdade que uma sociedade como a sociedade ocidental, e agora se pode dizer que a 
sociedade mundial produz a cada instante. Produz-se verdade. Estas produções de verdade não podem 
ser dissociadas do poder e dos mecanismos de poder, ao mesmo tempo porque estes mecanismos de 
poder tornam possíveis essas produções de verdade, as induzem; e elas próprias são efeitos de poder que 
nos ligam, nos conectam. São essas relações de verdade/poder, saber/poder que me preocupam. Então, 
esta camada de objetos, ou melhor, esta camada de relações, é difícil de ser apreendida; e como não há 
uma teoria geral para apreendê-las, eu sou, por assim dizer, um empirista cego, quer dizer que eu estou 
na pior das situações. Não tenho teoria geral e nem mesmo um instrumento seguro. 
FOUCAULT, M. Poder e saber. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. 
Curitiba: Seed, 2009, p. 237. 
 
A partir do texto citado, observe as afirmações. 
I. O conhecimento científico, também entendido como verdadeiro, não está isento das influências dos 
interesses de poder.t.me/CursosDesignTelegramhub
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126 
II. Foucault chama a atenção para a falta de instrumentos para investigar e conhecer melhor os 
mecanismos que vinculam saber e poder. 
III. Para Foucault, poder e verdade são relações reais que atuam decisivamente na produção do 
conhecimento, a despeito da dificuldade de constatá-las. 
IV. Para Foucault, há uma teoria geral e um método que explicam as relações inerentes entre saber e 
poder. 
Assinale a alternativa correta. 
a) apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. 
b) apenas as afirmativas I e III estão corretas. 
c) apenas as afirmativas I, II e III estão corretas. 
d) apenas a afirmativa IV está incorreta. 
e) todas as afirmativas estão corretas. 
Comentário. 
Afirmação I, correta. Foucault retoma e amplia o conceito de “saber é poder” de Nietzsche. 
Afirmação II, correta. O filósofo afirma que não há instrumentos para perceber toda essa relação de poder 
e saber no seguinte trecho “, esta camada de relações, é difícil de ser apreendida”. 
Afirmação III, correta. O que Foucault chama de verdade é a exposição das relações entre poder e 
conhecimento, como se pode ler no seguinte trecho: “ Estas produções de verdade não podem ser 
dissociadas do poder e dos mecanismos de poder”. 
Afirmação IV, incorreta. O filósofo diz textualmente o contrário do que diz a alternativa, ele afirma “como 
não há uma teoria geral”. 
Gabarito: C 
 
39.(Unioeste 2013) “A ideia de conduzir os negócios da ciência com o auxílio de um método que encerre 
princípios firmes, imutáveis e incondicionalmente obrigatórios, vê-se diante de considerável dificuldade, 
quando posta em confronto com os resultados da pesquisa histórica. Verificamos, fazendo um confronto, 
que não há uma só regra, embora plausível e bem fundada na epistemologia, que deixe de ser violada em 
algum momento. Torna-se claro que tais violações não são eventos acidentais, não são o resultado de 
conhecimento insuficiente ou de desatenção que poderia ter sido evitada. Percebemos, ao contrário, que 
as violações são necessárias para o progresso. Com efeito, um dos notáveis traços dos recentes debates 
travados em torno da história e da filosofia da ciência é a compreensão de que acontecimentos e 
desenvolvimentos tais como a invenção do atomismo na Antiguidade, a revolução copernicana, o 
surgimento do moderno atomismo (teoria cinética; teoria da dispersão; estereoquímica; teoria quântica), 
o aparecimento gradual da teoria ondulatória da luz só ocorreram porque alguns pensadores decidiram 
não se deixar limitar por certas regras metodológicas ‘óbvias’ ou porque involuntariamente as violaram.” 
Paul Feyerabend. 
Considerando o texto acima, que trata do método na ciência, seguem as afirmativas abaixo: 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
127 
I. A história da atividade científica, segundo Feyerabend, mostra que os resultados alcançados pela ciência 
são fruto da perseverança e do trabalho duro dos cientistas em torno de um conjunto de métodos 
precisos. 
II. O método em ciência, visto como a construção de um caminho que leve, inevitavelmente, a um 
conjunto de verdades imutáveis, é algo sumamente problemático. 
III. O surgimento de avanços científicos significativos está intimamente ligado à violação involuntária de 
regras de método que, na sua simplicidade, emperram o avanço científico. 
IV. Dada qualquer regra, por mais fundamental que se apresente para a ciência, sempre surgirão ocasiões 
nas quais é conveniente ignorar a regra e mesmo adotar uma regra contrária. 
V. A epistemologia, à luz da pesquisa histórica, apresenta um conjunto de eventos não acidentais que se 
mostraram decisivos quando se trata de compreender o desenvolvimento exitoso de seus resultados. 
Das afirmativas acima 
a) somente as afirmações I e II estão corretas. 
b) somente as afirmações IV e V estão corretas. 
c) somente as afirmações I e IV estão corretas. 
d) somente as afirmações II, IV e V estão corretas. 
e) somente as afirmações I, III e V estão corretas. 
Comentário. 
Afirmação I está incorreta. O autor do fragmento afirma que “não há uma só regra, embora plausível e 
bem fundada na epistemologia, que deixe de ser violada em algum momento”, ou seja, os métodos 
precisos são violados. 
Afirmação II está correta. Feyerabend defende a tese de que o método científico não necessariamente 
leva a verdades imutáveis, aliás, ele dá exemplos de teorias que sobrepujaram as anteriores usando 
métodos não convencionais. 
Afirmação III está correta. Pode-se concluir que as violações não são involuntárias, quando lemos o 
seguinte no texto: “Torna-se claro que tais violações não são eventos acidentais”. 
Afirmação IV está correta. O autor enumera algumas descobertas que só se realizaram porque os 
cientistas ignoraram o método. 
Afirmação V está correta. A enumeração feita pelo autor é muito importante para a epistemologia para 
que se possa compreender tanto o método quanto suas infrações exitosas. 
Gabarito: D 
 
 
8. Versões de aulas 
 
 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
128 
Professor Fernando Andrade 
 
Caro aluno! Para garantir que o curso esteja atualizado, sempre que alguma mudança no conteúdo 
for necessária, uma nova versão da aula será disponibilizada. 
 
9. Considerações finais 
 
Corujinha companheira, 
 Finalizamos nossa terceira aula de filosofia. Viajamos pela crítica da razão, pela filosofia da ciência 
e pela bioética. Completamos o circuito da epistemologia. 
 No próximo pdf, consideraremos outras áreas da filosofia. Não perca o próximo pdf. 
 Estarei à disposição no Fórum de Dúvidas. Apreciarei muito suas sugestões, críticas e comentários, 
o Fórum é o canal aberto para essa relação pessoal do aprendizado. O importante é que você tenha apoio 
para um estudo aprofundado 
O esforço é seu, e estou fazendo o que eu posso para facilitar o seu trabalho. 
Bom estudo 
Espero você na próxima aula. 
 
Fernando Andrade 
 
 
 
 
 
 
 
Blog de crônicas : 
@filosofia.do.portuga Redaçao e Filosofia 
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AULA 02– EPISTEMOLOGIA III 
 
129 
 
 
 
https://www.outrasvias.com/ 
 
 
 
 
 
10. Referências 
 
Figura 22: Disponível em https://www.behance.net/gallery/4676165/Auschwitz-Birkenau-
Concentration-Camp , acessado em 16.09.2019. 
 
Figura 24: disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:William_Harvey_(1578-
1657)_Venenbild.jpg, acessado em 28.04.2020. 
Figura 23: Disponível em https://mythologica.com.br/arte/mitologia-grega-herbert-james-draper/ , 
acessado em 16.09.2019. 
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https://www.outrasvias.com/
https://www.behance.net/gallery/4676165/Auschwitz-Birkenau-Concentration-Camp
https://www.behance.net/gallery/4676165/Auschwitz-Birkenau-Concentration-Camp
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:William_Harvey_(1578-1657)_Venenbild.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:William_Harvey_(1578-1657)_Venenbild.jpg
https://mythologica.com.br/arte/mitologia-grega-herbert-james-draper/

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