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1www.biologiatotal.com.br PLATÃO QUEM FOI PLATÃO? Platão foi um dos mais conhecidos discípulos de Sócrates, e responsável por desenvolver a filosofia socrática numa nova direção. O ateniense Platão viveu num período muito especial da história grega, entre 428 a.C. e 348 a.C. Sua vida coincide com a fase mais emblemática da democracia ateniense, logo após a morte de Péricles e pouco antes das conquistas de Alexandre, o Grande. Não obstante, em sua filosofia Platão não mostra apreço nem pelos políticos da sua época e nem pela democracia. E isto apesar de ele pertencer a uma família que possuía ligações com políticos da época, como era o caso da sua mãe, uma descendente de Sólon. Antes de conhecer Sócrates, Platão já havia sido influenciado, ainda que indiretamente, pela filosofia dos pré-socráticos Parmênides de Eléia e Heráclito de Éfeso. Embora os dois esposassem pensamentos diametralmente opostos (o primeiro defende o imobilismo e o segundo o fluxo), Platão tentou realizar uma síntese entre ambos mais tarde. Estátua de Platão localizada em frente à Universidade de Atenas, Grécia. 2 Pl at ão Daquele que foi considerado “o mais sábio e o mais justo dos homens”, Sócrates, Platão absorveu a sua preocupação em não aceitar as opiniões (doxa) ou as tradições. Assim, Platão interessava-se em buscar o fundamento da realidade. Após a condenação de Sócrates, Platão ficou ainda mais decepcionado com a política e viajou por várias cidades e colônias gregas (Magna Grécia). No sul da Itália teve contato com filósofos pitagóricos e com políticos locais. É nessa época que escreve seu clássico sobre política, A República. Ao mesmo tempo, Platão dedica-se a escrever os Diálogos Socráticos, que retratam o seu antigo mestre em discussões filosóficas sobre a virtude, o belo, a existência da alma etc. Em outros diálogos mais tardios, Platão coloca mais de si e discute temas como a Ética e a Política. MUNDO SENSÍVEL E MUNDO INTELIGÍVEL Talvez este seja um dos aspectos da filosofia platônica que mais chama a atenção. Estas ideias já se encontram plenamente desenvolvidas em sua obra A República, onde Platão descreve uma cidade ideal organizada a partir de princípios filosóficos e governada pelo chamado rei-filósofo. Na República encontramos várias ideias radicais, apesar de fundamentadas racionalmente, das quais encontramos ecos nos sistemas totalitaristas de governo que surgiram milhares de anos após Platão - o fascismo e o comunismo. Mas o que nos interessa aqui nesse momento é compreender o que Platão entendia por mundo sensível e mundo inteligível, e como os dois estavam relacionados. Basicamente, o filósofo fornece dois exemplos, e utilizaremos aqui o mais conhecido de todos, que é a alegoria da caverna, que é descrita no Livro VII da sua obra A República. Observe a imagem abaixo que foi baseada nessa alegoria, também conhecida como mito da caverna. Estátua de Parmênides. Pintura de Heráclito. 3 Pl at ão www.aprovatotal.com.br A imagem é meramente ilustrativa e foi levemente baseada no livro de Platão. Entretanto, podemos utilizá-la para demonstrar o que Platão entendia por mundo sensível e mundo inteligível. O homem que está sentado não faz ideia de que a sombra do pombo refletida na parede da caverna é somente uma sombra de um objeto real. O fato dele estar de costas e virado somente para a parede, o impede de ver que, na realidade, existe um outro homem atrás dele, que segura uma haste com um modelo de pomba na ponta. Segundo Platão, o mundo no qual vivemos é esta caverna. E estamos presos a ele. Isso nos impede de compreendermos que tudo o que vemos e experimentamos com nossos sentidos, e daí vai o conceito mundo sensível, são na verdade sombras de um mundo real que pode ser atingido pelo pensamento, daí o conceito de mundo inteligível, que também é conhecido como mundo das ideias. A partir disso, Platão formulou uma regra geral para diferenciar o verdadeiro conhecimento daquele que era falso. Isso ficou conhecido como Doxa (opinião) e Episteme (ciência). A doxa era como as sombras da caverna e, portanto, era um tipo de conhecimento imperfeito. Já a episteme era o verdadeiro conhecimento, que podemos chamar também de ciência. Mundo Sensível Mundo Inteligível Doxa Conhecimento Imperfeito Episteme Conhecimento Perfeito 4 Pl at ão Ainda de acordo com Platão, a alma humana traria impressa esse conhecimento a respeito do mundo das ideias. Seguindo esse raciocínio, o processo de conhecimento seria na realidade um processo de re-conhecer, ou recuperar a verdade. Esse processo é conhecido na filosofia como reminiscência ou anamnese. ÉTICA E POLÍTICA Um outro aspecto muito importante do pensamento de Platão, são as suas ideias sobre Ética e Política. Evidentemente, tanto a visão ética quanto política do filósofo estava baseada na sua concepção de justiça. Se para os sofistas, os quais Platão por várias vezes criticou em suas obras, a justiça era uma questão de conveniência, no pensamento platônico a justiça é a finalidade da vida, ou sob outra perspectiva, ela é o resumo de todas as virtudes. Desta forma, a ética platônica é fundamentada na ideia de justiça. Além do mais, o filósofo acreditava que as virtudes podiam ser ensinadas. Ao longo de sua obra A República, ele propõe uma série de medidas que um Estado poderia tomar para que tivesse cidadãos virtuosos e, assim, o governo fosse fundamentado na ideia de justiça. Surpreendentemente, em relação à educação, Platão ia na contramão da educação grega, na medida em que era contra os poetas e a obra de Homero. O que Platão reprovava, é que nas obras poéticas como as de Homero, existiam modelos de ação e conduta que eram reprováveis e poderiam influenciar negativamente na educação dos jovens, a exemplo dos deuses que eram ambíguos. Por outro lado, Platão apoiava que certos tipos de música fossem utilizadas na educação, pois poderiam incentivar a coragem e elevar a alma. Voltando à maior das virtudes, Platão dizia que a justiça é dar a cada um o que lhe pertence/o que lhe é devido. E dentro desse pensamento, segundo se depreende da leitura de suas obras, não estava incluído a ideia de fazer mal para os inimigos, pois segundo o filósofo, fazer o mal nunca é compatível com a ideia de justiça. Já em relação à política, Platão via as pessoas e o próprio Estado de forma tripartite. E cada parte da alma possuía relação com uma das principais ocupações na Pólis Ideal de Platão. Divisões da Alma Divisões da Pólis Alma Concupiscível Alma Irascível Alma Racional Produtores Guerreiros Filósofos 5 Pl at ão www.aprovatotal.com.br Evidentemente, na República de Platão, os filósofos possuem uma posição de destaque. A eles caberiam os magistrados, que eram as funções executivas. O líder da Pólis ficou conhecido como o rei-filósofo, pois Platão havia escrito que para uma sociedade desse tipo existir, “os filósofos deveriam se tornar reis, ou aqueles que são reis deveriam se tornar filósofos”. É importante ressaltar que na concepção platônica, o verdadeiro filósofo, além de amante da sabedoria e do conhecimento, é o único tipo de pessoa que tem acesso ao Mundo das Ideias, e também é uma pessoa que possui desapego em relação mundo sensível, sendo assim alguém que leva uma vida simples. Além de sua notória obra conhecida como A República, Platão também escreve outros diálogos que expõem ideias importantes de sua filosofia, com Sócrates como personagem central do debate, como são os diálogos O Banquete, Fédon e Crátilo. O BANQUETE O Banquete trata de um contexto no qual os filósofos estão realizando um banquete e fazendo elogios a Eros, que representa o Amor, com cada filósofo apresentando suas considerações sobre esse conceito. O primeiro orador, Fedro, realiza seus elogios falando sobre como Eros, um dos deuses mais antigos, traz essa fonte do bem que é o Amor, sendo apenas dele que poderia nascer a beleza. Assim,entrando como parte desse debate, Pausânias crítica essa afirmação pois afirma a existência de dois tipos de amor: 6 Pl at ão f Amor Vulgar é o amor do corpo, é passageiro, amor frágil f Amor Celeste é da alma, das ideias, é bom e permanece. Assim como para uma ação ser considerada boa ela necessita estar ligada aos princípios de justiça, o amor também só pode se tornar Celeste e não Vulgar se é baseado na justiça e na beleza. Com o terceiro orador, Erixímaco, era educador nas artes médicas, sua proposição sobre o Amor era que o Eros residia em todos os elementos da natureza, sendo distinto entre saúde e doença, sendo o amor algo que consistia no equilíbrio entre o físico e o espiritual. O quarto orador, Aristófanes, era um dramaturgo e apresenta seu ponto de vista através de um mito, o Mito do Androgino. Nesse mito, é contada a história de como, no início do mundo, os seres humanos eram perfeitos e completos, como o círculo é uma forma perfeita. Porém, essa perfeição irrita a entidade Zeus, que separa essa forma perfeita e torna esses seres incompletos, causando com que uma metade passe a buscar a outra para encontrar sua plenitude. Agaton, como o quinto orador, expressa uma crítica aos anteriores por não saberem explicar a natureza de Eros e mesmo assim o enaltecerem, discorrendo sobre a necessidade de examiná-lo para mostrar todas suas qualidades. Chega então a vez de Sócrates, o sexto orador e mais importante, que fará uma relação do amor com a busca, que alude ao desejo daquilo que não se tem e que só existe um objeto do amor quando lhe falta. Um exemplo será a busca pela eternidade, que o indivíduo não possui mas tenta alcançá-la através dos filhos, como a continuidade de nós mesmos. Assim será também a filosofia, que se traduz como busca pela sabedoria ou amor pela sabedoria. Essa atitude sobre o amor é transmitida para Sócrates através da sacerdotisa e filósofa Diotima de Mantinea; Alcibíades, o sétimo orador, faz elogios à Sócrates sobre sua visão. FÉDON DE PLATÃO Esse diálogo escrito por Platão também possui Sócrates como seu personagem principal; nele, Fédon conversa com Equécrates sobre os temas abordados por Sócrates em seus momentos anteriores à sua morte. Abordando a inscrição do Templo de Apolo, Conhece-te a ti mesmo, sua narrativa gira em torno de compreender o ser humano: 7 Pl at ão www.aprovatotal.com.br f Quem somos nós e o que nos define como pessoas? Demonstrando serenidade próximo a sua morte, Sócrates trará a ideia que a vida do filósofo é uma preparação para a morte, já que esse momento definiria uma separação entre o corpo e a alma, possibilitando que ela alcance então o mundo do verdadeiro conhecimento. Assim, temos uma reflexão herdada da Escola Pitagórica, que traz a ideia de uma Alma Imortal que transmigra de corpo para corpo, num processo chamado de metempsicose. Sócrates dá uma série de argumentos sobre a imortalidade da alma, sendo imortal por estar na natureza, já que a natureza é um processo de devir; a alma também faz parte do mundo inteligível, que já possui conhecimentos anteriores ao sensível. Essa perspectiva será fundamental para as teorias de Platão sobre as ideias serem inatas, já que no nascimento a alma já seria dotada de ideias. O conceito de alma então carrega o conceito de vida, ser imortal é característica da alma. CRÁTILO DE PLATÃO Tendo como personagem principal Crátilo, a grande questão abordada no diálogo será a relação entre as palavras e seus significados, questionando o que seria falar. Debatendo com Hermógenes e Sócrates, Crátilo vai defender que a denominação das coisas e sua relação com os objetos independem do homem, tendo um nome apropriado por natureza, assumindo uma posição naturalista da linguagem. O nome de Hermógenes, significando descendente de Hermes, faz Crátilo trazer um apontamento sobre como ele deveria ser um possuidor de muitas riquezas, mas não é. Assim, ele defende sobre o nome das coisas ser dado a partir de sua forma, de sua substância. Hermógenes vai contrariar essa ideia colocando que o nome das coisas é decidido por convenção, sendo uma necessidade do ser humano dar nome às coisas. A ideia do uso dos nomes trazida por Crátilo será então que os nomes são como conceitos, sendo representações que necessitam de uma correspondência com o objeto, ou seja, a coisa no mundo é representada pelo seu conceito. ANOTAÇÕES