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Prof. Me. Cidclei Guimarães UNIDADE I Filosofia Antiga Quando Sócrates morreu, Platão resolveu viajar. Há uma discussão sobre sua rota quando saiu de Atenas. Egito Sul da Itália, especialmente a Sicília contato com os seguidores de Pitágoras e com eles aprendeu como ver o mundo por meio da matemática, também conheceu Crátilo, um seguidor de Heráclito, e foi influenciado por sua doutrina de que o mundo está em constante fluxo. Na Sicília permaneceu em Siracusa, onde se tornou tutor de Dion, que era cunhado do tirano Dionísio I, mas há quem afirme que Dionísio I teria se zangado com Platão e vendido o filósofo como escravo (D.L., III, 19-21). O percurso de Platão Em todo caso, Platão retornou a Atenas e então fundou uma escola denominada de Academia. Esse nome veio da sua localização, que ficava num bosque de árvores consagrado em memória do atleta Academus ou Hecademus (D.L., III, 7). A segunda viagem de Platão aconteceu depois que Dionísio morreu. Seu filho, Dionísio II, se tornou rei, e Dion, o discípulo de Platão, era tio e ao mesmo tempo cunhado do jovem tirano. Dion convenceu Dionísio II a convidar Platão para ajudar o rei a se tornar um rei-filósofo do tipo descrito em A República. Essa empreitada não deu muito certo e Platão acabou na prisão em Siracusa. Platão, provavelmente cansado da política, voltou para a Academia. Lá viveu os treze últimos anos de vida. Segundo Diógenes, enterraram Platão na Academia (D.L., III, 41). Contudo até hoje seu túmulo não foi descoberto pelas pesquisas arqueológicas. Aristóteles e Diógenes Laércio concordam que Platão em sua juventude estudou a filosofia de Heráclito de Éfeso, com seus seguidores (Met., 987a32; D.L., III, 4-5). Essa influência pode ser percebida na concepção de Platão de que o mundo sensível está em eterna mudança. Diógenes relatou que Platão teria construído sua filosofia dos argumentos de Heráclito, dos pitagóricos e de Sócrates. O mundo sensível seria uma ideia de Heráclito, as coisas inteligíveis vêm de Pitágoras e sua percepção política é a de Sócrates (D.L., III, 8). Os pensadores que influenciaram Platão Sabemos também que Platão teve forte influência de Parmênides e Zenão (ambos de Eleia). Na teoria das ideias (formas), percebemos que suas conclusões concordam com o pensamento de Parmênides de unidade metafísica e estabilidade da realidade cognitiva. Diógenes (D.L., III, 6) afirma ainda que Platão conheceu os pitagóricos, como Teodoro e Equécrates. Mas ninguém influenciou mais Platão do que Sócrates. Isso fica claro pela escolha de Sócrates como personagem principal na maioria de suas obras. De acordo com a Sétima Carta, Platão considerava Sócrates “o homem mais justo que jamais viveu” (Ep., VII, 324e). Os pensadores que influenciaram Platão Os primeiros escritos começaram depois da morte de Sócrates e foram feitos antes que Platão iniciasse sua ida à Sicília, em 387 a.C. São eles: Apologia, Cármides, Críton, Eutidemo, Eutífron, Górgias, Hípias Maior, Hípias Menor, Íon, Laques, Lísis, Protágoras, A República (livro I). Há um período de transição (387-380 a.C.): Crátilo, Menexeno, Mênon. Depois, um período intermediário (380-360 a.C.): Fédon, A República (livros II-X), O Banquete. Os escritos de Platão Há um segundo período de transição (360-355 a.C.): Parmênides, Teeteto, Fedro. E suas últimas obras (355-347 a.C.) são: Sofista, Político, Filebo, Timeu, Crítias, Leis. Os escritos de Platão Em muitos dos seus diálogos, Platão menciona entidades que não podem ser alcançadas pelos sentidos, às quais ele chama de formas ou ideias. Uma entidade suprassensível é algo que só existe no pensamento, para além dos sentidos. No diálogo Fédon, aprendemos que as coisas iguais e sensíveis particulares, como pedras iguais, só são iguais porque participam ou compartilham o caráter da forma da igualdade, que é absolutamente, imutavelmente, perfeitamente e essencialmente igual (Féd., 74a-75d). A teoria das formas ou das ideias Platão às vezes caracteriza essa participação das formas como um tipo de imagem ou aproximação da ideia. Quando Platão escreve sobre as instâncias das formas se aproximando das ideias, é fácil entender que, para ele, as formas são exemplares. Platão acreditava que a forma da beleza (ou ideia da beleza) é a beleza perfeita, a forma da justiça (ou ideia da justiça) representa a justiça perfeita e assim por diante. Conceber as formas dessa maneira foi importante porque permitiu que o filósofo compreendesse até que ponto as instâncias sensíveis das formas, como ser redondo, ser pesado etc., são bons exemplos das ideias das quais elas se aproximam. A teoria das formas ou das ideias No Banquete, que geralmente é considerado como do início do período intermediário, e em Fedro, datado no final do período médio ou mesmo posterior a ele, Platão apresenta sua teoria do Eros, geralmente traduzido como “amor”. Até hoje na cultura ocidental encontramos passagens e imagens desses diálogos, por exemplo, a imagem de que dois amantes são cada um a outra metade da pessoa amada, que Platão no Banquete atribui a Aristófanes. Também nesse diálogo encontramos a “escada do amor”, pela qual o amante pode ascender ao contato cognitivo direto com a própria beleza. O amor é revelado em Fedro como a grande loucura divina, em que as asas da alma dos amantes podem brotar, permitindo que alcancem as mais altas aspirações e conquistas para a humanidade. O amor platônico Diógenes, que foi biógrafo dos antigos filósofos gregos, escreveu Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres [s.d.], obra que sobreviveu aos séculos, afirma que Platão teria construído sua filosofia dos argumentos de: a) Aristóteles, Pitágoras e Parmênides. b) Anaxágoras, Tales e Pitágoras. c) Sócrates, Aristóteles e Górgias d) Heráclito, Pitágoras e Sócrates. e) Zenão, Heráclito e Demócrito. Interatividade Diógenes, que foi biógrafo dos antigos filósofos gregos, escreveu Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres [s.d.], obra que sobreviveu aos séculos, afirma que Platão teria construído sua filosofia dos argumentos de: a) Aristóteles, Pitágoras e Parmênides. b) Anaxágoras, Tales e Pitágoras. c) Sócrates, Aristóteles e Górgias d) Heráclito, Pitágoras e Sócrates. e) Zenão, Heráclito e Demócrito. Resposta A primeira obra de Platão é a Apologia de Sócrates. Esse livro reproduz a defesa que Sócrates fez durante o seu julgamento em Atenas, presenciado por Platão. Os poderosos de Atenas acusaram Sócrates de negar a existência dos deuses e assim corromper os jovens. É nesse diálogo que Sócrates conta que seu amigo de infância e discípulo Xenofonte fez uma consulta ao oráculo de Delfos, cujas sacerdotisas eram chamadas de pitonisas. Sua pergunta foi se existia alguém mais sábio do que Sócrates. A resposta foi não. Apologia de Sócrates A resposta deixou Sócrates curioso, pois ele mesmo não se considerava a pessoa mais sábia de todas. Sócrates visitou várias pessoas que ele considerava sábias, para tentar demonstrar que elas eram mais sábias do que ele. Finalmente concluiu que todos aqueles que considerava sábios não o eram. Apologia de Sócrates Para Sócrates, a virtude era o conhecimento, mas o conhecimento era inatingível. Com isso, ele formulou a famosa frase: “Sei que nada sei”. Sócrates promovia debates para provocar seus interlocutores com perguntas. Seu objetivo era fazer com que as pessoas refletissem. Ele acreditava que, com essa forma de questionamento, as pessoas pensariam melhor sobre suas respostas e trariam à tona o verdadeiro conhecimento. Apologia de Sócrates Na Apologia, Platão elege os acusadores de Sócrates como representantes de diversas profissões. Meleto era poeta, Anito era artesão e Lícon era um orador sofista. Sócrates resolveu debater com todos eles durante o julgamento, para se defender. Ele se recusa a lançar mão de uma estratégia comum na época, que era levar a família para pedir clemência aos juízes, apelando para seus sentimentos. Apologia de Sócrates Sócrates é considerado culpado da acusação e condenado a beber veneno. Velho, sábio e cansado, Sócrates aceita sua condenação. Mesmo que para se livrar da condenação fosse necessário apenas um pedido público de desculpas, ele afirma que a morte é libertadora, pois vai ficar livre de seus inimigos e de todo mal. Sugere também que, se por acaso a morte for a passagem para outra vida, ele poderia ir se encontrar com as pessoas de quem gostava e que já tinham morrido. Apologia de Sócrates Na Apologia, Platão discute o conhecimento. A primeira coisa que falaremos a respeito é que existem graus diferentes daquilo que podemos conhecer. O conhecimento, nesse sentido, é uma escala de percepções que fazemos sobre alguma coisa. Essa coisa, por motivo de simplificação, é tratada pela mente como um objeto. Os conceitos legados pela Apologia Então, se falamos de conhecer o clima, por exemplo, muito antes de pensarmos na temperatura ou na umidade, sentimos o clima. Mas, para entendermos do que estamos falando, tratamos essas sensações como as percepções que temos do clima, da mesma maneira como as sensações que temos sobre um objeto que existe. Desde então, o que acontece é que acreditamos que a ideia de clima, que é uma abstração, existe. Logo, se aquilo existe, é um objeto. A operação cognitiva estabelece a identidade ou a semelhança com os elementos do objeto. Em seguida, conseguimos dar uma ordem aos elementos que constituem o próprio objeto. Então podemos dizer que primeiro apreendemos uma imagem daquilo que tentamos conhecer, para depois descrever o que aquela coisa é, conforme o grau de entendimento que temos dela. Os conceitos legados pela Apologia Se falamos do Sol, primeiro pensamos numa coisa redonda que brilha no céu, com cor amarela, que é como o Sol aparece nos desenhos infantis. Gradativamente vamos percebendo qualidades, como a luz e o calor. E construímos um novo grau de conhecimento sobre o Sol. Finalmente pensamos se tratar de uma estrela e nosso grau de conhecimento acaba se expandindo, medindo seu tamanho, sua temperatura e todos os muitos detalhes que fazem conhecermos cada vez melhor os elementos que o formam. Os conceitos legados pela Apologia Platão organizou uma ordem para os graus do conhecimento. Primeiro fazemos uma suposição ou uma conjectura sobre alguma coisa, que são como imagens ou sombras que criamos a partir dos nossos cinco sentidos: a água é líquida, é molhada, é fluida, é transparente, é insípida, é inodora, faz barulho quando cai etc. Os conceitos legados pela Apologia Para Platão, o encontro do semelhante com o semelhante, a homogeneidade, é o conceito que Platão utiliza para explicar os processos cognitivos (Tim., 45c, 90c-d): conhecer significa tornar o pensante semelhante ao pensado. Na Apologia e em A República, Platão ensina que só podemos conhecer um objeto quando somos capazes de entendê-lo cognitivamente. É assim que Platão estabeleceu a correspondência entre o ser e a ciência, que no seu entendimento é o conhecimento verdadeiro. Dessa forma, ele ainda elaborou a linha entre o não ser e a ignorância, entre o devir, que está entre o ser e o não ser, e a opinião, e finalmente entre o conhecimento e a ignorância. Os conceitos legados pela Apologia Depois passamos à opinião, acreditada, mas não verificada. Então dizemos que a água daquele rio é perigosa, ou que a água escura é mais perigosa do que a água transparente. São opiniões diretamente nascidas da experiência dos sentidos. A partir daí, conseguimos estabelecer uma razão científica, que é construída a partir de hipóteses, mas que temos de verificar a partir dos números e da matemática – por exemplo, se um litro de água pesa um quilo. Finalmente temos a reflexão filosófica, que a partir da investigação dialética estabelece conceitos que podem ser entendidos pelo ser humano – por exemplo, se a água tem peso, tem densidade (Rep., VI, 509-510). Os conceitos legados pela Apologia O conhecimento de si é o saber objetivo, isto é, não imediato nem privilegiado, que o ser humano pode adquirir de si mesmo. Esse termo significa algo diferente de autoconsciência, que é a consciência absoluta de si mesmo. Também não é a consciência, que implica uma relação imediata e privilegiada da pessoa consigo mesma. O conhecimento de si mesmo é como Platão interpreta o lema socrático “Conhece-te a si mesmo” (ABBAGNANO, 2007, p. 183). Os conceitos legados pela Apologia Na Apologia, Platão discute: a) O significado da morte. b) O significado da vida. c) O conhecimento. d) A existência dos deuses. e) As injustiças sociais. Interatividade Na Apologia, Platão discute: a) O significado da morte. b) O significado da vida. c) O conhecimento. d) A existência dos deuses. e) As injustiças sociais. Resposta A República é o livro mais conhecido de Platão. Nessa obra, composta de vários tomos chamados livros, ele examina as formas da política e de tudo mais que gira em torno do conhecimento humano: seus sentidos, sua razão e os nexos que estabelecemos entre as formas ou as ideias e o mundo real. A República – Introdução No livro I, Sócrates e Glauco vão ao porto de Pireu para participar de uma celebração religiosa. Lá são obrigados por Polemarco a ir à sua casa para conversar. Uma vez na casa, Sócrates conversa com Céfalo sobre a velhice, os benefícios de ser rico e a justiça. A próxima discussão é entre Sócrates e Trasímaco. Trasímaco define a justiça como a vantagem ou o que beneficia o mais forte. Trasímaco ressalta ainda que os mais fortes são realmente apenas aqueles que não cometem erros sobre o que lhes é vantajoso. Sócrates expõe três argumentos que promovem a vida justa como melhor do que a vida injusta: o homem justo é sábio e bom, e o homem injusto é ignorante e ruim. A injustiça produz desarmonia interna, o que impede as ações efetivas, e a virtude é a excelência na função de uma coisa. A pessoa justa vive uma vida mais feliz do que a pessoa injusta, já que desempenha bem as várias funções da alma humana. A República – Introdução No livro II, Sócrates defende a justiça em si, e não pela reputação que ela pode conferir. Ele propõe entender o que é a justiça na cidade, para depois fazer uma analogia a fim de encontrar o que é justiça para o indivíduo. Insiste que essa abordagem permite um julgamento mais claro sobre a questão de saber se a pessoa justa é mais feliz do que a pessoa injusta. Sócrates começa discutindo as origens da vida política e esboça a proposta de uma cidade justa, que poderia satisfazer as necessidades humanas básicas. A República – Introdução No livro III, Sócrates descreve então como os governantes da cidade justa devem ser selecionados da classe dos guardiões. Os governantes seriam os mais velhos, fortes, sábios e totalmente dispostos a não fazer nada em causa própria, só aquilo que é bom para a cidade. Sócrates sugere que eles precisariam contar aos cidadãos um mito, que seria passado de geração em geração, para que todos aceitassem sua posição na cidade. Propõe o mito dos metais, que narra que todo ser humano teria um metal precioso como parte do seu ser. Aqueles que são naturalmente adequados para serem governantes seriam compostos de ouro; aqueles que se adéquam a ser guardiões seriam compostos de prata; e os demais, talhados para a agricultura e outros ofícios, seriam de bronze. A República – Introdução No livro IV, Sócrates faz uma analogia entre a cidade e o indivíduo. Para encontrar as quatro virtudes correspondentes no indivíduo, ele distingue as três partes análogas na alma com suas funções naturais. Ao usar instâncias de conflito psicológico,ele distingue o funcionamento da parte racional da alma, da parte apetitiva, ou seja, da que cuida dos desejos, e da parte espiritual. A função da parte racional da alma é o pensamento; a da parte espiritual, a experiência das emoções; e a da parte apetitiva, a busca dos desejos corporais. Sócrates explica que as virtudes da alma do indivíduo correspondem às virtudes da cidade, quando cada uma das três partes da alma executa sua função corretamente. A justiça é um equilíbrio natural das partes da alma, enquanto a injustiça é um desequilíbrio delas. A República – Introdução No livro V, Sócrates afirma que a cidade justa não poderá surgir até que os filósofos governem como reis, ou que os reis se tornem filósofos. Contudo, insiste que essa é a única via possível para alcançar a felicidade completa na vida pública e privada. No livro VI, Sócrates constrói uma analogia para explicar melhor a forma do bem, utilizando uma linha. Ele pega uma linha e pede que imaginemos que ela é cortada em dois segmentos desiguais. Ele faz a correspondência de que a cada segmento existe uma capacidade na alma humana: a imaginação, a crença, o pensamento e a compreensão. A República – Introdução No livro VII, Sócrates continua sua discussão sobre as qualidades dos filósofos e as formas com uma terceira analogia, a analogia da caverna. Ela representa a educação do filósofo, do início de sua ignorância ao conhecimento das formas e das ideias. A verdadeira educação é a saída da alma das sombras e dos objetos visíveis para alcançar o verdadeiro entendimento das ideias. No livro VIII, discute-se sobre a tirania (ou ditadura) que surge da democracia, quando o desejo de liberdade para fazer o que se quer torna-se excessivo. Sócrates indica que o tirano enfrenta o dilema de viver com pessoas sem valor ou com pessoas boas que podem eventualmente derrubá-lo e acaba optando por conviver com pessoas sem valor. A República – Introdução No livro IX, uma segunda prova de que o justo é mais feliz do que o injusto aparece quando Sócrates distingue três tipos de pessoa: uma que persegue a sabedoria, outra que persegue a honra e uma terceira que busca o lucro. Ele argumenta que devemos confiar no julgamento do amante da sabedoria, já que ele é capaz de considerar todos os três tipos de escolha de vida com clareza. No livro X, Sócrates finalmente descreve as recompensas da justiça. Ele indica que a justiça e a injustiça não escapam ao aviso dos deuses, que os deuses amam os justos e odeiam os injustos, e que as coisas boas vêm para aqueles de quem os deuses gostam. Sócrates lista várias recompensas dos justos e os castigos dos injustos nesta vida. A República – Introdução A passagem em que Sócrates apresenta a famosa alegoria da caverna: Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas. A alegoria da caverna E assim se segue. A alegoria da caverna Um dos textos mais consagrados da história da filosofia é a alegoria da caverna, escrito por Platão. Sobre esse texto, pode-se afirmar que: a) O texto exalta a importância dos sofistas para o conhecimento filosófico. b) Trata-se de um texto que apresenta dimensões pedagógicas, filosóficas e políticas. c) Narra o aprisionamento de um filósofo, que perde a liberdade de que desfrutava e passa a viver solitário em uma caverna. d) O texto pressupõe a identificação do conhecimento filosófico com o senso comum. e) O texto narra uma vivência religiosa. Interatividade Um dos textos mais consagrados da história da filosofia é a alegoria da caverna, escrito por Platão. Sobre esse texto, pode-se afirmar que: a) O texto exalta a importância dos sofistas para o conhecimento filosófico. b) Trata-se de um texto que apresenta dimensões pedagógicas, filosóficas e políticas. c) Narra o aprisionamento de um filósofo, que perde a liberdade de que desfrutava e passa a viver solitário em uma caverna. d) O texto pressupõe a identificação do conhecimento filosófico com o senso comum. e) O texto narra uma vivência religiosa. Resposta Relacionamos aqui alguns dos conceitos que Platão, por meio das falas de Sócrates, desenvolveu em A República. Função: Platão utiliza o termo função com um significado que diz respeito ao sentido de operação. Para ele, a função dos olhos é ver, a função dos ouvidos é ouvir e cada virtude é uma função de uma parte da alma. Já a função da alma é comandar e dirigir o ser humano (Rep., I, 352). Ética: existem duas concepções fundamentais da ética e desde a filosofia grega elas convivem, apesar de significarem coisas bem diferentes. A primeira ideia considera a ética como uma ciência que deve orientar a conduta dos seres humanos e os meios para atingir determinado fim. A segunda acepção considera a ética como a ciência do estudo do comportamento humano e tenta entender como ele acontece, de forma a poder discipliná-lo. A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Virtude: é uma capacidade de excelência. Podemos entender isso como a capacidade ou a potência de uma forma geral, como a capacidade ou potência do ser humano, ou a sua capacidade ou potência moral. Cardeais (Virtudes): são elas a prudência, a justiça, a temperança e a fortaleza. Tarefa: “aquilo que só ela sabe fazer, ou pelo menos que faz melhor que qualquer outra coisa” (Rep., I, 353a). Arquétipos: modelos das coisas sensíveis e, mais frequentemente, dos pensamentos existentes na mente de Deus, como modelos das coisas criadas. Justiça: considerada como um instrumento. Para ele, a injustiça dá origem a ódios e lutas entre os homens, enquanto a justiça produz acordo e amizade. A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Direito Natural: seria a perfeita racionalidade da norma e sua adequação à sua finalidade para garantir a possibilidade da convivência. As propostas do Direito Positivo são realizações imperfeitas ou aproximativas da normatividade perfeita. Necessidade: Platão reconheceu a necessidade como a falta e a busca do que falta. Essa é, por exemplo, a importância que ele atribuiu ao amor (Banq., 204-205). Tipo: Platão utiliza essa palavra com vários significados correlatos: como modelo, forma, esquema ou conjunto interligado de características que pode ser repetido por um número indefinido de exemplares. A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Arte: é o raciocínio, é a dialética, contudo, também é a poesia, embora lhe seja indispensável a inspiração delirante. Classe: Platão considerava as classes como três partes da sua cidade ideal: a dos governantes ou filósofos, a dos guerreiros e a dos agricultores e artífices. Sabedoria: para Platão, sabedoria era a conduta racional da vida humana. Coragem: é uma das quatro virtudes enumeradas por Platão, chamadas depois de virtudes cardeais. Para Platão, a coragem é a opinião reta em acordo com a lei, sobre o que se deve e o que não se deve temer. A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Temperança: Platão definiu a temperança como a amizade e a concordância das partes da alma. Quando a parte que comanda e as que obedecem concordam na opinião de que cabe ao princípio racional governar e assim não se lhe opõem, para Platão, isso é temperança.Isso vale tanto para o indivíduo quanto para o Estado. Opinião: Platão considerava a opinião como uma posição intermediária entre o conhecimento e a ignorância, que nascia sobretudo a partir do conhecimento sensível. Para ele, a opinião verdadeira ficaria imóvel na alma, até se ligar a um raciocínio causal e virar ciência. Também acreditava que a opinião seria uma conversa que a alma tem consigo mesma, na forma de pensamento (Teet., 190a-c; ABBAGNANO, 2007, p. 729). A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Filosofia: a filosofia se opõe à tradição, ao preconceito, ao mito e à opinião. Essa também é a diferença entre o amor à opinião e o amor à sabedoria, do qual Platão concebe o conceito de filosofia. Platão ainda contrapõe o espírito científico dos gregos ao amor ao lucro, típico dos egípcios e dos fenícios (Rep., IV, 435e). Insiste que a busca do saber não pode ficar subordinada a outros interesses que não ao próprio conhecimento. O primeiro grande exemplo de filosofia que teve o propósito de mudar as mentalidades foi a de Platão, que queria impor a justiça como base da vida social. A filosofia platônica é dominada por esse compromisso educativo e político. Para Platão, a tarefa da filosofia era dar a todos a possibilidade de viver segundo a justiça (Rep., VII, 519e). A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Filodoxia: essa palavra foi usada por Platão para indicar os “amantes da opinião”, em oposição aos “amantes da ciência”, que são os filósofos. Os amantes da opinião são aqueles que gostam de ouvir belas vozes, olhar belas cores, mas não consideram o belo como um ser em si (Rep., V, 480a; ABBAGNANO, 2007, p. 441). Matema: em si é o objeto de aprendizagem. Platão afirma que a ideia do bem é o maior matema (Rep., VI, 505a; ABBAGNANO, 2007, p. 642). Bem: o bem original é o bem moral. O bem é objeto da ética. Para Platão, o bem é o que confere a verdade aos objetos cognoscíveis. Também confere ao homem o poder de conhecer. O bem é fonte de todo ser, no homem e fora do homem (Rep., VI, 508e, 509b). A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Dialética: a palavra deriva de diálogo. Ele estabelecia a dialética como uma divisão. Tratava- se da técnica da investigação conjunta, feita por meio da colaboração de duas ou mais pessoas, seguindo o procedimento socrático de perguntar e responder. Ela acontece organizada em duas partes. Número: o número para Platão é um elemento constitutivo da realidade, por ser acessível à razão, mas não aos sentidos. Era a mesma tese dos seguidores de Pitágoras, que, como relata Aristóteles, acreditavam que “as coisas são número”, ou seja, “compostas de números como seus elementos” (Met., XIV, 3, 1090a21). A República – Conceitos desenvolvidos por Platão Formas de governo: existem três distinções básicas entre as formas de governo: o governo de um só, o governo de poucos e o governo de todos. Em A República, Platão construiu uma cidade ideal, um Estado idealizado, em que uma aristocracia de filósofos governaria. Ideia: a única coisa que podemos intuir de uma multiplicidade de objetos. Metéxis: essa palavra foi usada por Platão para indicar um dos modos possíveis de relação entre as coisas sensíveis e as ideias. Os outros modos são a mimese ou imitação e a presença da ideia nas coisas. A República – Conceitos desenvolvidos por Platão É o ensino preparatório do ser humano. Isso foi o que Platão determinou, que para dominar a dialética era necessário primeiro estudar aritmética, geometria, astronomia e música (Rep., VII, 536d). Esse termo ainda é usado quando nos referimos à parte introdutória de uma ciência ou a um curso que sirva de preparação para outro estudo. (ABBAGNANO, 2007, p. 800) a) Sinopse. b) Hipótese c) Dialética. d) Matema. e) Propedêutica. Interatividade É o ensino preparatório do ser humano. Isso foi o que Platão determinou, que para dominar a dialética era necessário primeiro estudar aritmética, geometria, astronomia e música (Rep., VII, 536d). Esse termo ainda é usado quando nos referimos à parte introdutória de uma ciência ou a um curso que sirva de preparação para outro estudo. (ABBAGNANO, 2007, p. 800) a) Sinopse. b) Hipótese c) Dialética. d) Matema. e) Propedêutica. Resposta ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. BULCÃO, R. Filosofia Antiga. São Paulo: Editora Sol, 2023, p. 172. PLATÃO. A República. São Paulo: Edipro, 2019. PLATÃO. Diálogos: O Banquete – Fédon – Sofista – Político. 5. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. PLATÃO. Timeu – Crítias. Coimbra: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, 2011. Referências ATÉ A PRÓXIMA!