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Prof. Me. Cidclei Guimarães
UNIDADE I
Filosofia Antiga
 Quando Sócrates morreu, Platão resolveu viajar. Há uma discussão sobre sua rota quando 
saiu de Atenas.
Egito
 Sul da Itália, especialmente a Sicília  contato com os seguidores de Pitágoras e com eles 
aprendeu como ver o mundo por meio da matemática, também conheceu Crátilo, um 
seguidor de Heráclito, e foi influenciado por sua doutrina de que o mundo está em constante 
fluxo.
 Na Sicília permaneceu em Siracusa, onde se tornou tutor de 
Dion, que era cunhado do tirano Dionísio I, mas há quem 
afirme que Dionísio I teria se zangado com Platão e vendido o 
filósofo como escravo (D.L., III, 19-21).
O percurso de Platão
 Em todo caso, Platão retornou a Atenas e então fundou uma escola denominada de 
Academia. Esse nome veio da sua localização, que ficava num bosque de árvores 
consagrado em memória do atleta Academus ou Hecademus (D.L., III, 7).
 A segunda viagem de Platão aconteceu depois que Dionísio morreu. Seu filho, Dionísio II, se 
tornou rei, e Dion, o discípulo de Platão, era tio e ao mesmo tempo cunhado do jovem tirano. 
Dion convenceu Dionísio II a convidar Platão para ajudar o rei a se tornar um rei-filósofo do 
tipo descrito em A República. 
 Essa empreitada não deu muito certo e Platão acabou na prisão em Siracusa.
 Platão, provavelmente cansado da política, voltou para a Academia. Lá viveu os treze últimos 
anos de vida. Segundo Diógenes, enterraram Platão na Academia (D.L., III, 41). Contudo até 
hoje seu túmulo não foi descoberto pelas pesquisas arqueológicas.
 Aristóteles e Diógenes Laércio concordam que Platão em sua juventude estudou a 
filosofia de Heráclito de Éfeso, com seus seguidores (Met., 987a32; D.L., III, 4-5). Essa 
influência pode ser percebida na concepção de Platão de que o mundo sensível está 
em eterna mudança.
 Diógenes relatou que Platão teria construído sua filosofia dos argumentos de Heráclito, dos 
pitagóricos e de Sócrates. O mundo sensível seria uma ideia de Heráclito, as coisas 
inteligíveis vêm de Pitágoras e sua percepção política é a de Sócrates (D.L., III, 8).
Os pensadores que influenciaram Platão
 Sabemos também que Platão teve forte influência de Parmênides e Zenão (ambos de Eleia). 
Na teoria das ideias (formas), percebemos que suas conclusões concordam com o 
pensamento de Parmênides de unidade metafísica e estabilidade da realidade cognitiva.
 Diógenes (D.L., III, 6) afirma ainda que Platão conheceu os pitagóricos, como Teodoro 
e Equécrates.
 Mas ninguém influenciou mais Platão do que Sócrates. Isso fica claro pela escolha de 
Sócrates como personagem principal na maioria de suas obras. De acordo com a Sétima 
Carta, Platão considerava Sócrates “o homem mais justo que jamais viveu” (Ep., VII, 324e).
Os pensadores que influenciaram Platão
Os primeiros escritos começaram depois da morte de Sócrates e foram feitos antes que Platão 
iniciasse sua ida à Sicília, em 387 a.C. São eles:
 Apologia, Cármides, Críton, Eutidemo, Eutífron, Górgias, Hípias Maior, Hípias Menor, 
Íon, Laques, Lísis, Protágoras, A República (livro I).
Há um período de transição (387-380 a.C.):
 Crátilo, Menexeno, Mênon.
Depois, um período intermediário (380-360 a.C.):
 Fédon, A República (livros II-X), O Banquete.
Os escritos de Platão
Há um segundo período de transição (360-355 a.C.):
 Parmênides, Teeteto, Fedro.
E suas últimas obras (355-347 a.C.) são:
 Sofista, Político, Filebo, Timeu, Crítias, Leis.
Os escritos de Platão
 Em muitos dos seus diálogos, Platão menciona entidades que não podem ser alcançadas 
pelos sentidos, às quais ele chama de formas ou ideias. Uma entidade suprassensível é algo 
que só existe no pensamento, para além dos sentidos. No diálogo Fédon, aprendemos que 
as coisas iguais e sensíveis particulares, como pedras iguais, só são iguais porque 
participam ou compartilham o caráter da forma da igualdade, que é absolutamente, 
imutavelmente, perfeitamente e essencialmente igual (Féd., 74a-75d).
A teoria das formas ou das ideias
 Platão às vezes caracteriza essa participação das formas como um tipo de imagem ou 
aproximação da ideia.
 Quando Platão escreve sobre as instâncias das formas se aproximando das ideias, é fácil 
entender que, para ele, as formas são exemplares. Platão acreditava que a forma da beleza 
(ou ideia da beleza) é a beleza perfeita, a forma da justiça (ou ideia da justiça) representa a 
justiça perfeita e assim por diante.
 Conceber as formas dessa maneira foi importante porque 
permitiu que o filósofo compreendesse até que ponto as 
instâncias sensíveis das formas, como ser redondo, ser 
pesado etc., são bons exemplos das ideias das quais elas 
se aproximam.
A teoria das formas ou das ideias
 No Banquete, que geralmente é considerado como do início do período intermediário, e em 
Fedro, datado no final do período médio ou mesmo posterior a ele, Platão apresenta sua 
teoria do Eros, geralmente traduzido como “amor”. 
 Até hoje na cultura ocidental encontramos passagens e imagens desses diálogos, por 
exemplo, a imagem de que dois amantes são cada um a outra metade da pessoa amada, 
que Platão no Banquete atribui a Aristófanes. 
 Também nesse diálogo encontramos a “escada do amor”, pela 
qual o amante pode ascender ao contato cognitivo direto com 
a própria beleza. O amor é revelado em Fedro como a grande 
loucura divina, em que as asas da alma dos amantes podem 
brotar, permitindo que alcancem as mais altas aspirações e 
conquistas para a humanidade.
O amor platônico
Diógenes, que foi biógrafo dos antigos filósofos gregos, escreveu Vidas e Doutrinas dos 
Filósofos Ilustres [s.d.], obra que sobreviveu aos séculos, afirma que Platão teria construído 
sua filosofia dos argumentos de:
a) Aristóteles, Pitágoras e Parmênides.
b) Anaxágoras, Tales e Pitágoras.
c) Sócrates, Aristóteles e Górgias
d) Heráclito, Pitágoras e Sócrates.
e) Zenão, Heráclito e Demócrito.
Interatividade
Diógenes, que foi biógrafo dos antigos filósofos gregos, escreveu Vidas e Doutrinas dos 
Filósofos Ilustres [s.d.], obra que sobreviveu aos séculos, afirma que Platão teria construído 
sua filosofia dos argumentos de:
a) Aristóteles, Pitágoras e Parmênides.
b) Anaxágoras, Tales e Pitágoras.
c) Sócrates, Aristóteles e Górgias
d) Heráclito, Pitágoras e Sócrates.
e) Zenão, Heráclito e Demócrito.
Resposta
 A primeira obra de Platão é a Apologia de Sócrates. Esse livro reproduz a defesa que 
Sócrates fez durante o seu julgamento em Atenas, presenciado por Platão.
 Os poderosos de Atenas acusaram Sócrates de negar a existência dos deuses e assim 
corromper os jovens.
 É nesse diálogo que Sócrates conta que seu amigo de infância e discípulo Xenofonte fez 
uma consulta ao oráculo de Delfos, cujas sacerdotisas eram chamadas de pitonisas. Sua 
pergunta foi se existia alguém mais sábio do que Sócrates. A resposta foi não.
Apologia de Sócrates
 A resposta deixou Sócrates curioso, pois ele mesmo não se considerava a pessoa mais 
sábia de todas. Sócrates visitou várias pessoas que ele considerava sábias, para tentar 
demonstrar que elas eram mais sábias do que ele. 
 Finalmente concluiu que todos aqueles que considerava sábios não o eram.
Apologia de Sócrates
 Para Sócrates, a virtude era o conhecimento, mas o conhecimento era inatingível. Com isso, 
ele formulou a famosa frase: “Sei que nada sei”. Sócrates promovia debates para provocar 
seus interlocutores com perguntas. 
 Seu objetivo era fazer com que as pessoas refletissem. Ele acreditava que, com essa forma 
de questionamento, as pessoas pensariam melhor sobre suas respostas e trariam à tona o 
verdadeiro conhecimento. 
Apologia de Sócrates
 Na Apologia, Platão elege os acusadores de Sócrates como representantes de 
diversas profissões. 
 Meleto era poeta, Anito era artesão e Lícon era um orador sofista. 
 Sócrates resolveu debater com todos eles durante o julgamento, para se defender. Ele se recusa a lançar mão de uma estratégia comum na 
época, que era levar a família para pedir clemência aos juízes, 
apelando para seus sentimentos.
Apologia de Sócrates
 Sócrates é considerado culpado da acusação e condenado a beber veneno. Velho, sábio e 
cansado, Sócrates aceita sua condenação. Mesmo que para se livrar da condenação fosse 
necessário apenas um pedido público de desculpas, ele afirma que a morte é libertadora, 
pois vai ficar livre de seus inimigos e de todo mal.
 Sugere também que, se por acaso a morte for a passagem para outra vida, ele poderia ir se 
encontrar com as pessoas de quem gostava e que já tinham morrido.
Apologia de Sócrates
 Na Apologia, Platão discute o conhecimento. 
A primeira coisa que falaremos a respeito é 
que existem graus diferentes daquilo que 
podemos conhecer. O conhecimento, nesse 
sentido, é uma escala de percepções que 
fazemos sobre alguma coisa. Essa coisa, 
por motivo de simplificação, é tratada pela 
mente como um objeto.
Os conceitos legados pela Apologia
 Então, se falamos de conhecer o clima, 
por exemplo, muito antes de pensarmos 
na temperatura ou na umidade, sentimos 
o clima. Mas, para entendermos do que 
estamos falando, tratamos essas 
sensações como as percepções que 
temos do clima, da mesma maneira como 
as sensações que temos sobre um objeto 
que existe. Desde então, o que acontece 
é que acreditamos que a ideia de clima, 
que é uma abstração, existe. Logo, se 
aquilo existe, é um objeto.
 A operação cognitiva estabelece a identidade ou a semelhança com os elementos do objeto.
 Em seguida, conseguimos dar uma ordem aos elementos que constituem o próprio objeto. 
Então podemos dizer que primeiro apreendemos uma imagem daquilo que tentamos 
conhecer, para depois descrever o que aquela coisa é, conforme o grau de entendimento 
que temos dela. 
Os conceitos legados pela Apologia
 Se falamos do Sol, primeiro pensamos numa coisa redonda que brilha no céu, com cor 
amarela, que é como o Sol aparece nos desenhos infantis. Gradativamente vamos 
percebendo qualidades, como a luz e o calor.
 E construímos um novo grau de conhecimento sobre o Sol. Finalmente pensamos se tratar 
de uma estrela e nosso grau de conhecimento acaba se expandindo, medindo seu tamanho, 
sua temperatura e todos os muitos detalhes que fazem conhecermos cada vez melhor os 
elementos que o formam.
Os conceitos legados pela Apologia
 Platão organizou uma ordem para os graus do conhecimento. 
 Primeiro fazemos uma suposição ou uma conjectura sobre alguma coisa, que são como 
imagens ou sombras que criamos a partir dos nossos cinco sentidos: a água é líquida, é 
molhada, é fluida, é transparente, é insípida, é inodora, faz barulho quando cai etc.
Os conceitos legados pela Apologia
 Para Platão, o encontro do semelhante com o semelhante, a homogeneidade, é o conceito 
que Platão utiliza para explicar os processos cognitivos (Tim., 45c, 90c-d): conhecer significa 
tornar o pensante semelhante ao pensado.
 Na Apologia e em A República, Platão ensina que só podemos conhecer um objeto quando 
somos capazes de entendê-lo cognitivamente.
 É assim que Platão estabeleceu a correspondência entre 
o ser e a ciência, que no seu entendimento é o conhecimento 
verdadeiro. Dessa forma, ele ainda elaborou a linha entre o 
não ser e a ignorância, entre o devir, que está entre o ser e 
o não ser, e a opinião, e finalmente entre o conhecimento 
e a ignorância.
Os conceitos legados pela Apologia
 Depois passamos à opinião, acreditada, mas não verificada. Então dizemos que a água 
daquele rio é perigosa, ou que a água escura é mais perigosa do que a água transparente. 
São opiniões diretamente nascidas da experiência dos sentidos. 
 A partir daí, conseguimos estabelecer uma razão científica, que é construída a partir de 
hipóteses, mas que temos de verificar a partir dos números e da matemática – por exemplo, 
se um litro de água pesa um quilo. Finalmente temos a reflexão filosófica, que a partir da 
investigação dialética estabelece conceitos que podem ser entendidos pelo ser humano – por 
exemplo, se a água tem peso, tem densidade (Rep., VI, 509-510).
Os conceitos legados pela Apologia
 O conhecimento de si é o saber objetivo, isto é, não imediato nem privilegiado, que o ser 
humano pode adquirir de si mesmo. 
 Esse termo significa algo diferente de autoconsciência, que é a consciência absoluta de si 
mesmo. Também não é a consciência, que implica uma relação imediata e privilegiada da 
pessoa consigo mesma. O conhecimento de si mesmo é como Platão interpreta o lema 
socrático “Conhece-te a si mesmo” (ABBAGNANO, 2007, p. 183).
Os conceitos legados pela Apologia
Na Apologia, Platão discute:
a) O significado da morte.
b) O significado da vida.
c) O conhecimento.
d) A existência dos deuses.
e) As injustiças sociais.
Interatividade
Na Apologia, Platão discute:
a) O significado da morte.
b) O significado da vida.
c) O conhecimento.
d) A existência dos deuses.
e) As injustiças sociais.
Resposta
 A República é o livro mais conhecido de Platão. Nessa obra, composta de vários tomos 
chamados livros, ele examina as formas da política e de tudo mais que gira em torno do 
conhecimento humano: seus sentidos, sua razão e os nexos que estabelecemos entre as 
formas ou as ideias e o mundo real.
A República – Introdução
 No livro I, Sócrates e Glauco vão ao porto de Pireu para participar de uma celebração 
religiosa. Lá são obrigados por Polemarco a ir à sua casa para conversar. Uma vez na casa, 
Sócrates conversa com Céfalo sobre a velhice, os benefícios de ser rico e a justiça.
 A próxima discussão é entre Sócrates e Trasímaco. Trasímaco define a justiça como a 
vantagem ou o que beneficia o mais forte. Trasímaco ressalta ainda que os mais fortes são 
realmente apenas aqueles que não cometem erros sobre o que lhes é vantajoso.
 Sócrates expõe três argumentos que promovem a vida justa 
como melhor do que a vida injusta: o homem justo é sábio e 
bom, e o homem injusto é ignorante e ruim. A injustiça produz 
desarmonia interna, o que impede as ações efetivas, e a 
virtude é a excelência na função de uma coisa. A pessoa justa 
vive uma vida mais feliz do que a pessoa injusta, já que 
desempenha bem as várias funções da alma humana.
A República – Introdução
 No livro II, Sócrates defende a justiça em si, e não pela reputação que ela pode conferir. 
Ele propõe entender o que é a justiça na cidade, para depois fazer uma analogia a fim de 
encontrar o que é justiça para o indivíduo. Insiste que essa abordagem permite um 
julgamento mais claro sobre a questão de saber se a pessoa justa é mais feliz do que a 
pessoa injusta. 
 Sócrates começa discutindo as origens da vida política e esboça a proposta de uma cidade 
justa, que poderia satisfazer as necessidades humanas básicas.
A República – Introdução
 No livro III, Sócrates descreve então como os governantes da cidade justa devem ser 
selecionados da classe dos guardiões.
 Os governantes seriam os mais velhos, fortes, sábios e totalmente dispostos a não fazer 
nada em causa própria, só aquilo que é bom para a cidade. Sócrates sugere que eles 
precisariam contar aos cidadãos um mito, que seria passado de geração em geração, para 
que todos aceitassem sua posição na cidade.
 Propõe o mito dos metais, que narra que todo ser humano 
teria um metal precioso como parte do seu ser. Aqueles que 
são naturalmente adequados para serem governantes seriam 
compostos de ouro; aqueles que se adéquam a ser guardiões 
seriam compostos de prata; e os demais, talhados para a 
agricultura e outros ofícios, seriam de bronze.
A República – Introdução
 No livro IV, Sócrates faz uma analogia entre a cidade e o indivíduo. Para encontrar as quatro 
virtudes correspondentes no indivíduo, ele distingue as três partes análogas na alma com 
suas funções naturais. 
 Ao usar instâncias de conflito psicológico,ele distingue o funcionamento da parte racional da 
alma, da parte apetitiva, ou seja, da que cuida dos desejos, e da parte espiritual. A função da 
parte racional da alma é o pensamento; a da parte espiritual, a experiência das emoções; e a 
da parte apetitiva, a busca dos desejos corporais. 
 Sócrates explica que as virtudes da alma do indivíduo 
correspondem às virtudes da cidade, quando cada uma das 
três partes da alma executa sua função corretamente. A justiça 
é um equilíbrio natural das partes da alma, enquanto a 
injustiça é um desequilíbrio delas.
A República – Introdução
 No livro V, Sócrates afirma que a cidade justa não poderá surgir até que os filósofos 
governem como reis, ou que os reis se tornem filósofos. Contudo, insiste que essa é a única 
via possível para alcançar a felicidade completa na vida pública e privada.
 No livro VI, Sócrates constrói uma analogia para explicar melhor a forma do bem, utilizando 
uma linha. Ele pega uma linha e pede que imaginemos que ela é cortada em dois segmentos 
desiguais. Ele faz a correspondência de que a cada segmento existe uma capacidade na 
alma humana: a imaginação, a crença, o pensamento e a compreensão.
A República – Introdução
 No livro VII, Sócrates continua sua discussão sobre as qualidades dos filósofos e as formas 
com uma terceira analogia, a analogia da caverna. Ela representa a educação do filósofo, do 
início de sua ignorância ao conhecimento das formas e das ideias. A verdadeira educação é 
a saída da alma das sombras e dos objetos visíveis para alcançar o verdadeiro entendimento 
das ideias.
 No livro VIII, discute-se sobre a tirania (ou ditadura) que surge da democracia, quando o 
desejo de liberdade para fazer o que se quer torna-se excessivo. Sócrates indica que o tirano 
enfrenta o dilema de viver com pessoas sem valor ou com pessoas boas que podem 
eventualmente derrubá-lo e acaba optando por conviver com pessoas sem valor.
A República – Introdução
 No livro IX, uma segunda prova de que o justo é mais feliz do que o injusto aparece quando 
Sócrates distingue três tipos de pessoa: uma que persegue a sabedoria, outra que persegue 
a honra e uma terceira que busca o lucro. Ele argumenta que devemos confiar no julgamento 
do amante da sabedoria, já que ele é capaz de considerar todos os três tipos de escolha de 
vida com clareza.
 No livro X, Sócrates finalmente descreve as recompensas da justiça. Ele indica que a justiça 
e a injustiça não escapam ao aviso dos deuses, que os deuses amam os justos e odeiam os 
injustos, e que as coisas boas vêm para aqueles de quem os deuses gostam. Sócrates lista 
várias recompensas dos justos e os castigos dos injustos nesta vida.
A República – Introdução
A passagem em que Sócrates apresenta a famosa alegoria da caverna:
 Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente 
à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de 
caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas 
e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está 
diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma 
fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros 
passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um 
pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de 
si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.
A alegoria da caverna
 E assim se segue.
A alegoria da caverna
Um dos textos mais consagrados da história da filosofia é a alegoria da caverna, escrito por 
Platão. Sobre esse texto, pode-se afirmar que:
a) O texto exalta a importância dos sofistas para o conhecimento filosófico.
b) Trata-se de um texto que apresenta dimensões pedagógicas, filosóficas e políticas.
c) Narra o aprisionamento de um filósofo, que perde a liberdade de que desfrutava e passa a 
viver solitário em uma caverna.
d) O texto pressupõe a identificação do conhecimento filosófico com o senso comum.
e) O texto narra uma vivência religiosa.
Interatividade
Um dos textos mais consagrados da história da filosofia é a alegoria da caverna, escrito por 
Platão. Sobre esse texto, pode-se afirmar que:
a) O texto exalta a importância dos sofistas para o conhecimento filosófico.
b) Trata-se de um texto que apresenta dimensões pedagógicas, filosóficas e políticas.
c) Narra o aprisionamento de um filósofo, que perde a liberdade de que desfrutava e passa a 
viver solitário em uma caverna.
d) O texto pressupõe a identificação do conhecimento filosófico com o senso comum.
e) O texto narra uma vivência religiosa.
Resposta
 Relacionamos aqui alguns dos conceitos que Platão, por meio das falas de Sócrates, 
desenvolveu em A República.
 Função: Platão utiliza o termo função com um significado que diz respeito ao sentido de 
operação. Para ele, a função dos olhos é ver, a função dos ouvidos é ouvir e cada virtude é 
uma função de uma parte da alma. Já a função da alma é comandar e dirigir o ser humano 
(Rep., I, 352).
 Ética: existem duas concepções fundamentais da ética e 
desde a filosofia grega elas convivem, apesar de significarem 
coisas bem diferentes. A primeira ideia considera a ética como 
uma ciência que deve orientar a conduta dos seres humanos e 
os meios para atingir determinado fim. A segunda acepção 
considera a ética como a ciência do estudo do comportamento 
humano e tenta entender como ele acontece, de forma a 
poder discipliná-lo.
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Virtude: é uma capacidade de excelência. Podemos entender isso como a capacidade ou a 
potência de uma forma geral, como a capacidade ou potência do ser humano, ou a sua 
capacidade ou potência moral.
 Cardeais (Virtudes): são elas a prudência, a justiça, a temperança e a fortaleza.
 Tarefa: “aquilo que só ela sabe fazer, ou pelo menos que faz melhor que qualquer outra 
coisa” (Rep., I, 353a).
 Arquétipos: modelos das coisas sensíveis e, mais 
frequentemente, dos pensamentos existentes na mente de 
Deus, como modelos das coisas criadas.
 Justiça: considerada como um instrumento. Para ele, a 
injustiça dá origem a ódios e lutas entre os homens, enquanto 
a justiça produz acordo e amizade.
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Direito Natural: seria a perfeita racionalidade da norma e sua adequação à sua finalidade 
para garantir a possibilidade da convivência. As propostas do Direito Positivo são realizações 
imperfeitas ou aproximativas da normatividade perfeita.
 Necessidade: Platão reconheceu a necessidade como a falta e a busca do que falta. Essa é, 
por exemplo, a importância que ele atribuiu ao amor (Banq., 204-205).
 Tipo: Platão utiliza essa palavra com vários significados correlatos: como modelo, forma, 
esquema ou conjunto interligado de características que pode ser repetido por um número 
indefinido de exemplares.
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Arte: é o raciocínio, é a dialética, contudo, também é a poesia, embora lhe seja indispensável 
a inspiração delirante.
 Classe: Platão considerava as classes como três partes da sua cidade ideal: a dos 
governantes ou filósofos, a dos guerreiros e a dos agricultores e artífices.
 Sabedoria: para Platão, sabedoria era a conduta racional da vida humana.
 Coragem: é uma das quatro virtudes enumeradas por Platão, 
chamadas depois de virtudes cardeais. Para Platão, a 
coragem é a opinião reta em acordo com a lei, sobre o que se 
deve e o que não se deve temer.
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Temperança: Platão definiu a temperança como a amizade e a concordância das partes da 
alma. Quando a parte que comanda e as que obedecem concordam na opinião de que cabe 
ao princípio racional governar e assim não se lhe opõem, para Platão, isso é temperança.Isso vale tanto para o indivíduo quanto para o Estado.
 Opinião: Platão considerava a opinião como uma posição intermediária entre o conhecimento 
e a ignorância, que nascia sobretudo a partir do conhecimento sensível. Para ele, a opinião 
verdadeira ficaria imóvel na alma, até se ligar a um raciocínio causal e virar ciência. Também 
acreditava que a opinião seria uma conversa que a alma tem consigo mesma, na forma de 
pensamento (Teet., 190a-c; ABBAGNANO, 2007, p. 729).
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Filosofia: a filosofia se opõe à tradição, ao preconceito, ao mito e à opinião. Essa também é a 
diferença entre o amor à opinião e o amor à sabedoria, do qual Platão concebe o conceito de 
filosofia. Platão ainda contrapõe o espírito científico dos gregos ao amor ao lucro, típico dos 
egípcios e dos fenícios (Rep., IV, 435e). Insiste que a busca do saber não pode ficar 
subordinada a outros interesses que não ao próprio conhecimento.
 O primeiro grande exemplo de filosofia que teve o propósito de mudar as mentalidades foi a 
de Platão, que queria impor a justiça como base da vida social. A filosofia platônica é 
dominada por esse compromisso educativo e político. Para Platão, a tarefa da filosofia era 
dar a todos a possibilidade de viver segundo a justiça (Rep., VII, 519e).
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Filodoxia: essa palavra foi usada por Platão para indicar os “amantes da opinião”, em 
oposição aos “amantes da ciência”, que são os filósofos. Os amantes da opinião são aqueles 
que gostam de ouvir belas vozes, olhar belas cores, mas não consideram o belo como um 
ser em si (Rep., V, 480a; ABBAGNANO, 2007, p. 441).
 Matema: em si é o objeto de aprendizagem. Platão afirma que a ideia do bem é o maior 
matema (Rep., VI, 505a; ABBAGNANO, 2007, p. 642).
 Bem: o bem original é o bem moral. O bem é objeto da ética. 
Para Platão, o bem é o que confere a verdade aos objetos 
cognoscíveis. Também confere ao homem o poder de 
conhecer. O bem é fonte de todo ser, no homem e fora do 
homem (Rep., VI, 508e, 509b).
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Dialética: a palavra deriva de diálogo. Ele estabelecia a dialética como uma divisão. Tratava-
se da técnica da investigação conjunta, feita por meio da colaboração de duas ou mais 
pessoas, seguindo o procedimento socrático de perguntar e responder. Ela acontece 
organizada em duas partes.
 Número: o número para Platão é um elemento constitutivo da realidade, por ser acessível à 
razão, mas não aos sentidos. Era a mesma tese dos seguidores de Pitágoras, que, como 
relata Aristóteles, acreditavam que “as coisas são número”, ou seja, “compostas de números 
como seus elementos” (Met., XIV, 3, 1090a21).
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
 Formas de governo: existem três distinções básicas entre as formas de governo: o governo 
de um só, o governo de poucos e o governo de todos. Em A República, Platão construiu uma 
cidade ideal, um Estado idealizado, em que uma aristocracia de filósofos governaria.
 Ideia: a única coisa que podemos intuir de uma multiplicidade de objetos. 
 Metéxis: essa palavra foi usada por Platão para indicar um dos modos possíveis de relação 
entre as coisas sensíveis e as ideias. Os outros modos são a mimese ou imitação e a 
presença da ideia nas coisas. 
A República – Conceitos desenvolvidos por Platão
É o ensino preparatório do ser humano. Isso foi o que Platão determinou, que para dominar 
a dialética era necessário primeiro estudar aritmética, geometria, astronomia e música 
(Rep., VII, 536d). Esse termo ainda é usado quando nos referimos à parte introdutória de uma 
ciência ou a um curso que sirva de preparação para outro estudo. 
(ABBAGNANO, 2007, p. 800)
a) Sinopse.
b) Hipótese
c) Dialética.
d) Matema.
e) Propedêutica.
Interatividade
É o ensino preparatório do ser humano. Isso foi o que Platão determinou, que para dominar 
a dialética era necessário primeiro estudar aritmética, geometria, astronomia e música 
(Rep., VII, 536d). Esse termo ainda é usado quando nos referimos à parte introdutória de uma 
ciência ou a um curso que sirva de preparação para outro estudo. 
(ABBAGNANO, 2007, p. 800)
a) Sinopse.
b) Hipótese
c) Dialética.
d) Matema.
e) Propedêutica.
Resposta
 ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
 BULCÃO, R. Filosofia Antiga. São Paulo: Editora Sol, 2023, p. 172.
 PLATÃO. A República. São Paulo: Edipro, 2019.
 PLATÃO. Diálogos: O Banquete – Fédon – Sofista – Político. 5. ed. São Paulo: Nova 
Cultural, 1991.
 PLATÃO. Timeu – Crítias. Coimbra: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, 2011.
Referências
ATÉ A PRÓXIMA!

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