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Movimento uniformemente variado (MUV) 89 Para fazer uma conversão entre duas unidades, devemos inicialmente obter uma relação entre elas, antes de elevar o tempo ao quadrado. Como exemplo, vamos con- verter km/h2 em m/s2: • 1 km = 103 m • 1 h = 3 600 s = 3,6 · 103 s • 1 km h2 = 103 m (3,6)2 · (103)2 s2 = 1 3,62 · 103 m s2 um segundo modo é o do cancelamento em cascata, em que multiplicamos sequen- cialmente os fatores, cancelando as unidades a serem substituídas: • 1 km h2 = 1 km 1 h2 103 m 1 km 1 h2 (3,6 · 103)2 s2 = 103 m (3,6)2 · (103)2 s2 = 1 3,62 · 103 m s2 3. aceleração escalar instantânea A acelera•‹o escalar instant‰nea é a aceleração do móvel num dado instante. No entanto, para a sua defi nição rigorosa, precisamos novamente recorrer ao cálculo de Newton, usando o limite. seja T um dado instante para o qual se deseja calcular a aceleração escalar instantâ- nea. Como sabemos calcular apenas a aceleração escalar num dado intervalo de tempo, façamos o seguinte: • [t 1 ; t 2 ] será um intervalo de tempo tal que t 1 ⩽ t ⩽ t 2 , ou seja, o instante T está contido no intervalo de tempo. seja também Δt = t 2 – t 1 . • v 1 e v 2 são as respectivas velocidades escalares nos instantes considerados. A variação de velocidade escalar é: Δv = v 2 – v 1 . Defi nimos aceleração escalar instantânea como o limite a que tende o valor do quo- ciente Δv Δt quando diminuímos sucessivas vezes o intervalo de tempo Δt, fazendo-o tender a zero. Escreve-se: α = Δt→0 lim α m ⇔ α = Δt→0 lim v 2 – v 1 t 2 – t 1 o conceito aqui empregado no uso do limite é bastante análogo àquele que usamos no capítulo 4, quando defi nimos a velocidade escalar instantânea. Apenas vamos acres- centar que a aceleração escalar instantânea também poderá ser obtida com a derivada da função v = f(t), como veremos no texto O c‡lculo diferencial e integral (capítulo 5 do CD). Exercícios de aplicação 1. Um ponto material possui um movimento variado e a sua velocidade escalar foi medida em alguns instantes, como nos mostra a tabela. t (s) v (m/s) 1,0 2,2 2,0 3,0 4,0 8,5 5,0 4,5 7,0 5,5 Determine a aceleração escalar média nos inter- valos de tempo: a) entre 1,0 s e 2,0 s; b) entre 2,0 s e 5,0 s; c) entre 4,0 s e 7,0 s. Resolu•‹o: A aceleração escalar média deve ser entendida apenas como a razão entre a variação da veloci- dade escalar (Δv) e o intervalo de tempo (Δt). PRoCuRE no Cd Veja, no capítulo 5 do CD, o texto O cálculo diferencial e integral. Capítulo 590 a) Para o intervalo de tempo [1,0 s; 2,0 s] α m = Δv Δt ⇒ α m = 3,0 – 2,2 2,0 – 1,0 = 0,8 1,0 ⇒ ⇒ α m = 0,8 m/s2 b) Para o intervalo de tempo [2,0 s; 5,0 s] α m = Δv Δt ⇒ α m = 4,5 – 3,0 5,0 – 2,0 = 1,5 3,0 ⇒ ⇒ α m = 0,5 m/s2 c) Para o intervalo de tempo [4,0 s; 7,0 s] α m = Δv Δt ⇒ α m = 5,5 – 8,5 7,0 – 4,0 = –3,0 3,0 ⇒ ⇒ α m = –1,0 m/s2 Cuidado! Resista à tentação de dividir o valor da velocidade instantânea pelo tempo. Isso não pode ser feito. Use sempre uma variação de velocidade (Δv) e divida-a pelo respectivo intervalo de tempo (Δt). Observamos pelos cálculos que a aceleração escalar média pode ser positiva ou negativa. Nos casos em que a velocidade escalar aumentou (Δv > 0), ela resultou positiva e, nos casos em que a velocidade escalar diminuiu (Δv < 0), ela resultou negativa. 2. Um carro numa estrada estava com uma velocida- de escalar de 72 km/h e necessitava ultrapassar um caminhão. Pisando no acelerador, o motorista alcançou, num intervalo de tempo de 2,5 s, a velocidade escalar de 90 km/h. Podemos afirmar que a aceleração escalar média nesse intervalo de tempo foi de: a) 0,5 m/s2 d) 7,2 m/s2 b) 1,5 m/s2 e) 7,2 km/h2 c) 2,0 m/s2 3. O manual de um carro afirma que o veículo pode ser acelerado de zero a 129,6 km/h em apenas 3,6 s. Determine a aceleração escalar média do veículo: a) em m/s2 b) em km/s2 c) em km/h2 4. A velocidade escalar de uma partícula era de 12 m/s e ela foi acelerada durante um intervalo de tempo de 4,0 s, tendo obtido uma aceleração escalar média de 1,5 m/s2. Sua velocidade escalar final foi de: a) 6,0 m/s d) 22 m/s b) 18 m/s e) 24 m/s c) 20 m/s Exercícios de Reforço 5. (PUC-RJ) Um objeto em movimento uniforme variado tem sua velocidade inicial v 0 = 0,0 m/s e sua velocidade final v f = 2,0 m/s, em um intervalo de tempo igual a 4,0 s. A aceleração do objeto, em m/s2, é: a) 1 4 d) 2 b) 1 2 e) 4 c) 1 6. (U. E. Londrina-PR) A velocidade escalar de um carro está representada em função do tempo na figura. v (m/s) 30,0 20,0 10,0 0 10,0 t (s) Podemos concluir que a aceleração escalar média entre t 1 = 0 e t 2 = 10,0 s é: a) nula d) 2,0 m/s2 b) 1,0 m/s2 e) 3,0 m/s2 c) 1,5 m/s2 Movimento uniformemente variado (MUV) 91 4. Movimento acelerado e movimento retardado Ao dirigirmos um carro, o velocímetro indica o módulo da velocida- de. Em nosso cotidiano, isso é muito prático; não interessa o sinal da velocidade escalar. Para aumentar a velocidade de um carro, basta pisar no acelerador. Dizemos que o estamos acelerando. Para diminuir a velocidade, basta pisar no freio. Dizemos que o estamos freando. Quando o carro está acelerando, seu movimento é chamado acele- rado e, quando está freando, seu movimento é chamado retardado. Essa variação de velocidade é sempre causada por uma força que atua no carro. No movimento acelerado, a força atua no mesmo sen- tido do movimento (fig. 2), ao passo que no retardado ela atua em sentido oposto ao do movimento (fig. 3). Na Dinâmica vamos aprender que a força que atua num corpo causa uma aceleração na sua direção e sentido. Na Cinemática, não trabalhamos com força, mas apenas com aceleração. Então, vamos repetir as figuras 2 e 3 trocando força por aceleração. Podemos, portanto, concluir que: • no movimento acelerado, a aceleração tem o mesmo sen- tido da velocidade e o módulo desta aumenta com o tempo (fig. 4); • no movimento retardado, a aceleração tem o sentido opos- to ao da velocidade e o módulo desta diminui com o tempo (fig. 5). 5. os sinais algébricos da aceleração escalar e da velocidade escalar Na Cinemática escalar não se trabalha com vetores, mas apenas com os sinais das grandezas: da velocidade escalar e da aceleração escalar. Assim, quando se diz que a aceleração atua no mesmo sentido da velocidade, sig- nifica que ambas têm o mesmo sinal. Quando se diz que a aceleração atua em sentido oposto ao da velocidade, significa que elas têm sinais contrários. Notemos que o sinal algébrico da aceleração escalar não é suficiente para dizer se o movimento é acelerado ou retardado. Precisamos comparar o sinal da velocidade com o da aceleração. Podemos, portanto, concluir que: No movimento acelerado, a velocidade e a aceleração escalar atuam no mesmo sentido e, portanto, têm o mesmo sinal. (v > 0) e (α > 0) ou, então, (v < 0) e (α < 0) No movimento retardado, a velocidade e a aceleração escalar atuam em sentidos opostos e, portanto, têm sinais contrários. (v > 0) e (α < 0) ou, então, (v < 0) e (α > 0) Lu iz A u g u s t o R ib E iR o movimento F v Figura 2. Carro em movimento acelerado. movimento F v Figura 3. Carro em movimento retardado. α movimento v Figura 4. Carro em movimento acelerado. movimento α v Figura 5. Carro em movimento retardado. O conceito de movimento acelerado e de movimento retardado não requer uma orientação da trajetória, pois trabalhamos apenas com o módulo da velocidade. Portanto, ele não depende do sentido em que ela estiver orientada.