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Principio da legalidade tributária

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Principio da legalidade tributária 
 
O princípio da legalidade é multissecular, com previsão inaugural na Carta Magna 
inglesa, de 1215, do Rei João Sem Terra. À época, a nobreza e a plebe, reunindo 
esforços e se insurgindo contra o poder unipessoal de tributar, impuseram ao 
príncipe João um estatuto, visando inibir a atividade tributária esmagadora do 
governo. Em outras palavras, objetivavam impor a necessidade de aprovação prévia 
dos súditos para a cobrança dos tributos, do que irradiou a representação “no 
taxation without representation”. 
O intento marcou a história do constitucionalismo inglês: tal estatuto foi a primeira 
constituição inglesa, chamada Magna Charta Libertatum, exsurgindo a partir do 
desejo popular de rechaçar a tributação tradutora de desapropriação e de 
chancelar a ideia de que a invasão patrimonial pressupõe o consentimento popular. 
Nascia, assim, o ideal de que, na esteira da legalidade, corre tão somente o tributo 
consentido. Ademais, em outros momentos históricos, foi possível observar que o 
condicionamento do poder tributário serviu para limitar os poderes do Estado, v.g., 
a Independência dos EUA e a própria Revolução Francesa, que, em grande parte, 
foram consequência da atividade tributária extorsiva. A esse propósito, Dino 
Jarach1 asseverou que “foi por razões tributárias que nasceu o Estado moderno de 
Direito”. 
No plano conceitual, o princípio da legalidade tributária se põe como um relevante 
balizamento ao Estado-administração no mister tributacional. O Estado de Direito 
tem-no como inafastável garantia individual a serviço dos cidadãos, implicando 
uma inexorável convergência – e, também, equivalência – de ambos: se há Estado 
de Direito, há, reflexamente, a legalidade no fenômeno da tributação. Em outro giro, 
se prevalece o arbítrio estatal, tampouco existirá o Estado de Direito. A esse 
propósito, Ruy Barbosa Nogueira2 aduz: “O princípio da legalidade tributária é o 
fundamento de toda a tributação, sem o qual não há como se falar em Direito 
Tributário”. Tem-se dito, nesse diapasão, que o princípio da legalidade é “o vetor dos 
vetores”3. Outrossim, tal postulado, intitulado princípio da legalitariedade, por 
Pontes de Miranda, mostra-se como um princípio fundante dos demais, irradiando 
uma carga valorativa de calibragem, no modulado convívio Fisco versus 
contribuinte. Hugo de Brito Machado4 assegura, com propriedade, que, “no Brasil, 
como, em geral, nos países que consagram a divisão dos Poderes do Estado, o 
princípio da legalidade constitui o mais importante limite aos governantes na 
atividade de tributação”.

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