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Anotações 
das Aulas 
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE 
 
 
 
 
 
 
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Estatuto da Criança e do 
Adolescente 
Considerações Históricas 
1) Introdução 
 Vulnerável é a pessoa em desenvolvimento, ou seja, a criança e o adolescente. 
 Antigamente, a criança era vista como objeto, como coisa, como propriedade dos 
pais  época em que se tinha o comando do pater família, o comando do pai, o 
homem da casa, que detinha o poder sobre o destino das crianças. 
2) Mobilização Internacional 
 Documentos que impulsionaram o Estatuto da Criança e do Adolescente, através 
da Constituição Federal de 1988: 
 Declaração de Genebra (1924) 
 Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas (Paris, 1948) 
 Declaração dos Direitos da Criança (Sujeito de Direitos, 1959) 
 Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa 
Rica, 1969). 
3) Funabem – Lei 4.513/64 
 Problema social – Segurança Nacional. 
 PNBEM – Política Nacional do bem-estar ao menor (Resguardada pela Escola Su-
perior de Guerra). 
 Criança não é mais responsabilidade de entidades privadas a alguns organismos 
estatais (problema de Estado). 
 Criança é mero sujeito passivo (pedagogia alienada). 
 A criança ficava esperando decidirem o que iam fazer com relação ao destino 
dela.  Pedagogia alienada, em a criança continuava a ser vista como coisa, 
como objeto de “tutela” do Estado. 
4) Código de Menores de 1979 – Lei 6.697/79 
 Esse Código antecedeu o ECA. 
 
 
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 Menor em situação irregular.  Irá chocar com a doutrina da proteção integral do 
Estatuto. 
 Abandonado materialmente, vítima de maus-tratos, em perigo moral, desassistido 
juridicamente, com desvio de conduta e autor de ato infracional. 
5) O Começo do Fim 
 Extinção da FUNABEM (Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor) – Lei 8.029/90 
 Modelo falido. 
 Extinção da FUNABEM por ineficiência. 
 Nasce a necessidade de instituições voltadas ao respeito, a pessoa do adoles-
cente e da criança. 
 Constituição de 1988 (Constituição Cidadã), responsável pela mudança de pa-
radigma (democrática, cidadã e igualitária). 
 Art. 227, CF  Doutrina da Proteção Integral. 
6) Proteção Integral – Amparo Completo 
 Proteção a tudo que tratar o superior interesse: saúde, bem-estar, família etc. 
 Material e espiritual. 
 Concepção (assistência à saúde e bem-estar da gestante e da família, natural ou 
substituta). 
 O foco aqui é o nascituro, logo, é necessário ter uma gestante saudável para po-
der assegurar o desenvolvimento intrauterino. 
 Toda matéria passará a ficar subordinada aos dispositivos do Estatuto. 
 Toda matéria acerca da criança e juventude fica subordinada ao ECA, ex-
ceto quando se fala em adoção promovida por pessoas maiores de idade. 
 Direitos humanos conquistados e afirmados pela marcha de civilização da 
humanidade. 
 Conquista dos Direitos Humanos e do ECA. 
 O direito de assegurar os direitos da criança e do adolescente, com a absoluta pri-
oridade, pondo-os a salvo contra qualquer tratamento degradante, cruel, desu-
mano, é um dever da sociedade, do Estado e da família. 
 Família, sociedade e Estado  Responsáveis solidários. 
 À criança e ao adolescente (compromisso ético-político de rejeição do caráter es-
tigmatizante do termo menor). 
 Prioridades: assegurar a proteção aos direitos da criança e rejeitar o caráter es-
tigmatizante do termo “menor”. 
 
 
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Programa Nacional de Triagem Neonatal (Lei 
14.154/2021) 
NOVIDADE! 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são 
obrigados a: 
I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos; 
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da 
mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente; 
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-
nascido, bem como prestar orientação aos pais; 
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do de-
senvolvimento do neonato; 
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe. 
VI - acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações quanto à técnica adequada, 
enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar, utilizando o corpo técnico já existente. (Incluído pela Lei nº 
13.436, de 2017) 
§ 1º Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nascido serão disponibilizados pelo Sistema Único de 
Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), na forma da regulamentação elaborada 
pelo Ministério da Saúde, com implementação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem de pro-
gressão: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
I – etapa 1: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
b) hipotireoidismo congênito; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
d) fibrose cística; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
e) hiperplasia adrenal congênita; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
f) deficiência de biotinidase; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
g) toxoplasmose congênita; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
II – etapa 2: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
a) galactosemias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
b) aminoacidopatias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
c) distúrbios do ciclo da ureia; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) 
III – etapa 3: doenças lisossômicas; (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
IV – etapa 4: imunodeficiências primárias; (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
V – etapa 5: atrofia muscular espinhal. (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
§ 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no âmbito do PNTN, será revisada 
periodicamente, com base em evidências científicas, considerados os benefícios do rastreamento, do diagnóstico 
e do tratamento precoce, priorizando as doenças com maior prevalência no País, com protocolo de tratamento 
aprovado e com tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde. (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder público com base nos 
critérios estabelecidos no § 2º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) 
§ 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de saúde devem informar 
a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as eventuais diferenças exis-
tentes entre as modalidades oferecidas no Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde. (Incluído pela Lei 
nº 14.154, de 2021) 
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 
8.069/1990) 
Versa sob um sistema de garantias de direitos (direitos estes previstos nos 
documentos internacionais de Direitos Humanos sobre a pessoa em desen-
volvimento). 
 
 
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 Superação da visão assistencialista e paternalista  superação da situação irre-
gular. 
 Superação da visão da pessoa em desenvolvimento como objeto. 
 O ECA traz uma nova divisão do trabalho social por meio da integração de respon-
sabilidades entre estados, sociedade e família. 
 Traz a desjudicialização do atendimento, ou seja, para o ECA o que é melhor para 
a pessoa em desenvolvimento é recorrer ao judiciário somente em ultima ratio > 
desconstrução da ideia de juiz-gestor, dono do destino da criança e do adolescente. Conselhos: representam o estado democrático de direito do ponto de vista da ga-
rantia dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, previstos no art. 227 
da CF. 
 Os conselhos representam a sociedade, a desjudicialização do atendimento. 
 Os conselhos são: Nacional, Estadual (CDSA), Municipal (CMDSA) e o Conselho 
Tutelar. 
 Nenhum conselho é ligado ao Poder Judiciário, porque a regra é a desjudiciali-
zação, ou seja, buscar o Judiciário só em último caso. 
1) Metaprincípios 
 Proteção integral: 
 Prioridade absoluta (artigo 227, CF e artigos 4º e 100, parágrafo único, inciso II, 
da Lei 8.069/90). 
 Proteção integral à criança e ao adolescente > princípio da proteção integral. 
 Criança é pessoa até 12 anos de idade incompletos. 
 Adolescente é pessoa entre 12 e 18 anos de idade incompletos. 
 Excepcionalmente, o ECA é aplicado às pessoas entre 18 e 21 anos de idade > 
hipóteses de cumprimento de medidas socioeducativas. 
 O ECA não abraçou a redução da maioridade civil, pois tutela os indivíduos 
entre 18 e 21 anos de idade quando da prática do ato infracional. 
 2) Direitos Fundamentais 
 Direito à vida e à saúde (art. 7 ao 14): A lei 13.257/16, denominada Estatuto da Pri-
meira Infância, cuidou de ampliar o rol dos direitos da gestante no art. 8º do ECA. 
 A atenção é voltada para a gestante porque o estatuto se preocupa com a cri-
ança. 
 Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à 
mãe. 
 A doutrina trata como primeira infância de 0 a 06 meses, ou os primeiros 72 me-
ses da criança. 
 As mães empregadas têm direito, durante os seis primeiros meses, a dois des-
cansos de meia hora, cada um (art. 396 da CLT). E isso, não só as que pariram, 
mas as que adotaram também. 
 
 
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 Direito à Liberdade, ao respeito e à dignidade (art. 15 ao 18): A criança e o ado-
lescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas 
em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e so-
ciais garantidos na Constituição e nas leis. 
 O toque de recolher, segundo o STJ, é ilegal, pois, o juiz que o determina está 
usurpando o poder familiar; está invadindo a esfera da convivência familiar. 
 A restrição à liberdade do adolescente poderá ocorrer em caso de flagrante de 
ato infracional, ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente. 
 O art. 18 trata, de forma específica, a dignidade da criança e do adolescente. E 
houve sensíveis alterações promovidas pela Lei 13.010/15, também conhecida 
como lei “Menino Bernardo”, que não prevê medidas incriminadoras. 
 A Lei 13.010/14 está ligada diretamente a formas de educar, de corrigir. E essas 
medidas previstas nos art. 18-B, podem ser cumuladas com outras legislações, 
se cabíveis > o exercício de educar tem limites. 
 Direito à Convivência Familiar e comunitária (art. 19 ao 52-D, e a Lei 12.509/17): Pro-
moção eficiente à proteção integral de crianças e adolescentes. 
 Ele prioriza a convivência da criança ou adolescente com a família natural (pais 
biológicos). 
 Família extensa ou ampliada: tios, avós; formada pelos parentes da criança, que 
possuem afinidade com a criança e do adolescente. 
 Família substituta: que deve ser a última solução a ser buscada para colocação 
da pessoa em desenvolvimento no seio familiar. 
 Programa de acolhimento: é aquele programa que tem por objetivo colocar a 
criança ou adolescente a salvo de uma situação de risco aos seus direitos funda-
mentais, ou ainda estancar uma situação de risco que já tenha ocorrido. 
 Quem encaminha é o Conselho Tutelar. 
 A família acolhedora não poderá estar inscrita no cadastro de adoção. 
 Consiste em uma entidade de atendimento, que são especializadas no aco-
lhimento, recebimento e tratamento de crianças e adolescentes que foram 
vítimas de algum tipo de violência ou colocadas em qualquer situação de 
risco. 
 Programa de acolhimento familiar não se confunde com adoção (adoção 
modalidade de colocação em família substituta, dando ao adotando a con-
dição de filho do adotante). 
 Objetiva a redução, estancamento ou prevenção de uma situação de risco, 
mas não tem a função de exercer a família para todos os fins de direito. 
 O objetivo aqui é que a criança volte para a família natural e, caso não seja 
possível, a sua colocação para a adoção. 
 O acolhimento institucional só trabalha recebendo adolescentes, por ser 
mais imparcial. 
 A criança pode conviver com os pais privados de liberdade, desde que o 
crime não tenha sido de forma dolosa, apenado com reclusão, contra filho 
ou outrem que possua o poder familiar. 
 
 
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 A criança só pode ser entregue após o seu nascimento, em que a vontade 
da mãe, ou de ambos os genitores, deve ser manifestada em audiência. 
Nessa audiência, a mãe pode se retratar dessa intenção e, além disso, após 
prolatada a sentença, os pais têm 10 dias para arrependimento. 
 Nesse caso, voltando ao seio familiar, essa criança será acompanhada por 180 
dias (esse prazo pode ser prorrogado, uma vez havendo necessidade). 
 A fiscalização do Programa de Apadrinhamento caberá ao Ministério Pú-
blico e a Vara da Infância e Juventude. 
 Direito à Educação, à cultura, ao esporte e ao lazer (art. 53 ao 59): A criança e o 
adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pes-
soa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegu-
rando-se lhes igualdade de condições, direito de ser respeitado, direito de contes-
tar critérios avaliativos, direito de organização e participação, acesso à escola, etc. 
 O princípio da reserva do possível não pode ser invocado de forma genérica. 
 É dever das instituições de ensino, clubes e agremiações recreativas, assegu-
rar medidas de conscientização, prevenção e enfrentamento ao uso ou de-
pendência de drogas ilícitas. 
 É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamen-
tal e o ensino médio, obrigatório e gratuito, o atendimento educacional es-
pecializado aos portadores de deficiência, o atendimento em creche e pré-
escola, oferta do ensino noturno regular, etc. 
 O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público importa respon-
sabilidade da autoridade competente. 
 Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos 
na rede regular de ensino. 
 Direito à Profissionalização e à proteção ao trabalho (art. 60 ao 69): É proibido 
qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de 
aprendiz. 
 O adolescente portador de deficiência terá direito ao trabalho protegido. 
 Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de 
escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é 
vedado trabalho noturno, perigoso, insalubre ou penoso, realizado em locais 
prejudiciais à sua formação e desenvolvimento, e em locais que não permitam 
a frequência a escola. 
 O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho. 
 Os atores mirins (abaixo de 14 anos - art. 8 da OIT) não compõe uma relação de 
trabalho, de acordo com o STF. 
3) Poder Familiar 
 Art. 22 ao art. 24 do ECA e art. 1.630 ao 1.638 do CC/02. 
Conjunto de direitos e deveres, atribuídos aos pais no que concerne a admi-
nistração da garantia dos direitos dos filhos menores. 
 
 
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Observação: Esse poder familiar só pode ser retirado do pai ou da mãe por 
procedimento específico, assegurado o contraditório e a ampla defesa, por 
quem detenha legítimo interesse (Ministério Público ou quem manifeste in-
teresse legítimo, como pai, avó). 
CARACTERÍSTICAS 
 É um poder irrenunciável – não pode ser objeto de transação; 
 Indelegável; 
 Irrenunciável: não pode ser transferido para outra pessoa. 
 Imprescritível – o poder familiar não prescreve pelo decurso do tempo; pelo não 
exercíciodo poder. 
 O poder familiar é incompatível com o instituto da tutela – para que um tutor seja 
nomeado é necessário que o poder familiar de um dos pais tenha sido destituído. 
 Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos me-
nores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer 
cumprir as determinações judiciais (obrigações recíprocas). 
 Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direitos iguais e deveres 
e responsabilidades compartilhados no cuidado e na educação da criança, de-
vendo ser resguardado o direito de transmissão familiar de suas crenças e cul-
turas, assegurados os direitos da criança estabelecidos nesta Lei. 
 Conjunto de direitos e deveres que tem por finalidade atender o superior inte-
resse da criança e do adolescente. 
 Normalmente é exercido pelos pais, em condições de igualdade, e isso não tem 
relação com questão financeira ou poder aquisitivo. 
 Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente 
para a perda ou a suspensão do poder familiar. 
 Não existindo outro motivo que autorize a decretação da medida, a criança ou 
adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá ser incluída 
em serviços e programas oficiais de proteção, apoio e promoção, obrigatoria-
mente. 
 §2º A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do 
poder familiar, exceto na hipótese de condenação por crime doloso sujeito à 
pena de reclusão contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar ou 
contra filho, filha ou outro descendente. (alterado pela Lei 13.715/18).  Perda do 
poder familiar (essa é uma exceção para o caso de crime doloso). 
 Art. 24. A perda e a suspensão do pátrio poder familiar serão decretadas judi-
cialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação ci-
vil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obri-
gações a que alude o art. 22. 
 Só pode ser por via judicial, por quem detenha legítimo interesse. 
 O legitimado para propor a ação é o Ministério Público, entretanto, nas ações 
de perda ou suspensão do poder familiar, cujo autor da ação está patrocinado 
por advogado, ou assistido pela defensoria, o Ministério Público funciona 
como custus legis (fiscal da lei). 
 
 
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Família Substituta 
Modalidade de colocação da criança ou adolescente em uma família após to-
dos os recursos de permanência desta na família natural restarem infrutífe-
ros. 
Família substituta deve ser a exceção. 
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela 
ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adoles-
cente, nos termos desta Lei. 
Princípio da Oitiva obrigatória e participação: 
 Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por 
equipe interprofissional, respeitando suas especificidades. 
 Tratando-se de maior de 12 anos de idade, será necessário seu consentimento, co-
lhido em audiência. Deverá ser ouvida e se possível for, sua opinião deverá ser le-
vada em consideração. 
 O adolescente precisa ser ouvido em audiência específica para este fim. 
 Art. 28, §4. Grupos de irmãos devem ser colocados na mesma família substituta, 
para evitar o rompimento do vínculo com a família biológica. E se for separar, a 
finalidade é que eles fiquem, pelo menos, na mesma localidade para que tenham 
a possibilidade de se encontrar. 
 Art. 28, §6. Tratando-se de criança ou adolescente indígena ou proveniente de co-
munidade remanescente de quilombo, é ainda obrigatório: 
 I - que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e cultural, os seus 
costumes e tradições, bem como suas instituições, desde que não sejam incompa-
tíveis com os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Constituição 
Federal; 
 II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou 
junto a membros da mesma etnia; 
 III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela po-
lítica indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, 
perante a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso. 
 Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança 
ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamen-
tais, sem autorização judicial. 
 Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcio-
nal, somente admissível na modalidade de adoção. 
 É excepcional porque a preferência é que a criança ou adolescente seja colo-
cado em família que tenha a sua mesma cultura. 
 
 
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– 11 – 
1) Guarda 
 Prevista no art. 1.583 do CC, e art. 33 ao 35 do ECA. 
 Serve para regularizar a posse de fato de criança e adolescente. 
 Tanto pode ter caráter provisório, como caráter definitivo. 
 Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à 
criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, 
inclusive aos pais. 
 A guarda é compatível com o poder familiar exercido pelos pais. 
 A guarda conferida a um terceiro não desonera os pais do dever de prestar ali-
mentos. 
 A guarda pode ser deferida de forma liminar ou incidental (em situações provi-
sórias), salvo em caso de adoção por estrangeiros. 
 Para entender se uma adoção é nacional ou internacional, o marco será a resi-
dência do adotante, ou seja, o país de acolhida (o país de acolhida, para onde a 
criança vai, deve ter ratificada a Convenção de Haia). 
 A guarda pode ser deferida fora dos casos de tutela e adoção, excepcionalmente, 
visando atender situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou respon-
sáveis > chamado de guarda provisória. 
 A guarda, ainda que tenha caráter provisório e precário, transfere ao guardião as 
funções do exercício do poder familiar (art.1634 do CC). 
 Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fis-
cais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente 
afastado do convívio familiar. 
 Para efeito de programa familiar ou institucional, os responsáveis receberão a 
pessoa em desenvolvimento na modalidade de guarda. 
 Pessoa ou casal cadastrado no programa de acolhimento familiar poderá rece-
ber criança ou adolescente mediante guarda. 
 Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial 
fundamentado, ouvido o Ministério Público > competência da Vara da Infância e 
da Juventude. 
 A guarda difere da tutela, pois, pode ser revogada a qualquer tempo, tendo em 
vista que não implica na suspensão/destituição do poder familiar, diferente da 
tutela que só poderá ser revogada mediante procedimento específico, assegu-
rados o contraditório e a ampla defesa. 
2) Tutela 
 É modalidade de colocação da criança ou adolescente em família substituta. 
 Art. 36. A tutela será deferida a pessoa de até 18 anos incompletos. 
 A tutela pressupõe a previa perda ou suspensão do poder familiar, implicando 
necessariamente o dever de guarda. 
 Alcançada a maioridade, cessa-se a tutela. 
 
 
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– 12 – 
3) Adoção 
 Atribui a condição de filho para todos os fins de direito, inclusive sucessórios, des-
ligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matri-
moniais. 
 Após o trânsito em julgado, ela é irrevogável, mas há possibilidade de quebra 
dessa vedação, dessa irrevogabilidade. Mas, em princípio, é irrevogável para conce-
der segurança jurídica ao instituto. 
 Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segundo o disposto nesta 
Lei. 
 Medida excepcional e irrevogável. 
 Recorre-se à adoção apenas quando esgotados os recursos de manutenção da 
criança ou adolescente na família natural ou extensa. 
 É vedada a adoção por procuração. 
Prevalecem os direitos e os interesses do adotando. 
 Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, 
salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes. 
 Requisitos objetivos para adoção: 
 Maiores de idade, independentemente do estado civil; 
 Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando > o STJ já se posici-
onou quanto a quebra desse artigo. 
 A diferença de idade entre adotante e adotando é de 16 anos. 
 Para adoção conjunta ou bilateral, é indispensável que os adotantes sejam casa-
dos civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família 
 adoção promovida pelo casal (casado civilmente ou em união estável). 
 Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem ado-
tar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e 
desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período 
de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afe-
tividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade 
da concessão. 
 O ordenamento admite a adoção póstuma ou pós-morte. Em caso de adoção 
póstuma, a filiação socioafetiva deve ser demonstrada amplamente, por causa da 
força do Melhor Interesse da Criança ou Adolescente. 
 Art. 43. A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o ado-
tando e fundar-se em motivos legítimos. 
 Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou ado-
lescente, pelo prazo máximo de 90 dias, observadas a idade da criança ou adoles-
cente e as peculiaridades do caso. 
 Esse prazo de 90 dias poderá ser prorrogado, desde que a decisão seja funda-
mentada. 
 O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a 
tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja pos-
sível avaliar a conveniência da constituição do vínculo. 
 
 
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– 13 – 
 Ao final do prazo, deverá ser apresentado laudo fundamentado pela equipe in-
terprofissional, a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, que recomen-
dará ou não o deferimento da adoção à autoridade judiciária. 
 O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencial-
mente na comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, 
em cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a competência do juízo 
da comarca de residência da criança. 
 Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial (sentença constitu-
tiva), que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá 
certidão. 
 Em regra, efeito “ex nunc”. 
 No caso de alteração de prenome, em se tratando de adolescente, deve haver o 
seu consentimento. Com relação à criança, esta deve ser ouvida e, sempre que 
possível, sua opinião será levada em consideração. 
 O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do ado-
tado. 
 Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do 
registro. 
 Terão prioridade de tramitação os processos de adoção em que o adotando for 
criança ou adolescente com deficiência ou com doença crônica. 
 O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) 
dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamen-
tada da autoridade judiciária. 
 Essa decisão deve ser fundamentada. 
 Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem como de 
obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais 
incidentes, após completar 18 (dezoito) anos 
 Art. 50. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um 
registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de 
pessoas interessadas na adoção > cadastramento para adoção. 
 Listas: 
 Crianças em condições de serem adotadas; 
 Pessoas interessadas na adoção. 
 Art. 51. Considera-se adoção internacional aquela na qual o pretendente possui 
residência habitual em país-parte da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, 
relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacio-
nal, e deseja adotar criança em outro país-parte da Convenção. 
ADOÇÃO INTERNACIONAL: não é aquela promovida por pessoas estrangei-
ras, mas por pessoas que moram em outro país. 
 Não é a regra, é a exceção. A regra é a adoção nacional. 
 Para que se complete, é necessário um período de adaptação  estágio de convi-
vência; essa convivência será analisada. 
 
 
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– 14 – 
 §1o A adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro ou domiciliado no 
Brasil somente terá lugar quando restar comprovado (estabelece as hipóteses de 
adoção internacional): 
 que a colocação em família adotiva é a solução adequada ao caso concreto; 
 que foram esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança ou ado-
lescente em família adotiva brasileira, com a comprovação, certificada nos au-
tos, da inexistência de adotantes habilitados residentes no Brasil com perfil 
compatível com a criança ou adolescente, após consulta aos cadastros mencio-
nados nesta Lei; 
 que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios 
adequados ao seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado 
para a medida, mediante parecer elaborado por equipe interprofissional, obser-
vado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei. 
 §2o Os brasileiros residentes no exterior terão preferência aos estrangeiros, nos 
casos de adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro. 
 §3o Adoção internacional pressupõe a intervenção das Autoridades Centrais Es-
taduais e Federal em matéria de adoção internacional. 
Autorização para viajar 
 Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 anos poderá viajar para fora 
da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem ex-
pressa autorização judicial (Redação dada pela Lei nº 13.812, de 2019). 
 § 1º A autorização não será exigida quando: (EXCEÇÃO) 
 tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente me-
nor de 16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na 
mesma região metropolitana; 
 a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: 
 de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documen-
talmente o parentesco; 
 de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. 
 Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a 
criança ou adolescente: 
 estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; 
 viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro atra-
vés de documento com firma reconhecida. 
Medidas de Proteção 
 Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre 
que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: 
 por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; 
 
 
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 por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; 
 em razão de sua conduta. 
Ato Infracional 
 Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contraven-
ção penal. 
 Teoria do Ato Infracional; 
 Praticou conduta equiparada a de crime. 
 Ato infracional não é sinônimo de crime em virtude da ausência de uma das 
condições para a culpabilidade, embora a conduta seja típica e ilícita. 
 Inimputável em razão da idade; 
 A criança e adolescente não praticam crime. 
PESSOA TIPO DE INFRAÇÃO MEDIDA APLICADA 
Criança (0 a 12 anos) Ato infracional 
Medida protetiva 
(art.101 do ECA) 
Adolescente (12 a 18 
anos incompletos) 
Ato infracional 
Medida socioeducativa 
e medida protetiva 
Adulto (acima de 18 
anos completos) 
Crime ou contravenção 
penal 
Pena privativa de liber-
dade, restritiva de direi-
tos ou multa. 
 Art. 104. Sãopenalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às 
medidas previstas nesta Lei.  Será aplicada a data do fato. 
 Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do ado-
lescente à data do fato. 
 Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas pre-
vistas no art. 101. 
 Aplicação de medida protetiva; 
 O adolescente responde com medida socioeducativa ou medida protetiva. 
 As hipóteses de flagrante são as mesmas do art. 302 do CPP. 
 Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante 
de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente 
 
 
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– 16 – 
1) Apuração de Ato Infracional atribuído a Adolescente 
 Art. 171. Adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, en-
caminhado à autoridade judiciária. 
 Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde 
logo, encaminhado à autoridade policial competente. 
 Havendo repartição policial especializada para atendimento de adolescente e 
em se tratando de ato infracional praticado em coautoria com maior, prevale-
cerá a atribuição da repartição especializada, que, após as providências neces-
sárias e conforme o caso, encaminhará o adulto à repartição policial própria. 
Súmula 492 do STJ: O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, 
não conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de in-
ternação do adolescente”. 
Súmula 718 do STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do 
crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais se-
vero do que o permitido segundo a pena aplicada. 
 Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência 
ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 
106, parágrafo único, e 107, deverá: 
 lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente; 
 apreender o produto e os instrumentos da infração; 
 requisitar os exames ou perícias necessários à comprovação da materialidade e 
autoria da infração. 
 Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá 
ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada. 
 Quando o adolescente é apreendido por ato infracional, deve-se comunicar, 
imediatamente, a autoridade judicial competente e a família do apreendido, de-
vendo-se, ainda, lavrar o auto de infração, ouvir testemunhas e o adolescente. 
 Não sendo caso de flagrante, a autoridade policial irá substituir o auto de apre-
ensão pelo boletim de ocorrência. 
 Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será 
prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e res-
ponsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no 
mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, 
pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente per-
manecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção 
da ordem pública. 
 
 
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– 17 – 
2) Direitos Individuais 
 Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante 
de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente. 
 Essa autoridade é o juiz da Vara da Infância e Juventude (art. 174 do ECA). 
 O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão, 
devendo ser informado acerca de seus direitos. 
 Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra recolhido 
serão incontinenti comunicados à autoridade judiciária competente e à família 
do apreendido ou à pessoa por ele indicada. 
 Examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a possibilidade de 
liberação imediata. 
 Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo má-
ximo de quarenta e cinco dias, mediante decisão fundamentada, baseada em in-
dícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrando a necessidade imperi-
osa da medida. 
 A internação provisória é aquela que ocorre antes da sentença, com prazo de 45 
dias. Esse prazo não é prorrogável. Passado esse prazo, a criança deve ser colo-
cada em liberdade. 
 Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identifica-
ção compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de 
confrontação, havendo dúvida fundada. 
 Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não po-
derá ser cumprida em estabelecimento prisional. 
 §1º Inexistindo na comarca entidade com as características definidas no art. 123, 
o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a localidade mais 
próxima. 
 §2º Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará sua remo-
ção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com 
instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco 
dias, sob pena de responsabilidade. 
3) Garantias Processuais 
 Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo 
legal. 
 Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias: 
 I - pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante cita-
ção ou meio equivalente; 
 Súmula 265 do STJ: determina a impossibilidade de regressão de uma me-
dida socioeducativa sem a oitiva do adolescente 
 
 
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– 18 – 
 II - igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e tes-
temunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa; 
 III - defesa técnica por advogado;  Quando o adolescente pode constituir, tem 
dinheiro. 
 IV - assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;  
Essa assistência será em todas as fases do processo. 
 V - direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;  Obs.: A 
autoridade a que se refere esse inciso não trata apenas da autoridade judiciária, 
mas da autoridade policial e do membro do Ministério Público. 
 VI - direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase 
do procedimento. 
 Art. 185 do ECA: em nenhum momento a internação poderá ser cumprida em es-
tabelecimento prisional. 
Medidas Socioeducativas 
 Em verdade, as medidas socioeducativas são uma manifestação do Estado, em 
resposta ao ato infracional praticado pelo adolescente. 
 Natureza jurídica de imposição. 
 É sancionatória  não é uma pena, porque a pena é atribuída ao imputável. 
 Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá 
aplicar ao adolescente as seguintes medidas (rol taxativo): 
 I - advertência; 
 II - obrigação de reparar o dano; 
 III - prestação de serviços à comunidade; 
 IV - liberdade assistida; 
 V - inserção em regime de semiliberdade; 
 VI - internação em estabelecimento educacional; 
 Privação total da liberdade. 
 VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI. 
 O adolescente também é destinatário de medida protetiva. 
OBSERVAÇÕES 
 I ao IV  Medidas socioeducativas em meio aberto (não priva o adolescente de li-
berdade). 
 I e II  Prova de autoria e indícios suficientes. 
 
 §1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cum-
pri-la, as circunstâncias (que gravitam em torno do ato infracional) e a gravidade 
da infração. 
 §2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de traba-
lho forçado. 
 
 
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– 19 – 
 §3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão trata-
mento individual e especializado, em local adequado às suas condições. 
 Existe a possibilidade de cumulação das medidas socioeducativas, desde que 
em meio aberto. 
 Essas medidas do art. 112 também podem ser denominadasde medidas típicas 
ou próprias. Mas, como vimos, para fins de proteção integral, o adolescente tam-
bém é destinatário das medidas protetivas, que podem ser chamadas de medi-
das impróprias ou atípicas (não é socioeducativa, mas pode estar cumulada com 
a medida socioeducativa). 
LEI DO SINASE (12.594/12)  Objetivos da medida socioeducativa: 
 Responsabilização do adolescente; 
 Integração social do adolescente e a garantia dos seus direitos individuais; 
 A desaprovação da conduta do adolescente, do ato infracional. 
Requisitos para a escolha de uma medida: 
 Observar se o assistido tem capacidade de cumprir a medida; 
 As circunstâncias que gravitam ao redor do ato infracional praticado; 
 E a gravidade do ato infracional. 
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98 (situação de 
risco), a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as se-
guintes medidas: 
 I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; 
 II - orientação, apoio e acompanhamento temporários; 
 III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fun-
damental; 
 IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio 
e promoção da família, da criança e do adolescente; (Redação dada pela Lei nº 
13.257, de 2016) 
 V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hos-
pitalar ou ambulatorial; 
 VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e trata-
mento a alcoólatras e toxicômanos; 
 VII - acolhimento institucional; 
 VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; 
 IX - colocação em família substituta. 
Obs.: O Conselho Tutelar só aplica as medidas do inciso I ao VII; as demais me-
didas somente podem ser aplicadas pelo Juiz da Infância e Juventude. 
 Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe 
a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da infração, 
ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127. 
 
 
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– 20 – 
 Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova 
da materialidade e indícios suficientes da autoria. 
Princípio da Insignificância 
No âmbito da Infância e Juventude, o STJ tem admitido a aplicabilidade 
desse princípio, assim como o STF, mas há requisitos para isso, que são: 
 Bem de pequeno valor; 
 O ato infracional tem que ter sido ínfimo; 
 O ato não tenha sido praticado mediante violência ou grave ameaça; 
 E o grau de responsabilidade do adolescente tenha sido reduzido a quase nada em 
relação ao ato infracional. 
No entanto, se o adolescente já tem um histórico infracional, o STJ e STF 
entendem que isso servirá para agravar a não aplicação do princípio da insig-
nificância. 
 
	Estatuto da Criança e do Adolescente
	Considerações Históricas
	1) Introdução
	2) Mobilização Internacional
	3) Funabem – Lei 4.513/64
	4) Código de Menores de 1979 – Lei 6.697/79
	5) O Começo do Fim
	6) Proteção Integral – Amparo Completo
	Programa Nacional de Triagem Neonatal (Lei 14.154/2021)
	Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990)
	1) Metaprincípios
	2) Direitos Fundamentais
	3) Poder Familiar
	Família Substituta
	1) Guarda
	2) Tutela
	3) Adoção
	Autorização para viajar
	Medidas de Proteção
	Ato Infracional
	1) Apuração de Ato Infracional atribuído a Adolescente
	2) Direitos Individuais
	3) Garantias Processuais
	Medidas Socioeducativas
	Princípio da Insignificância

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