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GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA IGOR CALZOLARI MÉRIDA ISRAEL COELHO LUIZ FELIPE ALVES BARBALHO YVES WILLIAM SILVEIRA DAS CHAGAS REFRIGERAÇÃO INDUSTRIAL ITAPERUNA - RJ 2021 IGOR CALZOLARI MÉRIDA – 1501582 ISRAEL COELHO – 1501933 LUIZ FELIPE ALVES BARBALHO – YVES WILLIAM SILVEIRA DAS CHAGAS – 1200821 PROJETO DE REFRIGERAÇÃO INDUSTRIAL Trabalho apresentado à disciplina de Refrigeração Industrial, do curso de Engenharia Mecânica do Centro Universitário UniRedentor, como parte dos requisitos necessários para aprovação. Professor: Daniel Passos Gallo ITAPERUNA, RJ 2021 1.1 INTRODUÇÃO Em 1856, surgiu a primeira máquina refrigeradora que utiliza o princípio da compressão de vapor, construída pelo australiano James Harrison, contratado por uma fábrica de cerveja, tendo como objetivo de produzir uma máquina que fosse capaz de refrescar o produto durante o processo de fabricação, e para a indústria de carne processada para a exportação. Atualmente, a refrigeração pode ser feita por câmaras frigoríficas, que possuem tecnologia suficiente para se adequarem às melhores condições de conservação. Estas contribuem também para a sustentabilidade, pois ajudam a combater o desperdício, conservando os alimentos por mais tempo. As câmaras frigoríficas são compartimentos refrigerados, fechados e isolados termicamente, aliado a um sistema que cria ambientes que armazenam produtos em condições controladas. Essas tais condições, dependem do produto nela armazenado e podem variar de um intervalo definido de temperatura a um controle das características do espaço refrigerado, minimizando o processo de degradação dos alimentos, garantindo suas características e mantendo o produto em seu estado mais próximo do frescor original, através do congelamento ou resfriamento dos produtos. Para ser realizada a conservação dos alimentos por resfriamento, deve ocorrer a redução de temperatura próxima de 0ºC e por meio do congelamento, sendo que a temperatura chega a ser menor que 0ºC, dependendo do controle de temperatura, umidade relativa, velocidade do ar, quantidade de ar circulado e da velocidade de redução de temperatura. A umidade relativa incorreta pode provocar desumidificação dos alimentos, que na verdade não seria um caso desejado. 2.1 OBJETIVOS 2.1. Objetivo Geral O trabalho apresentado tem como objetivo principal dimensionar uma câmara fria para armazenamento de carnes, e a realização da especificação dos componentes do sistema de refrigeração necessários, por meio da carga térmica requerida. 2.2. Objetivo Específico Para dimensionamento da câmara fria para carnes, será necessário: · Pesquisar as referências bibliográficas; · Buscar as normas técnicas sobre o assunto; · Idealizar o esboço do projeto; · Entender todas as adversidades e cálculos do projeto; · Dimensionar o projeto; · Enumerar as matérias primas e itens comerciais para execução do projeto; · Desenvolver o detalhamento para fabricação do projeto; · Levantar o custo final de execução. 2.3. Justificativa Em vista que nos dias de hoje é muito necessário algo que mantenha os alimentos, em conserva ou congelados, o dimensionamento de uma câmera fria é apropriado para mostrar o principal funcionamento de como manter carnes em uma boa temperatura, para consumo da própria dias depois, sem deixar o produto em um péssimo estado. 3. MATERIAIS E MÉTODOS Para realizar o dimensionamento e o cálculo de carga térmica da câmara frigorífica para o armazenamento de carnes, foram dadas as seguintes especificações: · Dimensões externas: Comprimento 6,10 metros Largura 5,80 metros Altura 2,70 metros · Dimensões internas : Comprimento 5,80 metros Largura 5,50 metros Altura 2,4 metros · Faixa de temperatura: 0°C a -18°C; · Porta: Giratória, injetado poliuretano, tamanho 0,80x1,80MT; · Capacidade: 8280 kcal/h; · Fluído refrigerante: R404; · Potência: 5300w; · Evaporador: Forçador de 4 motoventiladores 250 mm; · Vazão de ar interno: 4572m³/h; · Consumo médio: 13kW/h; · Iluminação: Lâmpada LED. 3.1 Cálculo de Carga Térmica Quando o produto é resfriado ou congelado retira-se uma carga térmica formada, basicamente, pela retirada de calor, de forma a reduzir sua temperatura até o nível desejado. Já na estocagem do produto, a carga térmica é função do isolamento térmico, abertura de porta, iluminação, pessoas e motores. No caso de frutas e hortaliças frescas deve-se também levar em consideração o calor de respiração. No entanto, a parcela de calor retirada durante o resfriamento ou congelamento é bem maior quando comparada com a de estocagem, exigindo um estudo mais cuidadoso da solução a adotar. Q1 – TRANSMISSÃO DE CALOR PELAS PAREDES E TETO O calor atravessa as paredes, o teto e o piso dos ambientes refrigerados, ocasionando diferença entre a temperatura da câmara e o ar externo mais quente. A quantidade de calor depende da diferença de temperatura, do tipo de isolamento, da superfície externa das paredes e do efeito de irradiação solar. Assim o calor de transmissão pelas paredes e teto é dado por: 𝑄1 = 𝑈 × 𝐴 × ∆T Onde: Q = Calor de transmissão [kcal/24h]; U = Coeficiente global de transmissão de calor [kcal/m²K]; A = Área do isolamento [m²]; ΔT = Diferença de temperatura entre os dois lados do isolamento [K] 𝑄1=0,029x 31,9x(35-(-18)) 𝑄1=49,03kcal/24h Q2 – TRANSMISSÃO DE CALOR PELO PISO 1– Se embaixo do piso existir outro ambiente, usar o cálculo normal e considerar a temperatura no ambiente debaixo do piso. 2 – Se o piso for apoiado sob terreno (solo): Cálculo empírico perimetral, quando o piso não for isolado, conforme segue: 𝑄2 = 1,024 × 2 × (𝐿 + 𝐶) × ∆t Onde: Q = Calor de transmissão [kcal/24h]; L = Largura da câmara [m]; C = Comprimento da câmara [m]; ΔT = Diferença de temperatura entre os dois lados do isolamento [K]. 𝑄2=1,024 x 2 x(5,50 + 5,80) x (35-(-18)) 𝑄2=1,24kcal/24h Q3 – TRANSMISSÃO DE CALOR PRODUTO O calor do produto deve ser calculado de acordo com o estado que o mesmo chega na câmara frigorífica. Existem três etapas para o cálculo do calor do produto: Resfriamento, Congelamento e Sub-resfriamento. Para os vegetais é utilizado o cálculo da Respiração. · Sub-Resfriamento 𝑄3 = 𝑚 × 𝑐𝑝𝑎𝐵 × (𝑇𝑒𝑛𝑡 − 𝑇𝑠𝑎𝑖) onde Q= calor de sub-resfriamento do produto (o produto já está congelado) (kcal/24h) m= massa de produto (kg). cpab= calor específico do produto - abaixo do ponto de congelamento (kcal/kg.K). Tent= temperatura de entrada do produto na câmara (se o produto já entrou congelado) ou, temperatura de congelamento (se o produto vai ser congelado na câmara). Tsai= temperatura de saída do produto 𝑄3=25000 x 0,77x(35+18) 𝑄3=102,01kcal/24h Q4 – CALOR DA EMBALAGEM DO PRODUTO Pela experiência, esta carga é aplicada apenas quando a quantidade de material utilizado na embalagem representar um valor maior que 10% do peso bruto que entra na câmara 𝑄4 = 𝑚𝑒𝑚𝑏 × 𝑐𝑒𝑚𝑏 × (𝑇1 − 𝑇2) Q4 = calor de resfriamento da embalagem (kcal/24h) m emb= massa de embalagem (kg) cpemb= calor específico do material da embalagem (kcal/kg.K) T1= temperatura de entrada da embalagem na câmara T2= temperatura de saída da embalagem 𝑄4=0,05 x 0,4 x (35+18) 𝑄4=1,06kcal/24h Q5 – CALOR DEVIDO A ILUMINAÇÃO O tipo de lâmpada e o tipo de luz podem resultar em cargas térmicas apreciáveis. De acordo com o tipo a ser empregada, a carga térmica no interior da câmara será menor para as lâmpadas de sódio, pouco menor quando se trata de vapor de mercúrio ou fluorescente, sendo praticamente o dobro no caso de incandescente. 𝑄5 = 𝑃𝑖𝑙𝑢𝑚 × 0,86 × 𝑛ℎ × f onde, Q5 = calor de vido à iluminação (kcal/24h) Pilum= potência de iluminação (Watts) nh= número de horas de uso da iluminação por dia f = fator de ajuste 1,25 se tiver reator dentro da câmara 1,00 se não tiver reator dentro da câmara Q5=319 x 0,86 x 3 x 1 Q5=823,02kcal/24h Q6 – CALORDE OCUPAÇÃO As pessoas, em especial os que trabalham nas câmaras, também dissipam calor para o ambiente, dependendo do tipo de movimentação, temperatura, roupa, etc. 𝑄6 = 𝑛𝑝 × 0,86 × [272 − (6 × 𝑇𝑖𝑛𝑡)] × 𝑛ℎ onde, Q6 = calor devido às pessoas (kcal/24h) np= número de pessoas nh= número de horas de uso de trabalho dentro da câmara por dia por pessoa Tint = temperatura interna (°C) 𝑄6=1 x 0,86 x (272 - (6 x -18)) x3 𝑄6= 980,04kcal/24h Q8 – INFILTRAÇÃO DE AR Cada vez que a porta da câmara frigorífica é aberta, o ar externo mais quente se infiltra na câmara e deve ser resfriado nas condições internas, aumentando por consequência a carga térmica total. 𝑄8 = 𝑉𝑜𝑙 × 𝑁 × 𝐺 × (1 − 𝐸) onde, Q8= Quantidade de calor infiltrado (kcal/24h) V = Volume da câmara (m³) N = número de abertura de portas G = ganho de energia por m³ de câmara, em função de temperaturas e umidade relativa interna e externa (kcal/m³) E = Efetividade do dispositivo de proteção. 𝑄8=76,56 x 1 x 36,3x(1-0,6) 𝑄8=1,11kcal/24h CARGA TÉRMICA TOTAL A carga térmica total é calculada pelo somatório de todas as cargas calculadas anteriormente, então: 𝑄𝑇 = 𝑄1 + 𝑄2 + 𝑄3 + 𝑄4 + 𝑄5 + 𝑄6 + 𝑄7+ 𝑄8+ 𝑄9+ 𝑄10 Deve-se acrescentar um fator de segurança de 10% ao valor total da carga térmica. Supondo vinte horas de funcionamento do sistema em função de paradas para degelo, entre outras coisas. Temos: 𝑄𝑅 = 𝑄𝑇 20