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Peça prático-profissional (Prática Penal) com narrativa sobre Gabriela, em situação de rua, acusada de furto de dois pacotes de macarrão (R$18), flagrante, inquérito e denúncia (Art.155 c/c Art.14), histórico processual 2011–2015 e solicitação de peça de defesa diferente de habeas corpus.

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INFORMAÇÕES SOBRE A AVALIAÇÃO
	
	Peça Processual 05
	INFORMAÇÕES DOCENTE
	CURSO:
Direito
	DISCIPLINA:
Prática Penal
	TURNO
	MANHÃ
	TARDE
	NOITE
	PERÍODO/SALA:
8M1
	
	
	
	X
	
	
	
	PROFESSOR (A):Ronaldo Passos Braga
		INFORMAÇÕES DISCENTE	
	ALUNO(A): LUCAS FERNANDO LOPES CUNHA
	RA: 11612032
	DATA: 
	NOTA:
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL 
Gabriela, nascida em 28/04/1990, terminou relacionamento amoroso com Patrick, não mais suportando as agressões físicas sofridas, sendo expulsa do imóvel em que residia com o companheiro em comunidade carente na cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02 anos. Sem ter familiares no Estado nem outros conhecidos, passou a pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de acesso público, alimentandos a partir de ajudas recebidas de desconhecidos. Nessa época, Gabriela fez amizade com Maria, outra mulher em situação de rua que frequentava os mesmos espaços que ela.
No dia 24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo o filho chorar e ficar doente em razão da ausência de alimentação, após não conseguir emprego ou ajuda, Gabriela decidiu ingressar em um grande supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava R$18,00 (dezoito reais). Ocorre que a conduta de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a abordou no momento em que ela deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu os dois produtos escondidos.
Em sede policial, Gabriela confirmou os fatos, reiterando a ausência de recursos financeiros e a situação de fome e risco físico de seu filho. Juntado à Folha de Antecedentes Criminais sem outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos os envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em flagrante e o inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de Gabriela pela prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, além de ter opinado pela liberdade da acusada.
O magistrado em atuação perante o juízo competente, no dia 18 de janeiro de 2011, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, concedeu liberdade provisória à acusada, deixando de converter o flagrante em preventiva, e determinou que fosse realizada a citação da denunciada. Contudo, foi concedida a liberdade para Gabriela antes de sua citação e, como ela não tinha endereço fixo, não foi localizada para ser citada.
No ano de 2015, Gabriela consegue um emprego e fica em melhores condições. Em razão disso, procura um advogado, esclarecendo que nada sabe sobre o prosseguimento da ação penal a que respondia. Disse, ainda, que Maria, hoje residente na rua X, na época dos fatos também era moradora de rua e tinha conhecimento de suas dificuldades. Diante disso, em 16 de março de 2015, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país, Gabriela e o advogado compareceram ao cartório, onde são informados que o processo estava em seu regular prosseguimento desde 2011, sem qualquer suspensão, esperando a localização de Gabriela para citação.
Naquele mesmo momento, Gabriela foi citada, assim como intimada, junto ao seu advogado, para apresentação da medida cabível. Cabe destacar que a ré, acompanhada de seu patrono, já manifestou desinteresse em aceitar a proposta de suspensão condicional do processo oferecida pelo Ministério Público.
Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade de advogado(a) de Gabriela, a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo. 
Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.
EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA XXª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE XXXXXXXXX
 
 
 
 Autos n° XXXXXX
 
 
 
Gabriela, brasileira, estado civil, profissão, CPF XXX, portadora da Carteira de Identidade XXX.XXX, com endereço na Rua XXXX, n° X - Bairro XXXXX – Cidade/UF – CEP XXX-XX, vem respeitosamente, perante Vossa Excelência, por seus advogados infra-assinados – procuração anexa – apresentar sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO com fulcro no art. 396 e 396 A do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito abaixo aduzidas.
 
 
I – DOS FATOS:
 
 
Gabriela, após termino de um relacionamento abusivo, no qual sofria constantemente agressões físicas, sendo expulsa do imóvel em que residia com o companheiro em comunidade carente na cidade de Fortaleza, Ceará, juntamente com o filho do casal de apenas 02 anos. Neste momento apenas com 20 anos de idade, sem ter familiares no Estado nem outros conhecidos, passou a pernoitar com o filho em igrejas e outros locais de acesso público. Sendo alimentandos a partir de ajudas recebidas de desconhecidos.
No dia 24 de dezembro de 2010, não mais aguentando a situação e vendo seu filho chorar e adoecer em razão da ausência de alimentos, após não conseguir emprego ou ajuda, Gabriela decidiu ingressar em um grande supermercado da região, onde escondeu na roupa dois pacotes de macarrão, cujo valor totalizava R$18,00 (dezoito reais). Ocorre que a conduta de Gabriela foi percebida pelo fiscal de segurança, que a abordou no momento em que ela deixava o estabelecimento comercial sem pagar pelos bens, e apreendeu os dois produtos escondidos.
Juntado à Folha de Antecedentes Criminais sem outras anotações, o laudo de avaliação dos bens subtraídos confirmando o valor, e ouvidos os envolvidos, inclusive o fiscal de segurança e o gerente do supermercado, o auto de prisão em flagrante e o inquérito policial foram encaminhados ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de Gabriela pela prática do crime do Art. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, além de ter opinado pela liberdade da acusada.
No dia 18 de janeiro de 2011, foi recebida denúncia oferecida pelo Ministério Público, na qual foi concedido liberdade provisória à acusada. Contudo, foi concedida a liberdade para Gabriela antes de sua citação e, como ela não tinha endereço fixo, não foi localizada para ser citada.
No ano de 2015, Gabriela após conseguir um emprego e ficar em melhores condições. Mais especificamente em 16 de março, interessada em regularizar sua situação ante ao fato ocorrido busca informações em cartório, onde ocorre sua citação e intimação.
 
II – DO DIREITO:
 
Primeiramente se faz necessário avaliar que a requerente é primaria e de bons antecedentes, além desta não ter interesse em atrapalhar a ordem social, haja vista que a requerente foi quem buscou o acesso para solução do ocorrido, de vontade própria, e como se mostra, bastante arrependida do fato. A requerente na data do fato era menor de 21 anos de idade e ao ser detida confessou de forma espontânea, afim de colaborar com as investigações como amparado pelo art. 65, inciso I e III, alínea d do Código Penal:
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença;
III - ter o agente:
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
No mais vale ressaltar que as circunstancias descritas remetem a aplicação do princípio da insignificância, com exclusão da tipicidade, como positivado no art. 397, inciso III do Código de Processo Penal. Como entendimento do STJ:
HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE FURTO. CRIME DE BAGATELA. ORDEMCONCEDIDA. 1. A tentativa de subtração de peças de carne, avaliadas no total de sessenta e sete reais, pertencentes a um supermercado, não configura fato típico. 2. O fato de ostentar o paciente condenação criminal e ser foragido da Justiça não impede o reconhecimento do crime de bagatela. 3. Coação ilegal demonstrada. 4. Ordem concedida, para trancar a ação penal, aplicadoà espécie o princípio da insignificância. (STJ - HC: 177003 RJ 2010/0114263-3, Relator: Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Data de Julgamento: 17/05/2011, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 03/08/2011).
Bem como:
APELAÇÃO TENTATIVA DE FURTO ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA APLICAÇÃO - POSSIBILIDADE: o princípio da insignificância é causa supralegal de exclusão da tipicidade que ocorre quando não há lesão ao bem jurídico tutelado, tornando injustificável a movimentação da máquina judiciária. Recurso improvido. (TJ-SP - APL: 00011290220108260451 SP 0001129-02.2010.8.26.0451, RELATOR: J. MARTINS, DATA DE JULGAMENTO: 23/05/2013, 15ª CÂMARA DE DIREITO CRIMINAL, DATA DE PUBLICAÇÃO: 20/06/2013).
Além de:
APELAÇÃO CRIMINAL - FURTO - ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - AUSÊNCIA DE TIPICIDADE MATERIAL - ABSOLVIÇÃO MANTIDA. 01. O mínimo valor do resultado obtido autoriza o magistrado a absolver o réu, quando a conduta do agente não gerou prejuízo considerável para o lesado, nem foi cometida com o emprego de violência ou grave ameaça à pessoa. O direito penal, por sua natureza fragmentária, só deve incidir quando necessário à proteção do bem juridicamente tutelado pela norma. Não se deve ocupar de bagatelas. 02. A tipicidade penal, elemento constitutivo do crime, congrega a tipicidade formal e a tipicidade conglobante ou conglobada. 03. Falta tipicidade conglobante à conduta de agente que subtrai, sem emprego de violência ou grave ameaça, objeto de valor ínfimo. 04. Caracterizada a atipicidade material do fato imputado ao agente, a absolvição é medida que se impõe. V. V. Apelação criminal - furto qualificado- absolvição sumária - princípio da insignificância não aplicável ao caso em tela - reincidência - sentença anulada - recurso provido. O princípio da insignificância leva em conta principalmente a lesividade do delito, as condições pessoais do acusado e as circunstâncias do delito. Caso em que se afere a reincidência específica, restando inaplicável a causa excludente requerida. (TJ-MG - APR: 10056081765507001 MG, RELATOR: FORTUNA GRION, DATA DE JULGAMENTO: 19/02/2013, CÂMARAS CRIMINAIS ISOLADAS / 3ª CÂMARA CRIMINAL, DATA DE PUBLICAÇÃO: 26/02/2013).
III – DO PEDIDO:
 
Frente ao exposto, requer o peticionário:
   
A) Absolvição pela pratica dos fatos previstos nos Arts. 155, caput, c/c Art. 14, inciso II ambos do Código Penal, aplicado ao princípio da insignificância.
B) No caso do entendimento deste Juízo pela condenação do art. 155 do Código Penal, que a esta seja concedida o previsto no art. 14 inciso II do mesmo dispositivo legal. Haja vista que na própria denúncia oferecida a este Juízo, consta como ato tentado o crime de furto. Bem como o exposto no art. 65, I e III, d. Em concordância com sua idade no ato praticado, bem como seu interesse em não dificultar a percussão penal.
C) Em situação que reconheça o ato tentado, art. 14, II do Código Penal, seja garantido o direito previsto no art. 33, § 2º, alínea c do Código Penal.
Nestes termos,
Pede e espera deferimento.
Cidade, XX de xxxxxxx de XXXX.
Advogado       
OAB/UF
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