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1 CONCORDANCIA E REGENCIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA 1 1. NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 2 Sumário Sumário ...................................................................................................................... 2 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR ............ 4 CONCORDÂNCIA VERBAL ....................................................................................... 5 LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS: PRÁTICAS DE LINGUAGEM, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES .................... 9 1. ............................................................................................................................... 13 CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL ................................. 13 2. A concordância verbal é estabelecida entre o verbo e o sujeito da oração. A concordância nominal é estabelecida entre o núcleo do sintagma nominal e os termos determinantes. .................................................................................................................. 13 3. Concordância é um processo utilizado pela língua para marcar formalmente as relações de determinação ou dependência morfossintática existentes entre os termos dos sintagmas no interior das orações. ............................................................................ 13 4. Essas relações morfossintáticas entre os termos de uma oração podem ser feitas por meio da concordância verbal (entre o verbo e o sujeito da oração) e nominal (entre o núcleo do sintagma nominal e seus termos determinantes). Vejamos cada uma das concordâncias: .................................................................................................................. 13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 25 3 2. INTRODUÇÃO Ao longo da Educação Básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais, que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e sócio emocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL, 2013)3, mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU)4. É imprescindível destacar que as competências gerais da BNCC, apresentadas a seguir, inter-relacionam-se e desdobram-se no tratamento didático proposto para as três etapas da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), articulando-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e valores, nos termos da LDB. 4 3. COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo 5 responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 4. CONCORDÂNCIA VERBAL Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito. Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser./ Eles gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser. Casos de concordância verbal: Sujeito simples Regra geral: O verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Ex.: Nós vamos ao cinema. O verbo (vamos) está na primeira pessoa do plural para concordar com o sujeito (nós). Casos especiais: a)O sujeito é um coletivo - o verbo fica no singular. Ex.: A multidão gritou pelo rádio. Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. Ex.: A multidão de fãs gritou./ A multidão de fãs gritaram. b) Coletivos partitivos (metade, a maior parte, maioria, etc.) o verbo fica no singular ou vai para o plural. Ex.: A maioria dos alunos foi à excursão./ A maioria dos alunos foram à excursão. 6 c) O sujeito é um pronome de tratamento - o verbo fica sempre na 3ª pessoa (do singular ou do plural). Ex.: Vossa Alteza pediu silêncio./ Vossas Altezas pediram silêncio. d) O sujeito é o pronome relativo "que" o verbo concorda com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu que derramei o café./ Fomos nós que derramamos o café. e) O sujeito é o pronome relativo "quem" - o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu quem derramou o café./ Fui eu quem derramei o café. f) O sujeito é formado pelas expressões: alguns de nós, poucos de vós, quais de..., quantos de..., etc. - o verbo poderá concordar com o pronome interrogativo ou indefinido ou com o pronome pessoal (nós ou vós). Ex.: Quais de vós me punirão?/ Quais de vós me punireis? Dicas: Com os pronomes interrogativos ou indefinidos no singular, o verbo concorda com eles em pessoa e número. Ex.: Qual de vós me punirá. g) O sujeito é formado de nomes que só aparecem no plural - se o sujeito não vier precedido de artigo, o verbo ficará no singular. Caso venha antecipado de artigo, o verbo concordará com o artigo. Ex.: Estados Unidos é uma nação poderosa./ Os Estados Unidos são a maior potência mundial. h) O sujeito é formado pelas expressões: mais de um, menos de dois, cerca de..., etc. o verbo concorda com o numeral. Ex.: Mais de um aluno não compareceu à aula./ Mais de cinco alunos não compareceram à aula. i) O sujeito é constituído pelas expressões: a maioria, a maior parte, grande parte, etc. - o verbo poderá ser usado no singular (concordância lógica) ou no plural (concordância atrativa). Ex.: A maioria dos candidatos desistiu./ A maioria dos candidatos desistiram. 7 j) O sujeito tiver por núcleo a palavra gente (sentido coletivo) - o verbo poderá ser usado no singular ou plural, se este vier afastado do substantivo. Ex.: A gente da cidade, temendo a violência da rua, permanece em casa./ A gente da cidade, temendo a violência da rua, permanecem em casa. Sujeito composto Regra geral: O verbo vai para o plural. Ex.: João e Maria foram passear no bosque. Casos especiais: a) Os núcleos do sujeito são constituídos de pessoas gramaticais diferentes - o verbo ficará no plural seguindo-se a ordem de prioridade: 1ª, 2ª e 3ª pessoa. Ex.: Eu (1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos tornaremos (1ª pessoa plural) amigos. O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª. Ex: Tu (2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos tornareis (2ª pessoa do plural) amigos. O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª. No caso acima, também é comum a concordância do verbo com a terceira pessoa. Ex.: Tu e ele se tornarão amigos. (3ª pessoa do plural) Se o sujeito estiver posposto, permite-se também a concordância por atração com o núcleo mais próximo do verbo. Ex.: Irei eu e minhas amigas. b) Os núcleos do sujeito estão coordenados assindeticamente ou ligados por e - o verbo concordará com os dois núcleos. Ex.: A jovem e a sua amiga seguiram a pé. Se o sujeito estiver posposto, permite-se a concordância por atração com o núcleo mais próximo do verbo. Ex.: Seguiria a pé a jovem e a sua amiga. c) Os núcleos do sujeito são sinônimos (ou quase) e estão no singular - o verbo poderá ficar no plural (concordância lógica) ou no singular (concordância atrativa). Ex.: A angústia e ansiedade não o ajudavam a se concentrar./ A angústia e ansiedade não o ajudava a se concentrar. 8 d) Quando há gradação entre os núcleos - o verbo pode concordar com todos os núcleos (lógica) ou apenas com o núcleo mais próximo. Ex.: Uma palavra, um gesto, um olhar bastavam./ Uma palavra, um gesto, um olhar bastava. e) Quando os sujeitos forem resumidos por nada, tudo, ninguém... - o verbo concordará com o aposto resumidor. Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o comoveu. f) Quando o sujeito for constituído pelas expressões: um e outro, nem um nem outro... - o verbo poderá ficar no singular ou no plural. Ex.: Um e outro já veio./ Um e outro já vieram. g) Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados por ou - o verbo irá para o singular quando a idéia for de exclusão, e para o plural quando for de inclusão. Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (exclusão) A poluição sonora ou a poluição do ar são nocivas ao homem. (adição, inclusão) h) Quando os sujeitos estiverem ligados pelas séries correlativas (tanto... como/ assim... como/ não só... mas também, etc.) - o que comumente ocorre é o verbo ir para o plural, embora o singular seja aceitável se os núcleos estiverem no singular. Tanto Erundina quanto Collor perderam as eleições municipais em São Paulo. 9 5. LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS: PRÁTICAS DE LINGUAGEM, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, o adolescente/jovem participa com maior criticidade de situações comunicativas diversificadas, interagindo com um número de interlocutores cada vez mais amplo, inclusive no contexto escolar, no qual se amplia o número de professores responsáveis por cada um dos componentes curriculares. Essa mudança em relação aos anos iniciais favorece não só o aprofundamento de conhecimentos relativos às áreas, como também o surgimento do desafio de aproximar esses múltiplos conhecimentos. A continuidade da formação para a autonomia se fortalece nessa etapa, na qual os jovens assumem maior protagonismo em práticas de linguagem realizadas dentro e fora da escola. No componente Língua Portuguesa, amplia-se o contato dos estudantes com gêneros textuais relacionados a vários campos de atuação e a várias disciplinas, partindo-se de práticas de linguagem já vivenciadas pelos jovens para a ampliação dessas práticas, em direção a novas experiências. Como consequência do trabalho realizado em etapas anteriores de escolarização, os adolescentes e jovens já conhecem e fazem uso de gêneros que circulam nos campos das práticas artístico-literárias, de estudo e pesquisa, jornalístico/midiático, de atuação na vida pública e campo da vida pessoal, cidadãs, investigativas. Aprofunda-se, nessa etapa, o tratamento dos gêneros que circulam na esfera pública, nos campos jornalístico-midiático e de atuação na vida pública. No primeiro campo, os gêneros jornalísticos – informativos e opinativos – e os publicitários são privilegiados, com foco em estratégias linguístico-discursivas e semióticas voltadas para a argumentação e persuasão. Para além dos gêneros, são consideradas práticas contemporâneas de curtir, comentar, redistribuir, publicar notícias, curar etc. e tematizadas questões polêmicas envolvendo as dinâmicas das redes sociais e os interesses que movem a esfera jornalística-midiática. A questão da confiabilidade da informação, da proliferação de fake news, da manipulação de fatos e opiniões têm destaque e muitas das habilidades se relacionam com a comparação e análise de notícias em diferentes fontes e mídias, com análise de sites e serviços checadores de 10 notícias e com o exercício da curadoria, estando previsto o uso de ferramentas digitais de curadoria. A proliferação do discurso de ódio também é tematizada em todos os anos e habilidades relativas ao trato e respeito com o diferente e com a participação ética e respeitosa Em discussões e debates de ideias são consideradas. Além das habilidades de leitura e produçãode textos já consagradas para o impresso são contempladas habilidades para o trato com o hipertexto e também com ferramentas de edição de textos, áudio e vídeo e produções que podem prever postagem de novos conteúdos locais que possam ser significativos para a escola ou comunidade ou apreciações e réplicas a publicações feitas por outros. Trata-se de promover uma formação que faça frente a fenômenos como o da pós-verdade, o efeito bolha e proliferação de discursos de ódio, que possa promover uma sensibilidade para com os fatos que afetam drasticamente a vida de pessoas e prever um trato ético com o debate de ideias. Como já destacado, além dos gêneros jornalísticos, também são considerados nesse campo os publicitários, estando previsto o tratamento de diferentes peças publicitárias, envolvidas em campanhas, para além do anúncio publicitário e a propaganda impressa, o que supõe habilidades para lidar com a multissemiose dos textos e com as várias mídias. Análise dos mecanismos e persuasão ganham destaque, o que também pode ajudar a promover um consumo consciente. No campo de atuação da vida pública ganham destaque os gêneros legais e normativos – abrindo-se espaço para aqueles que regulam a convivência em sociedade, como regimentos (da escola, da sala de aula) e estatutos e códigos (Estatuto da Criança e do Adolescente e Código de Defesa do Consumidor, Código Nacional de Trânsito etc.), até os de ordem mais geral, como a Constituição e a Declaração dos Direitos Humanos, sempre tomados a partir de seus contextos de produção, o que contextualiza e confere significado a seus preceitos. Trata-se de promover uma consciência dos direitos, uma valorização dos direitos humanos e a formação de uma ética da responsabilidade (o outro tem direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho). Ainda nesse campo, estão presentes gêneros reivindicatórios e propositivos e habilidades ligadas a seu trato. A exploração de canais de participação, inclusive digitais, também é prevista. Aqui também a discussão e o debate de ideias e propostas 11 assume um lugar de destaque. Assim, não se trata de promover o silenciamento de vozes dissonantes, mas antes de explicitá-las, de convocá-las para o debate, analisá- las, confrontá-las, de forma a propiciar uma autonomia de pensamento, pautada pela ética, como convém a Estados democráticos. Nesse sentido, também são propostas análises linguísticas e semióticas de textos vinculados a formas políticas não institucionalizadas, movimentos de várias naturezas, coletivos, produções artísticas, intervenções urbanas etc. No campo das práticas investigativas, há uma ênfase nos gêneros didático- expositivos, impressos ou digitais, do 6º ao 9º ano, sendo a progressão dos conhecimentos marcada pela indicação do que se operacionaliza na leitura, escrita, oralidade. Nesse processo, procedimentos e gêneros de apoio à compreensão são propostos em todos os anos. Esses textos servirão de base para a reelaboração de conhecimentos, a partir da elaboração de textos-síntese, como quadro-sinópticos, esquemas, gráficos, infográficos, tabelas, resumos, entre outros, que permitem o processamento e a organização de conhecimentos em práticas de estudo e de dados levantados em diferentes fontes de pesquisa. Será dada ênfase especial a procedimentos de busca, tratamento e análise de dados e informações e a formas variadas de registro e socialização de estudos e pesquisas, que envolvem não só os gêneros já consagrados, como apresentação oral e ensaio escolar, como também outros gêneros da cultura digital – relatos multimidiáticos, verbetes de enciclopédias colaborativas, vídeos-minuto etc. Trata-se de fomentar uma formação que possibilite o trato crítico e criterioso das informações e dados. No âmbito do Campo artístico-literário, trata-se de possibilitar o contato com as manifestações artísticas em geral, e, de forma particular e especial, com a arte literária e de oferecer as condições para que se possa reconhecer, valorizar e fruir essas manifestações. Está em jogo a continuidade da formação do leitor literário, com especial destaque para o desenvolvimento da fruição, de modo a evidenciar a condição estética desse tipo de leitura e de escrita. Para que a função utilitária da literatura – e da arte em geral – possa dar lugar à sua dimensão humanizadora, transformadora e mobilizadora, é preciso supor – e, portanto, garantir a formação de – um leitor-fruidor, ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de “desvendar” suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura. Para tanto, as habilidades, no que tange à 12 formação literária, envolvem conhecimentos de gêneros narrativos e poéticos que podem ser desenvolvidos em função dessa apreciação e que dizem respeito, no caso da narrativa literária, a seus elementos (espaço, tempo, personagens); às escolhas que constituem o estilo nos textos, na configuração do tempo e do espaço e na construção dos personagens; aos diferentes modos de se contar uma história (em primeira ou terceira pessoa, por meio de um narrador personagem, com pleno ou parcial domínio dos acontecimentos); à polifonia própria das narrativas, que oferecem níveis de complexidade a serem explorados em cada ano da escolaridade; ao fôlego dos textos. No caso da poesia, destacam-se, inicialmente, os efeitos de sentido produzidos por recursos de diferentes naturezas, para depois se alcançar a dimensão imagética, constituída de processos metafóricos e metonímicos muito presentes na linguagem poética. Ressalta-se, ainda, a proposição de objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que concorrem para a capacidade dos estudantes de relacionarem textos, percebendo os efeitos de sentidos decorrentes da intertextualidade temática e da polifonia resultante da inserção – explícita ou não – de diferentes vozes nos textos. A relação entre textos e vozes se expressa, também, nas práticas de compartilhamento que promovem a escuta e a produção de textos, de diferentes gêneros e em diferentes mídias, que se prestam à expressão das preferências e das apreciações do que foi lido/ouvido/assistido. Por fim, destaque-se a relevância desse campo para o exercício da empatia e do diálogo, tendo em vista a potência da arte e da literatura como expedientes que permitem o contato com diversificados valores, comportamentos, crenças, desejos e conflitos, o que contribui para reconhecer e compreender modos distintos de ser e estar no mundo e, pelo reconhecimento do que é diverso, compreender a si mesmo e desenvolver uma atitude de respeito e valorização do que é diferente. Outros gêneros, além daqueles cuja abordagem é sugerida na BNCC, podem e devem ser incorporados aos currículos das escolas e, assim como já salientado, os gêneros podem ser contemplados em anos diferentes dos indicados. Também, como já mencionado, nos Anos Finais do Ensino Fundamental, os conhecimentos sobre a língua, sobre as demais semioses e sobre a norma-padrão se articulam aos demais eixos em que se organizam os objetivos de aprendizagem e 13 desenvolvimento de Língua Portuguesa. Dessa forma, as abordagens linguística, metalinguística e reflexiva ocorrem sempre a favor da prática de linguagem que está em evidência nos eixos de leitura, escrita ou oralidade. Os conhecimentos sobre a língua, as demais semioses e a norma-padrão não devem ser tomados como uma lista de conteúdos dissociados das práticas de linguagem, mas como propiciadores de reflexão a respeito do funcionamento da língua no contexto dessas práticas. A seleção de habilidades na BNCC está relacionada com aqueles conhecimentos fundamentais para que o estudante possa apropriar-se do sistema linguístico que organiza o português brasileiro. Alguns desses objetivos, sobretudo aqueles que dizem respeitoà norma, são transversais a toda a base de Língua Portuguesa. O conhecimento da ortografia, da pontuação, da acentuação, por exemplo, deve estar presente ao longo de toda escolaridade, abordados conforme o ano da escolaridade. Assume-se, na BNCC de Língua Portuguesa, uma perspectiva de progressão de conhecimentos que vai das regularidades às irregularidades e dos usos mais frequentes e simples aos menos habituais e mais complexos. 6. CONCORDÂNCIA VERBAL E CONCORDÂNCIA NOMINAL 1. A concordância verbal é estabelecida entre o verbo e o sujeito da oração. A concordância nominal é estabelecida entre o núcleo do sintagma nominal e os termos determinantes. 2. Concordância é um processo utilizado pela língua para marcar formalmente as relações de determinação ou dependência morfossintática existentes entre os termos dos sintagmas no interior das orações. 3. Essas relações morfossintáticas entre os termos de uma oração podem ser feitas por meio da concordância verbal (entre o verbo e o sujeito da oração) e nominal (entre o núcleo do sintagma nominal e seus termos determinantes). Vejamos cada uma das concordâncias: 14 Concordância Nominal A concordância nominal é estabelecida entre o núcleo de um sintagma nominal em suas flexões de gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) e todos os termos que o determinam. Observe o exemplo: As tigelas dos gatos são antigas – Núcleo do Sintagma Regra geral de concordância nominal Os adjetivos, pronomes, artigos, numerais e particípios (sintagmas nominas determinantes) concordam em gênero e número com o núcleo do sintagma nominal que determinam, isto é, flexionam-se em gênero e número de acordo com as flexões do elemento substantivo (substantivo, pronome ou numeral substantivo) a que se referem. Sintagmas nominais determinantes Adjetivos Pronomes adjetivos Artigos Numerais Particípios Sintagmas nominais determinados Substantivos Pronomes Numerais substantivos Lembre-se de que os sintagmas nominais determinantes concordam em gênero e número com os sintagmas nominais determinados. 15 Veja o exemplo: Bonitas são as flores do meu jardim. Casos especiais de concordância nominal → Adjetivos pospostos aos substantivos Modificação de dois ou mais substantivos Quando um ou mais adjetivos modificam dois ou mais substantivos que os antecedem, há duas possibilidades de concordância. a) O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo. Exemplo: O macaco e a onça enfurecida foram para a parte de trás da jaula. macaco: substantivo masculino, singular onça: substantivo feminino, singular enfurecida: adjetivo feminino, singular. Note que, nesse caso, entendemos que o adjetivo refere-se somente ao segundo substantivo – onça (enfurecida). b) O adjetivo flexiona-se no plural. Exemplo: O macaco e a onça enfurecidos foram para a parte de trás da jaula. macaco: substantivo masculino, singular onça: substantivo feminino, singular enfurecidos: adjetivo masculino, plural. Note que, nesse caso, entendemos que o adjetivo se refere a todos os substantivos (macaco e onça) que o antecedem. 16 Lembre-se de que, na Língua Portuguesa, caso os substantivos a serem modificados por um adjetivo no plural sejam de gêneros (feminino e masculino) diferentes, a concordância é feita no masculino. Exemplo: As meninas do 6º B e o menino do 7º A são encrenqueiros. Modificação de substantivos que expressam gradação de sentido Quando há uma sequência de substantivos no singular cujo encandeamento sugere a ideia de gradação, os adjetivos podem ser flexionados no plural ou concordarem em número com o substantivo mais próximo. Exemplos: Gostaria de pedir frango e costela bem passados. Gostaria de pedir frango e costela bem passada. Note que a opção pela concordância no singular enfatiza a ideia de gradação, já que destaca a última palavra da sequência. → Adjetivos antepostos aos substantivos Modificação de dois ou mais substantivos Quando os adjetivos concordam em gênero e número com o primeiro substantivo da sequência. Exemplos: Gosto de comer deliciosos cajus, mangas e graviolas no verão. Gosto de comer deliciosos cajus, manga e graviola no verão. Note que, no segundo exemplo, o adjetivo masculino plural caracteriza apenas o substantivo masculino plural 'cajus'. Modificação de dois ou mais nomes próprios ou de parentesco a) Os adjetivos devem ser flexionados no plural. 17 As maravilhosas Maria da Silva e Lúcia Vieira são nossas melhores vendedoras. Maravilhosas: adjetivo feminino no plural. Maria da Silva e Lúcia Vieira: substantivos femininos. Adjetivos na função de predicativo Devemos flexionar o adjetivo no plural quando este desempenha a função sintática de predicativo de um sujeito ou objeto cujo núcleo seja ocupado por mais de um substantivo. Exemplo: A mãe e a filha pareciam tristes com aquela situação. Mãe e filha: sujeito composto. Tristes: predicativo do sujeito. Casos específicos Obrigado/obrigada Como o agradecimento sugere certa adjetivação, obrigado ou obrigada devem concordar com a pessoa que fala, ou seja, com aquela que está agradecendo. Mulheres dizem obrigada, homens dizem obrigado. Exemplo: Mariana disse obrigada a todos os convidados. Menos 18 Tanto na função de pronome adjetivo quanto na função de advérbio, 'menos' é sempre invariável. Isso significa que a flexão de gênero não é possível e, portanto, a palavra “menas” não existe na nossa língua. Exemplo: Ela é menos questionadora do que ele. Mesmo e próprio Os pronomes de reforço, como são chamados, devem concordar em gênero e número com a pessoa a que fazem referência. Exemplos: As alunas mesmas que organizaram o evento. Eles próprios construíram suas casas neste condomínio. Meio/Meia A palavra 'meio' pode ser utilizada como numeral ou como advérbio, dependendo da palavra que a modifica. a) Quando determina um substantivo, ela funciona como um numeral adjetivo e, portanto, deve concordar em gênero com o substantivo. Exemplo: Adicione meia colher de açúcar. b) Quando modifica um adjetivo, sua função é de advérbio e, portanto, é invariável. Exemplo: Marisa é meio gastadeira, e seu marido está desempregado. Bastante A palavra 'bastante' pode ocupar a função de adjetivo ou advérbio, dependendo da palavra que a modifica. 19 a) Quando modifica um substantivo, tem valor de adjetivo e, portanto, deve concordar em número com o substantivo a que se refere. Exemplo: Os meninos ficaram bastantes doentes com a mud ança no clima. b) Quando ela modifica um adjetivo, sua função e de advérbio e, portanto, é invariável. Exemplo: João considerou bastante difíceis as questões do simulado. Anexo e incluso Anexo e incluso são adjetivos que devem concordar com o substantivo que modificam. Exemplos: Segue anexo o documento solicitado. Segue anexa a fotografia para cadastro. Os alunos estão inclusos no programa de assistência estudantil. A pasta de materiais está inclusa no valor da matrícula. É proibido, é bom e é necessário Essas expressões adjetivas devem concordar com o substantivo que as modifica. Existem dois casos. a) O adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo caso o substantivo, que atua como núcleo do sujeito da oração, venha precedido de artigo ou outro elemento determinante. Exemplos: A sabedoria é necessária, sobretudo nos momentos mais difíceis. É proibida a entrada de crianças com menos de 1,20 m. A receita do frango caipira com polenta é muito boa. 20 b) O adjetivo deve permanecer no masculino singular quando o substantivo,que atua como núcleo do sujeito da oração, não é precedido por qualquer outro elemento que o determine. Exemplos: É proibido bebida destilada na festa. É necessário inteligência na resolução do problema. Concordância Verbal A concordância verbal é estabelecida entre o verbo, em suas flexões de número (plural e singular) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª), e o sujeito da oração com o qual ele se relaciona. Observe o exemplo: Eles me propuseram um acordo. ↨ ↨ ↨ verbo (núcleo do predicativo) 3ª pessoa do plural ↨ Pronome pessoal (núcleo do sujeito) 3ª pessoa do plural Sintagma verbal Em alguns casos, o sujeito aparece após o verbo, o que não afeta as relações de concordância. O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Observe o exemplo: O prêmio do concurso ganharam todos os alunos inscritos. ↨ ↨ ↨ substantivo (núcleo do sujeito) ↨ 3ª pessoa do plural (eles) ↨ verbo transitivo direto 21 (núcleo do predicado) 3ª pessoa do plural Sintagma verbal Casos especiais de concordância verbal com sujeito simples Expressões partitivas + substantivo/pronome: Quando o sujeito apresenta expressão partitiva, ou seja, aquela que sugere uma “parte de alguma coisa”, seguida de substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. Exemplos: A maioria dos alunos não estuda para o simulado. O verbo ficou no singular porque a concordância foi feita com o substantivo 'maioria', que é o núcleo do sujeito da oração. A maioria dos alunos não estudam para o simulado. O verbo passa para o plural caso a concordância seja feita com o substantivo que sucede a expressão partitiva, no núcleo do adjunto adnominal. Porcentagem Quando o sujeito apresenta apenas a expressão numérica de uma porcentagem, o verbo deve concordar com o valor da expressão numérica. Exemplos: 27% deixaram de ir às urnas neste ano. Apenas 73% compareceram às urnas neste ano. Aqueles 27% que não votaram terão que se justificar no TRE. Quando a expressão indicativa de porcentagem for seguida de um substantivo, transforma-se em uma expressão partitiva e, por isso, o verbo poderá concordar com o numeral ou com o substantivo. Exemplo: 1% dos eleitores votaram nulo. 1% dos eleitores votou nulo. Expressões fracionárias Em expressões fracionárias, o verbo deve concordar com o numerador (o número que aparece acima do traço) da fração. 22 Exemplo: No município de Tajuí, 1/3 dos eleitores é homem , ou seja, 2/3 são mulhere s. Expressão indicativa de quantidade aproximada Quando o sujeito é constituído de qualquer expressão que indique quantidade aproximada, como mais de, menos de, perto de, cerca de, etc., seguida de numeral, o verbo concorda com o substantivo que segue essa expressão. Exemplos: Cerca de vinte e sete artistas prestigiaram o evento. Mais de um aluno ficou de recuperação em Matemática. Uma semana e um dia se passaram e ainda não tenho notícias dele. Pronomes relativos Pronome relativo 'que' a) Quando o pronome relativo 'que' atua como sujeito e introduz uma oração subordinada adjetiva, o verbo deverá concordar em número e pessoa com o termo da oração principal ao qual o pronome relativo faz referência. Exemplo: Foi Joana que fez esse bolo. b) Quando o pronome relativo 'que' for antecedido, na oração principal, pela expressão 'um(a) do(a)', o verbo da oração adjetiva vai para o plural. Exemplo: Pastor alemão é uma das raças caninas que melhor vigiam residênc ias. c) Quando a intenção é a de destacar o sujeito do grupo, o verbo deve ser utilizado no singular. Exemplo: Pastor alemão é uma das raças caninas que mais vigia residências. Pronome relativo 'quem' Quando o sujeito da oração é o pronome relativo 'quem', o verbo pode concordar com o antecedente do pronome ou com o próprio nome na 3ª pessoa do singular (ele/a). Exemplo: Fui eu quem reservou/reservei a hospedagem. 23 Pronomes indefinidos e interrogativos a) Quando o sujeito apresenta expressões construídas com pronomes indefinidos ou interrogativos no plural, seguidos de preposição 'de' e dos pronomes 'nós' e 'vós', o verbo é flexionado no plural, mas pode também concordar em pessoa tanto com o pronome indefinido – na 3ª pessoa – como com o pronome pessoal. Exemplo: Alguns de nós poderão/poderemos saber a verdade ainda hoje. b) Quando o pronome indefinido ou interrogativo estiver no singular, o verbo concordará com a pessoa pronominal – 3ª do singular. Exemplo: Nenhum de nós merece sofrer. Pronomes de tratamento Quando o sujeito é constituído de um pronome de tratamento, o verbo vai sempre para a 3ª pessoa (singular ou plural), dependendo do número do pronome. Exemplo: Desejo que Vossa(s) Excelência(s) tenha(m) um excelente dia. Substantivos a) Quando o núcleo do sujeito é um substantivo coletivo, o verbo deve estar no singular. Exemplo: O cardume seguiu a jangada durante vinte minutos. b) Quando o núcleo do sujeito é um substantivo que apresenta forma plural, mas tem sentido singular, o verbo deve permanecer no singular. Exemplo: Férias é essencial para todo trabalhador e estudante. c) Quando o substantivo é antecedido por determinante, o verbo passará para o plural. Exemplo: Meus óculos são indispensáveis para que eu consiga trabalhar. 24 d) Quando o núcleo do sujeito é constituído de um substantivo próprio que apresenta forma plural, o verbo fica no singular caso o substantivo não seja antecedido por um determinante. Exemplo: Amores possíveis é o melhor filme nacional que já vi. e) Quando o substantivo próprio for antecedido por determinante – artigo, pronome ou numeral, o verbo irá para o plural. Exemplo: Os Estados Unidos são o destino perfeito para quem é consumista. Casos especiais com sujeitos compostos Sujeito Posposto a) Quando o sujeito composto é posposto ao verbo, há duas possibilidades de realizar a concordância. A primeira é o verbo no plural concordando com todos os núcleos; a segunda é o verbo no singular concordando apenas com o núcleo mais próximo caso ele esteja no singular. Exemplos: Entraram na sala o professor e os alunos. Entrou na sala o professor e os alunos. Veja também os casos de concordâncias especiais dos verbos ser, haver e fazer. A concordância é uma relação de determinação ou dependência morfossintática e pode ocorrer com relação ao nome ou ao verbo 25 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981. BARTHES, R. A morte do autor. In: _______. O rumor da língua. São Paulo: Brasiliense, 1988. BORGES, J. L. A poesia. In: _______. Sete noites. Trad. João Silvério Trevisan. São Paulo: Max Limonad, 1987. BOSI, A. Plural, mas não caótico. In: BOSI, A. (Org.). Cultura brasileira:temas e situações. São Paulo: Ática, 1987. BOURDIEU, P. As regras da arte: gênero e estrutura do campo literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: MEC/ Semtec, 2002. ______. PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Vol. Linguagens, códigos e suas tecnologias. 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