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ÉTICA E CONSUMO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Aline Pires 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O objetivo desta abordagem é reconhecer o que caracteriza uma 
propaganda enganosa ou abusiva, pois alguns elementos aplicados na 
propaganda, sejam eles textuais ou não, bem como a falta deles, podem induzir 
o consumidor ao erro. 
CONTEXTUALIZANDO 
Por mais que o mundo atual pareça avançado por conta das conexões 
digitais possíveis, tecnologia, novidades, pessoas se comunicando com o mundo 
todo sem sequer saírem das suas casas, nós ainda temos consumidores sendo 
enganados pela propaganda. 
É muita promessa que não é cumprida. É produto que não é entregue, é 
ingrediente que não consta no produto, é suco que não é suco, é sanduíche de 
picanha que não tem picanha, é promoção que não é promoção – quando temos 
“tudo pela metade do dobro”, é produto que já chega com defeito, quando chega. 
Na publicidade existem limites. As marcas, por maiores que sejam, 
precisam e devem respeitá-los. Toda e qualquer comunicação que ultrapasse os 
limites da ética e do bom senso precisa ser devidamente punida. 
A pergunta que temos que fazer é: o lucro do anunciante é sempre o mais 
importante em uma relação de consumo? Como garantir uma boa publicidade 
sem que nenhum consumidor seja ou se sinta lesado? Hoje, o consumidor que 
é enganado pela propaganda reclama, denuncia e com razão, além de ter à sua 
disposição inúmeros canais para que isso aconteça. 
Diante disso, o que fazer então para que a propaganda respeite o 
consumidor, seja verdadeira, real e honesta? É o que vamos analisar nesta 
abordagem. 
TEMA 1 – PROPAGANDA ENGANOSA 
A propaganda está diretamente ligada à oferta de produtos e serviços. 
Alguns profissionais no mercado preferem usar a palavra “publicidade”, por conta 
da origem religiosa da palavra “propaganda”. 
A palavra propaganda foi traduzida pelo papa Clemente VII, em 1597 
– quando fundou a Congregação da Propaganda – Congregatio 
Propaganda Fide, com o fito de propagar a fé́ católica pelo mundo –, 
 
 
3 
como derivação do latim propagare, que significa reproduzir por meio 
de mergulhia, ou seja, enterrar o rebento de uma planta no solo. 
Propagare, por sua vez, deriva de pangere, que quer dizer enterrar, 
mergulhar, plantar. (Sant’Anna; Rocha Júnior; Garcia, 2016, p. 67) 
Contudo, se pensarmos que “propagar”, “promover”, “vender” são 
palavras que têm relação direta, e que um produto ou serviço precisa ser visto 
pelos seus possíveis consumidores, ele terá uma marca, que por sua vez tem 
sua crença e posicionamento de marca, então isso será “propagado” e “vendido” 
para seu público. São criadas e divulgadas informações sobre determinado 
produto ou serviço, há uma publicidade em torno dele e o resultado do sucesso 
dessa comunicação se dará pelo seu número de vendas. Já para efeitos 
jurídicos, a palavra predominante é a publicidade. 
Isso posto, quando uma propaganda não cumpre o seu devido papel, 
temos então o que chamamos de “propaganda enganosa”, que é qualquer 
mensagem publicitária falsa que omita ou exagere em informações e leve o 
público-alvo (consumidor) ao erro. Desse modo, é importante conhecermos o 
que caracteriza essa prática, bem como seus limites e punições em caso de 
excessos e descumprimentos. 
 Segundo o Código de Defesa do Consumidor – CDC, Lei n. 8.078, de 11 
de setembro de 1990 (grifo nosso), dispomos a seguir alguns artigos sobre a 
proteção do consumidor relacionada à publicidade enganosa ou abusiva: 
Seção III – Da Publicidade: 
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o 
consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. 
Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou 
serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos 
interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão 
sustentação à mensagem. 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva: 
§ 1.º. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação 
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer 
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o 
consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, 
quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados 
sobre produtos e serviços. 
§ 2.º. É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de 
qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a 
superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência 
da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de 
induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa 
à sua saúde ou segurança. 
§ 3.º. Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por 
omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto 
ou serviço. 
§4.º. (Vetado). 
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou 
comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. 
 
 
4 
Mas como saber o que pode caracterizar uma propaganda como 
enganosa? Vejamos um exemplo. Uma determinada rede de restaurantes 
lançou uma promoção. Ao comprar um determinado prato, o consumidor teria 
direito a outro grátis. Esse prato brinde, por sua vez, seria uma sobremesa: ravioli 
de chocolate. Porém, no ato do recebimento do item gratuito, o ravioli de 
chocolate era um chocolate (muito pequeno) em formato de um ravioli. Ou seja, 
não era, de fato, a massa prometida. O consumidor esperava um prato de ravioli 
com cobertura ou recheio de chocolate. 
Isso é induzir o consumidor ao erro. Sempre que uma informação 
publicitária não for adequada, clara, precisa e for passível de interpretações 
equivocadas por parte do consumidor, ela pode vir a ser considerada 
propaganda enganosa. Isso vale também para quando a informação for faltante, 
inexistente, ou seja, quando deveria constar explicitamente em uma peça 
publicitária e não consta. “Vale dizer que a ilicitude do anúncio pode ser 
configurada não apenas pelo que está anunciado, mas também por aquilo que 
não o foi (e deveria)” (Azevedo, 2015). 
É importante entender que a propaganda enganosa não é 
necessariamente a propaganda televisiva, mas todo e qualquer material 
publicitário que possa levar o consumidor ao erro, por exemplo, tabloides de 
supermercado, anúncios de revista, anúncios em rádio, panfletos, posts de redes 
sociais e materiais publicitários digitais. O que caracteriza a propaganda 
enganosa é a informação aplicada, ou a falta dela, na peça publicitária. Já a 
abusiva diz respeito à discriminação, questões éticas e morais, por isso da 
necessidade de uma análise criteriosa das peças publicitárias antes da 
veiculação. 
1.1 Princípios da publicidade no Código de Defesa do Consumidor – CDC 
O Código de Defesa do Consumidor – CDC recomenda alguns princípios 
que direcionam a publicidade brasileira. De acordo com Azevedo (2015, p. 73), 
vejamos alguns princípios que se referem às sanções e penalidades cabíveis em 
relação à publicidade enganosa ou abusiva: 
• Princípio da correção do desvio publicitário (contrapropaganda) – A 
previsão da contrapropaganda encontra amparo legal […] 
especialmente no Art. 60: 
− Art.60. A imposição de contrapropaganda será cominada 
quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade 
 
 
5 
enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos, 
sempre às expensas do infrator. § 1.º. A contrapropaganda será 
divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e 
dimensão e, preferencialmente, no mesmo veículo, local, espaço 
e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade 
e enganosa ou abusiva. (Brasil, 1990) 
O objetivo dessa sanção administrativa é punir publicamente 
fornecedores que incorrem na prática da publicidade enganosa ou 
abusiva. Há também importante caráter inibitório, pois muitas vezes a 
exposição pública de um problema pode ser mais danosa do que o 
pagamento de multas. 
• Princípioda regulamentação penal da publicidade – A 
regulamentação penal da publicidade está prevista no Título II do 
CDC, que trata das infrações penais, especialmente nos artigos 
analisados a seguir: 
− Art. 63. “omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade 
ou periculosidade de produtos, nas embalagens, nos invólucros, 
recipientes ou publicidade enseja pena de detenção de seis 
meses a dois anos e multa” (Brasil,1990). 
− Art. 67. Fazer ou promover a publicidade que sabe ou deveria 
saber ser enganosa ou abusiva: 
− Pena - Detenção de três meses a um ano e multa. 
− Parágrafo único. (Vetado). 
− Art. 68. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria 
saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de 
forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança: 
− Pena – Detenção de seis meses a dois anos e multa. 
− Parágrafo único. (Vetado). 
1.2 Principal órgão regulador da propaganda e sua popularidade 
Como vimos, para que a publicidade se enquadre nas normas existentes 
e permaneça correta, temos alguns órgãos relevantes para essa prática. São 
eles que fiscalizam a ética, orientam e até mesmo punem as marcas que 
descumprem qualquer normativa. Trabalham por intermédio de conselhos 
organizados e compostos por vários profissionais, especialistas da área e 
membros da sociedade civil, que discutem, julgam e votam a respeito da 
publicidade denunciada, sejam elas oriundas do público consumidor que se 
sentiu enganado, ou mesmo por meio de concorrentes que também podem 
efetuar denúncias. É interessante destacar que é mantido o sigilo das 
informações pessoais dos consumidores denunciantes. 
 O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – Conar, 
nasceu nos anos 1970, como forma de manter a garantia da “liberdade de 
expressão” da propaganda. Tornou-se mais popular no ano de 2020, ao abrir 
representações contra cantores em razão de suposta falta de ética em seus 
comportamentos durante lives (apresentações ao vivo) realizadas na internet. 
Os cantores estariam consumindo excessivamente bebidas alcoólicas. O Conar 
abriu essas representações em razão do grande número de denúncias 
 
 
6 
realizadas pelos consumidores. A garantia da ética na publicidade é o foco do 
Conar, um dos principais órgãos regulamentadores que desde 1978 julgou mais 
de dez mil representações. Criou, ainda, o “Guia de Publicidade por 
Influenciadores Digitais”, que apresenta informações para a devida aplicação 
das regras do Código de Autorregulamentação Publicitária voltado 
especificamente para a publicidade realizada por influenciadores digitais nas 
redes sociais, algo que se fazia necessário, pois existem também na internet 
regras a serem cumpridas. 
TEMA 2 – TENSÕES ENTRE ÉTICA E LUCRO 
Certamente um dos departamentos mais vulneráveis às práticas 
antiéticas em uma empresa é o departamento comercial (compra e venda). Ao 
atender um cliente, é muito fácil que o vendedor cogite a possibilidade de 
oferecer mais do que realmente pode cumprir, visando ao alcance de suas metas 
mensais. Há também uma certa pressão por parte das empresas nesse sentido. 
Isso posto, na propaganda não é diferente. Uma empresa sempre terá 
suas metas a serem alcançadas e, para que isso aconteça, terá que vender 
sempre mais. 
Certa vez, uma renomada empresa de telefonia ofereceu pacotes 
promocionais e os vendeu além da sua capacidade de entrega. Trata-se 
claramente da obtenção de lucro sem o uso da ética, uma vez que a empresa 
conhece sua capacidade, portanto, sabia que não poderia cumprir com sua 
promessa. Mesmo assim, efetuou as vendas. 
Dito isso, uma empresa ou marca deve sempre ter em prática os seus 
valores, aqueles que vão constar na sua identidade organizacional, e ética 
certamente é um deles. Quando uma empresa começa a crescer, ganhar 
notoriedade no mercado, talvez ela venha a se esquecer desses valores, logo, 
estará fadada ao insucesso, pois perderá credibilidade. Ganha-se de um lado, 
perde-se de outro. Há alguma vantagem nisso? Não seria melhor obter lucros 
menores, porém constantes, do que obter um lucro excessivo em determinado 
momento e depois falir por que os consumidores não confiam mais na marca? 
No caso do exemplo da marca de serviços de telefonia comentado 
anteriormente, a empresa foi denunciada e condenada ao pagamento de multas 
altíssimas, e que são direcionadas a fundos de proteção ao consumidor. Claro 
que, insatisfeito, um consumidor que se sinta lesado pode cancelar o seu pacote 
 
 
7 
de serviços contratado, mas cancelar algum serviço de telefonia pode ser algo 
quase impossível. Então imaginemos o tamanho da encrenca que esta empresa 
causou simplesmente por não agir dentro da ética. 
O que é preciso entender é que ética gera lucro. Uma empresa que age 
eticamente é recomendada, garante a confiança do cliente e assim obtém 
sucesso em longo prazo. 
Um período sazonal anual em que a ética parece dar lugar apenas ao 
lucro é a Black Friday. Conhecida como “sexta-feira negra”, acontece geralmente 
na quarta sexta-feira do mês de novembro, dia em que os lojistas fazem suas 
grandes promoções para que os consumidores possam garantir as suas 
compras de Natal com desconto. 
Figura 1 – Black Friday 
 
Crédito: Mar1kOFF/Shutterstock. 
Isso seria interessante se os lojistas não abusassem da boa-fé dos 
consumidores. O Black Friday é o período em que o Departamento Estadual de 
Proteção e Defesa do Consumidor – Procon (cada Estado tem o seu) mais 
recebe reclamações por parte dos consumidores. Segundo a reportagem da Isto 
é Dinheiro (2021), vejamos quais são os principais motivos dessas reclamações, 
registradas pelo Procon do Estado de São Paulo. 
 
 
 
8 
Tabela 1 – Motivos das reclamações 
Motivo Número de reclamações 
Maquiagem de preço 139 
Pedido cancelado após a compra 109 
Mudança de preço ao finalizar a compra 107 
Produto ou serviço indisponível 101 
Não entrega ou atraso 89 
Fonte: Pavan, 2021. 
Vejamos que, ao analisarmos essa tabela, é claramente possível vermos 
que o lucro é almejado pelas empresas e que lhes falta ética, pois o maior 
número de reclamações se dá por “maquiagem de preço” (quando a empresa 
aumenta o preço antes de baixá-lo) ou “mudança de preço ao finalizar a compra”, 
ou seja, mentira, falta de respeito, falta de honestidade com os consumidores. 
Um profissional que atue em uma agência de propaganda deverá sempre 
alertar o cliente quando este estiver tomando uma decisão equivocada a respeito 
dessa temática que aqui discutimos: ética x lucro. As penalidades cabíveis 
recaem sobre o anunciante, mas a agência também poderá sofrer 
consequências. 
Lembre-se sempre de que todo mundo é honesto até a chance de não 
ser. Existirão oportunidades, inclusive, em que seremos colocado à prova, seja 
pessoal ou profissionalmente. 
Saiba mais 
Para saber quais foram as empresas campeãs de reclamações, 
recomendamos a leitura do artigo “Black Friday: conheça as campeãs de 
reclamação do Procon – SP em 2020”, da revista Isto é Dinheiro. Disponível em: 
<https://www.istoedinheiro.com.br/black-friday-conheca-as-campeas-de-reclam 
acao-do-procon-sp-em-2020/>. Acesso em: 17 ago. 2022. 
TEMA 3 – LIMITES ÉTICOS PARA CRIAÇÃO DE CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS 
A ética permeia todas as relações existentes na comunicação, 
principalmente no que diz respeito à criação de campanhas publicitárias. Para 
cada segmento, marca, produto, serviço ou público existirá algum ponto 
específico a ser observado sob os aspectos éticos. Estes se dividem em várias 
combinações de relações distintas, sejam elas entre a o cliente e a agência, entre 
 
 
9 
a agência e o consumidor, entre o publicitário e a agência, ou entre cliente, 
agência, publicitário e sociedade. 
Há quem diga que as campanhas publicitárias refletem o que acontece na 
sociedade, logo, se a sociedade age dentro da ética, esse será o reflexo a ser 
visto na publicidade. Entretanto,há também quem diga que a operação é 
inversa. A sociedade é que se comporta de acordo com o que vê nas 
propagandas. Ainda, se pensarmos que a publicidade (de acordo com o que diz 
a lei) deve ser verdadeira, então ela deve representar as realidades. 
A partir de 2020, vivemos o período de pandemia no Brasil, o qual foi 
representado em diversas campanhas publicitárias. Quando não tínhamos 
pandemia, a propaganda obviamente não tratava disso. Assim sendo, temos 
uma evidência de que a propaganda parece refletir o que acontece na sociedade. 
Vejamos um exemplo de campanha veiculada nesse período (Figura 2). 
Figura 2 – Exemplo de campanha 
 
Crédito: Roman Samb/Shutterstock; Elena_Garder/Adobe Stock. Arte: UT. 
É interessante avaliar que, anteriormente ao período de pandemia, nós 
não víamos pessoas retratadas na propaganda usando máscaras. Nessa 
campanha, especificamente, a marca ressalta os cuidados de proteção 
(hidratação) aos lábios mesmo durante o uso de máscaras. Isso porque 
 
 
10 
certamente houve uma redução do número de vendas desse produto nesse 
período, pois as mulheres entenderam que já que estariam de máscaras, logo, 
não precisariam usar o produto. Logo, a presente peça publicitária vem resgatar 
a importância do uso. É possível vermos que há um certo cuidado aplicado na 
peça, uma mensagem um tanto quanto sutil que respeita os limites éticos, uma 
vez que apresenta algo verdadeiro, associado à realidade do momento em que 
é apresentada. Então, podemos dizer que os limites éticos em campanhas 
publicitárias estarão sempre baseados em verdades, cuidado, respeito. Ainda, 
quando a propaganda retrata algo, é porque esse algo existe. 
As principais questões éticas da propaganda estão relacionadas a: 
• apresentação verdadeira – garantir a efetividade da mensagem, 
comprovar fatos e argumentos apresentados nas peças publicitárias 
(qualidades e benefícios); as mensagens devem reproduzir a realidade; 
• plágio – não copiar campanhas dos concorrentes ou ter uma campanha 
copiada; nenhum publicitário gosta de ter seu trabalho, sua ideia plagiada; 
• relação com o cliente – agência, veículos, parceiros, fornecedores, 
devem ter uma relação comercial ética, transparente e baseada em 
cumprimento de acordos; 
• desrespeito, discriminação e preconceito – principalmente em se 
tratando das minorias, garantir que todas as pessoas sejam devidamente 
representadas na publicidade (representação social) sem ofensas ou 
menosprezo; 
• propaganda para crianças – não incitar as crianças a práticas perigosas, 
contribuir para com a educação das crianças; comunicar-se com os pais 
e responsáveis respeitando sua autoridade; 
• ofensa a produto ou agência concorrente – não atuar com práticas 
desleais, preços abusivos ou inferiores ao mercado, não denegrir 
concorrentes. 
TEMA 4 – SENSO E CONSCIÊNCIA MORAL 
Senso moral é “o que caracteriza o sentimento que condiz com a 
moralidade, de acordo com os valores morais (o bem e o mal, o certo e o errado) 
presentes em uma determinada sociedade” (Significados, 2022). 
 
 
11 
Sob o olhar da filosofia, nossas emoções equivalem à nossa percepção 
diante de um determinado acontecimento. Por exemplo, como nos sentimos ao 
nos depararmos com alguém sendo injustiçado, como a senhora que não 
recebeu um lugar no ônibus, uma pessoa vendendo algo no sinaleiro, uma 
pessoa dormindo na rua. Trata-se de sentimentos que surgem em nós diante de 
situações que entendemos como desiguais, de acordo com o que é colocado 
como certo ou errado em determinada sociedade. 
Os valores morais de uma sociedade podem estar associados à 
legislação vigente ou não. Ainda, como vimos anteriormente, o que é entendido 
como certo em um país pode não ser em outro, por exemplo. Cada sociedade 
terá suas convenções sociais estabelecidas. 
A principal diferença entre o senso moral e a consciência moral está na 
dúvida: “enquanto o senso moral é o sentimento e a ação imediata em resposta 
às emoções desencadeadas pelos valores morais, a consciência moral está 
relacionada com a ponderação sobre quais decisões a pessoa deve tomar, em 
relação ao comportamento de si próprio e de outras pessoas” (Significados, 
2022). Ou seja, se encontramos uma mala com muito dinheiro, nosso senso 
moral diz que é errado ficar com ela, porque não nos pertence e alguém 
acidentalmente a perdeu. Ao mesmo tempo, a nossa consciência moral faz com 
que nos perguntemos: será que devemos devolver? Isso porque poderíamos 
comprar muitas coisas com esses valores, mesmo se ficássemos somente com 
uma parte. Contudo, ao final entendemos que devemos devolver mesmo, porque 
isso é o correto a se fazer. 
Trata-se de tomar a decisão que para nós é entendida como certa, 
baseada em nossos princípios e valores, pois cada escolha traz uma 
consequência, e caberá sempre a nós essa reflexão anterior às tomadas de 
decisão ao longo da vida. 
Segundo Heemann (2001): 
a. os valores sociais fornecem os padrões de certo ou errado; 
b. a pessoa incorpora emocionalmente (por meio da educação) esses 
valores; 
c. em outras palavras, registram no cérebro as referências de certo ou 
errado que agora passa a orientar suas atitudes; 
d. essa incorporação, sob a interpretação da razão, assume a forma de 
“decisão ética”. 
 
 
12 
“Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como 
na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como um meio” (Kant, 
1984, p. 135). 
TEMA 5 – DEVER DE INFORMAR DA PUBLICIDADE E DEVER DE REDAÇÃO 
CLARA 
Para falarmos sobre o dever de informar da publicidade e o dever de 
redação clara, voltaremos a analisar o CDC. 
 O art. 6.º dispõe sobre os direitos básicos do consumidor; em seu inciso 
III aponta que um desses direito é o acesso a “informação adequada e clara 
sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de 
quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, 
bem como sobre os riscos que apresentem”. (Brasil, 1990). 
Isso posto, podemos entender que o consumidor tem o direito à livre 
escolha garantida, ou seja, poderá decidir se quer este ou aquele produto ou 
serviço, e se realmente os quer, mediante a exposição a informações claras, 
precisas e verdadeiras. Caso contrário, terá seu direito interrompido, uma vez 
que essas informações sejam faltantes, irreais ou errôneas. Desse modo, o 
consumidor terá sido induzido ao erro, portanto, a compra não terá validade se 
o seu direito de escolha mediante a informações verdadeiras for infringido. A 
publicidade tem o dever de informar e o consumidor tem o direito ao acesso a 
informações correta, ou seja, a redação clara. 
Podemos pensar nas “letras miúdas” que vemos (ou não vemos) na 
propaganda. O asterisco (*) inserido no rodapé do anúncio que aponta a 
informação descritiva dos produtos, muito discretamente, também conhecido 
como “texto legal”, geralmente vem acompanhado de palavras ou frases como 
“exceto para…”, “apenas para condições especiais…”, “somente para…”, 
“parcelamento disponível a partir do valor…”, “imagens meramente ilustrativas”. 
Com certeza já ouvimos o ditado popular que diz “o combinado não sai 
caro”. É justamente isso. Os textos publicitários são redigidos com base em 
criatividade e objetividade. Eles apresentam tipos de linguagem como a 
linguagem verbal (oral e escrita), não verbal (ilustrações, imagens, fotografias) e 
mista (verbal e não verbal). Além disso, o texto publicitário faz uso da persuasão 
e visa enaltecer as qualidades dos produtos e serviços. Contudo, informar ao 
consumidor que um sanduíche é de picanha sendo que ele contém apenas o 
 
 
13 
aroma desse produto e não o referido corte da carne, ou ainda, destacar na 
embalagem de um produto que ele é um suco de laranja saudável, quando na 
verdade o suco é apenas néctar da fruta (que apresenta um percentual bem 
menor da fruta), também é inaceitável.Vejamos o que diz a advogada do Instituto 
Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, Marina Gondo (Codeco, 2022), em 
entrevista ao jornal Extra: 
É comum encontrarmos no mercado produtos que têm tanto na sua 
rotulagem quanto na publicidade elementos que fazem o consumidor 
pensar que a composição, as características nutricionais daquele 
alimento são saudáveis, quando na verdade não são. Isso é enganoso, 
o Código de Defesa do Consumidor prevê que essa é uma prática 
enganosa porque induz as pessoas a pensarem que o produto é uma 
coisa que ele não é – diz a advogada. Esses são produtos 
ultraprocessados, que tem como característica de composição 
nutricional o excesso de alguns ingredientes críticos para a saúde, 
como sódio, gorduras totais, saturas e trans, além de açúcares. No 
geral, são produtos pobres no aspecto nutricional, com pouca fibra, 
poucas vitaminas e poucos minerais. Na lista de ingredientes, quase 
não há frutas e existem diversos aditivos cosméticos, como 
aromatizantes, que apenas servem para disfarçar o sabor dessas 
bebidas – alerta. (Codeco, 2022) 
Vejamos outros tipos de anúncios conhecidos por apresentarem letras 
miúdas em sua redação: anúncios de concessionárias vendendo veículos, 
anúncios de bancos oferecendo créditos financeiros, anúncios de operadoras de 
viagem e companhias aéreas, anúncios de empresas de telefonia. Se buscarmos 
agora, onde quer que estejamos, um anúncio qualquer de um desses 
segmentos, muito provavelmente ele não será claro e não apresentará 
corretamente todas as informações necessárias. Façamos esse teste. 
Busquemos um anúncio dos segmentos citados para comprovar essa tese. 
Nesse sentido, a propaganda ainda precisa melhorar e muito, e podemos fazer 
a diferença. 
 
 
14 
Figura 3 – Propaganda 
 
Crédito: Valiantsin Suprunovich/Shutterstock. 
TROCANDO IDEIAS 
Leia o fragmento textual a seguir: 
Lentidão e instabilidade técnicas nos e-commerces nas primeiras 12 
horas de Black Friday podem ter gerado um prejuízo de R$ 8,1 milhões 
aos lojistas. É o que aponta a projeção da Sofist, empresa que monitora 
a performance de grandes varejistas durante o evento e já está em sua 
quinta edição. A pesquisa monitorou 116 e-commerces entre as 22h 
desta quinta-feira (25) e as 10h desta sexta-feira (26). Neste período, 
informações referentes ao tempo de carregamento dessas lojas foram 
coletadas, além de feita uma análise para entender quantas delas 
ficaram fora do ar, por quanto tempo e quanto foi o prejuízo financeiro 
gerado por essa instabilidade. (Souza, 2021) 
O que entendemos ao ler esse fragmento, além da geração de prejuízo 
financeiro para as empresas? é possível afirmar que essa matéria ilustra o tema 
sobre tensões entre ética e lucro que vimos nesta abordagem? 
 
 
 
 
15 
NA PRÁTICA 
Recomendamos assistir à seguinte reportagem. 
Vídeo 
“Band Cidade – Procon proíbe a venda de suco da Coca-Cola por 
propaganda enganosa”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v 
=zda6pNp5X0g>. Acesos em: 18 ago. 2022. 
Qual é o sentimento que temos, enquanto consumidores, a respeito da 
propaganda devidamente punida e descrita na reportagem que acabamos de 
assistir? Podemos afirmar que a culpa é do fabricante, da agência publicitária ou 
de ambas as partes? 
FINALIZANDO 
Ao longo da história da propaganda brasileira, temos inúmeros comerciais 
importantes que fizeram as pessoas realmente felizes e que até hoje são 
lembrados. Recomendamos pesquisar sobre eles para observar que é possível 
que a publicidade continue fazendo história, e de maneira honesta. Para isso, 
basta agirmos dentro dos limites éticos. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, N. Q. de. Direito do Consumidor. Curitiba: InterSaberes, 2015. 
BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 setembro de 1990. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 12 set. 1990. 
CODECO, T. Idec denuncia Del Valle Fresh ao Procon – DF por propaganda 
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