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Ciência, Tecnologia e Sociedade - Unidade 3

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Ciência, Tecnologia e Sociedade 
Unidade 3 – Aula 1
O que se faz hoje em ciência e tecnologia influenciará o nosso futuro?
O pensar sobre como o futuro se constituirá, inquietou — e inquieta — um infindável número de mentes na sociedade. Tamanho é o desejo de conhecer o amanhã que inúmeras obras de ficção foram criadas com a finalidade de retratar como ele se dará.
Entre as inúmeros obras há aquelas que:
· Olham para futuro a partir de uma visão utópica, por meio da qual e para além de toda tecnologia que permeia apenas a mente de seus autores, a sociedade se encontra em um estágio de elevado bem-estar social
· Adotam uma visão distópica de como a sociedade se constituirá, retratando conflitos e disputas em uma coletividade carcomida por imensas desigualdades sociais.
Estamos rodeados de um imenso número de equipamentos, tais como telefones móveis, computadores portáteis, automóveis, aviões, eletricidade e tantas outras invenções, sendo praticamente impossível nos imaginar vivendo em sociedade sem a presença desses elementos.
Se por um lado não conseguimos nos imaginar fora do ambiente tecnológico atual, por outro esta sociedade foi a que se viabilizou dentro do nosso percurso histórico. Sendo assim, é importante entendermos quais foram os elementos que permitiram a ela se tornar real.
A partir das reflexões de Arbix, percebemos que a ciência e a tecnologia viabilizaram não apenas nossa sociedade como também nossa civilização, por meio de trajetórias que nem sempre foram lineares, mas, por vezes, tensas e contraditórias.
Assim, inferir sobre qual futuro se mostra viável para nós como sociedade perpassa, sem dúvida, por entender em que direção a ciência e a tecnologia estão caminhando.
A posição adotada por Arbix revela que o futuro viável se dará com extensas aplicações de inteligência artificial, pois esta desponta como sendo uma das mais promissoras áreas do conhecimento.
No entanto, todo esse estado de euforia com as possíveis inovações e desenvolvimentos que essa área do conhecimento pode trazer, vem acompanhada de preocupações relativas à privacidade, questões de emprego e de desemprego. Neste sentido, o desenho do futuro possível para a nossa sociedade passa por se debruçar sobre essas inquietações. Assim, o real debate que deve ser feito neste momento consiste em entender como a sociedade atual pode se apropriar dos avanços científicos e tecnológicos que se apresentam, fazendo com que trabalhem para todos com ética respeito, sem qualquer tipo de preconceito ou discriminação e que todo esse desenvolvimento seja transparente.
Ciência, Tecnologia e Sociedade 
Unidade 3 – Aula 2
Desenvolvimento tecnológico e científico se opõem a conservação ambiental?
O esforço científico e tecnológico que vem sendo realizado pelo ser humano ao longo de sua história foi e tem sido o principal impulsionador de mudanças no modo como ele vive, na maneira como organiza sua convivência em sociedade e em como modifica o meio ambiente à sua volta.
Historicamente, esses esforços têm suas origens no domínio do fogo, passando pelo surgimento da agricultura e a domesticação dos animais, seguido pelo desenvolvimento de processos industriais e, mais recentemente, pelas espetaculares revoluções advindas da ciência de informação, que viabilizaram a conexão entre pessoas e serviços em qualquer parte do globo.
Neste sentido, não há dúvida de que o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico atrelado ao homem tenha trazido melhoria significativa na qualidade de vida do ser humano. Contudo, ele também trouxe consigo inúmeras preocupações, tais como:
· Aumento dos resíduos sólidos gerado por processos industriais.
· Desmatamentos.
· Emissão em larga escala dos gases de efeito estufa — um dos principais responsáveis pelo aumento da temperatura global.
A partir da observação, podemos aferir que as questões conflitantes envolvendo meio ambiente e desenvolvimento científico e tecnológico começam a ganhar força a partir dos anos 1970, contrapondo-se assim ao consenso que existia até então.
Conforme as palavras de Castel et al. (2020, p. 3):
“Por mais de três séculos têm existido uma supervalorização dos avanços científicos e tecnológicos considerando-os de grande benefício para o progresso e desenvolvimento da humanidade. Contudo, nas últimas décadas do século XX, deu-se início a debates sobre a configuração de uma crise ambiental promovida pela ação humana, e potencializada sob a lógica moderna de desenvolvimento e, em função dele, com a aplicação das tecnociências.”
Desde então, os temas relacionados às questões de preservação ambiental e desenvolvimento científico e tecnológico vêm ganhando cada vez mais força e têm sido responsáveis por significativas alterações visando ganho de eficiência e redução dos impactos ambientais.
Nas palavras de Marion (2013, p. 1):
“A temática da questão ambiental está numa crescente há anos. Cada vez mais se objetiva o desenvolvimento político, social e econômico respaldado pelas atitudes ambientalmente corretas. Assim, com o atual avanço da globalização, onde praticamente todo o planeta está interligado - seja por mídias convencionais ou inovadoras, ou ainda através de redes de conhecimento – também se faz obvio que as crises ou problemáticas apresentadas passam a ser globais.”
Quando se considera, por exemplo, a mudança de paradigmas da questão ambiental e desenvolvimento científico na área de tecnologia de informação, houve a criação do conceito de T.I. Verde, que, segundo Lunardi et al. (2011), foi cunhado por empresas de tecnologia com o intuito alinhar os recursos disponíveis às políticas de sustentabilidade e economia dentro das organizações, gerando assim muitos benefícios, tanto para as organizações quanto para o meio ambiente.
A tecnologia é fundamental no desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes e com menores impactos ambientais.
No entanto, apesar de todos os esforços que vêm sendo realizados na direção de se ter processos produtivos e uma economia mais verde, esta não é uma questão de fácil solução, pois exigem-se elevados custos econômicos e políticos no direcionamento do uso de fontes de energia e de materiais, o que pode gerar tensões em uma visão puramente metatécnica.
Ciência, Tecnologia e Sociedade 
Unidade 3 – Aula 3
O desenvolvimento científico por si só garante o bem-estar de uma sociedade?
O domínio da ciência e tecnologia é um fator fundamental para que uma sociedade possa se desenvolver economicamente e socialmente. Em relação ao primeiro fator, a ciência aliada à tecnologia cumpre a função de adicionar valor agregado aos diferentes tipos de produtos, introduzindo assim assimetrias econômicas e, consequentemente, vantagens comerciais em relação aos demais países. Por sua vez, no que se refere ao desenvolvimento social, a ciência é indispensável para:
· Aumento da qualidade de vida.
· Promoção do desenvolvimento de áreas como engenharia, medicina, ciências bases, entre outras.
Portanto, não há dúvidas de que a ciência seja indispensável ao progresso de uma sociedade. No entanto, não se pode admitir uma concepção puramente triunfalista desta, ao assumir que mais ciência produz mais tecnologia, que, por sua vez, gera mais riqueza e, consequentemente, mais bem-estar social, pois são inúmeras as tensões decorrentes desse avanço.
Como observam Silveira e Bazzo (2009):
“O que constatamos, na atualidade, é a escravidão do próprio homem pelas suas invenções e descobertas tecnológicas, só possíveis graças à aliança entre ciência e técnica. Na história, nunca tantas pessoas morreram de fome, na miséria ou pela violência, afirmação cujos dados são apontados por Boaventura Santos (2000). Miranda (2002) expõe também a opinião de Hobsbawn (1995) sobre a história do século XX, quando considera que vivemos a era dos extremos, devido aos paradoxos que se nos apresentam. A começar pelo próprio avanço tecnológico de um lado e o extermínio de culturas e povos (seja pela miséria, seja pela guerra) de outro.”
Assim, podemos concluir que o caminhode desenvolvimento de sociedade, da ciência e tecnologia não é linear e livre de tensionamentos, tornando-se fundamental refletir sobre essas questões.
Conforme Silveira e Bazzo (2009):
“Vivemos num mundo em que a tecnologia representa o modo de vida da sociedade, na qual a cibernética, automação, engenharia genética, computação eletrônica são alguns dos ícones da sociedade tecnológica que nos envolve diariamente. Por isso, a necessidade de refletir sobre a natureza da tecnologia, sua necessidade e função social.”
Neste sentido, um bom ponto de partida que nos ajudará a refletir sobre a função social do desenvolvimento científico e tecnológico e questões éticas destes na sociedade é o documento elaborado pela Unesco no ano de 2003, intitulado Ciência para o Século XXI: uma nova visão e uma estrutura operacional. Nesse documento são elencados uma série de compromissos éticos que devem ser assumidos a fim de se cultivar uma cultura de paz e ciência para todos. Entre eles se destacam:
· Pesquisa científica e uso do conhecimento científico respeitem os direitos humanos e a dignidade dos seres humanos, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e à luz da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos.
· Os cientistas, juntamente com os demais protagonistas, reconheçam a especial responsabilidade na tentativa de evitar as aplicações da ciência que sejam eticamente incorretas, ou que tenham impacto negativo.
· Haja a necessidade de praticar e de aplicar as ciências, respeitando exigências éticas formuladas a partir de um intenso debate público.
· A prática da ciência e o uso do conhecimento científico venham a respeitar e preservar a vida em toda a sua diversidade e os sistemas de preservação da vida de nosso planeta.
· A melhoria da qualidade de vida da população.
· Criação de mais oportunidades de emprego e de maior qualificação dos recursos humanos.
Portanto, quando consideramos as reponsabilidades individuais e coletivas no desenvolvimento científico e tecnológico, começamos a resolver as questões éticas que estes trazem para as sociedades atuais. No entanto, seria equivocado acreditar que esse tema se exaure aqui — o pensar sobre ele ajuda as sociedades a se desenvolverem de forma mais ética e compromissada.
Neste sentido, o caminho proposto por Domingues (2004) a fim de se lidar com as questões éticas e morais relacionadas ao presente tema em estudo é:
“O caminho que propomos, em suma, é o seguinte: se não podemos moralizar a ciência, nem elaborar uma ética científica com base nela, devendo a ética ficar com a filosofia, se não com a teologia (teologia moral), podemos moralizar o cientista e pensar a ética da ciência, que é a ética da responsabilidade.”

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