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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEGURANÇA E SAÚDE NO 
TRABALHO 
META 09 
 
2 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
3 
 
SUMÁRIO 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 ........................................................................... 5 
1. DOENÇAS OCUPACIONAIS, ACIDENTE DO TRABALHO E CONDUTA MÉDICO-PERICIAL 5 
1.1 Classificação nacional de atividades econômicas – cnae ......................................................... 5 
1.2. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde – 
cid-10 ......................................................................................................................................................... 5 
1.3. Acidente de trabalho ...................................................................................................................... 5 
1.4 Epidemiologia .................................................................................................................................... 7 
1.5 Impacto do trabalho sobre a saúde e segurança dos trabalhadores. ....................................... 8 
1.6. Indicadores de saúde−doença dos trabalhadores ...................................................................... 12 
1.7. Situação atual da saúde dos trabalhadores no brasil. ............................................................... 12 
1.8. Patologia no trabalho ........................................................................................................................ 17 
1.9. Conduta pericial ................................................................................................................................. 32 
1.10. Normas técnicas das ler/dort. ....................................................................................................... 34 
QUESTÕES COMENTADAS .................................................................................................................... 50 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
5 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
 
TEMA DO DIA 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO 
Doenças ocupacionais, acidente do trabalho e conduta médico-pericial. Conceito e 
epidemiologia. Impacto do trabalho sobre a saúde e segurança dos trabalhadores. Indicadores 
de saúde−doença dos trabalhadores. Situação atual da saúde dos trabalhadores no Brasil. 
Patologia do trabalho. Conduta pericial. Normas Técnicas das LER/DORT. 
 
1. DOENÇAS OCUPACIONAIS, ACIDENTE DO TRABALHO E CONDUTA MÉDICO-PERICIAL 
 
1.1 Classificação nacional de atividades econômicas – cnae 
 
 A CNAE, apesar de ser sido elaborado para fins tributários, é amplamente utilizada para a 
avaliação de riscos ocupacionais em diversos regulamentos, como por exemplo no dimensionamento 
da CIPA (NR-05) e do SESMT (NR-04). Nos últimos anos o INSS passou a utilizar a CNAE para 
estabelecimento do nexo entre o adoecimento e a atividade econômica. 
 
1.2. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde – cid-10 
 
 A CID-10 foi publicada em 1992 e atualizada periodicamente. Na décima versão (por isso, o 
número 10 seguido das letras), dispõe de 22 capítulos com números e letras em ordem crescente. 
Foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de padronizar e catalogar as 
doenças e problemas relacionados à saúde. 
 
1.3. Acidente de trabalho 
 
 Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo 
exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 da Lei 8213/91, provocando 
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou 
temporária, da capacidade para o trabalho. 
• A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e 
segurança da saúde do trabalhador. 
• Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de 
segurança e higiene do trabalho. 
• É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
6 
e do produto a manipular. 
• São considerados acidente do trabalho: 
– O acidente típico: acidente sofrido pelo exercício do trabalho a serviço da empresa; 
– A doença profissional: aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar 
a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do 
Trabalho e da Previdência Social; 
– A doença do trabalho: aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais 
em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação 
mencionada no inciso I. 
• Não são consideradas como doença do trabalho: 
– A doença degenerativa; 
– A inerente a grupo etário; 
– A que não produza incapacidade laborativa; 
– A doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, 
salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela 
natureza do trabalho. 
• Em caso excepcional, constatando-se que a doença não está incluída na relação de doenças 
profissionais e de doenças de trabalho, mas resultou das condições especiais em que o trabalho é 
executado e com ele se relaciona diretamente, deve ser considerada como acidente do trabalho. 
• Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos legais: 
1) O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja 
contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade 
para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação; 
2) O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência 
de: 
– Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de 
trabalho; 
– Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao 
trabalho; 
– Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de 
trabalho; 
– Ato de pessoa privada do uso da razão; 
– Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força 
maior; 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
7 
3) A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua 
atividade; 
4) O acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: 
– Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; 
– Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou 
proporcionar proveito; 
– Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta 
dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do 
meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; 
– No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que 
seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. 
• Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras 
necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no 
exercício do trabalho. 
• Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de 
acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior. 
 
 
1.4 Epidemiologia 
 
 Epidemiologia é a ciência que estuda o processo saúde-enfermidade da sociedade, 
analisando a distribuição populacional e os fatores determinantes do risco de doenças, agravos e 
eventos associados à saúde, propondo medidas de prevenção, controle ou erradicação de 
enfermidades. 
• Epidemiologia ocupacional é a parte da epidemiologia que estuda o processode saúde-
doença em uma coletividade de trabalhadores, organizando e relacionando as informações de saúde 
com o processo de trabalho, bem como aos fatores de risco ocupacionais associados. 
• A partir da comparação entre populações com características distintas, podemos identificar 
grupos que estão expostos a maior ou menor risco de adoecimento ocupacional e os efeitos das 
ações/intervenções no ambiente e processos de trabalho na saúde dos trabalhadores. Desta forma a 
epidemiologia auxilia a organização e o poder público a identificar as fontes de risco que estão 
contribuindo com o adoecimento dos trabalhadores e assim tomar as medidas necessárias. 
• Uma das diretrizes do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, 
programa que deve ser desenvolvido pelas organizações, é subsidiar análises epidemiológicas e 
estatísticas sobre os agravos à saúde e sua relação com os riscos ocupacionais. 
 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
8 
1.5 Impacto do trabalho sobre a saúde e segurança dos trabalhadores. 
 
 De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho de 2021, foram emitidas 464.967 
comunicações de acidente de trabalho – CAT, sendo que 349.393 foram de acidentes de trabalho 
típicos e 19.348 de doença do trabalho. 
• Em 2022, utilizando dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (smartlabbr.org), 
foram emitidas 612,9 mil CATs. São Paulo contribuiu com 35%, Minas Gerais com 11%, Rio 
Grande do Sul com 9%, Santa Catarina e Parana com 8% cada e Rio de janeiro com 7%. 
• A seguir apresentamos a série histórica de acidentes de trabalho com emissão de CAT dos últimos 
10 anos no Brasil com base nas informações disponíveis no INSS. 
 
 
 
• Em relação a acidentes de trabalho com óbito, temos a seguinte série histórica de acidentes de 
trabalho: 
 
612.920
571.786
446.881
639.325 623.788
549.405
585.626
622.379
712.302 725.664
2022 2021 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013
Quantidade de CAT/ano
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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• Precisamos destacar que existe no Brasil uma subnotificação de acidentes de trabalho. As causas 
principais são o trabalho informal e a não emissão de CAT em casos de acidente e doenças do 
trabalho por parte dos empregadores. O gráfico abaixo apresenta a estimativa de subnotificação 
nos últimos 10 anos com base nos dados disponíveis no Smartlab. 
 
 
 
• Passando a analisar o perfil dos casos de acidente de trabalho, identificamos que a atividade de 
atendimento hospitalar é responsável por 10% das CATs emitidas. Em segundo lugar 
encontramos o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos 
alimentícios – hipermercado e supermercados, este setor contribui com 4% das CATs emitidas. 
Em terceiro lugar está o transporte rodoviário de cargas com 3% das CATs. A Constrtução de 
edifícios fica com o quarto lugar emitindo 2% das CATs empatada com o Abate de suínos, aves e 
612.920
571.786
446.881
639.325 623.788
549.405
585.626
622.379
712.302 725.664
2022 2021 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013
Quantidade de AT com óbitos -CAT/ano
612.920
571.786
446.881
639.325 623.788
549.405
585.626
622.379
712.302 725.664
115.954 114.537
53.375
159.588 154.588
126.195 120.765 128.062
156.797 166.724
2022 2021 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013
Estimativa de Subnotificação de Acidentes de Trabalho 
Quantidade de CAT Acidentes sem CAT
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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outros pequenos animais, Atividade de correio e restaurantes e outros estabelecimentos de 
serviços de alimentação e bebidas. 
• Quando analisamos apenas as CATs com óbito obtemos outro resultado. O setor de transporte 
rodoviário de carga fica em primeiro lugar com 11% dos óbitos, seguindo pela construção de 
edifícios com 4% e empatados em terceiro lugar com 3% dos óbitos encontramos a Administração 
pública em geral, Comércio varejista de ferragens, madeira e materiais de construção, Obras para 
geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações, Comércio varejista de 
mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios - hipermercados e 
supermercados, Construção de rodovias e ferrovias e Atividades de vigilância e segurança 
privada. 
• As lesões mais frequentemente presentes em notificações de acidentes de trabalho no último ano 
apurado são as seguintes: 
 
Lesão Percentual 
Corte, Laceração, Ferida Contusa, Punctura 20% 
Fratura 18% 
Contusão, Esmagamento (Superfície Cutânea I 14% 
Distensão, Torção 9% 
Lesão Imediata, Nic 8% 
Escoriação, Abrasão (Ferimento Superficial) 8% 
 
• Em relação a parte do corpo mais frequentemente atingida segundo as notificações de acidentes 
de trabalho no último ano apurado encontramos o seguinte: 
 
Parte do corpo Percentual 
Dedo 24% 
Pé 8% 
Mão (exceto punho ou dedos) 7% 
Joelho 5% 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
11 
• Quando pesquisamos os grupos de agentes causadores mais frequentemente citados em 
notificações de acidentes de trabalho no último ano encontramos o seguinte: 
 
Grupo de agentes causadores Percentual 
Máquinas e Equipamentos 15% 
Queda do mesmo nível 13% 
Agente Químico 13% 
Agente Biológico 12% 
Veículos de Transporte 12% 
Ferramentas Manuais 9% 
Queda de Altura 7% 
 
• Já em relação a óbitos temos outra distribuição dos agentes causadores com destaque para 
os acidentes com veículos de transporte, conforme vemos na tabela abaixo: 
 
Grupo de agentes causadores Percentual 
Veículos de Transporte 43% 
Máquinas e Equipamentos 11% 
Motocicletas 11% 
Queda de Altura 9% 
Agente Biológico 6% 
Qudea do mesmo nível 4% 
Choque elétrico 3% 
 
• Dentre os veículos de transporte, o principal agente causador é o veículo rodoviário motorizado 
que responde por 26% dos óbitos. Acidentes de trabalho fatais envolvendo motocicletas 
correspondem a 11% do total. 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
12 
1.6. Indicadores de saúde−doença dos trabalhadores 
 
• Morbidade - é a variável característica das comunidades de seres vivos, refere-se ao conjunto 
dos indivíduos que adquirem doenças (ou determinadas doenças) num dado intervalo de tempo em 
uma determinada população. A morbidade mostra o comportamento das doenças e dos agravos à 
saúde na população. A morbidade é frequentemente estudada segundo quatro indicadores básicos: 
a incidência, a prevalência, a taxa de ataque e a distribuição proporcional. 
• Incidência - A incidência de uma doença, em um determinado local e período, é o número de 
casos novos da doença que iniciaram no mesmo local e período. Traz a ideia de intensidade com que 
acontece uma doença numa população, mede a frequência ou probabilidade de ocorrência de casos 
novos de doença na população. Alta incidência significa alto risco coletivo de adoecer. 
Coeficiente de Incidência
=
 nºde casos novos de determinada doença em um dado local e período x 10𝑛
População do mesmo local e período
 
 
• Prevalência - prevalecer significa ser mais, preponderar, predominar. A prevalência indica 
qualidade do que prevalece, prevalência implica em acontecer e permanecer existindo num momento 
considerado. Portanto, a prevalência é o número total de casos de uma doença, existentes num 
determinado local e período. 
Coeficiente de Prevalência =
nºde casos existentes (novos + ant. )em dado local e período x 10𝑛
População do mesmo local e período
 
• Mortalidade - é a variável característica das comunidades de seres vivos; refere-se ao 
conjunto dos indivíduos que morreram num dado intervalo do tempo. Representa o risco ou 
probabilidade que qualquer pessoa na população apresenta de poder vir a morrer ou de morrer em 
decorrência de uma determinada doença. Diversas vezes temos que medir a ocorrência de doenças 
numa população através da contagem de óbito e para estudá-las corretamente; estabelecemos uma 
relaçãocom a população que está envolvida. É calculada pela taxas ou coeficientes de mortalidade. 
Representam o “peso” que os óbitos apresentam numa certa população. 
Coeficiente de Mortalidade Geral =
nº total de óbitos no período
População
× 1000 
• Letalidade - relaciona o número de óbitos por determinada causa e o número de pessoas que 
foram acometidas por tal doença. Esta relação nos dá ideia da gravidade do agravo, pois indica o 
percentual de pessoas que morreram por tal doença e pode informar sobre a qualidade da assistência 
médica oferecida à população. 
Taxa de letalidade =
nº total de óbitos no período
nº total de casos da doença
× 100 
 
1.7. Situação atual da saúde dos trabalhadores no brasil. 
 
• O capítulo 1.3 – Situação de Saúde dos Trabalhadores no Brasil, da Publicação Doenças 
relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde do Ministério da 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
13 
Saúde apresenta um panorama da saúde do trabalhador, cujo conteúdo reproduziremos abaixo. 
• No Brasil, as relações entre trabalho e saúde do trabalhador conformam um mosaico, coexistindo 
múltiplas situações de trabalho caracterizadas por diferentes estágios de incorporação 
tecnológica, diferentes formas de organização e gestão, relações e formas de contrato de trabalho, 
que se refletem sobre o viver, o adoecer e o morrer dos trabalhadores. 
• Essa diversidade de situações de trabalho, padrões de vida e de adoecimento tem se acentuado 
em decorrência das conjunturas política e econômica. O processo de reestruturação produtiva, em 
curso acelerado no país a partir da década de 90, tem conseqüências, ainda pouco conhecidas, 
sobre a saúde do trabalhador, decorrentes da adoção de novas tecnologias, de métodos gerenciais 
e da precarização das relações de trabalho. 
• A precarização do trabalho caracteriza-se pela desregulamentação e perda de direitos 
trabalhistas e sociais, a legalização dos trabalhos temporários e da informalização do trabalho. 
Como conseqüência, podem ser observados o aumento do número de trabalhadores autônomos 
e subempregados e a fragilização das organizações sindicais e das ações de resistência coletiva 
e/ou individual dos sujeitos sociais. A terceirização, no contexto da precarização, tem sido 
acompanhada de práticas de intensificação do trabalho e/ou aumento da jornada de trabalho, com 
acúmulo de funções, maior exposição a fatores de riscos para a saúde, descumprimento de 
regulamentos de proteção à saúde e segurança, rebaixamento dos níveis salariais e aumento da 
instabilidade no emprego. Tal contexto está associado à exclusão social e à deterioração das 
condições de saúde. 
• A adoção de novas tecnologias e métodos gerenciais facilita a intensificação do trabalho que, 
aliada à instabilidade no emprego, modifica o perfil de adoecimento e sofrimento dos 
trabalhadores, expressando-se, entre outros, pelo aumento da prevalência de doenças 
relacionadas ao trabalho, como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), também denominadas 
de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT); o surgimento de novas formas 
de adoecimento mal caracterizadas, como o estresse e a fadiga física e mental e outras 
manifestações de sofrimento relacionadas ao trabalho. Configura, portanto, situações que exigem 
mais pesquisas e conhecimento para que se possa traçar propostas coerentes e efetivas de 
intervenção. 
• Embora as inovações tecnológicas tenham reduzido a exposição a alguns riscos ocupacionais em 
determinados ramos de atividade, contribuindo para tornar o trabalho nesses ambientes menos 
insalubre e perigoso, constata-se que, paralelamente, outros riscos são gerados. A difusão dessas 
tecnologias avançadas na área da química fina, na indústria nuclear e nas empresas de 
biotecnologia que operam com organismos geneticamente modificados, por exemplo, acrescenta 
novos e complexos problemas para o meio ambiente e a saúde pública do país. Esses riscos são 
ainda pouco conhecidos, sendo, portanto, de controle mais difícil. 
• Com relação aos avanços da biologia molecular, cabe destacar as questões éticas decorrentes de 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
14 
suas possíveis aplicações nos processos de seleção de trabalhadores, por meio da identificação 
de indivíduos suscetíveis a diferentes doenças. Essas aplicações geram demandas no campo da 
ética, que os serviços de saúde e o conjunto da sociedade ainda não estão preparados para 
atender. Constituem questões importantes para a saúde dos trabalhadores nas próximas décadas. 
• Uma realidade distinta pode ser observada no mundo do trabalho rural. Os trabalhadores do 
campo, no Brasil, estão inseridos em distintos processos de trabalho: desde a produção familiar 
em pequenas propriedades e o extrativismo, até grandes empreendimentos agroindustriais que 
se multiplicam em diferentes regiões do país. Tradicionalmente, a atividade rural é caracterizada 
por relações de trabalho à margem das leis brasileiras, não raro com a utilização de mão-de-obra 
escrava e, freqüentemente, do trabalho de crianças e adolescentes. A contratação de mão-de-
obra temporária para os períodos da colheita gera o fenômeno dos trabalhadores bóia-frias, que 
vivem na periferia das cidades de médio porte e aproximam os problemas dos trabalhadores rurais 
aos dos urbanos. 
• Por outro lado, questões próprias do campo da Saúde do Trabalhador, como os acidentes de 
trabalho, conectam-se intrinsecamente com problemas vividos hoje pela sociedade brasileira nos 
grandes centros urbanos. 
• As relações entre mortes violentas e acidentes de trabalho tornam-se cada vez mais estreitas. O 
desemprego crescente e a ausência de mecanismos de amparo social para os trabalhadores que 
não conseguem se inserir no mercado de trabalho contribuem para o aumento da criminalidade e 
da violência. As relações entre trabalho e violência têm sido enfocadas em múltiplos aspectos: 
contra o trabalhador no seu local de trabalho, representada pelos acidentes e doenças do trabalho; 
a violência decorrente de relações de trabalho deterioradas, como no trabalho escravo e de 
crianças; a violência decorrente da exclusão social agravada pela ausência ou insuficiência do 
amparo do Estado; a violência ligada às relações de gênero, como o assédio sexual no trabalho e 
aquelas envolvendo agressões entre pares, chefias e subordinados. 
• A violência urbana e a criminalidade estendem-se, crescentemente, aos ambientes e atividades 
de trabalho. Situações de roubo e assaltos a estabelecimentos comerciais e industriais, que 
resultam em agressões a trabalhadores, por vezes fatais, têm aumentado exponencialmente, nos 
grandes centros urbanos. Entre bancários, por exemplo, tem sido registrada a ocorrência da 
síndrome de estresse pós-traumático em trabalhadores que vivenciaram situações de violência 
física e psicológica no trabalho. Também têm crescido as agressões a trabalhadores de serviços 
sociais, de educação e saúde e de atendimento ao público, como motoristas e trocadores. A 
violência no trabalho adquire uma feição particular entre os policiais e vigilantes que convivem 
com a agressividade e a violência no cotidiano. Esses trabalhadores apresentam problemas de 
saúde e sofrimento mental que guardam estreita relação com o trabalho. A violência também 
acompanha o trabalhador rural brasileiro e decorre dos seculares problemas envolvendo a posse 
da terra. 
• No conjunto das causas externas, os acidentes de transporte relacionados ao trabalho, acidentes 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
15 
típicos ou de trajeto, destacam-se pela magnitude das mortes e incapacidade parcial ou total, 
permanente ou temporária, envolvendo trabalhadores urbanos e rurais. Na área rural, a 
precariedade dos meios de transporte, a falta de uma fiscalização eficaz e a vulnerabilidade dos 
trabalhadores têm contribuído para a ocorrência de um grandenúmero de acidentes de trajeto. 
• De modo esquemático, pode-se dizer que o perfil de morbimortalidade dos trabalhadores 
caracteriza-se pela coexistência de agravos que têm relação direta com condições de trabalho 
específicas, como os acidentes de trabalho típicos e as doenças profissionais; as doenças 
relacionadas ao trabalho, que têm sua freqüência, surgimento e/ou gravidade modificadas pelo 
trabalho e doenças comuns ao conjunto da população, que não guardam relação etiológica com o 
trabalho. 
(...) 
• A despeito da aprovação de algumas normas relativas à adequação dos sistemas de informação 
em saúde e incorporação de variáveis de interesse da saúde do trabalhador, essas não foram ainda 
implementadas. Assim, freqüentemente, as análises da situação de saúde, elaboradas em âmbito 
nacional, estadual ou municipal, limitam-se à avaliação do perfil de morbimortalidade da 
população em geral, ou de alguns grupos populacionais específicos, mas as informações 
disponíveis não permitem a adequada caracterização das condições de saúde em sua relação com 
o trabalho, nem o reconhecimento sistemático dos riscos ou o dimensionamento da população 
trabalhadora exposta. Essas deficiências impedem o planejamento de intervenções, sendo ainda 
isolados os estudos sobre a situação de saúde de trabalhadores em regiões específicas. 
• De forma mais sistemática, estão disponíveis apenas os dados divulgados pelo MPAS sobre a 
ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais, notificados por meio da Comunicação 
de Acidente de Trabalho (CAT), da população trabalhadora coberta pelo Seguro Acidente de 
Trabalho (SAT), que corresponde, nos anos 90, a cerca de 30% da população economicamente 
ativa. Estão excluídos dessas estatísticas os trabalhadores autônomos, domésticos, funcionários 
públicos estatutários, subempregados, muitos trabalhadores rurais, entre outros. Considerando a 
diminuição, em todos os setores da economia, do número de postos de trabalho e de 
trabalhadores inseridos no mercado formal de trabalho, não existem informações quanto a um 
significativo contingente de trabalhadores. Mesmo entre os trabalhadores segurados pelo SAT, 
estudos têm apontado níveis de subnotificação bastante elevados. 
• Em 1998, foram registrados pelo MPAS, no país, 401.254 acidentes de trabalho, distribuídos 
entre acidentes típicos (337.482), de trajeto (35.284) e doenças do trabalho (28.597). O total de 
acidentes distribui-se entre os setores da indústria (46,1%), serviços (40,1%) e agricultura (8,1%), 
sendo que 88,3% ocorreram nas regiões Sudeste e Sul. Entre trabalhadores do sexo masculino, o 
principal ramo gerador de acidentes é o da construção civil. Dos casos notificados, cerca de 57,6% 
referem-se ao grupo etário até 34 anos de idade. Verifica-se um aumento de acidentes no “ramo 
dos serviços prestados” principalmente às empresas. Foram 32.642 acidentes, em 1998, 
comprovando a importância crescente do trabalho terceirizado no conjunto dos acidentes de 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
16 
trabalho no país. 
• Desde 1970, o MPAS vem registrando uma diminuição sistemática da incidência e da mortalidade 
por acidentes de trabalho no país. Em 1970 ocorriam 167 acidentes, em cada grupo de mil 
trabalhadores segurados pela Previdência Social; em 1980, essa relação reduz-se a 78 por mil; 
em 1990, a 36 por mil; em 1994, atingiu 16 por mil. No tocante à mortalidade, a taxa reduziu-se, 
entre 1970 e 1994, de 31 para 14 por 100 mil trabalhadores segurados. O decréscimo da 
mortalidade é menos intenso que o da incidência. Conseqüentemente, a letalidade mostra-se 
ascendente naquele período, crescendo mais de quatro vezes: de 0,18%, em 1970, para 0,84%, 
em 1994. Apesar dos números indicarem uma queda da notificação desses agravos, não devem 
induzir à crença de que a situação está sob controle: o aumento da letalidade é o elemento 
indicador da gravidade da situação. 
• Por outro lado, as mudanças na conjuntura social no mundo do trabalho exigem que a vigilância 
em saúde do trabalhador dirija o foco de sua atenção para as situações de trabalho em condições 
precárias, incluindo o trabalho autônomo e o do mercado informal, nas quais os acidentes 
ocupacionais devem estar ocorrendo em proporções maiores que entre a parcela dos 
trabalhadores inseridos no mercado formal. O conhecimento sobre o que ocorre entre aqueles 
trabalhadores é ainda extremamente restrito. 
• Estudos recentes indicam que variáveis socioeconômicas, como a variação nos níveis de 
industrialização e do Produto Interno Bruto (PIB) per capita e a mudança na composição da força 
de trabalho, mediante o deslocamento da mão-de-obra do setor secundário para o terciário, são 
mais importantes para se explicar a redução das taxas anuais de incidência de acidentes, entre 
1970 e 1995, do que eventuais medidas de prevenção adotadas pelo governo ou pelas empresas 
nesse período (Wünsch Filho, 1999). 
• A análise da dispersão da média nacional de acidentes de trabalho entre os trabalhadores formais 
mostra que, em certos setores econômicos, como na atividade extrativa mineral e na construção 
civil, a taxa de mortalidade aproxima-se de 50 por 100 mil. Além da contribuição dos acidentes 
de trabalho típicos, tais como quedas de altura, colisão de veículos, soterramentos, eletrocussão, 
entre outros, essa alta incidência, em alguns setores, tem sido agravada pela ocorrência de 
doenças profissionais graves, como é o caso da silicose e de intoxicações agudas, ainda presentes 
na indústria de transformação e em outros segmentos específicos. 
• As informações disponíveis sobre acidentes de trabalho indicam o predomínio do acidente-tipo, 
seguido pelos acidentes de trajeto e, em terceiro lugar, pelas doenças profissionais e doenças do 
trabalho. Merece destaque o aumento percentual dos acidentes de trajeto e das doenças 
profissionais e do trabalho, nas estatísticas oficiais, entre 1970 e 1997, fato que se acentuou 
particularmente a partir de 1990. 
• A incidência de doenças profissionais, medida a partir da concessão de benefícios previdenciários, 
mantevese praticamente inalterada entre 1970 e 1985: em torno de dois casos para cada 10 mil 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
17 
trabalhadores. No período de 1985 a 1992, esse índice alcançou a faixa de quatro casos por 10 
mil. A partir de 1993, observa-se um crescimento com padrão epidêmico, registrando-se um 
coeficiente de incidência próximo a 14 casos por 10 mil. Esse aumento acentuado deve-se, 
principalmente, ao grupo de doenças denominadas LER ou DORT, responsáveis por cerca de 80 
a 90% dos casos de doenças profissionais registrados, nos últimos anos, no MPAS. Considera-se 
que esse aumento absoluto e relativo da notificação das doenças profissionais ao Instituto 
Nacional de Seguridade Social (INSS), por meio da CAT, é um dos frutos das ações desenvolvidas 
nos projetos e programas de saúde do trabalhador, implantados na rede de serviços de saúde, a 
partir da década de 80. 
• Não se conhece o custo real, para o país, da ocorrência de acidentes e das doenças relacionados 
ao trabalho. Estimativa recente avaliou em R$ 12,5 bilhões anuais o custo para as empresas e em 
mais de R$ 20 bilhões anuais para os contribuintes. Esse exercício, embora incompleto, permite 
uma avaliação preliminar do impacto dos agravos relacionados ao trabalho para o conjunto da 
sociedade (Pastore, 1999). 
 
1.8. Patologia no trabalho 
 
• A Patologia é o ramo da ciência médica que estuda as alterações morfológicas e fisiológicas dos 
estados de saúde. Quando essas alterações não são compensadas podemos dizer que um 
indivíduo está doente. 
• De acordo com o dicionário Michaelis, Patologia é a Ciência que estuda todos os aspectos da 
doença, com especial atenção à origem, aos sintomas e ao desenvolvimento das condições 
orgânicas anormais e suas consequências. 
• Etimologicamente, o termo "patologia" origina-se do grego ("pathos"= sofrimento, doença; 
"logia" = estudo). 
• A Patologia do Trabalho de dedica a estudar as enfermidade produzida ou desencadeada pelo 
exercício do trabalho peculiar a determinada atividade. 
• Conceitualmente, pode-se posicionar a doença como sendo uma alteração de forma e de função 
não compensada de uma célula, de um orgão, de um sistema, de um indivíduo, de uma população 
e, finalmente, de uma sociedade. Já um "estado de saúde" é definido pela OMS (Organização 
Mundial de Saúde) como sendo "o bem-estar físico, mental e social do homem". 
• Os itens a seguir foram extraídos da publicação “Doenças relacionadas ao trabalho: manual de 
procedimentos para os serviços de saúde”, do Ministério da Saúde. 
 
DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo I da CID-
10). 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
18 
• As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao trabalho apresentam algumas 
características que as distinguem dos demais grupos: 
-os agentes etiológicos não são de natureza ocupacional; 
-a ocorrência da doença depende das condições ou circunstâncias em que o trabalho é 
executado e daexposição ocupacional, que favorece o contato, o contágio ou a transmissão. 
• As consequências para a saúde da exposição do trabalhador a fatores de risco biológico 
presentes em situações de trabalho incluem quadros de infecção aguda e crônica, parasitoses e 
reações alérgicas e tóxicas a plantas e animais. As infecções podem ser causadas por bactérias, vírus, 
riquétsias, clamídias e fungos. As parasitoses estão associadas a protozoários, helmintos e 
artrópodes. Algumas dessas doenças infecciosas e parasitárias são transmitidas por artrópodes que 
atuam como hospedeiros intermediários. Diversas plantas e animais produzem substâncias 
alergênicas, irritativas e tóxicas com as quais os trabalhadores entram em contato, diretamente, por 
poeiras contendo pelos, pólen, esporos, fungos ou picadas e mordeduras. Nos trabalhadores da 
saúde é importante a exposição direta ao paciente e às secreções e fluidos biológicos. Muitas dessas 
doenças são originalmente zoonoses, que podem estar relacionadas ao trabalho. Entre os grupos 
mais expostos estão os trabalhadores da agricultura, da saúde (em contato com pacientes ou 
materiais contaminados) em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, em atividades de 
investigações de campo e vigilância em saúde, controle de vetores e aqueles que lidam com animais. 
Também podem ser afetadas as pessoas que trabalham em habitat silvestre, como na silvicultura, 
em atividades de pesca, produção e manipulação de produtos animais, como abatedouros, curtumes, 
frigoríficos, indústria alimentícia (carnes e pescados) e trabalhadores em serviços de saneamento e 
de coleta de lixo 
• Dada a amplitude das situações de exposição e o caráter endêmico de muitas dessas doenças, 
torna-se, por vezes, difícil estabelecer a relação com o trabalho. 
• As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Tuberculose (A15- e A19.-) 
o Carbúnculo (Antraz) (A22.-) 
o Brucelose (A23.-) 
o Leptospirose (A27.-) 
o Tétano (A35.-) 
o Psitacose, ornitose, doença dos tratadores de aves (A70.-) 
o Dengue (dengue clássico) (A90.-) 
o Febre amarela (A95.-) 
o Hepatites virais (B15- e B19.-) 
o Doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) (B20- e B24.-) 
o Dermatofitose (B35.-) e outras micoses superficiais (B36.-) 
o Candidíase (B37.-) 
o Paracoccidioidomicose (blastomicose sul americana, blastomicose brasileira, Doença de Lutz) 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
19 
(B41.-) 
o Malária (B50- e B54.-) 
o Leishmaniose cutânea (B55.1) ou leishmaniose cutâneo-mucosa (B55.2) 
 
NEOPLASIAS (TUMORES) RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo II da CID-10) 
 
• O termo tumores ou neoplasias designa um grupo de doenças caracterizadas pela perda de 
controle do processo de divisão celular, por meio do qual os tecidos normalmente crescem e/ou se 
renovam, levando à multiplicação celular desordenada. A inoperância dos mecanismos de regulação 
e controle da proliferação celular, além do crescimento incontrolável, pode levar, no caso do câncer, 
à invasão dos tecidos vizinhos e à propagação para outras regiões do corpo, produzindo metástase. 
• O câncer pode surgir como conseqüência da exposição a agentes carcinogênicos presentes 
no ambiente onde se vive e trabalha, decorrentes do estilo de vida e de fatores ambientais produzidos 
ou alterados pela atividade humana. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA, 1995), 
estima-se que 60 a 90% dos cânceres sejam devidos à exposição a fatores ambientais. Em cerca de 
30% dos casos, não tem sido possível identificar a causa do câncer, sendo atribuída a fatores 
genéticos e mutações espontâneas. 
• De acordo com a International Agency for Research on Cancer -IARC os agentes carcinogênicos 
são classificados nos seguintes grupos: 
-Grupo 1: cancerígeno para os seres humanos (neste grupo se incluem, por exemplo, o benzeno 
e todas as formas de asbestos) 
-Grupo 2A: provavelmente cancerígeno para os seres humanos 
-Grupo 2B: possivelmente cancerígeno para os seres humanos 
-Grupo 3: não classificável quanto à sua carcinogenicidade para os seres humanos 
-Grupo 4: provavelmente não cancerígeno para os seres humanos 
• Em 07 de outubro de 2014, foi publicada Portaria Conjunta do MTE, MS e MPS com a Lista 
Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (LINACH). 
 
DOENÇAS DO SANGUE E DOS ÓRGÃOS HEMATOPOÉTICOS RELACIONADAS AO TRABALHO 
(GRUPO III DA CID-10) 
 
• O sistema hematopoético constitui um complexo formado pela medula óssea e outros órgãos 
hemoformadores e pelo sangue. Na medula óssea são produzidas, continuamente, as células 
sangüíneas: eritrócitos, neutrófilos e plaquetas, sob rígido controle dos fatores de crescimento. Para 
que cumpram sua função fisiológica, os elementos celulares do sangue devem circular em número e 
estrutura adequados. 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
20 
• Agressões ao sistema hematopoético podem ocorrer na medula óssea, afetando a célula 
primitiva multipotente ou qualquer das células dela derivadas, e na corrente sangüínea, destruindo 
ou alterando a função de células já formadas. 
• Entre os agentes hematotóxicos de interesse para a saúde do trabalhador destacam-se o 
benzeno e as radiações ionizantes. Esses agentes podem lesar a célula primitiva multipotente, 
reduzindo seu número ou provocando lesões citogenéticas, resultando em hipoprodução celular ou 
em linhagens celulares anormais. 
• No caso do benzeno, que tem uma ação mielotóxica bem conhecida, devem ser seguidas as 
diretrizes da Portaria/MTb n.º 14/1995 e Instrução Normativa/MTb n.º 1/1995, que definem a 
metodologia de avaliação das concentrações de benzeno em ambientes de trabalho e o 
desenvolvimento do Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno (PPEOB), pelo 
empregador, processadoras e utilizadoras de benzeno. O Valor de Referência Tecnológico (VRT) 
estabelecido para o benzeno é de 1,0 ppm para as empresas mencionadas no Anexo n.º 13-A, e de 
2,5 ppm para as siderúrgicas. As empresas produtoras de álcool anidro devem substituir o benzeno. 
• A exposição às radiações ionizantes deve ser limitada com o controle das fontes de radiação, 
tanto em ambientes industriais quanto em serviços de saúde. Devem ser observadas as Diretrizes 
Básicas de Proteção Radiológica em Radiodiagnóstico Médico e Odontológico, definidas pela 
Portaria/MS n.º 453/1998. Os equipamentos devem ter dispositivos de segurança, anteparos de 
proteção e sofrer manutenção preventiva rigorosa; as salas e setores devem ser dotados de 
sinalização, proteção e blindagem; os procedimentos operacionais e de segurança devem ser bem 
definidos, incluindo situações de acidentes e emergências; o pessoal deve receber treinamento 
adequado e ser supervisionado; os equipamentos e fontes devem ser posicionadoso mais distante 
possível dos trabalhadores; devese diminuir o número de trabalhadores nesses setores e o tempo de 
exposição. 
• A Lei Federal n.º 7.802/1989 e algumas leis estaduais e municipais proíbem a utilização de 
agrotóxicos organoclorados, não devendo, portanto, ser autorizada a sua fabricação e 
comercialização. Outros grupamentos de agrotóxicos também têm sua produção, comercialização, 
utilização, transporte e destinação definidos por essa lei. Alguns estados e municípios possuem 
regulamentações complementares que devem ser obedecidas. Recomenda-se observar o 
cumprimento, pelo empregador, das Normas Regulamentadoras Rurais (NRR), Portaria/MTb n.º 
3.067/ 1988, especialmente a NRR 5, que dispõe sobre os produtos químicos, agrotóxicos e afins, 
fertilizantes e corretivos. Especial atenção deve ser dada à proteção de trabalhadores envolvidos nas 
atividades de preparação de caldas e aplicação desses produtos. 
• As doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Síndromes mielodisplásicas (D46.-) 
o Outras anemias devidas a transtornos enzimáticos (D55.8) 
o Anemia hemolítica adquirida (D59.-) 
o Anemia aplástica devida a outros agentes externos (D61.2) e anemia aplástica não-
especificada (D61.9) 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
21 
o Púrpura e outras manifestações hemorrágicas (D69.-) 
o Agranulocitose (neutropenia tóxica) (D70) 
o Outros transtornos especificados dos glóbulos brancos: leucocitose, reação leucemóide 
(D72.8) 
o Metahemoglobinemia (D74.-) 
 
DOENÇAS ENDÓCRINAS, NUTRICIONAIS E METABÓLICAS RELACIONADAS AO TRABALHO 
(Grupo IV da CID-10) 
 
• Os efeitos ou danos sobre os sistemas endócrino, nutricional e metabólico, decorrentes da 
exposição ambiental e ocupacional a substâncias e agentes tóxicos são, ainda, pouco conhecidos. 
Porém, ainda que necessitando de estudos mais aprofundados, as seguintes situações de trabalho 
são reconhecidas como capazes de produzir doenças: 
o utilização de ferramentas vibratórias, como os marteletes pneumáticos. Associado à síndrome 
deRaynaudg, uma doença vascular periférica (ver protocolo no capítulo 14), tem sido 
observado ocomprometimento dos sistemas endócrino e nervoso central expresso por 
disfunção dos centros cerebraisautônomos, que necessita ser melhor avaliado; 
o extração e manuseio de pedra-pome, provocando deficiência adrenal; 
o produção e uso de derivados do ácido carbâmico (carbamatos), utilizados como pesticidas, 
herbicidase nematocidas. Os tiocarbamatos são utilizados, também, como aceleradores da 
vulcanização e seusderivados empregados no tratamento de tumores malignos, hipóxia, 
neuropatias e doenças provocadaspela radiação. Por mecanismo endócrino, são mutagênicos 
e embriotóxicos; 
o em expostos ao chumbo tem sido observada forte correlação inversa entre a plumbemia e os 
níveis devitamina D, alterando a homeostase extra e intracelular do cálcio e interferindo no 
crescimento ematuração de dentes e ossos. Também tem sido descrita a ocorrência de 
hipotireoidismo decorrente deum acometimento da hipófise; 
o a exposição ao dissulfeto de carbono (CS2) é reconhecida por seus efeitos sobre o 
metabolismo lipídico,acelerando o processo de aterosclerose (também conhecida como 
arteriosclerose). 
• As doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Hipotireoidismo devido a substâncias exógenas (E03.-) 
o Outras porfirias (E80.2) 
 
TRANSTORNOS MENTAIS E DO COMPORTAMENTO RELACIONADOS AO TRABALHO (Grupo 
V da CID-10) 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
22 
• Em nossa sociedade, o trabalho é mediador de integração social, seja por seu valor econômico 
(subsistência), seja pelo aspecto cultural (simbólico), tendo, assim, importância fundamental na 
constituição da subjetividade, no modo de vida e, portanto, na saúde física e mental das pessoas. A 
contribuição do trabalho para as alterações da saúde mental das pessoas dá-se a partir de ampla 
gama de aspectos: desde fatores pontuais, como a exposição a determinado agente tóxico, até a 
complexa articulação de fatores relativos à organização do trabalho, como a divisão e parcelamento 
das tarefas, as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica organizacional. Os 
transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho resultam, assim, não de fatores 
isolados, mas de contextos de trabalho em interação com o corpo e aparato psíquico dos 
trabalhadores. As ações implicadas no ato de trabalhar podem atingir o corpo dos trabalhadores, 
produzindo disfunções e lesões biológicas, mas também reações psíquicas às situações de trabalho 
patogênicas, além de poderem desencadear processos psicopatológicos especificamente 
relacionados às condições do trabalho desempenhado pelo trabalhador. 
• Em decorrência do lugar de destaque que o trabalho ocupa na vida das pessoas, sendo fonte 
de garantia de subsistência e de posição social, a falta de trabalho ou mesmo a ameaça de perda do 
emprego geram sofrimento psíquico, pois ameaçam a subsistência e a vida material do trabalhador 
e de sua família. Ao mesmo tempo abala o valor subjetivo que a pessoa se atribui, gerando 
sentimentos de menos-valia, angústia, insegurança, desânimo e desespero, caracterizando quadros 
ansiosos e depressivos. 
• Os níveis de atenção e concentração exigidos para a realização das tarefas, combinados com 
o nível de pressão exercido pela organização do trabalho, podem gerar tensão, fadiga e esgotamento 
profissional ou burn-out (traduzido para o português como síndrome do esgotamento profissional ou 
estafa). 
• Estudos têm demonstrado que alguns metais pesados e solventes podem ter ação tóxica 
direta sobre o sistema nervoso, determinando distúrbios mentais e alterações do comportamento, 
que se manifestam por irritabilidade, nervosismo, inquietação, distúrbios da memória e da cognição, 
inicialmente pouco específicos e, por fim, com evolução crônica, muitas vezes irreversível e 
incapacitante. 
• A definição de disfunção e incapacidade causada pelos transtornos mentais e do 
comportamento, relacionados ou não com o trabalho, é difícil. Os indicadores e parâmetros propostos 
pela Associação Médica Americana (AMA) organizam a disfunção ou deficiência causadas pelos 
transtornos mentais e do comportamento em quatro áreas: 
LIMITAÇÕES EM ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA: que incluem atividades como autocuidado, 
higiene pessoal, comunicação, deambulação, viagens, repouso e sono, atividades sexuais e 
exercício de atividades sociais e recreacionais. O que é avaliado não é simplesmente o número 
de atividades que estão restritas ou prejudicadas, mas o conjunto de restrições ou limitações 
que, eventualmente, afetam o indivíduo como um todo; 
EXERCÍCIO DE FUNÇÕES SOCIAIS: refere-se à capacidade do indivíduo de interagir 
apropriadamente e comunicar-se eficientemente com outras pessoas. Inclui a capacidade de 
conviver com outros, tais como membros de sua família, amigos, vizinhos, atendentes e 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
23 
balconistas no comércio, zeladores de prédios, motoristas de táxi ou ônibus, colegas de 
trabalho, supervisores ou supervisionados, sem alterações, agressões ou sem o isolamento do 
indivíduo em relação ao mundo que o cerca; 
CONCENTRAÇÃO, PERSISTÊNCIA E RITMO: também denominados capacidade de completar 
ou levar a cabo tarefas. Estes indicadores ou parâmetros referem-se à capacidade de manter a 
atenção focalizada o tempo suficiente para permitir a realização cabal, em tempo adequado, de 
tarefas comumente encontradas no lar, na escola, ou nos locais de trabalho. Essas capacidades 
ou habilidades podem ser avaliadas por qualquer pessoa, principalmente se for familiarizada 
com o desempenho anterior, basal ou histórico do indivíduo. Eventualmente, a opinião de 
profissionais psicólogos ou psiquiatras, com bases mais objetivas, poderá ajudar a avaliação; 
DETERIORAÇÃOOU DESCOMPENSAÇÃO NO TRABALHO: refere-se a falhas repetidas na 
adaptação a circunstâncias estressantes. Frente a situações ou circunstâncias mais 
estressantes ou de demanda mais elevada, os indivíduos saem, desaparecem ou manifestam 
exacerbações dos sinais e sintomas de seu transtorno mental ou comportamental. Em outras 
palavras, descompensam e têm dificuldade de manter as atividades da vida diária, o exercício 
de funções sociais e a capacidade de completar ou levar a cabo tarefas. Aqui, situações de 
estresseg, comuns em ambientes de trabalho, podem incluir o atendimento de clientes, a 
tomada de decisões, a programação de tarefas, a interação com supervisores e colegas. 
• Os transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho são as seguintes: 
o Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02.8) 
o Delirium, não-sobreposto à demência, como descrita (F05.0) 
o Transtorno cognitivo leve (F06.7) 
o Transtorno orgânico de personalidade (F07.0) 
o Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado (F09.-) 
o Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho) (F10.2) 
o Episódios depressivos (F32.-) 
o Estado de estresse pós-traumático (F43.1) 
o Neurastenia (inclui síndrome de fadiga) (F48.0) 
o Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional) (F48.8) 
o Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos (F51.2) 
o Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out g, síndrome do esgotamento profissional) 
(Z73.0) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo VI da CID-10) 
 
• A vulnerabilidade do sistema nervoso aos efeitos da exposição ocupacional e ambiental a uma 
gama de substâncias químicas, agentes físicos e fatores causais de adoecimento, decorrentes da 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
24 
organização do trabalho, tem ficado cada vez mais evidente, traduzindo-se em episódios isolados ou 
epidêmicos de doença nos trabalhadores. 
• Entre as formas de comprometimento neurológico que podem estar relacionadas ao trabalho 
estão, por exemplo, ataxia e tremores semelhantes aos observados em doenças degenerativas do 
cerebelo (ataxia de Friedreich), que podem resultar de exposições ao tolueno, mercúrio e acrilamida. 
Lesões medulares, semelhantes às que ocorrem na neurossífilis, na deficiência de vitamina B12 e na 
esclerose múltipla, podem ser causadas pela intoxicação pelo triorto-cresilfosfato. Manifestações de 
espasticidade, impotência e retenção urinária, associadas à esclerose múltipla, podem decorrer da 
intoxicação pela dietilaminoproprionitrila. A doença de Parkinson secundária, um distúrbio de 
postura, com rigidez e tremor, pode resultar de efeitos tóxicos sobre os núcleos da base do cérebro, 
decorrentes da exposição ao monóxido de carbono, ao dissulfeto de carbono e ao dióxido de 
manganês. Manifestações de compressão nervosa, como na síndrome do túnel do carpo, podem 
estar relacionadas ao uso de determinadas ferramentas e posturas adotadas pelo trabalhador no 
desempenho de suas atividades. Para o diagnóstico diferencial, a história ocupacional e um exame 
neurológico acurado são fundamentais. 
• As doenças do sistema nervoso relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Ataxia cerebelosa (G11.1) 
o Parkinsonismo secundário devido a outros agentes externos (G21.2) 
o Outras formas especificadas de tremor (G25.2) 
o Transtorno extrapiramidal do movimento não-especificado (G25.9) 
o Distúrbios do ciclo vigília-sono (G47.2) 
o Transtornos do nervo trigêmeo (G50.-) 
o Transtornos do nervo olfatório (inclui anosmia) (G52.0) 
o Transtornos do plexo braquial (síndrome da saída do tórax, síndrome do desfiladeiro torácico) 
(G54.0) 
o Mononeuropatias dos membros superiores (G56.-): síndrome do túnel do carpo (G56.0); 
outras lesões do nervo mediano: síndrome do pronador redondo (G56.1); síndrome do canal 
de Guyon (G56.2); lesão do nervo cubital (ulnar): síndrome do túnel cubital (G56.2); outras 
mononeuropatias dos membros superiores: compressão do nervo supra-escapular (G56.8) 
o Mononeuropatias do membro inferior (G57.-): lesão do nervo poplíteo lateral (G57.3) 
o Outras polineuropatias (G62.-): polineuropatia devida a outros agentes tóxicos (G62.2) e 
polineuropatia induzida pela radiação (G62.8) 
o Encefalopatia tóxica aguda (G92.1) 
 
DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo VII da CID-10) 
 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
25 
• O aparelho visual é vulnerável à ação de inúmeros fatores de risco para a saúde presentes no 
trabalho, como, por exemplo, agentes mecânicos (corpos estranhos, ferimentos contusos e 
cortantes), agentes físicos (temperaturas extremas, eletricidade, radiações ionizantes e não-
ionizantes), agentes químicos, agentes biológicos (picadas de marimbondo e pelo de lagarta) e ao 
sobre-esforço que leva à astenopia induzida por algumas atividades de monitoramento visual. 
• Os efeitos de substâncias tóxicas sobre o aparelho visual têm sido reconhecidos como um 
importante problema de saúde ocupacional. Segundo dados disponíveis, mais da metade das 
substâncias que constam da lista preparada pela ACGIH tem um efeito potencialmente lesivo sobre 
o olho e seus anexos. E, na medida em que são introduzidas novas substâncias nos processos 
produtivos, esse número tende a aumentar. 
• As doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Blefarite (H01.0) 
o Conjuntivite (H10) 
o Queratite e queratoconjuntivite (H16) 
o Catarata (H28) 
o Inflamação coriorretiniana (H30) 
o Neurite óptica (H46) 
o Distúrbios visuais subjetivos (H53.-) 
 
DOENÇAS DO OUVIDO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo VIII da CID-10) 
 
• As doenças otorrinolaringológicas relacionadas ao trabalho são causadas por agentes ou 
mecanismos irritativos, alérgicos e/ou tóxicos. No ouvido interno, os danos decorrem da exposição a 
substâncias neurotóxicas e fatores de risco de natureza física, como ruído, pressão atmosférica, 
vibrações e radiações ionizantes. Os agentes biológicos estão, freqüentemente, associados às otites 
externas, aos eventos de natureza traumática e à lesão do pavilhão auricular. 
• A exposição ao ruído, pela freqüência e por suas múltiplas conseqüências sobre o organismo 
humano, constitui um dos principais problemas de saúde ocupacional e ambiental na atualidade. A 
Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR) é um dos problemas de saúde relacionados ao trabalho 
mais freqüentes em todo mundo. 
• As doenças do ouvido relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Otite média não-supurativa (barotrauma do ouvido médio) (H65.9) 
o Perfuração da membrana do tímpano (H72 ou S09.2) 
o Outras vertigens periféricas (H81.3) 
o Labirintite (H83.0) 
o Perda da audição provocada pelo ruído e trauma acústico (H83.3) 
o Hipoacusia ototóxica (H91.0) 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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o Otalgia e secreção auditiva (H92.-) 
o Outras percepções auditivas anormais: alteração temporária do limiar auditivo, 
comprometimento da discriminação auditiva e hiperacusia (H93.2) 
o Otite barotraumática (T70.0) 
o Sinusite barotraumática (T70.1) 
o Síndrome devida ao deslocamento de ar de uma explosão (T70.8) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA CIRCULATÓRIO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo IX da CID-
10) 
 
• Apesar da crescente valorização dos fatores pessoais, como sedentarismo, tabagismo e dieta, 
na determinação das doenças cardiovasculares, pouca atenção tem sido dada aos fatores de risco 
presentes na atividade ocupacional atual ou anterior dos pacientes. O aumento dramático da 
ocorrência de transtornos agudos e crônicos do sistema cardiocirculatório na população faz com que 
as relações das doenças com o trabalho mereçam maior atenção. Observa-se, por exemplo, que a 
literatura médica e a mídia têm dado destaque às relações entre a ocorrência de infarto agudo do 
miocárdio, doença coronariana crônica e hipertensão arterial, com situaçõesde estresse e a condição 
de desemprego, entre outras. 
• No Brasil, as doenças cardiovasculares representam a primeira causa de óbito, 
correspondendo a cerca de um terço de todas as mortes. A participação das doenças 
cardiovasculares na mortalidade do país vem crescendo desde meados do século XX. 
• As doenças do sistema circulatório relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Hipertensão arterial (I10.-) e doença renal hipertensiva ou nefrosclerose (I12) 
o Angina pectoris (I20.-) 
o Infarto agudo do miocárdio (I21) 
o Cor pulmonale SOE ou doença cardiopulmonar crônica (I27.9) 
o Placas epicárdicas ou pericárdicas (I34.8) 
o Parada cardíaca (I46) 
o Arritmias cardíacas (I49.-) 
o Aterosclerose (I70.-) e doença aterosclerótica do coração (I25.1) 
o Síndrome de Raynaudg (I73.0) 
o Acrocianose e acroparestesia (I73.8) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo X da CID-10) 
 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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• O sistema respiratório constitui uma interface importante do organismo humano com o meio 
ambiente, particularmente com o ar e seus constituintes, gases e aerossóis, sob a forma líquida ou 
sólida. A poluição do ar nos ambientes de trabalho associa-se a uma extensa gama de doenças do 
trato respiratório que acometem desde o nariz até o espaço pleural. Entre os fatores que influenciam 
os efeitos da exposição a esses agentes estão as propriedades químicas e físicas dos gases e 
aerossóis e as características próprias do indivíduo, como herança genética, doenças preexistentes e 
hábitos de vida, como tabagismo. 
• As doenças do sistema respiratório relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Faringite aguda não-especificada (angina aguda, dor de garganta) (J02.9) 
o Laringotraqueíte aguda (J04.2) e laringotraqueíte crônica (J37.1) 
o Outras rinites alérgicas (J30.3) 
o Rinite crônica (J31.0) 
o Sinusite crônica (J32.-) 
o Ulceração ou necrose do septo nasal (J34.0) e perfuração do septo nasal (J34.8) 
o Outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas (inclui asma obstrutiva, bronquite 
crônica, bronquite asmática, bronquite obstrutiva crônica) (J44.-) 
o Asma (J45.-) 
o Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão (J60.-) 
o Pneumoconiose devida ao asbesto (asbestose) e a outras fibras mineirais (J61.-) 
o Pneumoconiose devida à poeira de sílica (silicose) (J62.8) 
o Pneumoconiose devida a outras poeiras inorgânicas: beriliose (J63.2), siderose (J63.4) 
e estanhose (J63.5) 
o Doenças das vias aéreas devidas a poeiras orgânicas (J66.-): bissinose (J66.0) 
o Pneumonite por hipersensibilidade à poeira orgânica (J67.-): pulmão do granjeiro (ou 
pulmão do fazendeiro) (J67.0); bagaçose (J67.1); pulmão dos criadores de pássaros 
(J67.2); suberose (J67.3); pulmão dos trabalhadores de malte (J67.4); pulmão dos que 
trabalham com cogumelos (J67.5); doença pulmonar devida a sistemas de ar 
condicionado e de umidificação do ar (J67.7); pneumonite de hipersensibilidade devida 
a outras poeiras orgânicas (J67.8); pneumonites de hipersensibilidade devidas à 
poeira orgânica não-especificada (alveolite alérgica extrínseca SOE; e pneumonite de 
hipersensibilidade SOE) (J67.0) 
o Afecções respiratórias devidas à inalação de produtos químicos, gases, fumaças e 
vapores (J68.-): bronquite e pneumonite (bronquite química aguda) (J68.0); edema 
pulmonar agudo (edema pulmonar químico) (J68.1); síndrome da disfunção reativa das 
vias aéreas (J68.3) e afecções respiratórias crônicas (J68.4) 
o Derrame pleural (J90.-) e placas pleurais (J92.-) 
o Enfisema intersticial (J98.2) 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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o Transtornos respiratórios em outras doenças sistêmicas do tecido conjuntivo 
classificadas em outra parte (M05.3): síndrome de Caplang(J99.1) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA DIGESTIVO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo XI da CID-10) 
 
• As doenças do aparelho digestivo relacionadas, ou não, ao trabalho estão entre as causas 
mais frequentes de absenteísmo e de limitação para as atividades sociais e ocupacionais. Isso exige 
dos profissionais que prestam assistência ao trabalhador o preparo para identificar a contribuição do 
trabalho na sua determinação e/ou agravamento de condições preexistentes. Entre os fatores 
importantes para a ocorrência das doenças digestivas relacionadas ao trabalho estão agentes físicos, 
substâncias tóxicas, fatores da organização do trabalho, como estresse, situações de conflito, tensão, 
trabalho em turnos, fadiga, posturas forçadas, horários e condições inadequadas para alimentação. 
• O sistema digestivo é uma das portas de entrada dos agentes tóxicos no organismo e, apesar 
de menos vulnerável do que o trato respiratório, tem papel essencial no metabolismo e excreção da 
substância tóxica, independentemente de sua via de penetração. Algumas substâncias químicas 
utilizadas no trabalho podem causar lesão no local de penetração, afetando diretamente boca, dentes 
e/ou regiões contíguas, como faringe, estômago, intestino e fígado. Substâncias como os solventes 
podem causar lesão hepática por meio de metabólitos citotóxicos. Substâncias neurotrópicas, como 
o sulfeto de carbono, agem sobre o plexo nervoso intramural do intestino. O fígado, juntamente com 
os rins, tem um papel primordial nos processos de desintoxicação. Síndromes gastrintestinais graves 
podem decorrer da intoxicação por fósforo, arsênio e mercúrio, manifestando-se por vômito, cólica e 
evacuações mucosanguinolentas, podendo ser acompanhadas por danos hepáticos irreversíveis. As 
hepatites infecciosas relacionadas ao trabalho merecem atenção especial pela freqüência das 
situações de exposição ocupacional a agentes infecciosos, a calor e frio intensos, e pela possibilidade 
de evoluírem para cirrose. 
• Entre os fatores de risco físico presentes no trabalho que podem lesar o sistema digestivo, 
estão radiações ionizantes, vibração, ruído, temperaturas extremas (calor e frio) e exposição a 
mudanças rápidas e radicais de temperatura ambiente. Queimaduras, se extensas, podem causar 
úlcera gástrica e lesão hepática. Posições forçadas no trabalho podem causar alterações digestivas, 
particularmente na presença de condições predisponentes, como hérnia paraesofageana e 
visceroptose. 
• Os fatores relacionados à organização do trabalho são responsáveis pela crescente ocorrência 
de problemas e queixas gastrintestinais entre os trabalhadores. Condições de fadiga física 
patológica, trabalho muito pesado, trabalho em turnos, situações de conflito e de estresse, exigências 
de produtividade, controle excessivo e relações de trabalho despóticas podem desencadear quadros 
de dor epigástrica, regurgitação e aerofagia, diarréia e, mesmo, úlcera péptica. 
• As doenças do sistema digestivo relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Erosão dentária (K03.2) 
o Alterações pós-eruptivas da cor dos tecidos duros dos dentes (K03.7) 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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o Gengivite crônica (K05.1) 
o Estomatite ulcerativa crônica (K12.1) 
o Gastroenterite e colite tóxicas (K52.-) 
o Cólica do chumbo (K59.8) 
o Doença tóxica do fígado (K71.-): com Necrose Hepática (K71.1); com Hepatite Aguda 
(K71.2); com Hepatite Crônica Persistente (K71.3); com outros Transtornos Hepáticos 
(K71.8). 
o Hipertensão portal (K76.6) 
 
DOENÇAS DA PELE E DO TECIDO SUBCUTÂNEO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo XII 
da CID-10) 
 
• As dermatoses ocupacionais compreendem as alterações da pele, mucosas e anexos, direta 
ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. São determinadas pela interação 
de dois grupos de fatores: 
o predisponentes ou causas indiretas, como idade, sexo, etnia, antecedentes mórbidos e 
doenças concomitantes, fatores ambientais, como o clima (temperatura, umidade), hábitos e 
facilidades de higiene; 
o causas diretas constituídas pelos agentes biológicos, físicos, químicos ou mecânicos 
presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o tegumento,produzindo ou 
agravando uma dermatose preexistente. 
• Cerca de 80% das dermatoses ocupacionais são produzidas por agentes químicos, 
substâncias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A maioria é de tipo irritativo e um 
menor número é de tipo sensibilizante. As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais 
mais frequentes. Estima-se que, juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato 
por irritantes representem cerca de 90% dos casos das dermatoses ocupacionais. Apesar de, na 
maioria dos casos, não produzirem quadros considerados graves, são, com frequência, responsáveis 
por desconforto, prurido, ferimentos, traumas, alterações estéticas e funcionais que interferem na 
vida social e no trabalho. 
• As doenças da pele e do tecido subcutâneo relacionadas ao trabalho são as seguintes: 
o Dermatoses pápulo-pustulosas e suas complicações infecciosas (L08.9) 
o Dermatite alérgica de contato (L23.-) 
o Dermatites de contato por irritantes (L24.-) 
o Urticária de Contato (L50.6) 
o Queimadura solar (L55.-) 
o Outras alterações agudas da pele devidas à radiação ultravioleta (L56.-): dermatite por 
fotocontato (dermatite de berloque) (L56.2); urticária solar (L56.3); outras alterações agudas 
especificadas (L56.8) e outras alterações sem outra especificação (L56.9) 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
30 
o Alterações da pele devidas à exposição crônica à radiação não-ionizante (L57.-): ceratose 
actínica (L57.0); dermatite solar, “pele de fazendeiro”, “pele de marinheiro” (L57.8) 
o Radiodermatites (aguda, crônica e não-especificada) (L58.-) 
o Outras formas de acne: cloracne (L70.8) 
o Outras formas de cistos foliculares da pele e do tecido subcutâneo: elaioconiose ou dermatite 
folicular (L72.8) 
o Outras formas de hiperpigmentação pela melanina: melanodermia (L81.4) 
o Leucodermia, não classificada em outra parte (inclui vitiligo ocupacional) (L81.5) 
o Porfiria cutânea tardia (L81.8) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA OSTEOMUSCULAR E DO TECIDO CONJUNTIVO RELACIONADAS AO 
TRABALHO (Grupo XIII da CID-10) 
 
• As transformações em curso no mundo do trabalho, decorrentes da introdução de novos 
modelos organizacionais e de gestão, têm repercussões ainda pouco conhecidas sobre a saúde dos 
trabalhadores, dentre as quais se destacam LER/DORT. Esse grupo de transtornos apresenta como 
características comuns aparecimento e evolução de caráter insidioso, origem multifatorial complexa, 
na qual se entrelaçam inúmeros fatores causais, entre eles exigências mecânicas repetidas por 
períodos de tempo prolongados, utilização de ferramentas vibratórias, posições forçadas, fatores da 
organização do trabalho, como, por exemplo, exigências de produtividade, competitividade, 
programas de incentivo à produção e de qualidade. Essas utilizam estratégias de intensificação do 
trabalho e de controle excessivo dos trabalhadores, sem levar em conta as características individuais 
do trabalhador, os traços de personalidade e sua história de vida. 
• As doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo relacionadas ao trabalho são as 
seguintes: 
o Gota induzida pelo chumbo (M10.1) 
o Outras artroses (M19.-) 
o Síndrome cervicobraquial (M53.1) 
o Dorsalgia (M54.-) : cervicalgia (M54.2); ciática (M54.3) e lumbago com ciática (M54.4) 
o Sinovites e tenossinovites (M65.-): dedo em gatilho (M65.3), tenossivite do estilóide 
radial (de Quervain) (M65.4); Outras sinovites e tenossinovites (M65.8) e sinovites e 
tenossinovites, não especificadas (M65.9) 
o Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão 
de origem ocupacional (M70.-): sinovite crepitante crônica da mão e do punho 
(M70.0); bursite da mão (M70.1); bursite do olécrano (M70.2); outras bursites do 
cotovelo (M70.3); outras bursites pré-rotulianas (M70.4); outras bursites do joelho 
(M70.5); outros transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso 
excessivo e a pressão (M70.8) e transtorno não especificado dos tecidos moles, 
relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão (M70.9) 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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o Fibromatose de fáscia palmar: contratura ou moléstia de Dupuytreng (M72.0) 
o Lesões do ombro (M75.-): capsulite adesiva do ombro (ombro congelado, periartrite 
do ombro) (M75.0); síndrome do manguito rotatório ou síndrome do supra-espinhoso 
(M75.1); tendinite bicipital (M75.2); tendinite calcificante do ombro (M75.3); bursite do 
ombro (M75.5); outras lesões do ombro (M75.8) e lesões do ombro, não especificadas 
(M75.9) 
o Outras entesopatias (M77.-): epicondilite medial (M77.0) e epicondilite lateral 
(cotovelo de tenista) (M77.1) 
o Outros transtornos especificados dos tecidos moles, não classificados em outra parte 
(inclui Mialgia) (M.79.-) 
o Osteomalacia do adulto induzida por drogas (M83.5) 
o Fluorose do esqueleto (M85.1) 
o Osteonecrose (M87.-): osteonecrose devida a drogas (M87.1) e outras osteonecroses 
secundárias (M87.3) 
o Osteólise (M89.5) (de falanges distais de quirodáctilos) 
o Osteonecrose no “Mal dos Caixões” (M90.3) 
o Doença de Kienböckg do adulto (osteocondrose do adulto do semilunar do carpo) 
(M93.1) e outras osteocondropatias especificadas (M93.8) 
 
DOENÇAS DO SISTEMA GÊNITO-URINÁRIO RELACIONADAS AO TRABALHO (Grupo XIV da 
CID-10) 
 
• A exposição ambiental e/ou ocupacional a agentes biológicos, químicos e farmacológicos 
pode lesar, de forma aguda ou crônica, os rins e o trato urinário. O diagnóstico diferencial nos casos 
decorrentes de intoxicação medicamentosa é facilitado pelo relato do paciente ou de seus familiares 
e pela evolução, geralmente, aguda e reversível. Porém, os demais agentes desencadeiam quadros 
insidiosos crônicos, dificultando sua identificação e aumentando a possibilidade de dano. 
• O sofrimento, o comprometimento da qualidade de vida, a morte do trabalhador vítima de 
uma doença renal ou do trato urinário, o custo social decorrente de sua incapacidade para o trabalho, 
os tratamentos dispendiosos a que deverá ser submetido, como os procedimentos de diálise ou 
transplante renal, entre outros, aumentam a importância do controle e monitoramento dos ambientes 
e condições de trabalho em que estão presentes fatores de risco de lesão para o sistema gênito-
urinário. Reforçam, também, a necessidade de acompanhamento, de controle médico e indicação de 
afastamento da exposição ao primeiro sinal de alteração, evitando comprometimentos mais graves. 
• As doenças do sistema gênito-urinário e do tecido conjuntivo relacionadas ao trabalho são as 
seguintes: 
o Síndrome nefrítica aguda (N00.-) 
o Doença glomerular crônica (N03.-) 
o Nefropatia túbulo-intersticial induzida por metais pesados (N14.3) 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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o Insuficiência renal aguda (N17.-) 
o Insuficiência renal crônica (N18.-) 
o Cistite aguda (N30.0) 
o Infertilidade masculina (N46.-) 
 
1.9. Conduta pericial 
 
 O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) é uma metodologia adotada pelo INSS 
que tem o objetivo de relacionar as doenças com presunção relativa de causalidade com 
determinadas ocupações profissionais. Com a aplicação do NTEP, o INSS determinará 
automaticamente que se trata de benefício acidentário e não de benefício previdenciário normal. 
• O Próprio Ministério da Previdência Social define o NTEP da seguinte forma: “a partir do 
cruzamento das informações de código da Classificação Internacional de Doenças - CID-10 e de 
código da Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE aponta a existência de uma relação 
entre a lesão ou agravo e a atividade desenvolvida pelo trabalhador. A indicação de NTEP está 
embasada em estudos científicos alinhados com os fundamentos da estatística e epidemiologia. A 
partir dessa referência a medicina pericial do INSS ganha mais uma importante ferramenta-auxiliar 
em suas análises para conclusão sobre a natureza da incapacidade ao trabalhoapresentada, se de 
natureza previdenciária ou acidentária. O NTEP foi implementado nos sistemas informatizados do 
INSS, para concessão de benefícios, em abril/2007 e de imediato provocou uma mudança radical no 
perfil da concessão de auxílios-doença de natureza acidentária: houve um incremento da ordem de 
148%. Este valor permite considerar a hipótese que havia um mascaramento na notificação de 
acidentes e doenças do trabalho.” 
• A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) considerará caracterizada a 
natureza acidentária da incapacidade quando constatar ocorrência de nexo técnico epidemiológico 
entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a atividade da empresa ou do empregado 
doméstico e a entidade mórbida motivadora da incapacidade elencada na Classificação Internacional 
de Doenças (CID), em conformidade com o que dispuser o regulamento. 
• A perícia médica do INSS deixará de aplicar o item anterior quando demonstrada a 
inexistência do nexo técnico epidemiológico. 
• A empresa ou o empregador doméstico poderão requerer a não aplicação do nexo técnico 
epidemiológico, de cuja decisão caberá recurso, com efeito suspensivo, da empresa, do empregador 
doméstico ou do segurado ao Conselho de Recursos da Previdência Social. 
• De acordo com a IN 31/08, art. 3º O nexo técnico previdenciário poderá ser de natureza causal 
ou não, havendo três espécies: 
I - nexo técnico profissional ou do trabalho, fundamentado nas associações entre patologias 
e exposições constantes das listas A e B do anexo II do Decreto nº 3.048, de 1999; 
II - nexo técnico por doença equiparada a acidente de trabalho ou nexo técnico individual, 
decorrente de acidentes de trabalho típicos ou de trajeto, bem como de condições especiais em 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
33 
que o trabalho é realizado e com ele relacionado diretamente, nos termos do § 2º do art. 20 da 
Lei nº 8.213/91; 
III - nexo técnico epidemiológico previdenciário, aplicável quando houver significância 
estatística da associação entre o código da Classificação Internacional de Doenças-CID, e o da 
Classificação Nacional de Atividade Econômica-CNAE, na parte inserida pelo Decreto nº 
6.042/07, na lista B23 do anexo II do Decreto nº 3.048, de 1999; 
• Os agravos associados aos agentes etiológicos (qualquer fator capaz de causar uma 
enfermidade em um organismo) ou fatores de risco de natureza profissional e do trabalho das listas 
A e B do anexo II do Decreto nº 3.048/99, presentes nas atividades econômicas dos empregadores, 
cujo segurado tenha sido exposto, ainda que parcial e indiretamente, serão considerados doenças 
profissionais ou do trabalho, nos termos dos incisos I e II, art. 20 da Lei nº 8.213/91.( IN 31/08, art. 
4º) 
• A empresa poderá interpor recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) 
até trinta dias após a data em que tomar conhecimento da concessão do benefício em espécie 
acidentária por nexo técnico profissional ou do trabalho, conforme art. 126 da Lei nº 8.213/91, 
quando dispuser de dados e informações que demonstrem que os agravos não possuem nexo técnico 
com o trabalho exercido pelo trabalhador. 
• Os agravos decorrentes de condições especiais em que o trabalho é executado serão 
considerados doenças profissionais ou do trabalho, ou ainda acidentes de trabalho, nos termos do § 
2º do art. 20 da Lei nº 8.213/91.( IN 31/08, art. 5º). 
• Considera-se epidemiologicamente estabelecido o nexo técnico entre o trabalho e o agravo, 
sempre que se verificar a existência de associação entre a atividade econômica da empresa, expressa 
pela CNAE e a entidade mórbida motivadora da incapacidade, relacionada na CID, em conformidade 
com o disposto na parte inserida pelo Decreto nº 6.042/07 na lista B do anexo II do Decreto nº 
3.048/99.( IN 31/08, art. 6º). 
• A perícia médica do INSS, quando constatar indícios de culpa ou dolo por parte do 
empregador, em relação aos benefícios por incapacidade concedidos, deverá oficiar à Procuradoria 
Federal Especializada-INSS, subsidiando-a com evidências e demais meios de prova colhidos, 
notadamente quanto aos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais, para as providências 
cabíveis, inclusive para ajuizamento de ação regressiva contra os responsáveis, conforme previsto 
nos arts. 120 e 121 da Lei nº 8.213/91, de modo a possibilitar o ressarcimento à Previdência Social 
do pagamento de benefícios por morte ou por incapacidade, permanente ou temporária ( IN 31/08, 
art. 12). 
• Quando a perícia médica do INSS, no exercício das atribuições que lhe confere a Lei nº 
10.876/04, constatar desrespeito às normas de segurança e saúde do trabalhador, fraude ou 
simulação na emissão de documentos de interesse da Previdência Social, por parte do empregador 
ou de seus prepostos, deverá produzir relatório circunstanciado da ocorrência e encaminhá-lo, junto 
com as evidências e demais meios de prova colhidos, à Procuradoria Federal Especializada-INSS para 
conhecimento e providências pertinentes, inclusive, quando cabíveis, representações ao Ministério 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
34 
Público e/ou a outros órgãos da Administração Pública encarregados da fiscalização ou controle da 
atividade ( IN 31/08, art. 12, parágrafo único). 
 
1.10. Normas técnicas das ler/dort. 
 
• A Instrução Normativa nº98, de 5 de dezembro de 2003, aprovou a Norma Técnica sobre 
Lesões por Esforços Repetitivos-LER ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho- 
DORT. 
• A Norma Técnica foi elaborada considerando o a necessidade de simplificar, uniformizar e 
adequar a atividade médico-pericial frente ao atual nível de conhecimento da síndrome das Lesões 
por Esforços Repetitivos-LER, e dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho-DORT. 
• A Norma Técnica está dividida em duas seções: 
SEÇÃO I - Atualização clínica: Lesões por Esforços Repetitivos ou Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho. 
SEÇÃO II - Norma Técnica de Avaliação da Incapacidade Laborativa. 
 
SEÇÃO I - ATUALIZAÇÃO CLÍNICA: LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS OU DISTÚRBIOS 
OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO. 
 
INTRODUÇÃO 
 
• As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao 
Trabalho (DORT) têm se constituído em grande problema da saúde pública em muitos dos países 
industrializados 
• A terminologia DORT tem sido preferida por alguns autores em relação a outros tais como: 
Lesões por Traumas Cumulativos (LTC), Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Doença 
Cervicobraquial Ocupacional (DCO), e Síndrome de Sobrecarga Ocupacional (SSO), por evitar que na 
própria denominação já se apontem causas definidas (como por exemplo: “cumulativo” nas LTC e 
“repetitivo” nas LER) e os efeitos (como por exemplo: “lesões” nas LTC e LER). 
• Para fins de atualização desta norma, serão utilizados os termos Lesões por Esforços 
Repetitivos/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT). 
 
CONCEITO 
 
• Entende-se LER/DORT como uma síndrome relacionada ao trabalho, caracterizada pela 
ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso, 
fadiga, de aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, mas podendo acometer 
membros inferiores. 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
35 
• Entidades neuro-ortopédicas definidas como tenossinovites, sinovites, compressões de 
nervos periféricos, síndromes miofaciais, que podem ser identificadas ou não. Frequentemente são 
causa de incapacidade laboral temporária ou permanente. São resultado da combinação da 
sobrecarga das estruturas anatômicas do sistema osteomuscular com a falta de tempo para sua 
recuperação. A sobrecarga pode ocorrer seja pela utilização excessiva de determinados grupos 
musculares em movimentos repetitivos com ou sem exigência de esforço localizado, seja pela 
permanência de segmentos do corpo em determinadasposições por tempo prolongado, 
particularmente quando essas posições exigem esforço ou resistência das estruturas 
musculoesqueléticas contra a gravidade. A necessidade de concentração e atenção do trabalhador 
para realizar suas atividades e a tensão imposta pela organização do trabalho, são fatores que 
interferem de forma significativa para a ocorrência das LER/DORT. 
• O Ministério da Previdência Social e o Ministério da Saúde, respectivamente, por meio do 
Decreto 3.048/99, anexo II e da Portaria 1.339/99, organizaram uma lista extensa, porém 
exemplificativa, de doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo relacionadas ao 
trabalho. 
 
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E LEGAIS 
 
• Com o advento da Revolução Industrial, quadros clínicos decorrentes de sobrecarga estática 
e dinâmica do sistema osteomuscular tornaram-se mais numerosos. No entanto, apenas a partir da 
segunda metade do século, esses quadros osteomusculares adquiriram expressão em número e 
relevância social, com a racionalização e inovação técnica na indústria, atingindo, inicialmente, de 
forma particular, perfuradores de cartão. 
• A alta prevalência das LER/DORT tem sido explicada por transformações do trabalho e das 
empresas. Estas têm se caracterizado pelo estabelecimento de metas e produtividade, considerando 
apenas suas necessidades, particularmente a qualidade dos produtos e serviços e competitividade 
de mercado, sem levar em conta os trabalhadores e seus limites físicos e psicossociais. 
• Há uma exigência de adequação dos trabalhadores às características organizacionais das 
empresas, com intensificação do trabalho e padronização dos procedimentos, impossibilitando 
qualquer manifestação de criatividade e flexibilidade, execução de movimentos repetitivos, ausência 
e impossibilidade de pausas espontâneas, necessidade de permanência em determinadas posições 
por tempo prolongado, exigência de informações específicas, atenção para não errar e submissão a 
monitoramento de cada etapa dos procedimentos, além de mobiliário, equipamentos e instrumentos 
que não propiciam conforto 
• Entre os vários países que viveram epidemias de LER/DORT estão a Inglaterra, os países 
escandinavos, o Japão, os Estados Unidos, a Austrália e o Brasil. A evolução das epidemias nesses 
países foi variada e alguns deles continuam ainda com problemas significativos. 
• O advento das LER/DORT em grande número de pessoas, em diferentes países, provocou 
uma mudança no conceito tradicional de que o trabalho pesado, envolvendo esforço físico, é mais 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
36 
desgastante que o trabalho leve, envolvendo esforço mental, com sobrecarga dos membros 
superiores e relativo gasto de energia. 
• No Brasil, as LER/DORT foram primeiramente descritas como tenossinovite ocupacional. 
Foram apresentados, no XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho - 1973, 
casos de tenossinovite ocupacional em lavadeiras, limpadoras e engomadeiras, recomendando-se 
que fossem observadas pausas de trabalho daqueles que operavam intensamente com as mãos. 
• No campo social, sobretudo na década de 80, os sindicatos dos trabalhadores em 
processamento de dados travaram uma luta pelo enquadramento da tenossinovite como doença do 
trabalho. 
• Monteiro (1995) descreve com detalhes a trajetória do processo de reconhecimento das 
LER/DORT no Brasil. Em novembro de 1986, a direção geral do Instituto Nacional de Assistência 
Médica da Previdência Social (INAMPS) publicou a Circular de Origem nº 501.001.55 nº 10, pela qual 
orientava as Superintendências para que reconhecessem a tenossinovite como doença do trabalho, 
quando resultante de “movimentos articulares intensos e reiterados, equiparando-se nos termos do 
parágrafo 3º, do artigo 2º da Lei nº 6.367, de 19/10/76, a um acidente do trabalho”. Ainda nessa 
Circular, há referência a “todas as afecções que, relacionadas ao trabalho, resultem de sobrecarga 
das bainhas tendinosas, do tecido peritendinoso e das inserções musculares e tendinosas, 
sobrecarga essa a que, entre outras categorias profissionais, frequentemente se expõem digitadores 
de dados, mecanógrafos, datilógrafos, pianistas, caixas, grampeadores, costureiras e lavadeiras.” 
• Em 6 de agosto de 1987, o então Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social, com 
base em pareceres do então Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e INAMPS, constantes 
no Processo nº 30.000.006119/87, originado de requerimento do Sindicato dos Empregados em 
Empresas de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro, publicou a Portaria nº 4.062, 
reconhecendo que “a tenossinovite do digitador” podia ser considerada uma doença ocupacional. 
Também essa Portaria enquadrava a “síndrome” no parágrafo 3º, do artigo 2º da Lei nº 6.379/76 
como doença do trabalho e estendia a peculiaridade do esforço repetitivo a determinadas categorias, 
além dos digitadores, tais como datilógrafos, pianistas, entre outros. 
• Em 23/11/90, o Ministro do Trabalho publicou a Portaria nº 3.751 alterando a NR 17 e 
atualizando a Portaria nº 3.214/78. Embora não se tratasse de uma Portaria exclusiva para a 
prevenção das LER/DORT, abordava aspectos das condições de trabalho que propiciavam a 
ocorrência dessa síndrome. Estabelecia, por exemplo, que “nas atividades que exigissem sobrecarga 
muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e partir 
da análise ergonômica do trabalho”, o sistema de avaliação de desempenho para efeito de 
remuneração e vantagens de qualquer espécie devia levar em consideração as repercussões sobre a 
saúde do trabalhador. Também estabelecia pausas para descanso e para as atividades de 
processamento eletrônico de dados, limitava a oito mil o número máximo de toques por hora e a cinco 
horas o tempo máximo efetivo de trabalho de entrada de dados na jornada de trabalho. 
• Em 1991, o então Ministério unificado do Trabalho e da Previdência Social, na sua série 
Normas Técnicas para Avaliação de Incapacidade, publicou as normas referentes às LER, que 
continham critérios de diagnóstico e tratamento, ressaltavam aspectos epidemiológicos com base na 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
37 
experiência do Núcleo de Saúde do Trabalhador do INSS de Minas Gerais, descrevendo casos entre 
diversas categorias profissionais, tais como: digitador, controlador de qualidade, embalador, 
enfitadeiro, montador de chicote, montador de tubos de imagem, operador de máquinas, operador 
de terminais de computador, auxiliar de administração, auxiliar de contabilidade, operador de telex, 
datilógrafo, pedreiro, secretário, técnico administrativo, telefonista, auxiliar de cozinha e copeiro, 
eletricista, escriturário, operador de caixa, recepcionista, faxineiro, ajudante de laboratório, viradeiro 
e vulcanizador. 
• Em 1992, foi a vez do Sistema Único de Saúde por meio da Secretaria de Estado da Saúde 
de São Paulo e das Secretarias de Estado do Trabalho e Ação Social e da Saúde de Minas Gerais 
publicarem resoluções sobre o assunto. 
• Em 1993, o INSS publicou uma revisão das suas normas sobre LER, ampliando o seu conceito, 
reconhecendo na sua etiologia além dos fatores biomecânicos, os relacionados à organização do 
trabalho. 
• Em 1998, em substituição às normas de 1993, o INSS publicou a OS Nº 606/98, objeto da 
presente revisão. 
 
FATORES DE RISCO 
 
• O desenvolvimento das LER/DORT é multicausal, sendo importante analisar os fatores de 
risco envolvidos direta ou indiretamente. A expressão "fator de risco" designa, de maneira geral, os 
fatores do trabalho relacionados com as LER/DORT. Os fatores foram estabelecidos na maior parte 
dos casos, por meio de observações empíricas e depois confirmados com estudos epidemiológicos. 
• Os fatores de risco não são independentes. Na prática, há a interação destes fatores nos locais 
de trabalho. Na identificação dos fatores de risco, deve-se integrar as diversas informações.• Na caracterização da exposição aos fatores de risco, alguns elementos são importantes, 
dentre outros: 
a) a região anatômica exposta aos fatores de risco; 
b) a intensidade dos fatores de risco; 
c) a organização temporal da atividade (por exemplo: a duração do ciclo de trabalho, a 
distribuição das pausas ou a estrutura de horários); 
d) o tempo de exposição aos fatores de risco. 
Os grupos de fatores de risco das LER podem ser relacionados com: 
a) o grau de adequação do posto de trabalho à zona de atenção e à visão. A dimensão do posto 
de trabalho pode forçar os indivíduos a adotarem posturas ou métodos de trabalho que causam 
ou agravam as lesões osteomusculares; 
b) o frio, as vibrações e as pressões locais sobre os tecidos. A pressão mecânica localizada é 
provocada pelo contato físico de cantos retos ou pontiagudos de um objeto ou ferramentas 
com tecidos moles do corpo e trajetos nervosos; 
c) as posturas inadequadas. Em relação à postura existem três mecanismos que podem causar 
as LER/DORT: 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
38 
c.1) os limites da amplitude articular; 
c.2) a força da gravidade oferecendo uma carga suplementar sobre as articulações e 
músculos; 
c.3) as lesões mecânicas sobre os diferentes tecidos; 
d) a carga osteomuscular. A carga osteomuscular pode ser entendida como a carga mecânica 
decorrente: 
d.1) de uma tensão (por exemplo, a tensão do bíceps); 
d.2) de uma pressão (por exemplo, a pressão sobre o canal do carpo); 
d.3) de uma fricção (por exemplo, a fricção de um tendão sobre a sua bainha); 
d.4) de uma irritação (por exemplo, a irritação de um nervo). Entre os fatores que influenciam 
a carga osteomuscular, encontramos: a força, a repetitividade, a duração da carga, o tipo de 
preensão, a postura do punho e o método de trabalho; 
e) a carga estática. A carga estática está presente quando um membro é mantido numa posição 
que vai contra a gravidade. Nesses casos, a atividade muscular não pode se reverter a zero 
(esforço estático). Três aspectos servem para caracterizar a presença de posturas estáticas: a 
fixação postural observada, as tensões ligadas ao trabalho, sua organização e conteúdo; 
f) a invariabilidade da tarefa. A invariabilidade da tarefa implica monotonia fisiológica e/ou 
psicológica; 
g) as exigências cognitivas. As exigências cognitivas podem ter um papel no surgimento das 
LER/DORT, seja causando um aumento de tensão muscular, seja causando uma reação mais 
generalizada de estresse; 
h) os fatores organizacionais e psicossociais ligados ao trabalho. Os fatores psicossociais do 
trabalho são as percepções subjetivas que o trabalhador tem dos fatores de organização do 
trabalho. Como exemplo de fatores psicossociais podemos citar: considerações relativas à 
carreira, à carga e ritmo de trabalho e ao ambiente social e técnico do trabalho. A “percepção“ 
psicológica que o indivíduo tem das exigências do trabalho é o resultado das características 
físicas da carga, da personalidade do indivíduo, das experiências anteriores e da situação social 
do trabalho. 
 
DIAGNÓSTICO 
 
• Reproduzimos abaixo, parte do fascículo 105, Série A. Normas e Manuais Técnicos, do 
Ministério da Saúde (2001), que detalha procedimentos diagnósticos. 
• “O diagnóstico de LER/DORT consiste, como em qualquer caso, nas etapas habituais de 
investigação clínica, com os objetivos de se estabelecer a existência de uma ou mais entidades 
nosológicas, os fatores etiológicos e de agravamento: 
a) história da moléstia atual - As queixas mais comuns entre os trabalhadores com LER/DORT 
são a dor localizada, irradiada ou generalizada, desconforto, fadiga e sensação de peso. Muitos 
relatam formigamento, dormência, sensação de diminuição de força, edema e enrijecimento 
muscular, choque, falta de firmeza nas mãos, sudorese excessiva, alodínea (sensação de dor 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
39 
como resposta a estímulos não nocivos em pele normal). São queixas encontradas em 
diferentes graus de gravidade do quadro clínico. 
É importante caracterizar as queixas quanto ao tempo de duração, localização, intensidade, tipo 
ou padrão, momentos e formas de instalação, fatores de melhora e piora, variações no tempo. 
O início dos sintomas é insidioso, com predominância nos finais de jornada de trabalho ou 
durante os picos de produção, ocorrendo alívio com o repouso noturno e nos finais de semana. 
Poucas vezes o paciente se dá conta de sua ocorrência precocemente. Por serem intermitentes, 
de curta duração e de leve intensidade, passam por cansaço passageiro ou “mau jeito”. A 
necessidade de responder às exigências do trabalho, o medo de desemprego, a falta de 
informação e outras contingências, principalmente nos momentos de crise que vivemos, 
estimulam o paciente a suportar seus sintomas e a continuar trabalhando como se nada 
estivesse ocorrendo. 
Aos poucos, os sintomas intermitentemente tornam-se presentes por mais tempo durante a 
jornada de trabalho e, às vezes, passam a invadir as noites e finais de semana. Nessa fase, há 
um aumento relativamente significativo de pessoas que procuram auxílio médico, por não 
conseguirem mais responder à demanda da função. No entanto, nem sempre conseguem 
receber informações dos médicos sobre procedimentos adequados para conter a progressão 
do problema. 
Muitas vezes recebem tratamento baseado apenas em anti-inflamatórios e sessões de 
fisioterapia, que “mascaram” transitoriamente os sintomas, sem que haja ação de controle de 
fatores desencadeantes e agravantes. O paciente permanece, assim, submetido à sobrecarga 
estática e dinâmica do sistema musculoesquelético, e os sintomas evoluem de forma tão 
intensa, que sua permanência no posto de trabalho se dá às custas de muito esforço. Não 
ocorrendo mudanças nas condições de trabalho, há grandes chances de piora progressiva do 
quadro clínico. 
Em geral, o alerta só ocorre para o paciente quando os sintomas passam a existir, mesmo por 
ocasião da realização de esforços mínimos, comprometendo a capacidade funcional, seja no 
trabalho ou em casa. 
Com o passar do tempo, os sintomas aparecem espontaneamente e tendem a se manter 
continuamente, com a existência de crises de dor intensa, geralmente desencadeadas por 
movimentos bruscos, pequenos esforços físicos, mudança de temperatura ambiente, 
nervosismo, insatisfação e tensão. Às vezes, as crises ocorrem sem nenhum fator 
desencadeante aparente. Essas características já fazem parte de um quadro mais grave de dor 
crônica, que merecerá uma abordagem especial por parte do médico, integrado em uma equipe 
multidisciplinar. 
Nessa fase, dificilmente o trabalhador consegue trabalhar na mesma função e várias de suas 
atividades cotidianas estão comprometidas. 
É comum que se identifiquem evidências de ansiedade, angústia, medo e depressão, pela 
incerteza do futuro tanto do ponto de vista profissional, como do pessoal. Embora esses 
sintomas sejam comuns a quase todos os pacientes, com longo tempo de evolução, às vezes, 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
40 
mesmo pacientes com pouco tempo de queixas também os apresentam, por testemunharem 
problemas que seus colegas nas mesmas condições enfrentam, seja pela duração e dificuldade 
de tratamento, seja pela necessidade de peregrinação na estrutura burocrática da Previdência 
Social, seja pelas repercussões nas relações com a família, colegas e empresa. 
Especial menção deve ser feita em relação à dor crônica dos pacientes com LER/DORT. Trata-
se de quadro caracterizado por dor contínua, espontânea, atingindo segmentos extensos, com 
crises álgicas de duração variável e existência de comprometimento importante das atividades 
da vida diária. Estímulos que, a princípio não deveriam provocar dor, causam sensações de dor 
intensa, acompanhadas muitas vezes de choque e formigamento. Os achados de exame físico 
podem ser extremamente discretos e muitas vezes os examescomplementares nada 
evidenciam, restando apenas as queixas do paciente, que, por definição, são subjetivas. O 
tratamento convencional realizado para dor aguda não produz efeito significativo, e para o 
profissional pouco habituado com o seu manejo, parece incompreensível que pacientes há 
muito tempo afastados do trabalho e sob tratamento, apresentem melhora pouco significativa 
e mantenham períodos de crises intensas. 
Essa situação frequentemente desperta sentimentos de impotência e “desconfiança” no 
médico, que se julga “enganado” pelo paciente, achando que o problema é de ordem 
exclusivamente psicológica ou de tentativa de obtenção de ganhos secundários. Do lado de 
alguns pacientes, essa evolução extremamente incômoda e sofrida, traz depressão e falta de 
esperança, despertando o sentimento de necessidade de “provar a todo o custo” que realmente 
têm o problema e que não se trata de “invenção de sua cabeça”. 
b) Investigação dos diversos aparelhos - como em qualquer caso clínico, é importante que 
outros sintomas ou doenças sejam investigados. 
A pergunta que se deve fazer é: tais sintomas ou doenças mencionados podem ter influência 
na determinação e/ou agravamento do caso? Lembremos de algumas situações que podem 
causar ou agravar sintomas do sistema musculoesquelético e do sistema nervoso periférico, 
como por exemplo: trauma, doenças do colágeno, artrites, diabetes mellitus, hipotireoidismo, 
anemia megaloblástica, algumas neoplasias, artrite reumatóide, espondilite anquilosante, 
esclerose sitêmica, polimiosite, gravidez e menopausa. 
Para ser significativo como causa, o fator não-ocupacional precisa ter intensidade e frequência 
similar àquela dos fatores ocupacionais conhecidos. O achado de uma patologia não-
ocupacional não descarta de forma alguma a existência concomitante de LER/DORT. Não 
esquecer que um paciente pode ter dois ou três problemas ao mesmo tempo. Não há regra 
matemática neste caso: é impossível determinar com exatidão a porcentagem de influência de 
fatores laborais e não laborais e frequentemente a evolução clínica os dá maiores indícios a 
respeito. 
Do ponto de vista da legislação previdenciária, havendo relação com o trabalho, a doença é 
considerada ocupacional, mesmo que haja fatores concomitantes não relacionados à atividade 
laboral. 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
41 
c) Comportamentos e hábitos relevantes - hábitos que possam causar ou agravar sintomas 
do sistema músculo-esquelético devem ser objeto de investigação: uso excessivo de 
computador em casa, lavagem manual de grande quantidade de roupas, ato de passar grande 
quantidade de roupas, limpeza manual de vidros e azulejos, ato de tricotar, carregamento de 
sacolas cheias, polimento manual de carro, o ato de dirigir, etc. 
Essas atividades acima citadas geralmente agravam o quadro de LER/DORT, mas dificilmente 
podem ser consideradas causas determinantes dos sintomas do sistema músculo-esquelético, 
tais como se apresentam nas LER/ODRT, uma vez que são atividades com características de 
flexibilidade de ritmo e tempos. Além do mais, não se tem conhecimento de nenhum estudo 
que indique tarefas domésticas como causas de quadros do sistema músculo-esquelético 
semelhantes aos quadros das LER/DORT; em contraposição, há vários que demonstram 
associação entre fatores laborais de diversas categorias profissionais e a ocorrência de 
LER/DORT. 
As tarefas domésticas não devem ser confundidas com atividades profissionais de limpeza, 
faxina ou cozinha industrial. Estas últimas são consideradas de risco para a ocorrência de 
LER/DORT. 
d) antecedentes pessoais - história de traumas, fraturas e outros quadros mórbidos que 
possam ter desencadeado e/ou agravado processos de dor crônica, entrando como fator de 
confusão, devem ser investigados. 
e) Antecedentes familiares - existência de familiares co-san- güíneo com história de diabetes 
e outros distúrbios hormonais, “reumatismos, deve merecer especial atenção. 
f) História ocupacional - tão fundamental quanto elaborar uma boa história clínica é perguntar 
detalhadamente como e onde o paciente trabalha, tentando ter um retrato dinâmico de sua 
rotina laboral: duração de jornada de trabalho, existência de tempo de pausas, forças exercidas, 
execução e freqüência de movimentos repetitivos, identificação de musculatura e segmentos 
do corpo mais utilizados, existência de sobrecarga estática, formas de pressão de chefias, 
exigência de produtividade, existência de prêmio por produção, falta de flexibilidade de tempo, 
mudanças no ritmo de trabalho ou na organização do trabalho, existência de ambiente 
estressante, relações com chefes e colegas, insatisfações, falta de reconhecimento profissional, 
sensação de perda de qualificação profissional. 
Fatores como ruído excessivo, desconforto térmico, iluminação inadequada e móveis 
desconfortáveis contribuem para a ocorrência de LER/DORT. 
Deve-se observar, também, empregos anteriores e suas características, independente do tipo 
de vínculo empregatício. 
Cabe ao médico atentar para os seguintes questionamentos: 
✓ houve tempo suficiente de exposição aos fatores de risco? 
✓ houve intensidade suficiente de exposição aos fatores de risco? 
✓ os fatores existentes no trabalho são importantes para, entre outros, produzir ou 
agravar o quadro clínico? 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
42 
As perguntas acima não podem ser compreendidas matematicamente. Estudos conclusivos, 
por exemplo, de tempo de exposição a fatores predisponentes necessário e sufuciente para o 
desencadeamento de LER/DORT não nos parecem ser de fácil execução, uma vez que mesmo 
atividades semelhantes nunca são executadas de forma igual, mesmo que aparentemente o 
sejam. 
Em condições ideais, a avaliação médica deve contar com uma análise ergonômica, abrangendo 
o posto de trabalho e a organização do trabalho.” 
g) Exame físico 
h) Exames complementares - exames complementares devem ser solicitados à luz de 
hipóteses diagnósticas e não de forma indiscriminada. Seus resultados devem sempre levar em 
conta o quadro clínico e a evolução, que são soberanos na análise e conclusão diagnóstica. 
Conclusão diagnóstica: a conclusão diagnóstica deve considerar o quadro clínico, sua evolução, 
fatores etiológicos possíveis, com destaque para a anamnese e fatores ocupacionais. É importante 
lembrar sempre que os exames complementares devem ser interpretados à luz do raciocínio clínico. 
Um diagnóstico não-ocupacional não descarta LER/DORT. 
 
QUADRO I - RELAÇÃO EXEMPLIFICATIVA ENTRE O TRABALHO E ALGUMAS ENTIDADES 
NOSOLÓGICAS 
LESÕES 
CAUSAS 
OCUPACIONAIS 
EXEMPLOS 
ALGUNS 
DIAGNÓSTICOS 
DIFERENCIAIS 
Bursite do 
cotovelo 
(olecraniana) 
Compressão do 
cotovelo contra 
superfícies duras 
Apoiar o cotovelo em 
mesas 
Gota, contusão e 
artrite reumatóide 
Contratura de 
fáscia palmar 
Compressão palmar 
associada a vibração 
Operar compressores 
pneumáticos 
Heredo - familiar 
(Contratura de 
Dupuytren) 
Dedo em 
gatilho 
Compressão palmar 
associada a 
realização de força 
Apertar alicates e 
tesouras 
Diabetes, artrite 
reumatóide, 
mixedema, 
amiloidose. 
Epicondilites do 
Cotovelo 
Movimentos com 
esforços estáticos e 
preensão prolongada 
de objetos, 
principalmente com o 
punho estabilizado 
em flexão dorsal 
Apertar, parafusos, 
jogar tênis, desencapar 
fios, tricotar, operar 
motosserra 
Doenças 
reumáticas e 
metabólicas, 
hanseníase, 
neuropatias 
periféricas, 
contusão traumas. 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
43 
Síndrome do 
Canal Cubital 
Flexão extrema do 
cotovelo com ombro 
abduzido. Vibrações 
Apoiar cotovelo em 
mesa 
Epicondilite medial, 
seqüela de fratura, 
bursite olecraniana 
forma T de 
Hanseníase 
Síndrome do 
Canal de Guyon 
Compressão da 
borda ulnar do punho 
Carimbar 
Cistos sinoviais, 
tumores do nervo 
ulnar, tromboses da 
artéria ulnar, 
trauma , artrite 
reumatóide e etcSíndrome do 
Desfiladeiro 
Torácico 
Compressão sobre o 
ombro, flexão lateral 
do pescoço, elevação 
do braço 
Fazer trabalho manual 
sobre veículos, trocar 
lâmpadas, pintar 
pardes, lavar vidraças, 
apoiar telefones entre 
ombro e a cabeça 
Cervicobraquialgia, 
síndrome da costela 
cervical, síndrome 
da primeira costela, 
metabólicas, Artrite 
Reumatóide e 
Rotura do Supra-
espinhoso 
Síndrome do 
Interósseo 
Anterior 
Compressão da 
metade distal do 
antebraço 
Carregar objetos 
pesados apoiados no 
antebraço 
 
Síndrome do 
Pronador 
Redondo 
Esforço manual do 
antebraço em 
pronação 
Carregar pesos, 
praticar musculação, 
apertar parafusos 
Síndrome do túnel 
do carpo 
Síndrome do 
Túnel do Carpo 
Movimentos 
repetitivos de flexão, 
mas também 
extensão o punho, 
principalmente se 
acompanhados por 
realização de força 
Digitar, fazer 
montagens industriais, 
empacotar 
Menopausa, 
trauma, tendinite da 
gravidez 
(particularmente se 
bilateral), lipomas, 
artrite reumatóide, 
diabetes, 
amiloidose, 
obesidade 
neurofibromas, 
insuficiência renal, 
lupus eritematoso, 
condrocalcinose do 
punho 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
44 
Tendinite da 
Porção Longa 
do Bíceps 
Manutenção do 
antebraço supinado e 
fletido sobre o braço 
ou do membro 
superior em abdução 
carregar pesos 
Artropatia 
metabólica e 
endócrina, artrites, 
osteofitose da 
goteira bicipital, 
artrose 
acromioclavicular e 
radiculopatias C5-
C6 
Tendinite do 
Supraespinhoso 
Elevação com 
abdução dos ombros 
associada a elevação 
de força 
Carregar pesos sobre o 
ombro 
Bursite, 
traumatismo, 
artropatias 
diversas, doenças 
metabólicas 
Tenossinovite 
de De Quervain 
Estabilização do 
polegar em pinça 
seguida de rotação ou 
desvio ulnar do carpo, 
principalmente se 
acompanhado de 
realização de força 
Torcer roupas, apertar 
botão com o polegar 
Doenças 
reumáticas, 
tendinite da 
gravidez 
(particularmente 
bilateral), estiloidite 
do rádio 
Tenossinovite 
dos extensores 
dos dedos 
Fixação 
antigravitacional do 
punho. Movimentos 
repetitivos de flexão e 
extensão dos dedos 
Digitar, operar mouse 
Artrite Reumatóide , 
Gonocócica, 
Osteoartrose e 
Distrofia Simpático-
Reflexa (síndrome 
Ombro - Mão) 
Obs.1: considerar a relevância quantitativa das causas na avaliação de cada caso. A 
presença de um ou mais dos fatores listados na coluna “Outras Causas e Diagnóstico 
Diferencial” não impede, a priori, o estabelecimento do Nexo. 
Obs. 2: vide Decreto nº 3048/99, Anexo II, Grupo XIII da CID - 10 – “Doenças dos 
Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo, relacionadas com o Trabalho” 
 
TRATAMENTO 
 
• Nas LER/DORT, em geral, como em qualquer outro caso, quanto mais precoce o diagnóstico 
e o início do tratamento adequado, maiores as possibilidades de êxito. Isto depende de vários fatores, 
dentre eles, do grau de informação do paciente, da efetividade do programa de prevenção de controle 
médico da empresa, da possibilidade de o paciente manifestar-se em relação às queixas de saúde 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
45 
sem “sofrer represálias”, explícitas ou implícitas, e da direção da empresa, que pode facilitar ou não 
o diagnóstico precoce. 
• A gravidade do problema está intimamente relacionada ao tempo de evolução do quadro 
clínico. No entanto, às vezes encontramos casos de início relativamente recente que evoluem 
rapidamente para quadros graves, como distrofia simpático reflexa ou síndrome complexa de dor 
regional, de difícil controle. O papel do médico da empresa é fundamental no diagnóstico precoce, no 
controle dos fatores de risco e na realocação do trabalhador dentro de um programa de promoção 
da saúde, prevenção de agravos ocupacionais, diminuição da possibilidade de agravamento e 
cronificação dos casos e reabilitação. 
• O controle da dor crônica músculo-esquelética exige o emprego de abordagem 
interdisciplinar, que tente focalizar as raízes do problema. Os tratamentos costumam ser longos e 
envolvem questões sociais, empregatícias, trabalhistas e previdenciárias, além das clínicas. Se todos 
estes aspectos não forem abordados adequadamente, dificilmente obtém-se sucesso no tratamento. 
• A equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, terapeutas corporais, 
profissionais de terapias complementares, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e 
assistentes sociais, deve estabelecer um programa com objetivos gerais e específicos do tratamento 
e da reabilitação para cada caso, e cada meta devem ser conhecida pelos pacientes, pois do contrário 
as pequenas conquistas não serão valorizadas, esperando-se curas radicais e imediatas. 
• Alguns dos recursos terapêuticos que podem ser utilizados em um programa de tratamento 
e reabilitação encontram-se abaixo citados: 
-medicamentos, que devem ser prescritos de maneira cautelosa. Os pacientes precisam ser 
bem orientados quanto à forma correta de utilização e o que esperar deles. Além disso, é 
importante considerar o tempo de tratamento, que pode ser um fator importante a considerar 
nos casos de medicamentos de alto custo. Os medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios 
são úteis no combate à dor aguda e inflamação, mas, se usados isoladamente, não são efetivos 
para o combate da dor crônica. Nesse caso, é necessário, a associação dos psicotrópicos 
(antidepressivos tricíclicos e fenotiazínicos), que proporcionam efeito analgésico e ansiolítico, 
estabilizam o humor e promovem alterações na simbologia da dor; 
-em alguns casos de dor crônica refratária a técnicas menos invasivas, o bloqueio da cadeia 
simpática com anestésicos locais ou outras formulações pode ser utilizado a fim de diminuir o 
desconforto e propiciar a possibilidade do emprego de medidas fisioterapêuticas como a 
cinesioterapia, para recuperação do trofismo e da amplitude articular da região afetada pela 
lesão. O agulhamento seco e a infiltração locais de anestésicos produzem resultados 
satisfatórios em alguns casos; 
-atividades coletivas com os grupos de adoecidos por LER/DORT têm sido realizadas com bons 
resultados nos serviços públicos de saúde, permitindo a socialização da vivência do 
adoecimento e da incapacidade, a discussão e reflexão sobre os temores e dúvidas dos 
pacientes em relação ao adoecimento e às dificuldades encontradas no estabelecimento do 
diagnóstico, tratamento e reabilitação; 
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46 
-a fisioterapia utiliza recursos de eletrotermofototerapia, massoterapia e cinesioterapia, sendo 
que a combinação de técnicas adequadas deve ser definida para cada caso. Não é possível 
padronizar o tipo nem a duração do tratamento. Seus objetivos principais são: alívio da dor, 
relaxamento muscular e prevenção de deformidades, proporcionando uma melhora da 
capacidade funcional dos pacientes portadores de LER/DORT. A presença ativa do 
fisioterapeuta é fundamental para uma avaliação contínua da evolução do caso e para 
mudanças de técnicas ao longo do tratamento. Alguns recursos como alongamentos, 
automassagem, e relaxamentos podem ser realizados em abordagens grupais; as técnicas 
especificas para cada caso são aplicadas em sessões individuais; 
• Apoio psicológico é essencial aos pacientes portadores de LER/DORT, para que se sintam 
amparados em sua insegurança e temor no que se refere às atividades prévias no trabalho, às 
consequências do adoecimento, às perspectivas no emprego. A abordagem dos aspectos 
psicossociais das LER/DORT e do sofrimento mental que cada paciente apresenta são muito úteis no 
processo de recuperação e reabilitação; os grupos informativo-psicoterapêutico-pedagógicos, 
promovidos por profissionais da área de saúde mental, também propiciam a troca de experiências a 
respeito de toda problemática das LER/DORT, enriquecendo as discussões e os progressos durante 
o tratamento. Situações de conflitos, de medo, que trazem sofrimento expresso de diferentesmaneiras são enfrentadas coletivamente, por meio de técnicas diversificadas; 
• A terapia ocupacional tem se mostrado bastante importante na conquista da autonomia dos 
pacientes adoecidos por LER/DORT. Nas atividades em grupo são discutidos temas referentes às 
atividades da vida cotidiana, para que esses trabalhadores possam se apropriar novamente das suas 
capacidades e re-significar o seu ”fazer”, levando em conta as mudanças decorrentes do 
adoecimento. Individualmente, a terapia ocupacional também pode atuar na indicação e confecção 
de órteses de posicionamento adequadas para cada caso visando a prevenção de deformidades; 
• As terapias complementares, como a acupuntura, do-in, shiatsu, entre outras, também têm 
se mostrado bastante eficazes no tratamento da LER/DORT; 
• Terapias corporais de relaxamento, alongamento e reeducação postural têm sido de extrema 
importância, assim como a hidroterapia. 
• Nos casos em que houver quadro de compressão nervosa periférica, também o tratamento 
clínico deve ser instituído de forma integral e interdisciplinar. Os procedimentos cirúrgicos não têm 
se mostrado úteis, mesmo nos casos em que a indicação cirúrgica parece adequada. Frequentemente 
ocorre evolução para dor crônica de difícil controle. 
 
PREVENÇÃO 
 
• A prevenção das LER/DORT não depende de medidas isoladas, de correções de mobiliários 
e equipamentos. 
• Um programa de prevenção das LER/DORT em uma empresa inicia-se pela criteriosa 
identificação dos fatores de risco presentes na situação de trabalho. Deve ser analisado o modo como 
as tarefas são realizadas, especialmente as que envolvem movimentos repetitivos, movimentos 
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47 
bruscos, uso de força, posições forçadas e por tempo prolongado. Aspectos organizacionais do 
trabalho e psicossociais devem ser especialmente focalizado. 
• A identificação de aspectos que propiciam a ocorrência de LER/DORT e as estratégias de 
defesa, individuais e coletivas, dos trabalhadores, deve ser fruto de análise integrada entre a equipe 
técnica e os trabalhadores, considerando-se o saber de ambos os lados. Análises unilaterais 
geralmente não costumam retratar a realidade das condições de risco e podem levar a conclusões 
equivocadas e a consequentes encaminhamentos não efetivos. 
• A Norma Regulamentadora (NR 17) estabelece alguns parâmetros que podem auxiliar a 
adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo 
a proporcionar conforto, segurança e desempenho eficiente. 
• Embora não seja específica para a prevenção de LER/DORT, trata da organização do trabalho 
nos aspectos das normas de produção, modo operatório, exigência de tempo, determinação do 
conteúdo de tempo, ritmo de trabalho e conteúdo das tarefas. 
• No item 17.6.3. da NR 17, para as atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou 
dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise 
ergonômica do trabalho, estabelece inclusão de pausas para descanso. Para as atividades de 
processamento de dados, estabelece número máximo de toques reais por hora trabalhada, o limite 
máximo de cinco horas por jornada para o efetivo trabalho de entrada de dados, pausas de dez 
minutos para cada cinquenta minutos trabalhados e retorno gradativo à exigência de produção em 
relação ao número de toques nos casos de afastamento do trabalho por quinze dias ou mais. 
• Embora normas técnicas ajudem a estabelecer alguns parâmetros, o resultado de um 
programa de prevenção de agravos decorrentes do trabalho em uma empresa, depende da 
participação e compromisso dos atores envolvidos, em especial a direção da empresa, passando 
pelos diversos níveis hierárquicos, incluindo trabalhadores e seus sindicatos, supervisores, cipeiros, 
profissionais da saúde e de serviço de segurança do trabalho, gerentes e cargos de chefia. 
 
DA NOTIFICAÇÃO 
 
• A notificação tem por objetivo o registro e a vigilância dos casos das LER/DORT, garantindo 
ao segurado os direitos previstos na legislação acidentária. 
• Havendo suspeita de diagnóstico de LER/DORT, deve ser emitida a Comunicação de Acidente 
do Trabalho - CAT. A CAT deve ser emitida mesmo nos casos em que não acarrete incapacidade 
laborativa para fins de registro e não necessariamente para o afastamento do trabalho. Segundo o 
artigo 336 do Decreto nº 3.048/99, “para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá 
comunicar o acidente de que tratam os artigos 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991”. Dentre 
esses acidentes, se encontram incluídas as doenças do trabalho nas quais se enquadram as 
LER/DORT. 
• Do artigo 336 do Decreto nº 3.048/99, destacam-se os seguintes parágrafos: 
“Parágrafo 1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou 
seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. 
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Parágrafo 2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do 
Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a 
aplicação e cobrança da multa devida. 
Parágrafo 3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio 
acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou 
qualquer autoridade pública, não prevalecendo nesses casos o prazo previsto neste artigo.” 
 
SEÇÃO II NORMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA - 
PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E PERICIAIS EM LER/DORT 
 
• 1. Emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT 
Todos os casos com suspeita diagnóstica de LER/DORT devem ser objeto de emissão de CAT pelo 
empregador, com o devido preenchimento do Atestado Médico da CAT ou relatório médico 
equivalente pelo médico do trabalho da empresa, médico assistente (Serviço de Saúde Público ou 
Privado) ou médico responsável pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional-PCMSO, 
com descrição da atividade e posto de trabalho para fundamentar o nexo causal. 
Na falta de Comunicação por parte do empregador, pode formalizá-la o próprio acidentado, seus 
dependentes, a entidade sindical competente, o médico assistente ou qualquer autoridade pública, 
não prevalecendo, nestes casos, os prazos legais. 
Os casos de agravamento ou recidiva de sintomatologias incapacitantes deverão ser objeto de 
emissão de nova CAT em reabertura. 
• 2. O encaminhamento da CAT pela empresa, ao INSS, deverá ser feito até o 1º dia útil após a 
data do início da incapacidade; Nos casos em que a Comunicação não for feita pela empresa, não 
prevalecerão esses prazos legais. 
• 3. Recebendo a CAT, o Setor de Benefícios do INSS fará o seu registro com verificação do 
preenchimento de seus campos. Caso o preenchimento esteja incompleto, deverá ser encaminhado 
procedimento para completá-lo, sem prejuízo da conclusão posterior da Perícia Médica. O acidente 
será caracterizado tecnicamente pela Perícia Médica do INSS (artigo 337 do Decreto nº 3.048/99), 
que fará o reconhecimento técnico do nexo causal entre: I - o acidente e a lesão; II - a doença e o 
trabalho; III - a causa mortis e o acidente. Nenhuma CAT poderá ser recusada, devendo ser registrada 
independentemente da existência de incapacidade para o trabalho, para fins estatísticos e 
epidemiológicos. Caso haja recomendação de afastamento do trabalho por um período superior a 
quinze dias, a área de Benefícios do INSS encaminhará o segurado à Perícia Médica, para realização 
de exame pericial, a partir do 16º dia de afastamento. 
• 4. Os trabalhadores avulsos e segurados especiais deverão ser encaminhados para realização 
de exame médico pericial a partir do primeiro dia útil do afastamento do trabalho. 
• 5. Conduta Médico Pericial 
O Médico Perito deve desempenhar suas atividades com ética, competência, boa técnica e respeito 
aos dispositivos legais e administrativos. Deve levarem conta os relatórios médicos portados pelo 
segurado. Se necessário, para o estabelecimento do quadro clínico e do nexo causal com o trabalho, 
 PRÉ-EDITAL AFT 
SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
49 
deve seguir os procedimentos dos itens 5 e 6 da Seção I desta Instrução Normativa. Caso o Médico 
Perito identifique a necessidade de algum exame complementar, deve solicitá-lo, utilizando os 
serviços públicos ou credenciados pela Instituição ou de escolha do segurado. Poderá também, 
solicitar colaboração ao colega que assiste o segurado. Não poderá, em hipótese alguma, delegar ao 
segurado verbalmente, a responsabilidade de realização de qualquer exame ou avaliação 
especializada. 
• 6. Conclusão Médico Pericial 
Situações Possíveis: 
I - não se constatou incapacidade laborativa em nenhum momento, portanto configura-se caso 
de indeferimento do auxílio-doença acidentário requerido, independentemente do nexo causal; 
II - existe incapacidade laborativa, porém o nexo causal não foi caracterizado, logo concede-se 
o auxílio-doença previdenciário (E31); 
III - existe incapacidade laborativa com nexo causal caracterizado, tratando-se de caso de 
deferimento do auxílio doença acidentário como requerido (E-91); 
IV - vale ressaltar que com alguma frequência é dado ao Perito avaliar segurado desempregado 
e, neste caso, é necessário considerar que podem ocorrer as seguintes situações: 
-O segurado pode ter tido início do quadro antes da demissão, tendo ocultado sua situação, 
por medo de discriminação e demissão; 
-O segurado pode ter agravamento dos sintomas, independentemente de estar submetido 
aos fatores de risco para a ocorrência de LER/DORT, pois pode ter dor crônica. Assim, o fato 
de o segurado se encontrar desempregado não descarta em hipótese alguma que apresente 
incapacidade para o trabalho por existência de LER/DORT. 
• 7. Constatada a remissão dos sinais e sintomas clínicos que fundamentaram a existência da 
incapacidade laborativa, a conclusão pericial será pela cessação do auxílio-doença, o que poderá 
ocorrer já no exame inicial, sem ou com sequelas permanentes que impliquem redução da capacidade 
para o trabalho que habitualmente exercia. O retorno ao trabalho, com quadro estabilizado, deverá 
dar se em ambiente e atividade/função adequados, sem risco de exposição, uma vez que a remissão 
dos sintomas não garante que o trabalhador esteja livre das complicações tardias que poderão advir, 
se voltar às mesmas condições de trabalho que geraram a incapacidade laborativa. Em todos os 
casos de cessação do auxílio-doença acidentário, será necessária a emissão da Comunicação do 
Resultado de Exame Médico (CREM) ou da Comunicação de Resultado de Requerimento (CRER), 
que deverá ser entregue ao segurado pelo Médico Perito. Como preceito da ética médica, deve 
prestar informações ao segurado, especialmente quando solicitado. 
• 8. Auxílio-acidente 
O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado empregado, exceto o doméstico, 
ao trabalhador avulso e ao segurado especial quando, após a consolidação das lesões decorrentes 
de acidente de qualquer natureza, resultar sequela definitiva, conforme as situações discriminadas 
no anexo III, que implique em redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exerciam 
(artigo regulamentado pelo Decreto nº 4.729, de 9 de junho de 2003) 
• 9. Aposentadoria acidentária 
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Será concedida somente para os casos irrecuperáveis e com incapacidade total e permanente para 
todas as profissões (omniprofissional) e insuscetível de reabilitação profissional, geralmente 
representados por casos gravíssimos e irreversíveis, com repercussão anatômica e funcional 
importante que se apresenta com atrofias musculares ou neuropatia periférica e com importante 
diminuição da força muscular ou perda do controle de movimentos no segmento afetado, o que 
caracteriza, sem dúvida, impotência funcional severa. 
• 10. Programa de Reabilitação Profissional 
Os segurados que apresentem quadro clínico estabilizado e necessitem de mudança de atividade ou 
função serão encaminhados ao Programa de Reabilitação Profissional. 
As Unidades Técnicas de Reabilitação Profissional deverão abordar cada caso, analisando 
cuidadosamente os aspectos físicos e psicossociais do reabilitando, e as condições reais 
apresentadas pela empresa, para receber de volta o seu funcionário e efetivamente contribuir para a 
sua reabilitação profissional, sem discriminação. 
 
QUESTÕES COMENTADAS 
 
01. FUNRIO - 2017 - SESAU-RO - Técnico em Registro e Informações em Saúde 
Sobre a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), NÃO é correto afirmar que: 
 
A) permite comparar informações entre diferentes hospitais, regiões e países. 
B) serve para facilitar a busca de informações sobre diagnósticos e classificar dados referentes a 
causas de mortalidade e doenças ocupacionais. 
C) na confecção de um atestado médico, não é obrigatório informar a CID. 
D) atestados médicos entregues a trabalhadores sem indicação da CID não têm validade junto às 
empresas, podendo ser recusados pelos empregadores. 
E) além de códigos relativos às doenças, também se encontra na CID, circunstâncias sociais e causas 
externas para ferimentos e doenças. 
 
COMENTÁRIOS 
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho manteve a 
nulidade de cláusula coletiva que previa a obrigatoriedade da informação sobre a Classificação 
Internacional de Doenças (CID) como requisito para a validade do atestado médico e para o abono 
de faltas para empregados. Por maioria, os ministros entenderam que a cláusula negociada viola 
garantias constitucionais. 
 
A ausência justificada ao trabalho por motivo de doença é um direito do empregado, nos termos 
do artigo 6º, parágrafo 1º, alínea “f”, da Lei 605/1949. A ministra relatora apontou que “A exigência 
do diagnóstico codificado nos atestados médicos, estabelecida por norma coletiva, obriga o 
trabalhador a divulgar informações acerca de seu estado de saúde sempre que exercer o seu direito 
de justificar a ausência no trabalho nessas circunstâncias”. 
 
RO-213-66.2017.5.08.0000 
 
GABARITO D 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
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02. IBFC - 2013 - EBSERH - Técnico em Segurança do Trabalho 
A CNAE é uma classificação usada com o objetivo de padronizar os códigos de identificação das 
unidades produtivas do país nos cadastros e registros da administração pública nas três esferas de 
governo, em especial na área tributária. A sigla CNAE corresponde a (ao): 
Alternativas 
A) Classificação Nacional das Atividades Econômicas 
B) Classificação Nacional das Áreas Econômicas 
C) Código Nacional das Atividades Ergonômicas 
D) Cadastro Nacional de Atividades Econômicas 
 
COMENTÁRIOS 
A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos 
critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. 
 
Trata-se de um detalhamento da CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas, 
aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, 
podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou 
públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins 
lucrativos e agentes autônomos(pessoa física) . 
 
GABARITO A 
 
03. CESPE - 2013 - MTE - Auditor Fiscal do Trabalho - Prova 2 
Julgue os seguintes itens, acerca das LER/DORT. 
 
Na pesquisa e no diagnóstico de casos de dor osteomuscular de origem ocupacional, as atividades 
extralaborais do paciente devem ser identificadas, pois, geralmente, elas desencadeiam quadros 
semelhantes aos casos de LER/DORT. 
 
COMENTÁRIOS 
c. Comportamento e hábitos relevantes 
Atividades extra-laborais devem ser identificadas, mas geralmente não são consideradas 
desencadeadoras de quadros músculo-esqueléticos semelhantes às LER/Dort. Para teremsignificado como causa, os fatores não ocupacionais devem ter intensidade e freqüência similares 
as dos fatores ocupacionais conhecidos, o que raramente acontece. É freqüente o depoimento de 
médicos e profissionais da saúde mais experientes de que quando as mulheres trabalhavam 
apenas no seu lar, não havia relato de casos tão numerosos de “tendinites” e nem tão graves. 
 
GABARITO: ERRADO 
 
 
04. CESPE - 2013 - MTE - Auditor Fiscal do Trabalho - Prova 2 
Julgue os seguintes itens, acerca das LER/DORT. 
 
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SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO – META 09 
 
52 
Entre os fatores de risco ocupacional relacionados ao desenvolvimento de quadros de LER/DORT 
inclui-se a exposição às vibrações, ao calor e ao ruído. 
 
COMENTÁRIOS 
O “calor” e “ruído” não estão incluídos. 
 
Os grupos de fatores de risco das LER podem ser relacionados com (Kuorinka e Forcier, 1995): 
a) o grau de adequação do posto de trabalho à zona de atenção e à visão. 
b) o frio, as vibrações e as pressões locais sobre os tecidos. 
c) as posturas inadequadas. 
d) a carga osteomuscular. 
e) a carga estática. 
f) a invariabilidade da tarefa. 
g) as exigências cognitivas. 
h) os fatores organizacionais e psicossociais ligados ao trabalho. 
 
GABARITO: ERRADO 
 
05. CESPE - 2013 - MTE - Auditor Fiscal do Trabalho - Prova 2 
 
 
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens subsecutivos. 
 
Na situação descrita, a empresa deve comunicar ao INSS a agressão sofrida pelo trabalhador, por 
meio de CAT, até o primeiro dia útil seguinte ao de sua ocorrência. 
 
COMENTÁRIOS 
Art. 22. A empresa ou o empregador doméstico deverão comunicar o acidente do trabalho à 
Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de 
imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite 
máximo do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e 
cobrada pela Previdência Social. 
 
Fonte: LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991, art. 22 
 
GABARITO: CERTO

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