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DESCRIÇÃO
As doenças do trabalho relacionadas aos agentes de riscos ocupacionais, desenvolvidas por trabalhadores em
ambientes laborais insalubres e sem segurança. O tratamento e a prevenção das doenças, bem como a
promoção da saúde dos trabalhadores.
PROPÓSITO
O entendimento entre a relação do adoecimento e o ambiente de trabalho é fundamental para que os
profissionais de segurança do trabalho possam elaborar o plano de gerenciamento de riscos e indicar os
equipamentos de proteção adequados.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Reconhecer os riscos químicos e as doenças relacionadas ao trabalho
MÓDULO 2
Identificar os riscos físicos e as doenças relacionadas ao trabalho
MÓDULO 3
Reconhecer os riscos biológicos e as doenças relacionadas ao trabalho
MÓDULO 4
Identificar os riscos ergonômicos e as doenças relacionadas ao trabalho
INTRODUÇÃO
AS DEFINIÇÕES DE DOENÇAS RELACIONADAS AO
TRABALHO
MÓDULO 1
 Reconhecer os riscos químicos e as doenças relacionadas ao trabalho
LIGANDO OS PONTOS
Foto: Shutterstock.com
Os trabalhadores estão sujeitos a uma infinidade de substâncias no ambiente do trabalho, muitas das quais
podem ocasionar doenças ocupacionais. Todavia, nem sempre a correlação entre as substâncias e os efeitos é
conhecida. O engenheiro de Segurança do Trabalho deve ter conhecimento das principais substâncias presentes
nos ambientes de trabalho para subsidiar o trabalho das equipes de SESMT - Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho.
Dermatose ocupacional
JCS, 45 anos, pedreiro, procura o médico do trabalho com queixa de coceira intensa nas mãos, rachadura que
sangra, que o estão impedindo de trabalhar. Trabalha há três meses em uma construtora, como pedreiro de
acabamento, assentando azulejos e pisos, com registro na carteira profissional. Trabalha na construção civil
desde os 18 anos, tendo começado como ajudante. Sabe do problema causado pelo cimento, mas tem grande
dificuldade para trabalhar com luvas, pois acha que elas “atrasam o trabalho” e reduzem a produção. Já fez uso
de muitas pomadas que, no início, melhoravam o quadro, mas atualmente não observa mudança. Relatou
também que, nesse novo emprego, recebeu treinamento sobre o uso dos EPIs, mas não consegue se adaptar. O
exame físico das mãos revela edema de ambas as mãos, espessamento da pele e unhas, fissuras, suspeita de
dermatose ocupacional.
Caso adaptado do Caderno de Atenção Básica (BRASIL, 2018)
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar os pontos?
1. NO RELATO, O TRABALHADOR DEIXA CLARO QUE TEM DIFICULDADE DE USAR OS
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO FORNECIDOS PARA ELE. SOBRE ESSA SITUAÇÃO, O
QUE PODE SER FEITO PELA EQUIPE DO SESMT PARA O INCENTIVO AO USO?
A) Demitir o trabalhador.
B) Punir o trabalhador.
C) Chamar o trabalhador para conversar sobre as dificuldades para o uso dos EPIs.
D) Passar o problema para a equipe de Recursos Humanos.
E) Deixar que a equipe do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) resolva sozinha a
situação.
2. PARA EVITAR OUTROS CASOS PARECIDOS COM O DE JCS, O QUE PODE SER
FEITO PELA EQUIPE DO SESMT JUNTO AOS DEMAIS TRABALHADORES?
A) A equipe não precisa fazer nada.
B) Somente o treinamento para o uso do EPI.
C) Esse é um trabalho exclusivo dos médicos do trabalho.
D) A equipe pode se reunir com trabalhadores periodicamente.
E) Não haverá outros casos parecidos com o de JCS.
GABARITO
1. No relato, o trabalhador deixa claro que tem dificuldade de usar os equipamentos de proteção
fornecidos para ele. Sobre essa situação, o que pode ser feito pela equipe do SESMT para o incentivo ao
uso?
A alternativa "C " está correta.
Antes de pensar em advertências ou punições, a equipe do SESMT deverá chamar esse trabalhador para
conversar, compreender qual a dificuldade apresentada por ele sobre o uso dos equipamentos corretos e
mostrar-lhe a importância do uso dos equipamentos, para que ele também assuma sua responsabilidade quanto
à sua segurança. Caso o trabalhador se recuse a seguir o programa de segurança da empresa, ele deverá ser
avisado que poderá sofrer algumas penalidades.
2. Para evitar outros casos parecidos com o de JCS, o que pode ser feito pela equipe do SESMT junto aos
demais trabalhadores?
A alternativa "D " está correta.
A aproximação com os trabalhadores é fundamental para que compreendam a importância de seguirem as
normas de segurança das empresas. A equipe do SESMT pode usar diversas estratégias para essa
aproximação: reuniões, conversas com representantes dos trabalhadores, palestras na SIPAT, ouvidoria, entre
outras.
3. NO CASO DE JCS, COMO A EQUIPE DE SEGURANÇA DO
TRABALHO PODE ATUAR PARA EVITAR QUE O TRABALHADOR
FIQUE EXPOSTO A SITUAÇÕES QUE POSSAM LEVÁ-LO A
ADOECER. O QUE PRECISA SER FEITO COM RELAÇÃO A JCS?
RESPOSTA
As equipes de segurança podem mapear as situações de risco e identificar
trabalhadores nessas condições. É preciso capacitação frequente que mostre a
importância do uso dos equipamentos de proteção individual. Sobre JCS, ele precisará
ser afastado do trabalho para tratamento e, em seu retorno, será preciso a equipe
conversar com ele, mostrando que, se ele continuar com o mesmo comportamento, a
sua saúde poderá ficar extremamente prejudicada.
javascript:void(0)
RISCOS QUÍMICOS E O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Foto: Shutterstock.com
O trabalho é um dos fatores importantes para a saúde, que contribui para o bem-estar dos trabalhadores e de
suas famílias. Além de gerar renda, tem uma dimensão humanizadora que permite aos trabalhadores a inclusão
em redes sociais de apoio, relevantes para a saúde. O trabalho tem um efeito protetor para a saúde, mas
também pode gerar danos como adoecimento e morte, ou pode agravar algumas vulnerabilidades. Ademais, um
processo de trabalho pode afetar negativamente o meio ambiente, colocando a saúde da população em risco.
 VOCÊ SABIA
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), anualmente, mais de 2,78 milhões de
trabalhadores morrem em acidentes de trabalho ou por doença ocupacional. Uma das causas do adoecimento é
a falta de uma cultura de segurança e de promoção da saúde. Quando não há programas de segurança
adequados e plano de gerenciamento dos riscos, trabalhadores ficam expostos a diversos agentes prejudiciais à
saúde.
A seguir, vamos aprender como os trabalhadores adoecem estando expostos a agentes de riscos
ocupacionais, sem a devida segurança.
EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS ÀS SUBSTÂNCIAS
QUÍMICAS
Foto: Shutterstock.com
Os produtos químicos são utilizados em toda a sociedade, tendo efeitos positivos e negativos na saúde, no bem-
estar e no meio ambiente. Apesar do progresso significativo, a gestão de riscos relacionados a produtos químicos
ainda é deficiente. Acidentes com substâncias químicas com repercussões graves para as pessoas e para o
meio ambiente ainda acontecem em grande quantidade, causando prejuízos não só para os envolvidos
diretamente, como para famílias, sociedades e nações.
EM SE TRATANDO DE EXPOSIÇÃO A AGENTES QUÍMICOS, HÁ TAMBÉM A
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL.
Essa exposição é uma realidade em todo o mundo. Diversas são as indústrias que utilizam substâncias químicas
como matéria-prima para o desenvolvimento de seus produtos. Para a exposição às substâncias químicas, o
ambiente de trabalho precisa ser seguro, seguindo as normas nacionais e até mesmo Internacionais de proteção
aos trabalhadores.
Quando esse ambiente não está seguro, há maior chance de ocorrerem diversas situações danosas para os
trabalhadores, como acidentes de trabalho, intoxicações e doenças. Infelizmente, apenas um número limitado de
exposições ocupacionais a produtos químicos é considerado, monitorado e regulamentado nos locais de
trabalho. Em consequência dessa situação, muitos casos de doenças provocadas por agentes químicos no
trabalho são subnotificados, dificultando, assim, dados estatísticos mais realistas.
 SAIBA MAIS
Embora muitassubstâncias químicas comprovadamente tóxicas e sem parâmetros de limites de exposição já
tenham sido banidas de alguns países, o Brasil e outros países mantêm a comercialização e a utilização de
substâncias que poderiam ser substituídas por outras, o que minimizaria os danos aos trabalhadores e à
população de uma forma geral.
As exposições ocupacionais às substâncias químicas têm efeitos tóxicos em diferentes órgãos, causando danos
cardiovasculares, neurológicos, respiratórios, imunológicos, entre outros. Sobre as doenças, destacamos o
câncer, uma vez que mais de 200 substâncias foram identificadas como carcinogênicas e boa parte delas estão
relacionadas ao ambiente de trabalho, como veremos a seguir.
INTOXICAÇÃO EXÓGENA
Foto: Shutterstock.com
A INTOXICAÇÃO EXÓGENA PODE SER ENTENDIDA COMO UMA
ALTERAÇÃO PATOLÓGICA QUE OCORRE EM PESSOAS EXPOSTAS ÀS
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS.
Essa manifestação ocorre por causa da interação das substâncias com o sistema biológico. Após ultrapassar as
barreiras protetoras do organismo, a ação do agente tóxico nos órgãos pode acarretar prejuízos seríssimos para
as pessoas, inclusive levando-as à morte. Anualmente, muitas pessoas sofrem de intoxicação exógena em razão
da falta de conhecimento e de proteção. Entre as pessoas que apresentam quadro de intoxicação exógena estão
os trabalhadores.
 ATENÇÃO
Muitos trabalhadores, devido à atuação em ambientes de trabalho sem proteção, são expostos a produtos
químicos, sofrendo danos que podem ser irreversíveis, embora a OIT já tenha reconhecido que a proteção dos
trabalhadores contra produtos químicos perigosos é essencial para a garantia de populações saudáveis e
ambientes sustentáveis.
As repercussões dessas exposições não só trazem prejuízos para os trabalhadores, como para as suas famílias,
a sociedade e o país. Ao serem expostos sem proteção aos produtos químicos, os trabalhadores podem se
intoxicar, causando assim efeitos diversos.
Os tipos de intoxicação são:
INTOXICAÇÃO AGUDA
Geralmente a intoxicação aguda acontece em curto período de tempo em razão da exposição a grande
quantidade de substâncias químicas, como em alguns acidentes de trabalho.
INTOXICAÇÃO CRÔNICA
Geralmente acontece após um tempo prolongado de exposição, principalmente a pequenas quantidades diárias.
Quanto à intensidade dos efeitos da intoxicação, temos:
LEVE
Mais fácil de tratar, geralmente é reversível ao afastar o agente.

MODERADA
As lesões podem ser reversíveis ou irreversíveis.

GRAVE
As lesões serão irreversíveis, podendo levar à morte.
Ainda sobre os efeitos tóxicos, observamos dois tipos: local e sistêmico. O efeito local é aquele que se
manifesta em um local ou uma parte do corpo somente, como uma ferida na mão ou em um dedo causada pelo
contato com um agente químico. Já o efeito sistêmico é aquele que irá se manifestar em vários órgãos do corpo,
quando, por exemplo, um agente que é absorvido pela pele, inalado ou ingerido vai para a corrente sanguínea e,
a partir dela, chega a outros órgãos, causando danos.
Para facilitar nosso entendimento acerca do primeiro contato do agente com o organismo até as manifestações
clínicas, precisamos conhecer as quatro fases da intoxicação:
FASE I – EXPOSIÇÃO
Essa é a fase, como o nome já indica, do primeiro contato com o agente químico. Esse contato se dá pela
superfície externa (pele) ou interna (outros órgãos). Nessa etapa, é importante a observação da concentração da
substância, ou seja, da disponibilidade química do agente em condições de ser absorvido no organismo. Outras
observações que precisam ser feitas são sobre a duração da exposição, a frequência e as vias de entrada do
agente no organismo, além da suscetibilidade individual, ou seja, o fato de a pessoa ter uma sensibilidade maior
a determinadas substâncias.
FASE II – TOXICOCINÉTICA
Essa é a fase na qual o organismo trabalha em sua defesa, ou seja, temos a ação do organismo sobre o agente
tóxico, buscando eliminá-lo ou pelo menos minimizar os seus efeitos nos órgãos.
FASE III – TOXICODINÂMICA
Caso o agente tóxico não seja eliminado, ele poderá permanecer no organismo, desencadeando alterações
bioquímicas e fisiológicas que acarretarão as manifestações clínicas no(s) órgão(s) alvo.
FASE IV – CLÍNICA
Essa é a fase das manifestações clínicas, isto é, quando aparecem sintomas e sinais da intoxicação ou
alterações laboratoriais causadas pela substância química.
 ATENÇÃO
Um mesmo órgão pode ser atingido por mais de um tipo de agente químico e um único agente químico pode
causar danos a vários órgãos.
DOENÇAS CAUSADAS PELA EXPOSIÇÃO A
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS
Foto: Shutterstock.com
Agora, conheceremos algumas doenças que são causadas pela exposição a substâncias químicas:
NEOPLASIAS RELACIONADAS AO TRABALHO
AS NEOPLASIAS, TAMBÉM CONHECIDAS COMO “CÂNCERES”, SÃO A
SEGUNDA MAIOR CAUSA DE MORTE NO MUNDO, DE ACORDO COM A
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. ENTRE AS CAUSAS DAS
NEOPLASIAS, TEMOS AS RELACIONADAS AO TRABALHO. ESSAS
DOENÇAS PODEM ACOMETER TRABALHADORES EXPOSTOS
INDEVIDAMENTE A AGENTES QUÍMICOS E/OU FÍSICOS.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100
doenças que têm em comum um crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Essas
células, quando se dividem descontroladamente, podem ser mais agressivas, determinando a formação de
tumores que podem espalhar-se por diversas regiões do corpo, o que é conhecido como metástase. Na imagem,
temos uma ilustração em 3D de células cancerosas em contexto científico.
 SAIBA MAIS
O câncer aparece a partir de uma mutação genética, uma alteração no DNA da célula, que passa a receber
“informações erradas” para suas atividades. Dependendo do câncer, seu processo de formação pode levar anos,
devendo ser consideradas as características individuais que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular.
Como já mencionado, a exposição a agentes químicos em uma determinada frequência e em dado período de
tempo podem levar ao desenvolvimento de doenças, como um tipo de câncer.
As principais neoplasias relacionadas ao trabalho são:

ANGIOSSARCOMA DO FÍGADO
NEOPLASIA MALIGNA DO ESTÔMAGO


NEOPLASIA MALIGNA DO PÂNCREAS
NEOPLASIA MALIGNA DA LARINGE


NEOPLASIA MALIGNA DOS OSSOS E CARTILAGENS
ARTICULARES DOS MEMBROS (INCLUI SARCOMA ÓSSEO)
NEOPLASIA MALIGNA DA CAVIDADE NASAL E DOS SEIOS
PARANASAIS


NEOPLASIA MALIGNA DOS BRÔNQUIOS E DO PULMÃO
NEOPLASIA MALIGNA DA BEXIGA


OUTRAS NEOPLASIAS MALIGNAS DA PELE
LEUCEMIAS

OUTRAS PATOLOGIAS ASSOCIADAS A PRODUTOS
QUÍMICOS
Além das neoplasias, outras doenças podem ser causadas pela exposição a agentes químicos. Vamos conhecer
algumas outras doenças a seguir!
CONJUNTIVITE
Existem vários tipos de conjuntivite, como viral, bacteriana, traumática, alérgica, tóxica, química, entre outros. Ela
é caracterizada pela inflamação da conjuntiva e pode causar sequelas e/ou a necessidade de um tratamento
mais complexo.
As conjuntivites relacionadas ao ambiente de trabalho geralmente são provocadas pela exposição sem proteção
da conjuntiva a agentes químicos. Os sintomas mais frequentes são queimação, coceira, sensação de “peso” nos
olhos, e, em casos mais graves, dor e fotofobia.
DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO
Conhecidas como eczemas, as dermatites de contato são inflamações agudas ou crônicas da pele,
caracterizadas por eritema, edema e vesículas. Em alguns casos, é possível ocorrer uma coceira intensa e em
outros, fissura da pele.
ENCEFALOPATIA TÓXICA AGUDA
É uma síndrome neuropsiquiátrica secundária à exposição a agentes tóxicos, caracterizada por sinais e sintomas
inespecíficos e danos cerebrais difusos. As manifestações clínicas dependem do agente envolvido, podendo
comprometer qualquer atividade encefálica, desde funções motoras, sensitivas, quanto complexas funções
corticais (memória, julgamento, abstração, cálculo, linguagem e juízo).
EPISÓDIOS DEPRESSIVOS
São caracterizadospor humor triste, perda do interesse e do prazer nas atividades cotidianas, sendo comum
uma sensação de fadiga aumentada. Os trabalhadores acometidos por episódios depressivos também podem se
queixar de dificuldade de concentração, baixa autoestima, desesperança, pessimismo do futuro, ideias ou
tentativa de suicídio.
SINUSITE
É uma inflamação dos seios paranasais devido a infecções causadas por vírus, bactérias ou fungos. Também
pode ocorrer por reações alérgicas a substâncias químicas. A exposição a agentes irritantes é a causa da
sinusite crônica. Os principais sintomas são cefaleia, dor facial, secreção nasal e congestão nasal.
PNEUMOCONIOSES
São doenças pulmonares crônicas causadas por depósitos de partículas no parênquima pulmonar. Em alguns
casos, recebem nomes específicos, de acordo com o tipo de partícula. Os principais sintomas são: dificuldade de
respirar principalmente em caso de esforços, perda da força física, tosse seca e, em alguns casos, febre e dor
torácica.
SILICOSE
Juntamente com a asbestose (estudaremos a seguir), é uma das pneumoconioses mais conhecidas. É causada
pela inalação e depósito no pulmão de partículas de sílica livre. Por ser uma doença assintomática no início da
exposição, os trabalhadores não percebem que estão adoecendo. Mas com a exposição contínua, a doença
progride e se torna mais agressiva, causando até falta de ar aos pequenos esforços.
TRANSTORNO COGNITIVO LEVE
É caracterizado por alterações da memória, da orientação e da capacidade de aprendizado, bem como pela
redução da capacidade de concentração em tarefas prolongadas.
AGENTES QUÍMICOS TÓXICOS E SUAS
CONSEQUÊNCIAS
Foto: Shutterstock.com
Os principais agentes químicos tóxicos são amianto, chumbo, benzeno e mercúrio. Vamos conhecer as
respectivas consequências desses agentes no organismo.
AMIANTO
CHUMBO
BENZENO
MERCÚRIO
AMIANTO
A asbestose é uma pneumoconiose causada pelo acúmulo de amianto no tecido pulmonar. A formação de tecido
cicatricial generalizada no pulmão provoca falta de ar e redução da capacidade de esforço físico. O diagnóstico
geralmente é feito com radiografia e tomografia computadorizada torácicas.
CHUMBO
O saturnismo é a intoxicação que ocorre em atividades laborais com elevada exposição ao chumbo. Os
sintomas incluem atrasos de desenvolvimento, alterações neurológicas, irritabilidade e dor abdominal. Em níveis
muito elevados, pode ser fatal. Atualmente, é uma doença rara.
BENZENO
A intoxicação por benzeno é uma das intoxicações exógenas mais comuns no Brasil. A substância é
encontrada em vários produtos como a gasolina, e também na fabricação de produtos como plásticos,
detergentes, medicamentos lubrificantes, borrachas, tintas e agrotóxicos. A intoxicação aguda pode acometer
especialmente o sistema nervoso central e em altos níveis podem ser fatal. A intoxicação crônica está associada
à ocorrência de leucemia mieloide aguda e leucemia linfocítica crônica.
MERCÚRIO
O mercurialismo ou hidrargismo é uma intoxicação causada pela exposição aos vapores de mercúrio
presentes em ambiente de trabalho no qual é usado o mercúrio metálico, como no garimpo ilegal. A intoxicação
crônica pode causar insônia, ansiedade, timidez, irritabilidade, alteração da sociabilidade, labilidade emocional e,
nos casos mais graves, diminuição da atenção e da memória.
Além das substâncias acima, podemos relacionar ainda: arsênio, cadmo, cromo, tolueno, zinco, níquel, lítio,
bário, berílio, entre outros, mas não serão objetos de nosso estudo.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. UMA PESSOA PODE SER CONSIDERADA INTOXICADA QUANDO HÁ ALTERAÇÕES
NO FUNCIONAMENTO DO ORGANISMO AO SER EXPOSTA A AGENTES QUÍMICOS.
ALGUMAS SUBSTÂNCIAS TÊM A CAPACIDADE DE CAUSAR LESÕES GRAVES E
OUTRAS SUBSTÂNCIAS TÊM A CAPACIDADE DE GERAR LESÕES LEVES,
ENTRETANTO, ALÉM DAS CARACTERÍSTICAS DAS SUBSTÂNCIAS, EXISTEM OUTROS
FATORES IMPORTANTES A SEREM AVALIADOS EM UM QUADRO DE INTOXICAÇÃO.
MARQUE A ALTERATIVA QUE APRESENTA ESSES FATORES:
A) Para identificar um quadro de intoxicação, é preciso levar em conta o tempo que o trabalhador ficou exposto
ao agente químico, se ele tem alergias e se é portador de doenças transmissíveis.
B) Para identificar um quadro de intoxicação, é preciso considerar a quantidade de tecido adiposo no corpo, além
de doenças crônicas que o trabalhador apresenta. Também é preciso identificar as vias de entrada do agente
tóxico no organismo.
C) Para identificar um quadro de intoxicação, é preciso avaliar o tempo de exposição e a quantidade de
substância à qual o trabalhador ficou exposto, além das vias de entrada do agente no organismo.
D) Para identificar um quadro de intoxicação, é preciso avaliar o nível de consciência, o tempo de exposição ao
agente tóxico, se tem doenças preexistentes e se alguém na família já teve quadro de intoxicação.
E) Para identificar um quadro de intoxicação, é preciso avaliar a quantidade da substância química no ambiente,
as queixas de alergias, o tempo de exposição à substância e se o trabalhador tem grande quantidade de tecido
adiposo.
2. DURANTE UMA REUNIÃO PARA A DEFINIÇÃO DA PRÓXIMA SIPAT (SEMANA
INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO), UM DOS ENGENHEIROS
DA EQUIPE DO SESMT SUGERIU A ABORDAGEM DO CÂNCER OCUPACIONAL,
ALEGANDO QUE É UM ASSUNTO IMPORTANTE, MAS POUCO DISCUTIDO. MARQUE A
ALTERNATIVA CORRETA SOBRE O CÂNCER OCUPACIONAL.
A) Câncer ocupacional é uma doença comum entre os trabalhadores, de fácil diagnóstico e tratamento.
B) A exposição a agentes químicos sem a devida proteção no ambiente de trabalho aumenta o risco de os
trabalhadores desenvolverem câncer.
C) O câncer é a primeira causa de afastamento do trabalho no Brasil e no mundo.
D) A responsabilidade sobre os exames para detecção de câncer em trabalhadores é exclusivamente do
Ministério da Saúde.
E) Caso o trabalhador celetista seja diagnosticado com câncer ocupacional, não é preciso preencher a
Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT.
GABARITO
1. Uma pessoa pode ser considerada intoxicada quando há alterações no funcionamento do organismo
ao ser exposta a agentes químicos. Algumas substâncias têm a capacidade de causar lesões graves e
outras substâncias têm a capacidade de gerar lesões leves, entretanto, além das características das
substâncias, existem outros fatores importantes a serem avaliados em um quadro de intoxicação.
Marque a alterativa que apresenta esses fatores:
A alternativa "C " está correta.
Para a identificação de um quadro de intoxicação, é preciso compreender o tempo que o trabalhador ficou
exposto ao agente químico, além de avaliar as vias pelas quais o agente penetrou no organismo e a quantidade
de substância à qual o trabalhador ficou exposto. Conhecer a substância também é fundamental. Alguns fatores
não são importantes na avaliação de um quadro de intoxicação, como familiares que já tiveram quadros
semelhantes, doenças preexistentes, doenças transmissíveis e quantidade de tecido adiposo.
2. Durante uma reunião para a definição da próxima SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes
do Trabalho), um dos engenheiros da equipe do SESMT sugeriu a abordagem do câncer ocupacional,
alegando que é um assunto importante, mas pouco discutido. Marque a alternativa correta sobre o
câncer ocupacional.
A alternativa "B " está correta.
A exposição a algumas sustâncias químicas aumenta o risco do desenvolvimento de câncer ocupacional. Nem
sempre a doença se manifestará de forma aguda e imediata, muitas vezes demora um pouco para aparecer.
Uma vez diagnosticado o câncer ocupacional, é preciso preencher a CAT. Os exames para detecção podem ser
feitos via Sistema Único de Saúde ou atendimento particular, além dos periódicos que permite detectar a
presença de substâncias químicas indevidas no organismo dos trabalhadores.
MÓDULO 2
 Identificar os riscos físicos e as doenças relacionadas ao trabalho
LIGANDO OS PONTOS
Foto: Shutterstock.com
As doenças relacionadas ao trabalho estão ligadas às exposições anormaisque os trabalhadores estão
submetidos no ambiente laboral. Em muitos casos, os acidentes de trabalho poderiam ser evitados, caso os
riscos tivessem sido identificados previamente. Um dos maiores desafios dos profissionais de segurança de
trabalho é identificar, na vida real, os riscos aprendidos teoricamente. O caso a seguir apresenta uma ocorrência
real de acidente envolvendo a radiação.
Enfermeira que atendeu vítimas do césio deve ser indenizada, em Goiás
O acidente com o césio-137 ocorrido em Goiânia no ano de 1987 trouxe desdobramentos que transcendem a
manipulação inadequada do material na época. Segundo informações da reportagem do G1 em 2015, quase 30
anos após a ocorrência inicial:
“O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) manteve a decisão de que o governo estadual deve indenizar a
enfermeira aposentada Celmiriam Corrêa, 52 anos, antiga servidora da Secretaria de Estado da Saúde, que teve
câncer após atender pacientes contaminados pelo césio-137, em Goiânia” (RESENDE, 2015, não paginado).
Essa ocorrência levou a uma indenização para a enfermeira que teve contato indireto com o material radioativo,
ao fazer atendimento às vítimas da ocorrência. O G1 informa que:
“Ela deve receber quase R$ 57,5 mil por danos morais e materiais. A decisão ainda cabe recurso. O acidente
radiológico aconteceu em setembro 1987, após catadores de papel abrirem um aparelho de radiologia que
continha o material radioativo” (RESENDE, 2015, não paginado).
A sequência da reportagem comenta sobre o despreparo e as consequências da não utilização de equipamentos
de proteção adequados, quando informa que:
“A enfermeira revela que não usou equipamentos de proteção durante o atendimento aos pacientes
contaminados. ‘A gente não teve opção. Era uma emergência e tinha que ser feito o atendimento. A gente não
usou nada de proteção, quem usava eram os técnicos que tinham contato direto’, disse em entrevista ao G1”
(RESENDE, 2015, não paginado).
A reportagem também informa as consequências sofridas pela exposição ao césio-137.
“Celmiriam descobriu o câncer de mama dez anos após a tragédia. Ela retirou 40% da mama, passou por
quimioterapia e radioterapia. Após esses tratamentos, ela continuou com o uso de medicação, mas a doença
retornou cinco anos depois. Foi quando ela teve que se aposentar. De acordo com a enfermeira, ela entrou com
pedido de pensão na Secretaria de Saúde. No entanto, o recurso foi negado. Por isso, ela decidiu entrar com
ação indenizatória na Justiça. Durante o processo, a Junta Médica do TJ-GO concluiu que é impossível
‘estabelecer o nexo causal’ entre o atendimento a pacientes e o surgimento do câncer” (RESENDE, 2015, não
paginado).
Podemos verificar no texto da reportagem a importância da intervenção dos órgãos públicos, quando é informado
que:
“No entanto, análise da Superintendência Leide das Neves Ferreira (Suleide), órgão público instituído para
monitorar e prestar assistência médica integral aos radioacidentados, concluiu que a enfermeira possui
enfermidade crônica e grave devido à radiação. Para Celmiriam, ‘não há dúvida’ de que o atendimento com
vítimas da tragédia provocou o câncer. ‘Eu nunca tive caso de câncer na família, não tinha idade que justificava,
tive três filhos e os amamentei, ou seja, eu não pertencia a nenhum grupo de risco se não fosse o contato com
os pacientes’, defende.” (RESENDE, 2015, não paginado).
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
1. EMBORA SEJA COMPLEXO RELACIONAR O APARECIMENTO DE CÂNCER EM
TRABALHADORES EXPOSTOS A AGENTES DE RADIAÇÃO, ISSO É POSSÍVEL DE
ACONTECER. O QUE PRECISA SER FEITO PARA EVITAR QUE ISSO ACONTEÇA?
A) É preciso gerenciar os riscos e fornecer os equipamentos de proteção adequados, além de cumprir as normas
estabelecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear.
B) É preciso monitorar a saúde do trabalhador com exames periódicos e, a qualquer sinal de adoecimento,
demitir o trabalhador.
C) É preciso fornecer o dosímetro, mas não é necessário treinar o trabalhador nem o obrigar a usar.
D) Não precisa seguir as normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear.
E) Trabalhadores expostos a radiação ionizante e não ionizante em ambientes de trabalho não precisam fazer
exames periódico, somente o exame admissional.
2. O RISCO DE DESENVOLVER CÂNCER OCUPACIONAL RELACIONADO À RADIAÇÃO
DEPENDE DE ALGUNS FATORES AMBIENTAIS E COMPORTAMENTAIS DOS
TRABALHADORES, INCLUINDO
A) alimentação adequada, higiene pessoal e uso de equipamento de proteção.
B) tempo de exposição, dose de radiação, idade do trabalhador e uso inadequado do equipamento de proteção.
C) proteção no ambiente de trabalho, exercício físico e idade.
D) uso adequado do equipamento de proteção, trabalhador portador de doença crônica e alimentação saudável.
E) uso de tabaco, higiene pessoal e ambiente adequado de acordo com as normas da Comissão Nacional de
Energia Nuclear.
GABARITO
1. Embora seja complexo relacionar o aparecimento de câncer em trabalhadores expostos a agentes de
radiação, isso é possível de acontecer. O que precisa ser feito para evitar que isso aconteça?
A alternativa "A " está correta.
Para a proteção de trabalhadores que atuam em ambientes radiativos, é importante o gerenciamento de riscos,
seguindo as normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. O fornecimento de
equipamentos de proteção individual aos trabalhadores, além do treinamento para a utilização dos
equipamentos, também é fundamental para a proteção dos trabalhadores. Em casos de acidentes, as empresas
precisam ter estabelecido o plano de atendimento aos acidentados, com profissionais capacitados para esse tipo
de atendimento.
2. O risco de desenvolver câncer ocupacional relacionado à radiação depende de alguns fatores
ambientais e comportamentais dos trabalhadores, incluindo
A alternativa "B " está correta.
Para o desenvolvimento de um câncer ocupacional relacionado à radiação, são fatores a exposição sem
proteção ao agente e o tempo/duração da exposição. A idade também é um fator importante, assim como a baixa
imunidade.
3. O ACIDENTE COM O CÉSIO-137, EM GOIÁS/GO É MUITO
CONHECIDO. SERVE COMO UM ALERTA NÃO SÓ PARA AS
AUTORIDADES, MAS TAMBÉM PARA AS EMPRESAS QUE SÃO
RESPONSÁVEIS POR PRODUTOS RADIOATIVOS. ESSE
ACIDENTE GEROU MUITAS VÍTIMAS, MORADORES E
PROFISSIONAIS DA SAÚDE, COMO É O CASO DA ENFERMEIRA
CELMIRIAM. QUAL PODERIA TER SIDO A CONTRIBUIÇÃO DA
EQUIPE SESMT PARA EVITAR QUE A FUNCIONÁRIA FICASSE
EXPOSTA COMO FICOU NA ÉPOCA EM QUE ATENDEU OS
MORADORES VÍTIMAS DO ACIDENTE?
RESPOSTA
A equipe poderia ter averiguado se os profissionais da saúde estavam devidamente
paramentados para receberem os pacientes. Ainda, a funcionária deveria ser
monitorada ao longo dos anos, visto que foi exposta à radiação e o câncer é uma
doença que aparece em longo prazo.
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RISCOS FÍSICOS E AS DOENÇAS RELACIONADAS
AO TRABALHO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Foto: Shutterstock.com
De acordo com a Norma Regulamentadora nº 9 (NR-9), os agentes de riscos físicos são as diversas formas de
energia às quais possam estar expostos os trabalhadores. Essas energias são manifestadas em forma de:

RUÍDOS
VIBRAÇÕES


PRESSÕES ANORMAIS
TEMPERATURAS EXTREMAS


RADIAÇÕES IONIZANTES
RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES


INFRASSOM
ULTRASSOM

São muitas as doenças causadas pela exposição indevida a esses agentes. A perda auditiva induzida por ruído
no ambiente ocupacional é um dos maiores riscos no trabalho. O câncer, como já visto no módulo anterior,
também pode ser desenvolvido por exposição a agentes físicos.
Neste módulo, veremos como a exposição indevida a agentes físicos pode adoecer os trabalhadores.
RUÍDO EM AMBIENTES DE TRABALHO
Foto: Shutterstock.com
Antes de abordarmos as condições de saúde e adoecimento relacionadas ao trabalho, precisamos falar um
pouquinho do ruído, por ser um dos agentes de risco físico que mais causam problemas para os trabalhadores.RUÍDOS PODEM SER ENTENDIDOS COMO SONS DESARMÔNICOS
PERCEBIDOS PELOS OUVIDOS COMO DESAGRADÁVEIS.
Quando fora de controle, o ruído é um dos agentes físicos mais nocivos à saúde humana, podendo causar perda
auditiva, zumbidos ou surdez, bem como danos extra-auditivos, como distúrbio de ansiedade, estresse, insônia,
entre outros.
 SAIBA MAIS
Os ruídos são avaliados em decibéis (dB). De acordo com a Norma Regulamentadora nº 15, existem dois tipos
de ruídos: o contínuo ou intermitente e o de impacto. O contínuo ou intermitente é aquele considerado estável,
sem grandes variações, chegando no máximo a 3dB. O ruído de impacto é aquele que apresenta picos de
energia acústica de duração inferior a 1 segundo, a intervalos superiores a 1 segundo. A exposição aos ruídos de
forma inapropriada pode causar danos diversos aos trabalhadores a depender do tempo de exposição.
DOENÇAS E CONDIÇÕES DE SAÚDE
RELACIONADAS AO RISCO FÍSICO
Foto: Shutterstock.com
Agora, vamos conhecer um pouco desses danos aos trabalhadores que estão expostos a ruídos, sem proteção,
em seus ambientes de trabalho.
PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO
A PAIR É A DIMINUIÇÃO DA ACUIDADE AUDITIVA PROVOCADA PELA
EXPOSIÇÃO POR TEMPO PROLONGADO AO RUÍDO.
Geralmente é bilateral, irreversível e progressiva com o tempo de exposição ao ruído. Nem sempre ocorre uma
surdez, mas pode ocorrer uma redução significativa da audição. As máquinas são as fontes que mais
apresentam ruídos nos ambientes de trabalho, portanto, as indústrias são ambientes potencialmente perigosos.
 ATENÇÃO
Alguns sinais e sintomas da perda auditiva são: aumento do volume da televisão e do rádio, tentativa de fazer
leitura labial durante as conversas, dificuldade de ouvir as pessoas ao telefone, zumbido nos ouvidos, entre
outros. Essas situações também podem levar os trabalhadores ao isolamento, podendo evoluir para depressão.
O diagnóstico da PAIR é estabelecido mediante um conjunto de procedimentos que envolvem anamnese
ocupacional, exame físico, avaliação audiológica e outros exames, quando necessário.
Embora aqui estejamos abordando a perda auditiva devido ao ruído, faz-se necessário alertar que as perdas
auditivas de origem ocupacional também podem acontecer pela exposição a agentes químicos tóxicos.
TRAUMA ACÚSTICO
PODE SER DEFINIDO COMO A PERDA SÚBITA DA AUDIÇÃO
DECORRENTE DE UMA ÚNICA EXPOSIÇÃO À PRESSÃO SONORA
INTENSA OU DEVIDO A UM TRAUMA FÍSICO DO OUVIDO, DO CRÂNIO OU
DA COLUNA CERVICAL.
 VOCÊ SABIA
No intuito de contribuir com as empresas, de modo a evitar danos à saúde auditiva dos trabalhadores, a
Fundacentro publicou, em 2018, um guia denominado Programa de Conservação Auditiva (PCA). Esse programa
corresponde a um conjunto de atividades que visam prevenir ou estabilizar as perdas auditivas ocupacionais por
meio de um processo de melhoria contínua, que requer conhecimento multiprofissional e se desenvolve por
intermédio de atividades planejadas e coordenadas entre diversas áreas das empresas.
OUTROS FATORES DE RISCO FÍSICO RELACIONADOS
AO ADOECIMENTO DOS TRABALHADORES
UMA OUTRA CONDIÇÃO QUE PODE LEVAR OS TRABALHADORES AO
ADOECIMENTO É A VIBRAÇÃO.
Alguns distúrbios orgânicos podem acontecer a trabalhadores que são expostos a vibração ocupacional
continuada. As vibrações são divididas em localizadas, que atingem somente parte do corpo, como membros
superiores, e as de corpo inteiro, que atingem todo o corpo.
Dentre os efeitos que as vibrações causam no organismo, estão: fadiga, dor abdominal, irritação, náuseas,
cefaleia, contrações musculares excessivas, lesão na coluna cervical. A doença mais conhecida relacionada à
vibração, e também ao frio, é a síndrome de Raynaud.
 SAIBA MAIS
Essa síndrome foi descrita em 1862 e era conhecida como a síndrome dos dedos brancos. Consiste em uma
desordem vascular nas extremidades dos dedos, sendo provocada por vibração excessiva, frio e tabagismo.
Sobre as radiações ionizantes e radiações não ionizantes, embora não estejam em todos os ambientes de
trabalho, devem ser prevenidas. É de fundamental importância que as empresas sigam corretamente as normas,
principalmente para ambientes em que os trabalhadores estão expostos às radiações ionizantes.
Essas radiações também são conhecidas por terem energia suficiente para alterar o estado físico de um átomo e
causar perda de elétrons, deixando-o eletricamente carregado. Já as radiações não ionizantes são uma
modalidade de baixa frequência e baixa energia, e não produzem ionizações, mas podem quebrar moléculas e
ligações químicas.
De acordo com a Norma Regulamentadora nº 15, as operações ou as atividades que expõem os trabalhadores
às radiações não ionizantes, sem a proteção adequada, são consideradas insalubres, em decorrência de laudo
de inspeção realizada no local de trabalho.
Ainda sobre as radiações, existem os materiais radioativos de ocorrência natural, também conhecidos como
NORM e TENORM.
NORM
É a sigla para Naturally Occurring Radioactive Materials ou, em português, materiais radioativos de ocorrência
natural. São materiais radioativos que não sofreram nenhum tipo de manipulação humana.
TENORM
Designa materiais radioativos de ocorrência natural tecnologicamente concentrados (Technologically Enhanced
Naturally Occurring Radioactive Materials).
Embora sejam frequentes no dia a dia, configuram-se riscos para a saúde humana e para o meio ambiente.
Nesse sentido, em se tratando de ambientes de trabalho, práticas rígidas de segurança precisam ser adotadas
para a proteção dos trabalhadores.
ALGUNS EXEMPLOS DE INDÚSTRIAS GERADORAS DE RESÍDUOS E
REJEITOS NORM/TENORM SÃO AS LIGADAS À MINERAÇÃO, À
PRODUÇÃO DE ENERGIA E AO TRATAMENTO DE ÁGUA.
Quanto às doenças que acometem os trabalhadores, embora as radiações tenham características diferentes,
ambas podem causar danos à saúde dos trabalhadores, como veremos a seguir.
LEUCODERMIA OCUPACIONAL
A hipopigmentação da pele pode ser provocada por agentes físicos e químicos. Sobre os agentes físicos, os
principais responsáveis são as queimaduras térmicas e as radiações ionizantes, que podem causar uma
radiodermite.
CATARATA
É a opacificação do cristalino, parte dos olhos que é responsável por filtrar e focar os raios de luz. Uma vez o
cristalino mais opaco, a luz não consegue penetrar nos olhos, tornando a visão e a percepção de cores alterada.
Embora a catarata seja mais frequente em idosos, também é possível ocorrer em pessoas mais jovens expostas
à radiação não ionizante sem proteção, como os raios solares.
CÂNCER
O câncer é uma doença que pode ser desenvolvida por diversos fatores. Em riscos físicos, destacamos a
exposição sem proteção às radiações. Os principais cânceres desenvolvidos são o câncer de pele e a leucemia.
PRESSÕES ANORMAIS
São consideradas pressões anormais aquelas comparadas à pressão atmosférica. Em determinados locais, a
pressão pode ser maior ou menor que a pressão atmosférica, sendo, então, considerada anormal. São
necessários cuidados especiais com trabalhadores que prestam serviços nesses locais.
Segundo a Norma Regulamentadora nº 15, trabalhos sob ar comprimido são os efetuados em ambientes onde o
trabalhador é obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se exige cuidadosa
descompressão.
Ainda de acordo com a NR-15, antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo
médico, não sendo permitida a entrada em serviço daqueles que apresentarem sinais de afecções das vias
respiratórias ou outras moléstias.
BAROTRAUMA
É uma lesão em decorrência de uma alteração da pressão do volume de ar de um compartimento do corpo. Pode
ser considerado um acidente em razão da incapacidade de se equilibrar a pressão no interior das cavidades
pneumáticas do organismo com a pressão ambiente em variação. As partes do corpo mais afetadas são os
ouvidos, os seios da face e os pulmões.
DOENÇA DA DESCOMPRESSÃO
É um distúrbio que acontece por uma rápida diminuição da pressão, formando bolhas de gás (principalmentede
nitrogênio) no sangue e nos tecidos. Quando essas bolhas bloqueiam os vasos sanguíneos ou contribuem para o
rompimento ou a compressão de tecidos, podem ocorrer: dores musculares, dores nas articulações,
formigamento, fadiga, vertigem e dificuldade respiratória.
Trabalhadores e empregadores também precisam estar atentos às condições extremas de temperatura nos
ambientes de trabalho. O corpo humano, para manter sua temperatura interna constante, compatível com a vida,
utiliza um conjunto de mecanismos denominado termorregulação, que evita grandes variações da temperatura
interna. Essa capacidade pode ser influenciada por fatores internos e externos.
A exposição a temperaturas externas extremas e de forma excessiva pode levar à sobrecarga do organismo, na
tentativa de se reequilibrar, nem sempre com sucesso, o que causa danos à saúde do trabalhador, como
veremos a seguir.
INSOLAÇÃO
A insolação acontece quando há exposição a fontes de calor de forma excessiva. Quando a temperatura interna
ultrapassa 40°C e os mecanismo de regulação não conseguem resfriar o corpo, a pessoa pode perder água, sais
minerais e nutrientes importantes. Os principais sintomas da insolação são: cefaleia, tontura, náuseas,
temperatura corporal elevada, pele quente e seca, e confusão mental. Se não tratado devidamente, pode levar à
morte.
HIPOTERMIA
Com relação ao frio excessivo, sem proteção, é possível que haja uma hipotermia, ou seja, uma baixa da
temperatura corporal de forma anormal. Pode ser agravada se a pessoa estiver com roupas úmidas. Os
principais sintomas são: tremores, confusão mental, sonolência, pele fria e respiração lenta. Ao suspeitar de
hipotermia, o trabalhador precisa ser afastado imediatamente do ambiente e iniciar a reversão do quadro.
UMIDADE
Segundo a Norma Regulamentadora nº 15, as atividades ou operações executadas em locais alagados ou
encharcados, com umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde do trabalhador, serão consideradas
insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. Quando o trabalhador é exposto,
sem a devida proteção, a ambientes úmidos, algumas doenças podem ocorrer ou agravar, como as alergias
respiratórias.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. SABER AS POSSÍVEIS CAUSAS DA PERDA AUDITIVA RELACIONADA AO TRABALHO
É IMPORTANTE PARA QUE O TRABALHO DE ANTECIPAÇÃO E PREVENÇÃO SEJA
EFICAZ. DENTRE AS CAUSAS DE PERDA AUDITIVA RELACIONADA AO TRABALHO, É
POSSÍVEL ENCONTRAR
A) exposição ao ruído e crises de ansiedade.
B) exposição a agentes químicos tóxicos e a ruído.
C) exposição a agentes biológicos e trabalho monótono.
D) exposição a agentes químicos e depressão.
E) exposição a agentes físicos e grande demanda ergonômica de trabalho.
2. É POSSÍVEL O DESENVOLVIMENTO DA CATARATA EM TRABALHADORES
EXPOSTOS A CONDIÇÕES INSALUBRES RELACIONADAS AOS FATORES DE RISCO
FÍSICO. SOBRE ESSES FATORES, MARQUE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA O
AGENTE CAUSADOR DA CATARATA:
A) Ruído
B) Benzeno
C) Radiação não ionizante
D) Vibração
E) Mobiliário inadequado
GABARITO
1. Saber as possíveis causas da perda auditiva relacionada ao trabalho é importante para que o trabalho
de antecipação e prevenção seja eficaz. Dentre as causas de perda auditiva relacionada ao trabalho, é
possível encontrar
A alternativa "B " está correta.
Embora não tão abordada, uma das causas de perda auditiva relacionada ao trabalho é a exposição a agentes
químicos tóxicos, pois alguns produtos são ototóxicos e a exposição a eles sem a devida proteção pode levar à
perda da acuidade auditiva. O ruído já é bem conhecido quanto aos malefícios e pode levar à perda auditiva
devido ao desgaste das células ciliadas que são as responsáveis na transdução da informação sonora para o
nervo auditivo.
2. É possível o desenvolvimento da catarata em trabalhadores expostos a condições insalubres
relacionadas aos fatores de risco físico. Sobre esses fatores, marque a alternativa que apresenta o
agente causador da catarata:
A alternativa "C " está correta.
A catarata pode ser causada pelo processo de envelhecimento, mas também pode ser causada pela exposição a
agentes nos ambientes de trabalho, com destaque para as radiações não ionizantes.
MÓDULO 3
 Reconhecer os riscos biológicos e as doenças relacionadas ao trabalho
LIGANDO OS PONTOS
Foto: Shutterstock.com
Os riscos biológicos envolvem agravos relacionados a microrganismos, seus produtos e toxinas. Em alguns
casos, podemos relacionar facilmente a doença ocupacional ao ambiente de trabalho. Todavia, quando uma
doença é epidêmica, estabelecer o nexo causal é uma tarefa mais difícil, bem como isolar a empresa de agentes
externos.
Surto de covid-19 entre trabalhadores
O Serviço de Vigilância Epidemiológica de Curitiba interditou, em cumprimento às medidas previstas em decreto
municipal, uma empresa atacadista após surto de covid-19 entre funcionários. De 62 trabalhadores testados, 34
estavam contaminados.
De acordo com a equipe de Segurança do Trabalho da empresa, são adotados todos os protocolos de
segurança: uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social. Segundo essa mesma equipe, a empresa
forneceu máscaras de pano com o logotipo da empresa aos funcionários e obrigou seu uso.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
1. SOBRE A COVID-19, QUAIS OS PRINCIPAIS CUIDADOS QUE AS EMPRESAS
PRECISAM TER NOS AMBIENTES DE TRABALHO?
A) Usar somente máscaras de proteção, dispensando o uso de álcool gel e a lavagem das mãos constantes.
B) Evitar aglomeração dos trabalhadores, fornecer máscaras apropriadas, disponibilizar álcool gel, água e sabão
em pontos de acesso estratégicos para os trabalhadores.
C) Usar somente álcool gel, sem a necessidade de uso de máscaras.
D) Exigir que os funcionários comprem suas máscaras e tragam álcool gel de casa.
E) Permitir que os funcionários se aglomerem nos ambientes de trabalho, sem uso de equipamentos de
proteção.
2. CONSIDERANDO A FORMA DE TRANSMISSÃO DA COVID-19, QUAL MEDIDA
ADICIONAL PODERIA SER TOMADA NA EMPRESA QUE VIMOS NO CASE?
A) Usar álcool gel numa concentração mais elevada.
B) Adotar o uso de face shield.
C) Reduzir o número de trabalhadores circulando na empresa com redução de turno.
D) Substituir as máscaras fornecidas por máscaras do tipo PFF2.
E) Fornecer tratamento preventivo para os trabalhadores.
GABARITO
1. Sobre a covid-19, quais os principais cuidados que as empresas precisam ter nos ambientes de
trabalho?
A alternativa "B " está correta.
As empresas são obrigadas a seguir os protocolos de segurança que, no mínimo, estabelecem que as empresas
devem fornecer equipamentos de proteção adequados, assim como álcool gel em pontos estratégicos, água,
sabão e papel. Ainda, é necessário fornecer as orientações aos trabalhadores, inclusive no que diz respeito ao
distanciamento nos ambientes de trabalho.
2. Considerando a forma de transmissão da covid-19, qual medida adicional poderia ser tomada na
empresa que vimos no case?
A alternativa "D " está correta.
Embora as máscaras de pano consigam reduzir os riscos de transmissão, elas não são suficientemente seguras
para uso em ambiente de trabalho.
3. SOBRE A EMPRESA DO CASO, O QUE É PRECISO SER FEITO
PELA EQUIPE DE SEGURANÇA PARA EVITAR QUE NOVOS
CASOS ACONTEÇAM?
RESPOSTA
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É preciso rever todo o processo de implantação dos protocolos de segurança e
identificar em que fase houve falha. A partir das falhas, elaborar uma nova proposta. É
preciso redobrar a atenção quanto ao comportamento dos trabalhadores, pois eles
precisam estar devidamente instrumentalizados com os equipamentos corretos e
usando-os da forma adequada. Ainda, devem ser utilizadas máscaras adequadas para
proteção respiratória.
RISCOS BIOLÓGICOS E EPIDEMIAS
RISCO BIOLÓGICO
Imagem: Shutterstock.com
O RISCO BIOLÓGICO É A PROBABILIDADE DA EXPOSIÇÃO
OCUPACIONAL A AGENTES BIOLÓGICOS, QUE PODEM SER:
MICRORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS OUNÃO;
CULTURAS DE CÉLULAS; PARASITAS; TOXINAS; E PRÍONS.
De acordo com a Norma Regulamentadora nº 32, estão expostos a esses agentes profissionais que exercem
atividades de promoção e assistência à saúde em geral, incluindo todas as ações de promoção, recuperação,
assistência, pesquisa e ensino em saúde em qualquer nível de complexidade. A exposição de trabalhadores a
esses agentes biológicos sem a devida proteção aumenta a probabilidade do adoecimento.
De acordo com a Norma Regulamentadora nº 32, os agentes biológicos são classificados em:
CLASSE DE RISCO 1
Baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de causar doenças ao
ser humano.
CLASSE DE RISCO 2
Risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a coletividade.
Podem causar doenças ao ser humano, para as quais existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
CLASSE DE RISCO 3
Risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem
causar doenças e infecções graves ao ser humano, para as quais nem sempre existem meios eficazes de
profilaxia ou tratamento.
CLASSE DE RISCO 4
Risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de disseminação para a coletividade.
Apresenta grande poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser
humano, para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
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Conhecer as classes de risco dos agentes aos quais os trabalhadores estão expostos é fundamental para a
elaboração do programa de gestão de riscos do ambiente e para o fornecimento dos equipamentos de proteção
adequados aos trabalhadores. Diversas são as doenças que acometem trabalhadores que estão expostos aos
agentes biológicos de forma direta ou indireta, sem a devida proteção.
 SAIBA MAIS
Além das doenças notificadas, também existe um número expressivo sobre acidentes de trabalho relacionados à
exposição a material biológico. De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho e o Ministério
Público do Trabalho, de 2012 a 2018, a atividade que mais notificou acidentes de trabalho foi a Atividade de
Atendimento Hospitalar, sendo os maiores registros entre os técnicos de enfermagem.
Veremos a seguir como os trabalhadores adoecem e as possíveis repercussões desses acidentes e de outras
condições às quais os trabalhadores estão expostos.
RISCO BIOLÓGICO E OS AMBIENTES DE
TRABALHO
Imagem: Shutterstock.com
As consequências (para a saúde) da exposição do trabalhador a fatores de risco biológico presentes em
situações de trabalho incluem quadros de infecção aguda e crônica, parasitoses e reações alérgicas e tóxicas a
plantas e animais. As infecções podem ser causadas por bactérias, vírus e fungos. As parasitoses estão
associadas a protozoários, helmintos e artrópodes.
As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao trabalho apresentam algumas características que as
distinguem dos demais grupos:
Os agentes etiológicos não são de natureza ocupacional.
A ocorrência da doença depende das condições ou circunstâncias em que o trabalho é executado e da exposição
ocupacional, que favorece o contato, o contágio ou a transmissão.
DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS
RELACIONADAS AO TRABALHO
Imagem: Shutterstock.com
Agora, vamos conhecer algumas doenças infecciosas e parasitárias relacionadas ao ambiente de trabalho.
TUBERCULOSE OCUPACIONAL
É uma doença causada pelo Mycobacteruimtuberculosis ou bacilo de Koch. É transmissível e acomete
principalmente os pulmões, mas pode ocorrer em outros órgãos também.
A forma pulmonar é a mais relevante para a saúde trabalhador. A forma extrapulmonar, que acomete outros
órgãos que não o pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas que vivem com o HIV, especialmente entre
aquelas com comprometimento imunológico. Alguns sinais e sintomas são: tosse produtiva, febre vespertina,
sudorese noturna, cansaço, fadiga, emagrecimento.
O tratamento dura no mínimo seis meses e pode ser feito nas Unidades Básicas de Saúde. Com o início do
tratamento, a transmissão tende a diminuir gradativamente e, em geral, após 15 dias de tratamento, já se
encontra muito reduzida. Esse é o momento de muita atenção, uma vez que muitos trabalhadores abandonam o
tratamento com a melhora de sinais e sintomas. A melhora não significa a cura, por isso, é preciso fazer o
tratamento no tempo correto.
LEPTOSPIROSE RELACIONADA AO TRABALHO
É uma doença causada pela bactéria Leptospira, presente na urina de ratos. A transmissão ocorre quando o
trabalhador entra em contato com a urina dos roedores, principalmente em ambientes alagados por ocasião de
enchentes.
O período de incubação, ou seja, o tempo que a pessoa leva para manifestar os sintomas desde a infecção da
doença, pode variar de 1 a 30 dias e normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a situações de
risco.
Pode haver a necessidade de hospitalização. Pode ocorrer febre, dores no corpo, cefaleia e também vômitos,
diarreia e tosse. Caso não tratada de forma correta e no tempo certo, a leptospirose pode evoluir para um quadro
mais grave. Casos menos graves são tratados em ambulatório, e os mais graves precisam de internação.
TÉTANO OCUPACIONAL
Causado por uma neurotoxina produzida pelo Clostridium tetani, o tétano é uma doença grave que, se não
tratada no tempo correto, pode levar à morte. É uma doença que também pode ocorrer em animais. Não é
transmitido de pessoa a pessoa, mas sim no contato da neurotoxina com um ferimento no corpo da vítima.
Alguns sinais e sintomas são contraturas musculares, rigidez de braços e pernas, e rigidez abdominal.
O tétano é uma doença prevenível, por meio da vacinação, por isso é importante que as equipes do PCMSO,
com o apoio dos SESMT, incentivem os trabalhadores a tomar a dose reforço no tempo adequado e, caso seja
necessário, façam campanhas nas empresas para uma maior cobertura da imunização. É necessário atenção
sempre aos equipamentos de proteção individual.
HEPATITES RELACIONADAS AO TRABALHO
A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ocorrer pela exposição ao vírus ou pelo uso de alguns
remédios, álcool e outras drogas. Geralmente as hepatites relacionadas ao trabalho são causadas por vírus e
classificadas por letras A, B, C, D e E.
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, a hepatite B foi responsável por 32,8% dos casos de hepatites
notificados no Brasil. Essa hepatite geralmente não apresenta sintomas imediatos e, por isso, é possível de ser
diagnosticada décadas após a infecção. Já a hepatite C pode se manifestar de forma aguda ou crônica, sendo a
crônica mais comum.
É uma doença de caráter silencioso e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Em
média, 20% dos casos podem evoluir para cirrose ao longo do tempo. Alguns sintomas são dor ou desconforto
abdominal, fadiga, febre, perda de apetite, náuseas, “amarelamento” da pele e dos olhos.
DENGUE
É uma doença febril grave causada por um arbovírus — vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente
os mosquitos. Existem quatro tipos de vírus de dengue (1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os quatro tipos da
doença, mas a infecção por um tipo gera imunidade permanente para ele.
O transmissor (vetor) da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para se proliferar.
Lembrando que embora a doença seja um problema de saúde pública, é possível que pessoas adoeçam devido
à ocupação que exercem.
As empresas precisam aderir a campanhas de prevenção e, caso tenha a possibilidade de foco da doença em
seus ambientes, é preciso eliminá-los. Os principais sinais e sintomas são: febre alta, dores musculares intensas,
dores nos olhos, falta de apetite, cefaleia, e em alguns casos, machas vermelhas pelo corpo.
AIDS/HIV
A AIDS é a doença causada pela infecção do Vírus da ImunodeficiênciaHumana (HIV). Esse vírus ataca o
sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo contra doenças. Os principais sintomas são:
febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.
Com a baixa imunidade, causada pela enfermidade, é possível que a pessoa adquira outras doenças, também
chamadas de oportunistas, como tuberculose e toxoplasmose. O tratamento da AIDS é gratuito, feito com
antirretrovirais, disponibilizados nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde.
RAIVA
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como
uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. É causada pelo vírus do gênero
Lyssavirus, da família Rabhdoviridae. A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados,
principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura
desses animais.
Os principais sinais e sintomas são: anorexia, irritabilidade, mal-estar, náuseas, dor de garganta. Em caso de
acidentes com animais, os trabalhadores deverão ser encaminhados imediatamente a uma unidade de saúde,
para os devidos procedimentos.
COVID-19
Os coronavírus são um grupo de vírus comuns em diferentes espécies de animais. Raramente os vírus que
infectam animais podem infectar pessoas. Contudo, em dezembro de 2019, houve a transmissão de um novo
coronavírus, o SARS-CoV-2, que causou a doença covid-19. Essa doença apresenta manifestações clínicas,
variando de infecções assintomáticas a quadros graves.
Os principais sintomas são febre, tosse, coriza, perda de olfato, dificuldade para respirar, alteração de paladar,
cansaço e distúrbios gastrintestinais. É importante lembrar que nem todas as pessoas portadoras de covid-19
apresentam os mesmos sintomas e que é possível novos sintomas, ou seja, diferentes dos já registrados, a partir
da mutação do vírus.
Para a proteção dos trabalhadores, as instituições empregadoras precisam adotar medidas de segurança e
protocolos específicos para os ambientes de trabalho, além de oferecer os equipamentos de proteção individual
adequados.
DOENÇA DA FOLHA VERDE DO TABACO
A doença da folha verde do tabaco (DFVT) é uma forma de intoxicação aguda causada pela absorção dérmica
da nicotina presente na folha do tabaco (Nicotiana tabacum). O suor, o orvalho e a chuva facilitam o contato da
substância com a pele.
Entre os sinais e sintomas estão: dores de cabeça, tontura, náuseas e cólica. Os sintomas duram alguns dias e
podem afetar a mesma pessoa repetidas vezes. Essa doença acomete principalmente trabalhadores rurais que
lidam com essa cultura.
ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS
Os acidentes com animais peçonhentos são comuns entre trabalhadores da agricultura e de manipulação de
alimentos. Os mais comuns são o ofidismo (picada de cobra) e o escorpionismo.
A todo trabalhador dos serviços de saúde deve ser fornecido, gratuitamente, programa de imunização ativa
contra tétano, difteria, hepatite B e os estabelecidos no PCMSO. Sempre que houver vacinas eficazes contra
outros agentes biológicos aos quais os trabalhadores estão, ou poderão estar, expostos, o empregador deve
fornecê-las gratuitamente. A vacinação deve obedecer às recomendações do Ministério da Saúde.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. APESAR DE NÃO TER UM AGENTE ETIOLÓGICO DE NATUREZA OCUPACIONAL, AS
DOENÇAS INFECCIOSAS PODEM SER RELACIONADAS AO TRABALHO, DEVIDO AOS
CONTEXTOS EM QUE HOUVER A EXPOSIÇÃO AO AGENTE. SOBRE ESSE CONTEXTO,
PODEMOS AFIRMAR QUE
A) a ocorrência da doença infecciosa relacionada ao trabalho depende das condições ou circunstâncias em que
o trabalho é executado e da exposição ocupacional.
B) a doença infecciosa, por se tratar de uma doença comum, não permite fazer o nexo ocupacional, ou seja, não
podemos relacioná-la ao trabalho.
C) ambientes de trabalho em que os trabalhadores manuseiam direta ou indiretamente agentes biológicos não
são considerados contextos de riscos para adoecimento dos trabalhadores.
D) profissionais da área da saúde adoecem devido aos riscos químicos, físicos e ergonômicos, mas não
adoecem devido aos fatores de risco biológico.
E) unidades de saúde oferecem riscos para os pacientes atendidos devido à exposição a agentes biológicos,
mas para os funcionários das unidades esse risco não existe.
2. UMA DAS FASES DO PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS - PPRA
É A IDENTIFICAÇÃO DOS AGENTES DE RISCO. EM SE TRATANDO DE UM PPRA
RELACIONADO A AMBIENTES COM AGENTES DE RISCO BIOLÓGICO, OS AGENTES
PRECISAM SER IDENTIFICADOS PARA A APLICAÇÃO DE AÇÕES CORRETAS. UMA
DAS FORMAS DE IDENTIFICAR OS AGENTES É POR SUAS CARACTERÍSTICAS, PARA
ISSO A EQUIPE QUE ELABORA O PPRA PODERÁ UTILIZAR A CLASSIFICAÇÃO DE
RISCOS BIOLÓGICOS, QUE É A SEGUINTE:
A) Classe de risco 1: alto risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de
causar doença aos animais.
B) Classe de risco 2: risco individual baixo para o trabalhador e com alta probabilidade de disseminação para a
coletividade.
C) Classe de risco 3: risco individual moderado para o trabalhador e com nenhuma probabilidade de
disseminação para a coletividade.
D) Classe de risco 4: risco elevado para o trabalhador e para a coletividade, tem grande probabilidade de
disseminação, além de apresentar grande poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro.
E) Classe de risco 5: risco individual baixo para o trabalhador e com baixa probabilidade de disseminação para a
coletividade. Apresenta grande poder de transmissibilidade entre animais.
GABARITO
1. Apesar de não ter um agente etiológico de natureza ocupacional, as doenças infecciosas podem ser
relacionadas ao trabalho, devido aos contextos em que houver a exposição ao agente. Sobre esse
contexto, podemos afirmar que
A alternativa "A " está correta.
Doenças infecciosas são aquelas que acometem a população de uma forma geral, independentemente de serem
trabalhadoras ou não. Dessa forma, os agentes etiológicos de tais doenças não podem ser considerados de
natureza ocupacional, uma vez que não só os trabalhadores podem adoecer. Entretanto, o que irá determinar se
o trabalhador foi contaminado por esses agentes em seu ambiente de trabalho, para ser considerada uma
doença relacionada ao trabalho, são as condições em que esse trabalhador exerce sua função. Dependendo do
agente, há a necessidade do uso de EPIs específicos. Uma vez o trabalhador exposto em seu ambiente de
trabalho sem a segurança devida, é possível relacionar a doença com o trabalho.
2. Uma das fases do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA é a identificação dos agentes
de risco. Em se tratando de um PPRA relacionado a ambientes com agentes de risco biológico, os
agentes precisam ser identificados para a aplicação de ações corretas. Uma das formas de identificar os
agentes é por suas características, para isso a equipe que elabora o PPRA poderá utilizar a classificação
de riscos biológicos, que é a seguinte:
A alternativa "D " está correta.
A classe de risco 4 é a que apresenta agentes etiológicos com características perigosas tanto para os
trabalhadores quanto para a população geral. Nessa classe, geralmente não há tratamento e o risco de
transmissão é muito alto.
MÓDULO 4
 Identificar os riscos ergonômicos e as doenças relacionadas ao trabalho
LIGANDO OS PONTOS
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A relação entre a ergonomia e as doenças relacionadas deve ser objeto de intenso estudo, uma vez que o
ambiente laboral tem sido afetado continuamente com o desenvolvimento de novas tecnologias. Dessa forma,
algo que a princípio não seria fator determinante para as ocorrências de doenças, pode se mostrar desta maneira
na prática diária.
Lesões por esforços repetitivos
DJS, 43 anos, viúva, mãe de dois filhos, procurou o médico do trabalho da empresa em que trabalha, queixando-
se de dor intensa no braço direito, contínua e persistente, com sensação de peso e diminuição de sensibilidade
na mãodireita, e dificuldade para realizar qualquer movimento. Queixou-se, ainda, de insônia que, segundo ela,
provoca cansaço e irritação durante o dia. Relatou que vinha sentindo dor e limitações havia algum tempo,
obtendo certo alívio com o uso de anti-inflamatórios, mas com repercussões sobre sua produção diária e
dificuldade para realização de horas extras, que proporcionavam aumento na renda mensal da família.
Ao ser questionada se havia procurado o supervisor do setor que trabalha, DJS informou que não, porque ficou
com medo de ser punida. Ela trabalha há 25 anos como empacotadora na indústria alimentícia, em jornada de
cerca de 9 horas diárias (horas extras), 6 dias na semana, em posição sentada, em uma tarefa que exige
movimentos repetitivos dos membros superiores, sob grande pressão de tempo, para atender às metas de
produção estabelecidas, o que a impede de fazer as pausas recomendadas.
Informa haver outros(as) trabalhadores(as) com as mesmas queixas na empresa. O médico a diagnostica com
uma doença osteomuscular relacionada ao trabalho, prescreve anti-inflamatório e emite um atestado para
afastamento por 10 dias. Após sua saída do consultório, o médico marca uma reunião com a equipe do SESMT
para conversarem sobre o caso de DJS e de outros possíveis casos.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos?
1. DE ACORDO COM A SITUAÇÃO APRESENTADA, MARQUE A ALTERNATIVA QUE
APRESENTA OS ASPECTOS IMPORTANTES A SEREM OBSERVADOS PARA A
RESOLUÇÃO DO CASO:
A) Pouca demanda de trabalho, falta de comunicação, pausas constantes durante as tarefas.
B) Desorganização do trabalho, falta de pausas entre as atividades, dificuldade nas relações interpessoais.
C) Ausência de pausa entre as tarefas, trabalho monótono, bom relacionamento com o supervisor.
D) Excesso de controle, má gestão e pausas regulares entre as tarefas.
E) Ótima relação com o supervisor, organização da produção, perspectivas na carreira.
2. PARA EVITAR QUE OUTROS TRABALHADORES ADOEÇAM PELOS MESMOS
MOTIVOS DE DJS, A EQUIPE DO SESMT
A) precisará rever toda a dinâmica de trabalho, avaliando as condições às quais esses trabalhadores estão
expostos, e propor medidas de correção.
B) não precisa atuar nesses casos, pois o problema é da supervisão de equipe.
C) não tem muito o que contribuir, pois algumas empresas trabalham dessa forma.
D) pode passar a situação para os gestores e aguardar um posicionamento da empresa.
E) pode pedir para que os supervisores dos setores resolvam os problemas dos funcionários.
GABARITO
1. De acordo com a situação apresentada, marque a alternativa que apresenta os aspectos importantes a
serem observados para a resolução do caso:
A alternativa "B " está correta.
A falta de uma perspectiva de melhora de trabalho aliada à grande demanda de trabalho, à falta de organização
do ambiente, assim como a falta de comunicação clara com a supervisão, faz com que a situação da
trabalhadora seja agravada.
2. Para evitar que outros trabalhadores adoeçam pelos mesmos motivos de DJS, a equipe do SESMT
A alternativa "A " está correta.
A equipe pode rever toda a dinâmica de trabalho, aplicando a análise ergonômica do trabalho e sugerindo as
correções para evitarem que novos casos parecidos com o de DJS surjam ao longo do tempo. Ainda, a equipe
poderá estimular o diálogo entre supervisores e trabalhadores.
3. DE ACORDO COM A SITUAÇÃO ANTERIOR, QUAL É O PAPEL
DOS ENGENHEIROS E TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO
TRABALHO? QUAL A INTERVENÇÃO QUE PRECISA SER FEITA
NESSE AMBIENTE DE TRABALHO PARA QUE OUTROS
TRABALHADORES NÃO ADOEÇAM?
RESPOSTA
Compreender as demandas da trabalhadora, assim como o conhecimento sobre a
atividade/ocupação exercida e as condições em que é realizada. Implantar a Análise
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Ergonômica do Trabalho. Conversar com os trabalhadores, mostrando que eles podem
acessar qualquer membro das equipes sem medo das repercussões negativas.
O QUE É ERGONOMIA?
RISCOS ERGONÔMICOS
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RISCO ERGONÔMICO É TODA SITUAÇÃO OU FATOR QUE POSSA
INTERFERIR NAS CARACTERÍSTICAS PSICOFISIOLÓGICAS DOS
TRABALHADORES, CAUSANDO DESCONFORTO OU AFETANDO SUA
SAÚDE.
A exposição a essas situações pode gerar distúrbios fisiológicos e psicológicos e provocar sérios danos à saúde
dos trabalhadores. De acordo com a Secretaria de Previdência, as principais causas de afastamento do trabalho
estão relacionadas aos riscos ergonômicos e às doenças motivadas por esses fatores superam os afastamentos
por acidentes/traumas.
 VOCÊ SABIA?
Os fatores de risco ergonômico podem gerar adoecimento físico e mental e provocar sérios comprometimentos,
tanto na saúde quanto na vida social e no trabalho. Situações de trabalho que envolvem monotonia, mobiliários
inadequados, posturas inadequadas, problemas organizacionais, jornada de trabalho muito longa, entre outros
fatores, podem gerar doenças.
As lesões por esforço repetitivo (LER) e as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) são os
distúrbios que mais acometem os trabalhadores. Além desses distúrbios, existem outras doenças que, caso não
sejam prevenidas ou tratadas no início do aparecimento, podem ser tornar incapacitantes, como veremos neste
módulo.
LER e DORT são os danos que ocorrem pelo uso excessivo do sistema musculoesquelético, sem o tempo
necessário para o descanso. Inicialmente, os distúrbios osteomusculares foram considerados LER, e em 1998 a
Previdência Social substituiu LER por DORT.
 SAIBA MAIS
A diferença entre os dois grupos se encontra basicamente nas causas. Enquanto DORT está relacionada ao
trabalho, LER pode acometer qualquer pessoa, independentemente de sua condição de vida. Alguns autores
também consideram diagnósticos específicos da LER, por se tratar de doença do sistema nervoso e não do
sistema osteomuscular, ou seja, ela pode se tratar de uma lesão por esforço repetitivo, mas que não tenha
acometido o sistema osteomuscular, como os transtornos do plexo braquial, as mononeuropatias dos membros
superiores e as mononeuropatias dos membros inferiores (BRASIL, 2001).
Caracterizam-se pelo aparecimento de vários sintomas, mas que às vezes não são valorizados pelos próprios
trabalhadores e empregadores, que permanecem com as tarefas e as dores, fazendo com que a situação se
agrave. Geralmente, aparecem nos membros superiores, mas os membros inferiores também podem ser
atingidos, dependendo das ocupações.
As LER/DORT resultam do entrelaçamento do conjunto de fatores envolvidos na dor musculoesquelética, em que
se destacam dois fatores:
FATORES BIOMECÂNICOS PRESENTES NA ATIVIDADE
Exigências biomecânicas relacionadas à ocupação podem gerar problemas musculoesqueléticos quando não
respeitados os limites do corpo.
FATORES PSICOSSOCIAIS RELACIONADOS À ORGANIZAÇÃO
DO TRABALHO
Embora não esteja muito bem esclarecido, alguns estudos sugerem que exigências excessivas no trabalho
podem gerar dores devido à tensão e ao estresse.
As principais dores que acometem os trabalhadores são dores nos ombros e articulações de mãos e punhos.
Agora, vamos conhecer algumas LER/DORT.
TENDINITE
É a inflamação ou irritação de um tendão (parte final do músculo, que faz a fixação dos músculos aos ossos).
Eles servem para transmitir a força de contração muscular necessária para mover um osso. É uma doença que
apresenta várias manifestações clínicas que variam de acordo com o avanço da doença. Caso não seja tratada
devidamente, é possível que passe de uma condição leve para uma condição crônica e, dessa forma, os
sintomas perduram por anos. O quadro clínico irá variar de acordo com o tendão afetado, mas as principais
queixas são: dor em tendão que pode irradiar para a musculatura do entorno; sensação de que o tendão está
crepitando quando se move; inchaço na região afetada; vermelhidão e calor na área afetada e diminuição da
força.
As tendinites mais comuns são:
Tendinite de Aquiles — tendão situado entre o calcanhar e o músculo da panturrilha.Tendinite do manguito rotador — chamada de “ombro de tenista”.
Epicondilite lateral— conhecida como “cotovelo de tenista”.
Epicondilite medial — conhecida como “cotovelo de golfista”.
Tenossinovite estenosante de De Quervain — tendão entre o polegar e o pulso.
Dedo em gatilho — a bainha do tendão da palma da mão fica grossa e inflamada, formando nódulos.
BURSITE
É a inflamação ou irritação de uma “bursa”, uma pequena bolsa localizada entre o osso e outras estruturas
móveis, como músculos, pele ou tendões. Ela permite e facilita um melhor deslizamento entre as estruturas.
A bursite ocorre com mais frequência em articulações que realizam movimentos repetitivos frequentes, como
ombro, cotovelo, joelho e quadril. Quando não tratada devidamente, a bursite aguda pode ser tornar crônica. Os
principais sintomas e sinais são: dor na área da bursa, inchaço, pele avermelhada, diminuição dos movimentos
próximos as articulações.
A prevenção das tendinites e bursites envolve: evitar ficar muito tempo na mesma posição, realizar alongamentos
musculares e mobilização das articulações, usar mobiliários ergonômicos, realizar o descanso necessário entre
tarefas. Para o diagnóstico correto, os trabalhadores precisam agendar consulta médica e realizar os exames
solicitados.
SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO
É a compressão, também conhecida como pinçamento do nervo mediado, quando este passa pelo punho para
inervar a mão. O principal sintoma é a sensação de formigamento, mas também pode ocorrer dormência e dores
nos dedos.
HÉRNIA DE DISCO
É o resultado do desgaste dos discos intervertebrais, comprimindo as raízes nervosas que emergem da coluna,
provocando dor intensa. Os principais fatores de risco são atividade repetitiva, ferimentos, carregar peso maior
do que o corpo suporta e processo de envelhecimento. Se tratados devidamente, alguns casos não precisarão
de intervenção cirúrgica. Os principais sinais e sintomas que podem surgir são: dores no pescoço ou em outras
partes da coluna; dores nos braços devido a compressão dos nervos; dormência, formigamento e fraqueza
muscular.
DESCONFORTO MUSCULAR
O desconforto muscular é uma condição, e não uma doença. São dores que podem ocorrer devido ao uso
excessivo da musculatura. Pode ser causado por problemas posturais, excesso de atividade física, entre outros.
ESTRESSE
Também contribui para as dores musculares, pois situações de estresse causam a liberação de hormônios que
aumentam a percepção da dor e também a tensão muscular. Um desconforto muscular bastante conhecido é a
dorsalgia, ou seja, dores nas costas, que podem decorrer de dores musculares, mas também de outras causas,
como o comprometimento das articulações da coluna vertebral, dos nervos e dos ossos. As dorsalgias estão
entre as queixas mais frequentes da população geral, sendo a lombalgia e a cervicalgia os principais tipos.
ARTROSES
Osteoartrose (artrose) é a doença que se caracteriza pelo desgaste da cartilagem articular e por alterações
ósseas, entre elas os osteófitos, também conhecidos como "bicos de papagaio". Os sinais e sintomas mais
comuns são dores nas mãos, no pescoço, na região lombar, nos joelhos e quadris. Além das dores também é
possível sentir crepitações, inchaço, rigidez ou sensibilidade nas articulações.
OSTEONECROSE RELACIONADA AO TRABALHO
Também conhecida como necrose asséptica ou avascular, ocorre devido à diminuição do suprimento sanguíneo
ósseo decorrente de um processo degenerativo local. É uma manifestação crônica que tem sido associada com
diabetes, alcoolismo, trauma e exposição à radiação ionizante. Em trabalhadores submetidos à vibração
localizada, a ocorrência de osteonecrose está associada a um acometimento neurovascular, levando à
diminuição ou ao impedimento do suprimento sanguíneo ósseo, como é o caso da síndrome de Raynaud.
A osteonecrose decorrente da intoxicação crônica pelo fósforo branco (ou amarelo) tem importância histórica e
integrou a primeira lista de doenças profissionais elaborada pela Organização Internacional do Trabalho. O
primeiro caso da doença, que era conhecida como desfigurante, foi registrado em 1845.
Para a prevenção das doenças ergonômicas relacionadas ao trabalho, destacamos a importância da realização
da Análise Ergonômica do Trabalho.
ESSE PROCEDIMENTO COLOCA EM EVIDÊNCIA AS TAREFAS QUE SÃO
VARIÁVEIS AO LONGO DA JORNADA DE TRABALHO E COMO AS
EMPRESAS PRECISAM TRABALHAR A FIM DE ATENDER AS NORMAS,
EVITANDO ASSIM O ADOECIMENTO DOS TRABALHADORES.
Para isso, os fatores de risco devem ser avaliados no contexto organizacional em que o trabalhador está
inserido. Uma das normas que podem e devem ser implementadas é a Norma Regulamentadora nº 17 –
Ergonomia, que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente.
RISCOS PSICOSSOCIAIS
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Agora vamos abordar os riscos psicossociais. Esses fatores fazem parte do risco ergonômico, mas faremos aqui
um destaque, devido à importância da saúde mental dos trabalhadores e em razão do grande desafio que esses
fatores oferecem para a manutenção de um ambiente de trabalho seguro.
Os riscos psicossociais decorrem de deficiências na organização e na gestão do trabalho, bem como de um
contexto social de trabalho problemático, podendo ter efeitos negativos a nível psicológico, físico e social, tais
como estresse relacionado com o trabalho, esgotamento, depressão, entre outras sequelas. Os efeitos negativos
atingem a todos: trabalhadores, famílias, sociedade, empregadores.
Além das doenças em si, os trabalhadores podem ficar incapacitados e sem condições de retornar para o
trabalho, gerando também afastamento social. Para as famílias, há mudança na dinâmica, o que pode provocar
desgastes profundos, principalmente por causa das questões econômicas. Para as empresas, percebe-se
aumento de gastos com afastamentos, absenteísmo e mesmo o presenteísmo (o trabalhador está presente no
ambiente de trabalho, porém não tem produtividade), além de ficar com a imagem comprometida.
Quanto ao país, a grande demanda de atendimento das Unidades de Saúde pode gerar sobrecarga do sistema
de saúde, comprometendo a qualidade dos atendimentos. Em relação aos benefícios previdenciários, também se
considera o aumento da demanda e a necessidade de concessão de um número maior de benefícios,
impactando na saúde econômica do país, além das possíveis repercussões negativas a nível internacional,
comprometendo as possibilidades de investimentos.
As principais condições de trabalho que contribuem para o aumento dos fatores de riscos psicossociais e
adoecimento dos trabalhadores são:
Cargas de trabalho excessivas.
Exigências contraditórias e falta de clareza na definição das funções.
Falta de participação na tomada de decisões que afetam o trabalhador e falta de controle sobre a forma
como ele executa o trabalho.
Má gestão de mudanças organizacionais, insegurança laboral.
Comunicação ineficaz e violenta, falta de apoio por parte de chefias e colegas.
Assédio psicológico ou sexual, violência de terceiros.
Alguns ambientes de trabalho contribuem para o desenvolvimento de doenças mentais nos trabalhadores. Os
transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho são a terceira maior causa de afastamento do
trabalhador no Brasil e uma das principais causas de adoecimento no mundo.
 SAIBA MAIS
Esses transtornos não resultam de fatores isolados, mas de contextos de trabalho sem interação entre corpo e
aparato psíquico dos trabalhadores. Se, por um lado, o trabalho pode gerar esses distúrbios, a falta dele também
gera os mesmos problemas e, por medo de perder o trabalho, muitas pessoas se submetem a situações
desumanas em troca do salário.
OS FATORES RELACIONADOS AO TEMPO E AO RITMO DE TRABALHO
SÃO MUITO IMPORTANTES NA DETERMINAÇÃO DO SOFRIMENTO
PSÍQUICO RELACIONADO AO TRABALHO.
Jornadasde trabalho longas, com poucas pausas destinadas ao descanso e/ou refeições de curta duração, em
lugares desconfortáveis, turnos de trabalho noturnos, turnos alternados ou turnos iniciados muito cedo pela
manhã; ritmos intensos ou monótonos; submissão do trabalhador ao ritmo das máquinas, sob as quais não se
tem controle; pressão de supervisores ou chefias por mais velocidade e produtividade causam, com frequência,
quadros ansiosos, fadiga crônica e distúrbios do sono.
Além do ambiente de trabalho em si, outras situações envolvendo os trabalhadores podem levá-los a
desenvolver doenças mentais e comportamentais, tais como acidente de trabalho e doenças incapacitantes
relacionadas ao trabalho. Muitos trabalhadores, devido às grandes exigências do trabalho sem o tempo
adequado para as resoluções, se sentem cansados, desanimados, podendo inclusive desenvolver depressão,
crises de ansiedade, síndrome de burnout, entre outros.
Em situações de pandemia, a tendência é que esses problemas se agravem. Vamos conhecer um pouco sobre
essas doenças que podem acometer os trabalhadores:
DEPRESSÃO
É uma doença psiquiátrica crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma
tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa
autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.
É uma doença incapacitante, e seus quadros variam de intensidade e duração, podendo ser classificada como
leve, moderada ou grave. Os principais sintomas são sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de
culpa.
Quem está passando por uma depressão acredita que perdeu, de forma irreversível, a capacidade de sentir
prazer ou alegria. Tudo parece vazio, o mundo é visto sem cores, sem matizes de alegria. Lembrando que, para
o correto diagnóstico, é preciso uma consulta com um médico especialista.
ANSIEDADE
É um termo geral para vários distúrbios que causam nervosismo, medo, apreensão e preocupação. A ansiedade
pode ser normal e é um indicador de doença somente quando os sentimentos se tornam excessivos, obsessivos
e interferem na vida cotidiana.
A ansiedade pode ser generalizada, associada ao medo e/ou ataques de pânico. Sobre a ansiedade excessiva, é
possível observar: preocupação excessiva; ver perigo em tudo; emoções afloradas; sintomas físicos como
problemas com o sono, dores musculares, taquicardia e falta de ar.
SÍNDROME DE BURNOUT OU SÍNDROME DO ESGOTAMENTO
PROFISSIONAL
É um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de
situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.
A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. A síndrome, se não tratada, pode evoluir para a
depressão. Os principais sinais e sintomas são nervosismo, sofrimento psicológico, problemas físicos,
desesperança, insônia, fadiga, sensação de fracasso, sentimento de incompetência.
TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
É um distúrbio caracterizado pela dificuldade em se recuperar depois de vivenciar ou testemunhar um
acontecimento assustador. A condição pode durar meses ou anos, com gatilhos que podem trazer de volta
memórias do trauma acompanhadas por intensas reações emocionais e físicas. Nesses casos, quando a pessoa
se recorda do trauma, ela revive o episódio, como se o fato estivesse ocorrendo naquele momento.
Sobre o tratamento para as doenças mentais e comportamentais relacionadas ao trabalho, em primeiro lugar
precisamos entender a gravidade dessas doenças. Muitos trabalhadores ainda têm vergonha de procurar ajuda
com medo dos estigmas, por isso as empresas precisam abordar o assunto com muita seriedade. Todos os
diagnósticos e tratamentos só podem ser realizados por profissionais especialistas.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A CADA DIA, HÁ UM NÚMERO CADA VEZ MAIOR DE TRABALHADORES ADOECIDOS
DEVIDO AOS FATORES DE RISCOS OCUPACIONAIS PRESENTES NOS AMBIENTES DE
TRABALHO. DENTRE ESSES FATORES, TEMOS OS ERGONÔMICOS, QUE ESTÃO
PRESENTES EM GRANDE PARTE DAS OCUPAÇÕES. SE AS EMPRESAS E OS
TRABALHADORES NÃO CUMPRIREM AS NORMAS DE PREVENÇÃO RELACIONADAS
AOS FATORES DE RISCO ERGONÔMICO, É POSSÍVEL QUE OS TRABALHADORES
DESENVOLVAM
A) câncer de laringe, tendinite e depressão.
B) depressão, bursite e hepatite.
C) glaucoma, tenossinovite e bursite.
D) dorsalgia, bursite, epicondilite.
E) hipertensão, diabetes, dedo em gatilho.
2. AS DOENÇAS MENTAIS RELACIONADAS AO TRABALHO SÃO CONSIDERADAS AS
PRINCIPAIS CAUSAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHO. AS REPERCUSSÕES PODEM
ATINGIR OS PRÓPRIOS TRABALHADORES, AS FAMÍLIAS, AS EMPRESAS, A
SOCIEDADE E OS PAÍSES. SOBRE ESSAS REPERCUSSÕES, MARQUE A ALTERNATIVA
CORRETA.
A) Um ambiente de trabalho com exigência excessiva, a falta de uma comunicação clara e com alguns tipos de
assédio é importante para o trabalhador, uma vez que ele tem a oportunidade de superar os desafios.
B) Trabalhadores adoecidos não fazem diferença para as famílias, uma vez que as unidades familiares sempre
têm condições de lidar não só com as doenças em si, mas com o suprimento das necessidades, inclusive
econômicas.
C) Para as empresas, o adoecimento dos trabalhadores pode aumentar os gastos com afastamentos,
absenteísmos e presenteísmos. Acidentes de trabalho também podem acontecer, contribuindo para o aumento
dos gastos.
D) Mundialmente, as doenças mentais relacionadas ao trabalho são as principais causas de afastamento do
trabalho. Essas condições são importantes porque mostram que os países exigem esforço dos trabalhadores de
forma adequada e que as políticas de promoção da saúde estão corretas.
E) É possível que a sociedade seja afetada positivamente com o adoecimento mental de trabalhadores. Para os
desempregados, surge uma oportunidade de trabalho com o afastamento dos trabalhadores adoecidos.
GABARITO
1. A cada dia, há um número cada vez maior de trabalhadores adoecidos devido aos fatores de riscos
ocupacionais presentes nos ambientes de trabalho. Dentre esses fatores, temos os ergonômicos, que
estão presentes em grande parte das ocupações. Se as empresas e os trabalhadores não cumprirem as
normas de prevenção relacionadas aos fatores de risco ergonômico, é possível que os trabalhadores
desenvolvam
A alternativa "D " está correta.
As doenças desenvolvidas devido à exposição aos fatores de risco ergonômico são em sua grande maioria
relacionadas às articulações, às bursas e ao aparelho musculoesquelético.
2. As doenças mentais relacionadas ao trabalho são consideradas as principais causas de afastamento
do trabalho. As repercussões podem atingir os próprios trabalhadores, as famílias, as empresas, a
sociedade e os países. Sobre essas repercussões, marque a alternativa correta.
A alternativa "C " está correta.
O adoecimento dos trabalhadores é um fator negativo para a sociedade como um todo. As empresas são
afetadas com o aumento dos custos, não só de afastamento, mas de ações judiciais e da alta rotatividade de
trabalhadores.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos, as doenças relacionadas ao trabalho são um grave problema para os trabalhadores, podendo
afetar as famílias, os empregadores e a sociedade em geral. Manter ambientes de trabalho seguros e
trabalhadores capacitados diminui a possibilidade de exposição a situações que podem contribuir para o
desenvolvimento de doenças.
Além dos ambientes físicos, é importante que as organizações fiquem atentas às questões subjetivas, de
relacionamento, e às grandes demandas de trabalho, que também são fatores geradores de adoecimento.
Repensar práticas de trabalho, ouvir os trabalhadores e compreender que o ambiente de trabalho deve ser o
promotor de saúde, e não da doença, são passos fundamentais para a mudança nas formas e nas relações de
trabalho.
É preciso o desenvolvimento de uma cultura de segurança e valorização dos trabalhadores, além dos incentivos
por meio das políticas públicas de segurança e saúde dos trabalhadores.AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Economia. Secretaria de Trabalho. Normas regulamentadoras.
Brasil. Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Doenças relacionadas
ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Para saber as coisas: falando da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e
doenças relacionadas ao trabalho. São Paulo: Hemeroteca Sindical Brasileira, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em Saúde
Ambiental e Saúde do Trabalhador. Atlas do câncer relacionado ao trabalho no Brasil. Brasília: Ministério da
Saúde, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Saúde do
trabalhador e da trabalhadora. Cadernos de Atenção Básica, n. 41. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. INCA. Diretrizes para a vigilância
do câncer relacionado ao trabalho. Organização de Fátima Sueli Neto Ribeiro. Rio de Janeiro: Inca, 2012.
MARANO, V P. Doenças ocupacionais. 2 ed. São Paulo: Editora LTr, 2007.
MORAES, M. V. G. Doenças ocupacionais - agentes: físico, químico, biológico, ergonômico. 1 ed. [S. l.]: Editora
Látria, 2010.
REDE NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO TRABALHADOR – RENAST. Consultado na internet
em: ago. 2021.
RESENDE, P. Enfermeira que atendeu vítimas do césio deve ser indenizada, em Goiás. G1, 19 jul. 2015.
Consultado na internet em: ago. 2021.
EXPLORE+
No Manual de procedimentos para os serviços de saúde, você conhecerá mais sobre as doenças
relacionadas ao trabalho. Procure na internet pelo site da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.
No YouTube, assista ao interessante vídeo Entre o pó e fôlego da vida, da Fundacentro.
CONTEUDISTA
Ismael da Silva Costa
DESCRIÇÃO
A construção da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) como articulador junto
aos setores governamentais e da rede SUS das ações de saúde do trabalhador e a criação dos Centros de
Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).
PROPÓSITO
Conhecer a RENAST, as atribuições dos CEREST, as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador, no âmbito
do Sistema Único de Saúde, permite aos profissionais de Segurança do Trabalho acessarem estratégias
importantes acerca da promoção da saúde e da segurança nos ambientes de trabalho, e prevenção de doenças,
agravos e acidentes relacionados ao trabalho.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Reconhecer a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador
MÓDULO 2
Identificar as ações do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST)
MÓDULO 3
Identificar as ações do Emprego e Trabalho Decente
A RENAST E A REDE SUS
MÓDULO 1
 Reconhecer a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador
LIGANDO OS PONTOS
A rede de atenção à saúde do trabalhador (RENAST) é a rede temática do SUS para executar ações de
vigilância e assistência em saúde do trabalhador. Sua atuação é regionalizada para que a equipe possa conhecer
profundamente a realidade de cada local.
CASO
CEREST Regional Cacoal em parceria com OAB, CISTT e Vigilância em Saúde se reúnem para discutir
índices de acidentes de trabalho envolvendo a área elétrica e a da construção civil na regional de
abrangência.
O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional Cacoal, preocupado com o alto índice de acidentes
de trabalho envolvendo a área elétrica e a da construção civil, na regional de abrangência, convidou para
proposta de ação conjunta em prevenção à saúde do trabalhador as instituições: Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (CISTT) e Vigilância em Saúde.
Foto: Shutterstock.com
A reunião teve início com a apresentação dos números de acidentes ocorridos, quando a vigilância em saúde do
munícipio de Cacoal apresentou estatísticas de notificações, dando abertura para que todos os presentes
fizessem suas colocações e propostas de trabalho envolvendo a educação continuada a todos os trabalhos e
sociedade estudantil. Na oportunidade também estavam presentes os assessores de um deputado e, ao final da
reunião, foi gerada uma ata encaminhada ao MPT com proposta de dar continuidade à ação em 2020. (Blog do
CEREST Regional de Cacoal, 17/12/2019)
1. AS AÇÕES DA VISAT DEVEM SER COORDENADAS PELAS INSTÂNCIAS DE GESTÃO
DO SUS E ARTICULADAS PELA RENAST, NO PRINCÍPIO DA ESTRUTURAÇÃO DA
ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DOS TRABALHADORES EM REDE. SOBRE AS AÇÕES
DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR, PODEMOS DESTACAR:
A) as ações de prevenção e controle de doenças transmissíveis, vigilância dos fatores de risco para o
desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, saúde ambiental e análise da situação de saúde da
população brasileira.
B) as ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários
decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da
saúde, abrangendo o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, relacionem-se com a saúde.
C) as ações de inspeções sanitárias nos ambientes de trabalho, com o objetivo de buscar a promoção e proteção
da saúde dos trabalhadores e realizar apoio institucional e matricial às instâncias envolvidas no processo de
vigilância em saúde do trabalhador no SUS.
D) as ações de assistência direta aos trabalhadores, como consultas médicas, consultas com psicólogos,
encaminhamento para tratamento e reabilitação, assim como os encaminhamentos para a emissão de laudos
para perícia do INSS.
E) as ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as
medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos para a população geral.
2. O CASO MOSTRA QUE, DEVIDO AO GRANDE NÚMERO DE ACIDENTES DE
TRABALHO REGISTRADOS, FOI NECESSÁRIO O AGENDAMENTO DE UMA REUNIÃO
COM DIVERSAS INSTITUIÇÕES DA REGIÃO AFETADA, PORÉM FALTOU A
PARTICIPAÇÃO DE UM GRUPO, POR MEIO DOS SEUS REPRESENTANTES. MARQUE A
ALTERNATIVA QUE APRESENTA ESSE GRUPO:
A) Representantes dos comerciantes da região.
B) Representantes dos trabalhadores da área elétrica e construção civil.
C) Representantes do trabalhadores aposentados e desempregados.
D) Representantes das crianças em condições de vulnerabilidade exposta ao trabalho.
E) Representares das mulheres trabalhadoras de todos os setores de trabalho da região.
GABARITO
1. As ações da VISAT devem ser coordenadas pelas instâncias de gestão do SUS e articuladas pela
RENAST, no princípio da estruturação da atenção integral à saúde dos trabalhadores em rede. Sobre as
ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador, podemos destacar:
A alternativa "C " está correta.
A Vigilância em Saúde do Trabalhador tem como objeto específico a investigação e intervenção nos ambientes
de trabalho prejudiciais à saúde dos trabalhadores. Não é papel da VISAT o atendimento aos trabalhadores por
meio de consultas.
2. O caso mostra que, devido ao grande número de acidentes de trabalho registrados, foi necessário o
agendamento de uma reunião com diversas instituições da região afetada, porém faltou a participação de
um grupo, por meio dos seus representantes. Marque a alternativa que apresenta esse grupo:
A alternativa "B " está correta.
A participação dos trabalhadores, por meio dos seus representantes, é fundamental para a elaboração de
propostas de mudanças nos ambientes com o objetivo de minimizar os acidentes de trabalho.
3. DE ACORDO COM O CASO, QUAIS AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM
SAÚDE DO TRABALHADOR PODEM SER FEITAS, EM PARCERIA
COM A EQUIPE CEREST, PARA A PREVENÇÃO DEACIDENTES
DO TRABALHO NA ÁREA ELÉTRICA E DA CONSTRUÇÃO CIVIL?
RESPOSTA
Identificar a situação de saúde dos trabalhadores dessas áreas; planejar, executar e
avaliar as situações de riscos a que esses trabalhadores estão expostos; verificar a
ocorrência de anormalidades e irregularidades nos ambientes e processos de trabalho;
apurar as responsabilidades e recomendar as medidas necessárias para a prevenção
dos acidentes e promoção da saúde.
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A VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
A RENAST
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A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) compreende uma rede nacional de
informações e práticas de saúde, organizada com o propósito de implementar ações de assistência, de vigilância,
prevenção e de promoção da saúde relacionadas à saúde dos trabalhadores, e articulada entre o Ministério da
Saúde, as Secretarias de Saúde dos estados, o Distrito Federal e os municípios.
Com o objetivo de disseminar as ações de saúde do trabalhador, articuladas às demais redes do Sistema Único
de Saúde (SUS), a RENAST foi criada em 2002 e representou o fortalecimento da Política de Saúde do
Trabalhador no SUS. A RENAST integra a rede de serviços do SUS por meio de Centros de Referências em
Saúde do Trabalhador, e tem como objetivo elaborar protocolos, linhas de cuidados e instrumentos que
favoreçam a integralidade das ações envolvendo os serviços e municípios sentinelas. (Portaria GM nº
1.679/2002)
Ao longo dos anos, a ampliação e o fortalecimento da RENAST se deram de forma articulada entre o Ministério
da Saúde, as Secretarias de Saúde dos estados, o Distrito Federal e os municípios por meio da Portaria GM nº
2.728/2009, que atribui à rede a:
Adequação e ampliação da rede de centros de referência em saúde do trabalhador.
Inclusão das ações de saúde do trabalhador na atenção básica.
Implementação das ações de vigilância e promoção em saúde do trabalhador.
Instituição e indicação de serviços de saúde do trabalhador de retaguarda, de média e alta complexidade já
instalados.
Caracterização de municípios sentinelas em saúde do trabalhador.
ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE ACERCA DA RENAST:
Observe a seguir as funções do Ministério da Saúde na gestão da RENAST, de acordo com a Portaria GM nº
2.728/2009:
I - elaborar a Política Nacional de Saúde do Trabalhador para o SUS, aprovada pelo Conselho Nacional de
Saúde (CNS) e pactuada pela CIT (Comissão Intergestores Tripartite) ;
II - coordenar a RENAST com a participação das esferas estaduais e municipais de gestão do SUS;
III - elaboração de projetos de lei e normas técnicas pertinentes à área, com a participação de outros atores
sociais como entidades representativas dos trabalhadores, universidades e organizações não
governamentais;
IV - inserir as ações de Saúde do Trabalhador na Atenção Básica, Urgência/Emergência, Rede Hospitalar,
Vigilância Sanitária, Epidemiológica e Ambiental;
V - assessorar os Estados na realização de ações de alta complexidade, quando solicitados;
VI - definir acordos e cooperação técnica com instituições afins com a Saúde do Trabalhador para
capacitação e apoio à pesquisa na área;
VII - definir rede de laboratórios de análises químicas e toxicológicas como referências regionais ou
estaduais;
VIII - definir a Rede Sentinela e os Municípios Sentinelas em Saúde do Trabalhador no âmbito nacional;
IX - definir o financiamento federal para as ações de Saúde do Trabalhador, garantindo repasses regulares
fundo a fundo;
X - realizar estudos e pesquisas definidos a partir de critérios de prioridade, considerando a aplicação
estratégica dos recursos e conforme a demanda social;
XI - promover a articulação intersetorial com os Ministérios do Trabalho e Emprego, da Previdência Social,
do Meio Ambiente e outros, com vistas a fortalecer o modelo de atenção integral a saúde dos trabalhadores.
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AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR
Os trabalhadores sempre foram atendidos nos serviços do SUS, porém nem sempre suas demandas específicas
relacionadas ao trabalho eram observadas. A implantação da RENAST também teve como proposta a
qualificação desses atendimentos incorporando as ações de saúde do trabalhador.
O reconhecimento dessas ações é importante para que os encaminhamentos adequados sejam realizados.
Nessa perspectiva, as notificações de doenças, agravos e acidentes relacionados ao trabalho, fornecem dados
suficientes para o financiamento e implementação de ações de saúde dos trabalhadores nos estados e
municípios.
LEMBRANDO QUE A INDISSOCIABILIDADE DAS AÇÕES
ASSISTENCIAIS E DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE É UM DOS
PILARES DE SUSTENTAÇÃO DA SAÚDE DO TRABALHADOR.
Podemos elencar como ações de saúde do trabalhador:
A assistência aos agravos, a vigilância dos ambientes e das condições de trabalho (vigilância sanitária), da
situação de saúde dos trabalhadores (vigilância epidemiológica) e da situação ambiental (vigilância ambiental).
A produção, coleta, sistematização, análise e divulgação das informações de saúde, a produção de
conhecimento e as atividades educativas, todas elas desenvolvidas sob o controle da sociedade organizada.
A partir das ações assistenciais, são identificados os “casos” ou as situações de adoecimento relacionados ao
trabalho, que são notificados ao sistema de informação, desencadeando procedimentos de vigilância da saúde.
Procedimentos de promoção da saúde definidos e implementados no âmbito do sistema de saúde e fora dele
pelo setores de trabalho, previdência social, meio ambiente e outros setores de governo responsáveis pelas
políticas de desenvolvimento econômico e social.
O atendimento ao trabalhador, a investigação do trabalho como um fator determinante do processo saúde-
doença e o manejo das situações de risco no trabalho, incorporando o controle social, são possibilidades a
serem trabalhadas na Atenção Primária à Saúde. Aos serviços de urgência e emergências cabem os
atendimentos aos acidentados e às vítimas de agravos agudos relacionados ao trabalho, fazendo as devidas
notificações quando necessárias (RENAST, 2006).
VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é essencial para a solidificação do modelo de Atenção Integral à
Saúde do Trabalhador. É um dos componentes do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e visa à promoção
da saúde e à redução da morbimortalidade da população trabalhadora, por meio de ações de intervenção nos
agravos caso seus determinantes sejam decorrentes dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos, e
mantendo estreita integração com as demais Vigilâncias (Sanitária, Epidemiológica e Saúde Ambiental)
(DIRETRIZES, 2012).
Objetivos da Vigilância em Saúde do Trabalhador (DIRETRIZES, 2012):
A VISAT tem como objetivos:
Identificar o perfil de saúde da população trabalhadora, considerando a análise da situação de saúde.
A caracterização do território, perfil social, econômico e ambiental da população trabalhadora.
Intervir nos fatores determinantes dos riscos e agravos à saúde da população trabalhadora, visando eliminá-los
ou, na sua impossibilidade, atenuá-los e controlá-los.
Avaliar o impacto das medidas adotadas para a eliminação, o controle e a atenuação dos fatores determinantes
dos riscos e agravos à saúde para subsidiar a toma de decisões das instâncias do SUS.
Utilizar os diversos sistemas de informação para a VISAT.
Atribuições do Profissionais da Vigilância em Saúde do Trabalhador (BRASIL, 2012):
A equipe de profissionais da Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) deve ser multidisciplinar e suas
atribuições são:
1. Identificar e analisar a situação de saúde dos trabalhadores da área de abrangência;
2. Analisar dados, informações, registros e prontuários de trabalhadores nos serviços de saúde, respeitando
os códigos de ética dos profissionais de saúde;
3. Planejar, executar e avaliar sobre situações de risco à saúde dos trabalhadorese os ambientes e
processos de trabalho;
4. Realizar ações programadas de Vigilância em Saúde do Trabalhador, a partir de análises dos critérios de
priorização definidos;
5. Verificar a ocorrência de anormalidades, irregularidades e a procedência de denúncias de inadequação
dos ambientes e processos de trabalho, apurar responsabilidades e recomendar medidas necessárias para
promoção da saúde dos trabalhadores;
6. Efetuar inspeções sanitárias nos ambientes de trabalho, identificar e analisar os riscos existentes, bem
como propor as medidas de prevenção necessárias.
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Além do mais, devem mapear os riscos dos processos de produção, por meio da metodologia de árvores de
causas.
ATRIBUIÇÕES DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
(BRASIL, 2012):
Dentre as ações da VISAT, destacamos:
Realizar levantamentos, monitoramentos de risco à saúde dos trabalhadores e de populações expostas,
acompanhamento e registro de casos, inquéritos epidemiológicos e estudos da situação de saúde a partir dos
territórios;
Realizar apoio institucional e matricial às instâncias envolvidas no processo de Vigilância em Saúde do
Trabalhador no SUS;
Realizar inspeções sanitárias nos ambientes de trabalho, com objetivo de buscar a promoção e a proteção da
saúde dos trabalhadores;
Promover ações de formação continuada para os técnicos e trabalhadores envolvidos nas ações de Vigilância
em Saúde do Trabalhador.
PLANO DE AÇÃO DE SAÚDE DO TRABALHADOR
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O Plano de Ação Saúde do Trabalhador visa colocar em prática as determinações da Portaria GM/MS nº
2.437/2005, que regulamenta as atividades da RENAST. O plano tem como objetivo a definição das ações que
respondam às necessidades de saúde da população atendida, maximizando resultados e melhorando
constantemente a qualidade dos serviços prestados (RENAST, 2006).
O propósito de um planejamento é:
PERMITIR UM MELHOR APROVEITAMENTO DO TEMPO E DOS
RECURSOS, POSSIBILITANDO QUE ALCANCEMOS NOSSOS
OBJETIVOS MAIS FACILMENTE. QUANDO PRETENDEMOS
ALCANÇAR, COLETIVAMENTE, OBJETIVOS COMPLEXOS, É
IMPRESCINDÍVEL CONTAR COM UM MÉTODO DE
PLANEJAMENTO.
(RENAST, 2006, p. 31)
Um método de planejamento deve permitir o compartilhamento de ideias de todos os envolvidos e possibilitar a
compreensão das ferramentas adotadas. O planejamento deve expressar a identificação dos problemas, definir
as prioridades para a intervenção e as ações. Para que atinja seus objetivos, é preciso a elaboração de um plano
de ação. A seguir, veremos o passo a passo, composto por quatro momentos, para a elaboração de um plano de
ação em Saúde do Trabalhador, de acordo com a RENAST (2006).

1 - EXPLICANDO O PROBLEMA
Quem é o ator que planeja? Qual a missão da organização do ator que planeja? Qual problema será objeto da
intervenção? Como descrever o problema? Como explicar o problema?
Observação: a definição da missão estabelece os objetivos maiores que se pretende alcançar ou garantir.
2 - PROPONDO INTERVENÇÕES
Como selecionar os nós críticos? Como propor as intervenções? (1ª parte)
Observação: o nó crítico pode ser considerado como uma causa do problema que, quando atacada, é capaz de
resolver ou transformar o problema principal.


3 - CONSTRUINDO VIABILIDADE
Como identificar os recursos? Como viabilizar os recursos críticos?
4 – GERENCIANDO A INTERVENÇÃO
Como concluir a proposta de intervenção? (2ª parte) Como gerir a implantação do projeto?

O planejamento em Saúde do Trabalhador é um processo dinâmico que requer modificações sempre que houver
alterações ambientais e/ou organizacionais. Dessa forma, as estratégias precisam ser acompanhadas
continuamente.
A elaboração do plano ocorre nas Oficinas de Trabalho, que reúnem todos os atores sociais envolvidos com a
temática saúde do trabalhador, incluindo os gestores de órgãos públicos e representação dos movimentos
sociais e de usuários/trabalhadores.
O PLANO DEVE CONTER OBJETIVOS, METAS E PROJETOS QUE
CONSOLIDEM A MISSÃO INSTITUCIONAL VISANDO À MELHORIA
DA QUALIDADE DAS ATIVIDADES RELACIONADAS AO
ATENDIMENTO ÀS DEMANDAS DOS TRABALHADORES, ALÉM
DE INFORMAÇÕES DETALHADAS SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO
DAS MEDIDAS DE GERENCIAMENTO E CONTROLE DAS
INFORMAÇÕES, DOS CUSTOS, DA ORGANIZAÇÃO E GESTÃO
DE PESSOAL.
De acordo com a Portaria GM/MS nº 2.067/2004, o Plano de Ação Nacional em Saúde do Trabalhador deve
seguir as metas do Plano Nacional de Saúde, assim como as estratégias de gestão descentralizada pactuadas
entre as esferas de governo, devendo conter as diretrizes para:
I. organização de ações assistenciais em Saúde do Trabalhador, no âmbito da Atenção Básica, na rede de
Média e Alta Complexidade ambulatorial, pré-hospitalar e hospitalar;
II. estruturação de ações de vigilância em Saúde do Trabalhador, em conformidade com as disposições das
Portarias GM/MS nº 3.120/1998 e nº 1.172/2004;
III. sistematização das informações em Saúde do Trabalhador, conforme o disposto na Portaria GM/MS nº
777/2004 e os instrumentos de informação já existentes, tais como o SIAB, o SIA, o SIH e o cartão SUS;
IV. política de comunicação em Saúde do Trabalhador;
V. fiscalização, normatização e controle dos serviços de Saúde do Trabalhador ou de medicina do trabalho,
próprios ou contratados, das instituições e empresas públicas e privadas;
VI. estruturação e o cronograma de implantação da Rede de Serviços Sentinela em Saúde do Trabalhador;
VII. ampliação, modificação e adequação da rede de Centros de Referência em Saúde do Trabalhador;
VIII. educação permanente em Saúde do Trabalhador, segundo a Política de Formação e Desenvolvimento
de Trabalhadores para o SUS, definida pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do
Ministério da Saúde;
IX. promoção da Saúde do Trabalhador por meio da articulação intra e intergovernamental nas três esferas
de governo.
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A METODOLOGIA DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE DO
TRABALHADOR
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Para que se consiga atingir os objetivos da Vigilância em Saúde do Trabalhador, é necessário que se adotem
metodologias capazes de estabelecer um diagnóstico situacional, dentro do princípio da pesquisa-intervenção, e
de avaliar, de modo permanente, os seus resultados em prol das mudanças pretendidas. Observe os
componentes que compreendem alguns pressupostos metodológicos:
FASE PREPARATÓRIA
Nesta fase, a equipe busca conhecer, com o maior aprofundamento possível, o(s) processo(s), o ambiente e as
condições de trabalho do local onde será realizada a ação.
INTERVENÇÃO (INSPEÇÃO/FISCALIZAÇÃO SANITÁRIA)
A intervenção, realizada em conjunto com os representantes dos trabalhadores de outras instituições, e sob a
responsabilidade administrativa da equipe da Secretaria Estadual e/ou Municipal de Saúde, deverá considerar,
na inspeção sanitária em saúde do trabalhador, a observância a normas e legislações que regulamentam a
relação entre o trabalho e a saúde, de qualquer origem, especialmente na esfera da saúde, do trabalho, da
previdência, do meio ambiente e das internacionais ratificadas pelo Brasil.
ANÁLISE DOS PROCESSOS
Uma forma importante de considerar a capacidade potencial de adoecer no processo, no ambiente e em
decorrência de condições em que o trabalho se realiza é utilizar instrumentos que inventariem o processo
produtivo e a sua forma de organização.
INQUÉRITOS
No mesmo tempo da intervenção, é possível organizar inquéritos por meio da equipe interdisciplinar e de
representantes sindicais e/ou dos trabalhadores, aplicando questionários ao conjunto dos trabalhadores,
contemplando a sua percepção da relação entre trabalho e saúde, a morbidade referida (sinais e sintomas
objetivos e subjetivos), a vivência com o acidente e o quase acidente de trabalho (incidente crítico), consigo e
com os companheiros, e suas sugestões para a transformação do processo, do ambiente e das condições em
queo trabalho se realiza.
MAPEAMENTO DE RISCOS
Podem ser utilizadas algumas técnicas de mapeamento de riscos dos processos produtivos de forma
gradualmente mais complexa à medida que a intervenção se consolide e as mudanças ocorram — sempre com a
participação dos trabalhadores na sua elaboração. É importante mapear, além dos riscos tradicionalmente
reconhecidos, as chamadas cargas de trabalho e as formas de desgaste do trabalhador.
ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
Os estudos epidemiológicos clássicos, tais como os seccionais, de corte e caso controle, podem ser aplicados
sempre que se identificar sua necessidade, igualmente com a concorrência, na equipe interdisciplinar, de
técnicos das universidades e centros de pesquisa, como assessores da equipe.
ACOMPANHAMENTO DO PROCESSO
A intervenção implica na confecção de um relatório detalhado que incorpore o conjunto de informações coletadas
elaborado pela equipe e seja feito com a participação dos trabalhadores, de modo a servir como parâmetro de
avaliações futuras.
INFORMAÇÕES BÁSICAS
É importante acessar as informações de interesse para as ações em Saúde do Trabalhador, não só sobre a
avaliação do perfil de morbimortalidade da população em geral, mas também o dimensionamento da população
trabalhadora exposta a riscos. São informações que permitem a análise e a intervenção sobre seus
determinantes. Algumas informações podem ser adquiridas por intermédio do Sistema de Informações sobre
Mortalidade (SIM), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Previdência Social, entre outros.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. UM DOS OBJETIVOS DA RENAST É PROPORCIONAR A IMPLANTAÇÃO DAS AÇÕES
DE SAÚDE DO TRABALHADOR NOS SERVIÇOS DE SAÚDE DO SISTEMA ÚNICO DE
SAÚDE (SUS). DENTRE AS AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR QUE PODEM SER
REALIZADAS NO SUS, TEMOS:
A) a assistência aos agravos, a vigilância dos ambientes e condições de trabalho, da situação de saúde dos
trabalhadores e da situação ambiental.
B) a notificação das diversas formas de violência contra mulheres, crianças e idosos.
C) a prestação de assistência de emergência às vítimas de acidentes de trânsito e notificação dos acidentes,
mesmo que não sejam relacionados aos acidentes de trabalho.
D) a elaboração a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Política Nacional de Saúde do Homem.
E) a elaboração de planos de ação para a proteção do trabalho adolescente e da pessoa idosa e estimular o
trabalho infantil.
2. EM UM DOS ENCONTROS DAS OFICINAS DE TRABALHO EM SAÚDE DO
TRABALHADOR, AS EQUIPES RECEBERAM UMA MISSÃO PARA ELABORAR UM
PLANO EM SAÚDE DO TRABALHADOR PARA DETERMINADO MUNICÍPIO.
ENTENDENDO QUE EXISTEM ALGUNS PASSOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO
DO PLANO, MARQUE A ALTERATIVA QUE APRESENTA A SEQUÊNCIA CORRETA A
ELABORAÇÃO DELE:
A) Explicando o problema, propondo intervenções, gerenciando a intervenção e construindo viabilidade.
B) Gerenciando a intervenção, explicando o problema, construindo viabilidade, propondo intervenções.
C) Explicando o problema, propondo intervenções, construindo viabilidade, gerenciando a intervenção.
D) Construindo viabilidade, propondo intervenção, gerenciando intervenção, explicando o problema.
E) Explicando o problema, resolvendo o problema, propondo intervenção e avaliando as ações.
GABARITO
1. Um dos objetivos da RENAST é proporcionar a implantação das ações de saúde do trabalhador nos
serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Dentre as ações de saúde do trabalhador que
podem ser realizadas no SUS, temos:
A alternativa "A " está correta.
As ações de saúde do trabalhador devem ser desenvolvidas em todas as esferas de atendimento da rede SUS,
desde ações mais diretas aos trabalhadores, como nas consultas, até de forma indireta, mas extremamente
importante, como as ações de vigilância em saúde e as notificações das doenças e agravos específicos.
Também faz parte das ações de saúde do trabalhador a elaboração de manuais e protocolos de atendimento aos
trabalhadores, assim como a capacitação das equipes para isso.
2. Em um dos encontros das Oficinas de Trabalho em Saúde do Trabalhador, as equipes receberam uma
missão para elaborar um plano em Saúde do Trabalhador para determinado município. Entendendo que
existem alguns passos importantes para a elaboração do plano, marque a alterativa que apresenta a
sequência correta a elaboração dele:
A alternativa "C " está correta.
Seguir a sequência dos elementos que compõem um plano em saúde do trabalhador é essencial para que as
ações sejam colocadas em prática sem equívocos. Neste caso, a sequência correta para a elaboração do plano
é explicando o problema, propondo intervenções, construindo viabilidade, gerenciando a intervenção.
MÓDULO 2
 Identificar as ações do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST)
LIGANDO OS PONTOS
Os CEREST devem identificar quais são os riscos e agravos à saúde do trabalhador em sua região de atuação
em conjunto com os serviços de atenção básica, urgências e emergências, de média e alta complexidades e, a
partir daí, atuar na rede de saúde priorizando suas intervenções aos grupos mais vulneráveis.
Os CEREST devem agir principalmente naqueles ambientes de trabalho que estão longe da atuação do MTE, e
em situações em que os trabalhadores não estão protegidos por NR, como autônomos, trabalhadores de
microempresas, agricultura familiar etc.
O CASO
O CEREST Regional de Cacoal, visando prevenir possíveis acidentes nos frigoríficos dos municípios que
compõe sua regionalização, em parceria com AGEVISA (PVH), CEREST Estadual (PVH) e SESAU, realizou a
operação de inspeção e análise dos frigoríficos quanto à utilização de amônia. A presente operação de inspeção
e orientação já vem sendo desenvolvida pelo CEREST, conforme plano de ação anual, porém a presente
inspeção em todas as unidades frigoríficas foi desencadeada após um acidente ocorrido em uma unidade que
compõe a regionalização do CEREST CACOAL.
Sabendo que a possível intoxicação por amônia pode ser extremamente grave ao trabalhador, a equipe do
CEREST Cacoal, ao tomar conhecimento do acidente de amônia, em parceria MPT, realizou a inspeção e
acompanhou o caso na Unidade Frigorífica, bem como as condições de saúde dos trabalhadores que foram
expostos e sofreram sintomas de intoxicação na ocasião do sinistro, os quais foram encaminhados à unidade
hospitalar do município de Cacoal. De acordo com a literatura médica, os contaminados podem apresentar os
seguintes sintomas: irritação nos olhos, na garganta e no trato respiratório/sufocante.
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Dependendo do tempo e nível de exposição, podem ocorrer efeitos que vão de suaves irritações a severas
lesões no corpo, devido à sua ação cáustica alcalina. Exposições a altas concentrações, a partir de 2500ppm,
por um período de trinta minutos podem ser fatais. As manifestações clínicas incluem: diminuição da ingestão de
alimentos; letargia; taquipneia; hipotermia; vômitos; ataxia; convulsões; hepatomegalia e coma. Uma possível
complicação deste distúrbio é a ocorrência de encefalopatia hepática, podendo levar à morte. (Blog do CEREST
Regional de Cacoal, 20/06/2021)
1. EM FRIGORÍFICOS, É POSSÍVEL QUE TRABALHADORES ADOEÇAM DEVIDO À
EXPOSIÇÃO SEM PROTEÇÃO AO AGENTE QUÍMICO E, POR OUTRO LADO, APESAR
DA PROTEÇÃO, É POSSÍVEL UMA EXPOSIÇÃO AO AGENTE DEVIDO AOS ACIDENTES.
EM SE TRATANDO DE AMÔNIA, QUAIS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL
DEVEM SER FORNECIDOS AOS TRABALHADORES?
A) Boné, calça comprida, chinelo, luvas, óculos de proteção.
B) Máscara, óculos de proteção, botas, luvas, uniforme adequado.
C) Óculos de proteção, máscaras, blusas de manga comprida, bermuda, botas.
D) Uniforme adequado, óculos de proteção, máscara, chinelo.
E) Blusa de manga comprida, óculos de proteção, chapéu, luvas de silicone.
2. O CASE RELATA UM ACIDENTE DE TRABALHO EM FRIGORÍFICO. NESSE CASO,
QUAL A ATUAÇÃO DA EQUIPE SESMT NA ASSISTÊNCIA AOS ACIDENTADOS?
A) Prestar os primeiros atendimentos, avaliando a gravidade do acidentee acionando a equipe de atendimento
móvel de urgência do município.
B) Prestar os primeiros socorros e liberar o trabalhador para voltar para casa.
C) Prestar os primeiros atendimentos e orientar que eles voltem imediatamente ao trabalho.
D) Não prestar atendimento e acionar o setor de RH para o preenchimento da comunicação de acidente de
trabalho.
E) Não prestar nenhum atendimento e exigir que os acidentados retornem ao trabalho.
GABARITO
1. Em frigoríficos, é possível que trabalhadores adoeçam devido à exposição sem proteção ao agente
químico e, por outro lado, apesar da proteção, é possível uma exposição ao agente devido aos acidentes.
Em se tratando de amônia, quais equipamentos de proteção individual devem ser fornecidos aos
trabalhadores?
A alternativa "B " está correta.
Em um frigorífico, os equipamentos de proteção individual visam não só à proteção com relação a possíveis
exposições a produtos químicos, mas também à proteção com relação à baixa temperatura. Dessa forma, o
trabalhador precisa receber para sua proteção: máscara adequada, o uniforme adequado, geralmente o
macacão, botas, luvas óculos de proteção.
2. O case relata um acidente de trabalho em frigorífico. Nesse caso, qual a atuação da equipe SESMT na
assistência aos acidentados?
A alternativa "A " está correta.
A equipe de SESMT deve prestar os primeiros atendimentos, dentro da sua possibilidade e conforme a gravidade
dos acidentes. Em acidentes graves, as equipes dos Serviços de Atendimento Móvel devem ser acionadas.
3. VISANDO À PREVENÇÃO DE OUTROS ACIDENTES E EM
OUTROS FRIGORÍFICOS, PONTUE AS AÇÕES RELACIONADAS
ÀS NORMAS SEGURANÇA QUE A EQUIPE CEREST PODE
REFORÇAR COM AS EQUIPES DOS SESMT:
RESPOSTA
Inspeção dos ambientes de trabalho; orientações sobre a importância de as empresas
seguirem as normas de segurança; orientações aos trabalhadores sobre a importância
de obedecerem às normas de segurança; elaboração de planos de ação para
prevenção de novos acidentes, baseados no PPRA: antecipação, reconhecimento,
avaliação e controle. Utilização de outras ferramentas, como 5W2H.
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OS CEREST´S E A ATENÇÃO BÁSICA
OS CEREST
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Criados a partir da Portaria Ministerial nº 1.679/2002, os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador
(CEREST) são unidades regionais especializadas no atendimento aos trabalhadores. São vinculados à Rede
Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) e coordenados pela Coordenação Geral de
Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde.
AS AÇÕES DOS CEREST ESTÃO ESTRUTURADAS COM OS
DEMAIS SERVIÇOS DA REDE DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
(SUS) E OUTROS SETORES GOVERNAMENTAIS QUE POSSUEM
ESFERAS COMPARTILHADAS COM A SAÚDE DO
TRABALHADOR.
Os CEREST também têm por função a retaguarda técnica para o SUS nas ações de prevenção, promoção,
diagnóstico, tratamento, reabilitação e vigilância em saúde dos trabalhadores urbanos e rurais,
independentemente do tipo de inserção no mercado do trabalho, e a elaboração do Plano de Saúde do
Trabalhador (Portaria GM nº 2.728/2009).
ATUAÇÃO DOS CENTROS DE REFERÊNCIA EM SAÚDE DO
TRABALHADOR (PORTARIA GM/MS Nº 1.823/2012).
São atribuições do CEREST:
I. Desempenhar as funções de suporte técnico, de educação permanente, de coordenação de projetos de
promoção, vigilância e assistência à saúde dos trabalhadores, no âmbito da sua área de abrangência.
II. Dar apoio matricial para o desenvolvimento das ações de saúde do trabalhador na atenção primária em saúde,
nos serviços especializados e de urgência e emergência, bem como na promoção de vigilância nos diversos
pontos de atenção da Rede de Atenção à Saúde.
III. Atuar como centro articulador e organizador das ações intra e intersetoriais de saúde do trabalhador,
assumindo a retaguarda técnica especializada para o conjunto de ações e serviços da rede SUS e se tornando
polo irradiador de ações experiência de vigilância em saúde, de caráter sanitário e de base epidemiológica.
Na esfera assistencial, os CEREST atuam com o propósito de contribuir para o diagnóstico, confirmação da
relação causal entre um dano, doença ou acidente e o trabalho, além de tratamentos, reabilitação e
encaminhamentos dos casos de maior complexidade para as unidades especialistas da rede SUS.
TODOS OS TRABALHADORES E ESTAGIÁRIOS PODEM SER
ATENDIDOS PELOS CEREST DESDE QUE APRESENTEM
DEMANDAS RELACIONADAS AO TRABALHO.
DESEMPREGADOS E APOSENTADOS TAMBÉM PODEM SER
ATENDIDOS CONTANTO QUE HAJA SUSPEITA DE
ADOECIMENTO RELACIONADO A OCUPAÇÕES ANTERIORES À
DEMISSÃO.
De acordo com a Portaria nº 1.679/2002, em cada estado serão organizados dois tipos de CEREST, os
Regionais e os Estaduais e cabe a eles apoiar a organização e a estruturação da assistência de média e alta
complexidade, para dar atenção aos acidentes de trabalho e aos agravos contidos na Lista de Doenças
Relacionadas ao Trabalho, como listamos a seguir:
1. Acidente de trabalho fatal;
2. Acidentes de trabalho com mutilações;
3. Acidente com exposição a material biológico;
4. Acidentes do trabalho com crianças e adolescentes;
5. Dermatoses ocupacionais;
6. Intoxicações exógenas, por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados;
7. Lesões por esforços repetitivos (LER), distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT);
8. Pneumoconioses;
9. Perda auditiva induzida por ruído (PAIR);
10. Transtornos mentais relacionados ao trabalho;
11. Câncer relacionado ao trabalho.
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CEREST estaduais
Os CEREST estaduais deverão dispor de bases de dados disponíveis e atualizadas, no mínimo com os
seguintes componentes para sua respectiva área de abrangência:
Mapa de riscos no trabalho;
Mapa de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho;
Indicadores sociais econômicos de desenvolvimento, força de trabalho e IDH;
Informações sobre benefícios pagos pela previdência social e outros órgãos securitários; capacidade
instalada do sus;
Estrutura regional e funcionamento do INSS e da delegacia regional do trabalho;
Estruturar o observatório estadual de Saúde do Trabalhador.
Também deverão promover programas de formação, especialização e qualificação de recursos humanos na área
da saúde do trabalhador, além de fornecer suporte técnico para práticas assistenciais interdisciplinares em saúde
do trabalhador e promover eventos técnicos e elaboração de manuais e protocolos clínicos (Portaria nº
2.437/2005).
CEREST regionais
Os CEREST regionais deverão:
Facilitar o desenvolvimento de estágios, trabalho e pesquisa com as universidades locais, as escolas, os
sindicatos, entre outros;
Contribuir nos projetos das demais assessorias técnicas municipais;
Fomentar as relações interinstitucionais;
Articular a vigilância em saúde do trabalhador com ações de promoção como proposta de municípios
saudáveis;
Prover subsídios para o fortalecimento do controle social na região e nos municípios do seu território de
abrangência;
Participar do polo regional de educação permanente de forma a propor e pactuar as capacitações em saúde
do trabalhador consideradas prioritárias;
Estimular, prover subsídios e participar da pactuação da Rede de Serviços Sentinela em Saúde do
Trabalhador na região de sua abrangência.
Os CEREST regionais são referência técnica para as investigações de maior complexidade, e quando necessário
atuam em conjunto com os CEREST estaduais, assim como os setores no âmbito municipal, estadual e federal
(Portaria nº 1.679/2002).
 ATENÇÃO
Os CEREST regionais e estaduais deverão atuar de forma integrada, de modo a constituir um sistema em rede
nacional.
PROFISSIONAIS QUE COMPÕEM AS EQUIPES DOS CEREST
As equipes devem prover o apoio matricial e institucional para o desenvolvimento e incorporação das ações de
saúde do trabalhador no SUS. As equipes são compostas por:
PROFISSIONAIS DE NÍVEL MÉDIO
PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR
PROFISSIONAIS DE NÍVEL MÉDIO
Auxiliarou técnico de enfermagem, técnico de higiene e segurança do trabalho, auxiliar administrativo,
arquivistas, entre outros.
PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR
Médicos generalistas, médicos do trabalho, médicos especialistas, odontologistas, engenheiros, enfermeiros,
psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, sociólogos, ecólogos, biólogos, terapeutas
ocupacionais, advogados, relações públicas, educadores, comunicadores, entre outros.
As equipes serão formadas de acordo com o perfil dos atendimentos realizados nos CEREST, e assim, é
possível que as equipes não sejam iguais nas regiões. Porém, para a composição delas, devem obedecer ao
que determina a legislação, com no mínimo auxiliares/técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos.
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 ATENÇÃO
Apesar das ações para o suprimento das necessidades dos trabalhadores, os CEREST não realizam exames
admissionais, periódicos, de mudança de função e demissionais, uma vez que não podem assumir as atribuições
dos Serviços Especializados de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT). Além do mais, não há atendimento
para situações de alta complexidade, emissão de atestado de saúde física ou mental e/ou avaliação de
processos de insalubridade ou periculosidade nas empresas.
Aos trabalhadores, os atendimentos nos CEREST acontecerão após encaminhamento médico, sejam de
serviços públicos de saúde, serviços privados, ou por médicos do trabalho.
Para os demais serviços, como visitais locais e visitas em conjunto com as equipes de Vigilâncias
Epidemiológica, Sanitária, Ambiental ou em Saúde do Trabalhador, as instituições deverão acionar o CEREST
referência para a região.
REDE DE SERVIÇOS SENTINELA EM SAÚDE DO TRABALHADOR
“Sentinela” é o temos utilizado para designar serviços assistenciais de saúde de retaguarda de média e alta
complexidade já instalados e qualificados, para garantir a geração de informação para viabilizar a vigilância em
saúde. Assim, esse serviço é responsável pelo diagnóstico, tratamento e notificação que proporcionarão
subsídios para ações em saúde do trabalhador (RENAST, 2006).
A Rede de Serviços Sentinela em Saúde do Trabalhador deverá atender todo o território nacional e os Municípios
Sentinelas serão definidos a partir de dados e indicadores oficiais disponíveis nos CEREST. Aos Municípios
Sentinelas, cabe:
Inserir as ações de Saúde do Trabalhador no SUS na Atenção Básica, na média e na alta complexidade.
Executar ações de vigilância em Saúde do Trabalhador integradas às de vigilância epidemiológica, sanitária e
ambiental;
Fortalecer o Controle Social;
Implantar uma Política de Saúde do Trabalhador voltada para a realidade do município e da região, em parceria
com o estado.
Desenvolver políticas de promoção da saúde e de desenvolvimento sustentável, de forma a garantir o acesso do
trabalhador às ações integradas de vigilância e de assistência, em todos os níveis de atenção do SUS.
Essas atribuições têm como finalidade reduzir o impacto dos processos produtivos nocivos à Saúde dos
Trabalhadores e da população geral.
AS ATIVIDADES E OS NÍVEIS DE COMPLEXIDADE
Como estamos falando de redes que, articuladas ao SUS viabilizam atendimentos especializados aos
trabalhadores, traremos agora algumas atividades que são realizadas dentro dos serviços, de acordo com o nível
de complexidade. São elas:
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Atenção primária em saúde
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Rede de urgência e emergência
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Serviço de especialidade
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Notificação compulsória
A atenção primária em saúde, em articulação com as áreas técnicas em saúde do trabalhador e centros de
referência em saúde do trabalhador, deve elaborar ações de promoção da saúde, prevenção de agravos, assim
como o diagnóstico, tratamento, a reabilitação e manutenção da saúde dos trabalhadores no âmbito individual e
coletivo.
 SAIBA MAIS
A Portaria GM/MS nº 4.279/2010 conceitua a Rede de Atenção à Saúde (RAS) e estabelece diretrizes para sua
organização, no âmbito do Sistema Único de Saúde.
A rede de atenção à saúde (RAS) é composta por “arranjos organizativos de ações e serviços de saúde de
diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão,
buscam garantir a integralidade do cuidado”. Os CEREST fazem parte da RAS como um de seus arranjos, ou
seja, integram a rede de serviços do SUS voltados à promoção, à vigilância e à assistência, para o
desenvolvimento das ações de Saúde do Trabalhador.
Os CEREST devem funcionar sob a coordenação da Atenção Primária à Saúde (APS). A atenção integral à
saúde do usuário trabalhador deve se iniciar e ser garantida a partir da atenção primária, enquanto coordenadora
do cuidado dentro da RAS.
A integralidade na atenção à saúde dos usuários trabalhadores envolve a integração da Vigilância em Saúde do
Trabalhador (VISAT), com a APS. Para isso, é necessário:
A inserção das ações do VISAT na prática das equipes de saúde da família.
O planejamento e programação integrados das ações individuais e coletivas.
O monitoramento e avaliação integrada.
A educação permanente dos profissionais de saúde.
A rede de urgência e emergência é a responsável pelos atendimentos de casos de acidentes de trabalho graves
e fatais, incluindo as intoxicações exógenas. É importante que seja feita a notificação dos atendimentos, pois
com essas informações atualizadas, poderá ser elaborada uma série de medidas preventivas relacionadas à
saúde dos trabalhadores.
A rede de serviços de especialidades é importante para a manutenção da integralidade das ações. Esse serviço
é destinado ao atendimento das situações de saúde que não podem ser tratadas na atenção primária.
FICHA INDIVIDUAL DE NOTIFICAÇÃO (FIN)
É um registro de um agravo à saúde feito por meio da Ficha de Notificação. Tem como objetivo comunicar a
ocorrência de casos de doenças que constam na lista de agravos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
 ATENÇÃO
A notificação é obrigatória a todos os profissionais de saúde, bem como aos responsáveis por organizações e
estabelecimentos públicos e particulares de saúde e de ensino, e visa à adoção de medidas de controle
pertinentes. Podem ser feitas pela vigilância epidemiológica dos distritos sanitários.
Atualmente, as seguintes notificações são compulsórias:
1 - Câncer relacionado ao trabalho;
2 - Dermatoses ocupacionais;
3 - Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT);
4 - Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) relacionada ao trabalho;
5 - Pneumoconioses relacionadas ao trabalho;
6 - Transtornos mentais relacionados ao trabalho.
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É IMPORTANTE DESTACAR QUE, DEVIDO À ESCASSEZ DAS
INFORMAÇÕES SOBRE A REAL SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS
TRABALHADORES, FICA INVIABILIZADA A CRIAÇÃO DE
POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS PARA COMBATER OS AGRAVOS
RELACIONADOS À SAÚDE. POR ISSO, É IMPORTANTE QUE AS
INFORMAÇÕES SOBRE A NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA SEJAM
SEMPRE PRIORIZADAS EM TODOS OS CURSOS DA ÁREA DA
SAÚDE E GESTÃO DA SAÚDE.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. CONSIDERANDO QUE OS CEREST ATUAM COMO SUPORTE ÀS INSTITUIÇÕES,
ALÉM DE UM CENTRO ARTICULADOR DAS AÇÕES INTERSETORIAIS DE SAÚDE E
QUE TAMBÉM PRESTAM ATENDIMENTO AOS TRABALHADORES NAS UNIDADES
AMBULATORIAIS, MARQUE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE ÀS AÇÕES DOS
CEREST NO ATENDIMENTO DIRETO AOS TRABALHADORES:
A) Os CEREST deverão dispor informações sobre benefícios pagos pela Previdência Social e outros órgãos
securitários.
B) Cabe aos CEREST prover subsídios e participar da pactuação da Rede de Serviços Sentinela em Saúde do
Trabalhador na região de sua abrangência.
C) Os profissionais dos CEREST também atuam com o propósito de contribuir para o diagnóstico, confirmação
da relação causal entre um dano, doença ou acidente e o trabalho, além de tratamentos que prescrevem aos
trabalhadores atendidosnas unidades.
D) CEREST estaduais deverão dispor de bases de dados disponíveis e atualizados, no mínimo, com os
seguintes componentes para sua respectiva área de abrangência: mapa de riscos no trabalho, mapa de
acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
E) As equipes dos CEREST também atuam em visitas técnicas em conjunto com as Equipes de Vigilância em
Saúde.
2. PARA A GARANTIA DA INTEGRALIDADE DAS AÇÕES DE SAÚDE DO TRABALHADOR
NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE, A REDE NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE
DO TRABALHADOR CONTA COM A ATUAÇÃO DOS CEREST E A ATUAÇÃO DE UM
SERVIÇO RESPONSÁVEL PELA NOTIFICAÇÃO DE DOENÇAS E AGRAVOS QUE DARÃO
SUBSÍDIOS AOS MUNICÍPIOS E ESTADOS NA ELABORAÇÃO DE AÇÕES EM SAÚDE
DO TRABALHADOR. ESSE SERVIÇO É CONHECIDO COMO:
A) Rede de Serviços Integrais à Saúde do Trabalhador.
B) Política Nacional de Saúde do Trabalhador Idoso.
C) Rede de Assistência ao Trabalhador no SUS.
D) Política Brasileira de Segurança em Saúde do Trabalhador.
E) Rede de Serviços Sentinela em Saúde do Trabalhador.
GABARITO
1. Considerando que os CEREST atuam como suporte às instituições, além de um centro articulador das
ações intersetoriais de saúde e que também prestam atendimento aos trabalhadores nas unidades
ambulatoriais, marque a alternativa que corresponde às ações dos CEREST no atendimento direto aos
trabalhadores:
A alternativa "C " está correta.
Os médicos que compõem as equipes CEREST assistem os trabalhadores de acordo com suas demandas,
podendo diagnosticar uma doença ou agravo, relacionando ao trabalho, assim como prescrever os devidos
tratamentos, e se for necessário, encaminhar para tratamento em outros serviços da rede SUS, de maior
complexidade. As demais alternativas estão relacionadas às atividades técnico-administrativas desenvolvidas
pelos CEREST.
2. Para a garantia da integralidade das ações de saúde do trabalhador no Sistema Único de Saúde, a
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador conta com a atuação dos CEREST e a atuação
de um serviço responsável pela notificação de doenças e agravos que darão subsídios aos municípios e
estados na elaboração de ações em saúde do trabalhador. Esse serviço é conhecido como:
A alternativa "E " está correta.
A Rede de Serviços Sentinela em Saúde do Trabalhador tem como competência a geração de informação que
possam viabilizar a vigilância em saúde, sendo assim um serviço responsável pelo diagnóstico, tratamento e
notificação de doenças e agravos que proporcionarão subsídios para ações em saúde do trabalhador.
MÓDULO 3
 Identificar as ações do Emprego e Trabalho Decente
LIGANDO OS PONTOS
A política nacional de trabalho em emprego decente pode causar impacto na saúde e segurança dos
trabalhadores. Embora o foco seja a qualidade de vida, o salário decente, o emprego seguro e boas condições
de vida diminuem a exposição dos trabalhadores a situações insalubres, inclusive a situações análogas à
escravidão.
O CASO
Em 2018, a renda feminina média (R$1.399,00) representa somente 86,7% da renda média masculina
(R$1.614,00), revelando que a luta das mulheres por igualdade salarial ainda está longe de seu final.
A força de trabalho feminina representa em média 40% da População Economicamente Ativa Brasileira (IBGE,
PNAD), na qual muitas mulheres inseridas buscam garantir seu espaço. No entanto, a estrutura das relações
sociais no mundo do trabalho que, há tempos, submete as mulheres ao trabalho doméstico e às limitações na
participação da esfera pública, reforçam uma divisão sexual do trabalho relacionada aos papéis desempenhados
por gênero e que são refletidas no cotidiano nacional.
Foto: Shutterstock.com
A desvalorização da força de trabalho feminina se apresenta na forma de salários mais baixos, postos de
trabalho precários, dupla jornada com trabalho doméstico não remunerado e invisibilizado, assim como na
ausência de proteções sociais efetivas que possibilitassem condições mais favoráveis para a participação das
mulheres no mercado.
Essa desvantagem percebida por elas no mercado de trabalho tende a piorar no caso das mulheres com filhos
pequenos, que, muitas vezes, precisam se submeter às péssimas condições de trabalho para não ficarem
desempregadas, pois as oportunidades se restringem diante da condição de trabalhadora e mãe, o que pode
levá-las à informalidade. (Observatório Paraense do Mercado de Trabalho, Junho de 2019)
1. A AGENDA NACIONAL DE EMPREGO E TRABALHO DECENTE (ANETD) FOI
ELABORADA PARA ATENDER A ACORDOS INTERNACIONAIS SOBRE EMPEGO E
TRABALHO DECENTE. DE ACORDO COM O CASO CITADO, QUAL DAS PRIORIDADES
DA ANETD NÃO FOI ATENDIDA?
A) Liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva.
B) Geração de mais e melhores empregos, com igualdade de oportunidades e de tratamento.
C) Fortalecer os atores tripartites e o diálogo social como um instrumento de governabilidade democrática.
D) Diálogo social: juventude, trabalho e educação com mais e melhor educação.
E) Erradicar o trabalho escravo e eliminar o trabalho infantil, em especial em suas piores formas.
2. A DESVALORIZAÇÃO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO AINDA É UMA
SITUAÇÃO A SER SUPERADA. MUITAS SÃO AQUELAS QUE SE SUBMETEM A
ALGUMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO POR MEDO DE PERDER O EMPREGO E NÃO
TER COMO SE SUSTENTAR E/OU SUSTENTAR A FAMÍLIA. MARQUE A ALTERNATIVA
QUE APRESENTA SITUAÇÕES PRECÁRIAS RELACIONADAS AO TRABALHO DA
MULHER:
A) Baixos salários, dupla ou tripla jornada de trabalho, ambientes de trabalho insalubres.
B) Ambientes de trabalho seguros, salário compatível com o dos homens no mesmo cargo, dupla jornada de
trabalho.
C) Tripla jornada de trabalho, altos salários e creches nos ambientes de trabalho.
D) Proteção social, ótima remuneração, jornada única de trabalho.
E) Ambientes de trabalho precários, salário compatível com o cargo, única jornada de trabalho, proteção social.
GABARITO
1. A Agenda Nacional de Emprego e Trabalho Decente (ANETD) foi elaborada para atender a acordos
internacionais sobre Empego e Trabalho Decente. De acordo com o caso citado, qual das prioridades da
ANETD não foi atendida?
A alternativa "B " está correta.
A prioridade que não foi considerada no caso citado foi a geração de mais e melhores empregos, com igualdade
de oportunidade e de tratamento. Essa prioridade está relacionada à promoção da igualdade de oportunidades
para todos e de tratamento e combate à discriminação. No caso, a discriminação contra as mulheres.
2. A desvalorização da mulher no mercado de trabalho ainda é uma situação a ser superada. Muitas são
aquelas que se submetem a algumas condições de trabalho por medo de perder o emprego e não ter
como se sustentar e/ou sustentar a família. Marque a alternativa que apresenta situações precárias
relacionadas ao trabalho da mulher:
A alternativa "A " está correta.
Muitas mulheres ainda são desvalorizadas no mercado de trabalho. Muitas são aquelas que sustentam a família
e para tal têm até tripla jornada de trabalho, contando com a jornada doméstica. Com relação ao salário, ainda
existem mulheres que exercem mesmo cargo que os homens, porém são menos remuneradas, além de os
ambientes de trabalho serem precários.
3. EM SE TRATANDO DE UM PLANO NACIONAL DO EMPREGO E
TRABALHO DECENTE, DESTAQUE QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS
PROPOSTAS PARA MINIMIZAR A DISCRIMINAÇÃO E
SEGREGAÇÃO CONTRA AS MULHERES NO MERCADO DE
TRABALHO:
RESPOSTA
Valorização do trabalho feminino, entendendo que direitos iguais não significa que a
mulher precisa fazer todos os trabalhos que os homens fazem. A valorização salarial.
Trabalhos flexíveis, entendendo que muitas mulheres são mães e nem sempre tem
quem as ajude no cuidado às crianças.
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O QUE É TRABALHO DECENTE?
NOÇÕES DE TRABALHO DECENTE
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De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho decente é condição fundamental para
a superação da pobreza, a redução das desigualdades sociais, a garantia da governabilidade democráticae o
desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2010).
Trata-se de um conceito multidimensional com a missão de promover oportunidades de trabalho decente em
condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade. De acordo com a OIT, a noção de trabalho decente se
estrutura em quatro pilares estratégicos:
Respeito às normas internacionais do trabalho, em especial aos princípios e direitos fundamentais do
trabalho.
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Promoção do emprego de qualidade.
Extensão da proteção social.
Diálogo social.
PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO
TRABALHO
Liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; eliminação de todas as
formas de trabalho forçado; abolição efetiva do trabalho infantil; eliminação de todas as formas de
discriminação em matéria de emprego e ocupação.
Para a implementação dos pilares, a OIT criou a Agenda de Trabalho Decente com os seguintes objetivos:
Definir e promover normas e princípios e direitos fundamentais no trabalho;
Criar maiores oportunidades de emprego e renda decentes para a população;
Melhorar a cobertura e a eficácia da proteção social para todos.
Países membros que ratificaram a agenda criaram seus planos para atender as suas demandas. O Brasil, ao
assumir uma série de compromissos internacionais para a promoção do trabalho decente, criou o Plano Nacional
de Emprego e Trabalho Decente, que visa:
FORTALECER A CAPACIDADE DO ESTADO BRASILEIRO PARA
AVANÇAR NO ENFRENTAMENTO DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS
ESTRUTURAIS DA SOCIEDADE E DO MERCADO DE TRABALHO,
ENTRE OS QUAIS SE DESTACAM: A POBREZA E A
DESIGUALDADE SOCIAL; O DESEMPREGO E A
INFORMALIDADE; A EXTENSÃO DA COBERTURA DA PROTEÇÃO
SOCIAL; A PARCELA DE TRABALHADORAS E TRABALHADORES
SUJEITOS A BAIXOS NÍVEIS DE RENDIMENTOS E
PRODUTIVIDADE; OS ELEVADOS ÍNDICES DE ROTATIVIDADE NO
EMPREGO; AS DESIGUALDADES DE GÊNERO E RAÇA/ETNIA;
AS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA E SAÚDE NOS LOCAIS DE
TRABALHO, SOBRETUDO NA ZONA RURAL.
(BRASIL, 2010, p. 8)
De acordo com a OIT, o trabalho decente está relacionado às aspirações das pessoas sobre a vida profissional.
Envolve oportunidades de trabalho produtivo e com rendimento justo, segurança nos ambientes laborais,
proteção social para as famílias e a igualdade de oportunidades e tratamento para todas as mulheres e homens.
Por meio do trabalho decente, também se reafirma a necessidade de abolirmos o trabalho infantil e as condições
degradantes de trabalho para adultos. Durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),
em 2015, o trabalho decente e os quatro pilares da Agenda do Trabalho Decente tornaram-se a Meta nº 8 da
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, por ser entendido que o desenvolvimento sustentável não
pode ser alcançado sem trabalho decente e vice-versa.
META Nº 8
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A Meta nº 8 diz respeito à promoção do crescimento econômico sustentável, emprego pleno e produtivo, e
trabalho decente para todos.
Em 2017, a OIT, por meio de uma das Conferências Gerais, publicou a Recomendação nº 205, sobre Emprego e
Trabalho Decente para a Paz e a Resiliência. Essa Recomendação fornece orientação aos membros sobre as
medidas a serem tomadas para gerar empregos e trabalho decente para fins de prevenção, recuperação, paz e
resiliência em relação a situações de crise decorrentes de conflitos e desastres.
AGENDA NACIONAL DE EMPREGO E TRABALHO DECENTE
A Agenda Nacional de Trabalho Decente expressa um compromisso entre o governo brasileiro e a OIT, com a
proposta de ser implementada em diálogo com as organizações de empregadores e de trabalhadores. O Brasil
lançou a agenda no ano de 2006, definindo três prioridades (BRASIL, 2006):
1ª PRIORIDADE
2ª PRIORIDADE
3ª PRIORIDADE
1ª PRIORIDADE
Geração de mais e melhores empregos, com igualdade de oportunidades e de tratamento.
Linhas de ação: Investimento Público e Privado, e Desenvolvimento Local e Empresarial para a Geração de
Emprego; Políticas Públicas de Emprego, Administração e Inspeção do Trabalho; Políticas de Salário e Renda;
Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Tratamento e Combate à Discriminação; Extensão da Proteção
Social; Condições de Trabalho.
2ª PRIORIDADE
Erradicar o trabalho escravo e eliminar o trabalho infantil, em especial em suas piores formas.
Linhas de ação: Desenvolvimento da Base de Conhecimento; Mobilização e Conscientização Social;
Fortalecimento Institucional de Políticas e Programas Nacionais; Estratégias de Intervenção.
3ª PRIORIDADE
Fortalecer os atores tripartites e o diálogo social como um instrumento de governabilidade democrática.
Linhas de ação: Promoção das Normas Internacionais; Fortalecimento dos Atores; Mecanismos de Diálogo
Social; Negociação Coletiva.
A partir da Agenda Nacional de Trabalho Decente, deveria ser elaborado um Programa Nacional de Trabalho
Decente que estabelecesse os resultados esperados e as estratégias, metas, prazos, produtos e indicadores de
avaliação. O Programa foi transformado no Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente.
AGENDA NACIONAL DE TRABALHO DECENTE PARA A
JUVENTUDE
Em 2009, o Comitê Interministerial da Agenda Nacional do Trabalho Decente criou o Subcomitê da Juventude
(ANTDJ), com o objetivo de elaborar uma agenda nacional de trabalho decente para os jovens.
O INTERESSE NA ELABORAÇÃO DE UMA AGENDA VOLTADA
PARA ESSE GRUPO DEU-SE A PARTIR DA CONSTATAÇÃO DE
QUE OS JOVENS EXPERIMENTAM UM CONJUNTO DE
PARTICULARIDADES E DIFICULDADES ESPECÍFICAS
ADICIONAIS EM RELAÇÃO AO TRABALHO, NO PROCESSO DE
TRANSIÇÃO ESCOLA-TRABALHO, E COM ESTE O DESAFIO DA
INSERÇÃO NO AMBIENTE LABORAL.
Na época da construção, o foco da agenda eram os jovens de 15 a 29 anos que até então eram considerados na
faixa etária jovem no país, segundo a Emenda Constitucional nº 65/2010.
O processo de construção da ANTDJ partiu de um diagnóstico sobre a situação dos jovens no mercado de
trabalho nos diversos estados brasileiros, que destacou os seguintes aspectos (ABRAMO, 2015):
A juventude brasileira é uma juventude trabalhadora;
A juventude brasileira tem se esforçado para combinar trabalho e estudo;
A elevação da escolaridade e a melhoria da sua qualidade é um aspecto central para a construção de uma
trajetória de trabalho decente;
O desemprego e a informalidade não atingem apenas os jovens de baixa escolaridade e provenientes de
famílias de baixa renda;
Os jovens estão mais sujeitos ao desemprego e às condições precárias de trabalho que os adultos;
A situação juvenil está fortemente marcada pelas desigualdades de gênero e raça, sendo necessário
promover a conciliação entre o trabalho, o estudo e a vida familiar.
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Para a construção da agenda para a juventude, foram consideradas orientações do Plano Nacional de
Erradicação do Trabalho Infantil e de Proteção ao Adolescente Trabalhador. A ANTDJ está baseada em quatro
prioridades:
Mais e melhor educação.
Conciliação entre estudos, trabalho e vida familiar.
Inserção digna e ativa no mundo do trabalho, com igualdade de oportunidades e tratamento.
Diálogo social: juventude, trabalho e educação.
Após a implantação, alguns estudos foram feitos para a avaliação das ações voltadas pera as necessidades dos
jovens trabalhadores. Em alguns cenários houve avanços, em outros, pouca evolução.
No que se refere ao trabalho infantil, por meio de uma parceria com a OIT, criou-se o Programa de Prevenção e
Erradicação do Trabalho Infantil, organizado em cinco eixos (ABRAMO, 2015):
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Desenvolvimento de conhecimento sobre o problema;
Desenvolvimento da legislação;
Desenvolvimento da capacidade institucional para o cumprimento das normas;
Conscientização pública sobre os aspectos negativos do trabalho infantil;
Desenvolvimento de ações diretas de proteção às crianças e aos adolescentes.
PLANO NACIONAL DE EMPREGO E TRABALHO
DECENTE
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Após a Agenda Nacional de Trabalho Decente, o passo seguinte foi a elaboração do Plano Nacional de Emprego
e TrabalhoDecente (PNETD), que representa uma referência para a continuidade dos debates sobre as políticas
públicas de emprego e proteção social, além de contribuir para promoção do Emprego e Trabalho Decente, de
acordo com o compromisso assumido pelo Brasil com a OIT.
O PNETD tem como objetivo o fortalecimento da capacidade do Estado brasileiro para o enfrentamento dos
problemas estruturais da sociedade e do mercado de trabalho, tais como:
a pobreza e a desigualdade social;
o desemprego e a informalidade;
a extensão da cobertura da proteção social;
a parcela de trabalhadoras e trabalhadores sujeitos a baixos níveis de rendimentos e produtividade;
os elevados índices de rotatividade no emprego; as desigualdades de gênero e raça/etnia;
as condições de segurança e saúde nos locais de trabalho, sobretudo na zona rural.
As prioridades que sustentam o Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente correspondem àquelas
definidas na Agenda Nacional de Trabalho Decente. O Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente visa
PROVER O RESPALDO NECESSÁRIO AOS GOVERNANTES PARA
GARANTIR O CUMPRIMENTO DOS COMPROMISSOS DE
COMBATE À POBREZA E DE MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA
DA POPULAÇÃO, POR MEIO DA IMPLEMENTAÇÃO E
APRIMORAMENTO DAS POLÍTICAS, PROGRAMAS E AÇÕES
DESTINADOS A ESTES FINS.
(BRASIL, 2010, p. 18)
O Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente organiza as prioridades, os resultados esperados e as
estratégias, metas, prazos, produtos e indicadores de avaliação. E para que possa cumprir a finalidade, torna-se
importante o fortalecimento e iniciativas que estimulem as autoridades a promover o diálogo intersetorial entre os
diversos segmentos governamentais, bem como os não governamentais.
DOS EIXOS DO PNETD
O PNETD É O PLANO NACIONAL DE EMPREGO E DE TRABALHO
DECENTE, E ESTE ORGANIZA A CNETD QUE É A COMISSÃO
NACIONAL DE EMPREGO E TRABALHO DECENTE.
A primeira CNETD (2010) teve como tema “Gerar Emprego e Trabalho Decente para Combater a Pobreza e as
Desigualdades Sociais”, e eixos temáticos.
PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS NO TRABALHO
Igualdade de oportunidades e de tratamento, especialmente para jovens, mulheres e população negra,
negociação coletiva, saúde e segurança no trabalho, política de valorização do salário-mínimo.
PROTEÇÃO SOCIAL
Prevenção e erradicação do trabalho infantil, prevenção e erradicação do trabalho escravo e do tráfico de
pessoas, informalidade e migração para o trabalho.
FORTALECIMENTO DO TRIPARTISMO E DO DIÁLOGO SOCIAL
Sistema público de emprego, trabalho e renda, e educação profissional, cooperativas e empreendimentos de
economia solidária, emprego rural e agricultura familiar, empresas sustentáveis, empregos verdes e
desenvolvimento territorial sustentável.
TRABALHO E EMPREGO
Mecanismos e instâncias de diálogo social, em especial a negociação coletiva, conselhos nacionais de políticas
públicas, comissões tripartites de trabalho e emprego.
CONCEITOS DE TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO ANÁLOGO
À ESCRAVIDÃO
O trabalho escravo é uma das maiores chagas da humanidade desde o início dos tempos. Infelizmente, apesar
das leis e das ações de fiscalização, esta prática ainda persiste, ainda que se apresente em formatos diferentes
do passado.
Cabe aos profissionais de segurança e saúde do trabalho identificar práticas abusivas que possam se configurar
como “análogas à escravidão”, e aos órgãos governamentais, fiscalizar, acolher denúncias e coibir sua prática.
A organização internacional do trabalho conceitua o “trabalho forçado” como:
O TRABALHO FORÇADO SE REFERE A SITUAÇÕES EM QUE AS
PESSOAS SÃO COAGIDAS A TRABALHAR POR MEIO DO USO
DE VIOLÊNCIA OU INTIMIDAÇÃO, OU ATÉ MESMO POR MEIOS
MAIS SUTIS, COMO A SERVIDÃO POR DÍVIDAS, A RETENÇÃO DE
DOCUMENTOS DE IDENTIDADE OU AMEAÇAS DE DENÚNCIA ÀS
AUTORIDADES DE IMIGRAÇÃO.
(OIT, s.d.)
Os diversos conflitos sociopolíticos e as situações de extrema pobreza existentes no mundo têm levado a muitos
movimentos migratórios de pessoas em busca de refúgio, sendo que muitas delas acabam aceitando ofertas de
trabalho análogas à escravidão por se sentirem ameaçadas de extradição.
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A lei brasileira possui definições específicas sobre este campo de acordo com a Portaria MTB nº 1.129/2017:
I - TRABALHO FORÇADO
II - JORNADA EXAUSTIVA
III - CONDIÇÃO DEGRADANTE
IV - CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO
I - TRABALHO FORÇADO
Aquele exercido sem o consentimento por parte do trabalhador e que lhe retire a possibilidade de expressar sua
vontade;
II - JORNADA EXAUSTIVA
A submissão do trabalhador, contra a sua vontade e com privação do direito de ir e vir, a trabalho fora dos
ditames legais aplicáveis a sua categoria;
III - CONDIÇÃO DEGRADANTE
Caracterizada por atos comissivos de violação dos direitos fundamentais da pessoa do trabalhador,
consubstanciados no cerceamento da liberdade de ir e vir, seja por meios morais ou físicos, e que impliquem na
privação da sua dignidade;
IV - CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO
a) A submissão do trabalhador a trabalho exigido sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de
maneira involuntária;
b) O cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local
de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto, caracterizando isolamento geográfico;
c) A manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida
contraída com o empregador ou preposto;
d) A retenção de documentação pessoal do trabalhador, com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho;
Percebe-se, dessa forma, que mesmo uma empresa aparentemente legal e cumpridora das normas
regulamentadoras poderá estar infringindo a lei. Contudo, muitas vezes a detecção da irregularidade não será
fácil e a equipe de segurança e saúde do trabalho deverá estar de olhos e ouvidos abertos para as situações que
possam estar ocultas.
 ATENÇÃO
É sempre bom lembrar que a equipe de saúde e segurança do trabalho tem como seu principal cliente o
trabalhador e não a empresa.
Canais de denúncia e fiscalização
As equipes de segurança e saúde do trabalhador, sejam SESMT, CEREST, bem como qualquer cidadão, devem
proceder a denúncias de situações abusivas na esfera do trabalho. Para tanto, devem conhecer os canais
disponíveis para essa finalidade:
Disque 100 – Canal de denúncia contra abusos de direitos humanos;
Aplicativo Pardal do Ministério Público do Trabalho (disponível para Android e IOS);
Sistema IPE do Ministério da economia (Divisão de Erradicação do Trabalho Escravo).
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. NO BRASIL, HÁ UM NÚMERO EXPRESSIVO DE JOVENS NO MERCADO DE
TRABALHO. NEM SEMPRE ESSES EMPREGOS OFERECEM A SEGURANÇA
ADEQUADA E CARGA HORÁRIA QUE POSSAM CONCILIAR ESTUDO-TRABALHO.
PARA COMBATER ALGUMAS SITUAÇÕES ABUSIVAS E DESIGUALDADES, FOI CRIADA
A AGENDA NACIONAL DE TRABALHO DECENTE PARA A JUVENTUDE, DE ACORDO
COM OS ASPECTOS:
A) A elevação da escolaridade e a melhoria da sua qualidade não é importante para a construção de uma
trajetória de trabalho decente.
B) A situação juvenil está fortemente marcada pelas igualdades de gênero e de raça, sendo desnecessário
promover a conciliação entre o trabalho, o estudo e a vida familiar.
C) Os jovens estão mais sujeitos ao desemprego e às condições precárias de trabalho que os adultos.
D) O desemprego e a informalidade atingem apenas os jovens de baixa escolaridade e provenientes de famílias
com boa renda.
E) A juventude brasileira não quer saber de trabalhar e não se esforça para combinar trabalho e estudo.
2. O TRABALHO DECENTE É UMA DAS CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL DE UM PAÍS E UMA DAS OPORTUNIDADES PARA MELHORAR A
QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO. DESSA FORMA, A ELABORAÇÃO DE UM
PLANO PARA O ALCANCE DO TRABALHO DECENTE É PRIMORDIAL PARA A PRÁTICA
DESSAS AÇÕES. ASSIM, PODEMOS AFIRMAR QUE NO BRASIL, O PLANO NACIONAL
DE EMPREGO E TRABALHO DECENTE:
A) teve como objetivo o fortalecimento da capacidade do Estado brasileiropara o enfrentamento dos problemas
estruturais da sociedade e do mercado de trabalho.
B) não teve qualquer resultado positivo e, por isso, o plano foi extinto.
C) teve como prioridade as ações para a melhoria das condições do trabalho infantil e a proteção do trabalho do
adolescente.
D) foi organizado para estimular a demissão voluntária e a facilidade para os empregadores demitirem os
trabalhadores.
E) foi organizado para estimular jovens abaixo de 16 anos a ingressarem no mercado de trabalho sem
precisarem manter os estudos.
GABARITO
1. No Brasil, há um número expressivo de jovens no mercado de trabalho. Nem sempre esses empregos
oferecem a segurança adequada e carga horária que possam conciliar estudo-trabalho. Para combater
algumas situações abusivas e desigualdades, foi criada a Agenda Nacional de Trabalho Decente para a
Juventude, de acordo com os aspectos:
A alternativa "C " está correta.
No Brasil, e em outras partes do mundo, alguns jovens ainda se submetem às precárias condições de trabalho.
As leis nem sempre são observadas, pois existem regras para que os jovens possam exercer atividades laborais.
Boa parte dos empregos oferecidos para os jovens são do mercado de trabalho informal.
2. O trabalho decente é uma das condições para o desenvolvimento sustentável de um país e uma das
oportunidades para melhorar a qualidade de vida da população. Dessa forma, a elaboração de um plano
para o alcance do trabalho decente é primordial para a prática dessas ações. Assim, podemos afirmar
que no Brasil, o Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente:
A alternativa "A " está correta.
O PNETD teve alguns objetivos, entre eles o fortalecimento do Estado para o enfrentamentos de problemas que
assolavam o país no que tange às condições de trabalho da população.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi visto neste conteúdo, a Rede de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador é de fundamental
importância para que a saúde do trabalhador seja disseminada e trabalhada de forma a suprir as necessidades
específica desse grupo.
Por meio dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, as ações voltadas para os trabalhadores podem
ser realizadas, sejam elas assistenciais, para trabalhadores atendidos nos ambulatórios ou ações para fomentar
instituições empregadoras. Em conjunto com a Vigilância em Saúde do Trabalhador, o CEREST pode fazer
inspeção nos ambientes e propor mudanças para a segurança dos trabalhadores, visando à prevenção dos
acidentes, das doenças e dos agravos.
Essas ações são importantes, mas precisam estar em consonância com o Plano Nacional de Emprego e
Trabalho Decente, uma vez que este aponta as áreas prioritárias para a promoção da saúde dos trabalhadores e
o incentivo ao desenvolvimento sustentável do país.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ABRAMO, L. Uma década de promoção do trabalho decente no Brasil: uma estratégia de ação baseada no
diálogo social. Organização Internacional do Trabalho ‒ Genebra: OIT, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.823, de 23 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional de Saúde
do Trabalhador e da Trabalhadora. Saúde legis: sistema de legislação da saúde. Brasília, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.378, de 9 de julho de 2013. Regulamenta as responsabilidades e
define diretrizes para execução e financiamento das ações de Vigilância em Saúde pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, relativos ao Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária. Brasília, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Para saber as coisas – Falando da Política Nacional de Saúde do Trabalhador
e doenças relacionadas ao trabalho. In: Hemeroteca Sindical Brasileira: São Paulo, 2006.
BRASIL. Ministério do Trabalho. Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente: gerar emprego e trabalho
decente para combater a pobreza e as desigualdades sociais. Brasília, 2010.
BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria nº 1129, de 13 de outubro de 2017. Dispõe sobre os conceitos de
trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas à de escravo para fins de concessão de seguro-
desemprego ao trabalhador que vier a ser resgatado em fiscalização do Ministério do Trabalho, nos termos do
artigo 2-C da Lei nº 7998, de 11 de janeiro de 1990; bem como altera dispositivos da PI MTPS/MMIRDH nº 4, de
11 de maio de 2016. Brasília, 2017.
DIRETRIZES de implantação da vigilância em saúde do trabalhador no SUS, 2012. Plataforma RENAST online.
Consultado na Internet em: 21 ago. 2021.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. OIT. O que é trabalho forçado? [on-line] Consultado em
20 ago. 2021.
REDE NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO TRABALHADOR. RENAST. Manual de gestão e
gerenciamento. São Paulo, 2006. Consultado na Internet em: 19 ago. 2021.
EXPLORE+
Assista ao vídeo, disponível no YouTube, SAÚDE DO TRABALHADOR: O Cerest de Florianópolis.
Consulte a plataforma RENAST online.
Na mesma plataforma, acesse o artigo CERESTs pelo Brasil.
Informe-se sobre Trabalho Decente (OIT) no portal ILO.
Faça o download do aplicativo Pardal MPT – Denúncias.
Acesse o Sistema IPÊ e leia o artigo A Divisão de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério da
Economia.
CONTEUDISTA
Ismael da Silva Costa

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