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Considerações anatômicas, fisiológicas e mecanismos de defesa do peritônio e diafragma Aspectos bacteriológicos e fisiopatológicos da peritonite UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA CURSO DE MEDICINA TOCE e FUNDAMENTOS DE CIRURGIA Prof. Ricardo Fantazzini Russi - MSc / UFSC - Titular do CBC Por Prof. Saint Clair Vieira de Oliveira – MD, Esp. PERITÔNIO E PERITONITE PERITÔNIO • Células mesoteliais composta de epitélio escamoso simples • 1,70 m2 (1,80m2) = pele • Sustentado por membrana basal • Abaixo dela: vv sanguíneos e linfáticos e tecido conjuntivo frouxo de apoio rico em adipócitos, macrófagos, mastócitos • Secreta líquido na cavidade • 5 - 20 ml (100) • amarelo citrino (pH ≈ 7,5) • D = 1016 • + - 300 cels/mm3 • < 3 g/dl de proteínas (transudato) PERITÔNIO • Células mesoteliais composta de epitélio escamoso simples 1. Parietal 2. Visceral • Mesma formação histológica • Contínuos • Inervação diferente PERITÔNIO • Cobre a cavidade abdominal e pélvica e a superfície abdominal do diafragma • É um saco aberto, principalmente na região diafragmática (aberturas intercelulares: os estomas - via primária de absorção de partículas e bactérias da cavidade peritoneal) PERITÔNIO PARIETAL • Cobre todas as vísceras intra-abdominais e o mesentério (sobre elas, confunde-se com as serosas) • Também é um saco aberto (nas trompas de Falópio) PERITÔNIO VISCERAL • A cavidade peritoneal está dividida em duas : 1. Grande saco peritoneal 2. Pequeno saco peritoneal: • supramesocólico à direita • isolado da grande saco, comunicando-se pelo hiato de Winslow PERITÔNIO • P. Parietal: • Parede tóraco-abdominal: 6-7últimos nn intercostais (nn. espinhais). Mesma inervação dos músculos da parede→ dor parietal (somática) • Superfície diafragmática: • centro: frênico (C3-C5 ) • periferia: nn intercostais • P. Visceral: simpático. Mesma inervação da víscera que reveste → dor visceral PERITÔNIO - INERVAÇÃO PERITÔNIO PARIETAL E DIAFRAMÁTICO- INERVAÇÃO 1. MINIMIZA A FRICÇÃO - o líquido peritoneal lubrifica e facilita os movimentos das vísceras intraperitoneais entre si e na parede abdominal 2. PROTEÇÃO MECÂNICA E BIOLÓGICA - promove a resistência ou localiza a infecção 3. ABSORÇÃO E ELIMINAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS 4. ARMAZENA GORDURA (principalmente no grande omento) PERITÔNIO - FUNÇÕES 1. Linfáticos diafragmáticos, parietais e viscerais 2. Células 3. Resposta da cavidade peritoneal à infecção PERITÔNIO – MECANISMOS DE DEFESA DO PERITÔNIO PARIETAL • Comunicam–se com os da parede • Drenam para linfonodos parietais LINFÁTICOS DO PERITÔNIO VISCERAL • Comunicam-se com os das vísceras correspondentes • Drenam para as cadeias regionais (ex: metástase ganglionar) PERITÔNIO – LINFÁTICOS DO PERITÔNIO VISCERAL • Comunicam-se com os das vísceras correspondentes • Drenam para as cadeias regionais (ex: metástase ganglionar) Canais linfáticos Gânglio PERITÔNIO – LINFÁTICOS Há remoção de partículas de 10-20 microns da cavidade peritoneal por aberturas da membrana basal com o auxílio de linfáticos peritoneais Allen e Weatherford Estes linfáticos em particular são encontrados somente no peritônio que recobre a superfície abdominal do diafragma DO DIAFRAGMA PERITÔNIO – LINFÁTICOS • No diafragma, as cels. mesoteliais são interrompidas por fendas intercelulares – estomas Von Recklinghausen -1863 • Os estomas funcionam como entrada para canais linfáticos diafragmáticos - lacunas • Não há membrana subendotelial nos estomas → → comunicação com os espaços intercelulares entre as cels. endoteliais subjacentes das lacunas PERITÔNIO – LINFÁTICOS DIAFRAGMÁTICOS Composite 3-dimensional diagram of the rat diaphragm showing different components of the lymphatic lacunar roof. The peritoneal surface is uppermost Bat diaphragm Peritoneal surface with stomata with free orifice or more or less occupied by a erythrocyte Arrows = mesothelial cell microvilli FIG. 3. (a and b) Mouse diaphragm; (c) rat diaphragm. Peritoneal surface with stomata containing China ink and polystyrene latex spherules (→); the latter are also present among the microvilli of the mesothelial cells Fig. 5. SEM micrograph demonstrating a lacunar zone of the rat diaphragmatic peritoneum Circular stomata (arrows) are present only among cuboidal mesothelial cells overlying the lymphatic lacuna. Bar, 10 µ.m. Fig. 6. A stoma (S) located at the junction of 5 cuboidal mesothelial cells () An endothelial cell process crosses the space below the stomal orifice. Cells of the size of lymphocytes (Ly) can pass easily through the stoma. SEM Fig 4 Mouse diaphragmatic peritoneum The area and distribution density of the peritoneal lymphatic stomata (arrow) are significantly increased ×3500 Fig 2 Mouse diaphragmatic peritoneum Showing the peritoneal stomata (arrow) ×3500 Stomata can be seen between smaller cuboidal mesothelial cells. The lymphatic endothelial cell can be seen through stomata. x 3300 Miura T. et al.; J Thorac Cardiovasc Surg 2000;120:437-447 1. Filamento de actina dos processos celulares das bordas do estoma: qdo polarizados se contraem e aumentam o diâmetro dos estomas 2. Contração diafragmática 3. Pressão intraabdominal 4. Infecção: → retração das cels mesoteliais→ aumentam a permeabilidade dos estomas Captação de líquidos e partículas pelo diafragma Filamento de actina dos processos celulares das bordas do estoma (qdo polarizados se contraem e aumentam o diâmetro dos estomas) Captação de líquidos e partículas pelo diafragma • O diafragma relaxa e sobe →os estomas se abrem • A pressão negativa induzida pelo movimento para cima do diafragma → aspiração de líquidos e partículas • Na inspiração: o diafragma contrai e desce → contração dos estomas • O diafragma contrai e desce:→fecha os estomas Captação de líquidos e partículas pelo diafragma As contrações do diafragma “bombeiam” a linfa e seus conteúdos (partículas, bactérias) para cima, para os linfáticos localizados na região retroesternal → ducto torácico → circulação sistêmica Captação de líquidos e partículas pelo diafragma A depressão da respiração espontânea por agentes anestésicos reduz a depuração de partículas da cavidade peritoneal Mengle 1937 Bactérias aparecem no ducto torácico 6 minutos após a injeção intraperitoneal Steinberg 1944 Injeção de plasma rico em plaquetas no peritônio pode obstruir os estomas e impedir a captação de partículas de carbono e contraste radiopaco da cavidade peritoneal para o ducto torácico Dumont et al 1986 Captação de líquidos e partículas pelo diafragma • Macrófagos: 36 - 40% • Células mesoteliais: 36% • Linfócitos T: 18 - 40% • Polimorfonucleares: 7% Células Macrófagos Capacidade fagocítica Pro-coagulantes → aprisionamento de bactéria Prostaglandinas Leucotrieno B4 (quimiotático para neutrófilos) Citocinas IL-8, IL-6, IL-1β e TNF-α Basófilos Mastócitos permeabilidade vascular Líquidos Proteínas ( C - Ig) Cél. mesoteliais Atividade fibrinolítica Histamina Células Cels mesoteliais tem ativadores de plasminogênio plasminogênio → plasmina fibrina → produtos de degradação da fibrina → impede a formação de coágulo → sangue na cavidade peritoneal não coagula CÉLULAS MESOTELIAIS NA PERITONITE • Na peritonite (por trauma, infecção, isquemia) há lesão do mesotélio Há redução da atividade fibrinolítica do mesotélio → formação de fibrina → aprisionamento de bactérias Há liberação de tromboplastina pelas cels lesadas → coágulos e aderência → aprisionamento de bactérias Células • Nas 1as. 4 - 6 h há influxo de neutrófilos • Mastócitos e fagócitos liberam PGD, citocinas e histamina com vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular→ exsudato rico em C, Ig, fatores de coagulação e fibrina • Depuração de bactérias: • linfáticos diafragmáticos• macrófagos peritoneais • neutrófilos • sistema portal Resposta da cavidade peritoneal à infecção • Estômago / duodeno: 10 3 bact./ml Estrepto. Estafilo. Cândida, Peptococos, Peptoestreptococos • Íleo distal: 103 - 107 bact./ml Enterobactérias, Bacteróides • Cólon: 108 - 1012 bact./g fezes Bacteróides, E. coli, Klebsiella, Proteus, Enterococos, Clostridium, Peptococos, Peptoestreptococos Bactérias da peritonite • Termo utilizado quando um processo inflamatório intra-abdominal se estende para o peritônio, de origem intra ou extra-peritoneal • Resposta peritoneal à agressão por bactérias (endotoxinas), secreções digestivas por perfuração de vísceras ocas, processos inflamatórios/infecciosos abdominal e/ou pélvicos e isquemia visceral • Tem características diversas, de acordo com a gravidade: com ou sem repercussão sistêmica importante (sepse abdominal) PERITONITE CLASSE DESCRIÇÃO AGENTE ETIOLÓGICO PRIMÁRIA Infecção peritoneal difusa de fonte extra- peritoneal (hematogênica, linfática ou transmural- vísceras íntegras) Insuficiência renal crônica, síndrome nefrótica e cirrose hepática Monomicrobiana •Escherichia coli ou •Klebsiella pneumonia ou • Streptococcus (pneumoniae, α hemolíticos, do grupo D)ou •Staphylococcus SECUNDÁRIA Resulta de afecção intra-abdominal, do tipo infeccioso ou não, devido à necrose ou perfuração de órgão intra-abdominal Apendicite, úlcera perfurada, diverticulite, etc Polimicrobiana TERCIÁRIA Forma difusa e persistente de peritonite secundária, infecciosa ou não Mono ou polimicrobiana PERITONITE Fases • Peritonítica: inicial; resposta local • Sistêmica: começa com a peritonítica • Abscesso: tardia PERITONITE - FISIOPATOLOGIA Resposta inflamatória peritoneal local Hiperemia e exsudação (pela vasodilatação e da permeabilidade capilar local) Volume líquido na cavidade peritoneal Afluxo de neutrófilos e macrófagos (M) Células Mesoteliais (cM) IL - 1 (M) IL – 6 (cM) IL - 8 (cM) FNT (M) gCSF (cM) Neutrófilos pela medula óssea gCSF: fator de estimulação de colônias de granulócitos PERITONITE AGUDA - FISIOPATOLOGIA Inflamação EXSUDAÇÃO Migração para a cavidade peritoneal de grande quantidade de líquido rico em eletrólitos e proteínas ABSORÇÃO DE TOXINAS Endotoxina Aeróbicos G- E. coli • Desidratação • Hipoproteinemia • Hipovolemia Exotoxina Aeróbicos G+ Clostridium • Dano vascular • Hipovolemia • Hemólise • Alterações metabólicas PERITONITE AGUDA - FISIOPATOLOGIA Peritonite aguda difusa→paralisia intestinal (íleo adinâmico)→ sequestro de líquido para o 3o. espaço → Hipovolemia