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Representação arquitetônica e artística do objeto APRESENTAÇÃO O desenho de observação consiste na observação real do objeto tridimensional. Na técnica de observação in loco, apreende-se do objeto aquilo que é mais relevante, capta-se a sua essência. Nesse processo, contamos com a ajuda de outras técnicas, das habilidades de percepção para desenhar, dos posicionamentos do papel e do desenhista. O desenho de observação, além de propiciar o desenvolvimento de seu próprio traçado, produz um resultado personalizado, bem gestual e muito expressivo em todos os seus elementos: as linhas, os preenchimentos, a luz e a sombra. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a técnica de desenho de observação. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer técnicas e exercícios auxiliares para o desenvolvimento do desenho de observação. • Construir um desenho de observação.• Compor seu próprio passo a passo de desenho de observação.• DESAFIO Que tal fazermos o desenho de observação de uma das paredes da sala de estar da sua casa? Para este exercício da técnica de desenho de observação, precisaremos de: - folhas de papel sulfite - fita adesiva - lápis macio (a partir do 4B) Prenda com fita adesiva a folha sulfite na sua prancheta de desenho para que ela não saia da posição colocada. Os objetos ou o cenário a ser desenhado deve estar a pelo menos um braço seu de distância. E a parede, já escolheu? Sugiro a parede em que fica o televisor. Não se preocupe em representar tudo em detalhes e com precisão, apenas trace as linhas dos objetos tentando aproximar suas proporções, seus tamanhos e o espaçamento entre eles. Acomode-se no sofá bem em frente, pegue sua prancheta e vamos desenhar! INFOGRÁFICO Observe no infográfico os passos a serem seguidos até chegar no desenho personalizado gestual e expressivo. CONTEÚDO DO LIVRO O desenho amplia as possibilidades de representação e até mesmo de atuação de profissionais de áreas criativas como paisagistas, designer de interiores, designers de moda, produto, arquitetos, Imagem 5 ilustradores, pintores, entre outros. Dominar esse artifício se torna essencial no exercício dessas profissões. O desenho de observação é parte introdutória no desenvolvimento da representação arquitetônica e artística. Para desenvolvê-lo é possível usar de métodos, técnicas e dicas para um melhor aproveitamento. No capítulo Representação arquitetônica e artística do objeto, da Obra Desenho e Plástica, você vai encontrar maneiras práticas de desenvolver o desenho de observação e ainda conceber o seu desenho compondo seu próprio processo. Boa leitura. DESENHO E PLÁSTICA Marina Otte Representação arquitetônica e artística do objeto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer técnicas e exercícios auxiliares para o desenvolvimento do desenho de observação. Construir um desenho de observação. Compor seu próprio passo a passo de desenho de observação. Introdução Os desenhos nas cavernas mostram o quão antiga é essa habilidade. Os rabiscos então representados retratavam o cotidiano a partir da obser- vação do mundo de quem os executava. Dessa forma, o desenho de observação caminha com a evolução do homem e é um dos processos iniciais do desenvolvimento da aptidão do desenhista. Assim, quanto mais praticado, mais o desenho de observação evolui e ajuda o profissional que depende dessa competência em seu trabalho. Neste capítulo, você vai conhecer formas complementares para desenvolver seus desenhos de observação, aliando-as com a melhor maneira de elaborá-los para, depois, realizar seu próprio processo com independência. 1 O exercício das técnicas de representação O desenho é ferramenta básica para profi ssionais que precisam representar ideias concebidas no campo da imaginação e que devem ser concretizadas na sequên- cia: “O desenho amplia suas possibilidades, criando a fluência necessária para que o processo criativo seja mais intuitivo e dinâmico” (BAJZEK, 2019, p. 13). Assim, o desenho pode ser uma simulação de uma ideia ou a representa- ção de uma realidade; via de regra, em um primeiro momento, é mais fácil representar aquilo que já se conhece do que tentar descrever por meio de uma ilustração aquilo que está na mente de alguém. Por isso, dentro do processo de aprendizagem de áreas que envolvem o desenvolvimento de desenhos para representar ideias, tem início a prática de representação pelo desenho de observação, que é uma das primeiras etapas de aprendizagem das técnicas de representação. A observação direta e desenho do real “[...] é certamente um dos exercícios mais prazerosos e enriquecedores que alguém pode buscar no campo das artes” (BAJZEK, 2019, p. 141). Diante disso, é conveniente que o profissional de design, arquitetura, paisagismo, entre outros, esteja inteirado de técnicas e exercícios que o auxiliem no processo de representação. Vários exercícios e técnicas ajudam a melhorar esse processo e, por isso, inúmeros autores descrevem técnicas específicas. A seguir, veremos algumas dessas técnicas, especificamente as de desenho de contorno, desenho de contorno às cegas, desenho de contornos modificados e formatos positivo e negativo. Desenho de contorno A percepção do espaço e dos objetos ocorre por meio da visualização dos limites desses elementos, que, ao serem replicados, são representados por seus contornos. Por isso, é muito importante a conscientização das linhas que os formam e as várias maneiras de executar o seu desenho. Conforme descreve Ching (2012), o desenho de contornos favorece a acui- dade visual e, de certa forma, a sensibilidade do tato, visto que observamos a partir do nosso olho a forma a ser reproduzida e desenhamos com a mão tocando uma superfície, deslizando sobre o papel e estimulando o tato. Para praticar esse desenho, deve-se observar muito aquilo que será retratado. A fim de estimular o início do trabalho, é interessante escolher algo de que se goste muito, mas mais simples; por exemplo, uma árvore isolada ou uma garrafa solitária. A partir disso, separa-se um lápis bem apontado ou uma caneta e, considerando os limites da inspiração, reproduz-se da forma mais simples somente o contorno principal (Figura 1). Representação arquitetônica e artística do objeto2 Figura 1. Desenho do contorno de uma palmeira a partir da observação do real. Fonte: fotomak/Shutterstock.com; LivDeco/Shutterstock.com. Escolha um objeto bem iluminado e com contraste com o fundo para facilitar a de- finição do limite. Desenho de contorno às cegas A partir da consciência da existência e da observação dos contornos, é possível praticar outros exercícios. O desenho de contorno às cegas consiste em eliminar um gesto automático: olhar para a execução da ilustração. Para esse exercício, deve-se fixar o olho no objeto que está sendo reprodu- zido, acompanhar seus contornos e, na mesma hora, desenhar no papel sem olhar para ele. Caso se sinta necessidade, pode-se girar o corpo em um ângulo diferente da cabeça para retirar o papel do campo de visão. É preciso observar lentamente cada curva do objeto e apoiar o lápis ou a caneta sobre o papel, acompanhando com a mão o percurso que os olhos fazem. O objetivo não é a reprodução exata, mas, sim, a tomada de consciência 3Representação arquitetônica e artística do objeto sobre as texturas e nuances que, às vezes, perdem-se ao mudar o olho entre o objeto real e a reprodução na folha. Não é preciso pensar, apenas sentir e reproduzir no mesmo instante que se visualiza. O desenho, ao final, terá proporções estranhas e provavelmente algumas linhas ficarão sobrepostas, mas o que se deve observar é a reprodução das texturas, formas e volumes parciais (Figura 2). Figura 2. Desenho às cegas com olho fixo no objeto real e como resul- tado desenho sem proporção, mascom reprodução de formas e texturas. Fonte: Ching (2012, p. 19). Desenho de contornos modificados O desenho de contornos modifi cados é uma segunda etapa do desenho de contornos às cegas. Inicia-se com o contorno às cegas, mas se determina intervalos de conferência e ajustes ao desenho — é importante que seja uma segunda etapa, para que se treine a percepção e o poder de observação de formas diferenciadas. Representação arquitetônica e artística do objeto4 Uma dica é, por exemplo, no desenho de uma folhagem com várias flores, determinar a cada flor o intervalo de conferência; depois, passar esses períodos de conferência para as folhagens e, então, para o vaso. Os detalhes e a maneira como a forma se configura vão ficando cada vez mais observáveis (Figura 3). Nesse sentido, é importante o que Ching (2012, p. 20) destaca: “Não se preocupe com as proporções do conjunto. Com experiência e prática, em determinado momento desenvolvemos a habilidade de registrar cada contorno de nosso tema, de guardar uma imagem dessa linha em nossa mente, de visualizá-la na superfície de desenho e de, então, registrá-la”. Figura 3. Desenho de contornos modificados: há algumas semelhanças especialmente com o formato das pétalas. Fonte: Ching (2012, p. 20). Desenho de formatos positivos e negativos Quando observamos uma fi gura, há uma relação entre ela e o fundo diante do qual está disposta. Essa relação entre fi gura, fundo e seus contrastes facilita a determinação dos limites do objeto, a partir dos quais acabamos desenhando. 5Representação arquitetônica e artística do objeto Tão importante quanto a figura, conhecida como “positivo”, é o fundo, conhecido como “negativo”. Para esse exercício, o foco está nos vazios, ou seja, nos negativos. Para executá-lo, deve-se procurar no local de estudo um objeto que tenha partes vazadas em sua superfície. Na Figura 4, temos como exemplo uma cadeira. Não se deve olhar para as partes de madeira, mas, sim, para os espaços em branco do fundo. Pode-se começar desenhando, em vez do encosto, cada um dos 4 triângulos que formam o vazio do espaldar. Na sequência, pode-se desenhar o retângulo abaixo dos triângulos ainda no encosto e, depois, cada um dos retângulos que se formam entre cada um dos pés. Figura 4. Vazios a serem observados para o desenho do negativo. Fonte: photka/Shutterstock.com. Nesta seção, a partir das técnicas de treino de desenhos, você pôde perceber como é importante observar o objeto, o fundo, seus contornos — todos esses elementos fazem parte do processo de desenvolvimento da capacidade de desenho à mão livre e de melhoria da percepção dos objetos, cenários e composições. A seguir, você verá detalhes específicos para o desenvolvimento do desenho de observação. Representação arquitetônica e artística do objeto6 2 As bases do desenho de observação Um desenho de observação é a reprodução de uma imagem real sob o ponto de vista do desenhista. Segundo Gouveia (1998, documento on-line), trata- -se de um desenho que “[...] tende a ser considerado como representação mimética da realidade visiva; [...] diferente de uma representação analógica direta, mecânica, como, por exemplo, a fotografi a, manifesta-se como uma análise e uma seleção dos aspectos inerentes ao lugar, enquanto possibili- dades projetivas”. Em um primeiro momento, pode-se considerar que tirar uma foto seria bem mais rápido e eficiente para reproduzir uma imagem, mas “[...] a câmera não edita uma imagem para mostrar o que é importante ao olho humano. Ela é limitada pela maneira na qual a imagem foi enquadrada e pelo tipo de lente utilizada” (WATERMAN, 2011, p. 114). Antes de mais nada, um dos significados da palavra observar, segundo o Dicionário Dicio Online, é analisar (OBSERVAR, 2020). Um bom desenho de observação começa com uma análise profunda da composição que será reproduzida. Ao longo da reprodução, essa análise vai gerando novos olhares e entendimentos sobre a imagem que está sendo reproduzida. A percepção do que será retratado é essencial e, com o tempo, o olhar se torna diferente e passa a perceber elementos das formas que não percebia até então. Nesse processo, algumas dicas são essenciais para a construção de um desenho de observação. Primeiro, é importante escolher os materiais: um papel de tamanho A3 ou A4, carvão ou lápis ou caneta e um apoio são itens básicos para os primeiros desenhos de observação. No entanto, escolher um material que ajude a linha que será desenhada a fluir é bastante pessoal. Apesar de a maneira para segurar o equipamento de desenho também ser pessoal, pode-se tentar variadas empunhaduras. A primeira dica é não deixar o braço apoiado sobre a mesa: o cotovelo deve ficar solto para permitir um movimento mais amplo e solto. A empunhadura tradicional (Figura 5a) é a mesma da escrita com a mão apoiada sobre o papel: limita os movimentos, mas pode ser usada. Outra empunhadura faz com que somente um ou dois dedos toquem no papel (Figura 5b), dando mais liberdade para a execução dos desenhos (CURTIS, 2015). 7Representação arquitetônica e artística do objeto Figura 5. (a) Empunhadura tradicional e (b) empunhadura com a mão mais livre. Fonte: Syda Productions/Shutterstock.com. O apoio do desenho é importante: pode ser uma mesa, uma mesa inclinada (prancheta) ou um cavalete, que tem uma grande vantagem essencial para o desenho de observação, um novo olhar. “Ficar de pé também possibilita que você se afaste periodicamente do seu desenho [...]. A simples mudança na posição relativa permite a você que olhe para seu desenho e o avalie com um surpreendente novo olhar” (CURTIS, 2015, p. 17). Por outro lado, ao realizar o desenho em si, é essencial manter-se em uma posição fixa para enxergar os mesmo ângulos e detalhes do cenário escolhido: “A composição de uma cena em perspectiva implica nos posicionarmos em um ponto de vista favorável e decidir como enquadrar o que vemos” (CHING, 2017, p. 226). Para os primeiros desenhos de observação, pode-se começar com pequenos objetos de casa. Depois, começa-se a compor um cenário com mais de um objeto, colocando-os a, no mínimo, um braço de distância do papel em que se vai desenhar. Para construir o desenho de observação, começa-se desenhando as linhas gerais dos objetos, percebendo seus limites. Nesse ponto e ao longo de toda a execução do desenho de observação, é preciso observar o relacionamento entre os objetos: qual objeto está na frente, nos lados, no fundo, a distância entre eles e as linhas — a partir do desenho de um deles, pode-se iniciar o desenho do próximo objeto. Na Figura 6, veja que o topo da jarra menor à esquerda está na altura da alça da jarra maior. Essas relações ajudam a manter a proporção do desenho ao longo de sua execução. Depois, pode-se começar a preencher os detalhes dos objetos; se for um pão, por exemplo, é o momento de desenhar a espessura da casca. Captando a essência dos objetos, não é preciso reproduzir todos os detalhes, enquanto outros são essenciais para caracterizá-los — e isso também faz parte do processo de observação. Representação arquitetônica e artística do objeto8 Na sequência, faz-se o preenchimento dos objetos, que podem ser sombras neles mesmos, mas também deve-se avaliar e representar as texturas. Figura 6. Sequência de desenho de observação: note a textura dada para o pão parecer rugoso e as jarras parecerem lisas. Fonte: Cernecka Natalja/Shutterstock.com. O desenho de observação é uma construção com alguns elementos in- dispensáveis, mas, ainda sim, é possível fazer escolhas para sua realização. Tanto os materiais quanto a posição de execução e o conceito final podem ser adaptados a peculiaridades do executor da ilustração. É importante ressaltar que o exemplo apresentado na Figura 6 não é fixo: é muito comum que o desenhista desenvolva o seu passo a passo, que será discutido a seguir. A percepção é uma experiência unificada e se dá por meio dos sentidos — não é algo concreto,mas é essencial para o desenvolvimento dos desenhos. Saiba mais sobre a percepção no link a seguir. https://qrgo.page.link/3Li84 9Representação arquitetônica e artística do objeto 3 A individualidade no desenho de observação Nas áreas de atuação profi ssional criativas, o desenho de observação também se diferencia de uma foto por ter a possibilidade de deixar a marca registrada de quem os executou. É comum, dentro das possibilidades de execução, que o profi ssional crie seu próprio passo a passo. Para individualizar o desenho de observação, é importante, depois de treinar a representação com objetos ou conjunto de objetos, passar a desenhar temas sobre sua área de atuação. Paisagistas, designers de interiores e arquitetos desenham grandes espaços, e essa característica determinará algumas escolhas. Para isso, deve-se escolher primeiro o material de preferência pessoal, mas, para essas áreas, devido à necessidade de precisão, na maioria das vezes, lápis ou caneta são utilizados. O carvão, por exemplo, não é um material muito preciso — não é errado utilizá-lo, mas, em um primeiro momento, pode difi- cultar a representação. A cor também pode ser um elemento essencial nessas áreas, mas nem todo o desenho precisa ser colorido. A escolha pela coloração também ajuda a individualizar o desenho e, por isso, é importante testar materiais e possibilidades e escolher algo que agrade, decidindo quando colorir ou não. Alguns dos materiais mais comuns para uso da cor nos desenhos são giz pastel, lápis de cor, aquarela e hidrocores. O papel em formato A3 é o ideal pelo tamanho das cenas a serem represen- tadas em áreas como design de interiores, arquitetura e paisagismo, e o tipo de papel a ser escolhido depende do material que será utilizado no desenho. Para o uso posterior com aquarela, por exemplo, deve-se utilizar um papel de maior gramatura, que aceite água sem enrugar. Representação arquitetônica e artística do objeto10 Uma grande questão nesse contexto é o apoio: se for um espaço interno, é possível desenhar em um cavalete de pé, mas estudando a possibilidade de fazê-lo em áreas externas. Em relação a isso, é comum que o desenhista dessas áreas opte por uma prancheta simples e prática para poder levar com mais facilidade aos locais externos. As proporções para desenhos nessas áreas são essenciais, e o desenhista pode fazer uso de dois recursos: uma moldura, para decidir o enquadramento e observar as proporções, e um lápis para medir. A moldura ou visor é de simples confecção, conforme descreve Ching (2012, p. 29): [...] pode ser construído cortando-se cuidadosamente um retângulo de 8 × 10 cm no meio de uma folha de papelão de 21 × 29,7 cm (formato A4) cinza- -escuro ou preta. Divide-se a abertura ao meio, vertical e horizontalmente, com dois fios escuros fixados com fita adesiva. O visor criado nos ajuda a compor uma vista e a estimar a posição e a direção dos contornos. O mais importante é que, olhando através desta abertura retangular com apenas um olho, a imagem ótica efetivamente se achata, o que nos torna mais cientes da unidade entre os formatos positivos da matéria e os formatos negativos dos espaços. Neste ponto, é importante decidir que enquadramento se deseja dar ao desenho: pode-se preencher o papel como um todo, com a cena completa ou preenchê-lo inteiramente com um detalhe da cena. É possível, ainda, deixar um espaço em branco entre o limite do papel e o desenho, dando a sensação de totalidade da imagem representada — isso também será uma decisão do desenhista e incrementará seu passo a passo. Além disso, para medir os elementos da cena a ser desenhada, é possível utilizar o comprimento do lápis: basta segurar o lápis com a mão e estender bem o braço, de modo que se garanta que a forma de medir permanecerá a mesma, ou seja, terá a mesma proporção. O lápis vai estar perpendicular à linha de visão e a medida do objeto estará entre a ponta do lápis e o dedão, que pode ser movimentado até que se encaixe a medida pretendida — fechar um dos olhos ajudar a aumentar a precisão (Figura 7). 11Representação arquitetônica e artística do objeto Figura 7. Lápis como elemento de medição. Fonte: Daniel Besik/Shutterstock.com. Ao enquadrar, é importante verificar se o desenho será na horizontal ou na vertical, o que terá conexão direta com as proporções da cena. O desenho de uma igreja, que, geralmente, passa uma sensação de verticalidade e impo- nência, terá essa sensação potencializada com o papel na vertical, tipo retrato. Algumas cenas pedem o uso do papel na horizontal ou formato paisagem. Esse tipo de arranjo dá mais amplitude lateral e mais sensação de estabilidade, e, por vezes, a decisão de passar a sensação é do próprio desenhista, pois “[...] outras cenas terão proporções que dependerão daquilo que decidirmos enfatizar na imagem” (CHING, 2017, p. 226). Com o enquadramento feito e o início da medição com o lápis, deve-se decidir que tipo de linha utilizar, pois se trata de um elemento primário e importante no desenvolvimento de desenhos de observação. Basicamente, existem dois tipos de linhas: a gestual e a descritiva (BAJZEK, 2019). A linha descritiva define o contorno da forma de maneira narrativa e precisa, é firme contínua e constante, além de clara e direta — é ótima para representar elemen- tos arquitetônicos, detalhes de decoração e é utilizada quando a importância real do objeto é maior que o restante da cena. Já a linha gestual é mais usada quando se pretende dar ênfase às conexões entre os elementos; é uma linha mais leve e solta e pode ter aspecto irregular (BAJZEK, 2019) (Figura 8). Representação arquitetônica e artística do objeto12 Figura 8. (a) Desenhos com linhas gestuais em preto e branco; (b) desenho com linha descritiva e colorido. Fonte: Leggitt (2004, p. 24). Essas grandes áreas representadas em desenhos de observação de design de interiores, arquitetura e paisagismo dependem muito do posicionamento do autor e da escolha do recorte da cena. Por isso, “[...] é extremamente importante manter a posição de observação fixa durante todo o processo de desenho a fim de criar representações precisas de recuos planos com os instrumentos para medir ângulos” (CURTIS, 2015, p. 56). Neste capítulo, você viu maneiras de treinar seus desenho e dicas básicas para o desenvolvimento de desenhos de observação, uma aptidão que pode ser desenvolvida e aprimorada. Esse desenvolvimento é processual, e cada etapa é importante, deve ser cumprida e levará o desenhista à excelência em sua profissão. 13Representação arquitetônica e artística do objeto BAJZEK, E. Técnicas da ilustração à mão livre: do ambiente construído à paisagem urbana. São Paulo: Gustavo Gili, 2019. CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2017. CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. E-book. GOUVEIA, A. P. S. O croqui do arquiteto e o ensino do desenho. 1998. Tese (Doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponi- veis/16/16131/tde-03052010-090659/pt-br.php. Acesso em: 27 fev. 2020. LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto Alegre: Bookman, 2004. OBSERVAR. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2020. Disponível em: https://www.dicio.com.br/observar/. Acesso em: 27 fev. 2020. WATERMAN, T. Fundamentos de paisagismo. Porto Alegre: Bookman, 2011. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidadedas informações referidas em tais links. Representação arquitetônica e artística do objeto14 DICA DO PROFESSOR O vídeo mostra o passo a passo da construção do desenho de observação de um conjunto de objetos de construção simples: uma taça, um recipiente para alimentos e uma garrafa. O tempo e o treino possibilitará o desenvolvimento de seu próprio passo a passo da técnica. Assista ao vídeo! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Desenhar com rapidez ajuda a estimular o processamento perceptual do pensamento e restringe o processamento lógico. Para optar por uma alternativa desta questão, você deverá construir os desenhos antes, seguindo as instruções. - Selecione um grupo de três objetos de linhas simples e sem muitos detalhes e monte um cenário. - Desenhe-os com a observação e cronometre quanto tempo você levou para representar os três objetos. - Diminua o tempo para 2 minutos, depois para 1 minuto e 30 segundos, depois para 1 minuto e finalmente para 30 segundos. Todos os objetos da cena devem ser desenhados por completo. Observe seus desenhos e identifique a alternativa CORRETA. A) Nos desenhos de menor tempo, muitas formas dos objetos que formam o conjunto são dispensadas. B) O número de traços do desenho permanece igual conforme o tempo diminui. C) No desenho de menor tempo, a desenvoltura do gesto para desenhar a cena é prejudicada. D) O primeiro desenho apresenta mais detalhes dos objetos da cena. Acabamos por desenhar só o essencial do conjunto, em virtude do tempo, e apreendemos de cada objeto aquilo que melhor lhe representa. Na imagem a seguir você vê o desenho cronometrado em 2 minutos. Imagem 6 Diminui, pois, em um espaço mais curto de tempo, representamos apenas os traços que definem o objeto tal qual o conhecemos. Na imagem a seguir você vê o desenho cronometrado em 1 minuto e 30 segundos. Imagem 7 Conforme treinamos, estudamos os objetos da cena e, no último desenho, já estamos familiarizados. Na imagem a seguir você vê o desenho cronometrado em 30 segundos. Imagem 8 Tivemos mais tempo para desenhá-los e nos ocuparmos com os pormenores. Na imagem a seguir você vê o desenho sem tempo cronometrado. Imagem 9 E) Conforme o tempo diminui, o desenho da cena torna-se duro e inflexível. 2) O desenho de contorno às cegas consiste em desenhar sem tirar os olhos do objeto desenhado, ou seja, sem observar a superfície do papel. Para optar por uma alternativa desta questão, você deverá construir os desenhos antes, seguindo as instruções. - Selecione um objeto de dificuldade média para desenhar, algo não muito simples, mas não cheio de detalhes. - Desenhe usando a técnica auxiliar de contorno às cegas. Observe seus desenhos e identifique a alternativa CORRETA. A) O resultado do desenho às cegas é próximo ao do desenho de observação. B) O desenho às cegas prejudica a autoconfiança para desenhar. C) O desenho às cegas é um desenho que produz versões criativas de objetos cujo desenho já é bem tradicional. D) No desenho às cegas, perdemos a noção do espaço, o que prejudica a ação de desenhar. E) O desenho às cegas, mesmo nessa condição, deve produzir um resultado muito próximo à realidade do objeto. O desenho de observação é sempre um processo progressivo de estimativa, avaliação e correção em relação ao objeto desenhado. 3) Ao contrário, o desenho torna-se mais solto e espontâneo. Na imagem a seguir você vê o desenho cronometrado em 1 minuto. Imagem 10 O desenho às cegas normalmente produz um resultado de linhas soltas e desencontradas. Nas imagens a seguir você vê o desenho de observação e o desenho às cegas. Imagem 11 Ao contrário; no momento em que não olhamos o que estamos desenhando, perdemos o compromisso de uma representação exata do objeto. Imagem 12 O desenho às cegas normalmente produz um resultado de linhas soltas e desencontradas. Nas imagens a seguir você vê o desenho de observação e o desenho às cegas. Ao contrário, treinamos a espacialidade do desenho, buscando a localização no espaço visual da folha de papel dos componentes do objeto, o que nos torna mais ágeis para desenhar. O desenho às cegas não tem compromisso com a realidade do objeto; logo, seus resultados produzem linhas e formas de livre expressão. Com base no desenho, qual é a alternativa que corresponde ao correto significado da frase acima? A) Se treinarmos bastante o desenho de observação, não erraremos mais ao desenhar. B) Por estimativa, entendemos a correspondência entre o que vemos e o que transferimos para o papel. C) Por avaliação, compreendemos apreciar ou não apreciar o desenho. D) Por correção, entendemos usar a borracha e apagar o desenho. E) As formas incorretas devem ser apagadas com borracha do desenho final. Avalie o desenho de observação da cafeteira Arno Dolce Gusto e responda: 4) Desenhar é um processo contínuo de erros e acertos. Um desenho jamais consegue reproduzir a realidade, ele apenas pode tornar visíveis nossas percepções da realidade. Por avaliação, compreendemos avaliar as habilidades de percepção do desenho. Correção quer dizer corrigir o traçado no próprio desenho. O desenho tem caráter de desenho artístico com características que o tornam naturais: linhas auxiliares, erros, borrões e manchas. O que devemos observar quando avaliamos um desenho de observação? A) A reprodução fidedigna do objeto desenhado. B) O perfeito acabamento do desenho final. C) O fator estético. D) Devemos observar se a essência do objeto foi captada no desenho. E) As medidas condizentes com a realidade. 5) Para construirmos um desenho de observação de qualidade, quais habilidades são necessárias? A) Seguir tutoriais de desenho de observação. B) Treinar a percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos, da luz e sombra e do todo do objeto. C) Captar no objeto todos os seus elementos de composição e passá-los para o papel. D) Observar os elementos de composição do objeto, somente. E) Elaborar seu próprio roteiro de desenho de observação. NA PRÁTICA Camila é arquiteta está em viagem de férias. Depois de um dia intenso de passeios, a bateria do Devemos observar se a essência do objeto foi captada no desenho. O desenho de observação tem caráter de croqui, de desenho artístico, e borrões e manchas caracterizam essa técnica. Devemos observar as habilidades de percepção do desenho: percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos, da luz e sombra e do todo. O desenho de observação não é uma réplica fiel da realidade e, nele, devemos reconhecer o objeto desenhado com as características que lhe são essenciais. O desenho de observação não é um desenho técnico, portanto, não deve se manter fiel às medidas reais, mas à sua proporção. Cada um desenvolve sua própria maneira de proceder em relação ao desenho. Treinar as habilidades básicas para desenhar, como a percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos, da luz e sombra e do todo do objeto. A qualidade de um bom desenho de observação não é medida pela quantidade de detalhes do desenho, mas pela percepção da sua essência, daquilo que torna o objeto reconhecível como aquele objeto. Partes componentes do objeto, cores e texturas são importantes, acompanhado do treino da percepção das bordas, dos espaços, dos relacionamentos, da luz e sombra e do todo do objeto. O treino do desenho propicia o desenvolvimento de um passo a passo próprio que resultará em um desenho solto e personalizado. Porém, se não soubermos perceber o objeto, suas bordas, espaços, relacionamentos, luz e sombra e seu todo, de nada adianta ter um roteiro próprio. telefone que ela usava para registrar a cidade descarregou. A última parada é um grande centro de eventos e convenções, o mesmo projeto que seu escritório está desenvolvendo para um cliente. Camila passeia atentamente pela obra e percebe que muitos recursos utilizados ali poderiam resolver seus problemas de projeto no Brasil. E agora?!De volta para casa, Camila apresenta no escritório as novas possibilidades que podem solucionar e adiantar a obra do centro de eventos. O cliente, claro, ficou muito satisfeito e já deixou Camila responsável pelo próximo projeto! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como fazer: desenho de observação/maçã Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Desenhe Tudo. Desenho de observação Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Desenho de observação Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!