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Digitalizado Por: Pregador Jovem 
ABRAÃO DE ALMEIDA 
 
 
AS VISÕESAS VISÕESAS VISÕESAS VISÕES 
PROFÉTICAS DEPROFÉTICAS DEPROFÉTICAS DEPROFÉTICAS DE 
DANIELDANIELDANIELDANIEL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE 
 
AO LEITOR. 
PREFÁCIO. 
1. BABILÔNIA, O PRIMEIRO IMPÉRIO MUNDIAL 
(A estátua profética • A cabeça de ouro). 
2. O SIMBÓLICO URSO DESTRUIDOR 
(O carneiro com duas pontas • Belsazar e a queda de Babilônia • Ciro, o 
ungido de Deus • Campanhas contra os gregos). 
3. O REI VALENTE E SEU SONHO DOURADO 
(Cartas famosas • O sonho de Alexandre • Alexandre e os judeus • Os 
quatro reinos que se reduziram a dois). 
4. OS REINOS DO NORTE E DO SUL 
(Cumprimento fiel da profecia • Judá, alvo das guerras gregas • O rei feroz 
de cara • As duas pontas pequenas). 
5. ROMA, A POTÊNCIA FÉRREA 
(O animal terrível e espantoso • Como Roma conquistou o mundo • 
Cumprindo as Escrituras). 
 
 
 
 
 
 
 
 
AO LEITOR 
 
A vida e o ministério do profeta Daniel transcorrem em meio a grandes 
transformações sociais, religiosas e políticas. 0 poderio assírio desaparece 
definitivamente na batalha de Carquemis, em 605 a.C, e, no ano seguinte, 
Nabucodonozor, filho de Nabopolassar, toma-se um dos mais famosos 
governantes de todo o Fértil Crescente. Em seu reinado de 43 anos, esse 
poderoso monarca restaura cidades e templos em ruínas, regula o curso de 
rios, constrói represas, abre canais, estabelece portos e passa por profundas 
crises espirituais. A importância de Nabucodonozor para o mundo antigo e 
sua extraordinária contribuição para a civilização daquela época têm sido 
reconhecidas por todos os historiadores. 
No âmbito da revelação divina, destacam-se nesse contexto histórico, entre 
outros, os profetas Jeremias, Ezequiel e Daniel. As visões deste último, das 
quais nos ocupamos neste trabalho, abrangem os tempos dos gentios desde 
Babilônia até o reinado da Besta, passando pela Medo-Pérsia, pela Grécia, 
por Roma, pelos dez reinos representados pelos dedos dos pés da estátua 
profética do capítulo dois de Daniel e pelas pontas do quarto animal do 
capítulo sete, e chegam ainda ao estabelecimento do glorioso reino milenial 
de Cristo aqui na Terra, segundo o Pacto Davídico. 
Este trabalho, todavia, se limita a analisar os testemunhos históricos do fiel 
cumprimento da profecia de Daniel até a "plenitude dos tempos", 
assinalada pelo advento do Messias. A história do povo judeu, desde então 
até hoje, e os acontecimentos futuros relacionados com Israel e a Igreja, são 
tratados nos meus livros Israel, de Herodes a Dayan, e Deus revela o 
futuro. 
 
O Autor 
 
 
 
 
PREFÁCIO 
 
Mais um livro surge de autoria de Abraão de Almeida, o conceituado 
escritor evangélico detentor de diversos títulos e membro da Academia 
Evangélica de Letras. 
Desta vez denomina-se AS VISÕES PROFÉTICAS DE DANIEL e 
constitui uma introdução ao estudo dos livros de Daniel e Apocalipse, 
estudo que continua em mais dois livros já no prelo. 
São três as visões constantes do livro de Daniel: a da estátua profética dos 
reinos mundiais (cap. 2); a dos quatro animais, com o mesmo significado 
da anterior (cap. 7), e a do capítulo 8, que mostra dois (Medo-Persa e 
Grécia) dos quatro reinos de caráter mundial, e traz luz sobre as duas visões 
anteriores (caps. 2 e 7) e as enriquece de detalhes. 
A obra descreve um resumo da história judaica no período de Daniel a 
Cristo, incluindo o ciclo interbíblico (dentro do qual estão as 69 semanas 
proféticas) e a história das Guerras dos Macabeus - tudo ilustrado com 
grande número de testemunhos históricos habilmente colecionados pelo 
autor, os quais atestam de modo irrefutável o cumprimento das profecias 
até os nossos dias. Nessa pesquisa e exposição detalhadas está (podemos 
dizer) o maior mérito do livro. 
A exposição feita pelo autor - uma leitura agradável e didática - (estamos 
certo), é de muita utilidade para todos os que se dedicam ao estudo das 
Escrituras, mas para estudar com aquele desejo de conhecer, de perscrutar, 
de aprofundar-separa o bom manejo da Palavra. Assim é que a obra se 
torna indispensável aos pastores, aos professores da Escola Dominical, e 
aos alunos dos Institutos Bíblicos, mormente porque mostra fatos 
apontados pela profecia, que, em nossos dias estão tendo cumprimento. 
Situar as profecias no tempo, e no tempo o cumprimento delas, é 
indispensável a todos os que desejam ensinar ou pregar com êxito e 
proveito. 
O estudo dos livros de Daniel e Apocalipse - apocalíticos que são - depende 
de comentários de peritos em investigação bíblica que trabalhem sob a 
direção do Espírito de Deus - é o que o livro contém. 
 
 
 
 
 
 
 
1 
BABILÔNIA, O PRIMEIRO IMPÉRIO 
MUNDIAL 
 
Simbolizado na Bíblia pelo ouro e por um leão alado, os caldeus 
triunfaram rapidamente sobre os egípcios, assírios, fenícios e árabes, e 
construíram a mais rica metrópole do mundo antigo. 
 
Sucedendo ao domínio assírio, o período caldeu de Babilônia começou em 
626 a.C, quando Nabopolassar, partindo do Golfo Pérsico, ocupou o trono 
babilônico a 22 de novembro. Auxiliados pelos medos, os caldeus foram 
infringindo sucessivas derrotas aos assírios, tomando-lhes as cidades de 
Sallat por volta de 623 a.C, Assur em 614 a.C. e Nínive dois anos depois, 
em 612 a.C. Depois de suas vitoriosas campanhas contra a Síria e diversas 
tribos do Norte, entre os anos de 609 a 605 a.C, Nabopolassar confiou seu 
exército a Nabucodonozor, seu príncipe herdeiro, que combateu os egípcios 
em Kumuhi e Quramati, derrotando-os definitivamente em Carquemis, nos 
meses de maio e junho de 605 a.C. Enquanto estava na Palestina recebendo 
a sujeição de outros povos, inclusive de Judá ao tempo do rei Joaquim, 
ouviu a notícia da morte do pai (15 de agosto de 605 a.C), "e 
imediatamente atravessou o deserto para tomar as mãos de Bel, e, assim, 
reivindicar oficialmente o trono, a 6 de setembro de 605 a.C." 
Por ocasião da sujeição da Judéia ao império de Babilônia, Nabucodonozor 
ordenou "a Aspenaz, chefe de seus eunucos, que trouxesse alguns dos 
filhos de Israel, e da linhagem real e dos nobres, mancebos em que não 
houvesse defeito algum, formosos de parecer, e instruídos em toda a 
sabedoria, sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que 
tivessem habilidade para viverem no palácio do rei, a fim de que fossem 
ensinados nas letras e na língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a 
ração de cada dia, da porção do manjar do rei, e do vinho que ele bebia, e 
que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem 
estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, 
Hananias, Misael e Azarias", Dn 1.3-6. 
Os jovens hebreus rejeitaram as iguarias reais por ferirem os princípios 
bíblicos, pois tratava-se de alimentos consagrados à idolatria, e "a estes 
quatro mancebos Deus deu o conhecimento e a inteligência em todas as 
letras, e sabedoria, mas a Daniel deu entendimento em toda a visão, e 
sonhos", v. 17. 
A ESTÁTUA PROFÉTICA 
Depois de ver consolidado o seu reino, Nabucodonozor teve, certa noite, 
um impressionante sonho. Vira uma grande estátua que tinha a cabeça de 
ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de cobre, as pernas de 
ferro e os pés em parte de barro e em parte de ferro. O rei estava olhando, 
quando uma pedra foi cortada, sem mãos, e feriu a estátua nos pés, 
reduzindo-a a pó, para o qual não se achou lugar. E a pedra, por sua vez, 
tornou-se num grande monte que encheu a Terra. 
Ao despertar na manhã seguinte, Nabucodonozor convocou seus sábios, 
astrólogos e adivinhos e exigiu deles que lhe contassem o sonho e dessem a 
sua interpretação. "Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei, vive 
eternamente! dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretação. 
Respondeu o rei, e disse aos caldeus: Uma coisa é certa: se não me fizerdes 
saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas 
serão feitas monturo", Dn 2.4,5.Os sábios de Babilônia, incapazes de atender ao rei, foram condenados à 
morte, estando também na lista negra Daniel e seus companheiros 
(certamente Azarias, Misael e Ananias). Ao saber do decreto real, Daniel 
falou a Arioque, chefe da guarda do rei: "Por que é tão severo o mandado 
do rei? Então Arioque explicou o caso a Daniel. Foi Daniel ter com o rei e 
lhe pediu designasse o tempo, e ele revelaria ao rei a interpretação. Então 
Daniel foi para casa, e fez saber o caso a Ananias, Misael e Azarias, seus 
companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este 
mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o 
resto dos sábios de Babilônia. Então foi revelado o mistério a Daniel numa 
visão da noite; Daniel bendisse o Deus do céu", Dn 2.15-19. 
De posse do segredo, Daniel procurou Arioque e este, depressa, introduziu 
o jovem judeu na presença do rei. Disse Daniel: "Tu, ó rei, estavas vendo, e 
eis aqui uma grande estátua; esta, que era imensa e de esplendor, estava em 
pé diante de ti, e a sua aparência era terrível", Dn 2.31. 
Depois de descrever a visão, Daniel passa a interpretar-lhe os diversos 
símbolos: "Tu, ó rei, reis dos reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o 
poder, a força e a glória; a cujas mãos foram entregues os filhos dos 
homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves dos 
céus, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro", Dn 
2.37,38. 
A CABEÇA DE OURO 
A profecia que estamos considerando trata da dominação dos gentios até o 
estabelecimento do Milênio. A Palavra de Deus não prevê mais que quatro 
reinos mundiais, sendo o primeiro deles Babilônia: “Tu és a cabeça de 
ouro", disse Daniel a Nabucodonozor. 
O império babilônico recebeu na Bíblia Sagrada o título de "a jóia dos 
reinos, glória e orgulho dos caldeus", e sua capital foi chamada de "cidade 
dourada", Is 13.19; 14.4. 
A grandeza do reino dos caldeus pode ser medida pelas dimensões e 
riquezas de Babilônia. Esta cidade ocupou uma área quadrada de 576 Km 
(96 Km de perímetro), com avenidas de 45 metros de largura por 24 km de 
comprimento, que dividiam luxuosos quarteirões com exuberantes jardins, 
suntuosas residências, magníficos palácios e gigantescos templos. Um 
desses templos, dedicado a Bel, media 5 km de circunferência, e um dos 
palácios reais ocupava uma área superior a 12 km2. 
Os historiadores afirmam que os muros de Babilônia eram duplos e 
alcançavam a altura de 112 m, com uma largura de 24 m. Tão 
assombrosamente fecundo era esse país que Heródoto evitava relatar tudo 
que vira em Babilônia, temendo não ser acreditado. De fato, essa grande 
metrópole inventou um alfabeto, resolveu problemas de aritmética, 
inventou instrumentos para medição do tempo, descobriu a arte de polir, 
gravar e perfurar pedras preciosas; alcançou grande progresso nas artes 
têxteis, aprendeu a reproduzir fielmente os contornos de homens e animais, 
estudou com êxito o movimento dos astros, concebeu a idéia da gramática 
como ciência e elaborou um sistema de leis civis. Em grande parte, a 
cultura dos gregos provinha de Babilônia. 
Outras profecias relacionadas com o império babilônico: No cap 7 de 
Daniel, versos 3 e 4, lemos: "E quatro animais grandes, diferentes uns dos 
outros, subiam do mar. O primeiro deles era como leão, e tinha asas: de 
águia; eu olhei até que lhe foram arrancadas as asas, e foi levantado da 
terra, e posto em pé como um homem; e foi-lhe dado um coração de 
homem". 
Convém salientar que, particularmente nas profecias de Daniel e do 
Apocalipse, animais simbolizam reinos: leão (Babilônia), Dn 7.4; urso e 
carneiro (o reino unido da Média e da Pérsia), Dn 7.5; 8.3, 20; leopardo e 
bode (Grécia), Dn 7.6; 8.5,21; animal terrível e espantoso, com 10 pontas 
(Roma), Dn 7.7; Ap 17.3. Mar ou águas simbolizam povos, Dn 7.3; Ap 
17.15. Ventos representam guerras, Jr 4.11; 25.32; He 1.11. Asas, rapidez, 
Dn 7.4; He 1.6-8. Chifres (ou pontas), reinos, Dn 7.7,24; 8.7-9. Braços, 
significam ajuda, exércitos, Dn 11.31. 
Acerca dos caldeus, eis o que registraram outros profetas: "Já um leão 
subiu da sua ramada, e um destruidor de nações; ele já partiu, e saiu do seu 
lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades 
sejam destruídas, e ninguém habite nelas"; "Porque eis que suscito os 
caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, 
para possuir moradas não suas. Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu 
juízo e a sua grandeza. Os seus cavalos são mais ligeiros que os leopardos, 
e mais perspicazes que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por 
toda a parte: sim, os seus cavaleiros virão de longe, voarão como águias 
que sê apressam à comida"; "Porque assim diz o Senhor: Eis que voará 
como a águia, e estenderá as suas asas sobre Moabe"; "Uma grande águia, 
de grandes asas, de farta plumagem, cheia de penas de várias cores, veio ao 
Líbano e levou o mais alto ramo dum cedro", Jr 4.7; He 1.6^8; Jr 48.40; Ez 
17.3. 
Ao referir-se a Nabucodonozor, um escritor disse que "o Império era ele e 
ele era o Império. Como supremo e absoluto, sua corte não era mais que 
mera fantasia; seus cortesões nada pesavam nas decisões que ele tomava. 
Ele era o 'tudo', a majestade suprema dum cetro que cobria vitorioso 
inteiramente o orbe conhecido e habitado. Além disso, desempenhou 
Nabucodonozor uma administração que conservou as nações todas em 
harmonia, bem como sob completa segurança e proteção. E, mais ainda, 
jamais a história registrou um soberano político no trono do mundo maior 
do que ele. Ele a todos sobrepujou em glória, grandeza e majestade. Assim, 
achou por bem Deus - que lhe dera todo o poder e a glória de que era 
senhor - honrá-lo no símbolo da cabeça de 'ouro fino' da estátua de seu 
impressionante sonho inspirado, ainda que ela representasse com toda a 
evidência o Império Caldeu Neobabilônico. E é surpreendente notar que a 
interpretação de Daniel ignorou por completo, não somente os reis que 
precederam Nabucodonozor no trono de Babilônia como também os que 
lhe sucederam. Sim, só ele foi levado em alta conta pelo Céu naquele trono 
do mundo. Todos os demais que ali se assentaram, praticamente nada 
representam aos olhos daquele que é a suprema autoridade ha Terra e no 
Céu. Em toda a Terra e em toda a História não houve outro potentado que 
governasse o mundo tão a contento de Deus". 
Os babilônios mantiveram o domínio mundial desde 612 a.C, quando 
Nínive, a capital dos assírios, foi tomada por Nabopolassar. Este primeiro 
império durou até 15 de outubro de 539 a.C, pois no dia seguinte os medos-
persas assumiram a supremacia mundial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
O SIMBÓLICO URSO DESTRUIDOR 
 
Coligados, os medos e persas venceram e formaram um vasto império, 
porém inferior ao de Babilônia, tal como previu Daniel. 
 
Dando seqüência à interpretação do sonho de Nabucodonozor, disse 
Daniel: "Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu", Dn 2.39. 
Este segundo império está simbolizado na estátua pelo peito e braços de 
prata, metal inferior ao ouro. 
Na visão dos animais, Daniel viu o segundo governo "semelhante a um 
urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os 
dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne", Dn 7.5. 
Embora o urso não seja considerado o rei dos animais, atinge maior 
estatura e peso que o leão. "Diz-se que sua maior espécie foi encontrada na 
Média, país montanhoso, acidentado e frio. Os seus 42 dentes, as suas 
formidáveis grandes garras aguçadas, o seu grande peso, a sua coragem e a 
sua astúcia, fá-lo grandemente terrível. No que respeita à sua crueldade, 
ferocidade e sede de sangue, não tem rival. Ao andar, não rapidamente, 
senta a planta do pé no chão (ao contrário dos pés de cachorro e do leão), 
dando a impressão de amassar tudo onde quer que pise ou passe, como se 
fora um rolo compressor que tudo arrasa. É em seus pés que reside a sua 
maiorforça de domínio e destruição... Assim, seu tríplice poder 
concentrado em seu peso, sua boca e seus pés, faz do urso o segundo em 
seu reino, só vencido pelo leão após renhida batalha. Não podendo o urso 
ser o rei dos quadrúpedes, parece pretender sê-lo. Não alcançando, todavia, 
supremacia absoluta, é obrigado a cometer destruição para impor-se, como 
se supremo fora, sem contudo lograr o seu objetivo. Neste terrível animal 
carniceiro e destruidor, fora o Império Medo-Persa figurado pela revelação. 
De fato, os soberanos medo-persas, inábeis para governar o mundo, 
cometeram as maiores e mais vis atrocidades. Em suas conquistas 
procuraram vencer, não mediante categorias bélicas, mas pela avalancha de 
suas tropas, daí o massacre a quaisquer povos que lhe opusessem a menor 
resistência. Somente para o transporte de víveres, usavam os persas uma 
frota de 1.200 barcos, com uma tripulação de 300 mil homens! Os exércitos 
medo-persas passaram à História como profundamente sanguinários, 
devoradores de muita carne, conforme anunciava a profecia. Afirma-se que 
Tomires, rainha dos citas, mandou' cortar a cabeça de Ciro e mergulhou-a 
num odre cheio de sangue humano, dizendo: "Farta-te de sangue, de que 
sempre viveste sequioso". 
As três costelas entre os dentes do urso, bem como as três direções em que 
o animal dava marradas, significam as três primeiras presas: Babilônia, 
Egito e Lídia, Dn 8.4. 
O CARNEIRO COM DUAS PONTAS 
Mais adiante o profeta vê o mesmo império na figura de outro animal: "No 
ano terceiro do reinado de Belsazar, apareceu-me uma visão, a mim, 
Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. E vi na visão 
(acontecendo, quando vi, que eu estava na cidadela de Susã, na província 
de Elão), vi pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. E levantei os 
meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha 
duas pontas; e as duas eram altas, mas uma era mais alta do que a outra; e a 
mais alta subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o 
ocidente, e para o norte e para o meio-dia; e nenhum animal podia estar 
diante dele, nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia 
conforme a sua vontade, e se engrandecia", Dn 8.1-4. Esta visão do 
carneiro, Daniel a teve por volta do ano 553 a.C, cerca de 14 anos antes da 
queda de Babilônia. É significativo que o profeta se achasse em Susã, a 
capital da Pérsia, pois a visão relacionava-se diretamente com os persas. 
Trazendo mais luzes sobre as visões anteriores - da segunda parte da 
estátua e do urso - o carneiro apresenta-se com dois chifres, símbolos da 
Média e da Pérsia. O fato de a mais alta subir por último significa que 
Dário, embora tenha primeiramente ocupado o trono, perdeu-o para Ciro na 
batalha de Passargade, o que elevou os persas sobre os medos: "uma era 
mais alta do que a outra; e a mais alta subiu por último". Na explicação 
dada pelo anjo a Daniel não há qualquer dúvida: "Aquele carneiro que viste 
com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia", Dn 8.20. 
BELSAZAR E A QUEDA DE BABILÔNIA 
No ano 539 a.C, na mesma noite em que Belsazar banqueteava-se com mil 
de seus grandes e dava louvores aos deuses pagãos, profanando os vasos 
sagrados do templo de Salomão, caiu o império babilônico. A sentença 
divina na caiadura da parede: "mene, mene, tequel, ufarsim", cumpriu-se 
horas depois de explicada por Daniel. Mene: contou Deus o teu reino, e o 
acabou. Tequel: pesado foste na balança, e foste achado em falta. Peres: 
dividido foi o teu reino, e deu-se aos medos e aos persas. "Naquela noite foi 
morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dário, o medo, ocupou o reino, na idade 
de sessenta e dois anos", Dn 5.30,31. 
O rei Belsazar (ou Baltasar) aparece no livro de Daniel como filho de 
Nabucodonozor. A esse respeito lemos nas notas à Versão Clássica de 
Figueiredo: "O rei Baltasar é, segundo a opinião mais provável, o filho do 
último rei de Babilônia, Nabonide; pelo menos Nabonide, nas suas 
inscrições, diz-nos que teve um filho chamado Baltasar. Este último não era 
rei, mas exercia o poder supremo, porque o seu pai o tinha associado ao 
governo e recomendara-lhe a defesa de Babilônia de onde estava ausente 
por ocasião do cerco de Ciro. Os racionalistas têm-se servido da história de 
Baltasar. Contudo, as descobertas modernas referem-se à existência do 
filho de Nabonide, por nome Baltasar, ao contrário do que sustentou 
Halevy, que entendia que Nabonide e Baltasar eram uma só pessoa... Os 
cilindros de Nabonide, em argila, encontrados em Mugheir, a antiga Ur, 
nos quatro ângulos do Templo de Sim (a Lua), hoje existentes no Museu 
Britânico, claramente referem a existência de um filho de Nabonide, 
Baltasar, Bel-sar-usur, filho do rei. Assim sabemos acerca de Baltasar o 
seguinte: pelas inscrições, que o filho primogênito de Nabonide se chamava 
Baltasar; por Xenofonte, que Nabonide não voltou a Babilônia depois da 
sua destruição, refugiando-se em Borsipa; por Daniel, que Baltasar 
governava em Babilónia, como sendo o personagem do governo. Pode 
desejar-se acordo mais completo entre testemunhos provenientes de origens 
tão diversas?" 
CIRO, O UNGIDO DE DEUS 
Pelo menos duzentos anos antes de os persas surgirem no cenário mundial, 
seu famoso rei já estava profetizado na Bíblia: "Quem diz de Ciro: é meu 
pastor, e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: sê 
edificada; e ao templo: Funda-te. Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, 
a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua 
face... por amor de meu servo Jacó, e Israel, meu eleito, eu a ti te chamei 
pelo teu nome, pus-te o teu sobrenome, ainda que me não reconhecesses", 
Is 44.28; 45.1-4. 
Acerca dessa interessante profecia, observa o Dr. Scofield: "Este é o único 
caso em que a palavra 'ungido' se aplica a um gentio. A Nabucodonozor se 
lhe chama o servo de Jeová (Jr 25.9; 27.6; 43.10). O uso da palavra 
'ungido', em união com a expressão 'meu pastor' (Is 44.28), que é também 
um título messiânico, assinala Ciro como a assombrosa exceção de que um 
gentio seja tipo de Cristo. Os pontos de comparação são os seguintes: 
ambos, Cristo e Ciro, são conquistadores dos inimigos de Israel (Is 45.1; 
Ap 19.49-21); ambos restauram a cidade santa (Is 44.28; Zc 14.11); por 
meio de ambos o nome do único Deus verdadeiro é glorificado (Is 45.6; 1 
Co 15.28)". 
Com Ciro inaugurou-se uma nova política em relação aos povos 
conquistados. Apesar da crueldade com que lidava com seus inimigos, Ciro 
tratou seus súditos com consideração, conquistando-os como amigos. Por 
seu famoso decreto, promulgado no segundo ano de seu governo, permitiu 
a volta de todos os povos às suas próprias terras. Parece que, de modo 
especial, o famoso imperador dos persas favoreceu os judeus, concedendo-
lhes generosa ajuda. 
CAMPANHAS CONTRA OS GREGOS 
O décimo-primeiro capítulo de Daniel tem sido dividido, para efeito de 
estudos, em quatro partes: a) versos 1 a 4, os reis da Pérsia e o terceiro 
império até a sua divisão em quatro, após a morte de Alexandre Magno; b) 
versos 5 a 20, os reis do Norte e do Sul (Síria e Egito); c) versos 21 a 35, o 
reinado de Antíoco Epifânio; d) versos 36 a 45, o Anticristo, no final dos 
tempos. 
A primeira parte, de que nos ocupamos aqui, abrange o período de 539 a.C, 
desde a tomada de Babilônia pelos medos e persas, até 424 a.C, quando 
faleceu Artaxer-xes Longímanos. O texto bíblico diz: "Eis que ainda três 
reis estarão na Pérsia, e o quarto será acumulado de grandes riquezas mais 
do que todos; e, esforçando-se com as suas riquezas, agitará todos contra o 
reino da Grécia", Dn 11.2. Os reis mencionados neste texto foram 
Cambises, Pseudo Smerdis e Dário Histaspes, considerando que a visão 
fora dada no ano terceiro de Ciro, conforme Dn 10.1. O quarto rei foi 
Xerxes I, imensamente rico, que invadiu a Grécia nos anos 483 a 480, 
conhecido no livro de Ester como Assuero. Tanto a Bíblia como a história 
grega falam dele como sendo homem sensual, devasso,déspota, insidioso e 
cruel. Assuero ocupou o trono no ano 486. 
Segundo John D. Davis, no segundo ano de seu reinado subjugou os 
egípcios que se haviam revoltado contra Dário, e quatro anos mais tarde 
preparou um imenso exército e invadiu a Grécia, mas foi obrigado a 
retroceder depois da batalha de Salamina, onde a sua esquadra foi 
aniquilada por uma pequena frota grega, em 480 a.C. A mãe de Xerxes, 
Atossa, era filha de Ciro. 
Convém salientar que o Assuero que aparece em Ed 4.6 não é o mesmo de 
Ester, mas sim Cambises, que reinou de 529 a 521 a.C. É também o mesmo 
Cambises quem aparece em Ed 4.7 com o nome de Artaxerxes. O que 
aparece em Ed 7.1, já ao tempo de Esdras, por volta de 458 a.C., é 
Artaxerxes Longímanos, o rei que permitiu a Esdras e Neemias levarem um 
grande número de judeus de volta a Jerusalém e reconstruírem as muralhas 
da cidade santa, Ed 7.11-28. É o último imperador persa mencionado no 
Velho Testamento. 
 
 
 
 
3 
O REI VALENTE E SEU SONHO DOURADO 
 
Um reino sem fronteiras, sem guerras e sem crises econômicas, tal como 
sonhou Alexandre, somente será realidade quando o Messias reinar. 
 
"E um terceiro reino, de metal, o qual terá domínio sobre toda a terra", Dn 
2.39b. Nos capítulos 7 e 8 do mesmo Daniel, lemos: "Depois disto eu 
continuei olhando e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha 
quatro asas de* ave nas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e 
foi-lhe dado domínio"; "E, estando eu considerando, eis que um bode vinha 
do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha 
uma ponta notável entre os olhos... E o bode se engrandeceu em grande 
maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi 
quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro 
ventos do céu", Dn 7.6; 8.5,8. 
É interessante notar que, assim como o leão foi o animal adotado pelos 
babilônicos como o símbolo de seu império, o bode serviu para identificar 
o poderio grego, como emblema do poder real. "O bode é muito 
apropriadamente típico do império grego ou macedônio, porque os 
macedônios, a princípio, mais ou menos 200 anos antes de Daniel, eram 
chamados aegeadae, ou povo do bode; e, nessa ocasião, como referem 
autores pagãos, Caranus, seu primeiro rei, indo com uma grande multidão 
de gregos à procura de novas habitações na Macedônia, foi mandado pelo 
oráculo tomar os bodes como seus guias para o império, e, mais tarde, 
vendo um rebanho de bodes a fugir de uma violenta tempestade, seguiu-os 
até Edessa, e ali fixou a sede do seu império; fez dos bodes suas insígnias 
ou estandartes, e chamou a cidade 'Aegeae', ou 'a cidade do bode'. Esta 
observação é semelhantemente devida ao excelentíssimo sr. Mede; e a isto 
pode-se acrescentar que a cidade Aegeae, ou Aegae, foi o lugar de 
sepultamento usual dos reis macedônios. É também muito notável que o 
filho de Alexandre, de Roxama, chamou-se Alexandre Aegus, ou 'filho do 
bode'; e alguns dos sucessores de Alexandre são representados em suas 
moedas com chifres de bode". 
Outros importantes testemunhos acerca do bode como símbolo dos gregos 
estão no Museu Britânico. As moedas macedônias, de cerca de 25 séculos, 
trazem no seu reverso a figura de um bode. Também na mitologia grega 
aparece o deus "Pan", filho de Hermes e da ninfa Dryope, representado 
com chifres, corpo e pés de bode da cintura para baixo. Finalmente, o Mar 
Egeu, que banha a Macedônia e a Grécia, significa "mar do bode". 
O império grego está representado pelo ventre e coxas de cobre, pelo 
leopardo com quatro asas e pelo bode que vinha do Ocidente sem tocar no 
chão, o qual tinha uma ponta notável entre os olhos. As asas falam da 
rapidez das conquistas de Alexandre, o bode que partiu do Ocidente "sem 
tocar no chão". O serem quatro asas, significa o desmembramento do 
império em quatro dinastias independentes. A mesma significação têm as 
quatro cabeças do leopardo e as quatro pontas que se levantam do bode, ao 
cair-lhe a primeira, a grande ponta. A Palavra de Deus é claríssima: "Mas o 
bode peludo é o rei da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o 
rei primeiro. O ter sido quebrada, levantando-se quatro em lugar dela, 
significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a 
força dela", Dn 8.21,22. 
CARTAS FAMOSAS 
Ficou célebre a correspondência trocada entre Alexandre e Dário III, 
também conhecido por Dário Codomano, filho de Artaxerxes II, o qual 
começou a reinar no mesmo ano que Alexandre, ou seja, em 336 a.C. 
A primeira carta, de Dário a Alexandre, diz o seguinte: 
"Desta capital dos reis da terra: Enquanto o sol brilhar sobre a cabeça de 
Iskander Alexandre, o salteador etc. etc, saiba ele que o Rei dos Céus me 
outorgou o domínio da terra, e que o Todo-poderoso me concedeu os 
quatro quartos da superfície dela. Distinguiu-me outrossim a Providência 
com a dignidade, a majestade e a glória, e com um sem conta de campeões 
e confederados. 
"Chegou ao nosso conhecimento que reunistes uma corja de ladrões e 
réprobos, a multidão dos quais a tal ponto vos escaldou a imaginação que 
vos propusestes, com a ajuda deles, disputar a coroa e o trono, devastar o 
nosso reino e destruir o nosso país e o nosso povo. 
"Tais resoluções são, em sua crueldade, perfeitamente consistentes com a 
fatuidade dos homens de Room. Mas, é melhor para o vosso bem que, ao 
lerdes estas linhãs regresseis imediatamente do lugar até onde chegastes. 
Quanto ao vosso movimento criminoso, não tenhais receio da nossa 
majestade e punição, pois não entrastes ainda para o número daqueles que 
nos merecem vingança ou castigo. Olhai bem! Mando-vos um cofre cheio 
de ouro e um burro carregado de sésamo no propósito de dar-vos uma idéia 
da extensão da minha riqueza e poder. Mando-vos também um chicote e 
uma bola: a última para que vos entretenhais com um brinquedo próprio da 
vossa idade; o primeiro para servir ao vosso castigo." 
Ao receber essa carta, ordenou Alexandre que fossem presos e executados 
os embaixadores que a tinham trazido. Mas estes lhe suplicaram 
misericórdia e foram finalmente atendidos. Regressaram para o seu país 
levando a seguinte resposta de Alexandre a Dário: 
"De Zu-ul-Kurnain Alexandre àquele que pretende ser o rei dos reis; que se 
julga temido pelas próprias hostes celestes; e que se considera a luz de 
todos os habitantes do mundo! Como se pode então dignar tão alta pessoa 
de temer um inimigo tão desprezível como Iskander? 
"Não saberá Dará Dário que o Senhor Onipotente outorga poder e domínio 
a quem bem lhe apraz? E também que quando um fraco mortal se julga um 
deus e vencedor das hostes celestes a indignação do Todo-poderoso lhe 
reduz a ruína o reino? 
"Como pode um indivíduo destinado à morte e à decomposição ser um 
deus, ele a quem lhe tomam o reino e que deixa para outros os prazeres 
deste mundo? 
"Olhai! Decidi travar batalha convosco e para isso marcho na direção de 
vossas terras. Confesso-me fraco e humilde servo de Deus, a quem ofereço 
as minhas preces para que me conceda a vitória e o triunfo, e a quem adoro. 
"Com a carta em que fizestes tamanho alarde dos vossos poderes me 
enviastes um chicote, uma bola, um cofre cheio de ouro e um burro 
carregado de sésamo; tudo isso agradeço à boa fortuna e considero como 
sinais auspiciosos. O chicote significa que serei o instrumento do vosso 
castigo e me tornarei o vosso governador, preceptor e diretor. A bola indica 
que a superfície da terra e a circunferência do globo obedecerão ao lugar-
tenentes. O cofre de ouro, que é uma parte do vosso tesouro, denota que as 
vossas riquezas me serão transferidas muito breve. E quanto ao sésamo, 
embora os seus grãos sejam tão numerosos, todavia é macio ao tato e de 
todos os gêneros de alimento o menos nocivo e desagradável. 
"Em retribuição vos envio um saco de mostarda para provardes e 
reconhecerdes o amargor da minha vitória. E não obstante vos terdes 
exaltado com tamanha presunção, soberbo da grandeza do vossoreino e 
pretendendo ser uma divindade na terra, ousando mesmo comparar-vos à 
majestade celeste, eu verdadeiramente é que sou vosso senhor supremo; e 
embora vos tenhais esforçado por me alarmar com a enumeração do vosso 
poder e dos vossos recursos em homens e armas; todavia confio na 
intervenção da Divina Providência que hei de ver a vossa jactância 
reprovada por todo o gênero humano; e que na mesma proporção em que 
vos exalçastes vos humilhará o Senhor e me concederá a vitória sobre vós. 
No Senhor está a minha fé e a minha confiança. Adeus!" 
Depois da troca destas cartas, os dois exércitos se defrontaram em Faristã, 
onde os persas sofreram fragorosa derrota. Dário fugiu para além do 
Eufrates, e foi reunir um exército ainda mais numeroso. Tentou negociar 
com Alexandre, oferecendo-lhe pela paz a metade do seu reino, mas 
Alexandre, contra a opinião de seus generais, preferiu arriscar as suas 
tropas em nova batalha e ganhar toda a Pérsia. Eis a resposta que mandou à 
proposta de Dário: 
"Dário: 
Dário (Dário, o Grande, derrotado em Maratona), (Dário, o Grande, por 
cujo nome sois chamado) devastou, se a história diz a verdade, todas as 
cidades gregas da costa do Helesponto; todas as colônias jônias deste lado. 
Nem se contentou ele com isso, mas, atravessando o mar com um vasto 
exército, executou uma segunda invasão; sendo, porém, vencido no mar, 
retirou-se, deixando lá o general Mardônio, o qual em sua ausência deveria 
saquear toda a Grécia, talar-lhe os férteis campos e arrasar-lhe as 
florescentes cidades. 
"Acrescente-se a isso a morte de meu pai Felipe, cujos assassinos 
corrompestes e subornastes vilmente com a promessa de grande soma em 
dinheiro. 
"Assim começais uma guerra e assim covardemente a levais avante, 
tentando assassinar aqueles que tremeis de encontrar no campo de batalha; 
testemunho disso são os mil talentos que oferecestes a quem quisesse ser o 
meu assassino, mesmo quando estáveis conduzindo contra mim um 
tamanho exército. Por conseguinte, a guerra em que estou atualmente 
empenhado é em minha própria defesa; e os deuses, dando o triunfo às 
minhas armas e permitindo-me conquistar grande parte do vosso império, 
manifestaram a justiça da minha causa. Bati-vos no campo da luta; e, 
embora não me sinta obrigado pela honra nem pela gratidão a atender-vos 
no que quer que seja, todavia vos prometo, se vierdes a mim da maneira 
que exige a vossa condição, darei liberdade a vossa esposa e a vossos 
filhos, mesmo sem nenhum penhor, Como conquistador levastes uma lição; 
vereis ainda como sei tratar com honra aqueles a quem venço. Se no 
entanto duvidais de vossa segurança aqui, prometo-vos que tereis uma 
escolta para vos guardar de qualquer atentado. Entrementes, toda vez que 
tiverdes ocasião de escrever a Alexandre, lembrai-vos de que vos dirigis a 
quem não somente é rei, mas também o vosso rei". 
Finalmente, em 21 de setembro de 331 a.C, aproveitando-se de um eclipse 
lunar, o exército macedônico comandado por Alexandre atravessou o Tigre, 
e de novo a Grécia e a Pérsia se defrontaram em Arbela (ou Gaugamela) 
numa das batalhas decisivas da História. Mais uma vez a vitória coube a 
Alexandre, e desta vez lhe trouxe, na idade de vinte e cinco anos, a 
supremacia indisputável sobre a maior parte do mundo então conhecido. 
Mais uma vez em fuga, Dário foi morto por um dos seus sátrapas. 
O SONHO DE ALEXANDRE 
Alexandre Magno nasceu em Pela, em 356 a.C, e morreu em Babilônia, em 
323 a.C. Filho de Felipe II e Olímpia, assume o trono em 336 a.C, após o 
assassinato do pai, e um ano depois, no Congresso Pan-helênico de 
Corinto, é aclamado general de todas as forças gregas. 
Com um exército de 35.000 infantes, 5.000 cavaleiros e uma frota de 169 
navios, vence o exército persa às margens do Rio Granico, ocupa a Frigia, 
em cuja capital, Górdio, corta um nó complicado que, segundo a tradição, 
daria a quem o desembaraçasse o império da Ásia. Em 333, na planície de 
Isso, vence novamente os persas. A caminho do Egito, Tiro e Gaza são 
vencidas e arrasadas. É recebido no Egito como filho dos faraós; funda a 
cidade de Alexandria no delta do Nilo e ataca os exércitos do rei persa 
Dário III em Arbela (ou Gaugamela), no ano 331, derrotando 
definitivamente o império medo-persa. Cumprindo a profecia bíblica, que 
previa para o terceiro reino um "domínio sobre toda a terra", em 327 a.C, 
após a conquista do Oriente Médio e do Norte da África, invade a índia. 
Alexandre, entre os 13 e 16 anos de idade, teve como mestre o famoso 
Aristóteles, que lhe despertou o interesse para a Filosofia, a Medicina e a 
investigação científica. O seu grande mérito foi o de unificar o mundo 
grego e difundir o helenismo, criando assim um mundo novo. Com sua 
forte personalidade, Alexandre Magno passou à História como o mais 
famoso conquistador da antiguidade. Reinou 12 anos e oito meses. Faleceu 
aos 33 anos, vítima de uma febre violenta, após prolongado banquete e 
muita bebida. Dele disse Orlando Boyer: "Ele já estava à porta de qualquer 
cidade para conquistá-la, antes mesmo de alguém saber que tinha saído de 
seu palácio... Alexandre tinha o grande alvo de fazer do mundo inteiro uma 
só nação, a Alexandrelândia. Não poderia haver mais guerras nem carestia, 
porque não haveria mais estrangeiros nem fronteiras, e todos os homens, 
assim, podiam gozar paz e prosperidade. (Era o seu sonho dourado, mas só 
há um que pode realizá-lo: Jesus Cristo.) Alexandre, ainda muito novo, 
dominou o mundo inteiro e chorop porque não havia outros reinos a 
conquistar!" 
ALEXANDRE E OS JUDEUS 
A grande ponta do bode significa, não o primeiro monarca, mas o primeiro 
reino dominado sucessivamente por Alexandre Magno, por seu irmão 
Arideu e por seus dois filhos, Alexandre e Hércules. Já o "rei valente" de 
Dn 11.3,4, aponta para o primeiro imperador da Grécia, Alexandre. Este 
fez do povo judeu o alvo de sua especial consideração, pois, ao aproximar-
se de Jerusalém, o sumo sacerdote saiu-lhe ao encontro mostrando as 
profecias bíblicas que indicavam o triunfo dos gregos sobre os medo-persas 
e, especialmente, o papel que o grande general macedônico deveria cumprir 
no plano divino. Vejamos o que registrou o grande historiador judeu, 
Flávio Josefo: 
"Quando se soube que ele já estava perto, o Grão-sacrificador (o sumo 
sacerdote) acompanhado pelos outros sacrificadores e por todo o povo, foi 
ao seu encontro, com essa pompa tão santa e tão diferente da das outras 
nações, até o lugar denominado Sapha, que em grego significa mirante, 
porque de lá se podem ver a cidade de Jerusalém e o templo. Os fenícios e 
os caldeus, que estavam no exército de Alexandre, não duvidaram de que 
na cólera em que ele se achava contra os judeus ele lhes permitiria saquear 
Jerusalém e daria um castigo exemplar ao Grão-sacrificador. 
"Mas aconteceu justamente o contrário, pois o soberano apenas viu aquela 
grande multidão de homens vestidos de branco, os sacrificadores revestidos 
com seus paramentos de linho e o Grão-sacrificador, com seu éfode, de cor 
azul adornado de ouro e a tiara sobre a cabeça, com uma lâmina de ouro 
sobre a qual estava escrito o nome de Deus, aproximou-se sozinho dele, 
adorou aquele augusto nome e saudou o Grão-sacrificador, ao qual 
ninguém ainda havia saudado. Então os judeus reuniram-se em redor de 
Alexandre e elevaram a voz, para desejar-lhe toda a sorte de felicidade e de 
prosperidade. Mas os reis da Síria e os outros grandes, que o 
acompanhavam, ficaram surpresos de tal espanto, que julgaram que ele 
tinha perdido o juízo. Parmênio, que gozava de grande prestígio, 
perguntou-lhe como ele, que era adorado em todo o mundo, adorava o 
Grão-sacrificador dos judeus. - Não é a ele, respondeu Alexandre, ao Grão-
sacrificador, que eu adoro, mas é a Deus de quem ele é ministro. Pois 
quando eu ainda estava na Macedônia e imaginava como poderia 
conquistar a Ásia, Deus me apareceu em sonhos com esses mesmos hábitos 
e me exortou a nada temer. Disse-me que passasse corajosamenteo estreito 
do Helesponto e garantiu-me que Ele estaria à frente do meu exército e me 
faria conquistar o império dos persas. Eis por que jamais tenho visto antes a 
ninguém vestido de trajes semelhantes àquele com que Ele me apareceu em 
sonho. Não posso duvidar de que foi por ordem de Deus que empreendi 
esta guerra e assim vencerei a Dário, destruirei o império dos persas e todas 
as coisas suceder-me-ão segundo os meus desejos. 
"Alexandre, depois de ter assim respondido a Parmênio, abraçou o Grão-
sacrificador e os outros sacrificadores; caminhou depois no meio deles até 
Jerusalém, subiu ao templo, ofereceu sacrifícios a Deus da maneira como o 
Grão-sacrificador lhe dissera fazer. O Soberano Pontífice mostrou-lhe em 
seguida o livro de Daniel, no qual estava escrito que um príncipe grego 
destruiria o império dos persas e disse-Ihe que não duvidava de que era ele 
a quem a profecia fazia menção. Alexandre ficou contente; no dia seguinte, 
mandou reunir o povo e ordenou-lhe que dissesse que favores desejava 
receber dele. Falando pelo povo, o Grão-sacrificador respondeu-lhe que 
eles lhe suplicavam permitir-lhes viver segundo as leis deles e as leis de 
seus antepassados, e isentá-los no sétimo ano do tributo, o qual lhe 
pagariam durante os outros seis anos. Ele concedeu-lhes. Tendo-lhe, ainda, 
eles pedido que os judeus que moravam em Babilônia e na Média 
gozassem dos mesmos favores, Alexandre o prometeu com grande 
bondade, e disse que se alguns desejassem servir no exército grego, ele 
permitiria que os conscritos vivessem segundo a própria religião e 
costumes. Vários então se alistaram". 
OS QUATRO REINOS QUE SE REDUZIRAM A DOIS 
No capítulo 11 de Daniel, versos 3 e 4, as profecias acerca de Alexandre 
complementam as anteriores: "Depois se levantará um rei valente, que 
reinará com grande domínio, e fará o que lhe aprouver. Mas, estando ele 
em pé, o seu reino será quebrado, e será repartido para os quatro ventos do 
céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com 
que reinou; porque o seu reino será arrancado, e passará a outros". Os 
"quatro ventos do céu" são as quatro dinastias independentes em que se 
dividiu o império de Alexandre, em 301 a.C, na batalha de Ipsus: 
Ptolomeu, filho de Lago, no Sul, ficou com o Egito e mais tarde obteve 
Chipre; Cassandra, no Oeste, ficou com a Macedônia, Tessalia e Grécia; 
Selêuco Nicanor, no Leste, com Babilônia, Síria e todo o Oriente; 
Lisímaco, no Norte, reinou sobre a Trácia e a Capadócia. 
Os versos 5 e 20 do capítulo onze de Daniel falam de uma guerra 
prolongada entre os reis da Síria e do Egito. O primeiro destes versos é 
assim explicado por Sir Isac Newton: "Demétrio, filho de Antígono, 
conservou apenas uma pequena parte dos domínios paternos, e por fim 
perdeu Chipre para Ptolomeu. Mas depois do assassinato de Alexandre, 
filho e sucessor de Cassandro, rei da Macedônia, Demétrio apoderou-se 
desse reino no ano de 454 de Nabonassar (294 a.C). Algum tempo depois, 
quando preparava um grande exército para reconquistar os domínios de seu 
pai na Ásia, Selêuco, Ptolomeu, Lisímaco e Pirro, rei do Épiro, ligaram-se 
contra ele, invadindo a Macedônia, corromperam o exército de Demétrio, 
pondo o rei em fuga. Em seguida, apoderaram-se do seu reino e o dividiram 
com Lisímaco. Sete meses após, Lisímaco venceu a Pirro, tomou-lhe a 
Macedônia e a susteve durante cinco anos e meio, unindo-a ao reino de 
Trácia. Em suas guerras contra Antígono e Demétrio, Lisímaco lhes havia 
tomado a Caria, a Lídia e a Frigia. Ele tinha ainda um tesouro em Pérgamo, 
num castelo no topo de uma colina cônica na Frigia, perto do rio Caicus, 
cuja guarda havia confiado a um tal Filatero, que a princípio lhe foi fiel, 
mas por fim se revoltou contra ele, no último ano de seu reinado, pois 
Lisímaco, instigado por sua esposa Arsinoé, começou assassinando seu 
próprio filho Agatocles e depois diversos outros que o choravam. A viúva 
de Agatocles fugiu com os filhos e alguns amigos, e pediu a Selêuco que 
guerreasse a Lisímaco. Diante disso, Filatero, que era acusado de ter sido o 
assassino de Agatocles, pela própria Arsinoé, pôs-se em armas ao lado de 
Selêuco. Nessa ocasião, Selêuco deu batalha a Lisímaco na Frigia; este 
morreu na batalha e Selêuco tomou o seu reino no ano 465 de Nabonassar 
(283 a.C). 
"Assim o império dos gregos, que inicialmente se havia dividido em 
quatro, reduziu-se novamente a dois reinos notáveis os quais são chamados 
por Daniel de os reinos do Sul e do Norte. Então Ptolomeu reinava sobre o 
Egito, a Líbia, a Etiópia, a Arábia, a Fenícia, a Celesíria e Chipre; e 
Selêuco, tendo unido três dos quatro reinos, tinha um domínio pouco 
inferior ao do império persa, conquistado por Alexandre Magno..." 
 
 
 
 
 
4 
OS REINOS DO NORTE E DO SUL 
 
Com a repentina morte de Alexandre, seus domínios se dividiram 
primeiramente em quatro reinos que, por sua vez, se reduziram a dois. 
 
Os versos 6 a 20 do capítulo 11 de Daniel tratam das lutas entre os 
Selêucidas, reis do Norte, e os Ptolomeus, reis do Sul. O fato de Daniel, 
mais de três séculos antes, haver descrito com tantas minúcias a história 
desses reinos, só pode ser explicado à luz da Palavra de Deus: "homens 
santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo", 2 Pe 1.21. 
CUMPRIMENTO FIEL DA PROFECIA 
Os 15 versículos citados abrangem um período de aproximadamente um 
século, começando por volta de 250 a.C. O comentário seguinte, de Mc 
Nair, refere-se a esse texto, cuja leitura sugerimos ao leitor a fim de melhor 
compreender o seu cumprimento histórico: Os dois que fazem aliança são 
os reis do Norte (a divisão Síria do império Grego) e do Sul (Egito). Esta 
aliança foi efetuada pelo casamento da filha do rei do Sul, a princesa 
egípcia Berenice, filha de Ptolomeu II a Antíoco Theos, o rei do Norte. A 
combinação foi que Antíoco teria de divorciar-se da sua esposa e fazer de 
um dos filhos de Berenice o herdeiro do reino. Este convênio acabou num 
desastre. Quando Ptolomeu morreu, Antíoco Theos, em 247 a.C, chamou a 
sua esposa anterior. Berenice e seu filho foram envenenados, e o filho da 
primeira esposa, Gallinicus, foi posto no trono como Selêuco II. "Mas, ao 
cabo de anos, eles se aliarão um com o outro; a filha do rei do Sul casará 
com o rei do Norte, para estabelecer a concórdia; ela, porém, não 
conservará a força do seu braço, porque ela será entregue, e bem assim os 
que a trouxeram, e seu pai, e o que a tomou por sua naqueles tempos", v.6. 
Ptolomeu III Euergetes (246-221 a.C), irmão de Berenice, que sucedeu a 
seu pai Ptolomeu II, invadiu o território da Síria até a Ásia Menor e por 
algum tempo ocupou a própria Antioquia, reacendendo, assim, a guerra 
entre os dois reinos. Como vingança pelo assassinato de sua irmã, matou a 
esposa de Antíoco Theos. Diz a Bíblia: "Mas de um renovo da linhagem 
dela um se levantará em seu lugar, e avançará contra o exército do rei do 
Norte e entrará na sua fortaleza, agirá contra eles, e prevalecerá", v.7. 
Cumprindo tudo o que estava profetizado a seu respeito, Ptolomeu III 
Euergetes voltou ao Egito levando quatro mil talentos de ouro, 40 mil 
talentos de prata e dois mil e quinhentos ídolos e vasos sagrados, dos quais 
muitos tinham sido arrebatados à Pérsia por Cambises. No ano 240 a.C. 
Selêuco Calicino invadiu o Egito e voltou derrotado. Sua frota pereceu 
numa terrível tempestade. Os filhos de Selêuco Calicino, Selêuco Hl (226-
223 a.C.) e Antíoco, o Grande, (223-187 a.C.) guerrearam contra o Egito. O 
primeiro atacou, sem sucesso, as províncias egípcias na Ásia Menor; o 
segundo, também conhecido por Antíoco III, invadiu o Egito sem muita 
oposição da parte de Ptolomeu Filopáter. Em 218 a.C, numa outra investida 
contra o Egito, Antíoco tomou a fortaleza de Gaza. Eis a profecia bíblica a 
respeito destes fatos: "Também aos "seus deuses com a multidão das suas 
imagens fundidas, com os seus objetos preciosos de prata e ouro, levará 
como despojo para o Egito; poralguns anos ele deixará em paz o rei do 
Norte. Mas depois este avançará contra o reino do rei do Sul, e tornará para 
a sua terra. Os seus filhos farão guerra, e reunirão numerosas forças; um 
deles virá apressadamente, arrasará tudo e passará adiante; e, voltando à 
guerra, a levará até a fortaleza do rei do Sul", vv 8 a 10. 
JUDÁ, ALVO DAS GUERRAS GREGAS 
No ano seguinte à queda de Gaza, Ptolomeu Filopáter, graças a um 
poderoso exército, vence Antíoco, o Grande, na batalha de Ráfia, a 
sudoeste de Gaza, e sacrifica em Jerusalém. Pelo fato de haver sido 
impedido de entrar no lugar santíssimo do Templo, tenta destruir os judeus 
de Alexandria. Cerca de 14 anos mais tarde, Antíoco, o Grande, tenta mais 
uma vez derrotar o Egito, porém falha. "Então este se exasperará, sairá, e 
pelejará contra ele, contra o rei do Norte; este porá em campo grande 
multidão, mas a sua multidão será entregue nas mãos daquele. A multidão 
será levada, e o coração dele se exaltará; ele derrubará miríades, porém não 
prevalecerá. Porque o rei do Norte tornará, e porá em campo multidão 
maior do que a primeira, e ao cabo de tempos, isto é, de anos, virá à pressa 
com grande exército e abundantes provisões. Naqueles tempos se 
levantarão muitos contra o rei do Sul; também os dados à violência dentre o 
teu povo se levantarão para cumprirem a profecia, mas cairão", vv 11 a 14. 
Tanto a Síria como o Egito, por ambicionarem cada um deles ser a 
verdadeira continuação do império de Alexandre, continuaram guerreando-
se mutuamente. Judá, por estar entre os dois reinos, foi alvo permanente 
das disputas dos gregos, que desejavam impor sua cultura e filosofia 
também aos judeus. 
Antíoco, o Grande, por trazer opróbrio sobre os romanos pelas suas ações 
foi derrotado por estes na batalha de Magnésia, em 190 a.C, sob o comando 
do cônsul Lúcio Cornélio Cipião. De regresso a sua terra, Antíoco tentou 
roubar o templo de Belus, em Elimaís, e teve um fim triste. Daniel 
profetizou a esse respeito: "Depois se voltará para as terras do mar, e 
tomará muitas; mas um príncipe fará cessar-lhe o opróbrio, e ainda fará 
recair este opróbrio sobre aquele. Então voltará para as fortalezas da sua 
própria terra; mas tropeçará e cairá, e não será achado", vv. 18 e 19. 
Daniel fala ainda de Selêuco Filopáter (187-175 a.C), morto "não em ira 
nem em batalha", pois foi envenenado por seu cobrador de impostos de 
nome Heliodoro, depois de mandá-lo depredar o templo em Jerusalém. 
Comentando o verso 14, onde se afirma que muitos se levantariam para 
cumprir a profecia, diz a nota de rodapé da Bíblia Vida Nova: "Até a época 
destas guerras, o livro de Daniel seria bastante conhecido pelos judeus que 
quiseram apressar 'o tempo do fim' (quando na verdade, o Filho de Deus é 
que faria cessar a injustiça humana para prevalecer a justiça eterna). Por 
isso, estes últimos apressaram-se em tomar armas contra Antíoco, o 
Grande, a fim de obterem independência absoluta para Israel, que passaria 
a ser uma teocracia messiânica, segundo suas esperanças". 
O REI FEROZ DE CARA 
Embora a Palestina só viesse a tornar-se província romana no ano 63 a.C, a 
supremacia do povo latino teve início em Pidna, no dia 22 de junho de 168 
a.C. Entre esta e aquela data, a Judéia passou por muitas vicissitudes, 
destacando-se a opressão sob Antíoco Epifânio. Este rei, depois de passar 
15 anos como refém em Roma, governou a Síria de 175 a 164 a.C. Sua 
crueldade e intolerância religiosa fizeram dele um tipo do futuro Anticristo. 
O relato bíblico que trata desse rei está em Daniel, capítulos 8 e 11: "Mas, 
no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á 
um rei de feroz catadura e entendido em intrigas. Grande é o seu poder, 
mas não por sua própria força; causará estupendas destruições, prosperará e 
fará o que lhe" aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo. Por sua 
astúcia nos seus empreendimentos, fará prosperar o engano, no seu coração 
se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; 
levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem 
esforço de mãos humanas", 8.23-25. 
No capítulo 11,o mesmo Antíoco Epifânio é assim descrito: "Depois se 
levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade 
real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com intrigas", v.21. 
Realmente, esse "homem vil" não tinha quaisquer direitos à dignidade real, 
por ser filho menor de Antíoco, o Grande, mas obteve a coroa usando-se de 
lisonjas. 
É viva, no primeiro capítulo apócrifo dos Macabeus, a descrição que se faz 
dos males ocasionados na Judéia pelos judeus infiéis, do saque de 
Jerusalém e da introdução do culto pagão em toda a Palestina: "O seu 
santuário ficou desolado como um ermo, os seus dias de festa se mudaram 
em pranto, os seus sábados em opróbrio, as suas honras em nada. À 
proporção da sua glória se multiplicou a sua ignomínia: E a sua alta 
elevação foi mudada em luto... E o rei (Antíoco Epifânio) dirigiu cartas 
suas, por mãos de mensageiros, a Jerusalém, e a todas as cidades de Judá: 
Mandando-lhes que seguissem as leis das nações da terra. E proibissem que 
no Templo de Deus se fizessem holocaustos, sacrifícios, e oferta em 
expiação de pecado. E proibissem que se celebrasse o sábado, e os dias 
solenes: E mandou que se profanassem os lugares santos, e o santo povo de 
Israel. Outrossim, mandou que se edificassem altares, e templos, e que se 
levantassem ídolos, e sacrificassem carne de porco, e reses imundas...", 
capítulo 1, versos 41,42,46-50. (Versão Clássica de Figueiredo.) 
Os registros históricos confirmam as sombrias características de Antíoco 
Epifânio. Ele foi considerado um louco sanguinário pelos historiadores 
gregos e um fomentador de intrigas entre o seu reino e o do Egito. Sua vida 
em relação ao judaísmo foi uma blasfêmia contra o próprio Deus (levantar-
se-á contra o Príncipe dos príncipes) e sua morte por desgosto, em razão do 
fracasso contra os romanos, mostra que ele foi "quebrado sem esforço de 
mãos humanas". 
AS DUAS PONTAS PEQUENAS 
Convém salientar que o capítulo 7 de Daniel trata de todos os reinos dos 
gentios, enquanto o oitavo se ocupa apenas do segundo e terceiro, ou seja, 
do medo-persa e do grego. Note-se que a "ponta mui pequena que cresceu 
muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a terra formosa (Judá), e se 
engrandeceu até o exército do céu" (sacerdotes judeus), (vv. 9 e 10), não 
saiu do quarto reino (Roma), mas de uma das pontas do terceiro (Grécia). 
Portanto, esta ponta não é a mesma do capítulo 7. 
Scofield e outros estudiosos do assunto entendem que a ponta pequena do 
capítulo 8 é Antíoco Epifânio, oitavo governador da casa dos Selêucidas, 
que reinou de 175 a 164 a.C. Intolerante em religião, intentou destruir a 
religião dos judeus pela força. Ordenou que os judeus demonstrassem 
publicamente seu repúdio à religião de seus pais, violando as leis e as 
práticas ligadas a ela: que profanassem o sábado, as festividades e o 
santuário, construindo altares e templos aos ídolos pagãos; que 
sacrificassem carne de porco nos altares do templo e não circuncidassem 
seus filhos. O judeu que desobedecesse à palavra do rei seria morto. 
A pressão de Antíoco sobre os judeus, cada vez mais cruel, culminou no 
décimo quinto dia do mês de quisleu (dezembro), do ano 168 a.C, quando 
uma gigantesca estátua de Zeus Olímpio foi colocada atrás do altar do 
sacrifício, e os pátios do Templo transformados em lugares de lúbricos 
bacanais. 
Os que se recusaram a obedecer aos decretos reais fugiram ou morreram. 
Milhares foram sacrificados, e nessa conjuntura irrompeu a revolta dos 
Macabeus, repleta de atos heróicos e de sacrifícios auto-imoladores. Os 
atos de bravura dos Macabeus acabaram por vencer, no final de 165 a.C, 
definitivamente, as bem equipadas e esplendidamente treinadas tropas 
selêucidas. Antíoco, logo ao receber a notícia de que seus exércitos haviam 
sido irremediavelmente batidos, morreu de desgosto entre Elimaíse 
Babilônia. 
No vigésimo quinto dia de quisleu, de 165 a.C, Judas, o Macabeu, depois 
de purificar o templo, reconsagrou-o acendendo as lâmpadas do candelabro 
sagrado, ofereceu incenso no altar de ouro, levou oferendas ao altar dos 
sacrifícios e decretou que todos os anos o evento fosse comemorado, 
nascendo assim a "Chanukah", Festa da Dedicação: Jo 10.22. 
 
 
 
 
 
 
5 
ROMA, A POTÊNCIA FÉRREA 
 
O império romano, com suas férreas garras, subjugou todo o mundo 
antigo, crucificou o Messias e destruiu Jerusalém e o Templo. 
Nos capítulos anteriores, analisamos os três primeiros impérios mundiais: 
Babilônico (612-539 a.C), Medo-Persa (539-331 a.C.) e Grego (331-168 
a.C.) O quarto reino, representado pelo animal terrível e espantoso e pelas 
pernas de ferro e pés em parte de ferro e em parte de barro, é o romano, no 
qual se tem cumprido a profecia bíblica até mesmo nos mínimos detalhes. 
Diz a Bíblia: "Depois disto, eu continuava olhando nas minhas visões da 
noite, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e, sobremodo forte, o 
qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e 
pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que 
apareceram antes dele, e tinha dez chifres", Dn 7.7. 
O ANIMAL TERRÍVEL E ESPANTOSO 
"Então - continua Daniel - tive desejo de conhecer a verdade a respeito do 
quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos 
dentes eram de ferro, e as suas unhas de metal, que devorava, fazia em 
pedaços e pisava a pés o que sobrava; e também das dez pontas que tinha 
na cabeça, e da outra que subia, de diante da qual caíram três, daquela 
ponta, digo, que tinha olhos, e uma boca que falava grandiosamente, e cujo 
parecer era mais firme do que o das companheiras. Eu olhava, e eis que 
esta ponta fazia guerra contra os santos, e os vencia... Disse assim: O 
quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os 
reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, 
quanto às dez pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois 
deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três 
reis", Dn 7.19-24. 
Que este quarto animal corresponde à quarta divisão da estátua de 
Nabucodonozor não há dúvida. Além da explicação dada pelo anjo a 
Daniel, os dentes dessa fera, de ferro, correspondem a um dos elementos da 
estátua. Por outro lado, a existência do cobre (cujas unhas eram de cobre) 
revela que o quarto reino conservaria características do reino anterior, dos 
gregos. Realmente, o mundo romano experimentava a influência das letras 
e da filosofia gregas. O império mundial dos gregos, que teve domínio 
"sobre toda a terra", Dn 2.39, fez com que sua cultura prevalecesse mesmo 
durante a supremacia dos césares, levando muitos a denominar o último 
grande império mundial de greco-romano. Se os latinos governavam pela 
força das suas armas, os gregos o faziam pelo poder das suas letras. 
Quanto aos dez dedos dos pés da estátua, às dez pontas do quarto animal e 
à ponta que tinha olhos e falava grandiosamente, tratamos de forma 
detalhada em nosso livro Deus revela o futuro. 
COMO ROMA CONQUISTOU O MUNDO 
 A sujeição dos gregos ao império romano custou a vida de milhares de 
soldados em muitas e sangrentas batalhas. Os historiadores André Aymard 
e Jeannine Auboyer afirmam que é bastante natural que Roma, "começando 
com muito pouco, tendo de lutar contra cidades análogas a ela e contra os 
coriáceos montanheses dos Apeninos centrais, detida, às vezes, em seus 
progressos, por invasões gaulesas no início do século IV a.C, só consiga 
após longas peripécias a submissão da região à qual, até César, se reservava 
a denominação de 'Itália', isto é, a Itália peninsular dos geógrafos. Esta 
submissão, entretanto, só é obtida com a tomada de Tarento, em 272 a.C. e 
da última cidade etrusca, em 265-264 a.C, nas vésperas da passagem para a 
Sicília, em 264: quase dois séculos e meio para a conquista da península, 
quando bastaram vinte e um anos a Filipe para estabelecer a hegemonia 
macedônica sobre a Grécia balcânica! 
"Se a expansão extra-italiana, aliás, já não se arrasta, a seguir, de forma tão 
lenta, amiúde só consegue realizar certas anexações depois de atrasos 
imprevistos. As guerras púnicas representam, na longa série de guerras 
ultramarinas, notáveis exceções, porque se compensam imediatamente com 
aquisições territoriais: a primeira, com a da Sicília; a segunda, com a da 
Espanha; a terceira, com a da região de Cartago. Mas os empreendimentos 
no Oriente helenístico custam a dar seus frutos. Roma já intervém na 
Grécia em 212 a.C, derrota nitidamente o exército macedônico em 197 a.C, 
esmaga-o” definitivamente em 168 e, no entanto, só em 148 a.C. estabelece 
como província a Macedônia. É suficiente mencionar, sem multiplicar os 
exemplos, o caso singular do Egito: a proteção de Roma sobre ele encontra-
se praticamente estabelecida, pelo menos desde 168 a.C. e, embora cada 
vez mais pesada, exigindo várias intervenções de tropas romanas nas 
questões internas do país, este protetorado não impede a monarquia lágida 
de conservar a sua independência teórica e mesmo prática, às vezes - 
Cleópatra serve-se de António, pelo menos tanto quanto ela o serve - até 30 
a.C." 0) 
O ano 168 a.C. marcou o início da supremacia romana nos três continentes-
Europa, Ásia e África - resultando na posse das três divisões restantes do 
vasto império de Alexandre. Alguns anos antes dessa data, porém, os 
romanos já haviam liquidado com o reino dos Selêucidas, como registrou 
G. Oncken: "Caio Pompílio Lena ordenou depois, no Egito, que Antíoco 
IV, Epifanes, da Síria, evacuasse o país. O rei disse que ia refletir o caso; 
então Pompílio com seu bastão traçou na areia um círculo ao redor do 
selêucida, pronunciando estas palavras: 'Antes de que saias deste círculo 
hás de dar-me a resposta que pede o Senado: queres ser amigo ou inimigo 
dos romanos?' Confuso em extremo, ainda sem fazer resistência alguma, o 
sucessor do grande rei de Antioquia respondeu: 'Farei o que o Senado 
pede'. Então o rústico diplomata romano estendeu pela primeira vez a mão 
a Antíoco e o saudou como amigo e aliado do povo romano". 
Sacudindo de sobre si o peso esmagador da paz romana imposta sobre seus 
antecessores, Perseu ataca os romanos e os vence numa batalha, em 171 
a.C, em Galicinos. "Esta terceira guerra teve como causa a morte do rei de 
Pérgamo quando viajava pela Grécia. Na segunda batalha, ao meio-dia de 
22 de julho de 168, próximo à fortaleza de Pidna, os romanos, sob o 
comando de Lúcio Emílio, fogem a princípio com grande perdas, ante a 
pressão do exército de Perseu. Porém, uma feliz manobra de Lúcio Emílio 
mudou a sorte da luta. Fogem agora os macedônios com Perseu 
precipitadamente, perseguidos pelos romanos. Ficaram no campo 20.000 
macedônios mortos e 11.000 prisioneiros, sendo saqueada a cidade de 
Pidna. Todos os oficiais de Perseu se entregaram aos romanos. Perseu, já 
até mesmo sem apoio pessoal do continente, refugiou-se na ilha de Samo-
trácia. Grécia e Macedônia sofreram tremendos massacres da parte dos 
vitoriosos romanos." (2) 
CUMPRINDO AS ESCRITURAS 
Os romanos cumpriram cabalmente tudo o que deles se acha escrito nas 
profecias. As terríveis garras romanas subjugaram o mundo inteiro, 
Somente a Gália, as batalhas de Júlio César conquistaram 800 populações, 
submeteram 300 povos, mataram cerca de um milhão de homens e 
reduziram outro tanto à mais cruel escravidão. Roma, afirmam os 
historiadores, chegou a ter duas vezes mais escravos que cidadãos livres. 
Através de pesados tributos, ela "devorava" o trigo do mundo e 
"despedaçava" milhares de prisioneiros em sangrentos combates uns contra 
os outros ou contra esfomeadas feras. Na inauguração do grande coliseu - o 
maior daqueles tempos, com capacidade para cem mil expectadores - o 
imperador Tito sacrificou cinco mil animais. Trajano, para comemorar umavitória matou onze mil animais em vários dias festivos. Quanto aos 
combates entre os gladiadores - escravos ou criminosos condenados à 
morte -, afirma-se que o número de vítimas oscilava entre vinte e trinta mil 
almas por mês!!! Os cidadãos romanos, incluindo o imperador e toda a sua 
corte, divertiam-se assistindo a verdadeiras batalhas! 
É opinião geral que Roma superou em atrocidade a todos os mais perversos 
conquistadores do passado. São incontáveis os massacres e as chacinas que 
ela realizou em todo o seu vasto império. César, para coroar suas vitórias, 
trucidou dois milhões de homens. Os imperadores romanos não pareciam 
humanos de tão implacáveis, impiedosos, cruéis e desalmados que eram. 
"Os imperadores romanos, em sua totalidade, com raríssimas exceções, 
eram mais feras do que humanos indivíduos. O mundo foi deveras 
esmagado por eles. Os massacres na Grécia e na Macedônia, e em outras 
regiões sem conta, foram inomináveis e comprovaram a perversidade 
daqueles Césares e seus exércitos. Torrentes de sangue inundaram o 
Império. A igreja cristã, desde o monstro Nero ao cruel Deocleciano, foi 
perseguida, pisada, torturada, dizimada, chacinada. Milhões de seus 
membros pagaram com a vida e o sangue a sua lealdade ao céu. Suas 
propriedades foram confiscadas e seus templos arrasados." 
O historiador não-crente Edward Gibbon, em O Declínio e a Queda do 
Império Romano, escreveu: "As armas da República que dominaram na 
batalha e sempre foram vitoriosas na guerra, avançaram com passos rápidos 
para o Eufrates, o Danúbio, o Reno, e o oceano; e as imagens de ouro, de 
prata, ou bronze," que deviam servir para representar as nações e seus reis, 
foram, sucessivamente, quebradas pela monarquia de ferro de Roma". 
Moisés certamente apontava para o Império Romano quando anunciou o 
castigo por desobediência: "O Senhor levantará contra ti uma nação de 
longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua 
não entenderás: nação feroz de rosto, que não atentará para o rosto do 
velho, nem se apiedará do moço. E comerá o fruto dos teus animais e o 
fruto da tua terra, até que sejas destruído; e não te deixará grão, mosto, nem 
azeite, criação das tuas vacas, nem rebanhos das tuas ovelhas, até que te 
tenha consumido; e te angustiarás em todas as tuas portas, até que venham 
a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas em toda a tua terra; e 
te angustiará até em todas as tuas portas, em toda a tua terra que te tem 
dado o Senhor teu Deus. E comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus 
filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, no cerco e no aperto 
com que os teus inimigos te apertarão", Dt 28.50-53. 
Em nenhuma outra ocasião, senão debaixo do domínio romano, as palavras 
de Moisés tiveram tão perfeito e completo cumprimento! 
Concluindo aqui este trabalho, saliento que as visões proféticas de Daniel 
vão muito além dos dias em que Roma crucificou Cristo ou destruiu 
Jerusalém. Elas avançam através dos séculos, incluem a época atual e 
continuam em direção ao futuro até o Milênio, quando "o Deus do céu 
levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a 
outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido 
para sempre", Dn 2.44. Convido o leitor a acompanhar esses cumprimentos 
proféticos através dos meus livros Israel, de Herodes a Dayan e Deus revela 
o futuro, os quais prosseguem na análise de Daniel em confronto com o 
Apocalipse, e tratam dos tempos dos gentios, do retorno de Cristo e das 
últimas coisas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EVENTOS IMPORTANTES DO VELHO TESTAMENTO 
(As datas, em ordem decrescente, são todas antes de Cristo.) 
 
2165 - Nascimento de Abrão em Ur. 
2090 - Abrão, aos 75 anos, deixa Harã e peregrina em Canaã. Início da 
Dispensação da Promessa: Deus promete abençoar as nações na 
descendência de Abrão, que é Cristo (Gn 22.17,18; G13.16). 
2079 - Deus confirma o Pacto com Abrão e muda-lhe o nome para Abraão, 
que significa "Pai de uma multidão" (Gn 17.5). 
1875-Jacó entra no Egito (Gn 46.1-6). Fim da Dispensação da Promessa e 
início do período de 430 anos mencionado em Gl 3.17. 
1445 - Israel recebe a Lei no Sinai. Quinta Dispensação, que se estende até 
a Cruz (Êx 19.8; Mt 27.35). 
1095 - Saul, o primeiro rei de Israel, inicia o período da monarquia, que 
durou 490 anos. Chave para o cativeiro babilônico e para a profecia das 
setenta semanas de anos. 
1055 - (ou 1020 na cronologia revisada), Davi aclamado rei de Israel em 
Hebrom. Pacto Davídico, segundo o qual a descendência de Davi reinaria 
para sempre em Jerusalém. É neste Pacto que se baseia o reino glorioso de 
Cristo (Ez 37.22-25). Desde o cativeiro babilônico, em 605 a.C, somente 
um rei da casa de Davi foi coroado em Jerusalém, mas 
com uma coroa de espinhos. A este rei, que é Jesus Cristo, o Pai dará "o 
trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino 
não terá fim" (Lc 1.32,33; At 2.29-32; 15.14-17). 
975 - Divisão do Reino de Israel entre Reoboão (Judá) e Jeroboão (Israel). 
721 - Sargão conquista o Reino de Israel, também conhecido como o Reino 
das Dez Tribos, Reino de Samaria e Casa de Efraim (2 Rs l7.4-6). 
701 - Senaqueribe, com um poderoso exército, invade Judá, toma aldeias e 
cidades e ameaça Jerusalém. A oração de Ezequias, a resposta divina e a 
destruição do exército assírio (2 Rs 19.14-19, 35-37). 
605 - Fim da monarquia independente de Judá e início do cativeiro de 70 
anos (Jr 25.11,12). Por não cumprir o mandamento de dar descanso à terra 
(Lv 25.2-4), os judeus foram levados para Babilônia e lá permaneceram 
"até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da sua 
desolação repousou, até que os setenta anos se. cumpriram" (2 Cr 36.21). 
539 - Fim da supremacia babilônica e início do reino medo-persa. 
445 - Artaxerxes, no vigésimo ano do seu reinado, dá ordem para a 
reconstrução de Jerusalém. Início das 70 semanas de anos (Dn 9.23-27). 
331 - Batalha de Arbelas, supremacia dos gregos, sob Alexandre o Grande. 
323 - Morte de Alexandre, aos 33 anos de idade. 
301 - Batalha de Ipsus e divisão do império grego em quatro partes. 
175 - Reina o cruel e intolerante Antíoco Epifânio, causador da morte de 
mais de cem mil judeus em Jerusalém. 
168 - Batalha de Pidna e início da supremacia romana nos três continentes: 
Europa, Ásia e África. 84 - Primeiro triunvirato romano (César, Pompeu e 
Craso). 
44 - Assassinato de Júlio César por Bruto. 
43 - Segundo triunvirato (Marco António, Lépido e Otávio). 
31 - Guerra civil entre António e Otávio, vitória deste na batalha de Ácio. 
Otávio, com o nome de Otávio César Augusto (ou simplesmente César 
Augusto), inicia a época imperial do império romano. 
6-5 - Jesus nasce em Belém de Judá, quando Herodes o Grande reina na 
Judéia e César Augusto é o imperador romano (Mt 2.1; Lc 2.1).

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