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GESTÃO DE PESSOAL I UNIDADE 1 - GESTÃO DE RH E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA................................................3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO..................................................................................................4 2 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS..........................................................................................4 3 O PAPEL DAS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES..........................................................5 4 FUNÇÕES DA GESTÃO DE RH...................................................................................12 5 ESTRUTURA INTERNA DO ÓRGÃO DE GESTÃO DE RH.........................................16 6 GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS NO EXÉRCITO BRASILEIRO..........................20 7 NORMAS GERAIS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA............................22 8 PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS.....................................................................27 8.1 AGREGAR: RECRUTANDO E SELECIONANDO TALENTOS.................................................28 8.2 ENGAJAR TALENTOS: O SIGNIFICADO DO TRABALHO.....................................................33 8.3 APLICAR TALENTOS: MODELAGEM E GESTÃO DO DESEMPENHO..............................44 8.4 RECOMPENSAR TALENTOS: REMUNERAÇÃO, BENEFÍCIOS E SERVIÇOS...................49 8.5 DESENVOLVER TALENTOS: TREINAMENTO DE EQUIPES E ORGANIZAÇÕES..........52 8.6 MONITORAR TALENTOS E EQUIPES: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS.......................57 9 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.....................................................................................59 10 REFERÊNCIAS............................................................................................................60 UNIDADE 2 - GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS...................................................................63 1 CONTEXTUALIZAÇÃO.................................................................................................64 2 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS........................................................................................64 3 GESTÃO POR COMPETÊNCIAS..................................................................................66 3.1 MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS E PERFIL PROFISSIOGRÁFICO.............................69 3.2 DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS..........................................................................................73 3.3 APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E GESTÃO DO CONHECIMENTO.....................75 3.4 COMPETÊNCIAS E DESEMPENHO...............................................................................................80 4 A CULTURA ORGANIZACIONAL, O CLIMA ORGANIZACIONAL E A QUALIDADE SUMÁRIO apre fake DE VIDA NO TRABALHO...............................................................................................96 5 O PAPEL DO LÍDER NAS ORGANIZAÇÕES.............................................................103 5.1 LIDERANÇA.........................................................................................................................................103 5.2 COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DE PESSOAS E DE CONFLITOS......................................113 6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES..................................................................................121 7 REFERÊNCIAS............................................................................................................122 APRESENTAÇÃO Caro(a) Pós-graduando(a)! Seja muito bem-vindo(a) à disciplina de Gestão de Pessoal I! Nesta primeira etapa vamos conhecer os seguintes assuntos, que são: Unidade Didática 1 – Gestão de RH na Administração Pública. Unidade Didática 2 – Gestão de Pessoas na Administração Pública. Ao longo da disciplina, será possível conhecer sobre a administração de recursos humanos em um contexto de mudanças, os principais processos de gestão de talentos humanos e a legislação aplicável à gestão de RH. Os assuntos se interconectam nos dois subtemas e permitem conhecer os conceitos básicos da gestão estratégica de pessoas na administração pública, compreender as atribuições do gestor público, assim como compreender na gestão de desempenho o seguinte: desenvolvimento, avaliação, feedback de desempenho e práticas de reconhecimento/avaliação. Para fins didáticos, a primeira unidade didática abordará a temática da administração de recursos humanos em um contexto de mudanças. Também serão apresentados os processos de gestão de RH, segundo a doutrina administrativista mais moderna. Ao longo do texto, buscaremos relacionar a teoria com a normativa do Exército Brasileiro aplicada aos conceitos gerais de gestão de RH. A segunda unidade didática é dedicada à gestão estratégica de pessoas na administração pública, abordando questões relativas a: a. Gestão por competências: mapeamento de competências, seleção por competências, perfil de competências, avaliação profissiográfica, desenvolvimento de competências e avaliação de desempenho. b. Cultura organizacional, clima organizacional e qualidade de vida no trabalho: a relação destes conceitos com o desempenho e produtividade. c. O papel do líder na organização: técnicas de comunicação não-violenta na mediação de conflitos e conversas decisivas. Esperamos que, ao final desta disciplina, você tenha habilidades e conceitos gerenciais para gestão de pessoas, focando em atingir os resultados organizacionais desejados pelo Exército Brasileiro. Bons estudos! Unidade 1 GESTÃO DE RH E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: Saber: ✔ Apontar os aspectos fundamentais da gestão de pessoas. ✔ Conhecer os principais processos de gerenciamento de recursos humanos. ✔ Apresentar as normas aplicáveis aos RH na administração pública. ✔ Conhecer os sistemas de mensuração de desempenho de pessoal na administração pública. Fazer: ✔ Examinar o alcance das ações de gestão dos RH nas diversas dimensões organizacionais. ✔ Discutir o impacto das ações de gestão dos RH nos resultados organizacionais. ✔ Compreender a interação das ferramentas de TIC com os processos do gerenciamento de recursos humanos. Gestão de PESSOAL I 1 CONTEXTUALIZAÇÃO 2 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS A presente unidade didática abordará a temática da administração de recursos humanos em um contexto de mudanças. Também serão apresentados os processos de gestão de RH, segundo a doutrina administrativista mais moderna. Ao longo do texto, buscaremos relacionar a teoria com a normativa do Exército Brasileiro, aplicada aos conceitos gerais de gestão de RH. Para iniciarmos os estudos, se faz necessário compreender o que o termo “RH” significa! Recursos Humanos é o termo que pode ser utilizado para indicar a unidade operacional, o órgão de staff prestador de serviços na área de recrutamento, treinamento, seleção, comunicação, higiene e segurança do trabalho, valorização profissional, entre outros. Também tem sido utilizado para se referir ao modo como as organizações operam suas atividades em cada uma destas áreas ou, ainda, aos profissionais que trabalham diretamente em papéis relacionados a elas (por exemplo: equipe de treinamento, engenheiro de segurança, psicólogo recrutador, médico do trabalho, entre outros). Segundo Gomes (2017, p. 3), o termo Staff se refere às atividades de apoio, assessoria e consultoria aos órgãos de linha: “Podemos dizer que é uma área de assessoria interna para aconselhar e auxiliar os gerentes de linha”. O Glossário de Termos e Expressões para uso no Exército (EB20- MF-03.109) traz o termo “Recursos Humanos” de forma mais ampla, considerado como: “1. Potencial humano de uma Nação, em todos os seus aspectos. 2. Função logística relativa ao conjunto de ações relacionadas com a aplicação do potencial humano, objetivando o cumprimento das missões das Forças Armadas” (Brasil, 2018, p. 326). Ainda, este documento interno do Exército Brasileiro apresenta o termo “Administração de Pessoal” comosendo: “Processo de planejamento, organização, controle e supervisão das atividades relativas aos recursos Para Milkovich e Boudreau (2000, p. 19), a administração de recursos humanos compreende “uma série de decisões integradas que formam as relações de trabalho; sua qualidade influencia diretamente a capacidade da organização e de seus empregados em atingir seus objetivos”. Gestão de PESSOAL I humanos, tendo em vista a adequada utilização do potencial em pessoal de uma organização” (Brasil, 2018, p. 324). Portanto, vemos que a expressão Recursos Humanos é o termo usado “para designar os modos de lidar com as pessoas nas organizações” (Gomes, 2017, p. 4). O RH passou a desenvolver um papel estratégico que demanda, segundo Alberton e Becker (2020), uma gestão integrada com outros setores, visando auxiliar o processo de planejamento e tomada de decisões para alcance dos objetivos da organização. Para Milkovich e Boudreau (2000, p. 19), a administração de recursos humanos compreende “uma série de decisões integradas que formam as relações de trabalho; sua qualidade influencia diretamente a capacidade da organização e de seus empregados em atingir seus objetivos”. Vamos, portanto, falar um pouco sobre a importância das pessoas nas organizações e os efeitos das decisões gerenciais sobre elas. 3 O PAPEL DAS PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES Para a administração de recursos humanos, as pessoas e a organização são interconectadas e interdependentes. Conforme Chiavenato (2022), as pessoas passam parte de suas vidas trabalhando em organizações - indústria, comércio, hospitais, universidades, entidades governamentais - e dependem delas para atingirem seus objetivos pessoais, seu sustento ou realização de sonhos. Por outro lado, as organizações dependem de pessoas para o seu funcionamento, para atingirem suas missões institucionais. As pessoas dão vida à organização, fomentam a inovação e a criatividade. “São as pessoas que produzem, vendem, servem ao cliente, tomam decisões, motivam, comunicam, supervisionam, gerenciam e dirigem os negócios, inclusive outras pessoas” (Gomes, 2017, p. 5). Em suma, as organizações são criadas por pessoas, para pessoas e com pessoas, e neste contexto é que se situa a gestão de pessoas como área decisiva numa instituição. (CHIAVENATO, 2022). A Companhia de Aço e Ferro Pohang, na Coréia do Sul, é a terceira maior fabricante de aço do mundo e possui uma filosofia: “Recursos são limitados; Gestão de PESSOAL I criatividade não tem limites”. Para essa empresa, as pessoas são a chave para a vantagem competitiva e as decisões dos executivos moldam o relacionamento entre a organização e seus empregados (Milkovich; Boudreau, 2000). Entretanto, a maioria das decisões importantes de uma organização envolve uma análise de custo-benefício, o que não é facilmente aplicável quando o assunto é administração de RH, pois há uma dificuldade de separar os custos específicos desta área em relação às outras (Milkovich; Boudreau, 2000). Além disso, em algumas organizações, os benefícios das ações de RH são calculados como custos não sofridos, como, por exemplo, quando se investe num programa de assistência ao alcoolismo, calculando-se o valor econômico existente com a queda de desempenho e faltas ao trabalho em razão de afastamentos dos funcionários que possuem a dependência. Muitos modelos de diagnósticos de gestão surgiram nos últimos anos, visando avaliar as políticas de RH implantadas em empresas. Porém, a relação entre as pessoas e as organizações, em especial no serviço público, ainda carece de medidas de desempenho que possam comprovar a melhor eficiência do trabalho a uma ação da administração de RH. Além disso, os objetivos organizacionais, muitas vezes, parecem antagônicos aos objetivos individuais. Conforme observa Chiavenato (2022), os modelos tradicionais de gestão acreditavam que os objetivos das pessoas eram conflitantes com os objetivos das organizações e a solução usada era do tipo ganhar-perder, ou seja, uma parte leva tudo e a outra não leva nada, ou se uma delas ganha mais, isto ocorre às custas da outra. Gestão de PESSOAL I FIGURA 1 – OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS E INDIVIDUAIS FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Modernamente, a solução que tem se apresentado é a de ganha-ganha, ou seja, para que a organização atinja suas metas, ela precisa concentrar os esforços das pessoas para que elas também atinjam seus objetivos pessoais e ambas saiam ganhando. As decisões de gestão de RH, portanto, não afetam apenas a capacidade funcional dos empregados, mas também suas vidas pessoais. Por esta razão, estão entre as mais difíceis de serem tomadas. Além disso, as decisões estão influenciadas por aspectos políticos, culturais, econômicos da sociedade, mormente no setor público. Os governos influenciam as organizações privadas mediante, por exemplo, políticas econômicas, regulações no âmbito fiscal e trabalhista, impondo especificação das condições permissíveis (jornadas de trabalho, segurança do ambiente, afastamentos, entre outras). No setor público, o Estado é o empregador e os governos ditam as políticas de pessoal aos servidores, sobretudo realizando ou não investimentos que impactam na qualidade de vida no trabalho e em aumentos salariais ou benefícios às categorias. Neste sentido, é imprescindível trazer o conceito de stakeholder (do inglês = stake, interesse; holder = aquele que possui) como sendo todos aqueles Gestão de PESSOAL I que possuem interesse em determinada organização ou que podem influenciar diretamente nos resultados dela. Verifica-se que os stakeholders podem ser internos à organização (no exemplo das organizações privadas são os administradores, funcionários, estagiários, temporários) ou externos (governo, sociedade, fornecedores, clientes, entre outros). No caso das instituições públicas, o governo age como um stakeholder que possui interesse direto, portanto poderia ser considerado interno. Inclusive, devemos frisar que no caso do Exército, por estar subordinado ao Presidente da República, as mudanças políticas de comando influenciam e são influenciadas pelas trocas de governo. No caso de empresas privadas, costuma se dar muita importância aos investidores e acionistas, que acabam sendo privilegiados na distribuição dos resultados organizacionais. E nas entidades públicas, que não visam lucro, como identificá-los? Você consegue estabelecer os stakeholders importantes para o Exército Brasileiro (em tempo de paz ou de conflito)? O que eles podem oferecer à instituição e o que esperam em troca? Em que pese a importância dos parceiros externos e da conjuntura política que se estabelece, é inegável que o efetivo militar é o principal stakeholder do EB. Poderia o Exército se constituir de inúmeros equipamentos, dos mais modernos, porém sem o engajamento das pessoas não conseguiria cumprir com eficácia a missão constitucional, pois os processos de decisão e execução passam por pessoas. Por isso, compreender sobre gestão de pessoas é tão importante aos comandos. Neste sentido, importante documento publicado no âmbito do Exército é a Portaria – EME n. 969, de 9 de fevereiro de 2023. Nela, entende-se como Dimensão Humana “o conjunto de todos os fatores geridos pela Instituição, que influenciam o profissional militar e o servidor civil – do ambiente de trabalho a seus familiares” (Brasil, 2023). O mesmo documento denomina a dimensão humana como “A Força da Nossa Força”, e se constitui “elemento primordial de desequilíbrio do Poder de Combate quando do emprego da Força Terrestre em quaisquer tipos de operações militares” (Brasil, 2023). O processo de transformação do Exército está vinculado, conforme a referida portaria ao “fortalecimento da Dimensão Humana da Força, por meio de ações inovadoras, que possam ATRAIR, RETER e MOTIVAR recursoshumanos capazes de possibilitar à Instituição a atingir suas metas e a cumprir suas missões” (Brasil, 2023). Para esta diretriz, as pessoas estarão aptas a vencerem os desafios que se apresentem ao Exército Brasileiro na Era do Conhecimento. Gestão de PESSOAL I O contexto histórico sempre influenciou a forma como as políticas de recursos humanos se estabeleceram nas organizações. A diretriz trata acerca da Era do Conhecimento, porém antes dela apresentaremos a figura de Chiavenato que descreve três Eras de produção, as quais corresponderam a saltos qualitativos na área da administração de pessoas: Na era da industrialização clássica, o empregado era considerado mão de obra. Foram estabelecidos os primeiros departamentos de pessoal, responsáveis pela admissão formal com contrato individual de trabalho, apuração de horas trabalhadas, aplicação de advertências e medidas disciplinares, controle de férias e afastamentos. Nesta época, já surgiam os primeiros movimentos sindicais, que demandaram das empresas o atendimento dessas entidades. Aqui, vale ressaltar o papel atribuído por Milkovich e Boudreau (2000) das duas grandes guerras mundiais sobre a gestão de pessoas: criaram pressões para a produção e escassez de mão de obra; além da necessidade de os militares selecionarem, treinarem e distribuírem um número enorme de indivíduos. Já na era da industrialização neoclássica, muitos países passaram a regulamentar direitos coletivos trabalhistas (década de 60). Verificou-se que o empregado era mais do que uma mão de obra dispensável e substituível, pois as empresas tinham custos de contratação, treinamento e de indenizações em caso de lesões produzidas pelo trabalho. Com isso, a administração de pessoas, na época, baseou-se em selecionar melhor os candidatos, através de políticas de recrutamento e seleção. Investiu-se em treinamento, em política de FIGURA 2 – ERAS DE PRODUÇÃO FONTE: Chiavenato (2014, p. 39). Gestão de PESSOAL I remuneração e pesquisas na área de segurança no trabalho, além de estimular a atividade física e mental. Em contrapartida, os funcionários passaram a ser avaliados com critérios, desenvolvendo-se estudos na área de desempenho e produtividade. As pessoas passam a ser considerados recursos humanos das empresas. A era da informação, permeada pelos desafios da globalização, trouxe um modelo “baseado no crescente envolvimento dos empregados por meio do enriquecimento de funções, trabalhos em equipe, confiabilidade e objetivos mútuos” (Milkovich; Boudreau, 2000, p. 501). As atividades mais burocráticas e operacionais foram terceirizadas. As organizações passaram a investir em pessoas que possuem habilidades técnicas, mas também competências intelectuais e habilidades comportamentais para execução dos trabalhos. Os executivos de linha passaram a ser considerados gestores de pessoas e as equipes dos departamentos de pessoal, consultores em nível tático. As pessoas não são mais consideradas mera “mão de obra” ou “recurso humano” e passaram a ser consideradas como Capital Intelectual ou Talentos Humanos da organização. Há autores que se referem ao momento contemporâneo como Era do Conhecimento, ou como a Quarta Revolução Industrial, ou ainda Indústria 4.0, cujo foco é a melhoria da eficiência, segurança, produtividade e retorno dos investimentos, onde as tecnologias ganham destaque, como, por exemplo, a inteligência artificial, a robótica, a internet das coisas, a impressão 3D e a biotecnologia (Schwab, 2016). Inegável que as mudanças tecnológicas trazem impactos diretos na relação entre pessoas e organizações, demandando uma profunda transformação nos processos de gestão de pessoas. O surgimento de um modelo de alta flexibilidade na área de gestão de pessoas é apontado por Milkovich e Boudreau (2000) como uma reengenharia onde a organização passa a ser uma rede solta de alianças. Neste aspecto, serviços especializados passam a ser de empresas terceirizadas, não somente os burocráticos relativos à folha de pagamento, sistemas de informações, admissão e benefícios, mas também de treinamento. Com isso, a função de RH será de um contingente bem menor de pessoas, formando uma equipe de elite, com líderes com ampla experiência e conhecimentos sobre o negócio e suas unidades, orientando as políticas. Gestão de PESSOAL I Saiba mais sobre o impacto da Inteligência Artificial no Exército, fazendo a leitura da monografia do Maj. Inf. Raja Asad Ali, intitulado “Inteligência artificial: implicações na segurança nacional e desafios jurídicos”. Disponível em: https://bdex.eb.mil.br/jspui/ bitstream/123456789/8086/1/MO%206252%20- %20ASAD.pdf Neste viés alinhado aos novos tempos, é bastante satisfatório encontrar no Glossário de Termos e Expressões para uso no Exército (EB20-MF-03.109) o conceito de Gestão Contemporânea: Conjunto de princípios e conceitos, apoiados por ferramentas e procedimentos, oriundos da evolução do pensamento da administração, que envolve todo o pessoal de uma organização e se baseia em métodos analíticos, em valores organizacionais, no desenvolvimento do ser humano e em técnicas de liderança. Com base nesses princípios e conceitos, são desenvolvidas as ações de planejamento, execução, controle e aperfeiçoamento contínuo, nas atividades pertinentes à organização, a fim de atender às necessidades e às expectativas de qualidade dos usuários (Brasil, 2018). Claramente, o Exército ao estabelecer uma diretriz para gestão de pessoas e alinhá-la à gestão contemporânea, busca aprimorar seus processos e considera crucial o desenvolvimento humano e o treinamento em liderança. Segundo Chiavenato (2022), a moderna gestão considera que as pessoas podem aumentar ou reduzir as forças ou as fraquezas de uma organização dependendo da maneira como são consideradas e, por isso, é necessário tratá-las como fonte de sucesso, como talentos indispensáveis à eficácia organizacional. Assim, o autor passou a utilizar em suas publicações mais recentes o termo Gestão de Talentos Humanos (GTH) para se referir à gestão de pessoas. Para o autor, a GTH consiste em “diversas atividades integradas entre si no sentido de obter efeitos sinérgicos e multiplicadores, tanto para as organizações como para as pessoas que nela trabalham” (Chiavenato, 2022, p. 14). O autor apresenta o modelo de gestão do talento humano com a seguinte representação: Segundo Chiavenato (2022), a moderna gestão considera que as pessoas podem aumentar ou reduzir as forças ou as fraquezas de uma organização dependendo da maneira como são consideradas e, por isso, é necessário tratá- las como fonte de sucesso, como talentos indispensáveis à eficácia organizacional. https://bdex.eb.mil.br/jspui/bitstream/123456789/8086/1/MO%206252%20- %20ASAD.pdf https://bdex.eb.mil.br/jspui/bitstream/123456789/8086/1/MO%206252%20- %20ASAD.pdf https://bdex.eb.mil.br/jspui/bitstream/123456789/8086/1/MO%206252%20- %20ASAD.pdf Gestão de PESSOAL I FIGURA 3 – MODELO DE GESTÃO DO TALENTO HUMANO FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Nesse contexto de mudanças, portanto, quais as funções da gestão de RH? É o que vamos abordar no próximo tópico. 4 FUNÇÕES DA GESTÃO DE RH A primeira e talvez mais importante função da gestão de talentos está no suporte à organização para realizar sua missão e alcançar seus objetivos. E qual a missão do Exército Brasileiro? Extrai-se das Instruções Provisórias do Sistema de Medição do Desempenho Organizacional do Exército (IP SMDO PEG) que a missão do EB consiste em: I. A fim de assegurar a defesa da Pátria: - Contribuir para a dissuasão de ameaças aos interesses nacionais; e - Realizar a campanha militar terrestre para derrotar o inimigo que agredir ou ameaçar a soberania, a integridade territorial, o patrimônio e os interesses vitais do Brasil. II. A fim de garantir os Poderes Constitucionais, a Lei e a Ordem: - Manter-se em condições de ser empregadoem qualquer ponto do território nacional, por determinação do Presidente da República, de forma emergencial e temporária, após esgotados os instrumentos destinados à preservação Gestão de PESSOAL I da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição. III. Participar de operações internacionais, de acordo com os interesses do País. IV. Como ação subsidiária, participar do desenvolvimento nacional e da defesa civil, na forma da Lei (Brasil, [s.d]). Portanto, em síntese, o Exército Brasileiro atua na defesa da Pátria, na Garantia da Lei e da Ordem, em operações internacionais e em ações de desenvolvimento nacional e de defesa civil. E como o Exército faz isso? Por meio, essencialmente, de pessoas! A importância das pessoas no contexto desta instituição é tão óbvia que nem parece necessário ser dita. Mas não! O óbvio, na administração pública, muitas vezes é preciso ser dito, ser escrito, para servir como balizador para a atuação dos governos. E a importância das pessoas é expressa, inclusive, na Visão de Futuro da instituição: “Ser constituído por pessoal altamente qualificado, motivado e coeso, que professa valores morais e éticos, que identificam, historicamente, o soldado brasileiro, e tem orgulho de servir com dignidade à Instituição e ao Brasil” (Brasil, [s.d]). Ou seja, a gestão de pessoas é ou não importante para o EB? Outra função da gestão de pessoas é preparar e capacitar continuamente seus talentos, a fim de que estejam aptos à consecução de suas atividades e motivadas. A motivação será tratada mais adiante, porém pode ocorrer por meio de reconhecimento e recompensas por desempenho. Você pode estar se perguntando: Então significa que o departamento de pessoal do Exército deve ser responsável por qualificar pessoas? Por medir desempenho? Não! Estamos tratando, aqui, de objetivos da gestão de pessoas, e não do departamento de pessoal. Lembre-se que o conceito moderno de gestão de pessoas considera que o departamento é função de staff, enquanto os líderes de equipe são os gestores. Portanto, as funções de RH são praticadas em diversos níveis, desde o estratégico ao operacional. Retorne à figura do Modelo de Gestão do Talento Humano e veja como os componentes abrangem diversas atividades integradas. Mais à frente dos estudos, vamos falar sobre os processos de gestão de RH e esta noção ficará mais clara. Lembre-se que o conceito moderno de gestão de pessoas considera que o departamento é função de staff, enquanto os líderes de equipe são os gestores. Portanto, as funções de RH são praticadas em diversos níveis, desde o estratégico ao operacional. Gestão de PESSOAL I A Gestão de Pessoas é, também, composta por políticas que aumentem a autorrealização e satisfação no trabalho, já que para muitos, especialmente entre militares, a investidura nesta função faz parte de sua identidade pessoal. No mesmo sentido, a gestão de talentos deve desenvolver e elevar a qualidade de vida no trabalho (QVT), pois a confiança na organização é fundamental para a retenção dos talentos. Klein (2021, p. 16) cita outras funções que são objetivos da gestão de pessoas em organizações: • Aumentar a competitividade; • Buscar colaboradores competentes e comprometidos; • Administrar boas mudanças organizacionais; • Atuar com ética e responsabilidade social; • Trabalhar em conjunto com os gestores no planejamento, organização e controle; • Maximizar a produtividade e reduzir custos; • Gerenciar a diversidade; • Adaptar-se às mudanças externas, como na política, tecnologia, economia e sociedade. É por tantas funções que a denominação Recursos Humanos vem sendo substituída por denominações como Gestão de Pessoas e Gestão de Talentos Humanos, ou Gestão de Capital Intelectual. A moderna gestão de pessoas transformou os gestores em líderes de talentos, exigindo destes o desenvolvimento de competências diferenciadas. Conforme Chiavenato (2022, p. 6), “recursos são administrados; pessoas não, elas são lideradas”. São estes novos conceitos que pretendemos abordar nesta disciplina e provocar a reflexão sobre a possibilidade de aplicação no âmbito da gestão no Exército Brasileiro. Verificamos que as mudanças no cenário mundial implicaram mudanças na gestão de pessoas e impuseram novos papéis para a tradicional Gestão de Recursos Humanos. Os conceitos de Talento Humano, Capital Humano e Capital Intelectual precisam ser considerados para a gestão humana. Cada gestor é um líder de sua equipe, administrando recursos e liderando colaboradores para que atinjam objetivos, alcancem metas e agreguem valor aos resultados da organização. A figura a seguir sintetiza os novos papéis da gestão de pessoas: Gestão de PESSOAL I FIGURA 4 – GTH EM UM AMBIENTE DINÂMICO E COMPETITIVO FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). As novas características e papéis da gestão de pessoas demandam novas estruturas dentro da organização. Para isso, passamos a expor sobre a estrutura de RH e, com isso, possibilitar uma reflexão sobre como o Exército atua nas funções de Gestão de Pessoas. Gestão de PESSOAL I 5 ESTRUTURA INTERNA DO ÓRGÃO DE GESTÃO DE RH No setor público é frequente observarmos a estruturação de órgãos de gestão de pessoas por departamentos, geralmente correspondentes aos processos de gestão de pessoas pelos quais são responsáveis e cujos conceitos trabalharemos mais adiante nesta sessão. Chiavenato apresenta uma figura ilustrativa acerca dos órgãos e setores tradicionalmente criados nas organizações para gerir recursos humanos. Veja: Esse tipo de estrutura privilegia a especialização de cada setor ou órgão e a cooperação entre departamentos. Porém, na prática, ressalta que os objetivos dos setores podem se tornar mais importantes que os objetivos globais, além de haver mais separação e briga do que cooperação, principalmente em assuntos mais amplos. Os formatos tradicionais de especialidade por função são, nos dizeres de Chiavenato (2022, p. 18), “uma verdadeira coleção de feudos e de silos que pouco se entendem”. A experiência empírica no serviço público também mostrou que nos setores os quais possuem gerências e chefias comissionadas, há ainda brigas de egos e até político-partidárias, onde cada órgão ou setor funciona com rígida divisão de trabalho. A moderna gestão tem utilizado formatos mais integrados e que variam de acordo com as características organizacionais. Para isso, a equipe deve ser FIGURA 5 - ESTRUTURA TRADICIONAL DE ÓRGÃOS DE GP FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022, p. A moderna gestão tem utilizado formatos mais integrados e que variam de acordo com as características organizacionais. Para isso, a equipe deve ser multifuncional e agrupar competências necessárias para atuar em vários tipos de processos de RH. Gestão de PESSOAL I multifuncional e agrupar competências necessárias para atuar em vários tipos de processos de RH. Assim, Chiavenato apresenta proposta para a gestão do talento humano da seguinte forma: Toda organização apresenta uma hierarquia de posições e, em instituições militares, esta estrutura tende a ser bastante rígida. Cada liderança exerce funções, atividades e responsabilidades em cadeia de comando, desde os diretores, chefes, subchefe e assim por diante. Para que cada gestor consiga promover administração de pessoal, ainda mais em uma instituição de tamanha magnitude como é o Exército, ele deve receber assessoria e consultoria do órgão central de RH. Esse departamento deve possuir serviços de apoio, assim como resguardar as políticas e os procedimentos adotados pela instituição. Dessa forma, Chiavenato (2022) entende que o elemento central da gestão de talentos humanos é a atividade integrada e equilibrada de uma tríade constituída pelos seguintes componentes: 1) Executivo como gestor de talentos: seriam os comandantes,diretores e gerentes das mais diversas áreas. 2) Especialistas em GTH: profissionais dos setores de RH, que oferecem consultoria interna para todos os executivos da organização. FIGURA 6 - PROPOSTA PARA GESTÃO DO TALENTO HUMANO FONTE: Chiavenato (2022, p. 19). Gestão de PESSOAL I 3) Talentos: todas as pessoas que compõem a organização, sem exceção de hierarquia ou área de atuação. Nesse formato, as pessoas são integrantes de equipes, sob a coordenação de um líder que recebe consultoria interna dos especialistas em gestão de pessoas. A concentração e centralização dos serviços de RH num só órgão sempre predominaram nas organizações privadas tradicionais. A seleção de pessoal, a admissão, a integração, o treinamento e o desenvolvimento, além da gestão dos salários e benefícios, da higiene e segurança e do desempenho, ficavam todos concentrados no RH. Muitas vezes, os gestores de linha pouco participavam das decisões do órgão e este era fechado em suas atividades. Chiavenato (2022) propõe que a gestão de pessoas seja uma responsabilidade dos gestores de linha e uma função de staff aos órgãos de RH. Dessa forma, as decisões a respeito das pessoas passam a ser dos gestores e não mais do órgão central de RH, e este atua como consultoria interna para preparar e orientar os gestores de linha. FIGURA 7 - FUNÇÕES DE LINHA E DE STAFF FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Gestão de PESSOAL I FIGURA 8 - NÍVEIS DA FUNÇÃO DE STAFF FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Esta forma de atuar proposta por Chiavenato, diferenciando responsabilidade de linha e de staff, implicaria descentralizar as funções de RH. No modelo centralizado de administração de RH, os padrões são genéricos e iguais para todos os funcionários, estabelecendo-se normas de horários, salários, tarefas e avaliação de desempenho. No modelo descentralizado, o tratamento é individualizado, com soluções específicas para cada pessoa, considerando suas diferenças individuais e metas específicas. Não estamos falando aqui em descentralização de atividades de RH em unidades menores da organização, como ocorre no Exército, onde cada OM possui sua seção de pessoal. O modelo proposto pelo autor visa dar autonomia decisória na gestão aos líderes de equipe perante as pessoas e processos por eles gerenciados. É possível, na administração pública, a adoção de soluções específicas para cada indivíduo? Gestão de PESSOAL I Antes de responder tal questão, é importante conhecer um pouco sobre a estrutura dos órgãos de gestão de pessoas no Exército Brasileiro. 6 GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS NO EXÉRCITO BRASILEIRO Em pesquisa ao sítio institucional, verifica-se que o Departamento-Geral de Pessoal (DGP) possui diversas funções e é dividido em Diretorias. Veja: 1) Departamento-Geral do Pessoal (DGP). 2) Diretoria de Saúde (DSau). 3) Diretoria de Serviço Militar (DSM). 3) Diretoria de Assistência ao Pessoal (DAP). 4) Diretoria de Controle de Efetivo e Movimentações (DCEM). 5) Diretoria de Avaliação e Promoções (DAProm). 6) Diretoria de Planejamento e Gestão Orçamentária (DPGO). Além das Diretorias, o departamento é composto pela Chefia e Vice- Chefia, pela Assessoria de Apoio para Assuntos Jurídicos, pelo Gabinete e pela Assessoria de Tribunais de Honra. Conforme disposto no Regimento Interno (EB30-RI-10.001), aprovado pela Portaria n. 169-DGP de 7 de agosto de 2017, as competências do DGP são: 1. Planejar, orientar, coordenar e controlar as atividades relacionadas com: a. Direitos, deveres e incentivos; b. Administração de dados de pessoal; c. Assistência religiosa; d. Tribunais de honra; e. Assistência à saúde; f. Saúde operativa; g. Serviço militar; h. Recursos humanos mobilizáveis; i. Identificação de pessoal; j. Demissão de oficiais; k. Efetivos e movimentações; l. Assistência ao pessoal; m. Pessoal civil, inativos e pensionistas; n. Assistência social; o. Promoções; p. Avaliação do pessoal; e Gestão de PESSOAL I q. Valorização do mérito. 2. Expedir instruções, normas, planos e programas relativos à execução das atividades que lhe são pertinentes, com base na política de pessoal, nas diretrizes estratégicas aprovadas pelo Comandante do Exército e nas diretrizes do Estado- Maior do Exército (EME); 3. Propor ao EME medidas que visem a aprimorar a política de pessoal e decorrentes diretrizes estratégicas; e 4. Promover estudos, análises e pesquisas, tendo em vista o aprimoramento das atividades de gestão do pessoal e da legislação pertinente (Brasil, 2017). Abaixo, veja o organograma do DGP: Cada Diretoria e Assessoria possui, também, seu organograma e suas funções descritas no regimento interno. O que se percebe, em breve análise da referida normativa, é que o Exército Brasileiro congregou diversos setores sob a égide do Departamento- Geral de Pessoal, evidenciando-se a relevância deste recurso na instituição. FIGURA 9 - ORGANOGRAMA DO DEPARTAMENTO-GERAL DE PESSOAL DO EXÉRCITO FONTE: Brasil (2023). Gestão de PESSOAL I O Exército Brasileiro difere de outras instituições públicas no sentido de que a gestão de pessoas não se refere somente aos servidores efetivos, militares de carreira e pensionistas. Há uma acentuada importância, dada sua missão constitucional, ao sentido mais amplo da palavra “Recursos Humanos” conforme definido no Glossário de Termos e Expressões para uso no Exército (EB20-MF-03.109) como potencial humano da nação. Basta verificar as atribuições do DGP no que se refere aos recursos mobilizáveis, serviço militar, saúde operativa, entre outros. Não basta ao Exército oferecer condições aos que estão atualmente trabalhando na instituição, mas aos que poderão ser convocados, aos que participarem de operações e, mais ainda, às famílias dos militares. É uma gestão bastante ampla e complexa! Para tanto, verifica-se que a estrutura normativa da gestão de pessoas assemelha-se às melhores práticas já expostas nesta seção quanto à gestão integrada por equipes multifuncionais e não por departamentos que executam funções. Quanto aos assuntos estratégicos de relevância para o DGP há previsão de atuação transversal da gestão, ou seja, com a participação das chefias e diretorias integrando comitês técnicos e conselhos, todos descritos no art. 43 do Regimento Interno do Departamento-Geral do Pessoal (EB30-RI-10.001). Retomando a questão levantada anteriormente: É possível, na administração pública, e mais especificamente no Exército Brasileiro, a adoção de soluções específicas para cada indivíduo nas práticas de gestão de pessoas, como ocorre no setor privado? Para auxiliar nesta reflexão, vamos relembrar um pouco do conteúdo estudado na disciplina de direito administrativo. O Exército Brasileiro difere de outras instituições públicas no sentido de que a gestão de pessoas não se refere somente aos servidores efetivos, militares de carreira e pensionistas. 7 NORMAS GERAIS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Há que se fazer uma ressalva importante quando estudamos os modelos de gestão aplicáveis ao setor privado, antes de simplesmente querer transportá- los ao setor público. No âmbito privado, o princípio norteador é o da liberdade: tudo o que não estiver disciplinado pelas normas está dentro da esfera de autonomia do particular. Já na administração pública, vigora o princípio da legalidade: O administrador público somente pode atuar conforme determina a lei [...]. É a garantia de que todos os conflitos sejam solucionados pela lei, não podendo o agente estatal Gestão de PESSOAL I praticar condutas que considere devidas, sem que haja embasamento legal específico (Carvalho, 2023, p. 72). Além da legalidade, o administrador público deve se pautar pelo princípio da impessoalidade, ou seja, pela “busca dos interesses da coletividade, não visando a beneficiar ou prejudicar ninguém em especial [...]” (Carvalho, 2023, p. 75). Portanto, umaorganização privada tem maior autonomia administrativa em relação às pessoas, dentro dos limites das leis trabalhistas e econômicas, inclusive porque possui finalidade lucrativa (em caso de empresas). Os empregados, inclusive, não possuem plena estabilidade nos cargos, podendo ter o contrato de trabalho rompido caso não corresponda às expectativas do empregador. Já no setor público, os agentes públicos devem se ater aos princípios constitucionais da legalidade e da impessoalidade no que tange a gestão de pessoas, além de outros também descritos na legislação pátria. O interesse público e a função constitucional do órgão público é que funcionam como balizador para as condutas. Porém, há limites de atuação dos gestores de pessoas, visto que os servidores possuem, em geral, ampla estabilidade. A ação dos gestores públicos é materializada através do ATO ADMINISTRATIVO, que “é uma manifestação de vontade funcional, apta a gerar efeitos jurídicos, produzida no exercício de função administrativa” (Justen Filho, 2016, p. 219). Isso significa que, além da exteriorização consistente numa ação ou omissão, há, também, um aspecto interno, volitivo, que é a causa. Justen Filho (2016) ensina que o aspecto volitivo dos atos administrativos está objetivamente vinculado à satisfação das necessidades coletivas, subordinando este ato a procedimentos e regras formais que não existem no direito privado. Nesse sentido, é importante também falarmos dos poderes e deveres do administrador. Significa dizer que as competências administrativas, por serem conferidas visando ao atingimento de fins públicos, implicam ao mesmo tempo um poder para desempenhar as correspondentes funções públicas e um dever de exercício dessas funções. Alexandrino e Paulo (2023) trazem o conceito de poder vinculado e poder discricionário, os quais são de grande relevância para prosseguirmos nos estudos relativos aos atos de gestão de pessoas: Gestão de PESSOAL I • Poder vinculado: é aquele que dispõe a administração para a prática de atos administrativos em que é mínima ou inexistente a sua liberdade de atuação, ou seja, é o poder para prática de atos vinculados. • Poder discricionário: poder para a prática e revogação de atos discricionários, ou seja, é aquele em que o agente administrativo dispõe de uma razoável liberdade de atuação, podendo valorar a oportunidade e a conveniência da prática do ato quanto ao seu motivo e escolher dentro dos limites legais o seu conteúdo (objeto). Um exemplo característico: na área de recursos humanos em que há discricionariedade administrativa diz respeito à escolha de determinada pessoa para ocupar ou não um cargo comissionado ou função de chefia. Já em relação à remuneração deste cargo e jornada de trabalho, a lei que cria o cargo limita um valor e, portanto, não está no âmbito da discricionariedade administrativa a escolha. Outro exemplo está no agendamento de férias: é direito do servidor, porém não significa que sempre poderá usufruir na data em que deseja, pois os órgãos podem normatizar regras de interrupção e suspensão, as quais podem fazer com que o gestor defina quem vai usufruir e quando. O poder discricionário tem seu núcleo no mérito administrativo, que é o poder conferido ao administrador, diante de um caso concreto, em decidir segundo critérios de conveniência e oportunidade entre as condutas previstas em lei para satisfazer o interesse público (Alexandrino; Paulo, 2023, p. 235). Assim, a gestão de pessoas no serviço público deve obedecer aos limites da legalidade e os gestores praticarão atos vinculados ou discricionários, dependendo do poder que lhes forem conferidos. Atenção: A lei n. 9.784/1999 - Lei do Processo Administrativo Federal, em seu artigo 50, descreve quando um ato administrativo deve ser motivado: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Gestão de PESSOAL I V - decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo (Brasil, 1999). Verifica-se, portanto, que grande parte dos atos de gestão de pessoas devem ser motivados, visto que negam, limitam ou afetam direitos e interesses. Alexandrino e Paulo (2023) ensinam que a motivação é a declaração escrita do motivo que determinou a prática do ato: é a demonstração de que os pressupostos autorizadores da prática do ato realmente estão presentes, isto é, de que determinado fato aconteceu e de que esse fato se enquadra em uma norma jurídica que impõe ou autoriza o ato. Ao declarar o motivo que levou a administração a praticar um ato, ela vincula a existência e à adequação deste motivo. Assim, caso seja comprovada a não ocorrência da situação declarada ou a inadequação entre a situação ocorrida (fato) e o motivo descrito em lei (direito), o ato será nulo. É a denominada “teoria dos motivos determinantes do ato”. Feito esse recorte acerca dos limites do ato administrativo, compreende- se por qual motivo a gestão de recursos humanos costuma ser burocrática na administração pública. Além da necessidade de previsões legais para permitir a concessão de direitos ou prerrogativas, há ainda a necessidade de estipular limites e procedimentos para a obtenção dos direitos funcionais, além de garantir a motivação dos atos. Há, atualmente, uma busca pela eliminação de burocracias inúteis quando o assunto é garantir aos cidadãos o acesso aos serviços públicos. Porém, tem- se como prática nos setores de RH a utilização de formulários e processos, tramitações que envolvem despacho de diversas autoridades e, inclusive, parecer jurídico acerca da legalidade do pedido. Diversas regras, manuais e procedimentos são impostos ao servidor público, civil ou militar, quando da necessidade de acesso às questões pessoais perante o órgão de RH. O fundamento dessas exigências, além da questão da transparência e controle dos atos administrativos, também consiste no fato de que o servidor público não tem seu vínculo encerrado apenas com o desligamento, como ocorre numa empresa privada. Não são permitidos acordos na rescisão contratual Gestão de PESSOAL I e, inclusive, os direitos perpassam, muitas vezes, à pessoa do servidor. Um exemplo é a questão dos pensionistas, que muitas vezes peticionam por revisão da pensão e os documentos funcionais do servidor são resgatados como fonte de pesquisa e base de cálculo. Portanto, há algumas burocracias nos setores de RH no serviço público que servem para proteger terceiros e, inclusive, o próprio Estado, que pode ser demandado em ações futuras decorrentes das mudanças de interpretação judicial acerca de direitos do servidor. Dessa forma, podemos dizer que nem sempre a gestão pública pode tratar de forma individualizada os servidores quando o assunto é gestão de pessoas. Há, ainda, necessidade de uniformização, padronização e ênfase nos controles. Por esta razão é que se costuma fazer uma distinção entre o que é assunto atinente à “Administração de RH” e à “Gestão de Pessoas”. Entretanto, há inúmeros exemplos de atos administrativos discricionários no contexto da gestão de pessoas, o que importa dizer que passam por processo decisório de escolha do gestor ou do comandante. Você consegue visualizar, no EB, quais decisões sobre pessoas os gestores de linha podem tomar? De acordo com os ensinamentos de Chiavenato (2022), adaptamos, aqui, alguns exemplos de funções dos gestores de linha e que não são do órgão centralde RH: • Alocar as pessoas certas para cada tipo de atividade ou missão. • Promover a integração e a orientação das pessoas novas na equipe. • Treinar e preparar pessoas para os trabalhos específicos da unidade. • Gerir e melhorar o desempenho de cada pessoa na sua equipe. • Desenvolver relações agradáveis de trabalho e ganhar cooperação. • Interpretar e aplicar as políticas e procedimentos da organização. • Controlar o nível dos custos relativos a benefícios. • Desenvolver habilidades e competências em cada pessoa da equipe. • Criar e manter elevado moral e motivação na equipe. • Proteger a saúde e proporcionar condições adequadas de trabalho (segurança). • Criar um entorno físico e social agradável é salutar nas condições de trabalho. Gestão de PESSOAL I Lembramos, aqui, que a eficiência também é um princípio constitucional e implica em “constante adequação das soluções práticas adotadas pela administração pública” (Justen Filho, 2016, p. 68). A realidade é dinâmica e exige intervenção contínua dos agentes para evitar o engessamento e a consolidação de práticas antiquadas. E nesse contexto, o exercício da liderança é aspecto fundamental aos gestores. Trataremos desse tema na segunda unidade desta disciplina. Já estudamos até aqui os aspectos fundamentais da gestão de pessoas, bem como apresentamos algumas regras aplicáveis aos RH na administração pública, a fim de que você possa compreender o alcance das ações de gestão dos RH nas diversas dimensões organizacionais. Para compreender o impacto das ações de gestão dos RH nos resultados da organização, passaremos ao estudo dos Processos em Gestão de Pessoas. 8 PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS Processo é a sequência de um conjunto de atividades estruturadas e destinadas a chegar num resultado especificado para um determinado cliente. “O processo envolve uma série de atividades que criam, agregam e fornecem valor a um cliente” (Chiavenato, 2022, p. 18). O autor delineia seis processos básicos de RH: • Agregar talentos e competências. • Engajar talentos e equipes. • Aplicar talentos e competências. • Recompensar talentos e equipes. • Desenvolver talentos, equipes e organizações. • Monitorar talentos e equipes (Chiavenato, 2022, p. 18). Vale ressaltar que o citado autor, em publicações mais antigas, apresentava os processos com nomenclatura diversa, utilizando a palavra “Manter”, onde hoje utiliza a palavra “Engajar”. Abaixo segue figura ilustrativa acerca dos processos de gestão de pessoas. Veja: Gestão de PESSOAL I Passaremos aos aspectos fundamentais de cada um desses processos, buscando relacionar com as práticas do Exército Brasileiro. FIGURA 10 - PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). 8.1 AGREGAR: RECRUTANDO E SELECIONANDO O processo de agregar talentos e competências diz respeito a incluir novas pessoas e competências na organização, também conhecido como processo de provisão ou suprimento de pessoas e competências. O processo de recrutamento, no âmbito do setor público, se dá pela abertura de concurso público de seleção de cargos efetivos ou temporários. Visa atrair pessoas e competências para desempenhar uma função. O recrutamento pode ser interno ou externo. No primeiro caso, se buscam talentos e competências disponíveis na organização para ocupar posições vagas. Já o segundo, diz respeito às formas de ingresso na instituição e os candidatos deverão passar, geralmente, por processos seletivos. No caso de instituições públicas, os processos de seleção para cargos de carreira deverão ser precedidos de concurso público (art. 37, II, da Constituição Federal de 1988). Os membros das Forças Armadas têm sua forma de ingresso regulamentada pelo art. 10 da Lei n. 6.880, de 9 de dezembro de 1980: Gestão de PESSOAL I Art. 10. O ingresso nas Forças Armadas é facultado, mediante incorporação, matrícula ou nomeação, a todos os brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei e nos regulamentos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica (Brasil, 1980). Brasileiro de reconhecida competência técnico-profissional ou notória cultura científica poderá ser incluído, em caráter transitório, conforme o art. 10, §1º, da mesma lei, a qual é regulamentada pelo Decreto n. 9.455/2018. [...] § 1º Quando houver conveniência para o serviço de qualquer das Forças Armadas, o brasileiro possuidor de reconhecida competência técnico-profissional ou de notória cultura científica poderá, mediante sua aquiescência e proposta do Ministro da Força interessada, ser incluído nos Quadros ou Corpos da Reserva e convocado para o serviço na ativa em caráter transitório (Brasil, 1980). Vale ressaltar que o Exército Brasileiro conta, ainda, com uma forma de ingresso bastante típica em relação a sua missão constitucional que é o Serviço Militar, mesmo em tempos de paz. Esta modalidade de inclusão é prevista na Lei n. 4.375, de 17 de agosto de 1964, e regulamentada pelo Decreto n. 57.654, de 20 de janeiro de 1966. O Serviço Militar consiste no exercício das atividades específicas desempenhadas nas Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - e compreenderá na mobilização todos os encargos relacionados com a defesa nacional. Baseia-se na “cooperação consciente dos brasileiros, sob os aspectos espiritual, moral, físico, intelectual e profissional, na segurança nacional” (Brasil, 1966). No Brasil o serviço militar é obrigatório e todo o homem deve se alistar ao completar dezoito anos de idade. O jovem que ingressa no Serviço Militar inicial não seguirá carreira militar, mas poderá solicitar a prorrogação do tempo de serviço a cada 12 (doze) meses, até o limite total de 96 (noventa e seis) meses. Após a prestação do serviço militar, o brasileiro será licenciado e passará a compor a reserva da Força Armada que serviu, até completar 45 (quarenta e cinco) anos de idade. A prestação do Serviço Militar pelos estudantes de Medicina, Farmácia, Odontologia e Veterinária, e pelos Médicos, Farmacêuticos, Dentistas e Veterinários é regulada pela Lei n. 5.292, de 8 de junho de 1967 e regulamentada Gestão de PESSOAL I pelo Decreto n. 63.704, de 29 de novembro de 1968. O recrutamento compreende, portanto, o processo pelo qual a organização atrai candidatos no mercado de trabalho para abastecer seu processo seletivo e suas necessidades de competências. E o que seriam essas competências? O conceito de competências pode ser aplicado em três níveis dentro das organizações: macronível, mesonível e micronível - também reconhecidos como nível organizacional, grupal e individual (Bruno-Faria; Brandão, 2003). Sendo assim, no primeiro nível (macronível - organizacional) a organização é considerada em seu todo, e as competências organizacionais é o que diferenciam as organizações em termos de competitividade. São as competências coletivas que se desdobram na organização e que contribuem para sua sobrevivência, diferenciação no mercado, pioneirismo e liderança. Tem a ver com Missão, Visão, Valores, Metas Estratégicas, Entregas, Processos e Projetos. No mesonível, ou grupal, identificam-se as competências das equipes de trabalho, onde é possível notar o fenômeno das competências coletivas - somatório das competências individuais. Já no micronível, ou individual, é considerado o foco de análise no indivíduo, onde é observado o desempenho individual de cada trabalhador diante à determinada atribuição (Puente-Palacios; Brito, 2017). O conceito de competências, no plano individual, é amplamente compreendido como o conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de um indivíduo, difundido por meio do acrônimo “CHA”. O conceito de competências, no plano individual, é amplamente compreendido como o conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de um indivíduo, difundido por meio do acrônimo “CHA”. Gestão de PESSOAL I Conhecimentos seriam os dadosacomodados nos esquemas mentais do indivíduo, o “saber” que a pessoa acumulou ao longo de sua vida. Habilidades seriam as capacidades práticas para efetivar os conhecimentos armazenados. Já as atitudes são aspectos relacionais no ambiente de trabalho, que podem ser descritas como uma inclinação e intencionalidade do indivíduo para realizar ou não determinada ação (Puente-Palacios; Brito, 2017). Uma das definições de competências individuais mais empregadas na literatura nacional é a de Fleury e Fleury (2001, p. 188): “Saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Abaixo segue uma representação gráfica dos elementos que compõem o conceito de competências. Veja: FIGURA 11 - ELEMENTOS DA COMPETÊNCIA FONTE: ENAP (2019). Gestão de PESSOAL I É importante mencionar que o Departamento de Educação e Cultura do Exército, por intermédio da Portaria DECEx/C Ex n. 463, de 13 de dezembro de 2022 define competência como “a ação de mobilizar recursos diversos, integrando-os, sinérgica e sincronicamente, para decidir e atuar em uma família de situações” (Brasil, 2022). O artigo 5ª da referida normativa descreve que os recursos mobilizados pelas competências incluem: I - conhecimentos (saber conhecer); II - habilidades (saber fazer); III - atitudes (saber ser); IV - valores (saber ser); e V - experiências (saber ser), constituindo o acrônimo CHAVE (Brasil, 2022). O conceito de competências permeia o recrutamento, pois a partir dele se inicia a seleção e, posteriormente, o treinamento dos novos integrantes da Força. Assim, no processo de recrutamento para uma função, a descrição do cargo vago pode conter o desempenho ou comportamento esperado do servidor, que possa ser observado objetivamente, indicando o que ele deve ser capaz de fazer no seu contexto de trabalho. Também pode conter os conhecimentos, habilidades e atitudes de que necessita o servidor para manifestar um comportamento desejado na referida função. Um talento que não foi adequadamente agregado, treinado e recompensado, tende a se frustrar e não corresponder às expectativas da organização. Por isso, o processo de agregar talentos está intimamente ligado aos demais processos. FIGURA 12 - ELEMENTOS DA COMPETÊNCIA PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO FONTE: A autora (2024). Gestão de PESSOAL I FIGURA 13 - RELAÇÃO ENTRE O PROCESSO DE AGREGAR E OS DEMAIS PROCESSOS DE GESTÃO DE PESSOAS FONTE: Chiavenato (2022, p. 140). O EB possui documento descritivo de suas competências organizacionais, grupais e individuais? Na próxima unidade didática, quando estudarmos gestão estratégica de pessoas, abordaremos o assunto sobre gestão por competências e aprofundaremos acerca desta temática. 8.2 ENGAJAR TALENTOS: O SIGNIFICADO DO TRABALHO O termo engajar como processo de gestão de pessoas é bastante recente na literatura. Utilizava-se o termo reter ou manter pessoas, buscando definir o conjunto de práticas utilizadas para criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas para que elas permaneçam na organização. Passou-se a adotar o termo engajar por entender que, no lugar de apenas manter talentos, as organizações precisam engajar, comprometer, envolvendo estilo de gestão, relacionamento com os colaboradores, engajamento e orgulho de pertencer, programas de desenvolvimento e carreira, além de saúde e segurança do trabalho capazes de assegurar excelente qualidade de vida na organização e uma gostosa experiência de continuar trabalhando nela. (Chiavenato, 2022, p. 143). Os processos de engajamento de talentos servem para manter os participantes satisfeitos e motivados, além de garantir condições físicas, Gestão de PESSOAL I psicológicas e sociais de permanecer na organização, aumentando o compromisso com ela. O engajamento depende do significado que o trabalho assume para cada indivíduo. “O trabalho significativo pode ser um motivador intrínseco capaz de levar a um melhor desempenho, comprometimento e satisfação” (Chiavenato, 2022, p. 144). Desde meados dos anos 1950, pesquisadores têm buscado compreender o significado atribuído ao trabalho pelas pessoas. Os resultados obtidos por pesquisadores do grupo Meaning of Work International Research Team ([MOW], 1987) mostraram que o trabalho pode assumir desde uma condição de neutralidade até de centralidade na identidade pessoal e social (Morin; Tonelli; Pliopas, 2007). Sá, Lemos e Oliveira (2022, p. 502) citam que o grupo MOW realizou pesquisa com trabalhadores de oito nações ocidentais industrializadas na década de 80 e os resultados apontaram para o caráter multidimensional do conceito, apresentado em três níveis: Primeiro temos a centralidade ou a importância do trabalho na vida do indivíduo, considerando tanto o seu envolvimento como a sua prevalência em relação a outras esferas da vida - família, comunidade, religião e lazer. Em seguida, vêm as normas sociais sobre o trabalho, que fazem alusão ao contrato psicológico e compreendem direitos e obrigações que as pessoas acreditam possuir em sua atuação profissional, perante a organização e a sociedade. Por fim, há os resultados valorizados no trabalho, que aludem àquilo que um trabalhador almeja obter por meio dele e englobam aspectos como status e prestígio, manter-se ativo, retorno financeiro, relações sociais, serviço à sociedade, interesse e satisfação pessoal; os resultados esperados do trabalho contribuem para explicar por que indivíduos sentem-se satisfeitos com o que realizam, por que algumas situações são atraentes para algumas pessoas e não para outras e, também, as razões pelas quais trabalham. Desde a publicação desses modelos, as organizações têm vivido mudanças profundas. Por isso, Morin (2002) identificou, por meio de pesquisas de campo, seis características do trabalho que tem sentido: Gestão de PESSOAL I 1. Um trabalho que tem sentido é feito de maneira eficiente e gera resultados: O trabalho é uma atividade produtiva que agrega valor a alguma coisa. É importante que o trabalho seja organizado de maneira eficiente e que sua realização conduza a resultados úteis. O processo de trabalho, assim como seus resultados, ajuda o indivíduo a descobrir e formar sua identidade. A organização do trabalho conta muito: é importante que a organização das tarefas e das atividades se torne favorável à eficiência e que os objetivos visados, assim como os resultados esperados, sejam claros. 2. Um trabalho que tem sentido é intrinsecamente satisfatório: O prazer e o sentimento de realização que podem ser obtidos na execução de tarefas dão um sentido ao trabalho. A execução de tarefas permite exercer talentos e competências, resolver problemas, fazer novas experiências, aprender e desenvolver habilidades. O interesse do trabalho em si mesmo parece estar associado, por um lado, ao grau de correspondência entre as exigências do trabalho e, por outro, ao conjunto de valores, de interesses e de competências do indivíduo. Efetivamente, muitas pessoas relataram que um trabalho que tem sentido é aquele que corresponde à personalidade, aos talentos e aos desejos delas. O interesse de tal trabalho também se origina das possibilidades que ele oferece para provar seus valores pessoais e para realizar suas ambições. Este permite realização, dando oportunidades para vencer desafios ou perseguir ideais. 3. Um trabalho que tem sentido é moralmente aceitável: O trabalho é uma atividade que se inscreve no desenvolvimento de uma sociedade; as contribuições do trabalho para a sociedade dão sentido ao trabalho. O fato de fazer um trabalho pouco útil, que não comporta nenhum interesse, contribui para tornar o trabalho sem significado. 4. Um trabalho que tem sentido é fonte de experiências de relações humanas satisfatórias:O trabalho é também uma atividade que coloca as pessoas em interação umas com as outras. Um trabalho que tem sentido permite-lhes encontrar pessoas com quem os contatos podem ser francos, honestos, com quem se pode ter prazer em trabalhar, mesmo em projetos difíceis. Um trabalho que tem sentido permite ajudar os outros a resolver seus problemas, prestar-lhes um serviço, ter um impacto sobre as decisões tomadas pelos dirigentes, ser reconhecido por suas habilidades e contribuições ao sucesso da organização. Gestão de PESSOAL I 5. Um trabalho que tem sentido garante a segurança e a autonomia: Além do salário que ele propicia, que permite prover as necessidades de base, o trabalho com significado é aquele em que se ganha o respeito dos outros. Isso nos impele considerar as condições nas quais o trabalho se realiza, pois elas são importantes aos olhos dos trabalhadores. 6. Um trabalho que tem sentido é aquele que nos mantém ocupados: O trabalho é uma atividade que estrutura e permite organizar a vida diária e, por extensão, a história pessoal. Com base nessas seis características, conclui-se que os gestores responsáveis pelas mudanças organizacionais devem projetar meios para valorizar o trabalho e lhe dar um sentido. Morin (2002) apresenta o seguinte quadro com uma síntese das características do trabalho, relacionando os princípios que deve ter a organização. QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DE UM TRABALHO QUE TEM SENTIDO E PRINCÍPIOS DE ORGANIZAÇÃO UM TRABALHO QUE TEM SENTIDO É UM TRABALHO QUE… CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO PRINCÍPIOS DE ORGANIZAÇÃO É realizado de forma eficiente e leva a um resultado Finalidade Clareza e importância dos objetivos; Utilidade, valor dos resultados Eficiência Racionalidade das tarefas É intrinsecamente satisfatório Aprendizagem e desenvolvimento de competências Correspondência entre as exigências do trabalho e as competências da pessoa Realização e atualização Desafios e Ideais Criatividade e autonomia Margem de manobra sobre a administração das atividades e a resolução de problemas Responsabilidade Feedback sobre o desempenho É moralmente aceitável Retidão das Práticas sociais e organizacionais Regras do dever e do saber vivier em sociedade Contribuição social Valores morais, éticos e espirituais Gestão de PESSOAL I É fonte de experiências de relações humanas satisfatórias Afiliação e vinculação Trabalho em equipe Serviço aos outros Relações tipo cliente-fornecedor Garante Segurança e autonomia Independência financeira Salário Apropriado e Justo Saúde e Segurança Boas condições de trabalho Mantém ocupado Ocupação Carga de Trabalho adequada FONTE: Adaptado de Morin (2002). Complementando essas teorias, Chiavenato (2014) ressalta que o comportamento das pessoas dentro da organização depende de fatores externos e internos. Os primeiros dizem respeito às características de personalidade como capacidade de aprendizagem, de motivação, de percepção do ambiente externo e interno, atitudes, emoções e valores. Já os segundos decorrem do ambiente da organização, como sistema de recompensas e punições, fatores sociais, coesão grupal, entre outras. Abaixo segue figura representativa dos fatores externos que influenciam o comportamento dos indivíduos. Veja: FIGURA 14 - FATORES EXTERNOS QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014). Gestão de PESSOAL I Além dos fatores externos, os fatores internos influenciam os indivíduos em seu comportamento junto à organização, conforme exposto na figura que segue. Veja: Um conceito importante dentro dos fatores internos diz respeito à motivação. Assim, passaremos a expor as teorias motivacionais mais relevantes e que podem ser referenciais para a gestão de pessoas no Exército Brasileiro. A teoria motivacional mais conhecida é a de Maslow, que se baseia na hierarquia das necessidades humanas. Para Maslow as necessidades humanas estão arranjadas em uma pirâmide de importância e de influência no comportamento humano. Na base da pirâmide estão as necessidades primárias, fisiológicas e inatas: alimentação, repouso, abrigo e sexo. Para o autor, são as necessidades relacionadas à própria subsistência e quando alguma delas não está satisfeita, ela domina a direção do comportamento da pessoa. Em seguida, as necessidades de segurança, que dizem respeito à proteção de perigos reais ou imaginários. Elas surgem quando as necessidades fisiológicas estão relativamente satisfeitas. Já o terceiro nível hierárquico corresponde às necessidades sociais, ou seja, de associação e participação, troca de amizade e afeto. Mais além na pirâmide estão as necessidades de estima, ou seja, aquelas relacionadas à maneira como a pessoa se avalia e ao reconhecimento social (status, prestígio e reputação). Por último, a pirâmide apresenta as necessidades de autorrealização, ou seja, aquelas que levam o indivíduo a realizar seu potencial e desenvolver-se continuamente. Estão relacionadas com autonomia, independência, competência e talento. FIGURA 15 - FATORES INTERNOS QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014). Gestão de PESSOAL I FIGURA 16 - TEORIA MOTIVACIONAL DE MASLOW FONTE: Silva (2020). Para Chiavenato (2014), enquanto as quatro necessidades básicas podem ser satisfeitas por recompensas externas, as necessidades de autorrealização somente podem ser satisfeitas por recompensas dadas intrinsecamente pelas pessoas a si próprias e, por isso, não são controláveis por outros. Também seriam insaciáveis: não importa o quanto a pessoa esteja satisfeita, ela pode querer sempre mais. Para Maslow, uma necessidade não satisfeita é que motiva o comportamento. As necessidades mais elevadas na pirâmide surgem à medida que as mais baixas vão sendo satisfeitas. O comportamento humano é influenciado por grande número de necessidades concomitantes, porém há uma hierarquia de necessidades e as mais baixas requerem um ciclo motivacional rápido, enquanto para as mais elevadas o ciclo é mais longo. Chiavenato (2014) ilustra o ciclo motivacional, que parte do surgimento de um estímulo ou incentivo para romper o estado de equilíbrio do indivíduo e fazer surgir uma necessidade. Esta tensão leva a um desconforto que lhe provoca um comportamento e, se este for eficaz, satisfará sua necessidade e voltará ao equilíbrio. Gestão de PESSOAL I FIGURA 17 - CICLO MOTIVACIONAL FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014). Caso a necessidade não seja satisfeita, ou seja, ela pode ser frustrada ou compensada. No caso de frustração, a tensão provocada no organismo pode buscar sair por meio indireto (agressividade, apatia, indiferença, descontrole, insônia, repercussões cardiovasculares ou gástricas). No caso de compensação, o que ocorre é a satisfação de outra necessidade, que reduz ou aplaca a intensidade daquela que não pode ser satisfeita. No primeiro caso, podemos exemplificar um pedido de movimentação que foi negado, obrigando o servidor a se manter no mesmo posto de trabalho. No segundo, pode ocorrer uma frustração de aumento salarial, porém pode haver uma alteração do quadro lotacional que consequentemente gerou uma promoção funcional. Outra importante teoria que busca explicar a motivação humana é a teoria dos dois fatores de Herzberg. Para este autor, a motivação depende de dois fatores: higiênicos e motivacionais. Os fatores higiênicos englobam condições físicas e ambientais de trabalho, salário, benefícios, entre outros. Estes são fatores preventivos ou profiláticos, por isso chamados de higiênicos. Eles podem ser excelentes, porém apenas evitam a insatisfação do indivíduo. Ou seja, caso estejam precários, promovem insatisfação. Curiosamente, esses são os fatores que muitas empresas consideram como motivadores para a permanência na organização. Porém, esses recursos podem ter sido decisivos para o ingresso no cargo, mas acabam sendo insuficientes em sua capacidade de motivaro comportamento dos colaboradores. Gestão de PESSOAL I Já os fatores motivacionais, referem-se ao cargo, às tarefas, deveres, envolvem sentimentos de realização e reconhecimento, crescimento, entre outros. Quando são ótimos, elevam a satisfação, mas quando são precários apenas provocam ausência de satisfação, e não a insatisfação com o trabalho. Dessa forma, Herzberg propõe o enriquecimento de tarefas, que consiste em ampliar responsabilidades, objetivos e desafios do cargo. Vê-se, portanto, que práticas tradicionais de RH não são suficientes para reter talentos. Podem atrair pessoas, mas não as mantêm motivadas e com moral elevado para atuação na organização com alto desempenho. Abaixo, segue uma figura que ilustra a relação entre a pirâmide de necessidades de Maslow e os dois fatores de Herzberg, bem como o nível de engajamento conforme as necessidades são atendidas. FIGURA 18 - DOIS FATORES DE HERZBERG FONTE: Lezana (2020). Gestão de PESSOAL I FIGURA 19 - FATORES MOTIVADORES FONTE: Chiavenato (2022, p. 147). Para o Exército Brasileiro, o reconhecimento e a valorização são fundamentais no processo de motivação e de crescimento profissional. A Diretriz de Pessoal do Exército Brasileiro 2023-2027 (EB20-D-01.028) reconhece que “um profissional motivado demonstra dedicação e empenho maiores e mais relevantes, seja na execução de tarefas, no seu preparo e até mesmo no convívio com os companheiros no ambiente de trabalho” (Brasil, 2023, p. 9). Para tanto, a referida diretriz estabelece que a valorização profissional do militar será expressa por ações que permitam: enfatizar a dignidade da pessoa, a realização profissional, a adequada segurança na execução das missões e a perspectiva profissional promissora. Além disso, prevê que as ações de reconhecimento e valorização deverão “estimular o militar a comprometer- se mais intensamente com a Instituição e motivá-lo para trabalhar pelo seu próprio crescimento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Gestão de Pessoal no Exército Brasileiro” (Brasil, 2023, p. 10). Pesquisa interessante no âmbito do Exército Brasileiro foi a realizada por Núñes (2020), o qual citou possíveis aspectos que considera motivacionais dos militares do Exército Brasileiro que podem influenciar no desempenho profissional: Gestão de PESSOAL I • Credibilidade do Exército Brasileiro: O pesquisador apontou que cresceu a confiança dos brasileiros nas instituições, segundo as mais recentes pesquisas do Datafolha em 2019, e as Forças Armadas são consideradas as mais confiáveis. De acordo com a pesquisa, 45% dos entrevistados apontaram os militares como muito confiáveis. • Aspecto salarial: Com a Lei n° 13.954/19, observa-se que foi adicionado o acional disponibilidade, que é o adicional de compensação por disponibilidade militar, que consiste na parcela remuneratória mensal devida ao militar em razão da disponibilidade permanente e da dedicação exclusiva, nos termos estabelecidos em regulamento e, além disso, ocorreu o aumento do adicional habilitação - devido em razão de cursos realizados com aproveitamento pelo militar-, proporcionando o incentivo ao aperfeiçoamento técnico-profissional. • Estabilidade em um concurso: o trabalho no setor público continua atraente, mesmo que em condições menos favoráveis geradas pela perda de alguns direitos e benefícios. Identifica-se, ainda, um significativo número de trabalhadores empenhados em vencer a disputada corrida por um emprego seguro no serviço público. Em uma pesquisa Silva (2006) com cadetes da AMAN para verificar os reais motivos de escolher essa profissão, a estabilidade foi pontuada por 15% desses militares. • Vocação profissional: inclinação natural de uma pessoa a determinada profissão, tendo em vista os seus desejos, as habilidades, o estilo de vida e suas preferências. A vocação também está muito ligada ao propósito da pessoa e ao que ela tem paixão em realizar. Ainda sobre a pesquisa Silva (2006) com cadetes da AMAN para verificar os motivos da escolha profissional, a vocação foi assinalada por 54% dos jovens (Núñez, 2020, p. 15-16). Não basta dar sentido ao trabalho e motivar as pessoas. O engajamento de talentos prescinde de ações de socialização e de qualidade de vida no trabalho - QVT. Vamos explorar melhor esses conteúdos na unidade didática 2, quando abordaremos a gestão estratégica de pessoas. Passaremos, agora, ao estudo do terceiro processo de gestão de pessoas, que corresponde a Aplicar Talentos. Gestão de PESSOAL I 8.3 APLICAR TALENTOS: MODELAGEM E GESTÃO DO DESEMPENHO São os processos realizados para desenhar as atividades que as pessoas realizarão nas organizações, orientar e acompanhar suas competências e desempenho. Incluem, conforme Chiavenato (2022, p. 15), “desenho organizacional e desenho do trabalho, análise e descrição do trabalho, orientação das pessoas e gestão do desempenho”. Desenho do trabalho envolve a especificação do conteúdo de cada trabalho, métodos de trabalho e das relações com os demais colaboradores. Segundo Chiavenato (2022, p. 204), desenhar um trabalho significa: 1. Conteúdo do trabalho: conjunto de tarefas ou atribuições a serem executadas. 2. Métodos e processos de trabalho: como as tarefas devem ser executadas. 3. Responsabilidade: quem é o superior imediato e o grau de autonomia e responsabilidade. 4. Autoridade: a quem deve supervisionar, ou seja, quem são os subordinados ou outros setores/colaboradores que dependem dele para trabalhar. Nesse aspecto, autores que tratam do tema diferenciam descrição e análise do trabalho. A descrição do trabalho significa relacionar o que cada ocupante faz, como faz, com quais condições e por que faz. Relaciona de maneira breve as tarefas, deveres e responsabilidades. Já a análise do trabalho aborda requisitos de conhecimentos, habilidades e competências que o ocupante deve possuir para desempenhar o trabalho. Embora relacionadas, a descrição focaliza o conteúdo do trabalho e a análise determina quais requisitos físicos e mentais o ocupante deve possuir e as condições em que o trabalho deve ser feito. Existem basicamente três métodos para obter dados a fim de descrever e analisar funções: entrevistas, questionários ou observação direta. O objetivo é preparar as especificações do trabalho para auxiliar no planejamento de gestão. Historicamente, a análise de cargos e funções tem sido considerada como uma pedra fundamental para a gestão de pessoas. Milkovich e Boudreau (2008, p. 82) exemplificam: Por exemplo, o treinamento requer informações sobre qualificações e conteúdo das tarefas, para que o programa Gestão de PESSOAL I possa ser feito sob medida para atender às exigências requeridas para seu desempenho. Os padrões para admissões e promoções podem basear-se nessas mesmas informações [...]. Na avaliação de desempenho, tanto os subordinados como os chefes levam em conta os comportamentos e resultados previstos na descrição da função [...]. Realizar a análise do trabalho e sua descrição são formas de ajudar a contratação de pessoas certas, mas o apego excessivo às descrições formais pode levar a rigidez e problemas localizados, como, por exemplo, um servidor se recusar a fazer alguma tarefa porque não está especificada no descritivo do seu cargo ou função. Em instituições públicas, a descrição dos trabalhos é chamada de descrição do cargo ou da função e atende ao que já foi estudado sobre o princípio da legalidade, além de conferir poder e autoridade ao servidor público, seja ele militar ou civil. Portanto, é essencial a existência deste documento nas instituições. Uma forte tendência na modelagem de trabalho contemporânea é a criação de equipes autônomas e autogerenciáveis de trabalho. “São grupos de pessoas cujas tarefas são redesenhadas para criar alto grau de interdependência e que recebem autoridade para tomardecisões a respeito do trabalho a ser realizado” (Chiavenato, 2014, p. 294). Você consegue lembrar de algum exemplo no âmbito do Exército Brasileiro? A organização hierárquica, que constitui princípio fundamental do EB, não pode ser obstáculo de burocratização e engessamento da instituição, especialmente frente às mudanças velozes ocorridas na era digital. As empresas bem-sucedidas têm migrado do conceito de estrutura organizacional hierárquica, baseada em departamentos, para o conceito de equipes ou células de produção. É plenamente possível conciliar a hierarquia e a disciplina com a atuação de equipes, desde que seja possível a escolha dos membros da equipe, o desenho do trabalho, a aplicação de competências, o treinamento para a excelência, o engajamento, a avaliação e a recompensa. Chiavenato (2022) exemplifica alguns tipos de equipes: Gestão de PESSOAL I • Equipes funcionais cruzadas: compostas de talentos vindos de diversas áreas da organização e formadas para alcançar um objetivo específico. Geralmente se tem um mix de competências: marketing, finanças, engenharia, saúde etc. • Equipes de projetos: formadas para desenvolver um projeto ou produto e a equipe é dissolvida após completada a tarefa. • Equipes autodirigidas: talentos altamente treinados para desempenhar um conjunto de tarefas interdependentes dentro de uma unidade de trabalho. Membros usam consenso para tomada de decisão e desempenho do trabalho. • Equipes de força-tarefa: designadas para resolver problema definido. • Equipes de melhoria de processos: talentos vindos de diferentes áreas com o fim de melhorar a qualidade, reduzir custos, aumentar a produtividade em processos que afetam vários departamentos ou funções envolvidas. Você consegue fazer relação com equipes nas quais você já atuou no Exército Brasileiro? Para garantir a eficácia de uma equipe, o gestor de talentos deve cuidar para que a equipe tenha as seguintes características: FIGURA 20 - CARACTERÍSTICAS DA EQUIPE FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Gestão de PESSOAL I E o que diferencia uma equipe comum de uma equipe de alto desempenho? A modelagem de trabalho focada no conceito de trabalho está, também, sendo substituída pelo conceito de competências, pelo fato de que ela pertence às pessoas e não aos trabalhos. Retomaremos a temática da gestão por competências na próxima unidade didática. Além da modelagem de trabalho, o processo de aplicação de talentos, refere-se também à gestão do desempenho. Durante muito tempo as organizações focavam a avaliação de desempenho nos colaboradores, de forma individual. Recentemente, percebeu- se que a avaliação deveria ser precedida de processos de gestão do desempenho, onde a avaliação é apenas parte integrante. As organizações estão migrando para o que denominamos gestão do desempenho humano, para incentivar o valor mensurável que a força de trabalho traz para a organização em termos de habilidades e competências coletivas e a motivação das pessoas. Esse retorno é maximizado quando as pessoas aplicam ao máximo suas habilidades e competências nas atividades da organização, e esta se configura e reconfigura para reforçar e incrementar o desempenho humano e concentrá-lo e focalizá-lo em seus objetivos estratégicos (Chiavenato, 2022, p. 239). Portanto, a gestão do desempenho é mais do que apenas a avaliação. Inclui as fases de planejamento, implementação, liderança, execução e retroalimentação. Conheça as 8 principais características das equipes de alta performance fazendo a leitura do texto indicado a seguir. Disponível em: https://preply.com/pt/blog/b2b-equipes-de-alta- performace/ https://preply.com/pt/blog/b2b-equipes-de-alta-performace/ https://preply.com/pt/blog/b2b-equipes-de-alta-performace/ Gestão de PESSOAL I FIGURA 21 - GESTÃO DO DESEMPENHO Fonte: Chiavenato (2022). Sobre a avaliação de desempenho, dedicaremos uma seção específica na próxima unidade didática, visando debater o assunto sob a ótica da moderna gestão de pessoas e as novas abordagens em relação a este tema. A gestão do desempenho tem várias aplicações e propósitos nos demais processos de RH. Veja: • Agregar: auxilia na atualização do inventário de habilidades e na construção de banco de talentos. Constitui base de informação para recrutamento e seleção ao indicar as características e atitudes necessárias aos candidatos. • Engajar: indica se as pessoas estão integradas ao trabalho. • Aplicar: indica se os colaboradores estão alcançando os resultados esperados. • Desenvolver: indica os pontos fortes e fracos, as potencialidades a serem ampliadas e as fragilidades a serem corrigidas por meio de treinamentos. • Recompensar: indica se os colaboradores estão sendo recompensados e ajuda a decidir sobre quem deve receber recompensas e promoções ou desligado da organização. • Monitorar: possibilita a retroação, ou seja, a comparação entre os objetivos já atingidos, as dificuldades e facilidades, os pontos fracos e fortes, no sentido de interação entre superior e subordinado para facilitar o entendimento das partes envolvidas. Gestão de PESSOAL I FIGURA 22 - RETROAÇÃO E OS DEMAIS PROCESSOS DE GTH FONTE: Chiavenato (2022, p. 258). Agora, vamos ao processo de Recompensar Talentos. 8.4 RECOMPENSAR TALENTOS: REMUNERAÇÃO, BENEFÍCIOS E SERVIÇOS São os processos utilizados para incentivar as pessoas e equipes e satisfazer suas necessidades individuais mais elevadas. Incluem recompensas, remuneração, benefícios e serviços sociais. Milkovich e Boudreau (2008, p. 381) conceituam remuneração como sendo “o retorno financeiro e os serviços e benefícios tangíveis que os empregados recebem como parte do pagamento em uma relação de trabalho”. Já os benefícios, são conceituados como “aspectos indiretos da remuneração total dos empregados; eles incluem remuneração fora do trabalho, pagamento de seguro e assistência médica, serviços aos empregados e renda de aposentadoria” (Milkovich; Boudreau, 2008, p. 440). Os autores que tratam do tema observam que um objetivo importante das decisões sobre benefícios diz respeito à influência positiva das atitudes dos funcionários em relação ao senso de justiça deles. Porém, a mensuração desta influência é difícil de ser calculada, pois acabam sendo considerados “direitos naturais” como parte do contrato de trabalho. Gestão de PESSOAL I No setor público, poderíamos dizer que é naturalmente esperado que tenhamos aposentadoria/reserva remunerada, assim como alguma espécie de indenização ou assistência aos dependentes em caso de morte em serviço. Não é este o fator que motiva alguém a trabalhar melhor, por isso acabam sendo dissociados da gestão do desempenho. Além disso, acredita-se que a liderança não pode promover recompensas, visto os limites impostos pelas normas que regem a administração pública, especialmente quando se fala em princípio da legalidade. Em parte, essa crença está correta quando se pensa apenas no fator remuneração, que é fixado em lei e sabido pelas pessoas quando ingressam no cargo. Além disso, seu aumento não depende da demonstração de excelência no desempenho, senão de valorização pelos governantes. Temos, ainda, a peculiaridade relativa à questão da estabilidade no cargo público, que influencia as relações de demanda e entrega, bem como o aprimoramento das competências no setor público. Diferente do mercado privado, onde a busca por melhor remuneração está associada ao crescimento na carreira, com consequente aumento de responsabilidades e de complexidade do trabalho, no contexto público essa lógica não tem a mesma acolhida. Para a maioria dos servidores públicos chegar ao topo da carreira é atingir o padrão mais elevado da última classe de seu cargo. Para que isso ocorra, basta esperar que interstícios sejam cumpridos, independentemente de demonstrações de desempenho e aquisição de novas competências. Embora haja planos e estruturasde carreira que associam tais níveis de carreira a conjuntos de atividades em organização crescente de complexidade, o aproveitamento das pessoas se deve mais à disponibilidade destas do que à adequação de seus perfis às funções a exercer. Então, como poderíamos executar o processo de recompensar talentos dentro de uma instituição pública? Na abordagem moderna, predomina o modelo do “homem complexo”, ou seja, “a suposição de que as pessoas são motivadas por uma enorme variedade de incentivos como salário, desafios, metas e objetivos a atingir, satisfação no trabalho e na organização, necessidade de autorrealização, etc.” (Chiavenato, 2022, p. 264). Veja a figura abaixo. A partir do estudo dela se verifica que há uma parte das recompensas que dependem da cultura organizacional e da atividade dos Gestão de PESSOAL I gestores/chefes/líderes. Embora, como já verificamos, uma organização pública não pode usar de autonomia para distribuir as recompensas financeiras diretas e indiretas, de acordo com a motivação e desempenho, em razão das previsões legais a que fica adstrita, há outras formas de estimular as recompensas. Veja em recompensas não financeiras a seguir: O Manual de Campanha C 20-10 – LIDERANÇA MILITAR (2011) estabelece orientações práticas para o exercício da liderança de pessoas e, entre elas, podemos destacar algumas que estão em consonância com a figura acima estudada e dependem, portanto, da atuação dos líderes: PRIMEIRA ORIENTAÇÃO: conheça os indivíduos que estão sob suas ordens e tenha interesse pelo crescimento profissional e pelo bem-estar de todos. É por meio dela que um chefe ou comandante pode: conceder oportunidades de desenvolvimento (por exemplo, permitindo ou indicando para treinamentos); promover reconhecimento e autoestima; oferecer segurança e qualidade de vida no trabalho (Brasil, 2011). SEXTA ORIENTAÇÃO: elogie o trabalho bem-feito, assim como o esforço sincero para cumprir a missão. Um elogio oportuno reforça a atitude correta e o elogiado se sente estimulado para aumentar seu amor-próprio e sua autoconfiança. É uma recompensa não financeira de reconhecimento e autoestima (Brasil, 2011). SÉTIMA ORIENTAÇÃO: apoie e estimule a iniciativa de seus comandados na busca por soluções para os problemas do grupo. É a atitude do líder FIGURA 23 - RECOMPENSAS ORGANIZACIONAIS FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Gestão de PESSOAL I que concede como recompensa não financeira a liberdade e autonomia do trabalho, além de oportunidade de desenvolvimento pessoal (Brasil, 2011). DÉCIMA ORIENTAÇÃO: seja um permanente bom exemplo para os subordinados. Uma recompensa não financeira citada por Chiavenato (2022, p. 270) “é o orgulho da empresa e do trabalho”. O orgulho e o senso de pertencimento aumentam na mesma medida em que os líderes são bons exemplos e inspiram confiança, não somente em suas atitudes morais, mas também com entregas, demonstrando serem competentes. Sobre este aspecto, na segunda unidade didática estudaremos um pouco mais sobre confiança (Brasil, 2011). DÉCIMA SEGUNDA ORIENTAÇÃO: empenhe-se em identificar e formar outros líderes, com os quais formará um grupo coeso e capaz de cumprir missões complexas com eficiência. Esta orientação deixa claro que compete ao líder identificar outros líderes e buscar desenvolvê-los. É uma recompensa não financeira quando um subordinado é reconhecido em suas competências e recebe responsabilidades como parte de um plano maior de desenvolvimento pessoal (Brasil, 2011). Como vimos, portanto, as recompensas em instituições públicas podem existir e não estão atreladas somente às previsões de remuneração e benefícios descritas em lei. Muito dependem do exercício de lideranças, tema que vamos aprofundar na unidade didática seguinte. Passaremos, agora, ao estudo do processo de Desenvolver Pessoas. 8.5 DESENVOLVER TALENTOS: TREINAMENTO DE EQUIPES E ORGANIZAÇÕES São os processos usados para capacitar e incrementar o desenvolvimento profissional e pessoal das pessoas, equipes e da própria organização. Envolvem treinamento e desenvolvimento de pessoas, gestão do conhecimento e gestão de competências, aprendizagem corporativa, programas de mudanças e desenvolvimento de carreiras e programas de comunicação e consonância. Para Milkovich e Boudreau (2008, p. 338), treinamento é “um processo sistemático para promover a aquisição de habilidades, regras, conceitos ou atitudes que resultem em uma melhoria da adequação entre as características dos empregados e as exigências dos papéis funcionais”. Já o desenvolvimento Gestão de PESSOAL I é, para os autores, um processo que inclui não apenas o treinamento, mas a carreira e outras experiências: “é o processo de longo prazo para aperfeiçoar as capacidades e motivações dos empregados a fim de torná-los futuros membros valiosos da organização” (Milkovich; Boudreau, 2008, p. 338). Chiavenato (2022, p. 325) ensina: Desenvolver talentos, equipes e organizações não significa apenas dar-lhes informação e apoio suficientes para que aprendam novos conhecimentos, habilidades e competências e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes toda a formação básica para que aprendam novas atitudes, soluções, ideias, conceitos e que mudem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. Normalmente, o processo usado para desenvolver talentos é o treinamento, a fim de que as pessoas se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras, a fim de contribuir com objetivos organizacionais e mudar comportamentos. FIGURA 24 - FUNÇÕES DO TREINAMENTO FONTE: Chiavenato (2022, p. 337). Gestão de PESSOAL I O treinamento é composto por etapas: deve ser precedido de diagnóstico, ou seja, levantamento das necessidades de treinamento, posteriormente ser realizado o desenho do programa de treinamento, daí então a implementação, finalizando com a avaliação dos resultados obtidos. Abaixo segue quadro com as etapas do processo de treinamento. Veja: Quando o treinamento é focado em competências, ele se baseia na lacuna existente entre as competências disponíveis e aquelas que a organização necessita, que são chamados de gaps de competências. O Exército Brasileiro já prevê a implantação do Ensino por Competências desde a Portaria n. 137, de 28 de fevereiro de 2012. Atualmente, o Departamento de Educação e Cultura do Exército, por meio da Portaria DECEx/C Ex n. 463, de 13 de dezembro de 2022, aprovou a quarta edição das instruções reguladoras do Ensino por Competências. Os objetivos do Ensino por Competências estão descritos no artigo 4º da referida normativa: Art. 4º O ensino por competências: I - busca desenvolver a autonomia e o pensamento crítico e reflexivo; II - necessariamente, é contextualizado em situações passíveis de serem vivenciadas pelo discente, quando de sua atuação profissional ou em sua vida cotidiana; QUADRO 2 - ETAPAS DO TREINAMENTO FONTE: Chiavenato (2022, p. 341). Necessidade a satisfazer Desenho do treinamento Execução do treinamento Avaliação dos resultados Diagnóstico da situação Decisão quanto à estratégia Implementação e ação Avaliação e controle - Objetivos da organização; - Competências necessária; - Problemas de produção; - Problemas de pessoal; - Resultados da gestão do desempenho. - Programação do treinamento: - Quem treinar; - Como treinar; - Em que treinar; - Onde treinar; - Quando treinar. - Condução e aplicação do programa de treinamento por meio de: - Gestor de linha, assessoria de GTH por ambos por terceiros. - Monitoração do processo; - Avaliação e mediação de resultados; - Comparação da situação atual com a situação anterior; - Análise do custo/benefício. Gestão de PESSOAL I III - fundamenta-se na interdisciplinaridade, pois, dificilmente, soluciona-se um problema sem integrar conhecimentos de áreas diversas; IV- tem o discente no centro do processo ensino- aprendizagem; e V - privilegia o aprender-a-aprender (Brasil, 2022). Embora a referida normativa busque regulamentar a questão dos currículos, avaliação de aprendizagem e gestão escolar, é importante mencionar que a educação por competências vai além, promovendo o desenvolvimento de atitudes e valores que nortearão o militar em situações reais. Destaca-se, no artigo 21, que as atitudes e valores são desenvolvidos: I - pela observação de modelos: querer ser como alguém que lhe sirva de exemplo; II - pela vivência em situações nas quais as atitudes e valores estão presentes: viver de acordo com as normas de um grupo social; e III - pela reflexão e posicionamento diante de situações conflitivas, agindo de acordo com a norma, desenvolvendo a autonomia moral (Brasil, 2022). Nesse sentido, coaduna-se à teoria de Chiavenato sobre aprendizagem. O autor pontua que o treinamento e o desenvolvimento, sejam individuais, coletivos ou organizacionais, dependem da aprendizagem. Não deve ser confundido com amadurecimento ou com imitação, pois consiste na mudança de atitude ou comportamento frente a uma experiência (Chiavenato, 2022). Para isso, apresenta-se quatro níveis de aprendizagem: social, adaptativa, ativa e passiva. A primeira envolve participação ativa de outras pessoas e é a que mais permanece, pois se trata do que ensinamos aos outros ou do que fazemos. A aprendizagem adaptativa tem relação com o que discutimos com os outros, enquanto a ativa diz respeito ao que observamos e relatamos ou repetimos. A passiva, por fim, é o que lemos, escutamos ou ouvimos. Abaixo seguem os quatro níveis de aprendizagem e suas respectivas porcentagens de fixação no comportamento das pessoas. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 25 - NÍVEIS DE APRENDIZAGEM FONTE: Chiavenato (2022, p. 330). Assim, verifica-se que o desenvolvimento de pessoas no Exército Brasileiro não está atrelado somente a cursos (treinamentos), mas pode permear diversos momentos da interação dos indivíduos dentro da organização, como, por exemplo, ao praticarem entre si, ao serem instruídos por supervisores, ou quando expressam opiniões para solucionar problemas da OM. Daí porque a importância de uma cultura organizacional e de lideranças bem desenvolvidas, inclusive esta última prevista no art. 24, da Instrução Reguladora do Ensino por Competências: “O desenvolvimento da Liderança Militar deve ser objeto de especial atenção em todas as atividades de ensino, pois é fundamental para o exercício do comando nos diversos níveis” (Brasil, 2022). Sobre cultura organizacional e liderança, trataremos na unidade didática 2, juntamente com o conceito de aprendizagem organizacional, visto fazerem parte do conceito moderno de gestão de pessoas. Gestão de PESSOAL I 8.6 MONITORAR TALENTOS E EQUIPES: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS São processos utilizados para acompanhar e controlar as atividades das pessoas e equipes e verificar resultados. Incluem banco de dados e informações gerenciais. “Monitorar, neste sentido, se refere a acompanhar, orientar e manter o comportamento dentro de determinados limites de variação” (Chiavenato, 2022, p. 395). Numa abordagem tradicional, o monitoramento é exercido por controle externo e rígido, fiscalização e vigilância, disciplina severa (penalidades), restrições e limitações, e centralização em um órgão de RH. Numa abordagem mais moderna, os processos de controle são mais flexíveis, onde impera a liberdade e autonomia, a disciplina por consenso e a descentralização. Chiavenato (2022) indica que a automação, o uso de plataformas, inteligência artificial, internet das coisas, entre outras tecnologias disruptivas estão mudando radicalmente o trabalho e, por isso, é um grande desafio para as organizações integrarem a tecnologia para realizarem o monitoramento e apoiarem as decisões dos gestores. A tendência é que os processos de gestão de pessoas sejam incorporados a sistemas de informação, de modo que se automatize o processamento de informações, reduzindo custos e tempo. Também, é importante que ofereçam suporte on-line para decisão. Os sistemas de informação em gestão de RH devem estar baseados no alinhamento com o planejamento estratégico organizacional, fornecer relatórios claros sobre os programas de ação e práticas de gestão, bem como cobrir os seguintes aspectos: Há possibilidade de se falar em monitoramento de pessoas no âmbito do Exército Brasileiro sem os instrumentos previstos no R-4? Como? Gestão de PESSOAL I • Registro de controle de pessoal para efeito operacional de folha de pagamento, afastamentos, movimentações, benefícios e disciplina. • Dados de recrutamento e seleção, plano de carreiras, treinamento e desenvolvimento, higiene e segurança do trabalho e área médica. • Banco de dados de talentos e de competências disponíveis (interna e externamente). • Assuntos de interesse profissional dos colaboradores como oportunidades, promoções, ofertas de treinamento, produtos e serviços. • Assuntos de interesse pessoal dos profissionais (ex.: acesso à contracheque, situação de férias e tempo de serviço, entre outros). Importante lembrar que atualmente, no Brasil, o serviço público precisa se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Esta norma foi promulgada para proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. Conforme previsto no Guia de Boas Práticas para Implementação na Administração Pública Federal (2020), essa lei “versa sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado e engloba um amplo conjunto de operações efetuadas em meios manuais ou digitais” (Brasil, 2020, p. 10). Você conhece, no âmbito do Exército Brasileiro, qual ou quais sistemas informatizados de gestão de pessoas são utilizados? São desenvolvidos pelo próprio EB ou empresa terceirizada? Como se dá o armazenamento e a proteção destas informações? Para aprofundar os estudos acerca da Lei Geral de Proteção de Dados e seu impacto nas informações pessoais dos servidores, faça a leitura do Guia de Boas Práticas para Implementação na Administração Pública Federal - Lei Geral de Proteção de Dados. Disponível em: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/ seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf Gestão de PESSOAL I 9 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Nesta unidade didática vimos aspectos gerais da gestão de pessoas, o conceito de RH, gestão de pessoas e gestão do talento humano. Para refletir sobre o impacto das ações de RH nos resultados da organização, estudamos o papel das pessoas nas organizações e as funções de gestão (linha e staff) na teoria contemporânea de gestão do talento humano. Recordamos alguns princípios e leis aplicáveis aos recursos humanos no Exército e passamos ao estudo dos processos de gestão de talentos: Agregar, Engajar, Aplicar, Recompensar, Desenvolver e Monitorar. Verificamos a necessidade de aprofundamento em temas da gestão contemporânea por competências, especialmente no tocante ao engajamento, desempenho, cultura organizacional e liderança. Por isso, convido você para continuar os estudos da disciplina na unidade didática 2! Gestão de PESSOAL I 10 REFERÊNCIAS ALBERTON, Marjulie Merini; BECKER, Keitty Aline Wille. Gestão de pessoas I. Indaial: UNIASSELVI, 2020. ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 32. ed. Rio de Janeiro: Método, 2023. BRASIL. Decreto n. 57.654, de 20 de janeiro de 1966. Regulamenta a lei do Serviço Militar (Lei nº 4.375, de 17 de agosto de 1964), retificadapela Lei nº 4.754, de 18 de agosto de 1965. Brasília: Poder Executivo, 1966. BRASIL. Exército Brasileiro. Instruções Provisórias do Sistema de Medição do Desempenho Organizacional do Exército (IP SMDO PEG). Brasília: Assessoria Especial do Gabinete do Comandante do Exército, [s.d]. BRASIL. Governo Federal. Guia de Boas Práticas para Implementação na Administração Pública Federal. Brasília: Governo Federal, 2020. BRASIL. Lei n. 6.880, de 9 de dezembro de 1980. Dispõe sobre o Estatuto dos Militares. Brasília: Congresso Nacional, 1980. BRASIL. Lei n. 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Brasília: Congresso Nacional, 1999. BRASIL. Ministério da Defesa. Diretriz de Pessoal do Exército Brasileiro 2023- 2027. Brasília: Ministério da Defesa, 2023. BRASIL. Ministério da Defesa. Glossário de termos e expressões para uso no Exército. 5. ed. Brasília: Chefe do Estado-Maior do Exército, 2018. BRASIL. Ministério da Defesa. Manual de campanha: liderança militar. 2. ed. Brasília: Ministério da Defesa, 2011. BRASIL. Ministério da Defesa. Portaria n. 169-DGP, de 7 de agosto de 2017. Aprova o Regimento Interno do Departamento-Geral do Pessoal (EB30- RI-10.001) e dá outras providências. Brasília: Chefe do Departamento-Geral do Pessoal, 2017. Gestão de PESSOAL I BRASIL. Ministério da Defesa. Portaria – DECEx/C Ex n. 463, de 13 de dezembro de 2022. Aprova as Instruções Reguladoras do Ensino por Competências - 4ª Edição (IREC– EB60-IR-05.008). Brasília: Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, 2022. BRASIL. Ministério da Defesa. Portaria – EME n. 969, de 9 de fevereiro de 2023. Aprova a Diretriz de Pessoal do Exército Brasileiro 2023-2027 (EB20-D-01.028). Brasília: Chefe do Estado-Maior do Exército, 2023. BRUNO-FARIA, Maria de Fátima; BRANDÃO, Hugo Pena. Gestão de competências: identificação de competências relevantes a profissionais da área de T&D de uma organização pública do Distrito Federal. Revista de Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 7, n. 3, p. 35-56, jul./set. 2003. CARVALHO, Matheus. Manual de direito administrativo. 11. ed. Salvador: Juspodivm, 2023. CHIAVENATO, Idalberto. 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Saber: Fazer: UNIDADE 2 Gestão de PESSOAL I 1 CONTEXTUALIZAÇÃO 2 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS Nesta unidade didática 2 pretendemos abordar temáticas emergentes na área de gestão estratégica, especialmente: a) Gestão por competências: mapeamento de competências, seleção por competências, perfil de competências, avaliação profissiográfica, desenvolvimento de competências e avaliação de desempenho. b) Cultura organizacional, clima organizacional e qualidade de vida no trabalho: a relação destes conceitos com o desempenho e produtividade. c) O papel do líder na organização: técnicas de comunicação não violenta na mediação de conflitos e conversas decisivas. O Exército Brasileiro, de acordo com as normativas de gestão de pessoal, busca um processo de transformação com o objetivo preparar a Força para cumprir as missões exigidas pela Nação Brasileira e pelo Estado Brasileiro. Nesse contexto, a instituição afirmou em sua política de pessoal que seu patrimônio mais valioso é a Dimensão Humana: Entende-se como Dimensão Humana o conjunto de todos os fatores geridos pela Instituição, que influenciam o profissional militar e o servidor civil – do ambiente de trabalho a seus familiares. Eles são o que chamamos de “A Força da Nossa Força”, que constitui elemento primordial de desequilíbrio do Poder de Combate quando do emprego da Força Terrestre em quaisquer tipos de operações militares (Brasil, 2023, p. 4). É imprescindível, para o avanço no estudo da gestão estratégica de pessoas, que todo o gestor militar saiba sobre quais pilares estão fundamentadas as transformações pretendidas pelo EB, descritas a seguir: Entende-se como Dimensão Humana o conjunto de todos os fatores geridos pela Instituição, que influenciam o profissional militar e o servidor civil – do ambiente de trabalho a seus familiares. Gestão de PESSOAL I FIGURA 26 – PILARES FUNDAMENTAIS DO EXÉRCITO BRASILEIRO FONTE: A autora (2024). Por isso, nesta unidade didática, vamos aprofundar o estudo dos temas relacionados às práticas de retenção e motivação de pessoas, que também poderão auxiliar na racionalização do efetivo e na implementação de inovações na gestão de pessoas: cultura organizacional, qualidade de vida no trabalho, valorização e recompensas, gestão do desempenho, gestão por competências e o papel da liderança nessa transformação. Gestão de PESSOAL I 3 GESTÃO POR COMPETÊNCIAS Vale ressaltar que o conceito de competências mudou muito na literatura, sendo ampliado desde 1973, quando estudado pela primeira vez pelo americano David McClelland, que o associava às qualidades requeridas parao exercício do cargo, relacionadas ao conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes. Para Torres, Ziviani e Silva (2012, p. 196) foi a partir da década de 80 que muitos autores passaram a definir competência associando-a às suas realizações e àquilo que elas proveem, produzem ou entregam: A noção do que vem a ser uma entrega é apresentada por Dutra (2008) e pode ser entendida como a reconhecida contribuição de um indivíduo ou de um grupo no cumprimento de certa competência, em que o valor agregado ao negócio é diretamente proporcional à complexidade da entrega. Na visão de Wünsch Takahashi e Fischer (2009), competência está relacionada à capacidade de combinar e mobilizar adequadamente recursos (de forma apropriada ao evento) e não apenas à manutenção de uma vasta gama de conhecimentos e habilidades. Essa ação gera uma nova configuração de competências resultante do aprendizado ao lidar com a nova situação. A aprendizagem organizacional apresenta-se assim como uma chave para compreender o desenvolvimento de competências; o desenvolvimento de competências, um caminho para compreender os processos de aprendizagem organizacional (Wünsch Takahashi; Fischer, 2009, p. 329). Vamos relembrar como o Exército Brasileiro considera, atualmente, este conceito? Segundo a Portaria – DECEx/C Ex n. 463, de 13 de dezembro de 2022, em seu artigo 2º, “competência é a ação de mobilizar recursos diversos, integrando- os, sinérgica e sincronicamente, para decidir e atuar em uma família de situações” (Brasil, 2022). Os recursos mobilizados pelas competências incluem o acrônimo CHAVE: conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências. Portanto, podemos concluir que para o Exército Brasileiro: Competência é a mobilização de conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências, de forma sinérgica e sincrônica, para decidir e atuar em uma família de situações. Gestão de PESSOAL I A Diretriz de Pessoal do Exército Brasileiro 2023-2027 preceitua que as competências individuais necessárias ao exercício dos cargos e à execução de operações militares estarão: Apoiadas na aquisição de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e atitudes, na internalização de valores fundamentais para a Força e nas experiências adquiridas no desempenho dos cargos e funções ao longo da carreira (Brasil, 2023, p. 5). Para fins didáticos, agrupamos abaixo as principais competências elencadas na Diretriz de Pessoal do Exército Brasileiro 2023-2027 em quatro categorias. Veja: FIGURA 27 - PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS DA DIRETRIZ DE PESSOAL DO EXÉRCITO BRASILEIRO 2023-2027 EM CATEGORIAS CULTURA, LIDERANÇA E ESTRATÉGIA 1) cultuar as tradições e os valores do Exército Brasileiro (cultura institucional); 2) empregar princípios de liderança nos níveis tático, operacional e estratégico; 11) conhecer as Estratégias Militares Dominantes e os preceitos da Ética Profissional Militar; 13) participar do gerenciamento de crises; 14) atuar em conformidade com os atributos de adaptabilidade, iniciativa, cooperação, rusticidade, resiliência e flexibilidade; 18) atuar em ambientes colaborativos interligados (rede); 19) utilizar ferramentas gerenciais; 20) atuar em sintonia com o conceito de “Soldado Estratégico”, consciente de que ações individuais e de pequenas frações poderão comprometer as ações no nível político-estratégico; 21) operar, empregando os princípios da “Consciência Situacional”. Gestão de PESSOAL I OPERAÇÕES 3) atuar em operações militares de naturezas diversas, conforme o previsto no conceito operativo do EB, incluindo as que apresentem assimetria entre as forças oponentes, bem como em operações interagências, conjuntas e multinacionais; 4) integrar Força Expedicionária; 5) processar Informações de Combate; 24) atuar em ambiente químico, biológico, radiológico ou nuclear (QBRN). CIÊNCIA E TECNOLOGIA 7) empregar medidas de Proteção Cibernética; 8) realizar pesquisa científica para cooperar com o desenvolvimento da Doutrina Militar; 9) aplicar a Legislação Ambiental no âmbito do Exército Brasileiro; 15) operar materiais de emprego militar (MEM) com alta tecnologia agregada; 16) empregar ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação; 17) operar Sistemas Autônomos (veículos não tripulados, robôs etc.); 23) pesquisar e desenvolver tecnologias sensíveis e estratégicas negadas, incluindo a tecnologia nuclear e as tecnologias quânticas. INTERNACIONAL 6) comunicar-se efetivamente em outros idiomas; 10) aplicar os princípios básicos de Relações Internacionais; 12) empregar os princípios do Direito Internacional Humanitário (DIH) e do Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA); 22) aplicar preceitos da Diplomacia Militar. FONTE: Adaptado de Brasil (2023). Dessa forma, o Exército Brasileiro exige uma ampla gama de competências, atrelando o conceito à entrega, à mobilização de recursos e não somente retenção dos conhecimentos. Evidentemente que, diante das diferentes especialidades descritas, um militar pode se aprimorar em determinada área de conhecimento. Porém, dependendo da missão na qual será empregado, necessitará desenvolver competências diversas, sendo necessário ao EB que disponha de treinamento na área e ao militar que se dedique à aquisição das competências. Daí entra o conceito de aprendizagem organizacional, o qual será abordado mais adiante nesta unidade. Gestão de PESSOAL I “Antiguidade é posto” - diz o ditado. Mas e quando o assunto é alocação por competências? Há possibilidade de se utilizar alguma regra formal que, através de um programa ou ferramenta específica mapeie competências individuais, e auxilie o Comandante da OM na designação de funções dentro da sua unidade, independente da questão hierárquica ou antiguidade? A pergunta que o Comandante pode fazer é: como identificar e explorar todo o potencial dos talentos à serviço da OM? O que fazer para que se tenha a pessoa certa, no lugar certo, e com propósito convergente, de modo que se torne produtivo? Vamos entender um pouco mais sobre mapeamento de competências e análise profissiográfica. 3.1 MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS E PERFIL PROFISSIOGRÁFICO A gestão por competências está inserida em uma proposta de otimização do desempenho organizacional e profissional, na compreensão de que o domínio de certas competências necessárias para o desempenho de tarefas de um cargo é facilitador de resultados efetivos para a organização (Faiad, 2012). Assim, a autora destaca dois tipos de metodologia para possibilitar um estudo sistemático de todo o processo de trabalho referente a cada cargo de uma instituição: o mapeamento de competências e o perfil profissiográfico. O mapeamento de competências, segundo Faiad (2012, p. 395), “consiste na identificação e na operacionalização das competências, no nível individual, existentes na organização”. Para a autora, a descrição é feita a partir da observação de comportamentos detectáveis no trabalho, a partir dos quais é possível diagnosticar a lacuna entre as competências necessárias à consecução dos objetivos organizacionais e as competências reais manifestadas. A partir desta metodologia, define-se um perfil, composto pelo conjunto de competências necessárias a um determinado cargo em consonância com as informações obtidas dele através da profissiografia. O mapeamento de competências, segundo Faiad (2012, p. 395), “consiste na identificação e na operacionalização das competências, no nível individual, existentes na organização”. Gestão de PESSOAL I Esse perfil pode ser indicado pelos CHAs (conhecimentos, habilidades e atitudes) isoladamente ou mesmo em interação, a partir do estabelecimento de parâmetros de investigação da expressão dessas competências (competências técnicas, que abarcam conhecimentos e habilidades específicas ao cargo, e competências comportamentais, que abrangem relações complexas entre habilidadesrelativas ao indivíduo e atitudes) (Faiad, 2012, p. 395). O mapeamento de competências permite, além de outras coisas, alocar adequadamente as pessoas na organização, identificar potencialidades e carências de competências e, ainda, selecionar e desenvolver competências necessárias ao desempenho estratégico da organização (Torres; Ziviani; Silva, 2012, p.197). É desenvolvido a partir da identificação das competências, avaliação, formulação de conclusão e registro dos resultados. O objetivo da fase de identificação das competências é elaborar uma lista de competências relevantes no setor em que a empresa atua. Entre as técnicas utilizadas nesta fase, Torres, Ziviani e Silva (2012) destacam a análise documental, entrevista, grupo focal e questionário. Após, segue-se a fase de avaliação, formulação de conclusão e registro dos resultados. Na fase de avaliação, o objetivo é avaliar se a empresa encontra-se em vantagem ou desvantagem competitiva quanto a cada uma das competências. Na etapa de formulação de conclusões e registro de resultados, o objetivo é interpretar os dados, identificar as áreas críticas e tirar conclusões. As áreas críticas são destacadas para que sejam analisadas mais profundamente. Após esse processo, é possível ter uma visão sobre a força das competências existentes na organização (Torres; Ziviani; Silva, 2012, p. 198). É importante mencionar que o mapeamento de competências serve como base para a seleção de pessoas e para o enfoque dos treinamentos na organização, além de se constituir como referencial para acompanhamento e avaliação dos resultados, servindo de mecanismo de feedback para a organização na medida em que se comparam eventuais desvios na execução de planos e indicadores de desempenho e os resultados efetivamente alcançados. Leme (2014 apud Sinachi, 2014) recomenda, entretanto, que se deve evitar o estabelecimento de políticas de consequência da avaliação logo no primeiro ciclo de implementação do mapeamento. Veja: Gestão de PESSOAL I Evitar políticas de consequências que pressupõe, por exemplo, a evolução de carreira e remuneração associada ao desempenho, logo no primeiro ciclo, é recomendado para que não se instaure uma mentalidade errônea quanto à aplicação da Gestão por Competências, bem como para evitar corporativismo, por tratar-se de um momento de aculturação. Atuar com políticas de consequências imediatas, automatizadas e posteriores ao primeiro ciclo, pode causar uma falsa impressão de que o processo de avaliação pode ser usado para premiação, mas também para o inverso proporcional, ou seja, a punição e isso, por sua vez, tende a causar baixa adesão ao instrumento e, posteriormente, ao abandono à Gestão por Competências na instituição (Leme, 2014, p. 60 apud Sinachi, 2014, p. 83). Somado ao mapeamento de competências pode ser utilizada a profissiografia, ou análise profissiográfica, que tem como objetivo norteador o levantamento do perfil profissiográfico de um determinado cargo, ou seja, realizar uma análise detalhada de suas características e peculiaridades. Essa metodologia, segundo Faiad (2012), tem como diferencial de outras técnicas a centralidade na amostra estudada, ou seja, quando os dados coletados são indicados para a população ocupante do cargo, e não por poucos ocupantes do mesmo. Espera-se que, no mínimo, uma amostra representativa de grande parte dessa população seja avaliada com base nos dados coletados, de modo a garantir a representatividade e a fidedignidade das análises realizadas. O perfil profissiográfico é mais do que uma descrição de cargos: ele aprofunda e detalha, em termos de pré-requisitos, as especificações necessárias ao desempenho competente das tarefas e atribuições. Sendo assim, pode-se dizer que a profissiografia é desenvolvida por meio de um criterioso trabalho de descrição dos cargos, que deve ter cada uma de suas tarefas descritas pormenorizadamente. Faiad (2012) distingue dois diferentes tipos de análise de cargo ou do trabalho: a primeira é definida como análise orientada ao trabalho e enfoca as tarefas que são realizadas na atividade, conhecida na prática como a descrição do cargo; a segunda é orientada para a pessoa que executa a tarefa, indicando os atributos, as características ou mesmo os conhecimentos e as habilidades necessários para desenvolver, com êxito, um trabalho, sendo o foco nas características pessoais requeridas para um determinado cargo. Assim, as duas análises propostas são necessárias para a compreensão do cargo, sendo que a análise profissiográfica abarca esses dois processos. O perfil profissiográfico é mais do que uma descrição de cargos: ele aprofunda e detalha, em termos de pré- requisitos, as especificações necessárias ao desempenho competente das tarefas e atribuições. Gestão de PESSOAL I Por meio da análise profissiográfica, obtém-se um estudo detalhado de todas as tarefas de um determinado cargo ou função, com especificação do nível de dificuldade, importância e frequência com que elas ocorrem. Por esta razão que orienta não somente a seleção de pessoas, mas inclusive a formação da base curricular para cursos de formação de ingresso na carreira. “No que se refere ao indivíduo, o perfil profissiográfico indica as características pessoais necessárias ao bom desempenho do cargo em questão, assim como as restritivas ou impeditivas” (Faiad, 2012, p. 394). No Exército Brasileiro, a Portaria DECEx / CEx n. 464, de 13 de dezembro de 2022, que aprova as normas para construção de currículos (5ª edição), descreve perfil profissiográfico como o documento que determina as qualificações profissionais a serem obtidas pelos concludentes dos cursos ou estágios. Conforme exposto na referida norma, o perfil profissiográfico está estruturado em: I - finalidade; II - cargos e funções; III - competências profissionais; IV - eixo transversal; V – mapa funcional. Tem como finalidades: indicar os aspectos legais existentes na portaria de criação, em especial a finalidade do curso ou estágio; apresentar os cargos e as funções para as quais o curso ou estágio qualificam; apresentar as competências profissionais compostas pelas competências principais e pelas unidades de competência constantes dos mapas funcionais; indicar o eixo transversal que permeia todas as competências, o qual é composto pelas: a) atitudes (Normas para o Desenvolvimento e Avaliação dos Conteúdos Atitudinais); b) capacidades cognitivas; c) capacidades físicas e motoras; d) capacidades morais; e) habilidades; e d) valores; e por fim, apresentar o mapa funcional (Brasil, 2022). Quanto ao mapa funcional, seu conceito está no artigo 4º da referida norma como sendo “o documento que descreve a atividade laboral de forma totalizante e serve para orientar o processo formativo e as ações de avaliação, discriminando as competências a serem desenvolvidas no curso ou estágio” (Brasil, 2022). Para aprofundar os estudos faça a leitura do Anexo A (exemplo de perfil profissiográfico) e do Anexo B (exemplo de mapa funcional) da Portaria - DECEx / CEx n. 464, de 13 de dezembro de 2022. Disponível em: http://www.sgex.eb.mil.br/sg8/005_normas/01_ normas_diversas/07_departamento_de_educacao_e_cultura_do_ exercito/port_n_464_decex_13dez2022.html http://www.sgex.eb.mil.br/sg8/005_normas/01_normas_diversas/07_departamento_de_educacao_e_cultura_do_exercito/port_n_464_decex_13dez2022.html http://www.sgex.eb.mil.br/sg8/005_normas/01_normas_diversas/07_departamento_de_educacao_e_cultura_do_exercito/port_n_464_decex_13dez2022.html http://www.sgex.eb.mil.br/sg8/005_normas/01_normas_diversas/07_departamento_de_educacao_e_cultura_do_exercito/port_n_464_decex_13dez2022.html Gestão de PESSOAL I Vale lembrar que uma ficha profissiográfica bem elaborada contribui com a criação de critérios avaliativos para desempenho de uma pessoa nocargo, assim como para avaliar o próprio treinamento recebido. E por falar em treinamento, que tal estudarmos um pouco mais sobre desenvolvimento de competências? 3.2 DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS A maioria das organizações foi estruturada e organizada dentro de padrões de relativa estabilidade e permanência. Porém, os tempos mudaram e a instabilidade ambiental colocou em xeque o antigo modelo rígido e definitivo de organização. Segundo Chiavenato (2022), a teoria administrativista tem demonstrado que ambientes mutáveis exigem organizações orgânicas com as seguintes características: • Redução dos níveis hierárquicos e descentralização; • Autocontrole e autogestão do desempenho pelas próprias pessoas; • Trabalhos mutáveis e constantemente redefinidos; • Tarefas mais complexas e diferenciadas; • Trabalhos desempenhados por equipes multifuncionais, autogeridas e empoderadas; • Interação constante para a busca da eficácia; • Órgãos flexíveis e mutáveis, sendo substituídos por equipes. Nesse contexto, os recursos intangíveis - conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências, diferenciam as organizações e fazem frente às mudanças externas. Chiavenato (2022, p. 361) considera que, neste contexto, “o treinamento oferece preparação para o trabalho atual, imediato e de curto prazo, enquanto o desenvolvimento de talentos foca o futuro a médio e longo prazo, relacionado com a educação continuada e à aquisição de competências duráveis”. O referido autor lista, ainda, algumas atividades que são consideradas como formas de desenvolvimento de talentos nas organizações: • Rotação de trabalhos: movimentação dos talentos em várias posições na organização, a fim de que adquiram experiência, conhecimento e habilidades. Permite o aprimoramento individual e desenvolvimento de novas ideias (Chiavenato, 2022). Gestão de PESSOAL I • Posições de assessoria: oportunizar que um talento trabalhe sob a supervisão de um gestor mais experiente e bem-sucedido. Esta função auxilia, inclusive, na transmissão de conhecimentos tácitos e perpetuação de valores organizacionais (Chiavenato, 2022). • Aprendizagem prática: trabalho de tempo integral para análise e resolução de um problema em certo projeto ou departamento (Chiavenato, 2022). • Atividades em equipes: equipes temporárias, diferentes trabalhos, compartilhando tomada de decisões e aprendendo com outros, pesquisando problemas específicos da instituição. São desafios que expõe o talento e ampliam a oportunidade de crescimento (Chiavenato, 2022). • Participação em cursos e seminários: forma tradicional, que vem sendo facilitada pela aprendizagem a distância, online (Chiavenato, 2022). • Exercícios de simulação: estudo de casos, simulação de papéis, onde se utilizam as experiências de outras unidades, para que o talento descreva e diagnostique problemas reais, analise causas e desenvolva soluções (Chiavenato, 2022). • Jogos de empresas: business games, onde equipes de talentos ou gestores competem entre si, em plataformas, tomando decisões a respeito de situações reais ou simuladas (Chiavenato, 2022). • Estudo de casos: método de desenvolvimento no qual o talento se defronta com situação real a ser resolvida (Chiavenato, 2022). • Treinamento outdoor: treinamento externo, busca de novos conhecimentos que não existem na organização e precisam ser obtidos fora dela (Chiavenato, 2022). • Centros de desenvolvimento internos: centros localizados na empresa, para expor gestores e membros de equipes a exercícios realísticos. É o caso das universidades corporativas (Chiavenato, 2022). • Coaching: quando o gestor é renovador, preparador, orientador e impulsionador, tende a se transformar num coach. O coaching significa a atuação diretamente sobre cada talento ou equipe (Chiavenato, 2022). • Tutoria ou mentoring: é a assistência que altos executivos experientes oferecem a talentos que aspiram subir a níveis mais elevados na organização. Essa ferramenta oferece oportunidades de intensa interação e rápida retroação nos contatos com executivos mais experientes. Possível desvantagem é a tendência a perpetuar atuais estilos e práticas na organização. É uma excelente oportunidade aos gestores mais idosos em fim de carreira para ajudar os talentos em seu progresso (Chiavenato, 2022). Gestão de PESSOAL I • Aconselhamento: quando o gestor proporciona aconselhamento aos talentos, no sentido de assessorá-los no desempenho de seus trabalhos. Se aproxima da abordagem da tutoria. Neste caso, porém, a ideia é ajudar a pessoa a examinar suas aspirações na carreira (Chiavenato, 2022). 3.3 APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E GESTÃO DO CONHECIMENTO Quando uma organização investe em desenvolvimento dos seus colaboradores, transfere à instituição seus conhecimentos, tornando-a um “repositório dinâmico de novos saberes” (Comin; Inocente; Miura, 2011, p. 230). Ou um “verdadeiro ecossistema para talentos, gestores e equipes trabalharem de maneira interligada”, criando-se, assim, o ciclo da aprendizagem organizacional - das pessoas para as organizações e das organizações para as pessoas (Chiavenato, 2022, p. 367). O termo aprendizagem organizacional representa, em linhas gerais, a forma como as organizações aprendem, como as organizações se relacionam com o meio e dele extraem observações que incorporam, com o objetivo de manterem- se em constante desenvolvimento, agregando vantagens competitivas (Comin; Inocente; Miura, 2011, p. 230). Wünsch Takahashi e Fischer (2009) consideram que a aprendizagem organizacional é um processo multifacetado, porque se dá na interação social do trabalho e que, portanto, envolve indivíduos, grupos e organização e é maior que a soma das cognições individuais, envolvendo uma sinergia que traz valor agregado e uma aquisição que se fixa na memória da empresa na forma de rotina, processo, cultura ou outro elemento constituinte da organização. Segundo Wünsch Takahashi e Fischer (2009, p. 330) é possível afirmar: [...] que a aprendizagem organizacional refere-se ao processo de mudança transformacional, que envolve os vários níveis (indivíduos, grupos e organização), pelo qual se dá a criação, utilização e institucionalização do conhecimento. Ela opera no âmbito coletivo, abrangendo aspectos cognitivos, comportamentais e culturais. Seu resultado, ou conteúdo, é o próprio conhecimento, fonte e resultado de seu background (história, hábitos e experiências), expresso no desenvolvimento das competências organizacionais. Gestão de PESSOAL I Os resultados da aprendizagem organizacional podem ser vistos, por exemplo, na modificação de processos que ocorrem na organização. Conforme Comin, Inocente e Miura (2011), num primeiro momento as mudanças no processo ocorrem em razão da influência direta e como produto do aprendizado de uma pessoa, mas após a implantação e adoção do novo processo como forma de trabalho, desfaz-se o vínculo de dependência entre o aprendizado da pessoa e este se torna da organização. Conhecimento é um conceito fundamental para uma organização que pretende criar uma cultura de aprendizagem. Neste sentido, vale trazer o organograma de Chiavenato que elucida a diferença existente entre conhecimento tácito e explícito de uma organização. Veja: FIGURA 28 – DIFERENÇA ENTRE CONHECIMENTO TÁCITO E EXPLICITO DA ORGANIZAÇÃO FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Gestão de PESSOAL I O conhecimento tácito consiste nas habilidades das pessoas, no know-how e na intuição. Já o conhecimento explícito é aquele baseado em regras, utilizado para desenhar rotinas, procedimentos operacionais padrão e estruturas de dados, para que a organização estabeleça níveis de operação e controle eficientes. Abaixo segue ilustração da interconexão do conhecimento tácito e explícito numa organização. Veja: Para Choo (2003 apud Popadiuk e Santos, 2010, p. 209) existe, ainda, um terceiro tipo de conhecimento, que é aquele “ligado à experiênciacultural e se comunica através de textos orais e verbais como histórias, metáforas, analogias, visões e declaração de missão”. Para o citado autor, esse tipo institui comprometimento por meio de um significado comum. Com o cruzamento dos conhecimentos as organizações criam outros novos, disseminam por toda a instituição e os incorporam às novas tecnologias e produtos. Chiavenato (2022, p. 373) apresenta, ainda, quatro modelos de conversão do conhecimento: FIGURA 29 – INTERCONEXÃO DO CONHECIMENTO TÁCITO E EXPLÍCITO DA ORGANIZAÇÃO FONTE: Chiavenato (2022, p. 375). Gestão de PESSOAL I 1. Socialização: compartilhamento de experiências entre as pessoas. Ocorre no treinamento no local de trabalho, sessões informais, interações com clientes. 2. Externalização: articulação entre conhecimento tácito e explícito, pelo uso de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses e modelos. 3. Combinação: troca de informações explícitas e paradigma das Tecnologias da Informação. envolve uso de mídias como documentos, reuniões formais, conversas telefônicas e redes computadorizadas. 4. Internalização: equivale a aprender fazendo, quando os membros da organização vivenciam o resultado prático do novo conhecimento. Operacionalização. A maior vantagem competitiva de qualquer organização está no conhecimento que o capital humano possui. Por isso, a moderna gestão de pessoas, ao abordar a aprendizagem organizacional, não pode se afastar do conceito de gestão do conhecimento. Segundo Takeuchi e Nonaka (2008), a gestão do conhecimento (GC) é definida como o processo de criação contínua de novos conhecimentos, de disseminação ampla dos mesmos na organização, incorporando-os rapidamente em novos produtos, serviços, tecnologias e sistemas, que perpetuam a mudança no interior da organização. Gutiérrez (2006, p. 124) também apresenta uma consideração relevante sobre o assunto: A gestão do conhecimento pode ser entendida como aquela disciplina que visa a projetar e implementar um sistema, com o principal objetivo de converter todo conhecimento tácito, explícito, individual, interno e externo existente na organização, sistematicamente, em conhecimento organizacional ou corporativo. Este, ao ser acessível e compartilhado, permitirá aumentar o conhecimento individual de todos os seus membros, redundando diretamente em melhor contribuição desses indivíduos na consecução dos objetivos da própria organização. O referido autor representa a gestão do conhecimento nas organizações por meio da seguinte figura: A gestão do conhecimento pode ser entendida como aquela disciplina que visa a projetar e implementar um sistema, com o principal objetivo de converter todo conhecimento tácito, explícito, individual, interno e externo existente na organização, sistematicamente, em conhecimento organizacional ou corporativo. Gestão de PESSOAL I FIGURA 30 – GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES FONTE: Gutiérrez (2006, p. 124). Chiavenato (2022, p. 379) expõe que: Ao contrário do que acontecia antigamente, quando as empresas guardavam o conhecimento a sete chaves por meio da confidencialidade, a gestão do conhecimento procura orientar a empresa inteira para produzir conhecimento, aproveitá-lo, disseminá-lo e aplicá-lo para lucrar com ele. Entendida como necessidade, a aprendizagem organizacional passou a ser sistematizada por meio da gestão do conhecimento e continuamente impulsionada, com a criação de centros de treinamento empresariais a de universidades corporativas (UC). Segundo Comin (2011, p. 234), as universidades corporativas têm a capacidade de orientar a produção e realização de treinamentos corporativos alinhados com os objetivos estratégicos da organização, substituindo a produção de programas de treinamento pouco relacionados entre si, evitando, dessa forma, “os chamados programas instrucionais de prateleira e fadados à desatualização”. Segundo Chiavenato (2022, p. 387), a UC não é propriamente um local físico, mas um conceito que envolve toda a organização, incrementado pela era digital: “ela deve ser um centro gerador de resultados para a empresa”. Quase sempre ela é virtual e utiliza a tecnologia disponível para oferecer aprendizado a qualquer hora e em qualquer lugar. Gestão de PESSOAL I 3.4 COMPETÊNCIAS E DESEMPENHO Na iniciativa privada, o desenvolvimento de competências está intimamente relacionado ao conceito de carreira, que é um processo de desenvolvimento profissional gradativo e trabalhos crescentemente mais elevados e complexos, também com remuneração e benefícios mais elevados. Dessa forma, o investimento em desenvolvimento busca reverter em enriquecimento das competências individuais de modo que as pessoas desempenhem melhor as suas atividades e, caso adquiram competências e habilidades complexas, possam adquirir também responsabilidades diferenciadas dentro da organização. A gestão do desempenho é tema central na moderna gestão de pessoas, visto que justifica e mensura o investimento em treinamentos, mas também traz à tona o sucesso individual no alcance das missões organizacionais, tornando o colaborador apto a receber o reconhecimento e recompensas atreladas a isso. Segundo Chiavenato (2022, p. 239), “a gestão do desempenho é mais do que simples revisão periódica e avaliação de desempenho”. O processo inclui definição de expectativas claras e explícitas, planejamento das tarefas e atividades, a participação da liderança na execução e a provisão de feedback, conforme já citamos na unidade didática 1. Envolve, portanto, um ciclo que inicia com a modelagem do trabalho e é desdobrado em oito etapas. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 31 – ETAPAS DO CICLO DA GESTÃO DO DESEMPENHO FONTE: Chiavenato (2022, p. 243). E a avaliação do desempenho? Chiavenato (2022), aborda como velho conceito de avaliação de desempenho o conjunto de práticas que visavam apreciar o desempenho de cada colaborador ou de uma equipe em função das atividades que desempenham, das metas e dos resultados a serem alcançados. Conforme Souza e Silva (2018) a avaliação é o ato de mensurar, ou seja, dar valor a algo, enquanto o desempenho refere-se ao modo como alguém ou alguma coisa se comporta. Para os autores, de modo simplista, a avaliação de desempenho pode ser entendida como o valor dado à performance de alguma coisa ou alguém. Veja: A avaliação de desempenho pode ser entendida como uma análise sistemática do desempenho do ocupante de Gestão de PESSOAL I um determinado cargo, assim como a apreciação de sua potencialidade de desenvolvimento. Todo trabalho de avaliação tem por objetivo julgar ou estimar o valor, assim como as qualidades e as deficiências de uma pessoa (Souza; Silva, 2018, p. 3). Para Chiavenato (2022), conforme as tendências modernas de gestão de pessoas, a avaliação deve ser um processo dinâmico envolvendo o avaliado, seu gestor, seus relacionamentos, como uma técnica de orientação e direção com base na atividade, para localizar problemas de gestão, integração das pessoas à organização e ao trabalho, possíveis carências de treinamento, construção de competências e meios para melhorar o desempenho humano de forma contínua. Para tanto, vamos estudar por que avaliar o desempenho, quem deve avaliar, quais os métodos de avaliação e como se dá a avaliação no Exército Brasileiro. 1 - Por que avaliar o desempenho? Chiavenato (2022), indica que toda pessoa necessita receber feedback do seu desempenho para fazer as devidas correções e alinhar-se ao futuro desejado. Geralmente, as organizações avaliam os colaboradores para: proporcionar recompensas (salário, promoção, transferências); para retroação, ou seja, dar conhecimento das competências e atitudes que levaram a um resultado; para o desenvolvimento individual, a fim de que o talento saiba os pontos fortes e frágeis; para melhoria do relacionamento como gestores, pares e subordinados;para a percepção do que os outros pensam ao seu respeito; para identificar o potencial de desenvolvimento e definir treinamentos; para oferecer informações ao gestor sobre como orientar os talentos por meio de coaching ou mentoring. A sistemática de avaliação de desempenho, conforme Souza e Silva (2018), age como elemento unificador das práticas de gestão de pessoas, visto que seus resultados podem ser usados para a aperfeiçoar os demais processos de gestão de pessoas: contribuir no redesenho de programas de capacitação; aferir pontuação para efeito de pagamento de gratificações por desempenho; dar suporte às políticas de progressão no cargo ou carreira; apontar necessidades de melhoria de processos, fluxos e condições de trabalho, entre outros. A fragilidade da avaliação de desempenho, segundo Chiavenato (2022, p. 246), reside nos seguintes aspectos: Para Chiavenato (2022), conforme as tendências modernas de gestão de pessoas, a avaliação deve ser um processo dinâmico envolvendo o avaliado, seu gestor, seus relacionamentos, como uma técnica de orientação e direção com base na atividade, para localizar problemas de gestão, integração das pessoas à organização e ao trabalho, possíveis carências de treinamento, construção de competências e meios para melhorar o desempenho humano de forma contínua. Gestão de PESSOAL I Quando as pessoas envolvidas na avaliação a percebem como uma situação de recompensa ou punição pelo desempenho passado. Quando a ênfase repousa mais no preenchimento de formulários do que sobre a avaliação crítica e objetiva do desempenho Quando a pessoa avaliada percebe o processo como injusto ou tendencioso. Quando comentários desfavoráveis da avaliação conduzem a uma reação negativa e de não aceitação por parte do avaliado. Quando a avaliação é inócua, baseada em fatores irrelevantes e estranhos, que não conduzem a nada e não agregam valor. Por esta razão, aponta-se que a avaliação de forma tradicional caiu em desuso nas empresas, por se constituírem mais em fontes de conflito do que resultados. Feitosa e Lima (2016), pesquisaram a problemática da avaliação de desempenho na Universidade Federal do Maranhão e destacaram alguns pontos que merecem atenção, como, por exemplo, oportunidade de melhoria e que julgamos se aplicar, de forma genérica, a outros órgãos públicos. Os profissionais pesquisados consideram que a instituição deve determinar claramente o que espera deles e oferecer boas condições de trabalho para que o desempenho possa facilitar o alcance dos objetivos organizacionais. Além disso, identificam-se que os critérios de avaliação de desempenho devem ser objetivos e que estejam claramente definidos, e que os servidores percebam como válidas na medida em que os subordinados também têm a oportunidade de avaliar as condições de trabalho e a performance de sua chefia. Ponto importante que precisa ser mencionado é que tão logo ocorra a avaliação, medidas práticas sejam estabelecidas visando analisar os resultados obtidos, de modo a que sejam implementadas ações coerentes. A falta de resultados claros para as avaliações é apontada como fator de desmotivação. Por fim, conclui-se que se trata de um processo que pode ser ainda melhorado, inclusive nos quesitos que dizem respeito ao processo de comunicação entre líderes e liderados, o que serviria para esclarecer melhor os objetivos, as características, as dúvidas dos participantes e, sobremaneira, poderia servir para alinhar expectativas e resultados apresentados. Gestão de PESSOAL I 2 - Quem deve fazer a avaliação? A avaliação deve mostrar ao colaborador o que as pessoas pensam sobre seu trabalho e contribuição à organização. Porém, estruturas burocráticas, normas rígidas e hierarquia tornaram a avaliação uma atividade ingrata e ineficiente. Chiavenato (2022, p. 247) aponta como alternativas: a) Autoavaliação de desempenho: cada colaborador avaliar seu desempenho com base em referenciais e métricas para evitar a subjetividade. A autoavaliação permite verificar se está alcançando metas e resultados ou superando expectativas. b) Avaliação por gestor ou líder: o gestor ou executivo de linha avalia o desempenho de seus subordinados e a área de gestão de pessoas assessora com o plano sistemático, meios e critérios de avaliação. c) Avaliação interativa: envolvimento do avaliado e do gestor, quando este faz contato direto e cotidiano com aquele. Ambos trocam ideias e informações, com o gestor fornecendo condições para o desempenho e o colaborador buscando atingir os resultados esperados. Em vez de um feedback anual, os times são estimulados a manterem diálogo contínuo e permanente de maneira eficiente e com acompanhamento mais próximo. d) Avaliação 360º: é feita de modo circular e envolvente por todos os elementos que mantêm alguma interação com o avaliado - gestor, colegas, subordinados, clientes externos e internos, fornecedores. Assegura que adaptabilidade e ajustamento do colaborador às várias demandas que recebe de seu ambiente de trabalho. 3 - Métodos de avaliação. O método tradicional de avaliação de desempenho mais utilizado, segundo Chiavenato (2022), é o das escalas gráficas, por meio do qual se avalia o desempenho por meio de fatores de avaliação previamente definidos e graduados. Essas escalas possuem linhas, com fatores de avaliação (critérios que consistem em comportamentos a serem avaliados) e colunas com graus de avaliação (geralmente varia de em cinco: ótimo, bom, regular, sofrível e fraco). O citado autor elenca os principais problemas deste tipo de avaliação. Veja: Gestão de PESSOAL I Superficialidade e subjetividade. Efeito de generalização (Hallo efect). Categorização e homogeneização das características individuais. Limitação de fatores de avaliação (sistema fechado). Rigidez e reducionismo. Nenhuma participação ativa do avaliado. Avalia apenas o desempenho passado (Chiavenato, 2022, p. 250). As limitações desses métodos têm levado as organizações a buscarem soluções criativas e inovadoras, que incluem a autoavaliação e autodireção das pessoas, a maior participação dos colaboradores no desenvolvimento pessoal, e o foco no futuro e na constante melhoria do desempenho. Há diversos tipos de avaliação de desempenho utilizados pelas organizações: FIGURA 32 – TIPOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO FONTE: Adaptado de Bodart, Santos e Ferreira (2015). Gestão de PESSOAL I Observa-se, na literatura e na prática, o debate sobre o número de indivíduos que são necessários para uma avaliação efetiva e quais são as fontes de avaliação que realmente importam. É nesse contexto que surge a adoção da a avaliação 360 graus (ou feedback 360º), modelo que visa ampliar o número de informações sobre o avaliado por meio do aumento do número de pessoas que o avaliam, o que, consequentemente, amplia a validade das conclusões formuladas. Segundo Ceribeli, Pereira e Rocha (2019) o sistema de avaliação 360º tem como característica o levantamento das percepções dos pares, subordinados, clientes (internos e externos), fornecedores (internos e externos) e chefia imediata, somados à autoavaliação, resultando no preenchimento das lacunas deixadas pelos modelos tradicionais, à medida que elimina os vieses recorrentes naqueles. Tal sistema é capaz de aumentar a credibilidade dos resultados, pois a multiplicidade torna as informações mais fiéis ao real desempenho do avaliado. Chiavenato (2022, p. 257) aponta também as seguintes vantagens: “a qualidade da informação é melhor e diversificada; complementa as iniciativas da qualidade total; enfatiza os clientes internos/externos e o espírito de equipe; a retroação fornecida pelo entorno permite o autodesenvolvimento do avaliado”. Entretanto, o referido autor apresenta desvantagens nesta sistemática: complexidade da combinação de todas as avaliações; ressentimentosou intimidação que podem ser provocados no avaliado diante da retroação; necessidade de treinar bem os avaliadores para que o sistema funcione (Chiavenato, 2022). Ceribeli, Pereira e Rocha (2019) analisaram diversas pesquisas de campo a respeito da avaliação 360º e apontaram, em síntese, que em algumas empresas houve resistência por parte dos participantes envolvidos, pois a implantação deste sistema reflete a transição do conhecido para o desconhecido. Indicaram, também, que em alguns casos estudados, houve falha de comunicação, ou seja, tais organizações não se preocuparam em apresentar, de forma transparente, o que seria e com qual objetivo seria implantado esse novo método. A ansiedade e desconforto gerados pela consulta de múltiplas fontes para avaliação de cada funcionário também foi apontada como uma dificuldade enfrentada. Ceribeli, Pereira e Rocha (2019), propuseram-se a levantar algumas diretrizes que devem ser seguidas para garantir que a avaliação 360º seja capaz de mudar comportamentos. Entre os resultados obtidos, foi possível delimitar quatro fatores críticos de sucesso da avaliação 360º: Segundo Ceribeli, Pereira e Rocha (2019) o sistema de avaliação 360º tem como característica o levantamento das percepções dos pares, subordinados, clientes (internos e externos), fornecedores (internos e externos) e chefia imediata, somados à autoavaliação, resultando no preenchimento das lacunas deixadas pelos modelos tradicionais, à medida que elimina os vieses recorrentes naqueles. Gestão de PESSOAL I 1) Relevância de conteúdo (que inclui aspectos como personalização versus padronização dos instrumentos de coleta de dados, linguagem adotada e tipos de comentários estimulados). 2) Credibilidade dos dados (atrelada à escala adotada, itens escolhidos para mensuração, número de fontes consultadas e treinamento prévio destas fontes). 3) Distribuição de responsabilidades (definição dos coaches, papéis da chefia e do departamento de gestão de pessoas). 4) Participação e engajamento dos avaliadores. Importante frisar que a avaliação de desempenho não deve se tornar um instrumento de pressão sobre os funcionários, caso contrário, o engajamento e o desempenho deles no trabalho tende a diminuir. Chiavenato (2022) aponta que as pessoas podem fazer conluio para dar avaliação inválida para outras, o que pode minar o clima organizacional. Neste sentido, é essencial que os objetivos da avaliação de desempenho estejam claros, que os avaliados tenham espaço para participar das decisões que envolvam o processo avaliativo, tendo voz ativa durante o feedback. Abaixo segue quadro elaborado por Chiavenato que ilustra os objetivos da retroação do desempenho em 360º e que devem nortear a sistemática. Veja: Importante frisar que a avaliação de desempenho não deve se tornar um instrumento de pressão sobre os funcionários, caso contrário, o engajamento e o desempenho deles no trabalho tende a diminuir. QUADRO 3 – OBJETIVOS DA RETROAÇÃO DO DESEMPENHO EM 360º Ênfase da retroação Objetivos intermediários Objetivo final Estimativa do potencial Predição do desenvolvimento e adequação futura da pessoa a determinada situação ou objetivo do trabalho ou da tarefa. Previsão do desempenho potencial da pessoa no sentido de estimar futuras promoções ou novos papéis na organização. Mobilidade vertical Mobilidade lateral Carreira Mudanças Gestão de PESSOAL I Retroação comportamental Proporcionar a retroação sobre determinados comportamentos observáveis, alinhados à missão, visão, valores e objetivos na organização. Serve para proporcionar autoconhecimento e permitir a identificação de pontos fortes e oportunidades de melhoria ou desenvolvimento para alinhamento do comportamento aos objetivos da organização. Treinamento Capacitação Autoconhecimento Alinhamento Desenvolvimento pessoal Acompanhar o grau de desenvolvimento e maturidade do colaborador como meio para definição de ações de capacitação, mobilidade de carreira e estímulos salariais e aumento da responsabilidade. Melhorias Capacitação Mobilidade Responsabilidade Incentivos Alcance de Metas e Objetivos Incentivar o desempenho focado em metas e objetivos da organização. Ênfase na aferição quantitativa e qualitativa do gap entre resultados individuais/ grupais esperados e resultados efetivamente alcançados. Alinhamento Foco em resultados Incentivo Nível de competências Aferir o nível e qualidade das competências individuais/ equipes no sentido de alinhá-las aos objetivos organizacionais e incrementar a competitividade da organização. Alinhamento Competitividade Foco em objetivos Contribuição à organização Avaliar a maneira como cada colaborador/equipe contribui direta ou indiretamente para o negócio da organização. Contribuição Incentivo FONTE: Chiavenato (2022, p. 257). Gestão de PESSOAL I É importante que a organização tenha flexibilidade para incorporar as mudanças no trabalho e no ambiente, decorrentes dos feedbacks. Além disso, é preciso que invista em treinamento e desenvolvimento, para que as lacunas de competências identificadas possam ser sanadas e a produtividade dos avaliados aumente de fato; do contrário, o impacto do processo avaliativo sobre os resultados do negócio tende a ser bastante limitado (Ceribeli; Pereira; Rocha, 2019). Outro sistema de gestão do desempenho apontado por Chiavenato (2022, p. 253) é o APPO, ou seja, Avaliação Participativa Por Objetivos, caracterizada como o método “democrático, participativo, envolvente e motivador”. É constituído de seis fases: formulação de objetivos consensuais, comprometimento pessoal quanto ao alcance desses objetivos, negociação sobre alocação de recursos e meios para se alcançar os objetivos, desempenho, constante monitoramento dos resultados e comparação com objetivos formulados, retroação intensiva e avaliação conjunta contínua. Segundo essa abordagem, a avaliação está orientada mais para o desempenho futuro do que para o julgamento do desempenho passado. Nessa concepção, a ideia é orientar o desempenho para metas e objetivos previamente negociados e fixados, cercando os colaboradores de recursos para a adequada consecução e com medições adequadas e comparativas, tudo para assegurar o desempenho conforme os objetivos da organização. Abaixo veja o processo de APPO: FIGURA 33 – PROCESSO DE APPO FONTE: Chiavenato (2022, p. 255). Gestão de PESSOAL I Verifica-se, desta forma, que o ciclo da APPO consiste em definir objetivos e responsabilidades, desenvolver padrões de desempenho, avaliar e redefinir os objetivos. Neste método, é importante que haja um mecanismo de motivação das pessoas mediante recompensas materiais, sociais ou simbólicas, pois a negociação dos objetivos “é um acordo negociado entre gestor e colaborador a respeito do papel de ambos durante o período considerado e dos objetivos que devem ser alcançados” (Chiavenato, 2022, p. 254). Bodart, Santos e Ferreira (2015) realizaram pesquisa de campo em uma instituição financeira com 40 anos de história e verificaram que, além da APPO, a organização utilizava a ferramenta gerencial conhecida como Balanced Score Card (BSC) para avaliar os funcionários. Essa ferramenta, criada por Kaplan e Norton, tem como objetivo mensurar os resultados estratégicos da organização, avaliando quatro perspectivas: Financeira, dos Clientes, dos Processos Internos e da Aprendizagem e Crescimento Organizacional. Normalmente, essa metodologia analisa o desempenho organizacional na capacidade de executar seu planejamento estratégico, mas pode ser utilizada para avaliar o desempenho de pessoas, especialmente no que se refere à perspectiva de aprendizagem e crescimento. Segundo Bodart, Santos e Ferreira (2015), o BSC em si, está mais voltado para uma avaliação do comportamento e não para o controle. Toda a organização procura alcançarresultados globais, desenhados no planejamento estratégico. Segundo Chiavenato (2022), para alcançá-los, a organização precisa de clientes para servir, mas precisa de processos internos (produtividade, qualidade e inovação) como impulsionadores do negócio. Essas perspectivas dependem das competências organizacionais, as quais estão ligadas diretamente ao capital humano: “habilidades e competências, atitudes, compromisso, garra, adaptabilidade, flexibilidade, desempenho e foco em resultados” (Chiavenato, 2022, p. 76). Daí porque é necessário aplicação em processos de gestão de pessoas. 4 - Avaliação de desempenho no Exército Brasileiro. O Exército Brasileiro possui um sistema institucional formal de avaliação de pessoal desde 1973, segundo Souza e Silva (2018), com sucessivos aperfeiçoamentos. Gestão de PESSOAL I Em 2015, a avaliação, alinhada ao Processo de Transformação do Exército, passou a integrar o Sistema de Gestão do Desempenho (SGD), que foi instituído pela Portaria n. 1.494-Cmt Ex, de 11 de dezembro de 2014. Atualmente, as Instruções Reguladoras para o Sistema de Gestão do Desempenho do Pessoal Militar no Exército estão na 4ª edição, aprovado pela Portaria- DGP/C Ex n. 377, de 21 março de 2022. Os objetivos do SGD são, conforme o artigo 2º da referida portaria: Subsidiar a melhoria do desempenho dos militares. Fornecer à Instituição informações sobre o desempenho de seus integrantes. Possibilitar o planejamento e a execução de ações para a correção de desempenhos insatisfatórios. Permitir o constante aperfeiçoamento dos militares. Subsidiar os processos decisórios na área de pessoal. Facilitar o exercício da liderança pelos comandantes em todos os níveis (Brasil, 2022). A avaliação é baseada em competências descritas na referida portaria (artigos 8º e 9º), as quais são básicas - comuns a todos os militares, independente do posto, da graduação, do cargo ou da função desempenhada e específicas - caracterizam o desempenho no posto, na graduação, no cargo ou na função desempenhada pelo militar. Observa-se, pelo referido documento, que os militares são submetidos à diversos tipos de avaliação, as quais variam em relação ao tipo de processo, ao ambiente e ao nível hierárquico (art. 6º). Abaixo segue uma representação gráfica. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 34 – TIPOS DE AVALIAÇÃO NO EXÉRCITO BRASILEIRO FONTE: Adaptado de Brasil (2022). A regulamentação indica que a avaliação deverá ser justa, imparcial e precisa, sendo impositivo que o avaliador vertical possua vínculo funcional direto ou indireto com o avaliado. Para fins didáticos, selecionamos aqui o previsto no artigo 54 da referida portaria, no que concerne aos erros que poderão ocorrer em processos de avaliação. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 35 – POSSÍVEIS ERROS EM PROCESSOS DE AVALIAÇÃO FONTE: Adaptado de Brasil (2022). O que significa cada tipo de erro que pode ocorrer em processos de avaliação? Abaixo listamos o conceito de cada um, conforme o artigo 54 das Instruções Reguladoras para o Sistema de Gestão do Desempenho do Pessoal Militar do Exército (Portaria - DGP/C Ex n. 377, de 21 de março de 2022): I - Efeito de Halo - avaliar segundo uma imagem geral formada sobre o avaliado, sem atentar para o seu desempenho em cada competência, especificamente; II - Leniência - avaliar com excessiva benevolência, atribuindo pauta situada em faixa de desempenho acima da efetivamente apresentada pelo avaliado; II - Severidade - avaliar com rigor extremo, atribuindo pauta situada em faixa de desempenho abaixo da efetivamente apresentada pelo avaliado; IV - Lógico - estabelecer ligações errôneas entre competências, acreditando que possuem correlação, e atribuir a mesma pauta a essas competências; V - Viés - considerar aspectos ou situações externas ao solicitado na Ficha de Avaliação, para efetivar a avaliação; Gestão de PESSOAL I VI - Incongruência - atribuir pauta descritiva que não corresponde ao nível de desempenho efetivamente observado na competência avaliada; VII - Tendência Central - atribuir, predominantemente, pautas situadas nas faixas intermediárias de desempenho, deixando de observar os pontos fortes e as oportunidades de melhoria do avaliado; VIII - Padronização - deixar de discriminar as peculiaridades relativas ao desempenho do avaliado em cada competência e atribuir uma única pauta às competências avaliadas; IX - Similaridade - avaliar de forma favorável aqueles que apresentam habilidades, características e interesses similares aos seus e, por outro lado, de modo desfavorável, os que apresentam características distintas das suas; X - Descaso - avaliar sem o empenho e a dedicação necessários à realização de uma avaliação criteriosa e justa; e XI - Subjetivismo - avaliar segundo suas crenças pessoais sobre os parâmetros de avaliação ou, ainda, considerando amizades, simpatias ou antipatias, não fundamentando a avaliação em observações precisas e imparciais, norteadas pelos parâmetros do Sistema de Gestão do Desempenho do Pessoal Militar do Exército (Brasil, 2022). O que o Exército Brasileiro faz com o resultado das avaliações? O militar que evidenciou desempenho algumas vezes ou frequentemente abaixo do esperado na competência, considerando-se a sua experiência profissional e o contexto do seu trabalho/função, necessitará de uma ação de comando mais particularizada e focada nos déficits identificados, a fim de buscar a melhoria do desempenho profissional do militar. Para tanto, a norma prevê que o Cmt, Ch ou Dir OM, se julgar necessário, poderá recorrer a: Programa de instrução ou treinamento personalizado. Troca de função. Mudança de subordinação. Encaminhamento para profissionais de saúde para tratamento de problemas físicos ou psicológicos. Orientações pessoais. Encaminhamento ao apoio de capelães militares, entre outras providências (Brasil, 2022). Souza e Silva (2018) apontam algumas oportunidades de melhoria no sistema de avaliação. Indicam que para melhores resultados da organização, os Gestão de PESSOAL I padrões de desempenho da OM deveriam estar interligados com os padrões dos militares. Além disso, indicam que o sistema de avaliação permite o registro de fatos e justificativas do avaliador, porém não é obrigatório, apenas quando o militar se encontra no grau 1 (desempenho frequentemente abaixo do esperado). Quanto ao resultado do Sistema de Gestão do Desempenho, é utilizado para vantagens ou desvantagens na carreira do militar, sendo assim, “a subjetividade da avaliação, sem informações concretas, não contribui para a melhoria do desempenho, pois o avaliado não sabe os erros ou acertos que está cometendo” (Souza; Silva, 2018, p. 16). Os citados pesquisadores sugerem que, para a melhoria do desempenho é mais salutar desvincular essa avaliação de recompensas ou castigos. Indicam que o Exército possui o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) que já prevê prêmio e castigo, além da Valorização do Mérito, com critérios objetivos e mensuráveis. A desvinculação da avaliação de recompensas poderia fazer com que os instrumentos focassem nos objetivos organizacionais e na melhoria do desempenho funcional (Souza; Silva, 2018). Ponto importante abordado por Souza e Silva (2018), refere-se à necessidade de o avaliado conhecer os resultados da avaliação, ver como o superior o enxerga. Isso porque, segundo os pesquisadores, “promover a crítica com foco no crescimento das pessoas é um dos objetivos da avaliação, desse modo, o avaliador deveria apresentar a avaliação realizada ao avaliado e difundir as observações pessoais a respeito de seu desempenho” (Souza; Silva, 2018, p. 17). Nesse aspecto, pondera-se que o feedback final ao avaliado deveria ser uma prática a adotar. Atualmente, no Exército, o avaliado recebe a sua avaliação e escreve se discorda do resultado de alguma pauta. Por fim, uma questão bastante relevante apontada pelos pesquisadoresreside na incongruência da cultura de hierarquia com a realização da avaliação lateral, posto que inviabiliza uma possível avaliação do chefe pelo subordinado, assim como de um membro mais antigo ser avaliado por um mais moderno (Souza; Silva, 2018). Essa questão pode gerar bastante polêmica, posto que tende a refletir uma dificuldade de inclusão de práticas inovadoras da iniciativa privada em instituições públicas, especialmente militares, cuja cultura organizacional é mais conservadora e preza por valores tradicionais. Assim, passaremos a falar sobre cultura organizacional, clima organizacional e qualidade de vida no trabalho, como formas de possibilitar reconhecimento dos talentos e, consequentemente, melhoria do desempenho humano. Gestão de PESSOAL I 4 A CULTURA ORGANIZACIONAL, O CLIMA ORGANIZACIONAL E A QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO Conforme visto na unidade didática 1, o engajamento e o reconhecimento de talentos passam pela necessidade de socialização organizacional. Além disso, é importante a implementação de ações de qualidade de vida no trabalho para que se propicie um ambiente adequado à produtividade. Segundo Chiavenato (2022, p. 152), “a socialização organizacional consiste na ambientação e integração das pessoas como primeiro passo para a sua adequada familiarização dentro das diversas atividades da organização”. São práticas que buscam posicionar o talento na organização e esclarecer seu papel, objetivos e expectativas quanto à sua contribuição para organização, ou seja, demonstrar em que situação ele está e para onde deve conduzir suas atividades. Isso é ponto de partida para o engajamento do colaborador na cultura organizacional, sua identificação com os valores e princípios e, em última análise, para melhor atingir os objetivos estratégicos da instituição. Antes de ingressar nas práticas de socialização, vamos estudar o conceito de Cultura Organizacional e de Clima Organizacional, a fim de entender a importância deles na questão da socialização. A Cultura Organizacional (CO) pode ser compreendida como “um conjunto de normas sociais que definem regras ou contexto para interações sociais por meio das quais as pessoas agem e se comunicam” (Schein, 2009). Outros autores entendem a cultura organizacional como “interações dinâmicas e contínuas entre as suposições básicas, valores e artefatos organizacionais de uma companhia compartilhados pelos membros de uma organização e que determinam como seus membros percebem, pensam e reagem ao ambiente” (Braquehais et al., 2017, p. 87). Mintzberg (2000, p. 195) diz que “ela passa a ser a mente da organização, [...] as crenças comuns que se refletem nas tradições e nos hábitos, bem como em manifestações mais tangíveis - histórias, símbolos ou mesmo edifícios e produtos.” Chiavenato (2022) ressalta que a cultura representa o universo simbólico da organização, exprimindo sua identidade, sendo construída ao longo do A Cultura Organizacional (CO) pode ser compreendida como “um conjunto de normas sociais que definem regras ou contexto para interações sociais por meio das quais as pessoas agem e se comunicam” (Schein, 2009). Gestão de PESSOAL I tempo e impregnando todas as suas práticas. Para tanto, indica os principais elementos da cultura organizacional, sobre os quais podemos trazer exemplos relacionados ao Exército Brasileiro: 1. O cotidiano do comportamento observável: como as pessoas interagem, a linguagem, os gestos e rituais, rotinas e procedimentos. No caso do Exército, por exemplo, o cumprimento entre militares por meio da continência, o uso de designações próprias da hierarquia, a posição de respeito adotada quando um oficial entra ao recinto, entre outras. 2. As normas: regras que envolvem o grupo e regem comportamentos inclusive nos momentos de lazer, refeições e dias informais. Entre militares, exemplifica-se o costume do subordinado, mesmo em folga, dirigir-se ao cumprimento de um oficial quando o avista ingressar em algum recinto, ainda que fora de organização militar. Outro exemplo é a necessidade de comunicar viagem ao comandante, mesmo aquelas realizadas durante a folga do militar. 3. Os valores dominantes: defendidos pela organização, por exemplo, no caso do Exército, o patriotismo, o civismo, a fé na missão das Forças Armadas, o espírito de corpo, o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida, e o aprimoramento técnico- profissional (art. 27 do Estatuto dos Militares - Lei 6.880/1980). (BRASIL, 1980). 4. A filosofia administrativa: políticas da organização quanto aos stakeholders. No caso do Exército Brasileiro, o lema “Braço Forte, Mão Amiga” representa a disponibilidade não somente para o combate, mas para assistir à população em calamidades, campanhas de vacinação e missões humanitárias. 5. As regras do jogo: o que o colaborador deve saber para ser aceito como membro da equipe. Por exemplo, no caso do Exército Brasileiro, não basta o apanhado de normas regulamentares e do regimento disciplinar - a atuação dos líderes na observância das normas demonstra como as coisas realmente funcionam no dia a dia e qual o grau de conduta é adequado ao militar. 6. O clima organizacional: sentimentos e percepções das pessoas em relação à organização e a maneira como elas interagem entre si e com elementos externos. Por exemplo, o clima em uma OM pode ser de medo se o comando assume postura rígida focada na punição em vez de estabelecer uma cultura prévia de escuta e de feedback em relação aos erros toleráveis. Gestão de PESSOAL I “Clima organizacional pode ser caracterizado como um conjunto de percepções compartilhadas por trabalhadores sobre diferentes aspectos do ambiente organizacional, sendo um dos construtos mais investigados no campo do comportamento organizacional” (Menezes; Gomes, 2010, p. 158). Acerca do clima organizacional, além de relacionado à cultura organizacional, esse conceito tem sido associado a outros elementos como satisfação, bem-estar e qualidade de vida no trabalho, além de resultados organizacionais como produtividade e desempenho. Configura, ainda, como uma importante ferramenta de diagnóstico organizacional e proposição de melhoria das condições do trabalho, tanto em organizações públicas quanto privadas. Mas o que é clima organizacional? “Clima organizacional pode ser caracterizado como um conjunto de percepções compartilhadas por trabalhadores sobre diferentes aspectos do ambiente organizacional, sendo um dos construtos mais investigados no campo do comportamento organizacional” (Menezes; Gomes, 2010, p. 158). Para Chiavenato (2022) o clima organizacional representa um conjunto de sentimentos predominantes em determinada organização, envolvendo a satisfação dos colaboradores, tanto nos aspectos mais técnicos de suas carreiras e trabalhos quanto nos aspectos afetivos e emocionais, refletindo em suas relações com os colegas de trabalho, superiores e clientes. Ele é positivo ou favorável quando proporciona satisfação das necessidades dos participantes e elevação do moral interno. Pode ser negativo, gerando baixo engajamento, insatisfação e tendências a abandonar a organização. Sobre a diferença entre clima e cultura organizacional: [...] enquanto o clima organizacional é uma condição temporária formada por meio dos significados construídos pelos indivíduos, que guiam suas decisões e ações no ambiente organizacional, a cultura organizacional cumpre um papel mais normativo, voltado ao compartilhamento de valores que fornecem uma identidade à organização e, consequentemente, favorecem uma maior capacidade adaptativa e de autodesenvolvimento interno e externo. Sendo assim, a cultura é mais estável ao longo do tempo, mais complexa, difícil de ser avaliada e mais resistente à mudança do que o clima. (Menezes; Gomes, 2010, p. 167). A função do lídernesse contexto é de harmonizar o ambiente de trabalho, promovendo a valorização das relações de cooperação entre os pares, mediante feedback positivo e promoção de relações interpessoais favoráveis, causando Gestão de PESSOAL I impacto na saúde mental dos trabalhadores e interferindo no desempenho, visto que influencia a satisfação, o rendimento e a motivação no trabalho (Schulze et al., 2021). A gestão do clima organizacional é um dos maiores desafios do Gestor de Pessoas, visto que é uma condição temporária. Por isso são feitas constantes pesquisas de clima, por meio de softwares em plataformas digitais. “Para tanto, foco, alinhamento, metodologia (questionários ou entrevistas), campanhas de esclarecimento e explicação, sigilo e, sobretudo, continuidade, precisam ser preservados” (Chiavenato, 2022, p. 158). Dessa forma, podemos entender que o clima organizacional constitui a parte variável daquilo que é a cultura organizacional. Esta, porém, é mais ampla e sedimentada por valores organizacionais e padrões mais difíceis de serem mudados. O enfoque da gestão de pessoas na transferência de valores, crenças e princípios aos colaboradores se dá por meio da socialização organizacional ou onboarding. É a forma como a organização procura marcar no novo integrante como ele deve pensar e agir de acordo com os ditames da organização. O novo participante deve renunciar a certo grau de sua liberdade de ação para poder ingressar na organização e seguir os preceitos internos, pois deve concordar em obedecer a um horário de trabalho, desempenhar determinada atividade, seguir a orientação do seu gestor, atender a regras e regulamentos internos etc. (Chiavenato, 2022, p. 159). Forma-se, aí, o contrato psicológico: O contrato psicológico se define como sendo o conjunto de práticas e expectativas por parte de um indivíduo, como membro de uma organização, bem como dos benefícios que podem ser adquiridos na relação empregado- empregador. Um contrato psicológico positivo pressupõe comprometimento, uma intenção de permanecer com a organização e um comportamento que ultrapasse o conceito formal de trabalho (Santos; Beluso, 2007, p. 180). O contrato psicológico vem sendo estudado e utilizado em grande escala, ao longo das últimas décadas, transformando-se em ferramenta adequada na melhoria da produção, com resultados positivos derivados das Gestão de PESSOAL I relações de trabalho em uma organização. O contrato psicológico existe nos olhos daqueles que estão envolvidos, ou seja, cada um possui uma percepção da relação de troca. Mais especificamente, trata-se de um contrato não formal que ocorre a partir das expectativas das pessoas envolvidas em uma relação, onde ambas têm direitos e obrigações. Você consegue identificar, na prática do Exército Brasileiro, como ocorre a socialização de novos membros e a formação do contrato psicológico? Na formação do militar, por exemplo, o internato é uma forma de socialização, o uso de uniforme, cabelo raspado, rotina rígida de horários e treinamento extenuante. É um momento em que o novo militar precisa afastar-se um pouco de sua identidade pessoal e individualidade para alinhar-se aos valores da cultura interna. Parece chocante ao modelo de gestão de talentos, mas não é! Ela é uma fase importante para eliminar as pessoas com características muito discrepantes em relação aos padrões mínimos estabelecidos e isso ajuda a preservar a cultura organizacional. Posteriormente à fase de socialização, quando o novo talento efetivamente aceita o contrato psicológico, passa-se à fase de engajamento para promover continuamente a satisfação no trabalho e manter um bom clima organizacional. Entramos, então, no conceito de qualidade de vida no trabalho (QVT), que se refere à preocupação com o bem-estar e a saúde dos colaboradores no desempenho das atividades. A QVT é um construto intangível e envolve fatores como: FIGURA 36 – FATORES DA QVT FONTE: Adaptado de Chiavenato (2022). Gestão de PESSOAL I Esses aspectos afetam atitudes pessoais e comportamentos relevantes para a produtividade individual e grupal. É importante recordar que a profissão militar possui diversas peculiaridades e que muitos fatores acabam influenciando a qualidade de vida no trabalho. Conforme se extrai do Manual “O Exército Brasileiro” - EB20-MF-10.101, são características da profissão militar: - Risco de vida permanente. - Sujeição à preceitos rígidos de disciplina e hierarquia. - Dedicação exclusiva. - Disponibilidade permanente. - Mobilidade geográfica. - Vigor físico. - Formação específica e aperfeiçoamento constante. - Proibição de participar de atividades políticas. - Proibição de sindicalizar-se e de participação em greves ou em qualquer movimento reivindicatório. - Restrições à direitos sociais. - Vínculo com a profissão mesmo na inatividade (Brasil, 2014). O manual indica que essas imposições, próprias da natureza da atividade militar, não ficam restritas à pessoa do profissional, mas afetam fortemente a vida familiar, produzindo consequências sociais, como, por exemplo, dificuldade em construir o patrimônio da família, dificuldades na educação e socialização dos filhos, e restrições para que o cônjuge exerça atividades remuneradas. São diversas as condições que afetam o bem-estar das pessoas no trabalho, bem como sua motivação, e estes fatores podem afetar em graus distintos, segundo o modelo de QVT proposto por Chiavenato. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 37 – MODELO DE QVT FONTE: Chiavenato (2022, p. 175). Assim, pode ser dito que a cultura militar, em especial a organização e o funcionamento das corporações castrenses, produto de séculos, moldou um verdadeiro contrato psicológico em que: A sociedade, atribuindo a um determinado grupo as responsabilidades maiores por sua soberania e, mesmo, sua integridade, assume o compromisso de prover algum tipo de amparo à pessoa e à família de quem conscientemente aceitou colocar sua vida em risco, em defesa da segurança coletiva” (Brasil, 2014). Contudo, é importante salientar que os benefícios, remuneração, reconhecimento, respeito e outros fatores não fazem, sozinhos, a qualidade de vida no trabalho do militar. O dia a dia é composto por outros fatores os quais devem ser fomentados pelas lideranças diretas, conforme se pode extrair da análise da figura acima: respeito, motivação, ambiente físico, reconhecimento, Gestão de PESSOAL I autonomia e responsabilidade, avaliação, entre outros. Neste sentido, o papel das lideranças é fundamental, por isso vamos estudá-la no próximo tópico. Outro aspecto importante que reflete no engajamento das pessoas se refere às condições de higiene e saúde no trabalho. Trata-se de itens relativos à iluminação, ventilação, temperatura, ruídos, conforto, ergonomia e saúde ocupacional. Além destes, há o ambiente psicológico de trabalho: relacionamento humano agradável, tipo de atividade motivadora, estilo de gestão democrático e participativo, eliminação de possíveis fontes de estresse e envolvimento pessoal e emocional (Chiavenato, 2022, p. 180). Dito isso, é importante salientar o papel das lideranças na gestão de pessoas e desempenho organizacional, o que faremos no próximo tópico. Para aprofundar os estudos faça a leitura do artigo científico intitulado Clima Organizacional na Polícia Civil: Elaboração de Instrumento e Proposta de Intervenção. Disponível em: https://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/ revistasusp/article/view/31/19 5 O PAPEL DO LÍDER NAS ORGANIZAÇÕES 5.1 LIDERANÇA Os líderes hoje desempenham um papel fundamental na eficácia dos grupos e das organizações, sendo, muitas vezes, sinalizadores do sucesso ou fracasso organizacional. Neste cenário de incertezas e mudanças frequentes, é importante que os líderes sejam hábeis em adaptar-se, acompanhando as novas tendências do mercado se quiserem ter seu lugar ao sol. A disciplina e a hierarquiaconstituem a base institucional do Exército Brasileiro: A hierarquia é traduzida como a ordenação da autoridade em diferentes níveis. É alicerçada no culto da lealdade, da confiança e do respeito entre chefes e subordinados, na compreensão recíproca de seus direitos e deveres e https://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/31/19 https://revistasusp.mj.gov.br/susp/index.php/revistasusp/article/view/31/19 Gestão de PESSOAL I na liderança em todos os níveis. A disciplina é a rigorosa obediência às leis, aos regulamentos, normas e disposições. Pressupõe a correção de atitudes na vida pessoal e profissional. Exige a pronta obediência às ordens dos superiores e o fiel cumprimento do dever (Brasil, 2014, grifo nosso). Vale recordar, também, o conceito de COMANDO, previsto no Estatuto dos Militares (Lei n. 6.880, de 9 de dezembro de 1980): Art. 34. Comando é a soma de autoridade, deveres e responsabilidades de que o militar é investido legalmente quando conduz homens ou dirige uma organização militar. O comando é vinculado ao grau hierárquico e constitui uma prerrogativa impessoal, em cujo exercício o militar se define e se caracteriza como chefe (Brasil, 1980, grifo nosso). Portanto, o exercício da atividade de condução de homens ou direção de uma organização militar se trata de um poder e um dever para os militares investidos em tais funções. E a obediência aos comandos é imperativo para todos os subordinados, e “traduz-se pela manifestação da disciplina e por honrar o solene juramento de cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado” (Brasil, 2014, p. 04). Diante da lógica estabelecida no que concerne ao comando, disciplina, hierarquia e obediência, poderia pressupor que não há conflitos, ou que todas as transgressões destes princípios se resolvem facilmente por meio disciplinar. Entretanto, esta não é uma verdade absoluta, tanto é que o próprio manual (O Exército Brasileiro - EB20-MF-10.101) descreve: “O militar deve exercitar a liderança autêntica, que privilegie a persuasão em lugar da coação e que seja conquistada não pelo paternalismo, mas pela competência profissional, aliada à firmeza de propósitos e à serenidade nas atitudes” (Brasil, 2014, p. 5). O Exército Brasileiro reconhece no Manual de Campanha C-20-10 - Liderança Militar que: A liderança sempre foi o alicerce das tropas coesas, motivadas e aguerridas e bem como quando a hierarquia e a disciplina estão inseridas em um quadro no qual os Comandantes estabeleceram sólidos laços de liderança com os subordinados, mesmo havendo pressões, riscos e dificuldades extremas, a missão será cumprida de forma adequada (Brasil, 2011, p. 2). Gestão de PESSOAL I Portanto, a liderança para o Exército Brasileiro é conceito fundamental e deve se basear na persuasão e não na coação. E qual o vínculo existente entre o conceito de liderança e a gestão de pessoas? Campos e Rueda (2018) definem liderança como um processo de influenciar as atividades de um grupo organizado em seus esforços, direcionados a estabelecer e a alcançar um objetivo. Assim, a existência da liderança pressupõe: um grupo de duas ou mais pessoas; uma tarefa comum ou atividades orientadas para um objetivo; e a diferenciação de responsabilidades entre os membros do grupo. O que influencia é o líder, e os influenciados são os liderados. A liderança, portanto, é competência básica exigida para atuar em organizações cujas missões devem ser alcançadas em grupo e por meio de coordenação por influência. O gestor de pessoas precisa reunir competências para selecionar, engajar e motivar pessoas, recompensar, desenvolver e monitorar. E ao fazer tudo isso, ser justo e ético o suficiente para não perder sua posição de líder do grupo. Para exercer influência num grupo o líder deve conhecer seus liderados, o que “depende do entendimento claro da natureza humana, de suas necessidades, emoções e motivações” (Brasil, 2011). A interação é vital para que ocorra a liderança de um indivíduo em relação ao grupo. Além disso, o Manual de Campanha C-20-10 - Liderança Militar lembra que “cada militar possui traços de personalidade distintos e complexos, possui motivações, necessidades, interesses e desejos, os quais vão além de suas atribuições formais e interferem diretamente no modo como será cumprida sua missão” (Brasil, 2011). Ao lidar com aspectos humanos, o Comandante passa a atuar também na esfera informal do relacionamento interpessoal. Nesse sentido, seguem alguns questionamentos que fazem parte dos desafios da liderança e extraídos do Manual de Campanha C-20-10 - Liderança Militar. Como foi visto, o comandante possui uma autoridade legal, que implica no fato de que seus subordinados têm a obrigação de cumprir suas ordens. Mas como fazer com que as ordens sejam cumpridas da melhor forma possível? Como estimular os subordinados a contribuírem espontaneamente para o bom andamento do serviço? Como os fazer agir proativamente, buscando prevenir problemas, Gestão de PESSOAL I propor soluções e sugerir inovações? Como estabelecer um bom ambiente de trabalho, em que a cooperação e a camaradagem sejam a regra? Como influenciar a mudança de atitude dos subordinados que apresentam dificuldades profissionais ou pessoais? Como os conduzir ao combate em busca do cumprimento da missão, mesmo quando as circunstâncias envolvem condições extremas e risco de perder a vida? (Brasil, 2011). Mais do que nunca, se torna necessário aos líderes cuidarem do relacionamento com os subordinados, e um elemento-chave nesta relação é a confiança: “Pode-se chamar, também, de comprometimento afetivo, pois engloba o campo dos valores, sentimentos e emoções humanas” (Brasil, 2011). Covey (2020, p. 233) utiliza uma metáfora, a da conta bancária emocional, para se referir à quantidade de confiança acumulada em um relacionamento. Veja: Se eu fizer depósitos na Conta Bancária Emocional que tem com você, através de cortesia, gentileza, honestidade e observação dos compromissos que assumi com você, estou fazendo uma reserva. Sua confiança em mim torna-se maior, e posso contar com esta confiança sempre que for preciso. Posso até cometer erros que o nível de confiança, a reserva emocional, os compensará. Meu modo de comunicar as mensagens pode não ser claro, mas você compreenderá seu sentido, de algum modo. Você não me considerará um ‘eterno ofendido’. Quando a conta da confiança é alta, a comunicação é instantânea, fácil e eficaz. Covey (2020) sugere, então, “Seis Depósitos Importantes” para aumentar a conta bancária emocional: 1) Compreender o indivíduo: tentar afastar a tendência de projetar nossa própria experiência de vida naquilo que acreditamos que as pessoas querem ou precisam e realmente se dedicar a compreender os outros. 2) Prestar atenção às pequenas coisas: pequenas gentilezas e cortesias são importantes para as pessoas. 3) Honrar compromissos: sempre honrar a palavra empenhada e não prometer aquilo que não pode cumprir. 4) Esclarecer expectativas: a causa de quase todas as dificuldades de relacionamento se encontra nas expectativas ambíguas ou conflitantes em torno de metas e papéis. Exige tempo e esforço no começo, inclusive coragem, mas economiza dissabores posteriores. Gestão de PESSOAL I Quando as expectativas não estão claras e não são compartilhadas, as pessoas começam a se tornar emocionalmente sensíveis, e basta um mal-entendido para complicar tudo, criando choques de personalidade e falhas de comunicação. 5) Demonstrar integridade pessoal: inclui honestidade, além de manter promessas e preencher expectativas. Uma forma apontada pelo autor de ser íntegro é manter-se leal aos ausentes, ou seja, não hostilizar, criticar ou trair a confiança dos outros fazendo fofocas pelas costas. 6) Pedir desculpas sinceras: pessoas inseguras não conseguem pedirdesculpas com sinceridade, pois tendem a achar que é sinal de fraqueza e vulnerabilidade. Sua segurança se baseia na opinião alheia e se preocupam com o que os outros vão pensar. Encontram outras desculpas para justificar seus erros e os situam no contexto dos outros. A sinceridade e transparência nos relacionamentos a fim de gerar confiança são pilares defendidos por Brené Brown em seu livro “Coragem para Liderar”. Primeiramente, a autora defende que “líder é qualquer um que assuma a responsabilidade de encontrar potencial em pessoas e processos e que tenha coragem de desenvolver esse potencial” (Brown, 2020, p. 22). A autora afirma que a maior parte das pessoas consegue verificar os desafios das organizações, mas também sabem de suas lutas internas para superação do desconforto e, assim, agir e liderar. Para a autora, o cerne da liderança ousada repousa sobre três aspectos: 1) Você não pode alcançar a coragem sem encarar a vulnerabilidade. Abrace a dificuldade. Coragem e medo não se excluem mutuamente: a maioria das pessoas se sente vulnerável, mas alguns tem coragem. O que precisam é de recursos como linguagem, habilidades, ferramentas e práticas para passar pelo confronto. Coragem é uma combinação de quatro grupos de habilidades que podem Sobre esse assunto assista o vídeo intitulado Os Desafios da Liderança: Construir Lealdade. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3887_ bmW6MU https://www.youtube.com/watch?v=3887_bmW6MU https://www.youtube.com/watch?v=3887_bmW6MU Gestão de PESSOAL I ser ensinadas, observadas e mensuradas. Os quatro grupos são: encarar a vulnerabilidade, viver de acordo com os nossos valores, desafiar a confiança e aprender a crescer. 2) Autoconsciência e amor-próprio são importantes. Nós somos a nossa forma de liderar. Sentir medo não é um problema - o verdadeiro obstáculo à liderança ousada é o modo como reagimos ao nosso medo: o verdadeiro entrave para a liderança ousada é a nossa armadura - os pensamentos, as emoções e os comportamentos que usamos para nos proteger quando não estamos dispostos nem somos capazes de encarar a vulnerabilidade. 3) A coragem é algo contagiante. Para aumentar a liderança ousada e desenvolver coragem em equipes e organizações, temos que cultivar uma cultura na qual trabalho duro, conversas difíceis e corações plenos sejam a expectativa, e uma armadura não seja necessária ou recompensada (Brown, 2020. p. 28-29). Para a autora, os líderes de coragem precisam cuidar das pessoas e estarem conectadas com elas. Segundo Brown (2020, p. 86), “é para proteger o ego que as pessoas se encerram em armaduras”. Abaixo seguem os padrões de comportamento da liderança com armadura e da liderança com ousadia. Gestão de PESSOAL I FIGURA 38 – LIDERANÇA COM ARMADURA FONTE: Brown (2020, p. 88). Gestão de PESSOAL I FIGURA 39 – LIDERANÇA COM OUSADIA FONTE: Brown (2020. p. 89). Os conceitos apresentados por Covey e Brown vão ao encontro da recente teoria da Liderança Autêntica. Campos e Rueda (2018, p. 292) “entendem a liderança autêntica (LA) nas organizações como um processo baseado tanto em capacidades psicológicas positivas como em um contexto organizacional altamente desenvolvido”. Seus resultados seriam comportamentos positivos denotando maior autoconsciência e autorregulação por parte de líderes e de seguidores, promovendo autodesenvolvimento positivo. Cervo (2016) idealiza a composição do perfil de um líder autêntico contemplando algumas características. Veja: • A liderança autêntica é guiada por valores fundamentais e profundos. Estes regem os comportamentos e pensamentos do líder e instigam a identificar e desenvolver as potencialidades dos liderados. • Os valores e as atitudes assumidas pelo líder são congruentes. • O líder autêntico assume suas vulnerabilidades frente a sua equipe e faz da transparência de suas dificuldades e pontos fracos um espaço de diálogo e compartilhamento com seus liderados. Gestão de PESSOAL I • Capacidade de liderar pelo exemplo e inspiração e não pela coerção ou persuasão. • Preocupa-se em desenvolver a liderança de seus liderados. Assim, constantemente trabalha seu autodesenvolvimento, buscando recursos para conduzir este processo com sua equipe. • O líder autêntico possui credibilidade, devido a sua postura e valores morais para lidar com assuntos e dilemas éticos, os abordando sob diferentes ângulos. A LA é um processo complexo que enfatiza o desenvolvimento de qualidades que ajudam os líderes a serem tidos como confiáveis e credíveis pelos seus subordinados. O trabalho do líder é aprender a desenvolver essas qualidades e aplicá- las para o bem comum no serviço aos outros. Os líderes autênticos, com essa crença altruísta, ganham a lealdade, a aceitação e a confiança, como modelos de comportamento, por parte dos seus subordinados, contribuindo para um ambiente organizacional positivo e desempenho de excelência. A hierarquia assume grande relevância dentro das Forças Armadas, onde o poder de influência dos “líderes” sobre os seus “subordinados” assenta, no limite, na legitimidade do cargo que ocupam. A hierarquia, ao potenciar a eficácia mais do que a eficiência, favorece a ocorrência do estilo de LA, como forma de aproximar Comandantes e subordinados, reforçando as relações interpessoais, desenvolvendo a confiança mútua, o espírito de corpo e a capacidade do líder para influenciar o desempenho dos seus subordinados, condições indispensáveis às operações militares. A LA constitui-se, assim, como um estilo de liderança necessário e instrumento potenciador para melhorar a performance institucional. Vale retomar as orientações práticas da liderança militar contidas no Manual de Campanha C-20-10 - Liderança Militar: Gestão de PESSOAL I FIGURA 40 – PRÁTICAS DA LIDERANÇA MILITAR FONTE: Adaptado de Brasil (2011). É provável que você já tenha lido o Manual de Campanha C-20-10 - Liderança Militar. Mas, que tal reler cada orientação e os exemplos práticos que o manual traz, agora com o enfoque da liderança autêntica, baseado nos ensinamentos de Covey e de Brown? Se você perceber, muitas das ações são estruturadas em comunicação interpessoal: desde conhecer o subordinado, comunicar-se com eficiência, até decidir com equilíbrio emocional e informar suas decisões, conversar com os comandados e ter uma palavra positiva para animá-los. Por entender que a comunicação tem uma relevância alta no contexto da liderança e da gestão de conflitos, passaremos a expor algumas considerações acerca de comunicação não-violenta. Gestão de PESSOAL I 5.2 COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DE PESSOAS E DE CONFLITOS Segundo Covey (2020), a comunicação é a habilidade mais importante na vida. Porém, aprendemos a ler, escrever e falar, mas não tivemos treino ou instrução sobre ouvir, de modo que compreendamos o outro ser humano com base no quadro de referências deste indivíduo. Assim, o autor enfatiza que a maioria das pessoas estão sempre ouvindo com a intenção de responder, e não escutando para compreender. “Filtram tudo através dos seus próprios paradigmas, leem sua autobiografia na vida das outras pessoas” (Covey, 2020, p. 294). O autor propõe a escuta empática, que corresponde a olhar para o interior daquela pessoa, ver o mundo como ela vê, buscar compreender seu paradigma e o que ela sente. Segundo Covey (2020), não significa ouvir com solidariedade nem com concordância - significa ouvir para descobrir o comportamento. Assim, em vez de projetar sua autobiografia e presumir pensamentos, sentimentos e interpretações, você lida com a realidade interna da outra pessoa, o que está em seu coração e mente. Nesse contexto, é válido trazer ensinamentos das práticas de comunicação não-violenta (CNV). Rosemberg (2019) sintetizou o que é a comunicação não- violenta quando aprofundou seus estudos, após anos de atuação em mediações de conflitos, acerca do papelda linguagem na forma como nos relacionamos. Ele identificou padrões que nos afastam uns dos outros e que ele chamou de “linguagem alienante da vida” - esses padrões estão em hábitos como julgar, rotular, criticar e diagnosticar. Para Rosemberg (2019, p. 10) “comunicação não-violenta é um processo que integra o tipo de linguagem, o tipo de pensamento e as formas de comunicação que influenciam nossa capacidade de contribuir voluntariamente para o bem-estar dos outros e de nós mesmos”. Esse processo se aproxima da liderança autêntica quando permite expressar sem disfarces quem somos e o que está vivo dentro de nós, sem críticas ou análises externas que julguem ou insinuem como errado o que estamos sentindo. O pressuposto básico da comunicação não-violenta é que emitir algo como se fosse uma análise ou crítica pode levar a erros de interpretação e nos impede de estabelecer conexão com as pessoas e contribuir voluntariamente para o bem-estar uns dos outros. Para Rosemberg (2019, p. 10) “comunicação não-violenta é um processo que integra o tipo de linguagem, o tipo de pensamento e as formas de comunicação que influenciam nossa capacidade de contribuir voluntariamente para o bem-estar dos outros e de nós mesmos”. Gestão de PESSOAL I A CNV se concentra em como as necessidades dos outros estão sendo atendidas e caso não estejam, o que pode ser feito neste sentido. Além disso, propõe o modo como devemos nos expressar para aumentar as chances dos outros contribuírem voluntariamente para o nosso bem-estar. A comunicação não-violenta é uma prática que propõe uma nova forma de se relacionar e que apresenta ferramentas úteis para superar os desafios que aparecem nas nossas relações que são causados pela forma que nos comunicamos, ou até mesmo pelo que deixamos de falar por medo do conflito. A prática da CNV tem como principal intenção gerar uma qualidade de conexão maior do que a que conseguimos pela forma como a maior parte de nós está condicionada a se relacionar. Lembrando que a qualidade de conexão leva a uma maior capacidade de resolução de conflitos e à busca por resultados de benefício mútuo, saindo de uma lógica de que para uma pessoa conseguir o que quer outra pessoa tem que abrir mão de algo. Esta filosofia se alinha ao pensamento de Covey (2020), que entende que um dos fatores primordiais para a liderança é pensar “ganha/ganha”. Para o autor, “ganha/ganha é um estado de espírito que busca constantemente o benefício mútuo em todas as interações humanas. Ganha/ganha significa entender que os acordos e as soluções são mutuamente benéficos, mutuamente satisfatórios” (Covey, 2020, p. 257). Com uma solução ganha/ganha, todas as partes se sentem bem com a decisão e comprometidas com o plano de ação. As práticas de CNV que servem para a base da resolução de conflitos envolvem, segundo Rosemberg (2019, p. 13): Para saber mais sobre esse assunto assista o vídeo intitulado CNV e a Mediação de Conflitos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Vmw-pyC_vjo https://www.youtube.com/watch?v=Vmw-pyC_vjo Gestão de PESSOAL I FIGURA 41 – PRÁTICAS DE CNV PARA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS FIGURA 42 – ETAPAS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA FONTE: Adaptado de Rosenberg (2019). FONTE: Rosemberg (2019, p. 13). Rosemberg (2019) enfatiza que é preciso distinguir, na resolução de conflitos, as necessidades das estratégias. Necessidades se referem ao que as pessoas precisam para que sua vida seja sustentável. Algumas necessidades básicas comuns a todos: autonomia, integridade, interdependência, cuidados físicos, lazer e comunhão espiritual. Já as estratégias são as formas usadas pelas pessoas para atingirem suas necessidades. Na CNV os conflitos têm uma solução mais satisfatória quando se foca na necessidade. Assim, o referido autor estabeleceu quatro etapas para o processo de comunicação não-violenta: Gestão de PESSOAL I FIGURA 43 – PROCESSO DE COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA FONTE: Feitosa (2020). O Instituto CNV Brasil, em seu site, propõe um exercício simples para começar a praticar a comunicação não-violenta, que é chamado de exercício de autoconexão, orientado pelos 4 componentes propostos por Rosenberg: O que de fato aconteceu? O que foi feito ou dito? O que eu estou sentindo? O que é importante para mim? Quais necessidades estão vivas aqui? Qual o próximo pequeno passo? Eu tenho um pedido para outra pessoa ou para mim? (Instituto CNV Brasil, 2023). Estabelecer o que se passa internamente é um ponto de partida imprescindível para os líderes que desejam realizar diálogos mais profundos com seus liderados. Além disso, é preciso entender que numa situação de pressão, nosso cérebro reage de forma química e podemos instantaneamente assumir a postura de querermos vencer a discussão, isso porque o cérebro humano possui um sistema de luta e fuga para lidar com ameaças. No contexto de conflitos ou conversas decisivas, nos deparamos com nosso sistema límbico de luta ou fuga: basta que o interlocutor nos contradiga para que, involuntariamente, as glândulas suprarrenais injetem adrenalina no sangue. Para nosso corpo, equivale a um bicho feroz nos atacando. Gestão de PESSOAL I Para Patterson et al. (2012) conversas decisivas são aquelas que apresentam divergências de opiniões, grandes interesses envolvidos e alto grau de emoção. Assim, quando estamos diante de um conflito ou de conversas decisivas, a tendência é adotarmos uma das seguintes posturas: corrermos delas, usamos de violência ou enfrentamos de forma eficaz. Patterson et al. (2012) descobriram que as pessoas mais influentes em uma organização eram aquelas que dominavam a arte das conversas decisivas: sem jogos, sem submissão ao silêncio dos outros, sem imposição de argumentos, elas conseguiam expor as ideias e entrar em solução melhor, atendendo aos interesses dos envolvidos. Assim, em consonância com o que já falamos acerca da CNV, a base para os diálogos bem-sucedidos está no fluxo de dados relevantes entre as pessoas, por meio da revelação de sentimentos, opiniões honestas e amplas, ainda que em assuntos polêmicos. Nenhuma ideia deve ser rejeitada, pois o outro deve ser capaz de falar sobre qualquer assunto, sem ser julgado ou ridicularizado. Isso garantirá um reservatório de informações relevantes compartilhadas que ajudarão os interlocutores a tomar melhores decisões e, principalmente, se comprometerem com as decisões ali tomadas. Petterson et al. (2012) citam cinco habilidades de fala que nos auxiliam a falar sobre qualquer assunto, minimizando a atitude defensiva do interlocutor e possibilitando feedbacks honestos. Utiliza o acrônimo ECICI. FIGURA 44 – COMPORTAMENTO DIANTE DE AMEAÇAS FONTE: A autora (2024). Gestão de PESSOAL I FIGURA 45 – HABILIDADES DE FALA FONTE: Adaptado de Petterson et al. (2012). Os citados autores afirmam que as conversas devem iniciar expondo os fatos, ou seja, não devemos iniciar contando como nos sentimos ou julgamos a situação. Os fatos são menos polêmicos, mais persuasivos e menos ofensivos. Por exemplo, mencionar o atraso de um subordinado: “você se atrasou dois dias seguidos” é melhor do que dizer “não podemos contar com você porque a impontualidade é constante” (Petterson et al. 2012). Contar nossas histórias equivale a dizer para expor como você se sente em relação ao fato, o que você percebe a partir dele, como você interpreta, qual a sua opinião. Vencida esta etapa, abre-se para indagar a opinião do outro a fim de buscar se conectar com a história dele, numa postura de humildade e de confiança. Conversar sem impor equivale à forma como falar, ou seja, ao contar a sua versão e seus sentimentos, fazê-lo sem que pareçam fatos consumados. As histórias podem estar erradas, então apresentá-las de forma mais suave e sem imposição pode contribuir para a criação do reservatório de ideias compartilhadas. Caso contrário, despejar suaopinião sobre uma pessoa transforma o ambiente em inseguro e quebra a confiança. Incentivar opiniões diferentes diz respeito a convidar a incentivar a pessoa a falar. Pode-se solicitar, gentilmente, que a pessoa lhe diga o que pensa sobre o que você disse, como se sente e se há algo que não concorda sobre sua fala. Os referidos autores afirmam que os interlocutores não devem se afastar de suas crenças e valores quando estão diante de uma conversa decisiva. O que propõem é que não se parta do princípio de que elas são verdades absolutas e a outra pessoa completamente equivocada, levando a um nível de exaltação, agressão e ataque. Gestão de PESSOAL I FIGURA 46 – MEDIDAS DIANTE DE UMA CONVERSA DECISIVA FONTE: Adaptado de Patterson et al. (2012). Seguem algumas dicas para ouvir melhor durante uma conversa: • É preciso estar plenamente atento ao que o outro fala e estimular que continue falando: “ah é?” “hum…” “oh!”. • Exercer contato visual direto. • Assentimento com a cabeça, demonstrando que está atento. • Limitar gestos de distração com brincar com a caneta, olhar relógio, pegar no celular, tamborilar os dedos sobre a mesa, mexer nas unhas enquanto a outra pessoa fala. • Espelhar: refletir a expressão facial de quem fala. • Parafrasear: repetir para ver se entendeu. Isso demonstra que está ouvindo. Elaboramos, por fim, o seguinte fluxo para representar a junção da CNV com as técnicas de comunicação decisiva de Patterson. Veja: Gestão de PESSOAL I FIGURA 47 – JUNÇÃO DA CNV COM AS TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO DECISIVA FONTE: A autora (2024). Por fim, lembre-se que em todos os conflitos ou conversas decisivas, precisamos ter em mente a consciência dos nossos motivos para estar no referido diálogo. Somente com essa prática é que se pode influenciar a fisiologia e treinar o cérebro para um enfrentamento eficaz diante do estresse da situação. Deve-se afastar do desejo de vencer, desejo de vingança e da expectativa de permanecer em segurança levando-o ao silêncio ou a fuga do problema. Gestão de PESSOAL I 6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A gestão por competências, o mapeamento de competências e o perfil profissiográfico são ferramentas essenciais para o desenvolvimento das organizações modernas. Elas permitem uma abordagem mais estratégica na gestão de pessoas, alinhando as habilidades dos colaboradores com os objetivos da empresa. Através do desenvolvimento de competências e da identificação de lacunas, as organizações podem melhorar seu desempenho e competitividade no mercado. A aprendizagem organizacional e a gestão do conhecimento são pilares fundamentais para a inovação e a adaptação às mudanças constantes. As organizações que promovem a aprendizagem contínua e compartilham o conhecimento de forma eficaz estão mais preparadas para enfrentar os desafios do ambiente de negócios. A relação entre competências e desempenho é clara: colaboradores que possuem as competências necessárias tendem a ter um melhor desempenho, contribuindo para o sucesso da organização. Portanto, investir no desenvolvimento de competências é fundamental para alcançar resultados superiores. A cultura organizacional desempenha um papel crucial na atração e retenção de talentos, bem como na criação de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Uma cultura que promove valores como a colaboração, a ética e a diversidade, contribui para a construção de uma empresa sólida e respeitada. O clima organizacional e a qualidade de vida no trabalho são aspectos que afetam diretamente o bem-estar dos colaboradores e, por consequência, a produtividade e a satisfação no trabalho. Empresas que se preocupam com esses aspectos tendem a ter equipes mais engajadas e motivadas. O papel do líder nas organizações é fundamental para a condução das equipes e para a implementação das estratégias da empresa. Líderes eficazes são capazes de inspirar, motivar e orientar seus colaboradores, contribuindo para o sucesso coletivo. Por fim, a comunicação desempenha um papel central na gestão de pessoas e na resolução de conflitos. Uma comunicação clara e eficaz é essencial para evitar mal-entendidos e promover um ambiente de trabalho harmonioso. Gestão de PESSOAL I Em resumo, todos os temas mencionados estão interconectados e desempenham um papel fundamental na gestão de pessoas e no sucesso das organizações. A gestão por competências, o desenvolvimento de competências, a aprendizagem organizacional, a cultura e o clima organizacional, o papel do líder e a comunicação eficaz são elementos que devem ser cuidadosamente integrados para criar um ambiente de trabalho saudável e produtivo, capaz de alcançar resultados excepcionais. 7 REFERÊNCIAS BODART, Cristiano das Neves; SANTOS, Glaucia dos; FERREIRA, Lilian da Penha Neves. Avaliação de desempenho: uma análise crítica a partir da perspectiva dos avaliados. Revista Foco, 2015. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes. com.br/foco/article/view/214/pdf. Acesso em: 13 mar. 2024. BRAQUEHAIS, Antonio de Paula et al. 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