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Periodontia
Anatomia dos tecidos periodontais
Periodonto (peri = em torno de; odonto
= dente) compreende os seguintes tecidos:
1. Gengiva;
2. Ligamento Periodontal;
3. Cemento radicular;
4. Osso alveolar: osso alveolar
propriamente dito (ABP) e o processo
alveolar.
Função do periodonto
A principal função do periodonto é
inserir o dente no tecido ósseo dos
maxilares e manter a integridade da
superfície da mucosa mastigatória da
cavidade oral;
Periodonto de sustentação (inserção)
faz a conexão do dente com o tecido
ósseo;
Periodonto de proteção faz a
manutenção da integridade da
superfície da mucosa.
Desenvolvimento do periodonto
O desenvolvimento dos tecidos
periodontais ocorre durante o
crescimento e a formação dos dentes;
Esse processo começa no ínicio da face
embrionária (4 e 5 semana de
gestação), quando as células da crista
neural (do tubo neural do embrião)
migram para o primeiro arco
branquial (responsáveis pela formação
da maxila e mandíbula);
O epitélio do estomodeu libera fatores
que iniciam uma interação do epitélio
com o ectomesênquima;
Em seguida, o ectomesênquima
assume um papel dominante no
decorrer do desenvolvimento;
Após a formação da lâmina dental,
inicia-se uma série de processos
(estágio de botão, estágio de capuz,
estágio de campânula e o
desenvolvimento da raiz) que
resultam de um dente e seus tecidos
periodontais (cemento, ligamento
periodontal e osso alveolar
propriamente dito);
As células da crista neural formam
uma faixa de esctomesênquima
abaixo do epitélio do estomodeu
(cavidade oral primitiva).
Periodonto
As estruturas do periodonto são
formadas pelas células
ectomesenquimais do folículo dentário
lateral ao cemento;
Algumas delas diferenciam-se em
fibroblastos periodontais e formam as
fibras do ligamento periodontal,
enquanto outras se tornam
osteoblastos, produzindo o osso
alveolar propriamente dito, no qual as
fibras periodontais estão ancoradas;
Em outras palavras, a parede principal
do osso alveolar também é derivada
do ectomesênquima.
Mucosa oral (anatomia
macroscópica)
A mucosa oral (membrana mucosa) é
contínua com a pele dos lábios e com a
mucosa do palato mole e da faringe. A
mucosa oral compreende:
1. Mucosa mastigatória (gengiva e
palato duro) é mais espessa, mais
protetora;
2. Mucosa especializada (língua) possui
maior percepção dos sentidos do
paladar, é mais inervada e
vascularizada;
3. Mucosa de revestimento (mucosa
alveolar e jugal) reveste maior parte.
Gengiva (anatomia macroscópica)
A gengiva é a parte da mucosa
mastigatória que recobre o processo
alveolar e circunda a porção cervical dos
dentes;
A gengiva consiste em uma camada
epitelial e um tecido conjuntivo
subjacente, chamada de lãmina
propria.
A gengiva marginal livre é de cor
rósea, lisa, tem a superfície opaca e
consistência firme;
A gengiva inserida é de cor rósea,
pontilhada e consistência firme. Em
40% dos adultos, a gengiva inserida
apresenta um aspecto pontilhado na
superfície;
A gengiva interdental se comporta da
mesma maneira entre os dentes, é
chamada de papila interdental.
Papila/área de Col
Área de col é recoberta por um epitélio
delgado não ceratinizado. Esse epitélio
apresenta características em comum
com o epitélio juncional;
Anatomia microscópica (epitélio)
Epitélio oral, que fica voltado para a
cavidade oral;
Epitélio do sulco, que fica voltado para o
espaço do sulco, sem entrar em contato
com a superfície do dente;
Epitélio juncional, que promove o contato
da gengiva com o dente diretamente;
Espaço biológico: são os tecidos de inserção
supra crestais;
Na média, o epitélio possui 0,2 a 0,3mm de
espessura. Ele é queratinizado ou
paraqueratinizado ou apresenta várias
combinações destas condições. No entanto,
a superfície prevalente é a
paraqueratinizada;
O limite entre o epitélio oral e o tecido
conjuntivo que se projetam no epitélio são
chamadas de papilas do tecido conjuntivo,
sendo separadas entre si pelas cristas
epiteliais.
Anatomia microscópica (epitélio oral
– histológico)
1. Camada córnea – camada mais
superficial;
2. Camada granulosa;
3. Camada espinhosa;
4. Camada basal – camada mais profunda
do epitélio;
{epitélio
{tecido conjuntivo vascularizado
Além das células produtoras de
queratina, (queratinócitos) que
correspodem a cerca de 90% da
população celular total, observa-se
que o epitélio oral contém, ainda, os
seguintes tipos de células:
1. Melanócitos;
2. Células de Langerhans (mecanismo
de defesa);
3. Células de Merkel (função sensorial);
4. Células inflamatórias (neutrófilos);
Anatomia microscópica (epitélio
do sulco)
O epitélio sulcular reveste o sulco
gengival. Ele é um epitélio escamoso
estratificado não queratinizado fino
sem cristas epiteliais e se estende do
limite coronal do epitélio juncional á
crista da gengiva marginal;
Epitélio dentogengival (epitélio
juncional)
Epitélio juncional consiste em uma
faixa de epitélio escamoso estratificado
não queratinizado em forma de colar.
Possui de 3 a 4 camadas de espessura no
início da vida, mas o número de camadas
aumenta com a idade para 10 ou até
mesmo 20 camadas;
O epitélio juncional se afunila a partir da
extremidade coronal, que deve ter de 10 a 29
células de largura para uma ou duas células na
sua extremidade apical;
Está aderido a superfície dental por meio de uma
lâmina basal externa;
Quando o esmalte dentário alcança seu
desenvolvimento completo, aas células
produtoras do esmlate (ameloblastos sofrem
uma redução em sua altura, produzem uma
lâmina basal e formam, juntamente com as
demais células do epitélio externo do órgão do
esmalte, o chamado epitélio reduzido do esmalte
(RE);
O epitélio oral e o epitélio reduzido do esmalte
migram e produzem uma massa epitelial, de
modo que o dente pode erupcionar sem que
ocorra sangramento;
Quando o dente penetra na cavidade oral,
grandes porções imediatamente apicais á área
incisal do esmlate são, então, recobertas pelo
epitélio juncional (JE), que contém apenas
poucas camadas de células. Portanto, o epitélio
juncional tem origem do epitélio reduzido do
esmalte.
Tecido conjuntivo
O tecido conjuntivo (lâmina própria) é o
componente tecidual predominante da
gengiva. Os principais constituintes do
tecido conjuntivo são as fibras colágenas
(cerca de 60% do volume do tecido
conjuntivo), os fibroblastos (cerca de 5%)
e os vasos e nervos (cerca de 35%), que
estão envolvidos em sua substância
fundamental amorfa (matriz).
Tecido conjuntivo – células
Os diferentes tipos de células presentes no
tecido conjuntivo são:
1. Fibroblastos: achatados, originam
colágeno;
2. Mastócitos: responsáveis pela produção
de determinados componentes da matriz;
3. Macrófagos: funções de fagocitose e
síntese no tecido;
4. Células inflamatórias: neutrófilos
(núcleo é lobulado e numerosos
lisossomos), linfócitos (núcleo de formato
oval ou esférico, são células de defesa que
constituem o sistema imune), plasmócitos
(contém um núcleo esférico de localização
excêntrica com cromatina eletrodensa
disposta radialmente, são
antiflamatórias, produzem anticorpos e
originam linfócitos T).
Tecido conjuntivo – fibras
As fibras do tecido conjuntivo são
produzidas pelos fibroblastos e podem
ser divididas em:
1. Fibras colágenas (predominam na
gengiva);
2. Fibras exitalâmicas (são escassas na
gengiva, pórem numerosas no
ligamento periodontal);
3. Fibras reticulares (circunda os vasos
sanguíneos);
4. Fibras elásticas (presentes apenas
em associação com os vasos
sanguíneos).
Orientação dos feixes de fibras
gengivais
Embora muitas das fibras
colágenas na gengiva e no
ligamento periodontal estejam
distribuídas irregular ou
aleatoriamente, a maioria delas
tende a sedispor em grupos de
feixes com orientação bem
definida. De acordo com a sua
inserção e a trajetória que seguem
no tecido, os feixes orientados de
fibras gengivais podem ser
divididos nos seguintes grupos:
1. Fibras circulares;
2. Fibras dentoperiósteas;
3. Fibras transeptais;
Tecido conjuntivo (matriz)
A matriz do tecido conjuntivo é produzida
principalmente pelos fibroblastos. Os
principais componentes da matriz do tecido
conjuntivo são macromoléculas de
carboidratos e proteínas;
Proteoglicanas e glicoproteínas -> ácido
hialurônico.
Ligamento periodontal
O ligamento periodontal é o tecido conjuntivo
frouxo, ricamente vascularizado e celular, que
circunda as raízes dos dentes e une o cemento
radicular à lâmina dura ou ao osso alveolar
propriamente dito;
Em direção coronária, o ligamento
periodontal é contínuo com a lâmina própria
da gengiva e está separado da gengiva pelos
feixes de fibras colágenas que conectam a
crista do osso alveolar com a raiz (as fibras da
crista alveolar);
O espaço do ligamento tem a forma de uma
ampulheta e é mais estreito no nível do terço
médio da raiz a largura do ligamento
periodontal é de cerca de 0,25mm (0,2 –
0,4mm);
Objetivo: ligamento periodontal permite que
forças, produzidas durante a função
mastigatória e outros contatos dentários,
sejam distribuidas e absorvidas pelo processo
alveolar.
Orientação dos feixes de ligamento
periodontal
O dente é unido ao osso por feixes de
fibras colágenas que podem ser
divididas nos seguintes grupos
principais, de acordo com suas formas
de arranjo;
1. Fibras da crista alveolar;
2. Fibras horizontais;
3. Fibras oblíquas;
4. Fibras apicais
5. Fibras de Sharpey: as principais fibras
do ligamento periodontal embutidas em
cemento.
Células do ligamento periodontal
As células do ligamento periodontal são:
1. Fibroblastos;
2. Osteoblastos;
3. Cementoblastos;
4. Osteoclastos;
5. Fibras nervosas;
6. Restos epiteliais de Malassez.
Cemento radicular
Tecido mineralizado que reveste as
superfícies radiculares;
Não contém vasos sanguíneos e linfáticos,
não tem inervação, não sofre remodelação e
reabsorção fisiológica, porém se caracteriza
pela formação contínua ao longo da vida;
Sua porção mineral, que é principalmente
hidroxiapatita, é aproximadamente 65% de
seu peso, um pouco mais que no osso (60%);
Objetivo: ele insere as fibras do ligamento
periodontal na raiz e contribui para o
processo de reparo após danos á superfície
radicular;
Cemento acelular de fibras extrínsecas
(AEFC): é encontrado porções conorária e
média da raiz e contém principalmente
feixes de fibras de Sharpey;
Cemento celular estratificado misto (CMSC);
está presente no terço apical das raízes e nas
áreas de furca. Ele contém tanto fibras
extrínsecas quanto intrínsecas, assim como
cementócitos.
Cementócitos
Residem em lacunas. Elas são interligadas por
processos citoplasmáticos dispostos nos
canalículos do cemento. Os cementócitos
ligam-se também aos cementoblastos da
superfície por meio de prolongamentos
citoplasmáticos. A presença de cementócitos
permite o transporte de nutrientes através de
cemento e contribui para manutenção da
vitalidade desse tecido mineralizado.
Fibras de Sharpey
Constituem o sistema de fibras extrínsecas do
cemento e são produzidas pelos fibroblastos
no ligamento periodontal;
O sistema de fibras intrínsecas é produzido
pelos cementoblastos e composto por fibras
orientadas mais ou menos paralelamente ao
longo eixo do dente.
Osso alveolar
O processo alveolar é definido como as
pasrtes da maxila e da mandíbula que
formam os alvéolos dos dentes e dão
suporte a esses alvéolos;
As paredes dos alvéolos são revestidas
por osso compacto (cortical) e é
chamado de osso alveolar
propriamente dito;
As áreas emtre os alvéolos e entre as
paredes de osso compacto são
preenchidos por osso esponjoso
(trabeculado);
O osso esponjoso ocupa a maior parte
dos septos interdentais, mas apenas
uma porção relativamente pequena
das lâminas vestibular e palatina.
Deiscência
Pelo lado vestibular dos maxilares, a
cobertura óssea algumas vezes está
ausente na porção coronária das
raízes;
Perda óssea vestibular;
Acontece de forma uniforme.
Fenestração
Se houver alguma porção óssea na
porção mais coronária de tal área
desnuda;
Perda óssea descontínua.
Osso lamelar
Característica do osso alveolar em se
organizar em lamelas;
O osso compacto reveste o alvéolo e é
perfurado por numerosos canais de
Volkman, através dos quais vasos
sanguíneos, linfáticos, fibras nervosas
passam do osso alveolar para o ligamento
periodontal.
Canais de Volkman (horizontais)
O osso compacto reveste o alvéolo e é
perfurado por numerosos canais de
Volkman, através dos quais vasos
sanguíneos, linfáticos e fibras nervosas
passam do osso alveolar para o
ligamento periodontal;
Canais de Harvers (verticais)
Canais pelos quais passam vasos
sanguíneos, linfáticos e fibras
nervosas;
Ostéocitos
Comunicam-se através de canalículos
que contêm projeções
citoplasmáticas dos osteócitos;
A camada óssea na qual estão
inseridos os feixes de fibras principais
(fibras de Sharpey) é chamada de
“osso fasciculado”;
Do ponto de vista funcional e
estrutural, esse “osso fasciculado” tem
muitas características em comum
com a camada de cemento das
superfícies radiculares.
Suprimento sanguíneo do
periodonto
Artéria dentária, que é um ramo da
artéria dentária alveolar superior ou
inferior, emite a artéria intraseptal antes
de penetrar no alvéolo. Os ramos
terminais da artéria intraseptal (ramos
perfurantes) penetram no osso alveolar
propriamente dito pelos canais em todos
os níveis do alvéolo através dos canais de
Volkman;
O principal suprimento sanguíneo da
gengiva é derivado dos vasos
sanguíneos supraperiosteais, os quais,
na gengiva, fazem anastomose com os
vasos sanguíneos do osso alveolar e do
ligamento periodontal.