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@ fro es od on to CIAO Anatomia, fisiologia e histologia do periodonto Periodontia A periodontia é a área da odontologia embasada no estudo e tratamento do periodonto. Periodonto O periodonto é um conjunto de tecidos que circundam, revestem e suportam os dentes. Ele é formado na embriogênese, e se origina do folículo dentário. Suas estruturas podem sofrer alterações de acordo com a idade do paciente. Com o avanço da idade, o periodonto pode se tornar mais frágil principalmente devido a redução da capacidade de reparação (reduz a resposta à infecções) e diminuição da densidade óssea (o osso alveolar pode sofrer reabsorção com um tempo), além dos hábitos de higiene e alterações sistêmicas. Mucosa oral Funções A mucosa oral é todo o revestimento epitelial que recobre a cavidade oral. Desempenhando funções essenciais, como: ● Proteção: realiza uma barreira de proteção mecânica contra traumas, agentes patogênicos e substâncias químicas. ● Sensorial: a mucosa oral contém receptores táteis que são sensíveis a estímulos térmicos e mecânicos. Esses receptores ajudam na percepção de temperatura, textura e pressão, contribuindo para a experiência sensorial durante a mastigação e a fala. ● Secreção: A mucosa oral é o local de desembocadura dos ductos secretores das glândulas salivares. Classificações: ● Mucosa de revestimento: é não queratinizada, flexível e adaptável a movimentos. Encontrada em: ○ Bochechas; ○ Lábios: ○ Assoalho da língua, ○ Mucosa alveolar ○ Palato mole. ● Mucosa mastigatória: é queratinizada, resistente e adaptada para suportar as forças mastigatórias. Inclui: ○ Gengiva ○ Palato duro @ fro es od on to ● Mucosa especializada: localizada no dorso da língua e é responsável pelas funções gustativas, contendo papilas gustativas e glândulas salivares. Histologia: A estrutura histológica da mucosa oral é composta por: ● Epitélio pavimentoso estratificado com projeções no tecido conjuntivo. Rosa escuro: epitélio pavimentoso estratificado com projeções. Rosa claro: tecido conjuntivo. ● Epitélio: Pode ser queratinizado ou não queratinizado, dependendo da localização e função. O epitélio queratinizado é encontrado na mucosa mastigatória, enquanto o não queratinizado está presente na mucosa de revestimento. ● Lâmina própria: camada de tecido conjuntivo subjacente ao epitélio, rica em fibras colágenas, vasos sanguíneos e nervos, proporcionando suporte e nutrição ao epitélio Classificação do periodonto O periodonto pode ser classificado das seguintes maneiras: Periodonto de proteção: ● Gengiva: responsável pela proteção do processo alveolar e circunda a cervical dos dentes. ○ Sulco gengival: espaço entre a gengiva marginal livre e o dente. ○ Epitélio juncional: epitélio responsável pela junção da gengiva inserida ao dente. Está localizada logo abaixo do sulco gengival. ○ Inserção conjuntiva: fixação do tecido conjuntivo no osso e no dente. @ fro es od on to Periodonto de inserção: ● Ligamento periodontal: conecta o dente ao osso alveolar. ● Cemento radicular: tecido mineralizado que permite as fibras do ligamento periodontal se inserirem no dente. ● Osso alveolar: suporta os dentes e forças mastigatórias. Periodonto de proteção: Gengiva A gengiva é a parte da mucosa que recobre todo processo alveolar e circunda os dentes. A gengiva pode ser classificada de três formas: ● Gengiva marginal livre ● Gengiva inserida ● Junção mucogengival. Três partes da gengiva podem ser identificadas: a gengiva livre (GL), a gengiva interdentária e a gengiva inserida (GI). A junção mucogengival (JMG) demarca a gengiva da mucosa alveolar. JCE = junção cemento-esmalte. Gengiva marginal livre (GL) Características: ● Cor rósea, opaca e de consistência firme. ● Localizada na margem da superfície do esmalte. Possui forma arredondada. ● Não possui aderência ao dente (devido a uma leve invaginação, permitindo a introdução de uma sonda periodontal e criar um sulco artificial). ● Forma o sulco gengival e as papilas interdentárias. @ fro es od on to ● Seu limite externo é a ranhura gengival e seu limite interno é o fim do sulco gengival. Gengiva inserida (GI) Características: ● A gengiva inserida é contínua com a gengiva marginal. ● Ela é firme, resiliente e fortemente inserida no periósteo do osso alveolar subjacente. ● Essa gengiva pode ser incisada, pois se regenera. ● A sua espessura pode variar. É mais grossa na região dos incisivos e mais sensível na região de pré-molares. ○ - Incisivos (3,5 a 4,5 mm maxila, 3,3 a 3,9mm na mandíbula); ○ Pré-molares (1,9 mm nos superiores e 1,8mm nos inferiores). ● Apresenta aspecto de casca de laranja e é inserida no osso alveolar e cemento por meio de fibras, sendo imóvel em relação aos tecidos subjacentes Aspecto de casca de laranja na gengiva inserida Sulco gengival O sulco gengival é o espaço estreito entre o dente e a gengiva marginal, formado pela falta de aderência total da gengiva à superfície do dente. Este espaço é considerado normal em uma gengiva saudável e serve como uma zona de transição entre a gengiva e o dente. ● Sulco histológico: é a região onde a gengiva marginal termina e começa o epitélio que reveste o dente (epitélio juncional). Ele é um espaço muito pequeno, com cerca de 0,69 mm de profundidade, e não é acessível diretamente com a sonda periodontal, ou seja, é uma medida observada @ fro es od on to apenas em estudos microscópicos, ou seja, no nível celular. ● Sulco clínico: É o espaço onde uma sonda periodontal pode ser inserida para medir a profundidade do sulco gengival. Este sulco é clinicamente acessível durante o exame periodontal. ● Em uma gengiva normal, o sulco gengival não ultrapassa 3 mm de profundidade, e a gengiva está em contato íntimo com a superfície do esmalte dentário. ● Quando a profundidade do sulco gengival ultrapassa 3 mm, caracterizando uma bolsa periodontal, isso pode indicar a presença de doença periodontal, que resulta em uma profundidade patológica devido ao aumento do espaço entre a gengiva e o dente. Gengiva interdentária Preenche o espaço entre os dentes, protegendo contra acúmulo de placa bacteriana e contribuindo para a estabilidade da gengiva. Formato: ● Nos dentes anteriores, apresenta forma piramidal. ● Nos dentes posteriores, é mais achatada no sentido vestibulolingual. Vista frontal mostrando a forma das papilas interdentais nas regiões anterior (A) e pré-molar/molar (B). Col gengival: ● Depressão entre as papilas vestibular e lingual. ● Epitélio delgado e não queratinizado, tornando-se mais vulnerável à inflamação. ● É maior nos molares e pré-molares. A. As regiões de pré-molar/molar da dentição exibem uma superfície de contato proximal. B. Após a remoção do dente distal, pode-se observar um colo entre as papilas vestibular (PV) e lingual (PL). C. Histologicamente, o corte buco-oral da região col (setas) demonstra um fino revestimento não queratinizado entre as duas papilas. @ fro es od on to Histologia do periodonto Tipos de epitélio: ● Epitélio Oral: Voltado para a cavidade oral, composto por várias camadas celulares, é especializado em proteção contra agressões físicas e químicas. ● Epitélio do Sulco: Voltado para o dente, mas sem aderir a ele (não há contato direto), o que o distingue do epitélio juncional. Não tem cristas epiteliais. ● Epitélio Juncional: Localizado na interface entre a gengiva e o dente, promove o contato íntimo com a superfície dental, sendo essencialpara a integridade da união gengival-dente. A gengiva consiste em três epitélios: epitélio gengival oral, epitélio sulcular oral e epitélio juncional. B. Corte histológico com todos os epitélios e estruturas de tecido conjuntivo mole (TC) Epitélio gengiva oral ● Pavimentoso, estratificado e queratinizado, recobre a gengiva livre, voltado para a cavidade oral. ● Cristas Epiteliais: Presença de cristas epiteliais, que são projeções do epitélio para o tecido conjuntivo. No epitélio juncional, essas cristas não estão presentes, o que é uma diferença importante. @ fro es od on to CE: cristas epiteliais, PTC: papilas tecido conjuntivo, EGO: epitélio gengiva oral, TC: tecido conjuntivo. Modelo de cera mostrando as projeções do tecido epitelial para o conjuntivo. EO = epitélio oral; ESO = epitélio sulcular oral. Modelo de cera ilustrando a superfície do epitélio gengival oral voltada para o tecido conjuntivo após a remoção deste último. ● O epitélio oral que reveste a gengiva livre é escamoso, estratificado e queratinizado, o que significa que ele é composto por várias camadas de células. São essas camadas: ○ Basal ○ Espinhosa ○ Granulosa ○ Queratinizada Camada Basal: ● Primeira camada, com células que se dividem para renovar o epitélio. ● Células colunares ou cúbicas, com grande atividade de divisão celular. Camada Espinhosa: ● Células arredondadas ou poliédricas, conectadas por desmossomos (parecem espinhos). ● Células começam a se transformar em ceratinócitos (produtoras de queratina). Camada Granulosa: ● Células achatadas, com grânulos de ceratohialina que ajudam a tornar a pele impermeável. ● Função de proteger contra a perda de água. @ fro es od on to Camada Queratinizada (ou Córnea) ● Camada final, composta por células mortas, achatadas e sem núcleo. ● As células podem ser ortoqueratina (sem núcleo) ou paraqueratina (com núcleo condensado). As quatro camadas do epitélio gengival oral: (1) estrato basal, (2) estrato espinhoso, (3) estrato granuloso e (4) estrato córneo, como visto no epitélio ortoqueratinizado (A) e paraqueratinizado (B). As setas indicam a presença de núcleos celulares no caso de paraqueratinização. Células do epitélio oral: ● Melanócitos: Produzem melanina, conferindo pigmentação à gengiva, variando em intensidade conforme a cor da pele do indivíduo. Esses melanócitos estão localizados principalmente na camada basal. ● Células de Langerhans: Agem no sistema imunológico, fagocitando antígenos que entram no epitélio. Essas células são chamadas de “células claras” devido à aparência mais clara ao microscópio. (fig 1 da próxima pág) ● Células de Merkel: Relacionadas com a sensação tátil, detectando estímulos de toque. ● Células inflamatórias: Embora não sejam típicas, elas podem estar presentes em casos de inflamação ou outras condições patológicas. ● Queratinócitos: São as células predominantes (cerca de 90%) no epitélio oral. Elas são responsáveis pela produção de queratina e têm uma função protetora. @ fro es od on to “Células claras” (setas) localizadas no estrato basal ou próximo ao estrato basal do epitélio gengival oral. Epitélio do sulco O epitélio do sulco reveste o sulco gengival, que é o espaço raso entre a gengiva e o esmalte dentário, antes da inserção do dente na gengiva. Esse epitélio tem características particulares que o distinguem do epitélio gengival oral e do epitélio juncional. Características Estruturais: ● O epitélio do sulco é não queratinizado, o que significa que ele não possui a camada córnea de queratina, ao contrário da gengiva livre e do epitélio juncional. ● Suas células são mais cuboidais na base, mas podem se tornar mais achatadas à medida que se aproximam da superfície. As células da camada superficial são mais cúbicas e contêm menos queratina. ● A espessura do epitélio do sulco varia de 3 a 4 camadas de células, dependendo da localização e da saúde da gengiva. Função: ● Sua principal função é formar a barreira protetora entre o dente e os tecidos gengivais, evitando que substâncias indesejadas, como microrganismos, penetrem mais profundamente no tecido gengival. Diferença do Epitélio Gengival Oral: O epitélio do sulco é mais fino e menos resistente do que o epitélio gengival oral, que é queratinizado e mais espesso. Embora o epitélio gengival oral seja projetado para resistir ao desgaste e à abrasão (como ocorre ao mastigar), o epitélio do sulco é mais especializado na proteção contra a invasão bacteriana e outros fatores externos. Resposta Imunológica: ● O epitélio do sulco pode ser um local onde as células de defesa, como as células de Langerhans, estão presentes. Essas células fazem parte do sistema imunológico da gengiva e ajudam a detectar e responder a patógenos. ● Em resumo, o epitélio do sulco tem a função crucial de proteger a gengiva ao redor do dente, mas, ao contrário de outras partes do epitélio gengival, ele não é queratinizado, o que o torna mais suscetível a danos, mas ideal para facilitar a renovação celular e a proteção contra a invasão de patógenos. @ fro es od on to Corte histológico mostrando o epitélio juncional (EJ) no fundo do sulco gengival (SG). As setas indicam a interface entre o epitélio juncional e o epitélio sulcular oral (ESO). Epitélio juncional Aderido ao dente com fibras inseridas: ● O epitélio juncional se fixa ao esmalte dentário através de hemidesmossomos e de uma lâmina basal, formando uma interface semelhante à membrana basal entre o epitélio e o tecido conjuntivo. ● Essa fixação promove a inserção da gengiva no dente e cria uma barreira de proteção contra bactérias. Epitélio escamoso, estratificado e não queratinizado: ● Diferente do epitélio gengival oral, o epitélio juncional não apresenta queratinização. ● Suas células são achatadas e organizadas em camadas basais e suprabasais. Alto índice de renovação na camada basal por mitose: ● As células do epitélio juncional apresentam intensa atividade mitótica na camada basal. ● As novas células migram em direção ao sulco gengival e descamam, promovendo a renovação constante do epitélio. Disposição das células em uma camada basal e várias camadas suprabasais: ● O epitélio juncional é mais largo na região coronal (cerca de 15 a 20 camadas celulares) e afina em direção à junção cemento-esmalte (3 a 4 camadas). ● Diferente do epitélio gengival e sulcular, ele não possui cristas epiteliais na interface com o tecido conjuntivo, a menos que haja inflamação. Diferenças do epitélio juncional para epitélio oral e sucular: @ fro es od on to ● Ele é mais fino (delgado) do que o epitélio sucular e mais firmemente aderido.Por isso, permite maior passagem de anticorpos (que estão presentes ca camada de tecido conjuntivo) ● Possui uma maior espessura de tecido conjuntivo. ● O epitélio oral possui cristas e é queratinizado, diferente dos outros dois, que não possuem ceratina. A: Epitélio oral; B: epitélio sucular, C: epitélio juncional, D: dentina, E: esmalte. Tecido conjuntivo (lâmina própria): O tecido conjuntivo é o principal componente da gengiva, sendo responsável por sua sustentação e funções metabólicas. Constituintes da lâmina própria: ● Fibras colágenas – Cerca de 60% do volume da lâmina própria, conferindo resistência e sustentação. ● Fibroblastos – Cerca de 5% do volume, são as células predominantes e responsáveis pela síntese da matriz extracelular e das fibras. ● Vasos sanguíneos e nervos – Aproximadamente 35% do volume, essenciais para nutrição e inervação. ● Matriz extracelular – Composta por macromoléculas estruturaisque regulam a difusão de substâncias e a resistência tecidual. @ fro es od on to Células da lâmina própria Fibroblastos ● Células predominantes (cerca de 65% da população celular total). ● Produzem fibras colágenas, reticulares, oxitalânicas e elásticas. ● Responsáveis pela síntese da matriz extracelular (proteoglicanas, glicoproteínas, glicosaminoglicanas). ● Célula fusiforme ou estrelada, com núcleo oval e citoplasma rico em retículo endoplasmático rugoso, complexo de Golgi e mitocôndrias. Um fibroblasto (F) que reside em uma rede de fibrilas de tecido conjuntivo (CF). O espaço intermediário é preenchido com matriz extracelular não colagenosa (M), que constitui o “ambiente” para a célula. Fibroblastos Mastócitos ● Produzem heparina e histamina, substâncias vasoativas que influenciam a permeabilidade vascular e podem desencadear reações alérgicas. ● Contêm vesículas com substâncias biologicamente ativas (enzimas proteolíticas, histamina e heparina). ● Apresentam receptores para imunoglobulina E (IgE), sendo importantes em reações imunológicas. @ fro es od on to Macrófagos ● Células de defesa derivadas de monócitos sanguíneos. ● Atuam na fagocitose de microrganismos, corpos estranhos e tecido necrótico. ● São numerosos no tecido inflamado e desempenham papel essencial na resposta imune. ● Possuem citoplasma rico em lisossomos e fagossomos, além de um complexo de Golgi bem desenvolvido. Macrófago: seta laranja, fibroblasto: seta verde Células inflamatórias ● Granulócitos neutrófilos (leucócitos polimorfonucleares) – Núcleo lobulado e lisossomos com enzimas digestivas. ● Linfócitos – Responsáveis pela resposta imunológica adaptativa. ● Plasmócitos – Produzem anticorpos e possuem retículo endoplasmático rugoso abundante. @ fro es od on to Fibras da lâmina própria As fibras são sintetizadas pelos fibroblastos e formam a principal rede de sustentação da gengiva. Podem ser classificadas em: Fibras colágenas ● São as mais abundantes e formam feixes resistentes, essenciais para a firmeza da gengiva e do periodonto. Essas linhas coradas são os feixes de fibras colágenas Fibras reticulares ● Estão localizadas na região de transição entre o epitélio (a camada mais externa da gengiva) e o tecido conjuntivo (a camada mais interna, que dá suporte). ● Além disso, essas fibras também envolvem os vasos sanguíneos, ajudando a manter a organização estrutural do tecido e a conexão entre essas diferentes partes da gengiva. Micrografia de luz mostrando fibras de reticulina adjacentes à membrana basal entre o epitélio e o tecido conjuntivo mole. A coloração argirofílica produz uma coloração preta das fibras de reticulina (setas). Fibras oxitalânicas ● São raras na gengiva, mas frequentes no ligamento periodontal, onde estão associadas aos vasos sanguíneos e podem ter função na percepção de forças mecânicas (mecanotransdução.) @ fro es od on to Fotomicrografia demonstrando fibras oxitalânicas (setas) no ligamento periodontal (LP). Observe que as fibras oxitalânicas se inserem no cemento (C) e estão associadas aos vasos sanguíneos (VS). OA = osso alveolar propriamente dito. Fibras elásticas ● Presentes na gengiva apenas junto aos vasos sanguíneos, sendo mais comuns na mucosa alveolar. Matriz extracelular da lâmina própria ● Sintetizada por fibroblastos (principalmente), alguns componentes por mastócitos e outros derivados do próprio sangue. ● Essencial para a sustentação e função metabólica do tecido. ● Serve como meio de transporte para água, eletrólitos, nutrientes e metabólitos. ● Responsável pela hidratação, elasticidade e resistência da gengiva. Principais componentes da matriz extracelular: Proteoglicanas ● Contêm glicosaminoglicanas (GAGs), como sulfato de condroitina e ácido hialurônico. ● Atuam na regulação da migração celular e da homeostase tecidual. ● Responsáveis pela manutenção da pressão osmótica e consistência do tecido. @ fro es od on to Glicoproteínas (ex.: fibronectina, osteonectina) ● São proteínas estruturais com cadeias de carboidratos. ● Possuem papel na adesão celular e na organização da matriz. ● A função normal do tecido conjuntivo depende das proteoglicanas e glicosaminoglicanas. Outros componentes: ● Lipídios ● Macromoléculas ● Água Espaço biológico O espaço biológico é a primeira linha de defesa dos elementos dentários. Basicamente, é uma “margem” entre a margem gengival e a crista óssea alveolar. Ele é composto por: ● Epitélio juncional ● Inserção conjuntiva ● A sondagem periodontal é feita no sulco gengival + epitélio juncional, a inserção conjuntiva não participa. ● O sulco histológico é o sulco gengival, e o sulco clínico é o sulco gengival/histológico + epitélio juncional. Restaurações insatisfatórias ou próteses e coroas mal adaptadas, podem invadir o espaço biológico, gerando uma inflamação e em casos mais graves perda óssea. Ligamento periodontal Tecido conjuntivo frouxo, altamente vascularizado e celular, que conecta o cemento radicular ao osso alveolar. @ fro es od on to Tem função essencial na absorção de forças mastigatórias, na mobilidade dentária e na homeostase periodontal. Ele é um tecido conjuntivo especializado, que contém: 1. Fibras – principalmente colágenas (como as fibras oblíquas, horizontais, apicais, entre outras) e oxitalânicas, que dão suporte e sustentação ao dente. 2. Células – como fibroblastos, cementoblastos, osteoblastos e restos epiteliais de Malassez, que participam da manutenção, renovação e remodelação dos tecidos. 3. Vasos sanguíneos – que garantem a nutrição e oxigenação do ligamento. 4. Fibras nervosas – responsáveis pela propriocepção, permitindo que o dente responda a forças mastigatórias. Fibras do Ligamento Periodontal Fibras colágenas (principais feixes de sustentação): ● Fibras da crista alveolar – ligam a crista óssea à raiz, prevenindo extrusão dentária. ● Fibras horizontais – estabilizam o dente lateralmente. ● Fibras oblíquas – principais absorvedoras de carga oclusal, suspensas diagonalmente entre cemento e osso. ● Fibras apicais – ancoram a raiz ao osso na região apical. ● Fibras interradiculares – estabilizam dentes multirradiculares, ligando as raízes ao septo ósseo. Fibras oxitalânicas ● Presentes em menor quantidade, próximas aos vasos sanguíneos. Possível papel na mecanotransdução. ● Essas fibras desempenham um papel crucial, especialmente em tecidos submetidos a estresse constante, ajudando a manter a integridade e funcionalidade do tecido.São fibras “elásticas”. ● Por não conter elastina, as fibras oxitalânicas não são elásticas no sentido tradicional, mas contribuem para a flexibilidade e resistência de tecidos específicos. Elas geralmente estão localizadas próximas a vasos sanguíneos e acredita-se que ajudem a regular o fluxo vascular em resposta a forças mecânicas. @ fro es od on to Células do Ligamento Periodontal ● Fibroblastos – responsáveis pela renovação das fibras colágenas. ● Cementoblastos – sintetizam cemento radicular. ● Osteoblastos – responsáveis pela remodelação óssea. ● Restos Epiteliais de Malassez – remanescentes da bainha epitelial de Hertwig, podem estar relacionados a processos patológicos. Cemento radicular ● O cemento radicular é um tecido mineralizado especializado que reveste as superfícies radiculares dos dentes. ● Ao contrário do tecido ósseo, ele não contém vasos sanguíneos ou linfáticos, não possui inervação e não sofre remodelação nem reabsorção fisiológicas, embora sua formação seja contínuaao longo da vida. ● Ele é composto principalmente por hidroxiapatita, com cerca de 65% do seu peso mineralizado, sendo um pouco mais do que o osso (60%). ● Além de ser mineralizado, o cemento possui fibras colágenas embutidas em uma matriz orgânica, que são essenciais para a ligação entre o dente e o ligamento periodontal. Existem diferentes tipos de cemento, com funções específicas. A seguir estão os principais tipos de cimento encontrados nas raízes dentárias: Tipos de Cemento: Cemento Acelular Afibrilar (CAA): ● Encontrado principalmente na porção cervical do esmalte, na região da junção dentinocemental da JCE ● Não contém células nem fibras colágenas. ● Forma-se quando o epitélio reduzido do esmalte entra em contato com o tecido conjuntivo, formando camadas que indicam períodos de deposição e descanso. @ fro es od on to Micrografias ópticas (A) e eletrônicas de transmissão (B) ilustrando a morfologia do cemento acelular afibrilar (CAA), que predomina na região da junção cemento-esmalte. O material moderadamente denso em elétrons no espaço do esmalte (EE) adjacente ao CAA representa a matriz residual do esmalte. CAFE = cimento acelular de fibras extrínsecas; D = dentina. Cemento Acelular de Fibras Extrínsecas (CAFE): ● Encontrado nas porções coronal e média da raiz. ● Contém principalmente feixes de fibras de Sharpey, que conectam o dente ao osso alveolar. ● Também é chamado de “cemento de fixação”, pois é responsável pela estabilidade do dente. ● Sua formação começa quando a bainha da raiz epitelial de Hertwig se fragmenta, permitindo que os cementoblastos sintam e depositem fibras colágenas na superfície dental. Estas fotomicrografias ilustram os estágios de desenvolvimento do cemento acelular de fibras extrínsecas (CAFE). A. Pequenos fragmentos de fibras colágenas (seta), as futuras fibras de Sharpey, projetam-se da superfície da dentina (D) para dentro do ligamento periodontal (LP) antes que uma camada de cemento seja discernível. B. Posteriormente, as bases das fibras colágenas curtas (seta) estão inseridas no cemento mineralizado. C. Mesmo mais tarde, a maioria das fibras de colágeno agora são alongadas (setas) e continuam no espaço do ligamento periodontal. Cemento Celular Estratificado Misto (CCEM): ● Localiza-se no terço apical das raízes e nas áreas de ramificação. ● Contém tanto fibras extrínsecas quanto intrínsecas, e possui cementócitos, células que se inserem no cimento. ● Este tipo é denominado “cemento reativo” devido à sua habilidade de reagir rapidamente a tensões mecânicas. Cemento Celular de Fibras Intrínsecas (CCFI): ● Predomina em áreas de reabsorção radicular e é composto por fibras colágenas intrínsecas. ● Contém cementócitos nas lacunas do cimento e é denominado “cemento reparador” devido à sua função no processo de reparo após reabsorção. @ fro es od on to Seções de solo vistas sob luz polarizada ilustrando (A) cemento estratificado misto celular (CEMC) e (B) cemento celular de fibras intrínsecas (CCFI). As células pretas são cementócitos que residem em lacunas no CCFI. A seta aponta para processos citoplasmáticos. Função das Fibras e Células no Cemento: ● Fibras de Sharpey são continuadas do ligamento periodontal e inseridas tanto no cemento quanto no osso alveolar, sendo essenciais para a estabilização do dente. Elas se projetam desde a dentina até o espaço do ligamento periodontal. ● Cementócitos são células que residem nas lacunas do cemento e mantêm a vitalidade do tecido mineralizado, permitindo o transporte de nutrientes e escórias metabólicas. ● Cementoblastos são as células responsáveis pela produção do cemento e estão localizados na superfície do cemento, produzindo a matriz não mineralizada, chamada de cementoide. O CAFE continua a se formar ao longo da vida, embora com um crescimento muito lento. Esse tipo de cemento está mais mineralizado que o CCEM e o CCFI, e as fibras de Sharpey que atravessam o CAFE ligam diretamente a dentina ao ligamento periodontal. Considerações Histológicas: ● Sob microscopia eletrônica de varredura, é possível observar como as fibras de Sharpey atravessam o cemento mineralizado, conectando-se à dentina e se estendendo ao ligamento periodontal. ● Fibras oxitalânicas, encontradas especialmente no ligamento periodontal, também têm um papel importante na mecanotransdução entre a raiz do dente e o ligamento periodontal, mediando as forças aplicadas sobre o dente. Osso do processo alveolar Osso Alveolar: ● Função: Juntamente com o cimento e o ligamento periodontal, o osso alveolar faz parte do aparelho de inserção do dente, ou seja, mantém o dente fixado ao osso da mandíbula ou maxila. ● Localização: O osso alveolar é a parte do osso que recobre o alvéolo dentário. ● Remodelação: Passa por um processo de constante remodelação ao longo da vida, especialmente em @ fro es od on to resposta à oclusão e movimentação dos dentes. A reabsorção pós-exodontia (extração) é um processo comum, podendo levar a uma perda óssea considerável no alvéolo. ● Composição: O osso alveolar propriamente dito possui trabeculado e está intimamente ligado ao ligamento periodontal. As fibras de Sharpey (colágenas) inserem-se nesse osso, estabilizando a relação entre o dente e a estrutura óssea. Processo Alveolar: ● Desenvolvimento: Começa a se formar durante a vida intrauterina e continua seu desenvolvimento conforme o dente se forma. Assim, o osso alveolar acompanha o desenvolvimento dentário. ● Reabsorção: Após a extração do dente, o processo alveolar sofre reabsorção, o que pode levar à perda óssea na região onde o dente estava localizado. ● Espessura: A espessura do osso alveolar varia conforme a região. É mais espesso na distal de molares e pré-molares devido à maior carga de forças aplicadas nessas áreas durante a mastigação. Cortes transversais através do processo alveolar mandibular em níveis correspondentes aos terços coronal (A) e apical (B) das raízes. As setas indicam o osso do processo alveolar. L = lingual; V = vestibular. Osso Alveolar Propriamente Dito: ● Localização: Fica na parede interna do alvéolo, que é a área diretamente ao redor das raízes dos dentes. ● Reabsorção: Após a extração do dente, o osso alveolar propriamente dito é o que sofre a maior reabsorção, pois ele está diretamente relacionado ao dente perdido. @ fro es od on to ● Estrutura: É composto por um osso lamelar ou trabecular e é responsável por suportar as forças geradas pelo ligamento periodontal. Corte transversal através do processo alveolar da maxila no nível médio da raiz dos dentes. As setas indicam as paredes dos alvéolos, o osso alveolar propriamente dito. Seções verticais através de várias regiões da dentição mandibular. A parede óssea nas faces vestibular (V) e lingual (L) dos dentes varia consideravelmente em espessura. As setas indicam um processo ósseo semelhante a uma prateleira na face vestibular dos segundos e terceiros molares. Osso Basal: ● Função: Está localizado mais apicalmente, fora da região de inserção dentária, e tem a função de fornecer sustentação e distribuição de forças, sem estar diretamente relacionado com o dente. ● Espessura: Sua espessura varia conforme a região, mas é mais espesso em áreas que necessitam de maior suporte estrutural. ● Renovação: O osso basal também sofre remodelação constante, embora de maneira mais lenta e com menos variação comparado ao osso alveolar. Suprimento Sanguíneo do Periodonto e Gengiva Artéria Dentária Alveolar Superior e Inferior: ● Artéria Dentária: É um ramo da artéria dentária alveolar superior ou inferior. Ela emitea artéria intra-septal antes de penetrar no alvéolo. ● Artéria Intra-septal: A artéria intra-septal emite ramos terminais (ramos perfurantes) que penetram no osso alveolar pelos canais, irrigando o osso alveolar propriamente dito. ● Esses ramos anastomosam-se no espaço do ligamento periodontal, conectando-se com vasos da porção apical do ligamento periodontal e outros ramos terminais da artéria intra-septal. ● Porção Apical: Antes de penetrar no canal radicular, a artéria dentária fornece ramos para a porção apical do ligamento periodontal. Gengiva: ● A gengiva recebe suprimento sanguíneo principalmente dos vasos sanguíneos supraperiosteais. Estes @ fro es od on to são ramos de várias artérias, incluindo: ○ Artéria sublingual ○ Artéria mentoniana ○ Artéria bucal ○ Artéria facial ○ Artéria palatina maior ○ Artéria infra-orbitária ○ Artéria dentária superior posterior Inervação do Periodonto 1. Nervo Trigêmeo: ○ As ramificações nervosas que suprem o periodonto são todas derivadas do nervo trigêmeo e seguem o curso dos vasos sanguíneos. ○ O periodonto contém mecanoreceptores que registram sensações como dor, toque, pressão e temperatura. Além disso, possui proprioceptores, responsáveis por fornecer informações sobre os movimentos e a posição do dente, essenciais para a regulação das forças mastigatórias. 2. Inervação do Ligamento Periodontal: ○ Mandíbula: Os ligamentos periodontais da mandíbula são inervados pelo nervo alveolar inferior. ○ Maxila: Os ligamentos periodontais da maxila recebem inervação pelas ramificações dos nervos superiores anterior, médio e posterior. 3. Inervação da Gengiva: ○ Maxila: A gengiva maxilar é inervada pelos nervos: ■ Nervo infra-orbital (incisivos, caninos e pré-molares vestibulares) ■ Nervo superior anterior, médio e posterior (molares vestibulares) ■ Nervo palatino maior e nasopalatino ○ Mandíbula: A gengiva mandibular vestibular é inervada pelos nervos: ■ Nervo mentoniano (incisivos e caninos) ■ Nervo bucal (molares) ○ A área de inervação dos nervos mentoniano e bucal frequentemente se sobrepõe na região dos pré-molares. ○ Gengiva Lingual Inferior: A gengiva lingual inferior é inervada pelo nervo palatino maior, e a área dos incisivos é inervada pelo nervo pterigopalatino. @ fro es od on to Constituintes da lâmina própria: Células da lâmina própria Fibras da lâmina própria Matriz extracelular da lâmina própria Principais componentes da matriz extracelular: Fibras do Ligamento Periodontal Células do Ligamento Periodontal Função das Fibras e Células no Cemento: Considerações Histológicas: Osso Alveolar: Processo Alveolar: Osso Alveolar Propriamente Dito: Osso Basal: Suprimento Sanguíneo do Periodonto e Gengiva Inervação do Periodonto