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Literatura: Teoria e Metodologia de Ensino EXERCÍCIO AVALIATIVO 09 - Rota 01 - 1,11pts Questão 01 (ENEM) O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do porfessor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos: a) Condenam essa regra gramatical. b) Afirmam que não há regras para uso de pronomes. c) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra. d) Relativizam essa regra gramatical. e) Criticam a presença de regras na gramática. Questão 02 Em 1924, os surrealistas lançaram um manifesto no qual anunciaram a força do inconsciente na criação de novas percepções. Valorizavam a ausência de lógica das experiências psíquicas e oníricas, propondo novas experiências estéticas. Sobre o Surrealismo, é correto afirmar: a) baseia-se na razão, negando as oscilações do temperamento humano. b) busca limitar o psiquismo humano e suas manifestações, transfigurando-os em geometria a favor de uma nova ordem. c) concede mais valor ao livre jogo da imaginação individual do que à codificação dos ideais da sociedade ou da história. d) acredita que a liberação do psiquismo humano se dá por meio da sacralização da natureza. e) destaca que o fundamental, na arte, é o objeto visível em detrimento do emocionalismo subjetivo do artista. Questão 03 (ENEM) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada… Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras! Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.” (José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações). Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha: a) retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana europeia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil. b) tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa. c) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a europeia. d) imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura europeia universalizada. e) compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional. Questão 04 (FESP-PE) "Quando as casas baixarem de preço,/ Laura Moura, prenda minha,/ Uma delas será sua sem favor./ Lá fora a bulha da cidade/ Disfarçará nosso prazer.../ E a gente, numa rede maranhense,/ Ao som dum jazz bem blue,/ Balancearemos no calor da noite,/ Sonhando com o sertão." Assinale a afirmativa que não constitui característica do Modernismo e que, assim, não se aplica ao texto acima. a) Integração na nossa cultura de manifestações artísticas estrangeiras. b) Síntese poética da nacionalidade pela integração de diversos aspectos culturais do país. c) Aproximação dos padrões da linguagem coloquial. d) Valorização poética de aspectos da realidade tradicionalmente considerados prosaicos. e) Utilização de versos simétricos, porém brancos. Questão 05 (UEL-PR) As reações negativas do público à Semana de Arte Moderna refletem: a) o pouco amadurecimento dos autores para propostas de vanguarda. b) a fixação do espírito brasileiro no propósito de menosprezo das criações nacionalistas. c) a aversão dos autores em se comunicar com o público presente no Teatro Municipal de São Paulo. d) a preferência pelas manifestações artísticas já cristalizadas nas linhas do academicismo. e) a possibilidade do futuro fracasso do Modernismo como movimento estético literário. Questão 06 (ENEM 2010) (Tarsila do Amaral. “O mamoeiro”, 1925. Óleo s/ tela; 65 x 70 cm. IEB-USP.) O modernismo brasileiro teve forte influência das vanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente. Tomando como referência o quadro “O mamoeiro”, identifica-se que, nas artes plásticas, a a) imagem passa a valer mais que as formas vanguardistas. b) natureza passa a ser admirada como um espaço utópico. c) forma apresenta contornos e detalhes humanos. d) forma estética ganha linhas retas e valoriza o cotidiano. e) imagem privilegia uma ação moderna e industrializada. Questão 07 (ENEM) Psicologia de um vencido “Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância… Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme – este operário das ruínas – Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!” (ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. ) A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de transição designada como pré-modernista. Com relação à poética e à abordagem temática presentes no soneto, identificam-se marcas dessa literatura de transição, como a) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença de rimas, o vocabulário requintado, além do ceticismo, que antecipam conceitos estéticos vigentes no Modernismo. b) a ênfase no processo de construção de uma poesia descritiva e ao mesmo tempo filosófica, que incorpora valores morais e científicos mais tarde renovados pelos modernistas. c) a seleção lexical emprestada do cientificismo, como se lê em “carbono e amoníaco”, “epigênesis da infância”, “frialdade inorgânica”, que restitui a visão naturalista do homem. d) a manutenção de elementos formais vinculados à estética do Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação na expressividade poética e o desconcerto existencial. e) o empenho do eu lírico pelo resgate da poesia simbolista, manifesta em metáforas como “Monstro de escuridão e rutilância” e “Influência má dos signos do zodíaco”. Questão 08 (UFRRJ) Fragmento de Triste fim de Policarpo Quaresma “Policarpo era patriota. Desde moço, aí pelos vinte anos, o amor da Pátria tomou-o todo inteiro. Não fora o amor comum, palrador e vazio; fora um sentimento sério, grave e absorvente. ( … ) o que o patriotismo o fez pensar, foi num conhecimento inteiro de Brasil. ( … ) Não se sabia bem onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo: Quaresma era antes de tudo brasileiro.” (BARRETO, Lima. “Triste fim de Policarpo Quaresma”. São Paulo: Scipione, 1997.) Este fragmento de “Triste Fim de Policarpo Quaresma” ilustra uma das características mais marcantes do Pré-Modernismo que é o a) subjetivismo poético, tão bem representado pelo protagonista. b) nacionalismoufanista e exagerado, herdado do Romantismo. c) resgate de padrões estéticos e metafísicos do Simbolismo. d) desejo de compreender a complexa realidade nacional. e) nacionalismo utópico e exagerado, herdado do Parnasianismo.