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2023 by Editora e-Publicar Copyright © Editora e-Publicar Copyright do Texto © 2023 Os autores Copyright da Edição © 2023 Editora e-Publicar Direitos para esta edição cedidos à Editora e-Publicar Editora Chefe Patrícia Gonçalves de Freitas Editor Roger Goulart Mello Diagramação Dandara Goulart Mello Roger Goulart Mello Projeto gráfico e capa Patrícia Gonçalves de Freitas Revisão DOI Os organizadores https://dx.doi.org/10.47402/ ed.ep.b23620454 Open access publication by Editora e-Publicar ENSINO & SOCIEDADE: PRÁTICAS INTERDISCIPLINARES Todo o conteúdo dos capítulos desta obra, dados, informações e correções são de responsabilidade exclusiva dos autores. O download e compartilhamento da obra são permitidos desde que os créditos sejam devidamente atribuídos aos autores. É vedada a realização de alterações na obra, assim como sua utilização para fins comerciais. A Editora e-Publicar não se responsabiliza por eventuais mudanças ocorridas nos endereços convencionais ou eletrônicos citados nesta obra. Conselho Editorial Adilson Tadeu Basquerote Silva – Universidade Federal de Santa Catarina Alessandra Dale Giacomin Terra – Universidade Federal Fluminense Andréa Cristina Marques de Araújo – Universidade Fernando Pessoa Andrelize Schabo Ferreira de Assis – Universidade Federal de Rondônia Bianca Gabriely Ferreira Silva – Universidade Federal de Pernambuco Cristiana Barcelos da Silva – Universidade do Estado de Minas Gerais https://dx.doi.org/10.47402/ Cristiane Elisa Ribas Batista – Universidade Federal de Santa Catarina Daniel Ordane da Costa Vale – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Danyelle Andrade Mota – Universidade Tiradentes Dayanne Tomaz Casimiro da Silva - Universidade Federal de Pernambuco Deivid Alex dos Santos - Universidade Estadual de Londrina Diogo Luiz Lima Augusto – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Edilene Dias Santos - Universidade Federal de Campina Grande Edwaldo Costa – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Elis Regina Barbosa Angelo – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Érica de Melo Azevedo - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro Ernane Rosa Martins - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás Ezequiel Martins Ferreira – Universidade Federal de Goiás Fábio Pereira Cerdera – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Francisco Oricelio da Silva Brindeiro – Universidade Estadual do Ceará Glaucio Martins da Silva Bandeira – Universidade Federal Fluminense Helio Fernando Lobo Nogueira da Gama - Universidade Estadual De Santa Cruz Inaldo Kley do Nascimento Moraes – Universidade CEUMA Jaisa Klauss - Instituto de Ensino Superior e Formação Avançada de Vitória Jesus Rodrigues Lemos - Universidade Federal do Delta do Parnaíba João Paulo Hergesel - Pontifícia Universidade Católica de Campinas Jose Henrique de Lacerda Furtado – Instituto Federal do Rio de Janeiro Jordany Gomes da Silva – Universidade Federal de Pernambuco Jucilene Oliveira de Sousa – Universidade Estadual de Campinas Luana Lima Guimarães – Universidade Federal do Ceará Luma Mirely de Souza Brandão – Universidade Tiradentes Marcos Pereira dos Santos - Faculdade Eugênio Gomes Mateus Dias Antunes – Universidade de São Paulo Milson dos Santos Barbosa – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba - IFPB Naiola Paiva de Miranda - Universidade Federal do Ceará Rafael Leal da Silva – Universidade Federal do Rio Grande do Norte Rodrigo Lema Del Rio Martins - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Willian Douglas Guilherme - Universidade Federal do Tocantins Catalogação na publicação Elaborada por Bibliotecária Janaina Ramos – CRB-8/9166 E59 Ensino e sociedade: práticas interdisciplinares / Organizadores Janaína Ribeiro Pireda Teixeira Lima, Lucas Capita Quarto. – Rio de Janeiro: e-Publicar, 2023. Livro em PDF ISBN 978-65-5364-245-4 DOI 10.47402/ed.ep.b23620454 1. Ensino. 2. Educação. I. Lima, Janaína Ribeiro Pireda Teixeira (Organizadora). II. Quarto, Lucas Capita (Organizador). III. Título. CDD 370.7 Editora e-Publicar Rio de Janeiro, Brasil contato@editorapublicar.com.br www.editorapublicar.com.br 2023 http://www.editorapublicar.com.br/ Apresentação A interdisciplinaridade é o processo de inclusão de duas ou mais áreas do conhecimento, buscando um diálogo entre elas. A docência possui inúmeros desafios nas diferentes escalas de aprendizado. As ações propostas pelos docentes devem levar em consideração a construção do conhecimento do aluno além da formação e a bagagem que ele carrega. Sendo assim, esta proposta busca reunir diálogos relacionados à educação infantil, inclusiva, superior etc., com o intuito de propor uma reflexão acerca dos assuntos mais pertinentes sobre o ensino nacional na atualidade. Esta obra denominada “Ensino e sociedade: práticas interdisciplinares” inclui-se em um processo mais amplo de reflexões e inquietudes relacionadas ao processo de ensino atual. O movimento de escrita foi feito de maneira coletiva, reunindo artigos de diversos colaboradores, sendo cada autor responsável pela criação de seu capítulo. Cada capítulo narra sua própria perspectiva acerca da relevância da educação. Frente ao exposto, desejamos que esta leitura possa contribuir de alguma forma no desenvolvimento de novas pesquisas sobre a temática. Os organizadores Sumário CAPÍTULO 1 ........................................................................................................................ 9 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NA ERA DIGITAL: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA ..9 Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima Lucas Capita Quarto Eliana Crispim França Luquetti CAPÍTULO 2 ...................................................................................................................... 19 AS CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO SUPERIOR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................................ 19 Carolina Fragoso Gonçalves Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima Bianka Pires Andre CAPÍTULO 3 ...................................................................................................................... 27 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS E AS METODOLOGIAS ATIVAS: UMA DISCUSSÃO TEÓRICA ......................................................................................................................... 27 Lucas Capita Quarto Janaína Ribeiro Pireda Teixeira Lima Cristina de Fátima de Oliveira Brum Augusto de Souza Fernanda Castro Manhães CAPÍTULO 4 ...................................................................................................................... 43 ATIVIDADES REMOTAS NA EDUCAÇÃO INFANTL EM PERÍODO DE PANDEMIA: PROBLEMAS DE BAIXA ADESÃO NAS ATIVIDADES ............................................... 43 Rachel Santa Rosa Magioni Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 5 ...................................................................................................................... 54 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE MOEBIUS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ESTUDO DE CASO ...................................... 54 Prissilla Da Silva Alexandria Janaína Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 6 ...................................................................................................................... 73 GESTÃO DEMOCRÁTICA E O PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL ......... 73 Damiana Da Silva Souza Grandi Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 7 ......................................................................................................................86 MULHERES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LIBERDADE E EMPODERAMENTO....................................................................................................... 86 Ana Claudia Coutinho Amorim Lucas Capita Quarto CAPÍTULO 8 ...................................................................................................................... 99 NASCIDOS NA MATRIX: A INFLUÊNCIA DAS TIC NA COGNIÇÃO E NO COMPORTAMENTO DOS ALUNOS NATIVOS DIGITAIS ........................................... 99 Sangelo Corrêa Neves CAPÍTULO 9 .................................................................................................................... 108 O FLORESCER DA INCLUSÃO: POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO MUNICÍPIO DE RIO DAS FLORES .................................................. 108 Vilma De Souza E Silva Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 10 .................................................................................................................. 118 OS RECURSOS TECNOLÓGICOS COMO FERRAMENTA NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM TEMPOS DE PANDEMIA ....................................................... 118 Joziana Dias Tavares Ramos Lucas Capita Quarto CAPÍTULO 11 .................................................................................................................. 129 REFLEXÕES ACERCA DOS MÉTODOS DE ENSINO A DISTÂNCIA, REMOTO E HÍBRIDO: A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA ........................................... 129 Cristina de Fátima de Oliveira Brum Augusto de Souza Lucas Capita Quarto Juliana da Conceição Sampaio Lóss Fernanda Castro Manhães CAPÍTULO 12 .................................................................................................................. 138 TRANSIÇÃO DA LETRA BASTÃO PARA A LETRA CURSIVA ................................. 138 Ana Clara Figueiredo Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 13 .................................................................................................................. 147 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: AUTONOMIA E PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS ESCOLARES .......................................................................................... 147 Simone da Silva dos Santos Lucas Capita Quarto ORGANIZADORES ........................................................................................................ 157 Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 9 CAPÍTULO 1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NA ERA DIGITAL: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima Lucas Capita Quarto Eliana Crispim França Luquetti RESUMO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento e se caracteriza por dificuldades na interação social do indivíduo, além de comportamentos repetitivos sejam motores ou na fala. Dessa forma, o processo de alfabetização de letramento nessas crianças tende a ser mais comprometido e necessita diferentes abordagens quando comparado a outras crianças típicas. As mais diversas ferramentas de Tecnologias da Informação e Comunicação podem ser uma alternativa para uma alfabetização diferenciada de crianças com TEA. Como objetivo, esta pesquisa busca entender como a alfabetização e o letramento de crianças com Transtorno do Espectro Autista pode se dar através do uso de ferramentas tecnológicas como tablets, celulares e computadores. Como metodologia, este artigo tem como proposta fazer uma pesquisa bibliométrica dos principais estudos envolvendo TEA e a alfabetização por meio de tecnologias digitais. Foi possível constatar que atualmente não só os professores de alunos com TEA mas de outras necessidades especiais, estão preferindo trabalhar com mecanismos digitais pois facilita a compreensão e o aprendizado, além de possibilitar a ludicidade. PALAVRAS-CHAVE: Autismo. Alfabetização. Tecnologias. INTRODUÇÃO O transtorno do Espectro Autista é um distúrbio neurológico cada dia mais debatido no meio educacional. Por se tratar de um transtorno que afeta a forma como a pessoa se comunica e se relaciona com as demais, dentro da esfera educacional surgem diversas teorias de como se aproximar desses alunos e tornar o processo de ensino-aprendizagem mais efetivo. Segundo Nunes, Azevedo e Schmidt (2013), “o autismo é uma condição classificada no DSM-5 como pertencente à categoria denominada Transtornos de Neurodesenvolvimento, recebendo o nome de Transtornos do Espectro Autista (TEA)”, possuindo três características principais, em diferentes níveis. A primeira está ligada à dificuldade de comunicação, a segunda na dificuldade de socialização e a terceira no uso da imaginação. Sendo assim, a criança com TEA sofre com alterações cognitivas que podem prejudicar mais ou menos a aprendizagem. Surian (2010) apud. Lima (2021) afirma que o autismo é um transtorno do desenvolvimento neuropsicológico caracterizado por dificuldades acentuadas e persistentes na interação social, comunicação, interesses e atividades. Além disso, o autor ainda Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 10 afirma que a falta de habilidades sociais pode dificultar o desenvolvimento de amizades próximas. A alfabetização é um processo que leva à aprendizagem básica e inicial da leitura e escrita. Para Val (2006) a pessoa alfabetizada é aquela que domina habilidades básicas ao fazer o uso das palavras. Ainda de acordo com Val (2006), é possível definir a alfabetização como um processo específico e indispensável para a apropriação do sistema de leitura e escrita, onde o aluno passa a conquistar os primeiros princípios fonéticos e ortográficos capazes de permitir autonomia. “Noutras palavras, alfabetização diz respeito à compreensão e ao domínio do chamado “código” escrito, que se organiza em torno de relações entre a pauta sonora da fala e as letras (e ouras convenções) usadas para representá-la, a pauta, na escrita.” (VAL, 2006, p. 19). Partindo da definição de alfabetização, o letramento é a capacidade de pôr em prática aquilo que a criança leu. O processo do letramento estimula a criança a ir além das palavras do texto, transformando o processo de leitura e escrita em práticas sociais. Segundo Coelho (2010), o letramento, por sua vez, é um fenômeno de cunho social e salienta as características sócio históricas da aquisição de um sistema de escrita por um grupo social. Sendo assim, o letramento tem como objetivo ampliar o ato de alfabetizar, de inserir no ato educativo um sentido social de aprender a ler e a escrever. Fica claro, portanto, que as condições para um processo de alfabetização e letramento eficazes em crianças com Transtorno de Espectro Autista demandam muito mais do professor dada as características da síndrome. Sendo assim, esta pesquisa tem como objetivo compreender como as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), por meio da era digital podem auxiliar o professor e facilitar o processo de alfabetização dessas crianças. Para isso, este trabalho se propõe a fazer uma análise bibliométrica, a fim de encontrar os principais estudos relacionando alfabetização de autistas e Tecnologias Digitais. 1. O processo de alfabetização e letramento de crianças autistas na era digital Por se tratar de uma síndrome que não tem cura, os medicamentos servem apenas para combater alguns sintomas específicos. Farias (2014) afirma que as debilidades inerentes à pessoa autista prejudicam a aprendizagem desses indivíduos uma vez que eles têm dificuldade de concentração e organização, sequenciamento de atividades e dificuldade em interagir com as pessoas ao redor. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 11 Segundo Coelho (2010), para que os alunos possam compreender as regras da leiturae escrita, é preciso que eles tenham a capacidade de entender os funcionamentos da língua, os mecanismos do sistema alfabético e da ortografia da língua Portuguesa e do uso geral da escrita. Quanto ao letramento, é importante propor reflexões sobre o uso da língua, sua função social e conhecimentos básicos do mundo ao seu redor. O autor ainda afirma que “um procedimento útil para familiarizar os alunos com as marcas de segmentação da escrita, adotado por muitos professores no começo do processo de alfabetização, é o de ler em voz alta para as crianças, apontando cada palavra lida e os sinais de pontuação no final das frases.” (COELHO, 2010, p. 80) Orrú (2009) afirma que [...] apesar de se tratarem de indivíduos com necessidades especiais, alguns com considerável déficit cognitivo, o tratamento multidisciplinar baseado em metodologias amplamente testadas e mundialmente utilizadas, promovem resultados bastante animadores, favorecendo uma compreensão de mundo a essas crianças que muito colaboram com a sua alfabetização. (ORRÚ, 2009, p. 17). Devido as características de crianças autistas, elas acabam isoladas de outras crianças com desenvolvimento típico. Desta forma, o isolamento não é a preferência pessoal de uma criança e muitas vezes resulta da falta de compreensão de suas necessidades, resultando em falta de capacidade de resposta e interação. (FERNANDES, 2019) Entretanto, a tecnologia hoje é capaz de auxiliar o professor e facilitar o processo de alfabetização dessas crianças, através de jogos, aplicativos e aparelhos audiovisuais. Segundo Santos (2010), as tecnologias assistivas podem ser utilizadas como “recursos que visam a expansão de possibilidades dos portadores de necessidades especiais”. Para Fernandes (2019), enquanto típicas, ou seja, sem necessidades especiais, o uso da tecnologia é um facilitador, para o indivíduo autista, a tecnologia é um objeto de inclusão. Fernandes (2019) afirma que além do uso das novas tecnologias, utilizadas pelo professor em sala de aula, existem programas que podem ser utilizados de forma individual. Esses programas vêm sendo desenvolvidos em números crescentes nos últimos anos, sobretudo pelo adendo das tecnologias para dispositivos moveis (smartphones e tablets), uma vez que os sistemas operacionais para esses dispositivos oferecem uma forma fácil de publicação de programas (denominados aplicativos ou apps) em lojas virtuais amplamente conhecidas pelos usuários. (FERNANDES, 2019, p. 10 -11). A seguir, serão apresentados os principais aplicativos voltados para o público autista disponíveis na Playstore e Apple Store. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 12 Tabela 1: Jogos para dispositivos móveis com foco em alfabetização. Título Descrição Google Play App Store ABC Autismo Possui jogos baseados em atividades do método TEACCH. Em um dos seus níveis de jogo possui atividades de letramento. Gratuita Gratuita ABC Autismo - Animais Possui mesmas funcionalidades que o aplicativo ABC Autismo; porém, com temática diferente Pago R$ 3,99 Não disponível Autism Early Intervention App Possui atividades para auxiliar crianças com TEA que apresentem dificuldades na área de alfabetização. Freemium de R$ 8,99 a R$ 75,99 Não disponível Autism Read & Write Apresenta atividades simples de escrita e leitura com foco em crianças com TEA Gratuito Não disponível Jade Autism Possui jogos de associação onde algumas das atividades fazem relacionamento com letras e imagens. Gratuita Não disponível Brainy Mouse Único jogo com foco exclusivo em alfabetização. O personagem é um ratinho que anda por um restaurante juntando sílabas que formam os nomes dos ingredientes dos pratos. Pago R$ 4,09 Com compras dentro do app Pago R$ 3,90 Com compras dentro do app Fonte: Elaborado pelos autores com base em FERNADES, 2019. 2. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, tendo sido realizada uma busca avançada nas bases de dados Scopus utilizando os descritores Alfabetização, Letramento, Autismo e digital, combinados entre si, em inglês. Para a seleção do estudo considerou-se as pesquisas realizadas sobre a temática partir de uma primeira publicação, com o interesse em descobrir de quanto se trata as primeiras publicações sobre o uso de softwares como facilitador da aprendizagem de autistas. Sendo assim, foram estabelecidos os seguintes critérios de exclusão para elaboração de referencial teórico: a) artigos cujos estudos estivessem voltados à esfera da saúde; b) artigos repetidos em diferentes idiomas. 3. RESULTADOS DE DISCUSSÃO Foram empregados os buscadores Literacy AND autism AND digital obtendo 2654 resultados dos quais 13% foram eliminados após a aplicação dos critérios de exclusão. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 13 Gráfico 1: distribuição dos artigos por país. Fonte: Elaborado pelos autores. 2022. Gráfico 2: Distribuição dos artigos área. Fonte: Elaborado pelos autores. 2022. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 14 Gráfico 3: Distribuição dos artigos por tipo de documento. Fonte: Elaborado pelos autores. 2022. Gráfico 4: Distribuição dos artigos por ano de publicação. Fonte: Elaborado pelos autores. 2022. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 15 Gráfico 5: distribuição dos artigos por IES. Fonte: elaborado pelos autores. 2022 Gráfico 6: distribuição dos artigos por autor Fonte: Elaborado pelos autores. 2022. Após a análise dos dados, foi possível concluir que a partir de 2011 houve um crescimento de publicações relacionadas à temática se comparada à década anterior. Entretanto, apenas a partir de 2020 encontrando seu ápice devido à pandemia de covid-19. Estima-se que com as aulas remotas e o intenso uso de tecnologias o olhar para o uso de recursos tecnológicos tenha se ampliado. A maior concentração de publicações está em formato de artigo (57%) nas áreas de ciências sociais (32.4%) e ciência da computação (16%). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 16 Em relação à localidade, o país com o maior número de publicações é os Estados Unidos (1027) pela Universidade da Pensilvânia. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso de aparelhos celulares, computadores e tablets está cada vez maior entre as crianças. A cada ano, mais cedo as crianças passam a possuir aparelhos digitais. (DE LIMA; FERREIRA, 2022). Dessa forma, esta pesquisa buscou compreender como a alfabetização e o letramento de crianças com Transtorno do Espectro Autista pode ser facilitada através do uso de ferramentas tecnológicas como tablets, celulares e computadores. Para isso feita uma revisão de literatura e averiguou-se que o uso de aplicativos atualmente pode ser uma excelente ferramenta facilitadora desse processo tão importante, já que crianças autistas têm dificuldade de aprendizado. Após, foi realizada uma revisão bibliométrica com o intuito de compreender quais as principais publicações envolvendo o TEA com a utilização de ferramentas digitais. Constatou-se que o olhar voltado à temática passou a ser ampliada devido ao grande volume de pesquisas a partir de 2020 após a pandemia de covid-19. Diante dos artigos analisados, foi observada a importância e a necessidade de um novo olhar a respeito do uso das ferramentas digitais no ambiente educacional com a finalidade de proporcionar a alfabetização e o letramento de crianças com TEA. Por fim, conclui-se que os artigos analisados apresentaram importantes contribuições para que seja possível rever a forma como a alfabetização de crianças autistas tem sido empregada no cotidiano escolar, assim como compreenderque o uso de ferramentas tecnológicas são importantes recursos que devem ser utilizados. REFERÊNCIAS CASELLA, E. B.; CELERI, E. H. R. V.; MONTENEGRO, M. A. Transtorno do Espectro Autista – TEA: manual prático de diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: Thieme Revinter; 2018. COELHO, Silmara; CASTRO, Magali. O processo de letramento na educação infantil. Pedagogia em ação, v. 2, n. 2, p. 79-85, 2010. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 17 DA SILVA, Josiane Almeida et al. As tecnologias digitais da informação e comunicação como mediadoras na alfabetização de pessoas com transtorno do espectro do autismo: uma revisão sistemática da literatura. Texto Livre: Linguagem e Tecnologia, v. 13, n. 1, p. 45-64, 2020. DE FARIA, Evangelina Maria Brito; DA SILVA, Soraya Gonçalves Celestino. Uma proposta com multiletramentos no atendimento educacional especializado na alfabetização do aluno autista. Revista de Educação PUC-Campinas, v. 26, 2021. DE LIMA, Álida Fernanda Pereira Rocha; FERREIRA, Bruna Milene. GERAÇÃO NASCIDA NA ERA DIGITAL: A CIBERDEPÊNDENCIA NA INFÂNCIA. EDUCAÇÃO E CULTURA EM DEBATE, v. 8, n. 2, p. 22-29, 2022. FARIAS, Ezequiel B.; SILVA, Leandro WC; CUNHA, Mônica XC. ABC AUTISMO: Um aplicativo móvel para auxiliar na alfabetização de crianças com autismo baseado no Programa TEACCH. In: Anais do X Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação. SBC, 2014. p. 458-469. FERNANDES, MAICRIS. Jogo assistivo para auxiliar no processo de alfabetização de crianças com transtornos do espectro do autismo. (Dissertação de mestrado). Pontifícia Universidade Católica Do Paraná. 2019. FONSECA, M. E. G.; CIOLA, J. C. B. Vejo e aprendo: fundamentos do Programa TEACCH o ensino estruturado para pessoas com autismo. 2 ed. Ribeirão Preto, SP: Book Toy, 2016. FRANKE, Jacira Teixeira. Uso de tecnologias na alfabetização de autistas. (Dissertação de mestrado). 2018. KANNER, L. Autistic disturbances of affective contact. Nervous Child. 2(1), p. 217-50, 1943. LIMA, Janaina Ribeiro Pireda Teixeira. A importância da inclusão de alunos com transtorno do espectro autista no ensino regular. In: Márcia Moreira de Araújo; Carlos Jordan Lapa Alves. (Org.). Educação: Minorias, Práticas e Inclusão 2. 2ed.Ponta Grossa: Atena Editora, 2021, v., p. 78-89. MARTINS, Edson; SPECHELA, L. A importância do letramento e da alfabetização. Revista Eletrônica do Curso de Pedagogia das Faculdades, p. 1773, 2012. NUNES, Debora Regina de Paula; AZEVEDO, Mariana Queiroz Orrico; SCHMIDT, Carlo. Inclusão educacional de pessoas com Autismo no Brasil: uma revisão da literatura. Revista Educação Especial, v. 26, n. 47, p. 557-572, set./dez. 2013. Santa Maria Disponível em: http://www.ufsm.br/revistaeducacaoespecial ORRÚ, S. E. Autismo, linguagem e educação: interação social no cotidiano escolar. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2009. SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista brasileira de educação, p. 5-17, 2004. http://www.ufsm.br/revistaeducacaoespecial Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 18 VAL, Maria da Graça Costa. O que é ser alfabetizado e letrado? 2004. In: CARVALHO, Maria Angélica Freire de (org.). Práticas de Leitura e Escrita. 1. Ed. Brasília: Ministério da Educação, 2006. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 19 CAPÍTULO 2 AS CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO SUPERIOR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Carolina Fragoso Gonçalves Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima Bianka Pires Andre RESUMO A permanência do indivíduo na universidade está inteiramente relacionada com a sociedade. A evasão escolar no ensino superior é um problema social que acaba comprometendo diretamente a educação no país. Ela ocorre quando os alunos precisam deixar a escola e pode ser influenciada por fatores internos ou externos, capazes de desestimular o aluno e afetar a gestão escolar. Este artigo tem como objetivo apresentar as principais causas que levam o estudante a desistirem de seus no meio do percurso. PALAVRAS-CHAVE: evasão escolar; educação; ensino superior. INTRODUÇÃO A evasão é um problema que preocupa as instituições de ensino de uma forma geral. Conforme o Resumo Técnico do Censo da Educação Superior (MEC/INEP, 2009), os índices na esfera universitária são altos e vêm sendo um fato cada vez mais atual nas Instituições de Ensino Superior (IES). Em 2007, o Plano Nacional de Educação (PNE) fixou a meta de reduzir a taxa de evasão de alunos do ensino superior. A evasão está conexa a vários fatores, divididos em internos e externos. Os fatores internos são relacionados ao curso, e podem ser classificados em: infraestrutura, corpo docente e a assistência socioeducacional. Os fatores externos relacionam-se ao aluno, tais como: vocação, aspectos socioeconômicos e problemas de ordem pessoal. (PAREDES, 1994). Estudantes que começam a graduação e abandonam são desperdícios sociais, acadêmicos e econômicos. No domínio privado significa perda de receitas, no setor público são recursos investidos sem o devido retorno. Em ambos os casos, a evasão é uma fonte de inatividade de docentes, servidores, equipamentos e espaço físico. (SILVA FILHO et al., 2007). Existem ainda insuficientes literaturas, análises e discussões sobre o assunto. Dentre os estudos encontrados destacam-se os realizados por Braga, Pinto e Cardeal (1997); Veloso e Almeida (2001); Cunha, Tunes e Silva (2001); Bôas (2003); Silva Filho et al. (2007), que procuram compreender e explicar as possíveis causas e consequências da evasão no ensino superior em geral. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 20 Historicamente, o ensino superior público tem beneficiado a uma minoria; existem poucas vagas em relação à ampla demanda. As vagas destinadas ao vestibular tradicional são em sua maior parte tomadas por aqueles que têm maior capital financeiro e fizeram o ensino médio em instituições particulares. Um outro fato é que a maioria das vagas nas IES públicas são preenchidas por brancos. (IBGE, 2006). Sendo assim, esta pesquisa tem como objetivo, através de uma revisão de literatura, analisar quais são as principais causas da evasão escolar atualmente. 1. EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR O MEC/ SESU (1997) através da Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras classifica a evasão no ensino superior em três tipos: evasão de curso, quando o estudante desliga-se do curso de origem sem concluí-lo (transferência interna ou aprovação no vestibular para outro curso na mesma instituição); evasão de instituição, quando ele abandona a IES na qual está matriculado (transferência externa ou aprovação no vestibular para curso em outra instituição); e evasão de sistema quando o aluno se ausenta de forma permanente ou temporária da academia (desistência). São raras as IES brasileiras que possuem uma assistência institucional profissionalizada de combate à evasão. Esta pode ser um reflexo da falta de uma política de permanência do aluno no curso e irá continuar enquanto as instituições não se preocuparem em combatê-la. (VELOSO e ALMEIDA, 2001; SILVA FILHO et. al, 2007). Segundo Silva Filho et al. (2007, p. 647), “a evasão no ensino superior é um problema que atinge até mesmo o cenário internacional, afetando os resultados dos sistemas educacionais, além disso, são desperdícios sociais, acadêmicos e econômicos”. Já para Costa (1991) apud. Silva Filho (2007), a evasão pode ser entendida como a saída do estudante da universidade ou de um de seus cursos, de maneira definitiva ou temporária, por qualquer motivo, financeiro, econômico ou social, exceto a diplomação, pois segundo os autores, a evasão no ensino superioré que engloba diferentes fatores, tipos e causas. No entanto, Lobo (2012) indica que o estudo da evasão deve ser analisado através de uma política governamental geral voltada à qualidade acadêmica. Com os incentivos financeiros necessários, a fim de desenvolver pesquisas e estudos que permitam combater com eficiência a problemática da evasão. A evasão está ligada a diversos fatores que são comumente Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 21 classificados em internos e externos. A seguir, são destacadas as causas da evasão mais referenciadas na literatura. 2. CAUSAS INTERNAS Em um primeiro momento, é importante destacar as causas internas que levam ao aluno à desistência do curso. As deficiências nas estruturas físicas das universidades são apontadas como um dos fatores que interferem nos índices da evasão. Características como: disponibilidades de equipamentos de informática, laboratórios de ensino, qualidade do espaço físico, bibliotecas e instalações são alguns dos fatores que influenciam no desempenho dos alunos no que tange ao interesse educacional e ao rendimento escolar. (MEC/ SESU, 1997). Não obstante, a má atuação do corpo docente contribui para que o aluno desista do curso. Entendendo que os primeiros períodos do curso são os que exercem maior impacto sobre o universitário, os professores, principalmente destes períodos, deveriam desenvolver práticas metodológicas qualificadas, motivadoras e significativas para que o acadêmico interagisse com os seus professores e colegas, criando um vínculo com a instituição de ensino. (MEC/ SESU, 1997; BARDAGI, 2007). Bardagi (2007) ainda afirma que a assistência socioeducacional precisa ser entendida como o conjunto de projetos e/ou ações que visam a integração do aluno com a universidade, sua permanência nela e seu bom desenvolvimento acadêmico. Pesquisas como as de Cunha, Tunes e Silva (2001) e Bôas (2003), indicaram que a evasão tende a crescer se a universidade não envolver seus alunos em atividades de pesquisa e extensão. Estas atividades permitem a interação entre teoria e prática, colocando o aluno em contato com a sociedade. É possível observar que os fatores internos, relacionados à parte acadêmica e administrativa da universidade infere fortes relações quanto à evasão escolar. Com relação à grade curricular, Velosos & Almeida (2001) apontam que quando desatualizada, a grade curricular de um curso fica incompatível com as demandas da sociedade, do mercado e não se ajusta às exigências da profissão. O turno de funcionamento do curso também pode influenciar no número de alunos evadidos, além de muitos desistirem por apresentar dificuldades de rendimento em algumas disciplinas fundamentais de seus cursos. (MEC/ SESU, 1997). Além disso, destaca-se também que os alunos com maiores necessidades socioeconômicas sentem dificuldades em permanecerem na universidade quando não há programas de auxílio que dependem também de infraestrutura oferecida pela instituição, como: Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 22 moradia, restaurante universitário, salas de informática com acesso à internet, creche etc. (PENIN, 2004; DANTAS e ARAUJO, 2005). 3. CAUSAS EXTERNAS Em relação às causas externas pode-se destacar a falta de orientação profissional por parte do aluno. São muitos os que entram no curso sem conhecer a profissão e acabam sendo desestimulados quando percebem que a futura carreira não lhe proporciona satisfação pessoal. Para evitar isso se torna necessário oferecer aos estudantes informações mais precisas sobre os cursos superiores desde o ensino médio. (LISBOA, 2002; MACHADO, 2002; ZABALZA, 2002). Ligado a isso, a maioria dos alunos que se matricula no ensino superior realiza sua opção profissional numa faixa etária muito precoce. Pesquisas apontam um alto índice de evasão por causa das decisões profissionais imaturas feitas por jovens que fazem suas escolhas com base em informações mínimas, geralmente distorcidas e idealizadas sobre o curso. (LEVENFUS e NUNES, 2002; LEVENFUS, 2004). Não obstante, o desencanto e a desmotivação em continuar o curso escolhido como segunda opção ocorre frequentemente em instituições que permitem que o candidato faça o vestibular para mais de um curso. Muitos se matriculam apenas para cursar o nível superior ou como meio para alcançar o curso efetivamente desejado, seja através de transferência interna, seja por transferência externa. (MEC/ SESU, 1997). Enquanto muitos pais desejam que os filhos tentem vestibular para os cursos que queriam fazer e não tiveram sucesso, outros desejam para os filhos o que irá render mais dinheiro e que dê estabilidade em breve. Porém no trajeto da academia alguns alunos que foram influenciados pelos pais ao constarem que não se adaptam à profissão, acabam desistindo. (MEC/ SESU, 1997; LEVENFUS e NUNES, 2002). Com base nessa premissa, os jovens ao se sentirem cobrados pela família a entrar na faculdade logo que concluem o ensino médio e a própria pressão individual fazem com que muitas vezes escolham um curso pela facilidade de ingresso sem ao menos conhecer a profissão. A consequência para muitos será a desistência do curso ou a dificuldade em concluí-lo. (MEC/ SESU, 1997; LEVENFUS e NUNES, 2002). Escolher o curso pela baixa concorrência pode gerar desinteresse e necessidade de buscas de novas alternativas para aqueles que querem um curso com status social e que lhe Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 23 garanta altas remunerações futuramente. Pois as baixas remunerações no mercado de trabalho diminuem a demanda pelo curso. (MEC/ SESU, 1997). Diante do exposto, é possível observar que fatores externos, inerentes à IES, podem influenciar na continuação ou não daquele aluno no curso superior. Além disso, é importante destacar que a precária formação escolar de muitos acadêmicos, devido à deficiência do sistema de ensino básico do país é fator determinante das dificuldades por eles enfrentadas. Muitos desses alunos não gostam de pesquisar, não aprendem a se expressar coerentemente tendo dificuldades em se integrar no curso. (MEC/ SESU, 1997; MORAN, 2007). Por isso, alunos com maiores números de repetência têm grandes chances de desistir do curso superior em que estão matriculados. A repetência sucessiva faz com que o acadêmico fique desestimulado a continuar no curso. (BRAGA, PINTO e CARDEAL, 1997). Tabak (2002) aponta que a desmotivação ocorre logo nos primeiros anos de curso quando o vínculo do aluno com a instituição ainda é frágil. Em todo o mundo, a taxa de evasão no primeiro ano de curso é duas a três vezes maior do que a dos anos seguintes. (TABAK, 2002; SILVA FILHO et al., 2007). Sendo assim, o aluno se sente desestimulado com as frustrações das expectativas em relação à sua formação. Devido a isto o índice de evasão é alto em cursos que são menos concorridos e muitos desistem para ingressar em outros com mercado de trabalho mais atraente. (MEC/ SESU, 1997). Por isso, a descoberta de novos interesses ocorre principalmente com os que tomaram uma decisão precipitada. Na trajetória acadêmica, com o amadurecimento pessoal e / ou profissional, o aluno pode passar a se interessar por outra área, evadindo do curso. (MEC/ SESU, 1997). Além disso, segundo dados oficiais do MEC/INEP (2009), de modo geral, as IES consideram como principal razão da evasão a dificuldade dos acadêmicos em conciliar estudo e trabalho. Muitos acabam optando pelo trabalho que lhes garante sobrevivência. Além disso, muitos alunos têm que se mudar para residirem na cidade onde está situada a universidade. Neste caso, as dificuldades para custearem despesas com aluguel e a alimentação fazem com que alguns desistam do curso. (KAFURI e RAMON, 1985). Alguns acadêmicos desistem pornão ter condições de arcar com os gastos provenientes de transporte, outros por não terem tempo para as viagens rotineiras. (KAFURI e RAMON, 1985). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 24 A evasão universitária do sexo feminino muitas vezes está relacionada ao casamento não planejado, à gravidez ou ao nascimento de filhos. Este fato é mais comum entre aqueles que possuem menos condições financeiras. (TABAK, 2002). A evasão pode ter como causa um agravamento de problemas de saúde. Muitas vezes o aluno desiste por ter de iniciar um tratamento demorado ou por ter que ficar um tempo prolongado de repouso. Ocorre evasão também por morte do acadêmico. (KAFURI e RAMON, 1985). O autor ainda afirma que pode ser motivo para a evasão o fato de o aluno transferir sua residência para uma cidade diferente de onde está situada a IES em que está matriculado. CONSIDERAÇÕES FINAIS A evasão escolar em sentido amplo é tratada pelos principais autores analisados como a saída do aluno da instituição antes da conclusão do seu curso. Esta pesquisa teve como objetivo investigar quais as principais causas da evasão escolar no ensino superior descritas na literatura. Foi possível observar que a evasão possui múltiplas razões, estabelecidas por esta pesquisa como causas internas e externas, dependendo do contexto social, cultural, econômico e político em que o aluno e Instituição estão inseridos. Podendo estar relacionada, por exemplo, à má qualidade de ensino oferecida pelas IES e a condição socioeconômica do educando. Para que haja mudanças substanciais nessa premissa, é importante propor uma reflexão sobre a relação instituição-aluno e a evasão, suas diversas causas, para fortalecer a relação do estudante com o ensino superior REFERÊNCIAS BARDAGI, M. P. Evasão e comportamento vocacional de universitários: estudos sobre o desenvolvimento de carreira na graduação. Programas de Pós-graduação da CAPES. 2007. BÔAS, G. K. V. Currículo, Iniciação Científica e Evasão de Estudantes de Ciências Sociais. Revista Tempo Social. 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Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 27 CAPÍTULO 3 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS E AS METODOLOGIAS ATIVAS: UMA DISCUSSÃO TEÓRICA Lucas Capita Quarto Janaína Ribeiro Pireda Teixeira Lima Cristina de Fátima de Oliveira Brum Augusto de Souza Fernanda Castro Manhães RESUMO As tecnologias digitais estão transformando os métodos tradicionais da educação fazendo uso de inovações que modificam as formas de significação e interpretação. Compreender que uma determinada metodologia de ensino- aprendizagem envolve a relação entre sociedade, cultura e ambiente educacional, contribui para diferentes ações dos atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Com isso, o presente trabalho tem como objetivo apresentar como as tecnologias digitais podem ser utilizadas como metodologia ativa de aprendizagem. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico foi elaborado a partir da busca, análise e seleção de publicações científicas indexadas às bases de dados Scopus, Google Acadêmico e Scielo. A busca foi realizada entre os meses de maio e junho de 2022, utilizando como descritores os termos: TIC’s, educação, ensino, aprendizagem, metodologia ativa. A sociedade se encontra atrelada em um contexto de modernização que inaugura um universo cada vez mais tecnológico e interativo repleto de interfaces e conexões. O impacto das tecnologias e das transformações mundiais nos meios de comunicação obrigam a sociedade a repensar a sua temporalidade. Diante deste cenário, as discussões que norteiam a inserção das tecnologias e das metodologias ativas na educação básica e superior estão baseadas em paradigmas pré-estabelecidos para sistematização de novas práticas pedagógicas de ensino e aprendizagem, os quais propõem o desuso do método tradicionalde ensino, oportunizando a incorporação de recursos didáticos contemporâneos como ferramentas facilitadoras no processo de construção do conhecimento, o que é definido para alguns autores como a Aprendizagem Tecnológica Ativa (ATA). O uso dos recursos digitais como metodologia ativa de aprendizagem possibilita caminhos para a construção de um conhecimento centrado nos estudantes. PALAVRAS-CHAVE: Ensino. Aprendizagem. Tecnologia. Metodologias. INTRODUÇÃO Em tempos modernos, a educação formal tem enfrentado inúmeros desafios frente as mudanças que a sociedade está sofrendo. Um desses principais desafios é o de alcançar uma aprendizagem efetiva, tendo em vista que obter informações não é o suficiente para que os estudantes participem de forma integrada e efetiva na sociedade. É importante que as informações gerem conhecimento. As novas demandas educativas apontam para um modelo de ensino voltado para a autonomia, criatividade, capacidade de ação, reflexão e crítica. O que, dentro da complexidade que vivemos, envolve que a educação esteja cada vez mais articulada com as linhas digitais. Neste contexto, entendemos que o método de ensino baseado na transmissão unilateral de conhecimento não dá conta da realidade que vivenciamos. Além disso, com a evolução da Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 28 cultura tecnológica e a ascensão acesso à internet, surgiu uma nova configuração e conceito de tempo e espaço. [...] a tecnologia traz hoje integração de todos os espaços e tempos. O ensinar e aprender acontece numa interligação simbiótica, profunda, constante entre o que chamamos mundo físico e mundo digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla, hibridiza constantemente. Por isso, a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais (MORAN, 2015, p. 2). As tecnologias digitais estão modificando os tradicionais métodos educacionais, fazendo o uso de inovações que modificam as formas de interpretação e significação. Compreender que determinada metodologia envolve sociedade, cultura e educação, contribui para diferentes ações dos atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Com a evolução tecnológica, as tecnologias assumiram um papel relevante no âmbito educacional, e na sociedade como um todo, interferindo nos processos pedagógicos. Com isso, vários debates estão surgindo, proporcionando discussões sobre o “aprender” e o “ensinar” mediados pelos recursos digitais. Diante do exposto, o presente trabalho tem como objetivo apresentar como as tecnologias digitais podem ser utilizadas como metodologia ativa. Como metodologia, recorreu-se a revisão de literatura. O levantamento bibliográfico foi elaborado a partir da busca, análise e seleção de publicações científicas indexadas às bases de dados Scopus, Google Acadêmico e Scielo. A busca foi realizada entre os meses de maio e junho de 2022, utilizando como descritores os termos: tecnologia, educação e metodologia ativa. DESENVOLVIMENTO As metodologias ativas de ensino-aprendizagem Atualmente, os fenômenos culturais, sociais e econômicos não acontecem isoladamente. E para responder as demandas geradas por essa nova realidade, o conhecimento não pode ser trabalhado de forma fragmentada. As mudanças ocorridas na sociedade exigem um novo perfil docente e práticas de ensino mais inovadoras e alternativas. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que os saberes necessários ao ensinar não se restringem apenas ao conhecimento dos conteúdos disciplinares. A docência se caracteriza pelos desafios em propor uma educação ativa que permita articular o processo de ensino-aprendizagem aos métodos e objetivos Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 29 esperados pelas ações educativas. As ações propostas no intuito de ensinar devem levar em consideração a construção do conhecimento pelo aluno proporcionando, por meio do ato educativo, a formação de um sujeito situado no tempo e espaço. Ou seja, os docentes precisam buscar diferentes caminhos e novas metodologias de ensino que tornem o estudante protagonista do seu processo de aprendizagem As metodologias tradicionais de ensino envolvem a disseminação de conhecimento diretamente do professor para o estudante. Na concepção de Coorey (2016) a multiplicidade de modelos de aprendizagem não ocorre neste ambiente de aprendizagem passivo. Em 1950, o autor Dewey (1950) já mencionava a necessidade do estudante exercer uma postura ativa na construção do seu conhecimento, superando a tradicional aula expositiva, cuja finalidade é a memorização do conteúdo. O protagonismo do aluno também está presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e corrobora para a consolidação de quatros pilares educacionais: o aprender a aprender; o aprender a fazer; o aprender a viver; e o aprender a ser (BRASIL, 2002). Sob o ponto de vista de Backes et al. (2012), a inserção das metodologias ativas no processo de ensino-aprendizagem potencializa o ecossistema inovativo presente no processo de construção do conhecimento, por intermédio da promoção de um ensino pautado pela aplicação prática e sob variáveis de incerteza. Os autores supracitados ainda ressaltam que as metodologias ativas constroem um espaço em que o estudante é convidado a pensar, criar e se transformar em um indivíduo protagonista dentro da sociedade. O primeiro registro do termo metodologia na língua portuguesa é de 1858. A palavra metodologia pode ser compreendida como ordenamento ou disposição (ARAÚJO, 2015). A Aprendizagem Ativa é uma metodologia que opõem aos métodos tradicionais, propondo um movimento inverso, em que os alunos assumem um papel ativo na busca pelo conhecimento. Conforme são oportunizadas as situações de aprendizagem envolvendo a problematização da realidade do estudante, este exercita diferentes habilidades como observar, refletir e comparar, entre outras, e não apenas ouve e decodifica o conhecimento. Em diferentes formas, estudiosos como Dewey (1950), Freire (1996), Vygotsky (1998) e Piaget (2006) demonstram em suas pesquisas que cada pessoa – seja criança ou adulto – aprende de forma ativa, a partir da sua realidade, do que lhe é relevante e significativo. Ademais, em artigos, livros e debates, é amplamente enfatizado que os estudantes Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 30 recordam, 10% do ouvem, 20% do que leem e esses percentuais de retenção aumentam conforme a metodologia ativada (MASTERS, 2013). O que vem ao encontro do conteúdo presente na Pirâmide da Aprendizagem (Figura 01). O princípio da pirâmide é que os indivíduos aprendem de forma mais eficaz quando estão envolvidos no seu processo de aprendizagem de forma ativa. Figura 01: Pirâmide da Aprendizagem. Fonte: Saviani (1991). Quando o estudante lê, escreve, questiona, debate, soluciona problemas, ele se torna o ator principal da construção do seu conhecimento (SILBERMAN, 1996). Nesse sentido, Paiva et al. (2016) identificam estratégias de aplicação das metodologias ativas, desde as discutida na literatura, assim como as que são pouco referenciadas sobre a temática. Ao descrever sobre o estudo específico das metodologias ativas, nota-se que estas podem surtir efeito sobre a direção da intencionalidade pela qual são definidas, ou seja, os participantes do processo deverão assimilar estas metodologias no sentindo de compreendê- las (BERBEL, 2011). Estudos comprovam que o modelo tradicional de ensino está se tornando cada vez mais obsoleto e incapaz de suprir as exigências e necessidades da sociedade moderno. Perante este cenário, segundo Ergodan e Senemoglu (2014), as metodologiasativas tornam-se mais eficazes na promoção das competências quando comparadas aos métodos tradicionais. Paulo Freire (2015) defende as metodologias ativas, ressaltando que para que haja uma educação de qualidade é necessário superar desafios, solucionar problemas e construir novos conhecimentos por meio de experiências prévias, impulsionando assim a aprendizagem Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 31 Visando esclarecer o que se compreende por uma abordagem pautada em metodologias ativas, a Figura 02 sintetiza os principais princípios dessa metodologia. Figura 02: Princípios que constituem as metodologias ativas de ensino. Fonte: (DIESEL; BALDEZ; MARTINS, 2017). São incontestáveis as transformações sociais registradas nos últimos tempos e, como tal, as instituições de ensino e os modelos educacionais vivem um período de adaptação. Dentro dessa realidade, os indivíduos, sobretudo os alunos, não se encontram mais restritos a um mesmo espaço. Uma vez que estes vivem conectados e imersos em uma gama de informações que se atualizam de forma contínua (DIESEL; BALDEZ; MARTINS, 2017). Esse movimento dinâmico levante questionamentos sobre o papel do estudante no seu processo de aquisição do conhecimento, enfatizando a importância de uma posição mais central e menos secundária. Os recursos tecnológicos/digitais no âmbito educacional Segundo Moran (2004) quanto mais motivados estiverem os alunos, maiores iniciativas eles terão para explorar possibilidades. E nesse cenário, as tecnologias podem ser um excelente instrumento para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Uma vez que, de acordo com Bacich e Moran (2017), a tecnologia é capaz de promover a flexibilidade necessária para o fluxo diversificado de informações e a expansão da interrelação entre o saber empírico e o científico. Essa realidade permite a criação de contextos informais de aprendizagem que se faz preciso um processo educacional centrado no aluno e que se distancie de uma educação bancária. Para Freire (2005, p. 38) “(...) enquanto a educação bancária anestesia e inibe o poder criativo, a educação problematizadora envolve um desvelamento constante da realidade”. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 32 A educação bancária busca manter a submersão da consciência; enquanto a educação problematizadora tem como foco o desenvolvimento da consciência e a intervenção crítica na realidade. Isto é, na primeira o professor é o detentor de todo o conhecimento; a última traz o aluno pra o centro do processo de ensino-aprendizagem, permitindo que ele construa o seu caminho em direção ao saber. Encontramo-nos em um estágio em que a conexão on-line ocorre de forma instantânea. Recursos televisivos, aparelho celular, relógios, tabletes, Instagram, SMS, WhatsApp, Twitter, entre vários outros dispositivos mediam diversas das nossas tarefas cotidianas, não apenas integrando o dia a dia das pessoas. Em boa parte, o avanço tecnológico está sendo responsável por novos produtos e linguagens nos diferentes espaços sociais. Em uma sociedade em que a informação é veiculada em uma rapidez impressionante, possibilitando uma reestruturação política, econômica e sociocultural, os desenvolvimentos tecnológico e científico se configuram como um impulsionador das mudanças desta nova era (LEVY, 2011). Nesse contexto de inserção tecnológica no campo educacional, termos observado diferentes nomenclaturas que fazem menção a modalidades de ensino que, de forma geral, utilizam dessa gama tecnológica: o ensino à distância (EAD), o ensino remoto e o híbrido. Essas modalidades ganharam maior visibilidade durante a pandemia da COVID-19, em que instituições de ensino tiveram que adaptar as suas aulas presenciais em novos formatos devido a necessidade de isolamento social imposto pelos meios de transmissão do vírus SARS-CoV- 2. O decreto, nº 5.622, de 19/12/2005, que regulamenta o Art. 80 da Lei 9.394/96 (LDB) define a EAD como: [..] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos (BRASIL, 2005). A modalidade EAD também pode ser conceituada como uma educação não-presencial, ou seja, um modelo em que não há o compartilhamento de uma sala de aula ou qualquer outro espaço físico por docentes e discentes. Toda a mediação que ocorre no EAD é feita por materiais como recurso impresso, mecânico ou eletrônico. Dentre as várias possibilidades do EAD, Silva, Melo e Muvlder (2015) destacam o fato Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 33 dessa modalidade permitir que o aluno se organize no seu próprio tempo, ritmo e espaço, desenvolvendo ações independentes e proativas. A autodisciplina é outro elemento exigido no Ensino à Distância, já que o estudante é responsável pelo seu progresso. Logo, pode-se afirmar que o aluno desempenha um processo de aprendizagem consciente e autônomo. O termo híbrido, por sua vez, significa “misturado”. Essa modalidade se configura na combinação dos elementos: tempo, espaço, metodologias, atividades e conectividade. O ensino híbrido é um modelo que se apodera dos mais diversos recursos, buscando estratégias diversificadas de ensino (SILVA, 2017). Assim como na modalidade EAD, no ensino híbrido, o aluno assume uma postura participativa, buscando e criando informações e possibilidades de aprendizagem. Por último, tem-se o ensino remoto, o qual, de acordo com Charczuk (2020) não pode ser considerado um sinônimo de educação à distância. [...] o ensino remoto não pode ser considerado uma modalidade educativa, mas, sim, uma ação pedagógica, na qual se processa certa transposição do ensino presencial para o ensino mediado por ferramentas digitais, predominantemente, ou pela proposição de apostilas e materiais impressos remetidos aos alunos (CHARCZUK, 2020, p. 4-5). Como se pode observar, nesses modelos de ensino-aprendizagem é comum fazer uso dos mais variados recursos digitais, visando estratégias diversificadas de ensino. De maneira geral, os recursos tecnológicos permitem que o indivíduo constitua pensamentos, busque informações e amadureça seus conhecimentos, mesmo que de forma involuntária. Kenski (2007), ainda acrescenta que o uso das tecnologias no âmbito educacional na contemporaneidade: Abre oportunidades que permitem enriquecer o ambiente de aprendizagem e apresenta-se como um meio de pensar e ver o mundo, utilizando-se de uma nova sensibilidade, através da imagem eletrônica, que envolve um pensar dinâmico, onde tempo, velocidade e movimento passam a ser os novos aliados no processo de aprendizagem, permitindo a educadores e educandos desenvolver seu pensamento, de forma lógica e crítica, sua criatividade por intermédio do despertar da curiosidade, ampliando a capacidade de observação de relacionamento com grupos de trabalho na elaboração de projetos, senso de responsabilidade e co-participação, atitudes essas que devem ser projetadas desde cedo, inclusive no espaço escolar (KENSKI, 2007, p. 45). Com a inserção da tecnologia no ensino-aprendizagem se torna possível permitir que o estudante tenha acesso a um número maior de informações. Essas informações podem estar correlacionadas com fatores do passado e presente, clarificando dúvidas, conceitos e demais aspectos que, por muitas vezes, não são esclarecidos pelo professor. É nesse momento que se deve considerar o poder de investigação do estudante. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 34 O Quadro 01 apresenta exemplos de recursos tecnológicos que podem ser utilizados em sala de aula. RecursosObjetivos E-books Os e-books são livros digitais que permitem que o estudante acesse os conteúdos a qualquer hora e local. Além de serem mais acessíveis, o formato online é mais barato do que o livro impresso. Learning Management System (LMS) É uma plataforma de ensino a distância completa. Com o uso dessa plataforma é possível criar, personalizar, organizar e gerir cursos e treinamentos. Essa ferramenta torna o uso do EAD mais eficiente (OLIVEIRA et al., 2019). Realidade aumentada (RA) É uma tecnologia multissensorial que se baseia em multimídias que permitem o desenvolvimento de ambientes artificiais. Esse recurso possibilita a manipulação das informações (MARTÍN-GUTIÉRREZ et al., 2017). Gamificação A gamificação, tradução do termo em inglês “gamification”, pode ser compreendida como a utilização de elementos de games virtuais em contextos fora de jogos, isto é, da vida real. Quadro 01: Recursos tecnológicos que podem ser aplicados em sala de aula. Fonte: Elaborado pelos autores (2022). Inúmeras instituições de pesquisa se dedicaram a promoção e avaliação da atuação da tecnologia no campo educacional, como o ISTE (International Society for Technology in Education) que entre os anos 2002 e 2008 lançou diversos parâmetros para apoiar a inserção do universo tecnológico no ambiente escolar. As potencialidades dos recursos digitais no campo educacional vêm sendo estudadas e discutidas desde a década de 70 (REIS; SANTOS; TAVARES., 2012). Atualmente, essa discussão continua devido ao contínuo desenvolvimento das tecnologias. O computador é um exemplo de tecnologia da informação presente no cotidiano de maioria das pessoas, sendo assim, é imprescindível que as instituições educacionais busquem maneiras de incluí-lo como uma ferramenta auxiliadora do processo de ensino-aprendizagem. A maneira como o sistema educacional incorpora as TIC’s influencia diretamente na redução da exclusão digital do país (UNESCO, 2009). No processo de ensino-aprendizagem, é importante ressaltar a importância do aprender fazendo, da experiência e da participação. Quanto a inserção das TIC’s no campo educacional, o Quadro 02 apresenta os pontos negativos e positivos. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 35 Positivos Negativos As TIC no processo educacional podem enriquecer as aulas, diversificando as metodologias de ensino e aprendizagem onde os professores deixam de ser mestres e passam a ser facilitadores deste processo, proporcionam agilidade e eficiência tanto para os professores quanto para os alunos. As ferramentas tecnológicas ainda não foram absorvidas de maneira efetiva, motivos: despreparo inicial de professores que desconhecem o modo de utilizá-las e muitas vezes elas acabam não atuando como ferramentas pedagógicas, dificuldade de investimento financeiro, limitação de banda em algumas regiões do país e possíveis conflitos culturais. A introdução das TIC nas salas de aula auxilia no processo de ensino e aprendizagem, proporcionando o aluno todo tempo a construir conhecimento, uma vez que facilitam o acesso a informações. Facilidade de divulgação de informações, que muitas vezes são equivocadas ou até mesmo erradas, além disso, os alunos podem ser prejudicados por materiais retirados de fontes nada confiáveis, duvidosas ou sem nenhuma fundamentação teórica. A flexibilidade da internet valoriza a importância do auto-estudo e aprendizagem dirigida, destacando a atuação do professor que na maior parte do tempo acompanha, gerencia, supervisiona, avalia o aluno. As cópias ou plágios dos conteúdos disponibilizados na internet em trabalhos escolares. Nesse ponto de vista, a internet acaba facilitando a vida do aluno, prejudicando o seu desenvolvimento intelectual. O uso do computador no processo de ensino e aprendizagem permite para os alunos e professores um espaço amplo de pesquisa, poderoso em recursos, comunicação e velocidade. Falta de preparo dos usuários para a utilização das TIC associada à precariedade de estrutura para a utilização de tais recursos acaba tornando os equipamentos mal utilizados ou até inúteis. As TIC permitem estreitar as relações entre alunos e professores através da utilização de programas que permitem à comunicação à distância como e-mails e chats, expandindo o processo de ensino para além da sala de aula servindo como meio de troca de materiais, desenvolvimento de trabalhos em conjuntos, novos conhecimentos compartilhados, etc. Este novo homem precisa ser capaz de resolver problemas, precisa dominar as novas TIC e estar em constante busca pelo conhecimento para não ser deixado para trás. Quadro 02: Pontos Positivos e Negativos do Uso das TICs. Fonte: Góis et al., 2018. De acordo com os teóricos apresentados, observa-se que é necessário que os estudantes e professores saibam filtrar e aproveitar os pontos positivos das TIC’s, visando o desenvolvimento pessoal e social. É de responsabilidade do educador a criação de um ambiente desafiador e rico de metodologias diversificadas mediadas pela inserção das tecnologias. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 36 As discussões e pesquisas sobre o uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs) no processo educativo são amplas; envolvendo muitos pressupostos teóricos, onde a escola torna-se um fértil campo de pesquisa, por possibilitar através da prática docente investigar a utilização das TICs como ferramenta de ampliação do conhecimento (ARAUJO, 2017, p. 16). Segundo Góis et al. (2018), as Tecnologias da Informação e Comunicação se encaixam perfeitamente no campo educacional, pois permitem diversas maneiras de trocar informações e conhecimento. Os recursos tecnológicos na sala de aula possibilitam uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. A tecnologia está cada mais desenvolvida nos setores da sociedade. Dessa forma, de acordo com Weber e Behrens (2010), era imprescindível a inserção da tecnologia nas salas de aula. A implantação de tecnologias na educação estimula os estudantes, dinamiza o conteúdo, estimula a criatividade e a autonomia. Há muitas desvantagens se não houver organização e capacitação dos profissionais envolvidos. Conforme o sistema educacional insere as tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino aprendizagem, os índices de exclusão digital sofrem uma queda, e a educação excede o espaço eminente da sala de aula. Contudo, deve ser analisada a forma como as tecnologias de educação e informação são utilizadas. Um relatório divulgado em uma pesquisa do Campus Technology de 2017, realizado com 232 docentes de universidades dos Estados Unidos destaca o uso das tecnologias no ensino por esses profissionais. O estudo apresenta uma visão do uso dos recursos digitais na educação, sendo 80% dos entrevistados como positivo (KELLY, 2017). A referida pesquisa ainda apresenta uma perspectiva das tecnologias que desaparecerão e as que serão importantes nos próximos dez anos (Quadro 03). Top 10 tecnologias que irão desaparecer na próxima década Top 10 tecnologias que irão se tornar importantes na educação na próxima década 1) Computadores e laptops 1) Realidade aumentada/virtual 2) Telefones e fax 2) Dispositivos móveis e apps 3) Impressoras, escâneres e copiadoras 3) Impressoras/escâneres/modelagem em 3D 4) Retroprojetores 4) Aprendizagem adaptativa e personalizada 5) CDs e DVDs e seus “tocadores”; Quadro de giz/quadro branco 5) Vídeo e transmissão 6) Livros e folhetos impressos 6) Ferramentas de colaboração e mídia social; Internet das coisas e vestíveis 7) Sistemas de gerenciamento de aprendizagem (LMS); Apresentações tradicionais 7) Próxima geração de sistemas de gerenciamento de aprendizagem (LMS)8) Laboratórios informáticos 8) Áudio/videoconferência 9) Projetores não interativos 9) Ferramentas baseadas na nuvem; projetores e quadros brancos interativos 10) Clickers 10) Internet livre, rápida e segura Quadro 03: Perspectivas das Tecnologias na próxima década. Fonte: Adaptado de Kelly (2017). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 37 Muitas das tecnologias apresentadas, propostas para a próxima década, no Quadro 03 já são conhecidas pelos pesquisadores no Brasil. As tecnologias não são apenas recursos para o ensino, mas também eixos para uma aprendizagem crítica, personalizada e criativa. A Aprendizagem Tecnológica Ativa (ATA) De acordo com Figueiredo, Paz e Junqueira (2015), nas últimas décadas, surgiu no âmbito educacional a necessidade e o interesse em buscar abordagens pedagógicas que contemplem o universo digital. Com a globalização, as informações são divulgadas com maior velocidade e o conhecimento pode ser acessado com mais facilidade, o que faz com que os modelos tradicionais de ensino se tornem cada vez mais obsoletos (QUARTO et al., 2020). Ainda conforme os autores, a cibercultura trouxe uma nova forma de experimentar e conhecer o mundo. Com isso, os estudantes desta geração não se satisfazem apenas em receber o conhecimento; eles precisam experimentá-los, sobretudo, dentro de sua realidade. Sendo assim, os discentes, cuja vida está imersa nas tecnologias, estão perdendo cada vez mais o interesse pela aula puramente expositiva e o ensino sem os recursos digitais. A aprendizagem é um processo ativo e social que ocorre melhor em ambientes centrados no aluno, nos quais os professores assumem papéis facilitadores para orientar os alunos em indagações significativas, nos quais as atividades construtoras de conhecimento são balanceadas com o uso sensato da prática orientada e da instrução direta. Novas competências, como as habilidades de colaborar, reconhecer e analisar problemas com sistemas, de adquirir e utilizar grandes quantidades de informação e de aplicar a tecnologia na solução de problemas do mundo real são resultados valorizados (SANDHOLTZ, RINGSTAFF, DWYER, 1997, p. 174). Vivemos cercados de apetrechos tecnológicos que se aprofundam e se diferenciam conforme o surgimento de novas interfaces. Assim, a partir da inserção das tecnologias no ambiente educacional tem se observado a eclosão de práticas educacionais que envolvem a junção das metodologias ativas com os recursos digitais. Fenômeno o qual autores como Leite (2018) e Alves e Ribeiro (2020) denominam como Aprendizagem Tecnológica Ativa (ATA). A ATA é um modelo explicativo sobre a forma como ocorre a incorporação das tecnologias às práticas de metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem, buscando uma melhor performance do estudante, o qual assume um papel de protagonista de sua aprendizagem, com comprometimento e autonomia (LEITE, 2021). O modelo ATA propõe que o estudante acesse conteúdos digitais para ter controle de sua aprendizagem. Em um contexto Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 38 digital e conectado, a ATA se expressa por intermédio de modelos de ensino híbridos, com possíveis combinações. Na ATA, os estudantes podem utilizar os espaços virtuais para compartilhar informações e projetos. De forma mútua, eles podem participar de forma ativa no processo de aprendizagem uns dos outros (ALVES; RIBEIRO, 2020). O objetivo da ATA é promover uma educação inclusiva, participativa e de qualidade. A ATA é alicerçada em cinco pilares que atuam em harmonia no processo de ensino e aprendizagem: Figura 03: Pilares da ATA. Fonte: Leite (2018). O primeiro pilar, denominado Papel Docente (PD), determina que o professor deve assumir uma função investigativa em sua prática docente. Este profissional deve construir situações de ensino que promovam uma aproximação crítica do estudante com a realidade (LEITE, 2018). O professor é mediador do processo de construção do conhecimento. De acordo com Leite (2021), o segundo Pilar se refere ao Protagonismo do Estudante (PE) que consiste na inclusão do discente em um sistema de ensino centrado nele. Com isso, o estudante desenvolve uma postura de autonomia. Segundo Alves e Ribeiro (2020, p. 305), o “papel protagonista do estudante, e seu envolvimento participativo, direto e reflexivo em todas as etapas do processo, com orientação do professor ele é capaz de criar, experimentar e construir de maneira efetiva”. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 39 O terceiro pilar, Suporte das Tecnologias (ST), a escolha dos recursos digitais contribui para a criação de novas possibilidades de aprendizagem, tendo em vista que diversos apetrechos podem ser utilizados em conjunto (LEITE, 2021). Segundo Leite (2021) o quarto pilar diz respeito a aprendizagem. Na ATA há vários modelos de aprendizagens que podem ocorrer em distintas situações. Leite (2018) cita quatro tipos: (a) aprendizagem individual; (b) aprendizagem colaborativa; (c) aprendizagem social; (d) aprendizagem ubíqua. Ambos os modelos de aprendizagem tornam o indivíduo um ser crítico e reflexivo, fazendo com que este se interessa por fundamentos referentes à ciência. O quinto e último pilar, avaliação, ocorre a partir de um processo decisório do docente (LEITE, 2021). Diversos modelos de avaliação podem ocorrer na ATA – diagnóstica, formativa, somativa, autoavaliação, classificatória etc.). CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo visou apresentar, à luz de uma revisão de literatura, reflexões a respeito do uso das tecnologias como ferramentas potencializadoras do processo de ensino aprendizagem quando aliadas as metodologias ativas. A ATA é uma estratégia pedagógica com múltiplas facetas, e não apenas um modismo, a qual permite mobilizar o raciocínio complexo do professor no que diz respeito às suas práticas pedagógicas, para que seja possível ressignificá-las, criando aproximações entre o conteúdo das disciplinas e os hábitos dos estudantes. REFERÊNCIAS ALVES, H. R.; RIBEIRO, M.T.D. Uma proposta de sequência didática para o ensino de soluções. REAMEC-Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática, v. 8, n. 1, p. 302-322, 2020. ARAÚJO, J. C. S. Fundamentos da metodologia de ensino ativa (1890-1931). In: REUNIÃO NACIONAL DA ANPEd,37.,2015, Florianópolis. Anais do...[S.l.]: ANPEd, 2015. ARAÚJO, M. S. Tecnologias digitais da informação e comunicação para fins educacionais na formação inicial de professores de Inglês. 2017. 244 f. Tese (Doutorado) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017. 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Não obstante, este artigo busca entender a importância da educação infantil em toda vida escolar dos educandos e inferir através do relato de experiência que vivenciei durante o estágio e docência I na creche, toda a rotina com as aulas remotas e a preocupação da equipe pedagógica com os problemas da baixa adesão nas atividades remotas propostas durante esse período pandêmico, o impacto que isso pode causar no desenvolvimento de aprendizagem dessas crianças. PALAVRAS-CHAVE: pandemia; educação infantil; ensino remoto. INTRODUÇÃO Em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS,2020) declara a pandemia de covid-19 uma doença causada por um vírus altamente contagioso podendo ser letal em alguns casos, o coronavírus (Sars-Cov-2), a princípio sabíamos muito pouco sobre o vírus, mas o suficiente para entender sua seriedade. Nossa principal e maior arma contra esse vírus, é o isolamento social, as escolas foram as primeiras a terem suas atividades interrompidas, devido as medidas de enfrentamento contra o covid-19 (Brasil, 2020), levando toda a comunidade escolar a repensar a educação se reorganizando, replanejando o ano letivo e ministrando aulas remotas, um grande desafio para educação infantil visto que o contato nesse período é parte fundamental do processo de ensino e aprendizagem, segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil: (...) as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. (RCN, 1998, vol1, p 21-22). Minha Experiência com o ensino remoto na educação infantil se deu com a realização do estágio I, onde fui direcionada para uma creche na prefeitura de Piraí, tive acesso a plataforma AVA MOODLE implementada pela Secretaria Municipal de Educação de Piraí, onde as professoras lançavam as atividades para suas turmas e as propostas de trabalhos para serem realizados com as crianças, participei de reuniões e grupo de WhatsApp do corpo docente com Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 44 a coordenação, onde notei a grande preocupação por parte tanto das professoras quanto da direção da creche em relação aadesão dessas crianças nas atividades propostas que eram cada vez mais baixas, dessa forma o seguinte projeto de pesquisa tem como motivação analisar os problemas que podem ser ocasionados no desenvolvimento desses alunos durante esse período. Sabemos que a criança depende dos pais nesse período da sua vida, e que sua atuação ativa é muito importante para o sucesso escolar das crianças ao longo da sua trajetória escolar, em face a baixa frequência na realização das atividades remotas, muitas vezes ocasionada pela correria do dia a dia dos pais e a dificuldade em ter que conciliar os cuidados com a casa, o trabalho e agora com as crianças em tempo integral dentro de casa, também é um período de adaptação a nova rotina em casa para todos. Diante de toda essa adversidade enfrentada, pela escola, pais e alunos, qual seriam os impactos causados na vida escolar dos alunos da educação infantil devida a baixa adesão nas atividades remotas propostas durante esse período pandêmico? Na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a educação infantil é tida como parte da educação básica, porém não obrigatória, mas sabemos da importância que a mesma tem para o desenvolvimento das habilidades, alunos que pulam essa etapa ou não desenvolvem bem essas habilidades tendem a ter dificuldades na fase de alfabetização e que podem até perdurar na vida adulta. O presente projeto de pesquisa, tem o intuito de mostrar a importância da educação infantil para a sociedade, que muitas vezes julga como desnecessária não dando o devido valor que ela tem para o desenvolvimento da criança, apresentando os danos que a não participação das atividades remotas podem causar na vida dessas crianças/alunos principalmente quando chegarem no momento da alfabetização. Como objetivo geral, este artigo busca analisar os impactos causados na educação infantil devido à baixa adesão na participação das atividades remotas na plataforma implementada pela Secretária Municipal de Piraí. Como objetivos específicos busco mostrar como a educação infantil contribui de forma significativa em toda trajetória escolar do aluno; apresentar os problemas enfrentados durante o período de pandemia na realização das atividades remotas e sinalizar os possíveis impactos negativos causados pela não adesão aos trabalhos remotos propostos. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 45 1. REFERÊNCIAL TEÓRICO 1.1 Desenvolvimento infantil; Sabemos que é na educação infantil que a criança aprende de forma espontânea e lúdica, em contato com sua faixa etária a criança começa a estabelecer as primeiras relações, com isso começa a ser estimulada contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da sua capacidade motora, autonomia e o relacionamento social e afetivo. Vygotsky em A afetividade na aprendizagem (1988 apud Dantas, 1992, p. 95) afirma que “o conhecimento do mundo objetivo ocorre quando desejos, interesses e motivações se aliam à percepção, memória, pensamento, imaginação e vontade, em uma atividade cotidiana e dinâmica entre parceiros.” É com as professoras da educação infantil, as famosas “tias”, que as crianças estabelecem a primeira relação de ensino aprendizado em um ambiente formal de educação esse ambiente é denominado escola, essa fase é muito importante para a vida da criança e esse ambiente deve ser dotado de afeto e favorável ao seu desenvolvimento. Segundo Moreira e Vasconcelos (2009)” [...] a escola tornou-se uma instituição fundamental na sociedade, quando a infância passou a ser vista como fase dotada de diferenças” (MOREIRA & VASCONCELOS 2003, p.171). A educação infantil tem como meta fazer a criança se socializar, devido a isso o processo de ensino e aprendizagem da criança nesse período precisa ser concreto, é na primeira infância que a criança constrói sua identidade e grande parte de sua estrutura física, socioafetiva e intelectual, elas começam a desenvolver sua personalidade, tudo que é construído nos anos iniciais da escola os acompanham por toda a vida, por isso eles precisam ser muito estimulados e bem direcionados, para o bom desenvolvimento de suas faculdades mentais e físicas, a educação familiar também é peça fundamental nesse contexto, ela unida à escola proporcionará que a criança passe por diversas transformações de forma tranquila e prazerosa. O brincar na educação infantil merece total atenção, pois ele ajuda a desenvolver a oralidade, escrita e os códigos matemático. Piaget (1967) nos dá a ideia de que “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral.” Através dessa premissa temos a noção da criança é um ser biólogo que percorre várias etapas no processo de aprendizagem. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 46 Segundo o Referencial Curricular vol.2 (1998, p.11) “A possibilidade de desde muito cedo efetuarem escolhas e assumirem pequenas responsabilidades favorece o desenvolvimento da autoestima, essencial para que as crianças se sintam confiantes e felizes.” 1.2 Aulas remotas na educação infantil pela prefeitura de Piraí; Essa seção tem como objetivo analisar os documentos emitidos pela prefeitura de Piraí em relação as aulas remotas durante o período de pandemia da COVID-19, a secretária de educação preparou um material pedagógico que foi elaborado pelos coordenadores de cada área de ensino, e em parceria com secretária de Ciência e Tecnologia desenvolveram um portal para que os alunos realizassem as atividades em casa, os alunos sem acesso à internet, receberam um caderno de atividades com conteúdo similar ao digital (PIRAÍ,2020). O prefeito de Piraí, no uso de suas atribuições através do decreto 5.100 de 31 de março de 2020, que versa sobre as orientações às instituições integrantes do sistema municipal de ensino em função das medidas de isolamento prevista para a prevenção e combate ao coronavírus (PIRAÍ,2020). Art.2º- A Secretaria Municipal de Educação realizará a oferta emergencial de atividade pedagógicas a serem disponibilizadas no site da Prefeitura Municipal de Piraí, a partir do dia 06 de abril do ano corrente. Art3º- caberá à SME organizar a referida oferta, que tem como objetivo proporcionar aos alunos atividades baseadas nos conteúdos já trabalhados a fim de que os mesmos se mantenham em contato com os estudos. (DECRETO 5.100, 2020, PIRAÍ.) Com todas essas mudanças o corpo docente das escolas junto a gestão, tiveram que refazer a rota e colocar em prática um novo planejamento, essas adaptações que foram feitas durante esse período de pandemia são previstas na BNCC para que mesmo de forma inesperada pegando todos de surpresa, esse direto a educação e a uma aprendizagem de qualidade e adaptada para a idade da criança seja assegurada “com o avanço da tecnologia[...], escolas e professores estão em constante busca por novos caminhos metodológicos na prática pedagógica do cotidiano escolar.” (RIGÃO; MARQUEZAN, 2019 p. 121). Devido a esse momento, novas metodologias foram adotadas pela prefeitura de Piraí, para a continuidade dos trabalhos com a turma de educação infantil através dos recursos tecnológicos e material impresso para aqueles que não tem acesso à internet, fazendo com que todos tenham o direito de ter acesso a essas atividades. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 47 2. METODOLOGIA DA PESQUISA A presente pesquisa será realizada através de uma abordagem qualitativa por meio de documentos, relatos de experiências que vivi durante o período de estágio e docência I junto com a equipe pedagógica da creche Maria Kelma T. f. Reis, localizada no município de Piraí e pesquisa de campo por meio do ambiente virtual de aprendizagem (AVA), sistema utilizado pela creche para as postagensdas atividades remotas para os alunos onde tive acesso durante o período de estágio. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 EDUCAÇÃO INFANTIL NA LDB E BNCC Sabemos que a educação infantil no Brasil tem o intuito assistencial atrelado a propostas pedagógicas. Sendo um grande desafio a ser enfrentado pelas instituições públicas que trabalham com crianças nessa faixa etária. A Lei de Diretrizes e Bases (BRASIL, 2016) colocou a creche e a pré-escola como parte do sistema de ensino, com isso a educação infantil se transformou em uma instituição educacional, não podendo existir educação para crianças dessa faixa etária sem a preocupação com alimentação, higiene, saúde e o desenvolvimento físico e motor. O estado tem obrigações com a educação, existe um plano que vai da construção das escolas e necessidades que são uniformizadas pelas secretarias de educação, com o intuito de atender padrões que vão da arquitetura até as práticas pedagógicas. Ainda segundo a LDB, artigo 29, (BRASIL, lei 9394/96) a educação infantil tem como finalidade "o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade". Temos conhecimento que os primeiros anos escolares são cruciais para o desenvolvimento ao logo da trajetória escolar das crianças, porém podemos perceber ao longo desse período pandêmico, onde as aulas passaram a ser remotas, que nem todos entendem a educação infantil como fundamental. Devido ao momento atípico que estamos vivendo com a pandemia do covid-19, a reinvenção dos profissionais de educação fez- se necessário, porém vem sendo um grande desafio para toda a comunidade escolar e isso se torna ainda mais complicado quando se trata da classe infantil, onde acontece a aprendizagem significativa através das brincadeiras e interações dos “eixos estruturais” (Brasil, 2017). E o que podemos notar durante essa situação Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 48 de distanciamento social ocasionado pela pandemia foi a interação da criança com sua família e como seria essa relação remota ente o professor e o aluno, uma parte significativa no desenvolvimento da criança na educação infantil é a interação que depende das atividades presenciais, o grande problema em atividades a distância na educação infantil é que esse momento da infância requer atividades de interação que somente o contato irá conceder, pois se trata de desenvolvimento social. Demostrar atitudes de cuidados e solidariedade na interação com crianças e adultos. Demostrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. Comunicar-se com colegas e adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender. Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças. Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto. (BRASIL,2017, p.43-44). Segundo Rigão e Marquezan (2019 p.123) [...] buscar-se um profissional que desempenhe um papel mediador da intenção educativa em consonância com a escola e a sociedade”. Podemos perceber o quanto é importante a formação do professor para o desenvolvimento do indivíduo, é indispensável uma boa formação por parte dos educadores para que os objetivos da BNCC sejam atingidos com êxito, uma grande preocupação por parte do corpo docente é considerar como os objetivos podem ser atingidos diante do cenário atual, o que o educador em feito para avaliar o desenvolvimento através das atividades remotas. A intencionalidade educativa na prática pedagógica possibilita à criança construir sua identidade pessoal, apropriando-se do conhecimento sistematizado que a interação com o mundo físico e social proporciona de maneia natural e espontânea. Os fatores que contribuem para que tal processos se concretizem são o planejamento curricular de acordo com necessidades contextualizadas, metodologias adaptadas de acordo com o espaço físico oferecido, materiais pedagógicos de livre acesso e compreensão cientifica de habilidades esperadas para a idade, garantindo a todos um desenvolvimento pleno físico e cognitivo. (SIEBENEICHLER; BARROS; CARNEIRO, 2020, p.11991). As intenções do educador são de extrema importância, por isso como dito anteriormente é fundamental que o professor tenha uma formação sólida, pois ele conduzirá suas aulas de acordo com as necessidades da turma, no momento em que estamos vivendo o real objetivo do educador é manter a regularidade das devolutivas das atividades remotas realizadas pelas crianças. É bom destacar que o professor tem a intenção de ajudar tanto os alunos como as famílias para que assim desenvolvam as atividades com os alunos. Por essa razão planejar é totalmente necessário para alinhar as práticas pedagógicas aos momentos de diversidade, a flexibilização do planejamento leva a chegar no objetivo proposto Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 49 como alcançar as crianças em casa pelas atividades remotas propostas, sempre desenvolvendo atividades que todos em sala consigam alcançar. Com isso, esperamos que os direitos da classe infantil na aprendizagem sejam garantidos, preservando os objetivos de aprendizagem propostos pela BNCC e LDB inserido no planejamento pedagógico, um grande desafio diante do momento pandêmico que estamos vivendo e aulas remotas pra crianças pequenas, na próxima seção iremos falar como a Secretária Municipal de Educação do município de Piraí esquematizou seu sistema de ensino remoto mediante suas normativas. 3.2 ATIVIDADES NÃO PRESENCIAIS PELA PREFEITURA MUNICIPAL DE PIRAÍ Essa seção tem como objetivo analisar a documentação emitida pela Secretaria Municipal de Educação de Piraí de acordo com o Conselho Nacional de Educação que orientou a reorganização das atividades de aprendizagem em razão da suspensão das atividades escolares a prefeitura de Piraí através do decreto nº5.100 de 31 de março de 2020 que “Dispõe sobre orientações às instituições integrantes do sistema municipal de ensino em função das medidas de isolamento previstas para a prevenção e combate ao coronavírus/covid-19. Considerando “Art. 23, § 2º da LDB o calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir números de horas letivas previstos nessa lei” e o “Art. 32, § 4º da LDB que afirma que o ensino será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.” (PIRAI 2020). Conforme explicado acima a Secretaria de Ciência e Tecnologia criou um portal na internet com materiais elaborados pela equipe pedagógica que são postados nesse portal, para que os alunos realizem as atividades em casa, visto que no momento o mais importante é conter a propagação do coronavírus Covid-19. Art.3º- Caberá à SME organizar a referida oferta, que tem como objetivo proporcionar aos alunos atividades baseadas nos conteúdos já trabalhados a fim de que os mesmos se mantenham em contato com os estudos nos termos do decreto nº 5.100 de 31 de março de 2020. (PIRAI, 2020, p.02) Para os alunos sem acesso à internet, as atividades eram impressas e as famílias poderiam retirar na creche e retornar com as atividades realizadas, a equipe pedagógica tomou muito cuidado para que nenhuma criança fosse excluída, é importante ressaltar que mesmo em situação emergencial a educação precisa atingir a todos pois ela é um direito, nenhum educando pode ficar de fora do processo educacional, a adaptação citada se faz presente dentro dos Editora e-Publicar– Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 50 objetivos de aprendizagem na BNCC. “Com avanço das tecnologias[...], escolas e professores estão em constante busca por novos caminhos metodológicos na prática pedagógica do cotidiano escolar.” (RIGÃO; MARQUEZAN,2019 p.121). Diante do exposto, fica bem claro o quanto participação da família é primordial para o desenvolvimento das devolutivas junto a criança criando assim uma dependência dos educadores em relação as famílias, porque é através deles que as crianças desenvolveram as atividades propostas pelos educadores, atividades essas que tem como intenção atingirem os objetivos propostos. A próxima seção trata do relato da experiência que vivi no estágio I do curso de pedagogia desta instituição de ensino, na creche Maria Kelma T. f. Reis em Piraí,Rj. 3.3 RELATO DE EXPERIÊNCIA DURANTE O ESTÁGIO NA CRECHE Com base no decreto 5.100 de 31 de março de 2020 publicado no diário oficial do município de Piraí em conjunto com a Secretaria de Educação Ciência e Tecnologia, criaram então o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), onde são postadas as atividades remotas para as turmas da creche, as postagens começaram no final de abril de 2020, porém em setembro de 2020 foi quando iniciei o estágio I e assim tive contato com a coordenadora da creche, fui adicionada no grupo de WhatsApp do corpo docente e tive contato com as turmas e atividades postadas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Para Passeggi, Souza e Vicentini (2011) a produção de relato das próprias práticas oferece ao professor uma visão ampliada de suas ações, agregando sentido durante a trajetória profissional. Considerando que toda essa experiência vivida no grupo das educadoras com reuniões semanais para traçar estratégias que ajudassem aos familiares na realização das tarefas e assim aumentar a adesão dos alunos que com passar do tempo se tornou muito baixa, chegando por algumas semanas não ter adesão alguma de nenhum aluno, ter contato com a coordenadora e a as atividades postadas no AVA, todo esse novo contexto para a Educação infantil me impulsionou a relatar o que vivenciei. O AVA é muito bem estruturado e contém muitos informativos para os familiares e alunos com orientações de como incentivar as crianças, organização do tempo em relação as atividades e a cada semestre eles liberam um questionário para os responsáveis, para saber a opinião deles em relação a volta às aulas, respeitando claro todas as orientações da Secretaria de Saúde, as turmas são separadas por cor, eu fiquei com a turma amarela que tem por faixa etária 2 e 3 anos, as atividades oferecidas envolvem, exploração do ambiente, identidade e Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 51 autonomia, exploração de objetos e brincadeiras, linguagem oral e corporal e desafios para o desenvolvimento das crianças, tudo de acordo com os objetivos propostos para a faixa etária, essas atividades também eram impressas para quem não tinha acesso à internet podendo retirar na creche com dia e hora marcada, mas infelizmente com forme o tempo foi passando a adesão das atividades ficou cada vez menor, até a presente data a creche continua com atividades remotas com previsão de volta presencial para 08 de fevereiro de 2022. Com base em Rigão e Marquezan (2019, p. 131) durante a educação infantil, a presença dos familiares, na educação da criança, é de suma importância, uma vez que fortalece laços com a escola e, consequentemente, gera incentivos para os alunos”. Durante a experiência notei o quanto essa parceria dos familiares com a escola é fundamental e esse período veio para reafirmar o quanto essa parceria é primordial, mesmo a equipe pedagógica tomando cuidado com os tipos de atividades a serem desenvolvidas em casa e oferecendo suporte como, tinta guache, giz de cera e folha em tamanho A3, ainda sim a realização das atividades foi caindo muito gerando uma grande preocupação por parte dos professores em relação ao desenvolvimento dessas crianças. CONSIDERAÇÕES FINAIS A educação infantil tem sua singularidade e precede a trajetória escolar da criança, o que a torna muito significativa. O relato de experiência apresentado mediante as teorias do desenvolvimento infantil, análise de documentos oficiais como LDB, BNCC e o decreto dado pela prefeitura de Piraí em relação as aulas remotas serviram como base para o entendimento do processo de aprendizagem durante esse período. Como já iniciei o estágio bem depois das aulas terem iniciado, já peguei um cenário bem caótico onde nenhum esforço e dedicação por parte da equipe pedagógica estimulavam os familiares em progredirem com as crianças nas atividades propostas, entendemos que essa diminuição seja devido a rotina estressante que os familiares vêm enfrentando nesse momento com a suspensão das aulas muitas rotinas foram abaladas, com isso fica evidente a importância do professor e o desempenho de sua atuação em situação emergencial. Mesmo com o comprometimento em cumprir os objetivos da BNCC, notei que muitas atividades sofreram adaptações, compreendendo que os familiares não têm formação específica para tal desenvolvimento com as crianças, além de ter que se desdobrarem com outras atividades, a internet também era uma questão onde nem todos tinham acesso a uma internet Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 52 banda larga o que dificulta muito no desenvolvimento das atividades mais um motivo para desestimular os familiares. Ficou evidente durante as reuniões que participei com as professoras e a coordenadora a frustração e preocupação em relação ao não desenvolvimento das atividades, certas de que isso poderá comprometer de alguma forma no desempenho futuro das crianças as professoras esperam que com a volta às aulas presenciais consigam corrigir esse descompasso de estímulos, para que essas crianças não tenham nenhum comprometimento na aprendizagem no ensino fundamental. REFERÊNCIAS ARAÚJO, M. C. A. S.; FIGUEIREDO, A. D. R; A prática docente na educação infantil conciliada com a BNCC. Conedu. VII Congresso Nacional de Educação. Centro Cultural de Exposições Ruth Cardoso. 2020. Disponível em: <https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2020/TRABALHO_EV140_MD1_SA9_I D4547_01102020225540.pdf > BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília. 2017.Disponível<http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versa ofinal_site.pdf> BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº9.394, de 20 de dezembro. 1996. CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 4.ed. São Paulo: Cortez.2000. Disponível em: <http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2010- 1/2SF/Claudio/5Pesquisas_em_Ciencias_Humanas_Sociais.pdf > Ministério da Educação. Secretaria de educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília, MEC,1998. MOREIRA, Eliana Monteiro; VASCONCELLOS, Kathleen Elane Leal. Infância, infâncias: o ser criança em espaços socialmente distintos. Serviço Social &Sociedade, São Paulo, ano 24, n. 76, p.165-180, nov. 2003. Organização Mundial da Saúde. Disponível em <https://www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/> acesso em: abril de 2021. PASSEGGI, M.C.; SOUZA, E. C.; VICENTINI, P.P. Entre a vida e a formação: pesquisa (auto)biográfica, docência e profissionalização. Educação em Revista | Belo Horizonte | v.27 | n.01 | p.369-386 | abr. 2011. PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. 2 ed. Tradução de Álvaro Cabral Rio de Janeiro: Zahar, 1975. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 53 RIGÃO. A. R; MARQUEZAN. F. F. Práticas Educomunicativas na Educação Infantil: um relato de experiência. Pedagogo Foco, Iturama (MG), v. 14, n. 12,p. 120-134, jul./dez. 2019. Secretaria Municipal de Educação (Piraí). Decreto 5.100 de 31 de março de 2020. Disponível em <https://www.pirai.rj.gov.br/servicos/educacao-e-pesquisa/secretaria- municipal-de-educacao> acesso em: maio de 2021. SIEBENEICHLER, L. F.; BARROS, P. C; CARNEIRO, E. C. G; Os estágios de desenvolvimento infantil e os direitos de aprendizagem e desenvolvimento nos campos de experiência da base nacional comum curricular – BNCC. Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 3, p. 11990-11995, mar. 2020. Disponível em:< https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/7596/6604 > VYGOTSKY, Lev. A afetividade na aprendizagem. DANTAS, H. São Paulo: Summus,1992. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 54 CAPÍTULO 5 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE MOEBIUS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ESTUDO DE CASO Prissilla Da Silva Alexandria Janaína Ribeiro Pireda Teixeira Lima RESUMO O artigo promove uma argumentação, sobre o falso julgamento, da inabilidade de aprendizagem e desenvolvimento de crianças com síndrome de Moebius. A SM, consiste em uma má formação congênita que provoca anomalias múltiplas, e por comprometer a morfologia, inclusive paralesia facial (assimetria do rosto), pode vir acompanhada de uma deficiência mental. Dessa forma, contextualiza-se a possibilidades de evolução cognitiva, através de teóricos como Vygotsky e outros, além do estudo de caso de criança com a Síndrome na Educação Infantil. Assim, a metodologia utilizada na investigação, foi a revisão bibliográfica e o estudo de caso, utilizando uma abordagem qualitativa de pesquisa. PALAVRAS-CHAVE: Síndrome de Moebius. Inclusão. Desenvolvimento Cognitivo. INTRODUÇÃO A Síndrome de Moebius (SM), consiste em uma má formação congênita que provoca anomalias múltiplas, e por comprometer a morfologia, inclusive paralesia facial (assimetria do rosto), pode vir acompanhada de uma deficiência mental (ARAÚJO, FONTANA, FONTENELLE, 2001). Dessa forma, gera-se um equívoco baseado na aparência, que acabam estigmatizando-os como inaptos para o desenvolvimento cognitivo. Mesmo apresentando dano, Vygotsky defendia que o cérebro é o orgão responsável pela atividade psicológica, digo o desempenho mental; nascemos com ele, mas este não apresenta características inertes ou imutáveis. Desse modo, possui extensa plasticidade que o capacita a estruturar-se e funcionar conforme o avanço da humanidade e evolução pessoal. (ALICE, ANGELLA, HERCULANO, p.44) Ainda no entendimento de Vygotsky (2011), o defeito não configura barreira para o desenvolvimento, levando as crianças a outras apropriações e ações para suprir as partes não funcionais: o defeito gera empecilhos para o desenvolvimento e desfaz a estabilidade, que colabora para a evolução de rumos inusuais de adequação que procura contrabalançar a deficiência. Um notável exemplo é o desenvolvimento cultural: quando torna-se impossível progredir biologicamente, a cultura direciona para novas possibilidades; Assim: “a cultura nivela as diferenças de talento e como o desenvolvimento cultural apara ou, mais Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 55 precisamente, converte em histórica a superação natural do desenvolvimento orgânico incompleto”. (VYGOTSKY, 2011, p. 869) Dessa forma, mostra-se de extrema importância a inclusão escolar, desde a educação infantil, pois as experiências com o meio exerce grande influição no progresso intelectual, chegando ao ápice nos primeiros quatro anos de idade (ALICE, ANGELLA, HERCULANO, p.23). Assim, torna-se relevante ingressar nas instituições de ensino, para que sejam trabalhadas precocemente a socialização, e consequentemente, a inserção social, histórica e cultural no meio que estão inseridos, como também faz-se cumprir os direitos legais ao acesso igualitário a uma educação de qualidade que garanta sua integral/plena instrução. (BRASIL, 1988). Por essa razão escolhi o tema, para desmistificar equívocos sobre a SM que induzem educadores e genitores a erros, descredibilizando qualquer método que possa ter uma intervenção positiva no progresso das competências motoras, emocionais, sociais e intelectiva. Nessa conjuntura, a pesquisa se justifa, pela escassez de investigações científica direcionadas a Síndrome de Moebius, principalmente, no seguimento pedagógico, pois estudos nessa área viabilizariam novos caminhos para o desenvolvimento intelectivo dessas pessoas, e portanto, a compreensão e análise dessa deficiência. Nesse sentido, o estudo tem como objetivo geral corroborar para evidências teóricas que validam as aprendizagens de sujeitos com malformações, aplicando-se assim, aos que possuem Síndrome de Moebius. Tendo como objetivos específicos: Caracterizar a Síndrome de Moebius; Apresentar perpectivas de alguns estudiosos sobre aprendizagem; e Expor o estudo de caso da Criança com S M na Educação infantil. A metodologia aplicada na estrutura da pesquisa foi a revisão bibliográfica e o estudo de caso. Possui carácter qualitativo, utilizando de estudiososos como Piaget, Vygotsky, Winnicott e Wallon, entre outros que contribuíram significativamente com suas ideologias sobre o assunto abordado. Sobre o estudo de caso, as experiências observadas da criança auxilia no entendimento global do que se apresenta. O artigo, foi organizado em quatro segmentos com a finalidade de executar os objetivos propostos. Dessa maneira, a primeira seção da investigação discorre sobre os referenciais teóricos, versando sobre os aspectos da síndrome de Moebius e o ponto de vista de alguns estudiosos sobre desenvolvimento infantil. Na segunda seção, o estudo de caso sobre as circunstâncias examinadas. Na terceira seção, a metodologia aplicada na produção Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 56 do artigo. E na quarta seção o resultado da análise investigativa sob o prisma de Piaget, Vygotsky, Winnicot e Wallon. 1. REFERENCIAL TEÓRICO 1.1 Aspectos da Síndrome de Moebius Inicialmente em 1880, a Diplegia Facial Congênita, foi retratada por Von Graafe, assim, por meio de sua iniciativa surgiram outras pesquisas e publicações científicas. No período de 1892, Moebius indicou a ligação da Diplegia Facial Congênita com diversas outras imperfeições orofaciais e límbicas, designando um aspecto de síndrome, intitulada subsequentemente, como Síndrome de Moebius. A qual, também é indicada como: Agenesia Nuclear, Paralisia Óculo- Facial Congênita, Hipoplasia Nuclear Congênita e Diplegia Facial Congênita. (Freitas, Filho, Queiroz, Assed, Silva, 2006) O diagnóstico apresenta inexpressividade, portando, pode ser percebido segundo alguns padrões: o critério essencial para o diagnóstico dessa síndrome é a paralisia parcial ou completa do nervo facial, que produz uma aparência facial pouco expressiva (face de máscara), sendo as malformações límbicas e orofaciais outros sinais frequentemente presentes. A síndrome pode vir ainda acompanhada de paralisia uni ou bilateral de outros nervos cranianos, principalmente do abducente e, mais raramente, do oculomotor, troclear, glossofaríngeo, vago e do hipoglosso, determinando distúrbios de sensibilidade nas regiões inervadas pelo trigêmeo, disfagia, disfonia e paralisia do músculo reto lateral, verificados em diferentes combinações. (ARAÚJO, BRAVO, DRAGO, 2019, p.73) A SM define-se pela imobilidade congênita e não gradual do VI e do VII nervos cranianos, frequentemente bilateral, gerando estrabismo convergente e um aspecto facial sem expressão. Constantemente outros nervos cranianos são afetados, bilateralmente ou unilateralmente, produzindo: estrabismo divergente, ptose palpebral, distúrbios da sensibilidade nos territórios inervados pelo trigêmeo, disfagia,surdez, disfonia e atrofia da língua, da qual observa-se outras possibilidade combinativas. Apresenta malformações esqueléticas, principalmente pés tortos. Manifesta, aplasia do peitoral e micrognatia, apontando para a síndrome de Polland. Dessa forma, são relacionadas outras anomalias como: problemas cardíacos, defeitos das extremidades, deformação dentária, distúbio respiratório central, portanto, pode desenvolver outras anormalidades pouco triviais. Mas, existem casos relevantes de deficiência mental, induzinddo para o comprometimento do sistema nervoso, apontando para a existência consistente de paralisias dos nervos cranianos. (Araújo, Bravo, Drago, 2019) Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 57 O retardo mental pode estar presente em 10 a 15% dos casos, (Jones11 1998, Kumar13 1990, Lin e Wang14 1997) podendo variar de leve a severo. (Badger1, 1993, Jorgenson12 1971). No entanto, a supervalorização de características clínicas, tais como a “fácie de máscara”, acúmulo de saliva nas comissuras labiais, estrabismo e dificuldade na fala, pode levar a um falso diagnóstico de retardo mental. (FREITAS, FILHO, QUEIROZ, ASSED, SILVA, 2006, p. 298). A origem da SM continua uma incógnita, mas é versada sobre duas suposições: princípio genético ou alterações no ambiente intra-uterino. Sendo assim, determinados motivos são envolvidos na origem da síndrome: agentes infecciosos, diabetes gestacional, hipertemia e entorpecentes usados pela gestante ( misoprostol, benzodiazepínicos, álcool e talidomida); Do mesmo modo que traumas fetais, como ocasional isquemia, são apontados como razões para SM. Porém:“acredita-se que a popularização do misoprostol como abortivo possa ser responsável pelo aumento do número de casos nos anos recentes. Estudos realizados no Brasil têm deixado evidente essa relação”. (FREITAS, FILHO, QUEIROZ, ASSED, SILVA, 2006, p.299). Não existe cura para a Síndrome de Moebius, mas há tratamento. Desse modo, necessita de uma intervenção com uma equipe multidisciplinar, como: Médicos, dentistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas que realizem ações cirúrgicas e terapêuticas, para amenizar os efeitos causados pela síndrome. Contudo, “priorizando as diferentes necessidadesfísicas, cognitivas, sociais e emocionais dos pacientes”. ( ARAÚJO, BRAVO, DRAGO, 2019, p. 73). 1.2 Perspectivas de Piaget, Vygotsky, Winnicott e Wallon, sobre aprendizagens infantis No campo da psicologia, existe a psicologia da educação, que se propõe a estudar os desenvolvimentos dos sujeitos em conjunto com os métodos educativos. Nesta mesma vertente, subsiste a psicologia do desenvolvimento, que investiga a evolução humana em seus amplos aspectos: cognitivo, físico-motor, psicossocial, no decorrer do seu curso existencial; assim como, pensamento, afetividade, linguagem, aprendizagens, criatividade, memória e raciocínio, são objetos de análise/pesquisa desse ramo da psicologia. (LOPES, LUCCA,2012) Desse modo, há várias teorias que abordam a Psicologia do desenvolvimento, como: A- Teoria da Epistemologia Genética de Jean Piaget O eixo investigativo de Piaget eram os modos de obtenção do conhecimento, isto é, indagava sobre a respeito dos processos de consciência, de construção e sistematização do mundo, presentes na infância até a fase adulta. (LOPES, LUCCA,2012) Segundo o teórico, sob ótica de CAETANO (2010, p.1): “o conhecimento não pode ser Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 58 simplesmente imposto pelo meio ao sujeito, como um reflexo das propriedades do ambiente (empirismo), tampouco estaria inteiramente pré-formado no sujeito, apenas aguardando a maturação (apriorismo)”. Portando, a estruturação do raciocínio do homem é resultado da interação do indivíduo com o meio. Segundo a Teoria Epistemológica Genética, conforme surgem solicitações do meio, as estruturas da inteligência vão se construindo e, a partir de novas solicitações, o sujeito tem a possibilidade de reorganizá-las, vivenciando constantes mecanismos de assimilação de novos objetos a esquemas já existentes e mecanismos de ampliação do conhecimento denominados acomodação. O resultado das sucessivas assimilações e acomodações é chamado por Piaget de equilibração (conceito central da sua teoria construtivista do conhecimento). Assim, quando as estruturas que o sujeito já construiu não lhe permitem assimilar um novo objeto de conhecimento, isto é, determinado objeto é resistente, provoca uma perturbação no sujeito, o desequilíbrio é desencadeado. (CAETANO, 2010, p.1). Nessa sentido, para Piaget, as estruturas operacionais instituem o pilar do conhecimento, do qual identifica, que o obstáculo está em estabelecer um entendimento sobre a elaboração, funcionamento, formação e organização desses arcabouços. (GOMES, BELLINI, 2009) Por conseguinte, indica quatro estágios dessa estrutura de desenvolvimento: Estágio sensório-motor (pré-verbal): dura, aproximadamente, os 18 primeiros meses de vida. É neste estágio que o conhecimento prático é desenvolvido, constituindo-se a subestrutura do conhecimento representativo ulterior. (...) Estágio da representação pré-operacional (início da linguagem e da função simbólica): desenvolve-se a capacidade de substituir o objeto pela sua representação simbólica. Mas, as ações sensório-motoras não são imediatamente transformadas em operações. Estágio das operações concretas: ocorrem operações sobre os objetos concretos e não sobre hipóteses expressadas verbalmente. (...) Estágio das operações formais ou hipotético-dedutivas: cria-se a possibilidade de raciocinar com hipóteses e não só com objetos. A criança tem a capacidade de construir operações de lógica proposicional, e não simplesmente as operações de classes, relações e números. (GOMES, BELLINI, 2009, p.1). Nessa percepção, Piaget, esclarece como esses estágios se constituem, expondo ainda, alguns fatores como: transmissão social, experiência, equilibração e maturação biológica, que são responsáveis pelo avanço progressivo de uma para demais estruturas. (GOMES, BELLINI, 2009). B- Teoria Histórico-Cultural de Lev Seminovich Vygotsky Consoante esta premissa, Vygotsky reconhece a conexão do homem com a sociedade, declarando que os atributos inerente da espécie não são inatos ou consequência de coação externa, mas em decorrência da relação dialógica entre o indivíduo e sua esfera cultural/social. (REGO, 1995). Com esse ponto de vista, reconhece elementos mediadores que copulam nesta http://www6.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/problemas-de-equilibracao/ Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 59 integração do indivíduo, como: os sistemas de signos e os instrumentos técnicos concebidos no decurso da história, que propiciam a mediação humana; como a linguagem que é um signo mediador, que traz consigo definições difundidas pela cultura. (REGO, 1995). (...) a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, pois é mediada por meios, que se constituem nas "ferramentas auxiliares" da atividade humana. A capacidade de criar essas "ferramentas” é exclusiva da espécie humana. O pressuposto da mediação é fundamental na perspectiva sócio-histórica justamente porque é através dos instrumentos e signos que os processos de funcionamento psicológico são fornecidos pela cultura. É por isso que Vygotsky confere a linguagem um papel de destaque no processo de pensamentos. (REGO, 1995, p.42 e 43). Em sua pesquisa, pretendia fundir duas propostas da psicologia. A psicologia como ciência natural: estrutura biológica, com seus recursos sensórios e de resposta. Com a psicologia como ciência mental: voltada para os sistemas psicológicos superiores: mente, espírito e discernimento. Logo,“a síntese proposta por Vygotsky é a de uma psicologia que integra o homem enquanto corpo e mente,biológico e social, ser da espécie humana e ser de um processo histórico”. (LOPES, LUCCA, 2012, p.24). Assim, julgou relevante o desenvolvimento mediante as evoluções da maturidade nervosa relativa à aprendizagem, por conseguinte, “em algumas oportunidades é a aprendizagem que determina o desenvolvimento”. (MIRANDA, FILHO, 2012, p.72). O desenvolvimento não decorre em função da escassez de condições favorável para aprendizagem. Contudo, o sujeito percebe-se humano com a interação com outros de sua espécie, tomando posse da conjuntura concebida por seus antepassados, por intermédio de instrumentos e assimilação de hábitos e costumes de civilizações passadas. Portanto, através do aprendizado que acontece o progresso dos processos internos do homem conectando-o “ao universo sócio-cultural em que está inserido como um organismo que precisa do suporte dos outros indivíduos de sua espécie e condição para se desenvolver plenamente”. (LOPES, LUCCA, 2012, p.34). Dessa forma, constatou que haviam distintas esferas de maturidade nervosa relativas as diversas aplicações psicológicas e biológicas para instrução; isto é, a maturidade trata-se de uma sequência ininterrupta de fases, em que se percorre por níveis inferiores e superiores. Ou seja, inicialmente, a criança ainda não é capaz de digerir o conteúdo proposto no ensino; posteriormente, adquire habilidades para a concluir o que lhe foi proposto no ensino; e entre esses níveis, é possível identificar vertígios de aptidões, que podem ser agentes motivacionais para resolução das aprendizagens. (MIRANDA, FILHO, 2012). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 60 Isto posto, chega-se ao conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, que trata-se do espaço entre o ponto de desenvolvimento real, sendo capaz de resolver problemas de forma autônoma; e o ponto de desenvolvimento potencial, sendo capaz de resolver problemas apenas com auxílios de outros, colaboradores ou adultos mais instruídos. (MIRANDA, FILHO, 2012) É precisamente esta zona proximal a que deve ser descoberta psicopeda- gogicamente para estimular o que falta por desenvolver e assim acelerar a aprendizagem de “algo” (uma ideia, um conhecimento, um conceito, uma solução, uma habilidade, um valor, um afeto etc.). (MIRANDA, FILHO, 2012, p.77). Destarte, Vygotsky tinha convicção que o indivíduo no decurso de sua instrução, estava incessantemente reconstituindo e reestruturando significados na esfera de sua rotina e que os atributos da sua abstração e discernimento são primordiais na construção dos sistemas psicológicos superiores. Consequentemente, à ação de reelaborar independentemente a cultura é a gênese do processo histórico da conversão da sociedade, e um pilar dessa transformação são as instituiçoes educativas. ( LOPES, LUCCA, 2012). C- Teoria do Desenvolvimento Emocional de Donald Wood Winnicott O arcabouço de sua análise, está voltado a especificar os recursos maturacionais que o homem percorre para ser mentalmente instável. Sendo assim, nasce com inclinações hereditárias e predisposições orgânicas para crescer/evoluir, que só ocorrerão se houver uma ambiência propícia/favorável, apta a se ajustar as suas conveniências cotidianas. Chamando esse espaço de ambiente facilitador , que refere-se à genitora ou alguém que cumpre tal papel; ( LOPES, LUCCA, 2012) Neste ambiente facilitador, segundo Winnicott, carece do que chamou de uma mãe suficientemente boa, que se adapte integralmente as demandas da criança, evitando danos a sua saúde física ou psíquica. Uma boa mãe, contribui para a construção de um self verdadeiro, um eu autêntico/genuíno, composto de mente e corpo. Com isso, reconheceu o self verdadeiro: como um ser que se tece através do uso de inclinações congênitas, manifestando inicialmente, por meios de reações intrínsica da sua mente ao seu sistema motor, como: movimentos e gesticulações; e self falso (oriundo de uma mãe insuficientemente boa), que acarreta ao ser um estabelecimento de uma índole dissimulada/reprimida, do qual cria um mundo ficcional. (ARCANGIOLI, LEDOUX, VAGUERÈSE, NASIO, TAILLANDIER, THIS, THOMAS, 1995) Importante destacar, que nesta conjuntura de progresso psíquico do bebê, a quebra desta ambiência favorável, pode ocasionar distúrbios e traumas. Portanto, na fase de depedência Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 61 absoluta (nos seis primeiros meses de nascida), do qual depende exclusivamente da mãe, à anomalia ambiental acarreta: um estado avassalador de angústia e patologias; no estado de angústia apresenta estas impressões: de uma queda sem fim, de ser levado para grandes alturas, despedaçar-se, não ter sentido espaço-temporal e não ter conexão com o próprio corpo; e patalogias: esquizofrenia, autismo, psicose, neurose e carácter baseado no falso self. Na fase de dependência relativa ( dos seis meses aos dois anos de vida), do qual já discerne seu vínculo materno, os objetos e as pessoas do meio externo; à anomalia ambiental acarreta: angústia depressiva, ataques agressivos e culpa. (ARCANGIOLI, LEDOUX, VAGUERÈSE, NASIO, TAILLANDIER, THIS, THOMAS, 1995). A incumbência materna, nomeou de: holding, handling e objet presentation. Holding denota a ação de amparar/segurar, como também atos fraternos para nutrir, defender e higienizar; reputada como estrutura tangível e psicológica cedida ao bebê pela genitora ou quem cumpre essa missão. Handling designa o manuseio/manejo da progenitora ou protetor, que manipula carinhosamente o bebê promovendo: o contato de pele com pele; diligengências de cuidados; percepção corpórea da criança; o sensu de si, dos outros e do mundo; e que este se encontra em um meio afável que o supre de conforto e autonomia. E objet presentation, seria a exposição de uma realidade externa, que possa viabilizar ao bebê um ambiente seguro de estímulos propício para explorações; então, apresenta-se objetos transicionais ( eventos, coisas, músicas, novas pessoas, brinquedos, colegas, e etc), que lhe dê contentamento e que sejam supridores da genetriz, para que com o afastamento da mãe (como único objeto de gozo), não gere desconforto/ansiedade. ( VIEIRA, 2021). Atrelado ao conceito de holding, handling e objet presentation, está a definição dos três estágios maturacionais primitivos: ( LOPES, LUCCA, 2012). Integração: significa que o bebê começa a “juntar suas partes”, isto é, sentir- se inteiro. No handling, esta perspectiva integrativa começa a ocorrer, com o bebê equilibrando-se na mão dos cuidadores e percebendo-se como um todo. Personalização: significa que o bebê começa a se ver como uma pessoa, distinta das demais pessoas e do mundo. No holding, a personalização terá oportunidade de se desenvolver: a pele do bebê é tocada, e o bebê passa entender uma fronteira entre seu ser e o exterior. Realização: significa que o bebê começa a ter uma percepção do seu contato com uma realidade externa mais complexa. Na apresentação de objetos, a realização irá se desenvolver, com a mãe (ou cuidador) apresentando ao bebê objetos transicionais que marcarão um gradativo desapego à mãe e um engajamento ativo para os desafios da realidade exterior. (VIEIRA, 2021, p.1) Ainda destaca o papel da criatividade nas aprendizagens e nos processos maturacionais. O homem é organicamente criativo, dessa maneira, sua natureza o impulsiona a produzir Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 62 brincadeiras de forma espontânea; quando a ludicidade não são reprimidas, torna- se capaz de realizar suas ideias e de utilizar sua imaginação na deslocação e manuseio de objetos. Ao brincar interage com o mundo, que o possibilita exercer suas investigações e fantasias com felicidade/satisfação. ( LOPES, LUCCA, 2012) É justamente o brincar que permite esse processo de aprendizagem,como conquista, instalar-se e transformar-se na base de tudo aquilo que os adultos convencionam chamar de cultura. O conhecimento, a cultura, portanto, do ponto de vista de Winnicott, podem ser algo de que a pessoa se apossa, ou algo que se apossa da pessoa. (LOPES, LUCCA, 2012, p.49). Concluimos, que a ideologia de Winnicott, focou-se na ingerência do fator ambiental na evolução da psique do indivíduo, analisando essa mediação desde o seu nascimento e em suas diferentes fases de desenvolvimento. Refletindo, que para ser um homem sadio mentalmente/fisicamente, deve-se adaptar seu âmbito de vivência, de modo a prover condições, circuntância e caminhos emocionais para este feito. (ARCANGIOLI, LEDOUX, VAGUERÈSE, NASIO, TAILLANDIER, THIS, THOMAS, 1995). D- Teoria da Afetividade de Henri Wallon Sua conjuntura de estudos/pesquisa está voltada para concepção da psicogenética, da qual propõe, que a evolução do ser humano decorre com intuito de inserção dessas vertentes: domínios funcionais afetivo-cognitivo-motor e organismo-meio. Assim, o desenvolvimento do indivíduo sucede com base na agregação da potencialidade biológica com a diversidade das características ambientais. ( LOPES, LUCCA, 2012) Portanto, é a interação da criança com o ambiente, interação esta entendida como uma relação de complementariedade entre o orgânico e a sociedade de formas complexas e instáveis que promovem a evolução psicológica da criança. (...) ambiente deve corresponder às necessidades da criança, no que se refere às suas aptidões sensório- motoras, e depois psicomotoras, mas também deve impor novos desafios e novos recursos que possibilitem aumentar as probabilidades de evolução e de diferenciação individual. (LOPES, LUCCA, 2012, p.65). Para Wallon (2010, p.66): “Os domínios funcionais que se estendem entre as reações pura mente afetivas e as da pessoa moral são aqueles que estão voltados para realidades exteriores: realidades presentes e atuais ou realidades ausentes e imaginadas.” Esses domínios se manifestam nos ciclos de desenvolvimento da criança em quatro grupos funcionais: do ato motor, da afetividade, do conhecimento e da pessoa. O ato motor é o que inicialmente se manifesta/evolui, dando suporte ao progresso das demais esferas funcionais. Encontra-se conectado com as emoções, sendo estes que impulsionam a afetividade em seus múltiplos aspectos. Através do movimento: que a criança Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 63 manifesta sua existência psicológica, antes do advento da palavra; e propicia condições de aprendizagens, que quando alinhada as emoções, colabora na formação do eu e na distinção da criança e do ambiente a sua volta. (DAUTRO, LIMA, 2018). A afetividade pertence ao campo das emoções, das sensações, das práticas/habilidades sentimentais, das vivências e manifestações expressivas do homem. Apresenta-se em circunstânias biológicas (emoções), e psicológicas (desejos e sentimentos). Nas ocorrências afetivas biológicas, as emoções atinge prontamente a respiração, os batimentos cardíacos e o tônus muscular, dessa forma, as emoções possibilita reação/reflexo na musculatura, ou seja, movimento e emoção se complementam. (DAUTRO, LIMA, 2018). O conhecimento ocorre devido as condições biológicas e sociais. Os agentes biológicos atribui as emoções a tarefa de constituir as relações instantâneas entre os indivíduos. Os agentes sociais refere-se ao âmbito coletivo que favorece na estruturação da linguagem e dos símbolos, dos quais progridem respectivamente, propiciando à ampliação cognitiva. ( DAUTRO, LIMA, 2018). A pessoa desenvolve-se mutualmente com os campos funcionais da inteligência, do ato motor e da afetividade. Inicialmente, as funções cognitivas da criança não são diferenciadas, ela não separa o eu, o outro e o meio; vê-se fundida, não como ser singular/individual. A idealização da personalidade ocorre apartir do primeiro ano de vida, decorrente da intervenção particicipativa de outro ser humano. (DAUTRO, LIMA, 2018). Por conseguinte, Wallon estrutura o desenvolvimento em cinco estágios: Estágio impulsivo emocional, marcado pelo domínio afetivo, no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta o bebê quanto às suas ações frente às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico. Estágio sensório motor e projetivo vai até os três anos de idade, é a fase onde a criança aprende a manipular os objetos, predomínio das relações cognitivas com o meio, é marcada pelo desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. Estágio do personalismo, dos três anos aos seis anos, nesta fase a criança desenvolve a consciência de si perante as interações sociais (formação da personalidade) com predomínio das dimensões afetivas. Estágio categorial, a partir dos seis anos, com importantes avanços no plano da inteligência e consequente predomínio cognitivo. Esse progresso dirige a criança para a aprendizagem do mundo que a cerca. Estágio da adolescência, com a crise da puberdade, e com a nova definição dos contornos da personalidade e domínio afetivo. (ALMEIDA, STOLTZ, 2010, p.10). Dessarte, que o fundamento da teoria de Wallon, tem como princípio a percepção do indivíduo integral, composto/assimilado nas esferas afetivas, intelectual, biológico e social. Este, dá destaque significativo aos fatores orgânicos, da emoção e à atuação do outro na Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 64 constituição do indivíduo, assim como, reconhece a importância da emoção como condição para origem da inteligência. ( DAUTRO, LIMA, 2018). 2 ESTUDO DE CASO, NA EDUCAÇÃO INFANTIL, DE CRIANÇA PORTADORA DE SM A criança pesquisada, nasceu prematura com sete meses de gestação, da qual a genitora, era portadora de toxiplasmose e havia feito uma cirurgia de remoção de intestino (necrosado), com cinco meses de gravidez, assim, o feto ficou sem oxigênio por mais de oito horas durante procedimento operatório. Devido todas essas interpéries, o infante nasceu com sérios problemas de saúde: paralisia de parte do corpo, pés tortos congênitos, acometimentos respiratórios, microcalcificações cerebrais, entre outros, precisando de equipe multidisciplinar para acompanhá-lo, como: neurologista, fisioterapeuta, fonodiólogo, entre outros profissionais; sendo que adiante, uma médica geneticista, identificou a síndrome de Moebius. O menino apresentou atraso cognitivo e motor, falando com dois anos e andando com cinco anos de idade. Esse é um resumo, para ampliar os aspectos interpretativos e de compreensão do processo de desenvolvimento educativo do investigado. Atendendo a diretriz governamental, de obrigatoriedade de matricular os rebentos na escola, apartir dos quatro anos de idade ( lei 12796/2013, art 4º, inc. I), foi inscrito numa escola pública pré-primária de sua região. Assim, garantindo o direito a educação e atendimento educacional especializado pelo fato de ser deficiente ( art 205 e 208, da CF, respectivamente). Como também, lhe assegurando o que reza a lei 9394/96, Diretrizes e Bases da Educação, em seu capítulo V, Educação Especial: Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. §1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. §2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular. §3º A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; (...) ( BRASIL, LEI 9394/96.). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 65 Começou sua trajetória na educação infantil de maneira conturbada, já que não havia um profissional para auxiliá-lo com alimentação e locomoção, pelo fato de haver pouca coordenação motora nos membros superiores e uso de gesso/prótese corretiva nos pés, o que dificultava sua mobilidade. Foi pedido todos os laudos para justificar esse profissional ao aluno, mas só foi cedido pelo município três meses depois. Nesse cenário, de falsa inclusão, foi mantido como ouvinte, sem participar das interações e atividades em turma, como fosse inapto para a aprendizagem. O município, a escola e funcionários, foram negligentes/omissos, em suas funções e deveres como servidores/entes públicos, descumprindo os direitos garantindos em lei ao aluno que apresenta algum tipo de deficiência: Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania (...). Art. 3º Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se: (...) IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança (...) VI - adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais;(...) XIII - profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante (...) Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação (...) (BRASIL, 2015, p. 23). Mas apesar das leis garantirem a matrícula e permanência na escola, a realidade é diferente: (...) o fato da LDB 9394/1996 estabelece o acesso e a permanência na escola comum das pessoas com deficiência, algumas dessas pessoas ainda enfrentam uma série de problemas quanto à efetivação de sua matrícula e, consequente permanência na escola. Temos percebido que dentre o grupo de pessoas com deficiência as que enfrentam mais barreiras em relação à inclusão nas salas comuns da educação em todos os seus níveis são aquelas que apresentam deficiência mental e transtornos globais do desenvolvimento causadas por síndromes raras, como as pessoas com Síndromes de Down, Autismo, Asperger, Willians, Noonan, Klinefelter, Rett, Moebius, dentre outras (ARAÚJO, BRAVO, DRAGO, 2019, p. 75). Como não houve sucesso, a frequência em escola pública, a criança foi encaminhada a uma instituição escolar privada, da qual foi efetivamente integrada como aluno. Havia uma auxiliar para acompanhá-lo/ampará-lo em suas atividades; participava ativamente da classe, do qual foi acolhido por colegas, professor, escola e funcionários. Progrediu em suas capacidades/habilidades, conforme seu rítmo específico, por causa da atenção e dedicação de educadores/equipe multidisciplinar, atestando que não há alunos que não aprende, mais sim, Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 66 profissionais desenteressados e não comprometidos com sua missão. Quanto ao discente, demostrou total plasticidade e potencial adaptativo, fazendo intergrar-se em todas as práticas/dinâmicas propostas. Hoje, está com 15 anos, encontrando novas oportunidades educativas no exterior, estuda em uma escola pública inclusiva portuguesa, onde em sua classe, possuem alunos típicos e atípicos, todos com total igualdade de condições para crescer e evoluir. É demasiadamente comunicativo, possui talento nato para música, possui dificuldades em matemática, mas em outras disciplinas, acompanha os demais, enfim, um adolescente como outro, que esta se tornando uma excelente sujeito, pois encontrou oportunidades e pessoas que acreditaram no seu progresso, como pessoa e cidadão. 3 METODOLOGIA A metodologia escolhida para desenvolver a pesquisa foi o estudo de caso e revisão bibliográfica. Conforme Fonseca (2002) citado por (GERHARDT E SILVEIRA, 2009): A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites (...) procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta (GERHARDT, SILVEIRA, 2009, p. 37) A pesquisa foi desenvolvida na abordagem qualitativa e revisão bibliográfica transportando o que alguns referenciais teóricos como, LOPES e LUCCA (2012); VYGOTSKY (2011); e Wallon (2010) entre outros, que refletem e entendem a temática. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO O cerne dessa investigação foi buscar meios que ratifique que crianças portadoras de síndromes raras, em particular a de Moebius, são categoricamente capazes de adquirir conhecimento, óbvio que de acordo com seu rítimo fisiológico ou grau de comprometimento: seja por fatores biológicos, aspectos psicológicos, causas motoras e condições ambientais. Desse modo, buscou-se respaldo científico em grandes expert do desenvolvimento humano: como Jean Piaget ( biólogo, perito em Psicologia, Epistemologia e Educação), Lev Seminovich Vygotsky ( psicólogo, mentor da Psicologia histórico-cultural) , Donald Wood Winnicott ( pediatra e psicanalista) e Henri Wallon ( médico, psicólogo e educador); todos nomes reconhecidos e respeitados pelas suas experiências teóricas/práticas na evolução infantil. Como também, foi utilizado autores/pesquisadores que procuraram esmiuçar as ideologias desses ícones da educação. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 67 Assim, ciente da inexistência de cura para a SM, constatou-se que o que tange o cérebro, assim como suas funções neurais, são propícios a regeneração/estruturação que os leva a alçar trajetórias que permitem alcançar evolução cognitiva. Isso, devido o cérebro não ser um órgão estático/estagnado, possuindo plasticidade sináptica para sofrer alterações conforme a demanda, estímulos e meio social. Para Piaget a criança é um sujeito que atua diretamente na construção do seu conhecimento. No progresso intelectivo, gênese da aprendizagem, ocorrem o processo da assimilação e acomodação. Na assimilação a mente permanece inerte, assim, quando sofre algum impasse assimilativo, a mente tende a se abster ou se modificar. Ao se modificar ocasiona a acomodação, que permite novas sinapses assimilativas que converte-se em evolução intelectual. Nesse constante choque sináptico, respeitando os estágios progressista maturatório, com estímulos,enriquecimento ambiental e socialização, viabiliza pessoas com SM a encontrar trajetos mentais para suas dificuldades racionais. Em se tratando de Vygotsky, o indivíduo se desenvolve por intervenção sociocultural, do qual interage, sofre influência e transforma essa ambiência. Por conseguinte, reconhece a mutabilidade do cérebro, suas adaptações durante as vivências, conjunturas históricas e ascensão pessoal. Assim, através da cultura, da mediação dos instrumentos e signos, o homem se conecta com o mundo. Portanto, os portadores de SM integrados nessa congruência sociocultural, são aptos a instrução devido a esse aporte do outro, que irá preconceber esse progresso cognitivo; pois, para o teórico é a instrução que conduz ao desenvolvimento. Com relação Winnicott, o ciclo de bebê compõe a período de vital importância na construção/evolução do homem saudável e psicologicamente instável. Além de fatores genéticos e de propoções biológico intrinsecamente inatos, faz-se imprescindível um ambiente facilitador que suscite o processo maturatório do infante; que ocorrerá por intervenção materna ou de quem exerça tal papel; que será o mentor, provedor e protetor nos diferentes estágios de crescimento/desenvolvimento. Dessa forma, se os portadores de SM tiverem essa ambiência acolhedora de estimulação/orientação, facilitará o engendramento emocional que propiciará a prosperidade intelectual desse sujeito. Segundo Wallon, o homem é um ser global integrado em sua fisiologia e ingerência social, como constituído através da intersecção de aspectos afetivos, motor e cognitivo. Portanto, a cognição se forma a partir da inserção da criança com o meio, do qual fornece elementos sensório-motores, psicomotores, motivações e instigações para potencializar-se Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 68 intelectualmente. Nessa prospecção, deduzimos, que criança com SM incluida nessa contingência social de amparo, adquirem habilidades que cooperam para seu êxito cognitivo. No que concerne ao estudo do caso, a criança recebeu toda atenção viável que colaborasse no seu crescimento cognitivo, motor e orgânico. Foi assistido desde sua vida intrauterina por médicos especializados, e conforme suas experiênciais pós-natal, por outros profissionais como: pediatra, neurologista, geneticista, ortopedista, otorrinolaringologista, oftalmologista, dentista, fonoaudiólogo , psicoterapeuta e outros, que auxiliaram os genitores para os cuidados específicos do seu rebento especial. Recebeu muito afeto por familiares, estímulos/desafios para este superar os obstáculos impostos por sua condição física, motora e racional; sendo criado sem parcimônias, experienciando todas as sensações pueris da infância. Nunca foi privado do contato com o mundo e com o outro, de onde evidenciou-se sua inteligência interpessoal, sendo extremamente empático/simpático. Ressaltou significativa inteligência musical, conseguindo identificar notas, sons e ritmos, assim como a tocar instrumentos musicais. Não possui destreza matemática, seu sensu maturatório está para dois anos a menos de sua idade cronológica; porém acompanha as outras crianças típicas, menos no que se refere a cálculos. Observa-se que no que compete ao apoio parental, não houve negligência, porém, no que toca a esfera da educação pública, percebeu-se displicência no quesito inclusão. Apesar de cumprir-se os requesitos legais de matrícula, a instituição educacional, não deu uma assistência apropriada ao educando, como não fomentou condições apropriadas de permanência deste na escola. A escola apresentou profissionais despreparados, espaço não não adaptados, demora ao ceder um auxiliar, entre outras anomalias que influiram em exclusão do aluno no ambiente educativo. Era julgado pela aparência, suprimindo qualquer socialização que fluice em aprendizagem. Diante desse cenário, foi matriculado em uma instituição escolar privada, donde foi perceptível o seu progresso. Pois esta cumpria os objetivos da educação infantil, no eixo pedagódico do brincar sem discriminação, aplicando o lúdico nas distintas formas, manifestações e expressões; propiciando ao discente: “o atendimento às necessidades básicas de desenvolvimento socioafetivo, físico, intelectual e, ao mesmo tempo, garantir o avanço na construção do conhecimento, mediante procedimentos didáticos e estratégias metodológicas adequadasàs necessidades de todas as crianças. (BRUNO, 2006, p.17). Neste aspecto, destaca-se a notoriedade da escola no progresso infantil. Cabendo apontamentos dos princípios ideológicos de Piaget, Vygotsky, Winnicot e Wallon nas Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 69 inferências pedagógicas: Para Piaget, o processo de instrução depende da evolução cognitiva em seus estágios. Dessa forma, estabele funções: da escola, oportunizar ações/recursos que favoreça a gnose; do educador, promover estímulos que incite a formação/assimilação dos métodos instrutivos; e do aluno, construtor do seu respectivo conhecimento. (NUNES, 2019). Segundo Vygotsky, a aprendizagem ocorre de forma social, todos contribuem /compartilham informações, assim, “o desenvolvimento e aprendizagem são processos concomitantes, interdependentes e recíprocos”. O professor torna-se o mediador do ensino- aprendizagem, trabalhando nos saberes prévios em busca do potencial do discente, como revendo suas práticas para instigar seu aluno a instruir-se. (NUNES, 2019, p.1). Conforme Vercelli (2013, p. 10, apud WINNICOTT, 1998, p. 234), a escola dever ser uma extenção de um lar receptivo/agregador, um lugar que possa proporcionar uma ambiência emocial satisfátória. Referente aos educadores, devem atuar para a construção da alta estima, para a formação de relações interpessoais, assim como, para elevar sua confiança em si e em adultos. Dessa forma, o papel da escola: assegurar estabilidade individual, fornecer um ambiente saudável propenso a integração, oferecer segurança, dar seguimento a exposição da realidade externa, manter o mesmo tratamento dado pelos pais e prosseguir no curso para individualidade/personalidade do infante. O papel do professor: preservar, encorajar e enriquecer o vínculo familiar da criança; manter contato com a genitora; amparar caso ocorra adversidades psicológicas; ajudar a criança a relacionar-se; ajudar com dificuldades no desenvolvimento; e entender as brincadeiras: intervindo quando tratar-se de excessos instintivos. (VERCELLI, 2013) Wallon, frisava a importância da afetividade na relação com o outro, assim como, de fatores culturais e orgânicos individuais que contribuiam na formação da aprendizagem e do conhecimento. Dessa forma, destacou elementos fundamentais nessa construção: a interação entre as crianças, o movimento, as brincadeiras, a emoção; como as divergências, contradições e dificuldades que favorecem o entendimento introspectivo humano. Para tanto, cabia a escola e ao professor: “ conhecer o contexto no qual a criança está situada, ou seja, sua história. Isso trará maior possibilidade de compreensão da inter-relação entre o desenvolvimento dos domínios afetivo, cognitivo e motor”. ( NUNES, 2019, p.1 ) Através desses discursos ideológicos sobre desenvolvimento infantil, podemos concluir, Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 70 que não se deve imputar especificamente a anomalia genética como geradora do fracasso cognitivo da criança; mas inúmeros fatores/obstáculos que colaboram para essa realidade. Assim, o infante deve ser analisado em seus distintos aspectos para que por meio de suas singularidades possam mover ações assertivas que colaborem para sua evolução. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através deste artigo podemos identificar, caracterizar e estabelecer parâmetros para a Síndrome de Moebius, que consiste em uma má formaçãocongênita que provoca anomalias múltiplas, e por comprometer a morfologia, inclusive paralesia facial, pode vir acompanhada de uma deficiência mental. Compreender as teorias de Piaget, Vygotsky, Winnicot e Wallon sobre desenvolvimento humano. Onde Piaget estabelece estágios evolutivos: sensório-motor, da representação pré- operacional, das operações concretas e das operações formais que estruturam o progresso infantil. Vygotsky que estabelece sua teoria sociocultural, onde o homem evolui por meio da conexão dialógica com a cultura e sociedade. Winnicott que define os três estágios maturacionais primitivos: integração, personalização e realização, que compõe o papel materno de holding, handling e objet presentation. E Wallon que organiza a evolução humana nas fases: impulsivo emocional, sensório motor e projetivo, personalismo, categorial e da adolescência; que analisa o indivíduo nas esferas afetivas, intelectual, biológico e social. Como também, perquirir sobre o estudo de caso, que levou no aprofundamento analítico sobre os fatores da SM que impactam o cotidiano da criança portadora; como movimentos que pensadores do assunto, determinam como eficazes na preparação/apoio do seu desenvolvimento e aprendizagem. Que nos leva a considerar, que o ápice evolutivo é determinado pela socialização, cultura, história e fisiologia, todos integralizados pela afetividade. REFERÊNCIAS ALICE, Maria. ANGELLA, Maria. HERCULANO, Cláudia. Tópicos em Educação Especial. v. único. Rio de Janeiro. Fundação CECIERJ, 2010. ALMEIDA, Cleusa Piovezan. STOLTZ, Tania. Afetividade na relação professor aluno para odesenvolvimento da aprendizagem. O professor PDE e os desafios da escola pública paranaense 2010 - volume II. Governo do Paraná. Disponível em: Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 71 https://fdocumentos.tips/document/afetividade-na-relacao-professor-aluno-para-o-afetividade- na-relacao-professor.html?page=11. Acesso em: 08/11/2022. ARAÚJO, Alexandra; FONTANA, Rosiane; FONTENELLE, Lucia. Síndrome de Moebius: Estudo de Caso. Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.59 no 3B . São Paulo Sept. 2001. Scielo. 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A escola principal instituição ao se abordar a educação, é um ambiente onde convivem diferentes concepções de como deve ocorrer a administração escolar e os processos de ensino e aprendizagem dos alunos. Neste artigo buscamos compreender como ocorre a gestão democrática escolar, qual sua importância e qual o papel dos pais na educação infantil. A abordagem metodológica do presente artigo é uma pesquisa exploratória, tendo como procedimentos técnicos pesquisas bibliográficas em autores como Paro (2001), Luck (2009), Cunha, Silva e Silva (2020), e outros. Considerando que a educação é motor do desenvolvimento social, e que a educação humana não é responsabilidade única da escola, percebemos a necessidade de um diálogo maior e apoio mútuo de escola e famílias para o processo de aprendizagem e administração escolar. Concluímos que a integração entre família e escola é muito necessária em prol de uma educação infantil de qualidade trazendo muitos benefícios, devendo haver também espaço para as particularidades de cada uma no trabalho conjunto. PALAVRAS-CHAVE: Gestão Democrática. Família. Escola. Educação Infantil. INTRODUÇÃO A instituição escolar é uma organização complexa com várias instâncias burocráticas, um ambiente onde convivem professores, direção escolar, alunos, demais profissionais, estudantes e suas famílias com diferentes concepções de como deve ocorrer a administração escolar e os processos de ensino e aprendizagem dos alunos. Durante o curso de Licenciatura em Pedagogia vivenciei experiências marcantes dentro de uma escola no Estágio Supervisionado na Educação Infantil, observei como alguns pais estavam sempre presentes na escola, conversando com toda equipe escolar, participando de reuniões levando sugestões, cobrando soluções e até doando objetos ou trabalhando voluntariamente em prol da escola. Enquanto outros pais e familiares, não apareciam nem mesmo quando convocados para conversar sobre assuntos importantes sobre os estudantes como reuniões. Ao pesquisar sobre o tema gestão escolar para elaborar um trabalho na faculdade me deparei com uma entrevista em vídeo do Professor Vitor Henrique Paro sobre a Gestão Escolar Democrática onde discute o conceito de Administração e aponta que o diretor escolar precisa ser um bom educador, pois somente assim poderá compreender o funcionamento da escola e Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 74 nos estimula a pensar em práticas democráticas, que cativam e no trabalho coletivo, ao ouvir sua fala me apaixonei ainda mais pelo tema. Paro considera muito importante a participação da comunidade na escola, apontando que não é algo simples essa distribuição de autoridade, mas “requer medidas corajosas a respeito”. (PARO, 1987, p. 53). No primeiro semestre de 2020, diante da pandemia mundial causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) e a iminência de um contágio coletivo em nosso país, surgiram recomendações de isolamento social pelas autoridades de saúde e orientações políticas, expressas em Decretos. As escolas suspenderam as costumeiras atividades presenciais de ensino e precisaram adaptar-se a uma nova realidade, onde não haveria atividades presenciais, implementando gradualmente o Ensino Remoto Emergencial. (CUNHA; SILVA; SILVA, 2020, p.28) Neste contexto o Ministério da Educação (MEC) fez a seguinte orientação no Parecer CNE/CP nº 9/2020: Neste período de afastamento presencial, recomenda-se que as escolas orientem alunos e famílias a fazer um planejamento de estudos, com o acompanhamento do cumprimento das atividades pedagógicas na presenciais por mediadores familiares. (BRASIL, 2020, p. 9). Sobre a Educação Infantil o mesmo Parecer norteia: Neste sentido, quando possível, é importante que as escolas busquem uma aproximação virtual dos professores com as famílias, de modo a estreitar vínculos e melhor orientar os pais ou responsáveis na realização destas atividades com as crianças. (...) Neste sentido, as soluções propostas pelas escolas e redes de ensino devem considerar que as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem brincando prioritariamente. Para realização destas atividades, embora informais, mas também de cunho educativo, pelas famílias, sugere-se que as instituições de educação infantil possam elaborar orientações/sugestões aos pais ou responsáveis sobre atividades sistemáticas que possam ser realizadas com seus filhos em seus lares, durante o período de isolamento social. (BRASIL, 2020, p. 9). Concordamos com Cunha, Silva e Silva (2020, p. 34) ao afirmarem que “quanto mais tempo durar o distanciamento social, mais essa dinâmica do ensino remoto dependerá da participação dos pais ou responsáveis no acompanhamento/orientação/mediação das atividades escolares.” Diante deste novo contexto, emergiu com mais força a necessidade de um diálogo maior e apoio mútuo de escola e famílias para o processo de aprendizagem dos alunos não fosse Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 75 interrompido. Todos estes acontecimentos fomentaram minha motivação para estudar mais profundamente a temática e decidi abordá-lo neste artigo, nosso problema de pesquisa a ser investigado é: Como ocorre a gestão democrática escolar, qual sua importância e qual o papel dos pais na educação infantil? Sabemos que a educação é um direito fundamental previsto na Constituição Federal do Brasil no Artigo 205 “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”, que deixa claro que assegurar esse direito é dever do Estado e da família. Por sua vez, a Educação Infantil é primeira etapa da educação básica integra o cuidar e o educar, primeiro contato da criança com a escola onde se inicia a aprendizagem formal. Este trabalho justifica-se pela sua relevância à educação e a necessidade de estímulo a um trabalho articulado entre comunidade e escolas em prol da educação de qualidade dos educandos, com escuta atenta como base para tomada de decisões educacionais. O mesmo certamente contribuirá de forma significativa para minha vida profissional como Pedagoga, para atuação pedagógica de gestores e também para a área acadêmica, proporcionando reflexões e discussões sobre a temática desenvolvida. Nosso objetivo geral é compreender a importância da gestãodemocrática escolar e o papel dos pais na educação infantil, este se desdobra em objetivos específicos, a saber: Conceituar a gestão escolar na perspectiva democrática; analisar papel da família na educação infantil; explicar a importância de uma integração efetiva entre família e escola. Para a realização deste trabalho a metodologia escolhida foi a pesquisa bibliográfica em leis, artigos e livros de autores de referência que discutem a temática. O embasamento teórico para esta forma de pesquisa será em Pizzani et al. (2012, p. 2) que compreendem a pesquisa bibliográfica como a revisão da literatura sobre as principais teorias que norteiam o trabalho científico, que pode ser realizada em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre outras fontes, sendo um trabalho investigativo minucioso em busca do conhecimento. 1. REFERENCIAL TEÓRICO 1.1. A gestão escolar na perspectiva democrática O movimento pela redemocratização brasileira na década de 1980, resultou na Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 76 Assembleia Constituinte e na elaboração da Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, considerada a mais democrática da história brasileira, ela representou uma resposta ao clamor da sociedade civil por mais participação e uma voz ativa na gestão pública. Esta Constituição foi elaborada após um período de 21 anos de ditadura militar, vividos de 1964 a 1985. A Constituição de 1988 mostrou um grande avanço em relação ao passado autoritário, mandonismo local, o clientelismo e o populismo, sendo considerada um marco da transição democrática brasileira. A Carta Magna de 1988, apelidada de “Constituição Cidadã” por Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, consolidou vários direitos dos cidadãos tais como: participação popular na gestão pública, à assistência social, à saúde, educação, ao saneamento, dentre outros. Criou-se na Constituição vários mecanismos e instrumentos com o objetivo de propiciar à sociedade civil acesso ao governo, participação na gestão das políticas públicas e nas tomadas de decisões nos diferentes problemas públicos. Para Dallari (1996, p.13-51 apud. Rocha, 2011), a participação popular prevista na Constituição Federal de 1988 é um princípio inerente à democracia, garantindo aos indivíduos, grupos e associações, o direito não apenas à representação política, mas também à informação e à defesa de seus interesses. Possibilita-lhes, ainda, a atuação e a efetiva interferência na gestão dos bens e serviços públicos. Paro (2001) sobre o momento histórico das eleições para diretor nas escolas afirma: (...) a reivindicação da escolha de diretores escolares por meio do processo eletivo em âmbito nacional, é fenômeno que se inicia nos começos da década de 1980, no contexto da redemocratização política do país – em vários estados, iniciam-se processos de eleição diretores escolares na primeira metade dessa década, com a ascensão dos primeiros governadores estaduais eleitos após a ditadura em 1964. (PARO, 2001, p. 64) A Constituição Federal (1988) estabelece no Artigo 206, Inciso VI como um dos princípios da Educação a “gestão democrática do ensino público, na forma da lei”. Na mesma esteira, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96) é estabelecido no Artigo 14 que “os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na Educação Básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios”, assim a gestão democrática tem embasamento legal e deve ser uma prática em nossas escolas. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 77 O termo gestão, em particular, emergiu no contexto educacional para caracterizar algo além de uma administração meramente burocrática, conforme Maria Célia Borges Dalberio (2008): A origem da palavra Gestão advém do verbo latino gero, gessi, gestum, gerere, cujo significado é levar sobre si, carregar, chamar a si, executar, exercer e gerar. Desse modo, gestão é a geração de um novo modo de administrar uma realidade, sendo, então, por si mesma, democrática, pois traduz a idéia de comunicação pelo envolvimento coletivo, por meio da discussão e do diálogo. (DALBERIO, 2008, p.3). Para Dourado (2009, p. 37), “a gestão escolar constitui o modo de articular pessoas e experiências educativas, atingir objetivos da instituição escolar, administrar recursos materiais e humanos, planejar atividades, distribuir funções e atribuições”. Para realizar seu trabalho, o Gestor necessita de sua equipe, sendo necessário para o bom convívio e resultados positivos, uma relação respeitosa e de confiança. O trabalho conjunto e consistente é que permitirá este grupo continuar atuando junto e atingindo as metas a favor da escola. A gestão democrática é compreendida por Lück et al. como “a capacidade de interagir e, assim, influir nos problemas e soluções considerados numa coletividade, bem como nos meios ou modos de decidir a respeito de levar a cabo as decisões tomadas” (LÜCK et al, 2008, p. 17). A qualidade na educação pública perpassa por uma boa gestão escolar, esta por sua vez, concebida de forma que todos os membros da comunidade escolar tenham voz e contribuam cada um a sua maneira para a escola, sejam gestores, professores, coordenação pedagógica, demais funcionários, alunos, famílias e outros. Libâneo (2013) defende que esta participação coletiva é fundamental: O envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, estrutura e organização e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação (LIBÂNEO, 2013, p. 142). Corroborando, Lück ressalta que a efetiva “promoção de uma gestão educacional democrática e participativa está associada ao compartilhamento de responsabilidades no processo de tomadas de decisão entre os níveis de segmento de autoridade do sistema de ensino e de escola”. (LÜCK, 2006, p. 44). Desta forma reafirma-se o papel social da escola ao procurar organizar suas ações de forma coletiva, utilizando mecanismos democráticos como forma política de convivência Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 78 humana. Sabemos que o Brasil tem uma história que criou uma cultura de comandos autoritários de mandatos legais, baseados mais no direito da força do que na força do direito. E mudar mentalidades formadas para a submissão, o respeito à ordem e a obediência às regras impostas, não é tarefa fácil. Por conseguinte, encontramos, em nosso meio, comportamentos de toda ordem, explicitando a inércia, a rivalidade, o corporativismo, o preconceito, a desconfiança, o desinteresse pela mudança e pelo novo, o conformismo, a falta de perspectivas e a incapacidade de enxergar novas possibilidades. (DALBERIO, 2008, p.2). O processo para desconstruir as práticas autoritárias e centralizadoras do poder e construir a gestão democrática implica em constante esforço de ressignificação dos conceitos e práticas que a ela se relacionam. Este esforço deve permitir identificar até que ponto esta nova proposta vem avançando em direção à construção de novos alicerces que possibilitam a expansão do processo democratização e a construção de alternativas emancipatórias frente aos receituários impostos pela racionalidade instrumental. Com Werle (2003) compreendemos como a democracia pode ser aprendida na escola: Só se pode aprender democracia por meio de um fazer e da vivência de processos e espaços participativos avaliados, constantemente, em sua qualidade democrática; aprendizagem conceitual e teórica da democracia tem, na verdade, menos relevância nesse processo (WERLE, 2003, p. 24).Para que a escola atue de forma significativa como elemento social que promove a cidadania, torna-se necessário a participação de todos, começando pela gestão que deve ser um elo com os demais, fomentando a participação. O diretor não deve ser autoritário, pois, ao gestor cabe o perfil de ser democrático e, portanto, desenvolver condições de favorecer o processo democrático no cotidiano da escola. Para possuir todas essas características, o gestor deve dispor também de grande arcabouço teórico na área da pedagogia, bem como das habilidades técnicas e políticas, que representam recursos fundamentais para se garantir uma gestão dentro de uma perspectiva democrática, da qual todos participam. (DALBERIO, 2008, p.3). A gestão democrática da educação pública baseia-se nos instrumentos legais, e se efetiva na escola com a participação coletiva no planejamento, ao tomar decisões, avaliar e reformular. Esta forma de gestão deve consolidar no espaço escolar um contínuo processo e dinâmica que valorize e fortaleça os saberes docentes e o trabalho coletivo em busca constante de uma educação de qualidade. 2.2 A família na Educação Infantil O conceito de família não é rígido, mas uma composição social e histórica que se modifica ao longo do tempo nas diferentes sociedades, Carnut e Faquim (2014) nos ajudam a Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 79 compreender o que é família em dois aspectos, psicológico e sociológico. Nessa perspectiva psicológica, pode-se entender a família como um grupo de coesa relação interpessoal, ocasionada de forma impositiva ou não e que se observa, mesmo que minimamente, alguma relação de hierarquia e cuidado entre seus membros. (...) Apoiando-se na visão sociológica, percebe-se que a família ganha um caráter de “unidade primária”. Pode-se dizer então que sem a família, seríamos um aglomerado de sujeitos particulares sem ligação interpessoal com os demais membros da mesma espécie e que não haveria o mínimo de coletividade entre os seres humanos. Se a espécie humana existe hoje, em grande parte isso é fato devido ao embrião da reciprocidade e do altruísmo mútuo que emergiu ao se organizar esses primeiros grupamentos humanos chamados de família (CARNUT e FAQUIM, 2014, p.63). A família é a primeira instituição social que fazemos parte, aparecendo em todas as sociedades ao longo do tempo de diferentes formas de agrupamento, dela vem os primeiros aprendizados e a influência de comportamento como indivíduos. A proteção, a sobrevivência integral e a educação dos filhos têm um espaço indispensável na família. Concebemos neste trabalho diferentes arranjos sociais de composição familiar, como a família nuclear que inclui duas gerações com filhos biológicos; as famílias extensas, que incluem três ou quatro gerações; famílias adotivas; famílias monoparentais, onde os filhos vivem com um único progenitor paio ou mãe; famílias homoafetivas constituídas por pessoas do mesmo sexo; famílias reconstituídas, após divórcio; com filhos do relacionamento anterior entre outras (CARNUT e FAQUIM, 2014, p.65). Independente da composição familiar, é um núcleo de cuidado e afeto entre os seus integrantes, espaço de convivência e aprendizagem. As crianças em seu desenvolvimento aprendem as primeiras coisas dentro de suas famílias, conforme Lacan (1938/2003, p. 30), “em todos os grupos humanos a família desempenha um papel primordial na transmissão da cultura”, essa aprendizagem é a informal, igualmente importante a educação formal que ocorre na instituição escolar, a Educação Infantil é primeira etapa da educação básica, compreende a faixa etária de zero a cinco anos de idade, sendo obrigatória a partir dos quatro anos. Ferreira e Barrera (2010, p. 471) analisando as relações entre ambiente familiar e desempenho escolar na Educação Infantil, concluem uma “associação entre o desempenho escolar/aprendizagem dos alunos e alguns aspectos do ambiente familiar, como (...) disponibilidade de brinquedos e objetos culturais (...), bem como à quantidade de atividades e reuniões compartilhadas com os pais”. As autoras defendem que se no ambiente familiar o adulto media a relação da criança com recursos culturais e o desempenho escolar da criança é melhor. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 80 Conforme já mencionado, a Constituição Federal do Brasil no Artigo 205, aponta que o educar é responsabilidade compartilhada entre família e escola, assim precisamos refletir sobre uma atuação de forma integrada das mesmas. 2.3 A importância de uma integração efetiva entre família e escola Acerca da educação, Bourdieu (1996, p. 144) afirma que “a família desempenha um papel fundamental no que se refere à transmissão dos valores e comportamentos nas diferentes classes sociais, uma vez que ela possibilita a incorporação do habitus1 primário.” Saviani (2013, p.2) aborda a que a escola diz “respeito ao conhecimento elaborado e não ao conhecimento espontâneo; ao saber sistematizado e não ao saber fragmentado; à cultura erudita e não à cultura popular.” Cada instituição a sua maneira, família e escola contribuem de modo importante para a construção de conhecimentos pela criança. E a interação entre ambas é prescrito no Artigo 12 da Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996: Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: [...] VI - Articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola. VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009). (BRASIL, 1996) Conforme Luck (2009, p. 78), “a integração da escola com a comunidade e com os pais tem sido identificada como um fator importantíssimo para o bom funcionamento da escola e qualidade de seu processo educacional”. A partir das considerações de Luck (2009) percebemos a importância dessa integração efetiva entre família e escola, a autora ressalta que esse contato ocorrendo de forma sistemática e organizada, traz resultados substanciais. Costa e Souza (2019), analisando a importância da participação dos responsáveis na Educação Infantil, ressaltam que essa primeira fase da educação é de extrema importância, ao contrário do que muitos pensam, não se trata de apenas distração aos pequenos enquanto os pais trabalham, é uma etapa educativa. E família e escola com suas ações complementares, contribuem para o desenvolvimento pleno dos educandos. 1 Em Pierre Bourdieu o conceito de Habitus é um conceito que engloba modos de pensar, de se comportar, de viver, gostos que se herda da família e se reforça na escola. Ocorre um processo de socialização, construção das identidades sociais coletivas e individuais. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 81 Os mesmos autores, apontam vários benefícios dessa integração: Os benefícios de uma boa integração entre a família e a escola relacionam-se a possíveis transformações evolutivas nos níveis cognitivo, afetivo, social e de personalidade dos alunos (...). Porém, percebe-se também que a escola deve estar ligada à família dos alunos, promovendo e impulsionando aos pais a desenvolver atividades de colaboração, em prol da educação dos mesmos, ou seja, para a escola fica muito mais difícil exercer sua função sem a cooperação da família. A partir do momento que os responsáveis se envolvem e participam da vida escolar da criança, estão investindo e a mesma tenderá a ter um bom resultado. A criança se sente segura, protegida, estimulada e incentivada com suapresença, porque o seio familiar, geralmente, é o seu porto seguro. (COSTA; SOUZA, 2019, p.10) Essa integração é vista como um desafio por Costa e Souza (2019), sendo necessário a escola utilizar todas as formas possíveis para incentivar promover a participação das famílias, seja oferecendo serviços, promovendo lazer e propondo ações conjuntas. Assim compreendemos que não basta a família ir a escola apenas quando convocada para reuniões, ou resolver algum problema. É preciso haver parceria, esforços colaborativos de ambos, comprometimento para efetivar a qualidade educacional, a autora aponta ainda como importante a integração com a comunidade escolar, incluindo as empresas. Num mundo complexo e inter-relacionado, torna-se cada vez mais evidente que energia e recursos provindos da comunidade mais ampla se fazem necessários para que as escolas tenham sucesso na educação de todos os jovens. Por meio dessas parcerias, a sociedade demonstra aos alunos o seu compromisso com a educação e a importância que atribuem a esse processo, dessa forma criando para eles não apenas melhores condições de aprendizagem, mas também uma mensagem da importância desse processo. (Luck, 2009, p. 79-80). Uma boa alternativa a essa aproximação é família e escola trabalhando juntos em projetos educativos diversos, como buscar soluções para um problema da comunidade no estorno da escola, também projetos de conscientização sobre temas importantes como inclusão, meio ambiente, drogas, segurança, entre outros. Percebe-se assim a importância de a família estar atuante na vida escolar de seus filhos, sendo necessário descobrir e vencer os desafios que atrapalham essa aproximação e colaboração. Paro (2007), a respeito da aproximação entre família e escola e sua importância no processo de ensino e aprendizagem afirma: Para funcionar a contento, a escola necessita da adesão de seus usuários (não só de alunos, mas também de seus pais ou responsáveis) aos propósitos educativos a que ela deve visar, e que essa adesão precisa redundar em ações efetivas que contribuam para o bom desempenho do estudante. (PARO, 2007, p.10) Diante disso, os profissionais de educação devem continuar demonstrando comprometimento, aproximando cada vez mais as famílias da escola, resgatando o valor social Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 82 da escola e da família, buscando valores reais para que a educação das nossas crianças, sejam feitas por todos. Os valores sociais da escola, do conhecimento, a importância do domínio do saber, devem estar inseridos no contexto familiar, facilitando a sua transmissão aos filhos. A escola precisa com urgência da contribuição e participação efetiva da família para uma educação de qualidade. 2. METODOLOGIA DE PESQUISA A Metodologia é o que qualifica a pesquisa científica, conforme Richardson (1999, p. 22) “método é o caminho ou a maneira para se chegar a determinado fim ou objetivo, e a metodologia são os procedimentos e regras utilizadas por determinado método”. A abordagem metodológica do presente artigo é uma pesquisa exploratória, tendo como procedimentos técnicos pesquisas bibliográficas, realizadas a partir da análise de publicações de relevância científica como livros, artigos, dissertações, teses e Leis. Eco (2007) ao tecer considerações sobre esta forma de pesquisa ressalta que: Fazer uma bibliografia significa procurar aquilo de que não se conhece ainda a existência. O bom investigador é aquele que é capaz de entrar numa biblioteca sem ter a mínima ideia sobre um tema e sair de lá sabendo um pouco mais sobre ele (ECO, 2007, p.77). Pizzani et al. (2012) compreendem a pesquisa bibliográfica como a revisão da literatura sobre as principais teorias que norteiam o trabalho científico, que pode ser realizada em várias fontes, sendo um trabalho investigativo minucioso em busca do conhecimento, sendo a base fundamental a pesquisa. Realizamos uma busca em portais de periódicos acadêmicos de publicações sobre a temática, procedemos a leitura sistemática e analítica e através da revisão da literatura buscamos as respostas ao problema de pesquisa. A escolha do método se deu ao considerarmos como o mais adequado a pesquisa do momento, pois estamos em isolamento social diante da pandemia mundial causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) e a iminência de um contágio coletivo em nosso país, o que dificulta outras formas de pesquisa que seriam necessários contatos pessoalmente e observação do cotidiano escolar. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 83 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa em pauta demonstrou que educação é um direito fundamental, dever do Estado e das famílias, por sua vez a gestão democrática também tem embasamento na Constituição Brasileira, devendo ser uma prática cotidiana em nossas escolas. A gestão escolar, para além de uma tarefa burocrática, lida com diferentes pessoas e concepções, sendo de fundamental importância que ocorra de forma democrática, ou seja, concebida de forma que todos os membros da comunidade escolar tenham voz e contribuam cada um a sua maneira para a escola. A família, primeira instituição que o homem faz parte, é fundamental em seu desenvolvimento, não existindo apenas um modelo único, mas em comum a função de acolher, cuidar e educar. Tendo em consideração que o educar é responsabilidade compartilhada entre família e escola, é fundamental uma atuação de forma integrada e compromissada das mesmas, pois os benefícios são muitos, fomentando melhores condições de aprendizagem e o reconhecimento da importância do mesmo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Promover a educação é um desafio constante para todos os envolvidos sejam docentes, discentes e famílias, pois a mesma perpassa várias instâncias ocorrendo de modo formal e informal, e existem várias concepções de como deve ocorrer o ensino e a administração escolar. Através desta pesquisa foi possível compreender que a gestão escolar democrática, é uma excelente forma de administração da escola, pois abre espaço para o diálogo e decisões em conjunto. Esta por sua vez, impulsiona a integração das famílias na escola. Compreendemos que é de suma importância o papel dos pais em integração com a escola na educação infantil, pois ambas as instituições atuam de forma complementar em busca de uma educação integral e de qualidade. Nestes novos tempos de mudanças decorrentes da pandemia que se iniciou no ano de 2020, fez com que algumas famílias passassem a acompanhar de mais perto o processo de aprendizagem dos seus alunos, seja ajudando em suas tarefas e dialogando com a equipe docente em busca de orientações. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 84 Essa situação demonstra que diante dos desafios que se apresentam, o trabalho integrado entre família e escola tem muito a contribuir para a educação, reconhecemos que não se trata de uma tarefa fácil essa aproximação, porém muito necessária e urgente. Tendo já apresentado vários benefícios dessa integração, esperamos com este artigo contribuir para uma reflexão maior sobre este tema e despertar o interesse e novas ideias para essa aproximação entre escolas e famílias. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. ______. Ministério da Educação. Parecer CNE/CP Nº: 5/2020. Reorganização do Calendário Escolar e da possibilidade de cômputo de atividades não presenciais para fins de cumprimento da carga horária mínima anual, em razão da Pandemia da COVID-19. Brasília: Conselho Nacional de Educação, 2020. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com _docman&view=download&alias=14511-pcp005-20&category_slud=marco-2020- pdf&Itemid=30192>. Acesso em 18 Abr. 2021.______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 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Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 86 CAPÍTULO 7 MULHERES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LIBERDADE E EMPODERAMENTO Ana Claudia Coutinho Amorim Lucas Capita Quarto RESUMO O presente trabalho se propõe a discutir o papel da modalidade Educação de Jovens e Adultos – EJA como impulsionador de mudanças na vida de mulheres que precisaram, em determinado momento deixar os bancos escolares por vários motivos, seja pela necessidade de trabalhar ou ainda por conta da gravidez precoce. A escolha desse tema se deu pela vontade de contribuir para que as mulheres possam entender que através da educação há a real possibilidade de mudança e que ela é possível. Como metodologia, recorreu-se a um trabalho de revisão de literatura. As bases de dados utilizadas foram a Scopus, Google Acadêmico e Scielo. Entendendo que a liberdade chega primeiro no pensamento e que cabia unicamente a mim tomar a iniciativa para conquistá-la, fazendo com que tivesse a noção de que poderia me empoderar, primeiro da minha vida e depois de meu futuro. Diante do contexto do empoderamento feminino, a EJA atua como um instrumento que entende a real dificuldade para alcançar seus objetivos, porém sem deixar de lutar por eles, compreendendo também que sozinhas nada podemos fazer e que a liberdade é antes de tudo um estado de espírito a ser alcançado. PALAVRAS-CHAVE: EJA, educação, liberdade, empoderamento, mulheres. INTRODUÇÃO O empoderamento é definido por Baquero (2012) como um processo ou ação que faz com que um indivíduo tome posse de sua vida. Ele é uma ação individual que se fortalece no coletivo sendo “um encontro dos humanos para refletirem sobre sua realidade tal como a fazem e refazem” (FREIRE; SHOR, 1986, p. 123). Inicialmente, o termo foi adotado por movimentos sociais que reivindicavam a emancipação de grupos segregados nos EUA como mulheres, negros, pessoas com deficiências e homossexuais (BAQUERI, 2012). Posteriormente, o termo foi globalizado e ganhando cada vez mais força entre as nações e movimentos. Em relação ao empoderamento feminino, objeto de estudo desta pesquisa, os autores Amaral, Dutra e Rodríguez (2018) apontam a educação como principal instrumento de poder e liberdade. Nesse cenário, o EJA surge como um espaço educativo que garante o empoderamento das alunas, uma vez que o perfil de discente que frequenta essa modalidade de ensino traz características singulares, marcas de violências e culturas diversas. Sendo assim, utilizando-se da metodologia de pesquisa bibliográfica, o presente trabalho tem como objetivo discutir sobre a EJA como um instrumento de liberdade e Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 87 empoderamento feminino. Especificadamente, objetive-se: levantar discussões sobre a EJA; elucidar as mulheres como sujeitos na Educação de Jovens e Adultos; conceituar o empoderamento feminino; e apresentar o EJA como um espaço de poder e liberdade para as mulheres. Conforme já discutido, o embasamento teórico foi realizado por meio de um levantamento nas bases de dados Google Acadêmico, Scopus e Scielo, bem como a partir de livros publicados sobre a temática. Os descritores utilizados para a busca foram: EJA, educação, liberdade, empoderamento e mulheres. A relevância dessa pesquisa se dá a partir da necessidade de subsidiar estudos sobre o empoderamento feminino. Com isso, essa pesquisa contribuirá com atuais e futuros documentos sobre a problemática. O artigo está organizado em cinco seções. Após a introdução, na primeira seção é abordada a literatura acerca do tema. A segunda seção se refere a discussão do assunto, com a finalidade de proporcionar uma interação sobre a temática. Concluindo, na última seção são apresentadas as considerações finais a respeito do desenvolvimento da pesquisa. DESENVOLVIMENTO A Educação de Jovens e Adultos Ao discorrer sobre a Educação de Jovens e Adultos, podemos fazê-lo a partir de diferentes pontos de análise. Pode-se discutir sobre questões legais, aos aspectos cognoscitivos,aos geracionais, às condições de classe social, de gênero, de raça/etnia, de origem (urbana ou do campo), aos contextos históricos, sociais, culturais, econômicos ou políticos em que se inserem os sujeitos estudantes da EJA (SANTOS; SILVA, 2020). De acordo com a LDB, em seu artigo 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e aprendizagem ao longo da vida.” (BRASIL, 2020, p. 30). No cotidiano da EJA há cada vez mais a necessidade de atingir um maior número de indivíduos, que enfrentam desafios para obter uma educação de qualidade respeitando as especificidades de cada um, a diversidade cultural, a diferença de idade, solucionando possíveis conflitos, assim como o cansaço após um dia de trabalho dentre tantas outras dificuldades que inviabilizam a continuidade de sua vida acadêmica (SANTOS; SILVA, 2020). Faz-se Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 88 necessárias políticas públicas que realmente insiram essas pessoas no espaço escolar, assim como um currículo específico que privilegie a experiência de vida desses sujeitos, para que a instrução seja dinâmica e não mecânica, libertadora e não opressora. Diante disso podemos entender que educar para a liberdade vai muito além do depositar conhecimento, mas sim estimular o educando a problematizar e encontrar soluções para suas indagações, sejam elas sobre a atual situação econômica do país ou sobre outro tema que seja relevante naquele momento. No dizer de Freire somente o diálogo, que implica um pensar crítico, é capaz também, de gerá-lo (FREIRE, 2018). Cabe ao educador consciente de seu papel na sociedade posicionar- se para que haja uma modificação realmente relevante, visando o crescimento dos educandos através de uma postura dialógica compreendendo que está diante de pessoas com opiniões distintas a serem respeitadas, classes formadas por trabalhadores, donas de casa, adolescentes e pessoas com mais idade. Ao alcançar o entendimento do que lhe é apresentado, o indivíduo muda naturalmente passando a ter consciência dos seus atos compreendendo que a modificação da sociedade em que vive vem primeiro da avaliação de suas atitudes como ser consciente assim como o educador que tem em sua prática o diálogo contribui imensamente para que essa mudança ocorra através de uma pedagogia libertadora, entendendo ser objetivo de todo educador oferecer novas perspectivas, auxiliar no crescimento do ser humano, posicionando-se enquanto formador de opinião e tendo responsabilidade quanto a isso, capacitando indivíduos críticos que tenham real noção de seu papel na sociedade para que possam enfim, se desfazer das amarras que os oprimem (ANICETO, 2010). Para tanto há a necessidade de uma educação pautada no diálogo porque através dele o(a) professor(a) da EJA passa a conhecer os indivíduos que ali estão, compreendendo seus anseios e sonhos para então auxiliar seu crescimento pessoal e acadêmico. Diante do exposto, pode-se entender a EJA como lugar de empoderamento e libertação, onde a experiência dos estudantes realmente é levada em consideração na proposta curricular que deve dialogar com as singularidades dos indivíduos ali incorporados, respeitando suas especificidades (CARVALHO, 2012). Entendendo que no mesmo ambiente estarão pessoas jovens, adultos, donas de casa e idosos, indivíduos de origens e culturas distintas, considerando seus saberes, projetos de vida, com demandas completamente diferentes daquelas encontradas no ensino fundamental regular, para tanto o docente deve ter a escuta atenta e o entendimento Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 89 que está diante de uma clientela completamente diferente, tornando possível a estes indivíduos uma real construção de sua aprendizagem que se dá de maneira distinta, respeitando suas características sem infantilizá-los. Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar- aprender, participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e a seriedade (FREIRE, 2019. p. 26). Essas palavras de Freire definem a importância da EJA na vida de muitas pessoas, cabendo ao educador consciente entendê-las e as colocar em prática através de uma escuta atenta, estando aberto a novas possibilidades no ato de ensinar-aprender. Ato esse que é contínuo em sua vida profissional tendo, portanto, antes de tudo o compromisso moral de se conservar sempre preparado para o novo, para o imprevisível. Contornando situações e solucionando problemas, tomando para si o papel de educador dialógico e, portanto, libertador. As Mulheres como sujeitos na Educação de Jovens e Adultos Ao refletir sobre as mulheres como sujeitos na EJA devemos compreender em um primeiro momento os aspectos que levaram essas mulheres a se ausentarem da escola na época adequada, a questão do machismo e da misoginia é um importante aspecto a ser pontuado, muitas mulheres deixam a escola porque seus maridos não permitem que estudem pois entendem que seu lugar é em casa, cuidando dos afazeres domésticos e dos filhos, enquanto que a eles fica destinado o sustento do lar, deixando para as mulheres a tarefa de educar seus filhos (CRUZ; CRUZ, 2020). Inúmeras mulheres são expostas a violência física e psicológica por parte de seus companheiros, muitas vezes motivados por ciúmes pelo entendimento de que o ambiente escolar seria propício para possíveis traições o que nos leva, mais uma vez para a violência por elas sofridas (FONSECA, 2004). Assim como a condição social das famílias que muitas vezes tinham a necessidade de migrar para outras cidades a procura de trabalho, inclusive para suas filhas que acabavam por deixar de estudar para trabalharem como empregadas domésticas em casas de famílias mais abastadas. O que tornava sua educação praticamente impossível de ser efetivada (VALLE, 2010). Historicamente as mulheres tiveram seus direitos tolhidos por uma sociedade machista, tendo por muitos anos a sua educação voltada para práticas domésticas. Várias são as razões que motivam as mulheres ao retorno à escola, dentre eles podemos destacar a conquista do conhecimento, obter um emprego melhor, assim como a conquista de Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 90 um futuro melhor para a família. Podemos perceber que as mulheres em sua grande maioria, ao retornar aos estudos, tende a pensar no coletivo, em sua família (SORJ, 2010). Entendendo que através de uma melhor formação poderá obter uma vida mais digna, através da conquista de sua autonomia enquanto cidadã, autora de sua história e dona de seu destino. Freire afirma que ensinar exige a convicção de que a mudança é possível (FREIRE, 2019), para tanto há a necessidade da consciência de que o(a) professor(a) é agente transformador(a) da sociedade, mas que sozinho nada pode, que a educação se dá em conjunto. Entendendo o papel social da educação para um número infinito de mulheres que ali estão à procura de um futuro melhor não somente para si, mas também para o meio em que vive, compreendendo a importância da educação em sua vida como alavanca impulsionadora, sabedoras dos desafios diários a serem transpostos (VALLE, 2010). São domésticas, babás, donas de casa, que vivem em realidades distintas e que convivem com a fome, e a violência diariamente. Mas que nem por isso deixam de sonhar em alcançar outros níveis de educação, a EJA é somente o primeiro degrau a ser escalado por essas mulheres convictas de que tem sim direito a uma educação de real qualidade, que vai além do aprender a ler e escrever, que consiste em encontrar seu lugarno mundo e que tem direito a ele (FONSECA, 2004). As mulheres têm um importante papel na sociedade, muito além do papel de esposa e mãe, estão em todas as áreas de conhecimento e em todos os níveis da sociedade, exercendo papeis impensados pelas gerações anteriores, que se colocaram sempre à disposição como seres dóceis e submissos prontas a servir seus senhores sem questionar suas ordens. Atualmente há o entendimento de que a mudança é necessária e benéfica pois torna a sociedade mais justa e igualitária e para muitas mulheres a EJA é o caminho para a transformação, em um primeiro momento de pensamento, depois de postura. Gosto de ser gente porque, mesmo sabendo que as condições materiais, econômicas, sociais e políticas, culturais e ideológicas em que nos achamos geram quase sempre barreiras de difícil superação para o cumprimento de nossa tarefa histórica de mudar o mundo, sei também que os obstáculos não se eternizam (FREIRE, 2019. p. 53). Por mais difíceis que sejam as condições citadas por Freire, as mulheres continuam quebrando as barreiras que impediam seu crescimento, entendendo finalmente que os obstáculos não são eternos e que muito embora a nossa sociedade ainda seja machista e preconceituosa, são capazes de se desvencilhar das correntes que as aprisionam por tanto tempo. Ao retornarem para a escola elas demonstram sua força e determinação, entendendo que é ali o espaço ideal para o início da sua transformação, mesmo que o caminho seja difícil elas Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 91 persistem, seguindo em frente. Decididas a mudar sua trajetória, tomando o espaço que por direito é seu (BARRETO; MUSIAL, 2021). O Empoderamento Feminino Empoderar-se vai muito além do sentido da palavra, é tornar-se dona de seu destino lutando para alcançar seus objetivos não se deixando inferiorizar pelo seu gênero (BERTH, 2020). Podemos entender que um dos caminhos para esse empoderamento é a educação no sentido de liberdade, primeiro através do seu pensamento e posteriormente através de seu trabalho. Berth salienta que. [...] os grupos oprimidos passam por processos contínuos de desqualificação, enfraquecendo sistematicamente suas possibilidades de desenvolver o autoamor e o reconhecimento de seus pontos positivos e até de sua humanidade (BERT, 2020, p. 143). Mesmo em pleno século XXI a mulher ainda é considerada como um ser “frágil” e por consequência portadora de uma docilidade correspondente a essa suposição, que não corresponde em nenhum momento a verdade. A mulher é forte em sua essência, porém uma boa parte ainda necessita acreditar em sua força e em sua capacidade para mudar (LEONCY, 2013). Ao pensar sobre esse tema, trago não só o desejo de expor um problema que é real, mas tenho em minha vida um exemplo concreto de como a educação pode auxiliar para que a mulher se empodere primeiro de si, de seu corpo e por consequência de sua vida. A partir disso, peço licença a minha atuação como autora para discutir um pouco sobre a minha vivência. Durante anos de minha vida sofri em um relacionamento abusivo, onde a violência física, psicológica e patrimonial era frequente, apesar de não ter sido aluna da EJA tive a sorte de encontrar em meu caminho uma professora que através de suas conversas, entre um ponto e outro em um curso de bordado, me fez vez a importância da educação para me desprender das amarras que me cerceavam. O primeiro passo foi a separação que como em muitos casos foi cercada de violência verbal e abuso psicológico, o segundo passo foi voltar ao mercado de trabalho. Tarefa muito trabalhosa, pois, apesar de ter o ensino médio técnico me encontrava já a muitos anos fora do mercado de trabalho, porém não desisti persistindo para alcançar meus objetivos. Após passar em um concurso público, onde assumi o cargo de auxiliar de serviços gerais, comecei o pré-vestibular. No início com muita dificuldade já que foram anos sem estudar, mas após um ano de dedicação ingressei na tão sonhada graduação, no ano de 2021 Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 92 assumi outro cargo em concurso público, desta vez para exercer o cargo de cuidadora de alunos especiais. Para muitos pode parecer pouco, mas para uma mulher que durante muitos anos se viu cerceada e impedida de ao menos tentar realizar seus sonhos é uma grande vitória. Hoje, prestes a concluir a graduação em Pedagogia, entendo a importância de todo o sacrifício, de todas as noites em que deixei de descansar, debruçada em apostilas e com os olhos ardendo por estar na frente de um computador, entendendo que essa vitória deve ser partilhada porque não é somente minha. Posso afirmar que represento grande parte dessas mulheres batalhadoras, que não param diante de qualquer obstáculo, conscientes de seu papel em uma sociedade ainda patriarcal, que ainda vê a mulher como aquela que deve cuidar dos afazeres domésticos enquanto cabe ao homem prover as necessidades materiais da família. Empoderamos a nós mesmos e amparamos outros indivíduos em seus processos, conscientes de que a conclusão só se dará pela simbiose do processo individual com o coletivo (BERTH, 2020, p. 153). O empoderamento feminino não se dá individualmente, mas sim através de um trabalho contínuo que vise a coletividade esse processo é árduo e de difícil compreensão para muitas mulheres, por não entenderem sua real necessidade (AZEVEDO; SOUSA, 2019). Porque diante da sociedade onde ela está inserida empoderar-se não é adequado ou não é aceito pela família, porque ela não foi educada para pensar por si própria, mas sim para ser conduzida pela vida, como se ser mulher fosse sinônimo de submissão e propriedade. Há a necessidade da mudança, e que ela venha através da educação, mas não a educação bancária que não nos ensina a pensar, mas sim de uma educação libertadora, crítica e conscientizadora (BOURDIEU, 2014). Capaz de auxiliar na construção da aprendizagem de um número imenso de mulheres que ainda se encontram isoladas por não se acharem aptas os suficientes para desfazerem os vínculos, principalmente os psicológicos, que a prendem. Ao afirmar que ensinar exige a convicção de que a mudança é possível (FREIRE, 2019), Freire nos convida a reflexão acerca de como podemos, enquanto educadores, auxiliar o processo de empoderamento de mulheres estudantes da EJA, através do entendimento de que o professor deve ter a consciência de não ser detentor de todo conhecimento mas sim ali está para contribuir para o crescimento de um grupo nem sempre coeso, mas que tem ali depositado muitas vezes o sentido de uma existência através do entendimento de que pode avançar cada vez mais e que através da educação poderá alçar voos mais altos, libertando-se de um sistema machista que as aprisiona e fere diariamente. Entendendo que a educação deve ser Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 93 crítica e, portanto, servir de alavanca para as modificações necessárias a sociedade e porque também não afirmar que é ao mesmo tempo desafiadora, já que traz mudanças de pensamento e de atitudes, irá, portanto, transpor obstáculos vivenciados diariamente, entendendo que a educação deve ser libertadora e que a vivência das mulheres ali inseridas é de grande importância para a prática pedagógica. Quando falamos em empoderamento, estamos nos referindo a um trabalho essencialmente político, ainda que perpasse todas as áreas de formação de um indivíduo e toas as nuanças que envolvem a coletividade. Do mesmo modo, quando questionamos o modelo de poder que envolve esses processos, entendemos que não é possível empoderar alguém (BERTH, 2020, p. 153). O empoderamento feminino se dá em conjunto não de maneira individual, mas sim através de um trabalho de conscientização e de valorização do sexo feminino,entendendo que a mulher tem o direito de ali estar, de contribuir para seu crescimento pessoal, intelectual e profissional (AZEVEDO; SOUSA, 2019). Que muitos fatores irão contribuir para que esse crescimento ocorra, sabendo que é primordial a vontade de crescer e evoluir enquanto cidadã para assim ter seus direitos assegurados sabendo lutar por eles. Entendendo que seu papel na sociedade não é somente doméstico, ela é mulher, mãe, estudante, forte, capaz de alcançar seus objetivos. DISCUSSÃO: O EJA como espaço de empoderamento feminino Freire (2019) nos diz que ensinar exige a convicção de que a mudança é necessária, nesse sentido podemos entender que a educação é o caminho para a transformação no comportamento feminino, de submisso para determinado com consciência de seu real papel na sociedade. Atuando desta forma podemos compreender a necessidade de se autoafirmar como sujeito de direitos, entendendo que através de sua determinação poderá trilhar um caminho que melhor lhe convém. Segundo dados do INEP coletados no Censo de 2019, o percentual de mulheres matriculadas com idade acima de 30 anos é de 58,6%, esse é um dado significativo e que nos leva a refletir o porquê dessas mulheres interromperem seus estudos. Em sua grande maioria o que leva a essa interrupção é o casamento e o cuidado com os filhos, já que dependem financeiramente de seus companheiros e por consequência se furtam de continuar sua vida acadêmica. Muitas são as razões que as levam a desistir, porém iremos nos ater aos motivos que as Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 94 levam a retornar. Quebrando um ciclo de submissão e opressão, através da educação essas correntes são desfeitas fazendo com que essas mulheres entendam que tem um importante papel na sociedade, que vai além do de esposa e mãe. É através da educação que as mulheres encontram seu caminho, sua motivação e objetivos, entendendo que romper o ciclo de opressão é necessário para então se reconstruir, entendendo que seu papel na sociedade vai além, libertando-se das amarras que as tolhem. Nesse sentido o papel do pedagogo(a) é de grande importância através do entendimento de que são mediadores do conhecimento e que através dele a liberdade, que é acima de tudo um estado de espírito, é conquistada. A Educação de Jovens e Adultos se faz presente no sentido libertador onde as mulheres se encontram e compreendem que podem mais e apesar de todas as dificuldades encontradas em seu caminho tem a certeza de que através de sua vontade poderão alçar voos mais altos, transformando sua realidade e enfim conquistando seus objetivos. Uma das definições da palavra liberdade: “Estado ou particularidade de quem é livre; característica da pessoa que não se submete” (LIBERDADE, 2022). Assim como a palavra empoderar tem por significado: “Ação de se tornar poderoso, de passar a possuir poder, autoridade, domínio sobre: processo de empoderamento de classes desfavorecidas” (EMPODERAR,2022). A partir dessas definições poderemos ver a importância da liberdade constituída através da educação para que essas mulheres empoderem-se de suas vidas, encontrando seus caminhos e trilhando-os. Para tanto há a necessidade de que o(a) Pedagogo(a) tenha um olhar atento para as necessidades na formação destas mulheres, que deve ir além do alfabetizar, mas torná-las fortes o suficiente para enfrentar e transpor os obstáculos que diariamente tentam impedir seu progresso. Progresso esse que é lento e contínuo tendo como alicerce uma educação dialógica, que entenda as inquietações daquelas que ali estão em busca de sentido para sua vida, sentido este que se dá através do autoconhecimento da aceitação de seu direito a educação de qualidade. Direito esse que lhe foi tolhido na época adequada e que não pode mais lhe ser negada. Para o educador-educando, dialógico, problematizador, o conteúdo programático da educação não é uma doação ou imposição – um conjunto de informes a ser depositado nos educandos -, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada (FREIRE, 2018, p. 116). Portanto, podemos entender que a o espaço feminino na EJA também é um espaço de Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 95 lutas, de desafios que vão além do instruir-se. É espaço de empoderamento, de liberdade que se dá através do conhecimento, da troca entre os pares, do seu envolvimento na instituição escolar, entendendo que através dessas ações poderá modificar não somente sua história, mas também a comunidade que a cerca, visto que a maioria das mulheres que se encontram na EJA vem de comunidades carentes e, portanto, sabe das dificuldades encontradas para alcançar seus objetivos. São mulheres trabalhadoras, donas de casa que em grande parte foram mães na adolescência tendo, portanto, que desistir de continuar sua vida acadêmica por não conseguir conciliar os cuidados com os filhos e casa com os estudos. Nesse contexto podemos compreender a importância da EJA para essas mulheres como forma de empoderarem-se de suas vidas e, portanto, de seu destino, conseguindo através da educação a possibilidade de alcançarem melhores condições de trabalho e renda, para tanto faz- se necessário a implementação de políticas públicas que visem integrar esse grupo nas unidades escolares através da oferta de mais vagas assim como a de creches para que as mães deixem seus filhos enquanto estão em salas de aula. Além da adequação do currículo para esse público, entendendo tratar-se de pessoas que trabalham e tem visões distintas sobre a sociedade em que estão inseridas, entendendo que a fala não deve ser a mesma utilizada em uma turma de ensino regular, que os assuntos tratados em uma turma de EJA muitas vezes irão passar sim pela vivência daquelas mulheres que ali se encontram e que são tão importantes para elas. Portanto o Pedagogo(a) deve atuar nessas turmas tendo a certeza de que os dilemas encontrados serão distintos e que necessitam de igual ou maior compreensão. Se por um lado temos diversas histórias de mulheres que foram excluídas, que não puderam aprender a ler e a escrever, na infância e na juventude, por outro também existem aquelas que conseguiram transpor essa condição de marginalidade e exclusão, por isso, a educação aliada às políticas públicas de gênero, sem dúvida, é um dos caminhos que podem ser percorridos favorecendo-as no processo de emancipação e construção da autonomia feminina (LEONCY, 2013. p. 20). O processo de emancipação e construção da autonomia feminina ainda caminha a passos lentos sendo construído através de muita luta e determinação por parte daquelas que se esforçam para trilhar seu caminho, que é lento e gradual, muito embora tenhamos avançado muito em relação as políticas de gênero, elas ainda se encontram muito além da realidade e da necessidade das mulheres brasileiras. Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, o direito de todos os cidadãos à educação pública e gratuita foi assegurado, o que configurou um enorme avanço Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 96 nesta área, abrindo caminho para leis que se seguiriam a ela. Assim, a concepção de Educação de Jovens e Adultos ao longo desse período foi se afirmando e modificando e, consolidando-se como direito, o que incluiu a inserção da modalidade de ensino na legislação educacional brasileira. A noção de educação, antes voltada principalmente para a alfabetização, expandiu-se, indicando a importância da continuidade dos estudos e da oferta de uma educação de qualidade (LEONCY, 2013. p. 23). O direito à educação é justo e legítimo sendo primordial o seu acesso àqueles que não tiveram a oportunidade de continuar seus estudos na época correta, cabendo aos governosmunicipais, estaduais e federal conceder meios para que essas pessoas consigam concluir seus estudos, retornando a vida acadêmica tendo asseguradas, especificamente para as mulheres, o direito a essa escolarização preterida anteriormente por uma série de fatores já aqui pontuados, assegurando que o número de vagas em escolas públicas sejam suficientes para suprir a demanda encontrada, que difere em de uma localidade para outra. Dando real sentido para a vida de milhares de mulheres que durante anos ficaram relegadas aos afazeres domésticos, oprimidas em relacionamentos tóxicos, sem terem perspectivas de um futuro melhor. E que hoje podem se sentir realizadas por encontrarem nos bancos escolares a oportunidade de mudança, de ter orgulho de si mesmas através do entendimento de que por meio da educação a transformação ocorre, primeiro internamente e posteriormente no meio em que está inserida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto podemos compreender a importância da EJA para tantas mulheres, que procuram encontrar caminhos para um futuro de qualidade no qual sejam respeitadas como sujeitos de direitos e não mais como reprodutoras de uma sociedade patriarcal que tem por características a subjugação da mulher como ser submisso e dócil, incapaz de ter julgamentos próprios ou de seguir sozinha pela vida. Entendendo a real dificuldade para alcançar seus objetivos, porém sem deixar de lutar por eles, compreendendo também que sozinhas nada podemos fazer e que a liberdade é antes de tudo um estado de espírito a ser alcançado. Ao entendermos que o empoderamento não se dá de maneira individual, mas sim coletivamente através do auxílio mútuo podemos compreender o papel do(a) pedagogo(a), consciente de que a educação deve ser dialógica crítica e, portanto, libertadora. Vai além de mero reprodutor de conteúdos, mas sim de proporcionar o entendimento através do diálogo e da mediação na construção do conhecimento, servindo de ponte para que ele ocorra e por consequência auxiliando na modificação da sociedade como um todo. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 97 REFERÊNCIAS AMARAL, A. J.; DUTRA, G. F.; RODRÍGUEZ, L. S. Educação e empoderamento feminino: uma crítica ao terceiro “Objetivo de Desenvolvimento do Milênio” (ODM) sobre igualdade de gênero. 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Um novo perfil de alunos tem surgido, alunos cujos panoramas social e cultural são atravessados pela influência das TIC. O presente artigo almeja investigar como as TIC podem influenciar na formação tanto do ambiente em que está inserido esse novo alunado quanto de seu comportamento. PALAVRAS-CHAVE: TIC. Ciberespaço. Cognição. Comportamento. INTRODUÇÃO O contato do ser humano com as tecnologias da informação de comunicação (TIC) tem originado novos modos de agrupamento de indivíduos e comportamentos próprios do espaço criado pela informática. Crianças e adolescentes têm acesso a novas possibilidades de construção cultural e de identidade tanto social quanto individual mediadas pela interação com as TIC. Esse comportamento tem gerado desafios a professores acostumados com a sala de aula e o modelo de aluno tradicionais. Esse novo modo de construir e experimentar o mundo implica em um tipo de indivíduo que se adapta não somente cognitivamente, mas também socialmente e espacialmente para transitar na atmosfera “líquida e informacional” (LEMOS, 2004) da sociedade atual. O objetivo do presente projeto é analisar aspectos como o funcionamento do comportamento e da cognição do aluno “nascido imerso” no universo digital e o impacto que essa relação projeta sobre o processo educacional, uma vez que, como relata Fey (2011, p. 2), “parece interessante como se dará a interação nessasala de aula entre o professor imigrante digital e o aluno nativo digital”. 1. CIBERCULTURA: CONSTRUINDO A MATRIX Sociedade e tecnologia, aqui interpretada como “qualquer mecanismo que possibilite o homem executar suas tarefas fazendo uso de algo exterior ao seu corpo, ou seja, tudo aquilo que se caracteriza como uma extensão do organismo humano” (PERLES, p. 5), estão integradas Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 100 de tal modo que é difícil representar a sociedade sem as ferramentas tecnológicas modificando a existência humana de uma maneira abstrata. Logo, FERNANDES, BRUM E MANHÃES (2016, p. 25) constatam que “é impossível separar o homem de seu ambiente material”. O avanço das tecnologias digitais intensifica a circulação de informações e a produção de um modo de cultura característico da realidade digital. Costuma-se denominar essa “cultura informática” de cibercultura (LEMOS 2002). Porém, não é apenas a cibercultura que aparece como produto da relação do homem com as TIC. Há uma também uma reconfiguração do espaço no qual os indivíduos estão situados. Nota-se um espaço de fluxos de dados alicerçado no espaço físico, uma espécie de simbiose, onde o que é virtual está em interação com o mundo físico. Observa-se um espaço cuja estrutura física (casas, ruas, prédios, espaços públicos, entre outros) está preparada para que os frequentadores consigam acessar o ciberespaço através de dispositivos digitais. Conforme LEMOS (2006, p. 44), “o espaço de fluxos não é etéreo, mas ancorado no espaço de lugar. São computadores interligados, redes de satélites, cabos de fibra ótica, servidores etc...”. Através da intersecção do espaço físico com o eletrônico é possível que o indivíduo acesse informações em diversos lugares. Dessa forma, “o território já não define pertencimentos” (BRENNAND, 2002), posto que a noção de território está mais conectada àquilo que pode ser acessado que o lugar físico onde o indivíduo está. Trate-se de uma sensação de pertencimento mais voltada para experiência de acesso que para o aspecto físico de presença. Essa sinergia produz um ambiente, chamado por André Lemos (2004) de cidade- ciborgue, no qual há uma hiperconexão e uma reconfiguração constante das noções de fronteira, tempo e espaço. Todos podem se conectar reciprocamente em qualquer lugar e a qualquer hora por meio da interface digital entre homem, ciberespaço e realidade física. Essa espécie de “Matrix” (1999) que surge da dinâmica entre espaço de fluxos e espaço físico funciona como uma espécie de incubadora responsável por constantes e cada vez mais rápidos processos de reconfiguração e recombinação de informações e hábitos. “Os lugares digitais estão emergindo por uma integração tecnológica contínua” (LEMOS, 2004, p. 139). É importante compreender que a noção de cidade-ciborgue não é, de fato, recente, pois é um produto de um processo de evolução tecnológico-cultural cujos estopins são o ciberespaço, Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 101 a cibercultura e o espaço de fluxos. Não se trata de algo historicamente isolado e atual. Ademais, a noção de cidade-ciborgue abrange também a escola, uma vez que ela participa da configuração do espaço social dos estudantes. O desenvolvimento e o comportamento desses indivíduos se modificam de acordo com a progressão da tecnologia digital (responsável pela convergência entre o ser humano, o espaço físico e o fluxo de dados). Nesse contexto, tanto a escola passa a ser incorporada na cidade- ciborgue como os alunos passam a desenvolver hábitos e habilidades condicionadas pela existência do ciberespaço em suas vidas. 2. NASCIDOS NA MATRIX: NATIVOS DIGITAIS A geração atual está sendo concebida em uma realidade cujas experiências de interação com o mundo são mediadas pela tecnologia digital. Assim como no filme, aqueles concebidos fora da “Matrix” (os “imigrantes digitais”) não estão totalmente inseridos nessa realidade, pois muitas de suas crenças e hábitos foram moldados antes que as tecnologias da comunicação e da informação se tornassem tão presentes na vida humana. Nativos digitais, nesse contexto, são indivíduos que nascem “imersos” na sociedade mediada pela cibercultura. O desdobramento dessa relação da tecnologia com a cultura ocorre por intermédio do ciberespaço que, nas palavras de Aldemir Nicolau (2009), é um “espaço de comunicação proporcionado pela interconexão mundial de computadores e das memórias dos computadores. Incluindo aí todos os sistemas de comunicação eletrônica que transmitem informações oriundas de fontes digitais ou que sejam destinadas à digitalização”. No contexto deste artigo, cognição é compreendida como o ato de se absorver e alocar informações ou, nas palavras de Magalhães (2014, p. 1), “o processo de organização de informação, dessa forma, pode ser entendido como cognição”. Processo esse que engloba fatores humanos e não-humanos e todo o contexto que envolve o indivíduo. No caso de alunos nativos digitais, as decisões tomadas se acoplam ao mundo, mundo este mediado pela interação constante com as TIC, o que, de acordo com OLIVEIRA (2011, p.118), “parece possibilitar a ativação de todo um conjunto de habilidades e fatores que atuam no processo cognitivo”. Os nativos digitais percebem os dispositivos tecnológicos de uma maneira diferente, pois concebem-nos como parte integrante de sua vida, quase como uma extensão de seus próprios corpos interferindo no processo cognitivo. Esses dispositivos, conforme REGIS, Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 102 TIMPONI e MAIA (2012, p. 118), “reconfiguram de forma dinâmica e complexa o processo cognitivo”. As interações entre o ser humano e as TIC, segundo MAGALHÃES (2014, p.3), permitem um maior entendimento da realidade e uma interação mais eficaz e inteligente com o meio “. Marc Prensky (2001) ressalta que “tipos distintos de experiências levam à distintas estruturas de pensamento”. Logo, um indivíduo cujas experiências cotidianas são mediadas pelas TIC possui uma estrutura de pensamento voltada para lidar com o ambiente no qual os dispositivos estão inseridos. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um mero acessório em sua vida para ser parte integrante das experiências com o meio. A cognição enquanto processo organizacional de informação, precisa ser compreendida como resultado de um modo de viver atravessado pelo uso de tecnologias de informação e comunicação. Esse tipo de experiência que pode condicionar as estruturas de pensamento dos alunos nativos digitais. Quanto aos estímulos, PEREIRA e LOPES (2004, p. 1) afirmam que eles “levam à reorganização do sistema em desenvolvimento, o que produz as mudanças comportamentais”. Logo, é possível constatar que a interação/estimulação mediadas pela tecnologia podem promover efeitos de níveis psicológico-comportamentais nos indivíduos. Para MARASCHIN e AXT (p. 42), deve-se conceber “as tecnologias como constitutivas da cognição”. No aluno nativo digital, segundo REGIS, TIMPONI e MAIA (2012, p. 124), “a percepção está conectada com possibilidades para ação” por conta do dinamismo do ambiente em que este indivíduo está inserido. Seu modelo cognitivo está focado em selecionar informações necessárias a uma posterior resolução de algum problema e não em detectar detalhes. Observa-se um modelo cognitivo fragmentado que segue a também fragmentada natureza da interação com o ciberespaço. Eles (os estudantes) navegam em diversos sites com um infinito número de referências reciprocamente e simultaneamente combinantes e contrastantes. Para REGIS, TIMPONI e MAIA (2012, p. 123), “conseguir juntar fragmentos de informação dentro da infinita dimensão das possibilidades é um desafio para que o indivíduo consiga ter acesso a possibilidades de decodificação”.Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 103 A maneira como esse aluno presta atenção ocorre de maneira dispersa respondendo aos estímulos apresentados e há, segundo REGIS, TIMPONI e MAIA (2012, p. 117), uma “necessidade de selecionar tarefas e ordená-las devido à sobrecarga de estímulos e demandas”. Cabe ao usuário de alguma tecnologia de comunicação e informação “o papel de investigar e reunir informações dispersas em diferentes plataformas” (REGIS, TIMPONI e MAIA, 2012, p. 124). Essa divisão em torno de diversas atividades pode provocar um desvio constante na atenção, visto que o intervalo de alternância entre as tarefas torna-se gradativamente reduzido. A atenção, para REGIS, TIMPONI e MAIA (2012, p. 121), “é elemento fundador, pois é ela que seleciona os estímulos e/ou informações nos quais se deve focar” e para nativos digitais, cujo modelo cognitivo foi concebido por/para essa fragmentação, é difícil manter o foco em uma só atividade por um período considerável. REGIS, TIMPONI e MAIA (2012, p., 127) afirmam que “a cultura atual se baseia em características de déficit de atenção”. É exigido que o indivíduo desempenhe diversas tarefas de naturezas distintas, o que, em alguns casos, provoca o condicionamento mental para que o cérebro responda automaticamente aos estímulos mais presentes e frequentes no cotidiano. Assim, os nativos digitais tendem a realizar com mais êxito tarefas instantâneas. Na sala de aula esse fenômeno é perceptível quando os alunos não conseguem manter sua atenção no professor por estarem usando algum dispositivo de interface com o ciberespaço, ou até mesmo quando não estão conectados. Estão fisicamente presentes, porém (como sua noção de pertencimento a um território se baseia naquilo que acessam e não necessariamente no lugar onde estão) suas mentes e atenções se voltam para outras coisas. Por conseguinte, os alunos tendem a apresentar atenção mais direcionada a estímulos de curta duração e a obter êxito na realização de atividades instantâneas que geram recompensas recorrentes. Atividades e explicações muito longas se tornam algo maçante e pouco efetivo. “Eles têm pouca paciência com palestras, lógica passo-a-passo, e instruções que ‘ditam o que fazer” (PRENSKY, 2001). Silvana Lemos (2009, p. 43) elucida que “os nativos digitais transitam através da leitura/escrita das salas de bate-papo, na troca de e-mails, criando um espaço ao mesmo tempo Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 104 de ludicidade e de formação de construção do próprio eu”. Trata-se, pois, de um processo de construção dos próprios indivíduos dentro de uma ambiência tecnológica. 3. NATIVOS DIGITAIS X IMIGRANTES DIGITAIS: A CIBERCULTURA COMO CAMPO DE BATALHA Marc Presnky (2001) aponta uma questão a ser refletida: “Os estudantes Nativos Digitais deveriam aprender as velhas formas, ou os educadores Imigrantes digitais deveriam aprender as novas?”. Seria a cultura escolar de hoje fora de contexto e pouco atrativa aos estudantes ou estes deveriam se adaptar a esse modelo de ensino pensado para estudantes de gerações anteriores? Percebe-se que existem divergências cognitivas e comportamentais entre professores e alunos, tendo a internet como pano de fundo. A maneira como buscam, interpretam e lidam com o conhecimento ocorre de maneira distinta, uma vez que a cognição dos alunos funciona à base de estímulos distintos. Logo, nativos e imigrantes digitais receberam estímulos de naturezas e intensidades distintas. Quanto a formação e distinção entre nativos e imigrantes digitais, Vargas (2014) ilustra que os nativos digitais receberam estímulos modais diferentes das gerações anteriores além de adquirirem habilidades para usar as tecnologias digitais. Eles se relacionam com as pessoas de forma diferente e atravessada por essa hiperconectividade. Há também os imigrantes digitais. São estes os que não se enquadram nesse grupo (nascidos em gerações anteriores) e precisam passar por um processo de imersão nestas novas linguagens e interação com os nativos digitais, além de passarem por um processo de apropriação destes novos conceitos tecnológicos. VARGAS (2014, p. 5). O fato é que alguns educadores imigrantes digitais não conseguem atingir seus alunos, apropriando-se de contexto e linguagens para um ensinamento mais atrativo e significativo. Há uma lacuna que envolve os interesses e deságua na efetividade das aulas. “As juventudes hiperconectadas e multimodais já não conseguem atribuir sentido à escola” (VARGAS, 2014, p. 10). Prensky (2001) relata que “os nossos instrutores Imigrantes Digitais, que usam uma linguagem ultrapassada (da era pré-digital), estão lutando para ensinar uma população que fala uma linguagem totalmente nova”. Trata-se de uma linguagem que não consegue dialogar com o cotidiano dos nativos digitais. “No ciberespaço utiliza-se de várias linguagens que, em sua maioria, objetivam a materialização de sentimentos, expressões faciais, físicas e afetivas”, reflete Francielle Alves Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 105 Vargas (2014, p. 4). Assim, os nativos digitais conseguem perceber em seu cotidiano manifestações dos usos que eles fazem de sua própria linguagem através do ciberespaço, pois notam que o manuseio da tecnologia digital não é um fim mesmo, posto que permite a realização de outras ações fora do ambiente virtual. FEY (2011, p. 3) constata que “a nova linguagem que emerge das interações dos nativos digitais não é nem melhor nem pior, mas diferente” e necessária para que atuem ativamente no ciberespaço. É necessária para que novos significados sejam atribuídos a atividades e qualquer produto proveniente do ciberespaço. Trata-se de uma interação que pode permitir, segundo MAGALHÃES (2014, p. 1), a “extensão das capacidades e habilidades da mente através do amento ou melhora dos sistemas de processamento de informações”. Grande parte dos professores imigrantes digitais trata com indiferença essas novas habilidades adquiridas pelos alunos nativos digitais, deixando de compreender sua natureza e de explorar seu potencial. Nas palavras de Prensky (2001), “os Imigrantes Digitais tipicamente têm pouca apreciação por estas habilidades que os Nativos adquiriram e aperfeiçoaram através de anos de interação e prática”. São habilidades necessárias para a vivência em um mundo atravessado pelo advento das TIC, um mundo que exige competências que não existiam na época da formação pessoal e educacional dos educadores. Nesse caso, a falta de atualização na área das tecnologias digitais por parte dos educadores pode levá-los a “demonizar estas novas linguagens e neutralizar as potencialidades que essas novas linguagens tecnológicas têm” (VARGAS, 2014, p. 4). Logo, não há aproveitamento pedagógico dessas habilidades e dessa linguagem. Usando o impacto cultural e comportamental da internet como parâmetro, é possível notar que docentes e discentes têm se relacionado em uma atmosfera consideravelmente movida pela velocidade tanto do fluxo de informações quanto das mudanças na sociedade em si. São gerações com visões de mundo, habilidades e interesses distintos convergindo no processo educacional, o que desafia os modelos pedagógicos atuais, já que os professores, em sua grande maioria, não conseguem “alcançar” e se harmonizar com seus alunos. CONSIDERAÇÕES FINAIS As tecnologias de informação e comunicação têm sido um fator crucial nas mudanças em várias áreas da vida humana. Estuda-las (as TIC), em um aspecto educacional, pode implicar Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 106 no entendimento acerca do seu impacto sobre o comportamento e a cognição dos alunos nativos digitais. Esses alunos estão situados e se desenvolvem em um contexto socialdiferente daquele que moldou seus professores. Essa diferença ambiental pode refletir-se na sala de aula no momento em que docentes e discentes parecem “não estar falando a mesma língua”. Alguns professores já não conseguem alcançar seus alunos, pois suas práticas de ensino estão situadas em universo diferente daquele ao qual pertencem os alunos nativos digitais. Trata-se, portanto, de um conjunto de práticas educacionais sem muito significado para os discentes. Compreender como pensam e se comportam os discentes nascidos no universo interfaceado pelas TIC pode resultar em estratégias educacionais mais significativas e, consequentemente, mais eficazes. Afinal, analisar a influência das tecnologias de informação e comunicação na vida desse novo público estudantil pode significar compreender como funcionam seus interesses e necessidades. REFERÊNCIAS AXT, Margarete; MARASCHIN, Cleci. Acoplamento Tecnológico e Cognição. 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Nesse sentido, este estudo se norteará sobre quais são as políticas públicas implementadas em relação à Educação Especial/Inclusiva no município de Rio das Flores. Estabelecendo como objetivo geral demonstrar as políticas em Educação Especial/Inclusiva implementadas e desenvolvidas no município de Rio das Flores; visando identificar os documentos, confrontar os achados com a literatura sobre o tema e analisar os dados. Como referencial teórico este estudo se baseará em Garcia e Barcelos (2021), que descrevem documentos relativos ao contexto das Políticas de Educação Especial/Inclusiva no Brasil, bem como Garcia e Vaz (2013) e Garcia (2004); a implantação dessas políticas no município de Rio das Flores é expressapela Lei municipal nº 1434/09, corroborado por Brasil (2009). Como metodologia será utilizada análise de documentos municipais, seja em instituições envolvidas com a educação, escolas e meios eletrônicos sobre a educação inclusiva no município de Rio das Flores; confrontando os resultados com a literatura acadêmica sobre a temática. O presente estudo concluiu que ocorreram ao longo da história consideráveis avanços, ainda que recentes, sobre as políticas públicas de inclusão, no entanto, são necessários estudos para avaliação da implementação das mesmas nas escolas públicas, sobretudo às municipais. PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva, Políticas Públicas, Rio das Flores. INTRODUÇÃO As Políticas públicas em educação especial eram ofertadas como ensino emendativo em instituições filantrópicas que acolhiam os especiais por iniciativa do estado, para cumprir o decreto nº 24794 de 14 de julho de 1934; ao longo das décadas, com o aprofundamento dos estudos sobre educação especial ocorreu a inclusão desta modalidade no ensino regular, nesse sentido, as escolas e classes especializadas foram se integrando à proposta da educação inclusiva na escola regular de aprendizagem, por meio da Assistência Especial Educacional (AEE) e da sala de recurso multifuncionais (SRM), que garantem o atendimento educacional especializado, utilizando-se de recursos pedagógicos de acessibilidade, organizados institucionalmente visando o amparo aos alunos especiais no ensino regular(GARCIA; BARCELOS, 2021). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,2022), Rio das Flores possui uma área de 478,783 km² e uma população aproximada de 9.401 habitantes. O município de Rio das Flores, situa-se no estado do Rio de janeiro, tendo seus registros primordiais por Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 109 volta da segunda metade do século 16, sendo sua colonização, devido às férteis terras para o cultivo do café, principal produto agrícola do período; inicialmente rio das flores era freguesia de Santa Teresa, conseguindo autonomia em 1890, e só no ano de 1943 que a cidade passou a ser denominada Rio das Flores (INEPAC/RJ, 2022). De acordo com a Lei municipal nº 1434/09 inserida no regimento escolar da rede Municipal, o município de Rio das Flores oferta aos educandos com necessidades especiais, através de modalidades específicas, serviço de apoio, trabalho de orientação ao discente e familiares do aluno, metodologias e materiais didáticos adequados ao atendimento de cada especialidade visando à integração social. (BRASIL, 2009) O presente estudo surgiu da necessidade de analisar como as políticas públicas na educação inclusiva podem assegurar o acesso integral do aluno especial, vislumbrando minimizar as iniquidades sociais; portanto, irá investigar através de documentos como é implantada as políticas públicas de educação inclusiva no município de Rio das Flores. Esta pesquisa se justifica pela necessidade na literatura acadêmica de estudos que abordam a temática da educação inclusiva, contribuindo para promover a diminuição de lacunas e estimular uma equidade educacional para os alunos especiais. Através da investigação de documentos propicia que o profissional da Educação adquira conhecimento sobre as políticas públicas na região, contribuindo assim para um aprendizado contínuo, visto a necessidade de uma preparação especializada para o professor; devido aos desafios encontrados pelo professor e também pelo aluno (GARCIA,2017). Diante do exposto, esta pesquisa se norteia pela questão: quais são as políticas públicas implementadas em relação à Educação Especial/Inclusiva no município de Rio das Flores? Para isso, utilizará da análise de documentos municipais, seja em instituições envolvidas com a educação, escolas e meios eletrônicos sobre a educação inclusiva no município de Rio das Flores; confrontando os resultados com a literatura acadêmica sobre a temática; tendo como objetivo, demonstrar as políticas em Educação Especial/Inclusiva desenvolvidas no município de Rio das Flores; visando identificar os documentos, confrontar os achados com a literatura sobre o tema e analisar os dados. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 110 1. REFERENCIAL TEÓRICO 1.1 As Política de Educação Especial Brasileira De forma intensa na formulação de políticas para a educação especial, a sociedade “Pestalozzi” atuou no ensino brasileiro, em particular na educação especial à partir da década de 30 por uma iniciativa do Estado, sendo o ensino ofertado por instituições filantrópicas como ensino emendativo à essa população conhecida como especial. Os movimentos que disputam politicamente a definição para o público-alvo em educação especial (PAEE) articulam-se como organizações, associações, federações, consistindo em aparelhos privados da sociedade civil (GARCIA; BARCELOS, 2021). Ainda de acordo com Garcia e Barcelos (2021) o estudioso sobre a política e o Estado Moderno, “Gramsci” em 1976 toma como referência o conceito de estado integral, fazendo análises dos documentos representativos das políticas de educação especial de âmbito nacional, sendo: Política de Educação Especial (1994), Resolução CNE/CDB nº2 de 11 de setembro de 2001, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva de 2008. Esses documentos foram selecionados por apresentarem alterações na compreensão sobre o PAEE, se baseando nos pressupostos teóricos e metodológicos do materialismo histórico e dialético, confrontando os documentos selecionados com outros, a fim de captar “movimento que constituiu determinada política como a realidade objetiva”; considerando que as políticas não podem ser pensadas de forma isoladas da história e da economia. Dessa forma os documentos da área expressam, não apenas diretrizes para a educação, mas articulam interesses, projetam políticas, produzem intervenções sociais (GARCIA; BARCELOS, 2021). 1.2 Conquistas dos movimentos a favor da educação inclusiva: agora é Lei. Nos anos 90, ocorreram movimentos para o debate e a proposição de educações para vários grupos considerados excluídos ou de risco social, tivemos notícias de eventos internacionais na importância por normatizar a inclusão na legislação nacional, o Brasil estava na fase de implementação sobre a integração na política de educação especial, onde a reflexão sobre o assunto incorporou um conjunto de ideias que se firmaram como hegemônicas no campo da educação inclusiva. Sendo assim, importantes eventos, cujo objetivo foi sistematizar uma proposta de educação para pessoas com necessidades especiais; como a Conferência de Salamanca, a Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 111 Convenção de Guatemala (2001) e a mais recente de Nova York em 2006, firmou-se como a ideia principal no documento Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (GARCIA; VAZ, 2013). Historicamente a educação especial foi estruturada sobre poucas instituições públicas e uma rede paralela de instituições privadas que desenvolveram trabalhos em regime de convênios com secretarias de educação nos estados e municípios. A situação que já estava naturalizada para educação especial seja tanto em âmbito público quanto no privado, na execução do atendimento educacional onde as instituições privados-assistenciais com o devido apoio das secretarias estaduais e/ou municipais recebiam financiamentos públicos para sustentar o funcionamento educacional (GARCIA, 2004). A Política Nacional de Educação Inclusiva ganhou novos contornos a partir dos anos de 2000; com programas, características e objetivos, onde os três programas de governo visavam a educação com ênfase na educação básica e ensino superior para o atendimento educacional especializado. O programa deimplementação de salas de recursos multifuncionais e o programa educação inclusiva: direito à diversidade, visavam expandir a oferta do ensino especializado aos alunos incluídos nas classes comuns, como suporte educacional; também uma ação de compartilhamento para formação de gestores e educadores para efetivar a transformação dos sistemas educacionais em sistemas inclusivos nas escolas regulares, já o programa incluir destina-se especificamente à educação superior inclusiva, com atribuições para os níveis políticos regionais e locais com organizações flexíveis ao atendimento desse público-alvo (GARCIA, 2004). 1.3. O município de Rio das Flores Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,2022), Rio das Flores possui uma área de 478,783 km² e uma população aproximada de 9.401 habitantes. O município de Rio das Flores, situa-se no estado do Rio de janeiro, tendo seus registros primordiais por volta da segunda metade do século 16, sendo sua colonização, devido às férteis terras para o cultivo do café, principal produto agrícola do período; inicialmente rio das flores era freguesia de Santa Teresa, conseguindo autonomia em 1890, e só no ano de 1943 que a cidade passou a ser denominada Rio das Flores (INEPAC/RJ, 2022). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 112 De acordo com a Lei municipal nº 1434/09 inserida no regimento escolar da rede Municipal, o município de Rio das Flores oferta aos educandos com necessidades especiais, através de modalidades específicas, serviço de apoio, trabalho de orientação ao discente e familiares do aluno, metodologias e materiais didáticos adequados ao atendimento de cada especialidade visando à integração social (BRASIL, 2009). 2. METODOLOGIA DE PESQUISA Esta pesquisa trata-se de um estudo de caso sobre as políticas públicas de educação inclusiva, qualitativa, descritiva, utilizando-se de documentos públicos que o município de Rio das Flores disponibiliza em relação à Educação Inclusiva. Será feito uma busca documental em escolas municipais, entidades envolvidas e documentos eletrônicos, de natureza qualitativa, sobre as políticas de educação inclusiva implementadas na região, tendo como base de pesquisa as escolas municipais e os centros de apoio às mesmas, os dados obtidos serão analisados utilizando da literatura acadêmica sobre a temática. Para que não haja conflitos éticos, serão utilizados como fonte da pesquisa, documentos públicos sobre a temática, como recorte temporal será utilizado documentos datados de 1990 até o ano de 2021. Os resultados obtidos serão expressos neste estudo. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após pesquisa na literatura acadêmica e busca ativa nos órgãos de educação municipal e de suporte à educação inclusiva, esse estudo obteve os documentos relacionados com a educação especial/inclusiva no município: Documentos Descrição Ano Lei Orgânica do Município de Rio das Flores Dispõe sobre as leis que visam assegurar no âmbito da autonomia Municipal, os direitos sociais e individuais à liberdade. 1990 Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 113 Lei nº 8.742, DE 7 de Dezembro de 1993 Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências 1993 Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS Reúne informações importantes para subsidiar a implantação, organização, funcionamento e aprimoramento dos CREAS no país 2011 Orientações Técnicas Centro de Referência de Assistência Social - CRAS Destinada a gestores e trabalhadores do SUAS, subsidia o funcionamento do CRAS por todo o país. 2009 Lei nº 1.434, de 09 de Junho de 2009. Dispõe sobre a criação do CAPNEE e dá outras providências 2009 Resolução n° 001/2014, 26 de agosto de 2014 Dispõe sobre as normas de funcionamento do CAPNEE, Educação Especial, Sala de Solicitação de Aprendizagem e Atendimento Educacional Especializado 2014 Lei nº 13.146, DE 6 de Julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). 2015 Lei n° 1808 de 18 de junho de 2015 Dispõe sobre a Aprovação do Plano Municipal de Educação do Município de Rio das Flores e adota outras providências. 2015 http://www.mprj.mp.br/documents/20184/195956/Resolucao_n_001_2014_CAPNEE_Educacao_Especial_Sala_de_Solicitacao_de_Aprendizagem_e_Atendimento_Educacional_Especializado.pdf http://www.mprj.mp.br/documents/20184/195956/Resolucao_n_001_2014_CAPNEE_Educacao_Especial_Sala_de_Solicitacao_de_Aprendizagem_e_Atendimento_Educacional_Especializado.pdf http://www.mprj.mp.br/documents/20184/195956/Resolucao_n_001_2014_CAPNEE_Educacao_Especial_Sala_de_Solicitacao_de_Aprendizagem_e_Atendimento_Educacional_Especializado.pdf http://www.mprj.mp.br/documents/20184/195956/Resolucao_n_001_2014_CAPNEE_Educacao_Especial_Sala_de_Solicitacao_de_Aprendizagem_e_Atendimento_Educacional_Especializado.pdf http://www.mprj.mp.br/documents/20184/195956/Resolucao_n_001_2014_CAPNEE_Educacao_Especial_Sala_de_Solicitacao_de_Aprendizagem_e_Atendimento_Educacional_Especializado.pdf Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 114 Lei nº 2.163 de 13 de Abril de 2021 Estabelece novas regras para o Conselho Municipal de Educação – CME, integrando a Câmara de Educação Básica e dá outras providências 2021 Fonte: Desenvolvida pelo Autor (2022). O município de Rio das Flores, de acordo com site oficial, dispõe de sete escolas e 3 creches e com o CAPNEE, apoiando o desenvolvimento da educação inclusiva no município; sendo elas: Escola Municipal Santa Tereza, Escola Municipal Nephtalina Carvalho Ávila, Escola Municipal Manuel Duarte, Escola Municipal Formoso, Escola Municipal Rosalina Dável Henrique, Escola Municipal Manoel Araújo, Escola Municipal Três Ilhas, Creche Municipal Isabel Monteiro, Creche Municipal Círculo Infantil, Creche Municipal Rosa de Lima Furtado e o Centro de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (CAPNEE); além do apoio da Assistência Social, atendendo às demandas pertinentes à área de atuação. O município rege toda a rede educacional nas leis e resoluções de educação inclusiva vigentes, estando assim, em conformidade com o que dispõe a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 208, inciso III; quando versa sobre o dever do Estado em assegurar atendimento de educação especializada e inclusiva, preferencialmente na rede regular de ensino. As leis e resoluções expressas nestes resultados, ou visam a educação inclusiva diretamente, ou apoiar a mesma, como o caso da Assistência Social; nesta pesquisa foi incluída também, a Lei que estabelece novas regras para o Conselho Municipal de Educação, haja visto que o mesmo têm função diretamente ligada à diversos níveis e modalidades de ensino, abrangendo a Educação especial/inclusiva. De acordo com a Lei Orgânica, o município de Rio das Flores deve assegurar acesso de forma igualitária à educação, sendo prioritariamente fundamental e pré-escolar; contemplando a educação especial, e incentivando a inclusão dos alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino (BRASIL,1990). Nesse sentido, para apoiar às especificidades de cada indivíduo com deficiência, em 2009, foi criado o CAPNEE, lotado na Secretaria Municipal de Educação, com desenvolvimento do seu trabalho de forma multiprofissional e interdisciplinar, tendo como objetivo ofertar a pessoa com necessidade especial, de forma equânime, oportunidades nas diversas áreas de sua vida, respeitando assim os direitos e os deveres de cada indivíduo (BRASIL,2009). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 115 A normatização do funcionamento do CAPNEE foi regulamentadaatravés da Resolução n° 001/2014, englobando também especialidades profissionais e os suportes que a educação municipal necessita para atendimento da pessoa com deficiência; na mesma direção o Plano Municipal de Educação de Rio das Flores, descreve sobre o Atendimento Educacional Especializado (AEE), estando em consonância com Garcia(2011) quando cita o AEE e as salas de recursos com diversas funções para atender às especialidades. Ainda sobre o Plano Municipal de educação, dentre suas várias diretrizes, podemos destacar a “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação” e a “difusão dos princípios da equidade e do respeito à diversidade” como princípios que apoiam e integram à educação especial (BRASIL,2015 p. 46). Com a finalidade de assegurar os direitos, de forma igualitária e visando à inclusão da pessoa com deficiência no meio social, foi instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), apoiando o direito à educação e imcubindo ao poder público os diversos meios para que a educação inclusiva seja desenvolvida de forma plena. Mais recentemente, no ano de 2021 foi estabelecida novas regras para o Conselho Municipal de Educação (CME), essa Lei merece destaque devido à participação deste conselho na modalidade também de educação especial/inclusiva (BRASIL,2021). Foi notório que as resoluções e leis relativas à educação inclusiva se iniciaram no século atual, mesmo as ocorridas antes, serviram como base para o desenvolvimento de leis e resoluções mais robustas nas diferentes esferas de governo; corroborando isto, Garcia (2004) cita que as Políticas Nacionais de Educação Inclusivas ganharam novos vieses à partir do ano 2000, com implementação de programas e recursos destinados ao público de educação especial/inclusiva, o que deixa exposto a atualidade do assunto abordado e a necessidade de estudos envolvendo as temática. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com um viés específico sobre as escolas municipais de Rio das Flores, e tendo como base a Lei municipal nº 1434/09, esta pesquisa teve como hipótese que as políticas públicas de educação inclusiva são adequadamente implementadas nas escolas municipais de Rio das Flores; porém, é necessário o aprofundamento e mais estudos científicos a fim de avaliar se as adequações dessas políticas estão sendo implementadas corretamente nas escolas públicas. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 116 Esta pesquisa concluiu que houve consideráveis progressos em relação às políticas públicas de educação inclusiva/especial no decorrer das últimas décadas; no entanto, é necessário que haja uma observação minuciosa, se as mesmas estão sendo implementadas de forma eficiente nas escolas públicas. Após observação dos resultados encontrados e confrontados com a literatura acadêmica ficou exposta a atualidade da temática e a necessidade de estudos que abordam a educação inclusiva no município de Rio das Flores; haja visto, que a educação inclusiva é um direito da pessoa com deficiência e dever dos governos prover a mesma, minimizando assim lacunas entre a pessoa com deficiência e o ensino regular, contribuindo assim, para uma educação integral, diversa e equânime. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. CÂMARA MUNICIPAL DE RIO DAS FLÔRES. LEI Nº 2.163 DE 13 DE ABRIL DE 2021. 2021 BRASIL. CÂMARA DE RIO DAS FLORES. LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE RIO DAS FLÔRES. 1990. BRASIL. Constituição (1988). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 16 set. 2022. Brasil.MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME – MDS. . 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Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 118 CAPÍTULO 10 OS RECURSOS TECNOLÓGICOS COMO FERRAMENTA NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM TEMPOS DE PANDEMIA Joziana Dias Tavares Ramos Lucas Capita Quarto RESUMO A pandemia da COVID-19 ocasionou revoluções em todos os setores da sociedade. Além da área da saúde, o campo educacional foi impactado de forma direta devido a necessidade de isolamento social. Com isso, os métodos de ensino precisaram ser reformulados para atender as demandas educacionais. Dentro desse cenário, os recursos tecnológicos se tornaram um instrumento primordial para o avanço educacional. Frente a esta realidade, o presente trabalho tem como objetivo geral levantar uma discussão teórica sobre os recursos tecnológicos como ferramenta na construção do conhecimento em tempos de pandemia. Como metodologia, recorreu-se a um estudo bibliográfico. O levantamento foi realizado nas bases de dados Scopus, Google Acadêmico e Scielo, utilizando os descritores de busca: TIC’s, COVID-19, educação e ensino. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’S) são ferramentas que estão cada vez mais presentes no cotidiano do ser humano e, como não poderia deixar de ser, também no contexto educacional, revolucionando o processo de ensino aprendizagem, sobretudo no perpiodo de pandemiada COVID-19. A inserção das TIC’s no campo educacional permitiu a continuação do calendário escolar, impulsionando a integração entre pessoas de diferentes partes do mundo e auxiliando na formação de um cidadão cada vez mais criativo, autônomo e atento às mudanças que ocorrem ao redor do mundo. PALAVRAS-CHAVE: Tecnologias. Educação. Ensino. Pandemia. COVID-19. INTRODUÇÃO Apesar dos avanços no combate à COVID-19, ainda estamos atravessando uma pandemia de proporções gigantescas que nos induziu a fazermos adaptações em todas as esferas da sociedade. Depois da saúde pública, o setor mais afetado foi a educação. Afinal, em um piscar de olhos, as casas se tornaram salas de aula, ou seja, alunos, professores, escolas e famílias precisaram se adaptar a um novo contexto. Com a suspensão do ensino presencial, as instituições de ensino adotaram as categorias de ensino: remoto, híbrido e a distância. Ambas ocorrem a partir do uso das TIC’s. Com isso, no Brasil, as portarias de nº 343, de 17 de março de 2020 e a 345, de 19 de março de 2020 suspenderam as aulas em formato presencial e autorizaram o uso de meios digitais para que houvesse continuidade do ano letivo durante a pandemia. O retorno das aulas presenciais ocorreu no início do ano letivo de 2022, após o avanço da vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Contudo, diante de todo o contexto mundial vivenciado nos últimos anos, das inúmeras mudanças e possibilidades que a nova realidade nos impôs, é possível afirmar que os recursos tecnológicos permanecerão como ferramentas Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 119 auxiliadores no processo de construção do conhecimento, sobretudo frente as possibilidades de novas pandemias. Nesta pesquisa, por meio de um levantamento bibliográfico, os recursos tecnológicos serão discutidos como um instrumento na construção do conhecimento em tempos de pandemia, a partir da experiência vivenciada no contexto educacional durante a pandemia da COVID-19. Para tanto, este trabalho tem como objetivos específicos: apresentar dados relacionados a pandemia da COVID-19; abordar a inserção das TIC’s na educação; e conceituar os modelos de ensino: remoto, híbrido e a distância. O levantamento bibliográfico foi elaborado a partir da busca, análise e seleção de publicações científicas indexadas às bases de dados Scopus, Google Acadêmico e Scielo. A busca foi realizada entre os meses de fevereiro e maio de 2022, utilizando como descritores os termos: TIC’s, COVID-19, educação e ensino. Como critérios de inclusão e exclusão, adotou- se a utilização de documentos publicados no período de 2020 a 2022, escritos nos idiomas inglês e português. O presente estudo se justifica por sua relevância social e acadêmica. De um modo geral, a inserção das tecnologias digitais no contexto educacional ultrapassa a sua própria complexidade. Com isso, torna-se necessário subsidiar cada vez mais pesquisas a fim de desvendar o mar de possibilidades que essas ferramentas podem proporcionar. Em relação a relevância acadêmica, o trabalho visa contribuir com os atuais e futuros debates sobre a problemática. O artigo está organizado em cinco seções. Após a introdução, na primeira seção é abordada a literatura acerca do tema. A segunda seção se refere a discussão do assunto, com a finalidade de proporcionar uma interação sobre a temática. Concluindo, na última seção são apresentadas as considerações finais a respeito do desenvolvimento da pesquisa. DESENVOLVIMENTO A pandemia da COVID-19 No ano de 2020, o mundo foi surpreendido com a pandemia da COVID-19. Uma patologia ocasionada por um vírus pertencente a família dos coronavírus. Os coronavírus, por sua vez, compõem um grupo sistemático de vírus de RNA capaz de infectar uma ampla Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 120 variedade de animais, bem como o ser humano, devido a sua alta capacidade de transmissão interespécies (HUANG et al., 2020). Em 2019, especificadamente na província de Wuhan, China, um novo coronavírus foi identificado, sendo denominado SARS-CoV-2. Um vírus capaz de ocasionar síndromes respiratórias severas e até mesmo óbitos (KAMPF et al., 2020). O SARS-CoV-2, responsável pela doença COVID-19, é o terceiro coronavírus humano com alto potencial patogênico que surgiu nos últimos vinte anos (HUANG et al., 2020). A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-18, no dia 11 de março de 2020, após o registro de 118.000 casos da doença em mais de 110 países (ONYEAKA; ZAHID; PATEL, 2020). A transmissão do vírus ocorre por meio de contato com gotículas respiratórias oriundas de pacientes sintomáticos e assintomáticos (HUANG et al., 2020). No Brasil, o primeiro caso da COVID-19 foi detectado em fevereiro de 2020 e, desde então, o vírus se espalha em território nacional. Até o dia 22 de fevereiro de 2020 o país acumulou 28.258.458 casos confirmados de COVID-19 e 644.918 óbitos (CORONAVÍRUS, 2020). O surto da doença fez com que o Ministério da Saúde adotasse medidas estratégicas para minimizar o índice de contaminação, entre as quais destaca-se o isolamento social, o que, consequentemente, modificou os métodos de ensino. Cabe mencionar que a pandemia da COVID-19 não é a primeira que atinge a sociedade brasileiras; visto que outras doenças de proporções mundiais, como a Influenza H1N1, já foram disseminadas no Brasil. As TIC’s e o contexto educacional O mundo contemporâneo vive em uma sociedade moderna e conectada. As gerações que experimentam essa realidade dialogam entre si em um universo interativo e interdependente (ARAÚJO, 2017). Diante desta realidade, o ambiente educacional deve se integrar e interligar aos demais espaços existentes. Nesse âmbito, as TIC’s surgem como um recurso tecnológico e educacional que revoluciona as relações sociais e educacionais. Cada vez mais presentes em salas de aula, as TIC’s assumem um papel importante na melhoria do processo de ensino aprendizagem (LAPA; PRETTO, 2019). Utilizar os recursos digitais em sala de aula torna o processo de ensino Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 121 aprendizagem mais atrativo, visto que promove reformulações, questionamentos, torna o conteúdo mais atrativo e próximo da realidade do aluno. Chiavenato (2002) define a comunicação como uma troca de informações, mensagens e ideais, sendo essa um processo fundamental da existência e organização social. A comunicação pode ocorrer de forma verbal (escrita e oral) e não verbal (troca de sinais). A globalização, movida pela era da informação, proporciona novos meio de se comunicar que possibilitam diferentes formas de distribuição do conhecimento. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) formam um conjunto de recursos tecnológicos e educacionais que revolucionaram as relações sociais (VELLOSO, 2003). Elas estão cada vez mais presentes no campo educacional, assumindo um importante papel na melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Utilizar os recursos tecnológicos torna o processo de aprendizagem mais atrativo, proporcionando uma forma diferenciada de ensino. A contribuição das TIC’s no ambiente educacional ultrapassa a forma dialógica de promover aprendizagens, desencadeando também novas formas de questionamentos, reformulações e flexibilidade, sobretudo no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) para promoção do conhecimento por meio de congressos e eventos online. A maneira como o sistema educacional incorpora as TIC’s pode influenciar diretamente a redução da exclusão digital do país. No processo de ensino-aprendizagem, é importante ressaltar a importância do aprender fazendo, da experiência e da participação. Quanto à inserção das TIC’s no campo educacional, o Quadro 1 apresenta os pontos negativos epositivos. Quadro 1: Pontos Positivos e Negativos do Uso das TICs. Positivos Negativos No processo educacional, os recursos digitais podem enriquecer as salas de aulas, diversificando as metodologias e ferramentas de ensino e aprendizagem, fazendo com que os professores se tornem facilitadores deste processo, proporcionam aos alunos maior autonomia. O despreparo inicial de educadores que desconhecem os recursos tecnológicos e o modo de utilizá-los, seja por falta de investimento financeiro ou a limitação de banda larga em determinadas regiões do Brasil. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 122 Positivos Negativos A inserção dos recursos tecnológicos nas salas de aula faz com que o discente tenha todo tempo a construir conhecimento, visto que essas ferramentas facilitam o acesso a informações. A facilidade de acesso a informações, muitas vezes, pode ser utilizada de forma equivocada ou até mesmo erradas. A flexibilidade da internet valoriza a importância do auto-estudo e aprendizagem dirigida. As cópias ou plágios dos conteúdos disponibilizados na internet em trabalhos escolares. O uso do computador no processo de ensino e aprendizagem permite para os alunos e professores um espaço amplo de pesquisa, poderoso em recursos, comunicação e velocidade. Falta de preparo dos usuários para a utilização das TIC associada à precariedade de estrutura para a utilização de tais recursos acaba tornando os equipamentos mal utilizados ou até inúteis. Fonte: Araújo (2017). Diante deste cenário, pode-se afirmar que elaborar um ambiente virtual de aprendizagem criativo, eficiente e que desperte nos alunos o desejo de permanecer nele e de aprender com ele, um espaço virtual que supra as demandas educacionais dos educandos, tem como uma das consequências positivas produzir neles o anseio de se especializarem profissionalmente no mesmo ramo que os despertou para o aprendizado ou seja, se tornarem profissionais que utilizem as TIC’s como ferramenta para agregar conhecimento (LAPA; PRETTO, 2019). As discussões e pesquisas sobre o uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs) no processo educativo são amplas; envolvendo muitos pressupostos teóricos, onde a escola torna-se um fértil campo de pesquisa, por possibilitar através da prática docente investigar a utilização das TICs como ferramenta de ampliação do conhecimento (ARAUJO, 2017, p. 16). Com inúmeros benefícios que favorecem não apenas o aprendizado como a flexibilidade em relação ao tempo, as TIC’s apontam para uma nova configuração no campo da educação (BARROSO; ANTUNES, 2016). Aprender dentro da disponibilidade de tempo de cada um e utilizando uma ferramenta que já faz parte do cotidiano do educando, traz uma nova formatação do ideal de ensino e aprendizagem. O ensino remoto x a distância x hibrido Uma nova configuração de ensino se estabeleceu no cenário educacional à nível mundial em função das demandas provocadas pela pandemia da COVID-19. Adaptações foram necessárias para dar continuidade ao cronograma e garantir o aprendizado proposto antes do Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 123 distanciamento social de forma que as modalidades de ensino, por meio dos recursos tecnológicos, se aproximem o máximo possível da modalidade presencial. Em relação a modalidade de ensino remoto, os professores precisam articular os recursos didáticos, adaptando as atividades de acordo com o novo contexto além de seguirem a configuração da modalidade presencial ministrando os conteúdos como se estivessem em sala de aula (BARROSO; ANTUNES, 2016). Contudo há situações que as adaptações dos recursos didáticos não são suficientes para agregar aprendizado aos educandos (LAPA; PRETTO, 2019). Por mais que os professores reúnam forças e utilizem estratégias para dar continuidade ao processo de ensino aprendizagem dos educandos através da entrega do material impresso e correção dos exercícios propostos, diagnosticar com exatidão a dimensão das demandas no aprendizado dos alunos que estão estudando à distância, definitivamente é uma tarefa quase impossível. Dentro da visão de uma geração mais antiga, a Educação a Distância (EAD), por sua vez, ainda está engessada sob os padrões iniciais de seu surgimento, mas como tudo que um dia surge e vai se transformando em direção à um bem maior para o coletivo, ela passou por várias articulações buscando melhorias e adequações necessárias para alcançar o seu público alvo (MORAN; VALENTE, 2015). A proposta da EAD demorou para ganhar credibilidade no Brasil e se estabelecer como uma fonte confiável de ensino (BELLONI, 2006). No início, podemos afirmar que eram tentativas de um projeto cujo futuro era incerto afinal (MORAN; VALENTE, 2015). Não havia garantias de que a proposta iria se consolidar no contexto educacional brasileiro e obter sucesso, porém o inimaginável aconteceu, o ensino EAD tomou forma, atingiu o objetivo e se tornou a ponte entre milhares de estudantes e seu diploma. Sempre existirá uma parcela da sociedade que irá nutrir preconceito contra a educação EAD mesmo depois de tantas modificações que a modalidade passou e inúmeros benefícios que ela proporciona à tantos estudantes (MORAN; VALENTE, 2015). A ideia da aprendizagem ser transmitida fora do contexto da sala de aula contribui para fortalecer a resistência de um grupo de pessoas que só se aprende através do convencional (BELLONI, 2006). Com o aumento das fábricas, indústrias e a necessidade de cumprir uma carga horária exigente, ficou cada vez mais difícil para quem deseja estudar e obter um diploma estar em uma Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 124 sala de aula (BARROSO; ANTUNES, 2016). Assim, o maior benefício da modalidade EAD que é, a flexibilidade dos horários, chamou a atenção dos estudantes e a partir deste entendimento, o ensino EAD passou a ser representado em sua grande maioria por pessoas cuja carga horária de trabalho é rigorosamente extensa e exaustiva (MORAN; VALENTE, 2015). As TIC’s estreitaram a conexão entre alunos e professores, viabilizando o aprendizado e garantindo juntamente com a disciplina na rotina de estudos dos alunos, qualificação profissional para exercer a tão sonhada profissão. Mas estes novos profissionais terão um grande desafio pela frente que é a descrença em suas habilidades profissionais pelo fato de terem estudado na modalidade EAD (LAPA; PRETTO, 2019). Depois da pandemia do COVID-19, e todos os ajustes que a educação precisou fazer para dar continuidade ao aprendizado dos educandos, não há como considerar as TIC’s como recurso educacional apenas para o momento pandêmico que ainda estamos atravessando, mas agregar a informática na educação básica equipando as escolas com laboratórios de informática e qualificando os professores para manusear os recursos tecnológicos. Para que ocorra um aprendizado eficaz diante da possibilidade de suspensão das aulas presenciais, faz se necessária a fusão do que há de melhor da modalidade presencial e dos recursos do método do ensino online para estruturar o ensino híbrido (BARROSO; ANTUNES, 2016). No que concerne o ensino híbrido, pode-se dizer que essa modalidade desconstrói a ideia que o aprendizado só ocorre quando o professor é o único responsável por todo aprendizado do educando (LAPA; PRETTO, 2019). Este método remove o professor do centro do aprendizado e coloca o aluno. Assim, cabe ao professor estimular este aluno à uma posição de protagonista do processo de construção do seu conhecimento, através de aulas dinâmicas e reflexivas. Das várias vantagens do método híbrido, pode se destacar a possibilidade de adquirir conhecimento e construir sua formação intelectual sem estar necessariamente dentro de umasala de aula. Esta modalidade permite acessos e flexibilidade dos educandos às ferramentas tecnológicas independente do lugar e do momento dito como “ideal” ou “adequado” para estudar. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 125 DISCUSSÃO As TIC’s se tornaram protagonistas durante as novas configurações de ensino. Elas permitiram a continuidade da aprendizagem no período de isolamento social, mas nem todos os alunos puderam continuar aprendendo pois há muitas famílias que não possuem computador ou internet banda larga em casa. Com isso, notamos um déficit no aprendizado dos alunos cujas famílias estão em situação de fragilidade social ou baixa renda, quando comparamos com alunos que podem desfrutar de uma estrutura financeira e intelectual estável Para estimular o interesse dos alunos no processo de ensino aprendizagem, os professores buscam dinamizar as aulas para torná-las atraentes. Para isso, a introdução dos recursos tecnológicos tem sido uma aliada que tem apresentado resultados positivos afinal, o ambiente virtual já fazia parte do cotidiano dos alunos fora do contexto escolar, adequá-lo às práticas pedagógicas foi uma estratégia que norteou a dinâmica da sala de aula especialmente durante a pandemia. Um recurso que possibilitou uma nova configuração no ensino. Conforme já discutido no decorrer desta pesquisa, não é a nova a pretensão de inserir as TIC’s no contexto educacional. Porém, como toda proposta inovadora, ela precisa passar por vários trâmites para obter a aprovação para o fim desejado e tão esperado e, finalmente, se consolidar como parte igualmente importante no cenário da educação. Não há como reter o ambiente virtual fora da realidade da sala de aula, especialmente depois de dois anos dependendo dele para garantir o aprendizado. Encontrar um equilíbrio no processo de ensino aprendizagem em meio à tantos desdobramentos causados pela pandemia da COVID-19 têm sido extremamente desafiadores, pois a falta de estrutura e conhecimento está atrasando o aprendizado dos alunos. Assim, entendemos que é fundamental fazer articulações do currículo da educação básica brasileira acrescentando ao mesmo a informática como disciplina igualmente importante como língua portuguesa e matemática. A invenção da internet e do computador foi o achado do século XX. Quando surgiram ninguém poderia imaginar a proporção que iria tomar e o impacto que teriam na vida das pessoas e, consequentemente, da sociedade. Inicialmente foram utilizados para pesquisas e trabalho, porém houve a necessidade de levá-la para outras esferas da sociedade como o Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 126 contexto escolar. Aos poucos as escolas e universidades foram aderindo à ideia de um novo recurso auxiliando as práticas pedagógicas e todos foram se familiarizando com ambos. Quando a pandemia do COVID-19 invadiu o planeta e fez a humanidade parar para recalcular a rota do estilo de vida que estava vivendo, não fazíamos ideia da dimensão das adaptações que todos os setores da sociedade teriam que fazer, porém, depois da saúde, o setor mais prejudicado foi a educação. De repente, professores, escolas e alunos pareciam não falar mais a mesma língua e sala de aula se “mudou” para dentro de casa. Para os alunos de escolas privadas cujas famílias dispõe de estrutura financeira e intelectual, o impacto em relação ao processo de ensino aprendizagem foi menos severo. Afinal, o ambiente virtual já fazia parte do cotidiano dele e seus cuidadores que, na maioria dos casos são pessoas graduadas e pós graduadas, bem articuladas com as tecnologias digitais assim, seus filhos podem desfrutar do suporte que eles têm condições de oferecer. Para uma generosa fatia da sociedade totalmente sem estrutura financeira e intelectual o impacto da pandemia do COVID-19 foi cruel e doloroso. As famílias de baixa renda e de pouca instrução, as novas metodologias de ensino acarretaram em proporções gigantescas que refletiram de forma direta no processo de ensino aprendizagem de seus filhos. Várias famílias sem instrução, sem recursos financeiros e sem conhecimento prévio das tecnologias de informação precisaram encontrar uma maneira de fazer o aprendizado de seus filhos acontecer. Cada família se ajustou dentro de suas realidades para ajudar o máximo possível e garantir que seus filhos não ficassem para trás. Essa realidade evidenciou a falta de políticas públicas para amenizar as necessidades dos alunos de escolas públicas, medidas como equipar as escolas com laboratório de informática e inserir os professores em cursos intensivos de informática com o intuito de prepará-los para manusear as plataformas de ensino. As TIC’s foram essenciais no contexto educacional durante a pandemia, uma vez que foi através dela que houve sequência aos conteúdos curriculares, afim de sanar as demandas dos educandos em um momento tão atípico no mundo. A pandemia do COVID-19 cristalizou situações delicadas do cenário educacional brasileiro. O déficit no aprendizado dos alunos ficou mais evidente, bem como a falta de conhecimento prévio da maioria dos professores com a Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 127 informática foi percebido e, finalmente, a ausência de laboratórios de informática bem equipados dentro das escolas. Espera-se que a partir desta experiência, medidas sejam tomadas pelo ministério da educação e pelos poderes públicos para que essa realidade seja modificada. Por meio das TIC’s é possível garantir um aprendizado eficiente e satisfatório. Essas ferramentas vieram para ficar e desconstruir da mentalidade de muitos que o aprendizado pode ocorrer através da tela do computador tão bem como ele ocorre presencialmente. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso das TIC’s na educação pode ser, como observamos no período da pandemia da COVID-19, muito produtivo. Considerar como um indivíduo se comporta de forma individual e coletivo nas redes digitais é fundamental, visto que estamos vivemos uma época em que as tecnologias são palcos de práticas sociais. O uso dos recursos digitais impulsionou a integração entre indivíduos de diferentes partes do mundo, conectando-se a esse período histórico de evolução da sociedade que se baseia na comunicação em massa em tempo real. A pandemia exigiu da sociedade que os indivíduos sejam cada vez mais criativos, autônomos e atentos às mudanças que ocorrem ao redor do mundo. E o cenário da pandemia da COVID-19, que inseriu as tecnologias de informação e comunicação no âmbito educacional, auxiliou significativamente neste contexto, com ênfase na formação do cidadão moderno. Contido, esse cenário também nos apresentou lacunas que ainda precisam ser preenchidas, como a desigualdade social, o analfabetismo digital e a falta de uma formação continuada por parte dos docentes. REFERÊNCIAS ARAÚJO, M. S. 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Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 129 CAPÍTULO 11 REFLEXÕES ACERCA DOS MÉTODOS DE ENSINO A DISTÂNCIA, REMOTO E HÍBRIDO: A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA Cristina de Fátima de Oliveira Brum Augusto de Souza Lucas Capita Quarto Juliana da Conceição Sampaio Lóss Fernanda Castro Manhães RESUMO O presente artigo tem por escopo uma discussão teórica acerca dos métodos de Ensino a Distância (EAD), Ensino Remoto e Ensino Híbrido, modalidades que ganharam notoriedade em razão da pandemia da COVID-19 e passaram a ser indispensáveis para manter a continuidade das práticas educacionais. A pesquisa tem como objetivo apresentar reflexões sobre os métodos: EAD, Ensino Remoto e Ensino Híbrido. Recorreu-se a uma revisão de literatura, a fim de discutir a temática a partir do viés de pesquisadores especialistas. Assim, trata-se de uma pesquisa qualitativa, no que concerne à sua natureza, que pode ser caracterizada como exploratória, dedutiva e documental. O Ensino Remoto oportuniza encontros síncronos aos alunos e professores, no mesmo ambiente virtual, com interações que antes só seriam possíveis na modalidade presencial. O EAD, por sua vez, se caracteriza pelo formato assíncrono, apresentando uma liberdade de planejamentos dos estudos, sem a necessidade de conexão imediata entre professores e alunos. Por fim, o Ensino Híbrido, que adquiriu nova configuração na pandemia, mescla as duas propostas: encontros síncronos e assíncronos através das plataformas digitais e encontros na modalidade presencial. Com isso, conclui-se que as tecnologias possibilitaram a permanência do ensino síncrono e/ou assíncrono, de forma eficaz. Acredita-se que as diversas possibilidades oriundas dessas modalidades de ensino permanecerão no ensino presencial, em um contexto de pós-Pandemia. PALAVRAS-CHAVE: Ensino. Tecnologias. Pandemia. Covid-19. INTRODUÇÃO A China foi surpreendida, em dezembro de 2019, com o surgimento de um novo vírus da família dos coronavírus (HUANG et al., 2020), com alta capacidade de transmissão e capaz de ocasionar síndromes respiratórias agudas e graves. Acreditava-se que era uma doença atuante em seu país de origem, porém, no dia 11 de março de 2020, a contaminação mostrou seus efeitos nas Américas e Europa (CARDOSO et al., 2020). Ainda de acordo com Cardoso et al. (2020), o primeiro diagnóstico no Brasil foi realizado no dia 25 de fevereiro de 2020. Desde então, o mundo é cada vez mais surpreendido com os efeitos da pandemia da COVID-19. A educação, mesmo diante deste cenário crítico, não pode parar, visto que o país depende diretamente dos avanços tecnológicos e científicos desenvolvidos pelas universidades e centros de pesquisas. Ademais, entende-se que os alunos do contexto universitário precisam concluir suas formações para gerenciar seus futuros. Evidencia-se, pois, que a tecnologia oportunizou a continuidade das práticas educacionais, exigindo dos docentes brasileiros o Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 130 desenvolvimento de habilidades específicas para lidar com as ferramentas digitais (ALMEIDA JÚNIOR et al., 2018). Neste cenário, a presente pesquisa tem como objetivo apresentar reflexões a respeito dos métodos: EAD, Ensino Remoto e Ensino Híbrido. Para tanto, recorreu-se a uma revisão de literatura, a fim de discutir a temática a partir do viés de pesquisadores especialistas. No que concerne à sua natureza, a presente pesquisa é qualitativa e, quanto aos objetivos, caracteriza-se como exploratória, dedutiva e documental, uma vez que se trata de uma tentativa de se obter uma “[...] maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses” (GIL, 2002, p. 41). Ancora-se em uma pesquisa do tipo bibliográfica, com base em material já elaborado, composto de livros e artigos científicos (GIL, 2008). Estudos dessa natureza são importantes para se identificar questões que inquietam o contexto educacional, em países preocupados com a defasagem da aprendizagem e com os impactos gerados pela paralisação das escolas. Nesse contexto, observa-se o esforço em recorrer aos dados e evidências existentes para iluminar os desafios e limitações do ensino. DESENVOLVIMENTO Ensino Remoto O Ensino Remoto foi criado, através de plataformas on-line, após o surgimento da pandemia causada pelo COVID-19. De acordo com Cunha (2020), foi uma das estratégias que as Secretarias de Educação conseguiram adotar durante o período de quarentena, para dar continuidade ao ensino, ainda que de forma virtual. Sendo assim, cada instituição, seja pública ou privada, foi se adequando conforme as suas possibilidades: há aquelas que distribuem seus materiais impressos, enquanto outras fazem transmissões via rádio ou TV aberta. De acordo com Alves (2020), a educação remota ou ensino remoto se caracteriza pela mediação do ensino e aprendizagem nas plataformas digitais. Segundo Behar (2020), com o surgimento da pandemia, o Ensino Remoto Emergencial (ERE) teve início em todas as instituições educacionais no mundo, ao menos de forma temporária, com docentes e discentes distantes geograficamente, nos diversos níveis de ensino. Ainda de acordo com a autora: O ensino é considerado remoto porque os professores e alunos estão impedidos por decreto de frequentarem instituições educacionais para evitar a disseminação do vírus. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 131 É emergencial porque do dia para noite o planejamento pedagógico para o ano letivo de 2020 teve que ser engavetado (BEHAR, 2020, s.p). Como relatam os autores Freitas Neto (2020), Martins et al. (2020) e Marques (2020), o ensino remoto foi instituído como alternativa pedagógica a partir da medida provisória nº 934, de 1 de abril de 2020, do Sr. Jair Messias Bolsonaro, na condição de Presidente da República Federativa do Brasil, que estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo da educação básica e do ensino superior decorrentes das medidas para enfrentamento da situação de emergência de saúde pública de que trata a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020 (BRASIL, 2020b). Tal medida foi reforçada pela portaria nº 343, de 17 de março de 2020, que dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19 (BRASIL, 2020c); e pela proposta de parecer, de 28 de abril de 2020, que trata da flexibilização e cumprimento dos dias letivos e da reorganização dos calendários escolares (BRASIL, 2020a). Entretanto, com a emersão desse tipo de ensino-aprendizagem, as práticas pedagógicas deixaram de ser presenciais e começaram a ser mediadas por plataformas digitais, com aplicativos disponibilizando conteúdos e tarefas, por meio das plataformas síncronas e assíncronas, como o Google Class, o Teams (Microsoft), Zoom, Google Meet, etc. A suspensão do período letivo e das atividades que antes eramrealizadas de forma presencial tornou necessária a migração para forma virtual, instantaneamente, e docentes e discentes tiveram de se adaptar ao on-line, em que metodologias e práticas pedagógicas tipicamente conduzidas em territórios físicos, passaram a ser conduzidas atualmente na forma remota de caráter emergencial (MOREIRA, 2020). EAD A década de 1990 foi muito importante para a educação no Brasil, pois a Educação a Distância obteve sua aprovação como modalidade de ensino, através da Lei e Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20/12/1996). De acordo com Martins (2008), partir dessa conquista, diversas possibilidades foram desenvolvidas para a democratização de acesso às universidades e ampliaram-se as discussões acerca da inclusão de paradigmas referentes a educação. A autora ainda pontua que a Educação a Distância sempre esteve relacionada aos contextos culturais, políticos e socioeconômicos do país, na busca de entender os elementos que fundamentam o conhecimento (MARTINS, 2008). Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 132 As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) têm empreendido novas oportunidades para a educação contemporânea, efetivando uma aprendizagem mais significativa e motivadora. O avanço das TDIC proporcionou ao ensino e à aprendizagem a possibilidade de ir além dos muros da sala de aula tradicional, permitindo uma flexibilidade para que as práticas educacionais possam ocorrer sem a presença física do docente e discente, otimizando o tempo e espaço (ARAÚJO; 2014). Esses avanços se tornaram possíveis através da Educação a Distância, também conhecida como e-learning e on-line learning (MOORE; KEARSLEY, 2013), em que a interação entre docentes e discentes passou a ser mediada pela tecnologia. Assim, pode-se dizer que a educação a distância é uma forma de ensino e aprendizagem normal na educação e, mesmo que não aconteça a relação face a face entre docentes e discentes, os objetivos conseguem se concretizar virtualmente. A caracterização da Educação a Distância é formar indivíduos que apresentam impossibilidades de estarem em um espaço físico, com horários fixos, como é característico do ensino tradicional (NEDER e SILVA, 2004). Dessa forma, o EAD torna-se bem flexível, oportunizando a todos o direito de avançarem em seus estudos. Através da Educação a Distância, foi possível chegar a todos o direito de estarem matriculados nas instituições de ensino, o que antes só era possível se houvesse a disponibilidade para estar em um local específico nas horas determinada, com a presença dos docentes e discentes em um mesmo momento. Um sistema de comunicação bidirecional, que substitui a interação pessoal entre professor e aluno pela ação sistemática conjunta de diversos recursos instrumentais e pelo apoio de um Centro Associado ou pólo que propicia todas as condições para a aprendizagem autônoma dos estudantes com a participação efetiva de tutores altamente qualificados. (GARCIA ARETIO, 1994, p. 39). Sendo assim, o EAD possibilitou a democratização da educação, direito garantido pela Constituição Imperial Brasileira, de 1824, e a Republicana, de 1891, onde é afirmado que todos devem ter acesso à educação. Entretanto, essa ideia tornou-se mais explícita a partir da Constituição de 1934 (SILVA, 2005). Ensino Híbrido Entende-se o processo de Ensino Híbrido como uma abordagem pedagógica que planeja atividades diversificadas, na forma presencial e por meio das TDIC. As diferentes formas de Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 133 distribuição das atividades estão focadas no processo de aprendizagem do aluno e não mais nos conteúdos a serem ensinados, como se fazia na forma tradicional em que o professor era o transmissor do conhecimento. Na atual metodologia híbrida, o aluno estuda o material nos diversos ambientes, oportunizando a forma presencial somente para estudos laboratoriais com apoio dos demais colegas e professores (MELO, 2015). Em meio a tal discussão, entender o modelo híbrido torna-se evidente quando nos debruçamos em seu significado: Híbrido significa misturado, mesclado, blended. A educação sempre foi misturada, híbrida, sempre combinou vários espaços, tempos, atividades, metodologias, públicos. Esse processo, agora, com a mobilidade e a conectividade, é muito mais perceptível, amplo e profundo: é um ecossistema mais aberto e criativo. Podemos ensinar e aprender de inúmeras formas, em todos os momentos, em múltiplos espaços. Híbrido é um conceito rico, apropriado e complicado. Tudo pode ser misturado, combinado, e podemos, com os mesmos ingredientes, preparar diversos “pratos”, com sabores muito diferentes (MORAN, 2014, p. 22). Todavia, ao entender que os sujeitos envolvidos no ensino híbrido são heterogêneos, torna-se claro que o nível de satisfação com esse ensino dependerá das condições de cada sujeito. Assim, cada indivíduo tem possibilidades diferentes para contemplarem a metodologia e para acessarem as universidades de forma física e ou virtual. Segundo Moran, Massetto e Behrens (2012), a educação híbrida, por acontecer em uma sociedade heterogênea, é contraditória em seus modelos e suas políticas e seu comportamento mediante a educação dependerá do dia a dia e da experimentação prática dos docentes, discentes, gestores e famílias. Diante desse cenário, o Ensino Híbrido não contempla os envolvidos de forma única e, por isso, ainda é um grande desafio. Por apresentar pontos relevantes, é considerável que a partir das experiências vivenciadas nesse momento de pandemia, o Ensino Híbrido ocupará um maior espaço nas práticas educacionais, ou seja, o será contínuo, mesmo que em proporções menores. De acordo com Peres e Pimenta (2011), a proposta que o Ensino Híbrido apresenta pode ser vista como disruptiva ao propor a união do excelente do presencial e do on-line. Desafios da educação na Pandemia A pandemia da COVID-19 trouxe consigo muitos problemas para a área da saúde e, também, para a educação. Como afirma Souza (2020), o desafio está para professores e alunos, principalmente na educação básica, em que vínculo com o aluno é de extrema importância, o Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 134 uso das tecnologias foi imposto em um cenário no qual a maioria dos professores não tinha domínio e enfrenta as limitações causada pela desigualdade social alarmante no País. Dentre os desafios mais citados, aponta-se o uso das TDIC, que esbarrou na dificuldade de implementação na residência dos professores e alunos, o acesso, ou falta de acesso, à internet e a falta de formação adequada para o EAD e o on-line através dos ambientes virtuais de aprendizagem (SOUZA, 2020). De acordo com o Instituto Península (2020), 88% dos professores nunca haviam dado aula na modalidade remota e 83,4% não se sentem preparados para tal demanda. Outro desafio citado nas pesquisas é o fato de o professor ter que reaprender a ensinar e o aluno aprender a aprender durante o isolamento, isso porque os professores tiveram que ressignificar o ensino e se reinventar diante da modalidade remota, sem o contato e a presença física dos alunos (CORDEIRO, 2020). Destaca-se, também, como um grande desafio durante a pandemia a falta do convívio social nas escolas, que demonstrou importância para a aprendizagem. A desigualdade social tornou-se notória, diante dos problemas relacionados ao acesso às tecnologias. Destarte, se faz oportuno evidenciar que o Ensino Remoto tem sido a melhor opção diante da situação emergencial na qual o país ainda se encontra, entretanto, para que se possa minimizar o impacto na educação, é importante que todos se envolvam, principalmente os pais, alunos, professores e escola (COSTA e NASCIMENTO, 2020). É relevante aindamencionar a dificuldade observada durante as aulas remotas por muitos alunos e pais na utilização das plataformas digitais, visto que há baixo índice de presenças e as famílias relatam estar sobrecarregadas, pois foi preciso desenvolver muitas habilidades, competências e recursos que muitos ainda não possuem. Nesse sentido, a pandemia revela a necessidade de muitas mudanças no âmbito educacional, especialmente ao possibilitar, durante a formação, conhecimentos das tecnologias e das formas de utilizá-las como recursos didáticos (BARROS e VIEIRA, 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme discutido no decorrer deste trabalho, devido a pandemia da COVID-19, novas estratégias para o ensino foram desenvolvidas por intermédio das TDIC. Nesse contexto, diversos aplicativos surgiram para mediar a nova prática pedagógica e cada rede de ensino Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 135 buscou analisar a qual modalidade de ensino se adaptar (EAD, remoto ou híbrido), mas a função permanece a mesma. Com isso, conclui-se que as tecnologias digitais possibilitaram a permanência do ensino síncrono e/ou assíncrono, de forma eficaz. Acredita-se, portanto, que as diversas possibilidades oriundas dessas modalidades de ensino permanecerão no ensino presencial, em um contexto pós-Pandemia. A prática do Ensino Remoto trouxe consigo muitos desafios que necessitam ser discutidos no campo científico, a fim de tornar a aprendizagem significativa. Questões sociais e dificuldades de acesso não devem ser ignoradas, pois deve-se buscar, cada vez mais, a inclusão de todos os alunos. REFERÊNCIAS ALMEIDA JÚNIOR, S.; SILVA, M. M.; POPOLIM, R. S.; GONÇALVES, C. R.; MELO, M. R. S.; BULGO, D. C. 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O tema se torna relevante devido a necessidade de se avaliar os principais problemas que a transição da letra bastão para a letra cursiva pode trazer tanto para o professor quanto para o aluno, que necessita desenhar as letras, o que requer um desenvolvimento psicomotor para o bom desempenho das letras. Como metodologia buscou-se uma abordagem qualitativa com a seleção de arquivos do tipo dissertação, artigos científicos, livros, dentre outros, publicados nos últimos doze anos em plataformas idôneas como a Scielo e Scholar. Concluiu-se há muitas divergências com relação ao uso da letra bastão no processo de alfabetização da criança, principalmente diante da transição desta para cursiva, que pode comprometer o processo de leitura e escrita das mesmas, o que requer uma adaptação dos alunos a essa nova realidade, sendo um desafio, promover uma alfabetização de qualidade diante desta mudança. PALAVRAS-CHAVE: Transição; Letra Bastão; letra Cursiva; Processo de Alfabetização. INTRODUÇÃO O processo de alfabetização é extremamente importante para o desenvolvimento da leitura e escrita da criança, que para aprender a ler, necessita, primeiramente, de ver e processar as informações e aprender a escrever, adquirindo habilidades específicas, como coordenação de áreas cognitivas. Ou seja, identificam a letra para depois desenvolver a leitura da mesma. (NASCIMENTO, ROSA, 2018) Neste contexto, as escolas, de uma forma geral, utilizam a letra bastão que devido à simplicidade, é considerada mais fácil de ser compreendida pelas crianças. (DUARTE, 2019) Após o conhecimento desta letra que as escolas incluem a letra cursiva, que é considerada um pouco mais complexa por requerer mais desenvolvimento motor da criança, sendo por este motivo, indicada quando já estiver alfabetizada. A motivação para a escolha do tema em questão são as controvérsias sobre as vantagens de se optar pela alfabetização de crianças a partir da letra bastão. Estudos desenvolvidos, como de Duarte (2019), Vichesi (2008) dentre outros, demonstram que alguns autores consideram a letra bastão ou “letra de forma” como é chamada no popular, como sendo mais fácil de ser Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 139 desenvolvida pela criança, inclusive por ser esta, a caligrafia mais vista pela criança no seu dia a dia. Outros como Brito (2008), por exemplo, acreditam que a alfabetização com letra cursiva aumenta o percentual cognitivo das crianças se comparados com aquelas que são alfabetizadas com a letra bastão, além de apresentarem melhor caligrafia e menos erros ortográficos. De qualquer forma, o ensino da alfabetização, em boa parte das escolas, se inicia com a letra bastão (NASCIMENTO, ROSA, 2018) e em seguida é realizada a transição para a letra cursiva. Essa divergência foi o motivo principal que levou a autora do referido estudo, a escolher o tema em questão. Diante das informações apresentadas até o presente momento, o estudo visa investigar as principais dificuldades encontradas pelos professores de alfabetização diante da transição da letra bastão para a letra cursiva. O objeto de pesquisa deste estudo será a transição da letra bastão para a letra cursiva mediante ao processo de alfabetização e as principais dificuldades encontradas nesse processo. O objetivo principal deste artigo é possibilitar a compreensão sobre as principais dificuldades encontradas pelos profissionais da educação diante da transição da letra bastão para a letra cursiva. De forma específica, buscou-se: descrever os aspectos conceituais e evolutivos sobre a letra bastão e a letra cursiva; especificar os principais documentos que abordam a questão da transição de letras no processo de alfabetização e apontar os principais pontos de vista sobre a transição bem como as dificuldades encontradas pelos profissionais de educação. O trabalho será organizado em quadro capítulos, sendo o primeiro o referencial teórico, que abordará desde o conceito e evolução da letra bastão para a letra cursiva até os principais pontos de vista sobre essa transição no que diz respeito ao processo de alfabetização. O capítulo dois registra sobre a metodologia da pesquisa aplicada ao estudo; o terceiro registra os resultados alcançados e o quarto as considerações finais do referido estudo, onde será sinalizado se os objetivos foram ou não concretizados. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 140 1 REFERENCIAL TEÓRICO 1.1 Conceito e evolução da letra bastão e letra cursiva O século XXI está marcado pelo avanço da tecnologia em que a hegemonia da informática na vida moderna, a questão da escrita adquire grande importância, tanto sob o aspecto da produção de conteúdo quanto sob o aspecto operacional. Neste sentido, Bernardes e Linden (2017) afirmam que existe alguns questionamentos que norteiam este problema como se a letra cursiva pode estar ficando obsoleta, se a escrita manual pode fazer parte apenas do passado, dentre outros. Em termos conceituais, letra cursiva segundo Lelis (2020) apresenta como característica o fato de ser escrita a mão, sendo assim chamada porque caracteriza o estilo de escrita manual em que as letras são ligadas umas às outras, permitindo que a palavras seja escrita com um traço. Por outro lado, a letra a letra bastão, também chamada de letra de fôrma, corresponde aos caracteres tipográficos na imprensa. Bernades e Lindem (2018) considera importante ensinar a escrita manual ao longo de toda a infância, com atenção aos processos evolutivos na coordenação e na representação das lestras cursivas, integrando assim a escrita manual com a leitura, ortografia e a composição. Ou seja, o cérebro responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-la a mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprendizagem e do desenvolvimento da leitura. 1.2 Documentos que abordam a questão da transição da letra bastão para a letra cursiva Paz e Oliveira (2017) relatam em seu estudo sobre a questão dos documentos que relata sobre a educação. A primeira mencionada foi a Constituição Federal de 1988, que no capítulo III, do artigo 205, estabelece sobre a Educação como um direito de todos e dever do Estado e da Família. Outro documento importante mencionado foi o Plano Nacional de Educação de 2001 (PNE), que vem a ser um plano decenal elaborado com a finalidade de direcionar esforços e investimentos para a melhoria da qualidade da educação no país. De acordo com a resolução 5/2009, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), também acentuam a necessidade da instituição de ensino que Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 141 oferece o Ensino Fundamental assegurar que essa transição ocorra de forma a dar continuidade aos processos de aprendizagem e de desenvolvimento (BRASIL, 2009). As Diretrizes da Educação Básica (DCNEB) apontam que, tanto a Educação Infantil quanto o Ensino Fundamental, têm como norteadores os princípios Éticos que envolvem dentre outros aspectos, a valorização da autonomia e da solidariedade; os princípios Políticos, que englobam o direito à cidadania e o respeito à democracia; e os princípios Estéticos, que estão relacionados ao desenvolvimento da sensibilidadee criatividade (BRASIL, 2010). Neste contexto também foi apresentado sobre as dificuldades encontradas pelos profissionais de educação a respeito da transição da letra bastão para a letra cursiva. Neste sentido, Prudêncio e Azul (2017) afirmam que são observadas que durante o exercício de escrita, não há uma associação à leitura, a tarefa ocorre de forma mecânica. Em outras palavras, na prática, o que se percebe nas salas de aula é que a escrita espontânea, propostas de campos de experiência não acontece. Os autores completam ainda que, em termos de escrita, quando há a transição da letra bastão para a letra de máquina, ou letra bastão, como é conhecido, há dificuldades, principalmente para as crianças que se acostumam a ler e escrever em letra bastão. No entanto, torna-se necessário que ambas as letras sejam conhecidas pelas crianças diante do desenvolvimento da escrita e da leitura (PRUDÊNCIO, AZUL, 2017). 1.3 Percepção dos profissionais da educação sobre a transição da letra bastão para a cursiva no contexto escolar Diante da transição da letra bastão para a letra cursiva muitos profissionais se deparam com as dificuldades das crianças em se adaptarem a esse novo método, principalmente por trabalhar a coordenação motora e a capacidade do cérebro em desenvolver tarefas que exijam maior habilidade. Segundo Nascimento e Rosa (2020) com ajuda de atividades bem elaboradas e dinâmicas é possível receber respostas imediatas, podendo assim, serem avaliadas. No entanto, dentre as atividades que são realizadas com as crianças são as transições evidenciadas em cada fase de sua vida escolar. Uma dessas transições ocorre da letra bastão para a letra cursiva, que traz alguns problemas que podem comprometer o processo de ensino aprendizagem, uma vez que pensamento está sujeito à confusão entre aparência e realidade, só é capaz de focalizar um aspecto da realidade de cada vez e é egocêntrico, no sentido de que a Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 142 criança não consegue assumir o ponto de vista do outro e, consequentemente, acredita que todos pensam como ela (NASCIMENTO, ROSA, 2020). No cotidiano dos educadores com relação a transição são as perspectivas abordadas no BNCC, que segundo Prudêncio (2019) na prática, percebe-se que quanto à oralidade e escrita, ainda está longe de acontecer de fato. Um dos fatores que justifica essa problemática tem a ver com a formação e práticas engessadas por parte das professoras, além das exigências da própria gestão, que traça e cobra as metas de aprendizagem. Por outro lado, o autor completa ainda que há ainda uma cobrança por parte da família, que demonstra grande ansiedade em relação à leitura e escrita da criança, transferindo este sentimento, mesmo que de forma inconsciente, aos filhos (PRURDÊNCIO, 2019). Essa ansiedade, segundo a percepção de alguns profissionais, acaba comprometendo o processo de ensino aprendizagem, uma vez que transfere para as crianças esse sentimento. Neste sentido Fayol (2014, p. 45) destaca que: (...) o trabalho laborioso que resulta para a criança a aprendizagem da escrita, especialmente no que tange ao traçado das letras: Se o reconhecimento das letras e a associação destas com seus nomes e seus sons demandam tempo e requerem uma aprendizagem, a situação da produção das letras é ainda mais delicada. Ela necessita de um desenvolvimento complexo que engloba três dimensões: a motricidade (e principalmente os movimentos finos dos dedos da mão), a percepção e a cognição (FAYOL, 2014, p.45). De acordo com o autor, a aprendizagem envolvendo a escrita, principalmente com relação ao reconhecimento das letras e sua associação com os sons, demandam tempo e requer uma aprendizagem que envolve a motricidade, a percepção e a cognição (FAYOL, 2014). É justamente nesta relação que algumas crianças apresentam transtornos de aprendizagem, dificultado sua escrita e relação com os sons. 2 METODOLOGIA DA PESQUISA Para a elaboração de um trabalho acadêmico torna-se essencial adotar uma metodologia específica que visem contribuir para a abordagem de um determinado tema. Neste sentido, Oliveira, Santos e Florêncio (2019) afirmam que ao identificar as principais características das metodologias de investigação na área da educação, a partir de um caráter empírico das ciências humanas, seus desdobramentos e suas atualizações, que contribuem para a compreensão sobre um determinado assunto. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 143 Dessa forma, para a contextualização do assunto, buscou-se uma abordagem qualitativa a partir de uma pesquisa histórica. A justificativa para a escolha desta metodologia é que ela se enquadra, de forma primordial, aos objetivos propostos no referido estudo, através de um método imperativo, subjetivo e complexo. Em outras palavras, refere-se a busca de dados qualitativos através de arquivos publicados dentro de um determinado período em sites considerados idôneos. Com relação ao estudo em questão, buscou-se arquivos do tipo: livros, artigos, artigos científicos, dissertações, dentre outros publicados entre os anos de 2008 a 2020, que aborde o assunto dentro dos objetivos. Após a seleção, foi realizado um fichamento contendo as principais informações dos referidos autores, que serviram de base para a elaboração deste estudo. Os dados serão analisados de forma qualitativa e descritiva. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Através da seleção dos arquivos e análise dos dados em questão, chegou-se a três resultados importantes: o conceito e evolução da letra bastão e letra cursiva; existência de documentos importantes que relatam sobre o uso dessas letras no processo de alfabetização e que profissionais de educação apresentam percepções diferentes com relação ao uso dessas letras no cotidiano escolar. Com relação ao conceito e evolução da letra bastão e letra cursiva, foi relatado que elas estão relacionadas ao avanço da tecnologia sendo a informática uma delas que possibilitou uma nova forma de representar os símbolos escritos sobre a perspectiva de letra de imprensa, ou letra de máquina, como é conhecida popularmente. No que diz respeito as letras cursivas devido ao fato de ser escrita à mão, autores como Lelis (2020) afirma que ela permite as palavras, traços sejam elaborados de forma desenhada, necessitando para tal, o desenvolvimento de uma coordenação motora para desenvolvê-las, diferente da letra bastão, que corresponde aos caracteres tipográficos na imprensa. O segundo resultado importante foi com relação a existência de documentos que abordam o uso da letra bastão e sua transição para a letra cursiva, dentre os quais foram citados: o Plano Nacional de Educação de 2001 (PNE); Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) e Diretrizes da Educação Básica (DCNEB). Esses documentos expressam, em seu contexto, questões relacionadas a valorização da autonomia e da Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 144 solidariedade, princípios políticos, dentre outros que proporcionam o desenvolvimento da sensibilidade e criatividade. O terceiro ponto importante abordado nos arquivos selecionados está relacionado a percepção do professor sobre a transição da letra bastão para a letra cursiva como sendo um problema no que diz respeito ao processo de alfabetização. Ou seja, algumas crianças não conseguem se adaptar bem a essas mudanças, o que acabam comprometendo seu desempenho escolar. Um dos autores analisados, Prudêncio (2019) critica a Base Nacional Comum Curricular BNCC, alegando o que é abordado neste documento não condiz com o que é realizado na prática. Em outras palavras, percebe-se que quanto à oralidade e escrita, ainda está longe de acontecer de fato. Um dos fatores que justifica essa problemática tem a ver com a formaçãoe práticas engessadas por parte das professoras, além das exigências da própria gestão, que traça e cobra as metas de aprendizagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através da elaboração do artigo em questão, foi possível analisar as questões que envolvem a transição da letra bastão para a letra cursiva no processo de ensino e aprendizagem dos educandos no contexto escolar, sendo este um assunto que, na atualidade, tem sido considerado polêmico devidos as divergências de opiniões com relação a essa mudança na escrita. A letra bastão e a letra cursiva apresentam grandes diferenças com relação a escrita, pois enquanto a primeira é considerada uma letra tipografada, originada a partir da modernização da informática, a outra foi desenvolvida através de símbolos que requer do aluno o desenvolvimento de uma coordenação motora, o que pode comprometer seu desenvolvimento educacional. Há, neste sentido, informações que leve a crer que é imprescindível analisar os pós e contra de cada letra e como estas podem repercutir na aprendizagem do aluno ao longo do seu desenvolvimento educacional, principalmente durante o processo de alfabetização, que é o processo inicial do desenvolvimento da escrita e da leitura. Enfim, a forma como trabalhar a transição da letra bastão para a letra cursiva, se torna um processo que requer do professor uma percepção da realidade, do desenvolvimento de cada Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 145 aluno e, inclusive análise da psicomotricidade dos mesmos diante da escrita cursiva e sua percepção dos sons referentes a cada uma delas. REFERÊNCIAS BERNARDES, Mauricio Moreira e Silva; LIDEN, Júlio Carlos de Souza van de. Letra escolar brasileira: história e formação. Design em pesquisa: vol 1. Porto Alegre: Marcavisual, 2017. p. 393-415. BRASIL. Plano Nacional de Educação. Lei nº 13.005 de 25 de junho de 2014. 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Acesso em: 15 maio de 2021 http://sitec.interativalondrina.com.br/wp-content/uploads/2020/11/COORD.-MOTORA-MADU-E-TALITA.pdf http://sitec.interativalondrina.com.br/wp-content/uploads/2020/11/COORD.-MOTORA-MADU-E-TALITA.pdf Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 147 CAPÍTULO 13 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: AUTONOMIA E PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS ESCOLARES Simone da Silva dos Santos Lucas Capita Quarto RESUMO Para descrevermos essa pesquisa faz-se necessário a compreensão do processo da gestão escolar, como também da abordagem sobre a funcionalidade do Conselho Escolar em prol da melhoria da qualidade da educação pública. Na prática significa que toda a comunidade escolar precisa entender a real função do colegiado na instituição, como também estar presente e entrosada aos processos que enfatizam a cultura organizacional na forma de gestão democrática existente no lócus escolar. Verificaremos que a instituição escola representada pela gestão escolar tem funções administrativas coletivas descentralizadas. Desta forma, demonstraremos neste trabalho a atuação e o fortalecimento do Conselho Escolar da Rede Municipal de Ensino, passa a ser um aliado importante na construção do PPP (Projeto Político Pedagógico) e na oferta de uma gestão democrática e participativa da comunidade escolar. No âmbito da pesquisa, quanto a metodologia contemplou a feitura através de análises bibliográficas que contribuíram para a construção do texto crítico aqui apresentado. Como também se realizou uma pesquisa com os quinze gestores escolares da rede municipal de Mendes, cidade localizada no interior do Estado do Rio de Janeiro para verificarmos sobre o funcionamento dos Conselhos Escolares. Os resultados apresentados contaram com a devolutiva de 12 questões que abarcaram a construção da metodologia proposta. PALAVRAS-CHAVE: Gestão Democrática; Conselho Escolar; Projeto-Político Pedagógico. INTRODUÇÃO A educação pública democrática e de qualidade tem sido um desafio para todos os educadores e demais atores envolvidos no processo ensino aprendizagem no que tange garantir uma educação de qualidade e equidade. Há décadas que a gestão democrática da educação pública vem sendo um tema discutido a favor da oferta de uma educação qualidade na qual a comunidade escolar deve ser inserida no compromisso dessa educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), aponta no seu artigo 14 cita: “Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades (...).” (BRASIL, 2021). A Meta 19 do Plano Nacional da Educação (PNE) determina como diretriz a importância da Gestão Democrática da Educação na contribuição e articulação das práticas pedagógicas, participativas e transparente (BRASIL, 2014). O tema deste estudo pauta-se na relevância da comunidade escolar na participação no âmbito das decisões humanizadoras da educação pública, de qualidade, equidade e democrática. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 148 A motivação em escrever esta temática consiste em explorar a importância da participação da comunidade no ambiente escolar em prol da gestão democrática. Como também versa sobre a autora ter a experiência como gestora escolar na educação pública municipal por mais de cinco anos, na qualvivenciou a relevância da presença da comunidade na escola, mesmo na época tendo um conselho escolar não muito atuante. Mas pode durante esse período investigar a importância do Conselho Escolar (CE) em potencializar o processo democrático e colaborar para o enriquecimento da qualidade pedagógica. Sabe-se que a educação pública por muitas vezes não possibilita a participação da comunidade escolar nas ações administrativas, financeiras e pedagógicas da escola e consequentemente na elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP). O problema dessa temática explora em observarmos se a gestão escolar se faz necessário e presente na oferta da gestão democrática. Sendo assim procurando entender na gestão democrática o seguinte problema se fez presente: os Conselhos Escolares na Rede Municipal de Ensino de Mendes/RJ contribuem para ofertar uma educação efetiva, democrática e qualitativa, comprometida com a oportunidade de acesso de todas a escola pública? Disposto a isso este artigo se justifica porque elencará a relevância da autonomia e da participação da comunidade escolar através do conselho escolar no enriquecimento para uma educação pública democrática, participativa, de qualidade e laica. Tendo assim como objetivo geral analisar o modelo de gestão democrática na Rede Municipal de Ensino de Mendes, verificando a importância do Conselho Escolar na construção de uma educação de qualidade. Como objetivos específicos têm-se: entender os pressupostos que compõem um Conselho Escolar; identificar as competências e características predominantes dos Conselhos Escolares nas funções deliberativas, consultivas e fiscais em prol de uma educação democrática e de qualidade. O estudo apresentado é pertinente porque além do cumprimento dos objetivos, descreveremos sobre a importância do CE e suas competências, tendo como elemento norteador, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Legislação do Novo Fundeb e o referencial teórico. Utilizaremos a metodologia bibliográfica descrevendo uma pesquisa explicativa, utilizando como meio investigativo o estudo de caso que avaliará as características e funções Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 149 do CE através da na análise do questionário que será aplicado aos gestores escolares que assegurará através dos resultados compilado a consistência acadêmica da pesquisa apresentada. REVISÃO DE LITERATURA Gestão democrática A princípio abordaremos a essência da gestão democrática da educação municipal a luz dos conselhos escolares. A Constituição Federal de 1988 determinou no artigo 205: " A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho". Portanto a gestão democrática perpassa por todo processo educacional e envolve todos os atores que fazem parte do sistema desde os profissionais da educação (professores e gestores), pais e responsáveis tornando assim imprescindível a implementação, funcionamento e fortalecimento dos conselhos escolares. De acordo com Loures e Freitas (2019) apud Sulpino e Ramalho (2012, p. 09) a “gestão democrática na escola pública está condicionada à melhoria e à eficiência da qualidade do sistema educacional público brasileiro”. Sendo assim a gestão democrática da escola objetiva formular políticas públicas com a colaboração da comunidade escolar. No cenário atual e pandêmico da educação nacional é essencial a reflexão da gestão democrática da educação pública na qual a escola como instituição, precisa atender os anseios da comunidade escolar no que tange o social e cultural e ao mesmo tempo executar a sua função principal que é fazer acontecer o processo de ensino e de aprendizagem. A Constituição Federal remete a importância da colaboração da família e da comunidade em geral no incentivo e valorização do processo educativo como também a educação passou a ser um direito constitucional para todos os cidadãos Brasileiros. Conselho Escolar é o órgão que contribuirá para promover múltiplas possibilidades de comunicação com os pais/responsáveis, alunos, profissionais da educação e outros atores, em tempo real a favor da promoção de políticas públicas educacionais democráticas e de qualidade. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 150 A efetivação do Conselho Escolar ainda não é uma realidade nas escolas públicas de todo o país. Sabemos que ele é incorporado por diversos pressupostos legais, porém trata-se de entendermos a escola como um espaço democrático público e participativo. Ainda é um fato desconhecido ou irrelevante para os gestores a implementação dos Conselhos Escolares. De acordo com Oliveira: A portaria Ministerial nº 2. 896 de 16 de setembro de 2004, criou no âmbito da Secretaria de Educação Básica o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares que tem como um dos objetivos ampliar a participação das comunidades escolar e local na gestão administrativa, financeira e pedagógica das escolas públicas. (OLIVEIRA, 2017, p. 07). Complementando o processo democrático temos a obrigatoriedade da construção do Projeto Político Pedagógico (PPP) que é um documento oficial da gestão micro, devendo ser construído coletivamente nas unidades escolares. É um documento embasado nos anseios democrático, participativo e transparente que retratará a educação que queremos ofertar na escola e ainda registra a educação ofertada no dia a dia dos prédios escolares. A priori a educação são pessoas e não prédios. Sendo assim é fundamental que saibamos a importância do PPP na promoção da gestão democrática da educação pública inserida na transparência social. Para isso a premissa da participação efetiva dos conselhos escolares é imperiosa para uma construção realmente participativa. Loures e Freitas apud Bonato, (2004, p.15) cita que o Projeto Político Pedagógico (PPP) é nome atribuído a uma proposta formulada pelo coletivo de uma escola e que trata tanto de formas de organização decisória quanto de questões relacionadas aos currículos e às metodologias de ensino (LOURES; FREITAS, 2019, p. 79). Portanto, o PPP é um documento que deve ser construído ao longo do ano letivo com a participação do conselho escolar. Não pode ser um documento fechado, engessado. Sua elaboração não pode ficar apenas pela responsabilidade da gestão escolar. É necessário a promoção da gestão democrática. Conforme afirma Vasconcellos: o PPP é um instrumento teórico-metodológico para a intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição neste processo de transformação (VASCONCELLOS, 2010 p. 169). Conforme Luiz e Riscal: (...) o PPP deve ser compreendido como um projeto coletivo, e sua elaboração deve Conselho Escolar e o projeto político pedagógico Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 151 ser uma atividade coletiva, com a participação de docentes, pais e de toda a comunidade escolar. Um PPP elaborado coletivamente é um dos pressupostos da realização da gestão democrática da escola e uma garantia do envolvimento da comunidade escolar em sua execução. A participação da comunidade não pode ser vista como um empecilho à ação pedagógica. Acima de tudo, é um resgate da indissociabilidade entre a concepção do projeto pedagógico e a ação pedagógica, entre a teoria e a prática por meio de uma práxis educativa coletiva. (LUIZ E RISCAL, 2021, p.62) As autoras complementam: A constituição de Conselhos Escolares nas escolas do ensino público é um dos principais instrumentos de democratização das instituições escolares. A legislação educacional brasileira prevê a participação da comunidade na organização e deliberaçãodas questões escolares desde 1988, quando foi introduzido, no artigo 206, inciso VI da Constituição Federal, o princípio da gestão democrática. (LUIZ E RISCAL, 2021, p.62) Por Consequência as escolas precisam estar trabalhando as ações da gestão democrática micro em consonância com todas as demais instâncias democráticas macro da educação municipal conforme preconiza a carta magna de 1988. Desta forma Loures e Freitas (2019) complementam: Uma rede municipal de ensino requer políticas educacionais em consonância com o plano municipal e nacional de educação, projeto político pedagógico, conselho municipal de educação, conselho do Fundo Nacional de Educação Básica (FUNDEB) e conselho escolar, projetando a formação interdisciplinar do discente proporcionando uma educação emancipadora focada no processo ensino aprendizagem e proporcionando sempre a gestão da qualidade no processo educativo. (LOURES e FREITAS, 2019, p.79) Entretanto podemos observar que mesmo atualmente o PPP ainda sendo um documento engavetado, muitas vezes não realizado pelas unidades escolares. Um documento sem representatividade da comunidade escolar. Se a escola não sabe (ou não quer saber) o que almejam com a elaboração do PPP, e precisam chegar com o projeto e principalmente com os resultados, qual objetivo de construí-lo? A constituição do conselho escolar nas escolas municipais é fundamental para que todas as ações sejam democraticamente decidas e compartilhadas, e para isso é necessário que o PPP disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/1996, seja um plano participativo da educação, objetivando o fortalecimento da gestão democrática nas Redes de Ensino. Conselho escolar a luz do novo FUNDEB A nova lei do Fundeb (Fundo Nacional da educação Básica) instituída através da Emenda Constitucional n° 108, de 27/08/2020 e normatizada na lei federal nº 14.113 de Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 152 25/12/2020, tornou o recurso permanente para a educação trazendo a relevância da gestão democrática e do financiamento da educação por intermédio de critérios técnicos de participação, transparência e controle social. O novo FUNDEB atende da educação infantil ao ensino médio, proporcionando para a educação pública uma complexidade maior na gestão dos recursos, ofertando a transparência fundamental para a utilização orçamentária e financeira. Ou seja, redemocratizou os recursos financeiros de ordem pública que bem empregados contribuirá para a melhoria da qualidade da educação. Como também trouxe condicionalidades para que os entes municipais e estaduais recebam os recursos. Dentre as condicionalidades para os entes receberem os acréscimos percentuais do novo Fundeb que se tornou a partir de janeiro de 2021, um recurso permanente e regime colaborativo na educação pública, consta a obrigatoriedade da normatização e funcionamento efetivo do Conselho Escolar. Portanto as novas formas de distribuição dos recursos financeiros referente ao Fundeb serão distribuídas nas redes de ensino. Portanto os conselhos escolares precisam participar deste processo democrático e transparente. Sendo assim é fundamental a luz do no Fundeb a normatização e funcionamento dos Conselhos Escolares objetivando o enriquecimento efetivo nas escolas pública do país. DESENVOLVIMENTO Análise do estudo de caso Objetivamos neste capítulo demonstrar a representação da gestão democrática e o funcionamento do Conselho Escolar na rede municipal de ensino de Mendes-RJ. Os participantes desta pesquisa foram 15 gestores nomeados no ano de 2021, na gestão geral e adjunta através de processo consultivo educacional da rede municipal de ensino da cidade de Mendes que colaboraram respondendo a 12 perguntas. Segundo dados do IBGE a cidade possui 18.123 habitantes, nove escolas e duas creches municipais, um centro de educação especial e inclusiva contabilizado 2328 alunos da educação infantil ao 9º ano do ensino fundamental. A cidade possui também duas escolas da rede particular e duas da rede estadual. A partir dos dados coletados nas posições apresentada formaremos o estudo de caso. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 153 Questões utilizadas na pesquisa para o estudo de caso da Rede Municipal de Ensino de Mendes- RJ. 1.Qual a sua formação acadêmica? 2.Há quanto tempo atua na gestão escolar? 3.Tem quanto tempo no magistério público municipal? 4.A rede educacional oferece ao gestor a formação continuada referente à temática da gestão democrática de ensino? 5.A gestão educacional macro incentiva o funcionamento dos Conselhos Escolares? 6.A escola em que se encontra como gestor escolar está com o CE funcionando em sua plenitude? 7.Os integrantes do CE estão de acordo com a normatização municipal? 8.As reuniões são realizadas em qual periocidade? 9.Qual percentual de frequência dos participantes? 10.Os conselheiros participam ativamente do processo educacional? 11.A gestão escola registra em ata documentado as ações democráticas realizadas na unidade escolar? 12.Considera a gestão da unidade escolar em que atua como transparente e democrática? A pesquisa foi realizada no período de 15 a 20 de novembro de 2021, enviada através de um questionário online e enviado pelo Whatsapp no grupo de gestores. Os resultados estão apresentados no tópico a seguir: RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto ao perfil dos 15 gestores investigados, com base no levantamento de dados, observamos que: Quanto a formação acadêmica 14 (93,3%) possui Ensino Superior Completo e apenas 1 (6, 7%) está em andamento; Quanto ao tempo de atuação na gestão escolar 7 (46,7%) estão a mais de 5 anos, 1 (6,7%) entre 3 e 5 anos, 5 (33,3%) entre 1 e 3 anos e 2 (13,3%) a menos de 1 ano; Quanto ao tempo no magistério público municipal 8 (53,3%) tem mais de 20 anos e 7 (46,7%) entre 10 e 20 anos; Quanto a oferta de formação continuada referente à temática da gestão democrática de Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 154 ensino 13 (86,7%) entende que acontece com frequência e 2 (13,3%) acredita que raramente; Quanto ao incentivo ao funcionamento dos Conselhos Escolares pela gestão educacional macro 15 (100%) acredita que há; Quanto ao funcionamento do Conselho Escolar (CE) 13 (86,7%) escolas encontram-se em pleno funcionamento e 2 (13,3%) não; Quanto aos integrantes do CE 14 (93,3%) estão de acordo com a normatização municipal e apenas 1 (6,7%) não; Quanto a periocidade das reuniões realizadas pelo CE 5 (33,3%) das escolas realiza mensalmente, 4 (26,7%) realizam bimestralmente, 3 (20%) realizam trimestralmente, 2 (13,3%) realizam sempre que há necessidade e apenas 1 relatou a inexistência do CE; Quanto a frequência dos participantes 3 (20%) responderam que é superior a 75%, 7 (46,7%) responderam que é entre 50% e 75%, 3 (20%) responderam que é entre 25% e 50% e 2 (13,3%) responderam que é inferior a 25%; Quanto a participação dos conselheiros no processo educacional 11 (73,3%) é ativa, 3 (20%) acontece às vezes e 1 (6,7%) não é ativa; Quanto ao registro em ata documentando as ações democráticas realizadas na unidade escolar 14 (93,3%) informaram que fazem e apenas 1 (6,7%) informou que não; Quanto a transparência do trabalho democrático desenvolvido pela gestão da unidade escolar 15 (100%) acreditam desenvolver. Embasado nas respostas obtidas na entrevista com os gestores, compreendemos que neste processo de transformação regulamentou-se e implantou-se o Conselho Escolar (CE) na rede de ensino de Mendes, através da lei municipal nº 1322 de 29 de outubro de 2008. Sendo assim podemos considerar o CE como um centro de debate democrático, que contribuí com as escolas municipais de Mendes na promoção da gestão democrática,alcançando a equidade e a qualidade da educação. Portanto a caminhada escolar deve ser concretizada pelo CE, definindo coletivamente o tipo de ação educativa que se quer realizar nas unidades escolares e elas precisam estar definidas no PPP. As políticas públicas educacionais e sociais micro precisam estar atreladas as decisões dos conselhos escolares, como também as políticas macro aos conselhos de nível municipal. É fundamental que os gestores fortaleçam as ações e o poder da comunidade. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 155 A vista disso, ao apresentar as temáticas PPP, gestão democrática a luz dos Conselhos Escolares significa abordar as responsabilidades da educação pública enquanto processo de formação do sujeito contemplando seus direitos de aprender a aprender. Uma investigação crítica dos resultados nos leva a presumir que os respondentes receberam incentivo para uma formação continuada. O questionário utilizado subsidiou um melhor entendimento do processo da gestão escolar como instrumento legitimador do processo de gestão macro educacional realizada pela rede municipal de ensino de Mendes. Conforme Medel (2008, p. 75), todo trabalho realizado acerca da construção do projeto - “diagnóstico de sua situação atual, discussão das concepções do grupo acerca dos diversos componentes que intervêm no trabalho pedagógico e a realização das ações consideradas primordiais pelo grupo” - precisa ser trabalhado de maneira interligada e ativa. Para que a gestão democrática escolar ocorra em sua totalidade faz-se necessário que haja uma ampla reforma na formação política do cidadão, dos docentes, discentes, funcionários e toda a comunidade escolar para que todos saibam valorizar os seus direitos e zelar pelos deveres, dando grande importância para se chegar a uma verdadeira e plena gestão democrática. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através dessa pesquisa verificou-se a relevância do funcionamento efetivo nos conselhos escolares como fortalecimento da gestão democrática da educação pública. O século XXI trouxe a revolução tecnológica para o campo educacional, o que resultou em inovações pedagógicas e na necessidade das esferas públicas atuarem de forma descentralizada e democrática, visando o enriquecimento do processo de ensino-aprendizagem e a qualidade da educação. Por meio dos pressupostos apresentados e discutidos no presente trabalho, observa-se que o Projeto Político Pedagógico é uma ferramenta norteadora da educação pública e precisa estar embasado na LDB e na nova Base Nacional Comum Curricular em consonância com as diretrizes curriculares, visando uma educação de qualidade e com equidade. Por fim, é preciso que a instituição de ensino, como um todo, participe ativamente do projeto para que os objetivos estabelecidos sejam alcançados. Editora e-Publicar – Ensino & Sociedade: Práticas interdisciplinares 156 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Atualizada. Brasília: SEP/CET, 2017. Disponível em www.planalto.gov.br. 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Projeto Políti co-Pedagógico: construção e elaboração na escola. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. MENDES, Lei Municipal nº 1322 de 29 de outubro de 2008. Disponível em LEI MUNICIPAL CONSELHO ESCOLAR.pdf. Acesso em 16, out.2021. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização. 21ª ed. São Paulo: Libertad Editora, 2010. VEIGA, Ilma Passos da. Projeto político pedagógico da escola: uma construção coletiva. In: VEIGA, Ilma Passos da (org.). Projeto político pedagógico da escola: uma construção possível. 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Tem experiência com ensino de Lingua Portuguesa, Língua Espanhola (LE) e Literatura no Ensino Básico nos níveis Fundamental e Médio. Atualmente é professora substituta de Língua Espanhola no Instituto Federal Fluminense - campus Itaperuna. LUCAS CAPITA QUARTO Doutorando e Mestre em Cognição e Linguagem (Novas Tecnologias da Informação) pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Engenheiro de Produção (Crea-RJ: 2021102921) e Neuropsicopedagogo (clínico e institucional) - UNIG. Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima CAPÍTULO 1 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) NA ERA DIGITAL: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA CAPÍTULO 2 AS CAUSAS DA EVASÃO ESCOLAR NO ENSINO SUPERIOR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA CAPÍTULO 3 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS E AS METODOLOGIAS ATIVAS: UMA DISCUSSÃO TEÓRICA INTRODUÇÃO CAPÍTULO 4 ATIVIDADES REMOTAS NA EDUCAÇÃO INFANTL EM PERÍODO DE PANDEMIA: PROBLEMAS DE BAIXA ADESÃO NAS ATIVIDADES CAPÍTULO 5 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE MOEBIUS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ESTUDO DE CASO INTRODUÇÃO 1. REFERENCIAL TEÓRICO 1.2 Perspectivas de Piaget, Vygotsky, Winnicott e Wallon, sobre aprendizagens infantis A- Teoria da Epistemologia Genética de Jean Piaget B- Teoria Histórico-Cultural de Lev Seminovich Vygotsky C- Teoria do Desenvolvimento Emocional de Donald Wood Winnicott D- Teoria da Afetividade de Henri Wallon 2 ESTUDO DE CASO, NA EDUCAÇÃO INFANTIL, DE CRIANÇA PORTADORA DE SM 3 METODOLOGIA 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS CAPÍTULO 6 GESTÃO DEMOCRÁTICA E O PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL CAPÍTULO 7 MULHERES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LIBERDADE E EMPODERAMENTO INTRODUÇÃO (1) As Mulheres como sujeitos na Educação de Jovens e Adultos O Empoderamento Feminino REFERÊNCIAS CAPÍTULO 8 NASCIDOS NA MATRIX: A INFLUÊNCIA DAS TIC NA COGNIÇÃO E NO COMPORTAMENTO DOS ALUNOS NATIVOS DIGITAIS CAPÍTULO 9 O FLORESCER DA INCLUSÃO: POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO MUNICÍPIO DE RIO DAS FLORES Janaina Ribeiro Pireda Teixeira Lima INTRODUÇÃO 1. REFERENCIAL TEÓRICO 2. METODOLOGIA DE PESQUISA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCAPÍTULO 10 OS RECURSOS TECNOLÓGICOS COMO FERRAMENTA NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO EM TEMPOS DE PANDEMIA CAPÍTULO 11 REFLEXÕES ACERCA DOS MÉTODOS DE ENSINO A DISTÂNCIA, REMOTO E HÍBRIDO: A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA CAPÍTULO 12 TRANSIÇÃO DA LETRA BASTÃO PARA A LETRA CURSIVA CAPÍTULO 13 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: AUTONOMIA E PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS ESCOLARES