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Resumo Gestao de Conflitos e Eventos Criticos - Estácio

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Resumo: Gestão de Conflitos e Eventos Críticos
Entendendo os Conflitos
A evolução social x os conflitos de interesses
A evolução social gera conflitos de interesses, levando à necessidade de organização em 
sociedade. Diferentes interesses causam choques, resultando em conflitos. O Estado intervém 
para gerenciar esses conflitos e evitar violência, adotando uma abordagem vertical de cima para 
baixo. O conflito não é necessariamente negativo, mas requer gestão para prevenir violência e 
crises adicionais.
Conflito e seu conceito
Conflitos, sejam sociais, familiares ou interpessoais, são importantes para o progresso da 
sociedade ou de grupos menores, pois superá-los leva à evolução dos envolvidos. A gestão e 
resolução adequadas determinam se o conflito terá impacto positivo ou negativo.
Atividade em conjunto
Podemos construir juntos o conceito de conflito através de observação, literatura atual e 
pesquisa online. Conflito é inerente à vida humana devido às diferenças individuais e à 
necessidade de escolher entre objetivos incompatíveis. Várias definições, como embate, 
desavença, e colisão, ilustram suas facetas. É natural na sociedade e reflete a defesa dos 
interesses individuais, variando em intensidade conforme a cultura e contexto social.
Conceituando conflito
Conflito ocorre quando duas ou mais pessoas têm opiniões divergentes sobre um assunto de 
interesse comum e não conseguem lidar com essas diferenças, resultando na necessidade de 
gestão para resolver a situação.
Formas de lidar com os conflitos
Existem várias formas de lidar com conflitos ao longo da história. Inicialmente, a força física ou 
bélica foi uma abordagem comum, seguida pelo império da lei. Atualmente, considera-se os 
interesses das pessoas envolvidas e a possibilidade de atendê-los. Houve uma mudança de foco 
do patrimonial para o indivíduo, refletida no direito pátrio, destacando-se a união estável e o 
princípio da dignidade da pessoa humana. As formas de lidar com conflitos evoluíram, sendo 
ilustradas por diferentes estilos, como competição, colaboração, evitação, concessão, 
assertividade e cooperação.
Estilos e formas de lidar com os conflitos
Existem diferentes estilos de lidar com conflitos:
1. Dominador: Prioriza seus próprios interesses e impõe sua vontade sobre os outros, buscando 
ganhar a qualquer custo.
2. Acomodação: Baixo interesse próprio, alta preocupação em colaborar; cede em favor dos 
outros, esperando reconhecimento futuro.
3. Integração: Elevado interesse próprio, mas também disposição para cooperar; busca dialogar 
e trocar informações para encontrar uma solução aceitável para todos.
4. Evasão: Pouca preocupação com os próprios interesses e baixa vontade de cooperação; evita 
o conflito e se omite.
5. Negociador: Procura um meio-termo entre os extremos, com interesse e vontade de 
cooperação moderados; busca equilíbrio cedendo parte de seus interesses em favor dos outros.
Negociação X Integração
A negociação não deve ser confundida com a integração/colaboração, pois na negociação os 
ânimos podem se exaltar facilmente, levando a resultados inesperados e potencialmente 
danosos, devido aos altos níveis de interesse envolvidos.
Aspectos importantes sobre conflitos
Aspectos importantes sobre conflitos:
1. Conflitos não são problemas: Os conflitos são normais e não são inerentemente bons ou maus. 
Problemas surgem como resultado da maneira como lidamos com os conflitos.
2. Atitudes básicas frente ao conflito: Podemos ignorar, responder violentamente ou lidar de 
forma não violenta através do diálogo.
3. Diferença entre conflito e briga: Briga é uma resposta ao conflito, não o conflito em si. A 
maneira como lidamos com o conflito pode levar a brigas crônicas ou a oportunidades de 
crescimento.
4. Benefícios dos conflitos: Estimulam o pensamento crítico, melhoram a tomada de decisões, 
promovem a conscientização das opções, incentivam diferentes perspectivas e melhoram 
relacionamentos.
Dica: Desenvolver habilidades para transformar conflitos destrutivos em construtivos envolve 
harmonizar diferenças e criar soluções satisfatórias para todos através do diálogo e da 
criatividade.
Mahatma Gandhi – o defensor do Satyagraha
Mahatma Gandhi, defensor do Satyagraha, promoveu a não-violência como meio de revolução. 
Seus ensinamentos inspiraram ativistas como Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Baseava-
se nos valores da verdade e não-violência.
A resolução não violenta de conflitos
Há diversas formas de resolver conflitos, incluindo imposição, baseada no direito, e identificação 
dos interesses das partes. A resolução não violenta busca retirar o aspecto numérico das 
pessoas envolvidas, incentivando-as a serem ativas na solução dos conflitos. Envolve permitir 
que cada parte expresse seus sentimentos, avalie racionalmente o processo e busque soluções. 
Surgem novos instrumentos para a administração de conflitos diante das necessidades 
humanas.
Resolução alternativa de disputa
A resolução alternativa de disputas (ADR) é um instrumento adicional para resolver conflitos de 
forma pacífica. Não substitui os métodos anteriores, mas é uma resposta às novas necessidades 
da sociedade, oferecendo opções adicionais para resolução eficaz e rápida, complementando as 
resoluções informais e o sistema judicial.
Meios de Resolução de conflitos
Resoluções alternativas de disputa x métodos tradicionais de resolução de disputa
Os métodos tradicionais de resolução de disputas incluem a força, a lei e a identificação dos 
interesses das partes. No entanto, muitas vezes esses métodos não resolvem os conflitos de 
forma definitiva e podem levar à reincidência e aumento da violência. Isso leva à necessidade de 
recorrer a métodos baseados na força, criando uma barreira entre os agentes de segurança 
pública e a sociedade. A resolução alternativa de disputas (RAD) é destacada como uma opção 
benéfica, promovendo uma transformação nas relações entre agentes de segurança pública e a 
comunidade, pois evita a abordagem de ganhador-perdedor dos métodos tradicionais.
Características históricas mundiais e a RAD
A resolução alternativa de disputas (RAD) surgiu devido às dificuldades enfrentadas pelos 
métodos tradicionais de gestão de conflitos, refletindo os anseios da sociedade por soluções 
rápidas e práticas. Após a Segunda Guerra Mundial, com a bipolaridade mundial e diversos 
movimentos sociais, como o hippie, houve uma mudança significativa nas relações interpessoais 
e uma necessidade crescente de buscar alternativas para resolver conflitos sociais emergentes. 
A Organização das Nações Unidas estimulou a criação de métodos alternativos de resolução de 
conflitos, conhecidos como ADR (Alternative Dispute Resolution), promovendo a justiça 
restaurativa. No entanto, a RAD não substitui o poder judiciário, mas oferece uma abordagem 
complementar e mais ampla para resolver conflitos.
Arbitragem
A arbitragem não é uma prática nova em nossa sociedade, como evidenciado pelo Código de 
Direito Canônico de 1983, que propôs a instituição de juízo arbitral para evitar juízos. Esta 
prática é utilizada pela Igreja Católica há quase 100 anos. No Brasil colonial, já se observava o 
uso da arbitragem nas Ordenações Filipinas. Atualmente, a arbitragem é regulada por lei e pode 
ser utilizada para resolver litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis, onde as partes 
escolhem um terceiro como juiz arbitral. Existem duas modalidades de arbitragem no Brasil: 
cláusula compromissória e compromisso arbitral.
Cláusula Compromissória
A cláusula compromissória é um acordo em um contrato no qual as partes concordam em 
resolver quaisquer litígios relacionados ao contrato por meio de arbitragem. Ela é estabelecida 
antes do surgimento do conflito e deve atender aos requisitos do artigo 4º, parágrafo 1º.
Compromisso Arbitral
O compromisso arbitral é um acordo em que as partes submetem um litígio à arbitragem de uma 
ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial, conforme definido no artigo 9º. Osrequisitos obrigatórios são estabelecidos no artigo 10, enquanto os requisitos facultativos são 
detalhados no artigo 11.
Sentença arbitral e vantagens da arbitragem
A sentença arbitral, de acordo com o art. 31, tem os mesmos efeitos de uma sentença do Poder 
Judiciário e, se condenatória, pode ser executada como título extrajudicial. Vantagens da 
arbitragem incluem rapidez, eficiência, custo-benefício superior ao processo judicial, definitiva e 
constitucional, informalidade, autonomia das partes e especialização.
Mediação 
Na mediação, a solução não é imposta pelo mediador, mas sim pelas partes envolvidas. O 
objetivo não é apenas um acordo, mas também promover entendimento e respeito mútuo, 
possibilitando que as partes percebam os limites de seus direitos em relação aos outros. O 
conflito é protagonizado pelas partes, mediado pelo mediador, visando uma solução duradoura e 
satisfatória para todos. A mediação oferece diversas abordagens, conforme destacado na 
apostila do Curso de Mediação de Conflitos da SENASP.
Formas de mediação 
As formas de mediação incluem a técnica, com mediadores associados a empresas, a 
comunitária, realizada na própria comunidade, a forense, ligada ao judiciário, a penal, usada em 
questões carcerárias, e a familiar, para solucionar crises familiares com apoio profissional.
Conciliação
Na conciliação, o conciliador facilita o diálogo entre as partes, sugerindo soluções e elaborando 
propostas para a resolução do conflito. Pode ocorrer tanto no âmbito judicial quanto 
extrajudicial.
A conciliação na Lei n.º 9.099/95
A Lei n.º 9.099/95 prioriza a conciliação ou transação penal para acelerar o processo de solução 
das demandas, garantindo a efetividade jurisdicional. Antes do julgamento, as partes têm a 
oportunidade de tentar um acordo. Se não houver conciliação, podem optar pelo juízo arbitral, 
conforme previsto na lei.
Negociação
A negociação é o processo mais comum na gestão de conflitos, sendo parte natural das 
interações humanas. É um diálogo bilateral com o objetivo de alcançar uma decisão conjunta. 
Geralmente, é a primeira abordagem para resolver um conflito, envolvendo apenas as partes 
diretamente. Na negociação de crises policiais, os profissionais de Segurança Pública utilizam 
esse método.
Tabela demonstrativa de diferenças entre os meios de resolução alternativa de disputa
Para comparar os métodos de resolução alternativa de disputas, usaremos tabelas adaptadas do 
curso de mediação de conflitos 01 (Brasil – SENASP, p. 21 e 22). Analisaremos as diferenças 
entre conciliação e mediação, arbitragem e mediação, e negociação em relação a conciliação, 
mediação e arbitragem.
Sistemas de multiportas
O sistema de multiportas surge como resposta à ineficácia dos métodos tradicionais de 
resolução de conflitos no Brasil, principalmente devido à cultura da passividade e dependência 
do poder judiciário. Inspirado no modelo americano, visa oferecer opções específicas para cada 
caso, encaminhando os interessados para a solução mais adequada. Instituído pelo Conselho 
Nacional de Justiça em 2010, promove a participação social na solução de conflitos, 
complementando os meios tradicionais com métodos consensuais e pacíficos.
Negociação e Mediação de Conflitos
Mediação de conflitos
Apesar de entendermos o conceito de mediação, é importante destacar que os profissionais de 
Segurança Pública raramente a praticam em suas atividades diárias, especialmente em 
ocorrências menores. A falta de atenção a esses incidentes pode levar a um aumento de crimes 
mais graves, prejudicando a credibilidade do serviço prestado pela polícia.
Outros tipos de conflito
Os policiais e guardas municipais são frequentemente chamados para resolver uma variedade de 
conflitos, mesmo que não façam parte de suas atribuições. Esses problemas incluem questões 
como ruídos, estacionamento inadequado, disputas familiares e outros. Embora muitos desses 
casos sejam considerados menores, é importante entender as razões subjacentes para sua 
ocorrência, como falta de comunicação e conflitos mal gerenciados. Em algumas situações, os 
agentes públicos resolvem os conflitos de forma enérgica, sem mediação, utilizando seu poder 
de polícia.
Considerações
A mediação é destinada a resolver conflitos interpessoais e não situações de crise, com base 
nas seguintes considerações:
1. Princípio da Legalidade: Profissionais de Segurança Pública devem respeitar esse princípio 
constitucional, embora atualmente não haja uma lei específica sobre o assunto no Brasil.
2. Conceito e Aplicação da Mediação: O projeto de lei n.º4.827/98 define a mediação como uma 
atividade técnica exercida por um terceiro imparcial, com o objetivo de prevenir ou resolver 
conflitos de forma consensual, sem oferecer soluções.
3. Mediação x Justiça Penal: O projeto de lei prevê apenas mediação de natureza civil, o que 
pode gerar debates sobre sua aplicação nos juizados especiais criminais.
4. Modalidades de Mediação: Existem quatro modalidades: prévia, incidental, judicial e 
extrajudicial, que não fazem distinção entre ocorrer dentro ou fora do Poder Judiciário.
5. Princípios Norteadores da Mediação: Incluem autonomia da vontade das partes, 
imparcialidade, confidencialidade, boa-fé, celeridade, entre outros, que guiam a conduta do 
mediador.
Essas considerações ressaltam a importância da mediação e destacam os princípios e 
modalidades envolvidos.
Áreas de Aplicação da Mediação
Além das áreas mencionadas anteriormente, como técnica, comunitária, forense, penal e familiar, 
o projeto de lei indica que a mediação pode ser aplicada em todas as matérias que permitem 
conciliação, reconciliação, transação ou acordo de qualquer tipo, exceto aquelas de natureza 
civil. No entanto, enquanto o projeto não for aprovado pela Câmara dos Deputados, a mediação 
penal continua sendo uma possibilidade.
Mediação familiar
Os conflitos familiares, embora naturais, podem abalar as relações familiares e são muitas vezes 
encarados de forma negativa pela sociedade. A mediação familiar busca abolir esse paradigma 
ao proporcionar um diálogo entre os envolvidos, sem a necessidade de atribuir culpa. O objetivo 
é promover uma solução pacífica e equilibrada, especialmente em casos de divórcio ou 
inexistência de relações de filiação, priorizando o bem-estar de todos os envolvidos. Vale 
ressaltar que a mediação familiar não se trata de terapia de casal ou tratamento psicológico.
Mediação Empresarial e Organizacional
Nesta forma de mediação, envolvendo pessoas jurídicas, o objetivo é evitar desperdícios de 
tempo, pois como disse Benjamin Franklin, "tempo é dinheiro". A mediação busca levar os 
envolvidos a construir relações mais maduras e pacíficas, sem interferir na administração do 
conflito. Muitos conflitos surgem de descumprimento de cláusulas contratuais, sendo a solução 
frequentemente a elaboração de um novo contrato para adequar a realidade atual às pretensões 
futuras das partes.
Mediação Trabalhista
Nessa forma de mediação, envolvendo empregados e empregadores, busca-se resolver os 
conflitos presentes na relação de trabalho. A Lei n.º 10.101/00 regulamentou a participação dos 
trabalhadores nos lucros e resultados das empresas, prevendo a mediação em caso de litígio 
entre as partes. No entanto, a cultura brasileira e a desconfiança mútua entre as partes muitas 
vezes impedem a utilização efetiva da mediação trabalhista, resultando em uma alta demanda 
nos tribunais trabalhistas.
Mediação Ambiental
O Direito Ambiental recebeu destaque constitucional em 1988, evidenciando sua importância no 
Capítulo VI do Título VIII da Constituição. O artigo 225 ressalta a necessidade de preservação do 
meio ambiente, atribuindo responsabilidade tanto ao Poder Público quanto à coletividade. A 
competência para legislar sobre o meio ambiente é compartilhada entre os entes federativos. O 
Direito Ambiental é considerado difuso, caracterizado pela indeterminação dos sujeitos e pela 
indivisibilidade dos interesses. A mediação de conflitosna área ambiental surge como um meio 
eficaz de diálogo entre as partes, visando à preservação do meio ambiente e ao cumprimento 
das normas constitucionais.
Mediação Escolar
Investimentos em educação têm sido priorizados em vários países como o melhor caminho para 
o desenvolvimento social. A mediação escolar é vista como uma forma eficaz de prevenir e 
resolver conflitos no ambiente escolar, tanto de forma preventiva quanto repressiva. Diversos 
órgãos públicos têm implementado programas de mediação escolar para promover uma 
comunicação melhor entre alunos, professores e funcionários, incluindo as rondas escolares 
realizadas pelas polícias militares e guardas municipais. O objetivo é envolver alunos e jovens na 
resolução de conflitos desde cedo, quebrando a ideia de que os adultos devem resolver tudo 
para eles. Esses programas facilitam a redução da violência, promovendo a comunicação 
constante entre todos os envolvidos. Um exemplo é a iniciativa da prefeitura de Fortaleza.
Mediação Comunitária
Promove o diálogo em locais onde antes não havia essa possibilidade. Há uma estreita relação 
entre mediação comunitária e polícia comunitária, essencial para a mudança na política de 
Segurança Pública no Brasil. Um exemplo disso é a implantação das Unidades de Polícia 
Pacificadora (UPPs) na região metropolitana do Rio de Janeiro. Inicialmente, as UPPs adotaram 
métodos tradicionais de policiamento ostensivo, mas ainda assim são consideradas por algumas 
autoridades como inovadoras.
Os benefícios primários e secundários
Os benefícios da mediação foram bem destacados no curso da SENASP. Os benefícios primários 
incluem celeridade, efetividade, preservação da autoria, alinhamento de interesses, redução de 
custos emocionais e financeiros, além de sigilo. Os benefícios secundários abrangem a 
prevenção de conflitos, a melhoria na comunicação e nos relacionamentos interpessoais.
A figura do Negociador e do Mediador
Características do Ambiente de Mediação
É essencial considerar as características físicas e ambientais do local onde ocorrerá a mediação 
para garantir um ambiente propício para a resolução de conflitos. Aspectos como cores das 
paredes, quadros, iluminação, ventilação, música ambiente e material de leitura são importantes:
- Cores neutras nas paredes para transmitir harmonia.
- Quadros com imagens tranquilas e não controversas.
- Iluminação balanceada para evitar excesso ou falta de luz.
- Ventilação natural e artificial para conforto dos envolvidos.
- Música ambiente calma na sala de espera.
- Material de leitura explicativo e adequado ao público-alvo.
Esses elementos contribuem para criar um ambiente acolhedor e propício ao diálogo, essencial 
para o sucesso da mediação.
Mediador: seu papel, suas funções e características
O mediador desempenha um papel crucial durante todo o processo de mediação, atuando como 
líder, agente transformador e facilitador do processo. Suas principais funções incluem:
1. Líder: Como interlocutor dos envolvidos, o mediador coordena e lidera o processo de 
mediação.
2. Agente Transformador: Ele promove condições para o diálogo e a busca por interesses 
comuns, prevenindo futuros conflitos e transformando comportamentos.
3. Facilitador do Processo: Serve como um canal para que os participantes expressem suas 
emoções e preocupações, facilitando a comunicação entre eles.
O mediador deve possuir respeito pelas partes envolvidas, compreender a comunidade e ser 
responsável. Além disso, é importante buscar atualização constante por meio de cursos e 
pesquisa.
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Mediador: seu papel, suas funções e características (Continuação)
O mediador deve incorporar certos princípios e características fundamentais em sua atuação na 
mediação:
Sensibilidade: Deve compreender os conflitos sem tomar partido e ser imparcial, deixando 
de lado quaisquer preconceitos pré-existentes.
Ética e Conhecimento dos Direitos Humanos: Deve respeitar a dignidade do outro e estar 
ciente das violações dos Direitos Humanos, mantendo sigilo sobre os assuntos tratados na 
mediação.
Conhecimento Jurídico Mínimo: Deve possuir conhecimento básico da legislação brasileira 
relevante, como a Constituição, Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Civil e CLT.
Capacidade Comunicativa: A comunicação eficaz é essencial para o sucesso da mediação, 
devendo o mediador equilibrar a comunicação entre os envolvidos.
Capacidade de Escuta: Deve ouvir com atenção e respeito, buscando compreender as 
raízes dos conflitos.
Sigilo: Deve manter sigilo sobre as questões discutidas na mediação, exceto em casos de 
condutas criminosas.
Criatividade e Bom Humor: O bom humor e a criatividade são importantes para facilitar o 
início do diálogo entre os mediados.
Estilo Cooperativo: Deve buscar soluções amistosas e de consenso entre as partes, 
atuando como facilitador do diálogo e não como líder das partes.
Funções
Funções do Mediador:
Recepciona e acolhe as partes envolvidas, incluindo seus advogados, se presentes.
Presta esclarecimentos claros e precisos sobre os procedimentos e objetivos da 
mediação.
Gerencia a interação dos envolvidos, garantindo o bom andamento dos trabalhos e o 
respeito mútuo.
Formula perguntas construtivas para estimular o diálogo.
Busca a clareza das ideias envolvidas no conflito.
Equilibra o poder entre as partes para garantir a autonomia de vontade.
É o guardião do processo de mediação.
Evita comportamentos repetitivos.
Facilita a comunicação entre as partes.
Orienta os mediados para prevenir futuros conflitos, baseando-se no presente e 
respeitando os acontecimentos passados.
Proporciona condições para o cumprimento da solução pactuada, se alcançada.
O que mediador não é
O papel do mediador é definido em contraste com várias outras funções:
1. Não é juiz nem árbitro: O mediador não decide, mas facilita o diálogo entre as partes para que 
elas tomem decisões conscientes.
2. Não é advogado: Não defende nenhum dos envolvidos, mantendo-se imparcial e preocupado 
com todos igualmente.
3. Não é psicólogo: Não realiza análises psicológicas profundas, apenas lida com os aspectos 
superficiais apresentados durante a mediação.
4. Não é conselheiro: Evita dar conselhos pessoais, orientando as partes a buscar opiniões 
diversas.
5. Não é professor: Embora possa ter conhecimentos técnicos, o mediador não deve impor sua 
visão ou influenciar nas decisões das partes.
6. Não é assistente social: Não age como assistencialista, mas sim como gestor do processo de 
mediação.
7. Não é médico ou profissional da saúde: Não trata o conflito como uma doença, mas ajuda as 
partes a explorar suas relações e buscar soluções.
8. Não é administrador: Não impõe regras ou decisões, deixando que as partes cheguem a um 
acordo por conta própria.
9. Não é engenheiro ou profissional de exatas: Não trata as pessoas como números ou cláusulas 
fechadas, mas privilegia a espontaneidade e reflexão sobre os conflitos interpessoais.
Como o mediador deve ser
O mediador deve possuir as seguintes características:
- Imparcialidade: Deve conduzir o processo de mediação sem favorecer nenhuma das partes, 
mantendo o equilíbrio.
- Independência: Não está ligado a nenhuma das partes envolvidas no conflito.
- Competência: Deve ter um profundo conhecimento dos processos de mediação para 
coordená-los eficazmente.
- Confidencialidade: Deve ser discreto e sigiloso para preservar a privacidade das informações 
tratadas na mediação.
- Diligência: Deve buscar ativamente maneiras de solucionar o conflito, buscando informações 
necessárias.
- Neutralidade razoável: Tentar manter a neutralidade, embora seja difícil devido à natureza 
humana, evitando expressar opiniões pessoais sobre o conflito.
Negociador: seu papel, suas funções e características
O negociador desempenha um papel crucial na gestão de eventos críticos, atuando como 
intermediário entre o tomador de reféns e o gerente da crise. Ele é um profissional técnico e 
treinado responsável por conduziras negociações durante a crise. O gerente da crise é o 
responsável pelo comando da situação.
Síndrome de Estocolmo
Antes de discutir o papel do negociador, é importante lembrar a Síndrome de Estocolmo, que 
ocorre em situações de crise envolvendo tomadores de reféns, abreviados como TRs.
Funções do negociador
O negociador desempenha várias funções essenciais, como: ganhar tempo para reduzir a 
tensão, abrandar as exigências do TR, obter informações sobre o ambiente e os envolvidos e 
fornecer suporte tático para uma possível intervenção.
Características
O negociador deve possuir as seguintes características:
- Especialização em Negociação e Gerenciamento de Crise, preferencialmente sendo militar, 
policial ou especialista.
- Ser um bom ouvinte, dando espaço para que o indivíduo se expresse.
- Ter habilidades de comunicação, evitando termos negativos e promovendo uma abordagem 
humanizada.
- Possuir boa dicção, falando de forma calma para incentivar a rendição.
- Manter controle emocional, não respondendo a provocações verbais do TR.
- Demonstrar calma e serenidade, evitando ameaçar o TR e negociando à distância.
- Transmitir credibilidade e confiança, evitando promessas vazias e sendo o mais honesto 
possível.
- Ter agilidade mental para responder rapidamente, evitando prazos rígidos.
- Ter resistência à fadiga, já que as negociações podem ser prolongadas.
- Possuir um vocabulário adequado para negociar e usar estrategicamente o poder de barganha.
- Manter boa saúde física e mental para garantir a qualidade da negociação ao longo do tempo.
Modelos e Técnicas de Mediação
Tipos de mediação
Os tipos de mediação incluem a técnica, comunitária, forense, penal e familiar. Os modelos de 
mediação abrangem o tradicional-linear, que busca acordos cooperativos, o tranformativo, 
focado na transformação das relações interpessoais, e o circular-narrativo, que combina 
objetivos de acordo com a compreensão da história como um sistema único.
Técnicas de mediação
As técnicas de mediação incluem a separação das pessoas do problema, a focalização nos 
interesses em vez das posições, a criação de opções para benefício mútuo, a utilização de 
critérios objetivos e o conhecimento das chances de retirada. Essas técnicas visam melhorar a 
percepção, comunicação e resolução de conflitos, incentivando a busca por soluções 
colaborativas e imparciais.
Técnicas do modelo transformativo
No modelo transformativo de mediação, o mediador atua como facilitador do diálogo, visando ao 
restabelecimento das relações e a um possível acordo. O processo começa com a apresentação 
das partes e do mediador, seguida pela expressão das visões dos mediandos sobre o conflito. 
Questionamentos pertinentes são feitos de forma equitativa para promover uma transformação, 
identificando interesses comuns. Entrevistas de pré-mediação podem ser usadas para lidar com 
emoções intensas e evitar confrontos diretos entre as partes.
Técnicas do modelo circular-narrativo, microtécnicas, minitécnicas e técnicas propriamente 
ditas
No modelo circular-narrativo de mediação, destacam-se as microtécnicas, minitécnicas e 
técnicas propriamente ditas, que visam focar nas relações interpessoais e consideram o acordo 
como uma consequência do processo de mediação. As microtécnicas abrangem perguntas 
informativas e desestabilizantes, enquanto as minitécnicas incluem técnicas como 
externalização, resumos e equipe reflexiva. As técnicas propriamente ditas são aquelas que 
permitem construir uma história alternativa que desestabilize as histórias prévias, visando reatar 
o diálogo entre as partes.
Modelos de negociação
A negociação, que é por natureza cooperativa, pode ser conceitualmente vista como um dos 
modelos de mediação. Carlos Eduardo de Vasconcelos (2008, p. 75) destaca três modelos 
básicos de negociação: integrativa, distributiva e apoiada em terceiros, sendo este último 
equivalente ao processo de mediação, onde um terceiro auxilia os negociadores.
O processo de mediação e suas etapas
O processo de mediação, geralmente dividido em seis etapas, inicia-se com a pré-mediação, 
onde as partes são informadas sobre o processo. Na primeira etapa, há a apresentação e 
recomendações, seguida pela narrativa do conflito na segunda etapa, onde o mediador atua 
como ouvinte ativo. Na terceira etapa, os interesses comuns são identificados, podendo surgir 
acordos prévios. Na quarta etapa, são criadas opções para resolver o conflito, enquanto na 
quinta etapa, se houver acordo, este é formalizado e assinado pelas partes. Caso não haja 
acordo, o mediador resume o progresso e encerra o processo de mediação.
Evento Crítico ou Crise e Seu Gerenciamento
Introdução
O gerenciamento de crises no Brasil passou por uma fase inicial de falta de atenção e 
improvisação devido à formação inadequada e falta de conhecimento técnico. No entanto, desde 
os anos 1990, houve uma mudança significativa, com a publicação de doutrinas e o envolvimento 
de profissionais brasileiros no assunto, como Wanderley Mascarenhas de Souza, Roberto das 
Chagas Monteiro e Ângelo Salignac. Atualmente, a doutrina de gerenciamento de crises está 
bem estabelecida nos órgãos de Segurança Pública do país.
As ocorrências policiais mal gerenciadas
Quando as ocorrências policiais enfrentam crises mal gerenciadas, muitas vezes isso ocorre 
devido ao despreparo dos agentes envolvidos, apesar de existir uma doutrina estabelecida. O 
uso adequado das técnicas de gerenciamento de crises evita comportamentos amadores, 
embora ainda haja casos de desvio desses princípios devido a questões pessoais e rivalidades 
profissionais. Nos Estados Unidos, o tema recebe tratamento científico há mais de vinte anos, 
destacando sua importância e embasamento doutrinário.
Crise
Existem diversos conceitos de crise na doutrina, mas, em geral, ela é descrita como uma 
manifestação violenta e inesperada que rompe o equilíbrio normal, exigindo uma resposta 
especial para garantir uma solução aceitável. As crises ameaçam a vida, nosso bem jurídico mais 
importante, e podem ocorrer em qualquer atividade humana.
A quem cabe o gerenciamento de uma crise?
Geralmente, o gerenciamento de uma crise cabe à polícia, sendo crucial em sua gestão. É 
inadequado envolver religiosos, psicólogos, mídia, políticos ou outros, pois isso pode ter 
consequências graves. O objetivo principal é alcançar uma solução socialmente aceitável, 
garantindo a integridade das vítimas, respeitando a lei e restaurando a paz pública.
Analisando um caso
Em Garanhuns, Pernambuco, houve uma tentativa de assalto a uma farmácia em março de 2011, 
onde um dos assaltantes fez uma atendente refém. Apesar da ausência de um atirador de elite, 
as negociações com o assaltante duraram cerca de duas horas, conduzidas por um promotor de 
justiça. O desfecho ocorreu com a morte do assaltante após ameaçar esfaquear a vítima. A 
conduta do promotor de justiça em negociar com o assaltante é questionável à luz do que 
estudamos sobre o assunto.
Atuação dos órgãos de Segurança Pública
As crises geralmente envolvem eventos relacionados a crimes sob a esfera penal, com risco de 
vida e ações intencionais de uma ou mais pessoas. Exemplos incluem roubos com reféns, 
rebeliões em prisões, ameaças de bombas, atos terroristas, manifestações violentas e 
sequestros de aeronaves. Esses eventos exigem a intervenção dos órgãos de Segurança Pública 
devido à sua natureza violenta, repentina e rápida.
Cenário de crise
●
Os órgãos de Segurança Pública devem agir em crises com foco no interesse público, 
respeitando os princípios constitucionais e garantindo os Direitos Humanos. Ações 
irresponsáveis ou sem controle comprometem a reputação da instituição. Medidas mais 
drásticas, como o uso de atiradores de elite, devem obedecer aos princípios da 
proporcionalidade e legalidade para garantir uma solução aceitável.
Características da crise
As características essenciais de uma crise na Segurança Pública são:
- Imprevisibilidade
- Urgência
- Ameaça de vida
- Necessidadede postura organizacional não rotineira e planejamento especial.
Imprevisibilidade, compressão de tempo e ameaça de vida
A imprevisibilidade, a compressão do tempo e a ameaça à vida são características essenciais 
das crises na Segurança Pública:
- Imprevisibilidade: Crises podem ocorrer em qualquer lugar, mesmo com medidas preventivas. 
Embora a prevenção seja importante, não garante que as crises não ocorram. É essencial estar 
preparado para enfrentá-las quando surgirem.
- Compressão do tempo: Crises demandam uma resposta ágil e eficiente, pois envolvem 
ameaças à vida ou ao patrimônio. A preparação adequada dos agentes e a disponibilidade de 
recursos são fundamentais para lidar com eventos de crise sem improvisação, evitando 
resultados inaceitáveis.
- Ameaça à vida: A ameaça à vida, seja de terceiros ou do próprio perpetrador da crise, é o 
aspecto central de uma crise. A preservação da vida é o objetivo primordial dos órgãos de 
Segurança Pública, que podem tomar medidas extremas, se necessário, para proteger as 
pessoas e a ordem pública.
Necessidades
As necessidades para o gerenciamento de crises na Segurança Pública incluem:
Postura organizacional não rotineira: Os órgãos de Segurança Pública precisam estar 
preparados para atuar em crises a qualquer momento, o que demanda custos e 
transtornos operacionais. No entanto, esses transtornos podem ser minimizados com 
preparo contínuo e treinamento dos agentes. É crucial registrar e analisar as dificuldades 
encontradas em operações anteriores para melhorar o desempenho futuro. Exercícios 
simulados também são úteis para preparar os agentes para situações reais.
● Planejamento analítico especial: Cada crise é única, exigindo um planejamento flexível e 
adaptável. É essencial realizar uma análise detalhada das decisões a serem tomadas e 
como serão implementadas para mitigar impactos negativos, considerando os fatores 
imprevisíveis associados à crise.
Considerações legais especiais
O gerenciamento de crises visa preservar o bem jurídico tutelado, que é essencial para a 
existência da sociedade, conforme definição de Cláudio Brandão. Crime é a violação ou 
exposição a perigo desse bem. A ação humana para ser crime precisa ser típica, antijurídica e 
culpável. No entanto, ações típicas e antijurídicas podem não ser consideradas crimes em casos 
de ausência de culpabilidade. Profissionais de Segurança Pública podem adotar medidas 
drásticas, como matar um possível tomador de refém, amparados legalmente pela legítima 
defesa, que inclui a defesa de terceiros. A competência para atuar no gerenciamento de uma 
crise deve ser definida com base em aspectos legais ou por cooperação entre os órgãos de 
Segurança Pública.
Gerenciamento da crise
O gerenciamento de crises envolve resolver problemas fundamentados em possibilidades, 
demandando soluções únicas e uma análise cuidadosa. É crucial para os órgãos de Segurança 
Pública, pois atuam em nome do Estado e são responsáveis por antecipar, prevenir e resolver 
crises. A presença da imprensa pode amplificar os erros durante o processo. Resumidamente, o 
gerenciamento de crises significa prevenir, otimizar recursos e implementar soluções, segundo 
Paulo César Souza Cabral.
A importância de Gerenciamento de Crises
O gerenciamento de crises desempenha um papel crucial para os órgãos de Segurança Pública 
devido à existência de uma doutrina que orienta suas ações durante crises, fornecendo proteção 
legal aos agentes que agem de acordo com a lei. Três razões principais destacam sua 
importância: a responsabilidade das organizações policiais diante de ações legais, a natureza 
imprevisível e não seletiva das crises e a influência da mídia, que pode amplificar tanto ações 
positivas quanto falhas no gerenciamento das crises.
Exigências de Estudos Especiais
É crucial que os órgãos de Segurança Pública estejam preparados para lidar com crises, dada 
sua imprevisibilidade e o estresse envolvido. O gerenciamento de crises exige uma equipe bem 
treinada para evitar decisões equivocadas que possam prejudicar a situação. O treinamento e 
estudos especiais são essenciais para todos os envolvidos, desde o escalão superior até o 
efetivo de campo, visando à atualização da doutrina e à preparação para situações de crise. 
Exemplos recentes incluem o treinamento do CPRS na Bahia e o curso de gerenciamento de 
crise ministrado pela PM da Paraíba para o Bope do Rio de Janeiro.
Doutrina de Evento Crítico ou Crise
Objetivos
No gerenciamento de crises, as autoridades de Segurança Pública têm dois objetivos 
prioritários: preservar a vida e respeitar a lei. Esses objetivos são agora princípios 
constitucionais, destacados em nossa legislação. A Constituição estabelece que a vida é 
inviolável e que a lei deve ser seguida. Salvar vidas vem antes de cumprir a lei, mostrando que a 
preservação da vida humana é fundamental, mesmo acima da lei.
Vivência da profissão
Na área de Segurança Pública, a experiência tem mostrado que, em certas situações, é mais 
sensato permitir que os perpetradores de uma crise escapem do que arriscar vidas humanas. 
Por exemplo, em um cenário onde um refém está no porta-malas de um carro roubado e os 
criminosos estão atirando contra os policiais, a opção de não revidar pode ser mais eficaz e 
inteligente, visando preservar vidas. Essa abordagem busca o equilíbrio entre objetivos, como 
preservar vidas, aplicar a lei e restabelecer a ordem pública. Esses princípios são destacados na 
doutrina brasileira, especialmente na orientação da SENASP e do manual de gerenciamento de 
crise da Polícia Federal.
Doutrina de gerenciamento de crises
Na doutrina de gerenciamento de crises, os principais objetivos são preservar vidas e aplicar a 
lei. Embora a maioria das crises envolvam reféns, há outras igualmente graves. Vamos analisar 
esses objetivos brevemente.
Preservação da vida
O objetivo da preservação da vida abrange os reféns, o público em geral e os profissionais de 
segurança pública. Medidas são adotadas para proteger todos os envolvidos durante uma crise, 
incluindo a prevenção de danos aos reféns causados pelo criminoso.
Aplicação da lei
A aplicação da lei durante uma crise envolve a prisão dos infratores responsáveis, a proteção do 
patrimônio e a garantia do estado de direito. É essencial que os criminosos sejam detidos para 
responderem perante a justiça, minimizando danos ao patrimônio e assegurando o 
funcionamento das instituições legais, promovendo a segurança e o restabelecimento da ordem 
pública.
Critérios de ação – introdução
A função de gerente de crise na Segurança Pública é desafiadora, envolvendo pressão constante 
e a responsabilidade de tomar decisões cruciais para salvar vidas. As decisões variam desde 
questões simples, como fornecer água, até solicitações complexas, como veículos para os 
sequestradores. Cada escolha deve ser feita com cautela, pois qualquer erro pode resultar em 
perigo para as vítimas.
Critérios de ação – propriamente ditos
Os critérios de ação, conforme ensinado pela doutrina, são guias para os gerentes de crise 
tomarem decisões. Eles incluem a Necessidade, onde uma decisão só é tomada se for essencial 
para resolver a crise; a Validade do Risco, onde a decisão só é executada se os benefícios 
superarem os riscos; e a Aceitabilidade, considerando não apenas a legalidade, mas também a 
moral e a ética.
Classificação dos graus de risco
Na avaliação de uma crise, os profissionais de Segurança Pública consideram o grau de risco, 
classificando as situações em uma escala padrão. Isso permite adotar medidas apropriadas. Por 
exemplo, o Grau 1 representa um alto risco, como um assalto a banco sem reféns, enquanto o 
Grau 4 é uma ameaça exótica, como um indivíduo ameaçando com material radioativo.
Níveis de resposta
Os níveis de resposta, associados à classificação de riscos, determinam a abordagem adequada 
para cada crise. A inteligência policial é fundamental para coletar informações essenciais. A 
classificação influencia o nível de resposta,conforme a tabela da SENASP (2008), variando de 
recursos locais a apoio especializado e comando geral, dependendo da gravidade da situação. 
Uma avaliação precisa do risco contribui para uma resposta eficaz, evitando atrasos 
desnecessários.
Tipologia dos causadores de eventos críticos
O Capitão Frank A. Bolz Junior, do Departamento de Polícia de Nova York, classifica os 
causadores de eventos críticos em três tipos: criminoso comum, emocionalmente perturbado e 
terrorista por motivação política. O criminoso comum busca cometer delitos, podendo 
acidentalmente iniciar uma crise ao fazer reféns. Os emocionalmente perturbados podem agir 
devido a problemas mentais ou emocionais, tornando a negociação mais desafiadora. Os 
terroristas políticos representam a maior preocupação devido à sua meticulosidade e 
periculosidade, especialmente em eventos de grande porte sediados pelo Brasil.
Gerenciando Eventos Críticos - Aspectos Operacionais
Alternativas táticas doutrinárias
Antes de discutirmos as alternativas táticas doutrinárias, é fundamental reconhecer que 
qualquer profissional de Segurança Pública que se depara com uma crise deve agir prontamente, 
pois as medidas que ele adota desempenham um papel crucial na resolução do problema.
Alternativas táticas doutrinárias – continuação
As primeiras ações dos profissionais de Segurança Pública são cruciais para orientar o gerente 
da crise quando ele chegar. De acordo com a doutrina, três verbos são essenciais nesse 
contexto: conter, isolar e negociar. 
- Conter: Uma contenção eficaz é vital para permitir que as autoridades gerenciem a crise sem 
interferências externas. Também impede que os perpetradores busquem mais reféns ou 
expandam a crise. 
- Isolar: O objetivo é manter o local crítico totalmente isolado, sem contato com o mundo 
exterior, exceto pelas autoridades responsáveis pela negociação. O isolamento é geralmente 
realizado com fita zebrada, estabelecendo uma linha de polícia.
Primeira alternativa tática – Negociação
Após realizar a contenção e o isolamento, a primeira alternativa tática é a negociação, 
fundamental no gerenciamento de crises. Qualquer profissional de Segurança Pública pode 
iniciar essa etapa, não sendo necessário ser um negociador especializado. A negociação deve 
começar rapidamente para evitar medidas prejudiciais durante os momentos iniciais da crise, 
quando tanto as autoridades quanto os perpetradores estão tensos. As informações iniciais 
podem ser cruciais para uma análise mais precisa da situação.
Técnicas não letais
Após falhar a negociação, outra abordagem doutrinária para gerenciar uma crise é o uso de 
técnicas não letais. Essas técnicas visam resolver conflitos ou realizar diligências policiais sem 
causar mortes ou danos graves. Elas incluem armas, munições e equipamentos desenvolvidos 
para incapacitar sem causar ferimentos graves. O uso dessas técnicas requer habilidades 
técnicas para garantir sua eficácia e evitar danos irreparáveis.
Tiro de comprometimento
O tiro de comprometimento é uma das possíveis soluções para uma crise, envolvendo o uso de 
força letal contra os perpetradores. No entanto, sua aplicação requer considerações 
meticulosas, especialmente quando há múltiplos tomadores de reféns, exigindo precisão e 
avaliação cuidadosa dos riscos envolvidos.
Intervenção tática
A intervenção tática é a última opção em um gerenciamento de crise e envolve o uso de força 
letal. É uma alternativa arriscada que requer extremo cuidado, pois coloca em risco tanto os 
tomadores de reféns quanto os profissionais de segurança. Deve ser empregada apenas quando 
a vida dos reféns está severamente ameaçada e não há outra alternativa para evitar mortes.
Perímetros táticos do local de crise
É crucial estabelecer perímetros táticos ao lidar com uma crise, começando pelo isolamento do 
ponto crítico. Um isolamento eficaz facilita o gerenciamento da crise e aumenta as chances de 
uma resolução positiva. A falta de definição dos perímetros táticos pode resultar em caos e falta 
de controle na situação.
O perímetro tático interno
O perímetro tático interno é uma área restrita, conhecida como zona estéril, onde apenas os 
perpetradores da crise, os reféns (se houver) e os profissionais de Segurança Pública 
designados podem permanecer. É crucial manter a área livre de curiosos, exigindo vigilância 
ostensiva dos agentes de segurança para evitar violações. O efetivo regular do órgão é 
responsável por essa vigilância, mas deve permanecer atento para evitar falhas que possam 
comprometer o gerenciamento da crise.
O perímetro tático externo
O perímetro tático externo é uma área que separa o perímetro interno da área acessível ao 
público e à mídia, conhecida como zona tampão. Nele, estão localizados o posto de comando do 
comandante da cena de ação, o posto de comando tático da Unidade de Intervenção Tática e 
outros elementos como grupo de apoio técnico, inteligência, negociadores, atendimento médico 
e porta-voz. Nessa área, é permitida a presença de agentes não envolvidos diretamente no 
gerenciamento do evento crítico. Cada evento de crise requer uma adaptação específica aos 
seus requisitos.
Posto de comando
O posto de comando é crucial para o gerenciamento de uma crise, garantindo ao gerente o 
conforto necessário para reuniões com a equipe. Deve estar localizado dentro do perímetro 
externo, separado do posto de comando tático (PCT), para evitar interferências. Apesar de não 
haver uma regra fixa, sua configuração deve adequar-se à complexidade da crise.
Componentes de uma equipe
Uma equipe de gerenciamento de crise deve ser composta por:
1. Elemento de comando - o gerente da crise.
2. Elementos operacionais - equipe de negociadores, equipe de vigilância técnica/inteligência e 
unidade de intervenção tática.
3. Elementos de assessoria - incluindo assessores legais e de mídia, além de outros especialistas 
conforme a necessidade do caso.
4. Elementos de apoio - responsáveis por fornecer suporte administrativo e atender às 
necessidades básicas da equipe.
Ensinamentos doutrinários do FBI
Após entender os componentes de uma equipe de gerenciamento de crise, é importante 
considerar os ensinamentos doutrinários do FBI sobre a instalação de um posto de comando 
(PC). O instrutor Donald A. Basset, no curso da SENASP (2008), destaca alguns princípios 
fundamentais:
1. Definição de um PC: uma organização com uma cadeia de comando baseada na divisão de 
trabalhos e tarefas pré-determinados.
2. Necessidade de instalação: ocorre quando o número de pessoas envolvidas excede a 
capacidade do gerente da crise em administrá-las.
3. Requisitos básicos de um PC: incluem disponibilidade de comunicação, segurança com 
isolamento do público externo, boas acomodações e infraestrutura, proximidade ao ponto 
crítico, fácil acesso para as equipes de gerenciamento e um ambiente tranquilo para o gerente 
da crise.
Teatro de operações e suas dificuldades
Durante o gerenciamento de uma crise, os órgãos de Segurança Pública enfrentam diversas 
dificuldades, incluindo:
- A necessidade contínua de manter o isolamento do local;
- Equipamentos obsoletos ou inadequados para lidar com a crise;
- Dificuldade em localizar autoridades solicitadas pelos perpetradores, como juízes;
- Interferências externas;
- Falta de autonomia dos órgãos de Segurança Pública;
- A imprensa pode ser uma aliada se bem conduzida, mas também pode representar um desafio.
As Fases de Gerenciamento de um Evento Crítico
Introdução
A doutrina dividiu o gerenciamento de crises em fases cronológicas para melhor eficiência. As 
fases são: Pré-confrontação, Resposta Imediata, Plano específico, Resolução e, posteriormente, 
a pós-confrontação. Este estudo apresentará um caso prático ocorrido na penitenciária de 
Contagem, Minas Gerais, com o objetivo de fornecer subsídios instrutivos e acadêmicos, sem 
desrespeitar qualquer pessoa ou instituição envolvida.
Pré-confrontação
A fase de Pré-confrontação, que ocorre antes da crise, é dedicada à preparação, prevençãoe 
antecipação de crises futuras. Os órgãos de Segurança Pública se preparam com arranjos 
técnicos, aquisição de equipamentos atualizados e seleção de pessoal para grupos táticos. Além 
disso, enfatiza-se a importância de antecipar possíveis crises.
Pré-confrontação – continuação
Durante a fase de Pré-confrontação, destaca-se a importância da antecipação e prevenção de 
crises futuras. Um exemplo disso é evidenciado em uma ocorrência policial em que detentos 
renderam uma equipe de cinegrafistas e policiais militares desarmados dentro de um pavilhão 
desativado. Isso ressalta a necessidade de medidas preventivas adequadas, como ter agentes 
penitenciários em vez de policiais militares para garantir a segurança da equipe de reportagem.
Resposta imediata
Após a fase de Pré-confrontação, ocorre a Resposta Imediata, que se inicia quando o órgão de 
Segurança Pública toma conhecimento da crise. Nessa fase crítica, o primeiro profissional 
presente no local desempenha um papel crucial ao adotar medidas como conter, isolar e 
negociar, além de acionar o grupo especializado para lidar com a crise. Essas fases estão 
interligadas, destacando a importância de uma ação rápida e coordenada diante da situação 
estressante.
Resposta imediata – continuação
No desdobramento da Resposta Imediata, diversas viaturas e policiais responderam ao chamado 
no presídio, incluindo um coronel cuja esposa foi feita refém. O coronel, emocionalmente 
afetado, liderou as negociações e foi trocado pela esposa, desobedecendo ao princípio de não 
trocar reféns. Além disso, outros coronéis, emocionalmente influenciados, assumiram as 
negociações, ignorando a equipe técnica responsável, o que resultou na retirada da equipe 
especializada e na entrega de um carro-forte aos sequestradores em troca da libertação de 
civis, enquanto os militares continuavam reféns. Essas ações violaram os princípios doutrinários, 
já que os negociadores não deveriam ter autoridade decisória, especialmente considerando a 
alta patente dos coronéis envolvidos.
Plano específico
Não havia um plano específico de gerenciamento da crise, como evidenciado pela falta de 
previsão de ação pelos negociadores. Após mais de 10 horas de deslocamento até Juiz de Fora, 
durante o qual as viaturas ficaram sem combustível, foram cedidas armas e outros equipamentos 
aos sequestradores. A situação demonstrou falta de controle e desvio dos princípios 
doutrinários, incluindo a concessão de armamento aos criminosos. Essa história destaca a 
necessidade de preparo dos órgãos de Segurança Pública para situações imprevistas, como o 
abastecimento de viaturas em locais não previamente designados.
Plano específico – continuação
No plano específico, começa-se a considerar soluções para a crise. Reforçam-se as medidas de 
contenção e isolamento, que, no caso analisado, não foram implementadas inicialmente. Os 
negociadores iniciais, diante da falta de preparo, foram substituídos pela equipe técnica do COE. 
A decisão de resolver a crise é tomada nesta fase, intensificando o treinamento para evitar 
contratempos. Exemplifica-se com a retomada da embaixada do Japão em Lima, Peru.
Resolução
Na fase de resolução, o plano específico deve ser colocado em prática. No estudo de caso 
analisado, não houve execução de nenhum plano, pois os sequestradores decidiram se render 
inesperadamente. Após negociações, os sequestradores libertaram o coronel e se renderam, 
encerrando a crise. No entanto, algumas ações adotadas pelos policiais, como o sacrifício de 
gatos para causar desconforto aos sequestradores, levantaram questões éticas e legais. Este 
caso destaca a importância de adotar ações moralmente aceitas e legais durante crises.
Resolução – continuação
Na resolução de uma crise, devemos adotar medidas específicas dependendo do desfecho:
- Em caso de rendição, é crucial agir com cautela para evitar surpresas desagradáveis.
- Se for necessário o uso de força letal, as ações incluem incapacitar os sequestradores, 
controlar os reféns (se houver), manter o local sob controle, socorrer os reféns, evacuá-los e 
seus sequestradores para locais seguros e identificar com segurança todos os reféns.
Pós-confrontação
Após o término da crise, é essencial realizar a recomposição dos recursos utilizados e preencher 
a documentação necessária. Além disso, é crucial fornecer apoio, inclusive psicológico, aos 
profissionais de Segurança Pública afetados. Medidas padrão devem ser tomadas, e uma reunião 
pós-crise deve ser agendada para avaliar os pontos positivos e negativos e melhorar os 
procedimentos futuros.
Elementos do Uso da Força
O uso da força
Em dezembro de 2010, a Portaria Interministerial n.º 4.226 unificou os conceitos sobre o uso da 
força, estabelecendo definições claras. Destacamos dois conceitos cruciais: "força", como 
intervenção coercitiva para preservar a ordem pública, e "uso diferenciado da força", que 
envolve selecionar o nível apropriado de resposta a uma ameaça, visando minimizar danos.
O uso de algemas
A súmula do Supremo Tribunal (súmula vinculante 11) restringe o uso de algemas em operações 
midiáticas, visando preservar a segurança dos envolvidos. Profissionais de Segurança Pública 
devem estar cientes das limitações impostas pela súmula para evitar responsabilizações caso 
utilizem algemas de forma inadequada.
Responsabilidades
Destacam-se três tipos de responsabilidades: disciplinar civil (ou militar), penal e cível. A 
responsabilidade disciplinar varia conforme o regulamento de cada instituição. A 
responsabilidade civil recai sobre o Estado, mas o agente pode ser alvo de ação regressiva. Já a 
responsabilidade penal requer mais atenção.
O uso indevido de algemas
Alguns juristas sugerem que o uso indevido de algemas pode ser considerado como crime de 
abuso de autoridade, conforme a lei n.º 4.898/65. No entanto, esse crime requer dolo efetivo, o 
que pode ser difícil de provar. Caso o termo circunstanciado de ocorrência seja elaborado 
indevidamente contra um profissional de Segurança Pública, qualificando-o no crime de abuso 
de autoridade sem dolo, quem elaborou o termo estará cometendo abuso de autoridade. Em vez 
disso, a opção seria encaminhar uma reclamação ao STF, conforme o art. 103-A, §3º da 
Constituição.
Modelos de uso diferenciado da força
A doutrina ao longo dos anos tem proposto diversos modelos para o uso diferenciado da força, 
cada um com um nome associado ao autor. Esses modelos são detalhados na apostila do curso 
do Uso Diferenciado da Força da SENASP (2008, p. 5, módulo 2).
Modelo FLETC
O Modelo FLETC, aplicado pelo Centro de Treinamento da Polícia Federal de Glynco, EUA, utiliza 
uma escada para determinar as medidas a serem tomadas com base na percepção do 
profissional de Segurança Pública durante um evento crítico.
Modelo Giliespie
O Modelo Gillespie, apresentado no livro "Police – use of force – A line officer’s guide" de 1998, 
é dividido em colunas que representam a postura do agente criminoso na parte superior e a 
reação do profissional de Segurança Pública na parte inferior.
Modelo Remsberg
O Modelo Remsberg, do livro "The tactical edge – surviving high-risk patrol" de 1999, apresenta 
uma gradação na postura que o profissional de Segurança Pública deve adotar, usando o 
equipamento correspondente ou até mesmo sem equipamento, variando do menor grau até a 
utilização da arma de fogo. Este modelo enfatiza a postura do agente e a possibilidade de 
verbalização, mas não faz análise sobre a postura do agente criminoso.
Modelo canadense
No Modelo Canadense, são utilizados círculos concêntricos para ilustrar a ação do profissional 
de Segurança Pública em relação ao agente provocador do evento crítico. As reações variam de 
medidas amenas até o uso da arma letal, incluindo medidas intermediárias e não letais.
Modelo Nashville
O Modelo Nashville, usado pela Polícia Metropolitana de Nashville, EUA, emprega um plano 
cartesiano da Matemática. No eixo horizontal, estão os fatores de sujeição do perpetrador da 
crise,enquanto no eixo vertical estão as posturas que o profissional de Segurança Pública deve 
adotar em resposta às ações percebidas do perpetrador da crise.
Modelo Phoenix
O Modelo Phoenix apresenta uma abordagem simples, com duas colunas representando a 
postura do profissional de Segurança Pública em relação ao agente perpetrador da crise. É 
crucial manter uma proporção adequada entre a ação do causador da crise e a reação do 
profissional de Segurança Pública, garantindo o uso moderado dos meios. É importante entender 
os níveis de força que um profissional de Segurança Pública pode empregar.
Níveis de força
Os níveis de força que um profissional de Segurança Pública pode usar são definidos de acordo 
com a resistência apresentada pela pessoa abordada:
1. Cooperativo: A pessoa abordada coopera e respeita as instruções do profissional.
2. Resistência passiva: A pessoa dificulta o trabalho do profissional com questionamentos ou 
comportamentos que não são agressivos.
3. Resistência ativa: A pessoa apresenta comportamento agressivo, podendo ser não letal (sem 
armas) ou letal (com armas), exigindo uma reação proporcional.
Nível de resposta do profissional de Segurança Pública
Os níveis de resposta do profissional de Segurança Pública são definidos de acordo com a 
situação apresentada:
1. Nível Primário:
 - Presença ostensiva do profissional, que pode inibir o delito apenas pela sua presença.
 - Verbalização adequada, utilizando comunicação falada de acordo com a necessidade do 
caso.
2. Nível Secundário:
 - Controle de Contato: Técnicas preliminares de defesa pessoal para iniciar o diálogo.
 - Controle Físico: Utilização de técnicas de dominação para salvaguardar a integridade, sem 
uso de armamento letal.
 - Controle com IMPO (instrumentos de menor potencial ofensivo): Uso de equipamentos como 
bastão, gás, algemas, entre outros.
 - Uso dissuasivo de armas de fogo: Mostrar a arma de fogo como medida dissuasória, sem 
necessariamente dispará-la.
3. Nível Terciário:
 - Uso da arma de fogo como última opção, visando proteger a integridade física do profissional 
ou de terceiros, quando todas as outras medidas falharam.
Armas não letais (menos letais)
Armas menos letais são utilizadas pelos organismos de Segurança Pública brasileiros e incluem:
1. Gás lacrimogêneo: Utilizado para controle de distúrbios civis, causa irritação na visão e na 
garganta.
 
2. Granadas de luz e som: Produzem som alto e luz intensa para dispersar multidões.
3. Arma Eletrônica de Atordoamento (taser): Causa incapacidade temporária e perda de controle 
muscular.
4. Projétil de borracha: Usado para conter tumultos, mas deve ser direcionado com cuidado para 
evitar lesões graves.
5. Spray de pimenta: Causa irritação nos olhos e nas vias respiratórias, usado como arma de 
defesa pessoal ou para dispersar tumultos.

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