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20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 1/45 Arbitragem Prof. João Luiz Lessa de Azevedo Neto Descrição A arbitragem como meio adequado de solução de conflitos e suas características gerais, contratuais e procedimentais. Propósito A arbitragem é uma importante forma de resolução de disputas, inserindo-se no contexto de um modelo de justiça civil multiportas que se afirma no Brasil. Sua utilização é crescente não apenas em casos empresariais, mas também na área trabalhista e em disputas envolvendo a Administração Pública. Conhecer o instituto é fundamental para o operador do Direito. Preparação Antes de iniciar os estudos, tenha em mãos o Código de Processo Civil e a Lei de Arbitragem (Lei nº 9.307/1996) para a devida compreensão do conteúdo. Objetivos Módulo 1 Características da arbitragem Reconhecer os conceitos fundamentais da arbitragem. Módulo 2 Convenção de arbitragem 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 2/45 Convenção de arbitragem Analisar a convenção de arbitragem. Módulo 3 Procedimento arbitral Identificar os aspectos funcionais do procedimento arbitral. Resolver conflitos é fundamental para a segurança jurídica, o desenvolvimento econômico e a vida em sociedade. Ao lado da prestação jurisdicional ofertada pelo Estado, por meio do Poder Judiciário, colocam-se os mecanismos privados (não estatais) de resolução de disputas. Alguns desses mecanismos repousam seu funcionamento na busca por consenso e construção de soluções autocompositivas, como a mediação e a conciliação. A arbitragem, contudo, coloca-se como meio heterocompositivo e jurisdicional de resolução de disputas. O árbitro julga a causa que lhe é posta pelas partes, prolatando uma sentença final e vinculante para as partes, que constitui título executivo judicial hábil para a execução forçada, caso não seja cumprido espontaneamente. As partes capazes podem escolher a arbitragem para a solução de disputas envolvendo direitos patrimoniais disponíveis, optando por sair da esfera da jurisdição estatal. Ao fazê-lo, elas buscam um sistema processual de julgamento que proporcione maior celeridade na condução da causa, confidencialidade e discrição, especialização do julgador, maior flexibilidade e adaptabilidade procedimental, além de uma maior facilidade para sua execução no campo internacional (o que é propiciado pela Convenção de Nova York de 1958). A opção pela arbitragem se dá por meio de um contrato, designado genericamente como convenção de arbitragem, mas seu funcionamento desenvolve-se como um processo contencioso, permeado pelas garantias inerentes ao princípio fundamental do devido processo legal. Isso significa que a autonomia da vontade está na raiz da opção pela arbitragem. Ela deriva de um negócio jurídico, mas seu desenvolvimento se dá em uma atividade tipicamente jurisdicional, conduzida pelo árbitro e tendente à prolação da sentença arbitral, para a solução da controvérsia e julgamento da causa (LESSA NETO, 2016, p. 32). Introdução 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 3/45 1 - Características da arbitragem Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos fundamentais da arbitragem. Métodos adequados de solução de con�itos e arbitragem Resolução adequada de con�itos (ADR) e arbitragem A vida em sociedade é permeada por conflitos. As relações humanas levam ao surgimento de interesses diferentes e divergentes, havendo disputas no âmbito social. O Direito procura regrar a vida social, estabelecendo: Regras Expectativas de conduta contrafáticas. Mecanismos de sanção Em caso de descumprimento das regras. O Estado, ao declarar-se centro de juridicidade, procurou afirmar a jurisdição (aplicação do Direito) como uma prerrogativa sua, manifestação própria de sua soberania. Por isso, o Poder Judiciário (e o correlato processo estatal) se colocou como o meio de resolver disputas com a aplicação do Direito (monopólios da jurisdição e da legalidade). Contudo, a resolução de conflitos não está limitada, rigorosamente, à atuação do Estado. A vida em sociedade é muito mais complexa. Existem formas de solução de conflitos que são eminentemente privadas, conformando-se como fenômeno social e se apresentando independentemente dos quadros formais do Direito Estatal, embora possam ser previstas e reguladas na lei. Vejamos: Alguns desses meios têm a busca pelo consenso (construção de acordos negociados) como sua característica 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 4/45 central, a exemplo da mediação, da conciliação e da avaliação por terceiro imparcial. Outros pressupõem o efetivo julgamento vinculante por um terceiro, como ocorre com a arbitragem. Existem, na verdade, vários mecanismos possíveis com maior ou menor poder decisório para o agente neutro que atua para a resolução de conflitos. Esses meios de resolução de conflitos são marcados pelo seu funcionamento fora dos quadros do Estado e, por isso mesmo, durante muito tempo foram designados como meios alternativos de resolução de disputas, para significar que estariam em alternativa à atuação do Poder Judiciário, daí a sigla ADR (do inglês, Alternative Dispute Resolution). As limitações e dificuldades de implementação pelo Estado de um serviço público de justiça que funcione bem, no interesse da sociedade, assim como o reconhecimento do persistente estado de crise do Poder Judiciário, com a ineficiência do processo estatal (crise da justiça e dificuldades correlacionadas ao acesso à justiça), fomentaram a discussão sobre a integração de meios de resolução de conflitos, com o estímulo pelo próprio Estado da utilização pelos cidadãos dos meios privados de resolução de disputas. A partir da década de 1970, tiveram início as discussões sobre acesso à justiça e reforma da lógica de funcionamento do Poder Judiciário. Procurando melhorar o serviço público de justiça e pacificar os conflitos de maneira mais efetiva, entendeu-se que não seria correto indicar o processo estatal como meio de resolver conflitos e que haveria algumas alternativas. Existem vários meios adequados para resolver conflitos e todos eles devem ser utilizados e estimulados, considerando suas características funcionais e as necessidades de cada caso. A partir dessa concepção, deixa-se de falar em alternativas ao processo estatal para se compreender que existem várias técnicas adequadas ou apropriadas para resolver disputas, cada uma a ser utilizada em certa situação, e o ADR ganha um novo significado (Adequate Dispute Resolution). Assim, surgiu a noção de um processo civil multiportas, com o 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 5/45 encaminhamento de cada caso para a “porta” ou o meio mais adequado para sua solução (LESSA NETO, 2015, p. 431). Arbitragem, processo civil e outros meios de resolução de con�itos O que é a arbitragem? Neste vídeo, o professor discorre sobre o que é a arbitragem, fazendo um panorama sobre suas principais características. Como indicado, alguns meios de resolução de conflitos buscam a autocomposição das partes. A maneira mais elementar de se resolver qualquer disputa, no sentido de não requerer a participação de terceiros, é por meio da negociação direta entre as partes. Contudo, muitas partes não conseguem ― ou não querem ― conversar diretamente ou avançar em tratativas que procurem uma solução mutuamente aceitável. É para facilitar a construção do consenso e propiciar uma negociação mais assertiva, por exemplo, que atuam o mediador e o conciliador. Por isso, mediação e conciliação são técnicas de negociação assistida. A arbitragem, contudo, funciona em outra lógica. Na arbitragem, a vontade das partes é importante para a opção por sua utilização, mas o mecanismo se desenvolve em um processo jurisdicionalda arbitragem ou da substituição do árbitro. As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a sentença final. Saiba mais Também é comum que os regulamentos de arbitragem estabeleçam o prazo para a prolação da sentença arbitral, normalmente tendo como marco inicial de contagem o término da fase instrutória. A sentença é sempre expressa em documento escrito, não se admitindo forma verbal. Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: 1. O relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio; 2. Os fundamentos da decisão, em que serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade; 3. O dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso; 4. A data e o lugar em que foi proferida (art. 26 da Lei de Arbitragem). Normalmente, a sentença consiste em documento único, subscrita por todos os árbitros, não havendo um modelo de colheita de votos, como acontece nos acórdãos judiciais. Mas o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. Atenção! Caso algum dos árbitros não possa ou não queira assinar a sentença, caberá ao presidente do tribunal arbitral certificar tal fato. Proferida a sentença arbitral final, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Recorribilidade da sentença arbitral 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 40/45 Recorribilidade da sentença arbitral No prazo de 5 (cinco) dias a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que corrija qualquer erro material da sentença arbitral ou esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Ou seja, é possível que as partes peçam a integração ou a correção de erros materiais na sentença, cabendo ao árbitro decidir em 10 (dez) dias, notificando as partes de sua decisão e, conforme o caso, aditando a sentença arbitral. A sentença arbitral não se submete a recurso ou a qualquer tipo de homologação pelo Poder Judiciário, produz seus efeitos imediatamente após sua prolação, dimanando eficácia executiva. É possível, contudo, que a parte vencida na arbitragem mova uma ação judicial para anular a sentença arbitral. O objeto dessa ação nunca será rever o mérito, o conteúdo material, do quanto decidido pelo árbitro; esta é uma análise vedada ao Poder Judiciário. Mas, estabelece-se um controle da legalidade quanto aos aspectos formais da sentença e do procedimento, só podendo a sentença arbitral ser anulada nas hipóteses taxativamente estabelecidas no art. 32 da Lei de Arbitragem. A ação anulatória deve ser proposta no prazo decadencial de 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão de pedidos de esclarecimentos, conforme o caso. Trata-se de ação judicial por procedimento comum, a ser proposta em 1º grau de jurisdição, conforme regras ordinárias de competência. A parte interessada pode, igualmente, requerer que seja reconhecida a nulidade da sentença arbitral em sede de impugnação ao cumprimento de sentença. A decisão judicial que reconhecer a nulidade da sentença arbitral determinará, conforme o caso, que o árbitro profira nova sentença, sanado o vício. Ou seja, não se trata, ordinariamente, de substituição da decisão arbitral por decisão judicial no âmbito da ação anulatória de sentença arbitral. Saiba mais Caso não seja decidido algum pedido formulado pela parte, devidamente submetido à arbitragem, a parte interessada poderá propor ação judicial para requerer que seja prolatada sentença arbitral complementar, considerando a existência de omissão do árbitro. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 41/45 Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! Cooperação entre juízes e árbitros Módulo 3 - Vem que eu te explico! Recorribilidade da sentença arbitral Todos Módulo 1 - Video O que é a arbitragem? Módulo 2 - Video Espécies de convenção de arbitragem Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Todos Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Questão 1 Identifique a opção correta sobre a arbitragem: A Considera-se instalada a arbitragem no momento de seu requerimento, pela parte interessada, perante a instituição responsável pela administração do procedimento 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 42/45 a instituição responsável pela administração do procedimento. B A arbitragem se desenvolve em um procedimento específico e rígido, previsto e preordenado na Lei de Arbitragem. C Os árbitros detêm poderes para conduzir o procedimento arbitral, garantindo a isonomia e o contraditório, podendo determinar a produção de provas de ofício. D A sentença arbitral é a decisão que põe fim ao processo arbitral, cabendo recurso ao Judiciário para análise de sua nulidade, no prazo de 90 (noventa) dias. E Terceiros em relação ao procedimento arbitral não estão obrigados a com ele colaborar, posto que não celebraram ou se vinculam à convenção de arbitragem, por isso a coleta de prova testemunhal depende da voluntariedade dos participantes. Parabéns! A alternativa C está correta. Os árbitros são juízes de fato e de direito da causa, podendo determinar as provas necessárias para seu julgamento e instrução, com poderes, inclusive, para determinar de ofício as providências probatórias adequadas. Questão 2 Identifique a opção correta sobre a arbitragem: A Pela regra da competência-competência, atribui-se ao juiz estatal a preferência para a prolação de decisões sobre a existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem. B Não existe diferença no tratamento jurídico da sentença arbitral considerando o local de seu proferimento, para fins de execução, posto que a arbitragem é uma jurisdição privada. C A instrução probatória na arbitragem é menos importante do que no processo judicial, considerando a possibilidade de julgamento do caso por equidade. D A sentença arbitral prescinde da assinatura dos árbitros. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 43/45 Considerações �nais A arbitragem é um mecanismo jurisdicional de solução de controvérsias, que se insere atualmente no contexto de justiça civil multiportas, sendo um método adequado de solução de controvérsias. É a autonomia da vontade que marca a opção pela utilização do instituto, que decorre de um contrato, mas que se desenvolve em um processo contencioso, no qual são asseguradas as garantias inerentes ao devido processo legal. O conflito é resolvido com a prolação de uma sentença final e vinculante, que não se sujeita a recurso ou à homologação perante o Poder Judiciário, consistindo em título executivo judicial. A arbitragem é um mecanismo em crescente utilização, particularmente em contratos e operações de maior valor ou maior complexidade técnica, bem como em operações internacionais. Podcast Neste podcast, o especialista cuidará do conceito de arbitragem e de suas principaiscaracterísticas. E As partes devem arcar com as despesas do procedimento arbitral, cabendo à sentença decidir sobre a responsabilidade das partes acerca de seu pagamento. Parabéns! A alternativa E está correta. A sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver, nos termos do art. 27 da Lei de Arbitragem. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 44/45 Referências CARMONA, Carlos Alberto. Arbitragem e jurisdição. In: Revista de Processo. São Paulo: RT, 1990, v. 58. CARMONA, Carlos Alberto. Arbitragem e processo: um comentário à Lei nº 9.307/96. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. DINAMARCO, Cândido Rangel. A arbitragem na teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros, 2013. GUERRERO, Luis Fernando. Convenção de arbitragem e processo arbitral. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2019. LESSA NETO, João Luiz. O NCPC adotou o processo multiportas! E agora?! In: Revista de Processo. São Paulo: RT, 2015, v. 244. LESSA NETO, João Luiz. 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Curso Básico de Direito Arbitral - Teoria e Prática. 7. ed. Juruá, 2021. Baixar conteúdo javascript:CriaPDF()no qual o árbitro prolatará uma sentença, decisão final e vinculante, não sujeita a recursos, que é um título executivo judicial. Por isso, dos meios de ADR, a arbitragem é o que guarda maior similitude com o processo civil estatal, justamente por ser um método heterocompositivo e jurisdicional. As partes têm a liberdade de optar por usar – ou não – a arbitragem, e podem também convencionar sobre aspectos importantes do procedimento (o que igualmente é possível, em boa medida, para o processo judicial, por intermédio dos negócios processuais), mas a solução do conflito é dada por um 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 6/45 terceiro imparcial, o árbitro. As partes se submetem ao julgamento outorgado pelo árbitro. Atenção! Arbitragem consiste, então, em um mecanismo privado de resolução de disputas no qual as partes escolhem, por meio de um negócio jurídico, um terceiro imparcial para julgar causa relativa a direitos patrimoniais disponíveis de maneira definitiva e vinculante, após o desenvolvimento de um processo em contraditório e observando as garantias do devido processo legal. A arbitragem decorre de um negócio jurídico – chamado genericamente de convenção de arbitragem –, mas desenvolve-se em um processo. A solução do conflito não é negociada, mas adjudicada pelo árbitro. As partes concordam, previamente, em se vincular e cumprir aquilo que venha a ser decidido pelo árbitro, nos limites dos pedidos que forem formulados. O árbitro detém jurisdição, ou seja, a possibilidade de julgar o conflito, aplicando o direito (ou até mesmo equidade, conforme o caso) à espécie (CARMONA, 1990). Nessa medida, a figura do árbitro aproxima-se da do juiz. Não por acaso, a Lei de Arbitragem, em seu artigo 18, indica que o árbitro é juiz de fato e de direito da causa. O árbitro, assim, deve atuar de maneira imparcial e desinteressada na condução do procedimento e no julgamento da controvérsia, conduzindo o procedimento e primando pelas garantias decorrentes do devido processo legal. A arbitragem, então, a depender do momento em que se considere, poderá ser compreendida como um fenômeno eminentemente: Contratual Tendo como foco a convenção de arbitragem e semelhantemente a aceitação pelo árbitro do encargo de julgar a causa. Jurisdicional Considerando o processo arbitral em si, permeado pela garantia de participação em contraditório pelas partes e prolação de uma sentença jurisdicional. Características da arbitragem Características e opção pela utilização da arbitragem Como jurisdição privada que é, a opção pela utilização da arbitragem implica para as partes uma renúncia à utilização da jurisdição estatal. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 7/45 Mas o que leva as partes a fazer essa escolha? Algumas características do instituto o tornam atraente para os usuários: Especialidade Flexibilidade Maior facilidade de execução internacional Confidencialidade Celeridade Melhor custo-benefício Possibilidade de escolha do árbitro Uma inegável vantagem da arbitragem é a possibilidade de escolha de um especialista na questão discutida para a resolução dela. Os juízes estatais possuem, em decorrência da própria conformação de sua carreira, uma vocação generalista, atuando em diversos temas e cuidando de diferentes assuntos. Além disso, sua expertise técnica está restrita ao conhecimento jurídico. Não há, também, possibilidade de as partes escolherem o seu juiz, isso porque a designação do caso no âmbito judiciário se submete às regras de competência e a sorteio por distribuição livre, de maneira a garantir o chamado juiz natural. Na arbitragem, todavia, as partes podem escolher o árbitro. E essa escolha pode – e deve – 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 8/45 g , , p p p considerar sua expertise técnica. O árbitro não precisa ser advogado ou formado em Direito, o requisito legal é apenas que seja capaz e que tenha a confiança das partes (art. 13 da Lei de Arbitragem). Por isso, é possível que as partes se valham de um especialista na matéria em questão, inclusive, mas não apenas, nas regras aplicáveis ou em certo ramo do Direito. Podem, também, escolher alguém que conheça do setor da indústria (por exemplo, alguém com atuação no ramo de franquias ou na indústria aeronáutica) ou outra formação acadêmica (um contador, economista, engenheiro, por exemplo). Atenção! Essa possibilidade de escolha de um especialista tendencialmente propicia decisões com maior qualidade e precisão técnica. A própria liberdade de escolha dos árbitros é um exemplo de sua flexibilidade. Mas a flexibilidade da arbitragem se faz notar, também, em outros aspectos. Não é exagero dizer que as partes podem moldar, adequar o procedimento e as regras atinentes ao mérito de sua controvérsia com uma largueza de atuação ímpar. É possível que as partes escolham se o caso será julgado pela lei (e qual será a lei aplicável), escolhendo as regras de direito que serão aplicadas, tendo como limite apenas os bons costumes e a ordem pública (art. 2º, § 1º, da Lei de Arbitragem), ou se os árbitros deverão decidir com base na equidade (art. 2º da Lei de Arbitragem), ou, ainda, poderão convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais do Direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais do comércio. Apenas nos casos que envolvam a administração pública é que a arbitragem deverá, necessariamente, ser de Direito (art. 2º, § 3º, da Lei de Arbitragem). Outra manifestação da flexibilidade da arbitragem está na possibilidade de delineação e escolha do procedimento arbitral, para que atenda aos interesses das partes. Elas podem fazê-lo com a escolha do regulamento de alguma instituição arbitral ou por meio de livre contratação do procedimento, sendo possível a utilização de algum regulamento modelo de arbitragem, como o ofertado pela Uncitral (Comissão das Nações Unidas para o Comércio Internacional). A flexibilidade é notória ao se pensar no instituto da arbitragem, justamente por a autonomia da vontade ser uma premissa fundamental para a escolha do instituto e seu modo de ser. Benefícios do procedimento arbitral Facilidade de execução da sentença arbitral e celeridade procedimental Outra característica e fator de atratividade da arbitragem é a maior facilidade para execução da sentença arbitral no plano internacional. Não existem critérios amplamente compartilhados pela generalidade dos países para que a sentença (ou acórdão) judicial seja executada em um país estrangeiro. Isso significa que poderão existir dificuldades para executar uma decisão judicial no exterior, já que a matéria dependerá de algum tratado específico entre os países 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 9/45 envolvidos ou mesmo a aplicação de reciprocidade internacional. A situação é bem diferente para a sentença arbitral. Sob os auspícios das Nações Unidas (Uncitral), em 1958, foi elaborada a Convenção de Nova York sobre o Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras. Trata-se de uma convenção amplamente adotada, contando com mais de 160 países signatários. O Brasil promulgou internamente a convenção pelo Decreto nº 4.311, de 23 de julho de 2002, sendo ela parte do ordenamento jurídico brasileiro. Isso significa que as regras e os critérios para reconhecimento e execução de uma sentença arbitral prolatada em outro país são bem conhecidos e claros, facilitando o comércio internacional e tornando a arbitragem uma ferramenta importante para a gestão de riscos em contratos internacionais. A arbitragem desenvolve-se em um ambiente privado, não sendo conduzida pelo Estado, por meio do Poder Judiciário. Por isso ela não se submente às regras de garantia da publicidade que valem para o processo judicial, com dignidade de norma fundamentalprevista no art. 5º, LX, da Constituição Federal. Atenção! Embora a Lei de Arbitragem não estabeleça que a arbitragem será confidencial, é comum que as partes estipulem nesse sentido, o que é previsto nos regulamentos de diversas instituições ou de centros de arbitragem. O Código de Processo Civil estabelece que o processo judicial que cuide de algum tema relacionado à arbitragem será confidencial se a arbitragem também o for (art. 189, IV, do CPC). A confidencialidade é importante por permitir que o contencioso se dê sem exposição ao público, sem revelação ou vazamento de informações importantes, sensíveis ou estratégicas para as partes, preservando-as. Saiba mais Os casos que envolvam a administração pública, entretanto, devem sempre respeitar o princípio da publicidade (art. 2º, § 3º, da Lei de Arbitragem). A arbitragem é um mecanismo mais célere e eficiente que o processo judicial. Um processo arbitral tende a durar bem menos tempo que uma demanda no judiciário, seja pela ausência de mecanismos recursais, que prolongariam a litispendência do conflito, seja pela maior disponibilidade de tempo dos árbitros para conduzir a causa. Quem tem um 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 10/45 conflito pretende vê-lo dirimido no menor tempo e com a melhor qualidade possível. A arbitragem, como qualquer atividade e prestação de serviços, envolve custos. As partes têm que pagar os honorários dos árbitros, da instituição que administre o procedimento, do perito e outros profissionais, além de arcar com outras despesas inerentes ao procedimento (locação de espaço, despesas postais, traduções, estenotipistas). Não existe, adicionalmente, a possibilidade de gratuidade da justiça ou assistência judiciária. Atenção! Como mecanismo privado que é, as partes precisam assumir os custos e as despesas do procedimento. Isso faz com que o dispêndio financeiro com o processo arbitral possa, algumas vezes, ser maior do que aquele que as partes teriam em uma demanda judicial. A escolha pela arbitragem, então, deve considerar o custo-benefício de sua utilização em determinado caso. A características do instituto o tornam desejável para determinada situação, considerando os custos financeiros envolvidos. Árbitro e instituições arbitrais Âmbito de aplicação da arbitragem A arbitragem pode ser utilizada para a solução de conflitos que envolvam direitos patrimoniais disponíveis, podendo ser contratada por pessoas, físicas ou jurídicas, capazes (art. 1º da Lei de Arbitragem). Isso significa que não é possível arbitragem sobre direitos indisponíveis, que são irrenunciáveis e inalienáveis, como o direito à vida, à liberdade, à saúde ou à dignidade. A patrimonialidade é, também, característica essencial delimitadora do âmbito de atuação da arbitragem, que se volta para direitos que tenham uma apreciação econômica. Os direitos submetidos à arbitragem devem ser passíveis de apreciação patrimonial. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 11/45 Além disso, apenas pessoas capazes podem contratar a arbitragem. Incapazes não podem utilizar do instituto, nem ter a sua vontade suprida com essa finalidade. Durante algum tempo se discutiu (com grande atraso do tema no Brasil) se o Estado, a administração pública em sentido amplo, poderia se submeter à arbitragem para resolver seus conflitos de cunho patrimonial e disponíveis. Resposta A resposta é positiva. Tanto a administração pública direta quanto a indireta podem se valer do instituto para dirimir disputas sobre direitos patrimoniais disponíveis. A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração da convenção de arbitragem é o mesmo para a realização de acordos ou transações, na forma da lei (art. 1º, §§ 2º e 3º, da Lei de Arbitragem). Considerando esses limites subjetivos e objetivos, é a convenção de arbitragem (um contrato) que irá, efetivamente, delimitar quais matérias deverão ser julgadas arbitralmente. Isso significa que há sempre um âmbito para a utilização da arbitragem no contexto de certa relação jurídica. Já não é preciso que a opção pela arbitragem se dê em face de um conflito já existente, sendo plenamente possível a opção pelo mecanismo para disputas futuras e eventuais. Exemplo Mesmo sem saber se haverá alguma disputa decorrente de certo contrato, as partes podem já estabelecer que qualquer eventual disputa será julgada por arbitragem. A análise da convenção de arbitragem, contudo, permitirá a identificação de quais disputas as partes optaram por submeter à arbitragem . O árbitro e as instituições arbitrais O árbitro é um profissional independente escolhido pelas partes para julgar a causa. Pode atuar como árbitro qualquer pessoa capaz, que goze da confiança das partes, tendo o dever de agir de maneira neutra na condução e no julgamento da causa. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 12/45 No desempenho de suas funções, o árbitro deverá agir com imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição, competindo ao árbitro os mesmos deveres e responsabilidades dos magistrados estatais. Ele se equipara aos funcionários públicos para efeitos de aplicação da legislação penal pelos atos ou omissões incorridas (art. 17 da Lei de Arbitragem). O árbitro precisa manifestar sua aceitação em julgar a causa. O simples fato de as partes indicarem alguém como árbitro não traz para o escolhido a obrigação de atuar, que é uma faculdade sua. Essa aceitação do árbitro ou dos membros do tribunal arbitral é um momento muito importante, marcando a instituição da arbitragem e o início, propriamente, da jurisdição arbitral. Isso significa que, a partir da aceitação do encargo de julgar a causa, com a válida instituição da arbitragem, o árbitro assume seus poderes jurisdicionais. Acompanhe as duas assertivas a seguir: Estão impedidos de atuar como árbitro aqueles que tenham para com as partes ou com o litígio quaisquer das situações que caracterizam os casos de impedimento e suspeição dos juízes, consoante disposto no Código de Processo Civil. As partes têm o direito de serem informadas sobre quaisquer circunstâncias que, razoavelmente, possam colocar em dúvida a imparcialidade e independência do árbitro para julgar a causa. Por isso, o árbitro possui o dever de revelação, que deve ser atendido antes de aceitar a função e de iniciar sua atuação como árbitro e que perdura durante todo procedimento. Atenção! O dever de revelação significa que qualquer fato que denote razoável e justificada dúvida sobre sua independência ou imparcialidade deverá ser levado prontamente ao conhecimento das partes. O não cumprimento do dever de revelação representa quebra da confiança pelo árbitro e poderá, inclusive, levar à anulação da sentença arbitral. Cumprido o dever de revelação, as partes não podem recusar a atuação do árbitro, ressalvado, evidentemente, o conhecimento superveniente do fato. A parte que queira arguir a recusa do árbitro apresentará exceção sobre a matéria, diretamente ao árbitro ou ao presidente do tribunal arbitral, deduzindo justificadamente suas razões para a arguição e 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 13/45 apresentando provas. As partes nomearão os árbitros sempre em número ímpar. Caso as partes nomeiem um número par de árbitros, eles estarão, desde logo, autorizados a nomear mais um, para garantir formação ímpar ao tribunal (art. 13, § 2º, da Lei de Arbitragem). Saiba mais É mais comum que as arbitragens sejam conduzidas por árbitros únicos ou por tribunais arbitrais formados por três árbitros. Isso porque o aumento do número de profissionais envolvidos no julgamento tende a torná-lo desnecessariamente oneroso. O árbitro ou tribunal arbitral, normalmente por seu presidente, pode se valer do apoio de um secretário.O secretário cuidará dos aspectos formais do procedimento da seguinte maneira: Facilitando a comunicação entre os envolvidos; Zelando pela organização de documentos; Registrando os atos do procedimento. Saiba mais Normalmente, é uma função não remunerada, desenvolvida por algum profissional que integra a equipe de um dos árbitros. Não se deve confundir as seguintes noções: Tribunal arbitral Conjunto de árbitros Instituição de arbitragem Designada como câmara, centro ou instituto. Ambas são figuras completamente distintas e com funções que não são coincidentes, embora complementares. Quem julga a causa e detém jurisdição sobre as partes é, sempre, o tribunal arbitral (os árbitros). Mas é comum, embora não obrigatório, que as partes escolham uma instituição para cuidar dos aspectos administrativos do procedimento. Sob esse viés, é possível falar em arbitragem institucional e arbitragem ad hoc. Entenda melhor cada uma delas a seguir: Arbitragem institucional 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 14/45 A arbitragem institucional é aquela para a qual as partes escolheram uma instituição para administração do procedimento. A escolha da instituição, normalmente, mas não sempre, significa a adesão das partes às regras procedimentais editadas pelo centro de arbitragem. Isso significa que, ao escolher a câmara de arbitragem, as partes estão aderindo a um conjunto de regras importantes e cogentemente aplicáveis que designarão o modo de ser da arbitragem. Na arbitragem institucional, adicionalmente, o centro de arbitragem fica responsável por centralizar o protocolo de documentos e comunicações e promover suporte administrativo para o desenvolvimento do processo. Nesse sentido, os centros de arbitragem atuam de maneira completiva ao tribunal arbitral (os próprios árbitros), propiciando o andamento adequado do caso. Nas arbitragens ad hoc não há escolha do centro de arbitragem e o procedimento será desenvolvido por comunicações trocadas diretamente entre partes e árbitros, a partir de um conjunto de regras que venham a ser ajustadas. Caberá, na ausência da instituição administradora do procedimento, às partes e aos árbitros organizarem o procedimento e tomarem as medidas funcionais necessárias para o caso. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! Âmbito de aplicação da arbitragem Módulo 1 - Vem que eu te explico! Vantagens da arbitragem Arbitragem institucional Arbitragem ad hoc 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 15/45 Todos Módulo 1 - Video O que é a arbitragem? Módulo 2 - Video Espécies de convenção de arbitragem Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Todos Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Questão 1 Sobre arbitragem e os ADR, é correto afirmar que: A o processo judicial é o principal meio de resolução de conflitos, sendo as demais técnicas alternativas a serem tentadas quando do seu inadequado funcionamento. B a arbitragem decorre de um negócio jurídico, possuindo uma natureza jurídica exclusivamente contratual. C os meios de ADR buscam apenas soluções consensuais, sendo exclusivamente formas autocompositivas de resolução de conflitos; a heterocomposição de conflitos é prerrogativa do Estado. D a arbitragem se desenvolve em um procedimento jurisdicional, permeado pela garantia do contraditório e do devido processo legal, sendo a sentença arbitral um título executivo extrajudicial. E o árbitro é juiz de fato e de direito da controvérsia e sua decisão é vinculativa para as partes, não se submetendo a recurso ou homologação judicial. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 16/45 Parabéns! A alternativa E está correta. O árbitro é juiz de fato e de direito da causa, sua decisão é de única instância e não há, com o advento da Lei de Arbitragem, necessidade de homologação judicial para que a sentença arbitral produza efeitos. Questão 2 A arbitragem possui características próprias que a tornam adequada em muitos casos para a solução de conflitos. Identifique a opção correta sobre as características da arbitragem: A A arbitragem é um instituto flexível, permitindo que as partes escolham as regras aplicáveis ao procedimento e ao mérito da disputa. B A confidencialidade é inerente ao instituto, sendo obrigatória em todos os procedimentos e assegurada pelo Código de Processo Civil. C A arbitragem proporciona redução de custos: por ser mecanismo privado e alternativo, ela terá sempre menor custo financeiro para que seja atraente aos usuários. D A facilidade de execução das sentenças arbitrais em âmbito internacional, preconizada pela Convenção de Haia de 1956, é uma característica desejável para procedimentos domésticos. E A especialidade é fator de destaque na arbitragem, os árbitros sempre serão especialistas na matéria posta para julgamento, não se admitindo a atuação de quem não tenha formação técnica compatível com o tema em disputa, embora não seja necessária formação jurídica. Parabéns! A alternativa A está correta. A flexibilidade é inerente à arbitragem, que permite às partes a definição de se o caso será julgado por direito ou equidade e, também, a adequação dos aspectos formais ou procedimentais. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 17/45 2 - Convenção de arbitragem Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a convenção de arbitragem. Espécies de convenção de arbitragem Convenção de arbitragem e suas espécies: compromisso e cláusula compromissória Espécies de convenção de arbitragem Neste vídeo, o professor discorre sobre as espécies de convenção de arbitragem, diferenciando-as e tratando de suas principais características. A opção pela utilização da arbitragem é manifestada pela celebração de um negócio jurídico bilateral: a convenção de arbitragem. Seu objeto é delimitar a obrigação das partes de submissão ao instituto para a solução de conflitos, bem como estabelecer seu modo de ser. É possível, por isso mesmo, a�rmar que o regime jurídico para a arbitragem no Brasil é de adesão 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 18/45 p , p , q g j p g voluntária. A convenção de arbitragem é conceito de gênero no direito brasileiro, são suas espécies (GUERRERO, 2019): Compromisso arbitral O compromisso arbitral é o acordo pelo qual as partes submetem um litígio já existente à arbitragem. Cláusula compromissória arbitral Ao seu turno, relaciona-se a um conflito futuro e eventual, decorrente de certa relação jurídica contratual. Por exemplo, no contrato social os sócios avençam, ao constituir a sociedade, que qualquer disputa será dirimida por arbitragem. Ainda não há – e não se sabe se algum dia haverá – disputa ou conflito societário, mas os contratantes já ajustaram que a arbitragem será o mecanismo de resolução de controvérsias. A cláusula compromissória define quais eventuais conflitos que venham a surgir e que estejam em seu escopo ou âmbito de abrangência serão dirimidos arbitralmente. Forma e requisitos do compromisso arbitral O compromisso arbitral pode ser : Judicial O compromisso judicial é celebrado por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal no qual tenha curso a demanda. A celebração do compromisso implicará a extinção do processo judicial sem resolução de mérito, isso porque o mérito virá a ser julgado pelo árbitro, por força do compromisso. Essa hipótese representa a possibilidade de as partes encerrarem a ação judicial em curso, preferindo a utilização da arbitragem. Extrajudicial 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 19/45 O compromisso arbitral deve, obrigatoriamente:Trazer a qualificação completa das partes envolvidas, a indicação precisa da matéria que será objeto da arbitragem e o local no qual deverá ser proferida a sentença arbitral. Também deverá indicar a qualificação completa do árbitro escolhido ou a designação da entidade para a qual as partes delegaram a indicação do árbitro (art. 10 da Lei de Arbitragem). Adicionalmente, poderá conter o local onde serão praticados atos do procedimento arbitral, a escolha da lei aplicável ou autorização para que o árbitro julgue por equidade, bem como a fixação dos honorários dos árbitros e da responsabilidade das partes pelo seu pagamento. Se houver fixação dos honorários do árbitro no compromisso arbitral, o documento será título executivo extrajudicial. Na ausência de tal estipulação, o árbitro poderá requerer ao Poder Judiciário sua fixação por sentença se não houver sido de outra maneira avençados os honorários (art. 11 da Lei de Arbitragem). Forma e requisitos da cláusula compromissória arbitral A cláusula compromissória é a convenção por meio da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a um contrato ou uma relação jurídica. Ela deve ser estipulada por escrito, podendo constar do corpo do próprio instrumento de contrato ou de documento separado que a ele se refira. A convenção de arbitragem, então, trata-se sempre de negócio jurídico escrito. Atenção! Não é possível convenção de arbitragem de maneira verbal, mas admite-se a verificação da vontade por qualquer meio escrito, como a troca de e-mails ou mensagens, não havendo outras formalidades inerentes ao negócio. Se a cláusula compromissória for inserida no bojo de um contrato de adesão, a legislação exigirá que a convenção de arbitragem tenha forma especial. Nesse caso, ela só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ao contrato ou como cláusula em negrito, com a assinatura ou o visto específico (art. 4, § 2º, da Lei de Arbitragem). Essa forma especial é exigida para assegurar que o aderente teve efetivo conhecimento e a possibilidade de analisar se deseja prosseguir com sua contratação, mesmo com a previsão de arbitragem. Então, a regra se coloca no interesse e para a proteção do aderente, potencialmente parte mais frágil nessa relação jurídica. Extrajudicialmente, o compromisso se dá por instrumento particular, assinado por duas testemunhas, ou pela forma pública. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 20/45 Caso, posteriormente, o aderente venha a ratificar sua opção pela arbitragem, seja por dar início ao procedimento arbitral ou por concordar com seu desenvolvimento, não pode ser reconhecido o vício na convenção de arbitragem por falta de observância das formalidades legais (STF, REsp 201742547-MG, 2019). Cláusula compromissória cheia e cláusula compromissória vazia Cláusula compromissória cheia e cláusula compromissória vazia: ação para a instituição forçada da arbitragem A cláusula compromissória, como qualquer ato jurídico, deve ser bem escrita, bem-feita, tendo todos os elementos necessários para que produza os efeitos e atinja as finalidades esperadas. Normalmente, é suficiente para que a cláusula compromissória arbitral seja completa, desempenhando sua função de permitir que a arbitragem se desenvolva, que ela indique que as disputas oriundas do contrato serão resolvidas por arbitragem e assinale a opção pelas regras de uma instituição especializada. Isso porque as regras institucionais serão consideradas como incorporadas ao conteúdo da própria cláusula compromissória, operacionalizando seu funcionamento e a instauração da arbitragem. É conveniente, contudo, que alguns outros aspectos sejam tratados desde logo na cláusula, como: O número de árbitros; O idioma e o local da arbitragem; As regras aplicáveis para o julgamento da controvérsia. Caso as partes desejem uma arbitragem ad hoc, a cláusula deverá trazer os detalhes para a instalação da arbitragem ou fazer remição a algum regramento-modelo de arbitragem, a exemplo das regras de arbitragem da Uncitral. Eis um modelo de cláusula compromissória optando por arbitragem institucional: Exemplo Qualquer litígio resultante da e/ou relativo ao presente Contrato e eventuais anexos deve, obrigatória, exclusiva e definitivamente ser resolvido por Arbitragem, de acordo com o Regulamento de Arbitragem da _______ (NOME DA INSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM), observadas as seguintes disposições: O número de árbitros será de ________ , nomeado(s) conforme o Regulamento; (DEVE-SE ESCOLHER 1 OU 3 ÁRBITROS); A sede da arbitragem será ______________; (ESCOLHER CIDADE E PAÍS) O idioma da arbitragem será _________________; (ESCOLHER O IDIOMA); a regra de direito aplicável ao fundo do litígio será ___________ (ESCOLHER A LEI APLICÁVEL) (ou) o Tribunal Arbitral está 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 21/45 autorizado a julgar por equidade. É preciso bastante cuidado na redação da convenção de arbitragem, ou poderão surgir inconvenientes para a sua instauração, com um indesejável contencioso judicial sobre o tema. Entenda, portanto, que há dois tipos de cláusula compromissória arbitral: A cláusula compromissória arbitral que possui todos os elementos para que adequadamente se permita a instauração da arbitragem é chamada de cheia. A cláusula compromissória arbitral cheia se contrapõe à cláusula compromissória vazia, que é aquela incompleta, que não permite sua autoexecutoriedade. Cláusula compromissória vazia é um tipo de cláusula patológica, deficitária. Dela se extrai, com clareza, a intenção das partes sobre a utilização da arbitragem, entretanto, faltam elementos que permitam compreender como ela funcionará. Não havendo na convenção indicação adequada sobre a maneira de instituição da arbitragem, a parte interessada deverá comunicar à outra sobre a sua intenção de levar o tema à arbitragem, convocando-a para a celebração de um compromisso arbitral ou termo aditivo complementar (art. 6º da Lei de Arbitragem). Isso significa dizer que, primeiramente, será tentada a solução extrajudicial da questão, permitindo que as partes negociem diretamente e supram a deficiência. Frustrada a tentativa de correção extrajudicial do vício, fica autorizada a propositura de ação judicial para suprimento da vontade da outra parte, isto é, para complementar a cláusula compromissória patológica e permitir que as partes tenham o mérito de sua controvérsia resolvido pela arbitragem. Saiba mais Essa ação judicial não substitui a arbitragem; pelo contrário, presta-se a viabilizar a utilização da arbitragem, apesar do defeito da cláusula compromissória. Trata-se de ação por procedimento especial, especificamente destinada à instauração da arbitragem com o apoio judicial. Cláusula compromissória arbitral cheia Cláusula compromissória arbitral vazia 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 22/45 Na ação para cumprimento da cláusula compromissória vazia, a ser proposta perante o juízo que seria originariamente competente para julgar a causa, o réu será citado para comparecer à audiência a fim de lavrar-se o compromisso. A petição inicial descreverá, pormenorizadamente, o objeto da arbitragem e trará, como documento essencial para sua propositura, documento que contenha a cláusula compromissória arbitral. Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, inicialmente, conciliar as partes acerca do litígio. Não sendo possível, exortará as partes para que, consensualmente, celebrem compromisso arbitral. Apenas na falta de acordo é que o juiz ouvirá o réu sobre o tema e prolatará sentença, na própria audiência ou em até 10 (dez) dias, sempre respeitando escrupulosamente tudo o quanto já estiverestabelecido na cláusula compromissória havida entre as partes. Não comparecendo o autor à audiência, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ausente o réu, o juiz julgará o caso, nomeando, preferencialmente, árbitro único, mas sempre observando o que porventura já conste da convenção de arbitragem. O juiz poderá, também, indicar instituição arbitral para administrar o procedimento de arbitragem, postergando a nomeação do árbitro, ato a ser conduzido perante a instituição arbitral. A sentença de procedência do pedido valerá como compromisso arbitral, suprindo a vontade das partes e determinando o modo de ser da arbitragem. Trata-se de sentença de carga constitutiva. Aspectos da convenção de arbitragem Autonomia ou separabilidade da cláusula compromissória 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 23/45 Autonomia ou separabilidade da cláusula compromissória A cláusula compromissória é um negócio jurídico autônomo em relação ao contrato no qual se insere. Rigorosamente, no mesmo instrumento contratual são postos (ao menos) dois negócios jurídicos: A convenção de arbitragem; O negócio jurídico ao qual a convenção de arbitragem se refere. Apesar da designação de “cláusula”, o mais preciso é perceber que a convenção de arbitragem é outro negócio jurídico, autônomo em relação ao contrato no qual se insere (ou mais precisamente ao negócio jurídico a que faz referência) e que, por isso, deve ser tratada de maneira separada, para fins de verificação de sua existência, validade e eficácia como ato. Exemplo Em um contrato de compra e venda imobiliária, no qual se estabeleça uma cláusula compromissória arbitral, a nulidade do contrato de compra e venda por se deixar de adotar a forma pública (art. 108 CC) não aduz nulidade da cláusula compromissória, que admite a forma privada. Isso significa que caberá ao árbitro julgar demanda de nulidade do contrato de compra e venda nessa hipótese, válida que é a convenção arbitral. O contrário também é verdade. Exemplificativamente, em contrato de adesão de licenciamento de software, por escrito, no qual a cláusula compromissória não esteja devidamente destacada em negrito e não tenha a rubrica própria (faltando, assim, o requisito formal do art. 4º, § 2º, da Lei de Arbitragem), haverá a invalidade da cláusula compromissória, sem que isso implique nulidade do contrato de licenciamento de software. Assim, pela regra da separabilidade ou autonomia, a cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade do contrato não implica, necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória (art. 8º, caput, da Lei de Arbitragem). Efeitos da convenção de arbitragem A convenção de arbitragem produz dois efeitos típicos, decorrentes do pacta sunt servanda, da força obrigatória dos contratos: Efeito positivo O efeito positivo da convenção se volta para as partes, significando que elas estão vinculadas à utilização da arbitragem. Nenhuma das partes pode, isoladamente, pretender descumprir a convenção e levar ao Poder Judiciário a controvérsia que avençou dirimir arbitralmente. As partes estão positivamente obrigadas à utilização da arbitragem. Efeito negativo O efeito negativo diz respeito à jurisdição estatal. Com a opção pela jurisdição arbitral, o Poder Judiciário (de qualquer país) não poderá julgar o mérito da controvérsia. Diz-se negativo esse efeito, pois ele subtrai da jurisdição estatal o conhecimento da disputa, na exata medida em que habilita e permite o desenvolvimento da jurisdição privada, arbitral. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 24/45 Em conjunto, os efeitos da convenção de arbitragem justificam a chamada exceção de arbitragem, que determina a extinção sem resolução de mérito de qualquer ação judicial que tente violar o pactuado entre as partes, devendo o caso ser encaminhado para arbitragem. Realmente, se o autor propuser no Judiciário uma ação cujo objeto esteja abrangido por uma convenção de arbitragem, o réu poderá, em sede de contestação, deduzir preliminar de convenção de arbitragem (Art. 337, X, do CPC). Essa matéria não prescinde de alegação do réu, o juiz não pode dela conhecer ex officio (Art. 337, § 5º, do CPC). Verificada a procedência da exceção, o juiz deverá extinguir imediatamente o processo judicial, proferindo julgamento conforme o estado do processo (arts. 485, VII, e 354 CPC). Atenção! Tanto a cláusula compromissória quanto o compromisso arbitral produzem os mesmos efeitos, efetivamente vinculando as partes à utilização da arbitragem. Não existem, portanto, diferenças substanciais quanto ao momento em que se celebra a convenção de arbitragem, não importando se o litígio já existe ou se é uma mera possibilidade . Convenção de arbitragem e escolha da instituição que administrará o procedimento A convenção de arbitragem poderá indicar uma instituição, centro ou câmara de arbitragem para administrar o procedimento. Ao optar pela utilização da arbitragem institucional, as partes estão incorporando ao conteúdo de sua avença as regras de arbitragem produzidas pela própria instituição. Isso significa que as regras institucionais serão aplicáveis para a instauração e definição do modo de ser da arbitragem. Essa é uma vantagem importante em relação à utilização da arbitragem ad hoc. À míngua das regras institucionais, as partes precisarão de uma convenção de arbitragem muito mais detalhada, contendo o regramento para início do procedimento, escolha do árbitro e outros aspectos processuais, o que pode criar problemas funcionais importantes, particularmente se uma das partes estiver recalcitrante em prosseguir com a arbitragem. As principais instituições contêm regras adequadas e testadas em outros procedimentos, de maneira a permitir o bom desenvolvimento da arbitragem. Adicionalmente, as instituições cuidam da gestão financeira do caso e intermedeiam o pagamento dos honorários dos árbitros e outras despesas do procedimento, trazendo maior previsibilidade quanto aos 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 25/45 custos e às despesas do procedimento. É preciso, contudo, atenção das partes, ao elaborarem a convenção de arbitragem, na escolha da instituição que administrará o procedimento, pois indicada a instituição, uma das partes não poderá modificar a avença sem a concordância da outra. Assim, eventual inadequação no perfil da instituição escolhida ou do valor dos custos relativos ao procedimento poderá ser uma questão importante, até mesmo inviabilizando a utilização da arbitragem. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! Cláusula compromissória cheia e cláusula compromissória vazia: Ação para a instituição forçada da arbitragem Módulo 2 - Vem que eu te explico! Aspectos da convenção de arbitragem Todos Módulo 1 - Video O que é a arbitragem? Todos Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 26/45 q g Módulo 2 - Video Espécies de convenção de arbitragem Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A convenção de arbitragem, no Direito brasileiro, assume a feição de negócio jurídico bilateral. Sobre o tema, identifique a questão correta: A A convenção de arbitragem é de utilização obrigatória em contratos de adesão sempre que ficar demonstrado que o aderente tinha conhecimento técnico adequado sobre a matéria, prescindindo de outras formalidades além da forma escrita. B O compromisso arbitral refere-se a disputas eventuais e futuras, para as quais as partes se valerão da arbitragem. C Por separabilidade da cláusula compromissória arbitral, entende-se que o negócio jurídico convenção de arbitragemé autônomo em relação a outro ao qual se refira, de maneira que a nulidade de um deles não implica a do outro. D O efeito positivo da convenção de arbitragem decorre do fato de as partes confiarem na jurisdição privada, significando que a jurisdição estatal não poderá atuar para julgar o mérito da controvérsia. E A cláusula compromissória é assessória em relação ao contrato no qual se insere, estabelecendo-se que sua sorte segue a do principal. Parabéns! A alternativa C está correta. A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 27/45 sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória. Este fenômeno é tratado doutrinariamente como autonomia ou separabilidade da convenção de arbitragem. Questão 2 Identifique a opção correta sobre a convenção de arbitragem: A Em virtude da liberdade de contratação, a utilização da arbitragem é sempre voluntária, mesmo que conste de contrato escrito, já que ninguém pode ser obrigado a não utilizar o Poder Judiciário. B Na ação judicial para instauração forçada da arbitragem, as partes não poderão transigir sobre o mérito da disputa, em respeito à força vinculante da convenção. C Sempre é necessária a celebração de compromisso arbitral, sendo a cláusula compromissória um pacto de contrahendo. D O compromisso arbitral e a cláusula compromissória, espécies do gênero convenção de arbitragem, produzem os mesmos efeitos, vinculando as partes à utilização da arbitragem (efeito positivo) e obstando o desenvolvimento da jurisdição estatal na matéria (efeito negativo). E A escolha de uma instituição arbitral na convenção de arbitragem poderá causar problemas para a operacionalização do instituto, particularmente pela ausência de clareza sobre as regras aplicáveis ao procedimento. Parabéns! A alternativa D está correta. A convenção de arbitragem sempre produz os mesmos efeitos; não importa se trata-se de cláusula compromissória ou compromisso arbitral, a disputa abrangida pela convenção deverá ser submetida ao instituto. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 28/45 3 - Procedimento arbitral Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os aspectos funcionais do procedimento arbitral. Instituição da arbitragem Fase administrativa e fase jurisdicional: a noção de instituição da arbitragem Procedimento arbitral Neste vídeo, o especialista discorre sobre o procedimento arbitral e seus principais aspectos. Na arbitragem institucional, o procedimento é iniciado da seguinte maneira: Passso 1 Um pedido (ou uma notificação) é enviado à instituição escolhida pelas partes para administrar o di t i d i t ã d t d i i i 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 29/45 Os atos dessa primeira etapa são eminentemente administrativos. Por isso, chama-se de fase administrativa da arbitragem o conjunto de atos que antecedem a formação do tribunal arbitral e a instituição da arbitragem, justamente por ainda não haver a jurisdição arbitral propriamente dita, mas a condução de atos tendente à sua instituição. Atenção! A fase administrativa, contudo, cuida de diversos aspectos do procedimento jurisdicional e é importante para sua higidez, inclusive os regulamentos outorgam poderes para que a instituição faça uma análise prima facie da convenção de arbitragem e determine se o processo deve, ou não, seguir para a próxima etapa (p. ex., Câmara CIESP/FIESP, CAM- CCBC, CAMARB). Normalmente, a fase administrativa se conclui com a celebração de um documento chamado de termo de arbitragem (ou ata de missão, na designação da CCI). Nesse momento, formaliza-se a aceitação dos árbitros de sua nomeação, estando instituída a arbitragem e tendo início, propriamente, os poderes e a atuação jurisdicional dos árbitros (art. 19 da Lei de Arbitragem). Isso significa que a fase jurisdicional da arbitragem começa com a aceitação formal dos árbitros de sua nomeação, o que normalmente é registrado em um documento escrito assinado pelas partes e pelos árbitros. Na sequência, o procedimento prosseguirá, para que as partes apresentem suas alegações, em contraditório, produzam provas, culminando com a prolação da sentença arbitral. A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência de jurisdição (art. 19, § 2º, da Lei de Arbitragem). Isso ocorre porque há início da jurisdição com a instituição da arbitragem e, normalmente, o momento coincide com a fixação dos pedidos deduzidos pelas partes. A interrupção da prescrição retroage ao momento em que o requerente manifestou a intenção de satisfação de sua procedimento, comunicando a intenção do requerente de iniciar o processo. A instituição cuidará da operacionalização dos atos necessários para que a outra parte seja convidada a participar e a se defender, para que os árbitros sejam validamente escolhidos e nomeados, e para que se forme o tribunal arbitral. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 30/45 pretensão, apresentando o requerimento de arbitragem. O requerimento de arbitragem e resposta De acordo com a arbitragem, temos as seguintes abordagens: Arbitragem institucional Começa-se o procedimento de arbitragem, normalmente, apresentando um requerimento de arbitragem perante a instituição que administra o procedimento. Arbitragem ad hoc Neste caso, uma parte deverá comunicar a outra diretamente de sua intenção, preferencialmente por correspondência que permita a confirmação de recebimento. O requerimento de arbitragem é um documento mais singelo do que a petição inicial do processo civil (nesta linha, por exemplo, dispõem os regulamentos da Câmara CIESP/FIESP, CAM-CCBC, CAMARB). O seu objetivo é registrar e formalizar o início da arbitragem, requerendo a citação da outra parte. Por isso, é necessário informar o seguinte: A descrição sucinta da matéria objeto da controvérsia e da pretensão do requerente; A apresentação do instrumento que contenha a convenção de arbitragem e a identificação das partes; Número de árbitros; Lei aplicável; Interesse econômico da causa. Não há, contudo, necessidade de maior detalhamento e exposição dos argumentos fáticos e jurídicos, esse detalhamento será feito em outra peça, chamada de alegações iniciais, que é apresentada após a celebração do termo de arbitragem, na fase jurisdicional. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 31/45 Após a apresentação do requerimento, o requerido terá oportunidade para ofertar sua resposta, consistente na sua primeira manifestação no procedimento, contrapondo-se ao quanto indicado pelo autor ou concordando quanto aos elementos inerentes à formação do tribunal arbitral que lhes pareçam adequados. O requerido poderá, também, indicar se pretende apresentar pedidos ativos (contrapostos ou reconvencionais) aos deduzidos pelo autor. Como ocorre com o requerimento, a resposta prescinde de maior aprofundamento de argumentos fáticos ou jurídicos, o que será feito oportunamente na fase jurisdicional. Fase inicial da arbitragem Escolha dos árbitros As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o modo de escolha dos árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada. A depender das regras aplicáveis, a indicação dos árbitros se dá no requerimento e na resposta ou, logo em seguida, em prazo comum para as partes. Em se tratando de tribunal arbitral, cada polo processual indicará um árbitro, que de comum acordo indicarão o presidente, um terceiro árbitro não escolhido diretamente pelas partes. Atenção! Se vários árbitros forem indicados pelas partes, eles, por maioria,elegerão o presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente o mais idoso (art. 13, § 4º, da Lei de Arbitragem). Algumas instituições estabelecem limitações para quem pode atuar como árbitro ou como árbitro presidente, estabelecendo critérios ou listas de profissionais para esse mister. Contudo, as partes, de comum acordo, podem afastar a aplicação de dispositivo do regulamento do órgão arbitral 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 32/45 institucional ou da entidade especializada que limite a escolha do árbitro único, coárbitro ou presidente do tribunal à respectiva lista de árbitros, sendo apenas autorizado o controle da escolha pelos órgãos competentes da instituição, sendo que, nos casos de impasse e arbitragem multiparte, deverá ser observado o que dispuser o regulamento aplicável. Vejamos a seguir aspectos da nomeação de árbitro único: Na hipótese de escolha de árbitro único, as partes deverão conversar diretamente e fazer a indicação de maneira conjunta, não podendo uma parte impor sua vontade para a outra. É comum a elaboração e troca de listas de nomes entre partes para que elas conheçam o perfil desejado pela outra, até que identifiquem um nome em consenso. Na impossibilidade de nomeação pelas partes do árbitro único, de impasse entre os coárbitros na indicação do presidente ou entre os integrantes de um dos polos de seu coárbitro, normalmente caberá à instituição proceder com a nomeação do árbitro ou árbitros, consoante previsto em suas próprias regras de arbitragem. Nessa hipótese, a instituição atua como uma entidade apontadora, procurando zelar pela adequada formação do tribunal arbitral. De maneira absolutamente residual e excepcional, se não houver solução possível com a intervenção da instituição como autoridade apontadora de árbitros, poderá ser proposta uma ação judicial para que o órgão do Poder Judiciário, a que tocaria, originariamente, o julgamento da causa, proceda com a nomeação do árbitro. Essa ação judicial seguirá, no que couber, o rito procedimental previsto no art. 7º da Lei de Arbitragem. O termo de arbitragem, alegações iniciais e resposta às alegações iniciais Após as manifestações iniciais das partes e a escolha dos árbitros, haverá a celebração do termo de arbitragem. Trata-se de instrumento de natureza contratual, que não se confunde com a convenção de arbitragem e nem se trata, propriamente, de um aditivo a ela, mas de um documento adicional, celebrado por partes e árbitros e instituição de arbitragem, que: Define aspectos relativos ao modo de ser do procedimento; Possibilidade de escolha de árbitro único Impossibilidade de escolha de árbitro único Ação judicial para nomeação do árbitro 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 33/45 Estabelece custas e despesas e, conforme a maior parte das regras aplicáveis, a fixação dos pedidos deduzidos. Sua função é organizar a arbitragem e o procedimento, dispondo sobre: Prazos Apresentação de documentos e coleta de provas Especi�cação do objeto da arbitragem Além disso, geralmente, a celebração do termo marca a formação do tribunal arbitral e a instituição da arbitragem. Algumas regras de arbitragem, como Câmara Ciesp/Fiesp e CAM-CCBC, estabelecem que no termo haverá a fixação dos pedidos a serem analisados pelos árbitros, outras que essa fixação e estabilização objetiva da lide se dará nas alegações iniciais, como, por exemplo, CAMARB. Após o termo de arbitragem, no qual partes e árbitro, normalmente, já ajustam um calendário para a prática de atos, o requerente deduzirá suas alegações ou razões iniciais, apresentando os argumentos fáticos e jurídicos de sua causa. Essa peça é substancialmente mais complexa e não se confunde com o requerimento de arbitragem. O requerido, então, terá prazo para apresentação de sua peça de defesa, a Respostas às Alegações iniciais. É comum que, caso existam pedidos contrapostos ou reconvencionais entre requerente e requerido, os dois polos apresentem alegações iniciais (em relação às suas próprias pretensões) em prazo comum, sucedendo-se prazo comum para resposta às alegações da outra parte. Aspectos procedimentais Princípios processuais e devido processo legal na arbitragem Com a instituição da arbitragem, tem início sua fase propriamente contenciosa, com a oportunidade para a realização de duas etapas pelas partes: Etapa de alegações Dedução de suas alegações e seus argumentos. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 34/45 Etapa probatória Produção de provas tendentes à formação do convencimento dos árbitros. A arbitragem desenvolve-se em um procedimento (série concatenada de atos) marcado pelo contraditório; um processo, portanto, que deve ser mecanismo hígido e legítimo para o exercício da jurisdição. Ela deve se revestir de todas as garantias inerentes ao devido processo legal, que ostenta a estatura de direito fundamental no ordenamento jurídico brasileiro. Por isso, serão sempre respeitados no procedimento arbitral os princípios do contraditório, da igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu livre convencimento. As garantias processuais inerentes à arbitragem, contudo, não se cingem ao procedimento, mas permeiam a própria atuação do árbitro. Sendo certo que, no desempenho de sua função, o árbitro deverá sempre proceder com imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição. Atenção! A sentença arbitral que decorra de um procedimento violador dessas garantias ou prolatada por um árbitro que não atenda adequadamente aos seus deveres será nula. Procedimento e atuação dos árbitros O procedimento de arbitragem obedecerá ao quanto estabelecido pelas partes na convenção de arbitragem. As partes podem, como visto, reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada. Alternativamente, as partes poderão delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, a regulamentação do procedimento. Sempre que houver ausência de estipulação procedimental, caberá ao árbitro sua disciplina, assegurando a isonomia das partes e o contraditório (DINAMARCO, 2013, p. 52). No início do procedimento, o árbitro deverá tentar conciliar as partes. O procedimento, como bem se vê, é marcado por grande flexibilidade e possibilidade de adaptação, podendo as partes amplamente convencionar sobre o seu modo de ser, conforme as necessidades do caso. Saiba mais Revela-se, também, uma grande adequação procedimental por iniciativa do árbitro, que atuará de maneira suplementar às regras convencionais e regulamentares escolhidas pelas partes. As partes poderão postular por intermédio de advogado, sempre respeitada a faculdade de designar quem as represente 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 35/45 ou assista no procedimento arbitral. A participação do advogado, portanto, é facultativa na arbitragem, mas recomendável, considerando a complexidade das questões envolvidas. Para o adequado julgamento da controvérsia, é indispensável a verificação dos fatos alegados pelas partes. Assim como no processo judicial, as partes têm o ônus de apresentar provas para a demonstração de suas alegações. Um processo que não oportunize adequadamente a possibilidade de influenciar a formação do convencimento do julgador será ilegítimo. A veri�cação dos fatos é indispensável para a conformação do devido processo legal. A instrução probatória é conduzida pelo árbitro, que pode tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias, exibição de documentos ou coisas, bem como a apresentação de outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. Isso significa que os árbitros possuem poderes para conduzir o procedimento e até mesmo para determinar a produção de provasde ofício, além daquelas que forem coligidas pelas partes. A exemplo do que ocorre com a adequação do procedimento, a Lei de Arbitragem confere ampla margem de atuação aos árbitros. Questões jurisdicionais e competência-competência Além das questões atinentes ao mérito do processo, os árbitros precisam decidir sobre questões jurisdicionais e preliminares, que devem ser dirimidas antes que se possa prosseguir para o julgamento dos pedidos formulados na arbitragem. Com efeito, a parte que pretender arguir questões relativas à competência, suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem, deverá fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de se manifestar, após a instituição da arbitragem. Algumas dessas questões podem requerer a correção de vícios processuais, outras podem modificar a composição do tribunal arbitral (como o acolhimento de uma alegação de suspeição de árbitros) ou mesmo determinar a extinção do processo arbitral, como nas hipóteses de ser reconhecida a incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 36/45 nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem, devendo as partes ser remetidas ao órgão do Poder Judiciário competente para julgar a causa. Os árbitros, então, possuem poderes para conhecer sobre questões atinentes à sua própria competência, isto é, o que se chama de regra da competência-competência. Realmente, caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória (art. 8, P. U., da Lei de Arbitragem). Atenção! Não pode o Poder Judiciário ser chamado a intervir sobre incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral ou a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem antes que o árbitro tenha a oportunidade de julgar a questão. Se a parte não concordar com a decisão do árbitro, poderá voltar a questionar o tema depois de prolatada a sentença arbitral (em sede de ação anulatória), nunca de maneira simultânea ao processo arbitral. A regra da competência-competência, então, estabelece uma prioridade temporal para que o árbitro decida sobre essas questões, evitando interferência judiciais indevidas e prejudiciais ao desenvolvimento da arbitragem. Medidas de urgência e arbitragem Muitas vezes não é possível aguardar a solução final da controvérsia para que as partes recebam atos materiais de tutela de seus direitos. Podem surgir situações urgentes, a demanda imediata decisão e solução, antes ou durante o curso do processo. Por isso mesmo, existem na arbitragem regras atinentes à tutela de urgência, com a concessão de medidas cautelares ou antecipatórias do provimento jurisdicional final pretendido. No curso da arbitragem, devem ser dirigidas ao árbitro as pretensões de tutela de urgência. O árbitro, então, analisará a presença dos requisitos autorizadores da medida, com a verificação da verossimilhança das alegações e do risco de dano grave e de difícil reparação, decidindo sobre o tema e determinando as medidas adequadas. As medidas coercitivas que o árbitro determinar serão efetivadas com o apoio do Poder Judiciário (CARMONA, 2009, p. 24). A arbitragem leva algum tempo entre seu requerimento até sua instalação, com o início efetivo da jurisdição do árbitro. Então, podem surgir situações urgentes que não sejam capazes de aguardar a instalação da arbitragem por 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 37/45 necessitarem de imediato remédio. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Trata-se de uma atuação do Poder Judiciário em apoio à arbitragem, de maneira a garantir que as partes não fiquem sem opção para tutela de urgência, pelo simples fato de ainda não haver sido iniciado o exercício da jurisdição arbitral. Quem pleitear medida de urgência pré-arbitral perante o Poder Judiciário tem o ônus de requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias a partir da efetivação da respectiva decisão judicial sobre o tema. Cessará a eficácia da medida concedida judicialmente caso não seja requerida a arbitragem tempestivamente. Uma vez instituída a arbitragem, os árbitros poderão reanalisar a decisão judicial sobre a medida de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Os árbitros poderão manter, modificar ou revogar a decisão judicial ou conceder medida de urgência que, eventualmente, tenha sido indeferida judicialmente. Não se trata, propriamente, de recurso contra a decisão judicial. Pelo contrário. A questão é analisada e decidida novamente pelos árbitros, pois eles detêm a jurisdição para a causa, sendo a atuação do judiciário meramente pontual. Cooperação entre juízes e árbitros Cooperação entre juízes e árbitros, carta arbitral A arbitragem representa uma jurisdição privada, escolhida pelas partes que não desejam utilizar o Poder Judiciário estatal. O recurso à arbitragem é feito justamente porque não se quer litigar no Judiciário. 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 38/45 O sistema arbitral (PARENTE, 2012) desenvolve-se de maneira autônoma e independente do Poder Judiciário. Entretanto, é possível a cooperação entre árbitros e juízes, no interesse da consecução da justiça. Essa cooperação se dá com a prática de atos de apoio judicial ao processo arbitral e, também, com a adequada análise das sentenças arbitrais, nas ações anulatórias. Com efeito, o Poder Judiciário coopera com a arbitragem praticando atos de apoio, como a condução da testemunha renitente, dando cumprimento às medidas de urgências determinadas pelos árbitros e executando as sentenças arbitrais. O Direito brasileiro tem um mecanismo singular de cooperação interjurisdicional: a carta arbitral. Assim, o árbitro poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro (art. 22-C da Lei de Arbitragem). Atenção! A carta arbitral atenderá aos mesmos requisitos formais aplicáveis às cartas precatórias, rogatórias e de ordem, e será instruída com a convenção de arbitragem e com as provas da nomeação do árbitro e de sua aceitação da função (art. 260, § 3º, CPC). Sentença arbitral e recorribilidade Sentença arbitral O processo arbitral é tendente à prolação da sentença. A sentença é a decisão que resolve a postulação das partes, prestando-lhe resposta jurisdicional. Além de julgar a controvérsia, a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver. A sentença pode ser o último ato da arbitragem, mas é possível: A resolução antecipada de parte do mérito, com a prolação de sentença parcial sobre algum tema específico (art. 23, § 1º, da Lei de Arbitragem), com julgamento parcial e formação sucessiva de coisa julgada. Que seja prolatada sentença homologatória da transação, caso as partes cheguem a um acordo durante o litígio e requeiram a homologação. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do 20/08/22, 13:11 Arbitragem https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03381/index.html# 39/45 Poder Judiciário, transitando em julgado e produzindo os efeitos típicos da coisa julgada, além de constituir título executivo judicial. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição