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c) Que tipo de construção gramatical Grump poderia ter utilizado para expressar o que pretendia? 4. No último quadrinho, o pensamento do cachorro contribui para estabelecer o efeito de humor da tira. Explique. Leia o texto para responder às questões de 5 a 8. Quem diria? “Não é que eu não goste mais de você, eu gosto de você, é só uma questão de lógica. Se um dia tudo isso vai acabar, não é melhor acabar logo agora? Já que vai terminar dando errado mesmo, pra que esperar? É claro que um dia vai dar errado. A maior parte dos casais dá errado um dia. [...] Melhor ficar por aqui enquanto não deu errado ainda. Pelo menos agora a gente ainda tem a chance de ser feliz por aí. A gente é feliz, eu sei. Então, pra que estragar? É claro que o amor vai se gastar. É lógico que um dia tudo isso vai passar. É óbvio que a gente não vai ser feliz assim a vida inteira. Não vai ser muito mais triste depois, quando a tristeza pegar a gente desprevenido? [...] Vai ser muito mais difícil ver o amor diminuindo, dimi- nuindo, acabando, ver o tempo que era bom ficando cada vez mais distante, a gente se lembrando de agora e pensan- do, tá vendo?, era melhor ter acabado antes. Eu sei que é difícil. Mas eu acho melhor a gente acabar aqui, Fulano.” [...] C dr a a O doido da garrafa. a l la e a p ra e 5. O texto apresenta o discurso de uma mulher sobre os motivos que a levam a romper com Fulano, a quem se dirige. Quais são eles? 6. No texto, há dois momentos que se opõem: o presente e o futuro. Transcreva as passagens que se referem ao sentimento que une os dois no momento presente. a) Como se caracteriza, nesse tempo, o amor dos dois? b) Algumas das formas verbais nas passagens identificadas reforçam e/ou comprovam essa caracterização do amor no presente. Explique. c) Por oposição, o que as palavras ou expressões no futuro indicam sobre esse amor? 7. Para indicar o que acontecerá ao amor dos dois no futuro, a moça se vale de várias formas verbais perifrásticas. Quais são elas? a) Você deve ter notado que todas as perífrases são formadas pelo verbo auxiliar ir + Infinitivo do verbo principal. O tempo em que se encon- tram essas formas verbais ajuda a justificar os motivos da moça para terminar o romance. Explique. b) O futuro do presente simples do modo Indicativo também poderia expressar a ideia pretendida pela autora do texto. Como se pode explicar, então, a opção pelas formas perifrásticas de futuro? c) Além das formas verbais perifrásticas, há ou- tras passagens no texto em que a moça reforça a ideia de que aquilo que ela teme poderá se realizar. Quais são elas? 8. Releia. “Vai ser muito mais difícil ver o amor diminuindo, dimi- nuindo, acabando, ver o tempo que era bom ficando cada vez mais distante, a gente se lembrando de agora e pensando, tá vendo?, era melhor ter acabado antes.” Nesse trecho, há, destacados, alguns verbos no ff gerúndio. Que efeito esses verbos criam no texto, considerando o assunto tratado? Leia o texto para responder às questões de 9 a 12. Sinais dos tempos verbais (II) Hoje a Nova Gramática Xongas vai analisar outro tempo verbal que não consta dos livros didáticos. Trata-se do sub- juntivo paulista, também conhecido como subsubjuntivo. [...] Estranhamente, aqui em São Paulo [...], o subjuntivo tradicional nunca “pegou”. Falar “que eu traga”, “que eu venha” ou “que a gente pegue” é tão raro quanto ouvir “um chope e dois pastéis”. Aqui é de rigueur falar: (1) “Quer que eu venho?”, (2) “Quer que eu trago?”, (3) “Quer que joga fora?”. Sem distinção de classe, religião ou fator de proteção solar do Sundown: você ouve o subjuntivo paulista tanto da boca do seu porteiro quanto da boca do seu chefe. [...] 327 C ap ít u lo 1 8 • er R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap18_C.indd 327 3/12/10 2:56:59 PM Este colunista passou os últimos três anos debruçado sobre o assunto e publica aqui, em primeira mão, o resul- tado de suas pesquisas. Lançando mão da antropologia, da sociologia e de sofisticados conceitos de semiótica, vamos compreender o real significado e as verdadeiras intenções escondidas por trás das frases: (1) Quer que eu jogue fora?; (2) Quer que eu jogo fora? e (3) Quer que joga fora? Quer que eu jogue fora? Sim, de vez em quando o paulista escorrega e acaba usando o presente do subjun- tivo corretamente. Em alguns casos, isso é fruto apenas de boa educação; em outros, de um esforço hercúleo para falar certo. Mas, na maior parte das vezes, o uso correto do presente do subjuntivo indica apenas indiferença. “Quer que eu jogue fora?” é uma pergunta que demonstra que a ação de jogar fora é mecânica, feita em nome da eficiência. A relação entre os interlocutores é fria, talvez estritamente profissional. [...] Quer que eu jogo fora? O uso do subjuntivo paulista na primeira pessoa denota grande intimidade entre os interlocutores e um sincero desejo de executar a ação proposta. Alguém que pergunte “quer que eu jogo fora?” está sinceramente interessado em jogar aquilo fora. Eu diria inclusive que esta pessoa vai jogar aquilo fora com o maior entusiasmo e um grande prazer. Outros exem- plos onde isso fica mais claro: “Quer que eu saio mais cedo?”, “Quer que eu peço mais uma?”, “Quer que eu mudo de canal?”. Quer que joga fora? Cuidado. Quando o subjuntivo é usado na terceira pessoa, é sinal de má vontade, desprezo e até mesmo indignação. Se a pessoa diz “quer que joga fora?” com certeza se acha muito superior à tarefa de jogar qualquer coisa fora. Ou seja: já está pensando em alguém para jogar aquilo fora por ela. A pessoa que diz “quer que chama um táxi?” jamais vai pegar o telefone e ligar para o radiotáxi vermelho e branco — vai pedir para a secretária da secretária da secretária. Se você prestar atenção, “quer que limpa a sua mesa?” demora muito mais do que “quer que eu limpo a sua mesa?”, porque no primeiro caso o serviço evidentemente vai ser re passado a outro departamento. Olho vivo: subsubjuntivo na terceira pessoa é terceirização na certa. [...] ard The best of Xongas. São Paulo: a dar p ra e 9. Ao tratar do que ele denomina “subjuntivo paulista”, Ricardo Freire nos leva a interessantes reflexões sobre a forma como é construído esse “modo”. Quais são as flexões de modo e pessoa presentes nas formas que o autor identifica como típicas do “subjuntivo paulista”? A palavra ff paulista, da denominação “subjuntivo paulista”, esco- lhida por Ricardo Freire para caracterizar as construções verbais analisadas, é adequada? Explique. 10. Leia o texto a seguir, que explica o emprego do Subjuntivo. Como o próprio nome indica, o subjuntivo (do latim sub- junctivus “que serve para ligar, para subordinar”) denota que uma ação, ainda não realizada, é concebida como dependente de outra, expressa ou subentendida. Daí o seu emprego normal na oração subordinada. [...] C Cels C dle Nova gramática do português con- temporâneo ed de a e r e p ra e Considerando o texto acima e as estruturas dos enunciados apre-ff sentados, por que o uso das flexões que caracterizam o “subjuntivo paulista” é inadequado? 11. Ricardo Freire associa os modos Subjuntivo e Indicativo ao grau de envolvimento do falante com a ação expressa. O que essa “análise” do autor indica sobre como ele interpreta as flexões de tempo e modo nessas estruturas? 12. O autor afirma que o “subjuntivo paulista” pode ser ouvido “tanto da boca do seu porteiro quanto da boca do seu chefe”. O que essa afirmação permite inferir a respeito do uso que os falantes fazem dessa estrutura? 328 U n id ad e 4 • C la ss es d e pa la vr as R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap18_C.indd 328 3/12/10 2:57:00PM Usos das perífrases verbais es l a pela l a de es r ras ver a s s ples per r s as rela a se a pr e de e e a r pre e de dese v lver e ra s r a se r vere s ar e a v s r d a par r d s re rre e de l es ver a s Chega de faz de conta: criança é prioridade Fafá, 11 anos, devia estar brincando de casinha, de roda, de amarelinha. Devia estar terminando o dever de casa, conversando com as amiguinhas. Devia estar vendo nuvens e imaginando nelas um castelo, um rosto, um urso e tudo o que a imaginação infantil é capaz de fazer ver. Devia estar recebendo em sua face corada um beijo de boa noite dos pais. Mas o passado ficou imperfeito. E o dever-ser se transformou em um tempo verbal lamentável, o futuro inalcançável, o deveria-ser-mas-não-é. Fafá não estava brincando, não estava estudando, não estava recebendo amor de seus pais. Não estava sendo tratada como criança. Fafá estava sendo usada como objeto sexual. Seus pais, em vez de lhe desejarem boa noite, cobravam, no fim do dia, os trocados recebidos pela intimidade infantil raptada. Dedé tem 13 anos e devia estar fazendo molequices, jogando bola, subindo em árvores. Devia estar na escola, devia estar andando de bicicleta. Mas, assim como Fafá, Dedé também é vítima da imperfeição pretérita. Devia estar, mas não está. Em vez disso, é explorado pelo tráfico de drogas. Faz papelotes de maconha e espera ser promovido a “gerente da boca”. Sabe, porém, que a chance maior é a de ser preso ou morrer antes que isso aconteça. Não tem medo do destino, já que lhe tiraram tudo — inclusive sua dignidade. Fafá e Dedé são vítimas de duas das piores formas de exploração do trabalho infantil, conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho — a exploração sexual comercial e a utilização de crianças na produção e tráfico de drogas. Infelizmente, existem milhares de Fafás e de Dedés entregues aos próprios destinos, em afronta ao artigo 227 da Cons- tituição Federal, que diz ser dever de todos — da família, da sociedade e do Estado — proteger crianças e adolescentes. Então, como transformar esse passado imperfeito em um presente mais-que- -perfeito? Em primeiro lugar, a óbvia constatação de que somente com investimentos pesados em educação se pode romper o ciclo da pobreza. Infelizmente, também a educação sofre dessa doença gramatical — o futuro que parece inalcançável [...] Pergunta-se: quando deixaremos de conjugar o verbo dever no “futuro inal- cançável”? Resposta: agora! As crianças não podem mais esperar. Precisamos da certeza de que Fafás e Dedés estão onde devem estar e não onde deveriam estar, mas não estão. Da sala de aula, nos corrijam: o verbo dever não se conjuga no “futuro inalcançável”. Dever é para ser cumprido! a r C rre a de Folha de S.Paulo. a l v e d as e a es ra e 329 C ap ít u lo 1 8 • er R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap18_C.indd 329 3/12/10 2:57:00 PM