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A revolução científica
A chamada revolução científica foi um movimento que ocorreu na Europa durante os sécu-
los XV, XVI e XVII. Nesse período a forma de encarar a natureza passou por mudanças radicais 
que estabeleceram as bases das concepções científicas modernas. A revolução científica está 
associada ao Renascimento, o amplo movimento intelectual europeu que procurou recuperar 
valores e modelos da Antiguidade greco-romana, renovando as artes plásticas, a arquitetura, as 
letras e a organização política e econômica da sociedade.
O Renascimento começou na Itália, por volta do século XIV, e intensificou-se com a tomada 
da cidade de Constantinopla pelos turcos otomanos, em 1453. Este evento pôs fim a 1.100 anos 
de existência do Império Romano Bizantino e provocou o êxodo de estudiosos de Constantinopla 
para o oeste europeu, particularmente a Itália. Essa migração de intelectuais bizantinos propiciou 
a reintrodução de muitos textos greco-romanos na Europa ocidental.
Figura 1.6 Ilustração sobre 
uma aula de anatomia durante 
o Renascimento. A fé nos textos 
clássicos era tamanha que qualquer 
inconsistência entre o observado na 
dissecação e o descrito no livro era 
considerada defeito do cadáver, pois 
o livro é que conteria a verdade.
Figura 1.7 Ilustração de uma etapa da dissecação 
da cavidade abdominal humana, contida no 
quinto volume da obra De humani corporis fabrica, 
publicada por Andreas Vesalius em 1543.
Durante os séculos XV e XVI, a intelectualidade europeia estava des-
lumbrada com a restauração do antigo conhecimento sobre a natureza e 
com a facilidade de disseminação das novas ideias por meio da forma de 
impressão que o alemão Johann Gensfleish Gutenberg (1397?-1468) inven-
tara em 1440. Os textos clássicos eram, então, a mais importante fonte de 
conhecimento; as especulações que eles traziam sobre fenômenos naturais 
eram muitas vezes aceitas dogmaticamente, como se fossem verdades 
incontestáveis. Entretanto, essa idolatria à autoridade dos antigos logo 
foi questionada pelos novos estudiosos da natureza. (Fig. 1.6)
Um dos primeiros a desafiar abertamente a infalibilidade dos antigos 
conhecimentos foi o cientista polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Na 
época, a Igreja defendia as ideias de Aristóteles e de Ptolomeu sobre o 
universo. De acordo com essas ideias, a Terra ocupava o centro do universo 
(modelo geocêntrico) e, sendo a humanidade a mais importante criação de 
Deus, era óbvio pensar que ela devia ocupar uma posição central no universo 
e na criação. Copérnico formulou um modelo cósmico muito mais consis-
tente, em que o Sol ocupava a posição central, com os planetas girando 
ao redor (modelo heliocêntrico). Essas ideias já haviam sido propostas, 
séculos antes, por pensadores gregos, hindus e mulçumanos.
Copérnico publicou sua teoria heliocêntrica (ou heliocentrismo) no livro 
De revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes). 
O primeiro exemplar impresso desse livro chegou às mãos de Copérnico 
exatamente no dia de sua morte, em 24 de maio de 1543; ele continha 
um prefácio anônimo, adicionado sorrateiramente pelo teólogo luterano 
Andreas Osiander, alertando que a ideia de o Sol ser o centro do sistema 
solar, ali apresentada, não era uma verdade e sim um artifício matemático 
para calcular as posições dos planetas. A farsa só foi desmascarada 50 
anos mais tarde pelo astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), que 
restabeleceu a ideia original de Copérnico.
Na área da Biologia, um dos principais contestadores dos textos clás-
sicos foi o anatomista belga Andreas Vesalius (1514-1564); em 1543, ele 
publicou uma obra em sete volumes, intitulada De humani corporis fabrica 
(Da organização do corpo humano), considerada uma das mais influentes 
obras de Anatomia Humana de todos os tempos. Ilustrada com exatidão 
por artistas competentes, a obra de Vesalius apresentava um exame 
acurado dos órgãos e de toda a estrutura do corpo humano, baseado em 
dissecações cuidadosas de cadáveres. Nela, Vesalius corrigiu muitos dos 
erros de Galeno e estabeleceu a importância da dissecação, da observação 
e de uma visão mecanicista da anatomia para a compreensão do funcio-
namento corporal. (Fig. 1.7)
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Seção 1.2
Objetivos❱❱❱❱
Familiarizar-se CCCCCCC
com conceitos e 
procedimentos 
empregados pelos 
cientistas e perceber 
a possibilidade de 
aplicá-los em situações 
do cotidiano.
Reconhecer os CCCCCCC
papéis da observação, 
da formulação de 
hipóteses e da 
experimentação 
nos procedimentos 
científicos.
Distinguir fato, CCCCCCC
hipótese, lei e teoria.
Relacionar ciência CCCCCCC
e tecnologia.
Termos e conceitos❱❱❱❱
método hipotético- •	
-dedutivo
hipótese•	
dedução•	
experimentação•	
teoria•	
lei científica•	
Procedimentos em ciência
1 Uma nova forma de estudar a natureza
Os trabalhos de Copérnico e de Vesalius fortaleceram a revolução cientí-
fica ao romper com o procedimento medieval de interpretar a natureza com 
base em escritos clássicos e teológicos. Por isso, esses trabalhos marcam 
o início da ciência moderna, que se consolidou no decorrer do século XVII 
e cuja característica principal foi a elaboração de novos métodos para o 
estudo da natureza.
Esses novos métodos fundamentavam-se na evidência empírica, ou 
seja, naquilo que pode ser percebido por meio de nossos sentidos, aliada 
à importância da Matemática na descrição e interpretação dos fenômenos 
naturais; por outro lado, descartavam explicações baseadas nos textos 
clássicos e na Bíblia. Dentre os proponentes e divulgadores das novas 
ideias, destacam-se o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) e o físico 
italiano Galileu Galilei (1564-1642).
Francis Bacon recusava-se a aceitar tanto os dogmas elaborados a partir 
dos escritos de Aristóteles e outros sábios antigos quanto as “verdades 
reveladas” contidas nos textos religiosos. A seu ver, as explicações para 
os fenômenos da natureza deviam basear-se na observação empírica e não 
nos livros clássicos. Assim, para determinar o número de dentes do cavalo, 
por exemplo, era melhor contá-los diretamente nesses animais, em vez de 
simplesmente aceitar o valor estimado por Aristóteles séculos atrás. Em 
resumo, Bacon propunha que o estudo da natureza devia começar pela 
observação dos fatos e não pela fé nos livros. (Fig. 1.8)
Uma preocupação central de Francis Bacon foi a elaboração de procedi-
mentos padronizados, que permitissem chegar a explicações válidas para 
os fenômenos naturais. Em uma série de textos publicados entre 1606 e 
1626, ano de sua morte, o filósofo inglês procurou estabelecer métodos 
para organizar as observações da natureza. Ele afirmava que, partindo de 
casos particulares, era possível chegar a causas ou explicações gerais 
para determinado fenômeno, método conhecido como indução. Bacon 
difundiu o procedimento indutivo na pesquisa da natureza, embora não 
tenha conseguido explicar claramente como, a partir de fatos isolados, se 
podia obter uma explicação geral.
Galileu Galilei, apesar de católico fervoroso, combateu a física aris-
totélica defendida pela Igreja cristã da época. Ele discordava de alguns 
procedimentos utilizados por Aristóteles na interpretação dos fenôme-
nos naturais e afirmava que tais fenômenos deviam ser compreendidos 
a partir da experimentação e da abordagem matemática. Além disso, 
Galileu acrescentou ao procedimento baconiano a ideia de que era pre-
ciso submeter a testes a explicação para um fenômeno natural, com o 
objetivo de verificar se ela era falsa ou verdadeira. A ideia de testar hipó-
teses aparece em diversos momentosna história da ciência; o primeiro 
a sugeri-la parece ter sido Francis Bacon, mas foi Galileu quem a expôs 
com clareza. (Fig. 1.9)
Figura 1.8 Retrato de Francis Bacon, filósofo 
inglês que propôs a utilização de métodos 
rigorosos para estudar a natureza, sendo 
um precursor da ciência moderna.
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2 O método hipotético-dedutivo
O principal objetivo da ciência é fornecer explicações para os fenômenos da natureza. Essas 
explicações são formuladas e testadas por meio de procedimentos rigorosos, dentre os quais 
se destaca o método hipotético-dedutivo, também chamado método científico.
O processo científico começa sempre com alguma observação que leva o observador a per-
guntar: “Por que tal fenômeno ocorre?” ou “Qual a relação entre determinados fatos?”. Essas 
perguntas ocorrem quando ainda não há explicação para um fato observado, ou quando as expli-
cações existentes não são consideradas satisfatórias. Em ciência, um problema é uma pergunta a 
que não se consegue responder diretamente com o conhecimento vigente. Como disse o filósofo 
da ciência austríaco Karl Popper (1902-1994), “[…] cada problema surge da descoberta de que 
algo não está de acordo com nosso suposto conhecimento; ou, examinado em termos lógicos, 
da descoberta de uma contradição interna entre nosso suposto conhecimento e os fatos”.
Diante do problema, o cientista passa a imaginar possíveis explicações, ou hipóteses, capazes 
de solucioná-lo. Um dos passos mais difíceis no procedimento científico é definir a pergunta a 
ser feita, identificando claramente o problema para, então, formular as hipóteses e as estraté-
gias para testá-las. Embora se possa dizer que uma hipótese científica é como um palpite sobre 
a possível causa de um fenômeno, ela não é um palpite qualquer. Para formular a hipótese, o 
cientista analisa, interpreta e reúne as informações disponíveis sobre o assunto. Uma condição 
fundamental para a elaboração de uma hipótese científica é a existência da possibilidade de 
submetê-la a testes, que permitam verificar se ela é falsa ou “verdadeira”. Mais adiante explica-
remos o uso de aspas na palavra “verdadeira”.
Por sua preocupação em estabelecer procedimentos para estudar a natureza, Francis Bacon 
é considerado o fundador da Filosofia da Ciência. Galileu Galilei, por sua vez, é considerado o 
“pai” da Física moderna e da ciência experimental. As ideias de Bacon e de Galileu, entre outros 
estudiosos, foram ampliadas e modificadas no decorrer do século XVII, originando o método 
hipotético-dedutivo, que veremos a seguir.
Figura 1.9 Folha de rosto do livro Il 
Saggiatore (“O ensaiador”), escrito por 
Galileu Galilei e publicado em 1623. A 
ilustração expressa, por meio de ícones, a 
convicção de que a ciência e a Matemática 
são os pilares do estudo da natureza. 
A ciência é representada pela imagem 
feminina à esquerda, cuja cabeça envolta 
por raios indica a mente iluminada pela luz 
da razão. Em uma das mãos, ela segura um 
livro que contém os fatos sobre o universo, 
representado pela esfera, na outra mão. 
A Matemática é representada pela figura 
feminina à direita, cuja coroa a qualifica 
como a rainha das disciplinas. Em uma 
das mãos ela tem um compasso, utilizado 
para desenhar as trajetórias dos astros, 
indicadas na esfera celeste, na outra mão.

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