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A celulose é uma importante fonte de alimento para muitos animais herbívoros, principalmente 
os ruminantes (vacas, cabras etc.). Paradoxalmente, esses animais não são capazes de digerir, 
eles mesmos, as moléculas de celulose que ingerem. Essa tarefa é realizada por microrganismos 
(bactérias e protozoários) que vivem no estômago do ruminante como comensais. Periodicamente, 
o ruminante digere e aproveita grandes quantidades de microrganismos como alimento, além de 
se utilizar de produtos da celulose que eles liberam no meio. (Fig. 3.16)
Moléculas de celulose também são indigestas para nossa espécie, mas, ao contrário dos 
ruminantes, não possuímos em nosso tubo digestório microrganismos que nos ajudem a digeri-
-las. Apesar disso, ingerir alimentos ricos em celulose é importante para a saúde, pois as fibras 
celulósicas são higroscópicas (isto é, absorvem água) e dão volume e consistência à massa 
alimentar, ativando os movimentos intestinais.
As folhas do livro que você está lendo e, talvez, sua mesa e sua cadeira são constituídas por 
moléculas de celulose, o principal componente do papel e da madeira. Pense na importância 
dessa substância para a humanidade.
3 Importância dos glicídios
Nosso planeta não precisa importar matéria de lugar nenhum para manter a vida. Os elemen-
tos e substâncias químicas presentes na Terra se organizam e reorganizam a cada geração de 
seres vivos. Em outras palavras, a matéria é continuamente reciclada. Entretanto, a energia ne-
cessária para sintetizar toda essa matéria orgânica vem do Sol. A energia solar é captada pelas 
algas e plantas, que a utilizam para produzir moléculas de glicídios por meio da fotossíntese. Os 
glicídios armazenam, na forma de energia potencial química, boa parte da energia empregada 
em sua produção.
A fotossíntese consiste em um conjunto de reações químicas em que moléculas de gás car-
bônico e de água são convertidas em moléculas de glicídio e gás oxigênio. O resumo de todas as 
reações da fotossíntese pode ser descrito pela equação geral a seguir:
6 CO2 1 12 H2O # C6H12O6 1 6 02 1 6 H2O
 Gás Água LUZ Glicídio Gás Água
 carbônico oxigênio
Uma vez que plantas, algas e algumas bactérias são os únicos seres que conseguem captar 
energia luminosa do Sol, a sobrevivência de praticamente todos os outros organismos depende, 
direta ou indiretamente, desses seres fotossintetizantes. Os animais herbívoros obtêm a energia 
necessária à sua vida comendo plantas ou algas. Os animais carnívoros, ao se alimentarem de 
herbívoros ou mesmo de outros carnívoros, estão usando indiretamente a energia originária dos 
glicídios produzidos na fotossíntese.
A dependência que os animais têm das plantas nos dá uma medida da importância dos seres 
fotossintetizantes e dos glicídios para a existência e a manutenção da vida na Terra.
Figura 3.16 Mamíferos ruminantes, como as 
ovelhas, abrigam em seus tubos digestórios 
enormes quantidades de microrganismos capazes 
de digerir celulose. A glicose produzida na digestão 
e boa parte dos microrganismos são utilizados 
como alimento pelos animais hospedeiros.
Microrganismos 
presentes no 
estômago
do carneiro
(sem escala)
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Seção 3.4
Figura 3.17 Óleos e gorduras 
não se misturam com água; 
suas moléculas, apolares, não 
têm afinidade pelas moléculas 
polarizadas da água. As aves 
aquáticas lubrificam as penas com 
substâncias oleosas produzidas 
por uma glândula especial 
localizada na cauda, o que faz as 
penas repelirem a água, impedindo 
que a pele se molhe.
Lipídios
1 O que são lipídios
O termo lipídio designa alguns tipos de substância orgânica, como óleos, 
ceras e gorduras, cuja principal característica é a insolubilidade em água e 
a solubilidade em certos solventes orgânicos. Você já deve ter observado 
que óleos e gorduras não se misturam à água; a razão dessa insolubilidade 
é que as moléculas dos lipídios são apolares e, portanto, não têm afinidade 
pelas moléculas polarizadas da água. (Fig. 3.17)
2 Tipos de lipídio
Os principais tipos de lipídio são glicerídios, ceras, carotenoides, fos-
folipídios e esteroides. Veremos, a seguir, as principais características de 
cada um deles.
Glicerídios
Glicerídios são constituídos por moléculas do álcool glicerol ligadas a 
uma, a duas ou a três moléculas de ácidos graxos; neste último caso, os 
glicerídios são conhecidos como triglicerídios ou triglicérides. São glicerí-
dios os óleos e as gorduras, que diferem quanto ao ponto de fusão: óleos 
são líquidos à temperatura ambiente, e gorduras são sólidas.
O glicerol (C3H8O3) é um álcool cujas moléculas têm três átomos de 
carbono, aos quais estão unidos grupos hidroxila (kOH). Ácidos graxos 
são formados por longas cadeias de número par de átomos de carbono 
com um grupo terminal denominado carboxila (kCOOH). O ácido palmítico, 
por exemplo, contém 16 átomos de carbono ligados em cadeia, enquanto o 
ácido oleico é formado por 18 átomos de carbono encadeados. Em geral, não 
há moléculas livres de ácidos graxos no interior das células; quase sempre 
essas moléculas estão combinadas ao glicerol, constituindo glicerídios.
Uma curiosidade interessante sobre os glicerídios é relativa à fabricação 
das margarinas vegetais, bastante utilizadas atualmente em substituição 
à manteiga. Se você ler atentamente o rótulo de uma margarina, deverá 
encontrar a seguinte inscrição: “Fabricada com óleos vegetais hidroge-
nados”. O que isso significa? Simplesmente que, por meio de uma reação 
química em que se adicionou hidrogênio às moléculas de óleos vegetais 
(hidrogenação), estes se tornaram sólidos e com consistência pastosa à 
temperatura ambiente.
Objetivo❱❱❱❱
Conhecer os lipídios CCCCCCC
quanto às suas 
características 
químicas principais — 
tipos de componentes, 
estrutura molecular etc. 
— e suas funções gerais 
nos seres vivos.
Termos e conceitos❱❱❱❱
lipídio•	
glicerídio•	
cera•	
esteroide•	
colesterol•	
fosfolipídio•	
carotenoide•	
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C CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH3
CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH3
CO
H
H
C O
H
O
C CH2C
O
C
O
GLICEROL
Ácido palmítico
(saturado)
Ácido esteárico
(saturado)
Ácido oleico
(insaturado)
CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CHCH2
CH
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2
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CH
2
CH
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3
CH
Figura 3.18 Fórmula estrutural 
de um glicerídio constituído por 
três ácidos graxos distintos. Note 
que os dois ácidos graxos saturados têm 
cadeia carbônica “reta”, enquanto o ácido 
oleico é insaturado devido à presença de dupla 
ligação, apresentando uma “dobra” na cadeia. Moléculas 
de ácidos graxos de cadeias saturadas podem aproximar-se 
mais umas das outras, formando um empacotamento mais 
denso; em consequência, seu conjunto é sólido (por exemplo, 
margarina e manteiga). Quando as cadeias carbônicas são 
insaturadas, as moléculas formam um empacotamento mais 
frouxo, produzindo um conjunto líquido à temperatura ambiente 
(por exemplo, óleo vegetal).
Óleos vegetais
Margarina
Os seres vivos utilizam glicerídios como reserva de energia para momentos de necessidade. 
Por exemplo, muitas plantas armazenam grande quantidade de óleo em suas sementes, cuja 
função é alimentar o embrião durante seu desenvolvimento. A soja, o girassol, o milho e a canola, 
entre outras plantas, têm sementes oleaginosas, utilizadas pela humanidade na fabricação deóleo de cozinha. Aves e mamíferos armazenam gordura em células especiais, em uma camada 
embaixo da pele. Além de servir de reserva energética, essa camada gordurosa atua como um 
isolante térmico, ajudando a manter constante a temperatura corporal.
Pesquisas científicas têm mostrado os perigos do consumo excessivo de alimentos gordu-
rosos, principalmente os de origem animal. Os ácidos graxos saturados podem levar ao desen-
volvimento da aterosclerose (deposição de lipídios na parede das artérias com perda de sua 
elasticidade), o que pode resultar em doenças cardiovasculares, causar infarto do coração e 
acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Uma dieta saudável deve conter certa quantidade de gorduras e óleos, pois, entre outras 
funções, eles são necessários para o organismo absorver as chamadas vitaminas lipossolúveis 
(vitaminas A, D, E e K), que só se dissolvem em lipídios. Além disso, também necessitamos de 
certos ácidos graxos que não conseguimos produzir, os chamados lipídios essenciais. Eles estão 
presentes em diversos óleos vegetais e em peixes marinhos (por exemplo, no conhecido óleo 
de fígado de bacalhau), e são importantes para a construção das membranas celulares e para a 
síntese das prostaglandinas, substâncias que regulam diversos processos orgânicos, como con-
tração da musculatura lisa, agregação de plaquetas do sangue, processos inflamatórios etc.
Ceras
Ceras são substâncias formadas por uma molécula de álcool diferente do glicerol unida a 
uma ou mais moléculas de ácidos graxos. Há ceras constituídas por moléculas de álcool de até 
16 átomos de carbonos na cadeia.
A possibilidade de transformar óleo em margarina decorre de uma propriedade das moléculas de 
ácidos graxos que compõem o glicerídio. Se os ácidos graxos forem todos de cadeia saturada, isto 
é, se todos os carbonos da cadeia de ácido graxo estiverem unidos por ligações simples, o glicerídio 
será uma gordura. Por outro lado, se um ou mais dos ácidos graxos do glicerídio tiverem cadeia 
insaturada, isto é, apresentarem dupla ligação entre um ou mais pares de carbonos da cadeia, o 
glicerídio será um óleo. Os químicos das indústrias de margarina promovem a ligação de átomos 
de hidrogênio aos carbonos que fazem a ligação dupla, desfazendo-a. Assim, as cadeias carbônicas 
de ácido graxo, artificialmente saturadas, tornam-se “retas” e podem adquirir um empacotamento 
mais denso, passando a apresentar consistência pastosa à temperatura ambiente. (Fig. 3.18)

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