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"Mãos dadas" afirma o compromisso do poeta com seu tempo e seu mundo, que sofre mas alimenta 
esperanças. Em meio à esperança, há a paúra definitiva e fatal da situação aflitiva em que se encontra o 
mundo, um caos atormentado, cantada em "Congresso internacional do medo".
"Nosso tempo" é um grande painel da sociedade capitalista das décadas de 30 e 40, época de guerra, 
em que o poeta declara sua indignação contra o tumulto do mundo, contra esse tempo de mutilação moral 
e física. Mas o homem tem que continuar, tem que seguir, é preciso abrir a boca, denunciar, por mais que 
esteja tolhido. É o tempo de "cinco sentidos num só". Ao final, o eu lírico faz uma terrível profissão de fé, 
ou de anti-fé, em relação ao capitalismo, responsável por todos os males do mundo, prometendo lutar 
para acabar com ele:
VERSÃO TEXTUAL 
O poeta
Declina de toda responsabilidade
Na marcha do mundo capitalista
E com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
Promete ajudar
A destruí-lo
Como uma pedreira, uma floresta,
Um verme. 
A ideia de que a miséria humana não é motivo para desesperar e desistir é retomada em "Os ombros 
suportam o mundo", e o cumprimento da ameaça de lutar contra a corrosão dos valores pelo capitalismo é 
cumprida parcialmente no "Anúncio da rosa", metáfora do começo do fim.
Merece destaque "O elefante", bicho poético que sai pelo mundo mas não consegue se comunicar 
porque o mundo é incomunicável; não obstante, ele busca as emoções, a inocência e a poesia, mas volta 
para casa insatisfeito de seus desejos por causa da indiferença das pessoas. A criatura é afinal 
identificada ao criador, o poeta, que recomeça diariamente sua procura vã.
Há ainda as tragédias individuais que se tornam sociais, como "O desaparecimento de Luísa Porto" e 
"A morte do leiteiro"
Os dois últimos poemas pertencem, respectivamente, aos livros Claro enigma (1951) e Novos poemas
(1948), quando já se havia aplacado a ira anti-capitalista do poeta, e, naturalmente, contêm uma 
mensagem menos incendiária. 
Em "Contemplação no banco", há a esperança de um coração pulverizado de que ainda haja flores 
para serem contempladas, de que um novo homem possa sobreviver na ordem capitalista.
No poema final, "Canção amiga", de tom mais otimista, o poeta reitera seu sentimento do mundo 
caminhando "por uma rua / que passa em muitos países", e propõe um cantar "que faça acordar os 
homens / e adormecer as crianças", ou seja, que alerte os homens para a ação e que deixe as crianças em 
paz.
6. UMA, DUAS ARGOLINHAS
Excetuando curtos momentos em que alguma hecatombe o suspende temporariamente, como em 
"Congresso Internacional do Medo", o império do amor é dominante em Carlos Drummond de Andrade: 
amor é vida, embora possa ser em alguns instantes morte, o que não nega o indispensável de sua 
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