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NEUROTRANSMISSORES E NEUROMODULADORES 
 
Introdução 
Os neurotransmissores e neuromoduladores são 
compostos químicos que transmitem informação de um 
neurônio para outro. Classicamente, um 
neurotransmissor foi definido como uma substância 
química liberada por um neurónio pré-sináptico, que 
produz excitação ou inibição da membrana pós-
sináptica. Seu efeito sobre a membrana pós-sináptica 
ocorre em menos de um milissegundo após sua liberação, 
terminando dentro de um décimo de segundo. Os 
neuromoduladores alteram o funcionamento neural por 
ativarem proteínas G que, por sua vez, ativam canais na 
membrana ou enzimas intracelulares (chamadas 
segundos-mensageiros). Isso resulta na abertura 
prolongada dos canais iónicos da membrana, ativação de 
genes e/ou ajustes do teor de cálcio no interior da célula 
pós-sináptica. Os neuromoduladores demandam 
segundos antes que seus efeitos se materializem; os 
efeitos duram de minutos a dias. 
Não podem ser feitas distinções rígidas entre 
neurotransmissores e neuromoduladores porque um 
mesmo composto pode atuar como neurotransmissor em 
alguns locais do sistema nervoso, enquanto atua como 
neuromodulador em outros locais. Por exemplo, a 
substância P atua como neurotransmissor entre os 
neurônios de primeira e de segunda ordem na via 
nociceptiva, mas como neuromodulador no hipotálamo. 
 
NEUROTRANSMISSORES 
Em geral, a acetilcolina e os aminoácidos atuam como 
neurotransmissores. Os transmissores, que são 
aminoácidos, incluem a glicina, o GABA e o glutamato. 
As ações desses amino- ácidos transmissores sobre as 
membranas pós-sinápticas são previsíveis: o GABA e a 
glicina são sempre inibitórios, enquanto o glutamato é 
sempre excitatório. 
 
Acetilcolina – desempenha o papel mais importante na 
trans- missão de informação no sistema nervoso 
periférico. A acetilcolina é o transmissor liberado pelos 
motoneurônios, pelos neurônios parassimpáticos e pelos 
neurônios pré-sinápticos periféricos. No sistema nervoso 
central, a acetilcolina participa da seleção dos objetos da 
atenção e da regulação autonómica. As fontes da 
acetilcolina no sistema nervoso central são o núcleo 
pedículo-pontino, o núcleo basal de Meynert e o 
prosencéfalo basal. Os receptores para a acetilcolina são 
nicotínicos (breve abertura dos canais iônicos) ou 
muscarínicos (efeitos lentos, mediados por proteínas G). 
Uma doença autoimune, a mi- astenia grave, produz 
destruição dos receptores para a acetilcolina nas 
membranas das células musculares esqueléticas. 
 
GABA – é o principal neurotransmissor inibitório. 
Existem dois tipos de receptores para o GABA: GABA e 
GABA Quando o GABA se prende a receptores do tipo 
GABA, ocorre abertura de canais de CI, do que resulta 
hiperpolarização da membrana pós-sináptica. Os 
benzodiazepínicos (medicamentos ansiolíticos e 
anticonvulsivantes) e os barbitúricos (medicamentos 
tranquilizantes) também ativam os receptores GABA, e 
dessa forma hiperpolarizam as membranas pós-
sinápticas. Os receptores GABA, estão ligados a canais 
iônicos por meio de sistemas de segundos-mensageiros. 
O bacoflen, um relaxante muscular usado no tratamento 
da espasticidade, aumenta a liberação pré-sináptica de 
GABA, que ativa os receptores GABA, na medula 
espinhal (Cooper, 1996). 
 
Glicina – inibe as membranas pós-sinápticas, 
primariamente no tronco encefálico e na medula 
espinhal. A glicina também impede a dessensibilização 
do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA). 
 
Glutamato – é o neurotransmissor excitatório que ativa 
o receptor NMDA. O receptor NMDA é um receptor para 
aminoácidos excitatórios, com seis sítios distintos para 
fixação. O receptor NMDA tem sido implicado na 
potenciação a longo prazo durante o desenvolvimento e 
no aprendizado. A atividade excessiva do receptor 
NMDA pode produzir crises epilépticas. A 
excitotoxicidade, a morte neuronal por excitação 
excessiva, é devida à abertura persistente de muitos 
canais dos receptores NMDA. Outros receptores para o 
glutamato que não são do tipo NMDA são do tipo de ação 
direta sobre os canais iônicos e o do tipo mediado por 
proteínas G. 
 
NEUROMODULADORES 
As monoaminas e os peptídeos atuam, em geral, como 
neuromoduladores. As monoaminas compreendem as 
catecolaminas: a dopamina, a norepinefrina e a 
epinefrina, bem como a indolamina e a serotonina. A 
dopamina, a norepinefrina e a serotonina têm, em geral, 
efeitos inibitórios sobre as membranas pós-sinápticas, 
mas, por vezes, seus efeitos são excitatórios. Os 
peptídeos são a substância P e as encefalinas. 
 
Dopamina – tem efeitos sobre a atividade motora, sobre 
a motivação e sobre a cognição. As principais fontes de 
dopamina são a substância negra e a área tegmentar 
ventral. A perda da dopamina na substância negra é a 
deficiência primária na doença de Parkinson. O 
envolvimento da dopamina em certos aspectos das 
psicoses é demonstrado pela ação de alguns 
medicamentos antipsicóticos, que impedem a ligação da 
dopamina a determinados sítios receptores. Esses 
compostos diminuem as alucinações, o delírio e o 
pensamento desorganizado. Contudo, como previnem a 
ligação da dopamina, um efeito colateral de muitos 
desses medicamentos é a discinesia tardia. A discinesia 
tardia é um distúrbio hipercinético, caracterizado por 
contrações musculares involuntárias. A clozapine é um 
medicamento antipsicótico que só se liga a um tipo de 
receptor para dopamina que não produz a discinesia 
tardia. Os aspectos. motivacionais da dopamina são 
evidentes no vício de certas drogas. A ação da dopamina 
é potenciada pela cocaína, visto que a cocaína interfere 
numa proteína que remove a dopamina de seu sítio de 
ligação. As anfetaminas aumentam a liberação da 
dopamina, bloqueando a recaptação desta. Por fim, 
embora algumas pessoas com esquizofrenia tenham 
excesso de um subtipo de receptor para dopamina, a 
evidência disponível na atualidade não elimina os efeitos 
do tratamento medicamentoso como causa possível da 
concentração anormal dos recepto- res para dopamina. 
 
Serotonina – ajusta o nível geral de ativação (arousal) e 
suprime a informação sensorial. Por exemplo, a 
serotonina tem participação no sistema descendente do 
controle da dor. Os mais altos níveis de serotonina são 
coincidentes com o grau de alerta, enquanto seus níveis 
são baixos no sono não-REM, e mínimos durante o sono 
REM. Níveis baixos de serotonina estão associados à 
depressão e ao comportamento suicida. O antidepressivo 
Prozac (fluoxetine) é um bloqueador seletivo da 
recaptação da serotonina. 
 
Norepinefrina – tem participação essencial na vigilância 
ativa do ambiente por aumentar a atenção à informação 
sensorial. Os níveis máximos de norepinefrina estão 
associados à vigilância e os níveis mais baixos ocorrem 
durante o sono. A norepinefrina se liga a receptores alfa 
e beta. É essencial para a produção da reação de "luta ou 
fuga" ao estresse. 
A hiperatividade do sistema da norepinefrina produz 
medo e, nos casos extremos, pânico, por ação sobre 
regiões corticais e límbicas. O distúrbio do pânico é o 
desencadeamento súbito de terror intenso, sentimento de 
perda da identidade pessoal, a percepção de que as coisas 
familiares são estranhas ou que não são reais, 
combinados aos sinais de aumento da atividade do 
sistema nervoso simpático. O distúrbio do pânico é 
produzido por níveis excessivos de norepinefrina. Os 
antagonistas adrenérgicos, como o propranolol, 
impedem a ativação dos receptores beta. Essa ação 
impede a sudorese, os batimentos acelerados do coração 
e outros sinais de ativação simpática que, de outro modo, 
ocorreriam em situações estressantes. Músicos e atores, 
muitas vezes, tomam propranolol, antes de entrarem em 
cena. 
O distúrbio do estresse pós-traumático também implica 
em atividade excessiva da norepinefrina. Demonstrou-se 
isso pela administração venosa de umcomposto, a 
ioimbina, que estimula a atividade da norepinefrina. 
Veteranos de guerra com distúrbio de estresse pós-
traumático vivenciam recordações (flashbacks) do 
acontecimento traumático, pânico, pesar, pensamentos 
intrusivos sobre o acontecimento traumático e dormência 
emocional quando tratados com ioimbina. Os sujeitos 
controle sentem poucos efeitos quando tratados com 
ioimbina. 
 
Medicamentos Usados no Tratamento da Depressão 
Os medicamentos eficazes no tratamento da depressão 
incluem os inibidores da monoaminas oxidase, 
antidepressivos tricíclicos e bloqueadores seletivos da 
recaptação da serotonina. A monoamina oxidase (MAO) 
degrada as catecolaminas, de modo que os níveis de 
norepinefrina ficam diminuídos. O principal efeito dos 
antidepressivos tricíclicos parece ser o de aumentar a 
atividade dos receptores para serotonina e daqueles do 
tipo alfa (norepinefrina), com atividade diminuída dos 
receptores beta centrais (norepinefrina). Os 
bloqueadores seletivos da recaptação da serotonina 
incluem o Prozac (fluoxetine). 
 
Substância P – Encontra-se a substância P no corno 
dorsal da medula espinhal, na substância negra, na 
amígdala, no hipotálamo e no córtex cerebral (Cooper, 
1996). Na medula espinhal, a substância P atua como 
neurotransmissor na via nociceptiva. Nos outros locais, a 
substância P atua como neuromodulador, produzindo, 
usualmente, excitação duradoura das membranas pós-
sinápticas. 
 
Endorfinas – Encontram-se as endorfinas em áreas com 
receptores para opiatos, incluindo a substância 
gelatinosa, o hipotálamo, as substâncias cinzentas 
periventricular e periaqueductal. Sua ação primária é a 
inibição da informação sobre a dor lenta. Os receptores, 
para os diferentes neurotransmissores estão resumidos 
abaixo. 
 
NEUROTRANSMISSORES E SEUS RECEPTORES 
Transmissor Receptores 
Acetilcolina Nicotínico, muscarínico 
GABA GABAA, GABAB 
Glicina Glicina 
Glutamato NMDA, não-NM DA 
Dopamina D1, D2, D3 
Serotonina 5-HT1, 5-HT2, 5-HT3 
Norepinefrina α1, α2, β₁, β2 
Substância P NK1 (neurocinina 1) 
Endorfinas µ1, µ2, d, κ₁, κ2, (opiatos)