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e-Tec Brasil119
Aula 18 – Peculiaridades dos convênios: 
liberação de recursos financeiros, 
saldos e proibições legais
O objetivo dessa aula é conhecer como os recursos financeiros são libera-
dos nos convênios, bem como a aplicação dos saldos existentes e as proi-
bições dos convênios. Essa aula foi desenvolvida a partir do contido na Lei 
de Licitações e Contratos, no Decreto Federal nº 6.170/2007, na Portaria 
Interministerial nº 507/2011 e entendimento dos órgãos de controle. Ao 
final dessa aula, você saberá identificar como os recursos financeiros são 
liberados durante a execução dos convênios; como a entidade convenente 
deve aplicar o saldo de convênios em caderneta de poupança ou fundo 
de aplicação de curto prazo ou operação de mercado aberto lastreada em 
títulos da dívida pública e, ainda, as proibições legais nos convênios. 
18.1 Liberação de recursos financeiros
A pretensão almejada pelos partícipes pode ou não envolver o repasse de 
recursos financeiros. Em havendo, as verbas repassadas ficam vinculadas ao 
objeto do convênio durante toda a execução, isto é, todos os valores recebi-
dos devem ser aplicados nos moldes dos objetivos ajustados.
De acordo como artigo 116 da Lei nº 8.666/1993, parágrafo terceiro, as par-
celas do convênio serão liberadas em estrita conformidade com o plano de 
aplicação aprovado, exceto nos casos a seguir, em que as mesmas ficarão re-
tidas até o saneamento das impropriedades ocorrentes: I – quando não tiver 
havido comprovação da boa e regular aplicação da parcela anteriormente 
recebida, na forma da legislação aplicável, inclusive mediante procedimentos 
de fiscalização local, realizados periodicamente pela entidade ou órgão des-
centralizador dos recursos ou pelo órgão competente do sistema de controle 
interno da Administração Pública; II – quando verificado desvio de finalidade 
na aplicação dos recursos, atrasos não justificados no cumprimento das eta-
pas ou fases programadas, práticas atentatórias aos princípios fundamen-
tais de Administração Pública nas contratações e demais atos praticados na 
execução do convênio, ou o inadimplemento do executor com relação a 
outras cláusulas conveniais básicas; III – quando o executor deixar de adotar 
as medidas saneadoras apontadas pelo partícipe repassador dos recursos ou 
por integrantes do respectivo sistema de controle interno. 
trativo específico que integrará as prestações de contas do ajuste”. 
Desta forma, os saldos de convênios terão que ser investidos. Ante a sua 
não observância, poderá gerar o dever de devolução das receitas que seriam 
auferidas em razão do investimento financeiro, bem como o bloqueio da 
liberação de demais parcelas do convênio e, posteriormente, aplicados no 
objeto do convênio.
Por fim, prevê o parágrafo sexto que “quando da conclusão, denúncia, res-
cisão ou extinção do convênio, acordo ou ajuste, os saldos financeiros re-
manescentes, inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações 
financeiras realizadas, serão devolvidos à entidade ou órgão repassador dos 
recursos, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias do evento, sob pena 
da imediata instauração de tomada de contas especial do responsável, pro-
videnciada pela autoridade competente do órgão ou entidade titular dos 
recursos”. 
18.3 Proibições legais
O artigo 52 da Portaria Interministerial 507/2011 enumera expressamente as 
vedações aos termos de convênios, conforme segue:
Art. 52. O convênio deverá ser executado em estrita observância às 
cláusulas avençadas e às normas pertinentes, inclusive esta Portaria, 
sendo vedado:
I - realizar despesas a título de taxa de administração, de gerência ou 
similar;
II - pagar, a qualquer título, servidor ou empregado público, integrante 
de quadro de pessoal de órgão ou entidade pública da administração 
direta ou indireta, por serviços de consultoria ou assistência técnica, 
salvo nas hipóteses previstas em leis específicas e na Lei de Diretrizes 
Orçamentárias;
III - alterar o objeto do convênio ou contrato de repasse, exceto no caso 
de ampliação da execução do objeto pactuado ou para redução ou ex-
clusão de meta, sem prejuízo da funcionalidade do objeto contratado;
IV - utilizar, ainda que em caráter emergencial, os recursos para fi-
Por seu turno o Decreto Federal nº 6.170/2007, artigo 10, prevê que “as 
transferências financeiras para órgãos públicos e entidades públicas e priva-
das, decorrentes da celebração de convênios e contratos de repasse, serão 
feitas exclusivamente por intermédio de instituição financeira controlada 
pela União, que poderá atuar como mandatária desta para execução e fisca-
lização”. Ainda o §3º, I, do mesmo artigo, estabelece que a movimentação 
dos recursos deverá acorrer em conta específica para cada instrumento de 
transferência.
O artigo 54 da Portaria Interministerial nº 507/2011 estabelece, entre outros, 
que a “liberação de recursos obedecerá ao cronograma de desembolso pre-
visto no Plano de Trabalho e guardará consonância com as metas e fases ou 
etapas de execução do objeto do instrumento”.
Importante registrar que havendo irregularidades no convênio, as parcelas 
subsequentes, se houver, serão suspensas. E ainda, a consequência mais gra-
ve no caso de aplicação dos recursos em desacordo com o plano de trabalho 
é a rescisão do convênio.
18.2 Saldos do convênio
Nos termos do artigo 116 da Lei nº 8.666/1993, parágrafo quarto, “os sal-
dos de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente aplicados 
em cadernetas de poupança de instituição financeira oficial se a previsão de 
seu uso for igual ou superior a um mês, ou em fundo de aplicação financeira 
de curto prazo ou operação de mercado aberto lastreada em títulos da dívi-
da pública, quando a utilização dos mesmos verificar-se em prazos menores 
que um mês”
O Decreto Federal nº 6.170/2007, regulamenta o assunto no artigo 10, § 4º.
A expressão "saldos de convênio" deve ser entendida como os valores que 
restarem da aplicação no objeto do convênio, ou que serão aplicados pos-
teriormente ou, ainda, o montante que restou da execução do plano de 
trabalho e que será devolvido ao órgão repassador.
Ainda, de acordo com o contido no parágrafo quinto do artigo 116 da Lei nº 
8.666/1993, “as receitas financeiras auferidas na forma do parágrafo ante-
rior serão obrigatoriamente computadas a crédito do convênio e aplicadas, 
exclusivamente, no objeto de sua finalidade, devendo constar de demons-
Contratos e Convêniose-Tec Brasil e-Tec Brasil
Aula 18 – Peculiaridades dos convênios: Liberação de recursos financeiros, saldos e 
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res, tendo por objeto a realização de interesses comuns. É, na verdade, uma 
associação cooperativa, em que os partícipes se unem para a consecução de 
um fim comum.
Por essa razão, não há que se falar em prestação e contraprestação em 
convênios, mas sim, em união de esforços. Desconfigura o convênio a ob-
tenção, por uma das partes, de vantagem que exceda o limite do interesse 
na execução do objeto. 
A obtenção de vantagem econômica, ainda que indireta, desnatura o con-
vênio, exigindo, em regra, a realização de certame licitatório, ressalvada as 
exceções constitucionais. Sempre que a operação envolver uma contrapres-
tação, não necessariamente em espécie, podendo até resultar em um be-
nefício ou uma vantagem, estar-se-á diante de um contrato e não de um 
convênio.
Nesse diapasão, é o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU):
(...) 2- recomendar à Fundação de Assistência ao Estudante - FAE: (...) 
d. quanto aos Convênios firmados com os Estados e Municípios, para 
a descentralização da merenda escolar, incluir cláusulas vedando: o 
pagamento de taxa de administração ou similar em outros Con-
vênios que porventura venha o Estado ou Município a celebrar para 
a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar. (Decisão 
310/1993 – Plenário)
Diante disso, o pagamento da taxa deadministração compromete o convê-
nio, caracterizando relação tipicamente contratual, a qual, em regra, deve 
ser precedida de licitação.
A segunda proibição é o pagamento de qualquer espécie de remuneração 
a servidor público. Tal proibição se aplica analogicamente aos diretores das 
Organizações não Governamentais (ONGs).
A terceira proibição, aqui já comentada, é a impossibilidade de aditamento 
com alteração do objeto. Conforme aduzido, as partes envolvidas poderão, 
de comum acordo, tão somente, alterar os termos de um convênio, desde 
que mantido o objeto predeterminado e a finalidade pelo qual ele foi firmado. 
nalidade diversa da estabelecida no instrumento, ressalvado o custeio 
da implementação das medidas de preservação ambiental inerentes às 
obras constantes do Plano de Trabalho;
V - realizar despesa em data anterior à vigência do instrumento;
VI - efetuar pagamento em data posterior à vigência do instrumen-
to, salvo se expressamente autorizada pela autoridade competente do 
concedente e desde que o fato gerador da despesa tenha ocorrido 
durante a vigência do instrumento pactuado;
VII - realizar despesas com taxas bancárias, multas, juros ou correção 
monetária, inclusive referentes a pagamentos ou recolhimentos fora 
dos prazos, exceto, no que se refere às multas, se decorrentes de atraso 
na transferência de recursos pelo concedente, e desde que os prazos 
para pagamento e os percentuais sejam os mesmos aplicados no mer-
cado;
VIII - transferir recursos para clubes, associações de servidores ou quais-
quer entidades congêneres, exceto para creches e escolas para o aten-
dimento pré-escolar; e
IX - realizar despesas com publicidade, salvo a de caráter educativo, 
informativo ou de orientação social, da qual não constem nomes, sím-
bolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal e desde que 
previstas no Plano de Trabalho.
Parágrafo único. Os convênios celebrados com entidades privadas sem 
fins lucrativos, poderão acolher despesas administrativas até o limite de 
15% (quinze por cento) do valor do objeto, desde que expressamente 
autorizadas e demonstradas no respectivo instrumento e no plano de 
trabalho.
A primeira proibição é a realização de despesas a título de taxa de 
administração, de gerência ou similar. Um das causas possíveis para des-
caracterizar o convênio é a cobrança de taxa de serviços de fiscalização e 
assistência técnica sobre o valor das contratações.
Como visto no início desse trabalho, o convênio é um ajuste celebrado entre 
entidades da Administração Pública ou entre essas e organizações particula-
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Resumo
•	 Os recursos financeiros repassados a entidade convenente ficam vincula-
dos ao objeto do convênio durante toda a execução, isto é, todos os va-
lores recebidos devem ser aplicados nos moldes dos objetivos ajustados.
•	 Os saldos de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente 
aplicados em cadernetas de poupança de instituição financeira oficial 
se a previsão de seu uso for igual ou superior a um mês, ou em fundo 
de aplicação financeira de curto prazo, ou operação de mercado aberto 
lastreada em títulos da dívida pública, quando a utilização dos mesmos 
verificar-se em prazos menores que um mês. 
O artigo 2º do Decreto Federal nº 6.170/2007 e o artigo 52 da Portaria Inter-
ministerial nº 507/2011 enumeram expressamente as cláusulas e condições 
que não devem constar no termo de convênio.
Anotações
A quarta proibição é a inclusão no termo do convênio, sob pena de nuli-
dade do ato e responsabilidade do agente, de cláusulas ou condições que 
prevejam ou permitam a utilização dos recursos em finalidade diversa da es-
tabelecida no respectivo instrumento, ainda que em caráter de emergência. 
A quinta proibição é a realização de despesas em data anterior à sua 
vigência.
A sexta proibição é a realização de pagamento em data posterior a vigência 
do convênio, salvo autorização da autoridade competente. A regra é que a 
realização dos pagamentos das despesas do convênio aconteçam na vigência 
desse instrumento, isto é, nem um dia antes, nem um dia depois.
A sétima proibição é o custeio de taxas bancárias, multas, juros e correção 
monetária. A questão da incidência da antiga CPMF nas contas bancárias 
das entidades beneficentes de assistência social foi inicialmente regulada 
pela Instrução Normativa da Receita Federal nº 67/1999, depois pela Instru-
ção Normativa 44/2001 e, finalmente, pela Instrução Normativa 531/2005.
Neste sentido é o entendimento do TCU:
Acórdão nº 6438/2011 – 1ª Câmara
9.4. dar ciência à Prefeitura Municipal de Redenção/CE que: (...)
9.4.2. o pagamento indevido de tarifas bancárias, identificado na 
conta específica do Convênio 736193/2010 (conta 20883-3, agência 
1121-5, Banco do Brasil), afronta o disposto na Portaria Interministerial 
127/2008, art. 42, § 5º, o qual estabelece que as contas específicas são 
isentas de tais cobranças;
A oitava proibição é a impossibilidade de transferência de recursos para 
clubes, associações de servidores ou quaisquer entidades congêneres, exce-
tuadas creches e escolas para o atendimento pré-escolar.
A nona proibição é a realização de despesas com publicidade, salvo as de 
caráter educativo, informativo ou de orientação social, das quais não cons-
tem nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de 
autoridades ou servidores públicos. 
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