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Interpretação das Profecias Bíblicas

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Introducão: 
 
Sabendo primeiramente isto: que nenhuma 
profecia da Escritura é de particular 
interpretação. 
Porque a profecia nunca foi produzida por 
vontade de homem algum, mas os homens 
santos de Deus falaram inspirados pelo 
Espírito Santo. 
(2 Pedro 1:20,21) 
 
É importante saber que a Bíblia jamais admite interpretação pessoal. Isso significa dizer 
que não se pode ignorar as especificidades das profecias para compreendê-las ao seu próprio 
modo. Toda profecia bíblica possui uma mensagem central. Para compreendê-la, é necessário 
o conhecimento de algumas informações: 
 
Quem profetizou: 
 
Conhecer a identidade do profeta é fundamental para a interpretação da profecia. 
A vida e as experiências dos profetas influenciaram a forma como eles expressaram suas 
mensagem. Se observarmos o livro do profeta Isaías, por exemplo, perceberemos que 
suas alegorias, metáforas e figuras de linguagem espelham seu caráter contemplativo da 
natureza, de forma que ele conseguia tornar sua mensagem de forma simples e inteligível 
para o povo. 
 
Quem era o alvo da profecia: 
 
Nem todas as profecias são direcionadas à Israel. Primeiramente, é necessário 
fazer a diferenciação entre Israel e Judá, que já haviam se tornado reinos distintos no 
tempo dos profetas maiores. Além disso, algumas das profecias têm como alvo nações 
vizinhas desses dois povos descendentes de Abraão. É possível encontrar profecias para 
a Síria, Tiro, Etiópia, Egito e ainda outras nações do mundo antigo. 
 
Qual era o propósito da profecia: 
 
Em Isaías 5, por exemplo, o profeta faz uma descrição da realidade sócio-
econômica das mulheres de Jerusalém antes do cativeiro e, portanto, retrata as 
vestimentas daquelas mulheres. Por falta de conhecimento do contexto histórico, muitos 
já fizeram uso daquele texto para defender falar de usos e costumes específicos. 
 
Em que contexto a profecia foi lançada: 
 
Só quando entendemos o contexto da profecia conseguimos aplicá-la aos dias de 
hoje. Ao estudarmos a ação profética no Antigo Testamento, precisamos ainda 
compreender a relação do profeta com o povo e com Deus. Era comum usar-se termos 
específicos para se referir ao profeta entre eles: Vidente, atalaia, pastor, homem de Deus. 
 
 
 
 
 
 
 
Historicidade da profecia no Antigo Testamento 
 
A mensagem dos profetas na Bíblia sempre esteve relacionada com a sua vida. O que 
significa afirmar que muitas vezes além de anunciar a mensagem, o profeta “se tornava“ a 
mensagem. Podemos aplicar isso para nossas vidas: Nós somos a mensagem que estamos 
pregando, se a mensagem que pregamos não for testemunhada pela nossa experiência pessoal, 
o mensageiro fica sem condições de expressar a mensagem que ele mesmo comunica. 
 
A profecia no contexto bíblico tem pontos intrigantes. É importante destacar que nossa 
dificuldade de compreender as profecias bíblicas se dá porque nós estamos a uma distância 
temporal muito grande do contexto original e, com isso, acaba ocorrendo uma perda no processo 
da comunicação, o que requer de nós um pouco mais de cuidado na pesquisa e de análise 
naquilo que estamos comunicando. 
 
 
Breve histórico do profetismo biblico 
 
A ação dos profetas abrange um longo período da história bíblica, que vai do ano 760 a.C 
até 453 a.C, quando há um período em que Deus silencia-se para com o povo de Israel. O nosso 
estudo vai girar em torno de um contexto histórico de aproximadamente 300 anos, quando os 
profetas estão atuando em Judá e Israel, chamando o povo ao arrependimento. 
O profetismo foi inserido em Israel com o objetivo de salvá-la da influência das nações 
pagãs que estavam ao redor. O objetivo da profecia no Antigo Testamento era preservar viva a 
consciência do povo acerca da aliança abraâmica. Daí vem a afirmação do escritor: 
“Onde não há profecia, o povo se corrompe; 
mas o que guarda a lei esse é bem-
aventurado.” 
(Provérbios 29:18) 
 
A missão do profeta era contestar toda a ação que fugia daquilo que o Espírito Santo 
estava revelando como sendo a vontade de Deus para aquele povo. Precisamente por esse 
motivo encontramos profetas no Antigo Testamento tendo conflitos e confrontos com autoridades 
civis e religiosas. 
A ação dos profetas maiores foi durante o período da monarquia e, posteriormente, no 
cativeiro e pós-cativeiro. Em seu ofício, atuavam confrontando ou encorajando tanto reis como 
sacerdotes e levitas, e o povo em geral. Portanto, seu ministério era exercido nos palácios, no 
Templo, nas ruas, nas praças e nas casas. 
Ezequiel, por exemplo, profetizava tanto para a corte como para os sacerdotes, levitas e 
o povo em geral. O capítulo 22 é um exemplo rico para ser analisado, porque além de ser uma 
profecia que envolvia classes distintas, retrata muito bem a forma de comunicar do profeta. 
Percebe-se que, nesta passagem, o texto retrata o cenário dizendo que o Senhor olhou 
para a corte e viu que estavam com as mãos manchadas de sangue; olhou para o clero e viu 
que ofereciam sacrifícios que não seriam aceitos; olhou para os profetas e viu que profetizavam 
falsamente; então o próprio Deus começa a caminhar por Jerusalém – figuradamente, é claro – 
para averiguar a situação do povo. 
 
 
Outros profetas que confrontaram reis podem ser citados: Agade e Natã contestaram os 
pecados de Davi e Salomão. O profeta Micaías enfrentou o pecado de Acabe. O profeta Aías 
confrontou o pecado de Roboão e de Jeroboão. A atuação destes profetas pode ser encontradas 
em I e II Samuel, I e II Reis e I e II Crônicas. 
Parte-se de um princípio que quando o pecado da nação começava a partir dos lideres, 
toda a nação era contaminada pela transgressão, então Deus começa repreendendo a liderança 
de Israel e Judá para então atingir todo o povo. 
Existem dois tipos de profetas no tempo bíblico: 
● Profetas escritores: aqueles que além de revelar sua mensagem, escreveram-
na. 
 
● Profetas não escritores: são aqueles que antecederam os profetas escritores, 
mas cuja a mensagem não foi registrada por escrito, salvo episódios específicos 
relatados por historiadores ou algum escritor sagrado que fez menção do 
ministério daquele profeta, a exemplo de Eliseu, Elias, Micaias Aias, Natã, Gade. 
 
É importante destacar que Elias e Eliseu, embora não estejam no agrupamento dos 
chamados profetas escritores, atuaram confrontando a monarquia (nos dias de Acabe e Jezabel), 
a religião (que havia abandonado ao Senhor para seguir Baal e Azera) e o povo. 
O profeta atuava de fato participando da vida pública e da história de sua nação, sempre 
com o propósito de trazer todos os termos da nação para debaixo da orientação e comando de 
Deus porque eles compreendiam que só assim a nação seria próspera e honorária à aliança que 
tinha com o Senhor. Portanto, o profeta não vivia isolado do seu mundo, ao contrário, ele estava 
tão inserido no contexto da sua convivência que ele participa da vida pública e política da sua 
nação. 
A importância do profeta na monarquia de Israel era enorme: Natã participou do processo 
de transição do reinado de Davi para Salomão, Eliseu tinha uma influência tão grande que, 
quando estava enfermo, o próprio rei veio visitá-lo e seu clamor era “meu pai, meu pai, tu és 
como um exército aparelhado para a Guerra”. 
A partir do século VIII a.C., o profetismo é demarcado por uma ação mais específica do 
profeta, quando de maneira mais enfática adota o uso da expressão “Assim diz o Senhor”. Essa 
expressão começa a ser usada pelo profeta no contexto de Israel e Judá quando a nação sofre 
a influência das religiões cananitas e o politeísmo e idolatria foram se inserindo no contexto de 
Israel. Então o profeta, para deixar claro quem estava falando com a nação, enfatiza “assim diz 
o Senhor”. 
O profeta reivindicava para si e para sua mensagem a autoridade profética e a obrigação 
de seus ouvintes de se submeterem à mensagem porque quem estava falando era o Senhor. É 
possível compreender também, sobretudo nas profecias de Isaías e Jeremias, que surgiramprofetas que falavam em nome de Deus, porém sem ter sido por Ele enviados. 
Alguns reis de Israel aderiram à prática pagã de contratar profetas com finalidades 
políticas. Esses profetas eram mantidos pela corte com conforto e luxo para profetizarem sempre 
a favor do rei e levar o povo a segui-lo: 
 
 
E o rei disse ao homem de Deus: Vem 
comigo para casa, e conforta-te; e dar-te-ei 
um presente. 
Porém o homem de Deus disse ao rei: Ainda 
que me desses metade da tua casa, não iria 
contigo, nem comeria pão nem beberia água 
neste lugar. 
Porque assim me ordenou o Senhor pela sua 
palavra, dizendo: Não comerás pão nem 
beberás água; e não voltarás pelo caminho 
por onde vieste. 
Assim foi por outro caminho; e não voltou 
pelo caminho, por onde viera a Betel. 
(1 Reis 13:7-10) 
 
 
Outro exemplo pode ser visto na situação da Guerra que levou à morte de Acabe (I Re 
22:1-28). Esses exemplos mostram que era comum os reis de Israel copiarem a prática pagã de 
ter profetas contratados. 
 
 
O Profeta 
 
O Ministério dos profetas não era resultante de vontade própria, mas de um chamado 
divino. Ele era o instrumento de Deus para confrontar ou trazer ao povo uma mensagem. O 
profeta era o porta-voz de Deus. Esses indivíduos possuíam características distintas do resto da 
população, vivendo uma vida reta em santidade. O profeta não vivia exclusivamente da profecia, 
entretanto, também desempenhando atividades do povo. 
 
O profeta não vivia em “transe ou êxtase” mas tinha uma vida normal, e como já foi 
mencionado anteriormente, se envolvia inclusive com a vida política de seu povo. Um exemplo 
de como o profeta poderia falar por si mesmo acontece quando Natã respondeu a Davi conforme 
o que lhe parecia bem, porém esta não era a vontade do Senhor: 
 
Então Natã disse a Davi: Tudo quanto tens 
no teu coração faze, porque Deus é contigo. 
Mas sucedeu, na mesma noite, que a palavra 
de Deus veio a Natã, dizendo: 
Vai, e dize a Davi meu servo: Assim diz o 
Senhor: Tu não me edificarás uma casa para 
eu morar; 
(1 Crônicas 17:2-4). 
 
Designações que descrevem o profeta 
 
Há vários termos que definem o ofício de profeta. Essas palavras revelam um pouco sobre 
suas funções: 
 
 
 
 
 
 
● Prophētēs (πρoφήτης): 
 
Esse termo designa aquele que fala em nome de um deus e interpreta a sua 
vontade. No contexto que estamos estudando, prophetes refere-se àquele profeta que 
falava para Israel em nome do Senhor Jeová e que era o interprete ou comunicador da 
vontade de Deus. 
 
O termo é formado a partir da junção de duas palavras: “Pro” que significa “diante” 
e “phētēs”, que significa “aquele que fala”. Ou seja, profeta se traduz literalmente como 
“falar por alguém” ou, em uma palavra mais moderna, “porta-voz”. O profeta é, portanto, 
aquele que falava do presente ou do futuro em nome do Senhor. 
 
Cabe observarmos que, no contexto greco-romano, os oradores que falavam em 
nome de uma autoridade jamais utilizavam-se da primeira pessoa do singular. Isso 
acontecia porque não estavam comunicando uma palavra sua, mas serviam apenas de 
interlocutor. 
 
Sempre que um orador nessa situação comunicava uma mensagem, ou usava o 
pronome “nohs” em referência à autoridade que ele representava, ou usava a terceira 
pessoa do singular, isto é, “ele”, referindo-se diretamente a quem o enviara. 
 
O profeta, portanto, quando no exercício da profecia ou do ministério profético, 
não utilizava-se de pronomes pessoais ou possessivos em primeira pessoa, porque não 
estava falando uma vontade sua, mas uma mensagem que tinha origem em Deus da qual 
ele era meramente um comunicador. 
 
● Nabi (נְנִאִים): 
 
O termo que define a função do profeta. NABI ocorre mais de 300 vezes no Antigo 
Testamento. Pode ser traduzido como “chamar” ou “chamado”. Os estudiosos revelam 
que todos os fenômenos proféticos do Antigo Testamento estão relacionados com a 
palavra נְנִאִים(nābîʾ) que é derivada do verbo acadiano nabū (“chamar”). 
 
Enquanto prophētēs caracteriza aquele que “sofre uma vocação”, NABI qualifica 
aquele que era provocado por uma revelação imediata e deliberada da soberania divina. 
O prophētēs era aquele indivíduo que sentia a chamada para o ministério profético e essa 
chamada era desenvolvida no decorrer do tempo. Para esses havia uma preparação, 
uma escola de profetas. O NABI era aquele que não tinha chamada para o ministério e 
não estava se preparando, mas Deus falava com essa pessoa e a tornava seu 
mensageiro. Isso foi, por exemplo, o que aconteceu com Jeremias: 
 
“Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
Antes que te formasse no ventre te conheci, e 
antes que saísses da madre, te santifiquei; às 
nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, 
Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda 
sou um menino. Mas o Senhor me disse: Não 
digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem 
eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. 
Não temas diante deles; porque estou contigo 
para te livrar, diz o Senhor. E estendeu o Senhor 
a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o 
Senhor: Eis que ponho as minhas palavras na tua 
 
 
boca; Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, 
e sobre os reinos, para arrancares, e para 
derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e 
também para edificares e para plantares.” 
(Jeremias 1:4-10) 
 
Nabi aparece pela primeira vez no contexto hebraico em Gênesis 20:7, quando o 
próprio Deus chama Abraão de profeta, caracterizando-o como tal. 
 
● Vidente: 
 
“(Antigamente em Israel, indo alguém 
consultar a Deus, dizia assim: Vinde, e vamos 
ao vidente; porque ao profeta de hoje, 
antigamente se chamava vidente),” 
(1 Samuel 9:9) 
 
Estudiosos sugerem que sua raiz esteja na palavra hebraica cḥōzeh (חֹזֶה). Possui 
o significado de “olhar”, “contemplar”, “profetizar” e “prover”. Vidente aparece mais de 50 
vezes no Antigo Testamento. 
 
Um termo similar a este é “roeh” que designa uma espécie de vidente específico, 
que recebia mensagens particulares a um indivíduo. O texto de I Samuel 9 utiliza a 
expressão roeh, por exemplo. 
 
Nas passagens de II Sm 24:11; I Cr 21:9; 2 Cr 9:29, 29:25 e Am 7:12 o termo 
vidente revela um ofício ministerial comum no Antigo Testamento. Nessa época, era 
comum a prática de consultar o profeta. O termo provavelmente antecede 
cronologicamente a NABI. 
 
Seja qual for o caso, o Vidente era o homem responsável por comunicar às 
pessoas a vontade de Deus. 
 
● Atalaia (ou pastor): 
 
Outros termos que designam o ministério profético eram Atalaia e pastor, porque 
eles deveriam dirigir, orientar e encaminhar o povo a Deus. Outra autoridade religiosa 
chamada de pastor era o Sacerdote. Isso significa que tanto o profeta quanto o sacerdote 
tinham a missão de conduzir o povo a Deus. 
Há, entretanto, uma diferença entre eles: enquanto o sacerdote tinha a missão de 
representar o povo diante de Deus, o profeta representava-O diante do povo. Era usado 
ainda o termo “Vigia”, pois ele tinha a função de atentar para a maneira como o povo 
estava se conduzindo e alertá-lo quanto às consequências de suas ações. 
 
● Servo do Senhor: 
 
“Certamente o Senhor DEUS não fará coisa 
alguma, sem ter revelado o seu segredo aos 
seus servos, os profetas.” 
(Amós 3:7) 
 
Outro termo utilizado para designar o profeta é “Servo do Senhor”, “Homem do Espírito” 
e “Santo Homem de Deus”. Isso se dá porque o profeta era alguém sensível à ação do Espírito 
 
 
de Deus. Ele precisava manter contínua comunhão com o Senhor para que, no momento que o 
Senhor quisesse trazer a revelação, ele estivesse pronto para recebê-la. 
 
 
Definição de profecia 
 
 Ao definir profecia no contexto do Antigo Testamento, precisamos entender que esta era 
a mensagem transmitida da parte de Deus, através de seu mensageiro, para levar a nação a 
entender a vontade do Senhor. 
 
Observe que, embora grupo de profetas das nações pagãs estivessem acostumados a 
profetizar em estado de “êxtase” ou “transe”, os profetas do Senhorcomunicavam sua 
mensagem de outras formas, em perfeito estado de lucidez. A consciência do profeta continua 
ativa no processo da visão e o profeta tinha absoluta compreensão do que lhe estava 
acontecendo. Esta prática de “transe” foi, entretanto, transportada posteriormente para Israel 
pelos profetas de Baal e Azera. 
 
 
O recebimento da profecia 
 
 A fonte da atividade profética era o contato com Deus. Por meio do contato com Deus, o 
profeta vivia uma experiência pelo meio da qual era recebida a mensagem para transmiti-la ao 
povo. O objetivo da profecia era provocar no povo uma mudança para haver uma adaptação 
àquilo que Deus queria. 
“A palavra anunciada por muitas vezes está 
centrada no anúncio de falhas humanas ou 
da sociedade daquele período. Assim, o 
profeta trazia a palavra com a intenção de 
animar o indivíduo ou a população a buscar 
mudança. Por vezes ela serviu de consolo 
para pessoas e povos sem esperança” 
 
 A palavra profética era recebida por palavras audíveis, face a face - Deus falava com o 
profeta (Êx. 33:11). Existem, porém, outras formas de recebimento da mensagem profética: 
Visões e sonhos (Jó 33:14-15). 
 
 As visões eram recebidas pelos profetas de forma sensitiva, imaginativa e intelectiva. A 
visão sensitiva leva este nome porque o profeta a sentia de forma tão realista que tinha a 
sensação de que o fato estava ocorrendo no exato momento da visão. A Visão imaginativa era 
apenas percebida com os sentidos internos. A visão seria intelectiva quando, por meio dos olhos, 
o profeta contemplava um acontecimento diante de si, como Ezequiel na visão do Rio Quebar. 
 
 Vale ressaltar que o profeta recebia a mensagem de forma clara, ou seja, ele entendia 
exatamente o que o Senhor queria revelá-lo. Naturalmente, em relação às visões futurísticas o 
profeta não tinham total compreensão do seu significado. Hoje, porém, quando analisamos a 
profecia, temos um espaço temporal, geográfico e linguístico muito grande entre nós e o profeta, 
o que pode trazer-nos alguma dificuldade na compreensão do significado da profecia. 
 
Por isso, é preciso pesquisar, analisar e conhecer o contexto político, social, cultural e 
militar da época em que a profecia foi transmitida. Só assim pode-se compreender o que o profeta 
estava querendo transmitir para o povo de seus dias e então aplicá-la para nós. Em Hb 1:1 o 
 
 
autor menciona que no contexto do Antigo Testamento Deus falava pelos profetas. Isso revela 
que os Escritores Sacros da dispensação da graça reconhecem a autoridade do ministério 
profético. 
 
 
A prática profética. 
 
“Havendo Deus antigamente falado muitas 
vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos 
profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias 
pelo Filho,” 
(Hebreus 1:1) 
 
 A primeira forma da prática profética é por palavras: os profetas transmitiram de forma 
humana a revelação que receberam do Senhor. O profeta precisava transmitir em palavras aquilo 
que Deus lhe estava mostrando por visão. Esta retransmissão da mensagem levava o profeta a 
apelar para comparações das mais variadas para levar o povo a entender o que Deus estava 
dizendo. Por esta razão, o profeta se utiliza de simbolismos (Deus é representado como noivo 
ou marido e Israel, como noiva e esposa infiel) e também de antropomorfismos (atribuir a Deus 
forma humana - mãos, pés, ouvidos) e antropopatismos (atribuir a Deus sentimentos humanos). 
 
 
A profecia dentro e fora de Israel 
 
A profecia não era uma exclusividade de Israel. A prática comum do profeta em israel era, 
entretanto, diferente das outras, uma vez que não apresentava o caráter extático presente em 
tantas outras culturas. O próprio profeta Jeremias 29:7,8 faz uma menção da possibilidade de 
manifestações proféticas nas nações vizinhas: 
“E procurai a paz da cidade, para onde vos 
fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao 
Senhor; porque na sua paz vós tereis paz. 
Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o 
Deus de Israel: Não vos enganem os vossos 
profetas que estão no meio de vós, nem os 
vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos 
vossos sonhos, que sonhais; 
Porque eles vos profetizam falsamente em 
meu nome; não os enviei, diz o Senhor.” 
(Jeremias 29:7-9) 
 
 Para compreender o contexto de Israel, devemos analisar também o estado das nações 
vizinhas. Apesar da semelhança, o profetismo de Israel foi um fenômeno ímpar, ao menos no 
fator ético-religioso (isso fica especialmente claro no caso dos profeta literários, pois os escritores 
nos deixaram documentos que facilitam a compreensão de seus objetivos, seu estilo e seu 
contexto). Seguem abaixo alguns exemplos de ocorrências de profetismo em nações vizinhas: 
 
 
 
 
 
 
● Egito: 
 
greisemen e lincovsky fazem uma correlação entre as experiências do fenômeno 
profético com as experiências "extática" do Egito. Há, entretanto, pesquisadores 
como Selim e Rolshed que rejeitam essa comparação, uma vez que há casos de 
profecia extática no Antigo Testamento: a expressão empregada para descrever 
o transe de Eldade e Medade, por exemplo, é a de uma profecia extática, e é por 
isso que o evento incomoda Josué. Em 1 Samuel, Saul também profetiza entre os 
filhos de Israel. Aqui, a expressão original indica alguém em transe, fora de 
controle, e era esse tipo de comportamento que havia nas profecias egípcias. 
 
● Sumérios: 
 
Há pelo menos um acontecimento entre os sumérios. A história nos conta de um 
homem intitulado “lunanabatu” ou "aquele que entra no céu". 
 
● Mesopotâmia: 
 
A literatura acadiana apresenta casos de profetismo. Há, inclusive, quem acredite 
que Nabi venha do termo “Nabu”. A palavra utilizada para designar um profeta 
extáticos é "baru", a mesma expressão empregada para descrever Balaão, 
contratado por Baraque para profetizar contra os filhos de Israel. 
 
● Canaã: 
 
Também há ocorrências do profetismo na terra de Canaã. Vide, por exemplo, a 
rivalidade existente entre o baalismo e os profetas de Azera contra o culto 
monoteísta de Israel. 
 
● Outros: 
 
Há ainda outros casos de culturas que manifestaram instâncias de profetismo 
como, por exemplo, a Assíria e a Arábia. Dentre esses, um merece destaque 
especial: mm povo mesopotâmico chamado mari manifestou revelações de 
caráter profético semelhantes aos de Israel nos seguintes aspectos: 
 
a. Os profetas eram homens, não vivendo exclusivamente de suas profecias 
e possuindo atividades entre o povo. 
b. A condição de um profeta era aquela de um mensageiro, alguém que foi 
enviado para repassar uma mensagem. 
c. Os profetas possuíam autoridade divina e podiam comunicar sua 
mensagem oral diretamente ao rei. 
 
 
d. As mensagens do profeta eram normalmente transmitidas em tempo de 
crise. 
e. Havia uma hierarquia sacerdotal, dividindo-os em funções específicas. 
 
 
● Apesar disso, há também importantes distinções que devem ser observadas: 
 
a. Na condição de servos do Senhor, o apelo ético dos profetas de Israel é 
incomparável. 
b. As mensagens passadas através dos profetas de Israel costumam 
envolver todo o povo, não apenas a aristocracia ou o rei. 
c. O profetismo bíblico permaneceu por longos séculos na história de Israel, 
não sendo apenas um movimento efêmero e temporário. 
 
Em nenhuma outra cultura o fenômeno do profetismo teve tão grande influência como em 
Israel, e apenas em Israel houve profetas independentes e livres para transmitir a mensagem a 
quem quer que fosse. Vide os exemplos abaixo: 
 
● O profeta Natã confronta o rei Davi 
 
● O profeta Samuel confronta o rei Saul 
 
● O profeta Elias confronta confronta o rei Acabe e o povo 
 
● O profeta Eliseu exerce grande influência em Israel, Judá e até mesmo na Síria 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFECIA CLÁSSICA EM ISRAEL 
 
 
Origens: 
 
No início da história do povo hebreu, eles viviam sob um regime de patriarcalismo 
nômade. Nessa época, a organização econômica-social se dá por clãs de laços sanguíneos. A 
partir da ocupação da terra prometida,há a introdução dos Juízes e a divisão da terra nas doze 
tribos e o desenvolvimento da agricultura, agora possibilitada pela ausência do nomadismo. 
 
A diferença entre a descendência de abraão é o politeísmo e as tribos só respondem uma 
pela outra quando inimigos cercavam Israel. A bíblia nos mostra que quando Israel pecava 
inimigos cresciam diante deles, quando se arrependiam Deus mandava juízes. O que distingue 
é o monoteísmo, 
 
O fim do período dos juízes dá origem à monarquia. Samuel unge a Saul, que se torna 
rei em 1020 a.C.. Cerca de 20 anos depois, o governo de Saul não foi exatamente bem sucedido. 
Davi sucede Saul em aproximadamente 1000 a.C.. Davi reina por aproximadamente 40 anos, 
lutando em guerras para preservar a soberania da nação e conseguindo entregar a seu filho, 
Salomão, uma nação segura e bem-estabelecida. 
 
O culto em Israel está estabelecido, a nação se vê forte, o reino, consolidado, e a paz na 
região permite a prosperidade. Nessa época há um deslocamento demográfico do campo para 
a cidade, de forma que estas se tornam o centro de poder. Em seu reinado, Salomão promove 
uma expansão de Jerusalém. O fortalecimento de Israel permite que diversas alianças sejam 
consolidadas com as nações vizinhas. Vide, por exemplo, as muitas mulheres que Salomão tinha 
como esposas. 
 
Tal grau de avanços, entretanto, demanda dinheiro, de forma que há um aumento de 
impostos e burocracia sobre a população. Com a morte de Salomão, o trono passa a Roboão 
que, ignorando os anseios da população pela diminuição das cargas tributárias, aumenta 
drasticamente os impostos, causando uma divisão no reino. 
 
Depois disso, ambos os reinos sofrem com a decadência. O reino do norte abandona a 
religiosidade judaica, adotando para si uma fé sincretista. Judá também vive ciclos de decadência 
e restauração, alternando entre monarcas tementes e não tementes ao Senhor. A violência e 
idolatria crescem, gerando ainda mais corrupção. Nessa situação de crise, os profetas de Jeová 
surgem para alertar as pessoas contra a fuga da observância da Lei. 
 
O profetismo ocorre em momentos de crise acentuada, de forma que Deus manda um 
mensageira para fazer sua vontade conhecida. Os profetas vêm respaldados pela Torá, os livros 
da lei, para dar validade à sua, mensagem. Amparados pela Lei e orientados por Deus, eles 
convocam o povo ao arrependimento. 
 
 
 
É também nesse contexto de crise que há o surgimento das escolas de profetas, que 
treinavam os vocacionadas para o ministério de profecia. 
 
O primeiro período de profecia demonstra sinais prodigiosos numa época em que a terra 
era repleta de paganismo. O ministério de Elias foi uma grande confrontação à idolatria pagã. 
Elias atuou no período dos reis Acabe e Acazias, sendo depois sucedido por Eliseu. O profeta 
Eliseu estende seu ministério para além das fronteiras de Israel, alcançando também Judá e a 
Síria. O projeto desses profetas era fazer ressurgir no povo a fé e a disposição de adorar a Deus. 
 
 
Época da profecia clássica em Israel 
 
A época da profecia clássica em Israel começa aproximadamente no século 8 a.C., 
abrangendo a época invasão da Síria às 10 tribos do norte (em 722 a.C.) e o cerco de 
Nabucodonosor a Jerusalém (em 586 a.C.): 
 
● Período pré-exílico (750 a.C. a 586 a.C.): é marcado principalmente por um profundo 
desvio moral. Amós e Oséias repreendem e alertam o povo de Israel no norte. No sul, 
Isaías, Miquéias, Naum, Sofonias, Habacuque e Jeremias buscam levar o povo ao 
arrependimento. 
 
● Período exílico (586 a.C. a 538 a.C.): Judá é aprisionada em cativeiro na Babilônia. É 
durante o cativeiro que Ezequiel exercerá seus ministério às margens do Rio Quebar, 
convidando o povo ao arrependimento 
 
● Período pós-exílico (538 a.C. a 460 a.C.): há o retorno de Judá à sua terra. Ageu, Zacarias 
e Malaquias atuam pela restauração do templo, do culto, e o restabelecimento da nação. 
 
Principais temas da profecia clássica: 
 
● A reafirmação do monoteísmo em frente às religiões pagãs que tentavam se instaurar no 
meio do povo. 
 
● A declaração da universalidade de Deus, bem como Sua natureza transcendente e 
imanente. 
 
● A santidade de Deus e, portanto, a necessidade do povo pela busca do arrependimento 
e perdão. 
 
● Julgamento, isto é, a chegada dia do Senhor. 
● Apelo à justiça por parte dos governantes e do povo. 
 
● A restauração dos descendentes de Abraão como nação. 
 
 
 
PROFETA ISAÍAS 
“JEOVÁ É SALVAÇÃO” 
 
“Mas ele foi ferido por causa das nossas 
transgressões, e moído por causa das 
nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a 
paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras 
fomos sarados.” (Isaías 53:5) 
 
Introdução: 
 
O ministério do profeta Isaías surge num período crítico para Israel. Seu livro abre a 
sessão de profetas clássicos: Depois da morte do rei Salomão, a nação entra num período de 
decadência: lugares de culto pagão haviam se tornado comuns, muitos sacerdotes e profetas 
eram corruptos, não condenando pecados e aceitando sacrifícios que Deus não aceitava. Nesse 
cenário, Deus questiona a legitimidade do culto em Israel. 
 
Aqui vale um adendo: há vezes em que o termo “Israel” é utilizado para fazer referência 
a apenas os Reinos do Norte, noutras, entretanto, ele é empregado para ambos. 
 
Isaías surge, então, voltando-se principalmente para Judá. Sua mensagem era uma de 
clamor ao povo, convidando-os ao arrependimento. A mensagem de Isaías aponta para o futuro 
cativeiro babilônico e, depois, seu livramento e restauração: 
 
O livro de Isaías também é considerado uma Mini Bíblia. Isso de dá por causa das 
várias semelhanças que ele possui com o Livro Sagrado: 
 
● Isaías possui 66 capítulos, a Bíblia, 66 livros 
 
● Dos 66 capítulos, 39 tratam da lei, juízo e castigo, sendo primariamente direcionados 
aos judeus. 
 
● Os 27 capítulos restantes tratam de temas que atingem amplamente os gentios, como a 
vinda do messias, por exemplo. 
 
 
Autoria: 
 
A tradição nos revela que o autor do livro é o próprio profeta Isaías. Há teólogos do ramo 
liberal que questionam essa posição. Segundo eles, Isaías escreveu apenas do capítulo um ao 
39, e o restante do texto foi completado por outra pessoa (ou outras pessoas). Tal ceticismo é 
reprovado pela teologia pentecostal. 
 
 
 
 
 
Temas principais: 
 
a. Santidade: o texto possui um grande enfoque em santidade. Ele se apresenta de duas 
formas: na exaltação da santidade de Deus e na convocação ao povo para o 
arrependimento e santificação. 
 
b. Punição: o livro é repleto de mensagens condenatórias contra o pecado tanto de Israel 
quanto das nações vizinhas. 
 
c. Salvação: aqui apresentada na forma de livramento do cativeiro babilônico e 
apresentação profética do ministério do messias. 
 
d. O messias: Isaías tratou amplamente de temas messiânicos, e em seu texto podemos 
encontrar diversos detalhes sobre a vinda de Cristo. 
 
e. Esperança: a restauração do reino de Judá. 
 
 
Sobre o profeta: 
 
Sugere-se que o profeta Isaías tenha sido criado num lar aristocrático. Foi contemporâneo 
dos profetas Oséias, Amós e Miquéias e profetizou nos reinados de Uzias, Jotão, Acaz e 
Ezequias. 
 
Estima-se que o profeta Isaías atuou entre os anos 740 e 680 a.C. Seu chamado para o 
ministério profético se dá no ano da morte do rei Uzias e há relatos no texto da morte de 
Senaqueribe (mencionada em Is 37:37,38), que morreu em 680 a.C. 
 
A tradição judaica nos diz que Isaías morreu no tempo de Manassés, serrado ao meio a 
mando do rei. Talvez seja a esse acontecimento que o autor de Hebreus faz referência quando 
escreve sobre o “hall dos heróis da fé”. 
 
Sabe-se ainda que Isaías escreveu outro livro além, descrito em 2 Crônicas: 
 
“Quanto ao mais dos atos de Uzias, tanto os 
primeiros como os últimos, o profeta Isaías, 
filho de Amós, o escreveu.” 
(2 Crônicas 26:22) 
 
 
Alguns pontos acerca de Isaías: 
 
1. Isaías é considerado o maior profeta de todo o Antigo Testamento2. É comumente intitulado de “O Profeta Messiânico” devido à quantidade de referências a 
Cristo em seus textos. De fato, tamanha é a concentração de referências a Jesus que 
Isaías é considerado o Quinto Evangelho. 
 
3. É mencionado pelo menos 50 vezes no Novo Testamento. 
 
4. Foi consistente e perseverante no desempenho de seu ministério, apesar da relutância 
com que seus ouvintes receberam as palavras duras de suas profecias. Por três anos e 
meio, Isaías andou nu para evidenciar a vergonha do cativeiro que cairia sobre o povo. 
 
5. Devido ao fato de suas profecias estarem bastante deslocadas no futuro, Isaías morreu 
desacreditado. 
 
 
Esboço: 
 
1. Capítulo 1:1 a 6:3 - uma mensagem de juízo e esperança. Os primeiros cinco capítulos 
são os chamados “ditos proféticos” que iniciam-se com um “Ai”. 
 
2. Capítulo 6:1 - aqui ocorre a mensagem específica de Isaías para o ministério profético e 
sua consagração. 
 
3. Capítulo 7:1 a 12:6 - profecias de libertação e salvação. 
 
4. Capítulo 4, 9 e 11 - o advento e poder do messias. 
 
5. Capítulo 13:1 a 24 - o juízo de Deus sobre as nações. Aqui há profecias contra os povos 
vizinhos de Israel. 
 
6. Capítulo 25: juízos e promessas para o futuro de Judá. 
 
7. Os “Ais” de julgamento dos Ditos proféticos. 
 
8. O Dia do Senhor: o dia da manifestação do julgamento do Senhor. 
 
9. Capítulo 36:1 a 39:8 - o reinado do rei Ezequias e o livramento concedido a ele. 
 
10. A mensagem de libertação do cativeiro para uma nação que ainda não se encontra 
dominada por estrangeiros. Essa é uma das razões pelas quais a mensagem de Isaías é 
odiada pelo povo. 
 
11. Capítulo 40:1 a 48:22 - o Senhor traz para Judá uma mensagem de consolo: a Babilônia 
cairá e seus ídolos serão destruídos. 
 
 
 
12. Capítulo 49:1 a 57:21 - aqui há uma profecia especificamente messiânica. Esses 
capítulos tratam do nascimento de Cristo e os sofrimentos pelos quais passaria. 
 
13. Capítulo 61 - há aqui a proclamação da Salvação anunciada desde o capítulo 58:1. 
 
14. Capítulo 66:24 - a mensagem de consolo e a paz para o futuro povo de Judá. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFETA JEREMIAS 
“JEOVÁ ESTABELECE” 
 
“Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos 
sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de 
Benjamim; Ao qual veio a palavra do Senhor, nos 
dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no 
décimo terceiro ano do seu reinado. [...] Assim 
veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Antes 
que te formasse no ventre te conheci, e antes que 
saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei 
por profeta.” 
(Jeremias 1:1-2,4-5) 
 
O profeta: 
 
Contemporâneo de Sofonias, Naum e Habacuque, Jeremias é conhecido como “o Profeta 
das Lágrimas”. Nasceu em Anatote, um pequeno vilarejo a três quilômetros de Jerusalém por 
volta de 650 a.c. no período final do reinado de Manassés. 
 
Jeremias foi um homem materialmente pobre. Nasceu numa família carente e recebeu 
uma ordem de Deus para que jamais se casasse. Por cerca de 40 anos ele exerce seu ministério 
como porta-voz de Deus. 
 
Seu ministério inicia-se no período do reinado de Josias, um monarca temente ao Senhor. 
Foi este rei que reabre o templo e restaura o sacerdócio. O ministério do profeta estende-se para 
além deste rei, entretanto, também atuando no reinado de Jeoiaquim, Jeborias e Zedequias. Seu 
ministério até mesmo estende-se para depois da queda de Jerusalém. 
 
Sua mensagem era dura, de forma que o consideravam um trazedor de más notícias e 
conclui seus dias de profeta em descrédito. Suas palavras contrariavam o povo, a até mesmo o 
rei Jeoiaquim manda jogá-o no calabouço porque Jeremias estimulava a rendição à Babilônia. 
 
Jeremias tinha um ajudante escriba chamado Baruque. É creditada a Baruque a 
organização das profecias de Jeremias. De fato, a competência de seu trabalho preservou os 
escritos até os dias de Daniel. 
 
 
Datação: 
 
O livro foi escrito entre 626 e 586 a.C. 
 
 
 
 
 
 
 
Contexto político: 
 
Josias é rei na terra de Judá, que encontra-se em território disputado pelas duas 
potências que a circundavam: a Babilônia e o Egito. O rei Josias é morto numa batalha contra o 
rei do Egito, passando o trono para Jeoiaquim. Jeremias traz uma mensagem contra a 
decadência moral e insensatez política do governo. 
 
 
Esboço: 
 
1. Introdução: relato da vocação e o chamado para o ministério. 
 
2. Capítulo 2 a 25 - profecias contra Judá e seus líderes, tanto civis quanto religiosos. 
 
3. Capítulo 1:4 a 20:18 - coleção de oráculos de Jeremias organizados por Baruque, o 
escriba. 
 
4. Capítulo 25:15 a 51 - Jeremias profetizando juízo contra as nações vizinhas por causa do 
ataque contra Jerusalém. 
 
5. Capítulo 25 - trata do cativeiro babilônico. 
 
6. Capítulo 26 a 45 - uma série de episódios importantes da vida de Jeremias e a maneira 
como esses episódios se relacionam com Judá. Jeremias estimula a rendição do povo e 
revela a razão do castigo de cativeiro. 
 
7. Capítulo 46 a 51: aqui Jeremias profetiza a queda de Babilônia como punição de Deus 
pelo escravizamento de Judá. 
 
8. Capítulo 52: Jeremias relata a queda de Jerusalém e o cativeiro babilônico. Entre suas 
profecias há uma mensagem de esperança que aponta para a nova aliança. 
 
 
Os sofrimentos de Jeremias: 
 
O profeta Jeremias viveu como um homem pobre, sofrendo severas privações por 
causa de suas profecias. Além de não possuir muitos bens materiais e não formar família, é 
aprisionado por Zedequias em decorrência de sua mensagem dura. Foi também castigado de 
outras maneiras: é lançado numa cisterna no capítulo 38, no capítulo 11 é perseguido e 
rejeitado. Também é rejeitado pelos vizinhos, amigos e família, sendo expulso de sua cidade 
porque planejavam matá-lo. Até mesmo o rei levantou-se contra o profeta: 
 
“E sucedeu que, tendo Jeudi lido três ou quatro folhas, cortou-as com um canivete de escrivão, e lançou-
as no fogo que havia no braseiro, até que todo o rolo se consumiu no fogo que estava sobre o braseiro. E 
não temeram, nem rasgaram as suas vestes, nem o rei, nem nenhum dos seus servos que ouviram todas 
 
 
aquelas palavras. E, posto que Elnatã, e Delaías, e Gemarias tivessem rogado ao rei que não queimasse 
o rolo, ele não lhes deu ouvidos. Antes deu ordem o rei a Jerameel, filho de Hamaleque, e a Seraías, filho 
de Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, que prendessem a Baruque, o escrivão, e a Jeremias, o profeta; 
mas o Senhor os escondera.” 
(Jeremias 36:23-26) 
 
Lugares-chave: 
 
● Anatote 
 
● Jerusalém 
 
● Ramá 
 
● Egito 
 
 
Pontos de destaque: 
 
● Jeremias foi o autor de dois dos cinco livros da sessão de Profetas Maiores do Antigo 
Testamento. 
 
● Seu ministério profético aconteceu durante o reinado dos cinco últimos reis de Judá. 
 
● Foi incentivador da grande reforma espiritual ocorrida nos dias do rei Josias. 
 
● Agiu como fiel mensageiro de Deus apesar de todas as circunstâncias. 
 
● Sua tristeza pela queda de Judá rendeu-lhe o título de Profeta Lamentador. 
 
● Mesmo apesar de suas fortes orações, Deus ainda castigou a nação de Judá com o 
cativeiro babilônico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LAMENTAÇÕES 
DE JEREMIAS 
 
As misericórdias do Senhor são a causa de 
não sermos consumidos, porque as suas 
misericórdias não têm fim; 
Novas são cada manhã; grande é a tua 
fidelidade. 
(Lamentações 3:22,23) 
Sobre o livro: 
 
As lamentações de Jeremias são consideradas um salmo de lamento pela queda de Judá. 
Estudiosos judaicos mencionam que este livro está entre os mais importantes para o povo judeu, 
de forma que ainda hoje é lido entre eles ao menos uma vez por ano. A tradição nos diz que o 
livro foi escrito no Gólgota, o mesmo monte onde depois Jesus seria crucificado. 
 
O livro possui forte caráter poético, de forma que, no hebraico, os capítulos um, dois e 
quatro possuem, cada um, 22 versículos, tal qual as 22 letras do alfabeto hebraico. O capítulo 
trêspossui 66 versículos cuja letra inicial se repete a cada três, formando três conjuntos de 22. 
Com exceção do quarto, todos os capítulos terminam com uma oração. Cada divisão do livro 
representa uma fase do cerco a Jerusalém. 
 
 
Esboço: 
 
● Capítulo 1 - é uma oração pelo sofrimento de Jerusalém. Aqui há tristeza e choro pelos 
mortos e pela destruição do templo. 
 
● Capítulo 2 - a Tristeza de Sião. Esta é a reação do profeta em prantos diante da destruição 
testemunhada e a consciência de Jeremias de que isto é obra do Senhor. 
 
● Capítulo 3 - retrata tanto a severidade quanto a misericórdia de Deus para com seu povo. 
 
● Capítulo 4 - relata a desobediência do povo e as calamidades resultantes disso. 
 
● Capítulo 5 - aqui Jeremias conclui o livro orando por Jerusalém e clamando por conversão 
e arrependimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EZEQUIEL 
“DEUS FORTALECE” 
 
“No quinto dia do mês, no quinto ano do 
cativeiro do rei Jeoiaquim, 
Veio expressamente a palavra do Senhor a 
Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra 
dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve 
sobre ele a mão do Senhor.” 
(Ezequiel 1:2-3) 
 
O profeta: 
 
Ezequiel era judeu e filho de Buzi, um sacerdote. Segue para o cativeiro na Babilônia 
com aproximadamente 30 anos de idade. Seu livro é datado entre os anos 593 e 573 a.C. 
O profeta Ezequiel começa seu ministério no quinto ano de cativeiro, estabelecendo-se 
em Tel-Abibe junto ao rio Quebar e transmitindo a Judá o porquê do cativeiro, bem como 
anunciando sua salvação. Sua mensagem era transmitida não apenas por suas palavras, uma 
vez que vivia na prática aquilo que pregava: 
 
“E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
Filho do homem, eis que, de um golpe tirarei de ti 
o desejo dos teus olhos, mas não lamentarás, nem 
chorarás, nem te correrão as lágrimas. 
Geme em silêncio, não faças luto por mortos; ata 
o teu turbante, e põe nos pés os teus sapatos, e 
não cubras os teus lábios, e não comas o pão dos 
homens. E falei ao povo pela manhã, e à tarde 
morreu minha mulher; e fiz pela manhã como me 
foi mandado.” 
(Ezequiel 24:15-18) 
 
Além da perda de sua mulher, há ainda outros casos em que Ezequiel carrega sua 
mensagem na prática. O texto do capítulo 4 Deus ordena que o profeta deite-se, durante 390 
dias, sempre do lado esquerdo “e põe a iniquidade da casa de Israel sobre ele” (Ez 4:4) e 
comendo alimentos cozidos sobre esterco de animais “dei-te esterco de vacas, em lugar de 
esterco de homem; e sobre ele prepararás o teu pão.” (Ez 4:15). 
 
Esboço: 
 
· Capítulos 1 a 3 – estando Ezequiel entre os cativos na Babilônia, recebe visões 
impactantes que revelam a grandeza e importância de seu ministério e, em 
seguida, uma chamada à vida de profeta. 
 
· Capítulo 3:22 a 24:27 – aqui há a destruição de Jerusalém, juntamente com 
uma série de oráculos proféticos de julgamento e queda de nações poderosas 
https://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/1/1-3+
https://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/24/15-18+
https://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/4/15+
 
 
ao seu redor. Ao descrever a lista de pecados de Israel, Ezequiel demonstra 
que o cativeiro babilônico é justo castigo da parte de Deus. 
 
· Capítulo 25 a 32 – uma série de profecias contra as nações gentílicas em 
torno de Judá e Israel. Aqui há profecias contra Amon, Moabe, Edom, os 
Filisteus, Tiro, lamentação contra Sidom, o Egito, Faraó e assim por diante. 
 
· Capítulo 33 a 48 - Aqui Ezequiel traz profecias de restauração para o povo de 
Judá. As profecias de Ezequiel são extremamente detalhistas, de forma que a 
restauração aqui descrita é trabalhada no texto até os mínimos detalhes, 
descrevendo, por exemplo, cada pedaço do Templo a ser restabelecido. 
 
 
Pessoas chave: 
 
● Sua esposa 
 
● Os líderes de Israel 
 
● Nabucodonosor 
 
 
Lugares chave: 
 
● Jerusalém 
 
● Babilônia 
 
● Egito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DANIEL 
“DEUS É O MEU JUIZ” 
 
O profeta: 
 
Quarto e último dos Profetas Maiores, Daniel era um jovem de família real que foi levado 
à Babilônia em cativeiro com aproximadamente 16 anos de idade (606 a.C.), no fim do terceiro 
ano do reinado de Jeoiaquim. Seu livro é considerado o Apocalipse do Antigo Testamento. 
 
O momento exato do chamado de Daniel para o ministério profético não é explicitado no 
texto. Um ponto interessante sobre as visões de Daniel é que elas lhe são passadas 
exclusivamente por sonhos ou “visões noturnas”. 
 
Sabe-se que Daniel viveu na terra para onde fora levado até os 90 anos, tornando-se um 
membro de alto escalão na corte de Nabudonosor. Tamanhas era a confiança que o rei tinha 
para com Daniel que Nabucodonosor agraciou-o com as mais altas posições de governo em seu 
reinado. Daniel também serviu aos reis posteriores a Nabucodonosor: Belsazar, Evil-Merodaque, 
Nabonido, Dario e Ciro. 
 
A fidelidade de Daniel a Deus faz dele uma referência para os cativos. Desde o começo, 
decide não se contaminar pelos pecados abundantes na Babilônia, jamais afastando-se do 
Senhor. 
 
 
Pessoas chave: 
 
• Daniel 
 
• Seus três amigos: Hananias, Misael e Azarias 
 
• Rei Nabucodonosor 
 
• Rei Dario 
 
• Rei Ciro 
 
 
Esboço: 
 
• Capítulo 1:1-21 – A fidelidade a Deus na vida de Daniel ao decidir não se contaminar 
com os banquetes do rei. 
 
• Capítulo 2:1-49 – No capítulo segundo, Nabucodonosor manda que os sábios 
interpretem o sonho que teve, mas que não se lembra de seu conteúdo. El fica irado 
 
 
diante da incapacidade dos sábios de fazê-lo e manda matá-los. É aí que surge 
Daniel, que pede dois dias para o rei e retira-se para orar com seus companheiros. O 
Senhor traz tanto o conteúdo quanto a interpretação dos sonhos do rei em visão 
durante o sono de Daniel. 
 
• Capítulo 3 – o evento da estátua de ouro que lança Sadraque, Mesaque e Abede-
Nego na fornalha de fogo ardente. Presume-se que Daniel não esteja presente nesse 
momento por estar viajando a mando do rei. 
 
• Capítulo 4 – um novo sonho de Nabucodonosor: a árvore cuja copa alcançava o céu. 
Este sonho também é interpretado por Daniel. 
 
• Capítulo 5 – Nabucodonozor não mais governa sobre a Babilônia, sendo sucedido 
por Belsazar. Há aqui o evento da mão misteriosa durante o banquete do rei. 
 
• Capítulo 6 – sob o reinado de Dario, Daniel é lançado na cova dos leões por causa 
do decreto do rei. 
 
• Capítulo 7 – aqui acontece a primeira visão dita apocalíptica de Daniel: os quatro 
animais simbólicos e a representação do império do anti-Cristo. 
 
• Capítulo 8 – a segunda visão, esta com dois animais: o bode e o carneiro. 
 
• Capítulo 9 – aqui ocorre visão de Daniel acerca das 70 semanas. Daniel ora, a partir 
do segundo versículo, pela libertação do povo do cativeiro: 
“No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, 
compreendi pelas Escrituras, conforme a 
palavra do Senhor dada ao profeta Jeremias, 
que a desolação de Jerusalém iria durar 
setenta anos. [...] Senhor, ouve! Senhor, 
perdoa! Senhor, vê e age! Por amor de ti, 
meu Deus, não te demores, pois a tua cidade 
e o teu povo levam o teu nome.” 
(Daniel 9:2,19) 
 
• Capítulo 10 – estando Daniel num período de jejum e oração, aparece-lhe a visão do 
homem às margens do rio Tigre. 
 
• Capítulo 11 - Daniel retrata o surgimento do império medo-persa e sua queda, o 
surgimento do império grego e sua divisão e os conflitos entre o reino do norte e do sul. 
 
• Capítulo 12 – Conclusão do livro.

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