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CRIMINOLOGIA
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SUMÁRIO
HISTÓRICO DA CRIMINOLIGIA ......................................................................................................3
CRIMINOLOGIA PRÉ-CIENTÍFICA ...................................................................................................3
FILÓSOFOS E HUMANISTAS ..........................................................................................................4
MÉDICOS E PESQUISADORES .......................................................................................................5
ESCOLA CLÁSSICA .........................................................................................................................5
MÉTODO ....................................................................................................................................10
ESCOLA POSITIVISTA ..................................................................................................................12
ESCOLA DEOLÍTICA CRIMINAL OU MODERNA ALEMÃ ................................................................14
TERZA SCUOLA ...........................................................................................................................15
HISTÓRIA DA CRIMINOLOGIA NO BRASIL ...................................................................................15
QUESTÕES DE CONCURSOS PARA POLÍCIA CIVIL ........................................................................17
GABARITO COMENTADO ............................................................................................................21
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HISTÓRICO DA CRIMINOLIGIA
O primeiro registro do emprego da palavra “Criminologia” ocorreu em 1879
através de Paul Topinard (Médico e Antropólogo Francês) em seu livro: "De lanotion
de race em anthropologie. Revue d'Anthropologie” ("Da noção de raça na
antropologia” – Revisão de antropologia).
Para outra parcela da doutrina, o melhor emprego do termo Criminologia foi
feito por Rafael Garófalo que o utilizou como título de seu livro em 1885.
Parte considerável da doutrina defende que a Criminologia como ciência
autônoma teve seu primeiro registro com o livro “L’uomo Delinquente” (O Homem
delinquente) em 1876, ainda que o próprio autor não se intitulasse um criminólogo,
mas sim um adepto da “Escola Antropológica Italiana”.
Há ainda aqueles que defendem que o prelúdio da Criminologia se deu no
“Programa de Direito Criminal” desenvolvido por Francesco Carrara em 1859 para
universidades de Lucca e Pisa, na Itália, mesmo não tendo o autor empregado o termo
“criminologia” em seus estudos, mas sim as linhas que viriam a dar base a essa ciência.
Como não há posição pacífica acerca da origem da criminologia, não
acreditamos que esse tema possa vir a ser cobrado em questões objetivas, mas caso o
seja, opte por apontar Lombroso como o pai da Criminologia (Doutrina majoritária)
principalmente pelo emprego do método empírico (veremos adiante).
Esse debate refere-se ao surgimento da Criminologia como ciência autônoma,
mas é inegável que o estudo do crime, do criminoso, da vítima e do controle social
existe desde que o homem passou a viver em comunidade.
Por isso, nesse capítulo estudaremos a “Linha do Tempo” da Criminologia
analisando desde a fase pré-científica, até o pensamento atual.
CRIMINOLOGIA PRÉ-CIENTÍFICA
Como vimos acima, há divergência quanto ao marco do estudo científico da
Criminologia, assim, iremos considerar como fase pré-científica o período anterior ao
início da Escola Clássica. Optamos dessa maneira simplesmente por uma questão
didática, pois como ressaltado anteriormente a doutrina majoritária aponta o estudo
de Lombroso como marco inicial da fase científica da Criminologia.
Desde a Antiguidade, na época babilônica, há relatos de estudos sobre crimes
e criminosos, bem como critérios utilizados para aplicação da pena. Um dos principais
marcos desse período é o Código de Hamurabi que pregava um julgamento distinto a
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depender da classe do infrator. Quanto mais rico, mais rigoroso deveria ser o
julgamento, pois mais oportunidades se apresentaram em sua vida.
Percebe-se que esse pensamento se assemelha hoje à “Co-culpabilidade às
avessas” aplicada aos mais abastados.
Em que pese o Código de Hamurabi ser um marco da antiguidade, há relatos
ainda anteriores, como o de Confúcio, pensador e filósofo Chinês, que se preocupava
com o emprego e a finalidade das penas aos delitos cometidos.
Na Grécia antiga e no período Romano, ainda que não organizados em forma
de ciência, há marcas da Criminologia em determinados estudos, tais como:
ὣ Alcmeon de Cretona (510 a.c.) – dissecava animais a fim de estudar as
qualidade biopsíquicas dos delinquentes (há no homem um pouco de
animal e um pouco de Deus)
ὣ Hipócrates (460-477 a. c.) – Os humores influenciando a saúde mental
dos indivíduos;
ὣ Protágoras (485-410 a.c.) – Defendia uma pena com caráter
correcional e intimidatório;
ὣ Aristóteles (384-322 a.c.) – Crime e suas causas econômicas
ὣ Platão (348-347 a.c.) – “devia ensinar aos indivíduos que se tornavam
criminosos como não reincidirem no crime, dando a eles a instrução e a
formação de caráter de que precisava.”
Nota-se também nesse período da antiguidade forte influência da igreja e do
sobrenatural na tentativa de se explicar o crime. Nessa visão, aqueles que cometiam o
crime, muitas vezes eram considerados possuídos por demônios ou então
considerados bruxos. Nesse sentido podemos mencionar (ainda que não fosse um
marco no estudo criminológico) o “Malleus Maleficarum” (Martelo das Bruxas). Esse
“manual” foi elaborado pela igreja em 1484 com o fim de instruir o combate aos
hereges, considerados bruxos. É bem verdade que há estudos que apontam que a
própria igreja recusou seu uso, e que várias publicações distintas foram feitas sem seu
aval, o que acabou gerando condenações por tribunais seculares (não conduzidos pela
igreja), mas não pela própria inquisição da igreja.
Ainda no período pré-científico (e em alguns casos após), há registros de
outros ramos de estudo que acabaram por influenciar a criminologia:
FILÓSOFOS E HUMANISTAS
ὣ Thomas Morus (1478-1535): “o ouro é a causa de todos os males”;
ὣ Montesquieu (1689-1755): Cabe ao legislador criar meios de
prevenção ao delito, e não simplesmente meios punitivos. Separação
de poderes;
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ὣ Voltaire (1694-1778): As condições de miséria são fatores importantes
para o crime;
ὣ Rousseau (1712-1778): O indivíduo deve ser submetido ao “Pacto
Social (vontade da sociedade)
ὣ Penólogos (estudiosos das punições):ὣ John Howard (1726-1790): Criou o sistema penitenciário;
ὣ Jeremy Bentham (1748-1832): A vigilância sobre os presos deveria ser
de um modo rigoroso;
ὣ Frenólogos (estuduam o caráter do indivíduo pelo formato de sua
cabeça):
ὣ Franz Gall (1758-1828): Considerado o precursor de Lombroso.
Associava cada espécie de delito à respectivas dimensões do crânio;
MÉDICOS E PESQUISADORES
ὣ Alexandre Lacassagne (1843-1924): Principal contraponto de
Lombroso. Considerou a predisposição de um indivíduo biológico, bem
como seu ambiente social como fatores importantes no
comportamento criminoso.
ὣ Alphonse Berillon (1882): Responsável pela antropometria criminal
(identificação de criminosos pela medidas corporais)
ὣ Phieppe Pinel (1826): Criminalidade ligada a deficiência do sistema
nervoso;
ὣ Adolphe Quetelet (1796-1874): Defensor da estatística Criminal;
ESCOLA CLÁSSICA
Como salientamos quando do início do estudo pré-científico, optamos
didaticamente ao marcar o início do período científico com o surgimento da Escola
Clássica, ainda que Lombroso (Escola Positivista) seja considerado por maior parte da
doutrina como o pai da criminologia científica.
A Escola Clássica surge na Europa no século XVIII, período que ficou marcado
por diversas revoluções, dentre elas a mais destacada: Revolução Francesa.
Encontrava-se em ápice nesse período no Continente Europeu o Iluminismo. Esse
marco de pensamento destacou-se como um período de pensamentos libertários que
dominou a Europa no século XVIII e teve como principais nomes Voltaire, Montesquieu
e Rosseau.
Pregavam, dentre outras coisas, a liberdade, fraternidade, igualdade e
separação entre o estado e a Igreja. No campo do pensamento criminológico, o
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Iluminismo criticava a então legislação criminal defendendo uma individualização da
pena e a abolição das penas cruéis e degradantes
É inegável que o “Iluminismo” influenciou de maneira determinante a obra
“Dos Delitos e das Penas” de Cesare Bonesana (Marquês de Beccaria). Essa obra foi
escrita em 1764, auge do período iluminista.
ὣ Cesare Bonesana, o Marquês de Beccaria (1738-1794), era um jovem
aristocrata de Milão quando escreveu sua principal obra: Dos Delitos e
das Penas. Naquela época, um forte pensamento iluminista pairava
sobre a Europa.
ὣ Um grande personagem desta época, que hoje ocupa um plano
secundário pode ser, na verdade, o grande mentor dessa tão
importante escola Criminológica (e também penal). Pietro Verri
promovia reuniões com jovens entusiastas a fim de discutir aspectos
filosóficos, políticos e econômicos.
Alguns autores acreditam que o grande motivador de Beccaria foi Pietro Verri.
Ele incentivou Cesare Bonesana a escrever a obra Dos Delitos e das Penas. Assim, essa
obra teria muito mais uma “autoria coletiva” dentre esses jovens que se reuniam para
as discussões baseadas nos pensamentos iluministas do que um estudo individual do
Marquês de Beccaria.
Fato curioso é que após Cesare Bonesana ser consagrado como o grande
autor dessa obra que até hoje repercute nos ensinamentos criminais, Pietro Verri
acabou se tornando um severo crítico desse livro.
Há ainda que apresente uma origem distinta, como Sainz Cantero e José A.
(Lecciones de derecho penal: parte general). Segundo esses autores, o grande
propulsor que levou Marquês de Beccaria a escrever sua principal obra foi um
romance com Teresa Blasco, filha de um importante coronel Espanhol. Esse coronel
recorreu a justiça para impor sua autoridade paterna, fazendo com que Bonesana se
afastasse de Teresa.
Nesta época realçavam-se as ideias principais de Beccaria diante de suas
revoltas, onde somente as leis poderiam estabelecer as pena para os crimes;
os atos desumanos contrariavam o bem público, os juízes não poderiam
interpretar as leis penais, apenas julgar os delinquentes, existiam
conformidades entre os delitos e as penas, não eram secretas as acusações,
se houvesse tortura ocorria degradação social, a pena era igual para todos,
dentre outras revoltas. Assim, a principal obra de Beccaria, tornou-se peça
fundamental par ao Direito Penal e a Criminologia, que na época rendeu um
ar de críticas dos pensadores positivistas. Revista do Direito, Vol. 13, nº 17,
Ano 2010.
Desta feita, o que se destaca dos pensamentos de Beccaria é o fato de que é
melhor prevenir o crime do que ter que castigá-los.
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É notório o pensamento de vanguarda apresentado pelo autor à sua época.
Apresentou na ocasião meios de prevenção ainda hoje muito atuais e eficientes, tais
como: adequada distribuição da polícia e iluminação noturna nas cidades.
Cesare Bonesana é considerado para muitos o principal autor do período
iluminista, no campo penal. Defendia valores que contrastavam com as péssimas
condições em que se encontrava a esfera punitiva de Direito na Europa. Porém,
entedia também que por pior que fosse essa situação, era embasada em algo muito
sólido: a ordem social vigente.
Suas obras, mais especificamente a intitulada "Dos Delitos e Das Penas", são
consideradas as bases do Direito penal moderno. Suas ideias ali defendidas são
fundamentais até os tempos atuais: igualdade perante a lei, abolição da pena de
morte, erradicação da tortura como meio de obtenção de provas, instauração de
julgamentos públicos e céleres, penas consistentes e proporcionais, dentre outras
críticas e propostas que visaram a humanizar o direito.
Desta forma, Bonesana repaginou a lei, em especial as punições com base na
análise iluminista, quais sejam: filosófica, moral e econômica da natureza do ser
humano e da ordem social.
Segundo o autor Eduardo Viana (Criminologia) os seguintes pilares “politicos-
criminais” constituem um caminho programático-preventivo e eficaz para evitar o
fenômeno delitivo.
Para o citado autor, Marquês de Beccaria assim discorre ao abordar a lei e
seus conflitos: “Toda boa legislação se situa exatamente na arte de conduzir os
homens a um ponto maior de felicidade ou à menor infelicidade possível. Quer evitar
delitos (?), interroga Beccaria, então faz-se necessário:
ὣ Que as leis sejam claras e simples, e que toda força da nação esteja
empregada em defendê-las.
ὣ Que as leis favoreçam menos as classes dos homens que os homens
mesmos.
ὣ Que os homens a temam. O temor das leis é saudável.
ὣ Leis que acompanhem as luzes da liberdade.
ὣ Funcionamento de uma justiça livre de corrupção.
ὣ Outro meio de evitar delitos é recompensar a virtude. A moeda da
honra é sempre inesgotável e frutífera nas mãos do sábio distribuidor.
ὣ Finalmente o mais seguro, todavia o mais difícil meio de evitar delitos é
o aperfeiçoamento da educação.
Ele é então associado à "Escola Clássica de Criminologia”, porém aqui cabe
fazer algumas ressalvas quanto a esta denominação. Em primeiro lugar, o conceito
de criminologia como disciplina focada no estudo sistemático do crime surge apenas
um século após a morte de Beccaria. Logo, tal denominação é anacrônica. Ademais,
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não havia uma escola propriamente estabelecida, que se atinha a um conjunto
consistente de ideias. Desta maneira, no caso de Beccaria seria menos errôneo falar de
uma "Escola das Ciências Criminais"como um aglomerado frouxo de pensadores
reunidos em bases teóricas mais ou menos comuns, sendo que estas abrangem não só
criminologia, mas também políticas públicas, direito penal e execução criminal.
Além de Beccaria, há grande relevância nessa escola Francesco Carrara. Como
já mencionado, Carrara se destacou ao escrever o “Programa de Direito Criminal”
desenvolvido em 1859 para universidades de Lucca e Pisa, na Itália.
Francesco Carrara foi um grande jurista italiano que vive em Lucca (1805-
1888). Destacava-se por se um político liberal, e uma das suas principais marcas era a
defesa da abolição da pena de morte.
Estudou e se qualificou como doutor em Pisa. Atuou como notório advogado
em Florença e também em sua cidade natal: Lucca. Em 1848 foi nomeado professor
titular da cadeira de direito penal na Universidade de Lucca. Sua obra principal, escrita
lá, foi o volume de dez Programas do Curso de Direito Criminal, que sintetizou o
pensamento italiano em direito penal desde Beccaria, Carrara obteve também tinha
influência significativa no exterior.
Carrara chegou a ser eleito para o parlamento italiano nos anos de 1863, 1865
e 1867 e ao senado em 1879, onde se destacou como um influente membro da
comissão de elaboração do Código Penal da Itália, o Codice Zanardelli concluída em
1889.
Carrara defendia a compreensão do crime como ente jurídico, constituído por
duas forças:
ὣ A física (movimento corpóreo e dano causado pelo crime) e
ὣ A moral (vontade livre e consciente do delinquente).
DEFINIÇÃO DE CRIME PARA FRANCESCO CARRARA
"A infração da lei do Estado, promulgada para proteger a segurança dos
cidadãos, resultante de um ato externo do homem, positivo ou negativo, moralmente
imputável e politicamente danoso".
Dentre outros autores de relativo destaque da Escola Clássica podemos
mencionar os seguintes:
PELEGRINO ROSSI
ὣ Político e jurista italiano, naturalizado francês.
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ὣ Defendia que a pena tem um caráter simplesmente de retribuição do
mal, com função intimidatória. Entendia a pena como a retribuição do
mal pelo mal.
ὣ O reestabelecimento da paz social, violada pelo cometimento do crime
é a função da pena.
ὣ Elabora todo o seu pensamento sob o prisma da justiça moral,
rompendo com o utilitarismo e se aproximando do moralismo
metafísico.
GIANDOMENICO ROMAGNOSI
Adepto da filosofia utilitarista e da corrente jusnaturalista.
Acredita que a pena tem por função a defesa da sociedade e a de prevenir
que o criminoso cometa novos delitos.
PAUL JOHN ANSELM VON FEUERBACH:
Cunhou em latim o princípio da legalidade, amplamente utilizado até os dias
atuais, qual seja, “nullum crimen, nulla poena sine lege”.
Um dos precursores da teoria do delito, sustentou ainda, que a finalidade da
pena é a prevenção especial pela coação psicológica que sofrerá o eventual criminoso,
pelo medo de ser apenado.
Como se percebe, a Escola Clássica possuía dois pilares básicos como
principais teorias:
ὣ I – Jusnaturalismo: o homem é imutável e tem direitos que lhe são
inerentes a natureza ainda que não sejam reconhecidos pelo Estado:
ὣ II – Contratualismo: Baseado nos ensinamentos de Rosseau, entendia
que o Estado é uma consequência do “pacto social” formulado entre
seus indivíduos. Para formulação desse pacto social, cada cidadão abre
mão de parcela de seus direitos individuais em prol da segurança
coletiva.
A Escola Clássica tinha uma visão própria dos atuais objetos e demais pontos
da criminologia:
Delito:
O crime é um ente jurídico, uma infração ao “Pacto Social”;
Deliquente:
Um ser normal dotado de “Livre Arbítrio”. Optava pelo mal.
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Princípio do Indeterminismo
Pena:
ὣ A punição deve ser exemplar, pois o cometimento do crime foi uma
opção do homem.
ὣ Concentra-se sobre a gravidade do crime. (proporcional ao crime)
ὣ Tem caráter retributivo (proporcional)e intimidatório com intuito de
prevenir novo desvio. “O mal tem que ser pago com outro mal”. Por
essa premissa a escola clássica também é chamada de
“retribucionista”.
MÉTODO
Racional Lógico-Dedutivo – Partia de premissas para compreender os fatos.
Escola Cartográfica e a transição para a fase científica da Criminologia.
A Escola Cartográfica foi desenvolvida pelo sociólogo (e também astrônomo,
matemático, demógrafo e estatístico) Lambert Adolphe Quetelet.
ὣ Quetelet nasceu em Ghent em 1796, então República Francesa, hoje
Bélgica. Por ter formação em astronomia, matemática e estatística,
procurou agregar seus conhecimentos à sociologia, daí a elaboração
da Escola Cartográfica.
ὣ Essa escola é considerada uma transição para a fase científica de
criminologia justamente porque Quetelet, apesar de ter sido um
importantíssimo estatístico-social, seu trabalho inspirou dezenas de
criminalistas, sociólogos e estatísticos pelo mundo.
Seus estudos, ainda que baseados em dados estatísticos, podem ser
considerados como progressistas para a sua época, pois, embora estivesse marcado
por um preconceituoso determinismo biológico, Quetelet tinha ideias que muito
acrescentaram para o desenvolvimento da criminologia enquanto ciência de aplicação
da sociologia e estatística para o entendimento das causalidades do crime. Afinal, foi o
primeiro estudioso a aplicar métodos estatísticos para o entendimento de fenômenos
sociais.
Em sua época, acreditava-se que o crime se fundamentava na “maldade do
criminoso”. Porém, Quetelet não acreditava nesse postulado, acreditava que o crime
encontraria a sua explicação em uma série de fatores sociais e situacionais, os quais
exerceriam influência sobre aquele a quem ele chamava de “homem-médio”, levando-
o ou não a cometer o delito.
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Através de análises estatísticas e demográficas, Quetelet compreendeu que as
causalidades do crime poderiam ser encontradas no próprio meio social e situacional e
que variariam conforme a fisiologia e biologia dos criminosos. O comportamento
criminoso estaria sujeito a padrões genericamente estabelecidos. Dessa forma,
atentando-se às regras específicas que regeriam o crime, poder-se-ia identificar a sua
causalidade.
Foi o grande idealizador do “homem médio”. Em seu primeiro livro ("Sur
l'homme et le developpement de ses facultés, essai d'une physique
sociale" e Recherches sur le Penchant au Crime aux Différents Âges - Pesquisa sobre a
Propensão de Cometer Crimes em Diferentes Idades), publicado em 1835, considerou
o homem enquanto parte de uma espécie e, assim, formulou o conceito de homem
médio: “a medida de todos os homens”. Para tanto, considerou não apenas a média
aritmética de medida e peso dos homens, mas, principalmente, considerou suas
dispersões e concluiu que a “curva normal” poderia ser acomodada às médias
aritméticas. Assim, desenvolveu o conceito da estatística, analisando
pormenorizadamente a teoria da probabilidade – abordando o problema da carência
de organização na coleta de dados que pudessem satisfatoriamente demonstrar as
características sociais de um povo ou uma nação. Em 1846, propôs a organização de
censos.
Esse estudioso ficou fascinado com a sistematização de dados sobre delitos e
delinquentes. Justamente em função disso,em 1835, Quetelet publicou a obra Física
social, que desenvolveu três preceitos importantes:
ὣ O crime é um fenômeno social;
ὣ Os crimes são cometidos ano a ano com intensa precisão;
ὣ Há várias condicionantes da prática delitiva, como miséria,
analfabetismo, clima etc.
Formulou, ainda, a teoria das leis térmicas:
ὣ No inverno seriam praticados mais crimes contra o patrimônio;
ὣ No verão seriam mais numerosos os crimes contra a pessoa;
ὣ Na primavera haveria maior quantidade de crimes contra a liberdade
sexual.
ὣ Não foi detectado um crime latente no outono.
Adolphe Quetelet tornou-se, portanto, defensor das estatísticas oficiais de
medição de delitos; todavia, guardou certa cautela, na medida em que se apercebeu
que uma razoável quantidade de crimes não era detectada ou comunicada aos órgãos
estatais - cifra negra.
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ESCOLA POSITIVISTA
Cronologicamente, a Escola Positivista é subsequente à Escola Clássica, surgiu
em meados do século XIX e apresentou fundo científico com a publicação de dados
estatísticos sobre a criminalidade em 1827 na França.
Como vimos, a Escola Clássica adotava método dedutivo e abstrato, o que foi
abandonado pela escola positivista que adotou o método indutivo (partia dos fatos
para uma verdade geral) e empírico.
Graças ao método empregado na publicação de seu livro “O homem
Deliquente”, em 1876, é que Cesare Lombroso é considerado pela maioria como o “Pai
da Criminologia Científica”.
A Escola Positivista ampliou o objeto de estudo da Escola Clássica, que se
baseava no crime e expandiu o estudo pata o crime e o criminoso.
Delito - O delito é um fato humano e social. Entendia ser fundamental entender os
motivos que levaram o indivíduo à prática do crime.
Deliquente - Considerado uma espécie de doente, preso à conduta criminosa.; Não são
indivíduos normais.
Pena - É um instrumento de defesa social; Reação da sociedade contra o crime.
Método - Racional Indutivo-Experimental.
Três nomes são apontados como principais defensores da Escola Positivista,
cada um deles atuando mais especificamente em sua área de formação:
CesareLombroso (médico); Rafael Garófalo (jurista) e Enrico Ferri (sociólogo).
Apesar de ser um grande nome da Criminologia Científica por ter empregado
o método empírico em seu estudo, não se identificava como um criminólogo, mas sim
um adepto da “Escola Antropológica Italiana”.
Seu estudo baseava-se na análise da antropometria (medidas humanas) com
o crime. Desenvolveu modelos de criminosos que poderiam ser identificados de
acordo com traços físicos:
Os estudos de Lombroso resultaram em importantes testes para a Escola Positivista:
ὣ Criminosos natos (seres mal formados);
ὣ Apresentam características de mongoloides e africanóides;
ὣ Epilepsia é preponderante na criminalidade.
ὣ Criminoso é um ser atávico (homem menos civilizado e preso ao “gene
do crime”);
ὣ Prostituição feminina é equivalente à criminalidade masculina;
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Lombroso ainda diferenciou os criminosos em classificações:
ὣ Criminoso Nato;
ὣ Criminoso determinado por traços físicos, influência biológica. Um
selvagem
ὣ Criminoso Louco
Criminoso de Ocasião
ὣ Possuem uma predisposição hereditária, mas dependem de uma
circunstância eterna - “a ocasião faz o ladrão”
Criminoso de Paixão.
ὣ Levado a pratica delitiva por um impulso, nervoso, violentos quando
confrontados com questões passionais
ὣ Ainda que hoje as teorias de Lombroso possam parecer ultrapassadas
e absurdas, há estudos recentes, no campo da bioantropologia
moderna que estudam, de fato, um gene criminoso, mas não em
relação a traços físicos, mas sim através da cadeia de DNA.
Primeiro a usar o termo “Criminologia” como título de um livro (1885).
Defendia que o delito era uma anomalia moral ou psíquica do ser. Além disso,
compartilhava com Lombroso a defesa de que os criminosos possuíam traços físicos
distintos.
Foi o criador da temibilidade, que seria uma espécie de periculosidade
(porção de maldade que deve se temer em face deste).
Outra grande contribuição para a Escola Positiva foi a defesa da elaboração de
outra forma de intervenção penal – a medida de segurança.
Garófalo classificou os criminosos em:
ὣ Assassinos;
ὣ Egoístas, se preocupam com a satisfação instantânea. Aproximam-se
dos selvagens e das crianças. Não são influenciados pelo social.
Violentos/Enérgicos
ὣ Possuem senso moral, mas falta compaixão, ou é tão escassa a ponto
de querer justificar o delito como um exagero de amor próprio ou
paixão ou ainda preconceitos.
ὣ Ladrões/Neurastêmicos
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ὣ Possuem senso moral, mas falta instinto de probidade. Possuem
anomalias cranianas (frenologia)
Cínicos
ὣ Cometem crimes contra dignidade sexual
Ferri, apesar de sociólogo foi um discípulo de Lombroso, criador da
“Sociologia Criminal”, que defendia “menos justiça penal e mais justiça social”.
Ampliou as teses de Lombroso adicionando fatores sociais, econômicos e políticos.
Para Ferri, o delito não se limitava a fatores antropológicos, era mesclado com
outros, tais como físicos externos (clima, estação, temperatura, etc.) e sociais
(densidade populacional, família, religião, miserabilidade, etc). Desses, os fatores
sociais eram os preponderantes na determinação do crime.
Importante pensamento de Ferri era o de que a sociedade devia priorizar a
prevenção diagnosticando as causas naturais do delito, deixando de punir tardiamente
e de forma violenta.
Eugênio Raul Zaffaroni cita os pensamentos de Ferri:
“... sendo a periculosidade uma característica do agente, não era necessário
esperar que esta se traduzisse em um delito quando podia ser detectada por outros
signos que não possuem o próprio crime. O positivismo postulou uma periculosidade
sem delito ou predelitual, habilitando medidas – na realidade, penas – para os
perigosos que ainda não haviam caído no crime. Nessa linha foram sancionadas leis de
periculosidade sem delito em vários países da Europa e da América, que serviram para
liberar a seletividade policial.” (Saberes Críticos– A palavra dos mortos)
ESCOLA DEOLÍTICA CRIMINAL OU MODERNA ALEMÃ
Teve como principais expoentes Franz Von Lizst, Adolphe Prins e Von
Hammel, criadores da União Internacional de Direito Penal, em 1888. Esta escola
trouxe os seguintes postulados:
ὣ O método indutivo-experimental para a criminologia
ὣ A distinção entre imputáveis e inimputáveis (pena para os normais e
medida de segurança para os perigosos);
ὣ O crime como fenômeno humano-social e como fato jurídico;
ὣ A função finalística da pena – prevenção especial;
ὣ A eliminação ou substituição das penas privativas de liberdade de
curta duração.
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TERZA SCUOLA
A “Terza Scuola” Italiana, cujos expoentes foram Manuel Carnevale,
Bernardino Alimena e João Impallomeni, fixou os seguintes postulados criminológicos:
Distinção entre imputáveis e inimputáveis;
Responsabilidade moral baseada nodeterminismo (quem não tiver a
capacidade de se levar pelos motivos deverá receber uma medida de segurança);
Crime como fenômeno social e individual;
Pena com caráter aflitivo, cuja finalidade é a defesa social.
HISTÓRIA DA CRIMINOLOGIA NO BRASIL
Vários pensadores brasileiros destacaram-se por seus estudos no campo da
criminologia. Nesse sentido, mencionam-se com destaque os seguintes:
• JOÃO VIERA DE ARAÚJO
Considerado pelos Italianos como o nome mais conhecido da Criminologia
Brasileira.
• CLÓVIS BEVILAQUA
Tem seu nome ligado ao Direito Civil, mas tinha vasta e universal cultura
jurídica. Seu livro Criminologia e Direito foi o primeiro de Criminologia no Brasil.
• EUCLIDES DA CUNHA
O primeiro brasileiro a aplicar a sociologia criminal no Brasil com sua obra “Os
Sertões” em entrelaça o fenômeno criminal a seu entorno social.
• AFRÂNIO PEIXOTO
Define a Criminologia como a ciência que estuda a criminalidade, ou seja, o
crime e os criminosos.
• HILÁRIO VEIGA DE CARVALHO
Acredita que a Criminologia caminha em direção à antropologia.
Para que a criminologia seja útil no Brasil, não se deve modelar-se pelas
teorias estrangeiras; deverá ser criada a Criminologia conforme o habitat brasileiro.
• VIVEIROS DE CASTRO
Defendeu efusivamente a Escola Positivista em sua Obra “Nova Escola Penal”.
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Atribui aos jurista uma barreira à Escola Positivista com medo de tornar a
ciência penal um capitulo da medicina;
Classifica o Direito Penal como uma ciência parva e ridícula, reduzida a
chicanas e rabulices, discussões bizantinas e estéreis.
• RAIMUNDO NINA RODRIGUES
Notoriamente racista. Apóstolo da antropologia criminal, entendia que a raça
negra no Brasil era a responsável por um dos principais fatores da inferioridade do
povo brasileiro.
ὣ Seguidor de Lombroso.
ὣ Adepto da tese da inferioridade biológica.
ὣ O Controle Social deveria ser orientado pelo criminoso, e não pelo
crime.
TOBIAS BARRETO
Foi o primeiro crítico brasileiro de Cesare Lombroso, pois segundo ele pelos
princípios dados por Lombroso, seria preciso recolher ao hospital a humanidade
inteira.
ὣ Para o autor: “O criminoso é fato natural sujeito a outras leis que não
as leis de liberdade e o homem é todo feito à imagem, não de Deus,
porém da natureza.”
ὣ Pregou a reforma do homem pelo homem mesmo, acrescentando que
“não se corrige o homem, matando-o ou aviltando”.
NELSON HUNGRIA
ὣ Defendia fervorosamente a recepção ao positivismo criminológico.
ὣ O limite do Direito Penal é a lei.
ὣ Os preceitos jurídicos são princípios vivos que ao serem estudados e
explicados têm de ser perquiridos na sua gênese, compreendidos na
sua ratio, condicionados à sua finalidade prática.
ὣ Recuperação do criminoso era o fim preponderante da pena.
ROBERTO LYRA
Aproxima-se das concepções de Ferri, considerando a sociologia o melhor
caminho para a compreensão do fenômeno criminal.
Na sociedade dividida em classes, a ordem jurídico-penal baseia-se na defesa
dos interesses individuais ou grupos dominantes.
As causas propriamente ditas da criminalidade relevante são sociais.
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ὣ A criminalidade relevante não provém do mau funcionamento da
sociedade e sim da má organização desta.
ὣ A responsabilidade deve basear-se na periculosidade contra a
sociedade e a humanidade.
ὣ As sanções devem ser meio de defesa efetiva e direta da sociedade e
da humanidade.
QUESTÕES DE CONCURSOS PARA POLÍCIA CIVIL
1. Acerca dos modelos teóricos explicativos do crime, oriundos das teorias
específicas que, na evolução da história, buscaram entender o comportamento
humano propulsor do crime, assinale a opção correta.
a) O modelo positivista analisa os fatores criminológicos sob a concepção do
delinquente como indivíduo racional e livre, que opta pelo crime em virtude de
decisão baseada em critérios subjetivos.
b) O objeto de estudo da criminologia é a culpabilidade, considerada em sentido
amplo; já o direito penal se importa com a periculosidade na pesquisa etiológica do
crime.
c) A criminologia clássica atribui o comportamento criminal a fatores biológicos,
psicológicos e sociais como determinantes desse comportamento, com paradigma
etiológico na análise causal-explicativa do delito.
d) Entre os modelos teóricos explicativos da criminologia, o conceito definitorial de
delito afirma que, segundo a teoria do labeling approach, o delito carece de
consistência material, sendo um processo de reação social, arbitrário e discriminatório
de seleção do comportamento desviado.
e) O modelo teórico de opção racional estuda a conduta criminosa a partir das causas
que impulsionaram a decisão delitiva, com ênfase na observância da relevância causal
etiológica do delito.
2. ____________ é considerado pai da criminologia, por ter utilizado o método
empírico em suas pesquisas, revolucionando e inovando os estudos da
criminalidade.
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.
a) Enrico Ferri
b) Cesare Lombroso
c) Adolphe Quetelet
d) Emile Durkheim
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e) Cesare Bonesana
3. A respeito do conceito e dos objetos da criminologia, julgue o item a seguir.
Para a escola clássica, o modelo ideal de prevenção do delito ou do desvio é o que
se preocupa com a pena e seu rigor, compreendendo-a como um mecanismo
intimidatório; já para a escola neoclássica, mais eficaz que o rigor das penas é o
foco no correto funcionamento do sistema legal e em como esse sistema é
percebido pelo desviante ou delinquente.
4. Acerca da História da Criminologia, marque a alternativa CORRETA:
a) Desde a Antiguidade, o Direito Penal, em concreto, passou a ser compilado em
Códigos e âmbitos jurídicos, tal qual como nos dias de hoje, entretanto, algumas vezes
eram imprecisos.
b) O Código de Hamurabi (Babilônia) possuía dispositivos, punindo furtos, roubos, mas
não considerava crime, a corrupção praticada por altos funcionários públicos.
c) Durante a Antiguidade, o crime era considerado pecado, somente na Idade Média, é
que a dignidade da pessoa humana passou a ser considerada, e as punições deixaram
de ser cruéis.
d) Em sua obra “A Política”, Aristóteles, ressaltou que a miséria causa rebelião e delito.
Para o referido filósofo, os delitos mais graves eram os cometidos para possuir o
voluptuário, o supérfluo.
e) Da Antiguidade à Modernidade, o furto famélico (roubar para comer) nunca foi
considerado crime.
5. Marque a alternativa CORRETA, no que diz respeito à classificação do
criminoso, segundo Lombroso:
a) Criminoso louco: é o tipo de criminoso que tem instinto para a prática de delitos, é
uma espécie de selvagem para a sociedade.
b) Criminoso nato: é aquele tipo de criminoso malvado, perverso, que deve sobreviver
em manicômios.
c) Criminoso por paixão: aquele que utiliza de violência para resolver problemas
passionais, geralmente é nervoso, irritado e leviano.
d) Criminoso por paixão: este aponta uma tendência hereditária, possui hábitos
criminosos influenciados pela ocasião.
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e) Criminoso louco: é o criminoso sórdido com deficiência do senso moral e com
hábitos criminosos influenciados pela situação.
6. Considerando o estudo da Criminologia, assinale a alternativa correta.
a) Giovanni Falcone foi o primeiro nome do estudo da Criminologia Crítica no Brasil.
b) Cifra negra refere-se à falta de diversidade da literatura criminal.
c) A Escola Clássica nasceu na Suíça, no final do séc. XX.
d) Enrico Ferri é um expoente da teoria do Etiquetamento.
e) Raffaele Garofalo está ligado à Escola Criminal Positiva.
7. O italiano Cesare Lombroso, autor da obra “L’Uomo delinquente”, foi um dos
precursores da Escola Clássica de Criminologia, a qual admitia a ideia de que o
crime é um ente jurídico - infração - e não ação.
8. Contrariamente ao classicismo, que não visualizou no criminoso nenhuma
anormalidade - e dele não se ocupou - o positivismo reconduziu-o para o centro
de suas análises, apreendendo nele estigmas decisivos da criminalidade.
9. Sobre a escola positivista da criminologia, é correto afirmar:
a) A escola positivista ainda não chega a considerar a concepção da pena como meio
de defesa social, que é própria de escolas mais modernas da criminologia.
b) Sua recepção no Brasil recebeu contornos racistas, notadamente no trabalho
antropológico de Nina Rodrigues.
c) É uma escola criminológica ultrapassada e que já influenciou a legislação penal
brasileira, mas que após a Constituição Federal de 1988 não conta mais com institutos
penais influenciados por esta corrente.
d) Por ter enveredado pela sociologia criminal, Enrico Ferri não é considerado um
autor da escola positivista, que possui viés médico e antropológico.
e) O método positivista negava a importância da pesquisa empírica, que possivelmente
a levaria a resultados diversos daqueles encontrados pelos seus autores.
10. A respeito dos objetos da Criminologia, julgue os itens abaixo:
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Desde os teóricos do pensamento clássico, o centro dos interesses investigativos da
primitiva Criminologia sempre esteve no estudo do criminoso, prisioneiro de sua
própria patologia (determinismo biológico), ou de processos causais alheios
(determinismo social).
11. Em relação ao conceito e ao objeto de estudo da criminologia, julgue os itens a
seguir: Após superar os equívocos das primeiras abordagens sobre o homem
delinquente, exemplificadas nos estudos de Lombroso, a criminologia moderna
mantém em seu conceito o estudo do criminoso.
12. Em relação ao conceito e ao objeto de estudo da criminologia, julgue os itens a
seguir: Após os inúmeros equívocos e abusos cometidos a partir das visões
lombrosianas, a criminologia moderna afastou-se do estudo sobre o criminoso, pois
funda-se em conceitos democráticos e respeita os direitos fundamentais da pessoa
humana.
13. Com relação às escolas e tendências penais, julgue os itens seguintes.
I - De acordo com a escola clássica, a responsabilidade penal é lastreada na
imputabilidade moral e no livre-arbítrio humano.
II - A escola técnico-jurídica, que utiliza o método indutivo ou experimental,
apresenta as fases antropológica, sociológica e jurídica.
III - A escola correcionalista fundamenta-se na proposta de imposição de pena,
com caráter intimidativo, para os delinquentes normais, e de medida de segurança
para os perigosos. Para essa escola, o direito penal é a insuperável barreira da
política criminal.
IV - O movimento de defesa social sustenta a ressocialização do delinquente, e não
a sua neutralização. Nesse movimento, o tratamento penal é visto como um
instrumento preventivo.
Estão certos apenas os itens
a) I e III
b) I e IV
c) II e III
d) II e IV
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14. Em relação ao conceito de crime, de criminoso e de pena nas diversas
correntes do pensamento criminológico e ao desenvolvimento científico de seus
modelos teóricos, é correto afirmar:
a) A criminologia científica nasceu no ambiente do século XVIII, recebendo
contribuições da Escola Positivista, mas ganhando contornos mais precisos com a
Escola Clássica.
b) A criminologia crítica compreende que a finalidade da sociedade é atingida quando
há um perfeito funcionamento das suas instituições, de forma que os indivíduos
compartilhem as regras sociais dominantes.
c) As teorias desenvolvidas nas escolas positivistas a partir do método dedutivo
buscaram maximizar as garantias individuais na persecução penal e fora dela.
d) No pensamento criminológico das escolas clássicas, identifica-se uma grande
preocupação com os conceitos de crime e pena como entidades jurídicas e abstratas
de modo a estabelecer a razão e limitar o poder de punir do Estado.
e) Os modelos teóricos de integração que compõem a criminologia tradicional partem
da premissa de que toda a sociedade está, a cada momento, sujeita a processos de
mudança, exibindo dissensão e conflito, haja vista que todo elemento em uma
sociedade contribui, de certa forma, para sua desintegração e mudança. Sendo assim,
a sociedade é baseada na coerção de alguns de seus membros por outros.
GABARITO COMENTADO
1. D
a) O modelo que adota a concepção do deliquente como um indivíduo racional e livre
que opta pelo crime (livre arbítrio) é o modelo Clássico (Escola Clássica), e não o
positivista.
b) A alternativa inverteu os enfoques de estudo. Na verdade o direito penal se ocupa
da culpabilidade enquanto a criminologia analisa a periculosidade em uma pesquisa
etiológica (causas do comportamento criminoso).
c) Ao contrário da alternativa “a”, esse item inverteu a visão das escolas quanto ao
criminoso. É a Escola Positivista que atribui o comportamento criminoso à fatores
biológicos, psicológicos e sociais.
d) A Teoria do Labeling Approach será objeto de estudo no nosso próximo ponto
(QUESTÃO CORRETA)
e) A “decisão delitiva”, ou seja, o “livre arbítrio” é adotado pelo modelo teórico
clássico (Escola Clássica), que, por sua vez, não se debruça sobre a causa do crime ou
sua prevenção (questão muito difícil)
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2. B
Como vimos no material, não há unanimidade quanto à definição do marco da
Criminologia como ciência. Várias correntes afirmam diferentes precursores (Rafael
Garófalo, Francesco Carrara e Cesare Lombroso).
Em nosso material, destacamos que para fins de concurso público, adote-se Cesare
Lombroso como “pai da criminologia científica” justamente pelo emprego do método
empírico em suas pesquisas:
OBSERVAÇÃO: Como não há posição pacífica acerca da origem da criminologia, não
acreditamos que esse tema possa vir a ser cobrado em questões objetivas, mas caso o
seja, opte por apontar Lombroso como o pai da Criminologia (Doutrina majoritária)
principalmente pelo emprego do método empírico (veremos adiante).
3. CERTO
A questão aborda a visão dos objetos da criminologia sob os diferentes enfoques das
escolas Clássica e Positivistas. Para a escola Clássica, a pena tem um caráter
retributivo, dotada de proporcionalidade. Ainda assim, carregava um tom intimidatório
pela prevenção geral negativa.
Já a escola Positivista, avaliava o crime sob a ótica do criminoso, pois acreditava ser ele
um seratávico, e distinto do ser normal.
4. D
a) O Direito Penal, nem sempre, compilou seus estudos em códigos. Além disso, o
postulado da legalidade só foi desenvolvido por Paul John Anselm Von Feuerbach na
Escola Clássica. Até então, pairava insegurança sobreo que poderia ser considerado
crime ou não.
b) Desde a Antiguidade, na época babilônica, há relatos de estudos sobre crimes e
criminosos, bem como critérios utilizados para aplicação da pena. Um dos principais
marcos desse período é o Código de Hamurabi que pregava um julgamento distinto a
depender da classe do infrator. Quanto mais rico, mais rigoroso deveria ser o
julgamento, pois mais oportunidades se apresentaram em sua vida.
c) Nessa época, a igreja se confundia com o Estado, portanto, conforme as palavras de
Miguel Angel Nuñez Perez: “Durante a Idade Média, destaca-se a influência e o poder
político da igreja, questão que determina todo pensamento em torno da delinquência
por meio da Filosofia Escolástica e da Teologia, que modelaram diretamente o campo
do direito penal (então podia falar-se de confusão ou identificação entre o pecado e o
delito, e o pecador e o delinquente)”. – Nociones de Criminologia. Madrid: Colex
d) CORRETA
e) Os preceitos aplicados ao furto famélico somente vieram á tona do Direito Penal
contemporaneamente.
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5. C
CRIMINOSO NATO
Criminoso determinado por traços físicos, influência biológica. Um selvagem
CRIMINOSO LOUCO
Perverso. Alienados mentais – devem permanecer em hospícios
CRIMINOSO DE OCASIÃO
Possuem uma predisposição hereditária, mas dependem de uma circunstância eterna
– “a ocasião faz o ladrão”
CRIMINOSO DE PAIXÃO.
Levado a pratica delitiva por um impulso, nervoso, violentos quando confrontados com
questões passionais.
6. E
a) Giovanni Falcone foi um magistrado italiano que se destacou no combate ao crime
organização (máfia sciciliana – Cosa Nostra)
b) Cifra negra é a criminalidade não registrada pelos órgãos públicos, gerando uma
diferença entre a criminalidade real e a criminalidade registrada.
c) A Escola Clássica nasceu na Itália no século XVIII
d) Enrico Ferri é um expoente da Escola Positivista
e) CORRETA.
7. ERRADO
Cesare Lombroso, conhecido como “O pai da Criminologia” é um dos principais
nomes da Escola Positivista, que se contrapunha à Escola Clássica.
8. CERTO
O infrator era visto para a escola Clássica com um indivíduo dotado de livre
arbítrio, que optava por desviar-se e adotar o caminho do pecado. Já para a escola
subsequente (Escola Positivista) o criminoso era dotado de um atavismo que o
prendia à conduta desviante. Chegava a ser comparado por alguns pensadores
como um “animal selvagem”.
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9. B
a) Para a Escola Positivista a pena é um instrumento de defesa social. Uma reação da
sociedade contra o crime.
b) CORRETA. Raimundo Nina Rodrigues era notoriamente racista. Apóstolo da
antropologia criminal, entendia que a raça negra no Brasil era a responsável por um
dos principais fatores da inferioridade do povo brasileiro. Seguidor de Lombroso.
Adepto da tese da inferioridade biológica.
c) Em que pese, de fato, tratar-se de uma escola relativamente ultrapassada, ainda
temos na nossa legislação atual resquícios da Escola Positivista, tais como a
reincidência.
d) Enrico Ferri é um expoente da Escola Positivista, mesmo trazendo para seus estudos
aspectos sociológicos.
e) O empirismo é uma marca da Escola Positivista.
10. ERRADO
ERRADA. O centro do estudo da criminologia no criminoso só ocorreu com o ápice da
escola Positivista, que sucedeu a Escola Clássica.
11. CERTO
Atualmente, a Criminologia tem dentre seus objetos de estudo o criminoso, figura que
foi o foco principal no período Positivista de Lombroso.
12. ERRADO
A criminologia moderna não se afastou dos estudos do criminoso, apenas não o
considera mais, como na época lombrosiana, como foco principal da gênese do crime.
GABARITO: B
I – Para a Escola Clássica, o infrator era dotado de Livre Arbítrio e optava pelo mal.
II – Para a Escola Técnico-Jurídica, a pena surge como meio de defesa contra a
periculosidade do agente. O objetivo é castigar o agente. Finalidade de retribuição.
III - A Escola Correcionalista afirma que o criminoso é um ser inferior, incapaz de guiar
livremente a sua conduta, por haver debilidade em sua vontade, de modo a merecer
intervenção estatal para corrigi-la. Para essa escola, o criminoso não é um ser forte e
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embrutecido, como diziam os positivistas, mas sim um débil, cujo ato precisa ser
compreendido e cuja vontade necessita ser direcionada.
IV – Para a Escola da Nova Defesa Social, o crime é um mal que desestabiliza o
aprimoramento social, enquanto o delinquente é uma pessoa que precisa ser
adaptada à ordem social. Já a pena apresenta-se como uma reação da sociedade com
objetivo de proteção do cidadão. (tem caráter humanista; a ressocialização do
criminoso é responsabilidade da sociedade).
13. D
a) A criminologia científica está ligada à fase Positivista, quando Lombroso inseriu
métodos empíricos aos estudos criminológicos. Cronologicamente, a Escola Positivista
é subsequente à Escola Clássica, surgiu em meados do século XIX e apresentou fundo
científico com a publicação de dados estatísticos sobre a criminalidade em 1827 na
França.
b) Isso não é exatamente assunto despe ponto (veremos adiante), mas a Criminologia
Crítica compõe o eixo das Teorias do Conflito, ou seja, pressupõem um conflito social.
c) As teorias desenvolvidas nas escolas positivistas baseavam-se no método indutivo.
d) CORRETA
e) Isso não é exatamente assunto despe ponto (veremos adiante), mas os modelos
teóricos de integração significam Teorias do Consenso. Para estas, a sociedade é
perene e estável, não sujeita a processos de evolução e mudanças.