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e-Tec Brasil63 Aula 8 – Dissonância Cognitiva Você já deve ter notado que as pessoas mudam o que dizem, para não entrarem em contradição com o que acabaram de dizer. Isso acontece porque as pessoas procuram coerência em suas atitudes e comportamentos. E este é o tema da nossa aula, cujo objetivo é levar você a identificar e valorizar a dissonância cognitiva. Tentamos reconciliar atitudes e comportamentos divergentes, ajustando-os de modo a parecerem racionais e consistentes. Quando há inconsistências, as pessoas normalmente alteram a atitude, mudam o comportamento ou desenvolvem a racionalização para explicar a discrepância. Dada essa ten- dência à busca de consistência, surge uma pergunta: O comportamento de um indivíduo sempre pode ser previsto se conhecermos sua atitude em rela- ção a um assunto? A resposta a essa pergunta, infelizmente, é mais comple- xa do que somente um sim ou um não. De acordo com a Teoria da Dissonância Cognitiva, de Leon Festinger, existe uma tendência nos indivíduos de procurar uma coerência entre suas cogni- ções (convicções, opiniões). Quando existe uma incoerência entre atitudes ou comportamentos (dissonância), algo precisa mudar para eliminar a dis- sonância. No caso de uma discrepância entre atitudes e comportamento, é mais provável que a atitude vai mudar para acomodar o comportamento. Dois fatores afetam a força da dissonância: o número de convicções dissonantes e a importância atribuída a cada convicção. Existem três maneiras de eliminar a dissonância: 1. reduzir a importância das convicções dissonantes. 2. acrescentar convicções mais consoantes que se sobreponham às convicções dissonantes. 3. mudar as convicções dissonantes para que elas não sejam mais incoerentes. Figura 8.1:Dissonância Cognitiva Fonte: http://1.bp.blogspot.com Psicologia das Relações Humanas e-Tec Brasil 64 A dissonância ocorre mais frequentemente em situações onde um indiví- duo precisa escolher entre duas convicções ou ações incompatíveis. A maior dissonância é criada quando as duas alternativas são igualmente atraentes. Além disso, a mudança de atitude está mais provavelmente na direção de menos estímulo, já que isto resulta em menor dissonância. Neste aspecto, a teoria da dissonância é contraditória em relação à maioria das teorias comportamentais que predizem uma maior mudança de atitude com estímulo aumentado (isto é, reforço). 8.1 Âmbito/Aplicação A teoria da dissonância se aplica a todas as situações envolvendo formação e mudança de atitude. Ela é especialmente relevante para tomada de decisões e resolução de problemas. Exemplo: Considere alguém que compra um carro caro, mas descobre que ele não é confortável em passeios longos. A dissonância existe entre suas convicções de que ele comprou um bom carro e que um bom carro deve ser confortável. A dissonância pode ser eliminada decidindo-se que isto não importa, já que o carro é principalmente usado para viagens curtas (reduzindo a importância da convicção dissonante) ou focalizando-se as virtudes do carro, como se- gurança, aparência, manuseio (acrescentando desse modo mais convicções consoantes). A dissonância também pode ser eliminada desembaraçando-se do carro, mas este comportamento é mais difícil de ser realizado do que mudar as convicções. 8.1.1 Princípios 1. A dissonância acontece quando um indivíduo precisa escolher entre ati- tudes e comportamentos que são contraditórios. 2. A dissonância pode ser eliminada reduzindo-se a importância das convicções conflitantes, adquirindo novas convicções que mudam o balanço, ou removendo a atitude ou comportamento conflitante (BEHM e COHEN, 1957). A teoria da dissonância cognitiva ajuda a explicar a relação entre atitudes e comportamento. Dissonância significa inconsistência. Dissonância cogniti- Assista ao divertidíssimo filme “Se Eu fosse Você”. É muito bom! Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência, casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música que cuida de um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia a dia e do casamento de tantos anos, eles volta e meia têm uma discussão. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Porém para tanto eles terão que assumir por completo a vida do outro. e-Tec BrasilAula 8 - Dissonância Cognitiva 65 va refere-se a qualquer incompatibilidade que um indivíduo possa perceber entre duas ou mais de suas atitudes ou entre seu comportamento e suas atitudes. A teoria propõe que toda forma de inconsistência é incômoda e que os indivíduos tentarão reduzir a dissonância e, consequentemente, o incômodo. Portanto, os indivíduos buscarão uma situação estável, em que a dissonância seja mínima. É claro que nenhum indivíduo consegue evitar inteiramente a dissonância. Sabemos que burlar o imposto de renda é errado, mas todo ano “camufla- mos” um pouco os números, e esperamos que nossa declaração não caia na malha fina. Ou dizemos aos nossos filhos que escovem os dentes depois de todas as refeições, mas nós não o fazemos (ROBBINS, 2002). Para ler e refletir! Como lidar com a dissonância? A teoria afirma que o desejo de reduzir a dissonância será determinado pela importância dos elementos que criam a dissonância, o grau de influencia que o indivíduo acredita ter sobre os elementos e as recompensas que podem estar envolvidos na dissonância. Se os elementos que criam a dissonância forem relativamente insignificantes a pressão para corrigir esse desequilíbrio será pequena. Numa situação de trabalho, suponhamos que um gerente acredite seriamente que nenhuma companhia deva poluir o ar ou a água. Infelizmente esse gerente, devido às exigências de seu cargo está numa posição que o obriga a tomar decisões que equilibrem a rentabilidade de sua companhia com suas posturas pessoais em relação à poluição. Ele sabe que o despejo de esgotos no rio local (que, suponhamos, seja legal) vai de encontro aos melhores interesses econômicos de sua empresa. O que fará ele? Evidentemente esse gerente está experimentando um grau elevado de dissonância cognitiva. Devido à importância dos elementos desse exemplo não podemos esperar que o gerente ignore a inconsistência. Existem vários caminhos que ele pode adotar para lidar com seu dilema. Psicologia das Relações Humanas e-Tec Brasil 66 Ele pode mudar de comportamento (deixar de poluir o rio), ou pode reduzir a dissonância mediante a conclusão de que o comportamento dissonante, afinal de contas, não é tão importante (“eu preciso ganhar dinheiro e em meu papel na empresa de tomador de decisão muitas vezes tenho de colocar o que é bom para minha companhia acima do que é bom para o ambiente ou para a sociedade”). Uma terceira alternativa seria o gerente mudar sua atitude (“não há nada de errado em poluir o rio”). Ainda outra opção seria procurar elementos mais harmoniosos que compensem os dissonantes (“Os benefícios da fabricação de nossos produtos para a sociedade mais que compensam o custo decor- rente da poluição da água”). O grau de influência que os indivíduos acreditam ter sobre os elementos terá um impacto no modo como reagirão à dissonância. Se perceberem a disso- nância como incontrolável - algo sobre o que não disponham de nenhuma escolha - não tenderão a ser receptivos à mudança de atitude. Se o comportamento produtor de dissonância, por exemplo, fosse exigido em decorrência de uma ordem do chefe, a pressão para reduzir a dissonância seria menor que no caso de o comportamento ser executado voluntariamen- te. Enquanto a dissonância existir ela poderá ser racionalizada e justificada. 8.1.2 Recompensas As recompensas também influenciam o grau em que os indivíduos são mo- tivados a reduzir a dissonância. Quando altadissonância é acompanhada por altas recompensas, a tensão inerente a ela tende a ser reduzida. As recompensas atuam para reduzir a dissonância porque aumentam o lado da consistência no “balancete” do indivíduo. Esses fatores de moderação sugerem que a mera experiência de dissonância não leva necessariamente os indivíduos a buscarem diretamente a consis- tência, ou seja, a redução dessa dissonância. Se as questões subjacentes à dissonância são de importância mínima, se um indivíduo percebe que ela é de imposição externa e se encontra em grande parte fora de seu controle, ou se as recompensas forem importantes o bastante para compensá-la, o indivíduo não sofrerá grande tensão no sentido de reduzi-la. Quais são as implicações organizacionais da teoria da dissonância cognitiva? e-Tec BrasilAula 8 - Dissonância Cognitiva 67 Ela pode ajudar a prever a propensão para mudar atitudes e comportamentos. Por exemplo, se os indivíduos são obrigados pelas demandas de seus cargos a dizer ou a fazer coisas que contradizem com sua atitude pessoal, tenderão a modificar essa atitude para torná-la compatível com a cognição daquilo que disseram ou fizeram. Além disso, quanto maior a dissonância – depois de ter sido moderada pelos fatores de importância, escolha e recompensa – maior a pressão para reduzi-la. Considerações da professora Nessa aula entendemos os elementos que criam a dissonância estiverem sob controle, ou seja, conhecidos, entendidos a pressão e o desequilíbrio será menor. Nas situações de trabalho não é raro esse tipo de situação, no filme que indi- quei para assistir demonstra de forma bem humorada a dissonância. Atividades de aprendizagem • Elabore um exemplo de resolução de problemas com utilização do prin- cípio, Onde a dissonância pode ser eliminada reduzindo-se a importância das convicções conflitantes, adquirindo novas convicções que mudam o balanço, ou removendo a atitude ou comportamento conflitante.