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{Homeostasia}
O conceito de um meio interno relativamente estável é atribuído ao médico
francês Claude Bernard, em meados de 1800. Durante os seus estudos de
medicina experimental, Bernard percebeu a estabilidade de diversas funções
fisiológicas, como a temperatura corporal, a frequência cardíaca e a pressão
arterial. Ele escreveu que a constância do meio interno é a condição para uma
vida livre e independente.
Em 1929, um fisiologista norte-americano, chamado Walter B. Cannon,
propôs uma lista de variáveis que estão sob o controle homeostático. Hoje,
sabe-se que essa lista era acurada e completa. Cannon dividiu suas variáveis
no que ele descreveu como fatores ambientais que afetam as células
(osmolaridade, temperatura e pH) e “substâncias para as necessidades
celulares” (nutrientes, água, sódio, cálcio, outros íons inorgânicos, oxigênio,
bem como “secreções internas com efeitos gerais e contínuos”). As “secreções
internas” de Cannon são os hormônios e outras substâncias químicas que as
células utilizam para se comunicarem umas com as outras.
Neste ensaio, Cannon criou o termo homeostasia para descrever a regulação
do meio interno do corpo. Ele explicou que escolheu o prefixo homeo-
(significando parecido ou similar), em vez do prefixo homo- (significando o
mesmo, idêntico), porque o meio interno é mantido dentro de uma faixa ou
intervalo de valores, e não em um valor exato ou fixo. Ele também indicou que
o sufixo –stase nessa situação indica uma condição, e não um estado estático
e que não sofre mudanças. Assim, a homeostasia de Cannon é um estado de
manutenção de “uma condição similar”, de modo semelhante ao meio interno
relativamente constante de Claude Bernard.
Alguns fisiologistas afirmam que a interpretação literal de stase na palavra
homeostasia implica um estado estático e imutável. Eles argumentam que,
em vez de homeostasia, deveria ser utilizada a palavra homeodinâmica para
refletir as pequenas mudanças que estão ocorrendo constantemente em nosso
meio interno. Não importa se o processo é chamado de homeostasia ou de
homeodinâmica, o conceito importante que deve ser lembrado é que o corpo
monitora seu estado interno e toma medidas para corrigir perturbações que
ameacem a sua função normal.
Se o corpo não consegue manter a homeostasia das variáveis críticas listadas
por Walter Cannon, então a função normal é interrompida e um estado de
doença, ou condição patológica, pode desenvolver-se. As doenças são
caracterizadas em dois grupos gerais de acordo com sua origem: aquelas em
que o problema surge a partir de uma insuficiência interna ou falha de algum
processo fisiológico normal, e aquelas que se originam de alguma fonte
externa. As causas internas de doenças incluem o crescimento anormal de
células, que pode originar cânceres ou tumores benignos, a produção pelo
próprio corpo de anticorpos contra os seus próprios tecidos (doenças
autoimunes) e a morte prematura de células ou a falha de processos celulares.
As doenças hereditárias também são consideradas como tendo causas
internas. As causas externas de doenças incluem substâncias químicas
tóxicas, traumas físicos e microrganismos externos invasores, como vírus e
bactérias.
Em ambos os grupos de causas, internas e externas, quando a homeostasia é
perturbada, o corpo tenta ativar um mecanismo compensatório. Se a
compensação for bem-sucedida, a homeostasia é restabelecida. Se a
compensação falha, o resultado pode ser uma doença ou outra enfermidade.
O estudo das funções corporais durante um estado de doença é conhecido como
fisiopatologia.
MEIO INTERNO – LIC e LEC
Para animais multicelulares, o meio interno é o ambiente aquoso interno que
circunda as células. É um “mar interno”, dentro do corpo, chamado de líquido
extracelular. O líquido extracelular (LEC) funciona como um meio de
transição entre o ambiente externo de um organismo e o líquido intracelular
(LIC), encontrado no interior das células. Como o líquido extracelular é uma
zona de tamponamento entre as
células e o mundo externo, os
processos fisiológicos elaborados
evoluíram para manter a
composição do LEC relativamente
estável.
Quando a composição do líquido
extracelular varia além do seu
intervalo normal de valores, são
ativados mecanismos
compensatórios para tentar fazer o líquido retornar ao estado normal. Por
exemplo, quando você ingere um grande volume de água, a diluição do seu
líquido extracelular dispara um mecanismo que faz seus rins removerem o
excesso de água, protegendo as suas células de um possível inchaço devido ao
influxo de água. A maioria das células dos animais multicelulares não tolera
muitas mudanças. Elas dependem da constância do líquido extracelular para
manter a sua função normalizada.
LIC e LEC
Cerca de 60% do corpo humano adulto é composto de líquidos, principalmente, uma solução
aquosa de íons e outras substâncias. Embora a maior parte desse líquido esteja dentro das células e
seja chamado líquido intracelular, cerca de um terço se encontra nos espaços fora das células e é
chamado líquido extracelular. Este líquido extracelular está em movimento constante por todo o
corpo. Ele é rapidamente transportado no sangue circulante e, em seguida, misturado no sangue
pelos líquidos teciduais, por difusão, através das paredes dos capilares. No líquido extracelular estão
os íons e nutrientes necessários para manter a vida celular. Dessa forma, todas as células vivem,
essencialmente, no mesmo ambiente — o líquido extracelular. Por esse motivo, o líquido extracelular
também é chamado meio interno do corpo. As células podem viver e executar suas funções
especiais desde que as concentrações adequadas de oxigênio, glicose, íons, aminoácidos, lipídios e
outros constituintes estejam disponíveis nesse ambiente interno.
O líquido extracelular é transportado através do corpo em dois estágios. O primeiro é a
movimentação do sangue pelo corpo, nos vasos sanguíneos, e o segundo é a movimentação de
líquido entre os capilares sanguíneos e os espaços intercelulares entre as células dos tecidos.
DIFERENÇAS ENTRE OS LÍQUIDOS: O líquido extracelular contém grandes quantidades de sódio,
cloreto e íons bicarbonato mais os nutrientes para as células, como oxigênio, glicose, ácidos graxos
e aminoácidos. Também contém dióxido de carbono, que é transportado das células para os
pulmões para ser excretado, além de outros produtos de excreção celulares, que são transportados
para os rins para serem eliminados. O líquido intracelular difere significativamente do líquido
extracelular; por exemplo, ele contém grandes quantidades de íons potássio, magnésio e fosfato, em
vez dos íons sódio e cloreto, encontrados no líquido extracelular. Mecanismos especiais para o
transporte de íons, através das membranas celulares, mantêm as diferenças de concentração iônica
entre os líquidos extracelulares e intracelulares.
Fonte: Guyton & Hall – Tratado de Fisiologia Médica 13ª Ed. – Capítulo 1.
BALANÇO DE MASSA
O corpo humano é um sistema aberto que troca calor e matéria com o
ambiente externo. Para manter a homeostasia, o corpo deve manter o balanço
de massa. A lei do balanço de massa diz que se a quantidade de uma
substância no corpo deve permanecer
constante, qualquer ganho deve ser
compensado por uma perda igual. A
quantidade de uma substância no corpo
também é chamada de carga corporal
daquela substância, como em “carga de
sódio”. Por exemplo, a perda de água para o
ambiente externo (saída) pelo suor e pela
urina deve ser balanceada pelo ganho de
água a partir do ambiente externo somado à
produção metabólica de água (entrada). A
concentração de outras substâncias, como
oxigênio e dióxido de carbono, sais e
concentração hidrogeniônica (pH) também
são mantidas pelo balanço de massa.
A maioria das substânciasentra no corpo a
partir do ambiente externo, mas algumas (como o dióxido de carbono) são
produzidas internamente pelo metabolismo. Em geral, a água e os nutrientes
entram no corpo pela ingestão de comida e de bebida que são absorvidas pelo
intestino. O oxigênio e outros gases e as moléculas voláteis ingressam via
pulmões. Algumas poucas substâncias químicas lipossolúveis ingressam no
meio interno atravessando a barreira formada pela pele.
Para manter o balanço de massa, o corpo tem duas opções envolvendo a saída.
A opção mais fácil é simplesmente excretar a substância. Excreção é definida
como a eliminação de substâncias pelo corpo, normalmente via urina, fezes,
pulmões ou pele. Por exemplo, o dióxido de carbono (CO2) produzido durante
o metabolismo é excretado pelos pulmões. Muitas substâncias estranhas que
penetram no corpo, como fármacos ou aditivos artificiais presentes nos
alimentos, são excretadas pelo fígado e pelos rins.
Uma segunda opção de saída para manter o balanço de massa é converter a
substância em uma substância diferente, por meio da metabolização da
mesma. Os nutrientes que entram no corpo são o ponto de partida para as
vias metabólicas que convertem o nutriente original em uma molécula
diferente. Entretanto, a conversão do nutriente original em algo diferente cria
um novo distúrbio no balanço de massa, devido à adição dessa nova
substância, ou metabólito, ao corpo.
Os pesquisadores utilizam o fluxo de
massa para acompanhar uma substância
pelo corpo. O fluxo de massa pode ser
utilizado para determinar a taxa de
entrada, saída ou produção de x.
ESTABILIDADE DINÂMICA
Quando os fisiologistas falam sobre
homeostasia eles estão referindo-se à
estabilidade, ou constância, do meio
interno do corpo – em outras palavras, à
estabilidade do compartimento de líquido
extracelular (LEC). Uma razão para focar na homeostasia do líquido
extracelular é que o mesmo é fácil de ser monitorado a partir de uma amostra
de sangue. Quando o sangue é centrifugado, torna-se separado em duas
partes: o plasma, o componente líquido, e as células sanguíneas, mais
pesadas. O plasma faz parte do compartimento de líquido extracelular e sua
composição pode ser facilmente analisada. É muito mais difícil acompanhar o
que está acontecendo no compartimento de líquido intracelular (LIC), embora
as células também mantenham uma homeostasia celular.
Em um estado de homeostasia, a composição de ambos os compartimentos do
corpo é relativamente estável. Essa condição é um estado de estabilidade
dinâmica. O termo dinâmico indica que as substâncias estão constantemente
se movendo de um lado para outro
entre os dois compartimentos. Em um
estado de estabilidade não há
movimento efetivo (líquido) de
substâncias entre os compartimentos.
Entretanto, estado de estabilidade
não é o mesmo que equilíbrio.
Equilíbrio implica que a composição
dos compartimentos corporais seja
idêntica. Se examinarmos a
composição do LEC e do LIC, veremos
que as concentrações de muitas
substâncias são diferentes nos dois
compartimentos. Por exemplo, o sódio
(Na+) e o cloreto (Cl-) são muito mais
concentrados no LEC do que no LIC,
ao passo que o potássio (K+) é mais
concentrado no LIC. Devido a essas
diferenças de concentração, os dois
compartimentos líquidos não estão em equilíbrio. Em vez disso, o LEC e o LIC
É relativamente fácil monitorar a quantidade
de uma substância que entra no corpo a
partir do ambiente externo, mas é mais difícil
rastrear moléculas dentro do corpo para
monitorar sua excreção ou metabolização.
Em vez de medir a substância diretamente,
pode-se acompanhar a taxa em que a
substância desaparece do sangue, um
conceito conhecido como depuração.
A depuração é normalmente expressa como
um determinado volume sanguíneo
depurado da substância x por unidade de
tempo. Por essa razão, a depuração é
apenas uma medida indireta de como a
substância x é eliminada.
encontram-se em um estado de desequilíbrio relativamente estável. Para os
seres vivos, o objetivo da homeostasia é manter um estado de estabilidade
dinâmica entre os compartimentos do corpo, e não tornar os compartimentos
iguais.
SISTEMAS DE CONTROLE E HOMEOSTASIA
Para manter a homeostasia, o corpo humano monitora certas funções-chave,
como a pressão arterial e a glicemia, as quais devem permanecer dentro de
um intervalo de operação específico se o corpo deseja se manter saudável.
Essas importantes variáveis reguladas são mantidas dentro de seu intervalo
aceitável (normal) por mecanismos de controle fisiológico ativados se a
variável se distanciar muito do seu ponto de ajuste, ou valor ótimo. Existem
dois padrões básicos de mecanismos de controle: controle local e controle
reflexo de longa distância.
Na forma mais simples, todos os sistemas de controle possuem três
componentes: (1) um sinal de entrada; (2) um controlador, ou centro
integrador, que integra a informação aferente e inicia uma resposta
apropriada; e (3) um sinal de saída que produz uma resposta. Os sistemas de
controle reflexo de longa distância são mais complexos do que esse modelo
simples. Entretanto, eles podem processar informação de múltiplas fontes e
possuir uma saída que atua sobre múltiplos alvos.
Controle Local: A forma mais simples de controle é o controle local, que está
restrito ao tecido ou à célula envolvida. No controle local, uma mudança
relativamente isolada ocorre em um tecido. Uma célula próxima ou um grupo
de células detecta a mudança em suas imediações e responde, normalmente
com a liberação de alguma substância química. A resposta fica restrita à
região onde a mudança
ocorreu – por isso o termo
controle local.
Um exemplo de controle
local pode ser observado quando a concentração de oxigênio em um tecido
diminui. As células que revestem os pequenos vasos sanguíneos que levam
sangue àquela área detectam a concentração reduzida de oxigênio e
respondem, secretando um mensageiro químico. Esta molécula sinalizadora
se difunde até a musculatura lisa da própria parede do vaso, levando uma
mensagem que diz para essa musculatura relaxar. O relaxamento da
musculatura aumenta o diâmetro (dilata) do vaso, aumentando o fluxo
sanguíneo para o tecido e, consequentemente, levando mais oxigênio àquela
área.
Controle Reflexo: As alterações que se distribuem por todo o corpo, isto é, de
natureza sistêmica, necessitam de sistemas de controle mais complexos para
a manutenção da homeostasia. Por exemplo, a manutenção adequada da
pressão arterial para distribuir o sangue por todo o corpo é muito mais uma
questão sistêmica do que local. Como a pressão arterial é sistêmica, a sua
manutenção requer comunicação de longa distância e coordenação adequada.
O termo controle reflexo será utilizado para se referir a qualquer via de longa
distância que utilize o sistema nervoso, o sistema endócrino ou ambos.
Um reflexo fisiológico pode ser dividido em 2 partes: uma alça de resposta e
uma alça de retroalimentação.
Alça de Resposta: Assim como no sistema de controle simples, uma alça
de resposta tem três componentes primários: um sinal de entrada, um
centro integrador para integrar o sinal e um sinal de saída. Esses três
componentes podem ser expandidos na seguinte sequência de sete
passos para formar um padrão que é encontrado com leves variações
em todas as vias reflexas:
Estímulo – sensor – sinal de entrada – centro integrador – sinal de saída – alvo –
resposta.
O lado de entrada da alça de resposta começa com a chegada de um
estímulo – a alteração que ocorre quando a variável regulada se afasta
do intervalo desejado. Um sensor especializado monitora a variável. Se
o sensor for ativado pelo estímulo, ele envia um sinal de entrada para
o centro integrador. O centro integrador avalia a informação recebidado sensor e gera um sinal de saída. O sinal de saída direciona-se a um
alvo responsável por produzir uma resposta. Se bem-sucedida, essa
resposta leva a variável regulada de volta ao intervalo desejado de
valores.
Em mamíferos, os centros integradores normalmente são partes do
sistema nervoso ou do sistema endócrino. Os sinais de saída podem ser
sinais químicos, sinais elétricos ou uma combinação de ambos. Os alvos
ativados pelos sinais de saída podem ser qualquer célula do corpo.
OBS.: Existem situações de controle duplo, quando duas divisões do
sistema nervoso ou dois hormônios distintos têm efeitos antagônicos
(opostos) sobre um único alvo.
Alça de Retroalimentação: Na maioria dos reflexos, as alças de
retroalimentação são homeostáticas – isto é, são programadas para
manter o sistema no ponto de ajuste ou próximo dele, fazendo a
variável manter-se relativamente estável. O quão bem um centro
integrador consegue manter a estabilidade depende da sensibilidade do
sistema. Nos sistemas fisiológicos, alguns sensores são mais sensíveis
do que outros. Por exemplo, os sensores que disparam os reflexos para
conservação de água são ativados quando a concentração do sangue
aumenta apenas 3% acima do normal, mas os sensores para baixos
níveis de oxigênio no sangue não respondem até que o nível de oxigênio
tenha diminuído 40%.
o Retroalimentação Negativa (homeostática): Via em que uma
resposta se opõe ou remove o sinal. As alças de retroalimentação
negativa estabilizam a variável regulada e, assim, auxiliam o
sistema na manutenção da homeostasia. Com a perda do
estímulo, a alça de resposta da via é desativada. As alças de
retroalimentação negativa podem restabelecer o estado normal,
mas não têm como impedir o distúrbio inicial.
o Retroalimentação Positiva (não é homeostática): A resposta
reforça o estímulo, ao invés de reduzi-lo ou removê-lo. Em um
sistema de retroalimentação positiva, a resposta leva a variável
regulada para valores ainda mais afastados do valor normal.
Isso dá início a um ciclo vicioso de aumento contínuo da resposta,
deixando o sistema temporariamente fora de controle. Como a
retroalimentação positiva intensifica a resposta, uma
intervenção ou evento externo à alça é necessário para que a
resposta seja interrompida. Por exemplo, o controle hormonal
das contrações uterinas durante o trabalho de parto.
As alças de retroalimentação negativa podem estabilizar uma função e
mantê-la dentro de uma faixa normal, mas são incapazes de impedir
que a mudança que desencadeou o reflexo seja produzida. Entretanto,
alguns reflexos se desenvolveram para permitir que o corpo possa
prever que uma mudança está prestes a acontecer e possa ativar uma
alça de resposta antes da mudança. Esse tipo de mecanismo é chamado
de controle antecipatório.
Um exemplo fisiológico de controle antecipatório fácil de ser
compreendido é o reflexo da salivação. A visão, o cheiro ou mesmo o
pensamento no alimento são suficientes para fazer nossa boca salivar
na expectativa da ingestão de alimento. Esse reflexo é ainda mais
amplo, pois o mesmo estímulo também pode dar início à secreção de
ácido clorídrico, uma resposta antecipatória do estômago ao alimento
que está a caminho.
Ritmos biológicos: cada variável regulada possui um intervalo normal
dentro do qual a variável pode oscilar sem ativar um mecanismo de
correção. Nos sistemas fisiológicos, os pontos de ajuste de diversas
variáveis reguladas são diferentes de pessoa para pessoa. Os pontos de
ajuste de uma mesma pessoa também podem mudar ao longo do tempo.
Os fatores que influenciam os pontos de ajuste de um sujeito para uma
determinada variável incluem os ritmos biológicos normais,
hereditariedade e as condições às quais a pessoa já se habituou.
Variáveis reguladas que mudam de modo previsível e produzem
padrões de repetição, ou ciclos de mudanças, são chamadas de ritmos
biológicos (ritmo circadiano). Muitos ritmos biológicos estão
sincronizados com uma mudança ambiental previsível, como os ciclos
claro-escuro (dia-noite) ou as estações do ano. Os ritmos biológicos
refletem alterações no ponto de ajuste da variável regulada. - Os seres
humanos possuem ritmos circadianos para diversas funções corporais,
incluindo a pressão arterial, a temperatura corporal e os processos
metabólicos. A temperatura corporal atinge o pico no final da tarde e
declina significativamente nas primeiras horas da manhã.
Muitos hormônios dos seres humanos apresentam concentrações
sanguíneas que flutuam de modo previsível seguindo um ciclo de 24h.
O cortisol, o hormônio (atua principalmente na resposta ao estresse e
no sistema imunológico) do crescimento e os hormônios sexuais estão
entre os exemplos mais conhecidos. A concentração de cortisol em uma
amostra de sangue coletada às 9h da manhã pode ser duas vezes mais
elevada do que a concentração em uma amostra coletada no início da
tarde.
Os ritmos biológicos geram uma resposta antecipatória para uma
variável ambiental previsível. Existem ritmos sazonais associados à
reprodução presentes em muitos organismos. Esses ritmos são
sincronizados com as estações do ano para que a prole encontre
alimento e outras condições favoráveis que maximizem a
sobrevivência. Os ritmos circadianos relacionados ao ciclo claro-escuro
podem estar associados a ciclos de repouso-atividade. Esses ritmos
permitem ao nosso corpo antecipar um comportamento e coordenar os
processos corporais adequadamente. É possível escutar pessoas
acostumadas a jantar às 18h dizerem que não conseguirão digerir o
alimento se tiverem que esperar até as 22h para jantar, pois seu
sistema digestório “desligou” em antecipação ao comportamento de ir
para a cama para dormir.
Parte da variabilidade nos pontos de ajuste está associada a mudanças
nas condições ambientais e não aos ritmos biológicos. A adaptação dos
processos fisiológicos a um determinado conjunto de condições
ambientais é chamada de aclimatização quando ocorre naturalmente.
Se o processo ocorre artificialmente, em condições de laboratório, ele é
chamado de aclimatação. A cada inverno, as pessoas das altas latitudes
do hemisfério norte vão para o sul na esperança de escapar das
implacáveis temperaturas negativas e da neve. Quando os sujeitos do
norte caminham no clima de 4°C do sul, usando camisetas de manga-
curta, os moradores do sul, bem agasalhados com casacos e luvas, ficam
espantados, pois para eles está muito frio. A diferença nos
comportamentos deve-se à diferença na temperatura de aclimatização,
uma diferença no ponto de ajuste para a regulação da temperatura
corporal que é o resultado de um condicionamento prévio.
FONTE: Silverthorn – Fisiologia Humana 7ª Ed. – Capítulo 1.