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Sumário CAPA FOLHA DE ROSTO INTRODUÇÃO Primeiro encontro TERRA, DOM DE DEUS Segundo encontro MULHER, IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS Terceiro encontro UMA ALIANÇA COM ESTRANGEIROS Quarto encontro RENOVAÇÃO DA ALIANÇA EM SIQUÉM FICHA CATALOGRÁFICA Landmarks Cover Table of Contents INTRODUÇÃO Celebramos com alegria, neste ano, o 51º “mês da Bíblia”, que teve sua primeira edição no ano de 1971, na Arquidiocese de Belo Horizonte (MG). Aos poucos, essa iniciativa foi assumida pela CNBB e se espalhou por todo o Brasil. Desde 1999, a CNBB propõe o estudo de um livro da Bíblia ou um tema bíblico a ser aprofundado. A escolha do mês de setembro foi motivada pela memória do grande estudioso da Bíblia, São Jerônimo, que se celebra no dia 30. Para este ano de 2022, foi escolhido o livro de Josué, primeiro dos assim chamados “livros históricos”. O tema do livro é a posse da Terra Prometida e sua divisão entre as tribos de Israel. É bom lembrar que, em Canaã, já habitavam vários povos. A tarefa de guiar o povo é iniciada por Moisés e continuada por Josué. O livro narra os acontecimentos da conquista da terra entre os anos de 1300 a 1000 a.C. Sua redação final, porém, se deu muitos séculos depois, após o exílio na Babilônia. Até chegar à sua redação final, antigos relatos, nascidos no ambiente da família, dos trabalhadores do campo, dos sábios atuantes na corte do rei e dos sacerdotes em seus diversos santuários, foram transmitidos oralmente de geração em geração, até a redação final. Nos séculos em que foram escritos e reescritos, até chegar ao texto que temos hoje, foi importante o período do rei Josias, por volta de 620 a.C., quando houve uma reforma (chamada de reforma deuteronomista) que procurou centralizar o culto no Templo de Jerusalém e definir o Deus Javé como a única divindade nacional dos israelitas. Isso implicou a escrita e a revisão de muitos textos, para dar apoio e legitimar o projeto da reforma. Outro período importante para o livro de Josué foi o tempo depois do exílio na Babilônia, quando começou a se constituir uma teocracia, ou seja, o governo dos sacerdotes. Os teocratas fortaleceram o sistema do Templo com o Deus Javé, o Deus único que lutava contra os deuses dos outros povos. Estabeleceu-se todo um aparato de leis de pureza, sacrifícios, festas e ofertas de produtos da terra como meios para arrecadar tributos a fim de manter o governo teocrata, bem como beneficiar o império persa, que controlava os teocratas. Podemos imaginar como, na escritura e reescritura dos textos de Josué, esses interesses influenciaram. A posse da terra no livro de Josué é vista como dom de Javé, por sua própria iniciativa. Para isso, o povo necessita obedecer à Torá, às leis dadas por Moisés (Js 1,6-7). E não se pode hoje ler o livro de Josué para ter um relato jornalístico ou histórico no sentido moderno; é preciso, isso sim, buscar o significado e o alcance dos acontecimentos. No livro, por exemplo, vemos como os autores procuram comparar o exílio na Babilônia com a situação em que se encontrava o povo no Egito e em Canaã, antes de conquistar a libertação e tomar posse da terra. Para o povo exilado, a conquista da terra representa o sonho do retorno para Israel. Deus prometeu a terra. Se o povo a perdeu, não é culpa de Deus, mas do próprio povo, principalmente de suas lideranças, que não souberam manter o compromisso com a aliança. Deus vai dar a terra, mas não dispensa o esforço do povo. Em outras palavras, ele a dá somente se o povo se dispõe corajosamente a conquistá-la. O dom da terra é o cumprimento de uma promessa. Deus dá a terra ao povo para que a utilize com responsabilidade e seja sinal de vida, evitando que a ganância destrua a natureza e concentre a terra nas mãos de poucos. A terra é fundamental não somente para o camponês, mas também para todo o povo, pois é dela que vem o alimento. A luta pela conquista da terra na Bíblia significou mais do que simplesmente ter um pedaço de terra. Significou a conquista de um novo modelo alternativo de sociedade, que se concretizou com a partilha igualitária da economia (terra e produção) e a participação igualitária na política (decisões sociais e históricas). É o modelo tribal proposto após a conquista da terra de Canaã, diferente do sistema dos reis (monárquico), em que o povo devia pagar tributos para sustentar o rei, o palácio e o exército. No modelo das tribos, a terra é dom de Deus para todos, e o que é conquistado por todos deve ser repartido entre todos. Mesmo com tantos relatos violentos de conquista, escritos em épocas posteriores, na base do livro de Josué está o projeto original do êxodo, que propõe a superação de uma sociedade desigual, onde poucos se privilegiam, acumulando e retendo o dom de Deus, à custa da situação do povo, que fica reduzido à impotência e à miséria. O livro é, assim, uma grande crítica à concentração da terra e das riquezas nas mãos de poucos. Josué contém uma das várias teorias da ocupação da Terra Prometida, talvez a menos viável ou a mais incerta. É uma teoria fundamentalista e demasiadamente violenta. No livro, de fato, encontramos o massacre de cidades inteiras, com o extermínio das populações locais. São os anseios de Josias, querendo legitimar o uso da força e da guerra para os objetivos de sua reforma, bem como os anseios dos que voltavam do exílio e queriam estabelecer a teocracia, o governo dos sacerdotes, com a bandeira do único Deus Javé, que combate os deuses estrangeiros e reconquista suas terras. Podemos dividir o livro de Josué em três partes principais. A primeira parte trata do reconhecimento do território e da conquista da terra de Canaã. Josué acompanha as tribos que vão conquistando a terra (Js 1–12). A segunda parte trata da distribuição da terra entre as tribos, segundo a necessidade de cada uma. Segue-se a enumeração monótona e enfadonha das cidades de refúgio e das cidades reservadas aos levitas (Js 13–21). Na terceira parte, temos a solidificação da aliança entre as tribos, o discurso de despedida feito por Josué e a assembleia de Siquém (Js 22–24). O livro conclui com a morte de Josué. Este livrinho traz a proposta de quatro encontros para vivenciar em grupo o mês da Bíblia de 2022. Que neste mês possamos refletir, rezar e nos comprometer para que a terra, dom de Deus para todos, seja de fato terra onde todos, sem exceção, possam viver como irmãos. Primeiro encontro TERRA, DOM DE DEUS 1. Preparando o ambiente Colocar no centro uma Bíblia aberta, uma vela acesa e um prato de terra. É importante que cada um tenha sua Bíblia. Se nem todos se conhecem, seria bom que cada um se apresentasse. Tempo de silêncio para refletir sobre os símbolos preparados (Bíblia, vela, terra). 2. Acolhida O coordenador dá as boas-vindas, espontaneamente ou com as palavras a seguir: Coordenador: Sintamo-nos todos acolhidos e acolhidas para este nosso primeiro encontro dedicado ao mês da Bíblia. É uma alegria estarmos reunidos com a Bíblia no centro do nosso encontro, para deixarmos que ela, de fato, seja o centro e ilumine nossa vida. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. 3. Invocação do Espírito Santo Coordenador: Vamos invocar a presença e a luz do Espírito Santo para o nosso encontro. Cantar (ou rezar) o refrão orante (Liturgia XV, Paulus, faixa 15): A nós descei, Divina Luz. (bis) Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, o amor, o amor de Jesus. Todos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra. Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. 4. Oração Coordenador: Ó Deus, obrigado por iniciarmos mais um “mês da Bíblia”. Este ano nos é proposto o estudo do livro de Josué. Esse livro trata da conquista da Terra Prometida, onde corre leitee mel. Ouvindo o clamor do povo escravo no Egito, vós descestes para libertá-lo e levá-lo à liberdade e à posse da terra. A terra, dom de Deus, é fundamental para alimentar a vida do povo. Como dom que vem de vós, é para todos os que querem trabalhar nela, e não para ser concentrada nas mãos de poucos. Ajudai-nos a conhecer um pouco mais este livro para não fazermos uma leitura fundamentalista dele, ao pé da letra. Vinde, Senhor, com vossa graça para compreendermos melhor a nossa vida à luz da vossa Palavra. Por Cristo, nosso Senhor. Todos: Amém. 5. Introdução ao texto Leitor: O livro de Josué inicia falando da morte de Moisés e da convocação de Josué para dar continuidade à obra iniciada por Moisés. O texto que vamos ler encoraja Josué a ser forte e corajoso, pois a missão não será fácil, mas Deus estará presente nessa tarefa. Josué conseguirá realizar a promessa divina graças à presença do Deus Javé junto a ele. Embora a terra seja dom de Deus, Israel precisa ser forte e corajoso, observando tudo o que está escrito na Lei de Moisés para conquistá-la. A desobediência de Israel pode frustrar as promessas divinas. Para o povo que estava no exílio ou voltando do exílio, essa mensagem era importante. Eles, afinal, começavam a dar-se conta de que perderam a terra porque não tinham sido fiéis à aliança com Deus. Após as instruções de Deus, Josué dá ordens para que o povo prepare as provisões, porque, dentro de três dias, iniciaria a conquista da terra. Pode-se cantar (ou rezar) um refrão aclamativo, como: Fala, Senhor, fala da vida! Só tu tens Palavra eterna: queremos ouvir. (bis) 6. Leitura bíblica – Josué 1,1.6-11 Leitor: ¹Aconteceu, depois da morte de Moisés, servo de Javé, que Javé disse a Josué, filho de Nun, auxiliar de Moisés: “Seja forte e corajoso, pois você vai fazer este povo herdar a terra que prometi dar a seus pais. ⁷Somente seja forte e muito corajoso para cumprir toda a Lei que meu servo Moisés lhe ordenou. Não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, a fim de ter sucesso por onde andar. ⁸Não afaste de sua boca este livro da Lei e medite nele dia e noite, a fim de conservá-lo, e faça tudo o que nele está escrito. E, desse modo, você há de ser bem-sucedido em seu caminhar, e terá sucesso. Não fui eu quem ordenou a você que seja forte e corajoso? Não tenha medo e não se sinta acovardado, porque Javé seu Deus vai estar com você por onde você andar”. ¹ Josué deu a seguinte ordem aos oficiais do povo: ¹¹“Atravessem pelo meio do acampamento e deem a seguinte ordem a todos: ‘Guardem alimentos, porque daqui a três dias vocês vão atravessar o Jordão para tomar posse da terra que Javé seu Deus vai lhes dar como propriedade’”. 7. Compreendendo o texto 7.1. Retomar o texto Coordenador: Somos agora convidados a recordar em voz alta as palavras, expressões ou frases que mais chamaram nossa atenção. Momento de partilha do grupo. 7.2. Meditar o texto Coordenador: Vamos pensar na nossa vida e conversar sobre como esse texto de Josué se relaciona com nossa realidade. No texto, aparecem temas como ter uma terra para trabalhar e viver, o dom de Deus, as conquistas do povo, a coragem para não desanimar, a certeza da presença de Deus, a atenção à sua Palavra, a liderança que ajuda o povo a conquistar a terra. O que esses temas têm a ver com nossa vida? Depois de um momento de silêncio e reflexão individual, o coordenador convida à partilha de ideias e sentimentos. Feita a partilha, pode-se cantar (Cantos de abertura e comunhão, Paulus, faixa 1): Refrão: Ó Pai, somos nós o povo eleito, que Cristo veio reunir. (bis) 1. Pra viver da sua vida, aleluia, o Senhor nos enviou, aleluia. 2. Pra ser Igreja peregrina, aleluia, o Senhor nos enviou, aleluia. 3. Pra ser sinal de salvação, aleluia, o Senhor nos enviou, aleluia. 4. Pra anunciar o Evangelho, aleluia, o Senhor nos enviou, aleluia. 8. Rezando a partir do texto 8.1. Ler o texto à luz do Evangelho Coordenador: a) Nas bem-aventuranças (Mateus 5,1-12), Jesus proclama felizes os mansos, porque possuirão a terra. A palavra “feliz”, em hebraico, deriva dos verbos “avançar” e “prosseguir”. Portanto, a bem-aventurança de Jesus não convida à acomodação, mas propõe avançar e prosseguir, sem violência, até herdar a terra. b) Na parábola da semente (Mateus 13,1-9), algumas sementes produziram pouco e outras muito. Por que será? O Papa Francisco propõe que nenhum camponês fique sem terra. O que pensamos a respeito da declaração do Papa? c) Jesus, mais de uma vez, abençoou alguns pães e peixes, partiu-os e distribuiu-os para uma grande multidão (Marcos 6,31-44; 8,1-9). Todos ficaram satisfeitos e ainda sobrou. O pouco partilhado é suficiente para todos. Alguns movimentos, como o dos Trabalhadores Sem Terra (MST), produzem alimento, inclusive orgânico, para alimentar as famílias, e mesmo assim são criticados por setores da sociedade. Nem sempre os pequenos proprietários são respeitados, para benefício sempre maior dos latifundiários. O que sabemos desses movimentos e como os encaramos? Partilha de ideias e sentimentos que brotam desses textos. 8.2. Conversar com Deus Coordenador: Vamos agora expressar espontaneamente a Deus o que trazemos no coração, em forma de oração. Momento de apresentar preces, súplicas, agradecimentos e louvores. 9. Salmo 135,8-18 Coordenador: O Salmo 135 é um hino de louvor ao Criador, Senhor da história e libertador do povo do Egito. Deus acompanha o povo no deserto, na caminhada para a conquista da Terra Prometida. Os povos inimigos resistem, mas são vencidos por Javé. O Salmo pode nos lembrar tempos de opressão e perseguição. Espontaneamente, cada um pode rezar um versículo. – Javé feriu os primogênitos do Egito, desde os homens até os animais. – Enviou sinais e prodígios em seu meio, ó Egito, contra o faraó e todos os seus servos. – Ele feriu muitas nações, e exterminou reis poderosos: – Seon, rei dos amorreus; Og, rei de Basã, e todos os reinos de Canaã. – Deu como herança a terra deles, como herança ao seu povo Israel. – Javé, teu nome é para sempre! Javé, tua lembrança permanece de geração em geração. – Javé faz justiça ao seu povo, e se compadece de seus servos. – Os ídolos das nações são de prata e ouro, e foram feitos por mãos humanas: – eles têm boca e não falam, têm olhos e não veem, – têm ouvidos e não escutam, nem existe sopro em sua boca. – Iguais a eles são aqueles que os fabricam, todos os que neles confiam. Coordenador: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 10. Conclusão e bênção Lembrar o horário e o local do próximo encontro. Coordenador: Que o Deus da paz nos torne capazes de cumprir fielmente sua palavra e, assim, realizar sua vontade, fazendo tudo o que é bom e agradável aos irmãos e irmãs. Estivemos reunidos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. Coordenador: Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Todos: Para sempre seja louvado. Pode-se cantar (Cantos de abertura e comunhão, Paulus, faixa 23): Refrão: Bom é louvar o Senhor, nosso Deus, cantar salmos ao nome do Altíssimo. Com alegria aclamar seu amor, sua glória, bondade e poder. 1. Como tuas obras me alegram, Senhor. Os teus prodígios suscitam louvor. Tua presença eu contemplo no céu. Olho a terra, também nela estás. 2. Tu engrandeces o homem mortal. Da natureza ele é rei e senhor. De honra o coroaste, de glória e poder, pouco menos que aos anjos do céu. 3. Narram os céus o que fez tua mão. Todo o universo teu nome bendiz. A criação é um canto de amor, e esse canto é também meu louvor. 4. Tua bondade cercou-me de bens. Tudo que tenho é por graça e favor. Quero teus dons com os irmãos partilhar, Vendo em ti nosso Deus, nosso Pai. Segundo encontro MULHER, IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS 1. Preparando o ambiente Colocar no centro uma Bíblia aberta, uma vela acesa e figuras de mulheres. É importante que cada um tenha sua Bíblia. Se nem todos se conhecem, seria bom que cadaum se apresentasse. Tempo de silêncio para refletir sobre os símbolos preparados (Bíblia, vela, figuras de mulheres). 2. Acolhida O coordenador dá as boas-vindas, espontaneamente ou com as palavras a seguir: Coordenador: Sintamo-nos todos acolhidos e acolhidas para este nosso segundo encontro dedicado ao mês da Bíblia. É uma alegria estarmos reunidos com a Bíblia no centro do nosso encontro, para deixarmos que ela de fato seja o centro e ilumine nossa vida. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. 3. Invocação do Espírito Santo Coordenador: Vamos invocar a presença e a luz do Espírito Santo para o nosso encontro. Cantar (ou rezar) o refrão orante (Liturgia XV, Paulus, faixa 15): A nós descei, Divina Luz. (bis) Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, o amor, o amor de Jesus. Todos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra. Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. 4. Oração Coordenador: Deus do amor, da misericórdia e do perdão, ajudai-nos a superar todo preconceito e julgamento contra pessoas e grupos. Reconhecemos que nem sempre sabemos olhar com os vossos olhos e, por isso, muitas vezes fazemos julgamentos destrutivos. Vós quisestes que vosso Filho nascesse de uma mulher e se encarnasse na condição humana. A exemplo de Raab, que acolheu os forasteiros, tornai-nos sempre mais acolhedores e fraternos. Que saibamos acolher a vossa graça para vivermos no amor e na fidelidade ao vosso Filho. Por Cristo, nosso Senhor. Todos: Amém. 5. Introdução ao texto Leitor: Antes de chegar à Terra Prometida, Josué envia dois espiões a Jericó, e eles se hospedam junto a uma mulher chamada Raab, conhecida como prostituta. A prostituta dá acolhida aos dois forasteiros, mente para protegê-los e os ajuda a fugir da perseguição. Raab reconhece a grandeza de Javé diante dos deuses das nações estrangeiras. No centro do episódio está a profissão de fé de Raab, que reconhece Javé como Deus no céu e na terra. Aquele que deu a terra a Israel agora introduzirá o povo na terra. Por sua vez, os dois espiões prometem misericórdia a Raab e sua família. Assim, a narrativa explica a sobrevivência da família de Raab no meio dos israelitas após a conquista. A mulher que teve compaixão dos dois forasteiros, ou seja, que se deixou tocar pelo sofrimento deles e sofreu com eles, é incorporada junto com seu povo à comunidade de Israel. Pode-se cantar (ou rezar) um refrão aclamativo, como: A vossa Palavra, Senhor, é sinal de interesse por nós. (bis) 6. Leitura bíblica – Josué 2,8-16 Leitor: ⁸Antes que (os dois homens dos filhos de Israel enviados por Josué) dormissem, Raab foi até eles no terraço e lhes disse: “Sei que Javé deu a vocês esta terra, e que um grande medo caiu sobre nós. E todos os habitantes da terra estão com medo de vocês. ¹ Pois soubemos como Javé secou as águas do mar dos Juncos diante de vocês, quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram a Seon e Og, reis dos amorreus, que estão do outro lado do Jordão e que vocês exterminaram. ¹¹Nós o soubemos, e nosso coração ficou desanimado, e ninguém mais se animou, por causa de vocês. Porque Javé seu Deus é Deus, tanto lá em cima nos céus como cá embaixo na terra. ¹²E agora, jurem-me por Javé, pois tive compaixão de vocês, e vocês também deverão ter compaixão da casa de meu pai. E vocês vão me dar um sinal verdadeiro ¹³de que vocês deixarão viver meu pai, minha mãe, meus irmãos e minhas irmãs, assim como tudo o que pertence a eles, e ainda preservarão da morte as nossas vidas”. ¹⁴Os homens disseram a ela: “Que nossa vida seja entregue no lugar da sua vida, se você não denunciar nossa missão. E quando Javé nos der esta terra, vamos usar de misericórdia e lealdade para com você”. ¹⁵Ela fez os homens descerem da janela por uma corda, pois a casa onde morava ficava na muralha. ¹ Ela lhes disse: “Vão para a montanha, para não serem encontrados por seus perseguidores. Escondam-se lá durante três dias, até os perseguidores voltarem, e depois sigam seu caminho”. 7. Compreendendo o texto 7.1. Retomar o texto Coordenador: Vamos recordar em voz alta as palavras, expressões ou frases que mais chamaram nossa atenção. Momento de partilha do grupo. 7.2. Meditar o texto Coordenador: Vamos agora pensar na nossa vida e conversar sobre como esse texto de Josué se relaciona com nossa realidade. No texto aparece a figura da mulher, conhecida como prostituta, uma pessoa marginalizada pela sociedade da época. É justamente essa mulher prostituta que acolhe os forasteiros e proclama a fé no Deus dos filhos de Israel. Sua compaixão, acolhida e fé permitirão que ela e sua família sejam salvas e façam parte do povo de Israel. E hoje, quais são as pessoas discriminadas, marginalizadas e excluídas da sociedade? Qual é nossa atitude pessoal e comunitária em relação a essas pessoas? Como conseguimos reconhecer que a bondade e o apoio de Deus podem vir também de pessoas e grupos que a sociedade discrimina? Por que as mulheres ainda hoje sofrem violência da sociedade e da própria família? Depois de um momento de silêncio e reflexão individual, o coordenador convida à partilha de ideias e sentimentos. Pode-se cantar (Cantos de abertura e comunhão, Paulus, faixa 10): Refrão: Vós sois o Caminho, a Verdade e a Vida, o pão da alegria, descido do céu. 1. Nós somos caminheiros que marcham para os céus. Jesus é o caminho que nos conduz a Deus. 2. Da noite da mentira, das trevas para a luz, Busquemos a Verdade, Verdade é só Jesus. 3. Pecar é não ter vida, pecar é não ter luz. Tem vida só quem segue os passos de Jesus. 8. Rezando a partir do texto 8.1. Ler o texto à luz do Evangelho Coordenador: a) A figura de Raab aparece em várias passagens do Novo Testamento. Em Hebreus 11,31, ela é exemplo de acolhida dos forasteiros, e em Tiago 2,25, ela é justificada pelo seu gesto. O mais interessante, porém, é que ela se encontra na genealogia de Jesus, em Mateus 1,5. Além de Raab, aparecem na genealogia mais três mulheres não bem-vistas: Tamar e Rute, estrangeiras, e Betsabeia, que não era casada com um israelita. Além delas, claro, temos a presença de Maria, a Mãe de Jesus. b) Jesus, ao longo de sua missão, sempre valorizou as mulheres, principalmente aquelas perseguidas e hipocritamente condenadas pela sociedade do seu tempo. Podemos recordar, por exemplo, a mulher do episódio de João 8,1-11, conhecida como prostituta, que os escribas e fariseus queriam apedrejar, conforme a lei de Levítico 20,10. Jesus desmascara os acusadores e acolhe a mulher, oferecendo-lhe nova vida. c) Aos pés de Jesus, Maria se senta para ouvir seu ensinamento (Lucas 10,38-42). Naquele tempo, não era comum nem permitido que as mulheres sentassem aos pés dos mestres para ouvi-los e serem discípulas. Além das discípulas que acompanhavam Jesus (Lucas 8,1-3), é uma mulher, Maria Madalena, a primeira apóstola (enviada) a anunciar a ressurreição do Senhor (João 20,11-18). Partilha de ideias e sentimentos que brotam desses textos. 8.2. Conversar com Deus Coordenador: Vamos agora expressar espontaneamente a Deus o que trazemos no coração, em forma de oração. Momento de apresentar preces, súplicas, agradecimentos e louvores. 9. Cântico de Maria – Lucas 1,46-55 Coordenador: O cântico de Maria celebra a ação de Deus que olhou para a humilhação de Maria. Recorda a ação de Deus na vida dos pobres de Israel e contesta uma sociedade desigual. Vamos rezar o cântico de modo compartilhado, cada um rezando uma estrofe: – Minha alma exalta o Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. – Eis que, de agora em diante, todas as gerações me considerarão feliz, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas por mim. – Seu nome é Santoe sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem. – Ele agiu com a força de seu braço. Dispersou os arrogantes de coração. – Derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes. – Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada. – Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, – como tinha dito a nossos antepassados, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre. Coordenador: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 10. Conclusão e bênção Lembrar o horário e o local do próximo encontro. Coordenador: Ó Deus, que olhastes para Maria e a convidastes para ser a Mãe do Salvador, olhai também para nós e fazei-nos caminhar sempre na esperança da salvação. Estivemos reunidos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. Coordenador: Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Todos: Para sempre seja louvado. Pode-se cantar (Cantando louvor a Maria, Paulus, faixa 1): 1. Pelas estradas da vida, nunca sozinho estás. Contigo, pelo caminho, Santa Maria vai. Refrão: Ó vem conosco, vem caminhar, Santa Maria, vem! (bis) 2. Mesmo que digam os homens: “Tu nada podes mudar”, luta por um mundo novo, de unidade e paz. Terceiro encontro UMA ALIANÇA COM ESTRANGEIROS 1. Preparando o ambiente Colocar no centro uma Bíblia aberta, uma vela acesa e alguns símbolos que representem a aliança. É bom que cada um tenha sua Bíblia. Se nem todos se conhecem, seria bom que cada um se apresentasse. Tempo de silêncio para refletir sobre os símbolos preparados (Bíblia, vela, aliança). 2. Acolhida O coordenador dá as boas-vindas, espontaneamente ou com as palavras a seguir: Coordenador: Sintamo-nos acolhidos e acolhidas para este nosso terceiro encontro dedicado ao mês da Bíblia. É uma alegria estarmos reunidos com a Bíblia no centro do nosso encontro, para deixarmos que ela de fato seja o centro e ilumine nossa vida. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. 3. Invocação do Espírito Santo Coordenador: Vamos invocar a presença e a luz do Espírito Santo para o nosso encontro. Cantar (ou rezar) o refrão orante (Liturgia XV, Paulus, faixa 15): A nós descei, Divina Luz. (bis) Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, o amor, o amor de Jesus. Todos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra. Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. 4. Oração Coordenador: Ó Deus, obrigado por mais este encontro de estudo do livro de Josué, neste mês da Bíblia. Ajudai-nos a buscar sempre na sua Palavra a luz e a força para caminhar. Que vossa Palavra, viva e eficaz, ilumine nossa mente e nos ajude a mudar nossa conduta para assumir o compromisso de viver de acordo com ela. Que a verdade da vossa Palavra esteja em nossos lábios e em nossos corações, acendendo em nós o desejo de testemunhá-la e proclamá-la aos quatro cantos da terra. Por Cristo, nosso Senhor. Todos: Amém. 5. Introdução ao texto Leitor: A passagem do livro de Josué que ouviremos fala da aliança entre os gabaonitas e Josué. O povo de Gabaon consegue uma aliança com Israel para poder continuar vivendo na terra de Israel. Com astúcia, enganando Josué, os gabaonitas pacificamente são incorporados aos filhos de Israel. Sem procurar os conselhos de Javé, Israel concorda com a aliança e, depois de ter descoberto o engano, respeita o juramento feito a Deus e não ataca os gabaonitas. Eles, porém, ficam obrigados a realizar tarefas de lenhadores e carregadores de água a serviço dos filhos de Israel. O texto é fruto da memória dos tempos de Moisés e, sobretudo, da releitura feita depois do retorno do exílio, período em que, com a reconstrução do Templo de Jerusalém, acontece também a reconstrução da cidade de Gabaon. Gabaon tinha sido, segundo 1 Reis 3,4, um dos lugares de culto do rei Salomão. Além disso, o episódio serve para explicar a presença dos gabaonitas no meio de Israel, mesmo sendo proibida pela Lei (Deuteronômio 20,16-17). Na visão dos israelitas que voltavam do exílio, o objetivo era sobretudo submeter os gabaonitas aos interesses de Israel. Pode-se cantar (ou rezar) um refrão aclamativo, como: A Palavra de Deus ouvida é a verdade que nos liberta, que nos chama à nova vida, nos educa e nos converte. (bis) 6. Leitura bíblica – Josué 9,3-21 Leitor: ³Os habitantes de Gabaon ouviram o que Josué fez contra as cidades de Jericó e Hai, ⁴e agiram também com astúcia: pegaram provisões, carregaram seus jumentos com panos de saco velhos e odres de vinho velhos, rasgados e remendados. ⁵Calçaram sandálias velhas e remendadas; usaram também mantos velhos. Todo o seu pão de provisão era seco e bolorento. Foram encontrar-se com Josué no acampamento em Guilgal, e lhe disseram, a ele e também aos homens de Israel: “Nós estamos chegando de uma terra distante. Faça aliança conosco”. ⁷Os homens de Israel disseram aos heveus: “Por acaso vocês não habitam entre nós? Como podemos fazer aliança com vocês?” ⁸Eles responderam a Josué: “Nós somos seus servos”. Josué replicou: “Quem são vocês e de onde vieram?” Responderam: “Seus servos vêm de uma terra muito distante, por causa do nome de Javé seu Deus, pois ouvimos falar dele e de tudo o que fez no Egito, ¹ e tudo o que fez aos dois reis dos amorreus que estão do outro lado do Jordão, a Seon, rei de Hesebon, e a Og, rei de Basã, em Astarot. ¹¹Nossos anciãos e todos os habitantes de nosso país nos disseram: ‘Tomem nas mãos provisões para o caminho, vão ao encontro deles e lhes digam: Somos seus servos’. Agora, faça aliança conosco. ¹²Eis o nosso pão: estava quente quando nos abastecemos de provisão no dia em que saímos de nossas casas para nos encontrarmos com vocês, e eis que agora se encontra seco e bolorento! ¹³E estes são os odres de vinho, que eram novos quando os enchemos, e agora estão danificados! São estes os nossos mantos e as nossas sandálias gastas, devido ao longo caminho!” ¹⁴Os homens de Josué pegaram da provisão deles sem consultar Javé. ¹⁵Josué fez com eles um acordo de paz e selou aliança com eles, a fim de lhes garantir que salvaria suas vidas. Também os representantes da comunidade prestaram a eles um juramento. ¹ Aconteceu que, depois de três dias, após terem selado aliança com eles, receberam a informação de que eram seus vizinhos e que habitavam no meio deles. ¹⁷Os filhos de Israel partiram do acampamento e chegaram às cidades deles no terceiro dia. As cidades eram Gabaon, Cafira, Berot e Cariat-Iarim. ¹⁸Os filhos de Israel não os atacaram porque os representantes da comunidade haviam feito juramento com eles, por Javé Deus de Israel. Por esse motivo, todos da comunidade murmuravam contra os representantes da assembleia. ¹ Todos os representantes disseram diante de toda a comunidade: “Nós fizemos com eles juramento por Javé, o Deus de Israel, e por isso não podemos agora atacá-los. ² Eis o que faremos com eles: manteremos a vida deles e a cólera não virá sobre nós por causa do juramento que fizemos com eles”. ²¹Os representantes disseram: “Que eles vivam, mas que sejam lenhadores e carregadores de água para toda a nossa comunidade”. Assim, pois, falaram os representantes. 7. Compreendendo o texto 7.1. Retomar o texto Coordenador: Somos agora convidados a recordar em voz alta as palavras, expressões ou frases que mais chamaram nossa atenção. Momento de partilha do grupo. 7.2. Meditar o texto Coordenador: Vamos agora pensar na nossa vida e conversar sobre como esse texto de Josué se relaciona com nossa realidade. Na base da mentira, os gabaonitas conseguem firmar uma aliança com os israelitas e, assim, começam a fazer parte do povo de Deus. Os gabaonitas são o exemplo de estrangeiros vivendo no meio de Israel, o que nos fazpensar nos estrangeiros e migrantes de hoje. Muitos ainda hoje precisam sair de sua terra, em busca de melhores condições de vida. Muitos precisam fugir, buscando refúgio e proteção. O Papa Francisco, mais de uma vez, recordou o mar Mediterrâneo, que viu o aparecimento de grandes civilizações e a difusão do Evangelho, como um cemitério, com tantas pessoas que buscam refúgio morrendo no mar sem conseguir chegar à Europa. Outro aspecto do texto é que os israelitas querem justificar seu domínio sobre os gabaonitas. O que isso carrega de injustiça e sofrimento para os mais pobres, quando um país quer prosperar explorando o outro? Depois de um momento de silêncio e reflexão individual, o coordenador convida à partilha de ideias e sentimentos. Pode-se cantar (Cantos de abertura e comunhão, Paulus, faixa 13): 1. Entoai ao Senhor novo canto, pois prodígios foi ele quem fez. Sua mão e o seu braço santo a vitória lhe deram de vez. Refrão: Então os povos viram o Deus que nos salvou. Por isso, ó terra inteira, cantai louvor ao Senhor. 2. O Senhor revelou seu auxílio, sua justiça aos povos mostrou. Recordou-se de sua bondade em favor de seu povo fiel. 8. Rezando a partir do texto 8.1. Ler o texto à luz do Evangelho Coordenador: a) O próprio Jesus recém-nascido e sua família foram refugiados (Mateus 2,13-15). Tiveram de buscar proteção no Egito, para fugir do plano perverso de Herodes. Na Bíblia, os estrangeiros, órfãos e viúvas representam as pessoas mais pobres e necessitadas. O Filho de Deus, vindo ao mundo, com sua família fez a experiência do que significa viver como estrangeiro e refugiado. b) Em Mateus 25,31-46, Jesus conta como será o julgamento final. Serão pedidas contas do que cada um de nós tiver feito pelos estrangeiros, pelos que têm fome e sede, pelos que não têm condições básicas de vida, pelos que não têm liberdade. Qual é nossa atitude, pessoal e comunitária, para com os estrangeiros e todos aqueles que são vítimas de preconceito e sofrem? c) Na parábola do bom samaritano (Lucas 10,25-37), é um estrangeiro que socorre o homem caído e quase morto na estrada. Jesus conta essa parábola para mostrar ao especialista na Lei de Deus que ele não devia se preocupar em limitar o número de pessoas que devia amar. A Lei dizia para amar o próximo como a si mesmo, e o especialista queria saber quem se incluía entre os “próximos”. Jesus inverte a pergunta, para ele e para nós. Como o estrangeiro samaritano que foi compassivo e demonstrou concretamente seu amor, como é que nos fazemos próximos dos outros, sobretudo dos mais necessitados e sofredores? Em vez de perguntar: “Quem é meu próximo?”, Jesus nos ensina a perguntar: “De quem eu me faço próximo?”. Partilha de ideias e sentimentos que brotam desses textos. 8.2. Conversar com Deus Coordenador: Vamos agora expressar espontaneamente a Deus o que trazemos no coração, em forma de oração. Momento de apresentar preces, súplicas, agradecimentos e louvores. 9. Salmo 76 Coordenador: O Salmo 76 é um hino de louvor à cidade de Jerusalém, escolhida como morada de Deus. A partir de Jerusalém, Deus proclama a paz, destruindo as forças inimigas. Diante de Deus, qualquer exército é fraco. Do seu trono, Deus proclama a libertação de todos os pobres, com a vitória sobre a arrogância e o orgulho dos poderosos. Ele se mostra terrível para os que querem dominar a terra toda. Espontaneamente, cada um pode rezar uma estrofe. – Deus é conhecido em Judá, seu nome é grande em Israel. Sua tenda está em Salém e sua moradia em Sião. – Foi aí que ele quebrou os relâmpagos dos arcos, os escudos, as espadas e as armas de guerra. – Tu és esplêndido e majestoso pelos montes de despojos. Os valentes de coração, que foram despojados, dormem seu sono. Nenhum guerreiro encontrou suas próprias mãos. – Diante da tua reprovação, Deus de Jacó, carro e cavalo ficaram como adormecidos. – Tu, tu impões medo. Quem pode resistir diante de tua ira? – Dos céus fizeste ouvir teu julgamento, a terra tremeu e se calou, – quando Deus se levantou para julgar e salvar todos os pobres da terra. – Pois a raiva do homem proclama tua glória, a raiva dos sobreviventes é tua vestimenta. – Façam votos para Javé, o Deus de vocês, e os cumpram. Todos vocês que estão ao seu redor, levem tributos ao Terrível. – Ele esmaga o espírito dos orgulhosos, faz tremer os reis da terra. Coordenador: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 10. Conclusão e bênção Lembrar o horário e o local do próximo encontro. Coordenador: Que o Deus da paz nos torne capazes de cumprir fielmente sua palavra e, assim, realizar sua vontade, fazendo tudo o que é bom e agradável aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados. Estivemos reunidos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. Coordenador: Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Todos: Para sempre seja louvado. Pode-se cantar (Festas litúrgicas II, Paulus, faixa 19): Refrão: Quem nos separará? Quem vai nos separar? Do amor de Cristo, quem nos separará? Se ele é por nós, quem será, quem será contra nós? Quem vai nos separar do amor de Cristo? Quem será? 1. Nem a espada ou perigo, nem os erros do meu irmão, nenhuma das criaturas, nem a condenação. 2. Nem a vida, nem a morte, a tristeza ou a aflição, nem o passado, nem o presente, o futuro, nem opressão. 3. Nem as alturas, nem os abismos, nem tampouco a perseguição, nem a angústia, a dor, a fome, nem a tribulação. Quarto encontro RENOVAÇÃO DA ALIANÇA EM SIQUÉM 1. Preparando o ambiente Colocar no centro uma Bíblia aberta, uma vela acesa, um prato de terra e uma aliança. É bom que cada um tenha a Bíblia. Se nem todos se conhecem, seria bom que cada um se apresentasse. Tempo de silêncio para refletir sobre os símbolos preparados (Bíblia, vela, terra, aliança). 2. Acolhida O coordenador dá as boas-vindas, espontaneamente ou com as palavras a seguir: Coordenador: Sintamo-nos acolhidos e acolhidas para este nosso último encontro do mês da Bíblia. Com todas as comunidades do Brasil, vamos continuar a refletir e rezar com o livro de Josué. É uma alegria estarmos reunidos com a Bíblia no centro do nosso encontro, para deixarmos que ela de fato seja o centro e ilumine nossa vida. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. 3. Invocação do Espírito Santo Coordenador: Vamos invocar a presença e a luz do Espírito Santo para o nosso encontro. Cantar (ou rezar) o refrão orante (Liturgia XV, Paulus, faixa 15): A nós descei, Divina Luz. (bis) Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, o amor, o amor de Jesus. Todos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra. Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. 4. Oração Coordenador: Ó Deus, obrigado por mais este encontro para refletir e rezar a partir do último capítulo do livro de Josué. Esse é o quarto e o último dos nossos encontros deste mês da Bíblia. Ajudai-nos, Senhor, a viver com fidelidade nosso compromisso com vosso projeto de vida, recusando o que possa nos desviar dele. Como o povo de Israel se comprometeu com a aliança em Siquém, queremos ser fiéis à nova aliança realizada no vosso Filho Jesus. Que nossas liturgias nos levem a assumir vosso projeto de liberdade e vida para o povo. Por Cristo, nosso Senhor. Todos: Amém. 5. Introdução ao texto Leitor: Chegamos ao quarto e último encontro do nosso mês da Bíblia. O livro de Josué termina com a aliança em Siquém. O capítulo 24 retoma a história de Israel desde o tempo dos patriarcas até o período da conquista. Josué diz que Javé é o responsável por tudo o que aconteceu. O povo é provocado a se decidir a quem servir, e decide que servirá ao Deus de Israel, porcausa de tudo o que fez por eles. Assim é firmada a aliança, e uma grande pedra é erguida para comemorar o acontecimento e o povo é disperso. O autor convoca os exilados para a fidelidade ao Deus Javé, recordando tudo o que realizou em favor do povo. Tinham perdido a terra e ido para o exílio por causa de sua infidelidade e desobediência à aliança com Deus, mas agora podiam recomeçar uma história diferente, com uma aliança de fidelidade. Pode-se cantar (ou rezar) um refrão aclamativo, como: É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa: tua Palavra é assim, não passa por mim sem deixar um sinal. (bis) 6. Leitura bíblica – Josué 24,1-2a.13-18.25-28 Leitor: ¹Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém, e convocou os anciãos de Israel, os chefes, os juízes e os administradores, e eles se apresentaram diante de Deus. ²Josué disse a todo o povo: “Assim diz Javé, o Deus de Israel: ¹³Dei para vocês uma terra pela qual vocês não se esforçaram, cidades que vocês não construíram, e nas quais vocês habitam; vinhas e olivais que vocês não plantaram, e dos quais vocês comem. ¹⁴Portanto, agora sejam fiéis a Javé, sirvam a ele, com perfeição e verdade. Joguem fora os deuses que seus pais adoraram no outro lado do Rio e no Egito, e sirvam a Javé. ¹⁵Se é um mal aos olhos de vocês servir a Javé, escolham hoje a quem querem servir: se aos deuses que seus pais serviram no outro lado do Rio, ou aos deuses dos amorreus no país onde vocês agora habitam. Quanto a mim e à minha casa, nós serviremos a Javé”. ¹ O povo assim respondeu: “Longe de nós abandonar a Javé para servir outros deuses, ¹⁷pois Javé nosso Deus, ele mesmo nos retirou a nós e a nossos pais da terra do Egito, da terra da escravidão, realizou diante de nossos olhos esses grandes sinais, e nos guardou em todos os caminhos, pelos quais andamos em meio a todos os povos, cujas propriedades nós atravessamos. ¹⁸Javé expulsou de nossa presença todos os povos, como os amorreus que habitavam esta terra. Assim, também nós serviremos a Javé, porque ele é o nosso Deus”. ²⁵Josué concluiu, nesse dia, uma aliança para o povo, e em Siquém lhes promulgou regras e direitos. ² Josué escreveu essas palavras no livro da Lei de Deus. Em seguida, pegou uma grande pedra e aí a levantou, debaixo do Carvalho que está no santuário de Javé. ²⁷Josué disse a todo o povo: “Eis que esta pedra será usada como testemunho contra nós, porque ela ouviu todas as palavras que Javé nos falou. Ela será um testemunho contra vocês, para que fiquem proibidos de renegar o Deus de vocês”. ²⁸E Josué despediu o povo, cada um para sua herança. 7. Compreendendo o texto 7.1. Retomar o texto Coordenador: Somos agora convidados a recordar em voz alta as palavras, expressões ou frases que mais chamaram nossa atenção. Momento de partilha do grupo. 7.2. Meditar o texto Coordenador: Vamos agora pensar em nossa vida e conversar sobre como esse texto de Josué se relaciona com nossa realidade. No texto aparece a renovação da aliança do povo de Israel com seu Deus. Qual nosso compromisso com Deus que se revela no compromisso com o povo? Quais seriam os “deuses” ou ídolos de hoje, contrários ao projeto de liberdade e de vida que Deus deseja para todos? Qual o sentido de nossas celebrações litúrgicas? Como recordamos hoje os feitos de Deus em favor do povo no passado e como reconhecemos seus feitos no presente? Depois de um momento de silêncio e reflexão individual, o coordenador convida à partilha de ideias e sentimentos. Pode-se cantar (Liturgia X, Paulus, faixa 13): Refrão: Eu sou a videira, meu Pai é o agricultor. Vós sois os ramos, permanecei no meu amor! 1. Para dar muito fruto: permanecei no meu amor. Para dar amor puro: permanecei no meu amor. Como ramos ao tronco: permanecei em mim! 2. Para amar sem medida: permanecei no meu amor. Para dar vossas vidas: permanecei no meu amor. Para ser meus amigos: permanecei em mim! 8. Rezando a partir do texto 8.1. Ler o texto à luz do Evangelho Coordenador: a) Em Mateus 6,24, Jesus diz: “Ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. A quem realmente estamos servindo? Quais são os princípios que movem nossa vida e nossos trabalhos? O que o dinheiro que se torna o centro da vida das pessoas tem que ver com a miséria e a fome de tantos? b) Jesus venceu as tentações no deserto (Lucas 4,1-13) e cumpriu sua missão de fidelidade ao Pai. Para sermos suas discípulas e seus discípulos, Jesus nos deixou apenas um mandamento: amar a Deus amando os irmãos. A nova aliança que Jesus inaugurou com sua morte e ressurreição se realiza com a entrega de sua vida por todos, sobretudo pelos pequenos. Como vivemos hoje a fidelidade à nova aliança de Deus com toda a humanidade? Como a fidelidade a Deus se traduz na vida digna para todos? c) Em João 17, na sua “oração sacerdotal”, Jesus pede ao Pai que todos sejam um, como ele e o Pai são um. Pede que todos os seus discípulos e discípulas cresçam na unidade, e testemunhem ao mundo a glória de Deus. Como o amor de Jesus em nós nos impulsiona a construir comunhão e unidade, vencendo fronteiras e divisões? Partilha de ideias e sentimentos que brotam desses textos. 8.2. Conversar com Deus Coordenador: Vamos agora expressar espontaneamente a Deus o que trazemos no coração, em forma de oração. Momento de apresentar preces, súplicas, agradecimentos e louvores. 9. Salmo 100 Coordenador: O Salmo 100 é um hino de louvor a Javé, o Deus de Israel. Esse salmo encerra a liturgia que celebra o reinado de Deus. O povo está entrando no templo, onde vai renovar seu compromisso com a aliança. Ao entrar no templo em procissão, é convidado a adorar o Deus único e verdadeiro, que acompanha seu povo. Vamos rezar todos juntos. – Terra inteira, aclame a Javé! Sirva a Javé com alegria, vá até ele com gritos de alegria! – Reconheça que só Javé é Deus: ele nos fez e a ele pertencemos; somos o seu povo, a ovelha do seu rebanho. – Entrem por suas portas com ação de graças, em seus átrios com orações, celebrem e bendigam o seu nome. – “Porque Javé é bom: sua bondade é para sempre, e sua fidelidade de geração em geração”. Coordenador: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Todos: Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 10. Conclusão e bênção Coordenador: Deus nos abençoe e nos guarde. Deus nos mostre o seu rosto luminoso e tenha piedade de nós. Deus nos acompanhe e nos conceda a paz. Estivemos reunidos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Todos: Amém. Coordenador: Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Todos: Para sempre seja louvado. Pode-se cantar (Liturgia VIII, Paulus, faixa 3): 1. Senhor, vem salvar teu povo das trevas da escravidão. Só tu és nossa esperança, és nossa libertação. Refrão: Vem, Senhor, vem nos salvar. teu povo, vem caminhar. (bis) 2. Contigo o deserto é fértil, a terra se abre em flor. Da rocha brota água viva, da treva nasce esplendor. 3. Tu marchas à nossa frente. És força, caminho e luz. Vem logo salvar teu povo. Não tardes, Senhor Jesus. Todos os direitos reservados pela Paulus Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. Direção editorial: Pe. Sílvio Ribas, ssp Coordenação de revisão: Tiago José Risi Leme Coordenação de arte: Danilo Alves Lima Imagem da capa e ilustrações internas: IAS Ilustrações Textos bíblicos: Nova Bíblia Pastoral – PAULUS Editoração, impressão e acabamento: PAULUS Playlist com os cantos dos encontros: © PAULUS – 2022 Rua Francisco Cruz, 229 • 04117-091 – São Paulo (Brasil) Tel.: (11) 5087-3700 paulus.com.br • editorial@paulus.com.br ISBN 978-65-5562-594-3 Cover Page CAPA FOLHA DE ROSTO INTRODUÇÃO Primeiro encontro TERRA, DOM DE DEUS Segundo encontro MULHER, IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS Terceiro encontro UMA ALIANÇA COM ESTRANGEIROS Quarto encontro RENOVAÇÃO DA ALIANÇAEM SIQUÉM FICHA CATALOGRÁFICA