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Victor Velloso – FASAI 23.2 1 A pleura é membrana serosa revestida por células mesoteliais e constituída por dois folhetos, um visceral, que envolve os pulmões, e um parietal, que recobre o mediastino, o diafragma e a parede costal sendo contínuas na região do hilo pulmonar. Entre os dois folhetos, existe um espaço real, com 10 a 20 μm de espessura, preenchido por cerca de 15 mL de líquido; este é claro e incolor, tem baixa concentração de proteínas (< 1,5 g/dL) e contém cerca de 1.500 células/μL, com predomínio de monócitos, pequeno número de linfócitos, macrófagos e células mesoteliais, mas sem hemácias. As células mesoteliais podem secretar os componentes macromoleculares da matriz extracelular e organizá-los na matriz madura, fagocitar partículas, produzir fatores fibrinolíticos e pró-coagulantes, bem como secretar fatores quimiotáticos de neutrófilos e monócitos que podem ser importantes para o recrutamento de células inflamatórias dentro dos espaços pleurais. A pleura parietal é suprida por artérias intercostais e a pleura visceral é exclusivamente suprida pela circulação bronquial A pleura visceral possui drenagem linfática abundante mas não se comunica com a cavidade pleural. A pleura parietal possui conexões através de estomas ➜ Etiologia, epidemiologia e fatores de risco Derrame Pleural e pneumotorax ⇀ O derrame pleural ocorre quando há desbalanço entre a produção e a reabsorção de líquido no espaço pleural, a qual pode ser causada por: O líquido pode passar da cavidade abdominal para a pleura através de pertuitos diafragmáticos. Não é incomum que indivíduos que apresentem ascite evoluam com derrame pleural. Amianto asbeto – Lesão e inflamação + Obstrução dos vasos linfáticos A maior parte do líquido é produzido pela pleura parietal e reabsorvido pela mesma em função da maior pressão exercida pela pressão sistêmica (VE) em comparação à pressão capilar pulmonar (VD). PNEUMOTORAX Epidmeiologia: Jovens altos do sexo masculino, com idade entre 10 e 30 anos. Foi sugerido que a diferença de pressão na pleura na porção superior em relação à porção inferior do pulmão é maior em pessoas altas, e que essa diferença de pressão pode contribuir para o desenvolvimento de bolhas. O tabagismo e um histórico familiar Victor Velloso – FASAI 23.2 2 positivo são fatores associados ao pneumotórax espontâneo primário. Uma inflamação das pequenas vias respiratórias relacionada com o tabagismo provavelmente contribui para o desenvolvimento da doença, e a interrupção do hábito de fumar pode reduzir a possibilidade de recorrência. Etiologia: O pneumotórax é o acúmulo de gás na cavidade pleural. O pneumotórax espontâneo primário caracteriza-se pelo rompimento de bolhas enfisematosas subpleurais (blebs) ou pela ruptura de de alvéolos, formando bulhas que se rompem e formam pneumotórax. O pneumotórax secundário ocorre em função de processos enfisematosos, fibrose cística, tuberculose, câncer etc. É mais observado em jovens longilíneos devido à maior diferença de pressão entre os ápices e as bases pulmonares. Além disso é comum que ocorra em fumantes, uma vez que a patologia pode ocorrer através da ruptura de vesículas enfisematosas, mais comum em fumantes. A interrupção do hábito reduz a recorrência ➜ Fisiopatologia ⇀ O derrame pleural pode ser transudativo ou exsudativo. Transudato apresenta baixa densidade, pequena concentração de proteínas e ausência de células inflamatórias. O líquido acumula-se por distúrbios nos fatores hidrodinâmicos que regulam a formação e a absorção do líquido pleural. Suas causas principais são insuficiência cardíaca, cirrose e distúrbios renais, como síndrome nefrótica. Exsudato caracteriza-se por densidade superior a 1.020, níveis de proteínas maiores que 2 g/dL e células inflamatórias. Efusão exsudativa se forma por aumento da permeabilidade capilar sanguínea, por obstrução do fluxo linfático ou por diminuição da pressão no espaço pleural (como na obstrução brônquica com atelectasia). As causas podem ser tanto inflamatórias (pneumonias, tuberculose, bronquiectasias) como neoplásicas (primárias da pleura ou metastáticas). Os transudatos geralmente indicam que as membranas pleurais não estão doentes. Os exsudatos geralmente se formam do extravasamento de líquido e proteína através uma barreira capilar alterada com aumento da permeabilidade. Clinicamente são utilizados os Critérios de Light para diferencia a natureza do líquido. Nesse contexto, caso o líquido pleural apresente valores de proteínas maiores que 50% da proteína sérica, ou apresente desidrogenase lática (DHL) maior que 60% da sérica ou apresente DHL maior que 2/3 do limite superior de normalidade para aquele paciente, o líquido é considerado exsudativo. Do contrário, o líquido é transudativo. Empiema é caracterizado por pus na cavidade pleural com contagem de neutrófilos acima de 100.000 neutrófilos/μL. Ocorre em função de processos infecciosos principalmente pelo Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae. Hemotórax é o acúmulo de sangue no espaço pleural. É comum nos casos de traumatismo torácico. A efusão pleural de sangue pode provocar um quadro de fibrotórax, fusão das superfícies pleurais por fibrina, hialina e tecido conjuntivo – e, em alguns casos, a calcificação do Victor Velloso – FASAI 23.2 3 tecido fibroso, o que restringe a expansão do pulmão. Quilotórax é definido pela presença de linfa na cavidade pleural. O líquido fica com aspecto leitoso devido à alta concentração de triglicerídeos > 110mg/dL acometendo mais comumente o hemitórax esquerdo. O conteúdo altamente lipídico dessa linfa é oriundo da cisterna do quilo e dos linfonodos intestinais que absorvem os nutrientes do alimento e levam ao ducto linfático direito e ducto torácico. (comum no neonato más formações congênitas. Em casos de derrame pleural no recém nascido, investiga má formação) PNEUMOTORAX ⇀ O pneumotórax ocorre quando há ruptura de uma bolha ou de uma bleb, causando vazamento de ar para o espaço pleural. O ar entra com facilidade mas não consegue sair da cavidade torácica, aumentando a pressão torácica. Esse quadro diminui o retorno venoso por compressão das veias cavas e consequentemente o débito cardíaco, podendo levar a óbito. Esse quadro clínico é conhecido como pneumotórax hipertensivo. Manifestações cl Derrame pleural Na inspeção, pode ser observada diminuição da insuflação do pulmão acometido. Na palpação, notar-se-á som maciço ou submaciço em função da parede de líquido presente entre os alvéolos e a pleura e frêmito toracovocal diminuído. Quando o líquido vai para os alvéolos, como no edema de pulmão, o frêmito estará aumentado. Na ausculta, os murmúrios vesiculares estarão diminuídos. Sinal de signorelli macicez à precussão da coluna Pneumotórax: Aumento quase imediato da frequência respiratória. Assimetria do tórax por causa do ar que estiver aprisionado na cavidade pleural no lado afetado. A percussão do tórax produz um som hiper- ressonante e os sons respiratórios se apresentam mais baixos ou inexistentes sobre a área do pneumotórax. Diagnóstico: Radiografia na incidência posteroanterior tem sensibilidade para captar derrames a partir de 200ml, enquanto na incidência perfil a sensibilidade diminui para 50ml. Victor Velloso – FASAI 23.2 4 Tomografia computadorizada é capaz de detectar derrames tão pequenos quanto 5 a 10 ml. Comparativo Cecil Toracocentese Jelco 14 ou 16 Paciente sentado com braços pra frente Antisséptico (clorexidina) Anestésico (lidocaína) 5 espaço intercostal 1 espaço abaixo do nível do derrame