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Victor Velloso – FASAI 23.2 1 ➜ Etiologia, epidemiologia e fatores de risco Doenças pulmonares obstrutivas comuns incluem o enfisema, a bronquite crônica, a asma e a bronquiectasia. DPOC refere-se à presença de enfisema e bronquite crônica ⇀ A doença pulmonar obstrutiva crônica é uma doença prevalente com alta morbidade e mortalidade (3,2 milhões de mortes anuais, 3º maior causa de morte no mundo, atrás de DCV e câncer). Tabaco = 1/6 da população ainda é exposta à fumaça do tabaco. Prevalência 15% FR (a) tabagismo, inclusive fumo passivo, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento; (b) poluição indoor, ou seja, ambientes internos, domésticos ou residenciais (principalmente a partir de combustíveis da biomassa) e outdoor, ou seja, ambientes externos ou abertos; (c) alérgenos variados; (d) agentes ocupacionais; (e) estados pós-infecciosos; Tuberculose -> Complexos de Ghon. Reinfecção -> Lesão pulmonar com cavitações > DPOC (f) doenças genéticas (como deficiência de α1- antitripsina); (g) dieta e estados nutricionais ➜ Fisiopatologia Enfisema causa diminuição da superfície de troca gasosa, o que dificulta a hematose, enquanto a inflamação provoca fibrose nos bronquíolos, causando fibrose. ⇀ A patologia da DPOC está ligada ao enfisema pulmonar e à inflamação e remodelamento crônico das vias aéreas, sobretudo as de menor calibre. ⇀ Acredita-se que o enfisema pulmonar se desenvolva a partir de um desbalanço entre proteases e antiproteases. A bronquite consiste em obstrução crônica das vias aéreas resultado da hipertrofia das glândulas submucosas O infiltrado inflamatório característico da doença pulmonar obstrutiva crônica é neutrofílico (3 segmentos nucleares). Os neutrófilos e os macrófagos realizam exocitose de proteases (elastase) que irão degradar os septos alveolares (elastina e colágeno tipo IV), causando diminuição da superfície respiratório (área de troca gasosa) e, consequentemente, de hematose. Destruição do tecido elástico pela elastase – perda da complacência. Volume residual aumentado, dificuldade na expiração. A hipoxemia em que os níveis de PO2 arterial caem para menos de 55 mmHg, provoca vasoconstrição reflexa dos vasos pulmonares e maior comprometimento das trocas gasosas no pulmão, dificultando ainda mais a hematose e aumentando a pressão capilar pulmonar, sobrecarregando o coração direito (cor pulmonale) O2 Fisiopatologia tabagismo: A fumaça do cigarro provoca infiltrado neutrofílico e de macrófagos que liberam proteases e destroem o parênquima, provocando enfisema. Hipóteses de pq há infiltrado neutrofílico: (a) o fumo promove a liberação, por macrófagos, de fatores quimiotáticos para neutrófilos; Victor Velloso – FASAI 23.2 2 (b) a nicotina é também quimiotática para neutrófilos, embora não afete sua desgranulação ou produção de superóxidos; (c) constituintes da fumaça do cigarro depositam-se em bifurcações da árvore respiratória, especialmente na origem dos bronquíolos respiratórios. Como são irritantes, tais compostos estimulam reação inflamatória nesses locais e são capazes de agredir células endoteliais ou de promover aderência de neutrófilos ao endotélio capilar. Interação neutrófilos/endotélio é fenômeno crítico no recrutamento dessas células da circulação para os locais de inflamação tecidual, sendo modulada pela ação de moléculas de adesão. Ademais o cigarro possui substâncias que reagem nos nossos pulmões produzindo espécies reativas em oxigênio, as quais irão causar dano oxidativo. Deficiência Alfa-1-Antitripsina O valor sérico normal da AAT se encontra entre 120-220mg/dL, no déficit grave esse valor é menor que 50mg/dL. ➜ Manifestações clínicas ⇀ DO principal sintoma da DPOC é a dispneia aos esforços (relacionados a muitas outras doenças como DCV, obesidade), que por ser um sintoma inespecífico, leva diagnóstico de DPOC a ser feito de maneira tardia, quando o paciente apresenta exacerbação manifestada por agravamento de dispneia, agravamento da tosse e incremento ou mudança no caráter da produção de expectoração; pode ou não ser acompanhada por febre e manifestações sistêmicas sugestivas de infecção. Os sintomas não aparecem até que pelo menos um terço do parênquima pulmonar funcional esteja lesado. ⇀ Exacerbação da DPOC costuma acontecer no inverno. Independente do fator que leve à exacerbação da DPOC (70% está relacionado a fatores virais ou bacterianos), ocorrerá produção excessiva de muco, constrição da musculatura lisa brônquica e e inflamação das vias respiratórias. A tríade clássica da exacerbação da DPOC é tosse, dispneia e expectoração. Pink Puffer (enfisema): respiração em lábios cerrados e uso de musculatura acessória, enquanto blue bloater (bronquite): cianose e retenção de líquido. Goldman-Cecil as exacerbações pioram durante períodos de pior qualidade do ar. Vesícula enfisematosa subpleural – bleb – pneumotórax ➜ Diagnóstico ⇀ A redução na capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) em testes de função pulmonar. ⇀ Elementos da anamnese relevantes para estabelecer o diagnóstico incluem relato de tabagismo, outras exposições inalatórias ou ambientais, relato de infecções pulmonares recorrentes na infância ou nascimento pré-termo, tosse (cronicidade, frequência) e produção de expectoração. Exame físico: cianose, uso de respiração frenolabial, uso de músculos acessórios da respiração ou outros sinais de dificuldade respiratória. A hiperinsuflação crônica associada à DPOC pode resultar em tórax com aumento na dimensão anteroposterior (tórax em barril).] Victor Velloso – FASAI 23.2 3 À percussão do tórax pode apresentar ressonância aumentada, som timpânico. Na ausculta de pacientes com enfisema pode haver diminuição do murmúrio vesicular Sinal de Hoover – retração da caixa torácica mediante inspiração Assincronia entre respiração abdominal e torácica. Assim, o abdômen movimenta-se para fora enquanto o tórax se movimenta para dentro durante a inspiração. Pressão venosa jugular elevada, hiperfonese do componente pulmonar (P2) da segunda bulha cardíaca, levantamento paraesternal, congestão hepática e edema periférico aumentam a possibilidade de hipertensão pulmonar. cor pulmonale. perda de peso e sarcopenia Espirometria: A característica da obstrução na espirometria é a redução da razão VEF1/CVF para menos de 0,7 mesmo após uso de broncodilatador Gasometria arterial hipercabia (alta PCO2 em função da dificuldade de exalar CO2) Hemograma pode apresentar hematócrito aumentado como tentativa de compensar a baixa hematose Pode ser visualizado, na tomografia computadorizada, o enfisema pulmonar. Na radiografia, os pulmões irão aparecer mais radiolúcidos e com uma área aumentada, além de as costelas serem mais facilmente visualizadas. ➜ Tratamento ⇀ Oxigenoterapia ⇀ Tratamento continuado com azitromicina para prevenir exacerbações (3 meses) o tratamento com mepolizumabe, um anticorpo monoclonal dirigido contra a interleucina-5, na dose de 100 mg por via subcutânea a cada 4 semanas durante 1 ano, consegue reduzir as exacerbações. IL-5 promove um maior recrutamento de eosinófilos, o que contribui para a liberação de mediadores pró-inflamatórios como prostaglandinas e leucotrienos e proteases. Omalizumabe Vacinação antigripal anual Higiene respiratória Bronquite crônica Mucolítico fluidificante– N-acetilcisteína quebra as ligações dissulfeto das mucoproteínas e dos ácidos nucleicos das secreções, diminuindo a viscosidade do muco e facilitando a expectoração.eeVictor Velloso – FASAI 23.2 4