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Pergunta 1 0 em 1 pontos "Em linhas gerais debater em torno da aceitação ou não-aceitação das cotas, além de empobrecer a discussão de conteúdo, significa perder a oportunidade de levantar e tentar responder à seguinte questão: Como podemos incluir minorias historicamente discriminadas, uma vez que as políticas universalistas não têm tido o sucesso almejado, e, ao mesmo tempo, debater em que bases é possível rever aspectos fundamentais do pacto social?" (SILVÉRIO, Valter Roberto. Ação afirmativa e o combate ao racismo institucional no Brasil. Cadernos de Pesquisa, n. 117, p. 219-246, Nov. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/%0D/cp/n117/15560.pdf>. Acessado em 20 Mar. 2018). Considerando o excerto acima como motivador, analise e marque V para a proposição verdadeira e F para a falsa sobre debate do preconceito baseado no racismo presente na sociedade e ambientes educacionais. ( ) Na questão racial, é necessário introduzir o cunho da desigualdade nas discussões das relações étnico-raciais na escola. ( ) As afirmações e piadas, baseadas no racismo e na perspectiva da colonialidade tão impregnada no nosso imaginário, podem ser consideradas frutos da cultura dominante que modela valores e conceitos causando profundos danos à compreensão sobre si e sobre os outros. ( ) Contribui para a efetivação da democracia no nosso país manter a história e a cultura da diáspora no que tange ao pertencimento racial branco. As afirmativas são, respectivamente: Resposta Selecionada: Incorretaa. F, V e F. Resposta Correta: Corretac. V, V e F. Feedback da resposta: O racismo também chega ao espaço escolar e se legitima por meio de uma pedagogia de racialização que se esforça em educar os sujeitos racialmente de forma fixa, pensando-se universal. Dessa maneira, nega-se a identidade do estudante negro, seus elementos estético-córporeo, o seu protagonismo juvenil, a sua cultura, a sua música e a sua dança, a sua religiosidade. Pouco ou nada se fala da história e da cultura africana, nem tampouco indígena. Os heróis e heroínas negros(as) inexistem. Livros de literatura infantil e infanto-juvenil, também não. Não são os personagens negros também que povoam a decoração da escola. Pergunta 2 1 em 1 pontos Em 3 de julho de 2015, a jornalista Maria Julia Coutinho (Maju) sofreu ataques racistas na internet. Imediatamente muitos (famosos e anônimos) se mobilizaram em solidariedade, com a hasthag “Somos todos Maju” (#somostodosmaju). Esse episódio (que se repetiu com contornos parecidos desde então), embora aponte para a articulação das resistências por parte da população negra, trouxe também à tona outras faces de nosso racismo. Esse acontecimento nos coloca em frente à maneira como lidamos com a alteridade no Brasil e nos levam a pensar sobre como podemos, a partir da educação, mudar essa situação. Sobre esse processo, leia as assertivas a seguir: I. De forma geral, podemos dizer que lidamos com a alteridade (o outro) de três maneiras: como fonte de todo o mal; como sujeito pleno de um grupo cultural ou como alguém a ser tolerado. II. A escola, descolonizada em suas propostas pedagógicas, poderia levar, aos poucos, os estudantes a se afastarem dessa leitura do outro como a fonte de todo o mal e passarem a enxergá-lo como sujeito pleno de um grupo cultural. III. As mobilizações virtuais em relação a casos como o de Maju, não têm papel eficaz nesse processo e não estão articuladas, de forma alguma, à questão da escola e seu papel na descolonização da leitura de mundo de nossa sociedade. Está correto apenas o que se afirma em: Resposta Selecionada: Corretaa. I e II. Resposta Correta: Corretaa. I e II. Feedback da resposta: Podemos pensar na questão da relação com o outro a partir de três prismas: o outro como fonte de todo o mal, como algo a ser tolerado ou sujeito pleno de um grupo cultural. Na tirinha, o dia 03 de julho e as manifestações geradas pelo ato racista, nos fazem pensar na terceira definição; já os dias 04 e 05 de julho, nos levam a pensar na primeira (fonte de todo o mal). A escola é um espaço em que podemos desconstruir esse pensamento sobre o outro como fonte de todo o mal e pode, efetivamente, ser auxiliada pela mídia e pelas redes sociais – que, por outro lado, podem também esconder a superficialidade do discurso. Pergunta 3 0 em 1 pontos A filosofia ocidental foi utilizada durante séculos como meio de colonização, para justificar a dominação, as injustiças e a barbárie. Os povos colonizados eram considerados inferiores. Sobre essa realidade, observe as seguintes afirmações: I. Somente os humanos do Ocidente (os brancos) eram dotados de razão. II. O não branco (índios e negros) é considerado como força de trabalho, mas desprovido de inteligência. III. A filosofia africana tem como preocupações a identidade do africano, a supremacia do branco, a desconstrução dos mitos eurocêntricos. IV. A inferioridade dos povos colonizados contava com o suporte da filosofia imperialista da época. V. Os africanos não podem formular correntes de pensamentos que provoquem mudanças. Quais dos argumentos acima demonstram o “olhar” superior do europeu sobre os africanos, responsável pela construção de um discurso racista que se manifesta até os dias de hoje em nossas sociedades? Resposta Selecionada: Incorretab. II, III e IV. Resposta Correta: Corretaa. I, II, IV e V. Feedback da resposta: A filosofia africana (conjunto de textos escritos por africanos e considerados filosóficos pelos seus autores) destaca a essência da afrocentricidade, uma teoria que determina que os africanos precisam ver o mundo sob uma perspectiva própria e colocar os seus ideais em primeiro plano na hora de analisar sua cultura, considerando o meio onde esta cultura é produzida. Nesse sentido, só a assertiva III não reforça o olhar de superioridade do europeu sobre os africanos e não faz parte da construção do discurso racista. Pergunta 4 1 em 1 pontos O Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro, foi escolhido por conta do dia da morte de Zumbi, líder da comunidade quilombola de Palmares. Antes da aprovação da lei que sanciona o dia 20 de novembro, a data mais relevante ligada à história negra do Brasil era o 13 de maio, data da Abolição da Escravidão. Abolição que, segundo a nossa memória social, foi assinada pela Princesa Isabel, a partir de uma decisão que foi muito mais branca do que negra. Sobre esse processo de substituição do 13 de maio pelo 20 de novembro, podemos dizer que: Resposta Selecionada: Corretac. o 20 de novembro coloca sobre o negro a ação de sua resistência, deixando de retratá-lo como passivo em todo o processo histórico, como acontece com o 13 de maio. Resposta Correta: Corretac. o 20 de novembro coloca sobre o negro a ação de sua resistência, deixando de retratá-lo como passivo em todo o processo histórico, como acontece com o 13 de maio. Feedback da resposta: Ao colocar a ênfase na figura de Zumbi, o 20 de novembro dá ação ao negro, torna-o agente de sua resistência ao processo de marginalização, ao contrário do 13 de maio, que foca na ação da Princesa Isabel e das elites brancas que, de forma quase que benevolente, entenderam que chegava ao fim a escravidão. Pergunta 5 1 em 1 pontos Para abrilhantar a importância das manifestações culturais no Brasil, ao contar a história da nossa formação, Ribeiro (1995), no livro “O povo brasileiro”, trabalha com a tese central da mestiçagem como composição da cultura em cenários regionais, resultado da junção de matrizes étnicas muito diferentes umas das outras: a matriz indígena, a europeia, a africana. Mas, apesar dessas confluências e diferenças, nos comportamos como uma só gente e falamos a mesma língua. (RIBEIRO, D. O povo brasileiro. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.) Ao abordar a formação do povo brasileiro, Ribeiro (1995) destaca cinco vertentes. A partir de nossosestudos sobre “os cinco brasis”, associe cada vertente numerada a seguir com seus respectivos fundamentos: 1. Crioulo. 2. Caboclo. 3. Sertanejo. 4. Caipira. 5. Sulino. ( ) Este povoamento foi resultado da miscigenação entre indígenas e bandeirantes. A base alimentar indígena era a partir da mandioca, feijão, milho, abóbora, tubérculos, urucum e pimenta. No cultivo da terra, praticavam a técnica da coivara. Herdaram dos bandeirantes o toucinho de porco a rapadura, a pinga de cana. ( ) A produção era com base nos engenhos açucareiros exportadores para o mercado europeu. O povo era formado a partir da miscigenação entre brancos, indígenas e negros. Ocupava a faixa litorânea nordestina. ( ) A principal característica é a heterogeneidade cultural, pois reúne antigos paulistas, portugueses, espanhóis e mulheres guarani, formando os gaúchos. ( ) Povoamento formado no sertão nordestino por trabalhadores vaqueiros em terras de proprietários latifundiários. Não obtinham salário, recebiam como pagamento alimentos, sal e por vezes, uma rês de rebanho. Considerada uma das regiões mais pobres do país. ( ) É o resultado das matrizes étnicas indígena e europeia. A localização é na região amazônica. A economia baseia-se no extrativismo vegetal – que teve como principal produto a borracha–, do ouro, do estanho, drogas da mata, cacau, cravo, canela, urucum, baunilha, óleos e resinas. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: Resposta Selecionada: Corretad. 4, 1, 5, 3, 2. Resposta Correta: Corretad. 4, 1, 5, 3, 2. Feedback da resposta: Para Darcy Ribeiro, como antropólogo, o método de análise adotado centra- se no humano: nas suas características locais, no modo de sobrevivência, na cultura dotada e na religião que segue. Pergunta 6 1 em 1 pontos Em nossa Unidade 2, discutimos a questão do racismo e a realidade brasileira, o chamado racismo à brasileira. Vimos que ele se manifesta desde o discurso midiático até o cotidiano, inclusive, da educação brasileira. Das situações abaixo, qual demostra uma proposta de superação do preconceito ligado à cor em um espaço de Educação Infantil? Resposta Selecionada: Corretab. A inclusão de livros com contos de fada africanos na biblioteca da sala de aula. Resposta Correta: Corretab. A inclusão de livros com contos de fada africanos na biblioteca da sala de aula. Feedback da resposta: De todas as possibilidades, a única estratégia recomendada para discutir a questão racial e dar os primeiros passos em direção à superação do racismo na sociedade brasileira, a partir da educação infantil, é a inclusão de livros com contos de fadas africanos na biblioteca da sala de aula. A ideia é que todas as crianças possam estar expostas a diferentes tipos de beleza, de estéticas e de culturas desde sempre. É papel do educar se certificar de que elas possam ter as ferramentas certas às mãos para dar início a esse processo. Pergunta 7 1 em 1 pontos (1) Sobre a questão das “cotas raciais” enquanto política afirmativa, analise as asserções abaixo: 1- “A maneira mais efetiva de reduzir as desigualdades sociais é pela generalização da educação básica de qualidade e pela abertura de bons postos de trabalho. Cotas raciais, mesmo se eficazmente implementadas, promoverão somente a ascensão social de um reduzido número de pessoas, não alterando os fatores mais profundos que determinam as iniquidades sociais. [...] um país no qual as escolas eduquem as crianças pobres, independentemente da cor ou raça, dando-lhes oportunidade de ascensão social e econômica; no qual as universidades se preocupem em usar bem os recursos e formar bem os alunos. PORQUE 2- No caso do ensino superior, o melhor caminho é aumentar o número de vagas nas instituições públicas, ampliar os cursos noturnos, difundir os cursos de pré-vestibular para alunos carentes, implantar campus em áreas mais pobres, entre outras medidas. [...]” (Publicado em 14 de abril de 2006 no Correio Braziliense, de autoria de Marcos Chor Maio e Ricardo Ventura Santos – reproduzido na página 291 do livro Divisões perigosas, de Peter Fry e outros, editora Civilização brasileira, 2007). Resposta Selecionada: Corretab. as asserções 1 e 2 são verdadeiras são complementares. Resposta Correta: Corretab. as asserções 1 e 2 são verdadeiras são complementares. Feedback da resposta:1 e 2 são verdadeiras são complementares. Pergunta 8 1 em 1 pontos Por que quando falamos da chegada dos portugueses e espanhóis à América, podemos falar em invasão e não apenas colonização? Resposta Selecionada: Corretad. Porque entender que eles vieram civilizar aos bárbaros que aqui viviam, é pensar de forma eurocêntrica e desconsiderar o fato de que os nativos eram os legítimos donos da terra, embora não necessariamente trabalhassem com a categoria de posse privada. Resposta Correta: Corretad. Porque entender que eles vieram civilizar aos bárbaros que aqui viviam, é pensar de forma eurocêntrica e desconsiderar o fato de que os nativos eram os legítimos donos da terra, embora não necessariamente trabalhassem com a categoria de posse privada. Feedback da resposta: As ciências foram, por muito tempo, europocêntricas, ou seja, centrada na Europa. Então, elas compraram o discurso que pensava na vinda dos europeus para a América como uma aventura de colonização. Com o tempo, contudo, algumas delas, como a Antropologia, passou a criticar esse discurso, apontando para o fato de que as diferentes nações indígenas que aqui habitavam eram, de fato, legítimas donas das terras (as terras lhes pertenciam por direito de ocupação) e que, portanto, estavam sendo invadidas e dominadas. Pergunta 9 1 em 1 pontos Leia o texto a seguir. “Desde o início as religiões afro-brasileiras se fizeram sincréticas, estabelecendo paralelismos entre divindades africanas e santos católicos, adotando o calendário de festas do catolicismo, valorizando a frequência aos ritos e sacramentos da igreja. Assim aconteceu com o candomblé da Bahia, o xangô de Pernambuco, o tambor-de-mina do Maranhão, o batuque do Rio Grande do Sul e outras denominações, todas elas arroladas pelo censo do IBGE sob o nome único e mais conhecido: candomblé. Até recentemente essas religiões eram proibidas e, por isso, duramente perseguidas por órgãos oficiais. Continuam a sofrer agressões, hoje menos da polícia e mais de seus rivais pentecostais, e seguem sob forte preconceito, o mesmo preconceito que se volta contra os negros independentemente de religião”. PRANDI, R. O Brasil com axé: candomblé e umbanda no mercado religioso. Estudos avançados, São Paulo, v. 18, n. 52, p. 223-238, set./dez. 2004, p. 225. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 40142004000300015>. Acesso em: 18/04/2018. O histórico das diferentes religiões presentes no Brasil, a forma como elas se estabeleceram e a maneira como diferentes arranjos sociais propiciam maior ou menor legitimidade para determinadas crenças nos auxiliam na compreensão da realidade social brasileira. Como sabemos, a influência de preconceitos relativos a determinadas religiosidades coopera com a reiteração de outros tipos de discriminação. O excerto de Prandi (2004) trata justamente sobre o sincretismo e a intolerância religiosa, abordando a forma como esses dois aspectos se relacionam dentro do âmbito das religiões de matriz africana no Brasil. Sendo assim, tendo como base essas considerações e o que estudamos, assinale a alternativa correta. Resposta Selecionada: Corretaa. As religiões afro-brasileiras possuem um histórico de perseguição e discriminação no Brasil que está inextricavelmente atado ao preconceito racial. Assim, por sofrerem diversos tipos de violência, essas religiões acabaram se adaptando e assumindo alguns aspectos do cristianismo dominante no país. Resposta Correta: Corretaa. As religiões afro-brasileiras possuem um histórico de perseguição e discriminação no Brasilque está inextricavelmente atado ao preconceito racial. Assim, por sofrerem diversos tipos de violência, essas religiões acabaram se adaptando e assumindo alguns aspectos do cristianismo dominante no país. Feedback da resposta: A resposta está correta! As religiões afro-brasileiras são historicamente perseguidas e vítimas de preconceito no Brasil. Esse tratamento está intimamente relacionado a uma discriminação de cunho racial. Para que pudessem continuar existindo, muitas foram assumindo aspectos do cristianismo, seja de maneira voluntária ou forçada. Pergunta 10 1 em 1 pontos Pensado na “diversidade étnica, leia o texto a seguir. “[...] Na verdade, raça, no Brasil jamais foi um termo neutro; ao contrário, associou-se com frequência a uma imagem particular do país. Muitas vezes, na vertente mais negativa de finais do século XIX, a mestiçagem existente no país parecia atestar a falência da nação [...]” SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In: NOVAIS, Fernando & SCHWARCZ, Lilia Moritz (orgs.) História da Vida Privada no Brasil. Contrastes da intimidade contemporânea, São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 177. Marque V para as asserções verdadeiras e F para as falsas, assinalando, em seguida a alternativa que contenha a ordem correta de cima para baixo: ( ) Vigorou no Brasil, do século XIX, uma visão elitista que privilegiava a cor branca e via na mistura de raças a causa de seu atraso. ( ) Os termos raça e etnia se equivalem. Ambos fazem referência à composição de grupos de pessoas com características fisiológicas e biológicas comuns. ( ) Os estudos centrados na noção de raça classificam a humanidade por meio da seleção natural e da organização genética. ( ) Por ser o Brasil o país com o maior número de negros e afrodescendentes depois do continente africano, não é pertinente discutir no Brasil o racismo. ( ) Nas décadas seguintes à abolição da escravatura, a integração dos negros à sociedade brasileira foi marcada pela adoção de mecanismos de inclusão que resultaram, recentemente, na implantação das chamadas políticas de ação afirmativa. Resposta Selecionada: Corretad. V, F, V, F, F Resposta Correta: Corretad. V, F, V, F, F Feedback da resposta: O termo “raça” corresponde ao um conceito ideológico muito utilizado entre os séculos XIX e XX para diferenciar as populações por meio de critérios fenotípicos. Tal conceito caiu em desuso na medicina, por se demonstrar equivocado, mas continua presente no imaginário social. Sendo assim, a luta contra o racismo acontece colocando o termo em debate e demonstrando o quanto que ele carrega em si uma visão elitista e preconceituosa. Como nunca houve, no Brasil, políticas que impedissem a reprodução da pobreza da população de cor negra gerada pela escravidão, atualmente tem-se lutado pela implantação das políticas afirmativas.