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O mínimo sobre suplementação Rennan Caminhotto 1ª edição — fevereiro de 2024 — CEDET Copyright © Rennan Caminhotto 2024 Os direitos desta edição pertencem ao CEDET — Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico Av. Comendador Aladino Selmi, 4630 Condomínio GR2 Campinas — módulo 8 CEP: 13069-096 — Vila San Martin, Campinas-SP Telefones: (19) 3249–0580 / 3327–2257 e-mail: livros@cedet.com.br CEDET LLC is licensee for publishing and sale of the electronic edition of this book CEDET LLC 1808 REGAL RIVER CIR - OCOEE - FLORIDA - 34761 Phone Number: (407) 745-1558 e-mail: cedetusa@cedet.com.br EDITOR: Felipe Denardi REDAÇÃO: Natalia Ruggiero CAPA: Zé Luiz Gozzo Sobrinho DIAGRAMAÇÃO: Virgínia Morais REVISÃO DE PROVAS: Mariana Souto CONSELHO EDITORIAL: Adelice Godoy César Kyn d’Ávila Silvio Grimaldo de Camargo FICHA CATALOGRÁFICA Caminhotto, Rennan. O mínimo sobre suplementação / Rennan Caminhotto Campinas, SP: O Mínimo, 2024. ISBN: 978-65-85033-28-2 1. Saúde: nutrição I. Autor. II. Título. CDD – 613 ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Saúde: nutrição – 613 www.ominimoeditora.com.br Reservados todos os direitos desta obra. Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma, seja ela eletrônica, mecânica, fotocópia, gravação ou qualquer outro meio de reprodução, sem permissão expressa do editor. Sumário INTRODUÇÃO CANSAÇO COGNIÇÃO DEPRESÃO E ANSIEDADE SAÚDE DA MULHER LIBIDO E TESTOSTERONA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ÍNDICE NOTAS DE RODAPÉ C INTRODUÇÃO ansaço, desânimo, depressão, ansiedade, fraqueza, fadiga mental, humor deprimido, flacidez, TPM, dificuldade de concentração, vontade descontrolada de comer doces, queda de cabelos, unhas quebradiças, baixa libido, disfunções sexuais — conviver com esses sintomas se tornou algo extremamente comum. Algumas pessoas, inclusive, já chegaram a se acostumar com eles, mas viver assim não é normal. É possível encontrar por aí todo tipo de dicas, produtos e conselhos para combater esses sintomas, e todos sabemos da importância de ter uma boa alimentação, uma rotina de exercício físico e do sono reparador. Ainda assim, as pessoas têm muita dificuldade em trazer tudo isso para a prática e realmente sentir os resultados. No meu consultório e em contato com as pessoas pelo Instagram1 noto o porquê disso: ao mesmo tempo que é possível encontrar muita informação disponível, há conceitos básicos, de aplicação simples, sobre os quais muitas pessoas nunca ouviram falar, como a meta de proteína, por exemplo; exames essenciais que muita gente nunca fez, como o de Vitamina D; valores de referência considerados dentro dos parâmetros com o paciente precisando de suplementação;2 pessoas que já gastaram muito dinheiro em suplementos, sem sentir efeito algum, enquanto outras provocaram alguma alteração indesejada pela falta de acompanhamento médico. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes, mesmo que já tenha passado pelo nutricionista, chega ao meu consultório com algum tipo de deficiência nutricional. Como primeiro passo temos de ajustar o pilar da alimentação: é o que você aprenderá aqui no primeiro capítulo. Também é preciso realizar alguns exames primordiais e quero que você entenda quais são eles e como interpretá-los bem. Há deficiências básicas que precisam ser resolvidas, e isso é feito de forma simples, algumas com protocolo fixo. Mas pode ser preciso fazer exames complementares, e por isso falarei também um pouco sobre eles e sobre a importância do acompanhamento médico individual, inclusive para ajuste da dose. Existem suplementos adicionais que podem ajudar muito em determinados diagnósticos, e você precisa conhecê-los para entender melhor por que determinado suplemento tende a ser melhor ou pior para você. Não gaste dinheiro à toa, nem se coloque em risco, mas aprenda como é possível usufruir dos benefícios de um corpo bem nutrido, como agem os principais suplementos, por que são indicados para cada tipo de diagnóstico e conheça alguns estudos sobre o assunto. No capítulo 2, falarei especificamente sobre cognição, e no 3, sobre depressão, estresse e ansiedade.3 Há queixas que atingem especialmente as mulheres, mas no capítulo 4 dou algumas dicas das quais os homens também podem tirar proveito! No 5º capítulo busco tirar as principais dúvidas sobre suplementação para libido e testosterona, e explico por que ela pode ser insuficiente. Devo avisá-lo de que este livro não substitui uma consulta médica.4 O propósito aqui é educativo: você terá informações sobre os principais suplementos e fitoterápicos5 (seus estudos e doses correspondentes) para os diagnósticos mais comuns. Pode ser, também, um manual ao qual você recorrerá pontualmente. Você ficará surpreso com o impacto que a deficiência de nutrientes e a suplementação têm em sua vida. VITAMINAS E COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL Estudos em populações carcerárias (adultos e jovens) demonstram efeitos benéficos da suplementação de vitaminas e minerais no comportamento antissocial e violento. Tais estudos, realizados com um grupo isolado de seu ambiente social normal e colocado em um ambiente social uniforme e organizado, puderam maximizar o impacto dos nutrientes no comportamento dos indivíduos: As infrações diminuíram 28% nos adolescentes tratados por três meses, enquanto as ofensas diminuíram em até 35% entre os adultos, em apenas duas semanas de suplementação. Os resultados demonstraram, ainda, que as infrações diminuíram especialmente em 16 adolescentes cujas concentrações baixas de vitaminas no sangue foram corrigidas (houve 131 atos violentos vs. 11 durante o estudo). Por fim, o melhor comportamento desses indivíduos foi associado à melhora da função cerebral. Esses resultados vãoao encontro da opinião de que os primeiros sinais de deficiência dietética podem ser de natureza psicológica, e se acrescentam a outros que sugerem que a suplementação de micronutrientes promovemelhora do humor e da inteligência. O CANSAÇO conjunto de queixas mais comum em meu consultório é aquele relacionado aos sintomas de cansaço (desânimo, fraqueza, indisposição, flacidez, alterações de humor, etc.). Nesses casos, há muitas coisas importantes a se fazer: realizar exames (falaremos sobre eles mais tarde) e investigar coisas como estilo de vida, rotina de exercícios, horário de ingestão de carboidratos, as deficiências hormonais e nutricionais. Além disso temos os suplementos, para otimizar os resultados, que serão particularmente eficientes nos casos em que a dieta não resolve. Mas, antes de mais nada, você precisa aprender um conceito especialmente relevante, ou até determinante, para quem tem sintomas de cansaço: a meta de proteína. Ouve-se falar muito pouco dela, e a maioria dos pacientes chegam com a ingestão de proteínas deficiente. Você precisa entender o conceito e, principalmente, saber colocá-lo em prática. Se você tem uma dieta baixa em proteína e não faz exercícios, com certeza está perdendo massa magra e certamente terá sintomas de cansaço. A proteína é extremamente importante para nós. Não há suplementação que seja eficiente para recuperar o ânimo se há deficiência de proteína, pois é através da musculatura que exercemos nossa força física no mundo. Meta de proteína Atingir a meta de proteína é o aspecto central da dieta — a primeira coisa que eu corrijo com meus pacientes. A proteína é um macronutriente; é composta de nutrientes essenciais para as funções do organismo. Toda proteína presente no seu corpo possui uma função: a mais evidente delas é constituir massa muscular. Mas, pelo fato de ficar em contato com o ácido estomacal por um tempo, por precisar ser digerida antes no estômago, ela gera a sensação de saciedade e influencia, também, a fome e a vontade de comer doces. Além disso, a proteína melhora o metabolismo: ao consumi-la, aumentamos o gasto energético do corpo, que precisa gastar mais energia para realizar a digestão. Comer mais proteína ajuda a emagrecer. Mas, diferentemente doscarboidratos e das gorduras, as proteínas não são estocadas em nosso organismo, e muitas pessoas estão deixando de consumir a necessidade diária para o bom funcionamento do próprio corpo. O resultado dessa conta é óbvio: perda de músculos, aumento de flacidez e de cansaço, diminuição da capacidade de realização de trabalho físico etc. Por isso, neste primeiro capítulo quero ajudá-lo a calcular a sua meta de proteína e organizar sua alimentação para alcançá-la. A primeira dica é tentar distribuir a ingestão ao longo do dia, isto é, consumir proteína em todas as refeições. Faça o cálculo de quanta proteína você, individualmente, precisa ingerir. Cálculo de necessidade de proteína (g/ dia): kg de peso corporal x 1,2 g de proteína Por exemplo: 60 kg x 1,2 g de proteína = necessidade de 72 g de proteína/dia. Considero esse valor como “o mínimo do ótimo” que você deve ingerir para ter uma vida saudável; 6 ele muda de acordo com algumas variáveis, sugiro algo em torno de: Lactantes: 1,3 g/dia7 Gestantes: 1,2 g/dia Praticantes de musculação: 1,8 g/dia Praticantes de aeróbico: 1,6 g/dia Pessoas que estão mais fracas podem usar 1,5g/ dia Fisiculturistas podem chegar a 2,4 g/dia Atenção! Estamos aqui falando na gramatura do nutriente, e não do alimento a ser consumido. Considere a quantidade de proteína presente em cada alimento. PRINCIPAIS FONTES DE PROTEÍNA (ALIMENTO/GRAMA DE PROTEÍNA) Carnes, aves e peixes (100 g*) 24g Peixes gordos (100 g*) 20g Carne moída Frango desfiado/moído Atum ou sardinha (1 colher de sopa) 4g Ovo (unidade) 6g Queijo quark ou ricota (1 colher de sopa) 3g Queijos curados (fatia grande, 30 g) 6g Leite ou iogurte natural (200 ml) 6g Suplementos de proteínas em pó** (30 g) 24g * Gramatura do alimento cru. ** Whey protein, proteína isolada de carne, soja, ervilha, arroz, albumina (clara de ovo) etc. PROTEÍNAS COM MENOR VALOR BIOLÓGICO (ALIMENTO/G DE PROTEÍNA) Ervilha cozida (1 colher de sopa) 0,8g Grão de bico cozido (1 colher de sopa) 1,8g Soja cozida (1 colher de sopa) 1,9g Lentilha cozida (1 colher de sopa) 1g Castanha de caju (5 unidades) 1,5g Arroz integral cozido (colher de sopa cheia) 0,7g Feijão cozido (colher de sopa cheia) 0,8g Pão integral (2 fatias) 7g Exames & suplementação para cansaço Se você já fez alterações na dieta e ainda se sente cansado, há grandes chances de ter algumas deficiências nutricionais. Você dorme bem? Tem queda de cabelo? Sono não reparador? Essas três queixas estão muitas vezes associadas. “Poxa, doutor, eu não tenho insônia, tenho horas de sono suficientes, mas no outro dia acordo acabado”; “Parece que um caminhão me atropelou”; “Eu não descansei”, “Meu cabelo não para de cair”. Se você não tiver apneia do sono ou algo do gênero, é muito provável que o problema não esteja no seu sono, mas na sua incapacidade de se sentir revigorado — e isso está muito associado às deficiências nutricionais. É batata! Fazemos os exames e encontramos alguma coisa, ou várias, fora do lugar. E se os exames estiverem normais? Quais os parâmetros para a referência? Este é o ponto: é preciso aprender a interpretá-los. E é isso que quero ensinar a vocês. Se você tem os sintomas citados, deve fazer tês exames principais: Vitamina D–25 Hidroxi, Vitamina B12 e Cinética de ferro (sobretudo estoque de ferro – Ferritina). Vitamina D É aquela que você produz ao se expor ao sol. A alimentação pode ser fonte de Vitamina D apenas em pequenas quantidades. Mas, levando em conta questões dermatológicas e os melhores horários para a produção efetiva da vitamina, quem hoje se expõe ao sol de modo adequado? Quem tem uma rotina de exposição ao sol? Temos níveis cada vez mais alarmantes de deficiência de Vitamina D. E ela é uma vitamina importantíssima em relação a humor deprimido, cansaço e ânimo. Estudos mostram, inclusive, que pessoas com depressão que repõem a Vitamina D passam a responder melhor ao medicamento antidepressivo. Essa é a importância de você dosá-la. O nome do exame que você precisa fazer para avaliar a sua Vitamina D é 25 Hidroxi Vitamina D. E a regra é clara, se o valor estiver: Abaixo de 20 ng/ml: deficiência clara (a suplementação é imperativa8 e a dose precisa ser de no mínimo 50.000 UI/semana ou 7.000 UI/dia, podendo o médico prescrever doses ainda maiores). De 20 a 100 ng/mL: não há valor ideal para se manter, a dose deve ser individualizada, após acompanhamento durante a suplementação. De modo geral, deve-se evitar ficar muito próximo dos extremos da faixa de referência. A suplementação de vitamina D precisa ser acompanhada de perto, pois pode causar alterações no metabolismo do cálcio, aumentando o cálcio no sangue, acarretando diversos problemas. Os protocolos que utilizam altas doses requerem que os pacientes façam restrição de cálcio na dieta, por exemplo. Na prática clínica, essa adequação é feita através de exames complementares como: Paratormônio e Cálcio livre. Vitamina B12 Enquanto a falta de Vit. D causa uma fadiga muito física, muscular, a falta de B12 causa uma fadiga muito mental e, sobretudo, humor deprimido. Se a Vit. D costuma ser associada à depressão, a B12 está ainda mais associada. A Revista Brasileira de Psiquiatria descreve, inclusive, o caso de uma mulher com depressão refratária (ou seja, que não respondia ao tratamento) há dois anos, que, após três semanas de suplementação de B12, teve a resolução de todos os seus sintomas. Seis meses depois fez o desmame e ficou curada. Ela tinha uma deficiência gravíssima da vitamina. O valor de referência para a interpretação do exame é de 200–800 pg/ml. Porém, essa verificação é feita pela dosagem de B12 no sangue, enquanto ela está estocada principalmente dentro das células. Ou seja, se no exame o valor aparece baixo, dentro das células já estava baixo há muito tempo. Por isso a dosagem sérica não é padrão-ouro para diagnosticar a deficiência. De modo didático, se você está com B12 abaixo de 500 pg/ml e com sintomas de fadiga mental, formigamento nas mãos e cansaço, recomendo a suplementação. Por ser uma vitamina de origem animal, vegetarianos, veganos ou pessoas que ingerem pouca carne costumam ter essa deficiência, assim como pacientes bariátricos. Alguns medicamentos como antiácidos, anticoncepcional e Glifage (metiformina) também podem prejudicar a absorção de B12, que é um pouco intrincada: ela precisa sofrer uma reação química no estômago e ser absorvida em uma parte específica do intestino. A B12, ao contrário da Vit. D, não tem protocolo fixo de suplementação. A mais comum é via oral (500 mcg, no mínimo), que nos dá a vantagem de utilizar a forma ativada da vitamina, a metilcobalami- na. Mas existem diversos protocolos — a dose pode aumentar muito conforme julgamento do médico. Outra forma é via injeção intramuscular, feita quando o paciente está com deficiência grave (abaixo de 200 ng/ml). Dessa forma a B12 sobe rápido, mas a cianocobalamina (versão sintética da B12, usada na injeção) pode causar acne, especialmente nesta forma de aplicação. A deficiência grave é preocupante por poder causar neuropatias. Em contrapartida, a B12 é uma vitamina muito segura, e o principal sintoma para o excesso dela é a acne. Ainda assim, é importante refazer os exames para acompanhamento e ajuste da dose. Ferritina Quando falamos em ferritina nos referimos ao estoque de ferro. Você deve medir sua ferritina porque nosso organismo é muito sensível à quantidade de ferro que temos estocado, e nós precisamos dele para muitas coisas. Praticamente todas as nossas células precisam de ferro para produzir energia. Mas o ferro que está livre em nosso organismo praticamente não varia. O que varia é a ferritina, o ferro que está estocado, e é ela que deve ser medida. Quando ela começa a diminuir, o seu organismo passa a cortar alguns consumos de ferro aqui e acolá, para priorizar as funções mais essenciais, causando queda de cabelo, unhas fracas, cansaço, e tudo isso sem o exame apontar anemia, que está relacionada à presença de hemoglobina no sangue. Existemestudos sobre deficiência de ferro não anêmica em meninas9 mostrando que a reposição de ferro melhorou aspectos cognitivos como concentração, memória, foco mental e fluência verbal. Repito: sem diagnóstico de anemia. Então, como interpretar o exame? Se a ferritina estiver abaixo de 50 ng/ml, há deficiência clara. No consultório busco deixá-la pelo menos em 70. Há pessoas que podem chegar a 150–180 ng/ml. Mais do que isso é motivo de preocupação, pois ferritina muito alta é claro sinal de inflamação. Você pode, ainda, ter a ferritina dentro desses parâmetros (70–200 ng/ml) e mesmo assim apresentar sintomas de queda de cabelo e cansaço. Sua ferritina pode estar alta devido a uma inflamação, mascarando um baixo estoque de ferro. Para essa análise usamos um exame complementar chamado Índice de Saturação da Transferrina. Veja mais sobre ferritina e exames complementares no capítulo sobre queda de cabelos na p. 94. O Magnésio (Mg) Essa é, na minha opinião, a suplementação mais essencial para qualquer tipo de diagnóstico. Extremamente versátil, sua deficiência pode ser causa ou agravante de quadros como depressão, depressão refratária, ansiedade, insônia, enxaqueca, agitação mental, bruxismo, fibromialgia, TPM e cansaço. Alguns pesquisadores dizem, literalmente, que parecemos ter motivos suficientes para acreditar que todas as pessoas que apresentam algum desses sintomas devem suplementar Mg. O risco é praticamente nulo e o beneficio é enorme. Eu iria mais além e diria que todo mundo deveria evitar a deficiência de Mg, através da suplementação. E explico por quê. Identificar a deficiência de Mg não uma tarefa muito fácil. A dosagem no sangue não reflete o real estado do nutriente no organismo, já que ele está, sobretudo, dentro das células, e não circulante. Artigos demonstram que é possível apresentar um valor de referência normal e haver deficiência intracelular. Por isso a dosagem sérica não é padrão no mundo e nem todos têm acesso a uma dosagem dentro das hemácias, dos glóbulos vermelhos. Por outro lado, alguns me perguntam: “Por que suplementar Mg se é tão fácil alcançar a meta com a alimentação?”. Quando o médico, ou o programa próprio para isso, calcula a quantidade de nutrientes de determinada dieta, ele considera que em X quantidade de alimento há Y quantidade do nutriente em questão. Ocorre que a quantidade do nutriente varia nos alimentos de acordo com o local onde ele foi plantado. Um solo vulcânico, por exemplo, é mais rico em Mg. Quem garante que na couve considerada no cálculo há a mesma quantidade de Magnésio que na couve que você come? Portanto, se não é possível definir o quanto é ingerido, você precisa evitar a deficiência de Mg via suplementação, especialmente na presença de alguma das condições citadas. A ideia é garantir a ingestão mínima, o risco disso é praticamente nulo. Pessoas com condições específicas, especialmente disfunções renais, não devem seguir essa conduta. PRINCIPAIS TIPOS DE MAGNÉSIO: Sais de Magnésio: Cloreto de Mg, Citrato de Mg, Óxido de Mg etc. O sal de Mg tem a vantagem de ser barato, mas é menos absorvido e apresenta maior risco de causar diarreia. Magnésios Quelatos: O Magnésio, neste caso, está associado a uma molécula orgânica que garante ótima absorção. Apresenta menor risco de causar diarreia. Bisglicinato de Mg: Mg ligado a moléculas de glicina. É o que chamamos propriamente de Mg Quelato. Malato ou Dimalato de Mg: Mg ligado a moléculas de ácido málico. L-tronato: parece ter uma capacidade melhor de chegar ao sistema nervoso central, porém é um Mg caro, sobretudo para alcançarmos a dose desejada. O mesmo ocorre com os blends de Mg, que costumam ter o valor muito alto diante do benefício extra que prometem. Existem hipóteses sobre os benefícios adicionais alcançados pelas moléculas que ligamos ao Mg, mas na minha opinião estamos trabalhando mais no campo da hipótese. Portanto, não se preocupe sobre qual Mg é mais indicado para sua enxaqueca ou para sua insônia, o Dimalato de Mg é uma boa opção para todos, por ser eficiente, tendo melhor custo- benefício. Dose média: 260 a 320 mg/dia.10 Suplementação avançada para cansaço Se você está garantindo a não deficiência de Vitamina D, Vitamina B12, Ferro, Magnésio e atingindo sua meta de proteína diária, é provável que se sinta muito mais disposto. Mas se você se interessa pelo tema, é provável que já tenha ouvido falar — ou que tenham lhe indicado — outros suplementos, que podem otimizar os resultados. Antes de você gastar seu dinheiro, aprenda mais sobre cada um deles. Coenzima Q10 (CoQ10) Por um acaso você já usou Coenzima Q10 e não sentiu nada? Eu usei e não senti diferença alguma, e isso ocorre com muitas pessoas. Isso porque ela funciona muito bem em situações específicas em que há disfunção mitocondrial.11 Por exemplo: a fibromialgia, em geral, responde muito bem à Coenzima Q10, na diminuição tanto da fadiga quanto das dores; a CoQ10 também diminui a enxaqueca (pois melhora as disfunções na parte metabólica do cérebro) e é indicada, ainda, para miopatias induzidas por Estatina,12 esclerose múltipla e insuficiência cardíaca. Essas pessoas, como disse, irão responder muito bem à Coenzima Q10. Mas, se você está focado em treinar corrida ou musculação e quer usar CoQ10 para ter mais ânimo durante o treino, não vai funcionar! Para quem tem indicações clínicas, a dose começa em 100 mg — o que já apresenta algum feito, mas podemos dizer que 200 mg é uma dose mais chave para tudo. Para algumas condições, as doses são mais altas. Para a fibromialgia, pelo menos 200 mg, podendo chegar a duas vezes ao dia; para a esclerose múltipla, 400 mg/dia. Ou seja, ela não é uma vitamina barata, e não funciona para qualquer coisa. Você pode testar, se quiser. Mas se você busca ânimo, não será ela que lhe dará isso. D-Ribose A D-Ribose tem um papel muito parecido com a CoQ10. Artigos mostram que ela funciona também em situações de disfunção mitocondrial (Síndrome da Fadiga Crônica, fibromialgia etc.), embora os estudos sobre o tema sejam bastante escassos. Na prática, a D-Ribose é um açúcar, mas que não aumenta a glicemia. É muito vendida pra o uso agudo: enquanto a CoQ10 precisa de muito tempo para que seus resultados sejam sentidos, a D-Ribose é vendida em sachês, e basta misturá-la no café para ter disposição rápido. Eu não a uso muito porque é um pouco cara e algumas pessoas relatam não sentir muita diferença, enquanto outras dizem ter taquicardia. Isso ocorre porque a D-Ribose tem a capacidade de diminuir a glicemia — ela é hipoglicemiante. Muitas vezes esse efeito de agitação advém da adrenalina, que está subindo como hormônio contrarregulador da glicemia: na verdade, você tem uma hipoglicemia mesmo. Não se chega a passar mal justamente porque existe essa contrarregulação, mas trata-se de uma hipoglicemia. Muitas lactantes pedem algo que as ajude a ter mais energia, já que não podem tomar café (evitando passar a cafeína para o bebê). Alguns consideram a D-Ribose uma opção. Até pode ser, mas as chances de hipoglicemia em uma lactante, que além de amamentar, muitas vezes, não está comendo como deveria, são bem altas. MCT (TCM) Os MCTs (do inglês, Medium-Chain Triglycerides) são triglicerídeos de cadeia média, uma classe de gordura saturada composta de ácidos graxos contendo 6 a 12 carbonos, encontrados principalmente no óleo de coco. O triglicerídeo é uma forma de gordura, é o mesmo que triglicérides. É a forma como a gordura está presente no nosso sangue, no corpo, no tecido adiposo. O triglicerídeo de cadeia média é diferente da gordura que consumimos no nosso dia a dia, que é de cadeia longa. Essa diferença molecular parece pouca, mas muda muita coisa. Quando comemos azeite, por exemplo, ele passa por toda uma absorção intrincada e diferente: precisa ser emulsificado no intestino pela bile (que tem uma ação detergente), e só depois conseguimos absorver de fato essa gordura.13 Já o TCM, por ser de cadeia média, é mais solúvel em água, o que muda todo o esquema de absorção; eleé facilmente absorvido pelo intestino e tem o fígado como primeiro órgão de passagem após a absorção intestinal. Já no fígado, pode ser facilmente utilizado como fonte de energia. Ocorre que, quando o fígado está usando muita gordura como fonte de energia, começa a produzir algo que chamamos de corpos cetônicos. O que são corpos cetônicos? Sabemos que quando estamos em jejum o corpo usa o estoque de carboidrato para produzir energia e que, quando esse estoque acaba, o corpo passa a utilizar gordura para isso. O fígado chega a utilizar tanta gordura como fonte de energia, que a mitocôndria não consegue absorver todos os metabólitos dali originados; então surge outra rota bioquímica (para dar fim àqueles metabólitos energéticos), que é justamente a via da cetogênese, da produção de corpos cetônicos. O corpo cetônico é um substrato energético alternativo. Ele é fonte de energia como o carboidrato e a gordura, mas, ao contrário deles, não podemos adquirir corpos cetônicos nos alimentos, nós os produzimos. E apenas nessas situações específicas de cetogênese; como num jejum prolongado ou numa restrição grande de carboidrato. Quais as vantagens disso? Nosso sistema nervoso central utiliza apenas glicose como fonte de energia. Mas, na presença de corpos cetônicos, 50% da energia do SNC vem deles. É um substrato energético do qual o sistema nervoso gosta. Além disso, é um substrato bastante anti-inflamatório, especialmente útil durante dietas low carb e cetogênicas, para controle de epilepsia e outros distúrbios neurológicos. Multivitamínico Sabe aquele de farmácia, que todo mundo diz que não serve para nada? Ele mesmo. Existem estudos interessantíssimos mostrando um impacto significativo no comportamento com o simples uso de multivitamínicos.14 A melhora do ânimo foi demonstrada em um estudo com homens e mulheres que, após a primeira dose, já tiveram melhora na fadiga. O estudo foi feito controlado com placebo e usava parâmetros objetivos, como o acompanhamento do consumo de oxigênio desses pacientes: uma medida bioquímica de aumento de geração de energia (quanto maior o consumo de oxigênio e a produção de CO2, mais nossa célula está respirando e produzindo energia). Esses parâmetros de fato mudavam. Os pacientes também relataram sentir melhora significativa. No entanto há uma diferença entre os multivitamínicos utilizados nos estudos e os que encontramos nas farmácias. A Anvisa estabelece um teto permitido para a concentração de vitaminas: geralmente os suplementos nacionais oferecem 100% da necessidade diária. Já nos estudos, a dose usada subia para 300%. Se o objetivo é atingir uma dose de reposição (B12, Vit. D ou ferro, por exemplo), a dose de 300% ainda poderá estar muitíssimo abaixo do necessária. O multivitamínico funciona, a depender de sua expectativa. Os benefícios mostrados são em relação ao humor, adaptação ao estresse, ansiedade e geração de energia. O COGNIÇÃO s exames que comentei no primeiro capítulo e suas suplementações correspondentes valem para todo mundo e melhoram também aspectos cognitivos como concentração, memória, fadiga mental e aumento de produtividade. Neste capítulo, falarei de suplementos mais opcionais; é importante conhecê-los para saber se eles são ou não para você. Ômega 3 Quando falamos em cognição, um dos suplementos mais estudados, sem dúvida nenhuma, para depressão, transtornos de humor em geral e sobretudo memória e desenvolvimento de declínio cognitivo, é o Ômega 3. Ômega 3 não é óleo de peixe. O óleo de peixe contém Ômega 3, que é um tipo de gordura específica, poli-insaturada, presente sobretudo em animais de origem marinha. Na verdade, é um conjunto de gorduras, sendo as duas principais para o ser humano o EPA e o DHA. Esses são os nutrientes de fato dos quais o óleo de peixe é uma ótima fonte e também uma das mais comuns. Sua suplementação se faz necessária pois comemos pouquíssimo EPA e DHA em nossa dieta ocidental — a não ser que você coma sushi todos dias, será difícil ter Ômega 3 em quantidades suficientes no seu organismo através da alimentação para obter os efeitos benéficos descritos. Antes de comprar o produto, é muito importante ler a tabela nutricional para saber qual a quantidade de Ômega 3 que de fato há no seu suplemento. A dose mencionada nos estudos não se refere ao óleo de peixe, mas ao EPA e DHA.15 Se você for à farmácia e comparar as tabelas dos diferentes suplementos de Ômega 3 irá notar que há uma variação do balanceamento entre EPA e DHA. Essa variação tem um propósito: existem tipos de Ômega 3 que servem para algumas coisas, e tipos de Ômega 3 que servem para outras. A dose de suplementação de Ômega 3 é de 1.000 a 1.500 mg de EPA + DHA. Por exemplo, se você está tomando um suplemento que contém, por dose diária, 1.000 mg de DHA e 400 mg de EPA, você suplementa 1400 mg de Ômega 3/dia. Atente-se sempre à recomendação do fabricante quanto à quantidade de cápsulas que devem ser tomadas ao dia para garantir a ingestão da dose indicada na embalagem. O EPA e o DHA possuem funções distintas no nosso organismo. Você já deve ter ouvido falar que o Ômega 3 é um bom anti-inflamatório. E ele é, sobretudo o EPA. Se você quer melhorar o nível de inflamação no seu organismo (se tem endometriose, triglicerídeo alto, resistência à insulina, Hashimoto, por exemplo), você precisa de um suplemento com mais EPA do que DHA. Para a depressão o EPA também funciona mais, é o que os estudos mostram. Já o DHA é melhor para a cognição (concentração, memória), quadros ansiosos, déficit de atenção e hiperatividade. Diferentemente do Magnésio, que apresenta versões mais baratas, os suplementos de Ômega 3 de boa qualidade são caros, eles precisam ter o selo MEG-3 ou IFOS, e sua suplementação deve ser contínua. Pode levar de 3 a 6 meses para se sentir os benefícios da suplementação. Fitoterápicos para memória Os fitoterápicos que listo a seguir podem causar efeitos adversos. Também não são recomendados para gestação e pós-parto. Há algumas variáveis que precisam ser analisadas para verificar se o suplemento é adequado ou não para você. Misturar fitoterápicos também exige cuidado. Bacopa Monnieri A Bacopa Monnieri, vulgarmente conhecida como hissopo da água, é uma erva frequentemente usada no Ayurveda (medicina indiana). Ela é a rainha da cognição. Não existe nada comparado a ela no que diz respeito à memória. Por meio da modulação de neurotransmissores, favorece a comunicação neural, reduz a ansiedade e, ao que parece, a memória é uma das capacidades cognitivas mais beneficiadas. Ao menos seis estudos demonstram esses efeitos. Um estudo realizado em idosos, sem sinais de demência, demonstrou melhorias significativas na atenção (propensão a prestar atenção em informações irrelevantes), memória de trabalho, ansiedade e depressão após 12 semanas de ingestão do extrato (300 mg/dia). Em outro estudo, a mesma dose foi utilizada em pessoas saudáveis com idade entre 18 e 60 anos sem histórico de doenças mentais. A memória de trabalho também foi aumentada após 12 semanas. Outro estudo, com pessoas da mesma idade e utilizando a mesma dose pelo mesmo tempo, demonstrou melhora na velocidade de aprendizado, além da capacidade de memória. Ainda, um quarto estudo realizado em pessoas saudáveis, desta vez com mais de 55 anos (com a mesma dose), promoveu melhoras no aprendizado verbal, aquisição de memória e tendências positivas na redução de esquecimento e de sintomas depressivos. Por fim, um estudo utilizando uma dose menor de Bacopa Monnieri (125 mg) também demonstrou melhora em vários parâmetros em indivíduos com comprometimento da memória associado à idade. Os efeitos ansiolíticos da Bacopa Monnieri podem ser rapidamente sentidos, mas os efeitos cognitivos parecem levar mais tempo para ocorrer. A suplementação melhora a memória de maneira confiável e eficaz após 4–6 semanas de tratamento. Cabe ressaltar que a Bacopa tendeu a causar dores de estômago muito mais que o placebo. Portanto, é aconselhável que você a ingira junto de alimentos. RhodiolaRosea A Rhodiola Rosea é uma erva da família Crassulaceae. Sua raiz (conhecida como raiz de ouro) tem uso tradicional como agente antifadiga e composto adaptogênico (isto é, que reduz a percepção do estresse, facilitando o fenômeno da adaptação). Acredita-se que os principais produtos químicos responsáveis por seus efeitos sejam a rosavina e o salidrosídeo. A Rhodiola parece ser capaz de reduzir a fadiga e o esgotamento resultantes do estresse. É um fitoterápico que já se demonstrou útil em estudos de pacientes com burnout, reduzindo o estresse e a ansiedade. Esses efeitos talvez possam se estender ao exercício, já que existem evidências de que a suplementação aguda como pré-treino pode reduzir a fadiga, mas são necessárias mais pesquisas sobre isso. Outros estudos sugerem, ainda, que ela pode melhorar diversas medidas da função cognitiva. Na cognição, os efeitos benéficos são notáveis em pessoas que experimentam diminuição da fadiga. Essa diminuição parece ser bastante forte e bastante confiável, tanto quando uma dose baixa é administrada por um período prolongado como quando uma dose alta é administrada agudamente. No cérebro, a Rhodiola parece ser altamente serotoninérgica (aumenta a serotonina) e reduz a ação do cortisol. Creatina A creatina é um suplemento usado por esportistas para aumentar a capacidade atlética por melhorar o suprimento de energia para os tecidos musculares. Por ser um composto essencial do cérebro, há a hipótese de que sua suplementação possa ajudar na cognição, por melhorar o suprimento de energia e a neuroproteção. Uma revisão sistemática investigou os efeitos da administração oral de creatina na função cognitiva em indivíduos saudáveis. Seis estudos (total de 281 indivíduos) foram avaliados. Neles havia evidências de melhora da memória de curto prazo e raciocínio/processamento matemático através da administração de creatina. Em relação a outros domínios cognitivos, como memória de longo prazo, memória espacial, atenção, fluência de palavras, tempo de reação e fadiga mental, os resultados foram conflitantes. Também foi demonstrado que os vegetarianos responderam melhor do que os que comem carne em tarefas de memória, mas em outros domínios cognitivos não foram observadas diferenças. Isso sugere que pessoas que comem pouca carne também podem se beneficiar. Os resultados sugerem benefícios potenciais para indivíduos idosos e estressados. Como a creatina é segura, os estudos futuros devem incluir amostras maiores, especialmente em pacientes com demência ou comprometimento cognitivo. Procure usar a creatina de marcas mais renomadas; pode ser a creatina monohidratada. A dose padrão é de 3g. L-teanina Ajuda muito na concentração e no foco. É um composto presente no chá preto e no chá verde, chás que vêm da mesma planta. A diferença entre eles é que o chá preto é o chá verde fermentado, que passou por um processo de oxidação, perdendo os antioxidantes e concentrando em cafeína e L-teanina. É possível isolar a L-teanina desse composto e suplementá-la. Ela diminui a ação do glutamato, que é o neurotransmissor excitatório do organismo (ao contrário da Passiflora, por exemplo, que estimula o neurotransmissor inibitório, o GABA, que causa um efeito de sedação). A L-teanina, portanto, diminui a ansiedade e a agitação mental, sem causar sono. Você pode ingeri-la através do chá preto, é muito bom para o foco, mas não aconselho caso você tenha ansiedade, pois este chá, além de L-teanina, também é rico em cafeína (o que o torna paradoxalmente estimulante e calmante, ao mesmo tempo). O melhor horário para tomar a L-teanina é aquele em que você quer o resultado, pois ela funciona rápido e seu efeito também passa relativamente rápido. MCT (TCM) Por aumentar a cetonemia (i.e. os corpos cetônicos no sangue), os MCTs já tiveram sua capacidade de melhorar a cognição investigada em alguns estudos. Por exemplo: um estudo avaliou a eficácia do consumo contínuo de 20 g/dia de óleo de MCT no desempenho cognitivo em 140 pacientes com Doença de Alzheimer. O grupo que recebeu o óleo de MCT teve melhor desempenho em testes de avalição cognitiva do que o grupo placebo após 45 dias de suplementação. Ainda, outro estudo envolvendo 20 idosos com comprometimento cognitivo leve a moderado, ou provável doença de Alzheimer, relatou que consumir uma única dose de 40 ml de óleo de MCT melhorou significativamente o desempenho dos participantes em testes de avalição cognitiva após 90 minutos da ingestão. O aumento da cetonemia é um dos principais mecanismos apontados para a melhora cognitiva nos estudos. Isto porque, quando presentes na circulação, os corpos cetônicos se tornam um substrato energético alternativo para o sistema nervoso central (que em condições normais utiliza apenas glicose como fonte de energia). Nesse sentido, especula-se que o consumo de MCTs pode ajudar na melhora da cognição e da fadiga. Os efeitos seriam melhor sentidos durante uma dieta low carb/cetogênica ou de restrição calórica. Mais estudos são necessários nessa área. E DEPRESÃO E ANSIEDADE m geral, a suplementação para cognição, comentada no capítulo anterior, ajuda também nos quadros de depressão e ansiedade. Falarei aqui sobre estudos mais especificamente voltados a quadros de depressão, estresse e ansiedade. L-teanina A ação da L-teanina em estados psicológicos e fisiológicos de estresse já foi testada. Como dito anteriormente, ela pode ser resumida como um agente relaxante sem sedação (diferentemente da Melissa, da Lavanda e da Valeriana, que acalmam também promovendo sedação) e seus efeitos também são usados para redução do estresse e melhora da atenção. Nesse sentido, certo estudo examinou seus possíveis efeitos em pessoas, usando uma tarefa aritmética mental como agente estressor agudo. Doze participantes foram submetidos ao teste, recebendo (ou não) 200 mg de L-teanina no início ou durante o experimento. Os resultados mostraram que a ingestão de L-teanina reduziu a frequência cardíaca e a concentração de IgA salivar (um biomarcador de ativação simpática)16 em resposta ao estresse. De fato, os pacientes que receberam L-teanina relataram diminuição da percepção do estresse. Passiflora Incarnata A Passiflora incarnata L. tem uma longa história de uso como agente ansiolítico na cultura popular e tem sido usada por pessoas de todo o mundo para tratar a ansiedade. Os efeitos ansiolíticos da Passiflora estão bem documentados em modelos experimentais. Em seres humanos, alguns estudos têm documentado sua eficácia como tratamento para transtornos relacionados à ansiedade. Um estudo analisou a diferença de eficácia entre o Oxazepam, uma benzodiazepina prescrita para tratar sintomas de ansiedade crônica, e a Passiflora em pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Os resultados não mostraram diferença entre os dois ansiolíticos em relação ao tratamento do TAG, sugerindo que a Passiflora é tão eficaz quanto os benzodiazepínicos na eliminação dos sintomas de ansiedade. Os indivíduos do grupo que recebeu Passiflora também relataram melhor desempenho no trabalho, embora os indivíduos do grupo tratado com o benzodiazepínico relataram um início mais rápido de alívio dos sintomas. Esse efeito ansiolítico da Passiflora também foi observado em outros subconjuntos de pessoas. Em pacientes submetidos a cirurgia, a administração oral de Passiflora como pré- medicação reduziu a ansiedade, sem induzir a sedação. Em outro estudo, a administração oral de Passiflora suprimiu o aumento da ansiedade em pacientes submetidos à anestesia espinhal, que geralmente ocorre no período que antecede o procedimento. Cabe ressaltar que todos esses estudos foram conduzidos com grupos placebo, demonstrando que a Passiflora incarnata L. possui efeitos ansiolíticos independentemente de efeito placebo. Ashwagandha Em um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, 130 participantes com transtorno de ansiedade tomaram 125 mg, 250 mg ou 500 mg de extrato de Ashwagandha por 60 dias. Embora o grupo placebonão tenha percebido mudanças, todos os que tomaram Ashwagandha tiveram melhorias significativas em comparação com o grupo placebo.17 As doses de 250 mg e 500 mg pareceram ser um pouco mais potentes do que a de 125 mg para estresse, ansiedade, fadiga e incapacidade de concentração. Medidas metabólicas que geralmente se encontram aumentadas em indivíduos estressados, como cortisol sérico, proteína C reativa (um marcador de inflamação), VLDL-C e pressão arterial, foram significativamente reduzidos em comparação com o placebo em todos os grupos Ashwagandha. Resultados semelhantes foram encontrados em, ao menos, outros 4 estudos, demonstrando o potencial benéfico da Ashwagandha no controle do estresse e da ansiedade. Magnésio Estudos em humanos demonstraram associação entre baixas concentrações de Mg e disfunções do sono. Por exemplo, em um estudo de 397 pacientes com baixas concentrações eritrocitárias de Magnésio, 240 deles sofriam de insônia (60% da amostra). Ainda, a deficiência de Magnésio está associada ao aumento da latência do sono e menor tempo em sono REM, e também parece estar envolvida na causa de algumas parassonias (terrores noturnos, distúrbios motores, automatismos verbais e bruxismos). Por isso, a suplementação de Magnésio pode melhorar a qualidade do sono. Em outro estudo envolvendo 100 adultos com sono de baixa qualidade, foi administrado citrato de Magnésio, 320 mg/dia, por sete semanas, e isso melhorou significativamente os marcadores de sono dos participantes. Outros estudos, utilizando diferentes doses e tipos de Magnésio, também obtiveram resultados similares, inclusive em indivíduos com insônia. Nesses estudos, a suplementação de Magnésio resultou em aumentos significativos no tempo e eficiência do sono e nas concentrações séricas de melatonina; na diminuição no escore do índice de gravidade da insônia; na latência no início do sono e do cortisol. Camellia Sinensis Os efeitos calmantes tradicionais da planta Camellia Sinensis têm motivado o estudo de suas propriedades medicinais. Melhoras no humor e na cognição parecem estar entre os benefícios dos chás produzidos a partir de suas folhas, como os chás verde e preto. Estudos epidemiológicos indicam efeitos positivos no humor e na função cognitiva em quem os consome habitualmente: menor probabilidade de depressão ao longo da vida, redução do risco de demência, melhor desempenho cognitivo, são exemplos de benefícios sugeridos pelos estudos observacionais naqueles que consomem ao menos 100 ml de chá ao dia. Outros estudos controlados demonstram que, em homens saudáveis, o consumo de chá preto leva a menores concentrações de cortisol pós-estresse e a um maior relaxamento subjetivo. Estudos de neuroimagem demonstram, ainda, um aumento da ativação nas regiões responsáveis pela memória de trabalho após ingestão única de extrato de chá verde. Os pesquisadores tentam identificar quais compostos bioativos conferem a esses chás benefícios à saúde mental. Testes com os principais constituintes — o aminoácido L- teanina e o antioxidante Galato de Epigalocatequina (EGCG) — sugerem que eles contribuem sozinhos e em combinação com a cafeína. Há quantidade razoável de evidências de que tanto o EGCG quanto a L-teanina possuem atividade neuroprotetora, e que a L-teanina (e em menor grau o EGCG) influencia o humor. Entretanto, os resultados sugerem que as várias melhorias nas faculdades cognitivas ligadas ao consumo de chá verde não parecem ser consequência de um único componente. Pode o Ômega 3 aliviar a ansiedade? Os suplementos de Ômega 3 podem ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade em pessoas diagnosticadas com uma série de problemas de saúde física e mental, segundo uma meta- análise que reuniu descobertas de 19 estudos diferentes e incluiu 1.200 pessoas. Os estudos incluíram pessoas com diversos problemas de saúde, como ataques cardíacos, transtorno de déficit de atenção, abuso de substâncias, depressão e doença de Parkinson, além de alguns grupos sem nenhum diagnóstico clínico específico. Os pesquisadores descobriram que pessoas que usavam altas doses de Ômega 3 (até 2.000 mg por dia) pareciam ter a maior redução nos sintomas de ansiedade. Os ácidos graxos Ômega 3, que geralmente são derivados do óleo de peixe, têm vários efeitos biológicos no organismo. As membranas cerebrais contêm uma alta proporção dessas gorduras, e estudos em humanos sugerem que a falta de Ômega 3 no cérebro pode induzir a vários distúrbios comportamentais e psiquiátricos. Ainda, de modo interessante, os resultados foram significativos naqueles que usavam suplementos mais ricos em DHA. O DHA é um dos tipos de Ômega 3 que está mais relacionado ao desenvolvimento cerebral e outros efeitos neurológicos, enquanto o EPA (outro importante Ômega 3) possui efeitos mais relevantes na inflamação e na depressão. Vitamina C Um estudo avaliou o efeito da suplementação de Vitamina C, um reconhecido antioxidante, na ansiedade de estudantes. Doses de 500 mg/dia foram administradas durante 14 dias e comparadas a um grupo placebo. Após apenas 1 dia de suplementação, a frequência cardíaca era menor naqueles que receberam Vitamina C. Ainda, ao final do estudo, níveis reduzidos de ansiedade foram encontrados apenas no grupo suplementado. Um alto nível de ansiedade, que se reflete pela frequência cardíaca elevada, é indicativo de liberação aumentada de catecolaminas, como a noradrenalina. Também maiores concentrações do hormônio cortisol estão relacionadas à ansiedade. A Vitamina C parece modular a ação da noradrenalina, como demonstrado pela redução da frequência cardíaca dos estudantes, enquanto outros estudos demonstram que ela pode atenuar a secreção de cortisol em resposta a fatores psicologicamente estressantes. Ashwagandha e TOC O Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC) é um distúrbio clínico grave, crônico e muitas vezes debilitante, caracterizado por pensamentos repetitivos e intrusivos (obsessões) que podem resultar em sofrimento, seguidos por ações que possam reduzir a ansiedade (compulsões). Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRI) estão na vanguarda da farmacoterapia para o TOC. Apesar disso, sua eficácia é geralmente baixa nesses pacientes. Muitos estudos demonstraram que cerca de 40–60% de todos os pacientes não respondem aos SSRIs, e os sintomas dos pacientes responsivos são melhorados em apenas 20–40%. Por isso, outros tratamentos são necessários. Dentro dessa perspectiva, um estudo teve por objetivo investigar a eficácia do extrato de Ashwagandha (Withania somnifera) como terapia adjuvante no tratamento padrão do TOC, devido a seus efeitos ansiolíticos. Trinta pacientes com o diagnóstico participaram deste estudo. Eles foram aleatoriamente designados para um grupo que recebeu extrato de Ashwagandha (120 mg/dia) ou um grupo placebo. Todos estavam em tratamento com inibidores seletivos da recaptação de serotonina. A frequência e gravidade dos sintomas de TOC foram avaliados antes e após 6 semanas de tratamento. Com base nos resultados, os autores concluíram que o extrato de raiz de Ashwagandha “pode ser benéfico como um complemento, seguro e eficaz, para os SSRIs no tratamento do TOC”. Esse estudo foi a primeira tentativa de investigar os efeitos do extrato de raiz de Ashwagandha em pacientes com TOC. Estudos maiores são necessários e outras doses devem ser testadas. TDAH, SUPLEMENTOS E TERREMOTOS Um terremoto que atingiu a cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, ofereceu uma oportunidade única a pesquisadores que conduziam estudos sobre a suplementação de uma fórmula de múltiplos nutrientes, em adultos com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O TDAH é caracterizado por problemas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, além de níveis mais altos de estresse, ansiedade e problemas de humor em resposta a fatores estressores. A ocorrência do desastre natural durante a intervenção nutricional proporcionou a possibilidade de observar a resposta dos portadores de TDAH que estavam, ou não, ingerindoa suplementação de micronutrientes (vitaminas e minerais). Após uma e duas semanas do abalo sísmico, as medidas de depressão, estresse e ansiedade foram comparadas (mais de 900 tremores secundários ocorreram nesse período). Na primeira semana de comparação, não houve diferenças entre os grupos. Entretanto, na segunda, o grupo suplementado com micronutrientes relatou menor ansiedade e estresse do que o grupo controle. Os resultados sugerem que a suplementação com micronutrientes pode aumentar a resiliência ao estresse e à ansiedade, associados a um evento altamente estressante, em indivíduos com TDAH (melhores estudos sobre os efeitos de diferentes doses e micronutrientes isolados ainda são necessários). A SAÚDE DA MULHER Síndrome Pré-Menstrual primeira vez que tratei TPM, um casal de noivos se consultava comigo. A moça se queixava de irritação, variação de humor, entre outros sintomas comuns no período pré-menstrual. Eu havia estudado o assunto: desde a década de 70, existem artigos mostrando que a suplementação de Vitamina B6 melhora a alteração de humor perto da menstruação. Mas eu nunca tinha visto aquilo funcionar na prática. A literatura indica uma margem de 3 meses para o paciente sentir os efeitos, então recomendei que ela tomasse a dose constantemente e disse que demoraria para sentir os benefícios — já que eu estava usando a Vitamina B6 com esse propósito pela primeira vez e estava um pouco receoso. Então, na consulta de retorno, o noivo chegou com uma caixa de charutos para mim! Muito agradecido, de tão feliz que estava. O negócio funciona. Os homens acham que as mulheres sentem apenas cólicas ou alterações de humor na TPM, mas os sintomas podem ser muitos. Os principais são: Alteração de humor (pode ser raiva, irritação, ansiedade, tensão, tristeza, vontade de chorar, humor deprimido, interesse diminuído nas atividades, desesperança, comer em excesso). Mastalgia (dor nos seios). Enxaqueca. Insônia ou excesso de sono. Dificuldade de se concentrar. Fadiga. Cólica. Dor muscular, principalmente nas pernas e nas costas. Diarreia e outras alterações gastrointestinais. Dores articulares. Acne. Vontade de comer doce. Se você tem esses sintomas, e eles impactam diretamente a sua vida — prejudicam ou impedem seu trabalho, seus relacionamentos etc. — é muito provável que você tenha a Síndrome Pré- Menstrual. Se isso não te impede de trabalhar, mas te incomoda, você tem sintomas de TPM (Tensão Pré-Menstrual); e pode não ter o diagnóstico da síndrome. Existe ainda uma outra condição mais impactante, que é o TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual), classificado como um transtorno depressivo na maioria dos manuais de diagnósticos. É uma condição mais grave, contra a qual pode ser preciso usar medicação antidepressiva. Mas, em todos os casos, a nutrição irá ajudar. Anticoncepcional cura a TPM? Em uma live sobre TPM,18 perguntei às mulheres que me assistiam: “O que o médico recomendou a vocês como tratamento?”. Recebi respostas como: antidepressivo, óleo de prímula, analgésico, anti-inflamatório, DIU e, grande parte delas, anticoncepcional. O tratamento farmacológico que as sociedades médicas recomendam para casos muito graves de alteração de humor é o antidepressivo,19 e para a maioria das pessoas com queixas de TPM, o anticoncepcional — mas o anticoncepcional não trata a Síndrome Pré- Menstrual, ele só mascara os sintomas. Ele suspende o seu ciclo. Você para de tomá-lo, tudo volta. O anticoncepcional também apresenta riscos como de trombose a até mesmo depressão. Há estudos, com mais de um milhão de mulheres, que associam o início do uso do anticoncepcional com o início do uso de antidepressivo. Não faz sentido tomar algo que pode causar depressão para se livrar dos sintomas de tristeza e irritabilidade. Para que você entenda como a nutrição pode ajudar, caso a caso, falemos mais sobre a TPM em si. Quais são as causas mais aceitas da TPM? Existem duas principais correntes explicativas. A primeira delas, mais antiga, diz que a TPM ocorre quando existe uma predominância do estrogênio na mulher em um momento que não deveria existir, o que seria a causa de transtorno de humor, cólica, cansaço, entre os outros sintomas que citamos. Tenha em mente que o ciclo da mulher possui duas fases: Primeira fase do ciclo: predomínio do estrogênio; Segunda fase (fase lútea): predomínio da progesterona. Essa corrente diz que pode haver uma porção de coisas acontecendo no corpo da mulher com TPM, que fazem com que ela produza mais estrogênio na segunda fase. Entre elas, por exemplo, o excesso de peso. O exercício físico e a dieta melhoram a TPM porque o excesso de gordura corporal pode começar a expressar uma enzima chamada aromatase, que converte testosterona em estrogênio. A mulher precisa do estrogênio nas medidas certas. E também precisa da testosterona, para a libido, por exemplo. Se você tem esses sintomas, avalie se está acima do peso. A segunda hipótese, mais recente, diz que é a progesterona que está sendo menos produzida e funcionando menos no organismo da mulher. A causa dessa baixa seria o famoso processo de inflamação. O organismo inflamado das mulheres prejudica a produção e a ação da progesterona, sobretudo no sistema nervoso central. Lá ela é metabolizada em algumas moléculas que fazem muito bem para o sistema nervoso. Mas, se você está inflamada, produz menos progesterona, e ela é menos ativada em seu sistema nervoso. Existe um processo de inflamação crônica subclínica que é a base para uma porção de doenças: câncer, diabetes, demência, depressão, ansiedade etc. E há marcadores claros para isso na análise clínica. É possível verificar esse processo através de alguns exames como PCR (Proteína C-reativa Ultrassensível), homocisteína, ferritina alta com baixa saturação da transferrina, entre outros indicadores de inflamação. Em geral as mulheres estão inflamadas devido a má alimentação, sedentarismo, falta de sono e estresse. O ponto é: podemos falar sobre a primeira ou a segunda hipótese, não importa a explicação para a TPM. Seja ela qual for, a nutrição irá ajudar! Uma alimentação anti- inflamatória irá ajudar, mas também suplementar com compostos anti-inflamatórios. Existem suplementos interessantíssimos que podem ser usados. Em casos de alteração de humor na TPM, eu utilizo a tríade Vitamina B6 + Magnésio + Vitamina E. Vitamina B6 O excesso de estrogênio dificulta a ação da Vitamina B6 na síntese de neurotransmissores. É preciso a B6 para a produção de dopamina e principalmente serotonina, o que nos dá a sensação de prazer, felicidade, de ver sentido nas coisas. Desde a década de 70 ensaios apontam que suplementar B6, sobretudo junto ao Magnésio, melhora a alteração de humor em mulheres com SPM. A grande quantidade de Vit. B6 sobrepõe o efeito do estrogênio, e a vitamina passa a realizar suas funções. A recomendação da dose de B6 é de 1–2 mg por dia. É muito fácil atingir a meta de B6 com a alimentação, praticamente não existe deficiência dessa vitamina. A suplementação, neste caso, tem o objetivo mesmo de saturar. O seu organismo já possui a Vitamina B6, mas se há desequilíbrio hormonal ela não consegue atuar; então saturamos o sistema, de forma que ela compita com o estrogênio e volte a exercer sua função. A dose de B6 para suplementação contra TPM é uma dose alta. Na farmácia é comum encontrar doses de 1–2 mg, enquanto os estudos usam 50 mg, geralmente manipulados. Mas atenção: doses muito altas, acima de 100 mg principalmente, são contraindicadas, por serem neurotóxicas. Magnésio Tem a mesma função que a vitamina B6: participa da produção de serotonina. É um anti- inflamatório importantíssimo para o nosso organismo A flutuação hormonal faz com que o Mg também flutue. A fase em que ele está em baixa predispõe a enxaqueca, fadiga muscular e cansaço. Suplementar Mg diminui a inflamação do corpo, portanto, auxilia no desequilíbrio hormonal. Cálcio Assim como o Mg, o cálcio flutua nessa fase de desequilíbrio hormonal. Os estudos mostram que suplementá-lotambém ajuda com a fadiga e, especificamente, com as cólicas. Vitamina E Também é um antioxidante muito importante para o organismo. Enquanto anti- inflamatório, melhora o desequilíbrio hormonal; ajudando com as cólicas, os sintomas de humor e todos os outros. A dose também é alta. Os estudos usam 400 UI/dia. Mas é preciso tomar muito cuidado, pois ela é lipossolúvel e pode acumular no organismo, tornando-se tóxica. Pode ser que você já esteja com a Vitamina E ajustada. Por isso é importante realizar o exame e o acompanhamento médico. Vitamina B1 (tiamina) Ajuda especialmente a diminuir as cólicas. A deficiência de tiamina prejudica a função neuromuscular, como o tônus da musculatura. Sendo o útero um músculo, a suplementação de tiamina será muito benéfica. Gengibre Tomar chá de gengibre é uma ótima forma de diminuir a cólica e a enxaqueca. Você também pode suplementá-lo com extrato de gengibre em cápsulas. Pode ser interessante se preparar para a chegada da menstruação: 7 dias antes comece a tomar/suplementar gengibre todos os dias, assim você chegará menos inflamada no período das cólicas. Ômega 3 Ajuda na TPM de forma geral, sobretudo o EPA, por ser anti-inflamatório. Vitex Agnus Castus É o principal fitoterápico no combate à TPM, melhora todos os sintomas e age no equilíbrio hormonal. Também tem vários compostos anti-inflamatórios e antioxidantes. É um suplemento que precisa ser tomado todos os dias. Os estudos mostram uma faixa muito ampla de utilização, de 30–300 mg/dia. Ou seja, a dose precisa ser muito individualizada. Óleo de prímula Potente anti-inflamatório, é uma molécula de Ômega 6 que age de maneira parecida ao Ômega 3. Também pode ser tomado todos os dias, começando 7–14 dias antes do primeiro dia da menstruação, como forma de preparar o corpo. Alimentação As cápsulas podem ajudar muito, mas de nada servem se você não cuidar de sua alimentação. É preciso reduzir a carga glicêmica da dieta: deixar de comer carboidratos simples e diminuir a quantidade de ingestão de carboidratos totais. Não é preciso ser radical, mas você precisa: Incluir fontes de proteína em todas as refeições. Aumentar o consumo de fibras insolúveis (suplementos de fibras, arroz integral, bagaço de fruta, brócolis). Adicionar vegetais crucíferos (couve-flor, nabo, aspargo, espinafre, rabanete, folha de mostarda, couve, agrião, rúcula). Adicionar frutas cítricas (limão, acerola, laranja, abacaxi). Queda de cabelo Seja você homem, mulher, se é gestante, está no pós-parto ou é lactante, tudo o que direi servirá para você. Os hormônios tireoidianos influenciam inúmeros aspectos da saúde, dentre eles, a saúde capilar. Uma boa função da tireoide é essencial para os cabelos. Por isso, cabe a nós avaliarmos criticamente os exames bioquímicos que indicam uma boa função dessa glândula. Aqui eu destaco o TSH. O sintoma de queda de cabelo está, em 90% das vezes, associado ao sintoma de cansaço. Às vezes, a paciente queixa-se apenas do cansaço, pois já se habituou com a quantidade de cabelos que caem. Ou seja, a queda de cabelo é um sinal clínico de que há deficiências que impactam a disposição. Ferro A primeira delas é o baixo estoque de ferro. O ferro é armazenado no nosso organismo como uma proteína chamada ferritina (existem exceções, mas, em geral, quanto maior a ferritina, maior o estoque de ferro). Ele não serve apenas para fazer hemácias e transportar oxigênio, mas tem muitas outras funções no nosso organismo. Com exceção das hemácias, todas as nossas células dependem de ferro para gerar energia. Da mesma forma ocorre com as células do bulbo capilar. Porém, o cabelo não é primordial para nosso organismo, e com baixo de estoque de ferro o seu corpo priorizará a geração de energia para cérebro, coração e músculos, por exemplo. Logo, o cabelo começará a cair e as unhas ficarão quebradiças. Antes do parto, por exemplo, a mulher costuma ficar com os cabelos bonitos, devido aos hormônios nas alturas. Mesmo que ela tenha alguma deficiência, a quantidade grande de hormônios na gestação se sobrepõe a ela. Porém a realidade é que na gestação a demanda de diversos nutrientes aumenta, sobretudo a do ferro. É muito comum que a mulher tenha uma deficiência de ferro nesse período. Já no processo de parto, seja natural ou cesárea, ela perde sangue e o estoque de ferritina cai ainda mais. Uma gestante com 40 ng/ml de ferritina, por exemplo, após o parto terá a ferritina baixíssima, e perderá muito cabelo, além de ter tendência à depressão pós-parto. Para identificar o baixo estoque de ferro, é necessário analisar a ferritina, não o ferro sérico. O valor de referência indicado pelo exame como normal costuma ser de 3 a 300 ng/ml, uma faixa de possibilidades muito grande (de 3 a 300 há uma grande diferença). Estudos já consideram a ferritina abaixo de 50 sinal de deficiência clara de ferro. Em uma live, perguntei às mulheres com queixas de queda de cabelo qual era o resultado do último exame de ferritina feito por elas — os valores eram baixíssimos: 14, 07, 02, 10, 28 Isso não é coincidência! Eu coloco como ideal a ferritina em 70 ng/ml no mínimo. Abaixo disso, entro com suplementação. Mas, atenção! Existe uma faixa de ferritina ótima, fixarei aqui entre 70–150 ng/ml mais ou menos. Acima disso está alta demais e, nesse caso, não se anime: a ferritina sobe também quando há inflamação no nosso organismo, e sem que haja grande estoque de ferro. Para verificar isso, há um exame complementar chamado Índice de Saturação da Transferrina. Portanto, para interpretação dos exames de ferro, o médico precisa olhar os resultados como um todo, cruzar com os dados do paciente, ver sinais de deficiência, para então poder fechar o diagnóstico. Se sua ferritina estiver muito alta e o Índice de Saturação da Transferina estiver baixo, você está inflamado. Se o Índice de Saturação estiver alto (acima de 50%), isso pode indicar, ainda, uma condição genética chamada hemocromatose, quando de fato você está com grande estoque de ferro, e precisa evitá-lo. Fale com seu médico. O valor ideal do Índice de Saturação é entre 30% e 50%. Qual a dose para suplementar ferro? Não existe um protocolo fixo como para a Vitamina D, por exemplo. A suplementação de ferro via oral causa efeitos adversos gastrointestinais, como constipação ou diarreia; associada à Vitamina C, isso pode ser atenuado, mas, para determinar a dose, o que dita é a tolerância do paciente. Há casos, inclusive, em que se pode fazer reposição intravenosa. Tenha em mente que repor ferro não é algo simples, leva tempo e exige acompanhamento. Pode ser que, após investigação, você saiba que seu estoque de ferro está bom e mesmo assim tenha queda de cabelos. Além do ferro, existe uma suplementação extra que podemos usar para essa queixa: Selênio É um mineral antioxidante. Uma dieta carente de Selênio é associada tanto à perda de cabelos quanto de pigmentação e à quebra de unhas. O valor apontado no exame deve estar sempre mais próximo de 100 mcg/L. É bastante fácil suplementar Selênio através da alimentação, basta aumentar a ingestão de carnes, frutos do mar e oleaginosas. De 2/3 castanhas do Pará ao dia garantem uma suplementação perfeitíssima. Funciona muito bem.20 Junto à nutricionista infantil de minha equipe, suplemento Selênio até mesmo em crianças, já que está muito relacionado à imunidade. É muito comum que os exames apontem deficiência, tanto nelas quanto nos adultos. Zinco Mineral importantíssimo, sua deficiência corrigida pela suplementação demonstra grande efeito para queda e crescimento dos cabelos, unhas e imunidade. Valores sanguíneos abaixo de 90 ug/dl já podem indicar necessidade de suplementação. Vejo muitas pessoas hoje tomando Zinco em altas doses, mas é preciso ter cuidado: aumentar muito o Zinco prejudica a absorção de Cobre. Por isso, doses de até 20 mg são seguras e úteis. Se houver necessidade de suplementar valores maiores (a partir de 25 mg) é preciso associar ao Cobre (1–2 mg), pois ele é importantíssimo para outras funções, comoprodução de dopamina para o humor.21 Vitamina A Antioxidante que traz benefícios para pele e ressecamento. No consultório, vejo deficiência ou valores limítrofes de Vitamina A com certa frequência. Indiretamente pode auxiliar na saúde capilar. Doses de 1.000 UI são seguras e úteis. O excesso pode causar efeitos adversos, incluindo queda de cabelo. Portanto, cuidado na utilização de doses maiores. Vitamina E Também é um antioxidante que aparece baixo frequentemente nos exames de meus pacientes. Há estudos demonstrando benefícios de sua suplementação para crescimento de cabelo em ambos os sexos. Doses de 100 UI são seguras e úteis. Reforço que para suplementar Ferro, Selênio, Zinco, Vitamina A e Vitamina E é preciso realizar alguns exames e bem interpretá-los, com a ajuda de um médico. Existem também algumas vitaminas que não serão medidas em exames, mas suplementadas para que o organismo as tenha realmente em maior quantidade, o que pode trazer benefícios. São as vitaminas do Complexo B, que apresento abaixo. Biotina Vitamina B7. É parte estrutural dos fios de cabelo. Doses de 30–60 mcg são seguras e úteis. Doses maiores (até 5.000 mcg ou 5 mg) não são consideradas tóxicas e podem ser utilizadas pelo médico ou nutricionista (grávidas e lactantes não podem ultrapassar os 60 mcg). Riboflavina É a Vitamina B2. Sua deficiência é bastante relacionada à queda. Não há uma dose considerada tóxica. Doses de no mínimo 1,6 mg são recomendadas. Doses maiores podem ser utilizadas de acordo com critério médico. Ácido Pantotênico A utilização da Vitamina B5 é frequentemente justificada por relatos anedóticos. Doses de no mínimo 7 mg são utilizadas, embora doses maiores (como de 100mg) sejam frequentemente prescritas e consideradas seguras. Podemos citar ainda a Niacina, o Cobre, a própria Vitamina B12 (Metilcolabamina), a B6 e a B9 (Ácido Fólico, Metilfolato), cuja deficiência causa principalmente cabelos brancos. Além disso, é fundamental avaliar a função da tireoide, sobre a qual falarei em seguida. Função da tireoide (TSH) Os hormônios tireoidianos influenciam em inúmeros aspectos da saúde, dentre eles a saúde capilar. Uma boa função da tireoide é essencial inclusive para a beleza: se seus cabelos estão caindo, se estão ressecados, se você está se sentindo cansada, avalie sua tireoide e os anticorpos contra a tireoide.22 Por isso, cabe a nós avaliarmos criticamente os exames bioquímicos que indicam uma boa função dessa glândula. Aqui eu destaco o TSH. O TSH é um hormônio produzido na hipófise, que tem por função estimular a atividade da tireoide. Quando o TSH aumenta, há um sinal de que a tireoide está precisando de maior estimulação para funcionar adequadamente. Uma tireoide que precisa de maiores estímulos para funcionar pode estar deixando a desejar. Em outras palavras, é possível que ela não esteja bem. Então, vamos lá. Pegue seu exame. Se o TSH estiver maior que 2,5 mU/L, consideraremos que sua tireoide está precisando de ajuda! Ela deve ficar por volta de 2; se estiver abaixo disso, melhor. Caso ultrapasse esse valor, você fará as seguintes modificações dietéticas: exclusão de vegetais crucíferos (também conhecidos como brássicas) e aumento de ingestão de Selênio. Esses vegetais dificultam a função da tireoide, enquanto o Selênio a ajuda. Exemplos de vegetais crucíferos: brócolis, couve-flor, rabanete, nabo, aspargo, espinafre mostarda, rúcula, agrião. Selênio: suplementar Selênio quelado (200 mcg/ dia) ou ingerir de 2–3 castanhas do Pará por dia. Para o hipotireoidismo, a baixa de T3 e T4, com TSH alto, são indicativos claros. Mas há ainda uma outra condição: o hipotireoidismo subclínico, que é quando temos o TSH dentro dos valores de referência, mas muito limítrofes ao valor máximo. Nesse caso, não há justificativa para começar uma reposição se considerarmos a não comprovação clínica de exame laboratorial para fechar um diagnóstico mas o paciente possui os sintomas. Se você tem hipotireoidismo subclínico é essencial suplementar Selênio, deixar a Vitamina D muito boa, descartar deficiência de Vit. A e melhorar a ferritina. Creatina e depressão em mulheres Já falamos sobre a creatina anteriormente: trata-se de uma molécula produzida a partir de aminoácidos, que possui um relevante papel na produção de energia, particularmente em exercícios de alta intensidade e curta duração. Vimos que o principal benefício da suplementação de creatina é a melhora na produção de energia, força e potência durante o exercício resistido. Mas, curiosamente, algumas pesquisas que foram feitas apontaram também para a utilidade da creatina no tratamento da depressão em mulheres. Evidências pré-clínicas em modelos animais de depressão demonstram potenciais antidepressivos da creatina em roedores fêmeas. De fato, alterações no metabolismo cerebral associadas à depressão são mais comuns em mulheres do que em homens, sugerindo que a suplementação de creatina pode ser mais benéfica no sexo feminino. Com base nessas descobertas preliminares, em outro estudo, com 52 mulheres, foi testada a eficácia da creatina (3–5 g/dia) como adjuvante do tratamento medicamentoso do transtorno depressivo maior (que tinha prescrição de Escitalopram). Os resultados demonstram que as pacientes que receberam creatina apresentaram mais melhorias nos escores de depressão já na semana 2 de tratamento, o que se manteve nas semanas 4 e 8. Outros estudos já haviam demonstrado que a suplementação de creatina aumenta os níveis cerebrais de creatina, produzindo melhoras na geração de energia pelo sistema nervoso. Esse estudo oferece evidências de que a suplementação de creatina tem um efeito benéfico na depressão em mulheres e pode sensibilizar o cérebro ao tratamento antidepressivo. Ainda, os resultados demonstram que a melhora da bioenergética cerebral parece ser importante para aumentar a eficácia terapêutica na depressão. U LIBIDO E TESTOSTERONA ma queixa muito recorrente no consultório é a de baixa libido. A quantidade de homens com baixa testosterona é algo inacreditável. Um estudo de 2007 indicou que “um em cada quatro homens com mais de 30 anos tem baixos níveis de testosterona”. Além de sintomas na função sexual (como falta de ereção matinal, baixo desejo sexual e disfunção erétil), sintomas relacionados ao humor e bem- estar são associados a baixas concentrações desse hormônio. Incapacidade de realizar atividades vigorosas, depressão e fadiga são alguns deles. O estresse pode ser um dos fatores para isso. O cortisol, o “hormônio do estresse”, é antagônico à testosterona. Tudo o que a testosterona faz, o cortisol desfaz. Por exemplo: a testosterona faz você ganhar massa magra, o cortisol faz perder; ela faz você queimar gordura, o cortisol faz ganhar gordura; ela aumenta a libido, o cortisol diminui. O próprio cortisol influencia o organismo a produzir menos testosterona. Então é óbvio: uma pessoa estressada e ansiosa terá menos libido. Muitas vezes, na consulta, as pessoas querem uma solução única para a falta de libido. Mas não existe fórmula mágica. É preciso entender o que é a libido. A suplementação voltada para a libido age sobretudo numa área muito específica do ser humano, a capacidade de se deleitar. Quando você vê ou come uma torta de limão, por exemplo, o normal é se deliciar com aquilo. Quem não gosta de um doce, uma comida bem-feita, uma coxinha, um risoto, um vinho...? Isso é normal. Eu me preocuparia se você chegasse na consulta e dissesse que não tem vontade de comer nada. A capacidade de se deleitar nos bens sensíveis arquetipicamente está associada a Vênus (Afrodite), ao que é belo, enche o peito, ao que é capaz de conferir gozo, que afeta nossos sentidos — como uma obra de arte, uma paisagem bonita, uma boa música, um carinho. Essa capacidade está hoje, na maioria das vezes, superestimulada em nós. Em geral somos mimados, só queremos nos deleitar no que é prazeroso. E, de certa forma, é nessa capacidade que a suplementação age. Se a sua capacidade de se deleitar está aumentada, e é provávelque esteja, a suplementação pode não ser para você. A suplementação servirá, por exemplo, para quem está na menopausa; para lactantes; para quem tem depressão ou ansiedade e está tomando algum inibidor de receptação de serotonina; para quem desenvolveu uma disfunção sexual induzida pelos antidepressivos (ou até pelo próprio processo depressivo/ansioso). Uma pessoa com depressão não tem prazer em nada, ela pode inclusive não conseguir comer nem se relacionar. Nesses casos a capacidade de ter prazer, de chegar ao orgasmo, de lubrificação no caso das mulheres e de função erétil nos homens, baixa muito. A suplementação pode ajudar na melhora da libido? Sim. Sobretudo nesses casos. Daí a importância de conhecer bem os suplementos, saber para que servem e se podem ser para você. Ashwagandha É uma erva usada no Ayurveda, a medicina tradicional da Índia. Sua raiz tem um cheiro de cavalo (em sânscrito, ashva significa “cavalo” e gandha significa “cheiro”) — diz-se conferir a força e a virilidade do animal. A Ashwagandha reduz significativamente os sintomas do estresse e suas comorbidades, como baixa libido e testosterona. Melhora de parâmetros seminais já foram descritos em homens após sua suplementação. Ela já foi testada em pacientes que fazem uso de antidepressivos e demonstrou aumentar a capacidade de ter orgasmo e a lubrificação nas mulheres. Doses de 125–600 mg são úteis. Há possibilidade de alteração da função hepática e toxicidade. Recomendo acompanhamento médico. Maca-Peruana Assemelha-se a um nabo e tem sido historicamente cultivada no Peru. Como suplemento, tende a se transformar em um pó seco que é então misturado a smoothies e outras bebidas. É tradicionalmente usado como afrodisíaco, e algumas pesquisas sugerem que pode aumentar notavelmente a libido. A dose padrão para Maca é 500–3.000 mg. Mulheres com mioma uterino ou nódulo mamário não podem usá-la. Tribulus Terrestris É outra erva usada no Ayurveda. É recomendada principalmente para a saúde masculina, incluindo virilidade e vitalidade, e especificamente mais voltada para a saúde cardiovascular e urogenital. É um suplemento conhecido por suas propriedades de aumento da libido e supostas propriedades de aumento da testosterona. Exerce efeitos positivos na função erétil, assim como a Maca-Peruana. Há um estudo recente mostrando que pode aumentar a testosterona livre na menopausa. Doses de 750 mg são úteis. Feno-Grego É uma erva popular nas regiões árabes e na Índia. É tradicionalmente usado para aumentar a libido e a produção de leite. A suplementação de Feno-Grego pode causar mudanças nas secreções corporais, incluindo urina, com cheiro de xarope de bordo. Doses de 500–1.000 mg são consideradas úteis e seguras. Suplementação para lactantes23 A queda de libido é um dos sintomas comuns no puerpério devido a fatores hormonais, estresse, privação de sono e questões de cunho psicológico. Há, nesse período, o aumento da prolactina, que vai inibir a capacidade de chegar ao orgasmo e, inclusive, a fertilidade. Do ponto de vista da suplementação, é possível utilizar 2 fitoterápicos que são considerados seguros para lactantes: o Feno-Grego, (classicamente utilizado para a produção de leite) e a Maca-Peruana (ver p. 115). Recomendo acompanhamento médico e a liberação do pediatra Testosterona no homem Já mencionei que a suplementação que visa melhorar a libido age, na verdade, em nossa capacidade de nos deleitarmos. A libido em si não está relacionada a essa capacidade. Ela não é classicamente associada a Vênus. A libido é classicamente associada a Marte. Busque uma imagem de Marte (Ares), o deus da guerra, e você verá um homem em prontidão, com uma arma na mão — uma figura pronta para o ataque, para agir fora de si, para avançar, ir em frente. Falando em temperamentos, Vênus seria de características mais fleumáticas: mais complacente, mais feminino, uma maior capacidade de ser mais passivo. Já Marte remete ao incisivo, ao agudo, ao masculino, características intimamente relacionadas à testosterona. A testosterona é crítica no comportamento e reprodução sexual masculina, além de também ter importantes efeitos benéficos na massa e na força muscular, adiposidade, densidade óssea, vigor e bem-estar. Defendo que os homens precisam dosar a testosterona muito mais do que as mulheres. A dosagem nelas é inócua, sensível, útil apenas para diagnosticar SOP (Síndrome do Ovário Policístico). A testosterona cai no homem principalmente pelos seguintes motivos:24 1. Excesso de gordura corporal, sobretudo na vigência de alta insulina, converte, via enzima aromatase, a testosterona em estrogênio (hormônio feminino). 2. Falta de sono (quatro dias de cinco horas de sono já causam grande alteração). 3. Estresse (devido ao cortisol). Se associado a isso o homem tiver determinadas deficiências nutricionais, o quadro piora. É preciso garantir principalmente o estoque de Vitamina D, Vitamina E e Zinco (cuja deficiência prejudica até mesmo a fertilidade). A suplementação de Magnésio também parece influenciar a dosagem de testosterona livre. Qual o valor ideal da testosterona para os homens? A maioria dos consensos falam acima de 300, indo até 350 ng/dl. Na prática clínica já vi homens com 345 queixando-se de sintomas depressivos, oscilações de humor, ansiedade e falta de libido que, no segundo dia de medicação, melhoraram significativamente. Vitamina D25 O sistema reprodutivo masculino já foi identificado como um tecido alvo da Vitamina D, enquanto dados sugerem a existência de uma relação entre as concentrações dessa vitamina e os níveis de testosterona nos homens. Por isso, um estudo teve por objetivo avaliar se sua suplementação poderia influenciar a testosterona em homens. Homens com excesso de peso e deficiência de Vitamina D receberam 83 μg (3.332 UI) de Vitamina D diariamente, por 1 ano. As concentrações sanguíneas inicias da vitamina estavam na faixa de deficiência (13 ng/ml) e os valores de testosterona estavam na extremidade inferior dos valores de referência (308 ng/dl). As concentrações médias de Vitamina D no sangue aumentaram para 34,6 ng/ mL após a suplementação. No que diz respeito à testosterona, um aumento de 25% na concentração total e 22% na fração livre foram encontrados. Por outro lado, não houve alteração significativa em nenhuma medida de testosterona no grupo placebo. Os resultados sugerem que a suplementação de Vitamina D pode aumentar os níveis de testosterona, ao menos em indivíduos com deficiência dessa vitamina. TESTOSTERONA E PRIVAÇÃO DE SONO A maior parte da liberação diária de testosterona nos homens ocorre durante o sono. Por isso, um estudo investigou o efeito de uma semana de restrição do sono nos níveis de testosterona em homens jovens e saudáveis. Em laboratório, após 3 noites de 10 horas de sono seguidas, os homens tiveram seu sono restrito por 8 dias, tendo apenas 5 horas para dormir. Durante as horas de vigília, os níveis de testosterona eram mais baixos após a restrição do sono do que na condição de sono preservado (cerca de 10–15% menor). Ainda, esse declínio de testosterona foi associado a menores escores de vigor. Os resultados vão ao encontro de outros estudos que demonstram que a fragmentação e a apneia obstrutiva do sono estão associadas a níveis reduzidos de testosterona. Não somos bichos! É preciso levar em conta que existem outros componentes que influenciam a libido. A pornografia e a masturbação por exemplo estão destruindo a capacidade dos homens de se colocar, de se impor, de sair de si para ir em busca do outro. Existem muitos casos de homens que consomem pornografia e praticam masturbação e estão com problemas em suas vidas conjugais. Isso mostra que não é a capacidade de se deleitar que está deficiente, mas a capacidade de sair de si e ir em busca do outro. A testosterona faz o meio campo material, fisiológico, biológico dessa busca, mas não é suficiente: é preciso a decisão de se colocar em direção ao outro, colocar-se a serviço do outro. A Maca-Peruana não resolve coisascomo o egoísmo. A nutrição sozinha não funciona, porque não somos bichos! A CONSIDERAÇÕES FINAIS este ponto você já se deu conta de como a suplementação pode garantir o bom funcionamento do nosso organismo e auxiliar a tratar a causa de diversos sintomas, melhorando a qualidade de vida de forma considerável. Mas garantir que nosso corpo funcione em sua plenitude é mais complexo do que simplesmente fazer alguns exames, julgar seus resultados pelos valores de referência que os laboratórios indicam, ir à farmácia comprar alguns suplementos sobre os quais ouviu falar e tomá-los. Os suplementos são muitos e suas possibilidades de uso também. Existem requisitos e contraindicações. Mas também existem informações técnicas e recomendações simples que podem auxiliar, em muito, suas atitudes, sua comunicação com o médico e as condutas que você adotará em relação à sua saúde. Espero que este Mínimo o ajude de forma prática a ter uma vida mais plena e saudável. Consulte-o quando necessário, utilizando o índice para localizar suplementos e diagnósticos. Faça seus exames. Converse com seu médico. Implemente os ajustes necessários. Suplementar funciona! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Kongkeaw, C., et al. “Meta-analysis of randomized controlled trials on cognitive effects of Bacopa monnieri extract”. J. Ethnopharmacol. 2014;151(1):528–35. DOI: 10.1016/j.jep.2013.11.008. Epub 16 nov., 2013. PMID: 24252493. Lyoo, I. K. “A randomized, double-blind placebo-controlled trial of oral creatine monohydrate augmentation for enhanced response to a selective serotonin reuptake inhibitor in women with major depressive disorder”. Am. J. Psychiatry. 2012;169(9):937– 945. Avgerinos, K. I., et al. “Effects of creatine supplementation on cognitive function of healthy individuals: A systematic review of randomized controlled trials”. Exp. Gerontol. 2018;108:166–173. DOI:10.1016/j.exger.2018.04.013. Schoenthaler, S. J., et al. The Effect of Randomized Vitamin-Mineral Supplementation on Violent and Non-violent Antisocial Behavior Among Incarcerated Juveniles. 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JAMA Netw. Open. 2018 Sep; 1(5): e182327. Gilbert, N. The science of tea’s mood-altering magic. Nature Outlook: Tea. 2019. Mancini, E. Green tea effects on cognition, mood and human brain function: A systematic review. Phytomedicine. 2017. Kimura, K., et al. L-Theanine reduces psychological and physiological stress responses. Biol. Psychol. 2007 Jan;74(1):39–45. Akhondzadeh, S., et al. Passionflower in the treatment of generalized anxiety: a pilot double-blind randomized controlled trial with oxazepam. J. Clin. Pham. Ther. 2001 Out;26(5):363–7. DOI: 10.1046/j.1365-2710.2001.00367.x. PMID: 11679026. Movafegh, A., et al. Preoperative oral Passiflora incarnata reduces anxiety in ambulatory surgery patients: a double-blind, placebo-controlled study. Anesth. Analg. 2008 Jun;106(6):1728–32. DOI: 10.1213/ane.0b013e318172c3f9. PMID: 18499602. Aslanargun, P. et al. Passiflora incarnata Linneaus as an anxiolytic before spinal anesthesia. J. Anesth. 2012 Feb;26(1):39-44. DOI: 10.1007/s00540-011-1265–6. Epub 2011 Nov 3. PMID: 22048283. Biswajit, Auddy, et al. A Standardized Withania Somnifera Extract Significantly Reduces Stress-Related Parameters in Chronically Stressed Humans: A Double-Blind, Randomized, Placebo-Controlled Study. The Journal of the American Nutraceutical Association. Vol. 11, No. 1, 2008 Jahanbakhsh, S. P. et al. Evaluation of the efficacy of Withania somnifera (Ashwagandha) root extract in patients with obsessive-compulsive disorder: A randomized double-blind placebo-controlled trial. Complement Ther. Med. 2016 Ago;27:25–9. De Oliveira, I. J.. Effects of Oral Vitamin C Supplementation on Anxiety in Students: A Double-Blind, Randomized, Placebo-Controlled Trial. Pak. J. Biol. Sci. 2015 Pilz, S., et al. Effect of vitamin D supplementation on testosterone levels in men. Horm Metab Res. 2011 Mar;43(3):223–5. Leproult, R.; Van Cauter, E. Effect of 1 week of sleep restriction on testosterone levels in young healthy men. JAMA. 2011 Jun 1;305(21):2173–4. DOI: 10.1001/jama.2011.710. ÍNDICE A ANSIEDADE 5, 8, 11, 32, 45, 53–55, 58, 59, 62–67, 69–75, 77, 81, 87, 113, 120, 140 APRENDIZADO 53-54 ASHWAGANDHA 65–67, 73–75, 114, 134 B BACOPA MONNIERI 52, 54, 130 BURNOUT 55 C CÁLCIO 26, 90 CAMELLIA SINENSIS 68 COENZIMA 37–39 CONCENTRAÇÃO, FOCO 8, 31, 48, 51, 58, 63, 66 CREATINA 56–58, 106–8, 130 D DEPRESSÃO, SINTOMAS DEPRESSIVOS 8, 11, 25, 27, 32, 48, 51, 53, 54, 62, 63, 65, 67, 69, 71–73, 75, 77, 81, 83, 84, 87, 96, 106–8, 110, 113, 119, 120, 130 DISFUNÇÃO ERÉTIL 110, 113, 116 DOENÇA DE PARKINSON 71 D-RIBOSE 39, 40 E ENDOMETRIOSE 51 ENXAQUECA 32, 36, 37, 82, 89, 91 ESCLEROSE MÚLTIPLA 37, 38 ESTRESSE 11, 45, 55, 57, 62, 63, 66, 67, 73, 87, 110, 111, 114, 116, 119 ESTROGÊNIO 85, 86, 88, 89, 119 F FADIGA, CANSAÇO 8, 16, 17, 19–21, 23, 25, 27, 28, 30–33, 35–37, 39, 41, 43–45, 48, 55–57, 60, 66, 82, 89, 90, 94, 110 FENO-GREGO 116, 117 FERRO (FERRITINA) 12, 24, 29–32, 36, 45, 87, 95–99, 102, 106 FIBROMIALGIA 32, 37–39 FLACIDEZ 8, 16, 19, 20 G GENGIBRE 91 H HASHIMOTO 51 HIPOTIREOIDISMO 106 I INSÔNIA 23, 32, 36, 66–68, 82 L LIBIDO 5, 8, 12, 86, 110, 111, 113–17, 119–21, 123 L-TEANINA 58, 59, 62, 63, 70, 133 M MACA-PERUANA 115–17, 124 MAGNÉSIO 32, 34–36, 51, 67, 68, 88, 89, 119 MEMÓRIA 31, 48, 51–54, 57, 69 MULTIVITAMÍNICO 43–45 O ÓLEO DE PRÍMULA 83, 92 ÔMEGA 3 48–51, 70–72, 91, 92 P PASSIFLORA INCARNATA 58, 64, 65, 133 Q QUEDA DE CABELO 8, 32, 94, 96, 99, 100, 103, 104 R RESISTÊNCIA À INSULINA 51 RHODIOLA ROSEA 54–56 S SELÊNIO 99, 100, 102, 105, 106 T TAG (TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA) 64 TCM (MCT) 40, 41, 59, 60 TDAH (TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE) 43 TESTOSTERONA 5, 12, 86, 110, 111, 113–21, 123 TOC (TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO) 73–75 TPM (TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL) 8, 32, 80, 81, 83–89, 91, 92 TRIBULUS TERRESTRIS 115 TRIGLICÉRIDES 40, 41, 51 TSH (HORMÔNIO TIREOESTIMULANTE) 94, 104–6 U UNHAS FRACAS 8, 30, 96, 99, 100 V VITAMINA A 101, 102 VITAMINA B1 (TIAMINA) 91 VITAMINA B12 (METILCOBALAMINA) 12, 24, 27–29, 36, 45, 103 VITAMINA B2 (RIBOFLAVINA) 103 VITAMINA B3 (NIACINA) 103 VITAMINA B5 (ÁCIDO PANTOTÊNICO) 103 VITAMINA B6 (ÁCIDO FÓLICO) 80, 81, 88, 89, 103 VITAMINA B7 (BIOTINA) 102 VITAMINA B9 (METILFOLATO) 103 VITAMINA C 72, 73, 98 VITAMINA D 9, 12, 24–26, 36, 98, 106, 119–21 VITAMINA E 88, 90, 101, 102, 119, 120 VITEX AGNUS CASTUS 92 Z ZINCO 100–102, 119, 120 NOTAS DE RODAPÉ 1 @rennan.caminhotto. 2 Você pode ter deficiência ou inadequação de determinado nutriente, por exemplo. É por isso que é necessário interpretar o exame. Muitas vezes, o resultado do exame está dentro dos valores de referência, porém com um valor inadequado. Ou seja, levando em conta demais exames e queixas clínicas, o fato de estar dentro do valor de referência não diz nada. 3 ATENÇÃO! GESTANTES E LACTANTES, atenham-seao primeiro capítulo e às informações especificas para vocês no cap. 4. Os demais nutrientes são, em sua maioria, contraindicados neste momento. Consulte seu médico. 4 O médico precisa cruzar diversos dados e informações para fazer a melhor indicação para você. É preciso investigar as suas deficiências; além disso, o período de suplementação precisa ser observado: a suplementação com Vitamina D, por exemplo, exige que se repita os exames a cada 2–3 meses para confirmar a resolução da deficiência — os valores podem não aumentar, sobretudo Ferro e B12. Depois de aumentados, a dose de manutenção é definida pessoa a pessoa. 5 Todo fitoterápico pode causar efeitos adversos e exige acompanhamento por exames, especialmente da saúde do fígado. 6 A OMS preconiza pelo menos 0,8 g de proteína por peso corporal. O valor é baixíssimo, ele considera apenas o limite para desnutrição. 7 Esse aumento de demanda ocorre devido à produção de leite (o alimento que fornecerá as proteínas necessárias para o desenvolvimento do bebê). Caso a mãe não consuma as quantidades adequadas de proteína, a não ser em casos extremos de desnutrição, o leite não perderá a sua qualidade. Ocorrerá um processo em que o organismo materno perderá massa muscular, a fim de priorizar a produção de leite. O resultado dessa conta é óbvio: perda de músculos, aumento de flacidez e de cansaço, por diminuição da capacidade de realização de trabalho físico. A solução para esse problema é simples: a mãe deve alcançar a sua meta de ingestão de proteínas. 8 A prescrição somente de banhos de sol não é suficiente, de acordo com a própria Sociedade Brasileira de Endocrinologia. 9 As descobertas valem também para homens. Os estudos são realizados mais comumente em mulheres pois elas perdem mais ferro, devido à menstruação. 10 Os valores sempre indicam a quantidade de Magnésio na tabela nutricional, e não o peso das cápsulas (junção do composto). 11 Isto é, quando sua mitocôndria, ou melhor, a organela (centro de energia de sua célula) não está funcionando bem. 12 Remédio para colesterol que pode causar dor muscular ou até perda de massa. É comum a CoQ10 ser receitada pelos cardiologistas junto à Estatina. 13 Falo um pouco mais detalhadamente sobre isso em: https://www.instagram.com/p/Cq9OfdRpdnU/? utm_source=ig_web_copy_link&igshid=MzRlODBiNWFlZA==. 14 Ver “Vitaminas e comportamento antissocial” na p. 13, e “TDAH, suplementos e terremotos”, na p. 75. 15 Vitafor, Doctor’s First, Essential são exemplos de boas marcas disponíveis no mercado brasileiro. Procure um Ômega 3 que tenham o selo IFO ou MEG-3. 16 Isto é, da resposta de luta ou fuga. 17 Em medidas de: estresse, ansiedade, fadiga, rubor, transpiração, perda de apetite, dor de cabeça, dores musculares, sentimentos de desgraça iminente, palpitações e boca seca, insônia, esquecimento, irritabilidade e incapacidade de concentração. 18 https://www.youtube.com/watch?v=mxUWK_9z3fk. 19 Ainda que seja preciso avaliar bem sua necessidade e as alternativas que a suplementação pode oferecer para auxiliar. 20 Para suplementação, 70 mcg garantem a necessidade das lactantes. Entretanto, doses maiores (200 mcg/dia) são seguras e úteis 21 Pacientes bariátricos que suplementam acima de 15 mg de Zinco já precisam associar o Cobre. 22 Assim, será descartado qualquer tipo de doença autoimune. Por mais que T3, T4 e TSH estejam adequados, se os anticorpos estiverem alterados, pode ser um sinal de disfunção tireoidiana. 23 No caso das gestantes, elas não podem tomar nada. A recomendação nesses casos é cuidar da saúde e necessidade de suplementação do marido. 24 Os sintomas de baixa testosterona são muito parecidos com os sintomas de depressão (dormir pouco, por ex.). Um psiquiatra que se preze nunca irá receitar um antidepressivo a um homem antes de dosar sua testosterona. 25 Sobre Vitamina E e Zinco ver pp. 100– 102. Introdução Cansaço Cognição Depresão e ansiedade Saúde da mulher Libido e testosterona Considerações finais Referências bibliográficas Índice Notas de Rodapé