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Aula 03 Direito Administrativo p/ TRE-SP (Analista Judiciário - Área Judiciária) Professor: Herbert Almeida Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 91 AULA 3: Organização administrativa (parte 2) SUMÁRIO EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA ............................................................................ 2 CONCEITO .............................................................................................................................................................. 2 CRIAÇÃO E EXTINÇÃO ................................................................................................................................................ 4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ...................................................................................................................................... 5 REGIME JURÍDICO .................................................................................................................................................... 9 BENS ................................................................................................................................................................... 13 FALÊNCIA ............................................................................................................................................................. 14 PRESCRIÇÃO ......................................................................................................................................................... 15 DIFERENÇAS ENTRE EP E SEM ................................................................................................................................. 15 FUNDAÇÕES PÚBLICAS.................................................................................................................................... 23 CONCEITO ............................................................................................................................................................ 23 NATUREZA JURÍDICA ............................................................................................................................................... 24 CRIAÇÃO E EXTINÇÃO .............................................................................................................................................. 26 ATIVIDADE ........................................................................................................................................................... 27 REGIME JURÍDICO .................................................................................................................................................. 29 PATRIMÔNIO ........................................................................................................................................................ 30 LICITAÇÕES E CONTRATOS ........................................................................................................................................ 31 REGIME DE PESSOAL ............................................................................................................................................... 31 FORO COMPETENTE ................................................................................................................................................ 32 CONTROLE DO MINISTÉRIO PÚBLICO ......................................................................................................................... 33 ENTIDADES PARAESTATAIS E O TERCEIRO SETOR............................................................................................ 34 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS................................................................................................................................ 37 ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS) .................................................................................................................................. 40 ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP) ................................................................................ 54 DIFERENÇAS ENTRE OS E OSCIP ................................................................................................................................ 59 ENTIDADES DE APOIO ............................................................................................................................................. 61 QUESTÕES FCC ................................................................................................................................................ 65 QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ................................................................................................................ 80 GABARITO ....................................................................................................................................................... 90 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 91 Olá pessoal, tudo bem? Na aula de hoje vamos estudar a segunda parte das organizações administrativas, que comporta as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as fundações públicas. Além disso, conversaremos também sobre o terceiro setor e as entidades paraestatais. Vamos à aula, aproveitem! 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 91 EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA Conceito As empresas estatais dividem-se em empresas públicas e sociedades de economia mista. As duas são entidades administrativas, integram a administração indireta, possuem personalidade jurídica de direito privado, têm sua criação autorizada em lei e podem ser criadas para explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos. Vejamos a definição de cada uma dessas entidades nos ensinamentos de José dos Santos Carvalho Filho1: Empresa pública (EP): さsão pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua finalidade, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicosざく São exemplos de empresas públicas federais a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos に EBCT; a Caixa Econômica Federal に CEF; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social に BNDES; o Serviço Federal de Processamento de Dados に Serpro; e muitas outras. Sociedade de economia mista (SEM): さsão pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo controle acionário pertença ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a prestação de serviços públicosざく Como exemplos, podemos mencionar o Banco do Brasil S.A.; o Banco da Amazônia; a Petróleo Brasileiro S.A. に Petrobrás. 1 Carvalho Filho, 2014, p. 500. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 91 Das definições acima, é possível confirmar como há muito mais semelhanças do que diferenças entre essas entidades administrativas. Maria Sylvia Zanella Di Pietro cita como traços comuns àsempresas públicas e sociedades de economia mista: a) a criação e extinção autorizadas por lei; b) personalidade jurídica de direito privado; c) sujeição ao controle estatal; d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público; e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora; f) desempenho de atividade de natureza econômica. Vamos ver algumas questões! 1. (Cespe – AJ/TRT-ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa pública. Comentário: a Petrobrás, ou Petróleo Brasileiro S.A., é um exemplo de sociedade de economia mista, eis o erro do item. Mostramos acima alguns exemplos de SEMs e EPs, é importante fazer uma boa leitura, pois um item como este pode se repetir na prova. Gabarito: errado. 2. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito privado, derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público e desempenho de atividade de natureza econômica. Comentário: a questão tomou por base os ensinamentos da professora Maria Di Pietro. De acordo com a autora, são características comuns das empresas públicas e sociedades de economia mista: a) criação e extinção autorizadas por lei; b) personalidade jurídica de direito privado; c) sujeição ao controle estatal; d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público; e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora; f) desempenho de atividade de natureza econômica. A derrogação parcial do regime de direito privado significa que algumas dessas regras são substituídas por normas de direito público, ou seja, as EPs 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 91 e SEMs não se submetem exclusivamente ao regime jurídico de direito privado. Quanto ao último item – desempenho de atividade de natureza econômica – devemos saber que essa é a regra geral e, portanto, é uma característica comum dessas entidades. Logo, o item está correto. Porém, podemos adicionar a prestação de serviços públicos, que também é uma atividade realizadas pelas empresas estatais. Gabarito: correto. Criação e extinção Nos termos do inc. XIX, art. 37, da CF/88, a instituição de empresa pública e de sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei específica. Após a edição da lei autorizativa, será elaborado o ato constitutivo, cujo registro no órgão competente significará o início da personalidade jurídica da entidade. Assim, as empresas públicas e sociedades de economia mista nascem, efetivamente, após o registro de seu ato constitutivo no órgão competente. Com efeito, conforme estabelece a Constituição, a lei deverá ser específica. Não significa que a lei deverá tratar tão somente da criação da EP e da SEM, mas sim que o assunto (matéria) da lei deverá ser relacionado com as competências da nova entidade. Assim, não poderá uma lei abordar um assunto e, de forma genérica, autorizar a criação de uma empresa pública. Deverá a norma, isso sim, tratar da matéria relacionada com a empresa, disciplinando a sua finalidade, estabelecendo diretrizes, competências, estrutura, etc. Após a edição da lei, será elaborado o ato constitutivo, que, em geral, é feito por meio de decreto. Segundo Alexandrino e Paulo, utiliza-se o decreto para dar publicidade ao estatuto, no entanto, a criação efetiva da entidade só ocorrerá no momento do registro do órgão competente, e não na data de publicação do decreto. A extinção das EP e das SEM segue a mesma regra. Para tanto, deverá ser editada lei específica autorizando a extinção da entidade. Assim, o Poder Executivo não poderá dar fim às EPs e SEMs por ato de sua competência exclusiva, reclamando a autorização do Poder Legislativo. Vamos resolver algumas questões. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 91 3. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia mista pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo conteúdo específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública. Comentário: a criação de SEM e de EP deve ser autorizada por lei específica. Dessa forma, a autorização não poderá ser feita de forma genérica, conforme consta na questão. Por isso, o item está errado. Gabarito: errado. 4. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta, as empresas públicas são criadas por autorização legal para que o governo exerça atividades de caráter econômico ou preste serviços públicos. Comentário: o trecho criadas “por autorização legal” costuma causar um pouco de confusão. No entanto, o item está informando que a criação da empresa pública necessidade de autorização legal, o que é verdade. Além disso, o item se assemelha ao conceito proposto por José dos Santos Carvalho Filho, vejamos: Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua finalidade, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicos. (grifos nossos) Dessa forma, podemos concluir com tranquilidade que a questão está correta. Gabarito: correto. 5. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública. Comentário: para extinguir uma empresa pública, o Poder Executivo dependerá autorização legislativa específica. Logo, jamais poderá fazê-lo por ato de sua exclusiva competência. Gabarito: correto. Atividades desenvolvidas De forma simples, as empresas públicas e sociedades de economia mista podem desenvolver dois tipos de atividade: 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 91 a) explorar atividade econômica; b) prestar serviço público. A regra geral é que as empresas públicas e as sociedades de economia mista sejam criadas para atuar na exploração de atividades econômicas em sentido estrito. Contudo, a atuação do Estado na exploração direta da atividade econômica só é admitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo (CF. art. 173, caput). Nesse contexto, o §1º, do art. 173, da CF dispôs que a “lei” estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (a) sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; (b) a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (c) licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da administração pública; (d) a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários; (e) os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores. O mencionado “estatuto jurídico” das EPs e SEMs não foi editado até hoje. Contudo, algumas regras já estão claras na Constituição e, portanto, merecem destaque. Nesse ponto,as empresas estatais (e suas subsidiárias) que atuarem na exploração de atividade econômica devem se sujeitar ao regime próprio das empresas privadas, inclusive no que se refere às obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. O objetivo dessa regra é evitar que as entidades estatais usufruam de benefícios não extensíveis às empresas privados, o que poderia gerar um desequilíbrio no mercado. Reforçando essa regra, o §2º, art. 173, CF, estabelece que as ”empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Assim, se o Banco do Brasil S.A., por exemplo, receber uma isenção fiscal, a mesma regra deverá ser aplicada aos bancos privados. Quanto às empresas públicas e às sociedades de economia mista que prestarem serviços públicos, não há uma regra tão clara na Constituição Federal. Além disso, o próprio Decreto Lei 200/1967 menciona tão somente 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 91 a exploração de atividade econômica como inerente às empresas estatais. Todavia, é certo que esse tipo de entidade administrativa presta serviço público, encontrando respaldo na legislação infraconstitucional, na jurisprudência e na doutrina. Nesse contexto, costuma-se dizer que as regras básicas para as SEMs e EPs que prestam serviços públicos estão disciplinadas no art. 175 da CF, que estabelece que incumbe “ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos”. Assim, os regramentos previstos no art. 173 da Constituição Federal não alcançam as EPs e SEMs que prestam serviços públicos. Tal constatação causa uma diferença fundamental no regime jurídico dessas entidades, conforme iremos observar no tópico seguinte. Todavia, é de se mencionar que não todo tipo de serviço público que pode ser exercido pelas empresas estatais. Elas não podem exercer atividades típicas de Estado, ou seja, aquelas que só podem ser prestadas por entidades que possuem personalidade jurídica de direito público, como, por exemplo, o exercício do poder de polícia. Por fim, deve-se notar que mesmo quando exploram atividade econômica, as SEMs e as EPs são entidades administrativas integrantes da Administração Indireta e que, portanto, compõem a Administração Pública em sentido subjetivo. Vejamos como isso pode aparecer na prova. 6. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação hipotética, a referida sociedade não é considerada integrante da administração indireta do respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve prestar serviço público. Comentário: as empresas públicas e sociedades de economia mista integram a Administração Indireta em qualquer hipótese, seja as que prestam serviço público ou as que exploram atividade econômica. Logo, a assertiva está errada. Gabarito: errado. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 91 7. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas mediante prévia autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas situações, prestam serviço público. Comentário: mais um item conceitual. As empresas públicas (e as sociedades de economia mista) são: a) pessoas jurídicas de direito privado; b) dependem de autorização legislativa para sua criação (e extinção); c) atuam prioritariamente na exploração de atividade econômica e, eventualmente, na prestação de serviços públicos. Gabarito: correto. 8. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada quanto prestar serviço público. Comentário: outra muito fácil. Uma SEM pode executar atividade econômica própria da iniciativa privada ou prestar serviço público. Portanto, perfeito o item. Gabarito: correto. 9. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da iniciativa privada. Comentário: esse item é muito parecido com o anterior. As sociedades de economia mista podem executar atividades econômicas próprias da iniciativa privada, como, por exemplo, os serviços bancários, como faz o Banco do Brasil S.A. Assim, a questão está certa. Gabarito: correto. 10. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração pública a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado que, embora se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade tipicamente econômica. Comentário: novamente, mesmo quando explora atividade econômica, as SEMs integram a administração pública. Daí o erro do item. Gabarito: errado. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 91 11. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado. Comentário: segundo o §2º, art. 173, da CF, as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Deve-se frisar que essa determinação se insere no rol das EPs e SEMs que exploram atividade econômica. Gabarito: correto. Regime jurídico Em qualquer situação, as empresas públicas e as sociedades de economia mista possuem natureza jurídica de direito privado. Isso porque essas entidades são efetivamente criadas com o registro de seu ato constitutivo. As empresas públicas e as sociedades de economia mista sempre possuirão personalidade jurídica de direito privado. Por outro lado, o regime jurídico dessas entidades será sempre híbrido, em algumas situações com predomínio de regras de direito privado e em outras com predomínio do direito público. O que vai dizer qual o tipo de regra dominante é a natureza da atividade desenvolvida, isto é, se prestam serviços públicos ou exploram atividade econômica. No entanto, devemos tomar cuidado, pois as questões de concurso não costumam ser tão técnicas. Muitas vezes, as afirmativas tratam o regime jurídico como de direito privado, para diferenciá-los do regime de direito público das outras entidades. Portanto, o mais adequado é falar em regime jurídico híbrido, mas também pode ser considerado correto se a questão falar simplesmente em regime de direito privado para as empresas públicas e sociedades de economia mista. As empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram atividade econômica atuam com predomínio das regras de direito privado, porquanto o art. 173, §1º, II, da CF, estabelece que o estatuto dessas entidades se sujeita ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Dessa forma, essas entidades só se submetem às regras de direito público quando a Constituição assim o determine, expressa ou 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 91 implicitamente. Assim, parauma lei administrativa dispor sobre regras de direito público para uma empresa pública exploradora de atividade econômica, tais regras devem derivar do texto constitucional. O entendimento é simples, se a própria Constituição determinou que as empresas públicas e sociedades de economia mista devem seguir as regras próprias das empresas privadas, somente a própria Constituição poderá estabelecer exceções, seja de forma expressa ou de forma implícita. Nesse contexto, o art. 37, caput, da Constituição estabelece os princípios gerais da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), todos aplicáveis às EPs e às SEMs, mesmo quando exploram atividades econômicas. Essas entidades também se sujeitam ao concurso público para contratação de pessoal (CF, art. 37, II). Ademais, para o desempenho de suas atividades-meio, como a aquisição de material de escritório, obrigam-se a realizar licitação pública (CF, art. 37, XXI; e art. 173, §1º, III). A organização dessas entidades também depende de regras de direito público, uma vez que dependem de lei para autorizar sua criação ou extinção, ou mesmo para criação de subsidiárias, neste último caso, mesmo que ocorra de forma genérica (CF, art. 37, XIX e XX). Por fim, essas entidades submetem-se ao controle e fiscalização do Tribunal de Contas (CF, art. 71) e do Congresso Nacional (art. 49, X). Por outro lado, as empresas públicas e sociedades de economia mista, quando atuarem na prestação de serviços públicos, submetem-se predominantemente, às regras de direito público. Isso fica muito mais evidente quando as entidades realizam suas atividades-fim, ou seja, quando estão prestando o serviço público para o qual foram criadas. Menciona-se, por exemplo, o princípio da continuidade do serviço público e outros. Dessarte, podemos resumir da seguinte forma. Todas as empresas públicas e sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica de direito privado e regime jurídico híbrido. Porém, quando explorarem atividade econômica, sujeitam-se predominantemente ao regime de direito privado. Por outro lado, quando prestam serviços públicos, subordinam-se predominantemente a regras de direito público. Por fim, a atividade preferencial das empresas estatais é a exploração de atividade econômica. Dessa forma, se a questão não definir qual a área 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 91 de atuação, devemos partir do pressuposto que é a exploração de atividade econômica. Logo, o regime predominante será de direito privado. Se a questão não definir a área de atuação da EP ou da SEM, o regime predominante será de direito privado. Benefícios fiscais O §2º, art. 173, CF, dispõe que as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Todavia, a mencionada regra encontra- se no art. 173, que se aplica somente às empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram atividade econômica. Com efeito, o dispositivo não veda toda concessão de privilégios fiscais, mas tão somente aqueles aplicados exclusivamente às empresas públicas e sociedades de economia mista. Assim, se o ente conceder um privilégio fiscal a todas as empresas de determinado setor, independentemente se são estatais ou não, não haverá vedação. Ademais, quando a empresa atuar em regime de monopólio, não existirá nenhuma vedação da concessão do privilégio, ainda que a empresa explore atividade econômica. O entendimento é muito simples, uma vez que há monopólio, não existirão empresas do ramo no setor privado. Imunidade tributária Nesse ponto, vale trazer um importante entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a imunidade tributária recíproca. O art. 150, VI, “a”, da CF, estabelece que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. O §2º do mesmo art. dispõe que essa regra se estende às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Em nenhum lugar há menção às empresas públicas e sociedades de economia mista. Contudo, o Supremo Tribunal Federal vem apresentando entendimento de que a imunidade tributária recíproca aplica-se às empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 91 públicos. O primeiro julgamento do STF nesse sentido ocorreu com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT, no julgamento do RE 407.099/RS, quando a Corte entendeu que a empresa é “prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado” motivo pela qual está abrangida pela regra da imunidade tributária2. Na mesma linha, o STF entendeu que a imunidade tributária recíproca se aplica à Infraero, empresa pública federal, uma vez que presta serviço público “em regime de monopólio”. Contudo, o entendimento do Supremo Tribunal Federal, ao decidir o caso da Infraero, aparenta-se ser bem mais amplo que o caso da EBCT, vejamos3: A submissão ao regime jurídico das empresas do setor privado, inclusive quanto aos direitos e obrigações tributárias, somente se justifica, como consectário natural do postulado da livre concorrência (CF, art. 170, IV), se e quando as empresas governamentais explorarem atividade econômica em sentido estrito, não se aplicando, por isso mesmo, a disciplina prevista no art. 173, § 1º, da Constituição, às empresas públicas (caso da INFRAERO), às sociedades de economia mista e às suas subsidiárias que se qualifiquem como delegatárias de serviços públicos. (grifos nossos) Em recente posicionamento, o STF firmou entendimento ainda mais amplo, aplicando a imunidade tributária recíproca à sociedade de economia mista prestadora de ações e serviços de saúde, ou seja, que nem mesmo atuava como delegatária de serviço público4. Vale dizer, o serviço de saúde, quando prestado pelo Estado, enquadra-se no conceito de serviço público, no entanto não ocorre mediante delegação, dada sua livre exploração pelas entidades privadas (CF, art. 199). Diante do exposto, só podemos concluir que a imunidade tributária recíproca, conforme posicionamento recente do Supremo Tribunal Federal, possui uma amplitude genérica, alcançando as empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias prestadoras de serviços públicos. Por outro lado, as empresas públicas e as sociedades de economia mista que exploram atividade econômica não possuem imunidade tributária. Vamos exercitar um pouco! 2 RE 407.099/RS. No mesmo sentido: RE 354.897/RS, RE 398.630/SP, ACO 765/RJ, e outros; quando a Corte destacou que a EBCT さé prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, motivo por que está abrangida pela imunidade tributária recíprocaざく 3 RE 363.412/BA. 4 RE 580.264 RS. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 91 12. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-GO/2015) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito público. Comentário: muito simples! As empresas públicas, assim como as sociedades de economia mista, são pessoas jurídicasde direito privado. Por outro lado, as autarquias são pessoas jurídicas de direito público, enquanto as fundações públicas podem ser de direito público ou direito privado, conforme a sua forma de criação – se criadas por lei, são de direito público; se autorizadas por lei, são de direito privado. Gabarito: errado. 13. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ-RR/2012) Embora possuam capital exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se aplicam, preponderantemente, normas de direito privado. Comentário: como a questão não definiu a área de atuação da EP, devemos partir do pressuposto que ela explora atividade econômica, afinal essa é a atividade primordial das empresas estatais. Assim, as normas de direito privado serão aplicadas preponderantemente. Gabarito: correto. 14. (Cespe – Técnico em Administração/TJ-AC/2012) A empresa pública criada com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, formada sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. Comentário: em qualquer hipótese as empresas públicas e as sociedades de economia mista serão formadas sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. Assim, o item está correto. Contudo, devemos lembrar que o regime jurídico será sempre híbrido, predominando ou um ou o outro regime (direito público e direito privado). No caso das empresas que exploram atividade econômica, as regras predominantes serão de direito privado. Gabarito: correto. Bens Os bens das sociedades de economia mista e das empresas públicas são considerados bens privados e, portanto, não possuem os atributos dos bens públicos, como a impenhorabilidade e imprescritibilidade. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 91 No entanto, tendo em vista o princípio da continuidade dos serviços públicos, a regra para as empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviço público é um pouco diferente. Nesse caso, os bens afetados diretamente à prestação do serviço público gozam dos mesmos atributos dos bens públicos. Nesse sentido, voltando ao caso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - EBCT, o Supremo Tribunal Federal possui diversos julgados sobre essa entidade, atribuindo-lhe os mesmos privilégios da fazenda pública, como a impenhorabilidade de seus bens (e, por conseguinte, a sujeição ao regime de precatórios)5. Assim, podemos resumir o caso da seguinte forma. Os bens das empresas públicas e sociedades de economia mista são bens privados. Porém, no caso das prestadoras de serviço público, os bens diretamente relacionados à prestação do serviço gozam dos mesmos atributos dos bens públicos. Falência A Lei 11.105/2005, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, deixou claro, em seu art. 2º, I, que suas normas não se aplicam às empresas públicas e sociedades de economia mista. Dessa forma, independentemente da atividade que desempenham, as empresas públicas e as sociedades de economia mista não se sujeitam ao regime falimentar. 15. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Comentário: não importa qual a natureza da atividade (prestação de serviços públicos ou exploração de atividade econômica), pois todas as EPs e SEMs não se sujeitam ao regime falimentar. Quanto à imunidade tributária, o entendimento do STF é que ela só se aplica às empresas estatais prestadoras de serviço público. Assim, o item está correto, pois as sociedades de economia mista e as empresas públicas exploradoras de atividade econômica 5 RE 220.906 DF. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 91 não podem falir e não estão imunes aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços vinculados às suas finalidades essenciais. Gabarito: correto. Prescrição Vimos que as dívidas e os direitos em favor de terceiros contra as autarquias prescrevem em cinco anos (Decreto 20.910/1932, art. 1º6, c/c Decreto-Lei 4.597/1942, art. 2º). Para as empresas públicas e as sociedades de economia mista, contudo, não há essa regra. Assim, elas devem se submeter ao regramento previsto no Código Civil. O art. 205 do CC dispõe que a prescrição ocorrerá em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Em seguida, o art. 206 estabelece diversos prazos de prescrição, para várias situações. Cremos que não há necessidade de decorar esses prazos, sobretudo quando se fala em direito administrativo. Assim, o que nos interessa é saber que as empresas públicas e as sociedades de economia mista não gozam do prazo quinquenal de prescrição. 16. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As ações judiciais promovidas contra sociedade de economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos. Comentário: ficou fácil. As EPs e as SEMs não se submetem ao prazo quinquenal. Assim, as regras de prescrição estão previstas nos arts. 205 e 206 do Código Civil. Dessa forma, concluímos pela incorreção da questão. Gabarito: errado. Diferenças entre EP e SEM As diferenças entre as empresas públicas e as sociedades de economia mista resumem-se em três: a) forma jurídica; 6 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 91 b) composição do capital; e c) foro processual (somente para as entidades federais). Vamos analisar cada uma dessas diferenças. Forma jurídica As sociedades de economia mista devem, obrigatoriamente, ter a forma de sociedade anônima (S/A). Em virtude dessa formação societária, as SEMs são reguladas, basicamente, pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976), que possui um capítulo específico para tratar dessas entidades7. Por outro lado, as empresas públicas podem ser formadas sob qualquer forma admitida em direito. Assim, elas podem ser unipessoais (quando a entidade instituidora possui a integralidade de seu capital), pluripessoais (quando possui capital dominante do ente instituidor associados aos recursos de outras pessoas administrativas). Cumpre frisar, as empresas públicas inclusive podem ser formadas como sociedades anônimas. Com efeito, o Decreto Lei 200/1967 dispõe que as empresas públicas podem revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Por conseguinte, a doutrina entende que, uma vez que cabe à União legislar sobre direito civil e comercial (CF, art. 22, I), poderia ser instituída uma empresa pública federal sob forma inédita, sui generis, não prevista para o direito privado. Assim, a União criaria uma nova forma de empresa. Segundo José dos Santos Carvalho Filho8, apesar de o Decreto Lei 200/1967 dispor que as EP podem ser formadas sob qualquer forma admitida em direito, existem algumas formas societárias incompatíveis com a empresa pública, a exemplo das sociedadesem nome coletivo (CC, art. 1.039) sociedade corporativa (CC, art. 1.093) e a empresa individual de responsabilidade limitada (CC, art. 980-A). Essas formas societárias são tipicamente formadas por pessoas físicas, inviabilizando a formação de capital por meio do Poder Público. Ainda com essa ressalva, devemos manter o entendimento de que as EPs podem ser formadas sob qualquer forma admitida em direito. 7 Lei 6.404/1976, arts. 235-240. 8 Carvalho Filho, 2014, p. 513. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 91 Dessa forma, podemos entender que as empresas públicas podem ser criadas sob qualquer forma admitida em direito e, exclusivamente para a União, podem ser criadas sob uma forma jurídica inédita. Por outro lado, as sociedades de economia mista serão sempre constituídas na forma de sociedade anônima. Vamos exercitar um pouco! 17. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas apenas podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima. Comentário: as empresas públicas podem ser criadas sob qualquer forma admitida em direito. Logo, o item está errado. Gabarito: errado. 18. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica. Comentário: as sociedades de economia mista só podem ser constituídas em sociedade anônima. São as EPs que admitem qualquer forma jurídica (desde que compatível). Gabarito: errado. 19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) As sociedades de economia mista podem revestir- se de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público, que procede à sua criação. Comentário: novamente, são as empresas públicas que admitem qualquer forma admitida em direito. Assim, o item está errado. Gabarito: errado. 20. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) As empresas públicas devem ser constituídas obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima. Comentário: parece replay, mas não é! As empresas públicas podem ser constituídas sob qualquer forma admitida em direito; enquanto as sociedades de economia mista só podem ser criadas como sociedade anônima. Gabarito: errado. 21. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista é a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 91 mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital exclusivamente público. Comentário: a questão apresentou o conceito de empresa pública e não de sociedade de economia mista. Para fixar, vamos escrevê-lo novamente: Sociedade de economia mista Empresa pública é a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital exclusivamente público. Gabarito: errado. Composição do capital As sociedades de economia mista admitem a participação de capital público e de capital privado, enquanto as empresas públicas só admitem capital público. No caso das sociedades de economia mista, podem ser conjugados recursos de pessoas de direito público ou de outras pessoas administrativas com recursos de particulares. No entanto, o controle acionário da entidade deve permanecer que o ente instituidor, logo a maioria do capital votante sempre pertencerá ao ente que instituiu a entidade. Nesses termos, o Decreto Lei 200/1967 dispõe que as ações com direito a voto na SEMs federais devem pertencer em sua maioria à União ou à entidade da Administração Indireta. Por outro lado, as empresas públicas são formadas com capital totalmente público. Não é necessário que o capital pertença a uma única pessoa política ou administrativa, o que se exige é que o ente político que as instituiu possua a maioria do capital votante. Dessa forma, uma empresa pública federal pode ser formada com capital da União, de algum estado- membro, de autarquias e até mesmo de sociedades de economia mista. Vale dizer que as sociedades de economia mista possuem a maioria de seu capital público e, portanto, estão sob controle de uma entidade do Poder Público. Logo, não há vedação à participação de capital dessas entidades na composição de uma empresa pública. Vamos dar uma olhada em como isso é exigido em concursos. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 91 22. (Cespe – AnaTA/MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público. Comentário: as sociedades de economia mista são formadas pela conjugação de capital público e privado, porém a maioria do capital social deve pertencer ao ente público que as instituiu. Ainda que possuam capital privado, essas entidades se submetem a algumas regras de direito público, como a contratação de pessoal (concurso público) e a sua organização (depende de lei para autorizar a criação e extinção ou para autorizar a criação de subsidiárias). Assim, a questão está perfeita! Gabarito: correto. 23. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital, podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois grupos: um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital público e privado. Comentário: o item está errado, pois as empresas públicas possuem capital totalmente público, logo não há conjugação de capital público e privado. Assim, o item está errado. Gabarito: errado. 24. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e privado. Comentário: na mesma linha da questão anterior, as empresas públicas não possuem capital privado. Assim, a questão está errada. Gabarito: errado. 25. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas atividades são regidas pelos preceitos comerciais. Comentário: aqui podemos delinear várias características das empresas públicas: (a) capital exclusivamente público; (b) personalidade de direito 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 91 privado; (c) atividades regidas pelos preceitos comerciais (CF, art. 173, §1º, II). Deve-se frisar que quando a questão não mencionar nada sobre a prestação de serviços públicos, devemos considerar que as empresas públicas e sociedades de economia mista se submetem às regras da exploração de atividade econômica. Assim, a questão está perfeita. Gabarito: correto. 26. (Cespe – Analista/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende de autorização legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquerforma admitida em direito. Comentário: aqui a questão apresentou mais algumas características adicionais, como a autorização legislativa para a criação; e a estruturação jurídica sob qualquer forma admitida em direito. Além disso, nunca é demais lembrar que o capital das EPs é totalmente público. Correto, portanto, o item. Gabarito: correto. 27. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade da administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a conjugação de capital público e privado. Comentário: não há capital privado nas EPs. Assim, o item está errado. Gabarito: errado. 28. (Cespe – Ana/MPU/2013) A empresa pública federal caracteriza-se, entre outros aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União, não se admitindo, portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na constituição de seu capital. Comentário: as empresas públicas admitem a participação de outras pessoas jurídicas, desde que sejam integrantes da Administração Pública. Dessa forma, não há nenhum impedimento que um estado da Federação, uma autarquia ou uma empresa pública, por exemplo, possuem parte do capital de uma empresa pública federal. Porém, a maioria do capital deverá pertencer à União, pois estamos falando de uma EP federal. Com isso, o item está errado. Gabarito: errado. Foro processual para as entidades federais A última particularidade diz respeito à justiça competente. Segundo o texto constitucional, as causas em que empresa pública federal for 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 91 interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente serão processadas e julgadas na Justiça Federal (CF, art. 109, I). Quando se tratar de empresa pública dos estados ou municípios, a competência será da Justiça Estadual. Por outro lado, as ações das sociedades de economia mista (de qualquer ente da Federação), em regra, serão julgadas na Justiça Estadual (comum), conforme dispõe a Súmula 556 do STF: “É competente a Justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista” (grifos nossos). Contudo, quando a União intervém na condição de assistente ou oponente, as causas envolvendo as sociedades de economia mista serão deslocadas para a Justiça Federal, conforme entendimento apresentado na Súmula 517-STF9. Por fim, as causas que envolvam as relações de trabalho entre os empregados públicos e as empresas públicas e sociedades de economia mista, serão de competência da Justiça do Trabalho. Em resumo: causas envolvendo EP federal: Justiça Federal; causas envolvendo EP de estado ou município: Justiça Estadual; causas envolvendo SEM: Justiça Estadual; causas envolvendo SEM, mas que a União intervenha como assistente ou oponente: Justiça Federal. O quadro a seguir resume as diferenças das empresas públicas e das sociedades de economia mista. 9 Súmula 517 do STFぎ さAs sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União intervém como assistente ou opoenteざ ふェヴキaラゲ ミラゲゲラゲぶく 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 91 Dimensões Empresa Pública Sociedade de Economia Mista Forma Jurídica Qualquer forma admitida pelo ordenamento jurídico (civil, comercial, S/A, etc.) ou até mesmo formas inéditas (somente para a União). Somente na forma de sociedade anônima (S/A). Composição do capital Capital totalmente público. Admite capital público e privado, mas a maioria do capital com direito a voto é público. Foro processual (somente para as entidades federais) Com algumas exceções, as causas em que as empresas públicas federais forem interessadas tramitam na Justiça Federal. Tramitam na justiça estadual. E, para fechar, vamos resolver uma questãozinha! 29. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar as causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem serviço público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado. Comentário: o item possui dois erros. O primeiro é que a questão não especificou que empresa pública (federal, estadual, municipal), pois somente as causas envolvendo EPs federais são processadas e julgadas na Justiça Federal. O outro erro consiste no “dado o fato”, que dá o sentido de que a competência da Justiça Federal ocorre por causa da prestação do serviço público, o que não é verdade. As causas envolvendo empresas públicas são julgadas na Justiça Federal simplesmente porque a Constituição determinou assim, logo alcançaria também as EPs que exploram atividade econômica. Gabarito: errado. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 91 FUNDAÇÕES PÚBLICAS Conceito As fundações surgiram no meio privado, em que são definidas como a personificação de um patrimônio ao qual é atribuída uma finalidade social não lucrativa. Assim, as fundações são conhecidas como um patrimônio personalizado destinado a realizar atividades de interesse social, como educação, saúde, pesquisa científica, cultura, etc. Assim, no meio privado, a fundação resulta de iniciativa de um particular, seja pessoa física ou jurídica, que destaca parte de seu patrimônio e a ele destina uma finalidade de caráter social. A partir do momento em que a fundação é criada, ganhando a personalidade jurídica própria, o particular não mais terá poder sobre ela. Vale dizer, a fundação terá vida própria para gerir os seus bens, desde que mantida a finalidade e legalidade da atividade. Nesse contexto, José dos Santos Carvalho Filho dispõe que existem três características básicas das fundações: a) a figura do instituidor; b) o fim social da entidade; e c) a ausência de fins lucrativos. A fundações públicas diferenciam-se das fundações privadas basicamente pela figura do instituidor que, naquele caso, se trata de uma pessoa política, que destinará parte do patrimônio público. Vale dizer, as fundações públicas são instituídas pelo Estado, que separa uma dotação patrimonial e a ela destina recursos orçamentários para o desempenho de atividade de interesse social. Nesse contexto, o DL 200/1967 apresenta a seguinte definição para fundação pública (art. 5º, IV): IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. Essa definição é antiga e não mais se coaduna com a atual disciplina constitucional. A começar que o nosso ordenamento permite que as fundações públicas possuam personalidade jurídica de direito público ou 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 91 direito privado e elas podem ser criadas diretamente por lei ou, então, receber apenas a autorização em lei para a criação. Nessa esteira, a Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietroapresenta a seguinte definição para as fundações públicas: [...] pode-se definir a fundação instituída pelo Poder Público como o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de personalidade jurídica de direito público ou privado e destinado, por lei, ao desempenho de atividades do Estado de ordem social, com capacidade de autoadministração e mediante controle da Administração Pública, nos limites da lei. Dessa forma, podemos resumir as seguintes características das fundações públicas10: (a) dotação patrimonial; (b) personalidade jurídica própria, pública ou privada; (c) desempenho de atividade atribuída pelo Estado no âmbito social; (d) capacidade de autoadministração; (e) sujeição ao controle administrativo ou tutela por parte da Administração Direta, nos limites estabelecidos em lei. As fundações públicas compreendem um patrimônio personalizado, afetado a um fim público. Natureza jurídica A Constituição Federal não definiu a natureza jurídica das fundações públicas. No entanto, na redação atual, elas são abordadas juntamente com as empresas públicas e sociedades de economia mista, que recebem apenas autorização legislativa para criação e, por conseguinte, possuem personalidade jurídica de direito privado. Nessa mesma linha, o DL 200/1967 menciona que as fundações públicas possuem personalidade jurídica de direito privado. 10 Di Pietro, 2014, p. 507. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 91 Entretanto, a jurisprudência e a doutrina admitem a criação de fundações públicas de direito público ou de direito privado. Segundo a doutrina que sustenta as duas possibilidades de natureza jurídica, o Estado pode criar uma fundação e lhe atribuir a natureza jurídica de direito público, caso em que terá a natureza de uma autarquia; ou pode atribuir a natureza jurídica de direito privado, situação em que ela será administrada segundo os mesmos moldes das fundações privadas, com as derrogações próprias de direito público (como a exigência de licitação e de concurso público). A jurisprudência do STJ11 e do STF também admitem as fundações públicas de direito público ou de direito privado. Nessa linha, vale dar uma olhada no seguinte trecho do RE 101.126/RJ do STF12: Nem toda fundação instituída pelo poder público e fundação de direito privado. - às fundações, instituídas pelo poder público, que assumem a gestão de serviço estatal e se submetem a regime administrativo previsto, nos estados-membros, por leis estaduais são fundações de direito público, e, portanto, pessoas jurídicas de direito público. - tais fundações são espécie do gênero autarquia [...]. Nessa linha, as fundações públicas de direito público submetem-se ao mesmo regime jurídico das autarquias. É exatamente por isso que alguns doutrinadores chamam as fundações públicas de direito público de fundações autárquicas ou autarquias fundacionais. De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, a diferença entre as fundações públicas de direito público e as autarquias é meramente conceitual. A autarquia é definida como um serviço público personificado, em regra, típico de Estado. A fundação pública de direito público, por sua vez, é um patrimônio público personalizado destinado a uma finalidade específica, usualmente de interesse social. Reforça-se, porém, que o regime jurídico de ambas é, em tudo, idêntico. Já as fundações públicas de direito privado seguirão um regime jurídico híbrido, ou seja, serão aplicadas as normas de direito privado, derrogadas em partes pelo regime jurídico de direito público. Alguns exemplos de regras de direito público aplicáveis também às fundações 11 Nesse sentido: REsp 207.767/SP; REsp 480.632/RS. 12 RE 101.126/RJ; ver também: RE 127.489/DF. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 91 públicas de direito privado são a exigência de concurso público; o dever de licitar; o enquadramento de seus contratos como “contratos administrativos, nos termos da Lei 8.666/1993; etc. Outras regras serão discutidas ao longo da aula. Criação e extinção A criação das fundações públicas já foi discutida preliminarmente. As fundações públicas de direito público são efetivamente criadas por lei. Dessa forma, elas ganham a personalidade jurídica no momento da vigência da lei instituidora. Por outro lado, as fundações públicas de direito privado recebem autorização legislativa para criação, mas dependem do registro do ato constitutivo no Registro Civil de Pessoas Jurídicas para que adquiram a personalidade jurídica. 30. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) Fundação pública é a pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei. Comentário: a questão limitou o conceito para “pessoa jurídica de direito público, sendo que as fundações públicas podem possuir natureza jurídica de direito público ou de direito privado. Logo, o item está errado. Gabarito: errado. 31. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Para a criação de uma fundação de direito público, é indispensável a inscrição de seus atos constitutivos no registro civil das pessoas jurídicas. Comentário: as fundações públicas podem possuir natureza jurídica de direito público ou de direito privado. No primeiro caso, elas são criadas por lei; enquanto, no segundo, elas recebem autorização legislativa, mas só adquirem personalidade jurídica com o registro do ato constitutivo. Assim, nem sempre terá que ocorrer o registro, pois, no caso das fundações públicas de direito público, a aquisição da personalidade jurídica ocorre com a vigência da lei, dispensando o registro. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 91 Gabarito: errado. Atividade Os fins a que se destinam as fundações públicas devem sempre possuir um caráter social. Com efeito, essas entidades não possuem fins lucrativos e, por conseguinte, seus recursos extras serão sempre aplicados no aprimoramento das finalidades da entidade. Assim, as fundações públicas não podem ser criadas para exploração de atividade econômica em sentido estrito; sendo que, para esse fim, o Estado deverá criar empresas públicas ou sociedades de economia mista. Nesse contexto, José dos Santos Carvalho Filho ensina que comumente se destinam as seguintes atividades às fundações públicas: assistência social; assistência médica e hospitalar; educação e ensino; pesquisa; e atividades culturais. Um ponto relevante e divergente decorre da interpretação da confusa redação do inc. XIX, art. 37, da CF, que estabelece o seguinte: “somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação”. Dessa forma, deverá ser editada uma “lei complementar” para estabelecer a área de atuação das fundações públicas. Todavia, como a mencionada lei complementar ainda não foi editada, surgem algumas divergências. Parte da doutrina entende que essa lei complementar deverá definir somente a área de atuação das fundações públicasde direito privado; enquanto a área de atuação das fundações públicas de direito público será disciplinada na respectiva lei instituidora. Os argumentos são consistentes, uma vez que as fundações públicas de direito público poderiam ser criadas para atividades diferentes daquelas mencionadas acima, podendo desempenhar atividades típicas de Estado, inclusive relacionadas com o poder de polícia. Assim, as fundações públicas de direito público desenvolveriam as atividades previstas em sua lei instituidora, podendo desempenhar até mesmo atividades típicas de Estado. Por outro lado, as fundações públicas de direito privado somente iriam desempenhar atividades não exclusivas de Estado, como saúde, assistência social, cultura, pesquisa, desporto, etc. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 91 Apesar de existirem posicionamentos diferentes, parece que o entendimento apresentado acima é o que será adotado pelo legislador. Nesse contexto, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar 92/200713, que tem por objetivo dispor sobre as áreas de atuação das fundações públicas. O art. 1º do mencionado projeto permite a instituição ou autorização de instituição de fundação pública com personalidade jurídica de direito público ou de direito privado, para, nesse último caso, desempenhar atividade estatal que não seja exclusiva de Estado, nas seguintes áreas: I - saúde; II - assistência social; III - cultura; IV - desporto; V - ciência e tecnologia; VI - meio ambiente; VII - previdência complementar do servidor público, de que trata o art. 40, §§ 14 e 15, da Constituição; VIII - comunicação social; e IX - promoção do turismo nacional. Parece clara, portanto, a intenção do legislador de dispor somente sobre as atividades das fundações públicas de direito privado. Ressalvamos, novamente, que se trata somente de um projeto de lei complementar, não sendo ainda uma norma vigente. 32. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) As fundações públicas destinam-se à realização de atividades não lucrativas e atípicas do poder público, porém de interesse coletivo. Comentário: essa questão foi dada como correta, uma vez que é quase cópia do livro de Hely Lopes Meirelles. De acordo com o autor, As fundações prestam-se, principalmente, à realização de atividades não lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo, como a educação, cultura, pesquisa, sempre merecedoras do amparo estatal. Todavia, o item merecia alguns reparos. Em primeiro lugar, o próprio Meirelles coloca o “principalmente”, ou seja, não são somente essas atividades. Nessa esteira, as fundações públicas de direito público podem realizar atividades típicas de Estado, uma vez que possuem natureza de direito público, equiparando-se às autarquias. De qualquer forma, não podemos brigar com a banca, mas apenas praticar com as suas questões! Gabarito: correto. 13 PLC 92/2007. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 91 33. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As fundações públicas podem exercer atividades típicas da administração, inclusive aquelas relacionadas ao exercício do poder de polícia. Comentário: essa questão confirma o erro da anterior. As fundações públicas podem exercer atividades típicas de Administração, quando possuírem personalidade jurídica de direito público. O “podem” foi empregado no sentido de que existe “possibilidade”, o que é verdadeiro. Gabarito: correto. 34. (Cespe – TJ/STF/2013) A fundação pública de direito privado tem sua instituição autorizada por lei específica, cabendo a lei complementar definir as áreas de sua atuação. Comentário: a questão limitou sua análise às fundações públicas de direito privado. Nesse caso, a regra está bem definida na Constituição Federal (art. 37, XIX): XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; Dessa forma, a criação de fundações públicas de direito privado é autorizada por lei específica, enquanto as áreas de sua atuação serão disciplinadas em lei complementar. Gabarito: correto. 35. (Cespe – Administrador/FUB/2009) As fundações públicas não possuem finalidade de exploração econômica com fins lucrativos. Comentário: as fundações públicas são patrimônios personificados, sem finalidade lucrativa, criadas para um fim público. Dessa forma, não possuem finalidade de exploração econômica. Gabarito: correto. Regime jurídico Imunidade tributária Por força do art. 150, §2º, da CF, as duas modalidades de fundação públicas (direito público ou direito privado) fazem jus à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da CF, pois a vedação de instituir impostos 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 91 sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros, é extensiva às “fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público”. A imunidade tributária se aplicada às fundações públicas de direito público e de direito privado. Prerrogativas processuais As prerrogativas processuais, a exemplo do prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer e a sujeição ao duplo grau de jurisdição obrigatório14 aplicam-se somente às fundações públicas de direito público, não alcançando as fundações públicas de direito privado. Regime de precatórios O regime de precatórios para o pagamento de dívidas, em virtude de sentença judiciária, previsto no art. 100 da CF, não se aplica às fundações públicas de direito privado, mas se aplicam às fundações públicas de direito público. ***** Prerrogativa Fundação Pública Direito Público Direito Privado Imunidade tributária Sim Sim Prerrogativas processuais (prazos especiais para contestar e recorrer) Sim Não Regime de precatórios Sim Não Patrimônio Os bens do patrimônio das fundações públicas de direito público são caracterizados como bens públicos, protegidos por todas as prerrogativas que o ordenamento jurídico contempla, como impenhorabilidade, imprescritibilidade e as restrições para alienação. 14 O CPC, art. 475, I, limita o duplo grau de jurisdição ラHヴキェ;デルヴキラ <ゲ さfundações de direito públicoざく 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 91 Por outro lado, os bens das fundações públicas de direito privado, em regra, não se enquadram como bens públicos (são bens privados). Entretanto, quando seus bens forem empregados diretamente na prestação de serviços públicos, poderão receber algumas prerrogativas, como a impenhorabilidade, em decorrência do princípio da continuidade dos serviços públicos. Licitações e contratos A Lei 8.666/1993 (Lei de normas gerais de Licitações e Contratos) aplica-se integralmente às fundações públicas por determinação do art. 1º, parágrafo único, dessa norma. Com efeito, nem a Lei 8.666/1993 nem a Constituição Federal fizeram diferença no que se refere à obrigação de licitar para as fundaçõespúblicas de direito público ou de direito privado. Por conseguinte, independentemente da natureza jurídica da fundação pública, ela deverá licitar e contratar na forma prevista na Lei 8.666/1993. Regime de pessoal Às fundações públicas de direito público aplica-se o mesmo regime jurídico das autarquias, ou seja, o regime jurídico único15. Por conseguinte, enquanto o regime jurídico único for estatutário, os agentes públicos dessas entidades serão considerados servidores públicos, ocupantes, portanto, de cargos públicos. A dúvida surge quanto às fundações públicas de direito privado. Os professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo16 destacam que a Constituição Federal não fez nenhuma distinção quanto ao regime de pessoal para as fundações públicas de direito público ou de direito privado. Dessa forma, os autores entendem que, mesmo quando de direito privado, o pessoal dessas entidades seguirá o regime jurídico único. No entanto, José dos Santos Carvalho Filho17 entende que o regime estatutário é incompatível com a natureza de uma entidade de direito privado e, por conseguinte, entende que o pessoal das fundações públicas 15 Lembrando que a ADI 2.135/DF declarou inconstitucional, liminarmente, a redação do art. 39, caput, da CF, dada pela EC 19/1998, com efeitos ex nunc. Dessa forma, a partir da decisão do STF, voltou a vigorar o regime jurídico único para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. 16 Alexandrino e Paulo, 2011, p. 61. 17 Carvalho Filho, 2014, p. 534. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 91 de direito privado se submete ao regime trabalhista comum, traçado na CLT. De fato, o assunto é complicado e nada pacífica, motivo pelo qual as bancas de concurso devem se afastar desse assunto para evitar anulações. Todavia, independentemente do regime jurídico, o fato é que se aplicam aos agentes públicos das fundações as regras constitucionais como a vedação à acumulação de cargos e empregos públicos (CF, art. 37, XVII); e a necessidade de prévia aprovação em concurso público (CF, art. 37, II). Foro competente Para as fundações públicas de direito público da União, o foro competente será a Justiça Federal, seguindo as mesmas regras das autarquias (CF, 109, I)18. Para as fundações públicas de direito público estaduais e municipais o foro competente será o da Justiça Estadual. Quanto às fundações públicas de direito privado, é bastante divergência sobre o assunto. No âmbito doutrinário, entende-se que o foro competente é o da Justiça Estadual. Podemos mencionar como um dos adeptos deste posicionamento o Prof. José dos Santos Carvalho Filho19. Todavia, o posicionamento jurisprudencial é diferente. No CC 77/DF20, o STJ entendeu que as “fundações públicas federais, como entidades de direito privado, são equiparadas as empresas públicas, para os efeitos do artigo 109, I, da Constituição da República”. Em julgamento posterior, o STJ confirmou este posicionamento no CC 16.397/RJ21, concluindo que em fundações públicas de direito privado equiparam-se às empresas públicas no que se refere ao juízo competente. Conforme consta no art. 109, I, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar e julgar as causas envolvendo empresa pública federal. Dessa forma, ainda que não seja um posicionamento consolidado, podemos afirmar que a doutrina entende que o foro competente para processor a julgar as causas envolvendo as fundações públicas de direito privado federais é o da Justiça Estadual; enquanto a jurisprudência entende que o foro é da Justiça Federal. 18 RE 127.489/DF. 19 Carvalho Filho, 2014, p. 536. 20 CC 77/DF. 21 CC 16.397/RJ. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 91 Controle do Ministério Público O Código Civil determina que o Ministério Público do Estado “velará pelas fundações” (art. 66). Trata-se de uma forma de controle destinado a verificar se a fundação está efetivamente perseguindo os fins para os quais foi instituída. Nessa esteira, Carvalho Filho dispõe que é um controle finalístico realizado pelo órgão ministerial22. O autor ainda acrescenta que essa fiscalização é dispensável para as fundações públicas, independentemente da natureza da entidade, haja vista que o controle finalístico já é exercido pela respectiva Administração Direta. Também segue este entendimento a Prof. Maria Di Pietro, que entende que o Ministério Público também não deve velar pelas fundações públicas. Dessa forma, este parece ser o posicionamento majoritário, inclusive já adotado em provas de concurso. Ressaltamos, porém, que Hely Lopes Meirelles entende que o Ministério Público deve velar pelas fundações públicas de direito privado. De forma ainda mais restrita, o STF, na ADI 2.794/DF, afirmou que é atribuição do Ministério Público Federal a ”veladura pelas fundações federais de direito público, funcionem, ou não, no Distrito Federal ou nos eventuais Territórios”. Todavia, este não era o tema central da discussão da ADI, motivo pelo qual alguns doutrinadores entendem que essa não era exatamente a intenção do STF. Com efeito, devemos mencionar que mesmo que o Ministério Público não seja responsável por velar pelas fundações públicas, isso não quer dizer que ele não exerça nenhum controle sobre essas entidades. Vale mencionar o Ministério Público continuará exercendo suas funções ordinários sobre as fundações públicas, porém o controle não ocorrerá nos mesmos moldes como acontece com as fundações privadas. 36. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Ministério Público deverá realizar o controle sobre as atividades das fundações públicas, assim como o faz em relação às fundações privadas. 22 Carvalho Filho, 2014, p. 535. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 91 Comentário: nessa questão, podemos ver que foi adotado o posicionamento de Carvalho Filho e Maria Di Pietro, que entendem que o Ministério Público não deve velar pelas fundações públicas. Por conseguinte, o controle das atividades das fundações públicas não ocorre da mesma forma como nas fundações privadas. Por esse motivo, o item está errado. Gabarito: errado. ENTIDADES PARAESTATAIS E O TERCEIRO SETOR A Administração Pública compõe-se da Administração Direta, que é formada pelos órgãos que prestam a atividade pública de maneira centralizada, e pela Administração Indireta, composta pelas entidades administrativas, com personalidade jurídica própria, que prestam serviços de maneira descentralizada. Na Administração Indireta nós encontramos as autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Todavia, é cada vez maior a demanda da sociedade pela prestação de serviços do Estado. Porém, a Administração Pública não consegue estar presente em todas as situações, o que desperta a necessidade de buscar apoio da sociedade civil para solucionar essas demandas. Nesse contexto, é comum que entidades privadas sem fins lucrativos prestem atividades de interesse coletivo, atuando, muitas vezes, em colaboração com o Estado. Assim, o termo terceiro setor é utilizado para designar as entidades privadas, surgidas necessariamenteno meio privado, mas que não possuem fins lucrativos nem econômicos. Portanto, o terceiro setor é formado pelas entidades privadas da sociedade civil, que prestam atividade de interesse social, sem finalidade lucrativa. Segundo a doutrina, o primeiro setor é o próprio Estado, enquanto o segundo setor é formado pelo mercado. Assim, o terceiro setor se difere dos demais, pois não íntegra o Estado, vale dizer, as entidades do terceiro setor não fazem parte da Administração Pública; e também não possui fins lucrativos nem explora atividade econômica, diferentemente do mercado. Essas entidades do terceiro setor costumam ser chamadas pela legislação e pela doutrina mais moderna de organizações da sociedade civil. Todavia, são popularmente conhecidas como organizações não governamentais (ONGs). 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 91 A partir da Reforma do Estado23, iniciada em 1995, os defensores da chamada “administração pública gerencial”, defenderam a modificação da forma de prestação de serviços para a sociedade. Para as atividades de natureza econômica, em que seria possível explorar o serviço com finalidade lucrativa, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE) propôs a privatização, ou seja, a transferência para o mercado das atividades econômicas voltadas para o lucro. Por outro lado, para as atividades que não poderiam ser exploradas com finalidade lucrativa, tendo em vista a relevância social do serviço, o Estado deveria promover a chamada publicização, isto é, a transferência para as organizações privadas sem fins lucrativos. Nesse contexto, as entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por particulares – portanto, não integrantes da Administração Pública –, que atuam em colaboração ou apoio ao Estado na prestação de atividades de utilidade pública. Essas entidades recebem incentivos do Estado, na forma de fomento, como, por exemplo, recursos do orçamento ou a permissão para utilizar bens públicos. Por conseguinte, sujeitam-se ao controle direto ou indireta da Administração Pública e estão sujeitas ao controle do Tribunal de Contas. O termo “entidade paraestatal” era utilizado pela doutrina mais antiga para designar as entidades da administração indireta com personalidade jurídica de direito privado e os serviços sociais autônomos. Dessa forma, para essa doutrina, as entidades paraestatais eram representadas pelas empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas de direito privado e os serviços sociais autônomos. Todavia, tal conceito encontra-se superado. A doutrina majoritária considera essa definição inapropriada, uma vez que o termo “paraestatal” possui significado de “ao lado do Estado” e, portanto, não poderia abranger entidades integrantes da Administração Pública. 23 A Reforma Administrativa, ou Reforma Gerencial, é um movimento iniciado na década de 90 que teve como finalidade substituir o modelo de administração pública burocrática pelo chamado modelo gerencial. Trata-se de uma nova forma de gestão, pautada na busca pela eficiência e qualidade nos serviços públicos. Um documento muito importante para a Reforma Administrativa é o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), que foi publicado em 1995 pelo Ministério da Reforma do Aparelho do Estado, sob comando do Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. O Plano Diretor estabeleceu diversas diretrizes para modernizar a Administração Pública, algumas delas serão estudadas nesta aula. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 91 Com efeito, a obra de Hely Lopes Meirelles, que com frequência era citada como uma das responsáveis pelo antigo entendimento, foi atualizada para o conceito moderno. Conforme consta na obra24: Em meados da década de 60, quando o Autor lançou a 1ª edição desta obra, justificava-se essa sistematização – já que – como ele próprio afirmava – a doutrina e a legislação brasileira confundiam com frequência o ente autárquico com o paraestatal. Ao longo de todos esses anos, contudo, houve acentuada evolução da matéria, embora ainda persistam muitas incongruências nos textos legislativos. [...] está hoje assentado, inclusive em decorrência das normas constitucionais, que as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista fazem parte da Administração indireta do Estado. Ora, se fazem parte da Administração indireta do Estado, não podem estar ao lado do deste, como entes paraestatais. Assim, o conceito atual de entidades paraestatais abrange os entes privados, sem fins lucrativos, que atuam em colaboração com o Estado mas que não fazem parte do conceito formal de Administração Pública. Ressalta-se, no entanto, que existem ainda algumas leis em vigor que utilizam o significado antigo de entidades paraestatais, como, por exemplo, o art. 17, I25, da Lei 8.666/1993. Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, as chamadas entidades paraestatais são26: [...] pessoas privadas que colaboram com o Estado desempenhando atividade não lucrativa e às quais o Poder Público dispensa especial proteção, colocando a serviço delas manifestações do seu poder de império, como o tributário por exemplo; não abrangem as entidades da Administração Indireta; trata-se de pessoas privadas que exercem função típica (embora não exclusiva do Estado), como as de amparo aos hipossuficientes, de assistência social, de formação profissional. Ademais, a autora apresenta esse conceito para as entidades do terceiro setor que possuam algum vínculo com o Poder Público. Isso porque nem todas entidades do terceiro setor atuam em colaboração com o Estado. Os particulares podem criar, livremente, entidades privadas sem fins lucrativos para a prestação de atividades de interesse social. Contudo, nem sempre precisam formalizar alguma parceria com o Poder Público. Nessa esteira, Lucas Rocha Furtado ensina que as entidades do terceiro setor não precisam manter qualquer vínculo com o Poder Público. Porém, se mantiver, como seria o caso de uma associação que venha a se qualificar 24 Meirelles, 2013, p. 413. 25 Disponível em: Lei 8.666/1993, art. 17, inc. I. 26 Di Pietro, 2014, p. 566-567. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 91 como organização social para receber recursos públicos, essa entidade do terceiro setor passará a ser considerada uma entidade paraestatal. Assim, o conceito de terceiro setor é mais amplo que o de entidades paraestatais, pois essas últimas possuem algum tipo de vínculo com o Estado, a exemplo do contrato de gestão ou do termo de parceria, conforme estudaremos em seguida. Dessa forma, podemos perceber que as entidades paraestatais integram o chamado terceiro setor e, portanto, não fazem parte da Administração Pública. As entidades paraestatais não fazem parte da Administração Pública Direta nem Indireta, mas sim do terceiro setor. Dessa forma, são entidades paraestatais: a) os serviços sociais autônomos; b) as organizações sociais (OS); c) as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP); d) as “entidades de apoio”. Serviços sociais autônomos Os serviços sociais autônomos são pessoas jurídicas com personalidade de Direito Privado,sem fins lucrativos, criadas por meio de autorização legal, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos profissionais, sendo mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais. São entes paraestatais, que atuam em colaboração com o Poder Público, com administração e patrimônio próprios, revestindo a forma de instituições particulares sem fins lucrativos convencionais, como as associações civis e as fundações privadas. São exemplos de serviços sociais autônomos as famosas entidades do “Sistema S”, como: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai; Serviço Social do Comércio – Sesc; Serviço Social da Indústria – Sesi; Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio – Senac; Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar; Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop; Serviço Social de Transporte – Sest; Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – Senat; e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 91 Em regra, a criação dessas entidades depende de autorização em lei, mas só se efetiva com o registro do respectivo ato constitutivo no registro civil das pessoas jurídicas. A diferença em relação às entidades administrativas de direito privado (empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas de direito privado) é que estas últimas são criadas pelo próprio Estado; enquanto o registro dos serviços sociais autônomos é efetuado por entidades privadas. Vale dizer, a lei autoriza a criação, mas a entidade é criada por particulares. Por exemplo, o Serviço Social do Transporte – Sest – e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – Senat – são entidades civis sem fins lucrativos criadas pela Confederação Nacional do Transporte, após autorização constante na Lei 8.706/1993. O objeto dessas entidades é uma atividade social, representada por um serviço de utilidade pública, beneficiando grupamentos sociais ou profissionais. Por exemplo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar – tem por objeto o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural dirigida aos trabalhadores rurais. Com efeito, essas entidades costumam funcionar ligadas a entidades privadas de categorias econômicas, como a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional do Comércio, a Confederação Nacional da Agricultura, a Confederação Nacional do Transporte, entre outras. Além disso, elas são mantidas por recursos oriundos de contribuições instituídas no interesse de categorias profissionais ou de interesse no domínio econômico, de natureza tributária, conhecidas como contribuições parafiscais. Essas contribuições são recolhidas compulsoriamente pelos destinatários previstos em lei e repassadas diretamente pela Receita Federal às entidades para custear as atividades desenvolvidas. Adicionalmente, essas entidades podem até chegar a receber recursos orçamentários. Nesse contexto, o Decreto 200/1967 determina que “as entidades e organizações em geral, dotadas de personalidade jurídica de direito privado, que recebem contribuições parafiscais e prestam serviços de interesse público ou social, estão sujeitas à fiscalização do Estado nos termos e condições estabelecidas na legislação pertinente a cada uma” (art. 183). Dessa forma, esses recursos têm natureza pública, gerando o dever de prestar contas e a consequente fiscalização do Tribunal de Contas da União. Além disso, os serviços sociais autônomos costumam se vincular 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 91 aos órgãos da administração direta, em geral ao ministério do setor correspondente. Quanto ao foro competente, consolidou-se o entendimento de que os serviços sociais autônomos devem ter os seus processos julgados na justiça estadual, uma vez que se tratam de entidades privadas, não integrantes, portanto, da administração pública. Nesse sentido, vale mencionar o conteúdo da Súmula 516 do STF: “O Serviço Social da Indústria (Sesi) está sujeito à jurisdição da justiça estadual”. Ademais, a contratação de pessoal não se dá por meio de concurso público, mas, conforme entendimento do Tribunal de Contas da União, deve se realizar por um processo seletivo, ainda que de forma simplificada, mas que garanta a observância dos princípios constitucionais da legalidade, da publicidade, da moralidade, da impessoalidade, da finalidade e da isonomia27. Na mesma linha, o STF também já reconheceu que essas entidades não estão submetidas à exigência de concurso público para a contratação de pessoal28. Na mesma linha, o Tribunal de Contas da União entende que essas entidades não se submetem completamente à Lei 8.666/1993, mas devem observar regulamentos próprios, devidamente publicados, os quais devem se pautar nos princípios gerais do processo licitatório e nos princípios relativos à Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade, impessoalidade, isonomia e publicidade, constantes do art. 37, caput, da Constituição Federal29. Com efeito, o TCU também possui entendimento de que os regulamentos próprios dessas entidades não podem inovar na ordem jurídica. No caso, o Tribunal considerou que o regulamento de serviço social autônomo não pode criar um novo caso de dispensa/inexigibilidade de licitação, uma vez que essa matéria é reservada à lei ordinária, em matéria de competência privativa da União, consoante o art. 22, XXVII, da Constituição Federal30. 27 Acórdão 1.741/2011-TCU/Plenário; Acórdão 2.305/2007-TCU/Plenário, dentre outros. 28 RE 789874/DF, de 17/9/2014. 29 Nesse sentido: Acórdão 526/2013-TCU/Plenárioぎ さ4. A jurisprudência deste Tribunal pacificou o entendimento de que as entidades do Sistema S não estão obrigadas a seguir estritamente os termos do Estatuto de Licitações (Lei n. 8.666/1993), todavia obrigam-se aos seus regulamentos próprios devidamente publicados, os quais devem se pautar nos princípios gerais do processo licitatório e nos princípios relativos à Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade, impessoalidade, isonomia e publicidade, constantes do art. 37, caput, da Constituição Federalざ ふ┗ラデラ Sラ Mキミキゲデヴラ M;ヴIラゲ BWマケ┌WヴWヴ Cラゲデ;が ヱンっンっヲヰヱンぶく 30 Acórdão 1.785/2013-TCU/Plenário, veja também o Informativo de Licitações e Contratos nº 159. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 91 O pessoal dos serviços sociais autônomos submete-se à legislação trabalhista. Contudo, seus empregados são equiparados como funcionários públicos para fins penais (Código Penal, art. 327) e de improbidade administrativa (Lei 8.429/1992). De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, os principais aspectos que caracterizam esses entes são os seguintes31: a) sua criação é prevista em lei; b) têm por objeto uma atividade social, não lucrativa, normalmente direcionada para a prestação de um serviço de utilidade pública, beneficiando certo grupo social ou profissional; c) são mantidos por recursos oriundos de contribuições sociais de natureza tributária, recolhidas compulsoriamente pelos contribuintes definidos em lei (são recolhidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas repassados às entidades beneficiárias), bem como por meio de dotaçõesorçamentárias do Poder Público; d) seus empregados estão sujeitos à legislação trabalhista; e) por administrarem recursos públicos, estão sujeitos a certas normas de direito público, especialmente as normas de controle, como a obrigação de prestação de contas ao Tribunal de Contas da União, o enquadramento de seus empregados como funcionários públicos para fins penais (CP, art. 327), a sujeição à Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992). Organizações Sociais (OS) Noções gerais De acordo com Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Organização social é a qualificação jurídica dada a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, instituída por iniciativa de particulares, e que recebe delegação do Poder Público, mediante contrato de gestão, para desempenhar serviço público de natureza social. Nenhuma entidade nasce com o nome de organização social; a entidade é criada como associação ou fundação e, habilitando-se perante o Poder Público, recebe a qualificação; trata-se de título jurídico outorgado e cancelado pelo Poder Público. Dos ensinamentos da autora, é possível perceber que as organizações sociais não representam uma nova forma de pessoa jurídica, mas apenas 31 Alexandrino e Paulo, 2011, p. 144. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 91 uma qualificação outorgada pelo Poder Público às associações civis ou às fundações privadas. Nesse contexto, a Lei 9.637/1998, que dispõe, entre outros assuntos, sobre a qualificação de entidades como organizações sociais e a criação do Programa Nacional de Publicização, estabelece em seu artigo 1º que o Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. Devemos observar que a Lei 9.637/1998 aplica-se exclusivamente ao nível federal. Assim, os estados e municípios devem dispor de legislação própria para disciplinar a qualificação de entidades como organizações sociais. No entanto, as regras federais costumam ser reproduzidas na legislação dos demais níveis. Além disso, a construção jurisprudencial que vem sendo firmada pelo assunto está cada vez mais sendo incorporada pelas novas leis estaduais e municipais que tratam da matéria. As organizações sociais – OS são conhecidas como entidades públicas não estatais. São públicas porque prestam serviços públicos e administram patrimônio público e não estatais porque não integram nem a Administração direta nem a indireta. Nessa linha, existem três requisitos que devem ser cumpridos para uma entidade poder ser qualificada como organização social: a) deve ter personalidade jurídica de direito privado; b) não pode ter finalidade lucrativa; c) deve atuar nas atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura ou saúde. Percebe-se, pois, que as atividades previstas na Lei 9.637/1998 são muito importantes para a coletividade. Entretanto, este tipo de serviço nem sempre é lucrativo para a iniciativa privada, ainda mais porque seus benefícios podem atingir indistintamente diversas pessoas, que acabam usufruindo de seus benefícios sem pagar por eles. Por exemplo, uma entidade que atua na preservação do meio ambiente trará benefícios para toda a sociedade, porém não há como cobrar esse tipo de serviço de uma ou outra pessoa. Dessa forma, o Estado deve atuar indiretamente, 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 91 transferindo recursos para que essa entidade atue no interesse da sociedade. Nesse contexto, as entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas como entidades de interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais (art. 11). A Lei das OS estabelece, ainda, que poderão ser destinados às organizações sociais recursos orçamentários e bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão. É importante destacar, também, que o artigo 24 da Lei 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos) estabelece como hipótese de dispensa de licitação a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão. Explicando melhor o caso acima, a dispensa de licitação é para a Administração Pública contratar a organização social. Todavia, quando a OS for a entidade contratante a situação será diferente e o tema se mostra bem polêmico. O Decreto 5.504/2005 (art. 1º, §5º) determina que na contratação de obras, compras, serviços e alienações, envolvendo recursos repassados voluntariamente pela União, as organizações sociais deverão realizar licitação pública, nos moldes previsto na legislação federal. Quando se tratar de aquisição de bens ou serviços comuns, será obrigatória a modalidade de pregão, preferencialmente na forma eletrônica (Decreto 5.504/2005, art. 1º, §1º). Acontece, no entanto, que o art. 11 do Decreto 6.170/2007 estabelece que “a aquisição de produtos e a contratação de serviços com recursos da União transferidos a entidades privadas sem fins lucrativos deverão observar os princípios da impessoalidade, moralidade e economicidade, sendo necessária, no mínimo, a realização de cotação prévia de preços no mercado antes da celebração do contrato”. Alguns doutrinadores entendem que essa regra não se aplica às organizações sociais. Porém, o Tribunal de Contas da União, em decisões recentes, vem assentando posicionamento de que essas entidades não devem seguir a Lei de Licitações e Contratos, mas sim o regulamento próprio. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 91 Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o mérito da ADI 1.923/DF, em 16 de abril de 2015, considerou que os contratos a serem celebrados pelas organizações sociais com terceiros, com recursos públicos, devem ser conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade32. Assim, a partir do julgamento deste julgamento, não mais subsiste dúvida: as organizações sociais não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o seu regulamento próprio. O entendimento de que as organizações sociais devem realizar licitação também está superado no TCU. O assunto foi discutido amplamente no Proc. TCU 018.739/2012-1, que culminou no Acórdão 3.239/2013 – TCU/Plenário, que apontou, entre outros entendimentos, o seguinte33: 9.8.2.5. as organizações sociais submetem-se a regulamento próprio sobre compras e contratação de obras e serviços com emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios da impessoalidade, moralidade e economicidade, sendo necessário, no mínimo, cotação prévia de preços no mercado; Além disso, a própria Lei 9.637/1998 determina que a organização social fará publicar, no prazo máximo de noventa dias contado da assinatura do contrato de gestão, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contrataçãode obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público (art. 17). Dessa forma, em divergência com parte da doutrina, mas seguindo o posicionamento recente do Tribunal de Contas da União e do Supremo Tribunal Federal, apontamos que as organizações sociais não se submetem à Lei 8.666/1993, mas a procedimento próprio, que deve observar os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 32 ADI 1.923/DF, julgamento em 16/4/2015. 33 Acórdão 3239/2013 に TCU に Plenário, julgamento em 27/11/2013. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 91 Em termos mais objetivos, as organizações sociais não realizam licitação pública, mas apenas um procedimento objetivo de seleção de seus fornecedores e prestadores de serviços. Aprovação da qualificação Mesmo que a entidade preencha os requisitos, não é certo que será qualificada como organização social. A qualificação depende de aprovação do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado (esse Ministério foi extinto e suas atribuições foram absorvidas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão). A Lei 9.637/1998 dispõe que a aprovação dependerá do juízo de conveniência e oportunidade das autoridades acima mencionadas (art. 2º, II), ou seja, trata-se de decisão discricionária. Assim, são requisitos específicos para que as entidades privadas habilitem-se à qualificação como organização social (art. 2º): 1. comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre: a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de atuação; b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades; c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei; d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral; e) composição e atribuições da diretoria; f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de gestão; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 91 g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma do estatuto; h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade; i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por estes alocados; II - haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado. Conselho de administração Para obter a qualificação como OS, a entidade sem fins lucrativos deve possuir um conselho de administração, que deverá estar estruturado, nos termos do estatuto da organização, observando os seguintes critérios básicos (art. 3º)34: I - ser composto por: a) 20 a 40% (vinte a quarenta por cento) de membros natos representantes do Poder Público, definidos pelo estatuto da entidade; b) 20 a 30% (vinte a trinta por cento) de membros natos representantes de entidades da sociedade civil, definidos pelo estatuto; c) até 10% (dez por cento), no caso de associação civil, de membros eleitos dentre os membros ou os associados; d) 10 a 30% (dez a trinta por cento) de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, dentre pessoas de notória capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral; 34 Não há necessidade de memorizar os percentuais de composição, mas apenas entender a composição do conselho de administração da entidade que deseja qualificar-se como organização social. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 91 e) até 10% (dez por cento) de membros indicados ou eleitos na forma estabelecida pelo estatuto; II - os membros eleitos ou indicados para compor o Conselho devem ter mandato de quatro anos, admitida uma recondução; III - os representantes de entidades previstos nas alíneas "a" e "b" do inciso I devem corresponder a mais de 50% (cinquenta por cento) do Conselho; IV - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de dois anos, segundo critérios estabelecidos no estatuto; V - o dirigente máximo da entidade deve participar das reuniões do conselho, sem direito a voto; VI - o Conselho deve reunir-se ordinariamente, no mínimo, três vezes a cada ano e, extraordinariamente, a qualquer tempo; VII - os conselheiros não devem receber remuneração pelos serviços que, nesta condição, prestarem à organização social, ressalvada a ajuda de custo por reunião da qual participem; VIII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem renunciar ao assumirem funções executivas. Além disso, devem ser atribuições privativas do Conselho de Administração, dentre outras (art. 4º): a) fixar o âmbito de atuação da entidade, para consecução do seu objeto; b) aprovar a proposta de contrato de gestão da entidade; c) aprovar a proposta de orçamento da entidade e o programa de investimentos; d) designar e dispensar os membros da diretoria; e) fixar a remuneração dos membros da diretoria; f) aprovar e dispor sobre a alteração dos estatutos e a extinção da entidade por maioria, no mínimo, de dois terços de seus membros; g) aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mínimo, sobre a estrutura, forma de gerenciamento, os cargos e respectivas competências; h) aprovar por maioria, no mínimo, de dois terços de seus membros, o regulamento próprio contendo os procedimentos que deve adotar 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 91 para a contratação de obras, serviços, compras e alienações e o plano de cargos, salários e benefícios dos empregados da entidade; i) aprovar e encaminhar, ao órgão supervisor da execução do contrato de gestão, os relatórios gerenciais e de atividades da entidade, elaborados pela diretoria; j) fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas eaprovar os demonstrativos financeiros e contábeis e as contas anuais da entidade, com o auxílio de auditoria externa. Como se vê, o conselho de administração é o órgão responsável pela fixação das diretrizes máximas, bem como da fiscalização das atividades desempenhadas pela organização social. Vale reforçar que é vedada a remuneração dos membros do conselho de administração, salvo o pagamento de ajuda de custo para participação nas reuniões; enquanto a remuneração dos membros da diretoria é permitida. Os membros do conselho de administração não podem ser remunerados, enquanto os membros da diretoria podem. Contrato de gestão De acordo com o artigo 5º da Lei 9.637/1998, entende-se por contrato de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. A parceria entre o Poder Público e a OS se formaliza por meio de contrato de gestão. O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o órgão ou entidade supervisora e a organização social, deverá discriminar as atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da organização social (art. 6º). Com efeito, o contrato de gestão deve ser submetido, após aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 91 ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à atividade fomentada (art. 6º, parágrafo único). Ademais, na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, também, os seguintes preceitos (art. 7º): I - especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade; II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício de suas funções. Finalmente, os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos contratos de gestão de que sejam signatários. Fiscalização e execução do contrato A execução do contrato de gestão celebrado por organização social será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada (art. 8º). Nesse contexto, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse público, a entidade qualificada apresentará ao órgão ou entidade do Poder Público supervisora signatária do contrato relatório pertinente à execução do contrato de gestão, contendo comparativo específico das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado da prestação de contas correspondente ao exercício financeiro (art. 8º, §1º). Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem ser analisados, periodicamente, por comissão de avaliação, indicada pela autoridade supervisora da área correspondente, composta por especialistas de notória capacidade e adequada qualificação (art. 8º, §2º). Além disso, a comissão deve encaminhar à autoridade supervisora relatório conclusivo sobre a avaliação procedida (art. 8º, §3º). Os responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União – TCU, sob pena de 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 91 responsabilidade solidária (art. 9º), ou seja, poderão responder juntamente com as pessoas que derem causa à irregularidade ou à ilegalidade. Além da representação ao TCU, se a gravidade dos fatos ou o interesse público assim exigir, existindo indícios fundados de malversação35 de bens ou recursos de origem pública, os responsáveis pela fiscalização representarão ao Ministério Público, à Advocacia-Geral da União ou à Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e o sequestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público (art. 10). Nessa situação, até o término da ação, o Poder Público permanecerá como depositário e gestor dos bens e valores sequestrados ou indisponíveis e velará pela continuidade das atividades sociais da entidade (art. 10, §3º). Por fim, se for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações mantidas pelo demandado no País e no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais (art. 10, §2º). Fomento às atividades sociais (formas de incentivo) As entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas, para todos os efeitos legais, como entidades de interesse social e utilidade pública (art. 11). Por conseguinte, receberão incentivos do Estado, como forma de fomento para o desempenho de suas atribuições. As formas de incentivo previstas na legislação são as seguintes: a) poderão ser destinados recursos orçamentários necessários ao cumprimento do contrato de gestão (art. 12); De acordo com o art. 12, §1º, são assegurados às organizações sociais os créditos previstos no orçamento e as respectivas liberações financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto no contrato de gestão. Além disso, poderá ser adicionada, aos créditos orçamentários destinados ao custeio do contrato de gestão, parcela de recursos para compensar desligamento de servidor cedido, desde que haja justificativa expressa da necessidade pela organização social. 35 Malversação significa má administração ou má gerências dos recursos ou bens de origem pública. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 91 b) poderão ser destinados bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão (art. 12); A destinação de bens às organizações sociais ocorrerá mediante permissão de uso, dispensada licitação, conforme cláusula expressa do contrato de gestão (art. 12, §3º). A permissão de uso é o instrumento que permite que a organização social se utilize de bens públicos para realizar a prestação dos serviços objeto do convênio. Seria o caso, por exemplo, de um hospital público que passa a ser administrado por uma organização social. Nessa situação, o imóvel e os equipamentos públicos poderão ser utilizados pela OS mediante permissão de uso, na forma definida no contrato de gestão. Consoante o art. 13 da Lei 9.637/1998, os bens móveis públicos permitidos para uso poderão ser permutados (trocados) por outros de igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem o patrimônio da União. A permuta, no entanto, dependerá sempre de prévia avaliação do bem e expressa autorização do PoderPúblico. c) cessão especial de servidor público para as organizações sociais, com ônus para o órgão de origem do servidor (art. 14); O art. 14 faculta ao Poder Executivo realizar a cessão especial de servidor para as organizações sociais, com ônus para a origem. Imagine, por exemplo, que uma secretaria de saúde firmou um contrato de gestão com uma organização social para que esta última passasse a gerir um hospital público. Nesse caso, o Poder Executivo poderá ceder os servidores que já trabalhavam no hospital para a OS, como enfermeiros, administradores, médicos, etc. Caso ocorra a cessão, não será incorporada aos vencimentos ou à remuneração de origem do servidor cedido qualquer vantagem pecuniária que vier a ser paga pela organização social (art. 14, §1º). Também não será permitido o pagamento de vantagem pecuniária permanente por organização social a servidor cedido com recursos provenientes do contrato de gestão, ressalvada a hipótese de adicional relativo ao exercício de função temporária de direção e assessoria (art. 14, §2º). Ademais, o servidor cedido perceberá as vantagens do cargo a que fizer juz no órgão de origem, quando ocupante de cargo de primeiro ou de segundo escalão na organização social (art. 14, §3º). d) dispensa de licitação com o Poder Público para a prestação das atividades contempladas no contrato de gestão; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 91 A Lei 9.648/1998 incluiu o inciso XXIV no art. 24 da Lei 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos), permitindo que a administração pública dispense a licitação para a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão. Dessa forma, é possível que a administração contrate os serviços de uma OS por meio de dispensa de licitação, desde que que a organização seja qualificada no âmbito das respectivas esferas de governo e que o serviço refira-se às atividades contempladas no contrato de gestão. Desqualificação O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como organização social, quando constatado o descumprimento das disposições contidas no contrato de gestão (art. 16). Para tanto, a desqualificação será precedida de processo administrativo, assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os dirigentes da organização social, individual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão (art. 16, §1º). Por fim, a desqualificação importará reversão dos bens permitidos e dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de outras sanções cabíveis (art. 16, §2º). Programa Nacional de Publicização O Plano Direito da Reforma do Aparelho do Estado – Pdrae definiu como objetivo para os chamados “serviços não-exclusivos” realizar a transferências das atividades realizadas pelas fundações públicas para as organizações sociais. Na prática, o que passou a ocorrer foi a transferência de atividades da administração pública direta para as organizações sociais. Por exemplo, é muito comum verificar, no âmbito dos estados e municípios, a realização da transferência de atividades realizadas pelas secretarias de saúde para as organizações sociais, como a administração de hospitais, ambulatórios, postos de atendimento – as organizações sociais se desenvolveram principalmente no setor de saúde. Por esse motivo, o programa de publicização é amplamente criticado na doutrina, pois representaria uma forma indevida de substituir os órgãos 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 91 públicos por organizações sociais, fugindo, assim, do regime jurídico- administrativo. Vale reforçar que as organizações sociais não integram a administração pública e, portanto, não se submetem a várias das sujeições decorrentes do princípio da indisponibilidade do interesse público. Não obstante, tais discussões são hoje irrelevantes. Em 16 de abril de 2015, o Supremo Tribunal Federal realizou o julgamento de mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 1.923/DF, entendendo que a Lei 9.637/1998 é constitucional. No mérito da ADI 1.923/DF, o STF julgou parcialmente procedente o pedido, apenas para conferir interpretação conforme à Constituição à Lei nº 9.637/98 e ao art. 24, XXIV da Lei nº 8.666/93, incluído pela Lei nº 9.648/98, para que: (i) o procedimento de qualificação seja conduzido de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal, e de acordo com parâmetros fixados em abstrato segundo o que prega o art. 20 da Lei nº 9.637/98; (ii) a celebração do contrato de gestão seja conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal; (iii) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei nº 8.666/93, art. 24, XXIV) e outorga de permissão de uso de bem público (Lei nº 9.637/98, art. 12, § 3º) sejam conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal; (iv) os contratos a serem celebrados pela Organização Social com terceiros, com recursos públicos, sejam conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal, e nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade; (v) a seleção de pessoal pelas Organizações Sociais seja conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 91 (vi) para afastar qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da aplicação de verbas públicas. Em resumo, o STF considerou constitucional a Lei, mas deixou evidente que os contratos de gestão e as atividades das organizações sociais custeadas por recursos públicos devem ser conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios constitucionais expressos da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência). Ademais, o STF entendeu que as OS não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o seu regulamento próprio (conforme item iv acima), e não precisam realizar concurso público, mas devem conduzir a seleção de pessoal de forma impessoal, nos termos do regulamento próprio de cada entidade (conforme item v acima). Dessa forma, podemos observar que, de acordo com o STF, o programa de publicização dos serviços públicos é constitucional. Nessa linha, o art. 20 da Lei 9.637/1998 dispõe que será criado, mediante decreto do Poder Executivo, o Programa Nacional de Publicização - PNP, com o objetivo de estabelecer diretrizes e critérios para a qualificação de organizações sociais, a fim de assegurar a absorção de atividades desenvolvidas por entidades ou órgãos públicos da União, que atuem nas atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde, por organizações sociais, qualificadas na forma desta Lei. Com efeito, o PNP deverá observar as seguintes diretrizes:a) ênfase no atendimento do cidadão-cliente; b) ênfase nos resultados, qualitativos e quantitativos nos prazos pactuados; c) controle social das ações de forma transparente. Assim, a ideia é que as organizações sociais absorvam as atividades não exclusivas do Estado, substituindo as entidades e órgãos públicos que as desenvolviam. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 91 Organizações da sociedade civil de interesse público (Oscip) Noções gerais Recorrendo novamente aos ensinamentos da Prof. Maria Sylvia Di Pietro, encontramos o seguinte conceito de organização da sociedade civil de interesse público: Trata-se de qualificação jurídica dada a pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para desempenhar serviços sociais não exclusivos do Estado com incentivo e fiscalização do Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído por meio de termo de parceria. (grifos nossos) Assim, é possível perceber que os regimes estabelecidos pela Lei 9.637/1998 (OS) e pela Lei 9.790/1999 são muito semelhantes. Nos dois casos, as leis estabelecem uma modalidade de qualificação jurídica a ser atribuída a pessoas de direito privado em razão das atividades que venham a desenvolver em parceria com o Poder Público36. Não se trata, portanto, de uma nova categoria de pessoa jurídica, mas de uma possibilidade de qualificação especial mediante contratualização de resultados em troca de alguns benefícios estabelecidos em lei. Da mesma forma como ocorre com a Lei das Organizações Sociais, a Lei 9.790/1999 (Lei das Oscip) disciplina o assunto apenas para o nível federal, mas as suas disposições são muitas vezes copiadas pelos estados e municípios, que incorporam, ainda, os novos entendimentos firmados pelo Judiciário ou pelo Tribunal de Contas da União. Assim, vamos trabalhar o assunto nos termos da Lei 9.790/1999. Segundo a Lei 9.790/1999, podem qualificar-se como Oscip as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos na Lei (art. 1º). Considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social (art. 1º, parágrafo único). 36 Alexandrino e Paulo, 2011, p.148-149. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 91 Para receber a qualificação, as Oscip deverão atuar em uma das seguintes áreas (art. 3º, Lei 9.790/1999): a) promoção da assistência social; b) promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; c) promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; d) promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; e) promoção da segurança alimentar e nutricional; f) defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; g) promoção do voluntariado; h) promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; i) experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; j) promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; k) promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; l) estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. Por outro lado, a Lei apresenta um rol de pessoas jurídicas que não podem ser qualificadas como Oscip, mesmo que desempenhem alguma das atividades mencionadas acima (art. 2º, Lei 9.790/1999): a) as sociedades comerciais; b) os sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria profissional; c) as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos, cultos, práticas e visões devocionais e confessionais; d) as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações; e) as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de associados ou sócios; f) as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 91 g) as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras; h) as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas mantenedoras; i) as organizações sociais; j) as cooperativas; k) as fundações públicas; l) as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por órgão público ou por fundações públicas; m) as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere o art. 192 da Constituição Federal. Nesse contexto, não é possível, por exemplo, qualificar uma OS como Oscip. Dessa forma, nenhuma entidade pode ser qualificada concomitantemente como OS e Oscip. Aprovação da qualificação A legislação federal estabelece que o interessado em se qualificar como Oscip formular requerimento escrito ao Ministério da Justiça, que, verificando o cumprimento dos requisitos previstos na Lei, deferirá e expedirá o certificado de qualificação. Nesse caso, a competência é vinculada, pois cabe ao Ministro da Justiça apenas verificar se os requisitos foram atendidos e, se positivo, deverá conceder a qualificação. Juntamente com o requerimento, a pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, interessada em obter a qualificação de Oscip, deverá instruir o pedido com cópias autenticadas dos seguintes documentos: a) estatuto registrado em cartório; b) ata de eleição de sua atual diretoria; c) balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício; d) declaração de isenção do imposto de renda; e) inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. A Lei dispõe que o Ministro da Justiça só poderá indeferir o pedido de qualificação se: 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 91 a) a requerente enquadrar-se nas hipóteses previstas no art. 2º da Lei (relação das entidades que não são passíveis de qualificação); b) a requerente não atender aos requisitos descritos nos arts. 3º (áreas de atuação das Oscip) e 4º (algumas regras específicas) da Lei; c) a documentação apresentada estiver incompleta. Formação do vínculo Enquanto o contrato de gestão é celebrado com as organizações sociais, o termo de parceria é o instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações daSociedade Civil de Interesse Público (Oscip) destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas na Lei (art. 9º da Lei 9.790/1999). Assim, o termo de parceria também é um instrumento de contratualização de resultados, estabelecendo objetivos, metas e prazos, critérios de avaliação, previsões de receitas e despesas e obrigações das OSCIP37. Enquanto o vínculo da OS ocorre por meio de contrato de gestão; para a OSCIP ocorre por meio de termo de parceria. A escolha da organização da sociedade civil de interesse público, para a celebração do termo de parceria, deverá ser feita por meio de publicação de edital de concursos de projetos pelo órgão estatal parceiro para obtenção de bens e serviços e para a realização de atividades, eventos, consultoria, cooperação técnica e assessoria (Decreto 3.100/1999, art. 23). Nesse contexto, deverá ser dada publicidade ao concurso de projetos, especialmente por intermédio da divulgação na primeira página do sítio oficial do órgão estatal responsável pelo Termo de Parceria, bem como no Portal dos Convênios previsto no Decreto no 6.170/2007. O Decreto 3.100/1999 excepciona a realização de concursos de projetos somente mediante decisão fundamentada do titular do órgão estatal, nas seguintes situações (art. 23, §2º): 37 Paludo, 2013, p. 39. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 91 I - nos casos de emergência ou calamidade pública, quando caracterizada situação que demande a realização ou manutenção de Termo de Parceria pelo prazo máximo de cento e oitenta dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação da vigência do instrumento; II - para a realização de programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa comprometer sua segurança; III - nos casos em que o projeto, atividade ou serviço objeto do Termo de Parceria já seja realizado adequadamente com a mesma entidade há pelo menos cinco anos e cujas respectivas prestações de contas tenham sido devidamente aprovadas. Por fim, após ser instaurado o processo de seleção por concurso, é vedado ao Poder Público celebrar Termo de Parceria para o mesmo objeto, fora do concurso iniciado. Sobre a realização de licitação por parte das Oscip, apresentamos as mesmas regras previstas para as organizações sociais. A doutrina costuma considerar a necessidade de seguir a Lei de Licitações. No entanto, a Lei 9.790/1999 determina que essas entidades devem elaborar, no prazo máximo de 30 dias, contado da assinatura do termo de parceria, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência. Além disso, o TCU entendeu que o Decreto 5.504/2005 não seria compatível com a Lei 9.790/1999 e, portanto, as Oscip não se submetem à Lei 8.666/19993. Conforme consta no Acórdão 1.777/2005- TCU/Plenário: [...] as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - Oscips, contratadas pela Administração Pública Federal, por intermédio de Termos de Parceria, submetem-se ao Regulamento Próprio de contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência, nos termos do art. 14, c/c o art. 4º, inciso I, todos da Lei 9.790/99; (grifos nossos) 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 91 Fiscalização A Lei 9.790/1999 determina que a execução do objeto do termo de parceria será acompanhada e fiscalizada por órgão do Poder Público da área de atuação correspondente à atividade fomentada, e pelos Conselhos de Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em cada nível de governo. Com efeito, os resultados atingidos com a execução do termo de parceria devem ser analisados por comissão de avaliação, composta de comum acordo entre o órgão parceiro e a Oscip. Além disso, a comissão encaminhará à autoridade competente relatório conclusivo sobre a avaliação procedida. Ademais, os termos de parceria destinados ao fomento de atividades nas áreas previstas na Lei estarão sujeitos aos mecanismos de controle social previstos na legislação. Desqualificação da Oscip A entidade poderá perder a qualificação se deixar de cumprir as exigências previstas em lei e no termo de parceria. A perda poderá ocorrer: (a) a pedido; ou (b) mediante decisão proferida em processo administrativo ou judicial, de iniciativa popular ou do Ministério Público, no qual serão assegurados, ampla defesa e o devido contraditório. Além disso, qualquer cidadão, respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, é parte legítima para requerer, judicial ou administrativamente, a perda da qualificação da OSCIP. No entanto, a Lei veda o anonimato e exige que o requerimento esteja amparado por fundadas evidências de erro ou fraude. Diferenças entre OS e Oscip As bancas de concurso público costumam explorar as diferenças entre as OS e as Oscip. Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, enquanto as OS recebem delegação para prestar serviços públicos, as Oscip exercem atividade privada com a ajuda do Estado38, abrangendo os setores de saúde, educação, cultura e meio ambiente (o artigo 3º da Lei 9.790/1999 apresenta um longo rol de áreas de atuação das Oscip). 38 Di Pietro, 2010, apud Paludo, 2013, p. 39. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 91 Outra característica marcante é que as OS pactuam os resultados por meio do contrato de gestão e as Oscip utilizam o termo de parceira. Ademais, as OS recebem a qualificação de forma discricionária do Ministro de Estado do setor correspondente de atuação e as Oscip serão sempre qualificadas pelo Ministro da Justiça, devendo conceder o “certificado de qualificação” de forma vinculada, isto é, uma vez preenchidos os requisitos, o Ministro da Justiça deve qualificar a entidade como OSCIP. O quadro abaixo resume as principais características e diferenças entre as OS e OSCIP: OS ʹ Lei 9.637/1998 Oscip ʹ Lei 9.790/1999 Pessoa privada, não integrante da administração pública (entidades paraestatais). Atuação em áreas de interesse social, especificadas na lei respectiva. Vedada finalidade de lucro. Foram idealizadas para substituir órgãos e entidades da administração pública, que seriam extintos e teriam suas atividades さ;Hゲラヴ┗キS;ゲざ ヮWノ; O“く Não foram idealizadas para substituir órgãos ou entidades da administração. Formaliza a parceria com o poder público mediante contrato de gestão, condição indispensável para a entidade fazer jus ao fomento a suas atividades. Formaliza a parceria com o poder público mediante termo de parceria, condição indispensável para a entidade fazer jus ao fomento a suas atividades. Qualificação é ato discricionário. Qualificação é ato vinculado. Qualificação depende de aprovação pelo Ministro de Estado ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividadecorrespondente ao objeto social da OS. Qualificação concedida pelo Ministério da Justiça. Uma entidade não pode ser qualificada concomitantemente como OS e OSCIP. A lei exige que a OS possua um conselho de administração, do qual participem representantes do poder público. Não exige que a OS tenha conselho fiscal. A lei exige que a Oscip tenha um conselho fiscal; não exige que a Oscip tenha um conselho de administração. Não há exigência de que existam representantes do poder público em algum órgão da entidade. É hipótese de licitação dispensável a contratação de OS pelo poder público, para a OS prestar ao poder público serviços contemplados no contrato de gestão. Não existe hipótese legal específica de licitação dispensável para a contratação de Oscip pelo poder público. O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como A entidade perderá a qualificação como Oscip quando descumprir as normas 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 91 organização social, quando constatado o descumprimento das disposições contidas no contrato de gestão. Necessário processo administrativo, assegurado o contraditório e a ampla defesa. estabelecidas na lei, mediante decisão em processo administrativo ou judicial, de iniciativa popular ou do Ministério Público. Adaptado de Alexandrino e Paulo, 2011, p. 155. Acrescenta-se, ainda, que existe previsão de cessão especial de servidor público para as organizações sociais, enquanto não existe previsão de cessão para as organizações da sociedade civil de interesse público. Entidades de apoio Para Maria Di Pietro, por entidades de apoio, podem-se entender: [...] as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por servidores públicos, porém em nome próprio, sob a forma de fundação, associação ou cooperativa, para a prestação, em caráter privado, de serviços sociais não exclusivos do Estado, mantendo vínculo jurídico com entidades da administração direta ou indireta, em regra por meio de convênio. São entidades paraestatais e, portanto, não integram a Administração Pública. Além disso, o vínculo entre essas entidades e o Poder Público é realizado, em regra, por meio de convênio. Ademais, elas atuam mais comumente em hospitais públicos e universidades públicas. Não há uma lei geral que disponha sobre as chamadas entidades de apoio. Só existe, atualmente, regramento para um tipo específico de entidades de apoio, que é a Lei 8.958/1994, regulamentada pelo Decreto 7.423/2010, que estabelece regras para as fundações de apoio a Instituições Federais de Ensino Superior - IFES e demais Instituições Científicas e Tecnológicas – ICTs. Segundo a Lei, essas instituições devem ter por finalidade “apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos” (art. 1º). Além disso, a Lei permite, com base no art. 24, XIII, da Lei 8.666/1993, que a celebração de convênios e contratos entre as fundações de apoio e as Instituições Federais de Ensino Superior - IFES e entre as 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 91 fundações de apoio e as Instituições Científicas e Tecnológicas – ICTs seja realizada por dispensa de licitação. Sobre a contratação de obras, compras e serviços, até 2013, a legislação exigia que essas entidades observassem a legislação federal sobre licitações e contratos. No entanto, o dispositivo foi alterado pela Lei 12.863, de 24 de setembro de 2013, que passou a dispor que fundações de apoio adotarão regulamento específico de aquisições e contratações de obras e serviços, a ser editado por meio de ato do Poder Executivo federal. O mencionado regulamento consta no Decreto 8.241, de 21 de maio de 2014. Assim, a regra atual é que essas entidades seguem regulamento próprio, sem precisar seguir a Lei de Licitações e Contratos. Lembrando, finalmente, que essas regras alcançam somente um grupo específico de entidades de apoio, que são as fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos de interesse das IFES e demais ICT. Visto o assunto, vamos resolver algumas questões. 37. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Às organizações sociais é vedada a finalidade de lucro, devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. Comentário: existem três requisitos para que uma entidade possa ser qualificada como organização social: (i) deve ter personalidade jurídica de direito privado; (ii) não pode ter finalidade lucrativa; (iii) deve atuar nas atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura ou saúde. Dessa forma, podemos notar que o item está correto, pois descreveu duas características que uma entidade precisa para ser organização social (vedação ao lucro e tipo de atividade desempenhada). Ademais, ainda que esteja incompleta a questão, ela não está errada, uma vez que não houve menção de que esses seriam todos os requisitos para a 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 91 qualificação. Assim, de fato uma organização social não pode ter lucro e suas atividades devem ser uma dessas mencionadas na questão. Gabarito: correto. 38. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) As organizações da sociedade civil de interesse público são pessoas jurídicas de direito privado que firmam contrato de gestão com o poder público, com a finalidade de firmar parceria entre as partes, objetivando o fomento e a execução de atividades de interesse social, sem fins lucrativos. Comentário: o instrumento utilizado para firmar o vínculo do Estado com uma organização da sociedade civil de interesse público é o termo de parceria. O contrato de gestão, por outro lado, é utilizado para firmar o vínculo com as organizações sociais. Por isso a questão está errada. O restante das informações, porém, está correto. Gabarito: errado. 39. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito público ou privado que atuam ao lado do Estado, executando atividades de interesse público, porém não privativos do ente estatal. Comentário: as entidades paraestatais são entidades privadas e, portanto, possuem personalidade jurídica de direito privado. Assim, não existe entidade paraestatal de direito público. O restante da questão está correto, pois elas atuam ao lado do Estado e executam atividades de interesse público, mas que não sejam privativas de Estado. Por exemplo, uma entidade paraestatal não pode realizar a regulação de serviços públicos, pois tal atribuição é privativa do ente estatal. Por outro lado, elas podem prestar serviços na área da saúde, uma vez que se trata de serviço de interesse público, mas não privativo de Estado. Gabarito: errado. 40. (Cespe – ACE/TC-DF/2012) Uma OSCIP que receba recursos financeiros oriundos de termo de parceria como governo do DF estará obrigada a seguir a Lei de Licitações da administração pública para comprar com esses recursos. Comentário: o art. 14 da Lei 9.790/1999 estabelece que: Art. 14. A organização parceira fará publicar, no prazo máximo de trinta dias, contado da assinatura do Termo de Parceria, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios estabelecidos no inciso I do art. 4o desta Lei. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 91 Como o termo de parceria foi firmado com o DF e, nesse caso, não se aplica o Decreto 5.504/2005, não sobra nenhuma dúvida sobre o assunto, ou seja, a entidade não segue a Lei de Licitações, mas sim o procedimento próprio. No caso da União, teríamos toda aquela dúvida sobre a necessidade ou não de seguir a Lei 8.666/1993, porém, conforme argumentos já apresentados, entendemos que a entidade, mesmo sendo da União, deve seguir o procedimento próprio. De qualquer forma, a questão está errada. Gabarito: errado. 41. (Cespe – Adv/AGU/2012) Para que sociedades comerciais e cooperativas obtenham a qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, é preciso que elas não possuam fins lucrativos e que tenham em seus objetivos sociais a finalidade de promoção da assistência social. Comentário: realmente é necessário que a entidade não possua fins lucrativos. Além disso, a promoção da assistência social é uma das atividades compatíveis com a qualificação da organização social, conforme consta no art. 3º, I, da Lei 9.790/1999. No entanto, a Lei veda a qualificação de “sociedades comerciais” e de “cooperativas”, conforme consta no art. 2º, I e X, respectivamente. Logo, o item está errado. Gabarito: errado. 42. (Cespe – TNS/PRF/2012) As organizações sociais não estão compreendidas no rol das entidades que constituem a administração pública indireta. Comentário: nenhuma entidade para estatal integra a administração pública, seja direta ou indireta. Assim, o item está correto, pois as organizações sociais não estão compreendidas no rol das entidades que constituem a administração pública indireta. Gabarito: correto. 43. (Cespe – Delegado/PC BA/2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas privadas que colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, mas não integram a estrutura da administração pública. Comentário: essa questão é para arrematar. As entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por particulares – portanto, não integrantes da Administração Pública –, que atuam em colaboração ou apoio ao Estado na prestação de atividades de utilidade pública. Logo, o item está correto. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 91 Gabarito: correto. 44. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As entidades paraestatais não se sujeitam à licitação, e seus empregados submetem-se ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho, às normas acidentárias e à justiça trabalhista. Comentário: inicialmente, não iríamos trabalhar essa questão para evitar confusão. Porém, vamos aprofundar bem a explicação para demonstrar o nosso entendimento. O fato é que os empregados das entidades paraestatais se submetem ao regime da CLT e, portanto, às normas acidentárias e à justiça do trabalho. No que se refere à licitação, o posicionamento do TCU é de que essas entidades não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o procedimento próprio. No caso dos serviços sociais autônomos o entendimento já era pacificado. Para as OSCIPs o TCU possui tal entendimento desde 2005. No caso das organizações sociais, existia uma confusão maior, mas desde 2013 o posicionamento vai se consolidando para a não necessidade de seguir a Lei de Licitações. Por fim, para as entidades de apoio, a legislação sofreu grandes modificações no final do ano passado e, atualmente, as contratações do único tipo dessas entidades que possui regulamentação (fundações de apoio às IFES e às demais ICT – Lei), estão disciplinadas no Decreto 8.241, de 21 de maio de 2014, ou seja, não seguem a Lei 8.666/1993. Assim, entendo que atualmente esse item deveria ser considerado correto. De qualquer forma, o gabarito oficial é questão errada. Gabarito: errado. QUESTÕES FCC 45. (FCC - AJ/TRF-1/2011) NÃO é considerada característica da sociedade de economia mista a) a criação independente de lei específica autorizadora. b) a personalidade jurídica de direito privado. c) a sujeição a controle estatal. d) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei. e) o desempenho de atividade de natureza econômica. Comentário: podemos citar como características das empresas públicas e das sociedades de economia mista, entre outras: a criação e extinção autorizadas por lei; (a) personalidade jurídica de direito privado; (b) 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 91 sujeição ao controle estatal; (c) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público; vinculação aos fins definidos na lei instituidora; (d) desempenho de atividade de natureza econômica. (e) Assim, podemos afirmar que a alternativa incorreta é a letra A, visto que a instituição de uma sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei específica. Gabarito: alternativa A. 46. (FCC - ACE/TCE-AP/2012) Uma sociedade de economia mista foi condenada em ação judicial movida por empresa contratada ao pagamento por serviços executados e não pagos. Iniciada a execução judicial e recusando-se a pagar espontaneamente o débito, a sociedade de economia mista a) deverá ser executada da mesma forma que as entidades integrantes da Administração direta, em razão da sujeição aos princípios aplicáveis à Administração Pública. b) está protegida pela impenhorabilidade de seus bens e receitas, em face do regime de direito público a que se submete. c) poderá ter seu patrimônio penhorado, eis que submetida às mesmas obrigações civis, trabalhistas e fiscais das empresas privadas. d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se submete ao mesmo regime destas, exceto quanto às obrigações tributárias. e) somente poderá ter seus bens e receitas penhoradas em relação às obrigações trabalhistas. Comentário: a) em regra, as sociedades de economia mista devem se sujeitar ao mesmo regime jurídico das empresas privadas. Com efeito, no caso de ação de execução judicial (ação utilizada para exigir um direito reconhecido, como a cobrança de uma dívida), também serão seguidas as mesmas regras das empresas privadas, uma vez que, normalmente, os bens dessas entidades são considerados como bens privados – ERRADA; b) os bens das SEMs não possuem o atributo da impenhorabilidade, uma vez que são bens privados. Logo, o item está errado. Lógico que há a exceção dos bens das empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviço público, que, quando estiverem afetados diretamente à prestação do serviço, gozarão dos mesmos privilégios da fazenda pública, em homenagem ao princípio da continuidade – ERRADA; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentadosProf. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 91 c) Exatamente! Em regra, o patrimônio dessas entidades poderá ser penhorado, eis que se submetem às mesmas obrigações civis, trabalhistas e fiscais das empresas privadas – CORRETA; d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se submete ao mesmo regime destas, exceto inclusive quanto às obrigações tributárias – ERRADA; e) as SEMs sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários – ERRADA. Gabarito: alternativa C. 47. (FCC – TCE-AP/Controle Externo/2012) O Estado pretende criar entidade dotada de autonomia, integrante da Administração indireta, para exercer atividade de natureza econômica, com a participação de entidade privada na constituição do correspondente capital social. Atende a tal objetivo a) uma Empresa pública. b) uma Sociedade de economia mista. c) uma Parceria Público-Privada. d) um Consórcio público. e) uma Organização Social − OS. Comentário: a Administração indireta é composta por autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Vimos que apenas essas últimas são utilizadas para exercer atividade econômica. Contudo, as empresas públicas são compostas por capital 100% público, enquanto as SEM admitem capital público e privado, mas a maioria do capital com direito a voto deve ser público. Dessa forma, o gabarito é a opção B. As parcerias público-privadas são contratos de concessão regulados pela Lei 11.079/2004. Os consórcios públicos são pessoas jurídicas de direito público, quando associação pública, ou de direito privado, decorrentes de contratos firmados entre os entes federados, após autorização legislativa de cada um, para a gestão associada de serviços públicos e de objetivos comuns dos consorciados, através de delegação e sem fins econômicos. Assim, os consórcios públicos constituem uma modalidade de delegação de serviços públicos por contrato. Quando de direito público (associações públicas), os consórcios integram a administração indireta de todos os entes da Federação consorciados, constituindo-se em uma espécie de autarquia interfederativa. De qualquer forma, os consórcios não se destinam a fins econômicos. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 91 Por último, as OS não integram a Administração indireta (nem direta) e também não realizam atividade econômica. Gabarito: alternativa B. 48. (FCC – AFR-SP/Gestão Tributária/2013) O Estado pretende descentralizar a execução de atividade atualmente desempenhada no âmbito da Administração direta, consistente nos serviços de ampliação e manutenção de hidrovia estadual, em face da especialidade de tais serviços. Estudos realizados indicaram que será possível a cobrança de outorga pela concessão, a particulares, do uso de portos fluviais que serão instalados na referida hidrovia, recursos esses que serão destinados a garantir a autossuficiência financeira da entidade a ser criada. Considerando os objetivos almejados, poderá ser instituída a) autarquia, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado dotada do poder de autoadministração, nos limites previstos na lei instituidora. b) agência reguladora, sob a forma de autarquia de regime especial, cuja criação deve ser autorizada por lei, dotada de autonomia orçamentária e financeira. c) agência executiva, sob a forma de empresa ou de autarquia que celebre contrato de gestão com a Administração direta para ampliação de sua autonomia. d) sociedade de economia mista, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, submetida aos princípios aplicáveis à Administração pública, e cuja criação é autorizada por lei. e) empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, criada por lei específica e com patrimônio afetado à finalidade para a qual foi instituída. Comentário: vejamos o que dispõe a CF/88: Art. 37. [...] XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; Quando o ente administrativo for de direito público, ele será criado diretamente por lei específica. Entretanto, quando for de direito privado, terá apenas a autorização legislativa para sua criação. A opção A está errada, pois as autarquias são de direito público. Da mesma forma, as alternativas B e C estão erradas, pois as agências reguladoras e as agências executivas são espécies de autarquias (são criadas diretamente por lei e não são empresas). A letra D está perfeita e é o nosso gabarito, pois as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado cuja criação depende de lei autorizativa. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 91 Por fim, a opção E está errada, uma vez que a criação de empresas públicas é apenas autorizada por lei. Gabarito: alternativa D. 49. (FCC - AC/TCE-PR/2011) Inserem-se entre as entidades integrantes da Administração pública indireta, além das empresas públicas, as a) sociedades de economia mista, as fundações públicas e as Organizações Sociais ligadas à Administração por contrato de gestão. b) autarquias, fundações e sociedades de economia mista, que são pessoas jurídicas de direito público. c) sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, que se submetem ao mesmo regime jurídico das empresas privadas e aos princípios aplicáveis à Administração Pública. d) fundações e autarquias, excluídas as sociedades de economia mista. e) sociedades de economia mista, exceto as que operam no domínio econômico em regime de competição com as empresas privadas. Comentário: vamos analisar individualmente cada alternativa. a) Errado: esse assunto não será objeto de nosso curso. Por esse motivo, o que nos cabe saber, nesse momento, é que as organizações sociais não pertencem à administração pública, mas sim ao terceiro setor; b) Errado: as autarquias são pessoas jurídicas de direito público, ao passo que as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado. As fundações públicas podem ser de direito público ou de direito privado, conforme o caso; c) Correto: as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta, tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a prestação de serviços públicos. Quando explorarem atividade econômica, devem se submeter ao mesmo regime jurídico das empresas privadas (CF, art. 173, §1º, II), sem deixar de observar os princípios aplicáveis à Administração Pública (CF, art. 37, caput); d) Errado: acabamos de ver que as sociedades de economia mista também integram a Administração Indireta; e) Errado: as sociedades de economia mista sempre integram a Administração Indireta, não importa se exploram atividade econômica ou prestam serviços públicos. Gabarito: alternativa C. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 91 50. (FCC - AJ/TRE-TO/2011) Constitui traço distintivo entre sociedade de economiamista e empresa pública: a) forma de organização, isto é, forma jurídica. b) desempenho de atividade de natureza econômica. c) criação autorizada por lei. d) sujeição a controle estatal. e) personalidade jurídica de direito privado. Comentário: as semelhanças entre as SEMs e as EPs são diversas. No entanto, elas se diferenciam em alguns pontos, quais sejam a forma jurídica, a composição de capital, e o foro processual, no caso das entidades federais. Dessa forma, podemos assinalar a alternativa A como correta. As demais alternativas apresentam semelhanças entre as duas entidades. Gabarito: alternativa A. 51. (FCC - AJ/TST/2012) Uma empresa que conte com controle acionário privado e participação minoritária de capital estatal a) é considerada sociedade de economia mista, porém não integrante da Administração Indireta. b) é considerada empresa pública, integrante da Administração Indireta. c) é considerada empresa pública, porém não integrante da Administração Indireta. d) é considerada sociedade de economia mista, integrante da Administração Indireta. e) não é considerada nem empresa pública, nem sociedade de economia mista. Comentário: no caso das empresas públicas, o capital deve ser 100% público. Por outro lado, para as sociedades de economia mista, podem ser conjugados recursos de pessoas de direito público ou de outras pessoas administrativas, juntamente com recursos de particulares. No entanto, o controle acionário da entidade deve permanecer com o ente instituidor, logo a maioria do capital votante sempre pertencerá ao ente que instituiu a entidade. Logo, o enunciado da questão não apresentou nem empresa pública, nem sociedade de economia mista, e sim uma empresa privada. Portanto, a opção E está correta. Gabarito: alternativa E. 52. (FCC - AJ/TRT-6/2012) A respeito do regime jurídico das entidades integrantes da Administração Pública indireta é correto afirmar que é a) de direito privado para as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica, sem prejuízo da aplicação dos princípios constitucionais da Administração Pública. b) de direito público para as fundações, autarquias e empresas públicas e de direito privado para as sociedades de economia mista. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 91 c) sempre de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e sujeições decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. d) sempre de direito público, exceto para as entidades caracterizadas como agências executivas ou autarquias de regime especial. e) sempre de direito privado, em relação à legislação trabalhista e tributária, e de direito público em relação aos bens afetados ao serviço público. Comentário: a) as empresas públicas e as sociedades de economia mista submetem-se ao regime jurídico de direito privado, mas devem seguir os princípios constitucionais da Administração Pública, como a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência – CORRETA; b) as autarquias sempre possuirão regime jurídico de direito público. Já as fundações públicas podem possuir o regime de direito público, ou de direito privado, conforme o caso. Por fim, as empresas públicas e as sociedades de economia mista terão sempre regime de direito privado (ressaltamos que o mais adequado é falar em regime híbrido) – ERRADA; c) as empresas públicas e as sociedades de economia mista sempre terão regime de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e sujeições decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. Portanto, essa regra não vale para todas entidades administrativas – ERRADA; d) novamente, as entidades administrativas podem possuir regime de direito público ou de direito privado, conforme o caso. Além disso, as agências executivas e as autarquias de regime especial são espécies de autarquias e, portanto, possuem regime de direito público – ERRADA; e) dispensa comentários, pois existem entidades com regime de direito público e outras com regime de direito privado – ERRADA. Gabarito: alternativa A. 53. (FCC - TJ/TRT-1/2013) A respeito das entidades integrantes da Administração indireta, é correto afirmar que a) se submetem, todas, ao regime jurídico de direito público, com observância aos princípios constitucionais e às demais regras aplicáveis à Administração pública. b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica submetem-se ao regime tributário próprio das empresas privadas. c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao regime jurídico de direito público, gozando de capacidade política. d) apenas as empresas públicas podem explorar atividade econômica e sempre em caráter supletivo à iniciativa privada, submetidas ao regime próprio das empresas privadas, salvo em matéria tributária. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 91 e) apenas as sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito privado, podendo orientar suas atividades para a obtenção de lucro. Comentário: a) as fundações públicas de direito privado, as empresas públicas e a as sociedades de economia mista se submetem ao regime jurídico de direito privado – ERRADA; b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários (CF, art. 173, §1º, II) – CORRETA; c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao regime jurídico de direito público, mas não gozam de capacidade política, que é exclusividade dos entes políticos (União, estados, Distrito Federal e municípios) – ERRADA; d) as sociedades de economia mista e as empresas públicas podem explorar atividade econômica. Logo, não são apenas as empresas públicas. Além disso, elas estão submetidas ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto à matéria tributária – ERRADA; e) apenas as empresas públicas e as sociedades de economia mista sujeitam- se ao regime de direito privado, podendo orientar suas atividades para a obtenção de lucro (lembrando que parte da doutrina defende que elas podem obter lucro, mas não devem ser criadas isoladamente com essa finalidade) – ERRADA. Gabarito: alternativa B. 54. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Distinguem-se as autarquias das sociedades de economia mista que exploram atividade econômica, dentre outras características, em função de a) não serem dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria, embora submetidas ao regime jurídico de direito privado. b) seu regime jurídico de direito público, exceto quanto ao processo de execução ao qual se submetem, típico do direito privado. c) sua criação ser autorizada por lei, bem como por se submeterem tanto ao regime jurídico público, quanto ao regime jurídico privado. d) serem criadas por lei, bem como em função de seu regime jurídico de direito público. e) se submeterem a processo especial de execução, que excetua o regime dos precatórios, embora não afaste a prescritibilidade de seus bens. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 91 Comentário: a questão quer saber em que as autarquias se diferenciam das sociedadesde economia mista que exploram atividade econômica. Como vimos, as autarquias são criadas por lei e possuem regime jurídico de direito público. Logo, a opção D está correta. Vamos analisar as demais alternativas: a) ambas são dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria. Contudo, as sociedades de economia mista se submetem ao regime jurídico de direito privado, enquanto as autarquias se submetem ao regime jurídico de direito público – ERRADA; b) as autarquias seguem o regime jurídico de direito público e, por isso, possuem as prerrogativas da fazenda quanto ao processo de execução de suas dívidas (dentre outras regras, seguem o regime de precatórios e seus bens são impenhoráveis) – ERRADA; c) as autarquias são criadas por lei e seu regime jurídico é sempre de direito público, enquanto as sociedades de economia mista são autorizadas mediante lei específica, possuindo regime jurídico de direito privado – ERRADA; e) tendo em vista que os bens das autarquias são considerados bens públicos, eles admitem as prerrogativas da impenhorabilidade – quitação por meio do sistema de precatórios –, e da imprescritibilidade – ERRADA. Gabarito: alternativa D. 55. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Em relação às empresas estatais, é correto afirmar que a) se submetem ao regime jurídico de direito público quando se tratar de empresa pública, porque o capital pertence a pessoas jurídicas de direito público. b) se submetem ao regime jurídico típico das empresas privadas, com derrogações por normas de direito público. c) não se submetem a lei de licitações, porque sujeitas ao regime jurídico típico de direito privado. d) não se submetem a lei de licitações, salvo no que se refere às suas atividades fins, que dependem sempre de licitação. e) se submetem integralmente ao regime jurídico de direito privado, sem derrogações, a fim de resguardar o princípio da isonomia em relação às demais empresas que atuem no setor. Comentário: a) as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) se submetem ao regime jurídico de direito privado – ERRADA; b) as empresas públicas e sociedades de economia mista submetem-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, com derrogação de regras de direito pública (por exemplo: submetem-se aos princípios constitucionais da 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 91 Administração Pública; têm o dever de licitar para os bens relativos a atividades meio; realizam concurso público, etc.) – CORRETA; c) e d) essas entidades possuem o dever de licitar e, portanto, submetem-se à Lei de Licitações, particularmente quanto a suas atividades meio. Para as atividades fins, porém, elas não precisam licitar – ERRADA; e) se submetem ao regime jurídico de direito privado, mas com derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público. Por esse motivo, a doutrina costuma falar que o regime jurídico é híbrido – ERRADA. Gabarito: alternativa B. 56. (FCC - TJ/TRF-2/2012) A administração indireta compreende, além de outras entidades, as empresas públicas e sociedades de economia mista, as quais têm personalidade jurídica de direito a) público e privado, respectivamente, criadas por lei de iniciativa do Poder Executivo. b) privado, instituídas mediante autorização de lei específica. c) público e independem de lei complementar para suas instituições. d) privado e público, respectivamente, sendo instituídas mediante lei específica. e) público, criadas por ato específico e privativo do chefe do Poder Executivo. Comentário: em qualquer situação, as empresas públicas e as sociedades de economia mista possuem natureza jurídica de direito privado. Isso porque essas entidades são efetivamente criadas com o registro de seu ato constitutivo. Portanto, a instituição de empresa pública e de sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei específica. Gabarito: alternativa B. 57. (FCC - AJ/TRE-RO/2013) Integram a Administração pública indireta, além de outras entidades, a) as organizações sociais, a partir da celebração do contrato de gestão, para a execução de serviços públicos não exclusivos do Estado. b) as agências executivas, consideradas autarquias de regime especial, criadas por lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. c) as sociedades de economia mista, criadas por lei, para exercer atividades econômicas de interesse ou relevância social. d) empresas públicas, com capital majoritário do poder público, cuja criação é autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos. e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e capacidade de autoadministração. Comentário: 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 91 a) as organizações sociais fazem parte do terceiro setor e, portanto, não integram a Administração Pública – ERRADA; b) as agências executivas reguladoras, consideradas autarquias de regime especial, criadas por lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. A agência executiva é uma espécie de autarquia, que recebe qualificação especial após cumprir os requisitos previstos em lei, como celebrar um contrato de gestão com o respectivo órgão supervisor – ERRADA; c) as sociedades de economia mista são instituídas, após autorização por lei específica, para exercer atividades econômicas (como regra) ou, excepcionalmente, para prestação de serviços públicos – ERRADA; d) empresas públicas, com capital majoritário totalitário do poder público, cuja criação é autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos (excepcionalmente) e explorar atividade econômica (como regra) – ERRADA; e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e capacidade de autoadministração – CORRETA. Gabarito: alternativa E. 58. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Quando o poder público pretende que determinado serviço público seja prestado de forma descentralizada, por um ente que tenha sido criado por lei, tenha capacidade de autoadministração, sujeito ao poder de tutela da administração pública, está-se diante de a) autarquia. b) permissionária ou concessionária de serviço público. c) sociedade de economia mista prestadora de serviço público. d) empresa pública ou sociedade de economia mista prestadoras de serviço público. e) concessionária de serviço público. Comentário: vamos relembrar as características das autarquias: (a) criação por lei; (b) personalidade jurídica pública; (c) capacidade de autoadministração; (d) especialização dos fins ou atividades; (e) sujeição a controle ou tutela. Assim, podemos assinalar a autarquia (alternativa A) como nossa resposta correta. Quanto às outras alternativas, as sociedades de economia mista e as empresas públicas são apenas autorizadas por lei. Por fim, as concessionárias e permissionárias de serviços públicos não são assuntos dessa aula. Nesse momento, cabe saber apenas que são empresas privadas que prestam serviços públicos por meio de delegação do Estado – descentralização por colaboração. Gabarito: alternativa A. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 91 59. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Sociedade de economia mista prestadora de serviço público precisa contratar 100 (cem) servidores para reforçar equipede fiscalização de campo, a fim de se desincumbir de obrigações contratuais assumidas regularmente. Para tanto, a) poderá promover a contratação direta de servidores públicos, desde que sob regime celetista, para ocuparem emprego público. b) deverá submeter-se a obrigatoriedade do concurso público para a contratação de seus empregados. c) poderá promover a contratação para provimento de cargos em comissão, tendo em vista que não se submete a regime jurídico de direito público, prescindindo da realização de concurso público. d) deverá realizar concurso público para a contratação de seus servidores, que se submetem a regime estatutário, embora o ente possua natureza jurídica de direito privado. e) poderá firmar contrato direto de prestação de serviço de autônomos com os novos empregados, evitando a realização de concurso público e a formação de vínculo empregatício. Comentário: os agentes públicos das SEMs submetem-se ao regime da consolidação das leis do trabalho (celetista) – logo, não são estatutários – e, portanto, seu vínculo é realizado por meio de contrato de trabalho. Não obstante, devem ser contratados obrigatoriamente por meio de concurso público. Portanto, correta a alternativa B. Agora vejamos o erro das demais alternativas: a) a contratação deve ser feita através concurso público; c) apesar de se submeterem ao regime de direto privado, a realização de concurso público é imprescindível. Ademais, a contratação de servidores comissionados destina-se apenas aos cargos de direção, chefia e assessoramento (CF, art. 37, V); d) os empregados públicos não se submetem ao regime estatutário, mas sim ao celetista; e) novamente, a realização de concurso público é obrigatória. Gabarito: alternativa B. 60. (FCC - Analista/DPE-RS/2013) O Estado decidiu instituir entidade com personalidade jurídica própria, integrante da Administração indireta, para executar programa de investimentos sob a forma de parcerias público-privadas, dotada de corpo técnico qualificado e agilidade para desenvolver projetos, além de patrimônio para prestar garantias aos parceiros privados. Referida entidade poderá ser constituída sob a forma de 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 91 a) autarquia, sujeita ao regime jurídico de direito privado. b) empresa pública, que se submete ao regime de direito público, salvo quanto ao patrimônio, que não está sujeito a penhora. c) sociedade de economia mista, cuja criação deve ser precedida de autorização legislativa. d) fundação, com patrimônio afetado à finalidade pretendida e não sujeita à licitação para contratação. e) sociedade de propósito específico, não sujeita aos princípios da Administração pública. Comentário: a) autarquias se sujeitam ao regime jurídico de direito público – ERRADA; b) as empresas públicas se submetem ao regime jurídico de direito privado. Dessa forma, em regra, seus bens são considerados bens privados e, por conseguinte, podem ser penhorados – ERRADA; c) isso mesmo! As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo controle acionário pertença ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a prestação de serviços públicos – CORRETA; d) assim como as demais entidades que compõem a administração direta e indireta, as fundações se sujeitam à Lei 8.666/1993 e devem licitar e contratar na forma prevista na Lei. Além disso, a natureza da atividade prevista no enunciado (como os investimentos) não é compatível com as atividades realizadas pelas fundações – ERRADA; e) a sociedade de propósito específico é uma pessoa jurídica criada pelo vencedor de licitação de parceria público-privada para implantar e gerir o objeto da parceria, na forma da Lei 11.079/2004 – ERRADA. Gabarito: alternativa C. 61. (FCC – DP-AM/2013) Mediante iniciativa do Governador, o Estado do Amazonas aprova lei, cujos artigos iniciais estão assim redigidos: “Artigo 1o − Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, por escritura pública, sob a denominação de [...], uma [...] que se regerá por esta lei, pelas normas civis, por seu estatuto e com as finalidades discriminadas no artigo 2o. § 1o − A .... será uma entidade civil, sem fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado e adquirirá personalidade jurídica a partir da inscrição, no Registro competente, do seu ato constitutivo, com o qual serão apresentados o Estatuto e o respectivo decreto de aprovação”. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 91 Diante do texto legislativo acima, pode-se concluir que a entidade a ser criada será uma a) empresa pública. b) autarquia. c) fundação de direito privado. d) sociedade de economia mista. e) associação pública. Comentário: perceba que a lei não criou a entidade, apenas autorizou a criação. Assim, a entidade será de direito privado. Logo, podemos eliminar as opções B e E. A fundação de direito privado, a sociedade de economia mista e a empresa pública são de direito privado e recebem autorização legislativa para criação, porém as duas últimas têm fins lucrativos. Assim, apenas a fundação de direito privado corresponde ao texto legislativo apresentado. Gabarito: alternativa C. 62. (FCC – DPE-SP/2012) As fundações de direito público, também denominadas autarquias fundacionais, são instituídas por meio de lei específica e a) seus agentes não ocupam cargo público e não há responsabilidade objetiva por danos causados a terceiros. b) seus contratos administrativos devem ser precedidos de procedimento licitatório, na forma da lei. c) seus atos constitutivos devem ser inscritos junto ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, definindo as áreas de sua atuação. d) seus atos administrativos não gozam de presunção de legitimidade e não possuem executoriedade. e) seu regime tributário é comum sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados às suas finalidades essenciais. Comentário: a) os agentes públicos dessas entidades serão considerados servidores públicos, ocupantes, portanto, de cargos públicos. Por essa primeira parte o item já estaria errado. Além disso, para fins de responsabilidade civil do Estado, é utilizado um conceito amplo de agente público, abrangendo todas as formas de exercício da função pública – ERRADA; b) independentemente da natureza jurídica da fundação pública, ela deverá licitar e contratar na forma prevista na Lei 8.666/1993 – CORRETA; c) as fundações públicas de direito público são efetivamente criadas por lei. Apenas as fundações públicas de direito privado é que recebem autorização legislativa para criação, dependendo do registro do ato constitutivo no Registro Civil de Pessoas Jurídicas para que adquiram a personalidade jurídica – ERRADA; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 91 d) essa alternativa foge um pouco do nosso assunto, mas vamos lá?! Nesse momento, cabe saber que por integrar o regime jurídico de direito público seus atos recebem atributos que o diferem de atos privados, como a presunção de legitimidade ou veracidade, e a executoriedade. Assim, as fundações de direito público realizam atos administrativos– ERRADA; e) por força do art. 150, §2º, da CF, as fundações fazem jus à imunidade tributária, pois a vedação de instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros, é extensiva às “fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público”. Logo, o regime tributário não é “comum”, mas especial, uma vez que gozam de prerrogativas próprias – ERRADA. Gabarito: alternativa B. 63. (FCC – DPE-PR/2012) A estrutura administrativa do Estado compreende a administração pública direta e indireta. Sobre o tema, examine as afirmações abaixo. I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência legislativa para instituir sua própria administração indireta. III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito público que compõem a administração indireta. IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de patrimônio próprio. V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. Estão corretas APENAS as afirmações a) I e III. b) II, IV e V. c) I e II. d) I, III e IV. e) III e V. Comentário: I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. A Administração Direta é o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas ou federativas (União, estados, Distrito Federal e municípios), aos quais foi atribuída a competência para o exercício das atividades administrativas do Estado de forma centralizada – CORRETA; 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 91 II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência legislativa para instituir sua própria administração indireta. Realmente os estados e municípios não possuem soberania (característica presente somente na República Federativa ou, para alguns autores, na União) – ERRADA; III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito público que compõem a administração indireta. Perfeito. As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público com capacidade exclusivamente administrativa; e as fundações públicas de direito público terão a mesma natureza da autarquia, sendo utilizadas para o desempenho de atividade de interesse social – CORRETA; IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de patrimônio próprio. Todas as entidades da administração indireta possuem patrimônio próprio – CORRETA; V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. A primeira parte da afirmação está correta. No entanto, a composição de capital das SEMs admite a participação de pessoas jurídicas – ERRADA. Gabarito: alternativa D. Concluímos por hoje. Em nossa próxima aula, vamos conversar sobre os atos administrativos. Espero por vocês! Bons estudos. HERBERT ALMEIDA. http://www.estrategiaconcursos.com.br/cursosPorProfessor/herbert-almeida-3314/ QUESTÕES COMENTADAS NA AULA 1. (Cespe – AJ/TRT-ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa pública. 2. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito privado, 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 91 derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público e desempenho de atividade de natureza econômica. 3. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia mista pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo conteúdo específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública. 4. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta, as empresas públicas são criadas por autorização legal para que o governo exerça atividades de caráter econômico ou preste serviços públicos. 5. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública. 6. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação hipotética, a referida sociedade não é considerada integrante da administração indireta do respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve prestar serviço público. 7. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas mediante prévia autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas situações, prestam serviço público. 8. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada quanto prestar serviço público. 9. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da iniciativa privada. 10. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração pública a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado que, embora se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade tipicamente econômica. 11. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado. 12. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-GO/2015) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito público. 13. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ-RR/2012) Embora possuam capital exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se aplicam, preponderantemente, normas de direito privado. 14. (Cespe – Técnico em Administração/TJ-AC/2012) A empresa pública criada com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, formada sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 91 15. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. 16. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As ações judiciais promovidas contra sociedade de economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos. 17. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas apenas podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima. 18. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica. 19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) As sociedades de economia mista podem revestir-se de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público, que procede à sua criação. 20. (Cespe - AJ/TRT-10/2013) As empresas públicas devem serconstituídas obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima. 21. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista é a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital exclusivamente público. 22. (Cespe - AnaTA/MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público. 23. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital, podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois grupos: um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital público e privado. 24. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e privado. 25. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas atividades são regidas pelos preceitos comerciais. 26. (Cespe – Analista/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende de autorização legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquer forma admitida em direito. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 91 27. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade da administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a conjugação de capital público e privado. 28. (Cespe – Ana/MPU/2013) A empresa pública federal caracteriza-se, entre outros aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União, não se admitindo, portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na constituição de seu capital. 29. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar as causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem serviço público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado. 30. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) Fundação pública é a pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei. 31. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Para a criação de uma fundação de direito público, é indispensável a inscrição de seus atos constitutivos no registro civil das pessoas jurídicas. 32. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) As fundações públicas destinam- se à realização de atividades não lucrativas e atípicas do poder público, porém de interesse coletivo. 33. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As fundações públicas podem exercer atividades típicas da administração, inclusive aquelas relacionadas ao exercício do poder de polícia. 34. (Cespe – TJ/STF/2013) A fundação pública de direito privado tem sua instituição autorizada por lei específica, cabendo a lei complementar definir as áreas de sua atuação. 35. (Cespe – Administrador/FUB/2009) As fundações públicas não possuem finalidade de exploração econômica com fins lucrativos. 36. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Ministério Público deverá realizar o controle sobre as atividades das fundações públicas, assim como o faz em relação às fundações privadas. 37. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Às organizações sociais é vedada a finalidade de lucro, devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. 38. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) As organizações da sociedade civil de interesse público são pessoas jurídicas de direito privado que firmam contrato de gestão com o poder público, com a finalidade de firmar parceria entre as partes, objetivando o fomento e a execução de atividades de interesse social, sem fins lucrativos. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 91 39. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas de direito público ou privado que atuam ao lado do Estado, executando atividades de interesse público, porém não privativos do ente estatal. 40. (Cespe – ACE/TC-DF/2012) Uma OSCIP que receba recursos financeiros oriundos de termo de parceria com o governo do DF estará obrigada a seguir a Lei de Licitações da administração pública para comprar com esses recursos. 41. (Cespe – Adv/AGU/2012) Para que sociedades comerciais e cooperativas obtenham a qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, é preciso que elas não possuam fins lucrativos e que tenham em seus objetivos sociais a finalidade de promoção da assistência social. 42. (Cespe – TNS/PRF/2012) As organizações sociais não estão compreendidas no rol das entidades que constituem a administração pública indireta. 43. (Cespe – Delegado/PC BA/2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas privadas que colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, mas não integram a estrutura da administração pública. 44. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As entidades paraestatais não se sujeitam à licitação, e seus empregados submetem-se ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho, às normas acidentárias e à justiça trabalhista. 45. (FCC - AJ/TRF-1/2011) NÃO é considerada característica da sociedade de economia mista a) a criação independente de lei específica autorizadora. b) a personalidade jurídica de direito privado. c) a sujeição a controle estatal. d) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei. e) o desempenho de atividade de natureza econômica. 46. (FCC - ACE/TCE-AP/2012) Uma sociedade de economia mista foi condenada em ação judicial movida por empresa contratada ao pagamento por serviços executados e não pagos. Iniciada a execução judicial e recusando-se a pagar espontaneamente o débito, a sociedade de economia mista a) deverá ser executada da mesma forma que as entidades integrantes da Administração direta, em razão da sujeição aos princípios aplicáveis à Administração Pública. b) está protegida pela impenhorabilidade de seus bens e receitas, em face do regime de direito público a que se submete. c) poderá ter seu patrimônio penhorado, eis que submetida às mesmas obrigações civis, trabalhistas e fiscais das empresas privadas. d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se submete ao mesmo regime destas, exceto quanto às obrigações tributárias. e) somente poderá ter seus bens e receitas penhoradas em relação às obrigações trabalhistas. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 91 47. (FCC – TCE-AP/Controle Externo/2012) O Estado pretende criar entidade dotada de autonomia, integrante da Administração indireta, para exercer atividade de natureza econômica, com a participação de entidade privada na constituição do correspondente capital social. Atende a tal objetivo a) uma Empresapública. b) uma Sociedade de economia mista. c) uma Parceria Público-Privada. d) um Consórcio público. e) uma Organização Social − OS. 48. (FCC – AFR-SP/Gestão Tributária/2013) O Estado pretende descentralizar a execução de atividade atualmente desempenhada no âmbito da Administração direta, consistente nos serviços de ampliação e manutenção de hidrovia estadual, em face da especialidade de tais serviços. Estudos realizados indicaram que será possível a cobrança de outorga pela concessão, a particulares, do uso de portos fluviais que serão instalados na referida hidrovia, recursos esses que serão destinados a garantir a autossuficiência financeira da entidade a ser criada. Considerando os objetivos almejados, poderá ser instituída a) autarquia, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado dotada do poder de autoadministração, nos limites previstos na lei instituidora. b) agência reguladora, sob a forma de autarquia de regime especial, cuja criação deve ser autorizada por lei, dotada de autonomia orçamentária e financeira. c) agência executiva, sob a forma de empresa ou de autarquia que celebre contrato de gestão com a Administração direta para ampliação de sua autonomia. d) sociedade de economia mista, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, submetida aos princípios aplicáveis à Administração pública, e cuja criação é autorizada por lei. e) empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, criada por lei específica e com patrimônio afetado à finalidade para a qual foi instituída. 49. (FCC - AC/TCE-PR/2011) Inserem-se entre as entidades integrantes da Administração pública indireta, além das empresas públicas, as a) sociedades de economia mista, as fundações públicas e as Organizações Sociais ligadas à Administração por contrato de gestão. b) autarquias, fundações e sociedades de economia mista, que são pessoas jurídicas de direito público. c) sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, que se submetem ao mesmo regime jurídico das empresas privadas e aos princípios aplicáveis à Administração Pública. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 91 d) fundações e autarquias, excluídas as sociedades de economia mista. e) sociedades de economia mista, exceto as que operam no domínio econômico em regime de competição com as empresas privadas. 50. (FCC - AJ/TRE-TO/2011) Constitui traço distintivo entre sociedade de economia mista e empresa pública: a) forma de organização, isto é, forma jurídica. b) desempenho de atividade de natureza econômica. c) criação autorizada por lei. d) sujeição a controle estatal. e) personalidade jurídica de direito privado. 51. (FCC - AJ/TST/2012) Uma empresa que conte com controle acionário privado e participação minoritária de capital estatal a) é considerada sociedade de economia mista, porém não integrante da Administração Indireta. b) é considerada empresa pública, integrante da Administração Indireta. c) é considerada empresa pública, porém não integrante da Administração Indireta. d) é considerada sociedade de economia mista, integrante da Administração Indireta. e) não é considerada nem empresa pública, nem sociedade de economia mista. 52. (FCC - AJ/TRT-6/2012) A respeito do regime jurídico das entidades integrantes da Administração Pública indireta é correto afirmar que é a) de direito privado para as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica, sem prejuízo da aplicação dos princípios constitucionais da Administração Pública. b) de direito público para as fundações, autarquias e empresas públicas e de direito privado para as sociedades de economia mista. c) sempre de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e sujeições decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. d) sempre de direito público, exceto para as entidades caracterizadas como agências executivas ou autarquias de regime especial. e) sempre de direito privado, em relação à legislação trabalhista e tributária, e de direito público em relação aos bens afetados ao serviço público. 53. (FCC - TJ/TRT-1/2013) A respeito das entidades integrantes da Administração indireta, é correto afirmar que a) se submetem, todas, ao regime jurídico de direito público, com observância aos princípios constitucionais e às demais regras aplicáveis à Administração pública. b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade econômica submetem-se ao regime tributário próprio das empresas privadas. c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao regime jurídico de direito público, gozando de capacidade política. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 91 d) apenas as empresas públicas podem explorar atividade econômica e sempre em caráter supletivo à iniciativa privada, submetidas ao regime próprio das empresas privadas, salvo em matéria tributária. e) apenas as sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito privado, podendo orientar suas atividades para a obtenção de lucro. 54. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Distinguem-se as autarquias das sociedades de economia mista que exploram atividade econômica, dentre outras características, em função de a) não serem dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria, embora submetidas ao regime jurídico de direito privado. b) seu regime jurídico de direito público, exceto quanto ao processo de execução ao qual se submetem, típico do direito privado. c) sua criação ser autorizada por lei, bem como por se submeterem tanto ao regime jurídico público, quanto ao regime jurídico privado. d) serem criadas por lei, bem como em função de seu regime jurídico de direito público. e) se submeterem a processo especial de execução, que excetua o regime dos precatórios, embora não afaste a prescritibilidade de seus bens. 55. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Em relação às empresas estatais, é correto afirmar que a) se submetem ao regime jurídico de direito público quando se tratar de empresa pública, porque o capital pertence a pessoas jurídicas de direito público. b) se submetem ao regime jurídico típico das empresas privadas, com derrogações por normas de direito público. c) não se submetem a lei de licitações, porque sujeitas ao regime jurídico típico de direito privado. d) não se submetem a lei de licitações, salvo no que se refere às suas atividades fins, que dependem sempre de licitação. e) se submetem integralmente ao regime jurídico de direito privado, sem derrogações, a fim de resguardar o princípio da isonomia em relação às demais empresas que atuem no setor. 56. (FCC - TJ/TRF-2/2012) A administração indireta compreende, além de outras entidades, as empresas públicas e sociedades de economia mista, as quais têm personalidade jurídica de direito a) público e privado, respectivamente, criadas por lei de iniciativa do Poder Executivo. b) privado, instituídas mediante autorização de lei específica. c) público e independem de lei complementar para suas instituições. d) privado e público, respectivamente, sendo instituídas mediante lei específica. e) público, criadas por ato específico e privativo do chefe do Poder Executivo. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 91 57. (FCC - AJ/TRE-RO/2013) Integram a Administração pública indireta,além de outras entidades, a) as organizações sociais, a partir da celebração do contrato de gestão, para a execução de serviços públicos não exclusivos do Estado. b) as agências executivas, consideradas autarquias de regime especial, criadas por lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. c) as sociedades de economia mista, criadas por lei, para exercer atividades econômicas de interesse ou relevância social. d) empresas públicas, com capital majoritário do poder público, cuja criação é autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos. e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e capacidade de autoadministração. 58. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Quando o poder público pretende que determinado serviço público seja prestado de forma descentralizada, por um ente que tenha sido criado por lei, tenha capacidade de autoadministração, sujeito ao poder de tutela da administração pública, está-se diante de a) autarquia. b) permissionária ou concessionária de serviço público. c) sociedade de economia mista prestadora de serviço público. d) empresa pública ou sociedade de economia mista prestadoras de serviço público. e) concessionária de serviço público. 59. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Sociedade de economia mista prestadora de serviço público precisa contratar 100 (cem) servidores para reforçar equipe de fiscalização de campo, a fim de se desincumbir de obrigações contratuais assumidas regularmente. Para tanto, a) poderá promover a contratação direta de servidores públicos, desde que sob regime celetista, para ocuparem emprego público. b) deverá submeter-se a obrigatoriedade do concurso público para a contratação de seus empregados. c) poderá promover a contratação para provimento de cargos em comissão, tendo em vista que não se submete a regime jurídico de direito público, prescindindo da realização de concurso público. d) deverá realizar concurso público para a contratação de seus servidores, que se submetem a regime estatutário, embora o ente possua natureza jurídica de direito privado. e) poderá firmar contrato direto de prestação de serviço de autônomos com os novos empregados, evitando a realização de concurso público e a formação de vínculo empregatício. 60. (FCC - Analista/DPE-RS/2013) O Estado decidiu instituir entidade com personalidade jurídica própria, integrante da Administração indireta, para executar 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 89 de 91 programa de investimentos sob a forma de parcerias público-privadas, dotada de corpo técnico qualificado e agilidade para desenvolver projetos, além de patrimônio para prestar garantias aos parceiros privados. Referida entidade poderá ser constituída sob a forma de a) autarquia, sujeita ao regime jurídico de direito privado. b) empresa pública, que se submete ao regime de direito público, salvo quanto ao patrimônio, que não está sujeito a penhora. c) sociedade de economia mista, cuja criação deve ser precedida de autorização legislativa. d) fundação, com patrimônio afetado à finalidade pretendida e não sujeita à licitação para contratação. e) sociedade de propósito específico, não sujeita aos princípios da Administração pública. 61. (FCC – DP-AM/2013) Mediante iniciativa do Governador, o Estado do Amazonas aprova lei, cujos artigos iniciais estão assim redigidos: “Artigo 1o − Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, por escritura pública, sob a denominação de [...], uma [...] que se regerá por esta lei, pelas normas civis, por seu estatuto e com as finalidades discriminadas no artigo 2o. § 1o − A .... será uma entidade civil, sem fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado e adquirirá personalidade jurídica a partir da inscrição, no Registro competente, do seu ato constitutivo, com o qual serão apresentados o Estatuto e o respectivo decreto de aprovação”. Diante do texto legislativo acima, pode-se concluir que a entidade a ser criada será uma a) empresa pública. b) autarquia. c) fundação de direito privado. d) sociedade de economia mista. e) associação pública. 62. (FCC – DPE-SP/2012) As fundações de direito público, também denominadas autarquias fundacionais, são instituídas por meio de lei específica e a) seus agentes não ocupam cargo público e não há responsabilidade objetiva por danos causados a terceiros. b) seus contratos administrativos devem ser precedidos de procedimento licitatório, na forma da lei. c) seus atos constitutivos devem ser inscritos junto ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, definindo as áreas de sua atuação. d) seus atos administrativos não gozam de presunção de legitimidade e não possuem executoriedade. 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 90 de 91 e) seu regime tributário é comum sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados às suas finalidades essenciais. 63. (FCC – DPE-PR/2012) A estrutura administrativa do Estado compreende a administração pública direta e indireta. Sobre o tema, examine as afirmações abaixo. I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência legislativa para instituir sua própria administração indireta. III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito público que compõem a administração indireta. IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de patrimônio próprio. V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. Estão corretas APENAS as afirmações a) I e III. b) II, IV e V. c) I e II. d) I, III e IV. e) III e V. GABARITO 1. E 11. C 21. E 31. E 41. E 51. E 61. C 2. C 12. E 22. C 32. C 42. C 52. A 62. B 3. E 13. C 23. E 33. C 43. C 53. B 63. D 4. C 14. C 24. E 34. C 44. E 54. D 5. C 15. C 25. C 35. C 45. A 55. B 6. E 16. E 26. C 36. E 46. C 56. B 7. C 17. E 27. E 37. C 47. B 57. E 8. C 18. E 28. E 38. E 48. D 58. A 9. C 19. E 29. E 39. E 49. C 59. B 10. E 20. E 30. E 40. E 50. A 60. C 30264884108 Direito Administrativo p/ TRE- SP Analista Judiciário - Área Judiciária Teoria e exercícios comentados Prof. Herbert Almeida – Aula 3 Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 91 de 91 REFERÊNCIAS ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de Janeiro: Método, 2011. ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012. BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2014. BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. CARVALHO FILHO, José dos Santos. 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