Logo Passei Direto
Buscar

Aula 03 de Direito Administrativo para TRE-SP (Analista Judiciário) — teoria e exercícios comentados sobre organização administrativa (parte 2): empresas públicas e sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais e terceiro setor (OS, OSCIP, serviços sociais), questões FCC e gabarito.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Aula 03
Direito Administrativo p/ TRE-SP (Analista Judiciário - Área Judiciária)
Professor: Herbert Almeida
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 91 
AULA 3: Organização administrativa (parte 2) 
SUMÁRIO 
EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA ............................................................................ 2 
CONCEITO .............................................................................................................................................................. 2 
CRIAÇÃO E EXTINÇÃO ................................................................................................................................................ 4 
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ...................................................................................................................................... 5 
REGIME JURÍDICO .................................................................................................................................................... 9 
BENS ................................................................................................................................................................... 13 
FALÊNCIA ............................................................................................................................................................. 14 
PRESCRIÇÃO ......................................................................................................................................................... 15 
DIFERENÇAS ENTRE EP E SEM ................................................................................................................................. 15 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS.................................................................................................................................... 23 
CONCEITO ............................................................................................................................................................ 23 
NATUREZA JURÍDICA ............................................................................................................................................... 24 
CRIAÇÃO E EXTINÇÃO .............................................................................................................................................. 26 
ATIVIDADE ........................................................................................................................................................... 27 
REGIME JURÍDICO .................................................................................................................................................. 29 
PATRIMÔNIO ........................................................................................................................................................ 30 
LICITAÇÕES E CONTRATOS ........................................................................................................................................ 31 
REGIME DE PESSOAL ............................................................................................................................................... 31 
FORO COMPETENTE ................................................................................................................................................ 32 
CONTROLE DO MINISTÉRIO PÚBLICO ......................................................................................................................... 33 
ENTIDADES PARAESTATAIS E O TERCEIRO SETOR............................................................................................ 34 
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS................................................................................................................................ 37 
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS) .................................................................................................................................. 40 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP) ................................................................................ 54 
DIFERENÇAS ENTRE OS E OSCIP ................................................................................................................................ 59 
ENTIDADES DE APOIO ............................................................................................................................................. 61 
QUESTÕES FCC ................................................................................................................................................ 65 
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ................................................................................................................ 80 
GABARITO ....................................................................................................................................................... 90 
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 91 
 
 
Olá pessoal, tudo bem? 
Na aula de hoje vamos estudar a segunda parte das organizações 
administrativas, que comporta as empresas públicas, as sociedades de 
economia mista e as fundações públicas. Além disso, conversaremos 
também sobre o terceiro setor e as entidades paraestatais. 
Vamos à aula, aproveitem! 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 91 
EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA 
Conceito 
As empresas estatais dividem-se em empresas públicas e 
sociedades de economia mista. As duas são entidades administrativas, 
integram a administração indireta, possuem personalidade jurídica de 
direito privado, têm sua criação autorizada em lei e podem ser criadas para 
explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos. 
Vejamos a definição de cada uma dessas entidades nos ensinamentos 
de José dos Santos Carvalho Filho1: 
 
Empresa pública (EP): 
さsão pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do 
Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua 
finalidade, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, 
em certas situações, execute a prestação de serviços públicosざく 
São exemplos de empresas públicas federais a Empresa Brasileira de Correios e 
Telégrafos に EBCT; a Caixa Econômica Federal に CEF; o Banco Nacional de 
Desenvolvimento Econômico e Social に BNDES; o Serviço Federal de 
Processamento de Dados に Serpro; e muitas outras. 
Sociedade de economia mista (SEM): 
さsão pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do 
Estado, criadas por autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo 
controle acionário pertença ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a 
exploração de atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a 
prestação de serviços públicosざく 
Como exemplos, podemos mencionar o Banco do Brasil S.A.; o Banco da 
Amazônia; a Petróleo Brasileiro S.A. に Petrobrás. 
 
1 Carvalho Filho, 2014, p. 500. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 91 
Das definições acima, é possível confirmar como há muito mais 
semelhanças do que diferenças entre essas entidades administrativas. 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro cita como traços comuns àsempresas públicas e sociedades de economia mista: 
a) a criação e extinção autorizadas por lei; 
b) personalidade jurídica de direito privado; 
c) sujeição ao controle estatal; 
d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito 
público; 
e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora; 
f) desempenho de atividade de natureza econômica. 
Vamos ver algumas questões! 
 
1. (Cespe – AJ/TRT-ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa pública. 
Comentário: a Petrobrás, ou Petróleo Brasileiro S.A., é um exemplo de 
sociedade de economia mista, eis o erro do item. Mostramos acima alguns 
exemplos de SEMs e EPs, é importante fazer uma boa leitura, pois um item 
como este pode se repetir na prova. 
Gabarito: errado. 
2. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e 
sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito 
privado, derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito 
público e desempenho de atividade de natureza econômica. 
Comentário: a questão tomou por base os ensinamentos da professora Maria 
Di Pietro. De acordo com a autora, são características comuns das empresas 
públicas e sociedades de economia mista: a) criação e extinção autorizadas 
por lei; b) personalidade jurídica de direito privado; c) sujeição ao controle 
estatal; d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de 
direito público; e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora; f) 
desempenho de atividade de natureza econômica. 
A derrogação parcial do regime de direito privado significa que algumas 
dessas regras são substituídas por normas de direito público, ou seja, as EPs 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 91 
e SEMs não se submetem exclusivamente ao regime jurídico de direito 
privado. Quanto ao último item – desempenho de atividade de natureza 
econômica – devemos saber que essa é a regra geral e, portanto, é uma 
característica comum dessas entidades. Logo, o item está correto. Porém, 
podemos adicionar a prestação de serviços públicos, que também é uma 
atividade realizadas pelas empresas estatais. 
Gabarito: correto. 
Criação e extinção 
Nos termos do inc. XIX, art. 37, da CF/88, a instituição de empresa 
pública e de sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei 
específica. Após a edição da lei autorizativa, será elaborado o ato 
constitutivo, cujo registro no órgão competente significará o início da 
personalidade jurídica da entidade. Assim, as empresas públicas e 
sociedades de economia mista nascem, efetivamente, após o registro de 
seu ato constitutivo no órgão competente. 
Com efeito, conforme estabelece a Constituição, a lei deverá ser 
específica. Não significa que a lei deverá tratar tão somente da criação da 
EP e da SEM, mas sim que o assunto (matéria) da lei deverá ser relacionado 
com as competências da nova entidade. Assim, não poderá uma lei abordar 
um assunto e, de forma genérica, autorizar a criação de uma empresa 
pública. Deverá a norma, isso sim, tratar da matéria relacionada com a 
empresa, disciplinando a sua finalidade, estabelecendo diretrizes, 
competências, estrutura, etc. 
Após a edição da lei, será elaborado o ato constitutivo, que, em geral, 
é feito por meio de decreto. Segundo Alexandrino e Paulo, utiliza-se o 
decreto para dar publicidade ao estatuto, no entanto, a criação efetiva da 
entidade só ocorrerá no momento do registro do órgão competente, e não 
na data de publicação do decreto. 
A extinção das EP e das SEM segue a mesma regra. Para tanto, deverá 
ser editada lei específica autorizando a extinção da entidade. Assim, o Poder 
Executivo não poderá dar fim às EPs e SEMs por ato de sua competência 
exclusiva, reclamando a autorização do Poder Legislativo. 
Vamos resolver algumas questões. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 91 
 
3. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia 
mista pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo 
conteúdo específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública. 
Comentário: a criação de SEM e de EP deve ser autorizada por lei específica. 
Dessa forma, a autorização não poderá ser feita de forma genérica, conforme 
consta na questão. Por isso, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
4. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pessoas jurídicas de direito privado integrantes da 
administração indireta, as empresas públicas são criadas por autorização legal para 
que o governo exerça atividades de caráter econômico ou preste serviços públicos. 
Comentário: o trecho criadas “por autorização legal” costuma causar um 
pouco de confusão. No entanto, o item está informando que a criação da 
empresa pública necessidade de autorização legal, o que é verdade. Além 
disso, o item se assemelha ao conceito proposto por José dos Santos 
Carvalho Filho, vejamos: 
Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes 
da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, 
sob qualquer forma jurídica adequada a sua finalidade, para que o 
Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em 
certas situações, execute a prestação de serviços públicos. (grifos 
nossos) 
Dessa forma, podemos concluir com tranquilidade que a questão está correta. 
Gabarito: correto. 
5. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não 
poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública. 
Comentário: para extinguir uma empresa pública, o Poder Executivo 
dependerá autorização legislativa específica. Logo, jamais poderá fazê-lo por 
ato de sua exclusiva competência. 
Gabarito: correto. 
Atividades desenvolvidas 
De forma simples, as empresas públicas e sociedades de economia 
mista podem desenvolver dois tipos de atividade: 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 91 
a) explorar atividade econômica; 
b) prestar serviço público. 
A regra geral é que as empresas públicas e as sociedades de economia 
mista sejam criadas para atuar na exploração de atividades econômicas 
em sentido estrito. Contudo, a atuação do Estado na exploração direta da 
atividade econômica só é admitida quando necessária aos imperativos da 
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo (CF. art. 173, 
caput). 
Nesse contexto, o §1º, do art. 173, da CF dispôs que a “lei” 
estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de 
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade 
econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação 
de serviços, dispondo sobre: (a) sua função social e formas de fiscalização 
pelo Estado e pela sociedade; (b) a sujeição ao regime jurídico próprio 
das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, 
comerciais, trabalhistas e tributários; (c) licitação e contratação de 
obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da 
administração pública; (d) a constituição e o funcionamento dos conselhos 
de administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários; (e) 
os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos 
administradores. 
O mencionado “estatuto jurídico” das EPs e SEMs não foi editado até 
hoje. Contudo, algumas regras já estão claras na Constituição e, portanto, 
merecem destaque. Nesse ponto,as empresas estatais (e suas subsidiárias) 
que atuarem na exploração de atividade econômica devem se sujeitar ao 
regime próprio das empresas privadas, inclusive no que se refere às 
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. O objetivo dessa 
regra é evitar que as entidades estatais usufruam de benefícios não 
extensíveis às empresas privados, o que poderia gerar um desequilíbrio no 
mercado. Reforçando essa regra, o §2º, art. 173, CF, estabelece que as 
”empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão 
gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. 
Assim, se o Banco do Brasil S.A., por exemplo, receber uma isenção fiscal, 
a mesma regra deverá ser aplicada aos bancos privados. 
Quanto às empresas públicas e às sociedades de economia mista que 
prestarem serviços públicos, não há uma regra tão clara na Constituição 
Federal. Além disso, o próprio Decreto Lei 200/1967 menciona tão somente 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 91 
a exploração de atividade econômica como inerente às empresas estatais. 
Todavia, é certo que esse tipo de entidade administrativa presta serviço 
público, encontrando respaldo na legislação infraconstitucional, na 
jurisprudência e na doutrina. 
Nesse contexto, costuma-se dizer que as regras básicas para as SEMs 
e EPs que prestam serviços públicos estão disciplinadas no art. 175 da CF, 
que estabelece que incumbe “ao Poder Público, na forma da lei, diretamente 
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a 
prestação de serviços públicos”. 
Assim, os regramentos previstos no art. 173 da Constituição Federal 
não alcançam as EPs e SEMs que prestam serviços públicos. Tal constatação 
causa uma diferença fundamental no regime jurídico dessas entidades, 
conforme iremos observar no tópico seguinte. 
Todavia, é de se mencionar que não todo tipo de serviço público que 
pode ser exercido pelas empresas estatais. Elas não podem exercer 
atividades típicas de Estado, ou seja, aquelas que só podem ser prestadas 
por entidades que possuem personalidade jurídica de direito público, como, 
por exemplo, o exercício do poder de polícia. 
Por fim, deve-se notar que mesmo quando exploram atividade 
econômica, as SEMs e as EPs são entidades administrativas integrantes da 
Administração Indireta e que, portanto, compõem a Administração Pública 
em sentido subjetivo. 
Vejamos como isso pode aparecer na prova. 
 
6. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia 
mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação 
hipotética, a referida sociedade não é considerada integrante da administração 
indireta do respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve 
prestar serviço público. 
Comentário: as empresas públicas e sociedades de economia mista integram 
a Administração Indireta em qualquer hipótese, seja as que prestam serviço 
público ou as que exploram atividade econômica. Logo, a assertiva está 
errada. 
Gabarito: errado. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 91 
7. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito 
privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas mediante prévia 
autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas situações, 
prestam serviço público. 
Comentário: mais um item conceitual. As empresas públicas (e as sociedades 
de economia mista) são: 
a) pessoas jurídicas de direito privado; 
b) dependem de autorização legislativa para sua criação (e extinção); 
c) atuam prioritariamente na exploração de atividade econômica e, 
eventualmente, na prestação de serviços públicos. 
Gabarito: correto. 
8. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito 
privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada 
quanto prestar serviço público. 
Comentário: outra muito fácil. Uma SEM pode executar atividade econômica 
própria da iniciativa privada ou prestar serviço público. Portanto, perfeito o 
item. 
Gabarito: correto. 
9. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da 
administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da 
iniciativa privada. 
Comentário: esse item é muito parecido com o anterior. As sociedades de 
economia mista podem executar atividades econômicas próprias da iniciativa 
privada, como, por exemplo, os serviços bancários, como faz o Banco do 
Brasil S.A. Assim, a questão está certa. 
Gabarito: correto. 
10. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração 
pública a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado 
que, embora se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade 
tipicamente econômica. 
Comentário: novamente, mesmo quando explora atividade econômica, as 
SEMs integram a administração pública. Daí o erro do item. 
Gabarito: errado. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 91 
11. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade 
econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do 
setor privado. 
Comentário: segundo o §2º, art. 173, da CF, as empresas públicas e as 
sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não 
extensivos às do setor privado. Deve-se frisar que essa determinação se 
insere no rol das EPs e SEMs que exploram atividade econômica. 
Gabarito: correto. 
Regime jurídico 
Em qualquer situação, as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista possuem natureza jurídica de direito privado. Isso 
porque essas entidades são efetivamente criadas com o registro de seu ato 
constitutivo. 
 
As empresas públicas e as sociedades de 
economia mista sempre possuirão 
personalidade jurídica de direito privado. 
Por outro lado, o regime jurídico dessas entidades será sempre 
híbrido, em algumas situações com predomínio de regras de direito privado 
e em outras com predomínio do direito público. O que vai dizer qual o tipo 
de regra dominante é a natureza da atividade desenvolvida, isto é, se 
prestam serviços públicos ou exploram atividade econômica. 
No entanto, devemos tomar cuidado, pois as questões de concurso não 
costumam ser tão técnicas. Muitas vezes, as afirmativas tratam o regime 
jurídico como de direito privado, para diferenciá-los do regime de direito 
público das outras entidades. Portanto, o mais adequado é falar em regime 
jurídico híbrido, mas também pode ser considerado correto se a questão 
falar simplesmente em regime de direito privado para as empresas públicas 
e sociedades de economia mista. 
As empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram 
atividade econômica atuam com predomínio das regras de direito 
privado, porquanto o art. 173, §1º, II, da CF, estabelece que o estatuto 
dessas entidades se sujeita ao regime jurídico próprio das empresas 
privadas. Dessa forma, essas entidades só se submetem às regras de 
direito público quando a Constituição assim o determine, expressa ou 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 91 
implicitamente. Assim, parauma lei administrativa dispor sobre regras de 
direito público para uma empresa pública exploradora de atividade 
econômica, tais regras devem derivar do texto constitucional. 
O entendimento é simples, se a própria Constituição determinou que 
as empresas públicas e sociedades de economia mista devem seguir as 
regras próprias das empresas privadas, somente a própria Constituição 
poderá estabelecer exceções, seja de forma expressa ou de forma implícita. 
Nesse contexto, o art. 37, caput, da Constituição estabelece os 
princípios gerais da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência), todos aplicáveis às EPs e às SEMs, 
mesmo quando exploram atividades econômicas. Essas entidades também 
se sujeitam ao concurso público para contratação de pessoal (CF, art. 37, 
II). Ademais, para o desempenho de suas atividades-meio, como a 
aquisição de material de escritório, obrigam-se a realizar licitação pública 
(CF, art. 37, XXI; e art. 173, §1º, III). A organização dessas entidades 
também depende de regras de direito público, uma vez que dependem de 
lei para autorizar sua criação ou extinção, ou mesmo para criação de 
subsidiárias, neste último caso, mesmo que ocorra de forma genérica (CF, 
art. 37, XIX e XX). Por fim, essas entidades submetem-se ao controle e 
fiscalização do Tribunal de Contas (CF, art. 71) e do Congresso Nacional 
(art. 49, X). 
Por outro lado, as empresas públicas e sociedades de economia mista, 
quando atuarem na prestação de serviços públicos, submetem-se 
predominantemente, às regras de direito público. Isso fica muito mais 
evidente quando as entidades realizam suas atividades-fim, ou seja, 
quando estão prestando o serviço público para o qual foram criadas. 
Menciona-se, por exemplo, o princípio da continuidade do serviço 
público e outros. 
Dessarte, podemos resumir da seguinte forma. Todas as empresas 
públicas e sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica 
de direito privado e regime jurídico híbrido. Porém, quando explorarem 
atividade econômica, sujeitam-se predominantemente ao regime de direito 
privado. Por outro lado, quando prestam serviços públicos, subordinam-se 
predominantemente a regras de direito público. 
Por fim, a atividade preferencial das empresas estatais é a exploração 
de atividade econômica. Dessa forma, se a questão não definir qual a área 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 91 
de atuação, devemos partir do pressuposto que é a exploração de atividade 
econômica. Logo, o regime predominante será de direito privado. 
 
Se a questão não definir a área de atuação da 
EP ou da SEM, o regime predominante será de 
direito privado. 
Benefícios fiscais 
O §2º, art. 173, CF, dispõe que as empresas públicas e as sociedades 
de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não 
extensivos às do setor privado. Todavia, a mencionada regra encontra-
se no art. 173, que se aplica somente às empresas públicas e sociedades 
de economia mista que exploram atividade econômica. 
Com efeito, o dispositivo não veda toda concessão de privilégios fiscais, 
mas tão somente aqueles aplicados exclusivamente às empresas públicas e 
sociedades de economia mista. Assim, se o ente conceder um privilégio 
fiscal a todas as empresas de determinado setor, independentemente se 
são estatais ou não, não haverá vedação. 
Ademais, quando a empresa atuar em regime de monopólio, não 
existirá nenhuma vedação da concessão do privilégio, ainda que a empresa 
explore atividade econômica. O entendimento é muito simples, uma vez 
que há monopólio, não existirão empresas do ramo no setor privado. 
Imunidade tributária 
Nesse ponto, vale trazer um importante entendimento do Supremo 
Tribunal Federal sobre a imunidade tributária recíproca. O art. 150, VI, 
“a”, da CF, estabelece que é vedado à União, aos estados, ao Distrito 
Federal e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou 
serviços, uns dos outros. O §2º do mesmo art. dispõe que essa regra se 
estende às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder 
Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados 
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. 
Em nenhum lugar há menção às empresas públicas e sociedades de 
economia mista. Contudo, o Supremo Tribunal Federal vem apresentando 
entendimento de que a imunidade tributária recíproca aplica-se às 
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 91 
públicos. O primeiro julgamento do STF nesse sentido ocorreu com a 
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT, no julgamento do RE 
407.099/RS, quando a Corte entendeu que a empresa é “prestadora de 
serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado” 
motivo pela qual está abrangida pela regra da imunidade tributária2. 
Na mesma linha, o STF entendeu que a imunidade tributária recíproca 
se aplica à Infraero, empresa pública federal, uma vez que presta serviço 
público “em regime de monopólio”. Contudo, o entendimento do 
Supremo Tribunal Federal, ao decidir o caso da Infraero, aparenta-se ser 
bem mais amplo que o caso da EBCT, vejamos3: 
A submissão ao regime jurídico das empresas do setor privado, inclusive 
quanto aos direitos e obrigações tributárias, somente se justifica, como 
consectário natural do postulado da livre concorrência (CF, art. 170, IV), se 
e quando as empresas governamentais explorarem atividade econômica em 
sentido estrito, não se aplicando, por isso mesmo, a disciplina prevista no 
art. 173, § 1º, da Constituição, às empresas públicas (caso da 
INFRAERO), às sociedades de economia mista e às suas 
subsidiárias que se qualifiquem como delegatárias de serviços 
públicos. (grifos nossos) 
Em recente posicionamento, o STF firmou entendimento ainda mais 
amplo, aplicando a imunidade tributária recíproca à sociedade de economia 
mista prestadora de ações e serviços de saúde, ou seja, que nem mesmo 
atuava como delegatária de serviço público4. Vale dizer, o serviço de saúde, 
quando prestado pelo Estado, enquadra-se no conceito de serviço público, 
no entanto não ocorre mediante delegação, dada sua livre exploração pelas 
entidades privadas (CF, art. 199). 
Diante do exposto, só podemos concluir que a imunidade tributária 
recíproca, conforme posicionamento recente do Supremo Tribunal Federal, 
possui uma amplitude genérica, alcançando as empresas públicas, 
sociedades de economia mista e suas subsidiárias prestadoras de 
serviços públicos. Por outro lado, as empresas públicas e as sociedades 
de economia mista que exploram atividade econômica não possuem 
imunidade tributária. 
Vamos exercitar um pouco! 
 
 
2 RE 407.099/RS. No mesmo sentido: RE 354.897/RS, RE 398.630/SP, ACO 765/RJ, e outros; quando a Corte 
destacou que a EBCT さé prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, motivo 
por que está abrangida pela imunidade tributária recíprocaざく 
3 RE 363.412/BA. 
4 RE 580.264 RS. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 91 
 
12. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-GO/2015) As empresas públicas são 
pessoas jurídicas de direito público. 
Comentário: muito simples! As empresas públicas, assim como as 
sociedades de economia mista, são pessoas jurídicasde direito privado. Por 
outro lado, as autarquias são pessoas jurídicas de direito público, enquanto 
as fundações públicas podem ser de direito público ou direito privado, 
conforme a sua forma de criação – se criadas por lei, são de direito público; 
se autorizadas por lei, são de direito privado. 
Gabarito: errado. 
13. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ-RR/2012) Embora possuam capital 
exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se 
aplicam, preponderantemente, normas de direito privado. 
Comentário: como a questão não definiu a área de atuação da EP, devemos 
partir do pressuposto que ela explora atividade econômica, afinal essa é a 
atividade primordial das empresas estatais. Assim, as normas de direito 
privado serão aplicadas preponderantemente. 
Gabarito: correto. 
14. (Cespe – Técnico em Administração/TJ-AC/2012) A empresa pública criada 
com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, 
formada sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. 
Comentário: em qualquer hipótese as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista serão formadas sob o regime de pessoa jurídica de direito 
privado. Assim, o item está correto. Contudo, devemos lembrar que o regime 
jurídico será sempre híbrido, predominando ou um ou o outro regime (direito 
público e direito privado). No caso das empresas que exploram atividade 
econômica, as regras predominantes serão de direito privado. 
Gabarito: correto. 
Bens 
Os bens das sociedades de economia mista e das empresas públicas 
são considerados bens privados e, portanto, não possuem os atributos 
dos bens públicos, como a impenhorabilidade e imprescritibilidade. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 91 
No entanto, tendo em vista o princípio da continuidade dos 
serviços públicos, a regra para as empresas públicas e sociedades de 
economia mista que prestam serviço público é um pouco diferente. Nesse 
caso, os bens afetados diretamente à prestação do serviço público gozam 
dos mesmos atributos dos bens públicos. Nesse sentido, voltando ao caso 
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - EBCT, o Supremo Tribunal 
Federal possui diversos julgados sobre essa entidade, atribuindo-lhe os 
mesmos privilégios da fazenda pública, como a impenhorabilidade 
de seus bens (e, por conseguinte, a sujeição ao regime de precatórios)5. 
Assim, podemos resumir o caso da seguinte forma. Os bens das 
empresas públicas e sociedades de economia mista são bens privados. 
Porém, no caso das prestadoras de serviço público, os bens diretamente 
relacionados à prestação do serviço gozam dos mesmos atributos dos bens 
públicos. 
Falência 
A Lei 11.105/2005, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e 
a falência do empresário e da sociedade empresária, deixou claro, em seu 
art. 2º, I, que suas normas não se aplicam às empresas públicas e 
sociedades de economia mista. Dessa forma, independentemente da 
atividade que desempenham, as empresas públicas e as sociedades 
de economia mista não se sujeitam ao regime falimentar. 
 
15. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas 
públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são 
imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas 
finalidades essenciais ou delas decorrentes. 
Comentário: não importa qual a natureza da atividade (prestação de serviços 
públicos ou exploração de atividade econômica), pois todas as EPs e SEMs 
não se sujeitam ao regime falimentar. Quanto à imunidade tributária, o 
entendimento do STF é que ela só se aplica às empresas estatais prestadoras 
de serviço público. Assim, o item está correto, pois as sociedades de 
economia mista e as empresas públicas exploradoras de atividade econômica 
 
5 RE 220.906 DF. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 91 
não podem falir e não estão imunes aos impostos sobre patrimônio, renda e 
serviços vinculados às suas finalidades essenciais. 
Gabarito: correto. 
Prescrição 
Vimos que as dívidas e os direitos em favor de terceiros contra as 
autarquias prescrevem em cinco anos (Decreto 20.910/1932, art. 1º6, c/c 
Decreto-Lei 4.597/1942, art. 2º). Para as empresas públicas e as 
sociedades de economia mista, contudo, não há essa regra. 
Assim, elas devem se submeter ao regramento previsto no Código 
Civil. O art. 205 do CC dispõe que a prescrição ocorrerá em dez anos, 
quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Em seguida, o art. 206 
estabelece diversos prazos de prescrição, para várias situações. Cremos 
que não há necessidade de decorar esses prazos, sobretudo quando se fala 
em direito administrativo. Assim, o que nos interessa é saber que as 
empresas públicas e as sociedades de economia mista não gozam 
do prazo quinquenal de prescrição. 
 
16. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As ações judiciais promovidas contra sociedade de 
economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos. 
Comentário: ficou fácil. As EPs e as SEMs não se submetem ao prazo 
quinquenal. Assim, as regras de prescrição estão previstas nos arts. 205 e 206 
do Código Civil. Dessa forma, concluímos pela incorreção da questão. 
Gabarito: errado. 
Diferenças entre EP e SEM 
As diferenças entre as empresas públicas e as sociedades de economia 
mista resumem-se em três: 
a) forma jurídica; 
 
6 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação 
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados 
da data do ato ou fato do qual se originarem. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 91 
b) composição do capital; e 
c) foro processual (somente para as entidades federais). 
Vamos analisar cada uma dessas diferenças. 
Forma jurídica 
As sociedades de economia mista devem, obrigatoriamente, ter a 
forma de sociedade anônima (S/A). Em virtude dessa formação 
societária, as SEMs são reguladas, basicamente, pela Lei das Sociedades 
por Ações (Lei 6.404/1976), que possui um capítulo específico para tratar 
dessas entidades7. 
Por outro lado, as empresas públicas podem ser formadas sob 
qualquer forma admitida em direito. Assim, elas podem ser unipessoais 
(quando a entidade instituidora possui a integralidade de seu capital), 
pluripessoais (quando possui capital dominante do ente instituidor 
associados aos recursos de outras pessoas administrativas). Cumpre frisar, 
as empresas públicas inclusive podem ser formadas como sociedades 
anônimas. 
Com efeito, o Decreto Lei 200/1967 dispõe que as empresas públicas 
podem revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Por 
conseguinte, a doutrina entende que, uma vez que cabe à União legislar 
sobre direito civil e comercial (CF, art. 22, I), poderia ser instituída uma 
empresa pública federal sob forma inédita, sui generis, não prevista 
para o direito privado. Assim, a União criaria uma nova forma de empresa. 
Segundo José dos Santos Carvalho Filho8, apesar de o Decreto Lei 
200/1967 dispor que as EP podem ser formadas sob qualquer forma 
admitida em direito, existem algumas formas societárias incompatíveis com 
a empresa pública, a exemplo das sociedadesem nome coletivo (CC, art. 
1.039) sociedade corporativa (CC, art. 1.093) e a empresa individual de 
responsabilidade limitada (CC, art. 980-A). Essas formas societárias são 
tipicamente formadas por pessoas físicas, inviabilizando a formação de 
capital por meio do Poder Público. Ainda com essa ressalva, devemos 
manter o entendimento de que as EPs podem ser formadas sob qualquer 
forma admitida em direito. 
 
7 Lei 6.404/1976, arts. 235-240. 
8 Carvalho Filho, 2014, p. 513. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 91 
Dessa forma, podemos entender que as empresas públicas podem ser 
criadas sob qualquer forma admitida em direito e, exclusivamente para a 
União, podem ser criadas sob uma forma jurídica inédita. Por outro lado, as 
sociedades de economia mista serão sempre constituídas na forma de 
sociedade anônima. 
Vamos exercitar um pouco! 
 
17. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas 
apenas podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima. 
Comentário: as empresas públicas podem ser criadas sob qualquer forma 
admitida em direito. Logo, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
18. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas 
jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica. 
Comentário: as sociedades de economia mista só podem ser constituídas em 
sociedade anônima. São as EPs que admitem qualquer forma jurídica (desde 
que compatível). 
Gabarito: errado. 
19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) As sociedades de economia mista podem revestir-
se de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público, que 
procede à sua criação. 
Comentário: novamente, são as empresas públicas que admitem qualquer 
forma admitida em direito. Assim, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
20. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) As empresas públicas devem ser constituídas 
obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima. 
Comentário: parece replay, mas não é! As empresas públicas podem ser 
constituídas sob qualquer forma admitida em direito; enquanto as sociedades 
de economia mista só podem ser criadas como sociedade anônima. 
Gabarito: errado. 
21. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista 
é a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 91 
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital 
exclusivamente público. 
Comentário: a questão apresentou o conceito de empresa pública e não de 
sociedade de economia mista. Para fixar, vamos escrevê-lo novamente: 
Sociedade de economia mista Empresa pública é a pessoa jurídica 
de direito privado, integrante da administração indireta, criada 
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma 
jurídica e com capital exclusivamente público. 
Gabarito: errado. 
Composição do capital 
As sociedades de economia mista admitem a participação de 
capital público e de capital privado, enquanto as empresas públicas 
só admitem capital público. 
No caso das sociedades de economia mista, podem ser conjugados 
recursos de pessoas de direito público ou de outras pessoas administrativas 
com recursos de particulares. No entanto, o controle acionário da entidade 
deve permanecer que o ente instituidor, logo a maioria do capital votante 
sempre pertencerá ao ente que instituiu a entidade. Nesses termos, o 
Decreto Lei 200/1967 dispõe que as ações com direito a voto na SEMs 
federais devem pertencer em sua maioria à União ou à entidade da 
Administração Indireta. 
Por outro lado, as empresas públicas são formadas com capital 
totalmente público. Não é necessário que o capital pertença a uma única 
pessoa política ou administrativa, o que se exige é que o ente político que 
as instituiu possua a maioria do capital votante. Dessa forma, uma empresa 
pública federal pode ser formada com capital da União, de algum estado-
membro, de autarquias e até mesmo de sociedades de economia mista. 
Vale dizer que as sociedades de economia mista possuem a maioria de 
seu capital público e, portanto, estão sob controle de uma entidade do Poder 
Público. Logo, não há vedação à participação de capital dessas entidades 
na composição de uma empresa pública. 
Vamos dar uma olhada em como isso é exigido em concursos. 
 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 91 
 
22. (Cespe – AnaTA/MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de 
economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como 
organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público. 
Comentário: as sociedades de economia mista são formadas pela conjugação 
de capital público e privado, porém a maioria do capital social deve pertencer 
ao ente público que as instituiu. Ainda que possuam capital privado, essas 
entidades se submetem a algumas regras de direito público, como a 
contratação de pessoal (concurso público) e a sua organização (depende de 
lei para autorizar a criação e extinção ou para autorizar a criação de 
subsidiárias). Assim, a questão está perfeita! 
Gabarito: correto. 
23. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital, 
podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois 
grupos: um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é 
exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia 
mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital 
público e privado. 
Comentário: o item está errado, pois as empresas públicas possuem capital 
totalmente público, logo não há conjugação de capital público e privado. 
Assim, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
24. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito 
privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e 
privado. 
Comentário: na mesma linha da questão anterior, as empresas públicas não 
possuem capital privado. Assim, a questão está errada. 
Gabarito: errado. 
25. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é 
exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas 
atividades são regidas pelos preceitos comerciais. 
Comentário: aqui podemos delinear várias características das empresas 
públicas: (a) capital exclusivamente público; (b) personalidade de direito 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 91 
privado; (c) atividades regidas pelos preceitos comerciais (CF, art. 173, §1º, II). 
Deve-se frisar que quando a questão não mencionar nada sobre a prestação 
de serviços públicos, devemos considerar que as empresas públicas e 
sociedades de economia mista se submetem às regras da exploração de 
atividade econômica. Assim, a questão está perfeita. 
Gabarito: correto. 
26. (Cespe – Analista/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas jurídicas de 
direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende de 
autorização legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquerforma 
admitida em direito. 
Comentário: aqui a questão apresentou mais algumas características 
adicionais, como a autorização legislativa para a criação; e a estruturação 
jurídica sob qualquer forma admitida em direito. Além disso, nunca é demais 
lembrar que o capital das EPs é totalmente público. Correto, portanto, o item. 
Gabarito: correto. 
27. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade 
da administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a 
conjugação de capital público e privado. 
Comentário: não há capital privado nas EPs. Assim, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
28. (Cespe – Ana/MPU/2013) A empresa pública federal caracteriza-se, entre 
outros aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União, não se 
admitindo, portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na constituição de 
seu capital. 
Comentário: as empresas públicas admitem a participação de outras pessoas 
jurídicas, desde que sejam integrantes da Administração Pública. Dessa 
forma, não há nenhum impedimento que um estado da Federação, uma 
autarquia ou uma empresa pública, por exemplo, possuem parte do capital de 
uma empresa pública federal. Porém, a maioria do capital deverá pertencer à 
União, pois estamos falando de uma EP federal. Com isso, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
Foro processual para as entidades federais 
A última particularidade diz respeito à justiça competente. Segundo o 
texto constitucional, as causas em que empresa pública federal for 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 91 
interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente serão 
processadas e julgadas na Justiça Federal (CF, art. 109, I). Quando se 
tratar de empresa pública dos estados ou municípios, a competência 
será da Justiça Estadual. 
Por outro lado, as ações das sociedades de economia mista (de 
qualquer ente da Federação), em regra, serão julgadas na Justiça 
Estadual (comum), conforme dispõe a Súmula 556 do STF: “É competente 
a Justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de 
economia mista” (grifos nossos). 
Contudo, quando a União intervém na condição de assistente ou 
oponente, as causas envolvendo as sociedades de economia mista serão 
deslocadas para a Justiça Federal, conforme entendimento apresentado 
na Súmula 517-STF9. 
Por fim, as causas que envolvam as relações de trabalho entre os 
empregados públicos e as empresas públicas e sociedades de economia 
mista, serão de competência da Justiça do Trabalho. 
Em resumo: 
 causas envolvendo EP federal: Justiça Federal; 
 causas envolvendo EP de estado ou município: Justiça Estadual; 
 causas envolvendo SEM: Justiça Estadual; 
 causas envolvendo SEM, mas que a União intervenha como 
assistente ou oponente: Justiça Federal. 
O quadro a seguir resume as diferenças das empresas públicas e das 
sociedades de economia mista. 
 
 
9 Súmula 517 do STFぎ さAs sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União intervém 
como assistente ou opoenteざ ふェヴキaラゲ ミラゲゲラゲぶく 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 91 
Dimensões Empresa Pública Sociedade de Economia 
Mista 
Forma Jurídica Qualquer forma admitida 
pelo ordenamento jurídico 
(civil, comercial, S/A, etc.) ou 
até mesmo formas inéditas 
(somente para a União). 
Somente na forma de 
sociedade anônima (S/A). 
Composição do capital Capital totalmente público. Admite capital público e 
privado, mas a maioria do 
capital com direito a voto é 
público. 
Foro processual (somente 
para as entidades federais) 
Com algumas exceções, as 
causas em que as empresas 
públicas federais forem 
interessadas tramitam na 
Justiça Federal. 
Tramitam na justiça 
estadual. 
E, para fechar, vamos resolver uma questãozinha! 
 
29. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar 
as causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem 
serviço público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado. 
Comentário: o item possui dois erros. O primeiro é que a questão não 
especificou que empresa pública (federal, estadual, municipal), pois somente 
as causas envolvendo EPs federais são processadas e julgadas na Justiça 
Federal. 
O outro erro consiste no “dado o fato”, que dá o sentido de que a competência 
da Justiça Federal ocorre por causa da prestação do serviço público, o que 
não é verdade. As causas envolvendo empresas públicas são julgadas na 
Justiça Federal simplesmente porque a Constituição determinou assim, logo 
alcançaria também as EPs que exploram atividade econômica. 
Gabarito: errado. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 91 
FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
Conceito 
As fundações surgiram no meio privado, em que são definidas como a 
personificação de um patrimônio ao qual é atribuída uma finalidade 
social não lucrativa. Assim, as fundações são conhecidas como um 
patrimônio personalizado destinado a realizar atividades de interesse 
social, como educação, saúde, pesquisa científica, cultura, etc. 
Assim, no meio privado, a fundação resulta de iniciativa de um 
particular, seja pessoa física ou jurídica, que destaca parte de seu 
patrimônio e a ele destina uma finalidade de caráter social. A partir do 
momento em que a fundação é criada, ganhando a personalidade jurídica 
própria, o particular não mais terá poder sobre ela. Vale dizer, a fundação 
terá vida própria para gerir os seus bens, desde que mantida a finalidade e 
legalidade da atividade. 
Nesse contexto, José dos Santos Carvalho Filho dispõe que existem 
três características básicas das fundações: 
a) a figura do instituidor; 
b) o fim social da entidade; e 
c) a ausência de fins lucrativos. 
A fundações públicas diferenciam-se das fundações privadas 
basicamente pela figura do instituidor que, naquele caso, se trata de uma 
pessoa política, que destinará parte do patrimônio público. Vale dizer, as 
fundações públicas são instituídas pelo Estado, que separa uma dotação 
patrimonial e a ela destina recursos orçamentários para o desempenho de 
atividade de interesse social. 
Nesse contexto, o DL 200/1967 apresenta a seguinte definição para 
fundação pública (art. 5º, IV): 
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de 
direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização 
legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução 
por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, 
patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e 
funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. 
Essa definição é antiga e não mais se coaduna com a atual disciplina 
constitucional. A começar que o nosso ordenamento permite que as 
fundações públicas possuam personalidade jurídica de direito público ou 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 91 
direito privado e elas podem ser criadas diretamente por lei ou, então, 
receber apenas a autorização em lei para a criação. 
Nessa esteira, a Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietroapresenta a 
seguinte definição para as fundações públicas: 
[...] pode-se definir a fundação instituída pelo Poder Público como o 
patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de personalidade jurídica 
de direito público ou privado e destinado, por lei, ao desempenho de 
atividades do Estado de ordem social, com capacidade de 
autoadministração e mediante controle da Administração Pública, nos 
limites da lei. 
Dessa forma, podemos resumir as seguintes 
características das fundações públicas10: 
(a) dotação patrimonial; 
(b) personalidade jurídica própria, pública ou privada; 
(c) desempenho de atividade atribuída pelo Estado no âmbito social; 
(d) capacidade de autoadministração; 
(e) sujeição ao controle administrativo ou tutela por parte da 
Administração Direta, nos limites estabelecidos em lei. 
 
 
As fundações públicas compreendem um 
patrimônio personalizado, afetado a um fim 
público. 
Natureza jurídica 
A Constituição Federal não definiu a natureza jurídica das fundações 
públicas. No entanto, na redação atual, elas são abordadas juntamente com 
as empresas públicas e sociedades de economia mista, que recebem apenas 
autorização legislativa para criação e, por conseguinte, possuem 
personalidade jurídica de direito privado. Nessa mesma linha, o DL 
200/1967 menciona que as fundações públicas possuem personalidade 
jurídica de direito privado. 
 
10 Di Pietro, 2014, p. 507. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 91 
Entretanto, a jurisprudência e a doutrina admitem a criação de 
fundações públicas de direito público ou de direito privado. 
Segundo a doutrina que sustenta as duas possibilidades de natureza 
jurídica, o Estado pode criar uma fundação e lhe atribuir a natureza jurídica 
de direito público, caso em que terá a natureza de uma autarquia; ou 
pode atribuir a natureza jurídica de direito privado, situação em que ela 
será administrada segundo os mesmos moldes das fundações privadas, com 
as derrogações próprias de direito público (como a exigência de licitação e 
de concurso público). 
A jurisprudência do STJ11 e do STF também admitem as fundações 
públicas de direito público ou de direito privado. Nessa linha, vale dar 
uma olhada no seguinte trecho do RE 101.126/RJ do STF12: 
Nem toda fundação instituída pelo poder público e fundação de direito 
privado. - às fundações, instituídas pelo poder público, que assumem a 
gestão de serviço estatal e se submetem a regime administrativo previsto, 
nos estados-membros, por leis estaduais são fundações de direito público, 
e, portanto, pessoas jurídicas de direito público. - tais fundações são 
espécie do gênero autarquia [...]. 
Nessa linha, as fundações públicas de direito público submetem-se ao 
mesmo regime jurídico das autarquias. É exatamente por isso que alguns 
doutrinadores chamam as fundações públicas de direito público de 
fundações autárquicas ou autarquias fundacionais. 
De acordo com Marcelo Alexandrino e 
Vicente Paulo, a diferença entre as 
fundações públicas de direito público e 
as autarquias é meramente conceitual. 
A autarquia é definida como um serviço público personificado, em 
regra, típico de Estado. A fundação pública de direito público, por sua vez, 
é um patrimônio público personalizado destinado a uma finalidade 
específica, usualmente de interesse social. Reforça-se, porém, que o 
regime jurídico de ambas é, em tudo, idêntico. 
Já as fundações públicas de direito privado seguirão um regime 
jurídico híbrido, ou seja, serão aplicadas as normas de direito privado, 
derrogadas em partes pelo regime jurídico de direito público. Alguns 
exemplos de regras de direito público aplicáveis também às fundações 
 
11 Nesse sentido: REsp 207.767/SP; REsp 480.632/RS. 
12 RE 101.126/RJ; ver também: RE 127.489/DF. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 91 
públicas de direito privado são a exigência de concurso público; o dever de 
licitar; o enquadramento de seus contratos como “contratos 
administrativos, nos termos da Lei 8.666/1993; etc. Outras regras serão 
discutidas ao longo da aula. 
Criação e extinção 
A criação das fundações públicas já foi discutida preliminarmente. 
As fundações públicas de direito público são efetivamente criadas por 
lei. Dessa forma, elas ganham a personalidade jurídica no momento da 
vigência da lei instituidora. 
Por outro lado, as fundações públicas de direito privado recebem 
autorização legislativa para criação, mas dependem do registro do ato 
constitutivo no Registro Civil de Pessoas Jurídicas para que adquiram a 
personalidade jurídica. 
 
30. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) Fundação pública é a 
pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de 
autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, 
mediante controle administrativo exercido nos limites da lei. 
Comentário: a questão limitou o conceito para “pessoa jurídica de direito 
público, sendo que as fundações públicas podem possuir natureza jurídica de 
direito público ou de direito privado. Logo, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
31. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Para a criação de uma 
fundação de direito público, é indispensável a inscrição de seus atos constitutivos 
no registro civil das pessoas jurídicas. 
Comentário: as fundações públicas podem possuir natureza jurídica de direito 
público ou de direito privado. No primeiro caso, elas são criadas por lei; 
enquanto, no segundo, elas recebem autorização legislativa, mas só adquirem 
personalidade jurídica com o registro do ato constitutivo. 
Assim, nem sempre terá que ocorrer o registro, pois, no caso das fundações 
públicas de direito público, a aquisição da personalidade jurídica ocorre com 
a vigência da lei, dispensando o registro. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 91 
Gabarito: errado. 
Atividade 
Os fins a que se destinam as fundações públicas devem sempre possuir 
um caráter social. Com efeito, essas entidades não possuem fins lucrativos 
e, por conseguinte, seus recursos extras serão sempre aplicados no 
aprimoramento das finalidades da entidade. Assim, as fundações públicas 
não podem ser criadas para exploração de atividade econômica em sentido 
estrito; sendo que, para esse fim, o Estado deverá criar empresas públicas 
ou sociedades de economia mista. 
Nesse contexto, José dos Santos Carvalho Filho ensina que comumente 
se destinam as seguintes atividades às fundações públicas: assistência 
social; assistência médica e hospitalar; educação e ensino; pesquisa; e 
atividades culturais. 
Um ponto relevante e divergente decorre da interpretação da confusa 
redação do inc. XIX, art. 37, da CF, que estabelece o seguinte: “somente 
por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de 
empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo 
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua 
atuação”. 
Dessa forma, deverá ser editada uma “lei complementar” para 
estabelecer a área de atuação das fundações públicas. Todavia, como a 
mencionada lei complementar ainda não foi editada, surgem algumas 
divergências. Parte da doutrina entende que essa lei complementar deverá 
definir somente a área de atuação das fundações públicasde direito 
privado; enquanto a área de atuação das fundações públicas de direito 
público será disciplinada na respectiva lei instituidora. 
Os argumentos são consistentes, uma vez que as fundações públicas 
de direito público poderiam ser criadas para atividades diferentes daquelas 
mencionadas acima, podendo desempenhar atividades típicas de 
Estado, inclusive relacionadas com o poder de polícia. 
Assim, as fundações públicas de direito público desenvolveriam as 
atividades previstas em sua lei instituidora, podendo desempenhar até 
mesmo atividades típicas de Estado. Por outro lado, as fundações públicas 
de direito privado somente iriam desempenhar atividades não exclusivas de 
Estado, como saúde, assistência social, cultura, pesquisa, desporto, etc. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 91 
Apesar de existirem posicionamentos diferentes, parece que o 
entendimento apresentado acima é o que será adotado pelo legislador. 
Nesse contexto, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 
Complementar 92/200713, que tem por objetivo dispor sobre as áreas de 
atuação das fundações públicas. O art. 1º do mencionado projeto permite 
a instituição ou autorização de instituição de fundação pública com 
personalidade jurídica de direito público ou de direito privado, para, nesse 
último caso, desempenhar atividade estatal que não seja exclusiva de 
Estado, nas seguintes áreas: I - saúde; II - assistência social; III - cultura; 
IV - desporto; V - ciência e tecnologia; VI - meio ambiente; VII - previdência 
complementar do servidor público, de que trata o art. 40, §§ 14 e 15, da 
Constituição; VIII - comunicação social; e IX - promoção do turismo 
nacional. 
Parece clara, portanto, a intenção do legislador de dispor somente 
sobre as atividades das fundações públicas de direito privado. Ressalvamos, 
novamente, que se trata somente de um projeto de lei complementar, não 
sendo ainda uma norma vigente. 
 
32. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) As fundações públicas 
destinam-se à realização de atividades não lucrativas e atípicas do poder público, 
porém de interesse coletivo. 
Comentário: essa questão foi dada como correta, uma vez que é quase cópia 
do livro de Hely Lopes Meirelles. De acordo com o autor, 
As fundações prestam-se, principalmente, à realização de atividades não 
lucrativas e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo, como a 
educação, cultura, pesquisa, sempre merecedoras do amparo estatal. 
Todavia, o item merecia alguns reparos. Em primeiro lugar, o próprio Meirelles 
coloca o “principalmente”, ou seja, não são somente essas atividades. Nessa 
esteira, as fundações públicas de direito público podem realizar atividades 
típicas de Estado, uma vez que possuem natureza de direito público, 
equiparando-se às autarquias. 
De qualquer forma, não podemos brigar com a banca, mas apenas praticar 
com as suas questões!  
Gabarito: correto. 
 
13 PLC 92/2007. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 91 
33. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As fundações públicas podem exercer 
atividades típicas da administração, inclusive aquelas relacionadas ao exercício do 
poder de polícia. 
Comentário: essa questão confirma o erro da anterior. As fundações públicas 
podem exercer atividades típicas de Administração, quando possuírem 
personalidade jurídica de direito público. O “podem” foi empregado no 
sentido de que existe “possibilidade”, o que é verdadeiro. 
Gabarito: correto. 
34. (Cespe – TJ/STF/2013) A fundação pública de direito privado tem sua 
instituição autorizada por lei específica, cabendo a lei complementar definir as áreas 
de sua atuação. 
Comentário: a questão limitou sua análise às fundações públicas de direito 
privado. Nesse caso, a regra está bem definida na Constituição Federal (art. 
37, XIX): 
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e 
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de 
economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste 
último caso, definir as áreas de sua atuação; 
Dessa forma, a criação de fundações públicas de direito privado é autorizada 
por lei específica, enquanto as áreas de sua atuação serão disciplinadas em 
lei complementar. 
Gabarito: correto. 
35. (Cespe – Administrador/FUB/2009) As fundações públicas não possuem 
finalidade de exploração econômica com fins lucrativos. 
Comentário: as fundações públicas são patrimônios personificados, sem 
finalidade lucrativa, criadas para um fim público. Dessa forma, não possuem 
finalidade de exploração econômica. 
Gabarito: correto. 
Regime jurídico 
Imunidade tributária 
Por força do art. 150, §2º, da CF, as duas modalidades de fundação 
públicas (direito público ou direito privado) fazem jus à imunidade tributária 
prevista no art. 150, VI, “a”, da CF, pois a vedação de instituir impostos 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 91 
sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros, é extensiva às 
“fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público”. 
 
A imunidade tributária se aplicada às 
fundações públicas de direito público e de 
direito privado. 
Prerrogativas processuais 
As prerrogativas processuais, a exemplo do prazo em quádruplo 
para contestar e em dobro para recorrer e a sujeição ao duplo grau 
de jurisdição obrigatório14 aplicam-se somente às fundações públicas de 
direito público, não alcançando as fundações públicas de direito privado. 
Regime de precatórios 
O regime de precatórios para o pagamento de dívidas, em virtude 
de sentença judiciária, previsto no art. 100 da CF, não se aplica às 
fundações públicas de direito privado, mas se aplicam às fundações públicas 
de direito público. 
***** 
 
Prerrogativa Fundação Pública 
Direito Público Direito Privado 
Imunidade tributária Sim Sim 
Prerrogativas processuais (prazos especiais para 
contestar e recorrer) 
Sim Não 
Regime de precatórios Sim Não 
Patrimônio 
Os bens do patrimônio das fundações públicas de direito público são 
caracterizados como bens públicos, protegidos por todas as prerrogativas 
que o ordenamento jurídico contempla, como impenhorabilidade, 
imprescritibilidade e as restrições para alienação. 
 
14 O CPC, art. 475, I, limita o duplo grau de jurisdição ラHヴキェ;デルヴキラ <ゲ さfundações de direito públicoざく 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 91 
Por outro lado, os bens das fundações públicas de direito privado, em 
regra, não se enquadram como bens públicos (são bens privados). 
Entretanto, quando seus bens forem empregados diretamente na prestação 
de serviços públicos, poderão receber algumas prerrogativas, como a 
impenhorabilidade, em decorrência do princípio da continuidade dos 
serviços públicos. 
Licitações e contratos 
A Lei 8.666/1993 (Lei de normas gerais de Licitações e Contratos) 
aplica-se integralmente às fundações públicas por determinação do art. 1º, 
parágrafo único, dessa norma. Com efeito, nem a Lei 8.666/1993 nem a 
Constituição Federal fizeram diferença no que se refere à obrigação de licitar 
para as fundaçõespúblicas de direito público ou de direito privado. Por 
conseguinte, independentemente da natureza jurídica da fundação pública, 
ela deverá licitar e contratar na forma prevista na Lei 8.666/1993. 
Regime de pessoal 
Às fundações públicas de direito público aplica-se o mesmo regime 
jurídico das autarquias, ou seja, o regime jurídico único15. Por 
conseguinte, enquanto o regime jurídico único for estatutário, os agentes 
públicos dessas entidades serão considerados servidores públicos, 
ocupantes, portanto, de cargos públicos. 
A dúvida surge quanto às fundações públicas de direito privado. Os 
professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo16 destacam que a 
Constituição Federal não fez nenhuma distinção quanto ao regime de 
pessoal para as fundações públicas de direito público ou de direito privado. 
Dessa forma, os autores entendem que, mesmo quando de direito privado, 
o pessoal dessas entidades seguirá o regime jurídico único. 
No entanto, José dos Santos Carvalho Filho17 entende que o regime 
estatutário é incompatível com a natureza de uma entidade de direito 
privado e, por conseguinte, entende que o pessoal das fundações públicas 
 
15 Lembrando que a ADI 2.135/DF declarou inconstitucional, liminarmente, a redação do art. 39, caput, da CF, 
dada pela EC 19/1998, com efeitos ex nunc. Dessa forma, a partir da decisão do STF, voltou a vigorar o regime 
jurídico único para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. 
16 Alexandrino e Paulo, 2011, p. 61. 
17 Carvalho Filho, 2014, p. 534. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 91 
de direito privado se submete ao regime trabalhista comum, traçado na 
CLT. 
De fato, o assunto é complicado e nada pacífica, motivo pelo qual as 
bancas de concurso devem se afastar desse assunto para evitar anulações. 
Todavia, independentemente do regime jurídico, o fato é que se 
aplicam aos agentes públicos das fundações as regras constitucionais como 
a vedação à acumulação de cargos e empregos públicos (CF, art. 37, XVII); 
e a necessidade de prévia aprovação em concurso público (CF, art. 37, II). 
Foro competente 
Para as fundações públicas de direito público da União, o foro 
competente será a Justiça Federal, seguindo as mesmas regras das 
autarquias (CF, 109, I)18. Para as fundações públicas de direito público 
estaduais e municipais o foro competente será o da Justiça Estadual. 
Quanto às fundações públicas de direito privado, é bastante 
divergência sobre o assunto. No âmbito doutrinário, entende-se que o foro 
competente é o da Justiça Estadual. Podemos mencionar como um dos 
adeptos deste posicionamento o Prof. José dos Santos Carvalho Filho19. 
Todavia, o posicionamento jurisprudencial é diferente. No CC 
77/DF20, o STJ entendeu que as “fundações públicas federais, como 
entidades de direito privado, são equiparadas as empresas públicas, para 
os efeitos do artigo 109, I, da Constituição da República”. Em julgamento 
posterior, o STJ confirmou este posicionamento no CC 16.397/RJ21, 
concluindo que em fundações públicas de direito privado equiparam-se às 
empresas públicas no que se refere ao juízo competente. Conforme consta 
no art. 109, I, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar 
e julgar as causas envolvendo empresa pública federal. 
Dessa forma, ainda que não seja um posicionamento consolidado, 
podemos afirmar que a doutrina entende que o foro competente para 
processor a julgar as causas envolvendo as fundações públicas de direito 
privado federais é o da Justiça Estadual; enquanto a jurisprudência 
entende que o foro é da Justiça Federal. 
 
18 RE 127.489/DF. 
19 Carvalho Filho, 2014, p. 536. 
20 CC 77/DF. 
21 CC 16.397/RJ. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 91 
Controle do Ministério Público 
O Código Civil determina que o Ministério Público do Estado “velará 
pelas fundações” (art. 66). 
Trata-se de uma forma de controle destinado a verificar se a fundação 
está efetivamente perseguindo os fins para os quais foi instituída. Nessa 
esteira, Carvalho Filho dispõe que é um controle finalístico realizado pelo 
órgão ministerial22. 
O autor ainda acrescenta que essa fiscalização é dispensável para as 
fundações públicas, independentemente da natureza da entidade, haja vista 
que o controle finalístico já é exercido pela respectiva Administração Direta. 
Também segue este entendimento a Prof. Maria Di Pietro, que entende que 
o Ministério Público também não deve velar pelas fundações públicas. Dessa 
forma, este parece ser o posicionamento majoritário, inclusive já adotado 
em provas de concurso. 
Ressaltamos, porém, que Hely Lopes Meirelles entende que o Ministério 
Público deve velar pelas fundações públicas de direito privado. 
De forma ainda mais restrita, o STF, na ADI 2.794/DF, afirmou que é 
atribuição do Ministério Público Federal a ”veladura pelas fundações federais 
de direito público, funcionem, ou não, no Distrito Federal ou nos eventuais 
Territórios”. Todavia, este não era o tema central da discussão da ADI, 
motivo pelo qual alguns doutrinadores entendem que essa não era 
exatamente a intenção do STF. 
Com efeito, devemos mencionar que mesmo que o Ministério Público 
não seja responsável por velar pelas fundações públicas, isso não quer dizer 
que ele não exerça nenhum controle sobre essas entidades. Vale mencionar 
o Ministério Público continuará exercendo suas funções ordinários sobre as 
fundações públicas, porém o controle não ocorrerá nos mesmos moldes 
como acontece com as fundações privadas. 
 
36. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Ministério Público 
deverá realizar o controle sobre as atividades das fundações públicas, assim como 
o faz em relação às fundações privadas. 
 
22 Carvalho Filho, 2014, p. 535. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 91 
Comentário: nessa questão, podemos ver que foi adotado o posicionamento 
de Carvalho Filho e Maria Di Pietro, que entendem que o Ministério Público 
não deve velar pelas fundações públicas. Por conseguinte, o controle das 
atividades das fundações públicas não ocorre da mesma forma como nas 
fundações privadas. Por esse motivo, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
ENTIDADES PARAESTATAIS E O TERCEIRO SETOR 
A Administração Pública compõe-se da Administração Direta, que é 
formada pelos órgãos que prestam a atividade pública de maneira 
centralizada, e pela Administração Indireta, composta pelas entidades 
administrativas, com personalidade jurídica própria, que prestam serviços 
de maneira descentralizada. Na Administração Indireta nós encontramos as 
autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de 
economia mista. 
Todavia, é cada vez maior a demanda da sociedade pela prestação de 
serviços do Estado. Porém, a Administração Pública não consegue estar 
presente em todas as situações, o que desperta a necessidade de buscar 
apoio da sociedade civil para solucionar essas demandas. Nesse contexto, 
é comum que entidades privadas sem fins lucrativos prestem atividades de 
interesse coletivo, atuando, muitas vezes, em colaboração com o Estado. 
Assim, o termo terceiro setor é utilizado para designar as entidades 
privadas, surgidas necessariamenteno meio privado, mas que não possuem 
fins lucrativos nem econômicos. Portanto, o terceiro setor é formado pelas 
entidades privadas da sociedade civil, que prestam atividade de interesse 
social, sem finalidade lucrativa. 
Segundo a doutrina, o primeiro setor é o próprio Estado, enquanto o 
segundo setor é formado pelo mercado. Assim, o terceiro setor se difere 
dos demais, pois não íntegra o Estado, vale dizer, as entidades do terceiro 
setor não fazem parte da Administração Pública; e também não possui fins 
lucrativos nem explora atividade econômica, diferentemente do mercado. 
Essas entidades do terceiro setor costumam ser chamadas pela 
legislação e pela doutrina mais moderna de organizações da sociedade 
civil. Todavia, são popularmente conhecidas como organizações não 
governamentais (ONGs). 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 91 
A partir da Reforma do Estado23, iniciada em 1995, os defensores da 
chamada “administração pública gerencial”, defenderam a modificação da 
forma de prestação de serviços para a sociedade. Para as atividades de 
natureza econômica, em que seria possível explorar o serviço com 
finalidade lucrativa, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado 
(PDRAE) propôs a privatização, ou seja, a transferência para o mercado 
das atividades econômicas voltadas para o lucro. Por outro lado, para as 
atividades que não poderiam ser exploradas com finalidade lucrativa, tendo 
em vista a relevância social do serviço, o Estado deveria promover a 
chamada publicização, isto é, a transferência para as organizações 
privadas sem fins lucrativos. 
Nesse contexto, as entidades paraestatais são pessoas jurídicas de 
direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por particulares – portanto, 
não integrantes da Administração Pública –, que atuam em 
colaboração ou apoio ao Estado na prestação de atividades de utilidade 
pública. Essas entidades recebem incentivos do Estado, na forma de 
fomento, como, por exemplo, recursos do orçamento ou a permissão para 
utilizar bens públicos. Por conseguinte, sujeitam-se ao controle direto ou 
indireta da Administração Pública e estão sujeitas ao controle do Tribunal 
de Contas. 
O termo “entidade paraestatal” era 
utilizado pela doutrina mais antiga para 
designar as entidades da administração 
indireta com personalidade jurídica de direito privado e os serviços sociais 
autônomos. Dessa forma, para essa doutrina, as entidades paraestatais 
eram representadas pelas empresas públicas, sociedades de economia 
mista, fundações públicas de direito privado e os serviços sociais 
autônomos. 
Todavia, tal conceito encontra-se superado. A doutrina majoritária 
considera essa definição inapropriada, uma vez que o termo “paraestatal” 
possui significado de “ao lado do Estado” e, portanto, não poderia 
abranger entidades integrantes da Administração Pública. 
 
23 A Reforma Administrativa, ou Reforma Gerencial, é um movimento iniciado na década de 90 que teve como 
finalidade substituir o modelo de administração pública burocrática pelo chamado modelo gerencial. Trata-se 
de uma nova forma de gestão, pautada na busca pela eficiência e qualidade nos serviços públicos. Um 
documento muito importante para a Reforma Administrativa é o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do 
Estado (PDRAE), que foi publicado em 1995 pelo Ministério da Reforma do Aparelho do Estado, sob comando do 
Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. O Plano Diretor estabeleceu diversas diretrizes para modernizar a 
Administração Pública, algumas delas serão estudadas nesta aula. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 91 
Com efeito, a obra de Hely Lopes Meirelles, que com frequência era citada 
como uma das responsáveis pelo antigo entendimento, foi atualizada para 
o conceito moderno. Conforme consta na obra24: 
Em meados da década de 60, quando o Autor lançou a 1ª edição desta 
obra, justificava-se essa sistematização – já que – como ele próprio 
afirmava – a doutrina e a legislação brasileira confundiam com frequência 
o ente autárquico com o paraestatal. Ao longo de todos esses anos, 
contudo, houve acentuada evolução da matéria, embora ainda persistam 
muitas incongruências nos textos legislativos. [...] está hoje assentado, 
inclusive em decorrência das normas constitucionais, que as fundações, 
empresas públicas e sociedades de economia mista fazem parte da 
Administração indireta do Estado. Ora, se fazem parte da Administração 
indireta do Estado, não podem estar ao lado do deste, como entes 
paraestatais. 
Assim, o conceito atual de entidades paraestatais abrange os entes 
privados, sem fins lucrativos, que atuam em colaboração com o Estado 
mas que não fazem parte do conceito formal de Administração Pública. 
Ressalta-se, no entanto, que existem ainda algumas leis em vigor que 
utilizam o significado antigo de entidades paraestatais, como, por 
exemplo, o art. 17, I25, da Lei 8.666/1993. 
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, as chamadas entidades 
paraestatais são26: 
[...] pessoas privadas que colaboram com o Estado desempenhando 
atividade não lucrativa e às quais o Poder Público dispensa especial 
proteção, colocando a serviço delas manifestações do seu poder de império, 
como o tributário por exemplo; não abrangem as entidades da 
Administração Indireta; trata-se de pessoas privadas que exercem 
função típica (embora não exclusiva do Estado), como as de amparo 
aos hipossuficientes, de assistência social, de formação profissional. 
Ademais, a autora apresenta esse conceito para as entidades do 
terceiro setor que possuam algum vínculo com o Poder Público. Isso 
porque nem todas entidades do terceiro setor atuam em colaboração com 
o Estado. Os particulares podem criar, livremente, entidades privadas sem 
fins lucrativos para a prestação de atividades de interesse social. Contudo, 
nem sempre precisam formalizar alguma parceria com o Poder Público. 
Nessa esteira, Lucas Rocha Furtado ensina que as entidades do terceiro 
setor não precisam manter qualquer vínculo com o Poder Público. Porém, 
se mantiver, como seria o caso de uma associação que venha a se qualificar 
 
24 Meirelles, 2013, p. 413. 
25 Disponível em: Lei 8.666/1993, art. 17, inc. I. 
26 Di Pietro, 2014, p. 566-567. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 91 
como organização social para receber recursos públicos, essa entidade do 
terceiro setor passará a ser considerada uma entidade paraestatal. 
Assim, o conceito de terceiro setor é mais amplo que o de entidades 
paraestatais, pois essas últimas possuem algum tipo de vínculo com o 
Estado, a exemplo do contrato de gestão ou do termo de parceria, conforme 
estudaremos em seguida. Dessa forma, podemos perceber que as entidades 
paraestatais integram o chamado terceiro setor e, portanto, não fazem 
parte da Administração Pública. 
 
As entidades paraestatais não fazem parte 
da Administração Pública Direta nem 
Indireta, mas sim do terceiro setor. 
Dessa forma, são entidades paraestatais: 
a) os serviços sociais autônomos; 
b) as organizações sociais (OS); 
c) as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP); 
d) as “entidades de apoio”. 
Serviços sociais autônomos 
Os serviços sociais autônomos são pessoas jurídicas com personalidade 
de Direito Privado,sem fins lucrativos, criadas por meio de autorização 
legal, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias 
sociais ou grupos profissionais, sendo mantidos por dotações 
orçamentárias ou por contribuições parafiscais. São entes paraestatais, que 
atuam em colaboração com o Poder Público, com administração e 
patrimônio próprios, revestindo a forma de instituições particulares sem fins 
lucrativos convencionais, como as associações civis e as fundações 
privadas. 
São exemplos de serviços sociais autônomos as famosas entidades do 
“Sistema S”, como: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai; 
Serviço Social do Comércio – Sesc; Serviço Social da Indústria – Sesi; 
Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio – Senac; Serviço Nacional 
de Aprendizagem Rural – Senar; Serviço Nacional de Aprendizagem do 
Cooperativismo – Sescoop; Serviço Social de Transporte – Sest; Serviço 
Nacional de Aprendizagem do Transporte – Senat; e Serviço Brasileiro de 
Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 91 
Em regra, a criação dessas entidades depende de autorização em lei, 
mas só se efetiva com o registro do respectivo ato constitutivo no registro 
civil das pessoas jurídicas. A diferença em relação às entidades 
administrativas de direito privado (empresas públicas, sociedades de 
economia mista e fundações públicas de direito privado) é que estas últimas 
são criadas pelo próprio Estado; enquanto o registro dos serviços sociais 
autônomos é efetuado por entidades privadas. Vale dizer, a lei autoriza a 
criação, mas a entidade é criada por particulares. Por exemplo, o Serviço 
Social do Transporte – Sest – e o Serviço Nacional de Aprendizagem do 
Transporte – Senat – são entidades civis sem fins lucrativos criadas pela 
Confederação Nacional do Transporte, após autorização constante na Lei 
8.706/1993. 
O objeto dessas entidades é uma atividade social, representada por 
um serviço de utilidade pública, beneficiando grupamentos sociais ou 
profissionais. Por exemplo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural –
Senar – tem por objeto o ensino da formação profissional rural e a 
promoção social do trabalhador rural dirigida aos trabalhadores rurais. 
Com efeito, essas entidades costumam funcionar ligadas a entidades 
privadas de categorias econômicas, como a Confederação Nacional da 
Indústria, a Confederação Nacional do Comércio, a Confederação Nacional 
da Agricultura, a Confederação Nacional do Transporte, entre outras. 
Além disso, elas são mantidas por recursos oriundos de contribuições 
instituídas no interesse de categorias profissionais ou de interesse no 
domínio econômico, de natureza tributária, conhecidas como 
contribuições parafiscais. Essas contribuições são recolhidas 
compulsoriamente pelos destinatários previstos em lei e repassadas 
diretamente pela Receita Federal às entidades para custear as atividades 
desenvolvidas. Adicionalmente, essas entidades podem até chegar a 
receber recursos orçamentários. 
Nesse contexto, o Decreto 200/1967 determina que “as entidades e 
organizações em geral, dotadas de personalidade jurídica de direito privado, 
que recebem contribuições parafiscais e prestam serviços de interesse 
público ou social, estão sujeitas à fiscalização do Estado nos termos e 
condições estabelecidas na legislação pertinente a cada uma” (art. 183). 
Dessa forma, esses recursos têm natureza pública, gerando o dever 
de prestar contas e a consequente fiscalização do Tribunal de Contas 
da União. Além disso, os serviços sociais autônomos costumam se vincular 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 91 
aos órgãos da administração direta, em geral ao ministério do setor 
correspondente. 
Quanto ao foro competente, consolidou-se o entendimento de que os 
serviços sociais autônomos devem ter os seus processos julgados na 
justiça estadual, uma vez que se tratam de entidades privadas, não 
integrantes, portanto, da administração pública. Nesse sentido, vale 
mencionar o conteúdo da Súmula 516 do STF: “O Serviço Social da Indústria 
(Sesi) está sujeito à jurisdição da justiça estadual”. 
Ademais, a contratação de pessoal não se dá por meio de concurso 
público, mas, conforme entendimento do Tribunal de Contas da União, deve 
se realizar por um processo seletivo, ainda que de forma simplificada, mas 
que garanta a observância dos princípios constitucionais da legalidade, da 
publicidade, da moralidade, da impessoalidade, da finalidade e da 
isonomia27. Na mesma linha, o STF também já reconheceu que essas 
entidades não estão submetidas à exigência de concurso público para a 
contratação de pessoal28. 
Na mesma linha, o Tribunal de Contas da União entende que essas 
entidades não se submetem completamente à Lei 8.666/1993, mas 
devem observar regulamentos próprios, devidamente publicados, os quais 
devem se pautar nos princípios gerais do processo licitatório e nos princípios 
relativos à Administração Pública, em especial os da legalidade, moralidade, 
impessoalidade, isonomia e publicidade, constantes do art. 37, caput, da 
Constituição Federal29. Com efeito, o TCU também possui entendimento de 
que os regulamentos próprios dessas entidades não podem inovar na 
ordem jurídica. No caso, o Tribunal considerou que o regulamento de 
serviço social autônomo não pode criar um novo caso de 
dispensa/inexigibilidade de licitação, uma vez que essa matéria é reservada 
à lei ordinária, em matéria de competência privativa da União, consoante o 
art. 22, XXVII, da Constituição Federal30. 
 
27 Acórdão 1.741/2011-TCU/Plenário; Acórdão 2.305/2007-TCU/Plenário, dentre outros. 
28 RE 789874/DF, de 17/9/2014. 
29 Nesse sentido: Acórdão 526/2013-TCU/Plenárioぎ さ4. A jurisprudência deste Tribunal pacificou o entendimento 
de que as entidades do Sistema S não estão obrigadas a seguir estritamente os termos do Estatuto de Licitações 
(Lei n. 8.666/1993), todavia obrigam-se aos seus regulamentos próprios devidamente publicados, os quais devem 
se pautar nos princípios gerais do processo licitatório e nos princípios relativos à Administração Pública, em 
especial os da legalidade, moralidade, impessoalidade, isonomia e publicidade, constantes do art. 37, caput, da 
Constituição Federalざ ふ┗ラデラ Sラ Mキミキゲデヴラ M;ヴIラゲ BWマケ┌WヴWヴ Cラゲデ;が ヱンっンっヲヰヱンぶく 
30 Acórdão 1.785/2013-TCU/Plenário, veja também o Informativo de Licitações e Contratos nº 159. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 91 
O pessoal dos serviços sociais autônomos submete-se à legislação 
trabalhista. Contudo, seus empregados são equiparados como 
funcionários públicos para fins penais (Código Penal, art. 327) e de 
improbidade administrativa (Lei 8.429/1992). 
De acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, os principais 
aspectos que caracterizam esses entes são os seguintes31: 
a) sua criação é prevista em lei; 
b) têm por objeto uma atividade social, não lucrativa, normalmente 
direcionada para a prestação de um serviço de utilidade pública, 
beneficiando certo grupo social ou profissional; 
c) são mantidos por recursos oriundos de contribuições sociais de 
natureza tributária, recolhidas compulsoriamente pelos contribuintes 
definidos em lei (são recolhidos pela Secretaria da Receita Federal do 
Brasil, mas repassados às entidades beneficiárias), bem como por 
meio de dotaçõesorçamentárias do Poder Público; 
d) seus empregados estão sujeitos à legislação trabalhista; 
e) por administrarem recursos públicos, estão sujeitos a certas normas 
de direito público, especialmente as normas de controle, como a 
obrigação de prestação de contas ao Tribunal de Contas da União, o 
enquadramento de seus empregados como funcionários públicos 
para fins penais (CP, art. 327), a sujeição à Lei de Improbidade 
Administrativa (Lei 8.429/1992). 
Organizações Sociais (OS) 
Noções gerais 
De acordo com Maria Sylvia Zanella Di Pietro, 
Organização social é a qualificação jurídica dada a pessoa jurídica de 
direito privado, sem fins lucrativos, instituída por iniciativa de particulares, 
e que recebe delegação do Poder Público, mediante contrato de gestão, 
para desempenhar serviço público de natureza social. Nenhuma entidade 
nasce com o nome de organização social; a entidade é criada como 
associação ou fundação e, habilitando-se perante o Poder Público, recebe a 
qualificação; trata-se de título jurídico outorgado e cancelado pelo Poder 
Público. 
Dos ensinamentos da autora, é possível perceber que as organizações 
sociais não representam uma nova forma de pessoa jurídica, mas apenas 
 
31 Alexandrino e Paulo, 2011, p. 144. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 91 
uma qualificação outorgada pelo Poder Público às associações civis ou às 
fundações privadas. 
Nesse contexto, a Lei 9.637/1998, que dispõe, entre outros assuntos, 
sobre a qualificação de entidades como organizações sociais e a criação do 
Programa Nacional de Publicização, estabelece em seu artigo 1º que o 
Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas 
jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam 
dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento 
tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura 
e à saúde. 
Devemos observar que a Lei 9.637/1998 aplica-se exclusivamente ao 
nível federal. Assim, os estados e municípios devem dispor de legislação 
própria para disciplinar a qualificação de entidades como organizações 
sociais. No entanto, as regras federais costumam ser reproduzidas na 
legislação dos demais níveis. Além disso, a construção jurisprudencial que 
vem sendo firmada pelo assunto está cada vez mais sendo incorporada 
pelas novas leis estaduais e municipais que tratam da matéria. 
As organizações sociais – OS são conhecidas como entidades 
públicas não estatais. São públicas porque prestam serviços públicos e 
administram patrimônio público e não estatais porque não integram nem 
a Administração direta nem a indireta. 
Nessa linha, existem três requisitos que devem ser cumpridos para 
uma entidade poder ser qualificada como organização social: 
a) deve ter personalidade jurídica de direito privado; 
b) não pode ter finalidade lucrativa; 
c) deve atuar nas atividades de ensino, pesquisa científica, 
desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio 
ambiente, cultura ou saúde. 
Percebe-se, pois, que as atividades previstas na Lei 9.637/1998 são 
muito importantes para a coletividade. Entretanto, este tipo de serviço nem 
sempre é lucrativo para a iniciativa privada, ainda mais porque seus 
benefícios podem atingir indistintamente diversas pessoas, que acabam 
usufruindo de seus benefícios sem pagar por eles. Por exemplo, uma 
entidade que atua na preservação do meio ambiente trará benefícios para 
toda a sociedade, porém não há como cobrar esse tipo de serviço de uma 
ou outra pessoa. Dessa forma, o Estado deve atuar indiretamente, 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 91 
transferindo recursos para que essa entidade atue no interesse da 
sociedade. 
Nesse contexto, as entidades qualificadas como organizações sociais 
são declaradas como entidades de interesse social e utilidade pública, 
para todos os efeitos legais (art. 11). A Lei das OS estabelece, ainda, que 
poderão ser destinados às organizações sociais recursos orçamentários 
e bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão. 
É importante destacar, também, que o artigo 24 da Lei 8.666/1993 
(Lei de Licitações e Contratos) estabelece como hipótese de dispensa de 
licitação a celebração de contratos de prestação de serviços com as 
organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas 
esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de 
gestão. 
Explicando melhor o caso acima, a dispensa de licitação é para a 
Administração Pública contratar a organização social. Todavia, quando a 
OS for a entidade contratante a situação será diferente e o tema se 
mostra bem polêmico. 
O Decreto 5.504/2005 (art. 1º, §5º) determina que na contratação de 
obras, compras, serviços e alienações, envolvendo recursos repassados 
voluntariamente pela União, as organizações sociais deverão realizar 
licitação pública, nos moldes previsto na legislação federal. Quando se 
tratar de aquisição de bens ou serviços comuns, será obrigatória a 
modalidade de pregão, preferencialmente na forma eletrônica (Decreto 
5.504/2005, art. 1º, §1º). 
Acontece, no entanto, que o art. 11 do Decreto 6.170/2007 estabelece 
que “a aquisição de produtos e a contratação de serviços com recursos da 
União transferidos a entidades privadas sem fins lucrativos deverão 
observar os princípios da impessoalidade, moralidade e 
economicidade, sendo necessária, no mínimo, a realização de 
cotação prévia de preços no mercado antes da celebração do 
contrato”. 
Alguns doutrinadores entendem que essa regra não se aplica às 
organizações sociais. Porém, o Tribunal de Contas da União, em decisões 
recentes, vem assentando posicionamento de que essas entidades não 
devem seguir a Lei de Licitações e Contratos, mas sim o regulamento 
próprio. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 91 
Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o mérito da ADI 
1.923/DF, em 16 de abril de 2015, considerou que os contratos a serem 
celebrados pelas organizações sociais com terceiros, com recursos públicos, 
devem ser conduzidos de forma pública, objetiva e impessoal, com 
observância dos princípios do caput do art. 37 da Constituição Federal 
(legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e nos 
termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade32. 
Assim, a partir do julgamento deste julgamento, não mais subsiste dúvida: 
as organizações sociais não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o seu 
regulamento próprio. 
 
O entendimento de que as organizações sociais devem realizar licitação 
também está superado no TCU. O assunto foi discutido amplamente no 
Proc. TCU 018.739/2012-1, que culminou no Acórdão 3.239/2013 – 
TCU/Plenário, que apontou, entre outros entendimentos, o seguinte33: 
9.8.2.5. as organizações sociais submetem-se a regulamento 
próprio sobre compras e contratação de obras e serviços com 
emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados 
os princípios da impessoalidade, moralidade e economicidade, 
sendo necessário, no mínimo, cotação prévia de preços no 
mercado; 
Além disso, a própria Lei 9.637/1998 determina que a organização social 
fará publicar, no prazo máximo de noventa dias contado da assinatura do 
contrato de gestão, regulamento próprio contendo os 
procedimentos que adotará para a contrataçãode obras e 
serviços, bem como para compras com emprego de recursos 
provenientes do Poder Público (art. 17). 
Dessa forma, em divergência com parte da doutrina, mas seguindo o 
posicionamento recente do Tribunal de Contas da União e do Supremo 
Tribunal Federal, apontamos que as organizações sociais não se 
submetem à Lei 8.666/1993, mas a procedimento próprio, que 
deve observar os princípios constitucionais da legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
 
32 ADI 1.923/DF, julgamento em 16/4/2015. 
33 Acórdão 3239/2013 に TCU に Plenário, julgamento em 27/11/2013. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 91 
Em termos mais objetivos, as organizações sociais não realizam 
licitação pública, mas apenas um procedimento objetivo de seleção de 
seus fornecedores e prestadores de serviços. 
Aprovação da qualificação 
Mesmo que a entidade preencha os requisitos, não é certo que será 
qualificada como organização social. 
A qualificação depende de aprovação do Ministro ou titular de órgão 
supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto 
social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do 
Estado (esse Ministério foi extinto e suas atribuições foram absorvidas pelo 
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão). 
A Lei 9.637/1998 dispõe que a aprovação dependerá do juízo de 
conveniência e oportunidade das autoridades acima mencionadas (art. 
2º, II), ou seja, trata-se de decisão discricionária. 
Assim, são requisitos específicos para que as entidades privadas 
habilitem-se à qualificação como organização social (art. 2º): 
1. comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre: 
a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de 
atuação; 
b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de 
seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades; 
c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação 
superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria 
definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e 
atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei; 
d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação 
superior, de representantes do Poder Público e de membros da 
comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral; 
e) composição e atribuições da diretoria; 
f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos 
relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de 
gestão; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 91 
g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma 
do estatuto; 
h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio 
líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, 
retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade; 
i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das 
doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros 
decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, 
ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, 
da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por 
estes alocados; 
II - haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua 
qualificação como organização social, do Ministro ou titular de 
órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente 
ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração 
Federal e Reforma do Estado. 
Conselho de administração 
Para obter a qualificação como OS, a entidade sem fins lucrativos deve 
possuir um conselho de administração, que deverá estar estruturado, 
nos termos do estatuto da organização, observando os seguintes critérios 
básicos (art. 3º)34: 
I - ser composto por: 
a) 20 a 40% (vinte a quarenta por cento) de membros natos representantes do 
Poder Público, definidos pelo estatuto da entidade; 
b) 20 a 30% (vinte a trinta por cento) de membros natos representantes de 
entidades da sociedade civil, definidos pelo estatuto; 
c) até 10% (dez por cento), no caso de associação civil, de membros eleitos dentre 
os membros ou os associados; 
d) 10 a 30% (dez a trinta por cento) de membros eleitos pelos demais integrantes do 
conselho, dentre pessoas de notória capacidade profissional e reconhecida 
idoneidade moral; 
 
34 Não há necessidade de memorizar os percentuais de composição, mas apenas entender a composição do 
conselho de administração da entidade que deseja qualificar-se como organização social. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 91 
e) até 10% (dez por cento) de membros indicados ou eleitos na forma estabelecida 
pelo estatuto; 
II - os membros eleitos ou indicados para compor o Conselho devem ter mandato de 
quatro anos, admitida uma recondução; 
III - os representantes de entidades previstos nas alíneas "a" e "b" do inciso I devem 
corresponder a mais de 50% (cinquenta por cento) do Conselho; 
IV - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de 
dois anos, segundo critérios estabelecidos no estatuto; 
V - o dirigente máximo da entidade deve participar das reuniões do conselho, sem 
direito a voto; 
VI - o Conselho deve reunir-se ordinariamente, no mínimo, três vezes a cada ano e, 
extraordinariamente, a qualquer tempo; 
VII - os conselheiros não devem receber remuneração pelos serviços que, nesta 
condição, prestarem à organização social, ressalvada a ajuda de custo por reunião 
da qual participem; 
VIII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem 
renunciar ao assumirem funções executivas. 
Além disso, devem ser atribuições privativas do Conselho de 
Administração, dentre outras (art. 4º): 
a) fixar o âmbito de atuação da entidade, para consecução do seu objeto; 
b) aprovar a proposta de contrato de gestão da entidade; 
c) aprovar a proposta de orçamento da entidade e o programa de 
investimentos; 
d) designar e dispensar os membros da diretoria; 
e) fixar a remuneração dos membros da diretoria; 
f) aprovar e dispor sobre a alteração dos estatutos e a extinção da 
entidade por maioria, no mínimo, de dois terços de seus membros; 
g) aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mínimo, 
sobre a estrutura, forma de gerenciamento, os cargos e respectivas 
competências; 
h) aprovar por maioria, no mínimo, de dois terços de seus membros, 
o regulamento próprio contendo os procedimentos que deve adotar 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 91 
para a contratação de obras, serviços, compras e alienações e o 
plano de cargos, salários e benefícios dos empregados da entidade; 
i) aprovar e encaminhar, ao órgão supervisor da execução do contrato 
de gestão, os relatórios gerenciais e de atividades da entidade, 
elaborados pela diretoria; 
j) fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas eaprovar os demonstrativos financeiros e contábeis e as contas anuais da 
entidade, com o auxílio de auditoria externa. 
Como se vê, o conselho de administração é o órgão responsável pela 
fixação das diretrizes máximas, bem como da fiscalização das atividades 
desempenhadas pela organização social. 
Vale reforçar que é vedada a remuneração dos membros do conselho 
de administração, salvo o pagamento de ajuda de custo para participação 
nas reuniões; enquanto a remuneração dos membros da diretoria é 
permitida. 
 
Os membros do conselho de administração 
não podem ser remunerados, enquanto os 
membros da diretoria podem. 
Contrato de gestão 
De acordo com o artigo 5º da Lei 9.637/1998, entende-se por contrato 
de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade 
qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria 
entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas 
de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, 
proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. 
 
A parceria entre o Poder Público e a OS se 
formaliza por meio de contrato de gestão. 
O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o órgão ou 
entidade supervisora e a organização social, deverá discriminar as 
atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da 
organização social (art. 6º). Com efeito, o contrato de gestão deve ser 
submetido, após aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 91 
ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à 
atividade fomentada (art. 6º, parágrafo único). 
Ademais, na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados 
os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade, economicidade e, também, os seguintes preceitos (art. 7º): 
I - especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, 
a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de 
execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos de 
avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de 
qualidade e produtividade; 
II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com 
remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas 
pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício de 
suas funções. 
Finalmente, os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área 
de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos contratos de 
gestão de que sejam signatários. 
Fiscalização e execução do contrato 
A execução do contrato de gestão celebrado por organização social 
será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de 
atuação correspondente à atividade fomentada (art. 8º). 
Nesse contexto, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, 
conforme recomende o interesse público, a entidade qualificada 
apresentará ao órgão ou entidade do Poder Público supervisora signatária 
do contrato relatório pertinente à execução do contrato de gestão, 
contendo comparativo específico das metas propostas com os 
resultados alcançados, acompanhado da prestação de contas 
correspondente ao exercício financeiro (art. 8º, §1º). 
Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem 
ser analisados, periodicamente, por comissão de avaliação, indicada pela 
autoridade supervisora da área correspondente, composta por especialistas 
de notória capacidade e adequada qualificação (art. 8º, §2º). Além disso, a 
comissão deve encaminhar à autoridade supervisora relatório conclusivo 
sobre a avaliação procedida (art. 8º, §3º). 
Os responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão, 
ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na 
utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social, 
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União – TCU, sob pena de 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 91 
responsabilidade solidária (art. 9º), ou seja, poderão responder 
juntamente com as pessoas que derem causa à irregularidade ou à 
ilegalidade. 
Além da representação ao TCU, se a gravidade dos fatos ou o interesse 
público assim exigir, existindo indícios fundados de malversação35 de 
bens ou recursos de origem pública, os responsáveis pela fiscalização 
representarão ao Ministério Público, à Advocacia-Geral da União ou à 
Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a 
decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e o sequestro 
dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, 
que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio 
público (art. 10). Nessa situação, até o término da ação, o Poder Público 
permanecerá como depositário e gestor dos bens e valores sequestrados ou 
indisponíveis e velará pela continuidade das atividades sociais da entidade 
(art. 10, §3º). 
Por fim, se for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o 
bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações mantidas pelo demandado 
no País e no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais (art. 
10, §2º). 
Fomento às atividades sociais (formas de incentivo) 
As entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas, 
para todos os efeitos legais, como entidades de interesse social e 
utilidade pública (art. 11). Por conseguinte, receberão incentivos do 
Estado, como forma de fomento para o desempenho de suas atribuições. 
As formas de incentivo previstas na legislação são as seguintes: 
a) poderão ser destinados recursos orçamentários necessários ao 
cumprimento do contrato de gestão (art. 12); 
De acordo com o art. 12, §1º, são assegurados às organizações sociais 
os créditos previstos no orçamento e as respectivas liberações 
financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto no 
contrato de gestão. Além disso, poderá ser adicionada, aos créditos 
orçamentários destinados ao custeio do contrato de gestão, parcela de 
recursos para compensar desligamento de servidor cedido, desde que haja 
justificativa expressa da necessidade pela organização social. 
 
35 Malversação significa má administração ou má gerências dos recursos ou bens de origem pública. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 91 
b) poderão ser destinados bens públicos necessários ao cumprimento 
do contrato de gestão (art. 12); 
A destinação de bens às organizações sociais ocorrerá mediante 
permissão de uso, dispensada licitação, conforme cláusula expressa do 
contrato de gestão (art. 12, §3º). A permissão de uso é o instrumento que 
permite que a organização social se utilize de bens públicos para realizar a 
prestação dos serviços objeto do convênio. Seria o caso, por exemplo, de 
um hospital público que passa a ser administrado por uma organização 
social. Nessa situação, o imóvel e os equipamentos públicos poderão ser 
utilizados pela OS mediante permissão de uso, na forma definida no 
contrato de gestão. 
Consoante o art. 13 da Lei 9.637/1998, os bens móveis públicos 
permitidos para uso poderão ser permutados (trocados) por outros de 
igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem o 
patrimônio da União. A permuta, no entanto, dependerá sempre de prévia 
avaliação do bem e expressa autorização do PoderPúblico. 
c) cessão especial de servidor público para as organizações sociais, 
com ônus para o órgão de origem do servidor (art. 14); 
O art. 14 faculta ao Poder Executivo realizar a cessão especial de 
servidor para as organizações sociais, com ônus para a origem. 
Imagine, por exemplo, que uma secretaria de saúde firmou um contrato de 
gestão com uma organização social para que esta última passasse a gerir 
um hospital público. Nesse caso, o Poder Executivo poderá ceder os 
servidores que já trabalhavam no hospital para a OS, como enfermeiros, 
administradores, médicos, etc. 
Caso ocorra a cessão, não será incorporada aos vencimentos ou à 
remuneração de origem do servidor cedido qualquer vantagem pecuniária 
que vier a ser paga pela organização social (art. 14, §1º). Também não 
será permitido o pagamento de vantagem pecuniária permanente por 
organização social a servidor cedido com recursos provenientes do contrato 
de gestão, ressalvada a hipótese de adicional relativo ao exercício de função 
temporária de direção e assessoria (art. 14, §2º). Ademais, o servidor 
cedido perceberá as vantagens do cargo a que fizer juz no órgão de origem, 
quando ocupante de cargo de primeiro ou de segundo escalão na 
organização social (art. 14, §3º). 
d) dispensa de licitação com o Poder Público para a prestação das 
atividades contempladas no contrato de gestão; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 91 
A Lei 9.648/1998 incluiu o inciso XXIV no art. 24 da Lei 8.666/1993 
(Lei de Licitações e Contratos), permitindo que a administração pública 
dispense a licitação para a celebração de contratos de prestação de 
serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito das 
respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato 
de gestão. 
Dessa forma, é possível que a administração contrate os serviços de 
uma OS por meio de dispensa de licitação, desde que que a organização 
seja qualificada no âmbito das respectivas esferas de governo e que o 
serviço refira-se às atividades contempladas no contrato de gestão. 
Desqualificação 
O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como 
organização social, quando constatado o descumprimento das disposições 
contidas no contrato de gestão (art. 16). 
Para tanto, a desqualificação será precedida de processo 
administrativo, assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os 
dirigentes da organização social, individual e solidariamente, pelos 
danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão (art. 16, §1º). 
Por fim, a desqualificação importará reversão dos bens permitidos e 
dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de 
outras sanções cabíveis (art. 16, §2º). 
Programa Nacional de Publicização 
O Plano Direito da Reforma do Aparelho do Estado – Pdrae definiu como 
objetivo para os chamados “serviços não-exclusivos” realizar a 
transferências das atividades realizadas pelas fundações públicas para as 
organizações sociais. Na prática, o que passou a ocorrer foi a transferência 
de atividades da administração pública direta para as organizações sociais. 
Por exemplo, é muito comum verificar, no âmbito dos estados e 
municípios, a realização da transferência de atividades realizadas pelas 
secretarias de saúde para as organizações sociais, como a administração de 
hospitais, ambulatórios, postos de atendimento – as organizações sociais 
se desenvolveram principalmente no setor de saúde. 
Por esse motivo, o programa de publicização é amplamente criticado 
na doutrina, pois representaria uma forma indevida de substituir os órgãos 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 91 
públicos por organizações sociais, fugindo, assim, do regime jurídico-
administrativo. Vale reforçar que as organizações sociais não integram a 
administração pública e, portanto, não se submetem a várias das sujeições 
decorrentes do princípio da indisponibilidade do interesse público. 
Não obstante, tais discussões são hoje irrelevantes. Em 16 de abril de 
2015, o Supremo Tribunal Federal realizou o julgamento de mérito da Ação 
Direta de Inconstitucionalidade – ADI 1.923/DF, entendendo que a Lei 
9.637/1998 é constitucional. 
No mérito da ADI 1.923/DF, o STF julgou 
parcialmente procedente o pedido, apenas 
para conferir interpretação conforme à 
Constituição à Lei nº 9.637/98 e ao art. 24, XXIV da Lei nº 8.666/93, 
incluído pela Lei nº 9.648/98, para que: 
(i) o procedimento de qualificação seja conduzido de forma 
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do 
caput do art. 37 da Constituição Federal, e de acordo com 
parâmetros fixados em abstrato segundo o que prega o art. 20 da Lei 
nº 9.637/98; 
(ii) a celebração do contrato de gestão seja conduzida de forma 
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput 
do art. 37 da Constituição Federal; 
(iii) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei nº 
8.666/93, art. 24, XXIV) e outorga de permissão de uso de bem 
público (Lei nº 9.637/98, art. 12, § 3º) sejam conduzidas de forma 
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput 
do art. 37 da Constituição Federal; 
(iv) os contratos a serem celebrados pela Organização Social 
com terceiros, com recursos públicos, sejam conduzidos de forma 
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do caput 
do art. 37 da Constituição Federal, e nos termos do regulamento 
próprio a ser editado por cada entidade; 
(v) a seleção de pessoal pelas Organizações Sociais seja conduzida 
de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios 
do caput do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser 
editado por cada entidade; e 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 91 
(vi) para afastar qualquer interpretação que restrinja o controle, 
pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da 
aplicação de verbas públicas. 
Em resumo, o STF considerou constitucional a Lei, mas deixou evidente 
que os contratos de gestão e as atividades das organizações sociais 
custeadas por recursos públicos devem ser conduzidos de forma pública, 
objetiva e impessoal, com observância dos princípios constitucionais 
expressos da Administração Pública (legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência). Ademais, o STF entendeu que as OS 
não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o seu regulamento próprio 
(conforme item iv acima), e não precisam realizar concurso público, mas 
devem conduzir a seleção de pessoal de forma impessoal, nos termos do 
regulamento próprio de cada entidade (conforme item v acima). 
Dessa forma, podemos observar que, de acordo com o STF, o programa 
de publicização dos serviços públicos é constitucional. 
Nessa linha, o art. 20 da Lei 9.637/1998 dispõe que será criado, 
mediante decreto do Poder Executivo, o Programa Nacional de 
Publicização - PNP, com o objetivo de estabelecer diretrizes e critérios 
para a qualificação de organizações sociais, a fim de assegurar a 
absorção de atividades desenvolvidas por entidades ou órgãos 
públicos da União, que atuem nas atividades de ensino, pesquisa 
científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio 
ambiente, cultura e saúde, por organizações sociais, qualificadas na 
forma desta Lei. 
Com efeito, o PNP deverá observar as seguintes diretrizes:a) ênfase no atendimento do cidadão-cliente; 
b) ênfase nos resultados, qualitativos e quantitativos nos prazos 
pactuados; 
c) controle social das ações de forma transparente. 
Assim, a ideia é que as organizações sociais absorvam as atividades 
não exclusivas do Estado, substituindo as entidades e órgãos públicos que 
as desenvolviam. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 91 
Organizações da sociedade civil de interesse público (Oscip) 
Noções gerais 
Recorrendo novamente aos ensinamentos da Prof. Maria Sylvia Di 
Pietro, encontramos o seguinte conceito de organização da sociedade civil 
de interesse público: 
Trata-se de qualificação jurídica dada a pessoas jurídicas de direito 
privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, 
para desempenhar serviços sociais não exclusivos do Estado com 
incentivo e fiscalização do Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído 
por meio de termo de parceria. (grifos nossos) 
Assim, é possível perceber que os regimes estabelecidos pela Lei 
9.637/1998 (OS) e pela Lei 9.790/1999 são muito semelhantes. Nos dois 
casos, as leis estabelecem uma modalidade de qualificação jurídica a ser 
atribuída a pessoas de direito privado em razão das atividades que venham 
a desenvolver em parceria com o Poder Público36. Não se trata, portanto, 
de uma nova categoria de pessoa jurídica, mas de uma possibilidade de 
qualificação especial mediante contratualização de resultados em troca de 
alguns benefícios estabelecidos em lei. 
Da mesma forma como ocorre com a Lei das Organizações Sociais, a 
Lei 9.790/1999 (Lei das Oscip) disciplina o assunto apenas para o nível 
federal, mas as suas disposições são muitas vezes copiadas pelos estados 
e municípios, que incorporam, ainda, os novos entendimentos firmados pelo 
Judiciário ou pelo Tribunal de Contas da União. Assim, vamos trabalhar o 
assunto nos termos da Lei 9.790/1999. 
Segundo a Lei 9.790/1999, podem qualificar-se como Oscip as 
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que 
os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos 
requisitos instituídos na Lei (art. 1º). 
Considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado 
que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, 
diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, 
brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do 
seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que 
os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social 
(art. 1º, parágrafo único). 
 
36 Alexandrino e Paulo, 2011, p.148-149. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 91 
Para receber a qualificação, as Oscip deverão atuar em uma das 
seguintes áreas (art. 3º, Lei 9.790/1999): 
a) promoção da assistência social; 
b) promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; 
c) promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de 
participação das organizações de que trata esta Lei; 
d) promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de 
participação das organizações de que trata esta Lei; 
e) promoção da segurança alimentar e nutricional; 
f) defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do 
desenvolvimento sustentável; 
g) promoção do voluntariado; 
h) promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; 
i) experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de 
sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; 
j) promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria 
jurídica gratuita de interesse suplementar; 
k) promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia 
e de outros valores universais; 
l) estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e 
divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam 
respeito às atividades mencionadas neste artigo. 
Por outro lado, a Lei apresenta um rol de pessoas jurídicas que não 
podem ser qualificadas como Oscip, mesmo que desempenhem alguma 
das atividades mencionadas acima (art. 2º, Lei 9.790/1999): 
a) as sociedades comerciais; 
b) os sindicatos, as associações de classe ou de representação de categoria 
profissional; 
c) as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos, cultos, 
práticas e visões devocionais e confessionais; 
d) as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive suas fundações; 
e) as entidades de benefício mútuo destinadas a proporcionar bens ou serviços a 
um círculo restrito de associados ou sócios; 
f) as entidades e empresas que comercializam planos de saúde e assemelhados; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 91 
g) as instituições hospitalares privadas não gratuitas e suas mantenedoras; 
h) as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não gratuito e suas 
mantenedoras; 
i) as organizações sociais; 
j) as cooperativas; 
k) as fundações públicas; 
l) as fundações, sociedades civis ou associações de direito privado criadas por 
órgão público ou por fundações públicas; 
m) as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo de vinculação com o 
sistema financeiro nacional a que se refere o art. 192 da Constituição Federal. 
Nesse contexto, não é possível, por exemplo, qualificar uma OS como 
Oscip. Dessa forma, nenhuma entidade pode ser qualificada 
concomitantemente como OS e Oscip. 
Aprovação da qualificação 
A legislação federal estabelece que o interessado em se qualificar como 
Oscip formular requerimento escrito ao Ministério da Justiça, que, 
verificando o cumprimento dos requisitos previstos na Lei, deferirá e 
expedirá o certificado de qualificação. 
Nesse caso, a competência é vinculada, pois cabe ao Ministro da 
Justiça apenas verificar se os requisitos foram atendidos e, se positivo, 
deverá conceder a qualificação. 
Juntamente com o requerimento, a pessoa jurídica de direito privado 
sem fins lucrativos, interessada em obter a qualificação de Oscip, deverá 
instruir o pedido com cópias autenticadas dos seguintes documentos: 
a) estatuto registrado em cartório; 
b) ata de eleição de sua atual diretoria; 
c) balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício; 
d) declaração de isenção do imposto de renda; 
e) inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. 
A Lei dispõe que o Ministro da Justiça só poderá indeferir o pedido de 
qualificação se: 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 91 
a) a requerente enquadrar-se nas hipóteses previstas no art. 2º da Lei 
(relação das entidades que não são passíveis de qualificação); 
b) a requerente não atender aos requisitos descritos nos arts. 3º (áreas 
de atuação das Oscip) e 4º (algumas regras específicas) da Lei; 
c) a documentação apresentada estiver incompleta. 
Formação do vínculo 
Enquanto o contrato de gestão é celebrado com as organizações 
sociais, o termo de parceria é o instrumento passível de ser firmado entre 
o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações daSociedade Civil de Interesse Público (Oscip) destinado à formação de 
vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução 
das atividades de interesse público previstas na Lei (art. 9º da Lei 
9.790/1999). Assim, o termo de parceria também é um instrumento de 
contratualização de resultados, estabelecendo objetivos, metas e prazos, 
critérios de avaliação, previsões de receitas e despesas e obrigações das 
OSCIP37. 
 
Enquanto o vínculo da OS ocorre por meio 
de contrato de gestão; para a OSCIP ocorre 
por meio de termo de parceria. 
A escolha da organização da sociedade civil de interesse público, para 
a celebração do termo de parceria, deverá ser feita por meio de publicação 
de edital de concursos de projetos pelo órgão estatal parceiro para 
obtenção de bens e serviços e para a realização de atividades, eventos, 
consultoria, cooperação técnica e assessoria (Decreto 3.100/1999, art. 23). 
Nesse contexto, deverá ser dada publicidade ao concurso de projetos, 
especialmente por intermédio da divulgação na primeira página do sítio 
oficial do órgão estatal responsável pelo Termo de Parceria, bem como no 
Portal dos Convênios previsto no Decreto no 6.170/2007. 
O Decreto 3.100/1999 excepciona a realização de concursos de 
projetos somente mediante decisão fundamentada do titular do órgão 
estatal, nas seguintes situações (art. 23, §2º): 
 
37 Paludo, 2013, p. 39. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 91 
I - nos casos de emergência ou calamidade pública, quando caracterizada situação 
que demande a realização ou manutenção de Termo de Parceria pelo prazo máximo 
de cento e oitenta dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da 
emergência ou calamidade, vedada a prorrogação da vigência do instrumento; 
II - para a realização de programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em 
situação que possa comprometer sua segurança; 
III - nos casos em que o projeto, atividade ou serviço objeto do Termo de Parceria já 
seja realizado adequadamente com a mesma entidade há pelo menos cinco anos e 
cujas respectivas prestações de contas tenham sido devidamente aprovadas. 
Por fim, após ser instaurado o processo de seleção por concurso, é 
vedado ao Poder Público celebrar Termo de Parceria para o mesmo objeto, 
fora do concurso iniciado. 
Sobre a realização de licitação por parte das Oscip, apresentamos as 
mesmas regras previstas para as organizações sociais. A doutrina costuma 
considerar a necessidade de seguir a Lei de Licitações. No entanto, a Lei 
9.790/1999 determina que essas entidades devem elaborar, no prazo 
máximo de 30 dias, contado da assinatura do termo de parceria, 
regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a 
contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de 
recursos provenientes do Poder Público, observados os princípios da 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da 
eficiência. 
Além disso, o TCU entendeu que o Decreto 5.504/2005 não seria 
compatível com a Lei 9.790/1999 e, portanto, as Oscip não se submetem à 
Lei 8.666/19993. 
Conforme consta no Acórdão 1.777/2005-
TCU/Plenário: 
[...] as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - Oscips, 
contratadas pela Administração Pública Federal, por intermédio de 
Termos de Parceria, submetem-se ao Regulamento Próprio de 
contratação de obras e serviços, bem como para compras com 
emprego de recursos provenientes do Poder Público, observados 
os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade, economicidade e da eficiência, nos termos do art. 14, 
c/c o art. 4º, inciso I, todos da Lei 9.790/99; (grifos nossos) 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 91 
Fiscalização 
A Lei 9.790/1999 determina que a execução do objeto do termo de 
parceria será acompanhada e fiscalizada por órgão do Poder Público da área 
de atuação correspondente à atividade fomentada, e pelos Conselhos de 
Políticas Públicas das áreas correspondentes de atuação existentes, em 
cada nível de governo. 
Com efeito, os resultados atingidos com a execução do termo de 
parceria devem ser analisados por comissão de avaliação, composta de 
comum acordo entre o órgão parceiro e a Oscip. Além disso, a comissão 
encaminhará à autoridade competente relatório conclusivo sobre a 
avaliação procedida. 
Ademais, os termos de parceria destinados ao fomento de atividades 
nas áreas previstas na Lei estarão sujeitos aos mecanismos de controle 
social previstos na legislação. 
Desqualificação da Oscip 
A entidade poderá perder a qualificação se deixar de cumprir as 
exigências previstas em lei e no termo de parceria. A perda poderá ocorrer: 
(a) a pedido; ou (b) mediante decisão proferida em processo 
administrativo ou judicial, de iniciativa popular ou do Ministério Público, 
no qual serão assegurados, ampla defesa e o devido contraditório. 
Além disso, qualquer cidadão, respeitadas as prerrogativas do 
Ministério Público, é parte legítima para requerer, judicial ou 
administrativamente, a perda da qualificação da OSCIP. No entanto, a Lei 
veda o anonimato e exige que o requerimento esteja amparado por 
fundadas evidências de erro ou fraude. 
Diferenças entre OS e Oscip 
As bancas de concurso público costumam explorar as diferenças entre 
as OS e as Oscip. Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, enquanto as OS 
recebem delegação para prestar serviços públicos, as Oscip exercem 
atividade privada com a ajuda do Estado38, abrangendo os setores de 
saúde, educação, cultura e meio ambiente (o artigo 3º da Lei 9.790/1999 
apresenta um longo rol de áreas de atuação das Oscip). 
 
38 Di Pietro, 2010, apud Paludo, 2013, p. 39. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 91 
Outra característica marcante é que as OS pactuam os resultados por 
meio do contrato de gestão e as Oscip utilizam o termo de parceira. 
Ademais, as OS recebem a qualificação de forma discricionária do 
Ministro de Estado do setor correspondente de atuação e as Oscip 
serão sempre qualificadas pelo Ministro da Justiça, devendo conceder o 
“certificado de qualificação” de forma vinculada, isto é, uma vez 
preenchidos os requisitos, o Ministro da Justiça deve qualificar a entidade 
como OSCIP. 
O quadro abaixo resume as principais características e diferenças entre 
as OS e OSCIP: 
OS ʹ Lei 9.637/1998 Oscip ʹ Lei 9.790/1999 
Pessoa privada, não integrante da administração pública (entidades paraestatais). 
Atuação em áreas de interesse social, especificadas na lei respectiva. 
Vedada finalidade de lucro. 
Foram idealizadas para substituir órgãos e 
entidades da administração pública, que 
seriam extintos e teriam suas atividades 
さ;Hゲラヴ┗キS;ゲざ ヮWノ; O“く 
Não foram idealizadas para substituir 
órgãos ou entidades da administração. 
Formaliza a parceria com o poder público 
mediante contrato de gestão, condição 
indispensável para a entidade fazer jus ao 
fomento a suas atividades. 
Formaliza a parceria com o poder público 
mediante termo de parceria, condição 
indispensável para a entidade fazer jus ao 
fomento a suas atividades. 
Qualificação é ato discricionário. Qualificação é ato vinculado. 
Qualificação depende de aprovação pelo 
Ministro de Estado ou titular de órgão 
supervisor ou regulador da área de 
atividadecorrespondente ao objeto social 
da OS. 
Qualificação concedida pelo Ministério da 
Justiça. 
Uma entidade não pode ser qualificada concomitantemente como OS e OSCIP. 
A lei exige que a OS possua um conselho de 
administração, do qual participem 
representantes do poder público. Não exige 
que a OS tenha conselho fiscal. 
A lei exige que a Oscip tenha um conselho 
fiscal; não exige que a Oscip tenha um 
conselho de administração. Não há 
exigência de que existam representantes do 
poder público em algum órgão da entidade. 
É hipótese de licitação dispensável a 
contratação de OS pelo poder público, para 
a OS prestar ao poder público serviços 
contemplados no contrato de gestão. 
Não existe hipótese legal específica de 
licitação dispensável para a contratação de 
Oscip pelo poder público. 
O Poder Executivo poderá proceder à 
desqualificação da entidade como 
A entidade perderá a qualificação como 
Oscip quando descumprir as normas 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 91 
organização social, quando constatado o 
descumprimento das disposições contidas 
no contrato de gestão. Necessário processo 
administrativo, assegurado o contraditório 
e a ampla defesa. 
estabelecidas na lei, mediante decisão em 
processo administrativo ou judicial, de 
iniciativa popular ou do Ministério Público. 
Adaptado de Alexandrino e Paulo, 2011, p. 155. 
Acrescenta-se, ainda, que existe previsão de cessão especial de 
servidor público para as organizações sociais, enquanto não existe 
previsão de cessão para as organizações da sociedade civil de 
interesse público. 
Entidades de apoio 
Para Maria Di Pietro, por entidades de apoio, podem-se entender: 
[...] as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas 
por servidores públicos, porém em nome próprio, sob a forma de fundação, 
associação ou cooperativa, para a prestação, em caráter privado, de 
serviços sociais não exclusivos do Estado, mantendo vínculo jurídico com 
entidades da administração direta ou indireta, em regra por meio de 
convênio. 
São entidades paraestatais e, portanto, não integram a 
Administração Pública. Além disso, o vínculo entre essas entidades e o 
Poder Público é realizado, em regra, por meio de convênio. Ademais, elas 
atuam mais comumente em hospitais públicos e universidades 
públicas. 
Não há uma lei geral que disponha sobre as chamadas entidades de 
apoio. Só existe, atualmente, regramento para um tipo específico de 
entidades de apoio, que é a Lei 8.958/1994, regulamentada pelo Decreto 
7.423/2010, que estabelece regras para as fundações de apoio a 
Instituições Federais de Ensino Superior - IFES e demais Instituições 
Científicas e Tecnológicas – ICTs. 
Segundo a Lei, essas instituições devem ter por finalidade “apoiar 
projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, 
científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão 
administrativa e financeira necessária à execução desses projetos” (art. 
1º). 
Além disso, a Lei permite, com base no art. 24, XIII, da Lei 
8.666/1993, que a celebração de convênios e contratos entre as fundações 
de apoio e as Instituições Federais de Ensino Superior - IFES e entre as 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 91 
fundações de apoio e as Instituições Científicas e Tecnológicas – ICTs seja 
realizada por dispensa de licitação. 
Sobre a contratação de obras, compras e serviços, até 2013, a 
legislação exigia que essas entidades observassem a legislação federal 
sobre licitações e contratos. No entanto, o dispositivo foi alterado pela Lei 
12.863, de 24 de setembro de 2013, que passou a dispor que fundações de 
apoio adotarão regulamento específico de aquisições e contratações 
de obras e serviços, a ser editado por meio de ato do Poder Executivo 
federal. O mencionado regulamento consta no Decreto 8.241, de 21 de 
maio de 2014. 
Assim, a regra atual é que essas entidades seguem regulamento 
próprio, sem precisar seguir a Lei de Licitações e Contratos. 
Lembrando, finalmente, que essas regras alcançam somente um grupo 
específico de entidades de apoio, que são as fundações instituídas com a 
finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, 
desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à 
inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à 
execução desses projetos de interesse das IFES e demais ICT. 
Visto o assunto, vamos resolver algumas questões. 
 
37. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Às organizações sociais é 
vedada a finalidade de lucro, devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao 
ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e 
preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde. 
Comentário: existem três requisitos para que uma entidade possa ser 
qualificada como organização social: (i) deve ter personalidade jurídica de 
direito privado; (ii) não pode ter finalidade lucrativa; (iii) deve atuar nas 
atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, 
proteção e preservação do meio ambiente, cultura ou saúde. 
Dessa forma, podemos notar que o item está correto, pois descreveu duas 
características que uma entidade precisa para ser organização social 
(vedação ao lucro e tipo de atividade desempenhada). 
Ademais, ainda que esteja incompleta a questão, ela não está errada, uma vez 
que não houve menção de que esses seriam todos os requisitos para a 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 91 
qualificação. Assim, de fato uma organização social não pode ter lucro e suas 
atividades devem ser uma dessas mencionadas na questão. 
Gabarito: correto. 
38. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) As organizações da sociedade 
civil de interesse público são pessoas jurídicas de direito privado que firmam 
contrato de gestão com o poder público, com a finalidade de firmar parceria entre 
as partes, objetivando o fomento e a execução de atividades de interesse social, 
sem fins lucrativos. 
Comentário: o instrumento utilizado para firmar o vínculo do Estado com uma 
organização da sociedade civil de interesse público é o termo de parceria. O 
contrato de gestão, por outro lado, é utilizado para firmar o vínculo com as 
organizações sociais. Por isso a questão está errada. O restante das 
informações, porém, está correto. 
Gabarito: errado. 
39. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Entidades paraestatais são 
pessoas jurídicas de direito público ou privado que atuam ao lado do Estado, 
executando atividades de interesse público, porém não privativos do ente estatal. 
Comentário: as entidades paraestatais são entidades privadas e, portanto, 
possuem personalidade jurídica de direito privado. Assim, não existe entidade 
paraestatal de direito público. 
O restante da questão está correto, pois elas atuam ao lado do Estado e 
executam atividades de interesse público, mas que não sejam privativas de 
Estado. Por exemplo, uma entidade paraestatal não pode realizar a regulação 
de serviços públicos, pois tal atribuição é privativa do ente estatal. Por outro 
lado, elas podem prestar serviços na área da saúde, uma vez que se trata de 
serviço de interesse público, mas não privativo de Estado. 
Gabarito: errado. 
40. (Cespe – ACE/TC-DF/2012) Uma OSCIP que receba recursos financeiros 
oriundos de termo de parceria como governo do DF estará obrigada a seguir a Lei 
de Licitações da administração pública para comprar com esses recursos. 
Comentário: o art. 14 da Lei 9.790/1999 estabelece que: 
Art. 14. A organização parceira fará publicar, no prazo máximo de trinta 
dias, contado da assinatura do Termo de Parceria, regulamento próprio 
contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e 
serviços, bem como para compras com emprego de recursos 
provenientes do Poder Público, observados os princípios estabelecidos no 
inciso I do art. 4o desta Lei. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 91 
Como o termo de parceria foi firmado com o DF e, nesse caso, não se aplica 
o Decreto 5.504/2005, não sobra nenhuma dúvida sobre o assunto, ou seja, a 
entidade não segue a Lei de Licitações, mas sim o procedimento próprio. 
No caso da União, teríamos toda aquela dúvida sobre a necessidade ou não 
de seguir a Lei 8.666/1993, porém, conforme argumentos já apresentados, 
entendemos que a entidade, mesmo sendo da União, deve seguir o 
procedimento próprio. 
De qualquer forma, a questão está errada. 
Gabarito: errado. 
41. (Cespe – Adv/AGU/2012) Para que sociedades comerciais e cooperativas 
obtenham a qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, é 
preciso que elas não possuam fins lucrativos e que tenham em seus objetivos 
sociais a finalidade de promoção da assistência social. 
Comentário: realmente é necessário que a entidade não possua fins 
lucrativos. Além disso, a promoção da assistência social é uma das atividades 
compatíveis com a qualificação da organização social, conforme consta no 
art. 3º, I, da Lei 9.790/1999. No entanto, a Lei veda a qualificação de 
“sociedades comerciais” e de “cooperativas”, conforme consta no art. 2º, I e 
X, respectivamente. Logo, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
42. (Cespe – TNS/PRF/2012) As organizações sociais não estão compreendidas 
no rol das entidades que constituem a administração pública indireta. 
Comentário: nenhuma entidade para estatal integra a administração pública, 
seja direta ou indireta. Assim, o item está correto, pois as organizações 
sociais não estão compreendidas no rol das entidades que constituem a 
administração pública indireta. 
Gabarito: correto. 
43. (Cespe – Delegado/PC BA/2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas 
privadas que colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, 
mas não integram a estrutura da administração pública. 
Comentário: essa questão é para arrematar. As entidades paraestatais são 
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por 
particulares – portanto, não integrantes da Administração Pública –, que 
atuam em colaboração ou apoio ao Estado na prestação de atividades de 
utilidade pública. Logo, o item está correto. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 91 
Gabarito: correto. 
44. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As entidades paraestatais não se sujeitam à 
licitação, e seus empregados submetem-se ao regime da Consolidação das Leis do 
Trabalho, às normas acidentárias e à justiça trabalhista. 
Comentário: inicialmente, não iríamos trabalhar essa questão para evitar 
confusão. Porém, vamos aprofundar bem a explicação para demonstrar o 
nosso entendimento. 
O fato é que os empregados das entidades paraestatais se submetem ao 
regime da CLT e, portanto, às normas acidentárias e à justiça do trabalho. 
No que se refere à licitação, o posicionamento do TCU é de que essas 
entidades não seguem a Lei 8.666/1993, mas sim o procedimento próprio. No 
caso dos serviços sociais autônomos o entendimento já era pacificado. Para 
as OSCIPs o TCU possui tal entendimento desde 2005. No caso das 
organizações sociais, existia uma confusão maior, mas desde 2013 o 
posicionamento vai se consolidando para a não necessidade de seguir a Lei 
de Licitações. Por fim, para as entidades de apoio, a legislação sofreu grandes 
modificações no final do ano passado e, atualmente, as contratações do único 
tipo dessas entidades que possui regulamentação (fundações de apoio às 
IFES e às demais ICT – Lei), estão disciplinadas no Decreto 8.241, de 21 de 
maio de 2014, ou seja, não seguem a Lei 8.666/1993. 
Assim, entendo que atualmente esse item deveria ser considerado correto. De 
qualquer forma, o gabarito oficial é questão errada. 
Gabarito: errado. 
QUESTÕES FCC 
45. (FCC - AJ/TRF-1/2011) NÃO é considerada característica da sociedade de 
economia mista 
a) a criação independente de lei específica autorizadora. 
b) a personalidade jurídica de direito privado. 
c) a sujeição a controle estatal. 
d) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei. 
e) o desempenho de atividade de natureza econômica. 
Comentário: podemos citar como características das empresas públicas e das 
sociedades de economia mista, entre outras: 
 a criação e extinção autorizadas por lei; (a) 
 personalidade jurídica de direito privado; (b) 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 91 
 sujeição ao controle estatal; (c) 
 derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito 
público; 
 vinculação aos fins definidos na lei instituidora; (d) 
 desempenho de atividade de natureza econômica. (e) 
Assim, podemos afirmar que a alternativa incorreta é a letra A, visto que a 
instituição de uma sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei 
específica. 
Gabarito: alternativa A. 
46. (FCC - ACE/TCE-AP/2012) Uma sociedade de economia mista foi condenada em 
ação judicial movida por empresa contratada ao pagamento por serviços executados 
e não pagos. Iniciada a execução judicial e recusando-se a pagar espontaneamente 
o débito, a sociedade de economia mista 
a) deverá ser executada da mesma forma que as entidades integrantes da 
Administração direta, em razão da sujeição aos princípios aplicáveis à Administração 
Pública. 
b) está protegida pela impenhorabilidade de seus bens e receitas, em face do regime 
de direito público a que se submete. 
c) poderá ter seu patrimônio penhorado, eis que submetida às mesmas obrigações 
civis, trabalhistas e fiscais das empresas privadas. 
d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se 
submete ao mesmo regime destas, exceto quanto às obrigações tributárias. 
e) somente poderá ter seus bens e receitas penhoradas em relação às obrigações 
trabalhistas. 
Comentário: 
a) em regra, as sociedades de economia mista devem se sujeitar ao mesmo 
regime jurídico das empresas privadas. Com efeito, no caso de ação de 
execução judicial (ação utilizada para exigir um direito reconhecido, como a 
cobrança de uma dívida), também serão seguidas as mesmas regras das 
empresas privadas, uma vez que, normalmente, os bens dessas entidades são 
considerados como bens privados – ERRADA; 
b) os bens das SEMs não possuem o atributo da impenhorabilidade, uma vez 
que são bens privados. Logo, o item está errado. Lógico que há a exceção dos 
bens das empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam 
serviço público, que, quando estiverem afetados diretamente à prestação do 
serviço, gozarão dos mesmos privilégios da fazenda pública, em homenagem 
ao princípio da continuidade – ERRADA; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentadosProf. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 91 
c) Exatamente! Em regra, o patrimônio dessas entidades poderá ser penhorado, 
eis que se submetem às mesmas obrigações civis, trabalhistas e fiscais das 
empresas privadas – CORRETA; 
d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se 
submete ao mesmo regime destas, exceto inclusive quanto às obrigações 
tributárias – ERRADA; 
e) as SEMs sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, 
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e 
tributários – ERRADA. 
Gabarito: alternativa C. 
47. (FCC – TCE-AP/Controle Externo/2012) O Estado pretende criar entidade 
dotada de autonomia, integrante da Administração indireta, para exercer atividade de 
natureza econômica, com a participação de entidade privada na constituição do 
correspondente capital social. 
Atende a tal objetivo 
a) uma Empresa pública. 
b) uma Sociedade de economia mista. 
c) uma Parceria Público-Privada. 
d) um Consórcio público. 
e) uma Organização Social − OS. 
Comentário: a Administração indireta é composta por autarquias, fundações 
públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. Vimos que 
apenas essas últimas são utilizadas para exercer atividade econômica. Contudo, 
as empresas públicas são compostas por capital 100% público, enquanto as 
SEM admitem capital público e privado, mas a maioria do capital com direito a 
voto deve ser público. Dessa forma, o gabarito é a opção B. 
As parcerias público-privadas são contratos de concessão regulados pela Lei 
11.079/2004. 
Os consórcios públicos são pessoas jurídicas de direito público, quando 
associação pública, ou de direito privado, decorrentes de contratos firmados 
entre os entes federados, após autorização legislativa de cada um, para a gestão 
associada de serviços públicos e de objetivos comuns dos consorciados, 
através de delegação e sem fins econômicos. Assim, os consórcios públicos 
constituem uma modalidade de delegação de serviços públicos por contrato. 
Quando de direito público (associações públicas), os consórcios integram a 
administração indireta de todos os entes da Federação consorciados, 
constituindo-se em uma espécie de autarquia interfederativa. De qualquer 
forma, os consórcios não se destinam a fins econômicos. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 91 
Por último, as OS não integram a Administração indireta (nem direta) e também 
não realizam atividade econômica. 
Gabarito: alternativa B. 
48. (FCC – AFR-SP/Gestão Tributária/2013) O Estado pretende descentralizar a 
execução de atividade atualmente desempenhada no âmbito da Administração direta, 
consistente nos serviços de ampliação e manutenção de hidrovia estadual, em face 
da especialidade de tais serviços. Estudos realizados indicaram que será possível a 
cobrança de outorga pela concessão, a particulares, do uso de portos fluviais que 
serão instalados na referida hidrovia, recursos esses que serão destinados a garantir 
a autossuficiência financeira da entidade a ser criada. Considerando os objetivos 
almejados, poderá ser instituída 
a) autarquia, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado dotada do poder 
de autoadministração, nos limites previstos na lei instituidora. 
b) agência reguladora, sob a forma de autarquia de regime especial, cuja criação deve 
ser autorizada por lei, dotada de autonomia orçamentária e financeira. 
c) agência executiva, sob a forma de empresa ou de autarquia que celebre contrato 
de gestão com a Administração direta para ampliação de sua autonomia. 
d) sociedade de economia mista, caracterizada como pessoa jurídica de direito 
privado, submetida aos princípios aplicáveis à Administração pública, e cuja criação é 
autorizada por lei. 
e) empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, criada por 
lei específica e com patrimônio afetado à finalidade para a qual foi instituída. 
Comentário: vejamos o que dispõe a CF/88: 
Art. 37. [...] XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e 
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia 
mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir 
as áreas de sua atuação; 
Quando o ente administrativo for de direito público, ele será criado diretamente 
por lei específica. Entretanto, quando for de direito privado, terá apenas a 
autorização legislativa para sua criação. 
A opção A está errada, pois as autarquias são de direito público. Da mesma 
forma, as alternativas B e C estão erradas, pois as agências reguladoras e as 
agências executivas são espécies de autarquias (são criadas diretamente por lei 
e não são empresas). 
A letra D está perfeita e é o nosso gabarito, pois as sociedades de economia 
mista são pessoas jurídicas de direito privado cuja criação depende de lei 
autorizativa. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 91 
Por fim, a opção E está errada, uma vez que a criação de empresas públicas é 
apenas autorizada por lei. 
Gabarito: alternativa D. 
49. (FCC - AC/TCE-PR/2011) Inserem-se entre as entidades integrantes da 
Administração pública indireta, além das empresas públicas, as 
a) sociedades de economia mista, as fundações públicas e as Organizações Sociais 
ligadas à Administração por contrato de gestão. 
b) autarquias, fundações e sociedades de economia mista, que são pessoas jurídicas 
de direito público. 
c) sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, que se 
submetem ao mesmo regime jurídico das empresas privadas e aos princípios 
aplicáveis à Administração Pública. 
d) fundações e autarquias, excluídas as sociedades de economia mista. 
e) sociedades de economia mista, exceto as que operam no domínio econômico em 
regime de competição com as empresas privadas. 
Comentário: vamos analisar individualmente cada alternativa. 
a) Errado: esse assunto não será objeto de nosso curso. Por esse motivo, o que 
nos cabe saber, nesse momento, é que as organizações sociais não pertencem 
à administração pública, mas sim ao terceiro setor; 
b) Errado: as autarquias são pessoas jurídicas de direito público, ao passo que 
as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado. As 
fundações públicas podem ser de direito público ou de direito privado, conforme 
o caso; 
c) Correto: as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito 
privado, integrantes da Administração Indireta, tendo por objetivo, como regra, 
a exploração de atividades de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a 
prestação de serviços públicos. Quando explorarem atividade econômica, 
devem se submeter ao mesmo regime jurídico das empresas privadas (CF, art. 
173, §1º, II), sem deixar de observar os princípios aplicáveis à Administração 
Pública (CF, art. 37, caput); 
d) Errado: acabamos de ver que as sociedades de economia mista também 
integram a Administração Indireta; 
e) Errado: as sociedades de economia mista sempre integram a Administração 
Indireta, não importa se exploram atividade econômica ou prestam serviços 
públicos. 
Gabarito: alternativa C. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 91 
50. (FCC - AJ/TRE-TO/2011) Constitui traço distintivo entre sociedade de economiamista e empresa pública: 
a) forma de organização, isto é, forma jurídica. 
b) desempenho de atividade de natureza econômica. 
c) criação autorizada por lei. 
d) sujeição a controle estatal. 
e) personalidade jurídica de direito privado. 
Comentário: as semelhanças entre as SEMs e as EPs são diversas. No entanto, 
elas se diferenciam em alguns pontos, quais sejam a forma jurídica, a 
composição de capital, e o foro processual, no caso das entidades federais. 
Dessa forma, podemos assinalar a alternativa A como correta. As demais 
alternativas apresentam semelhanças entre as duas entidades. 
Gabarito: alternativa A. 
51. (FCC - AJ/TST/2012) Uma empresa que conte com controle acionário privado e 
participação minoritária de capital estatal 
a) é considerada sociedade de economia mista, porém não integrante da 
Administração Indireta. 
b) é considerada empresa pública, integrante da Administração Indireta. 
c) é considerada empresa pública, porém não integrante da Administração Indireta. 
d) é considerada sociedade de economia mista, integrante da Administração Indireta. 
e) não é considerada nem empresa pública, nem sociedade de economia mista. 
Comentário: no caso das empresas públicas, o capital deve ser 100% público. 
Por outro lado, para as sociedades de economia mista, podem ser conjugados 
recursos de pessoas de direito público ou de outras pessoas administrativas, 
juntamente com recursos de particulares. No entanto, o controle acionário da 
entidade deve permanecer com o ente instituidor, logo a maioria do capital 
votante sempre pertencerá ao ente que instituiu a entidade. 
Logo, o enunciado da questão não apresentou nem empresa pública, nem 
sociedade de economia mista, e sim uma empresa privada. Portanto, a opção E 
está correta. 
Gabarito: alternativa E. 
52. (FCC - AJ/TRT-6/2012) A respeito do regime jurídico das entidades integrantes 
da Administração Pública indireta é correto afirmar que é 
a) de direito privado para as empresas públicas e sociedades de economia mista que 
explorem atividade econômica, sem prejuízo da aplicação dos princípios 
constitucionais da Administração Pública. 
b) de direito público para as fundações, autarquias e empresas públicas e de direito 
privado para as sociedades de economia mista. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 91 
c) sempre de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e sujeições 
decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. 
d) sempre de direito público, exceto para as entidades caracterizadas como agências 
executivas ou autarquias de regime especial. 
e) sempre de direito privado, em relação à legislação trabalhista e tributária, e de 
direito público em relação aos bens afetados ao serviço público. 
Comentário: 
a) as empresas públicas e as sociedades de economia mista submetem-se ao 
regime jurídico de direito privado, mas devem seguir os princípios 
constitucionais da Administração Pública, como a legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência – CORRETA; 
b) as autarquias sempre possuirão regime jurídico de direito público. Já as 
fundações públicas podem possuir o regime de direito público, ou de direito 
privado, conforme o caso. Por fim, as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista terão sempre regime de direito privado (ressaltamos que o mais 
adequado é falar em regime híbrido) – ERRADA; 
c) as empresas públicas e as sociedades de economia mista sempre terão 
regime de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e 
sujeições decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. 
Portanto, essa regra não vale para todas entidades administrativas – ERRADA; 
d) novamente, as entidades administrativas podem possuir regime de direito 
público ou de direito privado, conforme o caso. Além disso, as agências 
executivas e as autarquias de regime especial são espécies de autarquias e, 
portanto, possuem regime de direito público – ERRADA; 
e) dispensa comentários, pois existem entidades com regime de direito público 
e outras com regime de direito privado – ERRADA. 
Gabarito: alternativa A. 
53. (FCC - TJ/TRT-1/2013) A respeito das entidades integrantes da Administração 
indireta, é correto afirmar que 
a) se submetem, todas, ao regime jurídico de direito público, com observância aos 
princípios constitucionais e às demais regras aplicáveis à Administração pública. 
b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade 
econômica submetem-se ao regime tributário próprio das empresas privadas. 
c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao regime 
jurídico de direito público, gozando de capacidade política. 
d) apenas as empresas públicas podem explorar atividade econômica e sempre em 
caráter supletivo à iniciativa privada, submetidas ao regime próprio das empresas 
privadas, salvo em matéria tributária. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 91 
e) apenas as sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito privado, 
podendo orientar suas atividades para a obtenção de lucro. 
Comentário: 
a) as fundações públicas de direito privado, as empresas públicas e a as 
sociedades de economia mista se submetem ao regime jurídico de direito 
privado – ERRADA; 
b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem 
atividade econômica sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas 
privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, 
trabalhistas e tributários (CF, art. 173, §1º, II) – CORRETA; 
c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao 
regime jurídico de direito público, mas não gozam de capacidade política, que é 
exclusividade dos entes políticos (União, estados, Distrito Federal e municípios) 
– ERRADA; 
d) as sociedades de economia mista e as empresas públicas podem explorar 
atividade econômica. Logo, não são apenas as empresas públicas. Além disso, 
elas estão submetidas ao regime próprio das empresas privadas, inclusive 
quanto à matéria tributária – ERRADA; 
e) apenas as empresas públicas e as sociedades de economia mista sujeitam-
se ao regime de direito privado, podendo orientar suas atividades para a 
obtenção de lucro (lembrando que parte da doutrina defende que elas podem 
obter lucro, mas não devem ser criadas isoladamente com essa finalidade) – 
ERRADA. 
Gabarito: alternativa B. 
54. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Distinguem-se as autarquias das sociedades de 
economia mista que exploram atividade econômica, dentre outras características, em 
função de 
a) não serem dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria, embora 
submetidas ao regime jurídico de direito privado. 
b) seu regime jurídico de direito público, exceto quanto ao processo de execução ao 
qual se submetem, típico do direito privado. 
c) sua criação ser autorizada por lei, bem como por se submeterem tanto ao regime 
jurídico público, quanto ao regime jurídico privado. 
d) serem criadas por lei, bem como em função de seu regime jurídico de direito 
público. 
e) se submeterem a processo especial de execução, que excetua o regime dos 
precatórios, embora não afaste a prescritibilidade de seus bens. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 91 
Comentário: a questão quer saber em que as autarquias se diferenciam das 
sociedadesde economia mista que exploram atividade econômica. Como 
vimos, as autarquias são criadas por lei e possuem regime jurídico de direito 
público. Logo, a opção D está correta. Vamos analisar as demais alternativas: 
a) ambas são dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria. Contudo, 
as sociedades de economia mista se submetem ao regime jurídico de direito 
privado, enquanto as autarquias se submetem ao regime jurídico de direito 
público – ERRADA; 
b) as autarquias seguem o regime jurídico de direito público e, por isso, 
possuem as prerrogativas da fazenda quanto ao processo de execução de suas 
dívidas (dentre outras regras, seguem o regime de precatórios e seus bens são 
impenhoráveis) – ERRADA; 
c) as autarquias são criadas por lei e seu regime jurídico é sempre de direito 
público, enquanto as sociedades de economia mista são autorizadas mediante 
lei específica, possuindo regime jurídico de direito privado – ERRADA; 
e) tendo em vista que os bens das autarquias são considerados bens públicos, 
eles admitem as prerrogativas da impenhorabilidade – quitação por meio do 
sistema de precatórios –, e da imprescritibilidade – ERRADA. 
Gabarito: alternativa D. 
55. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Em relação às empresas estatais, é correto afirmar que 
a) se submetem ao regime jurídico de direito público quando se tratar de empresa 
pública, porque o capital pertence a pessoas jurídicas de direito público. 
b) se submetem ao regime jurídico típico das empresas privadas, com derrogações 
por normas de direito público. 
c) não se submetem a lei de licitações, porque sujeitas ao regime jurídico típico de 
direito privado. 
d) não se submetem a lei de licitações, salvo no que se refere às suas atividades fins, 
que dependem sempre de licitação. 
e) se submetem integralmente ao regime jurídico de direito privado, sem derrogações, 
a fim de resguardar o princípio da isonomia em relação às demais empresas que 
atuem no setor. 
Comentário: 
a) as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) 
se submetem ao regime jurídico de direito privado – ERRADA; 
b) as empresas públicas e sociedades de economia mista submetem-se ao 
regime jurídico próprio das empresas privadas, com derrogação de regras de 
direito pública (por exemplo: submetem-se aos princípios constitucionais da 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 91 
Administração Pública; têm o dever de licitar para os bens relativos a atividades 
meio; realizam concurso público, etc.) – CORRETA; 
c) e d) essas entidades possuem o dever de licitar e, portanto, submetem-se à 
Lei de Licitações, particularmente quanto a suas atividades meio. Para as 
atividades fins, porém, elas não precisam licitar – ERRADA; 
e) se submetem ao regime jurídico de direito privado, mas com derrogação 
parcial do regime de direito privado por normas de direito público. Por esse 
motivo, a doutrina costuma falar que o regime jurídico é híbrido – ERRADA. 
Gabarito: alternativa B. 
56. (FCC - TJ/TRF-2/2012) A administração indireta compreende, além de outras 
entidades, as empresas públicas e sociedades de economia mista, as quais têm 
personalidade jurídica de direito 
a) público e privado, respectivamente, criadas por lei de iniciativa do Poder Executivo. 
b) privado, instituídas mediante autorização de lei específica. 
c) público e independem de lei complementar para suas instituições. 
d) privado e público, respectivamente, sendo instituídas mediante lei específica. 
e) público, criadas por ato específico e privativo do chefe do Poder Executivo. 
Comentário: em qualquer situação, as empresas públicas e as sociedades de 
economia mista possuem natureza jurídica de direito privado. Isso porque essas 
entidades são efetivamente criadas com o registro de seu ato constitutivo. 
Portanto, a instituição de empresa pública e de sociedade de economia mista 
deve ser autorizada por lei específica. 
Gabarito: alternativa B. 
57. (FCC - AJ/TRE-RO/2013) Integram a Administração pública indireta, além de 
outras entidades, 
a) as organizações sociais, a partir da celebração do contrato de gestão, para a 
execução de serviços públicos não exclusivos do Estado. 
b) as agências executivas, consideradas autarquias de regime especial, criadas por 
lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. 
c) as sociedades de economia mista, criadas por lei, para exercer atividades 
econômicas de interesse ou relevância social. 
d) empresas públicas, com capital majoritário do poder público, cuja criação é 
autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos. 
e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e 
capacidade de autoadministração. 
Comentário: 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 91 
a) as organizações sociais fazem parte do terceiro setor e, portanto, não 
integram a Administração Pública – ERRADA; 
b) as agências executivas reguladoras, consideradas autarquias de regime 
especial, criadas por lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. 
A agência executiva é uma espécie de autarquia, que recebe qualificação 
especial após cumprir os requisitos previstos em lei, como celebrar um contrato 
de gestão com o respectivo órgão supervisor – ERRADA; 
c) as sociedades de economia mista são instituídas, após autorização por lei 
específica, para exercer atividades econômicas (como regra) ou, 
excepcionalmente, para prestação de serviços públicos – ERRADA; 
d) empresas públicas, com capital majoritário totalitário do poder público, cuja 
criação é autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos 
(excepcionalmente) e explorar atividade econômica (como regra) – ERRADA; 
e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e 
capacidade de autoadministração – CORRETA. 
Gabarito: alternativa E. 
58. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Quando o poder público pretende que determinado 
serviço público seja prestado de forma descentralizada, por um ente que tenha sido 
criado por lei, tenha capacidade de autoadministração, sujeito ao poder de tutela da 
administração pública, está-se diante de 
a) autarquia. 
b) permissionária ou concessionária de serviço público. 
c) sociedade de economia mista prestadora de serviço público. 
d) empresa pública ou sociedade de economia mista prestadoras de serviço público. 
e) concessionária de serviço público. 
Comentário: vamos relembrar as características das autarquias: (a) criação por 
lei; (b) personalidade jurídica pública; (c) capacidade de autoadministração; (d) 
especialização dos fins ou atividades; (e) sujeição a controle ou tutela. 
Assim, podemos assinalar a autarquia (alternativa A) como nossa resposta 
correta. 
Quanto às outras alternativas, as sociedades de economia mista e as empresas 
públicas são apenas autorizadas por lei. 
Por fim, as concessionárias e permissionárias de serviços públicos não são 
assuntos dessa aula. Nesse momento, cabe saber apenas que são empresas 
privadas que prestam serviços públicos por meio de delegação do Estado – 
descentralização por colaboração. 
Gabarito: alternativa A. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 91 
59. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Sociedade de economia mista prestadora de serviço 
público precisa contratar 100 (cem) servidores para reforçar equipede fiscalização de 
campo, a fim de se desincumbir de obrigações contratuais assumidas regularmente. 
Para tanto, 
a) poderá promover a contratação direta de servidores públicos, desde que sob 
regime celetista, para ocuparem emprego público. 
b) deverá submeter-se a obrigatoriedade do concurso público para a contratação de 
seus empregados. 
c) poderá promover a contratação para provimento de cargos em comissão, tendo 
em vista que não se submete a regime jurídico de direito público, prescindindo da 
realização de concurso público. 
d) deverá realizar concurso público para a contratação de seus servidores, que se 
submetem a regime estatutário, embora o ente possua natureza jurídica de direito 
privado. 
e) poderá firmar contrato direto de prestação de serviço de autônomos com os novos 
empregados, evitando a realização de concurso público e a formação de vínculo 
empregatício. 
Comentário: os agentes públicos das SEMs submetem-se ao regime da 
consolidação das leis do trabalho (celetista) – logo, não são estatutários – e, 
portanto, seu vínculo é realizado por meio de contrato de trabalho. Não obstante, 
devem ser contratados obrigatoriamente por meio de concurso público. 
Portanto, correta a alternativa B. 
Agora vejamos o erro das demais alternativas: 
a) a contratação deve ser feita através concurso público; 
c) apesar de se submeterem ao regime de direto privado, a realização de 
concurso público é imprescindível. Ademais, a contratação de servidores 
comissionados destina-se apenas aos cargos de direção, chefia e 
assessoramento (CF, art. 37, V); 
d) os empregados públicos não se submetem ao regime estatutário, mas sim ao 
celetista; 
e) novamente, a realização de concurso público é obrigatória. 
Gabarito: alternativa B. 
60. (FCC - Analista/DPE-RS/2013) O Estado decidiu instituir entidade com 
personalidade jurídica própria, integrante da Administração indireta, para executar 
programa de investimentos sob a forma de parcerias público-privadas, dotada de 
corpo técnico qualificado e agilidade para desenvolver projetos, além de patrimônio 
para prestar garantias aos parceiros privados. Referida entidade poderá ser 
constituída sob a forma de 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 91 
a) autarquia, sujeita ao regime jurídico de direito privado. 
b) empresa pública, que se submete ao regime de direito público, salvo quanto ao 
patrimônio, que não está sujeito a penhora. 
c) sociedade de economia mista, cuja criação deve ser precedida de autorização 
legislativa. 
d) fundação, com patrimônio afetado à finalidade pretendida e não sujeita à licitação 
para contratação. 
e) sociedade de propósito específico, não sujeita aos princípios da Administração 
pública. 
Comentário: 
a) autarquias se sujeitam ao regime jurídico de direito público – ERRADA; 
b) as empresas públicas se submetem ao regime jurídico de direito privado. 
Dessa forma, em regra, seus bens são considerados bens privados e, por 
conseguinte, podem ser penhorados – ERRADA; 
c) isso mesmo! As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de 
direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por 
autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo controle acionário 
pertença ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a exploração de 
atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a prestação de 
serviços públicos – CORRETA; 
d) assim como as demais entidades que compõem a administração direta e 
indireta, as fundações se sujeitam à Lei 8.666/1993 e devem licitar e contratar na 
forma prevista na Lei. Além disso, a natureza da atividade prevista no enunciado 
(como os investimentos) não é compatível com as atividades realizadas pelas 
fundações – ERRADA; 
e) a sociedade de propósito específico é uma pessoa jurídica criada pelo 
vencedor de licitação de parceria público-privada para implantar e gerir o objeto 
da parceria, na forma da Lei 11.079/2004 – ERRADA. 
Gabarito: alternativa C. 
61. (FCC – DP-AM/2013) Mediante iniciativa do Governador, o Estado do Amazonas 
aprova lei, cujos artigos iniciais estão assim redigidos: 
“Artigo 1o − Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, por escritura pública, sob a 
denominação de [...], uma [...] que se regerá por esta lei, pelas normas civis, por seu 
estatuto e com as finalidades discriminadas no artigo 2o. 
§ 1o − A .... será uma entidade civil, sem fins lucrativos, com prazo de duração 
indeterminado e adquirirá personalidade jurídica a partir da inscrição, no Registro 
competente, do seu ato constitutivo, com o qual serão apresentados o Estatuto e o 
respectivo decreto de aprovação”. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 91 
Diante do texto legislativo acima, pode-se concluir que a entidade a ser criada será 
uma 
a) empresa pública. 
b) autarquia. 
c) fundação de direito privado. 
d) sociedade de economia mista. 
e) associação pública. 
Comentário: perceba que a lei não criou a entidade, apenas autorizou a criação. 
Assim, a entidade será de direito privado. Logo, podemos eliminar as opções B 
e E. A fundação de direito privado, a sociedade de economia mista e a empresa 
pública são de direito privado e recebem autorização legislativa para criação, 
porém as duas últimas têm fins lucrativos. Assim, apenas a fundação de direito 
privado corresponde ao texto legislativo apresentado. 
Gabarito: alternativa C. 
62. (FCC – DPE-SP/2012) As fundações de direito público, também denominadas 
autarquias fundacionais, são instituídas por meio de lei específica e 
a) seus agentes não ocupam cargo público e não há responsabilidade objetiva por 
danos causados a terceiros. 
b) seus contratos administrativos devem ser precedidos de procedimento licitatório, 
na forma da lei. 
c) seus atos constitutivos devem ser inscritos junto ao Registro Civil das Pessoas 
Jurídicas, definindo as áreas de sua atuação. 
d) seus atos administrativos não gozam de presunção de legitimidade e não possuem 
executoriedade. 
e) seu regime tributário é comum sobre o patrimônio, a renda e os serviços 
relacionados às suas finalidades essenciais. 
Comentário: 
a) os agentes públicos dessas entidades serão considerados servidores 
públicos, ocupantes, portanto, de cargos públicos. Por essa primeira parte o 
item já estaria errado. Além disso, para fins de responsabilidade civil do Estado, 
é utilizado um conceito amplo de agente público, abrangendo todas as formas 
de exercício da função pública – ERRADA; 
b) independentemente da natureza jurídica da fundação pública, ela deverá 
licitar e contratar na forma prevista na Lei 8.666/1993 – CORRETA; 
c) as fundações públicas de direito público são efetivamente criadas por lei. 
Apenas as fundações públicas de direito privado é que recebem autorização 
legislativa para criação, dependendo do registro do ato constitutivo no Registro 
Civil de Pessoas Jurídicas para que adquiram a personalidade jurídica – 
ERRADA; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 91 
d) essa alternativa foge um pouco do nosso assunto, mas vamos lá?! Nesse 
momento, cabe saber que por integrar o regime jurídico de direito público seus 
atos recebem atributos que o diferem de atos privados, como a presunção de 
legitimidade ou veracidade, e a executoriedade. Assim, as fundações de direito 
público realizam atos administrativos– ERRADA; 
e) por força do art. 150, §2º, da CF, as fundações fazem jus à imunidade 
tributária, pois a vedação de instituir impostos sobre patrimônio, renda ou 
serviços, uns dos outros, é extensiva às “fundações instituídas e mantidas pelo 
Poder Público”. Logo, o regime tributário não é “comum”, mas especial, uma 
vez que gozam de prerrogativas próprias – ERRADA. 
Gabarito: alternativa B. 
63. (FCC – DPE-PR/2012) A estrutura administrativa do Estado compreende a 
administração pública direta e indireta. Sobre o tema, examine as afirmações abaixo. 
I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. 
II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência 
legislativa para instituir sua própria administração indireta. 
III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito 
público que compõem a administração indireta. 
IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de 
patrimônio próprio. 
V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora 
e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. 
 
Estão corretas APENAS as afirmações 
a) I e III. 
b) II, IV e V. 
c) I e II. 
d) I, III e IV. 
e) III e V. 
Comentário: 
I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. 
A Administração Direta é o conjunto de órgãos que integram as pessoas 
políticas ou federativas (União, estados, Distrito Federal e municípios), aos 
quais foi atribuída a competência para o exercício das atividades 
administrativas do Estado de forma centralizada – CORRETA; 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 91 
II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência 
legislativa para instituir sua própria administração indireta. 
Realmente os estados e municípios não possuem soberania (característica 
presente somente na República Federativa ou, para alguns autores, na União) – 
ERRADA; 
III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito 
público que compõem a administração indireta. 
Perfeito. As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público com capacidade 
exclusivamente administrativa; e as fundações públicas de direito público terão 
a mesma natureza da autarquia, sendo utilizadas para o desempenho de 
atividade de interesse social – CORRETA; 
IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de 
patrimônio próprio. 
Todas as entidades da administração indireta possuem patrimônio próprio – 
CORRETA; 
V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora 
e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. 
A primeira parte da afirmação está correta. No entanto, a composição de capital 
das SEMs admite a participação de pessoas jurídicas – ERRADA. 
Gabarito: alternativa D. 
 
Concluímos por hoje. 
Em nossa próxima aula, vamos conversar sobre os atos 
administrativos. 
Espero por vocês! 
Bons estudos. 
HERBERT ALMEIDA. 
http://www.estrategiaconcursos.com.br/cursosPorProfessor/herbert-almeida-3314/ 
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA 
1. (Cespe – AJ/TRT-ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa pública. 
2. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e 
sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito privado, 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 91 
derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público e 
desempenho de atividade de natureza econômica. 
3. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia mista 
pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo conteúdo 
específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública. 
4. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pessoas jurídicas de direito privado integrantes da 
administração indireta, as empresas públicas são criadas por autorização legal para 
que o governo exerça atividades de caráter econômico ou preste serviços públicos. 
5. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não 
poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública. 
6. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia 
mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação hipotética, 
a referida sociedade não é considerada integrante da administração indireta do 
respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve prestar 
serviço público. 
7. (Cespe – AJ/TRT-10/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito 
privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas mediante prévia 
autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas situações, 
prestam serviço público. 
8. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito 
privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada 
quanto prestar serviço público. 
9. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da 
administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da 
iniciativa privada. 
10. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração pública 
a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado que, embora 
se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade tipicamente 
econômica. 
11. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade 
econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do 
setor privado. 
12. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-GO/2015) As empresas públicas são pessoas 
jurídicas de direito público. 
13. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ-RR/2012) Embora possuam capital 
exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se 
aplicam, preponderantemente, normas de direito privado. 
14. (Cespe – Técnico em Administração/TJ-AC/2012) A empresa pública criada 
com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, formada 
sob o regime de pessoa jurídica de direito privado. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 91 
15. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas 
públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são 
imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas 
finalidades essenciais ou delas decorrentes. 
16. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As ações judiciais promovidas contra sociedade de 
economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos. 
17. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas apenas 
podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima. 
18. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas 
jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica. 
19. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) As sociedades de economia mista podem revestir-se 
de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público, que procede 
à sua criação. 
20. (Cespe - AJ/TRT-10/2013) As empresas públicas devem serconstituídas 
obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima. 
21. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista é 
a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada 
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital 
exclusivamente público. 
22. (Cespe - AnaTA/MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de 
economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como 
organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público. 
23. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital, 
podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois grupos: 
um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é 
exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia 
mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital público 
e privado. 
24. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito 
privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e 
privado. 
25. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é 
exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas 
atividades são regidas pelos preceitos comerciais. 
26. (Cespe – Analista/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas jurídicas de 
direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende de autorização 
legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquer forma admitida em 
direito. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 91 
27. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade da 
administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a 
conjugação de capital público e privado. 
28. (Cespe – Ana/MPU/2013) A empresa pública federal caracteriza-se, entre outros 
aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União, não se admitindo, 
portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na constituição de seu capital. 
29. (Cespe – AJ/TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar 
as causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem serviço 
público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado. 
30. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) Fundação pública é a 
pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de 
autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante 
controle administrativo exercido nos limites da lei. 
31. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Para a criação de uma 
fundação de direito público, é indispensável a inscrição de seus atos constitutivos no 
registro civil das pessoas jurídicas. 
32. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) As fundações públicas destinam-
se à realização de atividades não lucrativas e atípicas do poder público, porém de 
interesse coletivo. 
33. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As fundações públicas podem exercer 
atividades típicas da administração, inclusive aquelas relacionadas ao exercício do 
poder de polícia. 
34. (Cespe – TJ/STF/2013) A fundação pública de direito privado tem sua instituição 
autorizada por lei específica, cabendo a lei complementar definir as áreas de sua 
atuação. 
35. (Cespe – Administrador/FUB/2009) As fundações públicas não possuem 
finalidade de exploração econômica com fins lucrativos. 
36. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Ministério Público deverá 
realizar o controle sobre as atividades das fundações públicas, assim como o faz em 
relação às fundações privadas. 
37. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Às organizações sociais é vedada 
a finalidade de lucro, devendo ser suas atividades estatutárias dirigidas ao ensino, à 
pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do 
meio ambiente, à cultura e à saúde. 
38. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) As organizações da sociedade civil 
de interesse público são pessoas jurídicas de direito privado que firmam contrato de 
gestão com o poder público, com a finalidade de firmar parceria entre as partes, 
objetivando o fomento e a execução de atividades de interesse social, sem fins 
lucrativos. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 91 
39. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-GO/2015) Entidades paraestatais são 
pessoas jurídicas de direito público ou privado que atuam ao lado do Estado, 
executando atividades de interesse público, porém não privativos do ente estatal. 
40. (Cespe – ACE/TC-DF/2012) Uma OSCIP que receba recursos financeiros 
oriundos de termo de parceria com o governo do DF estará obrigada a seguir a Lei de 
Licitações da administração pública para comprar com esses recursos. 
41. (Cespe – Adv/AGU/2012) Para que sociedades comerciais e cooperativas 
obtenham a qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, é 
preciso que elas não possuam fins lucrativos e que tenham em seus objetivos sociais 
a finalidade de promoção da assistência social. 
42. (Cespe – TNS/PRF/2012) As organizações sociais não estão compreendidas no 
rol das entidades que constituem a administração pública indireta. 
43. (Cespe – Delegado/PC BA/2013) Entidades paraestatais são pessoas jurídicas 
privadas que colaboram com o Estado no desempenho de atividades não lucrativas, 
mas não integram a estrutura da administração pública. 
44. (Cespe – TJ/TRT-10/2013) As entidades paraestatais não se sujeitam à licitação, 
e seus empregados submetem-se ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho, 
às normas acidentárias e à justiça trabalhista. 
45. (FCC - AJ/TRF-1/2011) NÃO é considerada característica da sociedade de 
economia mista 
a) a criação independente de lei específica autorizadora. 
b) a personalidade jurídica de direito privado. 
c) a sujeição a controle estatal. 
d) a vinculação obrigatória aos fins definidos em lei. 
e) o desempenho de atividade de natureza econômica. 
46. (FCC - ACE/TCE-AP/2012) Uma sociedade de economia mista foi condenada em 
ação judicial movida por empresa contratada ao pagamento por serviços executados 
e não pagos. Iniciada a execução judicial e recusando-se a pagar espontaneamente 
o débito, a sociedade de economia mista 
a) deverá ser executada da mesma forma que as entidades integrantes da 
Administração direta, em razão da sujeição aos princípios aplicáveis à Administração 
Pública. 
b) está protegida pela impenhorabilidade de seus bens e receitas, em face do regime 
de direito público a que se submete. 
c) poderá ter seu patrimônio penhorado, eis que submetida às mesmas obrigações 
civis, trabalhistas e fiscais das empresas privadas. 
d) deverá ser executada da mesma forma que as empresas privadas, eis que se 
submete ao mesmo regime destas, exceto quanto às obrigações tributárias. 
e) somente poderá ter seus bens e receitas penhoradas em relação às obrigações 
trabalhistas. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 91 
47. (FCC – TCE-AP/Controle Externo/2012) O Estado pretende criar entidade 
dotada de autonomia, integrante da Administração indireta, para exercer atividade de 
natureza econômica, com a participação de entidade privada na constituição do 
correspondente capital social. 
Atende a tal objetivo 
a) uma Empresapública. 
b) uma Sociedade de economia mista. 
c) uma Parceria Público-Privada. 
d) um Consórcio público. 
e) uma Organização Social − OS. 
48. (FCC – AFR-SP/Gestão Tributária/2013) O Estado pretende descentralizar a 
execução de atividade atualmente desempenhada no âmbito da Administração direta, 
consistente nos serviços de ampliação e manutenção de hidrovia estadual, em face 
da especialidade de tais serviços. Estudos realizados indicaram que será possível a 
cobrança de outorga pela concessão, a particulares, do uso de portos fluviais que 
serão instalados na referida hidrovia, recursos esses que serão destinados a garantir 
a autossuficiência financeira da entidade a ser criada. Considerando os objetivos 
almejados, poderá ser instituída 
a) autarquia, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado dotada do poder 
de autoadministração, nos limites previstos na lei instituidora. 
b) agência reguladora, sob a forma de autarquia de regime especial, cuja criação deve 
ser autorizada por lei, dotada de autonomia orçamentária e financeira. 
c) agência executiva, sob a forma de empresa ou de autarquia que celebre contrato 
de gestão com a Administração direta para ampliação de sua autonomia. 
d) sociedade de economia mista, caracterizada como pessoa jurídica de direito 
privado, submetida aos princípios aplicáveis à Administração pública, e cuja criação é 
autorizada por lei. 
e) empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, criada por 
lei específica e com patrimônio afetado à finalidade para a qual foi instituída. 
49. (FCC - AC/TCE-PR/2011) Inserem-se entre as entidades integrantes da 
Administração pública indireta, além das empresas públicas, as 
a) sociedades de economia mista, as fundações públicas e as Organizações Sociais 
ligadas à Administração por contrato de gestão. 
b) autarquias, fundações e sociedades de economia mista, que são pessoas jurídicas 
de direito público. 
c) sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, que se 
submetem ao mesmo regime jurídico das empresas privadas e aos princípios 
aplicáveis à Administração Pública. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 91 
d) fundações e autarquias, excluídas as sociedades de economia mista. 
e) sociedades de economia mista, exceto as que operam no domínio econômico em 
regime de competição com as empresas privadas. 
50. (FCC - AJ/TRE-TO/2011) Constitui traço distintivo entre sociedade de economia 
mista e empresa pública: 
a) forma de organização, isto é, forma jurídica. 
b) desempenho de atividade de natureza econômica. 
c) criação autorizada por lei. 
d) sujeição a controle estatal. 
e) personalidade jurídica de direito privado. 
51. (FCC - AJ/TST/2012) Uma empresa que conte com controle acionário privado e 
participação minoritária de capital estatal 
a) é considerada sociedade de economia mista, porém não integrante da 
Administração Indireta. 
b) é considerada empresa pública, integrante da Administração Indireta. 
c) é considerada empresa pública, porém não integrante da Administração Indireta. 
d) é considerada sociedade de economia mista, integrante da Administração Indireta. 
e) não é considerada nem empresa pública, nem sociedade de economia mista. 
52. (FCC - AJ/TRT-6/2012) A respeito do regime jurídico das entidades integrantes 
da Administração Pública indireta é correto afirmar que é 
a) de direito privado para as empresas públicas e sociedades de economia mista que 
explorem atividade econômica, sem prejuízo da aplicação dos princípios 
constitucionais da Administração Pública. 
b) de direito público para as fundações, autarquias e empresas públicas e de direito 
privado para as sociedades de economia mista. 
c) sempre de direito privado, parcialmente derrogado pelas prerrogativas e sujeições 
decorrentes dos princípios aplicáveis à Administração pública. 
d) sempre de direito público, exceto para as entidades caracterizadas como agências 
executivas ou autarquias de regime especial. 
e) sempre de direito privado, em relação à legislação trabalhista e tributária, e de 
direito público em relação aos bens afetados ao serviço público. 
53. (FCC - TJ/TRT-1/2013) A respeito das entidades integrantes da Administração 
indireta, é correto afirmar que 
a) se submetem, todas, ao regime jurídico de direito público, com observância aos 
princípios constitucionais e às demais regras aplicáveis à Administração pública. 
b) as empresas públicas e sociedades de economia mista que explorem atividade 
econômica submetem-se ao regime tributário próprio das empresas privadas. 
c) as autarquias regem-se pelo princípio da especialização e submetem-se ao regime 
jurídico de direito público, gozando de capacidade política. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 91 
d) apenas as empresas públicas podem explorar atividade econômica e sempre em 
caráter supletivo à iniciativa privada, submetidas ao regime próprio das empresas 
privadas, salvo em matéria tributária. 
e) apenas as sociedades de economia mista sujeitam-se ao regime de direito privado, 
podendo orientar suas atividades para a obtenção de lucro. 
54. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Distinguem-se as autarquias das sociedades de 
economia mista que exploram atividade econômica, dentre outras características, em 
função de 
a) não serem dotadas de autonomia e personalidade jurídica própria, embora 
submetidas ao regime jurídico de direito privado. 
b) seu regime jurídico de direito público, exceto quanto ao processo de execução ao 
qual se submetem, típico do direito privado. 
c) sua criação ser autorizada por lei, bem como por se submeterem tanto ao regime 
jurídico público, quanto ao regime jurídico privado. 
d) serem criadas por lei, bem como em função de seu regime jurídico de direito 
público. 
e) se submeterem a processo especial de execução, que excetua o regime dos 
precatórios, embora não afaste a prescritibilidade de seus bens. 
55. (FCC - AJ/TRT-1/2013) Em relação às empresas estatais, é correto afirmar que 
a) se submetem ao regime jurídico de direito público quando se tratar de empresa 
pública, porque o capital pertence a pessoas jurídicas de direito público. 
b) se submetem ao regime jurídico típico das empresas privadas, com derrogações 
por normas de direito público. 
c) não se submetem a lei de licitações, porque sujeitas ao regime jurídico típico de 
direito privado. 
d) não se submetem a lei de licitações, salvo no que se refere às suas atividades fins, 
que dependem sempre de licitação. 
e) se submetem integralmente ao regime jurídico de direito privado, sem derrogações, 
a fim de resguardar o princípio da isonomia em relação às demais empresas que 
atuem no setor. 
56. (FCC - TJ/TRF-2/2012) A administração indireta compreende, além de outras 
entidades, as empresas públicas e sociedades de economia mista, as quais têm 
personalidade jurídica de direito 
a) público e privado, respectivamente, criadas por lei de iniciativa do Poder Executivo. 
b) privado, instituídas mediante autorização de lei específica. 
c) público e independem de lei complementar para suas instituições. 
d) privado e público, respectivamente, sendo instituídas mediante lei específica. 
e) público, criadas por ato específico e privativo do chefe do Poder Executivo. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 91 
57. (FCC - AJ/TRE-RO/2013) Integram a Administração pública indireta,além de 
outras entidades, 
a) as organizações sociais, a partir da celebração do contrato de gestão, para a 
execução de serviços públicos não exclusivos do Estado. 
b) as agências executivas, consideradas autarquias de regime especial, criadas por 
lei para o exercício de atividades de controle e fiscalização. 
c) as sociedades de economia mista, criadas por lei, para exercer atividades 
econômicas de interesse ou relevância social. 
d) empresas públicas, com capital majoritário do poder público, cuja criação é 
autorizada por lei para exercer, exclusivamente, serviços públicos. 
e) autarquias, criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público e 
capacidade de autoadministração. 
58. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Quando o poder público pretende que determinado 
serviço público seja prestado de forma descentralizada, por um ente que tenha sido 
criado por lei, tenha capacidade de autoadministração, sujeito ao poder de tutela da 
administração pública, está-se diante de 
a) autarquia. 
b) permissionária ou concessionária de serviço público. 
c) sociedade de economia mista prestadora de serviço público. 
d) empresa pública ou sociedade de economia mista prestadoras de serviço público. 
e) concessionária de serviço público. 
59. (FCC - Tec/DPE-RS/2013) Sociedade de economia mista prestadora de serviço 
público precisa contratar 100 (cem) servidores para reforçar equipe de fiscalização de 
campo, a fim de se desincumbir de obrigações contratuais assumidas regularmente. 
Para tanto, 
a) poderá promover a contratação direta de servidores públicos, desde que sob 
regime celetista, para ocuparem emprego público. 
b) deverá submeter-se a obrigatoriedade do concurso público para a contratação de 
seus empregados. 
c) poderá promover a contratação para provimento de cargos em comissão, tendo 
em vista que não se submete a regime jurídico de direito público, prescindindo da 
realização de concurso público. 
d) deverá realizar concurso público para a contratação de seus servidores, que se 
submetem a regime estatutário, embora o ente possua natureza jurídica de direito 
privado. 
e) poderá firmar contrato direto de prestação de serviço de autônomos com os novos 
empregados, evitando a realização de concurso público e a formação de vínculo 
empregatício. 
60. (FCC - Analista/DPE-RS/2013) O Estado decidiu instituir entidade com 
personalidade jurídica própria, integrante da Administração indireta, para executar 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 89 de 91 
programa de investimentos sob a forma de parcerias público-privadas, dotada de 
corpo técnico qualificado e agilidade para desenvolver projetos, além de patrimônio 
para prestar garantias aos parceiros privados. Referida entidade poderá ser 
constituída sob a forma de 
a) autarquia, sujeita ao regime jurídico de direito privado. 
b) empresa pública, que se submete ao regime de direito público, salvo quanto ao 
patrimônio, que não está sujeito a penhora. 
c) sociedade de economia mista, cuja criação deve ser precedida de autorização 
legislativa. 
d) fundação, com patrimônio afetado à finalidade pretendida e não sujeita à licitação 
para contratação. 
e) sociedade de propósito específico, não sujeita aos princípios da Administração 
pública. 
61. (FCC – DP-AM/2013) Mediante iniciativa do Governador, o Estado do Amazonas 
aprova lei, cujos artigos iniciais estão assim redigidos: 
“Artigo 1o − Fica o Poder Executivo autorizado a instituir, por escritura pública, sob a 
denominação de [...], uma [...] que se regerá por esta lei, pelas normas civis, por seu 
estatuto e com as finalidades discriminadas no artigo 2o. 
§ 1o − A .... será uma entidade civil, sem fins lucrativos, com prazo de duração 
indeterminado e adquirirá personalidade jurídica a partir da inscrição, no Registro 
competente, do seu ato constitutivo, com o qual serão apresentados o Estatuto e o 
respectivo decreto de aprovação”. 
Diante do texto legislativo acima, pode-se concluir que a entidade a ser criada será 
uma 
a) empresa pública. 
b) autarquia. 
c) fundação de direito privado. 
d) sociedade de economia mista. 
e) associação pública. 
62. (FCC – DPE-SP/2012) As fundações de direito público, também denominadas 
autarquias fundacionais, são instituídas por meio de lei específica e 
a) seus agentes não ocupam cargo público e não há responsabilidade objetiva por 
danos causados a terceiros. 
b) seus contratos administrativos devem ser precedidos de procedimento licitatório, 
na forma da lei. 
c) seus atos constitutivos devem ser inscritos junto ao Registro Civil das Pessoas 
Jurídicas, definindo as áreas de sua atuação. 
d) seus atos administrativos não gozam de presunção de legitimidade e não possuem 
executoriedade. 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 90 de 91 
e) seu regime tributário é comum sobre o patrimônio, a renda e os serviços 
relacionados às suas finalidades essenciais. 
63. (FCC – DPE-PR/2012) A estrutura administrativa do Estado compreende a 
administração pública direta e indireta. Sobre o tema, examine as afirmações abaixo. 
I. A administração direta é constituída pela União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal, todos dotados de autonomia política, administrativa e financeira. 
II. Estados e Municípios não são dotados de soberania e não têm competência 
legislativa para instituir sua própria administração indireta. 
III. As autarquias e as fundações de direito público são pessoas jurídicas de direito 
público que compõem a administração indireta. 
IV. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, dotadas de 
patrimônio próprio. 
V. A criação de sociedade de economia mista depende de lei específica autorizadora 
e o seu quadro social é constituído por pessoas jurídicas de direito público. 
 
Estão corretas APENAS as afirmações 
a) I e III. 
b) II, IV e V. 
c) I e II. 
d) I, III e IV. 
e) III e V. 
GABARITO 
1. E 11. C 21. E 31. E 41. E 51. E 61. C 
2. C 12. E 22. C 32. C 42. C 52. A 62. B 
3. E 13. C 23. E 33. C 43. C 53. B 63. D 
4. C 14. C 24. E 34. C 44. E 54. D 
5. C 15. C 25. C 35. C 45. A 55. B 
6. E 16. E 26. C 36. E 46. C 56. B 
7. C 17. E 27. E 37. C 47. B 57. E 
8. C 18. E 28. E 38. E 48. D 58. A 
9. C 19. E 29. E 39. E 49. C 59. B 
10. E 20. E 30. E 40. E 50. A 60. C 
30264884108
Direito Administrativo p/ TRE- SP 
Analista Judiciário - Área Judiciária 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Herbert Almeida – Aula 3 
 
 
Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 91 de 91 
REFERÊNCIAS 
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de 
Janeiro: Método, 2011. 
 
ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012. 
 
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo: 
Malheiros, 2014. 
 
BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 
 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas, 
2014. 
 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. “Personalidade judiciária de órgãos públicos”. Salvador: 
Revista Eletrônica de Direito do Estado, 2007. 
 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas, 2014. 
 
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2014. 
 
MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª Ed. Niterói: Impetus, 2013. 
 
MEIRELLES, H.L.; ALEIXO, D.B.; BURLE FILHO, J.E. Direito administrativo brasileiro. 39ª Ed.São 
Paulo: Malheiros Editores, 2013. 
30264884108

Mais conteúdos dessa disciplina