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Influência dos Actores Locais no Processo de Planificação Participativa em Moçambique Influence of Local Actors in the Participatory Planning Process in Mozambique Sob orientação do Docente: Mestre – Heitor Foia (TP) Estudante: Maria Luísa de Ernesta Vinte Martins 710090106 @ucm.ac.mz Resumo A presente artigo que tem como objectivo geral da influência dos actores locais no processo de planificação participativa em Moçambique. Para a metodologia do trabalho utilizou-se a pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva. Ao final nos resultados, contatou-se que em Moçambique, a planificação participativa tem sido adotada como uma estratégia importante para promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a governança democrática. Moçambique é um país diversificado, com uma variedade de grupos étnicos, culturas e realidades socioeconômicas. Em jeito de conclusão, com relação aos sistemas adoptados em Moçambique para a planificação participativa, foram descritos três sistemas: a planificação estratégica que e o plano económico do desenvolvimento, como resultado do consenso entre comunidades, governo distrital e sector privado; o ciclo anual de planificação que e o plano económico, social e orçamento, por ultimo importar referir que os actores locais desempenham uma grande influencia ou seja um papel fundamental no processo de planificação participativa em Moçambique. A planificação participativa é um processo que envolve a participação activa das comunidades locais na identificação de necessidades, estabelecimento de prioridades e definição de estratégias para o desenvolvimento local Palavras chave: Actores Locais, Planificação, Participativa Abstract The present article has as its general objective the influence of local actors in the participatory planning process in Mozambique. For the methodology of the work, bibliographical, exploratory and descriptive research was used. At the end of the results, it was found that in Mozambique, participatory planning has been adopted as an important strategy to promote sustainable development and strengthen democratic governance. Mozambique is a diverse country with a variety of ethnic groups, cultures and socioeconomic realities. In conclusion, with regard to the systems adopted in Mozambique for participatory planning, three systems were described: strategic planning which is the economic development plan, as a result of consensus between communities, district government and the private sector; the annual planning cycle which is the economic, social and budget plan, finally it is important to mention that local actors play a great influence, that is, a fundamental role in the participatory planning process in Mozambique. Participatory planning is a process that involves the active participation of local communities in identifying needs, setting priorities and defining strategies for local development. Keywords: Local Actors, Planning, Participatory 1. Introdução O presente artigo com a temática que aborda sobre a influência dos actores locais no processo de planificação participativa em Moçambique, que desta importa referir que a planificação participativa é um processo essencial para o desenvolvimento de qualquer país, pois permite a participação activa e inclusiva de diversos actores sociais na definição, implementação e monitoramento de políticas e programas. Em Moçambique, um país localizado na região sudeste da África, a influência dos actores locais no processo de planificação participativa desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e na construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Em Moçambique surge pela primeira vez a experiência de planificação participativa no ano 2000, com a implementação da descentralização aos Municípios. Depois o Governo aprova a Lei nº 8/2023 de 19 de Maio, que define os princípios e normas de organização, competência e funcionamento dos Órgãos Locais do Estado, onde no seu artigo 3 debruça sobre a descentralização, desburocratização administrativa e financeira (Nguenha, 2009). Para melhor perceção da abordagem da afirmação em epígrafe, importa definir a descentralização que “ consiste na criação ou atribuição de maiores poderes a delegações dos órgãos centrais, situados nos níveis administrativos inferiores dos Órgãos Locais do Estado” (Chichava, 1999, p.5). Os actores locais são fundamentais nesse contexto, pois são os principais representantes das comunidades e têm um profundo conhecimento das necessidades, aspirações e desafios enfrentados pelas populações locais. Eles incluem organizações da sociedade civil, líderes comunitários, representantes de grupos étnicos, autoridades tradicionais, ONGs e outros agentes que desempenham um papel ativo na vida social, econômica e política do país (Jhon, 2013). De acordo com Pitelli (2012), a participação activa dos actores locais na planificação participativa permite que suas vozes sejam ouvidas, suas perspectivas sejam consideradas e suas demandas sejam atendidas. Isso contribui para a promoção da igualdade de oportunidades, da inclusão social e do empoderamento das comunidades locais. Além disso, a participação dos actores locais fortalece a legitimidade e a eficácia das políticas e programas implementados, uma vez que são desenvolvidos levando em consideração as necessidades reais das populações locais. No entanto, apesar da importância dos actores locais, existem desafios significativos a serem enfrentados para garantir sua plena participação e influência no processo de planificação participativa em Moçambique. Um dos desafios é a falta de capacidade e recursos das organizações da sociedade civil e de outros actores locais para se envolverem efetivamente no processo. A falta de financiamento, treinamento e apoio técnico adequados limita sua capacidade de contribuir de forma significativa para a planificação participativa. Problematização A planificação participativa é um processo importante para promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social em países como Moçambique. No entanto, a influência dos actores locais nesse processo pode dar origem a uma série de problemas que afectam sua eficácia e legitimidade (Calderon, 2010). Um dos principais problemas é a falta de representatividade. Nem todos os actores locais têm voz e poder igual no processo de planificação participativa. Grupos marginalizados, como mulheres, jovens e comunidades rurais, podem ser excluídos ou ter suas opiniões minimizadas. Isso resulta em planos que não atendem às necessidades e demandas de todos os segmentos da população, perpetuando assim as desigualdades existentes. Além disso, a influência dos actores locais pode ser distorcida por interesses pessoais e políticos. Políticos e líderes comunitários podem usar o processo de planificação como uma plataforma para promover suas agendas individuais ou de grupos específicos, em vez de buscar o interesse coletivo. Isso leva a decisões que beneficiam apenas alguns em detrimento do bem-estar geral. Outro problema é a falta de capacidade e recursos dos actores locais. Muitas vezes, eles não possuem o conhecimento técnico necessário para participar efetivamente nas discussões e contribuir com propostas viáveis. Além disso, a falta de recursos financeiros e logísticos pode limitar sua participação, pois eles não têm acesso aos meios necessários para se envolver plenamente no processo. A corrupção também pode comprometer a influência dos actores locais. Em um contexto onde a corrupção é endêmica, é possível que alguns actores locais se envolvam em práticas corruptas, buscando obter benefícios pessoais em troca de influência na planificação participativa. Isso mina a credibilidade do processo e compromete os resultados alcançados. Com base neste manancial urge questionar o seguinte: Como é que os actores locais influenciam no processo de planificação participativa em Moçambique Justificativa Esta temática suscitou interesse uma vez que estudar os actores locais no processo de planejamento participativo é fundamentalpor diversas razões: Representatividade e inclusão: O envolvimento dos actores locais no processo de planejamento participativo garante que todas as vozes sejam ouvidas e consideradas. Isso promove a representatividade e a inclusão de diferentes grupos e comunidades na tomada de decisões, evitando a exclusão de pessoas marginalizadas ou desfavorecidas. Conhecimento local: Os actores locais possuem um conhecimento profundo da área em questão, incluindo suas características geográficas, culturais, sociais e econômicas. Ao envolvê-los no processo de planejamento, é possível aproveitar esse conhecimento para identificar desafios específicos, oportunidades e soluções adequadas à realidade local Em fim, é importante estudar os actores locais no processo de planejamento participativo é crucial para garantir a participação significativa e inclusiva de todas as partes interessadas, aproveitar o conhecimento local, aumentar a legitimidade das decisões, fortalecer parcerias e promover o empoderamento das comunidades. Essas são bases sólidas para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida local. Objectivos Objectivos geral: analisar a influência dos actores locais no processo de planificação participativa de forma a melhorar na prestação de serviços da Administração Pública Objectivos específicos: identificar os sistemas adoptados em Moçambique para a planificação participativa, descrever os tipos de planificação participativa em Moçambique, e compreender a influencia dos actores locais no processo de planificação participativa em Moçambique 2. Fundamentação teórica Processo de planificação participativa A planificação participativa é uma abordagem que visa envolver ativamente as pessoas afectadas por um plano ou projeto no processo de tomada de decisão. Ela reconhece que as decisões não devem ser impostas de cima para baixo, mas sim ser o resultado de uma colaboração e diálogo entre diferentes partes interessadas (Calderon, 2010). No mundo actual, a planificação participativa tem ganhado cada vez mais importância em diversos contextos. Ela é aplicada em níveis local, regional e até nacional, abrangendo uma ampla gama de setores, como o desenvolvimento urbano, o planejamento ambiental, a saúde pública, a educação e muitos outros (Paulo, 2017). Uma das principais razões para a crescente adoção da planificação participativa é o reconhecimento de que as decisões tomadas de forma exclusiva por especialistas ou autoridades governamentais podem não levar em consideração as necessidades, desejos e conhecimentos das pessoas afectadas. A planificação participativa busca superar essa lacuna, promovendo a inclusão e a participação ativa de todas as partes interessadas (Pinto, 1982). Existem várias abordagens e técnicas que podem ser utilizadas na planificação participativa, dependendo do contexto e dos objetivos específicos. Algumas dessas abordagens incluem a realização de consultas públicas, a criação de fóruns de discussão, a formação de comitês ou grupos de trabalho compostos por diferentes partes interessadas, a realização de oficinas e o uso de ferramentas de coleta de dados participativas, como mapeamento comunitário e pesquisa participativa (Paulo, 2017). Segundo Silva (2014), a planificação participativa traz uma série de benefícios. Em primeiro lugar, ela promove a transparência e a prestação de contas, uma vez que todas as partes interessadas têm a oportunidade de participar do processo decisório. Além disso, ela ajuda a construir consenso e a promover a construção de relações de confiança entre os diferentes actores envolvidos. Ao incorporar diferentes perspectivas e conhecimentos, a planificação participativa também pode levar a soluções mais inovadoras e sustentáveis. No entanto, é importante reconhecer que a implementação da planificação participativa nem sempre é fácil. Requer tempo, recursos e esforços significativos para garantir que todas as partes interessadas sejam adequadamente envolvidas e que suas contribuições sejam valorizadas. Além disso, é necessário garantir que haja representatividade e inclusão, evitando que grupos marginalizados ou menos privilegiados sejam excluídos do processo (Pitelli, 2012). Apesar dos desafios, a planificação participativa continua a ganhar reconhecimento e apoio em todo o mundo. Ela fortalece a democracia participativa, empodera as comunidades e permite que as decisões reflitam melhor as necessidades e aspirações das pessoas. Ao promover a colaboração e a co-criação, a planificação participativa contribui para o desenvolvimento de soluções mais justas, equitativas e sustentáveis para os desafios enfrentados pela sociedade (Paulo, 2017) Tipos de planificação participativa De acordo com Olso (1998), a planificação participativa é um processo que envolve a participação ativa de várias partes interessadas no desenvolvimento de planos, programas ou projetos. Ela busca garantir que as decisões tomadas sejam inclusivas, transparentes e representem as necessidades e perspectivas de todos os envolvidos. Existem diferentes tipos de planificação participativa, cada um com suas abordagens e características distintas. Ainda para Olso (1998), mostra os cinco tipos de planificação participativa: 1. Oficinas participativas: As oficinas participativas são sessões de trabalho colaborativas nas quais diferentes partes interessadas se reúnem para discutir e contribuir para o processo de planificação. Essas oficinas geralmente envolvem atividades práticas, como exercícios em grupo, debates e trabalhos em equipe, com o objetivo de promover a participação activa de todos os participantes. 2. Grupos focais: Os grupos focais são reuniões estruturadas com um pequeno grupo de pessoas selecionadas de forma representativa para discutir e compartilhar seus pontos de vista sobre um determinado assunto. Esses grupos são conduzidos por um moderador que facilita a discussão e estimula a participação de todos os membros. 3. Entrevistas individuais: As entrevistas individuais são realizadas com pessoas-chave ou representantes de grupos específicos para coletar informações e opiniões sobre um tema específico. Essas entrevistas podem ser estruturadas, com um conjunto de perguntas pré-definidas, ou não estruturadas, permitindo uma discussão mais aberta. 4. Consultas públicas: As consultas públicas são uma forma de obter feedback e contribuições do público em geral. Elas podem ser conduzidas por meio de reuniões públicas, questionários online, enquetes, fóruns de discussão ou outras plataformas de participação digital. O objetivo é envolver o maior número possível de pessoas e garantir que diferentes perspectivas sejam consideradas. 5. Parcerias e colaborações: A planificação participativa também pode envolver a formação de parcerias e colaborações entre diferentes partes interessadas, como organizações da sociedade civil, setor privado, governo local e comunidades locais. Essas parcerias visam compartilhar conhecimentos, recursos e responsabilidades para desenvolver planos comuns e promover o engajamento coletivo. É importante ressaltar que a escolha do tipo de planificação participativa depende do contexto, dos objectivos e das partes interessadas envolvidas. Um processo participativo eficaz deve ser adaptado às necessidades e características específicas de cada situação, garantindo a representatividade e a inclusão de todos os envolvidos. Importância da planificação participativa A planificação participativa é um processo fundamental para o desenvolvimento de projetos, políticas e ações eficazes em qualquer área de atuação. Ela se baseia no envolvimento ativo e significativo de todas as partes interessadas, desde o planejamento inicial até a implementação e avaliação. Nesse processo, os participantes têm a oportunidade de contribuir com suas ideias, conhecimentos e experiências, garantindo que as decisões tomadas sejam mais representativas, realistas e sustentáveis (Jhon, 2013). Ainda para Jhon (2013), a importância da planificação participativa pode ser observada em diversoscontextos, como o desenvolvimento comunitário, a gestão de organizações, a formulação de políticas públicas, entre outros. Alguns dos benefícios desse processo incluem: 1. Empoderamento das partes interessadas: A planificação participativa permite que as pessoas envolvidas se sintam parte integrante do processo de tomada de decisão. Elas têm a oportunidade de expressar suas opiniões, necessidades e aspirações, o que contribui para fortalecer sua autoestima, confiança e senso de pertencimento. 2. Melhoria da qualidade das decisões: Ao incluir uma diversidade de perspectivas e conhecimentos, a planificação participativa enriquece a tomada de decisões. Ela promove a busca por soluções criativas, inovadoras e adaptadas às necessidades reais das partes interessadas, resultando em decisões mais informadas e sustentáveis. 3. Maior comprometimento e apoio: Quando as pessoas têm a oportunidade de participar ativamente do processo de planificação, elas têm maior probabilidade de se comprometerem com as decisões tomadas e de apoiarem sua implementação. Isso ocorre porque elas se sentem parte responsável das ações definidas, aumentando a motivação e a colaboração. 4. Fortalecimento da transparência e da accountability: A planificação participativa promove a transparência, uma vez que todas as partes interessadas têm acesso às informações relevantes e podem acompanhar o processo de tomada de decisão. Além disso, ela favorece a accountability, uma vez que as decisões são mais facilmente compreendidas e justificadas, reduzindo a possibilidade de conflitos e desconfianças. 5. Aumento da sustentabilidade: Ao incorporar as perspectivas sociais, econômicas e ambientais das partes interessadas, a planificação participativa contribui para a construção de soluções mais sustentáveis. Ela considera a diversidade de interesses e necessidades, buscando equilíbrio entre eles e evitando impactos negativos não intencionais. Actores locais no processo de planificação participativa No processo de planificação participativa, os actores locais desempenham um papel fundamental. Esses actores são indivíduos e grupos que têm interesse direto ou são afectados pelo plano de desenvolvimento local e desempenham um papel activo na sua formulação, implementação e monitoramento (Calderon, 2010). Aqui estão alguns exemplos de actores locais que podem estar envolvidos no processo de planificação participativa: 1. Comunidade local: Os membros da comunidade são os principais actores locais. Eles têm conhecimento íntimo das necessidades, desafios e oportunidades locais. Sua participação é essencial para identificar problemas, definir prioridades e propor soluções adequadas. 2. Organizações da sociedade civil: Organizações não governamentais (ONGs), grupos comunitários, associações locais e outras entidades da sociedade civil desempenham um papel crucial na representação dos interesses da comunidade e na capacitação dos membros locais. Elas podem mobilizar recursos e fornecer expertise técnica para apoiar o processo de planificação participativa (Mazula, 2012). 3. Autoridades locais: Os representantes do governo local, como prefeitos, vereadores e funcionários municipais, têm responsabilidade política e administrativa na planificação e implementação de políticas e projetos locais. Sua participação é necessária para garantir a coordenação com outros níveis de governo e a alocação de recursos adequados (Canhanga, 2009). 4. Setor privado: Empresas locais, empresários e associações empresariais podem contribuir com recursos financeiros, conhecimento técnico e experiência em desenvolvimento econômico local. Sua participação é importante para garantir a viabilidade econômica dos planos e a criação de oportunidades de emprego e investimento local. 5. Academia e especialistas: Instituições acadêmicas, pesquisadores e especialistas técnicos podem fornecer conhecimentos e análises especializadas para embasar o processo de planificação participativa. Eles podem realizar estudos de viabilidade, avaliações de impacto e fornecer recomendações baseadas em evidências (Cistac, 2010). 3. METODOLOGIA Metodologias é o processo sistemático que deverá ser utilizado para encontrar o resultado desejado levando em consideração o objeto de pesquisa do investigador (Gil, 2008). Quanto ao tipo de pesquisa de acordo com Trujillo, (2012) a pesquisa quanto a natureza é distribuida entre pesquisa basica ou pura e pesquisa aplicada. Portanto, para a presente pesquisa quanto a natureza foi do tipo básica, na pesquisa pura ou básica, o pesquisador tem como meta o saber buscando satisfazer uma necessidade intelectual pelo conhecimento. Quanto aos objectivos, apresentou uma pesquisa de caracter exploratória e descritiva. A primeira consistira em conhecer o assunto, estando apto, ao final da pesquisa. Como todas as pesquisas, esta também necessita de uma pesquisa bibliográfica, pois se torna impossível começar uma pesquisa sem nenhuma fonte ou análise para que se estimule a compreensão do tema exposto (Lakatos e Marconi, 2003), a pesquisa exploratória realiza descrições precisas da situação e quer descobrir as relações existentes entre os elementos componentes da mesma. Já a descritiva, analisa e relaciona os problemas a serem investigados, sem a interferência do pesquisador. Buscando conhecer os factos que levaram ao problema, e as influências provocadas pelo mesmo, podendo afectar a política, economia e sociedade Para realização do trabalho, utilizou-se uma pesquisa bibliográfica. Através de referências bibliográficas foi possível realizar a pesquisa diante de outras pesquisas já elaboradas, ou seja, são realizadas por meio de fontes primárias ou secundárias. Tendo como objectivo recolher informações e adquirir conhecimento do assunto a ser pesquisado. Assim tentar consolidar o problema com a busca da resposta que só foi fornecida através dos conhecimentos fornecidos por livros, artigos, documentos entre outras fontes de pesquisas bibliográficas. A pesquisa bibliográfica tem como finalidade fundamental conduzir o leitor a determinado assunto e proporcionar a produção, coleção, armazenamento, reprodução, utilização e comunicação das informações coletadas para o desempenho da pesquisa (Koche, 2009). Também foi utilizada a pesquisa documental, pois foram utilizadas informações sobre as importações realizadas pelo estado, ou seja, são dados fornecidos por órgãos governamentais. Lakatos, (2018) propõem que “a pesquisa documental corresponde a toda a informação oral, escrita ou visualizada. Ela consiste na coleta, classificação, seleção difusa e utilização de toda espécie de informações, compreendendo também as técnicas e os métodos que facilitam a sua busca e sua identificação. 4. Apresentação e analise dos resultados Planificação participativa em Moçambique A planificação participativa é uma abordagem que visa envolver ativamente as comunidades locais e partes interessadas na definição de prioridades, tomada de decisões e implementação de programas e projetos de desenvolvimento. Em Moçambique, a planificação participativa tem sido adotada como uma estratégia importante para promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a governança democrática. Moçambique é um país diversificado, com uma variedade de grupos étnicos, culturas e realidades socioeconômicas. A planificação participativa em Moçambique busca garantir que as vozes das comunidades locais sejam ouvidas e consideradas nas políticas e programas de desenvolvimento. Envolve a criação de espaços de diálogo e consulta, nos quais as comunidades podem expressar suas necessidades, prioridades e preocupações (Calderon, 2010). Esses espaços podem incluir reuniões comunitárias, assembleias participativas, grupos de reflexão e outras formas de envolvimento da população. Uma abordagem participativa envolve não apenas a consulta, mas também a capacitação das comunidades locais para que possam participar efetivamente do processo de tomada de decisões. Isso inclui fornecer informações relevantes, construir habilidades de liderançae negociação, e promover a conscientização sobre direitos e responsabilidades (Canhanga, 2009). A planificação participativa em Moçambique tem sido implementada em várias áreas, como desenvolvimento rural, saúde, educação, infraestrutura e gestão de recursos naturais. Por exemplo, no setor agrícola, os agricultores são incentivados a participar na identificação de técnicas agrícolas adequadas, seleção de culturas e planejamento de projetos de irrigação. Na área da saúde, as comunidades são envolvidas na identificação de problemas de saúde locais, no planejamento de serviços de saúde e na mobilização de recursos. Os benefícios da planificação participativa em Moçambique são diversos. Ela promove a inclusão social, fortalece a responsabilidade mútua entre as comunidades e o governo, e melhora a qualidade e a sustentabilidade dos programas e projetos de desenvolvimento. Além disso, a planificação participativa fortalece a capacidade das comunidades locais de enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de desenvolvimento (Calderon, 2010). No entanto, existem desafios a serem enfrentados na implementação da planificação participativa em Moçambique. A falta de recursos financeiros e técnicos adequados, a desigualdade de gênero, a falta de capacidade institucional e a dependência excessiva de doadores externos são alguns dos obstáculos a serem superados. Os sistemas adotados em Moçambique na planificação participativa Ministério da Administração Estatal e Função Publica & Ministério da Economia e Finanças (2015), referem que o papel dos actores locais na implementação da planificação participativa consiste em: envolvem-se na elaboração dos planos para garantir a inclusão de projectos e acções definidos no Plano Quinquenal do Governo, analisar e aprovar o Plano Economico Social do Orçamento Distrital, monitorar a implementação dos projectos locais na organização, assegurar a prestação de contas por parte dos dirigentes da organização; Segundo o Ministério da Administração Estatal e Função Publica & Ministério da Economia e Finanças “existem três tipos de planificação participativa nomeadamente: a planificação estratégica que e o plano económico do desenvolvimento distrital, como resultado do consenso entre comunidades, governo distrital e sector privado; o ciclo anual de planificação que e o plano económico e social e orçamento do distrito, que apresenta a planificação e execução de todas as actividades distritais e provinciais que beneficiam os distritos que integram no plano de desenvolvimento distrital: e o dialogo da sociedade civil, permite a sua participação na melhoria da governação do distrito através do seu conhecimento dos problemas e possíveis soluções (p.52). Tem-se defendido que a monitoria e avaliação participativa e elemento crucial na planificação participativa em Moçambique, segundo o Ministério da Administração Estatal e Função Publica & Ministério da Economia e Finanças (2015), essa actividade não deve ser efetuada apenas por um interessado, mas sim por todos actores locais, que de alguma forma tiveram qualquer tipo de interesse no plano, poderão participar na monitoria e avaliação. Isto é, inclui a todos interessados, falamos da monitoria participativa. Koche (2009), considera que a participação social como e um direito do cidadão e expressão de sua autonomia, pois foi consolidada a democracia através da participação como um método do inclusivo adoptado pelo governo, pois consiste na promoção de mecanismos de mobilização da sociedade civil para a participação dos cidadãos em reuniões e discussões sobre assuntos públicos. Assim, os actores locais influenciam suas preferências na planificação em Moçambique, como prioridade do plano anual fazendo coincidir com os interesses das autoridades que organiza o processo de tomada de decisão final sobre as preferências dos indivíduos na medida em que conseguem incluir as necessidades coletivas da organização na tomada de decisão final, contribuindo para a consolidação da descentralização e desenvolvimento local expressando a vontade dos beneficiários. Logo, no posicionamento do autor deste trabalho, os actores locais, influenciam na planificação participativa na medida em que a nível local os intervenientes reúnem para identificar as necessidades e definição das prioridades com vista a elaboração do plano que satisfaça as necessidades colectivas. Apresentam opiniões para o equilíbrio da relação entre a vontade política dos governantes e o interesse público, através da participação popular na formação, execução, monitoria e avaliação de programas e políticas publicas traçadas pelo governo através da inclusão social. De um modo geral, tanto o papel dos actores locais na implementação da planificação participativa assim como a monitoria e avaliação da planificação participativa, são indispensáveis na medida em que constituem vantagens para a compressão colectiva do que realmente está a acontecer, o fortalecimento da transparência ao controle social nas acções públicas dos benefícios para os destinatários, a apropriação colectiva do plano em implementação permitindo a tomada de decisões e evitando a deturpação e manipulação da informação (Calderon, 2010) Tipos de planificação participativa em Moçambique Segundo Mazula (2012), em Moçambique, a planificação participativa é uma abordagem amplamente utilizada para promover o envolvimento ativo da comunidade na definição de prioridades, identificação de necessidades e tomada de decisões em relação ao desenvolvimento local. Existem diferentes tipos de planificação participativa que são implementados no país. Vou mencionar alguns dos principais: 1. Planos de Desenvolvimento Comunitário (PDC): Os Planos de Desenvolvimento Comunitário são elaborados a nível local, envolvendo a participação ativa das comunidades, líderes comunitários e outros actores relevantes. Eles têm como objetivo identificar as necessidades e prioridades das comunidades, definir estratégias de desenvolvimento e estabelecer metas e ações concretas para melhorar as condições de vida local. 2. Orçamento Participativo (OP): O Orçamento Participativo é uma modalidade de planificação participativa que envolve a participação dos cidadãos na definição das prioridades de investimento público. Através de reuniões e consultas públicas, os cidadãos têm a oportunidade de propor projetos e decidir como uma parte do orçamento público deve ser alocada para atender às necessidades da comunidade. 3. Planificação Participativa a nível sectorial: Além dos processos de planificação participativa a nível comunitário, também existem esforços para envolver os actores locais em setores específicos, como saúde, educação, agricultura, infraestrutura, entre outros. Esses processos permitem que as partes interessadas relevantes, como representantes do governo, organizações da sociedade civil e do setor privado, contribuam para a definição de políticas, estratégias e programas nessas áreas. 4. Planos de Desenvolvimento Provincial (PDP): Os Planos de Desenvolvimento Provincial são elaborados pelas autoridades provinciais em consulta com os diversos actores locais, incluindo representantes das comunidades, organizações da sociedade civil e setor privado. Esses planos visam orientar o desenvolvimento econômico e social das províncias, identificando as prioridades e estratégias de intervenção para impulsionar o crescimento sustentável e melhorar as condições de vida da população local. 5. Planos de Desenvolvimento Estratégico (PDE): Os Planos de Desenvolvimento Estratégico são elaborados pelo governo central em colaboração com os actores locais, incluindo comunidades, organizações da sociedade civil e setor privado. Esses planos abrangem um horizonte de médio a longo prazo e definem as políticas, metas e estratégias para orientar o desenvolvimento do país como um todo, levando em consideração as necessidades e aspirações das diferentes regiões e grupos populacionais. Esses são apenas alguns exemplos dos tipos de planificação participativa que são implementadosem Moçambique. Cada um desses processos visa promover a participação ativa das comunidades e outros actores locais Influência dos actores locais no processo de planificação participativa em Moçambique Os actores locais desempenham um papel fundamental no processo de planificação participativa em Moçambique. A planificação participativa é um processo que envolve a participação ativa das comunidades locais na identificação de necessidades, estabelecimento de prioridades e definição de estratégias para o desenvolvimento local (Mazula, 2012). Os actores locais incluem uma ampla gama de grupos e indivíduos que são diretamente afectados pelas decisões de desenvolvimento em suas comunidades. Isso pode incluir líderes comunitários, representantes de organizações da sociedade civil, agricultores, mulheres, jovens, pessoas com deficiência e outros grupos marginalizados. De acordo com Weimer (2012), a presença e a participação ativa dos actores locais no processo de planificação participativa têm várias influências positivas: 1. Empoderamento das comunidades: A participação dos actores locais permite que as comunidades expressem suas necessidades, compartilhem conhecimentos e experiências, e assumam um papel ativo na definição das prioridades de desenvolvimento. Isso promove um senso de propriedade e responsabilidade, capacitando as comunidades a buscar soluções sustentáveis para seus próprios desafios. 2. Conhecimento local: Os actores locais possuem um conhecimento profundo das realidades locais, incluindo questões sociais, econômicas, ambientais e culturais. Ao incluí-los no processo de planificação, esse conhecimento valioso é levado em consideração, resultando em estratégias de desenvolvimento mais relevantes e eficazes. 3. Legitimidade e representatividade: Os actores locais representam os interesses e preocupações das comunidades em que estão inseridos. Sua participação no processo de planificação garante que as decisões tomadas sejam legítimas e representativas, evitando assim a imposição de soluções externas que podem não atender às necessidades reais das comunidades. 4. Colaboração e parceria: A participação dos actores locais promove a colaboração entre diferentes partes interessadas, incluindo governos locais, organizações da sociedade civil e agências de desenvolvimento. Essa colaboração é essencial para o sucesso da planificação participativa, pois permite a combinação de recursos, conhecimentos e experiências para enfrentar desafios complexos de desenvolvimento. No entanto, é importante reconhecer que a influência dos actores locais pode ser limitada por vários desafios, como a falta de capacidade e recursos, desigualdades de poder e acesso à informação. Portanto, é essencial promover um ambiente inclusivo e participativo, garantindo que todos os actores locais tenham a oportunidade de se envolver plenamente no processo de planificação participativa. 5. Discussão dos resultados Segundo Canhanga (2009), com relação aos actores locais na planificação participativa, em Portugal, a planificação participativa tem sido promovida como uma forma de envolver os cidadãos na tomada de decisões que afectam suas vidas. Existem várias iniciativas e programas que visam incentivar a participação ativa dos actores locais, como conselhos municipais, fóruns comunitários e orçamentos participativos. Essas iniciativas têm contribuído para fortalecer os laços entre as comunidades e as autoridades locais, permitindo que os actores locais expressem suas opiniões e influenciem as políticas e projetos que os afectam diretamente. Já para Jhon (2013), tem uma outra abordagem direcionada a Angola, onde diz que em Angola, a planificação participativa também tem sido adotada como uma abordagem para envolver os actores locais no processo de desenvolvimento. Com a descentralização do poder político e administrativo, foram criados os governos provinciais e municipais, com o objetivo de aproximar as decisões do nível central do governo das comunidades locais. No entanto, apesar dos esforços nesse sentido, a participação efetiva dos actores locais ainda enfrenta desafios significativos, como limitações de capacidade, falta de recursos e uma cultura política que nem sempre valoriza a voz da comunidade (Alvarez, 2014). Para Olso (1998), Cabo Verde também tem adotado a planificação participativa como uma abordagem para o desenvolvimento local. O país tem promovido a descentralização e a participação cidadã em várias áreas, como educação, saúde e desenvolvimento urbano. Através de conselhos municipais e outras estruturas participativas, os actores locais têm tido a oportunidade de contribuir ativamente para a definição de prioridades e a implementação de programas e projetos locais. Essa abordagem tem sido valorizada como uma forma de fortalecer a democracia e aumentar a efetividade das políticas públicas. Na África do Sul, a planificação participativa desempenhou um papel fundamental na transição do regime do apartheid para a democracia. Após o fim do apartheid, o país adotou uma abordagem de governança participativa que visava envolver os actores locais, especialmente as comunidades marginalizadas, no processo de tomada de decisões (Alvarez, 2014). Através de mecanismos como conselhos de desenvolvimento comunitário, fóruns de diálogo e parcerias público-privadas, os actores locais têm sido ativos na formulação e implementação de políticas de desenvolvimento local. Essa abordagem tem sido considerada uma forma de fortalecer a inclusão (Gianesi, 2006) 6. Conclusões e sugestões Conclusão Dado o termino da pesquisa que aborda sobre a influencia dos actores locais na planificação participativa, o estudo com base nos objectivos conclui o seguinte: Em Moçambique, a planificação participativa tem sido adotada como uma estratégia importante para promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a governança democrática. Moçambique é um país diversificado, com uma variedade de grupos étnicos, culturas e realidades socioeconômicas. Com relação aos sistemas adoptados em Moçambique para a planificação participativa, segundo o Ministério da Administração Estatal e Função Publica & Ministério da Economia e Finanças “existem três tipos de sistemas de planificação participativa nomeadamente: a planificação estratégica que e o plano económico do desenvolvimento, como resultado do consenso entre comunidades, governo distrital e sector privado; o ciclo anual de planificação que e o plano económico, social e orçamento Em virtude aos tipos de planificação participativa em Moçambique, descrever os tipos de planificação participativa em Moçambique destacam-se o Planos de Desenvolvimento Comunitário (PDC), Orçamento Participativo (OP), Planificação Participativa a nível sectorial. ,Planos de Desenvolvimento Provincial (PD) e o Planos de Desenvolvimento Estratégico (PDE). E por ultimo sobre a influencia dos actores locais no processo de planificação participativa em Moçambique, de referir que os actores locais desempenham um papel fundamental no processo de planificação participativa em Moçambique. A planificação participativa é um processo que envolve a participação ativa das comunidades locais na identificação de necessidades, estabelecimento de prioridades e definição de estratégias para o desenvolvimento local Sugestões 1. Fortalecer a capacidade dos actores locais: É essencial investir em capacitação e treinamento dos actores locais para que possam entender plenamente os princípios e processos da planificação participativa. 2. Promover a inclusão e a representatividade: É fundamental garantir que os actores locais sejam representativos da diversidade da população local. Isso inclui representação equitativa de mulheres, jovens, grupos étnicos minoritários e pessoas com deficiência. Os esforços devem ser feitos para envolver ativamente esses grupos marginalizados, fornecendo-lhes oportunidades iguais de participação e garantindo que suas vozes sejam ouvidas e consideradas na planificação participativa. 3. Melhorar a comunicação e a transparência:A comunicação clara e transparente é crucial para envolver efetivamente os actores locais na planificação participativa. Deve haver um fluxo constante de informações sobre o processo de planificação, os objetivos, as atividades e os resultados esperados. 7. Referencias bibliográficas Alvarez, M. E. (2014). Administração da qualidade e da produtividade: abordagens do processo administrativo. São Paulo: Atlas. Calderon, A. I. (2010). Actores Locais no Processo de Planificação Participativa. Brasília. Canhanga, N. (2009). Os desafios da descentralização e a dinâmica da planificação participativa na configuração de agendas políticas locais. In: Brito, L. et al. (Eds.). Cidadania e Governação em Moçambique. 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