Prévia do material em texto
1 TEMA: OS IMPACTOS DA AUTOMAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO NACIONAL TEXTO 01 Fonte: http://www.jurassico.com.br/aulas-de-historia/segunda- revolucao-industrial/ TEXTO 02 Fonte: https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/cultura-do- cancelamento-causa-danos-ao-cancelado-ao-cancelador-afirmam- psicologas-24882814.html TEXTO 03 A tecnologia vai tomar nossos postos de trabalho? Aquela realidade hollywoodiana de um futuro em que os seres humanos são dominados por robôs não chegou. No entanto, a Inteligência Artificial (tecnologia capaz de simular o raciocínio humano) já está presente em nosso cotidiano. A IA está presente em pequenas ações do seu dia a dia. Aplicativos de rota, como Waze e Google Maps, utilizam dessa tecnologia. Até a própria pesquisa na internet utiliza da Inteligência Artificial para oferecer respostas que “combinam” com você. E essas tecnologias acabam afetando o mercado de trabalho. A indústria automotiva é um dos exemplos de mercado que demandam cada vez mais os robôs. De acordo com a Associação Brasileira de Automação, o avanço no setor saltou 8% entre os anos de 2017 e 2018. Outro ponto é a mudança no modo de se trabalhar, como nas áreas de engenharia, em que a computação e automação industrial ganham cada vez mais espaço nos processos de produção. Nesse caso, torna-se necessário engenheiros capacitados para organizarem esses processos e otimizarem o trabalho dos robôs. Uma vez que a tecnologia dá suporte em algumas atividades, o profissional poderá focar seus esforços em atividades que tenham maior valor agregado. Segundo estudo realizado pelo Laboratório do Futuro da COPPE/ UFRJ , 60% das pessoas empregadas no Brasil estão em ocupações que têm alto risco de automação (probabilidade de automação maior do que 70%) nas próximas décadas. Além do impacto da tecnologia sobre o emprego, estudiosos apontam que a tecnologia acaba afetando outros fatores, como o surgimento de novos tipos de trabalho que não imaginamos hoje em dia. Com a utilização de robôs nos processos, o número de cargos voltados para a manutenção das tecnologias tende a crescer. Por isso, cada vez mais, é importante se manter atualizado. E, a área de robótica pode abrir muitas oportunidades desse tipo. Fonte: https://folhadirigida.com.br/mais/noticias/especiais/entenda- como-a-automacao-afeta-o-mercado-de-trabalho SIMULADO ESPECIAL 02 2 TEXTO 04 Quase metade dos profissionais vê automação como ameaça para os empregos, aponta pesquisa O uso crescente da tecnologia e o impacto da automação sobre o mercado de trabalho são motivo de apreensão para 45% dos profissionais. É o que aponta uma pesquisa global da PwC e que contou com pouco mais de 2 mil entrevistados no Brasil - foram 22 mil pessoas em 11 países. Segundo o estudo, 53% dos entrevistados acreditam que a automação irá modificar significativamente ou tornar seu trabalho obsoleto nos próximos 10 anos - mesmo percentual identificado em nível global. Entre os profissionais brasileiros com escolaridade até o ensino médio, essa percepção chega a 67%. Os maiores temores incluem: tecnologia tornar o emprego redundante (50%) incerteza sobre o futuro (43%) medo de não possuir as habilidades exigidas no futuro (26%) preocupação de não ser capaz de aprender as habilidades necessárias (23%) Fonte: https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2020/06/08/quase-metade-dos-profissionais-ve-automacao-como- ameaca-para-os-empregos-aponta-pesquisa.ghtml ANOTAÇÕES 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS 1. (ENEM PPL 2015) O primeiro contato dos suruís com o homem branco foi em 1969. A população indígena foi dizimada por doenças e matanças, mas, recentemente, voltou a crescer. Soa contraditório, mas a mesma modernidade que quase dizimou os suruís nos tempos do primeiro contato promete salvar a cultura e preservar o território desse povo. Em 2007, o líder Almir Suruí, de 37 anos, fechou uma parceria inédita e levou a tecnologia às tribos. Os índios passaram a valorizar a história dos anciãos. E a resguardar, em vídeos e fotos on-line, as tradições da aldeia. Ainda se valeram de smartphones e GPS para delimitar suas terras e identificar os desmatamentos ilegais. RIBEIRO, A. Não temos o direito de ficar isolados. Época, n. 718, 20 fev. 2012 (adaptado). Considerando-se as características históricas da relação entre índios e não índios, a suposta contradição observada na relação entre suruís e recursos da modernidade justifica-se porque os índios a) aderiram à tecnologia atual como forma de assimilar a cultura do homem branco. b) fizeram uso do GPS para identificar áreas propícias a novas plantações. c) usaram recursos tecnológicos para registrar a cultura do seu povo. d) fecharam parceria para denunciar as vidas perdidas por doenças e matanças. e) resguardaram as tradições da aldeia à custa do isolamento provocado pela tecnologia moderna. 2. (ENEM 2020) DECRETO N. 28 314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007 Demite o Gerúndio do Distrito Federal e dá outras providências. O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: Art. 1º Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal. Art. 2º Fica proibido, a partir desta data, o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília Disponível em: www.dodf.gov.br. Acesso em: 11 dez. 2017. Esse decreto pauta-se na ideia de que o uso do gerúndio, como “desculpa de ineficiência”, indica a) conclusão de uma ação. b) realização de um evento. c) repetição de uma prática. d) continuidade de um processo. e) transferência de responsabilidade. 3. (ENEM 2ª APLICAÇÃO 2016) Anoitecer A Dolores É a hora em que o sino toca, mas aqui não há sinos; há somente buzinas, sirenes roucas, apitos aflitos, pungentes, trágicos, uivando escuro segredo; desta hora tenho medo. [...] É a hora do descanso, mas o descanso vem tarde, o corpo não pede sono, depois de tanto rodar; pede paz – morte – mergulho no poço mais ermo e quedo; desta hora tenho medo. Hora de delicadeza, agasalho, sombra, silêncio. Haverá disso no mundo? É antes a hora dos corvos, bicando em mim, meu passado, meu futuro, meu degredo; desta hora, sim, tenho medo. ANDRADE, C. D. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2005 (fragmento). 4 Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro A rosa do povo revela desdobramentos da visão poética. No fragmento, a expressividade lírica demonstra um(a) a) defesa da esperança como forma de superação das atrocidades da guerra. b) desejo de resistência às formas de opressão e medo produzidas pela guerra. c) olhar pessimista das instituições humanas e sociais submetidas ao conflito armado. d) exortação à solidariedade para a reconstrução dos espaços urbanos bombardeados. e) espírito de contestação capaz de subverter a condição de vítima dos povos afetados. 4. (ENEM 2020) TEXTO I É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol É peroba-do-campo, é o nó da madeira Caingá, candeia, é o matita-pereira TOM JOBIM. Águas de março. O Tom de Jobim e o tal de João Bosco (disco de bolso). Salvador: Zen Produtora, 1972 (fragmento). TEXTO II A inspiração súbita e certeira do compositor serve ainda de exemplo do lema antigo: nada vem do nada. Para ninguém, nem mesmo para Tom Jobim. Duas fontes são razoavelmente conhecidas. A primeira é o poema O caçador de esmeraldas, do mestre parnasiano Olavo Bilac: “Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada/ do outono, quando a terra em sede requeimada/bebera longamente as águasda estação [...]”. E a outra é um ponto de macumba, gravado com sucesso por J. B. Carvalho, do Conjunto Tupi: “É pau, é pedra, é seixo miúdo, roda a baiana por cima de tudo”. Combinar Olavo Bilac e macumba já seria bom; mas o que se vê em Águas de março vai muito além: tudo se transforma numa outra coisa e numa outra música, que recompõem o mundo para nós. NESTROVSKI, A. O samba mais bonito do mundo. In: Três canções de Tom Jobim. São Paulo: Cosac Naify, 2004. Ao situar a composição no panorama cultural brasileiro, o Texto II destaca o(a) a) diálogo que a letra da canção estabelece com diferentes tradições da cultura nacional. b) singularidade com que o compositor converte referências eruditas em populares. c) caráter inovador com que o compositor concebe o processo de criação artística. d) relativização que a letra da canção promove na concepção tradicional de originalidade. e) o resgate que a letra da canção promove de obras pouco conhecidas pelo público no país. 5. (ENEM 2019) Meu caro Sherlock Holmes, algo horrível aconteceu às três da manhã no Jardim Lauriston. Nosso homem que estava na vigia viu uma luz às duas da manhã saindo de uma casa vazia. Quando se aproximou, encontrou a porta aberta e, na sala da frente, o corpo de um cavalheiro bem vestido. Os cartões que estavam em seu bolso tinham o nome de Enoch J. Drebber, Cleveland, Ohio, EUA. Não houve assalto e nosso homem não conseguiu encontrar algo que indicasse como ele morreu. Não havia marcas de sangue, nem feridas nele. Não sabemos como ele entrou na casa vazia. Na verdade, todo assunto é um quebra-cabeça sem fim. Se puder vir até a casa seria ótimo, se não, eu lhe conto os detalhes e gostaria muito de saber sua opinião. Atenciosamente, Tobias Gregson. DOYLE, A. C. Um estudo em vermelho. Cotia: Pé de Letra, 2017. Considerando o objetivo da carta de Tobias Gregson, a sequência de enunciados negativos presente nesse texto tem a função de a) restringir a investigação, deixando-a sob a responsabilidade do autor da carta. b) refutar possíveis causas da morte do cavalheiro, auxiliando na investigação. c) identificar o local da cena do crime, localizando-o no Jardim Lauriston. d) introduzir o destinatário da carta, caracterizando sua personalidade. e) apresentar o vigia, incluindo-o entre os suspeitos do assassinato. 6. (ENEM PPL 2016) Naquele tempo eu morava no Calango-Frito e não acreditava em feiticeiros. E o contrassenso mais avultava, porque, já então, – e excluída quanta coisa-e-sousa de nós todos lá, e outras cismas corriqueiras tais: sal derramado; padre viajando com a gente no trem; não falar em raio: quando muito, e se o tempo está bom, “faísca”; nem dizer lepra; só o “mal”; passo de entrada com o 5 pé esquerdo; ave do pescoço pelado; risada renga de suindara; cachorro, bode e galo, pretos; [...] – porque, já então, como ia dizendo, eu poderia confessar, num recenseio aproximado: doze tabus de não uso próprio; oito regrinhas ortodoxas preventivas; vinte péssimos presságios; dezesseis casos de batida obrigatória na madeira; dez outros exigindo a figa digital napolitana, mas da legítima, ocultando bem a cabeça do polegar; e cinco ou seis indicações de ritual mais complicado; total: setenta e dois – noves fora, nada. ROSA, J. G. São Marcos. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967 (adaptado). João Guimarães Rosa, nesse fragmento de conto, resgata a cultura popular ao registrar a) trechos de cantigas. b) rituais de mandingas. c) citações de preceitos. d) cerimônias religiosas. e) exemplos de superstições. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir. Vem um Sapateiro com seu avental e carregado de formas, chega ao 1batel infernal, e diz: Hou da barca! Diabo – Quem vem aí? Santo sapateiro honrado, como vens tão carregado? Sapateiro – Mandaram-me vir assi... Mas para onde é a viagem? Diabo – Para a terra dos danados. Sapateiro – E os que morrem confessados onde têm sua passagem? Diabo – Não cures de mais linguagem! que esta é tua barca, esta! Sapateiro – Renegaria eu da festa e da barca e da barcagem! Como poderá isso ser, confessado e comungado? Diabo – Tu morreste excomungado, não no quiseste dizer. Esperavas de viver; calaste dez mil enganos, tu roubaste bem trinta anos o povo com teu mister. Embarca, pobre de ti, que há já muito que te espero! Sapateiro – Pois digo-te que não quero! Diabo – Que te pese, hás de ir, si, si! (Gil Vicente. Auto da Barca do Inferno. Adaptado.) 1batel: pequena embarcação. 7. (FAMEMA 2020) Na situação apresentada, o sapateiro a) espanta-se com a ideia de ir para o inferno, mas o diabo admite que não pode levá-lo por ter sido um homem cristão em vida. b) opõe-se à ideia de ir para o inferno, alegando que fora religioso em vida, mas o diabo o relembra dos pecados cometidos. c) mostra entusiasmo por seguir na embarcação do diabo e reconhece que, mesmo tendo sido religioso, acha justa a punição. d) sujeita-se à ordem do diabo e toma lugar em sua embarcação, com a esperança de que sua disposição para o trabalho ainda possa salvá-lo. e) confronta o diabo, considerando que este possa se intimidar ao descobrir que fora um homem religioso em vida. 8. (ENEM 2015) Na exposição “A Artista Está Presente”, no MoMA, em Nova Iorque, a performer Marina Abramovic fez uma retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou uma performance marcante. Em 2010, de 14 de março a 31 de maio, seis dias por semana, num total de 736 horas, ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras. Ao redor, o público assistia a essas cenas recorrentes. ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013. O texto apresenta uma obra da artista Marina Abramovic, cuja performance se alinha a tendências contemporâneas e se caracteriza pela a) inovação de uma proposta de arte relacional que adentra um museu. b) abordagem educacional estabelecida na relação da artista com o público. 6 c) redistribuição do espaço do museu, que integra diversas linguagens artísticas. d) negociação colaborativa de sentidos entre a artista e a pessoa com quem interage. e) aproximação entre artista e público, o que rompe com a elitização dessa forma de arte. 9. (ESPM 2019) (...) Pergunto-me se eu deveria caminhar à frente do tempo e esboçar logo um final. Acontece porém que eu mesmo ainda não sei bem como esse isto terminará. E também porque entendo que devo caminhar passo a passo de acordo com um prazo determinado por horas: até um bicho lida com o tempo. E esta também é minha mais primeira condição: a de caminhar paulatinamente apesar da impaciência que tenho em relação a essa moça. (Clarice Lispector, A Hora da Estrela) O comentário acima, sobre a história de Macabéa, pertence ao narrador Rodrigo S.M. Assinale a afirmação correta. O narrador: a) relata seu problema em lidar com a temporalidade da narrativa, daí a intensidade com que anseia iniciar a história da moça. b) identifica-se com um bicho e sugere acompanhar voluntariamente a personagem. c) afirma acompanhar temporariamente a personagem Macabéa, embora não demonstre nenhuma empatia com ela. d) usa as expressões “caminhar passo a passo” e “caminhar paulatinamente” com valores de antonímia. e) não vê obrigação em contar a história da personagem, sobretudo por haver estranheza entre ambos. 10. (EBMSP 2016) A análise dos aspectos verbais e não verbais da capa da revista em destaque permite inferir que o enunciador a) valida a importância das novas tecnologias no cotidiano médico, alicerçadas pelo conhecimento científico, na busca da qualidade de vida. b) critica a substituição dos graduados emMedicina por aplicativos que, embora façam diagnósticos e monitorem certas doenças, não têm a mesma autonomia que eles. c) ressignifica a função dos profissionais de saúde diante do desenvolvimento científico e tecnológico na consolidação do bem-estar social. d) informa sobre a popularização de softwares ou sistemas operacionais que se tornam essenciais para o melhor e mais seguro acompanhamento de pacientes por seus respectivos médicos. e) apresenta uma solução para os que têm acesso restrito a especialistas da área médica, a diagnósticos e monitoramentos, facilitando e potencializando o cuidado com a saúde da coletividade. 11. (ENEM PPL 2019) Alegria, alegria Que maravilhoso país o nosso, onde se pode contratar quarenta músicos para tocar um uníssono. (Mile Davis, durante uma gravação) antes havia orlando silva & flauta, e até mesmo no meio do meio-dia. antes havia os prados e os bosques na gravura dos meus olhos. antes de ontem o céu estava muito azul e eu & ela passamos por baixo desse céu. ao mesmo tempo, com medo dos cachorros e sem muita pressa de chegar do lado de lá. do lado de cá não resta quase ninguém. apenas os sapatos polidos refletem os automóveis que, por sua vez, polidos, refletem os sapatos... VELOSO, C. Seleção de textos. São Paulo: Abril Educação, 1981. Quanto ao seu aspecto formal, a escrita do texto de Caetano Veloso apresenta um(a) a) escolha lexical permeada por estrangeirismos e neologismos. b) regra típica da escrita contemporânea comum em textos da internet. c) padrão inusitado, com um registro próprio, decorrente da criação poética. d) nova sintaxe, identificada por uma reorganização da articulação entre as frases. e) emprego inadequado da norma-padrão, gerador de incompreensão comunicativa. 7 12. (ENEM PPL 2019) As alegres meninas que passam na rua, com suas pastas escolares, às vezes com seus namorados. As alegres meninas que estão sempre rindo, comentando o besouro que entrou na classe e pousou no vestido da professora; essas meninas; essas coisas sem importância. O uniforme as despersonaliza, mas o riso de cada uma as diferencia. Riem alto, riem musical, riem desafinado, riem sem motivo; riem. Hoje de manhã estavam sérias, era como se nunca mais voltassem a rir e falar coisas sem importância. Faltava uma delas. O jornal dera notícia do crime. O corpo da menina encontrado naquelas condições, em lugar ermo. A selvageria de um tempo que não deixa mais rir. As alegres meninas, agora sérias, tornaram- se adultas de uma hora para outra; essas mulheres. ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. No texto, há recorrência do emprego do artigo “as” e do pronome “essas”. No último parágrafo, esse recurso linguístico contribui para a) intensificar a ideia do súbito amadurecimento. b) indicar a falta de identidade típica da adolescência. c) organizar a sequência temporal dos fatos narrados. d) complementar a descrição do acontecimento trágico. e) expressar a banalidade dos assuntos tratados na escola. 13. (ENEM 2012) As palavras e as expressões são mediadoras dos sentidos produzidos nos textos. Na fala de Hagar, a expressão “é como se” ajuda a conduzir o conteúdo enunciado para o campo da a) conformidade, pois as condições meteorológicas evidenciam um acontecimento ruim. b) reflexibilidade, pois o personagem se refere aos tubarões usando um pronome reflexivo. c) condicionalidade, pois a atenção dos personagens é a condição necessária para a sua sobrevivência. d) possibilidade, pois a proximidade dos tubarões leva à suposição do perigo iminente para os homens. e) impessoalidade, pois o personagem usa a terceira pessoa para expressar o distanciamento dos fatos. 14. (ENEM 2ª APLICAÇÃO 2014) “Um programa de inclusão digital com foco na redução de preços favorece mais a indústria do que os usuários. Dizer que preços baixos podem ajudar na resolução do problema é como afirmar que um indivíduo estará alfabetizado quando ganhar uma caneta. Será que uma questão tão abrangente pode ser resolvida com micros mais baratos?” No Brasil há cinco meses, onde trabalha como professor visitante da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Roberto Aparici defende a inclusão com foco na alfabetização digital – só assim, as pessoas saberão como tirar o melhor proveito da tecnologia. “A informática, por si só, não transforma vidas. É necessário que as pessoas vejam a internet como uma ferramenta que melhore seu trabalho, sua vida pessoal. Para isso, elas precisam ser ensinadas com uma metodologia que inclua processos mais complexos do que o uso do teclado e do mouse”, diz. CARPANEZ, J. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 2 dez. 2012 (fragmento). A leitura do texto evidencia que, para convencer o leitor a respeito das ideias apresentadas sobre a inclusão digital, o autor a) aborda uma temática que constitui interesse da população economicamente favorecida. b) orienta sobre a utilização dos recursos oferecidos nos programas de computadores. c) informa sobre a recente redução de preços de computadores no Brasil. d) apoia-se no posicionamento de um pesquisador renomado na área. e) defende que as pessoas devem saber usar o teclado e o mouse. 15. (ENEM PPL 2015) TEXTO I Voluntário Rosa tecia redes, e os produtos de sua pequena indústria gozavam de boa fama nos arredores. A reputação da tapuia crescera com a feitura de uma maqueira de tucum ornamentada com a coroa 8 brasileira, obra de ingênuo gosto, que lhe valera a admiração de toda a comarca e provocara a inveja da célebre Ana Raimunda, de Óbidos, a qual chegara a formar uma fortunazinha com aquela especialidade, quando a indústria norte-americana reduzira à inatividade os teares rotineiros do Amazonas. SOUSA, I. Contos amazônicos. São Paulo: Martins Fontes, 2004. TEXTO II Relato de um certo oriente Emilie, ao contrário de meu pai, de Dorner e dos nossos vizinhos, não tinha vivido no interior do Amazonas. Ela, como eu, jamais atravessara o rio. Manaus era o seu mundo visível. O outro latejava na sua memória. Imantada por uma voz melodiosa, quase encantada, Emilie maravilha-se com a descrição da trepadeira que espanta a inveja, das folhas malhadas de um tajá que reproduz a fortuna de um homem, das receitas de curandeiros que veem em certas ervas da floresta o enigma das doenças mais temíveis, com as infusões de coloração sanguínea aconselhadas para aliviar trinta e seis dores do corpo humano. “E existem ervas que não curam nada”, revelava a lavadeira, “mas assanham a mente da gente. Basta tomar um gole do líquido fervendo para que o cristão sonhe uma única noite muitas vidas diferentes”. Esse relato poderia ser de duvidosa veracidade para outras pessoas, mas não para Emilie. HATOUM, M. São Paulo: Cia. das Letras, 2008 As representações da Amazônia na literatura brasileira mantêm relação com o papel atribuído à região na construção do imaginário nacional. Pertencentes a contextos históricos distintos, os fragmentos diferenciam-se ao propor uma representação da realidade amazônica em que se evidenciam a) aspectos da produção econômica e da cura na tradição popular. b) manifestações culturais autênticas e da resignação familiar. c) Valores sociais autóctones e influência dos estrangeiros. d) formas de resistência locais e do cultivo das superstições. e) costumes domésticos e levantamento das tradições indígenas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia a charge do cartunista Duke para responder à(s) questão(ões) a seguir. 16. (FAMEMA 2020) Depreende-se com a leitura da charge que as redes sociais a) melhoram a saúde do homem, quando usadas intensamente. b) podem ocasionar prejuízos à saúde do ser humano. c) promovem situações salutares de convivência humana. d) permitem o aguçamento da percepção daspessoas. e) influenciam pouco a saúde, assim como as atividades físicas. 17. (ENEM 2011) O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua. b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto. c) gera inadequação na concordância com o verbo. d) gera ambiguidade na leitura do texto. e) apresenta dupla marcação de sujeito. 9 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões). Leitura - leituras: quando ler (bem) é preciso “[...] Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia citada) não compreenderam logo. Creio mesmo é impossível compreender inteiramente à primeira leitura pensamentos assim esquematizados sem uma certa prática.” Mário de Andrade – Artista “Eu sou um escritor difícil Que a muita gente enquizila, Porém essa culpa é fácil De se acabar duma vez: É só tirar a cortina Que entra luz nesta escurez.” Mário de Andrade – Lundu do escritor difícil No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criatividade, a semanticidade, a intersubjetividade, a materialidade e a historicidade são propriedades essenciais da linguagem, indispensáveis a todos os atos da fala, sejam eles presente, passados ou futuros. Porém, é a atividade semântica que intermedeia a conexão dos seres humanos com o mundo dos objetos, estabelecendo a relação entre o EU e o Universo, e, junto com a alteridade (relação do EU com o Outro, de caráter interlocutivo), permite a identificação da linguagem como tal, pois a linguagem existe não apenas para significar, mas significar alguma coisa para o outro. A semanticidade possibilita o indivíduo conceber e revelar as coisas pertencentes ao mundo do real e da imaginação. Logo, é ao mesmo tempo significação, modo de conceber, ou melhor, uma configuração linguística de conhecimento, uma organização verbal do pensamento, e designação ou referência, aplicação dos conceitos às coisas extralinguísticas. [...]. No processo de leitura do texto, para que o leitor se aproprie desse(s) sentido(s), é necessário que ele domine não apenas o código linguístico, mas também compartilhe bagagem cultural, vivências, experiências, valores, correlacione os conhecimentos construídos anteriormente (de gênero e de mundo, entre outros) com as novas informações expressas no texto; faça inferências e comparações; compreenda que o texto não é uma estrutura fechada, acabada, pronta; perceba as significações, as intencionalidades, os dialogismos, o não dito, os silêncios. Em resumo, é fundamental que, por meio de uma série de contribuições, o interlocutor colabore para a construção do conhecimento. Assim, ler não significa traduzir um sentido já considerado pronto, mas interagir com o outro (o autor), aceitando, ou não, os propósitos do interlocutor. Profª Marina Cezar – Revista Villegagnon. Ano IV. Nº 4. 2009 – Texto adaptado. 18. (ESC. NAVAL 2017) Leia as frases a seguir. “... ler (bem) é preciso.” (Marina Cezar) “Navegar é preciso, viver não é preciso.” (Fernando Pessoa) Assinale a opção que explicita corretamente a relação intertextual entre as frases acima, a partir da expressão destacada. a) Ler e navegar são necessidades lúdicas e inalienáveis na vida de homens e mulheres. b) Ler e navegar referem-se a um mesmo contexto – o das viagens marítimas. c) Ler, com atenção, e navegar resguardam sentidos de necessidade e precisão para a existência humana. d) A leitura e a navegação dispensam quaisquer outras atividades de lazer e conhecimento na vida das pessoas. e) A leitura só será necessária se for bem realizada, assim como navegar precederá, sempre, a própria existência. 19. (ENEM 2ª APLICAÇÃO 2016) Esaú e Jacó Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra. Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as ideias que deixarem, mas ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro. Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos. 10 Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre, nem a torre de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta não tira o poder da marcha de cada peça, e afinal umas e outras podem ganhar a partida, e assim vai o mundo. ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1964 (fragmento). O fragmento do romance Esaú e Jacó mostra como o narrador concebe a leitura de um texto literário. Com base nesse trecho, tal leitura deve levar em conta a) o leitor como peça fundamental na construção dos sentidos. b) a luneta como objeto que permite ler melhor. c) o autor como único criador de significados. d) o caráter de entretenimento da literatura. e) a solidariedade de outros autores. 20. (ENEM PPL 2016) Essa história em quadrinhos aborda a padronização da imagem corporal na contemporaneidade. O fator que pode ser identificado como influenciador do comportamento obsessivo retratado nos quadrinhos é o a) entendimento da aparência corporal relacionada à saúde. b) controle feminino sobre o ideal social de estética corporal. c) desejo pelo modelo de corpo ideal construído socialmente. d) questionamento crítico dos valores ligados ao sucesso social. e) posicionamento reflexivo da mulher frente às imposições estéticas. 21. (ENEM 2015) Cântico VI Tu tens um medo de Acabar. Não vês que acabas todo o dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. E então serás eterno. MEIRELES, C. Antologia poética, Rio de Janeiro: Record. 1963 (fragmento). A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem em seu aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor a perceber, como inerente à condição humana, a) a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar. b) o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo. c) o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas. d) a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente. e) um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas. 11 22. (FAMEMA 2019) Do questionamento da personagem Mafalda, depreende-se uma crítica a) ao crescimento demográfico. b) à mercantilização da infância. c) à precariedade da educação. d) à generalização do consumismo. e) à desumanização do mundo. 23. (ESPM 2016) A ironia da charge acima reside, sobretudo, no fato de: a) não haver uma eficiente comunicação e/ ou diálogo entre governantes e população quando se trata de uma crise política. b) haver um discurso ideológico distorcido por parte do governo ao tratar de um problema social. c) os problemas da sociedade serem resolvidos apenas no plano linguístico, evidenciando o caráter falacioso do discurso. d) os governantes invariavelmente atacarem de modo equivocado e com medidas ineficazes os problemas da população. e) os administradores governamentais se mostrarem completamente incompetentes ante um problema político. 24. (ENEM PPL 2019) A imagem da caneta de tinta vermelha, associada as frases do cartaz, é utilizada na campanha para mostrar ao possível doador que a) a doação de sangue faz bem à saúde. b) a linha da vida é fina como o traço de caneta. c) a atitude dedoar sangue é muito importante. d) a caneta vermelha representa a atitude do doador. e) a reserva do banco de sangue está chegando ao fim. 25. (ESPCEX (AMAN) 2019) Os parnasianos acreditavam que, apoiando-se nos modelos clássicos, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo e, ao mesmo tempo, garantindo o equilíbrio que almejavam. Propunham uma poesia objetiva, de elevado nível vocabular, racionalista, bem-acabada do ponto de vista formal e voltada para temas universais. Esse racionalismo, que enfrentava os “exageros de emoção” e fixava-se no formalismo, fica bem claro na seguinte estrofe parnasiana de Olavo Bilac: a) E eu vos direi: “Amai para entendê-las!/Pois só quem ama pode ter ouvido/Capaz de ouvir e de entender estrelas.” b) Não me basta saber que sou amado,/Nem só desejo o teu amor: desejo/Ter nos braços teu corpo delicado,/ Ter na boca a doçura de teu beijo. c) Pois sabei que é por isso que assim ando:/Que é dos loucos somente e dos amantes/Na maior alegria andar chorando. 12 d) Mas que na forma se disfarce o emprego/Do esforço; e a trama viva se construa/De tal modo, que a imagem fique nua,/Rica, mas sóbria, como um templo grego. e) Esta melancolia sem remédio,/Saudade sem razão, louca esperança/Ardendo em choros e findando em tédio. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir. O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização. Um dos motivos do êxito é a parceria com os municípios, os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização. Além de medidas que incluem formação de professores e material didático estruturado, o governo cearense acionou um incentivo financeiro: as cidades com resultados melhores recebem fatia maior do ICMS, com liberdade para destinação dos recursos. O modelo já foi adotado em Pernambuco e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo. Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco, baseado em tempo integral, que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, projeto acolhido em São Paulo. Auspiciosa, essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar em torno de propostas palpáveis. (“Unidos pelo Ensino”. Folha de S.Paulo, 27.08.2019. Adaptado.) 26. (FAMEMA 2020) O sentido original do texto está mantido com a reescrita do trecho: a) As cidades com liberdade para destinação dos recursos recebem fatia maior do ICMS, obtendo assim resultados melhores. b) São Paulo desenvolve projeto de ensino médio que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, o qual se replica em Pernambuco. c) Um dos motivos do êxito é a parceria com os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização, isto é, os municípios. d) Apesar de algumas medidas, como formação de professores e material didático estruturado, o governo cearense acionou um incentivo financeiro. e) Destaca-se em alfabetização o Ceará devido às restrições de renda da parceria com os municípios. 27. (FAMEMA 2020) A forma verbal sublinhada expressa ideia de ação em processo no trecho: a) “e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo” (3º parágrafo). b) “o governo cearense acionou um incentivo financeiro” (2º parágrafo). c) “O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização” (1º parágrafo). d) “Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco” (4º parágrafo). e) essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar” (5º parágrafo). 28. (ENEM PPL 2015) Considerando que a internet influencia os modos de comunicação contemporânea, a charge faz uma crítica ao uso vicioso dessa tecnologia, pois a) gera diminuição no tempo de descanso, substituído pelo contato com outras pessoas. b) propicia a continuação das atividades de trabalho, ainda que em ambiente doméstico. c) promove o distanciamento nos relacionamentos, mesmo entre pessoas próximas fisicamente. d) tem impacto negativo no tempo disponível para o lazer do casal. e) implica a adoção de atitudes agressivas entre os membros de uma mesma família. 13 29. (ENEM PPL 2016) A charge aborda uma situação do cotidiano de algumas famílias. Nesse sentido, ela tem o objetivo comunicativo de a) denunciar os prejuízos da falta de diálogo entre pais e filhos. b) mostrar as diferenças entre as preferências de entretenimento entre pais e filhos. c) evidenciar os excessos de utilização das redes sociais em momentos de convivência familiar. d) demonstrar que as mudanças culturais ocorridas na sociedade impõem novos comportamentos às famílias. e) enfatizar que a socialização de informações sobre os filhos é uma forma de demonstrar orgulho de familiares. 30. (ENEM 2ª APLICAÇÃO 2016) Grupo transforma pele humana em neurônios Um grupo de pesquisadores dos EUA conseguiu alterar células extraídas da pele de uma mulher de 82 anos sofrendo de uma doença nervosa degenerativa e conseguiu transformá-las em células capazes de se transformarem virtualmente em qualquer tipo de órgão do corpo. Em outras palavras, ganharam os poderes das células-tronco pluripotentes, normalmente obtidas a partir da destruição de embriões. O método usado na pesquisa, descrita hoje na revista Science, existe desde o ano passado, quando um grupo liderado pelo japonês Shinya Yamanaka criou as chamadas iPS (células-tronco de pluripotência induzida). O novo estudo, porém, mostra pela primeira vez que é possível aplicá-lo a células de pessoas doentes, portadoras de esclerose lateral amiotrófica (ELA), mal que destrói o sistema nervoso progressivamente. “Pela primeira vez, seremos capazes de observar células com ELA ao microscópio e ver como elas morrem”, disse Valerie Estess, diretora do Projeto ALS (ELA, em inglês), que financiou parte da pesquisa. Observar em detalhes a degeneração pode sugerir novos métodos para tratar a ELA. KOLNERKEVIC, I. Folha de S. Paulo. 1 ago. 2008 (adaptado). A análise dos elementos constitutivos do texto e a identificação de seu gênero permitem ao leitor inferir que o objeto do autor é a) apresentar a opinião da diretora do Projeto ALS. b) expor a sua opinião como um especialista no tema. c) descrever os procedimentos de uma experiência científica. d) defender a pesquisa e a opinião dos pesquisadores dos EUA. e) informar os resultados de uma nova pesquisa feita nos EUA. 31. (ESPM 2016) Assinale a correta. De acordo com a charge: a) a primeira fala faz referências à restituição do Imposto de Renda, restituição essa fre-quentemente distorcida e sempre aquém do esperado pelo contribuinte. b) a graça recai sobre a discrepância entre os altos impostos auferidos pelo governo e os poucos ou deficientes serviços prestados por este à população. 14 c) a resposta do interlocutor é irônica, pois supõe um governo capitalista a se apropriar, por meio de impostos, do fruto do trabalho da população. d) a pergunta da locutora é retórica, pois passou a ser lugar comum criticar as enormes arrecadações, via impostos, e os sempre insuficientes benefícios sociais para a população. e) a graça se concentra numa inusitada interpretação político-ideológica da incompetência administrativa do governo quanto ao uso do dinheiro público. 32. (FAC. ALBERT EINSTEIN - MEDICIN 2020) Contribui para o efeito de humor do cartum o recurso à seguinte figura de linguagem: a) sinestesia. b) personificação. c) pleonasmo. d) eufemismo. e) paradoxo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Texto para a(s) questão(ões) a seguir. A situação favorável, do ponto de vista das oportunidades de trabalho, que existia na região cafeeira,valeu aos antigos escravos liberados salários relativamente elevados. Com efeito, tudo indica que na região do café a abolição provocou efetivamente uma redistribuição da renda em favor da mão de obra. Sem embargo, essa melhora na remuneração real do trabalho parece haver tido efeitos antes negativos que positivos sobre a utilização dos fatores. (...) O homem formado desse sistema social está totalmente desaparelhado para responder aos estímulos econômicos. Quase não possuindo hábitos de vida familiar, a ideia de acumulação de riqueza lhe é praticamente estranha. Demais, seu rudimentar desenvolvimento mental limita extremamente suas “necessidades”. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável, a elevação de seu salário acima de suas necessidades – que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio. Dessa forma, uma das consequências diretas da abolição, nas regiões em mais rápido desenvolvimento, foi reduzir-se o grau de utilização da força de trabalho. Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil. 33. (ESPM 2017) Segundo o autor: a) A situação favorável fez o negro, uma vez ocupado fora do regime escravocrata, preferir o ócio. b) A preferência pelo ócio deriva diretamente da condição de trabalhador assalariado em país latino- americano. c) O repertório de necessidade do escravo era limitado pelo nível de subsistência a que a região cafeeira o condenava. d) O negro, não dispondo de hábitos de vida familiar, não se interessava em acumular capital. e) Não houve utilização de fatores, quando se tratou de provocar redistribuição de renda na economia cafeeira. 34. (ESPM 2019) A graça da tira decorre: a) da existência de “ruído” na comunicação, efetuada por Hagar, sobre um relacionamento amoroso anterior ao atual. b) de uma fala metafórica de Hagar que, ao dirigir-se diretamente à própria esposa, refere-se às qualidades de uma terceira pessoa. c) da diferença do nível de linguagem usada pelo emissor para se dirigir aos interlocutores, fato que fez sugerir a existência de duas mulheres. 15 d) do não entendimento de um discurso ambíguo bastante comum, no qual se dirige a um interlocutor, referindo-se a ele como se fosse uma terceira pessoa. e) da dificuldade de compreensão no discurso de Hagar, por parte do amigo Ed Sortudo, devido aos traços de formalidade da linguagem erudita. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Centrando-se, assim, no moderno, [...] faziam apologia da velocidade, da máquina, do automóvel (“um automóvel é mais belo que a Vitória de Samotrácia”, dizia Marinetti no seu primeiro manifesto), da agressividade, do esporte, da guerra, do patriotismo, do militarismo, das fábricas, das estações ferroviárias, das multidões, das locomotivas, dos aviões, enfim, de tudo quanto exprimisse o moderno nas suas formas avançadas e imprevistas. Massaud Moisés, Dicionário de Termos Literários, Cultrix, p. 234. 35. (ESPM 2017) O texto acima define um dos primeiros “ismos” das vanguardas artísticas europeias que sacudiram o século XX. Trata-se do: a) Cubismo b) Futurismo c) Surrealismo d) Dadaísmo e) Impressionismo 36. (ENEM 2020) A vida às vezes é como um jogo brincado na rua: estamos no último minuto de uma brincadeira bem quente e não sabemos que a qualquer momento pode chegar um mais velho a avisar que a brincadeira já acabou e está na hora de jantar. A vida afinal acontece muito de repente – nunca ninguém nos avisou que aquele era mesmo o último Carnaval da Vitória. O Carnaval também chegava sempre de repente. Nós, as crianças, vivíamos num tempo fora do tempo, sem nunca sabermos dos calendários de verdade. [...] O “dia da véspera do Carnaval”, como dizia a avô Nhé, era dia de confusão com roupas e pinturas a serem preparadas, sonhadas e inventadas. Mas quando acontecia era um dia rápido, porque os dias mágicos passam depressa deixando marcas fundas na nossa memória, que alguns chamam também de coração. ONDJAKI. Os da minha rua. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007. As significações afetivas engendradas no fragmento pressupõem o reconhecimento da a) perspectiva infantil assumida pela voz narrativa. b) suspensão da linearidade temporal da narração. c) tentativa de materializar lembranças da infância. d) incidência da memória sobre as imagens narradas. e) alternância entre impressões subjetivas e relatos factuais. 37. (ENEM 2019) HELOÍSA: Faz versos? PINOTE: Sendo preciso... Quadrinhas... Acrósticos... Sonetos... Reclames. HELOÍSA: Futuristas? PINOTE: Não senhora! Eu já fui futurista. Cheguei a acreditar na independência... Mas foi uma tragédia! Começaram a me tratar de maluco. A me olhar de esguelha. A não me receber mais. As crianças choravam em casa. Tenho três filhos. No jornal também não pagavam, devido à crise. Precisei viver de bicos. Ah! Reneguei tudo. Arranjei aquele instrumento (Mostra a faca) e fiquei passadista. ANDRADE, O. O rei da vela. São Paulo: Globo, 2003. O fragmento da peça teatral de Oswald de Andrade ironiza a reação da sociedade brasileira dos anos 1930 diante de determinada vanguarda europeia. Nessa visão, atribui-se ao público leitor uma postura a) preconceituosa, ao evitar formas poéticas simplificadas. b) conservadora, ao optar por modelos consagrados. c) preciosista, ao preferir modelos literários eruditos. d) nacionalista, ao negar modelos estrangeiros. e) eclética, ao aceitar diversos estilos poéticos. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca. Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco. Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado. Só rindo. Esses caras são engraçados. Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder 16 todos os outros, inclusive estes aqui – e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente. Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros. Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse. Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta. Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […]. Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro! (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.) 38. (FAC. ALBERT EINSTEIN - MEDICIN 2020) O trecho “Só rindo. Esses caras são engraçados” (3º parágrafo) sugere que o narrador considera a pergunta do dentista a) irrelevante. b) dissimulada. c) ambígua. d) ofensiva. e) divertida. 39.(FAC. ALBERT EINSTEIN - MEDICIN 2020) No trecho, o narrador expressa, sobretudo, um sentimento de a) perplexidade. b) melancolia. c) rancor. d) tédio. e) desprezo. 40. (ENEM PPL 2019) Qual a diferença entre freios ventilados, perfurados e sólidos? Frenagens geram calor. O sistema de freios transforma a energia cinética do movimento em energia térmica por meio do atrito entre as pastilhas de freio e os discos. Em duas linhas, esse é o princípio de funcionamento do freio. Mas há um efeito colateral. Esse calor gerado provoca fadiga dos discos e pastilhas e compromete a eficiência do conjunto de freios. O disco de freio sólido é uma peça só, feita de ferro maciço. A vantagem está em custar mais barato que os outros. Contudo, tem baixo rendimento em situações extremas de frenagem (em descidas de serras, por exemplo) por não ter estruturas que favoreçam seu resfriamento. Por isso, discos sólidos são usados em aplicações mais leves, comuns no eixo dianteiro dos compactos 1.0 e no eixo traseiro de carros maiores, como sedãs e SUVs médios. O modelo ventilado, por sua vez, é formado por dois discos mais finos unidos por uma câmara interna que tem a função de proporcionar uma passagem do ar entre eles, resfriando com mais rapidez o conjunto. Eles estão nos eixos dianteiros dos compactos mais potentes. Mas também aparecem nos eixos traseiros de carros esportivos. Mas esportivos com motores de alto desempenho e carros de luxo têm discos perfurados. Há pequenos furos no disco com o objetivo de aumentar o atrito e dispersar o calor. RODRIGUEZ, H. Disponível em: http://quatrorodas.abril.com.br. Acesso em: 22 ago. 2017 (adaptado). O texto mostra diferentes tipos de discos de freio e defende a eficácia de um modelo sobre o outro. Para convencer o leitor disso, o autor utiliza o recurso de a) definir em duas linhas o princípio de funcionamento do freio de esportivos de alto desempenho com discos perfurados. b) divulgar os modelos de carros que adotam os melhores sistemas de frenagem e resfriamento dos componentes. c) apresentar cada tipo de disco, criticando a forma como eles geram calor nas frenagens. d) evidenciar os riscos do baixo desempenho dos diferentes modelos de discos de freio. e) comparar o custo, a eficiência e a forma como os discos dissipam o calor da frenagem. 17 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS 1. (ENEM 2020) A Divisão Internacional do Trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros, em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aprimorou suas funções. GALENO, E. As veias abertas da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1978. Escrito na década de 1970, o texto considera a participação da América Latina na Divisão Internacional do Trabalho marcada pela a) produção inovadora de padrões de tecnologia. b) superação paulatina do caráter agroexportador. c) apropriação imperialista dos recursos territoriais. d) valorização econômica dos saberes tradicionais. e) dependência externa do suprimento de alimentos. 2. (ENEM 2020) Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece- me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos. LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado). O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a a) propagação do ideário cristão. b) valorização do trabalho braçal. c) adoção do cativeiro na Colônia. d) adesão ao ascetismo contemplativo, e) alfabetização dos indígenas nas Missões. 3. (FGV 2018) Basta um peteleco para causar um efeito dominó em sua biodiversidade. E além do Brasil, a região cobre mais oito países. Esse bioma agora está sob ameaça de seis barragens que podem ser construídas nos Andes por nossos vizinhos, o que pode gerar consequências trágicas. A região andina abrange somente 11% desta bacia, mas fornece 93% dos sedimentos e a maior parte dos nutrientes levados por seus rios. (www.umagotanooceano.org. Adaptado) O excerto refere-se à biodiversidade a) do Cerrado. b) da Mata Atlântica. c) da Caatinga. d) da Amazônia. e) do Pantanal. 4. (G1 - CPS 2020) A palavra idiota tem sua origem no grego antigo idiótes, que significava “homem privado da vida pública, que não vive a política, que não participa das coisas públicas”. Enquanto o homem livre era aquele que participava ativamente da polis, da vida em sociedade, do público, porque vivia a política, o escravizado estava na vida privada, vivia limitado ao mundo privado, era um idiota porque não tinha acesso à vida política. Nesse sentido, para os gregos, cidadania (o pertencimento à cidade) dizia respeito àquele que vivia a política. Portanto, o cidadão construía os direitos e os deveres, enquanto o idiota estava à margem desse processo. Disponível em: http://obviousmag.org/virasertao/2016/to-be-or-no- to-be-idiota.html. Acesso em: 05.10.2019. Adaptado. Segundo o texto, a) era considerado cidadão aquele que recusava a política, que não participava dos assuntos públicos e só se ocupava com a própria vida. b) havia uma lei que obrigava gregos a se envolverem com os assuntos coletivos, sob pena de terem seus direitos e sua liberdade cerceados. c) aqueles que se envolviam com a política eram tão idiotas quanto os que privilegiavam a vida privada, pois não percebiam que a política é o campo de atuação dos corruptos. d) a liberdade estava intrinsecamente ligada à ideia de cidadania, pois só podia se considerar livre aquele que participasse da condução coletiva dos assuntos da cidade. e) os direitos e os deveres eram construídos coletivamente pelos idiotas, enquanto os cidadãos viviam limitados ao mundo privado. 18 5. (ENEM 2014) De volta do Paraguai Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derramado seu sangue em defesa da pátria e libertado um povo da escravidão, o voluntário volta ao seu país natal para ver sua mãe amarrada a um tronco horrível de realidade!... AGOSTINI. “A vida fluminense”, ano 3, n. 128, 11 jun. 1870. In: LEMOS, R. (Org). Uma história do Brasil através da caricatura (1840- 2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001 (adaptado). Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de parte dos “Voluntários da Pátria” que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870), evidenciada na a) negação da cidadania aos familiares cativos. b) concessão de alforrias aos militares escravos. c) perseguição dos escravistas aos soldados negros. d) punição dos feitores aos recrutados compulsoriamente. e) suspensão das indenizações aos proprietários prejudicados. 6. (G1 - IFBA 2018) É uma mata seca que perde suas folhas durante a estação seca. Apenas o juazeiro, que possui raízes muito profundas para capturar água do subsolo, e algumas palmeiras não perdem as folhas. As plantas [...] estão adaptadas às condições climáticas e possuem várias adaptações fisiologias para sobreviver à seca. ROSS, Jurandyr. Geografia do Brasil. 4 ed. São Paulo: Edusp, 2001. p. 174. (Adaptado) O texto acima descreve as características da vegetação de: a) Mata Atlântica. b) Araucária. c) Coxilhas. d) Estepes. e) Caatinga. 7. (ENEM PPL 2019) O feminismo teve uma relação direta com o descentramento conceitual do sujeitocartesiano e sociológico. Ele questionou a clássica distinção entre o “dentro” e o “fora”, o “privado” e o “público”. O slogan do feminismo era: “o pessoal é político”. Ele abriu, portanto, para a contestação política, arenas inteiramente novas: a família, a sexualidade, a divisão doméstica do trabalho etc. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2011 (adaptado). O movimento descrito no texto contribui para o processo de transformação das relações humanas, na medida em que sua atuação a) subverte os direitos de determinadas parcelas da sociedade. b) abala a relação da classe dominante com o Estado. c) constrói a segregação dos segmentos populares. d) limita os mecanismos de inclusão das minorias. e) redefine a dinâmica das instituições sociais. 8. (UNESP 2021) A produção de açúcar no Brasil colonial era parte de um conjunto de processos e relações que ultrapassavam os limites da colônia e incluíam a) a estruturação do engenho como unidade produtiva, a disposição portuguesa de povoar a colônia e o comércio sistemático com a América espanhola. b) as técnicas de cultivo indígenas, as mudas de cana procedentes do mundo árabe e a intermediação britânica na comercialização. c) a adaptação da cana à terra roxa do Nordeste, o conhecimento técnico dos imigrantes e a atuação holandesa no transporte marítimo. d) a constituição da grande propriedade, o tráfico de africanos escravizados e a existência de amplo mercado consumidor na Europa. e) o avanço da ocupação das áreas centrais da colônia, o recurso à mão de obra nativa e o crescimento do gosto pelos sabores doces na Europa. 9. (G1 - COL. NAVAL 2018) As cidades são fenômenos antigos na história das sociedades. A evolução das áreas urbanas propiciou mudanças no comportamento socioeconômico da humanidade. Sendo assim, 19 assinale a opção que represente uma realidade sobre a evolução urbana brasileira. a) A urbanização nacional se concretizou nos anos 1930, quando o Estado, ao assumir a geração de infraestrutura industrial, mudou o foco econômico nacional, ou seja, o país deixou de ser rural e agroexportador e se transformou em urbano e industrializado. b) O rápido processo de metropolização, observado já a partir dos anos 1900, conduziu um acelerado crescimento urbano no país, fato que possibilitou uma melhor ocupação do espaço urbano e dos acessos aos bens e serviços pela maioria da população. c) As Regiões Metropolitanas, caracterizadas por um conjunto contínuo de grandes cidades e sem áreas rurais de permeio, foram instituídas nos anos 1960, quando a industrialização nacional possibilitou uma rápida ocupação das áreas urbanas. d) A urbanização nacional se materializou a partir dos 1970 como resultado de uma conjugação de fatores tais como o desenvolvimento dos setores secundário e terciário nas áreas urbanas e a elevada concentração fundiária nas áreas comuns. e) O chamado inchaço urbano, também conhecido como macroencefalia urbana, corresponde ao crescimento rápido e mais organizado de algumas cidades, as quais apresentam uma boa rede de serviços ofertados aos seus moradores. 10. (ENEM 2020) Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens. ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB,1988. No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que associa dois elementos essenciais à discussão sobre a vida em comunidade, a saber: a) Ética e política, pois conduzem à eudaimonia. b) Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora. c) Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira. d) Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais. e) Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis. 11. (UEL 2019) Leia o texto a seguir. O programa do esclarecimento era o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e substituir a imaginação pelo saber. [..] O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera objetividade. O preço que os homens pagam pelo aumento de poder é a alienação daquilo sobre o que exercem o poder. [...] Quanto mais a maquinaria do pensamento subjuga o que existe, tanto mais cegamente ela se contenta com essa reprodução. Desse modo, o esclarecimento regride à mitologia da qual jamais soube escapar. ADORNO & HORKHEIMER. Dialética do esclarecimento. Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.17; 21; 34. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a crítica à racionalidade instrumental e a relação entre mito e esclarecimento em Adorno e Horkheimer, assinale a alternativa correta. a) O mito revela uma constituição irracional, na medida em que lhe é impossível apresentar uma explicação convincente sobre o seu modo próprio de ser. b) A regressão do esclarecimento à mitologia revela um processo estratégico da razão, com o objetivo de ampliar e intensificar seus poderes explicativos. c) A explicação da natureza, instaurada pela racionalidade instrumental, pressupõe uma compreensão holística, em que as partes são incorporadas, na sua especificidade, ao todo. d) O esclarecimento implica a libertação humana da submissão à natureza, atestada pelo poder racional de diagnosticar, prever e corrigir as limitações naturais. e) O esclarecimento se caracteriza por uma explicação baseada no cálculo, do que resulta uma compreensão da natureza como algo a ser conhecido e dominado. 12. (ENEM 2019) Penso que não há um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através das práticas de sujeição ou, de maneira mais autônoma, através de práticas de liberação, de liberdade, como na Antiguidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, que podemos encontrar no meio cultural. FOUCAULT, M. Ditos e escritos V: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. O texto aponta que a subjetivação se efetiva numa dimensão 20 a) legal, pautada em preceitos jurídicos. b) racional, baseada em pressupostos lógicos. c) contingencial, processada em interações sociais. d) transcendental, efetivada em princípios religiosos. e) essencial, fundamentada em parâmetros substancialistas. 13. (FUVEST 2021) [No Brasil] a transição da predominância indígena para a africana na composição da força de trabalho escrava ocorreu aos poucos ao longo de aproximadamente meio século. Quando os senhores de engenho, individualmente, acumulavam recursos suficientes, compravam alguns cativos africanos, e iam acrescentando outros à medida que capital e crédito se tornavam disponíveis. Em fins do século XVI, a mão de obra dos engenhos era mista do ponto de vista racial, e a proporção foi mudando constantemente e favor dos africanos e sua prole. Stuart Schwartz, Segredos internos. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p.68. Com base na leitura do trecho e em seus conhecimentos, podemos afirmar corretamente que no Brasil a) a implementação da escravidão de origem africana não fez desaparecer a escravidão indígena, pois o emprego de ambos poderia variar segundo épocas e regiões específicas. b) do ponto de vista senhorial, valia a pena pagar mais caro por escravos africanos, porque estes viviam mais do que os escravos indígenas, que eram mais baratos. c) o comércio de escravos africanos foi incompatível com o comércio de indígenas, porque eram explorados por diferentes traficantes, que competiam entre si. d) havia crédito disponívelpara a compra de escravos africanos, mas não de escravos indígenas, pois a Igreja estava interessada na manutenção de boas relações com os nativos. e) a escravização dos indígenas pelos portugueses foi impossibilitada pelo fato de que os povos nativos americanos eram contrários ao aprisionamento de seres humanos. 14. (UNESP 2021) Observe a imagem. A Pietà, escultura de Michelangelo Buonarotti, foi produzida nos últimos anos do século XV e revela uma característica importante da arte renascentista: a) o delineamento preciso das formas do corpo humano, realizado a partir dos estudos de anatomia pelo artista. b) o teocentrismo, explicitado na inexpressividade e no estatismo da representação das figuras humanas. c) a desproporcionalidade entre os tamanhos dos corpos, para evidenciar a grandiosidade da figura de Cristo. d) a influência da arte religiosa medieval, manifesta na tridimensionalidade e na carência de perspectiva da peça. e) o prevalecimento de temática bíblica, com recriação precisa e fiel de um trecho do Evangelho segundo Lucas. 15. (ENEM 2019) O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar uma festa sincrética. A igreja retomou a distância de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira que as festas do solstício de verão europeu com suas tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa do fogo e da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista. Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e cantos) foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545- 1563), a Igreja resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina cristã. CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista Anthropológicas, n. 18, 2007 (adaptado). 21 Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as práticas descritas, que consistem em a) promoção de atos ecumênicos. b) fomento de orientação bíblicas. c) apropriação de cerimônias seculares. d) retomada de ensinamentos apostólicos. e) ressignificação de rituais fundamentalistas. 16. (UEFS 2018) Seus principais pontos são: a prioridade dos modos de transporte não motorizados e dos serviços públicos coletivos sobre o transporte individual motorizado; a restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados; o estabelecimento de padrões de emissão de poluentes para locais e horários determinados, podendo condicionar o acesso e a circulação aos espaços urbanos sob controle; a possibilidade de cobrança pela utilização da infraestrutura urbana; a dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas ao transporte público coletivo e a modos de transporte não motorizados. (www.brasil.gov.br. Adaptado.) Os pontos descritos no excerto fazem referência a) à Política Nacional de Planejamento Urbano. b) ao Estatuto da Cidade. c) à Política Nacional de Mobilidade Urbana. d) ao Parcelamento do Solo Urbano. e) à Lei de Zoneamento Urbano. 17. (G1 - IFBA 2018) O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas Que cresceram com a força de pedreiros suicidas Cavaleiros circulam vigiando as pessoas Não importa se são ruins, nem importa se são boas E a cidade se apresenta centro das ambições Para mendigos ou ricos e outras armações Coletivos, automóveis, motos e metrôs Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs Chico Science, A cidade. Disponível em https://www.letras.mus.br/ nacao-zumbi/77652/ acesso em 7 ago. 2017. (trecho) O trecho da música acima nos revela, de forma poética e geográfica, as complexidades existentes nas cidades capitalistas modernas. Entre essas complexidades, é correto identificar: a) O serviço de transporte coletivo urbano no Brasil é considerado, atualmente pela ONU, um dos mais eficazes e seguros do mundo. b) O intenso processo de verticalização vivenciado nas grandes metrópoles brasileiras, a exemplo de Salvador, Fortaleza e São Paulo. c) Nas últimas décadas ocorreu uma significativa redução das desigualdades sociais nos grandes centros urbanos brasileiros. d) O aumento de iniciativas sustentáveis por parte do setor público, que busca o diálogo com a população para solucionar as questões ambientais. e) A cidade representa espaços homogêneos onde os aspectos sociais, econômicos e culturais são semelhantes, independente da cidade e da sua localização espacial. 18. (UERJ 2018) Considere a sequência de mapas a seguir, que apresenta a expansão da mancha urbana na cidade do Rio de Janeiro e seu entorno em cinco momentos, tendo como base a divisão municipal atual. 22 O período no qual se identifica a formação de áreas conurbadas, que caracterizam a metropolização fluminense, foi: a) 1888 a 1930 b) 1930 a 1972 c) 1972 a 1994 d) 1994 a 2007 e) 2000 a 2009 19. (ENEM/2016) A imagem faz referência a uma intensa mobilização popular e pode ser traduzida como a) a campanha popular que confrontava a legitimidade das eleições indiretas no país. b) a manifestação de milhares de pessoas em prol da realização de eleições para o Senado. c) as passeatas realizadas em prol do fim da Ditadura Militar no Brasil e na Argentina. d) os comícios e manifestações populares pela abertura política de forma lenta e segura. e) o movimento que exigia o direito à igualdade de voto para homens e mulheres. 20. (UFPR 2020) Considere o seguinte excerto da obra O povo brasileiro, do antropólogo Darcy Ribeiro: A classe dominante empresarial-burocrático- eclesiástica, embora exercendo-se como agente de sua própria prosperidade, atuou também, subsidiariamente, como reitora do processo de formação do povo brasileiro. Somos, tal qual somos, pela forma que ela imprimiu em nós, ao nos configurar, segundo correspondia a sua cultura e a seus interesses. Inclusive, reduzindo o que seria o povo brasileiro, como entidade cívica e política, a uma oferta de mão de obra servil. Foi sempre nada menos que prodigiosa a capacidade dessa classe dominante para recrutar, desfazer e reformar gentes aos milhões. Isso foi feito no curso de um empreendimento econômico secular, o mais próspero de seu tempo, em que o objetivo jamais foi criar um povo autônomo, mas cujo resultado principal foi fazer surgir como entidade étnica e configuração cultural um povo novo, destribalizando índios, desafricanizando negros e deseuropeizando brancos. Ao desgarrá-los de suas matrizes, para cruzá- los racialmente e transfigurá-los culturalmente, o que se estava fazendo era gestar a nós brasileiros tal qual fomos e somos em essência. Uma classe dominante de caráter consular-gerencial, socialmente irresponsável, frente a um povo-massa tratado como escravaria, que produz o que não consome e só se exerce culturalmente como uma marginália, fora da civilização letrada em que está imerso. (RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995. p.178-179.) Levando em consideração a hipótese do autor, em relação à formação da sociedade brasileira, às dinâmicas sociais e às formas de dominação, é correto afirmar: a) O fortalecimento das elites empresarial, burocrática e eclesiástica se deu num processo de correlação de forças que visaram, num processo histórico de longa duração, a constituir um domínio econômico, a partir do qual as classes inferiores, por não disporem de poder e capital, foram alijadas do processo de dominação. b) A igreja teve papel central na organização da vida colonial e imprimiu um sentido sagrado à dominação por longo tempo. Sua importância em relação à burocracia civil e às elites econômicas no Brasil foi de tal maneira preponderante, quea Inquisição se fez presente como forma de manutenção da ordem e do domínio dos portugueses sobre nativos indígenas e escravos africanos. c) As mudanças sociais que ocorreram no Brasil desde sua colonização produziram um tipo de dominação secular, que associou as elites empresarial, burocrática e eclesiástica a um processo civilizacional intimamente associado a um estado de barbárie, em que as camadas subalternas sempre cumpriram um papel marginal no seu processo emancipação e esclarecimento. d) O objetivo principal da cúpula patricial, toda ela oriunda da metrópole, era formar uma sociedade que fosse capaz de contribuir com a expansão dos limites territoriais da Coroa Portuguesa. Em contrapartida, essas populações nativas teriam o direito ao reconhecimento da cidadania lusitana. 23 e) O autor frisa que, apesar da dominação severa, ainda assim havia algum senso de solidariedade por parte das elites empresarial, burocrática e eclesiástica, sendo esses três grupos sociais responsáveis pela colonização do Brasil e possibilitando que camadas sociais inferiores, o povo, as massas, participassem da construção do país, de sua cultura e de sua unidade como “povo brasileiro”. 21. (ENEM 2019) Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal. ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado). A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a) a) ideário nacional, que legitima as desigualdades sociais. b) alienação ideológica, que justifica as ações individuais. c) cosmologia religiosa, que sustenta as tradições hierárquicas. d) segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos. e) enquadramento cultural, que favorece os comportamentos punitivos. 22. (ENEM PPL 2019) A linguagem é uma grande força de socialização, provavelmente a maior que existe. Com isso não queremos dizer apenas o fato mais ou menos óbvio de que a interação social dotada de significado é praticamente impossível sem a linguagem, mas que o mero fato de haver uma fala comum serve como um símbolo peculiarmente poderoso da solidariedade social entre aqueles que falam aquela língua. SAPIR, E. A linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1980. O texto destaca o entendimento segundo o qual a linguagem, como elemento do processo de socialização, constitui-se a partir de uma a) necessidade de ligação com o transcendente. b) relação de interdependência com a cultura. c) estruturação da racionalidade científica. d) imposição de caráter econômico. e) herança de natureza biológica. 23. (ENEM PPL 2019) O feminismo teve uma relação direta com o descentramento conceitual do sujeito cartesiano e sociológico. Ele questionou a clássica distinção entre o “dentro” e o “fora”, o “privado” e o “público”. O slogan do feminismo era: “o pessoal é político”. Ele abriu, portanto, para a contestação política, arenas inteiramente novas: a família, a sexualidade, a divisão doméstica do trabalho etc. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2011 (adaptado). O movimento descrito no texto contribui para o processo de transformação das relações humanas, na medida em que sua atuação a) subverte os direitos de determinadas parcelas da sociedade. b) abala a relação da classe dominante com o Estado. c) constrói a segregação dos segmentos populares. d) limita os mecanismos de inclusão das minorias. e) redefine a dinâmica das instituições sociais. 24. (UFMS 2019) Leia atentamente o texto a seguir. “Vamos refletir: no Brasil, africanos, indígenas e seus descendentes passaram três séculos e meio tendo sua força de trabalho escravizada e, apesar de serem os geradores de riquezas (financeiras e culturais), representavam uma ameaça à estabilidade política e econômica dos grupos abastados. Isso sem falar na desqualificação de suas compreensões de mundo (culturas, religiões e expressões artísticas). Esses mesmos indígenas, africanos e seus descendentes foram tratados, pelas pseudociências do século XIX, como a origem do mal e do fraco desenvolvimento do Brasil. Em contrapartida, o eurocentrismo e o ideal de embranquecimento da população fizeram com que o governo desenvolvesse políticas de imigração que incentivaram a vinda de grupos europeus. Num primeiro momento, italianos, alemães, portugueses, poloneses etc. receberam tratamento completamente diferente daquele recebido pelas pessoas que vieram 24 por força da escravidão. E também pelos que já estavam aqui e foram dizimados em nome da ‘civilização’”. (RODRIGUES, Rosiane. “Nós” do Brasil: estudos das relações étnico- raciais. São Paulo: Moderna, 2012. p. 96-97). Ao associar o texto desse enunciado com a data de 20 de novembro, dia nacionalmente rememorado como o Dia da Consciência Negra, é correto afirmar que: a) essa data nos permite compreender como foi pacífica e gradual a integração dos grupos de trabalhadores africanos que chegaram ao Brasil a partir de 1500 e que ajudaram a formar a sociedade brasileira. b) a data de 20 de novembro marca a luta e a resistência dos povos africanos escravizados que foram trazidos para o Brasil para servir como força de trabalho e que, indiscutivelmente, fazem parte de nossa história, mas que durante muitos anos ficaram, oficialmente, à margem do processo de construção da identidade brasileira. c) comemora-se a data de chegada dos primeiros comboios mercantis lusos à América, trazendo trabalhadores africanos escravizados, para sua inserção no sistema de exploração colonial português. d) o dia 20 de novembro ficou marcado como marco pela integração das culturas africana e portuguesa, originando a cultura brasileira. Esses elementos, inicialmente diferentes, foram essenciais para as trocas culturais e a fundação da sociedade brasileira. e) influenciada pela política do Apartheid sul- africano, a sociedade brasileira passou os séculos iniciais após seu surgimento excluindo e segregando as minorias étnicas. Após tentativas frustradas, o governo republicano passou a desenvolver projetos de integração dos afrodescendentes ao mercado de trabalho, sendo a data de 20 de novembro um marco comemorativo desse projeto de integração. 25. (ENEM PPL 2018) O critério que rege a hierarquia urbana é a a) existência de distritos industriais de grande porte. b) importância histórica dos centros urbanos tradicionais. c) centralidade exercida por algumas cidades em relação às demais. d) proximidade em relação ao litoral das principais cidades brasileiras. e) presença de sedes de multinacionais potencializando a conexão global. 26. (UERJ SIMULADO 2018) As favelas do Rio de Janeiro se encontram associadas a duas localizações típicas: encostas de morros e margens de rios e canais. A razão para a localização em encostas é econômica: trata-se de locais que, via de regra, foram desprezados pelos privilegiados urbanos como área de residência. Quanto às margens de rios e canais, trata-se de áreas onde é proibida qualquer construção e que por isso igualmente se apresentaram como alternativas para a ocupação por parte da população pobre. Adaptado de SOUZA, M. L. O desafio metropolitano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. Alguns impactos ambientais vêm sendo observados nas áreas onde ocorrem as ocupações mencionadas no texto. Sãoimpactos ambientais resultantes da ocupação de encostas e de margens de rios e canais, respectivamente: a) queimada e arenização b) deslizamento e inundação c) intemperismo e eutrofização d) desmatamento e desassoreamento e) queimada e salinização 27. (ENEM/2018) TEXTO I Há mais de duas décadas, os cientistas e ambientalistas têm alertado para o fato de a água doce ser um recurso escasso em nosso planeta. Desde o começo de 2014, o Sudeste do Brasil adquiriu uma clara percepção dessa realidade em função da seca. TEXTO II Dinâmicas atmosféricas no Brasil Elementos relevantes ao transporte de umidade na América do Sul a leste dos Andes pelos Jatos de Baixos Níveis (JBN), Frentes Frias (FF) e transporte de umidade do Atlântico Sul, assim como a presença da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), para um verão 25 normal e para o verão seco de 2014. “A” representa o centro da anomalia de alta pressão atmosférica. De acordo com as informações apresentadas, a seca de 2014, no Sudeste, teve como causa natural o(a) a) constituição de frentes quentes barrando as chuvas convectivas. b) formação de anticiclone impedindo a entrada de umidade. c) presença de nebulosidade na região de cordilheira. d) avanço de massas polares para o continente. e) baixa pressão atmosférica no litoral. 28. (ENEM 2018) A existência em Jerusalém de um hospital voltado para o alojamento e o cuidado dos peregrinos, assim como daqueles entre eles que estavam cansados ou doentes, fortaleceu o elo entre a obra de assistência e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital de Jerusalém um estabelecimento central da ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam ligados à peregrinação na Terra Santa ou em outro lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não diminuiu a vocação caritativa primitiva, mas a fortaleceu. DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002 (adaptado). O acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno ocidental do (a) a) surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado pelas cruzadas. b) descentralização do poder eclesiástico, produzida pelo feudalismo. c) alastramento da peste bubônica, provocado pela expansão comercial. d) afirmação da fraternidade mendicante, estimulada pela reforma espiritual. e) criação das faculdades de medicina, promovida pelo renascimento urbano. 29. (FATEC 2019) A figura mostra uma tapeçaria funerária produzida no Egito, durante o chamado Período Helenístico, retratando um homem vestido como grego, posicionado entre dois deuses egípcios, Osíris e Anúbis. Assinale a alternativa que explica, corretamente, a fusão das culturas grega e egípcia representada na tapeçaria. a) As sucessivas incursões militares empreendidas pela rainha Cleópatra VI nos territórios gregos proporcionaram o contato dos egípcios com a arte e a filosofia helenística, cuja concepção estética influenciou a produção dos artesãos do Baixo Egito. b) Educado por Aristóteles, o faraó Menés, responsável pela unificação dos reinos do Baixo e do Alto Egito, tornou-se grande admirador da arte e da filosofia gregas, e foi o responsável pela difusão da cultura helenística em seu império. c) A política expansionista de Alexandre, o Grande, promoveu o contato dos gregos com outros povos da Europa, da Ásia e da África, e originou a cultura helenística, caracterizada pela miscigenação de diversos elementos culturais. d) Os egípcios tomaram contato com a cultura helenística por meio do comércio com os povos visigodo, ostrogodo, viking e alano que, partindo do norte da Europa, navegavam até o Nilo levando produtos de diferentes procedências. e) Resultado da união política da Grécia e do Egito, por meio do casamento de Alexandre, o Grande, com Cleópatra VI, a cultura helenística foi imposta, muitas vezes à força, a todos os súditos do novo império. 26 30. (ENEM (LIBRAS) 2017) O sistema de irrigação egípcio era muito diferente do complexo sistema mesopotâmico, porque as condições naturais eram muito diversas nos dois casos. A cheia do Nilo também fertiliza as terras com aluviões, mas é muito mais regular e favorável em seu processo e em suas datas do que a do Tigre e Eufrates, além de ser menos destruidora. CARDOSO, C. F. Sociedades do antigo Oriente Próximo. São Paulo: Ática, 1986. A comparação entre as disposições do recurso natural em questão revela sua importância para a a) desagregação das redes comerciais. b) supressão da mão de obra escrava. c) expansão da atividade agrícola. d) multiplicação de religiões monoteístas. e) fragmentação do poder político. 31. (ENEM PPL 2018) Existe uma concorrência global, forçando redefinições constantes de produtos, processos, mercados e insumos econômicos, inclusive capital e informação. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2011. Nos últimos anos do século XX, o sistema industrial experimentou muitas modificações na forma de produzir, que implicaram transformações em diferentes campos da vida social e econômica. A redefinição produtiva e seu respectivo impacto territorial ocorrem no uso da a) técnica fordista, com treinamento em altas tecnologias e difusão do capital pelo território. b) linha de montagem, com capacitação da mão de obra em países centrais e aumento das discrepâncias regionais. c) robotização, com melhorias nas condições de trabalho e remuneração em empresas no Sudeste asiático. d) produção just in time, com territorialização das indústrias em países periféricos e manutenção das bases de gestão nos países centrais. e) fabricação em grandes lotes, com transferências financeiras de países centrais para países periféricos e diminuição das diferenças territoriais. 32. (ENEM/2017) O desgaste acelerado sempre existirá se o agricultor não tiver o devido cuidado de combater as causas, relacionadas a vários processos, tais como: empobrecimento químico e lixiviação provocados pelo esgotamento causado pelas colheitas e pela lavagem vertical de nutrientes da água que se infiltra no solo, bem como pela retirada de elementos nutritivos com as colheitas. Os nutrientes retirados, quando não repostos, são comumente substituídos por elementos tóxicos, como, por exemplo, o alumínio. LEPSCH, I. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficinas de Texto, 2002 (adaptado). A dinâmica ambiental exemplificada no texto gera a seguinte consequência para o solo agricultável a) Elevação da acidez. b) Ampliação da salinidade. c) Formação de voçorocas. d) Remoção da camada superior. e) Intensificação do escoamento superficial 33. (ENEM/2012) Suponha que você seja um consultor e foi contratado para assessorar a implantação de uma matriz energética em um pequeno país com as seguintes características: região plana, chuvosa e com ventos constantes, dispondo de poucos recursos hídricos e sem reservatórios de combustíveis fósseis. De acordo com as características desse país, a matriz energética de menor impacto e risco ambientais é a baseada na energia a) dos biocombustíveis, pois tem menos impacto ambiental e maior disponibilidade. b) solar, pelo seu baixo custo e pelas características do país favoráveis à sua implantação. c) nuclear, por ter menos risco ambiental a ser adequada a locais com menor extensão territorial. d) hidráulica, devido ao relevo, à extensão territorial do país e aos recursos naturais disponíveis. e) eólica, pelas características do país e por não gerar gases do efeito estufa nem resíduos de operação. 34. (ENEM/2015) A Unesco condenou a destruição da antiga capital assíria de Nimrod, no Iraque, pelo Estado Islâmico, com a agência da ONU considerando o ato como um crime de guerra. O grupo iniciou um processo de demolição em vários sítios arqueológicos em uma área reconhecida como um dos berços dacivilização. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 30 mar. 2015 (adaptado). O tipo de atentado descrito no texto tem como consequência para as populações de países como o Iraque a desestruturação do(a): 27 a) homogeneidade cultural b) patrimônio histórico c) controle ocidental d) unidade étnica. e) religião oficial 35. (ENEM PPL 2019) O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) reuniu historiadores, romancistas, poetas, administradores públicos e políticos em torno da investigação a respeito do caráter brasileiro. Em certo sentido, a estrutura dessa instituição, pelo menos como projeto, reproduzia o modelo centralizador imperial. Assim, enquanto na Corte localizava-se a sede, nas províncias deveria haver os respectivos institutos regionais. Estes, por sua vez, enviariam documentos e relatos regionais para a capital. DEL PRIORE, M.; VENÂNCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010 (adaptado). De acordo com o texto, durante o reinado de D. Pedro II, o referido instituto objetivava a) construir uma narrativa de nação. b) debater as desigualdades sociais. c) combater as injustiças coloniais. d) defender a retórica do abolicionismo. e) evidenciar uma diversidade étnica. 36. (UPE-SSA 1 2016) A destruição, que alguns grupos radicais islâmicos vêm fazendo nas últimas décadas, parece fazer parte de uma estratégia de anulação da memória coletiva, como se, ao fazerem isso, estivessem a consolidar essa ideia peregrina de que são os escolhidos que foram para uma missão verdadeiramente civilizadora, pretendendo apagar o passado, primeiro instrumento que nos faculta aceder à capacidade crítica. E esse é o medo dessa gente: que aqueles que são dominados olhem para as estátuas agora quebradas dessas salas de memória e questionem a legitimidade de quem os pretende dominar. PINTO, Paulo Mendes. O Direito à Memória, ou quando do alto destas pirâmides, 40 séculos de História nos contemplam! Lisboa: O Público, 2015. (Adaptado) Dessa forma, é CORRETO afirmar que a destruição de ruínas antigas a) é uma obrigação religiosa islâmica, e os grupos radicais apenas cumprem com seus deveres de fé. b) não representa nenhuma ameaça à nossa compreensão de História. São apenas pedras. c) é uma obrigação civilizatória na qual os grupos radicais se empenham. d) mostra como a Antiguidade permanece presente na construção de nossa memória coletiva. e) é um objeto de preocupação apenas para os cidadãos dos países onde os atentados estão ocorrendo. 37. (UEMA 2014) É preciso advertir desde já que esse sistema quadripartite [dividido em quatro partes] de organização da história universal é um fato francês. Em outros países, o passado está organizado de modo diferente, em função de pontos de referência distintos. CHESNEAUX, Jean. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. Trad. de Marcos A. da Silva. São Paulo: Ática, 1995, p. 93. O texto faz referência a um “sistema quadripartite”, ainda muito presente nos materiais didáticos de História do Ensino Básico no Brasil. Esse “sistema” divide a história em Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. Sobre essa divisão, o autor observa que a a) conceituação de história universal é sempre francesa. b) divisão da história em períodos prejudica o seu estudo. c) periodização da história em alguns países é equivocada. d) sistematização da história não depende das referências do passado. e) organização da história como campo de estudo é uma construção cultural. 38. (UFPR 2020) Eis como ainda no início do século XVII se descrevia a figura ideal do soldado. O soldado é antes de tudo alguém que se reconhece de longe; que leva os sinais naturais de seu vigor e coragem, as marcas também de seu orgulho: seu corpo é o brasão de sua força e de sua valentia. [...] Na segunda metade do século XVIII, o soldado tornou-se algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas; lentamente uma coação calculada percorre cada parte do corpo, se assenhoreia dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos. (FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 162.) Levando em conta essa passagem e a obra em que está inserida, é correto afirmar que, para Michel Foucault, instituições como escolas, quartéis, hospitais e prisões são exemplos de espaços em que, a partir do século 28 XVIII, os indivíduos: a) são educados de modo a se tornarem autônomos. b) aprendem a conviver uns com os outros. c) encontram as condições de segurança e bem-estar. d) se tornam mais vigorosos e valentes. e) se fazem objeto do poder disciplinar. 39. (UFPR 2019) Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer o Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele então significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente não está mentindo, porque isso lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma investigação, que passo a expor. (PLATÃO. Defesa de Sócrates. Trad. Jaime Bruna. Coleção Os Pensadores. Vol. II. São Paulo: Victor Civita, 1972, p. 14.) O texto acima pode ser tomado como um exemplo para ilustrar o modo como se estabelece, entre os gregos, a passagem do mito para a filosofia. Essa passagem é caracterizada: a) pela transição de um tipo de conhecimento racional para um conhecimento centrado na fabulação. b) pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão. c) pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade. d) por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso. e) pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso. 40. (UFJF-PISM 1 2020) Nos últimos anos o conceito islamofobia ganhou força no cenário mundial. O termo pode ser designado pela: “estigmatização de todos os muçulmanos, e que se define como uma atitude generalizada e um discurso do medo através do qual as pessoas julgam, sem conhecimento de causa, o Islão como sendo o inimigo, o “outro”, um bloco monolítico perigoso e imutável que é o objeto natural da justa hostilidade dos ocidentais.” ZÚQUETE, José Pedro. A Europa, a extrema-direita e o Islão. Locus, v. 18, p. 209-240, 2012, p. 212. Assinale a alternativa CORRETA: a) Uma das causas da islamofobia está no fato do islamismo não possuir qualquer tipo de relações com o judaísmo ou com o cristianismo. b) Como o preconceito normalmente é consequência de generalizações, a islamofobia tem causado intolerância e hostilidades. c) As causas da islamofobia podem ser explicadas pelo histórico diálogo e ausência de guerras entre cristãos e mulçumanos. d) No decorrer dos séculos não é possível identificar um crescimento do islamismo, causando choques religiosos através da islamofobia com o Estado Islâmico. e) O islamismo surgiu na Arábia, portanto, pode- se afirmar que todos os árabes são muçulmanos, justificando a islamofobia. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto e observe o mapa para responder à(s) questão(ões) a seguir. Nem existia Brasil no começo dessa história. Existiam o Peru e o México, no contexto pré-colombiano, mas Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Canadá, não. No que seria o Brasil, havia gente no Norte, no Rio, depois no Sul, mas toda essa gente tinha pouca relação entre si até meados do século XVIII. E há aí a questão da navegação marítima, torna-se importante aprender bem história marítima, que é ligada à geografia. [...] Essa compreensão me deu muita liberdade para ver as relações queRio, Pernambuco e Bahia tinham com Luanda. Depois a Bahia tem muito mais relação com o antigo Daomé, hoje Benin, na Costa da Mina. Isso formava um todo, muito mais do que o Brasil ou a América portuguesa. [...] Nunca os missionários entraram na briga para saber se o africano havia sido ilegalmente escravizado ou não, mas a escravidão indígena foi embargada pelos missionários desde o começo, e isso também é um pouco interesse dos negreiros, ou seja, que a escravidão africana predomine. [...] A escravização tem dois processos: o primeiro é a despersonalização, e o segundo é a dessocialização. 29 (Luiz Felipe de Alencastro. Entrevista a Mariluce Moura. “O observador do Brasil no Atlântico Sul”. In: Revista Pesquisa Fapesp, no 188, outubro de 2011.) 41. (UNESP 2020) A “despersonalização” e a “dessocialização” dos escravizados podem ser associadas, respectivamente, a) ao fato de que os escravos eram identificados por números marcados a ferro e à interdição do contato entre os cativos e seus senhores. b) à noção do escravo como mercadoria e ao fato de que os africanos eram extraídos de sua comunidade de origem. c) à noção do escravo como tolerante ao trabalho compulsório e ao fato de que ele era proibido de fazer amizades ou constituir família. d) ao fato de que os escravos eram etnologicamente indistintos e à proibição de realização de festas e cultos. e) à noção do escravo como desconhecedor do território colonial e ao fato de que ele não era reconhecido como brasileiro. 42. (CEFET MG 2015) Analise a imagem que se segue, publicada na Revista Careta, em 12 de março de 1960. Essa imagem revela a a) abertura da economia brasileira para o capital estrangeiro. b) atmosfera de euforia resultante do surto desenvolvimentista. c) proximidade do presidente às camadas populares do interior do país. d) política econômica do governo baseada no tripé indústria, transporte e energia. e) manutenção das contradições sociais do país, apesar do desenvolvimento industrial. 43. (ENEM/2013) Vida social sem internet? A charge revela uma crítica aos meios de comunicação, em especial à internet, porque a) questiona a integração das pessoas nas redes virtuais de relacionamento. b) considera as relações sociais como menos importantes que as virtuais. c) enaltece a pretensão do homem de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. d) descreve com precisão as sociedades humanas no mundo globalizado. e) concebe a rede de computadores como o espaço mais eficaz para a construção de relações sociais. 30 44. (ENEM/2018) Figura 1 Figura 2 Esse ônibus relaciona-se ao ato praticado, em 1955, por Rosa Parks, apresentada em fotografia ao lado de Martin Luther King. O veículo alcançou o estatuto de obra museológica por simbolizar o(a) a) impacto do medo da corrida armamentista. b) democratização do acesso à escola pública. c) preconceito de gênero no transporte coletivo. d) deflagração do movimento por igualdade civil. e) eclosão da rebeldia no comportamento juvenil. 45. (ENEM/2016) TEXTO I Embora eles, artistas modernos, se deem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho que a arte anormal. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. Essas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam sinceros: futurismo, cubismo,impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural. LOBATO. M. Paranoia ou mistificação: a propósito da exposição de Anita Malfatli. O Estado de São Paulo. 20 dez. 1917 (adaptado). TEXTO II Anita Malfatti, possuidora de uma alta consciência do que faz, a vibrante artista não temeu levantar com os seus cinquenta trabalhos as mais irritadas opiniões e as mais contrariantes hostilidades. As suas telas chocam o preconceito fotográfico que geralmente se leva no espírito para as nossas exposições de pintura. Na arte, a realidade na ilusão é o que todos procuram. E os naturalistas mais perfeitos são os que melhor conseguem iludir. ANDRADE, O. A exposição Anita Malfatti. Jornal do Cormmercio. 11 jan. 1918 (adaptado). TEXTO III A análise dos documentos apresentados demonstra que o cenário artístico brasileiro no primeiro quartel do século XX era caracterizado pelo(a) a) domínio do academicismo, que dificultava a recepção da vertente realista na obra de Anita Malfatti. b) dissonância entre as vertentes artísticas, que divergiam sobre a validade do modelo estético europeu. c) exaltação da beleza e da rigidez da forma, que justificavam a adaptação da estética europeia à realidade brasileira. d) impacto de novas linguagens estéticas, que alteravam o conceito de arte e abasteciam a busca por uma produção artística nacional. e) influência dos movimentos artísticos europeus de vanguarda, que levava os modernistas a copiarem suas técnicas e temáticas.