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Enganado Eu - Craig Hill

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CRAIG HILL
Enganado? Eu?
CRAIG HILL
Enganado? Eu?
BÜÜ
t l i n c t I E l l t l l l LI IX
Enganado? Eu?
Copyright 1986 Craig S. Hill
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro deve ser reproduzida 
ou transmitida por qualquer meio eletrônico ou mecânico, fotocópia, 
gravação ou sistema de informação, sem a prévia autorização, por escrito, 
do editor.
Todas as citações bíblicas são extraídas de A Bíblia Sagrada. Traduzida em 
português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil, 2a 
ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1996.
Título Original: Decieved Who Me?
Tradução: Ariane Nishimura 
Revisão: Murse Bossay 
Capa: Arte Clube 
Ia Edição no Brasil: 2000 
2a Edição no Brasil: 2001
H645e
Hill, Craig S.
Enganado? Eu? / Craig Hill ; tradução: Ariane 
Nishimura - 2.ed. - São Paulo: Bless, 2001.
222p. ; cm.
ISBN 85-87244-12-4 (broch.)
Tradução de: Decieved who me?
1. Vida Cristã. I.Título
CDD: 248.4
Impressão e Acabamento 
Bless Gráfica e Editora Ltda.
Rua Humberto Polízio, 173 - Centro 
CEP 17580-000 - Pompéia, SP - Brasil 
Fone: (0**14) 452-2799 
E-mail: bless@terra.com.br
01 02 04 05 12 11 10 9 8 6 5 4 3 2 1
iv
mailto:bless@terra.com.br
À minha esposa Jan, cuja paciência e bondade 
fizeram com que este livro se tornasse possível. 
Louvo a Deus pela preciosidade de sua companhia!
v
Agradecimento Especial a:
Jean Orr, por compartilhar sua vida e seu ensino e 
transferir muitos dos conceitos básicos expressados neste livro.
Greg Carr, Kenneth Copeland, Marylin Hickey, Dave 
Roberson, Randy Shankle e Dr. Bruce Thompson, que 
contribuíram com seus ensinamentos para minha vida e minha 
compreensão.
Sherry Koerting, Rosemary Sandow e Vera Thomas, 
por gastarem seus dedos digitando e redigitando o manuscrito.
Janet Ficany, por editar.
13
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55
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185
201
vü
ÍNDICE
Enganado? Eu?.................................
Racionalizando em sua Mente X
Compreendendo no seu Espírito........
Escolha a Vida....................................
Nossa Verdadeira Imagem em Cristo.. 
Manifestações Superficiais da Carne ..
O Leão, o Urso e a Serpente..............
O Primeiro Estilo de Operação Carnal 
O Segundo Estilo de Operação Carnal 
O Terceiro Estilo de Operação Carnal . 
O Quarto Estilo de Operação Carnal ... 
Andar no Espírito: Libertação.............
Prefácio
Ao ler o manuscrito deste livro, fiquei muito surpresa, 
creio que pelo fato de Deus ter trabalhado em minha própria 
vida através de vários capítulos. Parece que alguns pedaços 
soltos foram ajuntados e ordenados. Creio que o Espírito Santo 
ordenou que eu lesse este livro neste momento particular da 
minha vida. Quantos de nós fomos realmente enganados pela 
carne e continuamos sendo enganados em algumas áreas? 
Tomei conhecimento de alguns lugares sutis em que minha 
carne vencera a batalha pelo comando do Espírito em minha 
vida. Percebi onde eu falhara com o Corpo de Cristo e fui cegada 
pela carnalidade em minha vida.
Creio que este é um livro excelente para libertar, e 
recomedo-o a todos os cristãos, especialmente aos líderes. 
Como líderes, somos os mais enganados pela nossa carne. 
Certamente, desejamos que o nosso ministério edifique, e 
somente quando formos libertos é que saberemos como 
libertar outros.
Este é um ótimo livro para libertá-lo. Eu realmente o 
recomendo.
Marilyn Hickey
ix
Introdução
Craig Hill não se tornou um piloto comercial da noite 
para o dia! Quando era garoto, o seu interesse foi despertado 
pelas leis da aerodinâmica. Ele progrediu de pipas e aeroplanos 
para balões, queda livre e planadores. Na sua adolescência, 
obteve a licença de piloto comercial. Ele dominou as leis do 
vento, do tempo e da gravidade.
Nesses dez anos em que conheço Craig, tenho-o 
observado estudar, aprender, praticar e finalmente ensinar as 
leis do espírito (Esdras 7:10).
A vida não é evitar a morte! Craig o ensinará como 
planar enquanto compartilha os princípios da vida espiritual. 
Seus exemplos verídicos e seu ministério por trás da Cortina 
de Ferro acrescentam uma dimensão de grande interesse para 
esta apresentação. Recomendo-o como amigo, irmão em 
Cristo e mestre da Palavra.
Loren Cunninghan
Capítulo 1
Enganado? Eu?
Enganado? Eu? Impossível!
E pensar que eu estava andando no espírito, enquanto, 
na realidade, eu estava andando na carne. E pensar que eu 
estava ministrando a Palavra de Deus, enquanto, na verdade, 
eu estava m inistrando de acordo com a minha própria 
habilidade natural. E pensar que eu estava confiando em Deus, 
enquanto, na verdade, eu estava confiando em mim mesmo. 
E pensar que eu estava andando na sabedoria de Deus, 
enquanto, na realidade, eu estava andando na sabedoria do 
homem e, talvez, na sabedoria demoníaca. E pensar que eu 
era livre, enquanto era escravo.
Será que todas essas afirmações sobre mim poderiam 
ser verdadeiras? Será que eu poderia estar tão enganado a 
ponto de a minha alma não saber distinguir entre trevas e luz, 
escravidão e liberdade? Afinal de contas, eu já havia nascido 
de novo havia 12 anos, eu não era um bebê novo convertido 
em Cristo. Eu era um cristão maduro, cheio do Espírito Santo, 
um conselheiro, um mestre da Palavra, era convidado para 
falar em seminários e em outros países. Essas coisas não 
podiam ser verdade! Confundir o poder ungido da Palavra du­
rante a minha pregação com a manipulação da alma dos 
ouvintes?
Enquanto eu ponderava esses pensamentos naquela 
noite silenciosa, no meu quarto, na Polônia, quase do outro 
lado do mundo, não podia acreditar que tinha sido enganado 
pela minha própria carne. Eu me considerava mais espiritual 
do que a maioria e imune a tal engano. Pensei: “Será que pode 
ser verdade?”
13
Enganado? Eu?
Eu e um pequeno grupo de três conselheiros e mestres 
da Palavra de Deus fomos convidados para ministrar vários 
seminários intensivos e um seminário para pastores no sul da 
Polônia. Estávamos ministrando várias vezes durante o dia e 
dando aconselhamento nos intervalos havia uma semana e 
meia. Uma noite, iniciei uma conversa com Jean Orr, uma das 
pessoas da equipe. Jean era uma mulher de Deus e era 
grandemente usada pelo Senhor no ensino da Palavra e no 
aconselhamento. Ela era uma grande amiga. Ao conversarmos 
naquela no ite , após a reun ião, pedi a Jean que me 
aconselhasse quanto ao meu próprio casamento. Eu me sentia 
frustrado em meu casamento, pois, aparentemente, minha 
esposa Jan vivia fechada e deprimida e, conseqüentemente, 
ela não me apoiava e não apoiava o meu m in istério . 
Freqüentemente, ela me transmitia que não se sentia valiosa 
ou importante e que eu não a amava.
Eu sabia que, na verdade, eu era o causador desses 
sentimentos em Jan, os quais estavam relacionados à forma 
como eu me relacionava com ela como marido. Mas eu não 
sabia como ajudá-la a se sentir amada e valiosa para mim. Eu 
amava Jan e tinha feito tudo o que eu sabia para convencê-la 
do meu amor. F iquei confuso porque, em bora eu me 
esforçasse, eu não conseguia mudar seus sentimentos.
Jean me perguntou se eu realmente gostaria de saber 
o que o Senhor achava e por que eu não conseguia mudar 
minha situação matrimonial. Ela mencionou que Deus lhe havia 
revelado algumas coisas quanto a esse problema, mas ela 
desejava saber se eu estava disposto a permitir que o Senhor 
apontasse o erro e me mudasse. Eu disse que estava.
Então, Jean começou a com partilhar comigo os 
sentimentos que o Senhor lhe havia dado. Ela disse: “Parece 
que você está acreditando que a maioria das áreas em seu 
casamento que não está funcionando ou frutificando é culpa 
de Jan. Você a considera como a causadora dos danos em 
seu casamento. E, devido a essas percepções, você transmite 
essa mensagem a outros e realmente acredita que está 
andando no espírito, sendo obediente a Deus e aturando esses
14
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
problemas de uma maneira bem espiritual e madura. Você se 
considera muito paciente e justo para suportar Jan quandoela 
se sente infeliz ou deprimida. Mas você também manipula 
outros para que eles concordem com você: “Pobre Craig! Ele 
precisa aturar uma esposa tão infeliz e com tantos problemas! 
Isso é verdade, não é?”
Depois que Jean falou essas coisas, senti que meu 
estômago revirava, enquanto o Espírito Santo me convencia 
daquelas palavras. Então, eu respondi: “É verdade.”
Jean continuou: “A verdade é que você está andando 
em orgulho e em justiça própria. Você se sente muito justo por 
ser tão “amável” com Jan, apesar dos problemas dela. Mas, 
na realidade, você não está sendo amável. Você não está sendo 
motivado no seu espírito a suprir as necessidades dela com o 
amor de Jesus. Você está simplesmente usando a Palavra 
como uma lei em sua mente para tentar fazer o que você 
acredita ser “santo” e “espiritual” e o resultado óbvio é a morte. 
Você não está trazendo luz a Jan.”
“Craig, você está muito ocupado em busca dos seus 
objetivos e projetos. Muitos deles provêm do Senhor, mas você 
os executa na carne e você estabelece seus objetivos e planos 
acima de Jan, e ela não se encaixa neles. Você a intimida e 
continua na busca de suas conquistas e realizações. Ao fazer 
isso, você a oprime. Constantemente, você transmite que seus 
projetos, objetivos e outras pessoas são mais importantes do 
que ela. Você está criando e alimentando a desvalorização e 
a falta de amor que Jan está sentindo. Os problemas que você 
considera serem de Jan são simplesmente fruto de sua 
motivação carnal que o leva a alcançar e realizar coisas para 
você se sentir valorizado, honrado e estimado. Você está 
forçando, esmagando e desvalorizando sua esposa. Além 
disso, ao fazer isso, você se sente muito espiritual e justo.” 
Jean continuou: “Na área do seu casamento, você está 
andando no poder da sua própria carne e no poder racional da 
sua própria mente e você não sabe disso. Você acha que está 
andando no espírito. Essa não é a única área da sua vida na 
qual você faz isso, C ra ig. Você tam bém faz isso,
15
Enganado? Eu?
inconscientemente, ao ensinar a Palavra.“
“Sabe, Craig, seu ensino é m uito bom. É bem 
organizado e segue uma seqüência. Você tem boas ilustrações 
para expressar seus pensam entos. Seu ensino é bem 
planejado, é apresentado de maneira clara e é cheio de 
verdades bíblicas. Mas, na maior parte do tempo, não contém 
um pingo da unção de Deus. Seu ensino é apenas intelectual. 
Está na sua mente e flui saindo da sua mente humana, 
passando pelos seus lábios, chegando aos ouvidos das 
pessoas e ficando por ali, em suas mentes humanas. Ele não 
vem do seu espírito, não acrescenta nada ao espírito dos outros 
e não tem unção.”
“Seu ensino sai da sua mente para as mentes deles. 
Os ouvintes o recebem intelectualmente e o armazenam como 
uma informação bíblica muito interessante, mas suas vidas 
não são transformadas. Suas mentes não são renovadas pela 
Palavra porque seu ensino não é ungido. Você está bloqueando 
a unção com o poder da sua razão natural. Você usa um 
discurso talentoso e palavras atraentes de sabedoria, mas elas 
provêm da sabedoria humana. Elas fazem a cruz de Cristo 
inválida na sua vida e na vida dos ouvintes. Você não confia o 
seu ensino a Deus, mas na sua habilidade natural de extrair 
os princípios bíblicos da Palavra e transmiti-los aos outros. 
Você é muito bom nisso e as pessoas reconhecem isso, 
en tre tan to , as v idas dessas pessoas não são 
transformadas.Essa sabedoria é humana e não é ungida.”
Jean compartilhou certas situações em que eu havia 
ferido outras pessoas por meio do sarcasmo, da crítica, de 
observações e do humor irônico.
“Craig, você, freqüentemente, tenta se exaltar ao 
ressaltar os erros ou a falta de conhecimento dos outros. 
Freqüentemente, suas piadas e seu humor são feitos às custas 
das outras pessoas. Algumas vezes você é sarcástico e irônico. 
Essas coisas não estão edificando as pessoas ao seu redor, 
pelo contrário, você as está ferindo.”
Jean continuou compartilhando que todas aquelas 
qualidades não procediam do meu espírito nascido de novo,
16
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
mas emanavam do pecado em minha carne, o qual, por meio 
do engano, havia escravizado minha mente, minha vontade e 
minhas emoções. Além disso, sem que eu percebesse, aquilo 
me havia prendido à lei do pecado e da morte.
Ao retornar ao silêncio do meu pequeno quarto naquela 
noite, eu estava emocionalmente devastado. Jean, uma mulher 
de Deus, simpática e amável, não havia falado aquelas palavras 
em ju lgam ento ou condenação, mas com am or e com 
encorajamento. Porém, uma parte de mim fora profundamente 
ferida, e eu não queria aceitar tais palavras. Eu sabia que alguns 
aspectos do que ela havia compartilhado eram verdadeiros. 
Entretanto, eu achava que nem tudo era verdade em outros 
aspectos da minha vida, e isso fez com que eu ficasse irado 
com ela.
Depois, enquanto minhas emoções se acalmavam, 
comecei a orar e pedi ao meu Pai Celeste que me revelasse a 
verdade. Na medida em que eu esperava no Senhor, aquela 
convicção interior continuava sussurrando como uma vozinha 
me dizendo que tudo o que Jean havia dito era verdade, mesmo 
as partes que eu não conseguia ver e pensava estar certo. O 
Espírito Santo me disse que aquilo era verdade. E eu perguntei: 
“Tudo, Senhor?”
E ele respondeu: “Tudo isso é verdade.”
Quanto mais eu permitia que o Espírito Santo revelasse 
a verdade sobre mim, maiores eram a convicção e o remorso. 
Fui levado ao arrependimento. O Senhor me disse que, ao 
permitir que Ele expusesse o controle da minha própria carne, 
a verdade me libertaria. Antes disso, eu nem sabia que eu 
continuava em escravidão. O Senhor me relembrou de que 
essa era a mesma situação dos judeus, que acreditavam em 
Jesus, mas não estavam conscientizados de sua própria 
escravidão ao pecado em sua carne.
“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós 
permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus 
discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 
Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos
17
Enganado? Eu?
escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: 
Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é 
escravo do pecado. O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, 
para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis 
livres. ” (João 8:31 -36)
Perguntei ao Senhor: “Como posso me libertar de andar 
no meu próprio orgulho e justiça própria? Quero viver uma vida 
santa e justa para o Senhor. Eu pensei que estivesse andando 
em santidade, mas agora vejo que eu estava bem distante 
disso.”
Quando o Senhor me revelou: “Craig, você tenta ser 
santo. Você anda em sua própria força e poder. Dessa maneira 
você nunca será santo e justo. Mas ande na Minha santidade. 
Viva na Minha justiça. O Meu Espírito enche o seu espírito 
humano, você já é santo no seu espírito, pois Eu (dentro de 
você) sou santo.”
Então, o Senhor trouxe à minha mente um versículo 
bem conhecido de uma nova maneira.
“pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos 
santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque 
escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. ” (1 Pedro 1:15-16)
Então, o Senhor me mostrou: “Você é santo, você já é 
santo em seu espírito humano, porque a Minha plenitude enche 
o seu espírito. O seu espírito, por ser nascido de novo e ser 
recriado, está cheio da Minha natureza, que é santidade e 
justiça. Porque Eu habito no seu espírito e sou santo,você 
também já é santo no seu espírito. Pare de andar na carne e 
de tentar ser santo. Ande no espírito e você será santo, pois 
Eu sou santo no seu espírito.”
Quando Deus me revelou isso, senti que havia grande 
esperança! Eu continuo recebendo entendimento sobre quem 
Deus planejou que eu fosse espiritualmente, mas o primeiro 
brilho desse sentimento me deu um novo entendimento de 
como andar no espírito em liberdade.
18
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
Naquela noite, eu me arrependide ter andado na carne 
e de ter confiado em mim mesmo, e não em Deus, e me 
arrependi de todos os detalhes específicos que o Senhor me 
revelara por interm édio de Jean. Pedi a Deus que me 
perdoasse, me purificasse e renovasse a minha mente.
Senti-me verdadeiramente livre. Porém, desde então, 
Deus continua a me dar uma revelação cada vez mais pro­
funda de como a carne, por meio do engano, toma o controle 
da alma (mente, desejo e emoções), frustrando os propósitos 
de Deus para o Seu povo sem que ele saiba.
Talvez m uitos de nós neguem os isso ou nos 
encontremos inconscientes disso, mas a verdade é que cada 
cristão nascido de novo no Senhor Jesus Cristo é enganado 
em certas áreas de sua vida e caminha na carne achando que 
está caminhando no espírito. O apóstolo Paulo nos diz na carta 
aos gálatas que há uma batalha ocorrendo na vida de todo 
cristão nascido de novo. O inim igo não tem poder ou 
autoridade, por isso, a sua única arma eficaz é o engano. É 
apenas por meio do engano que os cristãos renunciam o 
controle e a autoridade legal do seu espírito nascido de novo à 
carne. Nenhum cristão consegue andar no espírito e na carne 
ao mesmo tempo. Um luta contra o outro e o prêmio é o controle 
da mente, da vontade e das emoções.
“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência 
da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra 
a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, 
porventura, seja do vosso querer. ” (Gálatas 5:16-17)
Ao nascermos de novo, é iniciada uma batalha dentro 
de nós entre o nosso espírito e a nossa carne. Nos versículos 
acima, muitas bíblias contêm a primeira letra da palavra espírito 
em letra maiúscula, dando a conotação de Espírito Santo. 
Porém, no original grego, é impossível determinar se ela 
começa com letra maiúscula ou não. Creio que essa palavra 
não devia iniciar com letra maiúscula, porque Paulo fala aqui 
sobre uma batalha entre a carne humana e o espírito humano.
19
Enganado? Eu?
Depois que nascemos de novo, o Espírito Santo habita em 
nosso espírito humano e opera nele. Mas, aqui, Paulo disse 
que podemos obedecer ao nosso espírito ou à nossa carne. O 
versículo 17 afirma que ambos discordam um do outro e que a 
nossa carne é o que nos impede de fazer o que o nosso espírito 
realmente gostaria de fazer: nos motivar para sermos santos.
Na realidade, Paulo diz no versículo 16 que, se 
andarmos (se formos “controlados, dirigidos e guiados”) no 
espírito, é impossível satisfazermos o desejo da carne. Em 
outras palavras, não podemos ser dirigidos pelo espírito e pela 
carne ao mesmo tempo. É um ou o outro que nos motiva a 
qualquer hora, em qualquer área da nossa vida. Entretanto, se 
desejarmos andar em santidade, tudo o que temos que fazer 
é aprender a andar no espírito, e não na carne. Porque, ao 
fazermos isso, nós não satisfaremos o desejo da carne. Assim, 
a nossa carne, por meio do engano, é a única coisa que pode 
nos impedir de andar em santidade e de fazer a vontade de 
Deus.
Num domingo de manhã, acordei mais cedo para orar 
e ler a Bíblia para preparar o estudo da Escola Dominical. Eu 
iria ensinar. Enquanto orava, coloquei como objetivo andar no 
espírito naquele dia. Confessei isso com meus lábios. Cri nisso 
e fui para a igreja com minha esposa e meu filho, cheio de fé, 
e com minha bateria carregada com a Palavra de Deus. Jan 
tinha que passar no berçário depois da classe e disse: 
“Encontro você depois da classe, lá embaixo, na frente do 
berçário, para assistirmos ao culto.” Ministrei aula e, quando 
acabei, me sentia cheio de vida.
Desci as escadas e procurei por Jan, mas não a 
encontrei. Subitamente, me senti um pouco irritado. Decidi 
guardar meu violão no carro e voltei ao lugar novamente. Ela 
ainda não estava no lugar combinado. Pensei: “Onde está ela? 
Está ficando tarde e não encontraremos um bom lugar na igreja. 
Por que ela não chegou ainda?”
Finalmente, encontrei Jan no corredor da igreja 
procurando por mim. Ela havia esperado por mim naquele lugar 
por algum tempo, mas nos desencontramos. Àquela altura
20
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
minhas emoções haviam capturado minha mente, e eu estava 
realmente irado. Eu queria gritar com ela e criticá-la por termos 
que nos sentar em um lugar onde a visão não era muito boa. 
Subitamente, percebi que não estava andando no espírito e 
que minha carne estava dominando a minha mente e fazendo 
com que eu pensasse, falasse e agisse em morte, em vez de 
vida.
Então, o Espírito Santo falou comigo: “Você não está 
na fé. Você está sendo dominado pela sua carne e você está 
pecando. Você precisa se arrepender.”
Pensei: “Como isso aconteceu tão rápido?”
O Espírito Santo também disse: “Você está acreditando 
numa mentira. Você pensa que tudo isso é culpa da Jan.Você 
acha que, se ela estivesse onde deveria estar, na hora certa, 
você não teria andado na carne.”
Eu tive que admitir: “É verdade, Pai, isso é verdade. É 
isso mesmo que eu acho.”
E Deus me disse: “ Isso é uma mentira. A verdade é 
que você próprio se distanciou do espírito (Tiago 1:14-15) e 
permitiu que sua carne começasse a dominar sua vida. Não 
culpe sua esposa. Arrependa-se.” Ao reconhecer a verdade, 
me arrepender e receber o perdão de Deus, toda a ira e a 
morte em minha alma desapareceram, e eu estava novamente 
livre para andar no espírito.
É a nossa carne que se levanta, prende nossa mente, 
nossa vontade e nossas emoções e faz com que façamos 
coisas que antes havíamos determinado não fazer no espírito. 
Basicamente, Paulo disse: “Por causa da minha carne, eu faço 
coisas que não quero fazer, e o que quero fazer eu não faço” 
(Romanos 7:19).
A Bíblia nos diz que o homem é um ser de três partes, 
fe ito à imagem e à sem elhança de Deus. Os homens 
projetaram em suas mentes carnais modelos muito diferentes 
daquilo que são. Alguns dizem que o homem é id, ego e super 
ego. Alguns dizem que o homem é uma combinação particu­
lar da matéria com uma forma de energia cósmica dentro de 
si. Outros consideram o homem um mero animal altamente
21
Enganado? Eu?
evoluído. Mas Deus diz que o homem é criado à Sua imagem, 
é um espírito, possui uma alma e possui um corpo.
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, 
alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda 
de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:23)
Somos seres de três partes: espírito, alma e corpo. 
Muitas vezes nos consideramos mais corpos com mentes e 
emoções. Muitos se identificam mais com, primeiro, seus 
corpos, segundo, suas emoções do que com qualquer outra 
parte do nosso ser. G era lm ente nos iden tificam os e 
acreditamos que somos aquilo que nosso corpo é e achamos 
que somos o que somos pelas nossas emoções e nossa 
mente. Nossa primeira identidade é o nosso corpo. Pensamos: 
“Sou negro.” “Sou branco.” “Sou latino.” “Sou chinês.” “Sou 
bonito.” “Sou feio.” “Tenho apenas uma perna.” “Sou gordo.”
Em segundo lugar, nós nos identificamos com nossas 
mentes e emoções. Somos espírito. Temos uma mente, e 
vivemos num corpo. Deus deseja que comecemos a nos 
considerar no espírito, e não apenas no corpo.
Nosso espírito é aquela parte que é eterna e penetra 
todo o nosso ser. Gênesis 2:7 registra como Deus soprou o 
espírito em Adão, que estava cheio da vida eterna do próprio 
Deus. Aquele era o sopro de Deus. Quando Adão pecou e se 
rebelou contra Deus, seu espírito se tornou corrupto e contraiu 
a natureza do pecado, perdendo a sua natureza original e a 
vida eterna de Deus.
Nosso espírito é a parte que nos permite conhecer 
Deus. Podemos apenas nos relacionar com Deus por meio 
do nosso espírito. Jesus disse que Deus é espírito e que 
aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade 
(João 4:24). Você não pode conhecer a Deus em sua mente, 
em suas emoções ou em seu corpo, apenas em seu espírito.
É o espírito do homem que o difere dos animais. Não 
creio que os animais tenham espírito. A nossa natureza moral 
e anossa consciência residem no espírito. O espírito nos diz
22
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
o que é certo e errado perante Deus, enquanto os animais não 
têm essa informação.
Assim como nosso espírito, nossa alma também é uma 
parte eterna do nosso ser. Tanto a nossa alma como o nosso 
esp írito v ive rão e te rnam ente . Nossa a lm a cons is te 
basicamente em mente, vontade e emoções. Assim como o 
espírito, a alma foi soprada no homem por Deus em Gênesis 
2:7. A Bíblia faz uma referência coletiva à alma e ao espírito 
como “ co ração ” . N ossas a lm as têm uma hab ilidade 
surpreendente para monitorar e receber informação tanto do 
mundo natural como do mundo espiritual. Antes de nascermos 
de novo, nossas almas foram acostumadas basicamente a 
receber informações apenas do mundo natural através dos 
nossos cinco sentidos. Foi a isso que Jesus se referiu em 
Marcos 8:18 quando Ele perguntou aos discípulos: ‘Tendo 
olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis?” Ele estava 
dizendo: “Vocês recebem apenas informações dos seus olhos 
e ouvidos naturais? Vocês não recebem nada no espírito?” A 
nossa alma pode receber informação dos cinco sentidos físicos 
e do nosso espírito. Ela pode receber informação espiritual e 
humana.
O nosso corpo é a moradia física do espírito e da alma. 
O corpo não é eterno, mas temporal, e se decomporá com a 
morte. Quando a Bíblia se refere à nossa “carne” , ela 
geralmente fala da natureza do pecado remanescente (o “velho 
homem”) que continua residindo em nosso corpo. A nossa 
carne é corrupta e busca continuamente apenas a sua própria 
gratificação.
Antes de nascermos de novo, todas as três partes, 
espírito, alma e corpo, estavam em concordância, estavam 
alinhadas com á natureza do pecado, o que corrompeu todo o 
nosso ser. As únicas motivações que conhecíamos antes de 
nascermos de novo eram o egoísmo e a autogratificação. 
Nosso espírito e nossa carne foram alinhados com a nossa 
alma visando o alvo do egoísmo. Era impossível agirmos 
apenas pelo puro motivo do amor incondicional, pois todo o 
nosso ser estava corrompido pelo pecado. É por isso que Deus
23
Enganado? Eu?
falou, por intermédio de Isaías, que todas as nossas justiças 
são como trapos de imundícia perante Deus (Isaías 64:6). An­
tes de nascermos de novo, não importava quão boas e justas 
eram as nossas ações ou quão puras as nossas motivações 
aparentavam ser, a Palavra diz que as nossas motivações 
procedem da corrupção e eram, de fato, imundas perante Deus. 
Assim, era impossível agradar a Deus com a nossa própria 
justiça.
Quando nascemos de novo, um milagre maravilhoso 
acontece dentro de nós. A Palavra diz que passamos da morte 
para a vida, das trevas para a luz. João nos diz que não 
nascemos de novo “do sangue, nem da vontade da carne, 
nem da vontade do homem, mas de Deus" (João 1:13). Paulo 
nos diz em 2 Coríntios 5:17: “E, assim, se alguém está em 
Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que 
se fizeram novas.” \/ocê pode perguntar: ’’Qual parte de mim é 
uma nova criatura? Quais são as coisas antigas que passaram? 
Quais são as coisas novas?” Romanos 6:6-7 nos diz que, ao 
nascemos de novo, o corpo do pecado é destruído para que 
fôssemos libertos do pecado. Qual corpo do pecado foi 
destruído?
Sabemos, pelas nossas experiências, que, depois do 
novo nasc im ento , con tinuam os com o m esmo corpo 
corruptível. O nosso corpo não nasceu de novo. Também 
sabemos que continuamos com a mesma mente e as mesmas 
em oções que tínham os antes. Todas as pessoas que 
nasceram de novo perceberam que aqueles pensamentos 
pecaminosos não desapareceram totalmente da mente depois 
do novo nascimento. Isso tem feito com que muitos novos 
convertidos se preocupem, fiquem com medo e até duvidem 
da sua salvação.
Porém, nem o corpo nem a alma se tornam novas 
criaturas quando nascemos de novo. É o espírito. Romanos 
6:6 fala da natureza do pecado residente em nosso espírito 
que foi destruída no novo nascimento. O nosso homem 
espiritual é a nova criatura. Temos o mesmo cérebro e corpo 
que tínhamos antes. Romanos 12:2 nos diz que o Espírito
24
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
Santo renovará as nossas mentes para a verdade daquilo 
que Deus fez em nosso espírito, mas a mente não nasce de 
novo imediatamente.
Assim, a “coisa antiga” que foi destruída é a natureza 
do pecado em nosso espírito. A coisa nova em nosso espírito 
é a natureza de Jesus Cristo. A boa notícia é que, no seu 
espírito, VOCÊ É, AGORA, tudo o que Jesus era e é. O 
problema é que, a menos que você permita que a Palavra de 
Deus separe a mente e o espírito, somos freqüentemente 
enganados pelos nossos pensamentos e comportamento. 
Hebreus 4:12 afirma: “Porque a Palavra de Deus é viva, e 
eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, 
e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e 
medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos 
do coração.”
Sabemos que o nosso espírito é salvo no novo 
nascimento, mas a nossa alma ainda está no processo de 
renovação. Muitos cristãos não compreendem isso e crêem 
que a alma e o espírito são salvos juntos no novo nascimento, 
ou nem ao menos compreendem a diferença entre alma e 
espírito. Quando, após o novo nascimento, elas se deparam 
com o pecado, ficam muito confusas e são forçadas a duvidar 
da sua salvação ou negar o pecado. Na realidade, uma pessoa 
que ganha pessoas para Cristo não é uma “ganhadora de 
almas”, mas uma ganhadora de espíritos. No novo nascimento, 
a alma apenas inicia o processo de salvação (Tiago 1:21).
Louvado seja Deus! A Palavra separa com exatidão a 
alma do espírito!
‘Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que 
vive pecando não o viu, nem o conheceu. Todo aquele que é nascido 
de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é 
a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido 
de Deus.” (1 João 3:6, 9)
Esses versículos seriam motivo de grande condenação 
se não soubéssemos que eles falam sobre o nosso espírito. 
Eles nos dizem que o nosso espírito recriado e nascido de
25
Enganado? Eu?
novo contém a mesma natureza de Deus na forma de semente 
e, assim, não pode pecar. Tudo que provém do nosso espírito 
humano renovado é puro, santo, justo e tem a natureza de 
Deus. É por isso que, por meio da Sua Palavra, Deus ordenou: 
“Sejam santos, porque Eu sou santo.”
Só podemos ser santos porque Ele é Santo em nós. A 
“santidade” gerada de um espírito não renovado e corrupto é 
como trapos de imundícia perante Deus.
Mas, quando o nosso espírito nasce de novo, ele já se 
torna santo como Ele é santo. Tudo o que procede do nosso 
espírito humano nascido de novo é santo, pois o nosso espírito 
não pode pecar.
Assim , Paulo escreveu: “sabendo is to : que fo i 
crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo 
do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como 
escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado. ” 
(Romanos 6:6-7). Isso quer dizer que agora temos uma 
escolha: sermos escravos do pecado ou sermos libertos do 
pecado. Antes de nascermos de novo, não tínhamos escolha. 
Tínhamos que pecar. O nosso espírito, mente e corpo estavam 
corrompidos pelo pecado. Mas, depois que o nosso espírito 
nasce de novo, temos a escolha de permitir que nossa mente, 
vontade e emoções sejam dominadas e controladas tanto pelo 
espírito, do qual procedem a santidade e a natureza de Deus, 
como pela carne, da qual procedem a natureza do pecado e a 
natureza de Satanás.
Você percebe o que isso significa? Isso significa que 
você pode ter vitória total em sua vida ao, simplesmente, ren­
der a sua mente, a sua vontade e as suas emoções ao seu 
espírito. Se você é um alcoólatra, o alcoolismo está apenas na 
sua mente e no seu corpo. Não está no seu espírito, mas 
provém da sua carne e prende a sua alma. Tudo o que você 
precisa fazer é render esse problema ao seu espírito e você 
será liberto dessas manifestações pecaminosas da sua carne.“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência 
da carne.” (Gálatas 5:16)
26
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
Então, vemos que, depois que nascemos de novo, o 
nosso espírito sempre deseja fazer a vontade de Deus, e a 
nossa carne sempre deseja gratificar a si mesma ao fazer a 
vontade de Satanás. Os dois lutam entre si pelo controle da 
alma. Nosso espírito pode reinar em certas áreas da nossa 
vida, enquanto a nossa carne reina em outras. Paulo nos diz 
que podemos escolher, por meio de nossa vontade, que é parte 
da nossa alma, seguir as inclinações da nossa carne ou a 
direção do nosso espírito.
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira 
que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros 
do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade, mas 
oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos 
membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado 
não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da 
graça.” (Romanos 6:12-14)
Vemos que o pecado não precisa reinar em sua vida, a 
menos que você permita. O versículo 14 diz que não estamos 
debaixo da lei, mas da graça, o que significa que há um 
relacionamento de causa e efeito entre a graça e o domínio do 
pecado. O oposto também é verdade: quando estou debaixo 
da lei, o pecado tem domínio sobre mim.
Assim, a lei é uma arma básica usada pela nossa carne 
para ganhar predominância em nossa alma. Romanos 4:14 
diz que andar debaixo da lei anula a nossa fé e nos impede de 
recebermos as promessas que Deus tem para nós. Quando 
andamos debaixo da lei, nós nos separamos de Cristo e 
fazemos com que o sangue de Jesus seja ineficaz em nossas 
vidas.
“De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da 
graça decaístes.” (Gálatas 5:4)
Além disso, 1 Coríntios 15:56 nos diz que o poder do 
pecado está na lei. A letra da lei nunca gera nada além da
27
Enganado? Eu?
morte, mas o Espírito gera vida.
“o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não 
da letra, mas do espirito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.”
(2 Coríntios 3:6)
Por que o poder do pecado está na lei? Como a lei atua 
para gerar a morte? Paulo diz que a lei, em si, é boa e santa. 
Entretanto, o pecado que opera na lei "me enganou e me matou” 
(Romanos 7:11). Então, como o pecado me engana? Ele me 
engana ao permitir que a minha carne prenda a minha alma e 
me controle.
A verdade é que Satanás não possui um poder real 
sobre a minha vida, pois ele opera somente por meio do 
engano. Ele não pode tocar o meu espírito regenerado. O único 
método que Satanás usa para ganhar predominância na minha 
mente e nas minhas emoções é enganando-me e fazendo com 
que eu permita que a carne domine a minha alma.
Então, como a lei é usada como instrumento de engano 
para trazer morte à minha alma? De acordo com Romanos 
7:22-23, existem três tipos diferentes de leis atuando em mim! 
“Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de 
Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando 
contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado 
que está nos meus membros.”
Primeiro, temos a lei de Deus, com a qual o nosso 
homem interior (espiritual) se regozija. Segundo, temos a lei 
do pecado em nossos membros (carne). Terceiro, temos a lei 
da mente, que luta contra a lei em nossos membros. A lei de 
Deus é a natureza divina de Jesus Cristo que habita em nosso 
espírito. Essa é a vontade de Deus, com a qual nosso espírito 
já está em acordo.
A lei em nossos membros é a natureza corrupta do 
pecado que ainda reside em nossa carne. Essas duas leis 
lutam constantemente uma contra a outra pelo domínio da 
nossa mente. Mas qual é a lei da mente?
No versículo 23, Paulo diz que a minha carne luta con-
28
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
tra a minha mente e me faz prisioneiro do pecado. Se nossa 
carne e nossa mente guerreiam entre si, então, podemos usar 
a lei da mente como arma contra a nossa carne. Contudo, 
Paulo denomina a mente uma arma ineficaz, pois a carne é 
capaz de vencer e nos aprisionar ao pecado.
Creio que a lei da mente é qualquer padrão de 
pensamento ou comportamento que devemos seguir. Então, 
implementamos tais padrões em nossa mente como uma lei 
para lutar contra o pecado. Este padrão pode vir das nossas 
famílias, amigos, igrejas ou até da Palavra de Deus! Os 
padrões podem ser certos ou errados. Mas, mesmo os 
padrões divinos, quando usados como uma lei da mente, fazem 
com que nossa carne vença, e, então, somos aprisionados 
pelo pecado. Por quê? Porque, ao tentarmos vencer o pecado, 
o pecado em nossa carne é mais poderoso do que a lei usada 
em nossa mente.
Por exemplo, compartilhei como minha amiga Jean me 
advertiu , am orosa e honestam ente , quanto a m inhas 
observações críticas, sarcásticas e irônicas. Quando o Espírito 
Santo me convenceu de que isso era verdade, eu disse: 
“Obrigado, Senhor, por me revelar a verdade sobre a minha 
pessoa” e eu decidi parar de fazer observações sarcásticas. 
Durante os dias seguintes, eu me esforcei muito para vigiar 
meus lábios e minhas palavras. Porém, alguns comentários 
maldosos escaparam mesmo assim. Percebi que teria que 
me esforçar mais. Nos próximos dias, eu decidi pesar cada 
palavra antes de pronunciá-la. Mesmo assim, eu soltava meus 
comentários sarcásticos e maldosos antes que eu pudesse 
detê-los. Comecei a ficar desanimado e a me sentir condenado. 
Comecei a pensar que, talvez, eu não devesse mais falar com 
ninguém. Senti-me envergonhado perante Deus, pois Ele me 
havia convencido do pecado desses comentários, mas eu não 
conseguia refreá-los até que eu os soltasse. Comecei a 
implorar ao Senhor que tirasse de mim aqueles pensamentos 
e palavras. Eu não os queria.
Pensei: “Vou ter que me esforçar mais, ter mais 
cuidado e falar menos.” Parecia que, quanto mais eu me vigiava,
29
Enganado? Eu?
mais envergonhado eu ficava perante o Senhor, pois eu não 
conseguia parar. Comecei a clamar ao Senhor em desespero: 
“Por favor, me liberte desse pecado!” Mas parecia que Ele não 
estava me ajudando. Eu fiquei um pouco irritado com Deus e 
pensei: “Deus, por que o Senhor não me ajuda? Por que 
continuo pecando e não consigo parar?”
Finalmente, o Espírito Santo falou comigo: “Eu já o 
libertei disso, mas você não está andando na Minha liberdade. 
O sangue de Jesus foi derramado para libertá-lo, mas você 
continua permitindo que o pecado o domine.”
Eu disse: “Mas, Senhor, estou dando o máximo e não 
consigo parar.”
Imediatamente, Ele disse: “É exatamente por isso que 
você não obtém vitória. Você está tentando parar ao usar a 
minha Palavra como uma lei em sua mente para vigiar seus 
lábios. Você já foi liberto disso no seu espírito, mas você não 
está andando no espírito.”
Com apenas algumas palavras, o Senhor me revelou 
que eu tinha tomado o padrão de comportamento que era 
verdadeiramente Dele em uma lei em minha mente. Então, eu 
tentei cumprir a lei em obediência a Deus. Entretanto, fiz aquilo 
no poder da minha própria força e poder. Eu não me apoiei na 
força de Deus, por isso, fui derrotado pela operação do pecado 
na minha carne.
Quanto mais eu me concentrava no padrão de minha 
m ente, m ais consc ien te eu ficava da m inha p róp ria 
incapacidade de alcançá-lo e da minha condição de pecador. 
Na essência, quanto mais eu tentava lutar contra o pecado, 
mais derro tado , desan im ado e convencido da m inha 
incapacidade de vencer eu ficava.
É exatamente assim que o pecado, através da lei da 
mente, engana as pessoas. Durante aquela batalha, a verdade 
permanecia a mesma: Jesus em mim era mais poderoso do 
que a minha carne. Mas eu acreditara que, inconscientemente, 
o meu pecado era “muito mais forte que Deus” e eu me 
perguntava como poderia agradá-Lo. Eu achava que não estava 
obedecendo a Deus porque eu não conseguia obedecer a Ele.
30
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
Todos esses pensamentos que lutavam contra a leiem 
minha mente eram enganos causados pelo pecado em minha 
carne. Eu declarara guerra contra o pecado, mas, sem 
resultados, o pecado reinava e colhia uma colheita de confusão 
em minha mente e em minhas emoções. Se tais pensamentos 
eram um engano, qual era a verdade? A verdade era que Deus 
ainda me amava incondicionalmente. A menos que eu me 
apoiasse no Seu amor incondicional, eu perderia minhas 
batalhas e questionaria a razão de Deus não me ajudar. Uma 
lei na mente, reforçada pela força humana e pela força de 
vontade, nunca vence o pecado carnal. Nossa esperança está 
apenas na lei do espírito. Romanos 7:23 diz que nunca 
vencemos as batalhas contra o pecado através de leis em 
nossa mente. Pelo contrário, nós nos iramos e ficamos contra 
Deus. Por isso, Paulo afirmou audaciosamente que o poder 
do pecado está na lei (1 Coríntios 15:56). Deus não fica irado 
nem nos julga. Ele nos ama e está esperando que voltemos, 
confiemos Nele e comecemos a caminhar no espírito.
Ao perceber essas verdades, eu me arrependi por ter 
me identificado com a minha carne e ter tentado lutar contra o 
pecado usando a lei em minha mente. Pedi perdão ao Senhor 
e comecei a confessar a verdade de quem eu era no espírito. 
Comecei a acreditar que eu, verdadeiramente, tinha a natureza 
de Jesus Cristo pela rendição da minha mente e dos meus 
lábios ao espírito. Eu não precisava ter que ficar vigiando cada 
palavra. Eu não tinha que lutar tanto. Minha mente começou a 
ser renovada e a voltar-se para a verdade de quem eu era no 
espírito, e eu comecei a ser moldado à natureza de Jesus 
Cristo, que já habitava em mim. Com a minha renovação, as 
minhas palavras refletiam naturalmente o que estava em meu 
interior.
“Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, 
acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa 
para salvar a vossa alma. ” (Tiago 1:21)
A Palavra implantada de Deus renova a nossa mente.
3 !
Enganado? Eu?
Nossas almas (mente, vontade e emoções) estão no processo 
de serem salvas ao serem renovadas à verdade de Deus.
Usar a Palavra como uma lei em nossa mente para 
lutar contra o pecado em nossa carne não nos liberta, mas 
nos engana, fazendo com que pensemos que o nosso pecado 
tem uma raiz profunda e poderosa. Muitos pastores e 
conselheiros cristãos, sem entender isso, freqüentemente 
tentam ajudar as pessoas a vencer seus “problemas” ao lhes 
mostrar como estão desobedecendo à Palavra de Deus e ao 
prescrever princípios bíblicos. Essas pessoas tomam esses 
princípios bíblicos, os quais compreendem intelectualmente, 
e tentam aplicá-los como uma lei em suas vidas. Elas ficam 
desanimadas dizendo: “Já tentei tudo. Nada funciona, nem 
mesmo Deus ou a Bíblia. Não há esperança de libertação para 
mim.” Tal aconselhamento apenas tenta modificar a carne com 
os princípios bíblicos. Deus não deseja que modifiquemos a 
nossa carne ou a carne da outra pessoa. Ele deseja que a 
nossa carne morra e que andemos no espírito.
"Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, 
se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. ”
(Romanos 8:13)
Não seja enganado ao pensar que a sua carne não é 
tão má. Você não pode permitir que a sua carne domine a sua 
vida por um minuto. Gálatas 5:9 nos diz: “Um pouco de fermento 
leveda toda a massa.” Sua carne tentará prender e dominar 
qualquer área da sua mente que você permitir. A sua carne 
tem a natureza de Satanás. É a mesma natureza que matou 
seis milhões de judeus na Alemanha de Hitler e que estupra, 
mata, mutila, tortura e destrói.
Satanás deseja enganá-lo e fazer com que você 
acredite que a sua carne não é tão ruim assim. Querido amigo, 
o pecado, qualquer pecado, é abominável. Deus odeia o pecado. 
Ele odiava isso em Hitler, Ele odeia isso em você e em mim. 
Se percebermos a verdadeira natureza do pecado em nossa 
carne e o objetivo do diabo para destruir as nossas vidas,
32
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
começaremos a odiar o pecado também. Deus deseja que 
odiemos o pecado para que sejamos diligentes em nos 
arrependermos e andarmos no espírito.
Ao odiar o pecado, lembre-se de que você não é o 
pecado. Você é santo no espírito. Então, não se odeie nem se 
identifique com o pecado. Odeie o pecado para que você não 
seja capturado por ele, mas ame a si mesmo de acordo com 
a verdade do plano que Deus já tem, no seu espírito, para a 
sua vida. Se alguém o ferir profundamente, talvez ele o acuse 
falsamente ou difame seu caráter. A ira e o ódio poderão se 
levantar contra essa pessoa. O Espírito Santo imediatamente 
lhe trará convicção de que esse ódio é errado e de que você 
pode se arrepender e tentar amar essa pessoa. Você pode 
pedir a Deus que retire esse ódio e o substitua pelo amor. Você 
pode falar em amor. Você pode planejar ter atitudes de amor 
para com esse indivíduo e praticar isso. Mas nenhuma dessas 
coisas removerá o ódio do seu coração. Por quê? Porque você 
continua se identificando com quem as suas emoções e o 
seu intelecto dizem que você é: uma pessoa cheia de ferida e 
ódio. Isso não é verdade! A verdade é que você é um ser 
espiritual recriado com a natureza de Jesus Cristo e Jesus 
não está cheio de ódio.
Clamar a Deus e pedir a Ele que remova o ódio e o 
substitua pelo am or não é con fia r em Deus. Isso é 
incredulidade. Em vez de crer em Deus e render a sua alma 
ao seu espírito, você acredita no que o seu intelecto e as suas 
emoções dizem sobre você mesmo. Será que você, de alguma 
maneira mágica, mudará algo se clamar a Deus? Se a 
resposta for não, o que acontece, na maioria das vezes, é que 
você acabará sentindo que Deus é infiel por não ajudá-lo a se 
livrar do ódio.
Certa vez, uma jovem me disse: “Não acredito mais 
em Deus. Se Ele realmente fosse Deus, Ele não me deixaria 
ser vencida pelo pecado. ”Ela havia suplicado e implorado a 
Deus que a ajudasse, mas Ele não a libertara. Então, ela 
concluiu que ou ela estava tão fraca e em pecado ao ponto de 
Deus não ajudá-la ou Deus não existia.
3?
Enganado? Eu?
Para responder àquela dúvida, o Senhor me levou a 
perguntar se ela havia visto o filme O Mágico de Oz. Eu não 
acredito nos conceitos passados por esse filme, mas podemos 
extrair uma analogia muito útil dele. Ela havia visto, então, eu a 
relembrei de como a saudosa Dorothy havia calçado sapatilhas 
de rubi que poderiam levá-la rapidamente de volta para casa. 
Mas isso só poderia acontecer se ela aprendesse a usar o 
poder das sapatilhas.
Da mesma maneira, a Palavra de Deus diz: “O meu 
povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” 
(Oséias 4:6). Muitas pessoas no Corpo de Cristo estão sendo 
destruídas e estão morrendo por não saberem quem são em 
Cristo ou como se apropriarem do poder do sangue de Jesus, 
que já purificou e limpou seus espíritos.
Precisamos saber que usar a Palavra de Deus como 
uma lei em nossas mentes não nos libertará do ódio, da lascívia 
sexual, do alcoolismo, da glutonaria, do roubo, da violência fa­
miliar, do conflito, da ira, do orgulho, do egoísmo ou de qualquer 
outra área de pecado. Já fomos libertos de todas essas coisas. 
Simplesmente, precisamos que essa liberdade se manifeste 
em nossas almas.
Outra revelação em Romanos 7 é que, quando um 
crente peca, o espírito recriado não é corrompido pelo pecado. 
Apenas a mente, a vontade, as emoções e o corpo se 
corrompem.
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, 
vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o 
meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que 
detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. 
Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita 
em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não 
habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, 
o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não 
quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu 
quem o faz, e sim o pecadoque habita em mim. Então, ao querer 
fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. ”
(Romanos 7:14-21)
Capítulo 1 - Enganado? Eu?
Quando Paulo diz: “já não sou eu que o faz”, quem é o 
“eu” a quem ele se refere? É Paulo, o homem espiritual. É o 
seu espírito. Por isso, o pecado não emana do espírito, mas 
da sua carne. Ele reconhece a verdade de quem ele realmente 
é como um homem nascido de novo. Ele não é carne. Ele não 
é alma. Ele é espírito. Essa é a sua natureza verdadeira. 
Qualquer outra natureza é algo estranho que capturou sua alma 
ilegal e ilegitimamente e que não é ele.
A verdade sobre quem somos está em nosso espírito, 
não em nossa carne, mesmo quando a nossa alma está 
totalmente dominada pela nossa carne. O primeiro passo rumo 
à liberdade está no reconhecimento dessa verdade. Além disso, 
o nosso espírito não é corrompido pelo pecado, mesmo que a 
nossa mente, vontade, em oções e ações possam ser 
totalmente capturadas pelo pecado. Muitos cristãos sentem 
que perderam a sua salvação ao pecarem. Mas Paulo diz: “Não, 
mesmo que a minha alma e o meu corpo possam ser 
corrompidos pelo pecado, ‘eu’, o homem espiritual, continuo 
puro, justo e santo, pois já não sou mais eu quem o faz, e sim 
o pecado que habita em mim.”
Deus deseja que você saiba, querido irmão ou irmã, 
que entender o pecado não o libertará. Lutar para implementar 
os princípios bíblicos não o libertará do pecado. Nada o libertará, 
com excessão do sangue de Jesus Cristo que, literalmente, 
renova a sua mente e faz com que seu espírito esteja no 
contro le. Se isso não fosse verdade, Deus não teria 
desperd içado o prec ioso sangue de Jesus. Ele te ria 
simplesmente enviado um grupo de psiquiatras altamente 
treinados, mestres da Palavra ou conselheiros cristãos para 
nos ensinar como vencer. Isso custaria bem menos. Mas Deus 
sabia que a única vitória real sobre o pecado provém da 
milagrosa recriação do espírito humano realizada pelo sangue 
de Jesus Cristo e da renovação da alma para verdade de quem 
Ele nos criou para sermos no espírito.
Romanos 10:9 nos fala o que precisamos fazer para 
sermos recipientes daquilo que Jesus fez por nós.
Se você ainda não orou para receber Jesus no seu
35
Enganado? Eú?
coração, você pode fazer a oração abaixo:
Querido Deus, confesso que tenho pecado e desejo 
nascer novam ente através do Teu Filho Jesus. Eu me 
arrependo dos meus pecados e peço o Teu perdão. Eu creio 
no meu coração que Jesus morreu, foi ressussitado da morte 
e vive hoje. Recria o meu espírito agora, Senhor, pelo poder 
do sangue derramado de Jesus. Eu confesso que Tu és agora 
o meu Senhor e eu creio que sou um filho de Deus nascido de 
novo.
Obrigado, Deus, pela minha salvação. No nome de 
Jesus. Amém.
Aceitar a Jesus é o primeiro passo para a liberdade. Ao 
fazer isso, o seu espírito humano é milagrosamente recriado. 
Descobrir por meio da Palavra de Deus a maneira de se viver 
à imagem de Jesus (transformando a sua personalidade 
humana para conformar ao seu espírito recriado) é o segundo 
passo rumo a uma vida de maior satisfação.
36
Capítulo 2
Racionalizando em sua Mente 
x 
Compreendendo no seu Espírito
Terry era uma jovem cristã muito atraente. Ela veio ao 
meu escritório achando que eu pudesse ajudá-la numa questão 
de negócios. Ela havia considerado bem todas as opções, mas 
continuava indecisa e esperava que eu pudesse lhe dar uma 
palavra do Senhor, ou, pelo menos, um conselho sábio e di­
vino.
Fiquei um pouco inseguro, pois eu não tinha certeza 
de qual caminho ela deveria seguir. Ela esperava que eu lhe 
fornecesse uma resposta de Deus, e, se eu falhasse, ela 
acharia que eu não era muito espiritual.
Então, o Espírito Santo me falou: “Arrependa-se do 
orgulho. Pare de se preocupar com a sua reputação e de tentar 
descobrir o que falar. Ouça-me no seu espírito, e eu lhe direi 
como aconselhar.” Eu me arrependi e comecei a permitir que 
o Senhor falasse ao meu espírito.
Primeiro, perguntei a Terry o que o Senhor lhe havia 
mostrado sobre a situação. Ela disse que havia orado muito, 
mas Deus não lhe havia mostrado nada. Perguntei se o Senhor 
fa lava com ela regu larm ente sobre outras áreas. Ela 
respondeu: “Ultimamente, não.” Então, eu lhe perguntei se ela 
sabia por que ela não estava ouvindo a Deus. Ela não sabia.
O Senhor me havia mostrado que ela não estava 
com preendendo m uito em seu esp írito , mas estava 
raciocinando tudo, inclusive o seu relacionamento com Ele, 
em sua mente. Eu disse: “Vamos orar e perguntar ao Senhor
37
Enganado? Eu?
por que você não O tem escutado.”
Ao orarmos, a palavra “amargura" pulou do meu espírito 
para a m inha mente. Perguntei a Terry se ela estava 
amargurada com alguém e se guardava ressentimento contra 
essa pessoa. Ela não se lembrava de ninguém.
Eu disse: “Vamos orar novamente. Dessa vez, abra o 
seu espírito para escutar Seu Pai Celestial. Ele lhe mostrará 
qualquer área de amargura.”
Logo depois que começamos a orar, Terry começou a 
chorar. Perguntei-lhe o que havia acontecido. Ela começou a 
falar sobre um homem com quem noivara havia um ano e meio. 
Ela o amava muito e achava que ele havia cometido um erro 
ao romper o relacionamento, o que a feriu profundamente. Deus 
lhe havia mostrado que ela continuava amarga e irada com 
esse homem por ele tê-la magoado tanto.
O ram os navam ente, e Terry se arrependeu da 
amargura e permitiu que o sangue de Jesus começasse a 
purificá-la e a curá-la. Enquanto estávamos orando, o Senhor 
falou ao meu espírito: “Ela se sente da mesma maneira com 
relação a Mim. Ela está irada e amargurada Comigo também.” 
Compartilhei isso com Terry e ela começou a chorar novamente 
enquanto o Senhor a convencia disso. Ela começou a 
compartilhar que, até então, não percebia isso, mas estava 
irada com Deus. Ela sentia que, se Ele realmente a amasse 
ou se importasse com ela, Ele já lhe teria providenciado um 
marido. Ela estava sozinha e desejava desesperadamente um 
marido. Terry havia sido rejeitada por homens várias vezes no 
passado. Sem perceber, bem no seu interior, ela culpava Deus 
por toda a rejeição e pela falta de um marido.
Em sua mente, Terry havia formado, bem cedo, uma 
imagem de si mesma como sendo constantemente rejeitada 
pelos homens. Quase toda vez que ela conhecia um homem 
por quem se interessava, ela esperava que ele, no final, a 
rejeitasse. Essa profecia se cumpriu por si só. O que havia 
acontecido? Ela havia interpretado experiências baseadas, 
incorretamente, no conhecimento dos cinco sentidos, o que, 
conseqüentemente, construiu uma auto-imagem errada.
38
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
No seu interior, Terry visualizava Deus da mesma 
forma. Ela não acreditava que Deus pudesse se preocupar 
com ela, pois Ele não “supria suas necessidades” . Então, 
concluiu, tristemente, que Ele a rejeitaria também. Prova disso 
era o fato de Ele não lhe ter provido um marido.
O resultado era que Terry queria confiar em Deus. Mas 
ela não conseguia, por estar muito irada com Ele e por pensar 
que Ele não se importava com ela e a rejeitava. Ninguém 
consegue confiar em uma pessoa com quem esteja irado ou 
que o tenha machucado. Terry estava clamando que Deus lhe 
desse um marido, sabedoria e direção, mas ela não estava 
conseguindo confiar Nele, por acreditar que Ele lhe fora infiel 
ao abandoná-la.
É importante notarmos que todas essas conclusões 
falsas provinham da interpretação lógica das experiências e 
das palavras ditas no passado. Quando compartilhei com Terry 
a verdade sobre a identidade de Deus e do Seu amor por ela, 
ela começou a receber esse amor. Oramos novamente, e ela 
se arrependeu por ter acreditado nas mentiras sobre Deus, 
sobre homens e sobre si mesma. Ao permitir que o seu espírito 
dominasse sua mente, ela foi completamente liberta da 
amargura contra Deus. Eu lhe disse que, por ela estar 
ressentida contra Deus, ela não conseguia confiar Nele. O que 
aconteceu foi que a incredulidade a bloqueou, impedindo-a de 
compreenderno espírito e ouvir a Deus. Eu lhe disse que, se 
ela buscasse Deus e tivesse o objetivo de compreender na 
esfera espiritual, sem racionalizar em sua mente, o Senhor 
falaria claramente com ela sobre as decisões nos negócios.
Três dias mais tarde, Terry compartilhou que Deus lhe 
havia dado direção específica e que ela estava tendo um tempo 
maravilhoso de comunhão com seu Pai.
Quando permitimos que nossas mentes usem apenas 
o raciocínio lógico para interpretar palavras e circunstâncias, 
somos guiados a conclusões tolas e bloqueamos a nossa 
capacidade de compreensão espiritual e a intimidade com o 
Senhor. Terry havia sido enganada ao interpretar palavras e 
experiências de acordo com sua própria mente natural.
39
Enganado? Eu?
A nossa mente humana possui a incrível capacidade 
de monitorar e receber informações, simultaneamente, do 
mundo natural e do mundo espiritual. Nossa mente e nossas 
emoções recebem informação natural através dos nossos 
cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato), enquanto 
a nossa alma recebe informação do nosso espírito. Assim, 
quando nascemos, temos dois tipos diferentes de percepção 
d ispon íve is . Podem os tira r conc lusões baseadas no 
conhecimento, compreendidas no espírito ou provenientes dos 
cinco sentidos.
A partir da nossa infância, o mundo nos treina para nós 
nos basearmos no conhecimento dos nossos cinco sentidos 
e nas nossas mentes humanas. Depois que nascemos, nosso 
Pai Celeste pode falar conosco por meio de nossos espíritos. 
Entretanto, nossas mentes estão tão programadas para rejeitar 
a informação espiritual e basear nossas opiniões e atitudes 
apenas no raciocínio “lógico” que continuamos pensando dessa 
maneira quando nos tornamos cristãos.
No geral, continuam os com preendendo a nossa 
identidade pessoal baseados nas imagens enraizadas 
p ro fundam en te em nossas a lm as, adqu iridas pelo 
conhecimento dos cinco sentidos e pelo raciocínio humano. 
Em outras palavras, eu sou o que a minha mente e as minhas 
emoções dizem que sou. Eu considero a minha pessoa dessa 
maneira baseado na in terpretação natural das m inhas 
experiências e das palavras que os outros me dizem.
Deus quer que saibamos que os nossos cinco sentidos 
nem sem pre nos fo rnecem a in fo rm ação corre ta . As 
interpretações e as conclusões da mente fornecidas pelo 
conhecimento dos cinco sentidos são freqüentemente erradas. 
Isso é particularmente verdade quando tiramos conclusões 
sobre a nossa iden tidade pessoal e sobre o nosso 
relacionamento com Deus e com outros.
Por exemplo, suponhamos que uma menina de quatro 
anos, que ama muito seu pai, o vê construindo algo na garagem 
num sábado à tarde. Motivada pelo amor que tem por ele, a 
menina se aproxima do pai e tenta ajudá-lo ao segurar a tábua
40
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
que ele está tentando pregar. Mas o pai, imerso em seu 
trabalho, não compreende o desejo da filha em ajudar e lhe diz 
rispidamente: “Vá para dentro brincar. Você não está vendo 
que o papai está trabalhando?”
Nesse ponto, a filha teve uma experiência proveniente 
da informação dos seus cinco sentidos. Ela vê o olhar na face 
de seu pai. Ela ouve as palavras que ele lhe dirigiu e ouve o 
tom da sua voz. Sua mente e suas emoções se empenham 
em interpretar essas experiências.
Baseada na informação que seus olhos, seus ouvidos, 
seu corpo e suas emoções captaram, ela conclui que: 1) O 
papai não a ama de verdade, 2) Se ele a ama, o seu trabalho é 
muito mais importante do que ela, 3) Ela não é uma bênção 
para ele, pelo contrário, ela é um estorvo, 4) Ela não deve tentar 
ajudá-lo nas próximas vezes, pois ele não quer ajuda.
Essa menina formou em sua alma imagens erradas. 
Elas não são a verdade e estão baseadas em interpretações 
erradas feitas pela mente humana através do conhecimento 
dos cinco sentidos. Contudo, elas se tornam profundamente 
enraizadas. É muito provável que, quando essa menina crescer, 
ela continue considerando a si mesma da mesma forma no 
seu relacionamento com seu marido e com o Senhor. Ela não 
compreenderá porque Ele não supre as suas necessidades 
ou porque ela se sente tão indigna de entrar em Sua presença. 
Para ela, seu marido sempre estará muito ocupado fazendo 
coisas importantes, enquanto ela não será importante para ele 
e fará apenas coisas irrelevantes. Tudo isso provém de 
im agens fa lsas baseadas na rac iona lização hum ana 
desenvolvidas na infância.
Deus não quer que usemos o raciocínio humano ou o 
conhecimento dos cinco sentidos para determinar a nossa 
identidade pessoal ou em nosso relacionamento com Ele e 
com outros. A Palavra de Deus diz em 1 Coríntios 2:14: “Ora, 
o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, 
porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas 
se discernem espiritualmente.”
O nosso raciocínio e as emoções humanas não nos
41
Enganado? Eu?
levam à verdade de quem somos, de quem Deus é, de quem 
são os outros ou de como nos relacionamos com eles.
“Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua 
própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura 
da pregação.” (1 Coríntios 1:21)
A nossa própria sabedoria humana não nos leva a 
conhecer a Deus. Podemos saber muitas coisas sobre Deus 
através da sabedoria humana, mas poderemos apenas 
conhecer a Deus através de nosso espírito nascido de novo. 
Jesus nos disse em João 4:23 que Deus é um espírito e que 
aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e em 
verdade. Podemos apenas nos relacionar com nosso Pai 
através do nosso espírito e devemos nos relacionar com Ele 
baseados na verdade de quem Ele é como um Espírito e de 
quem nós somos como espírito.
Não estou dizendo que você não precise da informação 
dos seus cinco sentidos. Para dirigir um carro, você precisa 
da informação proveniente dos seus cinco sentidos. Se você 
estiver num cruzamento, você precisa olhar primeiro e ver se 
o sinal está verde. Porém, você também precisa compreender 
outras informações no seu espírito. Um exemplo pode ser um 
carro que, ao virar a esquina sem obedecer os sinais de 
trânsito, é imperceptível aos seus cinco sentidos.
Por que o conhecimento dos cinco sentidos é tãQ 
des tru tivo nas áreas de iden tidade pessoal e de 
relacionamentos? Porque é basicamente através dos cinco 
sentidos que a nossa carne nos engana, aprisionando nosso 
mundo da alma. Nossas mentes estão tão programadas para 
tirar conclusões baseadas no conhecimento dos cinco sentidos 
que, geralmente, consideramos tolas as informação fornecidas 
pelo nosso espírito, como Paulo afirma em 1 Coríntios 2:14.
O conhecimento dos cinco sentidos é resumido em 
uma só palavra: carne. Se a sua mente é dominada pela carne, 
a Palavra diz que você está odiando Deus.
“Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito,
42
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade 
contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo 
pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar 
a Deus.” (Romanos 8:6-8)
A palavra grega traduzida como “ in im izade” , no 
versículo sete, significa “ódio arraigado”. Em outras palavras, 
a mente estruturada na carne age contra Deus por meio de 
um ódio arraigado. Quando a sua mente é dominada pela 
carne, consciente ou inconscientemente, Deus diz que você 
está odiando-O. Por esta razão, a nossa justiça própria perante 
Deus é como trapos de imundícia (Isaías 64:6). Entretanto, 
queremos amar a Deus e determinamos amá-Lo em nosso 
espírito.
Vamos olhar um exemplo da Bíblia. O evangelho de 
Marcos registra um evento em que Jesus ensinava uma grande 
multidão em uma casa. Por causa da multidão, quatro homens, 
que traziam um paralítico para ser curado, não puderam se 
aproximar de Jesus. Sem hesitarem, eles subiram até o teto e 
desceram o paralítico ao lado de Jesus.
“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados 
estão perdoados. Mas algunsdos escribas estavam assentados ali e 
arrazoavam em seu coração: Por que fala ele deste modo? Isto é 
blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? E 
Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, 
disse-lhes: Porque arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 
Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, 
ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?”
(Marcos 2:5-9)
Essa passagem deixa claro a diferença entre o 
raciocínio dos escribas em seus corações e a compreensão 
de Jesus no Seu espírito. Os escribas não compreenderam 
nada em seus espíritos. Seus espíritos estavam mortos para 
Deus. Eles apenas sabiam como receber o conhecimento dos 
cinco sentidos e avaliar de acordo com o poder do raciocínio 
lógico em suas mentes.
43
Enganado? Eu?
A palavra grega traduzida como “raciocínio”, nessa 
passagem, é dialogizomai. Essa é a palavra no grego da qual 
se deriva no inglês a palavra “diálogo”. Essa palavra é composta 
de duas outras palavras gregas: 1) dia3, uma preposição que 
denota um canal de um ato. S ignifica “através ou por 
instrumentalidade” e 2) log izom a i, um verbo que significa 
“avaliar, concluir, raciocinar, considerar, supor, ou calcular” . Ela 
provém da raiz grega da palavra em inglês “lógica” ou raciocinar 
e calcular na mente pela lógica. Assim, dialogizomai significa 
o processo de tira r uma conclusão a través ou pela 
instrumentalidade de avaliar (descobrindo os prós e os contras) 
ou raciocinando, considerando e calculando a “verdade” na 
mente através da lógica.
Foi assim que os escribas avaliaram a identidade de 
Jesus, seus ensinos e suas palavras. A avaliação deles os 
levou a uma conclusão falsa. Em vez de descobrirem a verdade 
e de serem libertos (João 8:32), eles foram levados ao engano 
e a uma escravidão ainda maior do pecado em sua carne.
Jesus, por outro lado, não “logizomai"os escribas. Ele 
não pensou: “Eles estão me olhando de maneira estranha. O 
que será que eles estão pensando? Provavelmente, eles não 
gostam do que eu estou falando. Acho que eles não gostam 
de mim. Bem, não importa. Sei que estou certo e eles são um 
bando de hipócritas.” Não! Jesus não raciocinou em sua mente 
o que as pessoas estavam pensando ou fazendo, ou como 
elas estavam se relacionando com Ele. A Bíblia diz que Jesus 
“percebeu em Seu espírito que eles estavam raciocinando em 
seus corações” .
A palavra grega traduzida em Marcos 2:8 como 
“perceber” é epiginosko. Essa palavra também provém de duas 
raízes gregas: 1) epi, uma preposição que significa “a 
sobreposição de” e 2) ginosko , um verbo que significa “sa­
ber, estar consciente de ou perceber” . Em outras palavras, o 
conhecimento ou a conscientização é sobreposta na mente, 
mas não provém da racionalização lógica. Então, onde o 
conhecimento ou a percepção é sobreposta? Marcos 2:8 nos 
diz que Jesus “epiginosko” ou percebeu no Seu espírito. Jesus
44
Capitulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
sabia em Seu espírito o que os escribas estavam pensando 
porque Deus lhe mostrou. Jesus tirou conclusões corretas 
sobre si mesmo, sobre o paralítico e sobre os escribas e agiu 
de acordo com elas.
Os escribas, por outro lado, tiraram conclusões 
erradas sobre si mesmos (orgulho, justiça própria), sobre Jesus 
(blasfemador) e sobre o paralítico (pecaminoso, doente, 
adoentado, devido ao pecado e indigno de ser perdoado e 
curado). Ali estavam homens que desejavam servir a Deus e 
achavam que estavam fazendo isso. Entretanto, eles estavam 
sendo enganados pela sua própria carne e estavam, na 
realidade, odiando a Deus.
Freqüentemente, nós, cristãos, fazemos as mesmas 
coisas que os escribas fizeram. Empregamos o raciocínio 
humano para interpretar o conhecimento dos cinco sentidos e 
tiramos conclusões erradas sobre a nossa identidade pessoal, 
sobre a identidade de Deus, sobre a identidade das pessoas e 
sobre a verdadeira natureza dos nossos relacionamentos com 
Deus e com outros. Acabamos odiando a Deus porque, sem 
que percebamos, nossas mentes são dominadas pela carne. 
Pensamos que estamos no espírito e que amamos a Deus, 
mas, por alguma razão, as coisas simplesmente não dão certo.
As escrituras dão vários exemplos de pessoas que 
buscaram honestamente a verdade, mas cujas mentes 
estavam tão programadas que não conseguiram compreender 
a verdade espiritual.
Por exemplo, em João 3, Nicodemos buscou Jesus, 
mas sua mente continuava fazendo com que ele tirasse 
conclusões tolas. Jesus lhe disse que ele tinha que nascer de 
novo. Entretanto, Nicodemos não compreendeu no seu espírito 
e raciocinou em sua mente como uma pessoa poderia entrar 
novamente no ventre e nascer de novo. Jesus falou que o 
espírito é como o vento, mas Nicodemos não conseguia 
entender aquilo também. Por quê? Porque a mente humana 
não consegue compreender as coisas do espírito Elas 
precisam ser discernidas espiritualmente.
Como a maioria dos cristãos, você, provavelmente,
45
Enganado? Eu?
discerniu no seu espírito e também raciocinou em sua mente. 
É possível compreender no espírito por um momento e depois 
raciocinar na mente sobre diferentes questões. Isso aconteceu 
com os discípulos de Jesus em Mateus 16.
“Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se 
de levar pão. E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento 
dos fariseus e dos saduceus. Eles, porém, discorriam entre si, dizendo: 
É porque não trouxemos pão. Percebendo-o Jesus, disse: Por que 
discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? 
Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco 
mil homens e de quantos cestos tomastes? Nem dos sete pães para 
os quatro mil e de quantos cestos tomastes? Como não compreendeis 
que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento 
dos fariseus e dos saduceus. Então, entenderam que não lhes dissera 
que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos 
fariseus e dos saduceus.” (Mateus 16:5-12)
Nessa passagem, Jesus se referiu ao ensino dos 
fariseus e dos saduceus. Mas seus discípulos, por agirem na 
carne, pensaram que Jesus deveria estar preocupado porque 
eles haviam se esquecido de trazer o almoço e Ele estava 
com fome. Eles chegaram àquela brilhante conclusão dirigidos 
pela carne através do raciocínio lógico. Eles tinham se 
esquecido de que a falta de pão não era um problema para 
Jesus, que, pouco tempo antes, havia multiplicado sete pães 
e alguns peixinhos para alimentar as multidões.
A falta de pão não era problema para Jesus. Mas os 
discípulos não entenderam a verdade espiritual por não 
estarem recebendo informações do seu espírito. Eles estavam 
permitindo que a sua carne dominasse suas mentes e, assim, 
recebessem informações apenas dos seus cinco sentidos (dos 
seus estômagos, provavelmente).
Entretanto, na próxima parte do capítulo, Pedro recebe 
em seu espírito algo do Espírito de Deus .
“Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus 
discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles
46
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: 
Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis 
que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho 
do Deus vivo. Então, Jesus lhes afirmou: Bem-aventurado és, Simão 
Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas 
meu Pai, que está no céus.” (Mateus 16:13-17)
Jesus confirmou que a revelação de Pedro sobre a Sua 
verdadeira identidade não viera do raciocínio carnal, mas do 
Pai, que está nos céus. Imediatamente, depois disso, Pedro 
pára de andar no espírito e começa a andar na carne.
“Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrara seus discípulos 
que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas 
dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e 
ressucitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a 
reprová-lo, dizendo:Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum 
te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! 
Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de 
Deus, e sim das dos homens." (Mateus 16:21 -23)
Jesus disse a Pedro que a sua mente havia dominado 
a sua carne e que ele estava tirando conclusões baseado no 
interesse do homem, não no de Deus. Jesus notou que 
Satanás estava operando na carne de Pedro para frustrar os 
propósitos de Deus.
Portanto, Mateus 16 mostra os discípulos andando no 
raciocínio natural e também de acordo com a revelação. 
Quando eles com preendiam no espírito, eles recebiam 
revelações maravilhosas de Deus. Quando raciocinavam na 
carne, tiravam conclusões ridículas e perdiam sua fé em Deus.
Assim, você pode concluir que o pensamento do mundo 
nos leva a conclusões tolas relacionadas às coisas de Deus. 
Receber a Palavra de Deus apenas intelectualm ente e 
racionalizá-la fará com que você acabe tirando as mesmas 
conclusões tolas.
Constantemente, o mundo nos ensina a misturar a 
lóg ica com a Palavra de Deus. O m undo crê que o
47
Enganado? Eu?
conhecimento e a compreensão trazem liberdade. Além disso, 
o mundo enxerga as pessoas como se tivessem “problemas 
pesso a is ” , “desordens em oc iona is ” e “dese qu ilíb rios 
psicológicos.” A compreensão mundana diz e crê que, se as 
pessoas compreenderem a raiz desses problemas e lidarem 
com eles ao mudarem o pensamento ou o comportamento, 
então, os problemas serão resolvidos. A “carne” cristã não é 
muito diferente, porque ela crê que, se as pessoas encontrarem 
os princípios bíblicos que foram quebrados, compreenderem 
e ap lica rem esses p rinc íp ios b íb licos , os prob lem as 
desaparecerão.
Quando os cristãos fazem isso, eles compreendem a 
Palavra de Deus apenas em suas mentes humanas. Isso 
sempre resulta em fracasso e frustração. Resumindo, Deus 
quer que andemos no espírito.
Quando paramos de tentar raciocinar a Palavra de Deus 
e permitimos que ela permeie o nosso espírito, para que a 
compreendamos em nosso espírito, em vez de filtrá-la por 
meio de nossa mente carnal, a Palavra se torna espírito e vida 
e explode dentro de nós. Ao ser estimulada pela Palavra, a 
vida eterna de Cristo emana em nossos espíritos e a Palavra 
enche a nossa alma, trazendo vida, paz e liberdade.
Jesus disse que as Suas palavras são espírito e vida. 
Mas, quando Seus ouvintes as recebiam apenas em suas 
mentes humanas, as mesmas palavras não eram espírito e 
vida para eles. Da mesma forma, quando Jesus disse aos 
seus discípulos: “Se comerdes da minha carne e beberdes do 
meu sangue, terás a vida eterna” , eles não conseguiam 
compreender essa mensagem em suas mentes humanas. 
Pelo contrário, eles murmuraram e reclamaram.
“Estas coisas disse Jesus, quando ensinava na sinagoga de 
Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, 
disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, 
sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas 
palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes 
o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito
48
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos 
tenho dito são espírito e são vida. ” (João 6:59-63)
Se ganharmos apenas a compreensão intelectual da 
Palavra, ela não será espírito e vida para nós. É por isso que, 
freqüentemente, os seminários têm dificuldade de produzir 
líderes cheios de fé, espírito e vida. Se usarmos o método 
mundano para compreender a Palavra de Deus, teremos 
resultados proporcionais a esse método. Paulo expressou isso 
da seguinte maneira:
“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho 
de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. 
Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este 
crucificado. ” (1 Coríntios 2:1 -2)
Nossa mente pode até conseguir produzir teorias e 
sistemas brilhantes e bons ensinos da Palavra, mas se tais 
ensinos procederem do nosso poder natural de raciocínio, 
subitamente, concluímos que eles nasceram da nossa carne. 
Não importa quão bons ou brilhantes eles aparentem ser, esses 
ensinos farão com que vocês e as pessoas que os escutam 
confiem em si m esmas, enquanto pensam que estão 
confiando em Deus. Esses pensamentos anulam a cruz de 
Cristo.
Esses são exatamente os pensamentos que minha 
amiga Jean compartilhou comigo. O resultado? Compreendi 
que os meus ensinos, freqüentemente, não eram ungidos. 
Quando Jean ministrou essa verdade a mim, na Polônia, fiquei 
ofendido e magoado pelas suas palavras. Entretanto, eu sabia 
o suficiente para crucificar o poder do raciocínio humano na 
interpretação da informação. Em vez de tentar raciocinar as 
suas palavras na minha mente humana, decidii pedir ao meu 
Pai que me desse a revelação no espírito. Esse foi o início do 
processo de receber algumas das revelações mais profundas 
da Palavra de Deus e do Espírito que eu já havia recebido em 
toda a minha vida. Louvado seja o Senhor!
49
Enganado? Eu?
Palavra ou Cal
Durante esse período de convicção na Polônia, o 
Senhor me mostrou que o meu ensino não era ungido e que, 
se qualquer pessoa reagisse a ele, isso geralmente acontecia 
não por causa da convicção do pecado motivado pelo Espírito, 
mas a algo que vim a denominar de “manipulação da Palavra”. 
Deus me mostrou que eu havia usado a Palavra para manipu­
lar as pessoas com a intenção de transformá-las. Eu estava 
usando a Palavra para tentar convencer as pessoas do pecado 
para que elas se arrependessem. Eu também usei a Palavra 
para manipular os crentes a seguirem Jesus.
As pessoas que reagiam àquela manipulação não eram 
verdadeiramente libertas. Elas permitiam que sua carne fosse 
manipulada pela minha carne, e não havia uma convicção real 
do Espírito que conduzia ao arrependimento verdadeiro.
"Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e 
sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a 
verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, 
animal e demoníaca.’’ (Tiago 3:14-15)
A sabedoria humana, que emana da nossa própria 
carne e entra em nossa mente, não vem de Deus e desafia a 
Verdade. Ela não é apenas não espiritual e terrena, mas 
demoníaca. A nossa própria sabedoria humana não é apenas 
neutra ou má, nossa alma, quando governada pela carne, 
torna-se a área em que os espíritos demoníacos adquirem 
poder.
Deus me disse: “Se você continuar a se mover na sua 
própria habilidade da alma e da sabedoria humana, suas idéias 
brilhantes e a sua sabedoria não serão apenas ineficazes e 
tolas, mas terão origem demoníaca e o levarão a uma súbita e 
enganosa rebelião e desprezo pela Verdade.
Os cristãos que utilizam suas mentes humanas para 
compreender a Palavra acabarão inventando meras doutrinas 
e idéias de origens demoníacas. Isso não acontece somente
50
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
com os Mórmons, Testemunhas de Jeová ou com a Ciência 
Cristã. Isso pode acontecer numa igreja nascida de novo e 
cheia do Espírito, pode acontecer até mesmo em sua igreja.
Você já ouviu falar em doutrinas como aquela que 
declara que Deus não opera mais milagres nos dias de hoje? 
Ou que os dons do Espírito não são para o presente? Ou: “Se 
você não falar em línguas, você não nasceu de novo”? Essas 
doutrinas são ensinadas por pessoas nascidas de novo que 
estão em igrejas nascidas de novo. Sua origem é demoníaca. 
As conclusões foram tiradas por cristãos que amavam a Deus, 
mas que tentaram compreender a Palavra através de suas 
mentes humanas.
E com relação aos pequenos desvios da verdade com 
o intuito de atingir bons objetivos? E o ministério que embeleza, 
sempre tão sutilmente, uma história no jornal para que aparente 
ser mais poderosa e as pessoas sejam motivadas a ofertar 
mais? O que é isso? É m anipulação mundana. Os fins 
justificam os meios.
Dizemos: “Temos maisdinheiro para expandir o 
evangelho e para salvar as pessoas.” Essa é uma sabedoria 
puramente humana e de origem demoníaca. Entretanto, os 
cristãos fazem isso todo o tempo.
E o ministério que envia uma carta apelativa com as 
seguintes palavras escritas no envelope: “Urgente, abra 
im ed ia tam en te ” ou “ Em ergência . C a rte iro , en tregue 
imediatamente”? Dentro está escrito: “Emergência. Estamos 
com um déficit de $250.000,00. Precisamos ter essa quantia 
até (tal e tal data). Se você não contribuir, teremos que cortar 
alguns de nossos programas ministeriais mais importantes. 
Dependemos de você. Por favor, envie a maior quantia 
possível.”
Isso é manipulação da alma com o propósito de gerar 
dinheiro para o ministério. Esse ministério não está confiando 
no Espírito de Deus para motivar as pessoas, no espírito, a 
dar. É uma tentativa de motivar através da culpa ao apelar à 
carne. Freqüentemente, tais cartas usam frases como: 
“Estamos contando com você” ou “Dependemos de você”. Se
51
Enganado? Eu?
um ministério me diz que depende de mim, sei, imediatamente, 
que ele está com grandes problemas.
E o apelo ao orgulho das pessoas para motivá-las a 
dar? O que você pensa sobre ofertar para exaltar os nomes 
dos doadores importantes ao alistá-los em placas ou outras 
técnicas que encorajem doadores em potencial a andar em 
orgulho? Isso não ajuda um doador a viver no espírito ou a dar 
no espírito.
Essas técnicas são planejadas pela sabedoria humana, 
e creio que tem uma origem demoníaca. Elas são projetadas 
pelo pensamento carnal de pessoas no m inistério para 
estimular a motivação carnal em doadores em potencial. Essa 
não é a sabedoria que vem de cima. É a mesma sabedoria na 
qual Saul caminhou em 1 Samuel 28. Na realidade, é uma 
rebelião contra Deus.
Quando o Espírito me revelou tudo isso, meu espírito 
ficou profundamente abalado. Jesus me disse: “Quando você 
filtra a Palavra de Deus através das tradições e doutrinas 
humanas e da mente humana e, depois, tenta despejá-las em 
outros, você anula a Palavra.” A sabedoria do homem desnuda 
a Palavra do seu poder. Se você misturar a compreensão 
humana, dos cinco sentidos, da Palavra com a Palavra, você 
a invalida.
“invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós 
mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes."
(Marcos 7:13)
Se misturarmos a Palavra de Deus com as idéias do 
homem, desnudamos a Palavra de poder em nossas vidas. 
Não filtre a Escritura por meio de teorias e doutrinas humanas. 
Não use a Palavra para manipular outros a cumprirem com “o 
propósito de Deus” em suas vidas. Receba a Palavra de Deus 
no espírito e permita que a sua mente seja renovada por ela. 
Somente assim ela poderá transformar a sua vida e a vida de 
outras pessoas.
Muito daquilo que chamamos de “aconselhamento
52
Capítulo 2 - Racionalizando x Compreendendo
cristão” é, na realidade, manipulação da Palavra. Ele usa a 
Palavra de Deus na mente natural, de acordo com o raciocínio 
dos cinco sentidos, para m odificar o pensam ento e o 
comportamento da pessoa aconselhada. Isso é como pôr band- 
aid no câncer ou cobrir enormes buracos nas estruturas das 
paredes com cal.
“Visto que andam enganando, sim, enganando o meu povo, dizendo: 
Paz, quando não há paz, e quando se edifica uma parede, e os profetas 
a caiam, dize aos que a caiam que ela ruirá. Haverá chuva de inundar: 
Vós, ó pedras de saraivada, caireis, e tu, vento tempestuoso, 
irrromperás. Ora, eis que, caindo a parede, não vos dirão: Onde está 
o cal com que a caiastes? Portanto, assim diz o Senhor Deus: 
Tempestuoso vento farei irromper no meu furor, e chuva de inundar 
haverá na minha ira, e pedras de saraivada, na minha indignação, 
para a consumir. Derribarei a parede que caiastes, darei com ela por 
terra, e o seu fundamento se descobrirá; quando cair, perecereis no 
meio dela e sabereis que eu sou o Senhor. Assim, cumprirei o meu 
furor contra a parede e contra os que a caiaram e vos direi: a parede já 
não existe, nem aqueles que a caiaram. ” (Ezequiel 13:10-15)
Deus não quer que usemos nossas teorias ou a Sua 
Palavra para transformarmos a nossa carne. Ele quer que 
recebamos a Sua Palavra em nosso espírito, permitindo que 
ela nos convença de quaisquer áreas de predominância car­
nal e nos arrependamos.
Nosso Pai deseja falar ao nosso espírito. Ele deseja 
que paremos de nos relacionar com Ele, de O avaliar e de 
avaliarmos a nós mesmos baseados na interpretação lógica. 
Quanto mais oramos e lemos a Palavra diariamente, mais o 
Espírito Santo pode nos mostrar onde estamos vivendo em 
nossa mente humana. Então, encontramos a libertação, pois 
podemos nos arrepender e permitir que as nossas mentes 
sejam renovadas para a verdade do espírito.
53
Capítulo 3
Escolha a Vida
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do 
pecado e da morte.” (Romanos 8:2)
Duas leis espirituais importantes operam na terra hoje: 
(1) a lei do pecado e da morte e (2) a lei do espírito da vida em 
Cristo Jesus. Elas operam sempre e simultaneamente. Nós, 
crentes nascidos de novo, podemos operar em ambas as leis, 
a qualquer hora e em qualquer área das nossas vidas. 
Podemos operar na lei da vida em uma área e podemos operar 
na lei da morte em outra, mas não podemos operar em ambas 
as leis na mesma área de nossas vidas ao mesmo tempo.
Com a nossa vontade, escolhemos a lei na qual 
operaremos. A lei da morte opera na nossa carne; a lei da 
vida, no nosso espírito. A lei que permitirmos dominar a nossa 
alma é aquela que governará a nossa vida.
A lei do espírito da vida em Jesus nos está disponível a 
qualquer momento, assim como as leis da aerodinâmica estão 
sempre em vigor, permitindo que os aviões voem. Porém, as 
leis do pecado e da morte continuam operando na terra e 
devem ser superadas pela lei do espírito da vida em Jesus.
De modo semelhante, a gravidade opera todo o tempo, 
e é superada pelas leis da aerodinâmica somente quando o 
piloto decide operar com essas leis. Se o piloto, por qualquer 
razão, parar de obedecer a essas leis, a gravidade deixa de 
ser dominada e toma o controle. Isso não acontece porque as 
leis da aerodinâmica não estão funcionando mais, mas porque 
o piloto não está mais operando com essas leis. Sem que 
percebamos, a gravidade começa a governar. Se o piloto tem
55
Enganado? Eu?
algum conhecimento sobre aerodinânica ou gravidade é 
irrelevante, ambas as leis operam da mesma maneira.
A lei do pecado e da morte e a lei do espírito da vida em 
Cristo Jesus são muito sem elhantes às leis fís icas da 
gravidade e da aerodinâmica. O que as pessoas conhecem 
sobre essas leis é irrelevante, pois elas continuam operando 
da mesma forma.
Muitas vezes, nós, cristãos, perm itimos que nós 
mesmos operemos na lei do pecado e da morte simplesmente 
pela falta de conhecimento ou por ignorância. Oséias 4:6 diz : 
“O meu povo está sendo destruído porque lhe fa lta o 
conhecimento.”
Quando os cristãos permitem que sua carne domine 
suas almas, experimentando assim as conseqüências da lei 
do pecado e da morte, eles, freqüentemente, acham que Deus 
está punindo-os pela desobediência ou disciplinando-os para 
moldar Seu caráter neles. Algumas vezes, os cristãos chegam 
a pensar que Satanás está atacando-os e que é ele quem está 
trazendo os problemas em suas vidas. É claro que a verdade 
é que nem Deus nem Satanás fizeram algo específico, mas a 
lei do pecado e da morte é que está operando.
Piloto algum pensaria em desligar os motores do avião 
durante um vôo e esperar que o avião sim plesm ente 
continuasse sua rota ao nível do vôo. Ele não faria isso por 
saber que é necessário que os motores continuem ligados 
para criar a força aerodinâmica positiva que supere a força da 
gravidade. Se um piloto não compreendesse a interação dessas 
leis, nenhum de nós teria interesse em voar com ele no 
comando.
Se uma pessoa dirigir, intencionalmente, um carro para 
fora de um penhasco, devido à ignorância sobregravidade, o 
carro despencará penhasco aba ixo e o m o to ris ta 
provavelmente ficará gravemente ferido. Seria ridículo se ele 
declarasse, enquanto se recuperava no hospital: “Deus permitiu 
que eu me machucasse para me humilhar e me ensinar a 
confiar mais Nele.”
Também seria igualmente ridículo se ele dissesse:
56
Capítulo 3 - Escolha a Vida
“Satanás me atacou e fez com que eu me machucasse quando 
eu me dirigi ao penhasco."
Não! Esse homem está simplesmente experimentando 
as conseqüências naturais de sua ação de acordo com a lei 
da gravidade, que Deus colocou na terra para o nosso 
benefício.
Da mesma forma, se permitirmos que a nossa carne 
governe certas áreas das nossas vidas, por meio do pecado, 
a vontade nos engana e experimentaremos as conseqüências 
naturais da lei do pecado e da morte.
Conheço um empresário cristão muito bem-sucedido. 
Porém, recentemente, ele teve alguns problemas financeiros, 
alguns negócios não deram muito certo, e ele contraiu muitas 
dívidas. Como saída, ele começou um novo negócio e tentou 
arranjar dinheiro com vários investidores. Mas esse homem 
não lhes contou os fatos sobre os riscos, pois temia que, se 
eles tomassem conhecimento sobre os riscos, eles poderiam 
não investir. Esse homem está com muito medo de falir e está 
desesperado para fechar o negócio e se salvar financeiramente.
Nesta situação, ele não percebe que está operando 
totalmente na carne. Ele não está confiando em Deus. Cristo 
não é a sua fonte, pelo contrário, ele está confiando em si 
mesmo e na sua própria habilidade. Ele está interpretando a 
informação dos cinco sentidos, de acordo com seu poder de 
raciocínio humano, e, assim, tira conclusões tolas. O medo 
está fazendo com que ele engane outras pessoas para que 
elas o ajudem. Sua mente, sua vontade e suas emoções fo­
ram dominadas pela sua carne, não pelo seu espírito, e o medo 
o agarrou de tal forma que ele não consegue ver.
Se ele fracassar e acabar falindo, alguns cristãos bem 
intencionados poderão tentar confortá-lo ao dizer-lhe: “Deus 
permitiu esse período de tribulação e teste para humilhá-lo." 
Mas, ao mesmo tempo que Deus usa as circunstâncias para 
nos convencer do pecado, Ele não “perm itirá” o colapso 
financeiro desse homem de negócios. O homem está 
simplesmente experimentando as conseqüências naturais de 
ter permitido que a lei do pecado e da morte opere em sua vida
57
Enganado? Eu?
por meio do pecado. Deus não permitiu nada. O homem 
permitiu que a sua carne o dominasse e agora está colhendo 
as conseqüências. Freqüentemente, Deus é culpado pelas 
circunstâncias negativas em nossas vidas, quando a culpa 
deveria ser nossa por termos permitido que a carne tivesse 
domínio.
A lei do pecado e da morte não é nem ao menos algo 
que Deus designou para operar na terra. Nunca foi parte do 
Seu plano, pois Ele não opera dessa maneira. A lei do pecado 
e da morte foi introduzida por Satanás, por meio do pecado de 
Adão.
Antes da rebelião de Adão contra Deus, nenhuma lei 
do pecado e da morte operava na terra. Deus havia colocado 
Adão e Eva na terra e lhes dado domínio e governo sobre ela. 
Não havia pecado, doença, pobreza, culpa ou tormento men­
tal e em ociona l. Deus nunca p lanejou que o hom em 
experimentasse essas coisas, por isso, tenho certeza de que 
Deus planejou que Adão e Eva crescessem no Senhor e no 
conhecimento da Sua criação. Para isso, Deus não achou que 
fosse necessário usar a doença, os problemas financeiros e a 
destruição para ensinar os seus caminhos a Adão e Eva e 
permitir que eles crescessem. Por que, então, muitos cristãos, 
hoje, acreditam que Deus não é capaz de ensinar Seus filhos 
sem usar esses métodos? Novamente, Deus nos disse na 
Sua Palavra que nenhuma dessas coisas aconteceriam entre 
os Seus filhos no céu. Assim, Deus não é o autor da doença, 
da pobreza, da opressão, do fracasso ou do torm ento 
emocional e mental. Deus deseja que cresçamos ao andarmos 
no espírito, não ao experimentarmos as conseqüências da lei 
do pecado e da morte.
Quando Deus colocou Adão no jardim, Ele planejou que 
Adão O conhecesse e aprendesse, através do espírito, os 
Seus caminhos. Deus deu ao homem o domínio e o governo 
sobre a terra e esperou que ele dominasse e governasse a 
terra em espírito e em perfeita comunhão com Ele. A lei do 
espírito da vida eterna em Deus dominou e governou a terra 
naquele tempo.
58
Capítulo 3 - Escolha a Vida
Porém, quando Adão pecou e se rebelou contra Deus, 
ele deu a Satanás o direito do domínio e do governo sobre a 
terra e Satanás se tornou o deus e o dominador do mundo 
(João 12:31, 2 Coríntios 4:4). Quando Adão pecou, toda a terra 
e tudo nela se corrompeu e caiu sob uma maldição (Gênesis 
3:14-20, Romanos 8:19-21).
Quando Adão entregou a Satanás a autoridade para 
governar a terra, o homem perdeu a vida eterna que, até então, 
habitava no seu espírito e na sua alma, e a lei do pecado e da 
morte tornou-se predominante na terra e nas vidas dos homens. 
A partir desse tempo, todos os homens nasceram sob uma 
maldição da lei do pecado e da morte.
Muitas das conseqüências dessa maldição foram 
alistadas em Deuteronômio 28:15. Esses resultados da lei do 
pecado e da morte operando na vida de uma pessoa podem 
ser resumidos e parafraseados da seguinte maneira: “Serás 
amaldiçoado na cidade, no país, quando entrar e quando sair, 
amaldiçoado será o seu pão, sua comida, seus filhos, suas 
colheitas e seu gado. Experimentarás confusão, destruição, 
pragas, tuberculose, febre, inflamação, infecção, bolor e 
estiagem . Serás derro tado pelos seus in im igos. 
Experimentarás queimaduras, tumores, câncer, sarnas, 
eczemas, insanidade, cegueira, confusão, opressão, roubo, 
adultério, perda de possessões, problemas financeiros, 
escravidão, dores, campos improdutivos, destruição de 
colheitas por pestes, humilhação. Você será a cauda e não a 
cabeça (controlado pelas circunstâncias). Experimentarás 
fome, sede, nudez, pobreza, inimizade na família, atritos, 
doenças crônicas, depressão, ausência de paz e descanso, 
medo, desespero da alma, tormento mental, problemas 
emocionais, frustração e desesperança.
Esses resultados da maldição do pecado e da morte 
de Deuteronômio 28 podem ser resumidos como: 1) Derrota 
(espiritual, da alma e física); 2) Doenças; 3) Pobreza e 
problemas financeiros e 4) Tormento mental e emocional e 
aflições. Deus não planejou que você passasse por todas 
essas coisas na terra.
59
Enganado? Eu?
É Satanás, o governador deste mundo, quem infiltrou 
a lei do pecado e da morte na terra através do pecado de Adão 
e, desde esse tempo, governa os homens na terra de acordo 
com essa lei da carne corrupta do homem. Há um ladrão que 
busca roubar, matar e destruir a sua vida, mas esse ladrão 
não é Jesus. É Satanás.
“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que 
tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10)
Em Deuteronômio 30, Deus disse aos filhos de Israel 
que, por meio da aliança que Ele havia estabelecido com eles 
através de Moisés, Ele havia providenciado um caminho pelo 
qual eles poderiam escolher receber a Sua vida e prosperidade 
e, assim, vencer a lei do pecado e da morte.
‘Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares 
o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, 
andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os 
seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o 
Senhor, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. 
Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e 
fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, 
hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo 
tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os 
céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a 
vida e a morte, e a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para 
que vivas, tuea tua descendência, amando o Senhor, teu Deus,dando 
ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida 
e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob 
juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.”
(Deuteronômio 30:15-20)
Debaixo da nova aliança que Deus estabeleceu 
conosco, algo muito maior aconteceu. Jesus veio para nos 
dar vida abundante (João 10:10). A vida abundante não inclui 
nenhum dos resultados da maldição da lei do pecado e da 
morte. Nosso Pai Celestial não deseja que nenhum dos
60
Capítulo 3 - Escolha a Vida
cristãos nascidos de novo experimente o resultado da lei do 
pecado e da morte em nossas vidas.
"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição 
em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for 
pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos 
gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o 
Espírito prometido. ” (Gálatas 3:13-14)
Paulo nos diz em Romanos 8:3 que, em Jesus Cristo, 
Deus condenou o pecado na carne. Se isso é verdade, o que 
nos faz continuar a experimentar as conseqüências da lei do 
pecado e da morte depois que nascemos de novo? Romanos 
7:11 nos diz que não é o pecado que engana a nossa mente, 
capturando-a e trazendo morte à nossa alma. Se Deus 
condenou o pecado na carne por meio de Jesus, então, não 
precisamos aceitar em nossas vidas o que Deus condenou. 
Quando o sangue de Jesus foi derramado, você foi redimido 
da maldição da lei do pecado e da morte e Jesus estabeleceu 
uma nova lei, a lei do espírito da vida em Cristo Jesus.Então, 
depois de nascermos de novo, poderíamos escolher permitir 
que a nossa carne reinasse e experimentasse a lei do pecado 
e da morte ou poderíamos deixar que nosso espírito reinasse 
e fosse liberto da lei do pecado e da morte através da lei do 
espírito da vida em Cristo Jesus. Podemos escolher entre a 
vida e a morte.
Deus, sem dúvida nenhuma, deseja que andemos na 
lei do espírito da vida em Jesus. Seu desejo não é que andemos 
na carne e experimentemos a lei do pecado e da morte. Não é 
Deus quem nos dirige a essa terrível lei, também não é Ele 
quem nos “permite” experimentar as conseqüências para “nos 
ensinar” a andar na lei do espírito da vida em Cristo Jesus.
Deus, entretanto, usa cada circunstância negativa e o 
resultado da lei do pecado e da morte que opera na sua vida 
para glorificar a Si mesmo e ministrar-lhe o Seu amor, a Sua 
graça e a Sua sabedoria (Romanos 8:28).
Deixe-me dar-lhe um exemplo. Suponhamos que o
61
Enganado? Eu?
empresário cristão, aquele a quem me referi anteriormente, 
decida promover seus negócios entre cristãos. Se esses 
possíveis investidores buscassem o Senhor, talvez Deus os 
guiassem diretamente a não investir nesse negócio.
Eventualm ente, isso poderia levar o homem de 
negócios cristão a um colapso financeiro. Você poderá 
perguntar: “Deus permitiu que uma circunstância que resultou 
em problema financeiro afetasse um de Seus filhos?” Nesse 
caso, sim. Ele permitiu. Entretanto, isso não aconteceu devido 
ao plano de Deus, mas devido ao homem que criou uma 
circunstância prejudicial envolvendo outras pessoas. E Deus 
não podia abençoá-lo. Portanto, as conseqüências decorrentes 
não aconteceram de acordo com o pláno de Deus para o 
homem e foram inevitáveis devido a outras pessoas envolvidas. 
Olhemos mais um exemplo. Suponhamos que um empregado 
cristão ande na carne no seu trabalho e, em conseqüência 
disso, destrua muitos relacionamentos, criando hostilidade e 
desarmonia no trabalho. Talvez seu chefe seja guiado por Deus 
para demiti-lo em nome da harmonia no negócio. Isso pode 
resultar em problemas financeiros para esse empregado.
Foi Deus quem dirigiu o chefe a tomar essa atitude. 
Porém, foi a própria carne do empregado que criou a 
c ircuns tân c ia que resu ltou , em últim a aná lise , nas 
conseqüências da lei do pecado e da morte.
O desejo de Deus nunca é que experimentemos as 
conseqüências da lei do pecado e da morte. Embora isso seja, 
muitas vezes, inevitável, como aconteceu nos exemplos 
anteriores, podemos sempre recorrer a Deus, pedir-Lhe 
sabedoria e ter a certeza de que o Seu propósito e desejo é 
nos libertar e nos dar a vitória. Não devemos pensar que o 
Senhor deseja que permaneçamos nas circunstâncias e 
simplesmente as suportemos.
Assim, quando o tormento sobrevier sobre as nossas 
vidas, não devemos dizer: “Deus enviou” ou que isso aconteceu 
por causa de um propósito divino. Pelo contrário, devemos 
reconhecer que essas são as conseqüências naturais da lei 
do pecado e da m orte que opera em nossas v idas.
62
Capítulo 3 - Escolha a Vida
Conseqüentemente, devemos perguntar a Deus: como essas 
conseqüências operam por meio de nós?
"Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus 
não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao 
contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o 
atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o 
pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos 
enganeis, meus amados irmãos. ” (Tiago 1:13-16)
É importante que reconheçamos uma distinção clara 
entre os resultados da lei da vida e da morte. Elas podem ser 
resumidas no quadro seguinte:
Lei do pecado Lei do espírito da vida
e da morte em Cristo Jesus
Pecado
Doenças
Pobreza
Problemas financeiros
e escassez
Morte
Doenças mentais
Salvação e redenção 
Vida Eterna
Enchimento do Espírito Santo 
Dons do Espírito Santo 
Frutos do Espírito Santo 
Necessidades financeiras supridas 
Paz e descanso mental e emocional
Se você desenhar uma linha distinta entre os resultados 
dessas duas leis, você será enganado ao acreditar que a sua 
experiência da lei do pecado e da morte na sua vida é a vontade 
de Deus para você. Muitos cristãos estão confusos por não 
verem as correlações diretas entre as circunstâncias e suas 
vidas. Eles não compreendem a lei de semear e colher. Sempre 
existe um tempo entre a hora em que uma semente ruim é 
semeada e a hora em que a plantação é colhida. Muitas vezes, 
depois que uma semente é plantada, continuamos a colher 
durante um longo tempo, mesmo que não tenhamos mais 
sementes ruins. Se você semeou para a carne durante muitos 
anos numa certa área da sua vida e, subitamente, pára de 
semear carnalmente nessa área, você poderá continuar a obter
63
Enganado? Eu?
uma colheita carnal por um bom tempo. Da mesma forma, se 
você semear para a sua carne hoje, possivelmente, você não 
colherá essa colheita por algum tempo.
É isso que os cristãos têm grande dificuldade de 
compreender. Muitas vezes, esperamos colher hoje ou em uma 
semana aquilo que semeamos ontem e hoje. Algumas vezes 
as sementes não crescem tão rápido assim. Mas, certamente, 
você colherá o que semeou.
“A/ão vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem 
semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria 
carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito 
do Espírito colherá vida eterna.” (Gálatas 6:7-8)
Se um homem semeia para a carne na área de finanças 
durante 15 anos da sua vida adulta, e depois percebe que sua 
atitude era errada e se arrepende, ele pode frustrar-se depois 
de um mês e questionar a razão pela qual sua situação 
financeira não mudou desde que começou a semear para o 
espírito. A razão, sem dúvida nenhuma, é que a semente que 
ele plantou durante um mês simplesmente não teve tempo para 
amadurecer e frutificar. Não é a hora de desistir e dizer: “A 
Palavra não funciona!” Pelo contrário, é a hora de continuar 
em espírito e esperar pela colheita.
Outra área de desentendim ento com relação às 
conseqüências da lei do pecado e da morte está relacionada 
à natureza do engano. Romanos 7:11 nos diz que o pecado 
na nossa carne nos engana e, dessa forma, gera a morte. 
Muitas vezes, quando a nossa carne está no controle de uma 
certa área de nossa vida, somos enganados sem percebermos. 
Essa é uma pegadinha! A definição do engano é: “não sabersobre algo ou estar incosciente do engano”. Se você soubesse 
que estava sendo enganado, você não seria mais enganado. 
Porém, algumas vezes, quando não sabemos que estamos 
semeando na carne, achamos injusto ter que colher as 
conseqüências da lei do pecado e da morte.
Muitos cristãos pensam: “Essa situação pela qual estou
64
Capítulo 3 - Escolha a Vida
passando neste momento não pode ser as conseqüências da 
lei do pecado e da morte, pois tenho buscado a Deus 
diligentemente e tenho sido obediente em tudo o que Ele tem 
me mostrado. O pecado não poderia operar através da minha 
carne, pois não estou operando de maneira intencional na carne 
em nenhuma dessas áreas.”
Errado! Essa atitude expressa o raciocínio humano car­
nal (dialogizomai) da mente: a interpretação do conhecimento 
dos cinco sentidos de acordo com o pensamento mundano e 
não de acordo com a percepção (epiginosko) no espírito. O 
pecado enganou essa pessoa em certas áreas e, através 
disso, está trazendo morte à sua alma nessas áreas.
No primeiro capítulo, compartilhei sobre como o Senhor 
havia me convencido de que eu estava ministrando na carne, 
de acordo com meu próprio raciocínio carnal. Eu não fazia 
idéia daquilo, até que o Espírito Santo me revelou isso. Quando 
Jean falou comigo sobre o meu ministério pela primeira vez, 
eu não queria acreditar em suas palavras. Minha mente humana 
me disse: “Ela deve estar errada.” Mas quando parei de 
raciocinar em minha mente humana e abri o meu espírito para 
ouvir o que o Espírito Santo estava dizendo, Ele confirmou a 
verdade de que ela estava certa. Eu havia sido enganado sem 
perceber. A carne engana os crentes. Quando você é enganado 
numa certa área, você não toma conhecimento disso por ter 
sido enganado. Talvez você tenha visto um comportamento 
carnal em um parente cristão, como marido ou esposa. Há 
uma grande possibilidade de essa pessoa estar totalmente 
inconsciente de que seu comportamento tenha sido motivado 
e controlado por sua carne. Ela provavelmente pensou que 
estava agindo no espírito. Mesmo que você aponte o problema, 
se ela não buscar a verdade de Deus no seu espírito, ela 
pensará que estava no espírito. Isso acontece porque, nessa 
área, o pecado atuando na sua carne a enganou.
A m aioria dos cris tãos não anda in tenc iona l e 
proposita lm ente na carne. Seu marido ou sua esposa 
provavelmente não acorda de manhã dizendo: “Acho que vou 
andar na carne no meu relacionamento com minha esposa
65
Enganado? Eu?
(marido).” Ao ministrar em outros países, eu não fazia uma 
escolha consciente para ministrar na carne. Não, eu estava 
sendo enganado. Eu não percebi o que estava acontecendo.
Da mesma forma, cada crente nascido de novo possui 
áreas em sua alma em que o pecado que atua na carne o 
enganou. Ele não sabe que a sua carne está em preeminência 
e que está sendo enganado sem saber. Assim, ele colherá, ou 
está colhendo, as conseqüências da lei do pecado e da morte.
Assim, quando você colher as conseqüências naturais 
da lei do pecado e da morte em algumas áreas da sua vida, 
não use a sua mente humana para tentar descobrir: “Em que 
área estou na carne?” Não conclua que você não está na carne 
simplesmente porque não consegue descobrir onde está 
falhando. Se fizer isso, você concluirá que ou Deus enviou 
esse problema ou permitiu que isso ocorresse para humilhá- 
lo, para que, assim, você se submetesse a Ele. Não! Lembre- 
se, Deus opera exclusivamente na lei do espírito da vida em 
Cristo Jesus. Satanás opera exclusivamente na lei do pecado 
e da morte. Deus e Satanás não são aliados. O ladrão não é 
Deus, é Satanás.
Quando você experimenta as conseqüências da lei do 
pecado e da morte em algumas áreas da sua vida e não sabe 
o porquê, isso deve sinalizar imediatamente que a sua carne 
está dominando uma área da sua alma e você está sendo 
enganado sem perceber. Não culpe a Deus ou outras pessoas. 
Não culpe, nem ao menos, Satanás. É claro que Satanás pode 
e irá atacá-lo. Mas qualquer poder que ele tiver sobre você 
poderá vir somente através da lei do pecado e da morte na 
sua carne. Se você estabeleceu o propósito de viver no espírito 
e não deixar que a sua carne reine em qualquer área da sua 
vida, então o diabo poderá operar apenas por meio do engano 
e das áreas de domínio carnal das quais você não tem 
consciência.
Quando você experimenta as conseqüências da lei do 
pecado e da morte em alguma área, você deve ir imediatamente 
a Deus e pedir ao Espírito Santo que lhe revele o engano no 
seu espírito e o convença do pecado (Tiagol :5). Assim, quando
66
Capítulo 3 - Escolha a Vida
Deus lhe der a revelação do pecado, você poderá se 
arrepender e permitir que o sangue de Jesus o purifique e 
comece a renovar a sua mente. Se você orou diligentemente 
e ainda não buscou nada no espírito, seria, provavelmente, 
importante que você procurasse um conselheiro cristão que 
o aconselhe à luz da Palavra no espírito. O Espírito Santo pode 
usar esse conselheiro para ajudá-lo a saber a razão pela qual 
você não consegue ouvir a voz de Deus no seu espírito e em 
qual área você tem andado na carne sem perceber.
Não tenha medo de se abrir para o Senhor e pedir a 
Ele que lhe revele o pecado que está operando em sua carne. 
Deus fala muito na Sua Palavra sobre o julgamento e a 
condenação “do ímpio”. Algumas vezes isso pode fazer com 
que cristãos nascidos de novo fiquem com medo de Deus e 
não O busquem para receberem a revelação do pecado. Mas
o Seu Pai amoroso deseja que você saiba disso. Se você é 
nascido de novo, então você “está em Cristo Jesus” e aqueles 
que estão “em Cristo Jesus” não são “ ímpios”. Eles são “os 
redimidos”. Deus não julga ou condena aqueles que estão “em 
Cristo Jesus” .
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo 
Jesus.” (Romanos 8:1)
Lembre-se de que Romanos 7 diz que, quando você 
encontrar o pecado operando em sua vida, não é você quem 
está pecando, mas é o pecado que habita na sua carne 
(Romanos 7:17, 20). Deus odeia o pecado em sua vida e você 
também deve odiá-lo, mas Ele o ama. Não importa que tipo de 
pecado tenha se levantado e capturado a sua mente, a sua 
vontade e as suas emoções desde que você nasceu de novo. 
Saiba disso: você não é mau. O pecado em você é mau, mas 
você não. Mas não use isso como uma desculpa para continuar 
no pecado ou ele destruirá a sua vida, o seu relacionamento 
com o Senhor e com os outros ao seu redor.
Ao ler a Palavra, se você for nascido de novo, Deus 
não quer que você se considere “ ímpio” , mas “jus to ” e
67
Enganado? Eu?
“redimido”, pois essa é a verdade de quem você é no espírito. 
"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de 
Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,”
(ICoríntios 1:30)
Você pode ver que, até agora, em qualquer hora ou em 
qualquer área da sua vida, você pode andar na lei do espírito 
da vida em Cristo Jesus ou na lei do pecado e da morte.
Quem opera essas leis? Como você escolhe operar 
na lei da vida em Cristo Jesus ou na lei do pecado e da morte? 
Romanos 3:25 nos diz que Jesus Cristo se tornou uma 
propiciação através da nossa fé pelo Seu sangue.
"a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a 
fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, 
deixado impunes os pecados anteriormente cometidos.”
(Romanos 3:25)
Creio que a lei do espírito da vida em Jesus é ativado 
pela nossa fé no Seu sangue.
Por outro lado, a lei do pecado e da morte opera nas 
pessoas devido à falta de fé, ou da incredulidade, no sangue 
de Jesus. Incredulidade é temor. Medo é desconfiança ou falta 
de confiança. Se você tiver fé no desejo, na sabedoria e na 
habilidade de alguém de acordo com seus melhores interesses, 
então você não está com medo dessa pessoa. Por outro lado, 
se você não confia em alguém, ou crê que, na verdade, ele 
não tem seus melhores interesses em mente, então você tem 
medo dele. Assim, o medo é, na realidade, uma fé negativa. A 
leida vida opera na fé que temos em Deus e a lei da morte 
opera no medo que temos de Deus. Sabemos que a lei do 
pecado e da morte (a lei da morte) é preeminente na terra, a 
menos que seja substituída pela lei do espírito da vida em Jesus 
(lei da vida). Se você simplesmente viver a sua vida sem operar 
na lei da vida, inconscientemente, você estará operando na lei 
da morte. Não há meio termo. A lei da morte é como a gravidade 
e a lei da vida, como a aerodinâmica. Se você não fizer nada, 
a gravidade prevalecerá. Você pode saber tudo sobre aviões.
68
Capítulo 3 - Escolha a Vida
Você pode ter muitas horas de experiência de vôo e ser, até 
mesmo, um instrutor ou professor de aerodinâmica. Você pode 
se sentar num avião e falar sobre vôos. Mas, até que você 
ligue os motores, acelere e com ece a usar as leis da 
aerodinâmica, a gravidade prevalecerá. Operar nas leis da 
aerodinâmica é a única forma de você ser liberto da lei da 
gravidade.
A Bíblia diz que Cristo se fez propiciação por você 
através da sua fé no sangue Dele (Romanos 3:25). A lei do 
espírito da vida em Jesus o libertou da lei da morte. É como se 
disséssemos que a lei da aerodinâmica o tivesse libertado da 
lei da gravidade. O sangue de Jesus está disponível. Mas Jesus 
não pode ser uma propiciação para você se você não tiver fé 
no Seu sangue. A lei da vida não o liberta da lei da morte, a 
menos que você caminhe na vida.
Tecnicamente, você já escolheu a vida quando você 
nasceu de novo. O seu espírito está cheio de vida, mas a sua 
álma precisa agora se apropriar dessa vida por meio da sua fé 
ou confiança em Deus. A fé em Deus opera a lei da vida. O 
medo de Deus faz com que você continue operando na lei da 
morte. Se você não confia que Deus pode cuidar de alguma 
área da sua vida ou se, devido a uma experiência do passado, 
você crê que Deus lhe foi infiel e não supriu suas necessidades, 
você não tem fé Nele nessa área. Por quê? Porque você fica 
com medo de que ele não supra suas necessidades e o 
machuque.
Se, por alguma razão, você se convencer de que, ao 
entrar no avião, você se espatifará, então será muito difícil para 
você confiar nas leis da aerodinâmica. Provavelmente, você 
não se sujeitará a tais leis e a gravidade prevalecerá. Da mesma 
maneira, a incredulidade enraizada no medo de Deus opera a 
lei da morte. Sem uma escolha, a lei prevalece por si só.
Vamos nos aprofundar nisso um pouco mais. O que 
opera a fé e o temor?
“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircucisão têm 
valor algum, mas a fé que atua pelo amor. ” (Gálatas 5:6)
69
Enganado? Eu?
A fé é operada pelo amor. O recebimento do amor 
incondicional do Senhor nos permite e nos motiva a confiar 
essa área a Ele e a exercitar a fé Nele. Não conseguimos 
confiar no Senhor se houver qualquer área em que não 
recebemos totalmente o amor Dele e em que duvidamos da 
Sua fidelidade por nós. Teremos não somente medo da Sua 
punição, como também medo de que Ele não seja fiel para 
suprir as nossas necessidades.
No primeiro capítulo, compartilhei sobre Terry, uma 
mulher com dificuldades de ouvir a Deus devido à sua amargura 
para com Ele. Terry não estava operando na lei da vida na sua 
área afetiva. Ela não confiava que Deus lhe daria um marido, 
embora pensasse o contrário. Devido a experiências passadas, 
ela não confiava no amor de Deus por ela, nem que Ele 
desejava suprir suas necessidades. Pelo contrário, ela estava 
com medo de que Ele não quisesse suprir suas necessidades 
por pensar que Deus havia falhado nessa mesma área no 
passado. Isso não era verdade, mas por Terry acreditar nisso, 
ela tinha medo de Deus e não conseguia se aproximar em fé. 
Assim, ela não conseguia operar na lei da vida.
0 medo opera na carne devido à falta de amor. A falta 
de amor é, na realidade, o ódio. Não gostamos de pensar dessa 
maneira, porque isso implica que odiamos a Deus e que Ele 
nos odeia. Mas Romanos 8:7 nos diz que a nossa carne é 
in im izade para com Deus. A palavra grega que traduz 
“inimizade” significa “ódio arraigado” . Por isso, quando estamos 
na carne, estamos, na realidade, odiando a Deus por não 
recebermos o Seu amor nessa área.
Se crermos de todo o nosso coração que Deus deseja 
nos punir ou que Ele é infiel para conosco em alguma área 
das nossas vidas, então, não confiamos Nele nessas áreas. A 
nossa desconfiança no amor de Deus nos mantém em medo.
1 João 4:18 diz que o medo é atormentador, porque 
cria confusão e uma falta da paz interior. Porém, esse versículo 
também nos revela o que nos tira o medo:
“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo.
70
Capítulo 3 - Escolha a Vida
Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado 
no amor.” (1 João 4:18)
O recebimento do amor incondicional de Deus retirará 
o seu temor, fortelecerá a sua fé Nele e na lei da vida. A razão 
de a maioria das pessoas andar no medo é porque suas almas 
foram, com o passar dos anos, profundamente moldadas ao 
mundo e o mundo está carente do amor de Deus:
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém 
amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no 
mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a 
soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. ”
(1 João 2:15-16)
Infelizmente, por causa do engano do pecado, existem, 
em nossas vidas, áreas em que, sem que percebamos, 
amamos mais o mundo e não permanecemos no amor de 
Deus. Como resultado, pensamos que confiamos em Deus, 
mas, na realidade, não confiamos.
As forças motivadoras que operam as duas leis podem 
ser resumidas da seguinte forma:
Lei do pecado Lei do Espírito da vida
e da morte em Crisio Jesus
Morte e confusão Vida e paz
Desconfiança e medo Confiança e fé para com Deus
Falta do amor de Deus Recebimento do amor de Deus
O que isso significa? Significa que você pode confiar 
em Deus numa área e ter medo em outra. Mas você não pode 
confiar em uma área e ter medo dessa mesma área ao mesmo 
tempo. Ou você confia totalmente em Deus ou não confia. 
Pouca confiança, ou a confiança com algumas reservas, é, 
na verdade, desconfiança. A fé depende da revelação, no 
espírito, do amor incondicional de Deus pela sua vida. Quando 
você tiver a certeza do amor de Deus, você terá certeza da
71
Enganado? Eu?
sua fé.
Muitas vezes, as conseqüências da lei do pecado e da 
morte em nossas vidas podem fazer com que sejamos como 
um piloto que necessita, desesperadamente, ser liberto da lei 
da gravidade. Pode ser que ele vá ao aeroporto e converse 
com outros pilotos sobre como voar. Depois, ele pode se sentar 
num avião e clamar a Deus para que ele seja liberto da 
gravidade, implorando: “Liberte-me e deixe-me voar.” Mas ele 
continua escravo da gravidade.
Finalmente, ele percebe que há uma batalha espiritual 
e que Satanás está impedindo o vôo. Então, ele repreende o 
diabo e todos os demônios e exercita a sua autoridade em 
Cristo sobre eles, mas continua sem voar. Desesperado, o 
piloto está prestes a desistir. Ele lê Marcos 11:23-24 e percebe 
que precisa acreditar e receber com antecedência aquilo por 
que tem orado tanto. Então, ele volta ao avião e declara: “Em 
nome de Jesus, recebo a libertação da gravidade. Eu estou 
voando. Confesso isso. Tomo posse. A Palavra diz que posso 
voar e, nesse momento, exercito a minha fé para voar.” Mas 
ele permanece no chão.
Nenhuma dessas coisas fez com que as leis da 
aerodinâmica vencessem a lei da gravidade. Então, finalmente, 
esse piloto pára de raciocinar em sua mente humana e pergunta 
ao Senhor: “Pai, mostre-me, no espírito, por que eu não fui 
libertado da gravidade e por que eu não fui capaz de voar.” 
Então, ele ouve em seu espírito uma voz mansa e calma 
dizendo: “Ligue os motores, vá até o fim da pista e acelere.” Se 
o piloto fizer isso, ele operará numa lei física que Deus colocou 
na terra para o benefício do homem.
Você pode discordar: “Sim, mas Deus é soberano. Ele 
poderia fazer com que o avião voasse sobrenaturalmente.”Isso 
é verdade. Deus poderia fazê-lo voar sem que os motores 
fossem ligados. Ele tem poder para fazer isso. Ele poderia 
fazer isso. Talvez ele tenha feito isso no passado e fará 
novamente no futuro. Mas essa não é a maneira normal de 
Deus operar no que se refere ao vôo. Deus estabeleceu 
provisões para o vôo por meio das leis da aerodinâmica, que
72
Capítulo 3 - Escolha a Vida
estão em vigência e atuam consistentemente todas as vezes 
que as operamos.
Semelhantemente, Deus projetou a lei do espírito da 
vida em Cristo na terra por meio do sangue de Jesus para nos 
libertar da lei do pecado e da morte. Mesmo se clamarmos 
para que Deus nos liberte da escravidão, repreendermos 
Satanás, pedirmos que outras pessoas orem por nós e 
confessarmos a Palavra, nenhuma dessas coisas por si 
mesmas operam a lei da vida. Romanos 3:25 declara que é a 
fé no sangue de Jesus que opera a lei da vida. Em outras 
palavras, precisamos descobrir o que a Palavra de Deus diz 
sobre o que o sangue de Jesus já realizou (passado) por nós.
Olhemos um exemplo da Palavra:
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, 
foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me 
esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes 
pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha 
graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa 
vontade, pois mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim 
repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas 
injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor 
de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte."
(2 Coríntios 12:7-10)
Paulo foi afligido pela mensagem de Satanás e estava 
experimentando as conseqüências da lei do pecado e da morte 
em algumas áreas em particular da sua vida. Sabemos que 
Deus não enviou ou permitiu essa aflição, pois Ele não opera 
na lei do pecado e da morte. Ele não permitiu que o mensageiro 
de Satanás afligisse Paulo para edificar o seu caráter. Essa 
mensagem foi designada para a destruição de Paulo, mas o 
destruidor não é Deus, e sim Satanás. Foi o próprio Paulo quem 
permitiu que o mensageiro de Satanás o afligisse ao operar na 
carne. Satanás pode nos afligir somente quando permitimos 
que a carne reine em alguma área da nossa alma, tanto 
inconscientemente quanto por meio do engano.
No versículo sete, Paulo explica em qual área da sua
73
Enganado? Eu?
vida o mensageiro de Satanás ganhara controle: o orgulho. 
Paulo havia recebido uma tremenda revelação de Deu^. Em 
sua própria mente, sua carne procurou exaltá-lo. A exaltação 
de si é orgulho. O orgulho emana da carne, não de um espírito 
nascido de novo.
Entretanto, o versículo oito nos diz que Paulo implorou 
três vezes ao Senhor que o libertasse. Perceba que implorar 
ao Senhor não libertou Paulo porque ele não estava se 
apropriando da graça de Deus já presente na provisão feita 
pelo sangue de Jesus. Implorar ao Senhor três vezes foi como 
sentar-se num avião e implorar ao Senhor que o libertasse da 
força da gravidade. O Senhor lhe diria: “Ligue os motores. Use 
as leis da aerodinâmica já disponíveis para a sua libertação.”
Foi isso o que o Senhor disse a Paulo no versículo nove. 
Ele disse a Paulo: “A minha graça (que já foi manifestada na 
lei da vida pelo sangue de Jesus) é suficiente para a sua 
libertação.” Não creio que Deus disse a Paulo que a Sua graça 
era suficiente para que ele permanecesse na escravidão 
satânica. Não! Deus não opera através de Satanás ou da lei 
do pecado e da morte. Deus e Satanás não estão aliados con­
tra você. Satanás deseja destruir a sua vida por meio da lei do 
pecado e da morte, mas Deus deseja lhe dar vitória por meio 
da lei da vida em Jesus.
Acredito que no versículo nove Deus disse a Paulo que 
a Sua graça pelo sangue de Jesus já tinha sido manifestada 
para que fosse utilizada. A graça de Deus era suficiente, não 
para que Paulo suportasse sua derrota, mas para que ele fosse 
liberto e voltasse a ter vitória no espírito. O Senhor estava 
dizendo que o Seu poder deveria ser manifestado pelo espírito 
de Paulo. Para que ele fosse vitorioso, ele deveria permitir que 
a sua própria força enfraquecesse e morresse, e o poder de 
Jesus, no seu esp írito , fo rta lecesse e ganhasse a 
predominância na sua alma.
Resumindo, Paulo não permitiu que a sua carne 
ganhasse predominância em uma certa área e, por causa 
disso, foi afligido por um mensageiro satânico que visava 
destruir a sua vida. Ele tentou lutar no poder da sua própria
74
Capítulo 3 - Escolha a Vida
força. Provavelmente, Paulo usou a verdade de Deus como 
uma lei em sua mente. Então, ele implorou ao Senhor que o 
libertasse, mas ele não foi liberto. Finalmente, o Senhor o 
relembrou que: “Você sempre será derrotado se tentar lutar 
contra Satanás, contra o pecado na sua própria força e contra 
a sua própria força de vontade.” Deus disse: “Pare de tentar 
ser forte e resistir por meio da sua própria força. Permita que a 
sua carne se torne fraca e morra. Comece a se apropriar do 
poder do sangue de Cristo, que já habita no seu espírito nascido 
de novo.”
É muito importante que aprendamos a buscar no 
espírito quando Deus revela onde o pecado nos fez prisioneiros 
por meio da nossa carne. Não podemos permitir que a nossa 
carne reine em qualquer área, pois Gálatas 5:9 nos adverte 
que “um pouco de fermento leveda toda a massa” .
O que você pode considerar ser uma “pequena área 
de domínio carnal” pode ser tudo o que Satanás precisa para 
afligi-lo com algo designado para a sua destruição. Lembre-se 
de que a natureza do pecado é a natureza do mesmo espírito 
que organizou a morte de seis milhões de judeus na Segunda 
Guerra Mundial e motivou Jim Jones e seus seguidores a se 
suicidarem. Se você perceber o pecado na sua carne dessa 
maneira, você começará a odiá-lo como Deus odeia e a 
determinar a não permitir que o pecado o domine, mesmo nas 
menores áreas. Provérbios 9:10 nos revela que o verdadeiro 
temor do Senhor é o princípio da sabedoria e Provérbios 8:13 
diz que o temor do Senhor não é ter medo de Deus, mas é 
detestar o mal como Deus o detesta.
Existem duas le is opostas nas quais podem os 
caminhar: a lei da morte ou a lei da vida em Jesus. Ganhamos 
a liberdade para escolher a vida de Jesus por meio dos sete 
passos seguintes: 1) receba a revelação do conhecimento de 
Deus na área em que a sua carne pode estar operando em 
supremacia sem que você perceba; 2) receba o amor de Deus 
nessa área; 3) confie que Ele suprirá as suas necessidades 
nessa área e dê um passo de fé Nele; 4) arrependa-se do 
pecado que Ele lhe revelou; 5) receba o perdão de Deus e a
75
purificação do sangue de Jesus Cristo (1 João 1:9); 6) 
reconheça a verdade de quem você é no espírito; 7) estabeleça 
o propósito de andar no espírito nessa área da sua vida.
Enganado? Eu?
76
Capítulo 4
Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
Ken havia se convertido havia alguns anos e sentia que 
Deus estava chamando-o para trabalhar no ministério de 
música. Ele tinha uma voz m uito bonita e um ta len to 
maravilhoso para compor, mas não estava seguro se essa 
era realmente a vontade de Deus. Em sua mente, ele não 
achava que sua voz era muito bonita e que não tinha um talento 
natural para cantar. Na realidade, ele se perguntava se as 
pessoas realmente gostavam de suas canções e pensava 
que, na melhor das hipóteses, elas estavam sendo apenas 
tolerantes, demonstrando um ato de bondade.
Enquanto Ken compartilhava seus pensamentos, eu 
me perguntava de onde ele havia tirado a idéia de que a sua 
voz não era muito boa. Perguntei-lhe isso e ele me relatou a 
seguinte história.
Na faculdade, Ken interessou-se muito pela música e 
se inscreveu para ter aulas de canto. Em uma das primeiras 
aulas, a prefessora pediu a cada aluno que cantasse uma breve 
composição. Ela faria uma crítica para ajudar os alunos a 
melhorarem a qualidade de voz. Ken foi o primeiro a se levantare cantar. Quando terminou, a professora de canto falou um 
tanto sarcasticamente: “Bem, agora todos vocês têm um 
exemplo de como não cantar.”
A professora não percebeu que, ao falar essas palavras, 
ela estava profetizando a vida de Ken. Ken ouviu aquelas 
palavras e começou a acreditar nelas. Ele meditou nelas e a 
sua fé nelas cresceu. Quanto mais ele acreditava e confiava 
na verdade daquelas palavras, maior era a sua falsa auto- 
imagem produzida por elas. Quando compartilhei que ele
77
Enganado? Eu?
estava acreditando numa falsa imagem de si mesmo, ele se 
arrependeu. Ken pediu o perdão do Senhor por ter depositado 
a sua fé numa “imagem”, em vez de confiar em Deus e naquilo 
que Ele havia falado sobre o seu ministério. Ao fazer isso, 
aquela falsa imagem, que havia se transformado numa 
fortaleza em sua mente, começou a se dissolver (2 Coríntios 
10:3-5). O sangue de Jesus iniciou um processo, na mente de 
Ken, de purificação e renovação para a verdade. Em essência, 
ele estava pondo um ponto final nos efeitos da lei do pecado e 
da morte em sua vida e estava começando a operar na lei da 
vida em Jesus relacionada ao seu ministério de música.
Uma das maneiras básicas do pecado operar na nossa 
vida para nos enganar é através de imagens falsas a respeito 
de nós mesmos, de Deus e de outros. Se crerm os e 
confiarmos numa falsa imagem mental, e acreditarmos que 
ela seja verdade, então a nossa carne terá livre acesso para 
operar de acordo com essa imagem. Jesus disse que, quando 
vocé recebe o conhecimento da verdade real, ela o liberta. As 
palavras e as experiências em nossas vidas são sementes 
que podem nos prender em mentiras ou nos libertar em 
verdade. Quando Deus criou a terra, Ele a criou com uma lei 
inata segundo a qual cada ser vivo deveria reproduzir sua 
própria espécie. Vemos em Gênesis 1:11 que cada semente 
foi criada para gerar fruto da sua própria espécie e a semente 
da próxima planta estaria no fruto.
“E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores 
frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja 
nele, sobre a terra. E assim se fez.” (Gênesis 1:11)
Isso significa que, se você plantar uma semente de 
maçã, ela não produzirá uma árvore de laranja. Ela produzirá 
uma árvore de maçã e seu fruto produzirá mais árvores de 
maçã. Nos versículos 21 até 25 de Gênesis 1, vemos que Deus 
criou todos os pássaros e animais para também reproduzirem 
apenas a sua espécie. Da mesma forma, quando nascemos 
de novo, Deus plantou uma semente em nosso espírito. Qual
78
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
é a natureza dessa semente?
“pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de 
incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente."
(1 Pedro 1:23)
Quem ( e não “o quê”) vive e permanece na Palavra de 
Deus? João 1 nos diz que no princípio era a Palavra; a Palavra 
estava com Deus e a Palavra era Deus. A Palavra se tornou 
carne, por isso é evidente que a Palavra de Deus é o Senhor 
Jesus Cristo. Ele produziu fruto que continha uma semente e 
foi plantada em nosso espírito quando você nasceu de novo. 
Essa “semente” é imperecível e incorruptível. Ela se opõe 
diretamente, por exemplo, à semente humana natural ou ao 
esperma masculino, que é perecível. Essa semente vive 
apenas por poucos momentos quando exposta ao ar. Muitas 
coisas podem acontecer com essa semente, fazendo com 
que morra mesmo após a concepção. Mas a semente de Jesus 
Cristo em nosso espírito não está suscetível a outros elementos. 
Ela é pura, imperecível e incorruptível.
Essa semente de Cristo no nosso espírito tem toda a 
plenitude da natureza e das qualidades de Jesus Cristo. E 
como uma semente, ela pode apenas reproduzir a sua própria 
espécie. João disse que essa semente não pode produzir 
pecado:
‘Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; 
pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode 
viver pecando, porque é nascido de Deus. "(1 João 3:9)
O nosso homem espiritual não pode pecar depois de 
ter nascido de novo. Por essa razão, Gálatas 5:16 explica que, 
se andarmos no espírito, é impossível satisfazermos o desejo 
da carne (pecado). A verdade de quem você é no espírito é 
que você é “tudo aquilo” que Jesus era e é. No seu espírito, 
você tem o poder, o caráter e a autoridade de Jesus Cristo. 
Isso foi implantado miraculosamente no seu espírito por Deus,
79
Enganado? Eu?
na forma de semente, quando você nasceu de novo. Paulo 
denomina isso de “o grande m istério” , que por anos foi 
escondido dos gentios.
“aos quais Deus quis dar e conhecer qual seja a riqueza da glória 
deste ministério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança 
da glória;” (Colossenses 1:27)
Quando você nasceu de novo, a natureza do seu 
homem espiritual foi miraculosamente transformada, mas a 
sua auto-imagem (na sua mente e emoções) provavelmente 
perm aneceu bas icam ente igua l. Você continuou se 
considerando da mesma maneira antiga: por meio das 
mesmas imagens que você tinha antes de nascer de novo. 
Alguns de nós, sem dúvida nenhuma, tivemos mudanças 
drásticas em certas áreas de nossas vidas quando recebemos 
Jesus. Essas são as áreas que precisam ser renovadas pela 
Palavra de Deus.
A verdade é que, se você nascer de novo, você é 
completo em Jesus Cristo. Jesus é suficiente para suprir todas 
as suas necessidades (Colosensses 2:6-10) Você é sábio, 
justo, santificado e redimido (1 Coríntios 1:30), (2 Coríntios 
5:21). Você tem a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16). Você é 
santo e irrepreensível (Efésios 1:4). Você é uma nova criatura 
(2 Coríntios 5:17). Você é verdadeiramente santo, porque Jesus 
é santo em você (1 Pedro 1:16).
Essa é a m aneira pela qual Deus dese ja que 
enxerguemos a nós mesmos. Ele não quer que sejamos 
“conscientes do pecado”. Ele deseja que sejamos “conscientes 
da justiça” . Não devemos nos identificar com o pecado em 
nossa carne, mas com a natureza de Jesus em nosso espírito. 
Isso faz com que a comunhão da nossa fé seja eficaz.
“para que a comunhão da tua fé se torne eficiente no pleno 
conhecimento de todo bem que há em nós, para com Cristo."
(Filemom 6)
80
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira imagem em Cristo
Comprometa-se a se identificar com o espírito, e não 
com a sua carne. Não concorde com o que o diabo diz sobre 
você. Comece a concordar com o que Deus diz a seu respeito. 
Você sabia que você se torna aquilo que você pensa sobre si 
mesmo? Se você pensar a seu próprio respeito de uma certa 
maneira e continuar pensando assim, você reforçará uma 
imagem na sua alma.
" Porque, como imagina em sua alma, assim ele é; ele te diz: Come e 
bebe; mas o seu coração não está contigo. ” (Provérbios 23:7)
A sua alma humana é como uma câmera que forma 
uma imagem daquilo que é focado. Se você focar na sua carne, 
a sua auto-imagem será, predominantemente, carnal. Se você 
focar na natureza de Jesus Cristo, no seu espirito, a sua auto- 
imagem, na sua alma, será semelhante à Dele.
Algumas vezes, quando explico isso aos crentes, eles 
dizem: “Você está pedindo que eu minta a meu respeito. Não 
posso ficar pensando e falando mentiras sobre mim mesmo. 
Isso é um 'auto-engano,.,,
Eu digo: “Não, não é. Isso é começar a depositar fé na 
verdade de Deus sobre a sua pessoa, e não na sua experiência 
sobre si mesmo.”
Se você depositar mais confiança e segurança nas 
circunstâncias, no que as pessoas dizem, nas suas emoções 
e nos seus cinco sentidos, então você será enganado e estará 
concordando com o diabo a respeito de si mesmo. Você está 
permitindo que a sua carne determine a sua auto-imagem ao 
confiar nas circunstâncias temporárias, em vez de confiar na 
eterna Palavra de Deus.
Um dia, uma senhora veio ao meu escritório para se 
aconselhar quanto a sua depressão crônica. Ela começou a 
me dizer: “ Eu sei, isso acon tece por causa do meu 
temperamento em particular, tenho tendência à depressão.” 
Ela se via como uma pessoa deprimida porque acreditavaque 
estava propensa à depressão devido ao seu temperamento.
“Você tem certeza de que é nascida de novo? Jesus é
81
Enganado? Eu?
o seu Senhor?” Perguntei.
Ele respondeu: “Tenho.”
Então lhe perguntei: “Qual é o temperamento de Jesus?”
Ela disse: “Bem, ele deve ter todas as boas qualidades 
de cada temperamento.”
Perguntei àquela mulher se ela achava que Jesus Cristo 
foi deprimido.
“Não”, ela respondeu. Então compartilhei que ela havia 
nascido de novo da semente imperecível de Jesus Cristo.
“Você tem a natureza Dele, que já habita no seu espírito.” 
Eu lhe assegurei: “E essa natureza não tem tendência à 
depressão.”
Eu mostrei a ela que não precisava descobrir as 
tendências negativas da sua carne e depois tentar vencê-las. 
Isso a estava fazendo cada vez mais “consciente da carne" e 
não “consciente do espírito". Ao fazer isso, a mulher se 
identificava com a sua carne e tentava lutar contra ela com a 
sua própria força de vontade. Ela usou a Palavra de Deus 
como uma lei na sua mente.
Por causa do engano do pecado, das teorias e das 
doutrinas com as quais essa mulher se identificava, foi difícil 
para ela enxergar o pecado de ter se identificado com a sua 
carne. Inconsciente disso, ela não conseguia se arrepender 
de algo do qual não estava convencida. Ela estava colocando 
a fé na sua experiência de depressão, não na verdade de quem 
Deus dizia que ela era no espírito.
Resumindo, quando depositamos fé e confiança nas 
circunstâncias ou nas palavras contrárias à Palavra de Deus, 
estamos em pecado e somos governados pela nossa carne. 
Quando os espias de Israel foram à Canaã e retornaram para 
reportarem o que viram e experimentaram na carne, Deus 
chamou isso de um relatório ímpio:
“Ao cabo de quarenta dias, voltaram de espiara terra, caminharam e 
vieram a Moisés, e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel 
no deserto de Parã, a Cades; deram-lhes conta, a eles e a toda a 
congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra. Relataram a Moisés e
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Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana 
leite e mel; este é o fruto dela. O povo, porém, que habita nessa terra 
é poderoso, e as cidades, mui grandes e fortificadas; também vimos 
ali os filhos de Anaque. Os amalequitas habitam na terra do Noguebe; 
os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam na montanha; os 
cananeus habitam ao pé do mar e pela ribeira do Jordão. Então, Calebe 
fez catar o povo perante Moisés e disse: Eia! Subamos e possuamos 
a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela. Porém os 
homens que com ele tinham subido disseram: Não poderemos subir 
contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. E, diante dos 
filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A 
terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus 
moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande 
estatura. Também vimos ali gigantes (os filhos de Anaque são 
descendentes de gigantes), e éramos, aos nossos próprios olhos, 
como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos."
(Números 13:25-33)
Os dez espias não mentiram. Eles apenas explicaram 
o que ouviram com seus ouvidos, o que viram com seus olhos 
e o que experimentaram com suas emoções. Então tiraram 
uma conclusão usando o raciocínio humano: “Não devemos 
tomar a terra, ou seremos destruídos na batalha.” Deus 
chamou isso de um relatório ímpio.
Os outros dois espias viram, ouviram e experimentaram 
as mesmas coisas. Mas eles tira ram uma conclusão 
totalmente diferente: “Vamos vencer a batalha!” A confiança e 
a segurança dos dois espias não se baseavam naquilo que 
viram ou experimentaram.
Sua confiança estava naquilo que Deus havia dito.
Deus já havia falado ao Seu povo: “Eu lhes darei a terra 
e a vitória.”
O objetivo daquela missão de espionagem não era para 
que os espias decidissem, por meio do conhecimento dos cinco 
sentidos, se acreditariam naquilo que Deus já havia dito e se 
obedeceriam a Ele. A missão era para determinar os detalhes 
e as logísticas de se mover na Palavra de Deus.
Pelo fato de o povo ter decidido depositar mais
83
Enganado? Eu?
confiança nas circunstâncias visíveis e no raciocínio humano, 
eles perderam a entrada na terra.
O versículo 33 revela a falsa imagem que os dez espias 
formaram de si mesmos ao se verem como gafanhotos perto 
de gigantes. Eles chegaram a pensar que até os inimigos os 
viram como gafanhotos. Mas os filhos de Enaque, sem dúvida 
nenhuma, ouviram falar sobre o Deus de Israel e sobre os 
milagres que Ele havia realizado no Egito. Eles tinham muito 
medo do povo que lutava no poder de um Deus sobrenatural! 
Os dez espias não compreenderam a verdade no espírito e 
concordaram com o que o diabo pensava sobre eles, sobre 
Deus e sobre os cananeus. Quando acreditamos em alguma 
coisa relacionada a nós mesmos que seja contrária àquilo que 
Deus diz no espírito, então, estamos zombando de Deus e 
concordando com o diabo.
Uma tarde, um m arido irado, a quem eu havia 
aconselhado, me telefonou. Eu dera aconselhamento a ele e 
a sua esposa havia uma semana. Ele me disse que os dias 
que se seguiram foram os piores do seu casamento. Sua 
esposa estava muito deprimida e estava tratando-o de forma 
terrível. Em vez de estarem melhorando, seu casamento se 
desestabilizava a cada dia. E, para ele, tudo isso estava 
acontecendo devido ao meu aconselhamento.
Ele disse: “Não sei como você pode se apresentar como 
um conselheiro, e eu nem tenho certeza de que você seja um 
cristão! A sessão de aconselhamento da semana passada foi 
o pior exemplo de aconselhamento que eu já vira.” Mas ele 
concordou em retornar no dia seguinte para continuarmos 
aquela conversa.
Depois que desliguei o telefone, eu me senti devastado. 
Na manhâ seguinte, enquanto me dirigia para a igreja, para o 
aconselhamento, eu me questionei se Deus realmente havia 
me cham ado para ser um conse lhe iro . Pensei: 
“Provavelmente, sou um conselheiro bem mixuruca. Eu não 
deveria mais aconselhar ninguém.” Para dizer a verdade, eu 
me senti um conselheiro fraco e minha auto-estima foi para 
baixo.
84
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
Mais ta rde , naquele dia, com partilhe i esses 
pensamentos com Jean Orr, que era, naquele tempo, a diretora 
do Centro de Aconselhamento Nova Vida. Jean me perguntou: 
“As palavras que ele falou sobre você ou as suas emoções 
sobre essas palavras mudaram a verdade de quem você 
realmente é em Cristo Jesus?”
Pensei sobre aquilo por um momento e disse: “Creio 
que não. Continuo sendo a mesma pessoa no Senhor. A minha 
identidade não mudou.”
Com essas palavras, subitamente vi como eu havia 
perm itido que as palavras daquele homem e os meus 
sentimentos criassem uma imagem falsa em minha mente 
sobre mim mesmo como um conselheiro. Arrependi-me de 
não ter buscado no espírito o que Deus tinha para me dizer 
sobre mim e por não ter me alinhado com a Sua Palavra. 
Aconteceu que o homem retornou com uma atitude de muito 
arrependimento. Ele e sua esposa haviam entrado em um 
grave desacordo, e, num estado de ira, ele me ligou e me 
culpou por aquela situação.
Perceba que é muito importante impedirmos que as 
palavras de outros ou que a sua interpretação humana das 
circunstâncias e experiências criem uma falsa auto-imagem 
na sua vida. Qualquer auto-imagem contrária à verdade daquilo 
que Deus diz sobre você no espírito é uma auto-imagem falsa. 
Por isso, concorde com Deus, e não com a sua carne ou com 
o diabo.
Pensei em como Deus falou a Gideão, em Juizes 6:11 - 
17, para libertar Israel dos midianitas. Gideão discutiu com Deus 
de acordo com a falsa auto-imagem que tinha de si. Ele disse: 
“Sou muito jovem e os membros da minha família são ninguém 
aqui em Israel. Se você quiser usar alguém para libertar Israel, 
escolha alguém de uma família valente e nobre. Se você quiser 
usar alguém da minha família, escolha um dos meus irmãos 
mais velhos, pois não tenho valor e sou incapaz.”M uitos cren tes se sentem assim : sem va lo r e 
incapazes. Mas isso é uma falsa auto-imagem, não é uma 
imagem de Deus. Deus continuou a falar a verdade a Gideão
85
Enganado? Eu?
de forma tão persistente que ele, finalmente, creu naquilo e foi 
usado poderosamente para derrotar, com apenas 300 homens, 
um grande exército! Da mesma forma, ter uma consciência 
de quem Jesus é em você fará com que você derrote até 
mesmo os piores inimigos espirituais.
É interessante comparar a imagem original que Gideão 
tinha de si mesmo com a auto-imagem que Davi tinha quando 
ele foi usado por Deus para matar Golias em 1 Samuel 17. A 
confiança e a segurança de Davi não estavam nele e na sua 
capacidade, mas em Deus. A sua identidade pessoal estava 
em quem ele era em Deus, não em quem ele era na carne. 
Por outro lado, Gideão confiou em si mesmo e não em Deus 
por não ter a certeza do amor de Deus por ele e por ter medo 
de Deus. Ele interpretou as circunstâncias como se dissesse: 
“Deus não é fiel para suprir nossas necessidades.” No início, 
Gideão não creu em Deus porque a sua identidade estava 
totalmente relacionada a sua carne, enquanto a identidade de 
Davi estava totalmente relacionada a Deus.
Assim como com Gideão e Davi, Deus não quer que 
nos identifiquemos com a carne. Ele quer que crucifiquemos 
a nossa carne e vivamos no nosso espírito (Romanos 8:13). 
Você sabia que, quando você acredita e coloca a sua fé numa 
imagem falsa, você está, na realidade, crendo numa imagem 
esculpida? Pondere nisso:
“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de 
escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, 
nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.”
(Êxodo 20:3-4)
Esculpido significa “artificial” ou ‘le ito por homem”. Uma 
imagem esculpida é uma imagem falsa feita pelo homem. O 
Senhor teve que, freqüentemente, repreender os israelitas por 
fazerem e adorarem imagens de deuses feitas com madeira, 
metal e pedra. Isso era idolatria e uma abominação a Deus. 
Quando você recebe e deposita a sua fé em qualquer imagem 
falsa em sua mente sobre Deus, ela é uma imagem esculpida,
86
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
como se você tivesse criado uma imagem física. Deus não 
quer que O adoremos através de imagens esculpidas (feitas 
por homens, falsas). Será que Ele quer que nos relacionemos 
com nós mesmos e com outros através dessas imagens? 
Imagens esculpidas são abomináveis a Deus, e Ele as odeia. 
Será que não deveríamos sentir o mesmo ao descobrirmos 
tais coisas em nós mesmos?
De onde vem as imagens falsas sobre nós mesmos? 
Creio que as formas básicas de desenvolvermos falsas auto- 
imagens são através do nosso raciocínio humano e da 
interpretação de duas coisas: (1) palavras que ouvimos; e (2) 
experiências que temos.
Preste atenção em como as palavras criam falsas 
auto-imagens. Romanos 10:17 declara que “E, assim, a fé vem 
pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” . A fé em 
Cristo vem ao ouvirmos a Palavra de Cristo. Mas também é 
verdade que a fé em outra pessoa, ou em outra coisa, pode vir 
ao ouvirmos as palavras de outros. Lembre-se de que as 
palavras são sementes que produzem frutos de sua própria 
espécie. Ouvimos palavras das pessoas o dia inteiro, todos 
os dias. Algumas dessas palavras são verdadeiras, e outras 
são falsas. Porém, se recebermos a palavra de alguém, 
relacionada a nossa pessoa, em nossa alma e começarmos 
a depositar fé nessa palavra e acreditarmos que ela seja 
verdade, essa palavra formará uma imagem sobre nós em 
nossas mentes e emoções. Quer seja falsa ou verdadeira, ela 
se torna verdadeira para nós.
Desde nossa infância, as pessoas têm nos alimentado 
com informações a nosso respeito através das palavras. 
Nossos pais nos diziam quem éramos através das palavras: 
“Você é uma boa menina” ou “Você é levada”. Sem ter como 
julgar essas palavras, a maioria das crianças as recebem e 
crêem no fundo de seus corações nessas coisas que seus 
pais dizem. Se seus pais lhe disseram que você não era muito 
inteligente, provavelm ente, você se considerou menos 
inteligente que outros.
Provavelmente, você é tão inteligente quanto outros,
87
Enganado? Eu?
mas porque você tem uma falsa imagem de si mesmo, você 
se enxerga dessa forma.
As palavras que recebemos de outras pessoas são na 
realidade “p ro fec ias” . Se ouvirm os uma palavra, se a 
aceitamos, se depositamos fé nela e se formamos uma imagem 
em nossa alma de acordo com ela, ela se cumprirá em nossa 
vida. Ela é uma profecia. O Senhor nos advertiu na Sua Palavra 
de receber ou dar profecia. As únicas palavras que devemos 
receber sobre nós mesmos são aquelas do Espírito de Deus 
de acordo com o que Ele diz ser verdadeiro sobre nós no 
espírito.
“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos 
profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; 
falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor. 
Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse: Paz 
tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: 
Não virá mal sobre vós. Porque quem esteve no conselho do Senhor, e 
viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a 
atendeu?” (Jeremias 23:16-18)
Devemos ficar firmes no conselho do Senhor para 
primeiro ouvirmos e depois vermos (formarmos uma imagem 
correta) da Sua Palavra. Se alguém lhe disser uma palavra 
que não esteja de acordo com a Palavra de Deus, não a receba, 
mesmo se a palavra for de acordo com a sua carne, ou com 
as circunstâncias. Ela não é a verdade de quem você realmente 
é. Do mesmo modo, pese, cuidadosamente, as palavras que 
você fala aos outros, principalmente aos seus filhos, cônjuges 
ou pais. Você não quer ser um falso profeta concordando com 
o diabo. Pelo contrário, seja um profeta verdadeiro e concorde 
com Deus ao plantar as sementes da verdade nas almas 
daqueles a quem você ama.
Uma segunda maneira de formarmos falsas auto- 
imagens é através da interpretação errada das circunstâncias 
e das experiências que consideramos com os nossos cinco 
sentidos e com as emoções. Foi isso o que aconteceu com
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
os dez espias em Números 13. Eles interpretaram suas 
experiências erradamente, de acordo com o raciocínio humano, 
e tiraram uma conclusão que os levou a terem uma imagem 
falsa de si mesmos. Eles se consideraram como gafanhotos 
perto de gigantes. Ao fazerem isso, receberam uma imagem 
esculpida, em vez da imagem de Deus sobre aquela situação. 
Ao declararem aquela m entira com seus lábios, eles 
verbalizaram uma falsa profecia sobre sua nação, que no fi­
nal, trouxe resultados amargos.
Uma vez que formamos uma falsa auto-imagem, 
também formamos uma expectativa sobre as nossas vidas. 
Você já imaginou por que as coisas só dão erradas com 
algumas pessoas ou por que pessoas que não são tão ricas, 
in te ligentes ou ta len tosas parecem ter uma vida mais 
abençoada e satisfatória? Isso acontece porque a primeira 
pessoa experimenta coisas negativas em sua vida através de 
imagens falsas e da falsa expectativa que surgem dessas 
imagens falsas. Cada um de nós opera nas imagens falsas 
em certas áreas. Porém, ao nos abrirmos ao espírito de Deus 
e permitirmos que Ele nos revele essas áreas, podemos 
derrubá-las por meio do poder do sangue de Jesus e podemos 
tomar posse delas com a verdade.
Em 1863, uma lei federal foi autorgada nos Estados 
Unidos anulando a escravidão. Essa lei tornou ilegal o ato de 
um homem possuir outro como propriedade. Em termos da 
situação legal, no dia seguinte, após a lei ser sancionada, cada 
escravo nos Estados Unidos era um homem livre. Entretanto, 
anos mais tarde muitos ainda continuavam vivendo como 
escravos. Essas pessoas não estavam exercitando seus 
direitos e a autoridade como homens livres. Elas continuavam 
sujeitas à escravidão e aos seus senhores brancos. Por quê? 
Uma razão foi porque algumas autoridades foram injustas e 
nãoexecutaram a lei da maneira apropriada e justa. Mas grande 
parte deveu-se pelas falsas imagens arraigadas nas mentes 
dos próprios negros. Eles viviam na condição de escravos 
desde que nasceram, então, a única identidade pessoal que 
conheciam era a condição de escravo.
89
Enganado? Eu?
Suponhamos que um homem negro que tenha sido 
escravo por toda a sua vida subitamente ouvisse as palavras 
“Você está livre” e começasse a contemplar essa liberdade. 
Ele poderia pensar: “Se eu não viver aqui, onde vou viver? Onde 
vou trabalhar? Como vou sobreviver? E se ninguém me 
empregar? E se minha família passar necessidade?”
Imagine o medo que esse homem teve ao ponderar 
sobre a liberdade e todas as coisas desconhecidas. Talvez 
ele concluísse que era mais seguro permanecer como escravo. 
Muitos fizeram isso. Você pode dizer: “Mas e se o senhor 
continuar tratando o escravo de forma cruel?” Freqüentemente, 
os temores das coisas desconhecidas do mundo são tão 
in tensas que esse hom em s im plesm ente to le ra uma 
segurança cruel. As imagens próprias desse homem eram 
dele como escravo. Tais imagens o mantiveram em escravidão.
Essa analogia é sem elhante ao estado de novo 
nascimento dos cristãos em certa escravidão de alma. 
Romanos 6:6-7 declara que não somos mais escravos do 
pecado, e sim, libertos dela. Além disso, Romanos 8:2 diz que 
a lei da vida em Jesus nos libertou (tempo passado) da lei da 
morte. A principal razão de andarmos na carne é porque o 
pecado, na nossa carne, nos derrota. É por isso que somos 
como um escravo liberto de 1865, continuamos a aceitar a 
escravidão e a crueldade. Por causa da imagem falsa, 
continuamos a duvidar que podemos ser libertos do diabo ou 
da nossa carne.
Uma vez que ouvimos uma palavra ou interpretamos 
uma experiência, temos uma escolha: recebemos essa 
imagem como algo verdadeiro ou a rejeitamos como algo falso. 
Se buscarmos o que Deus diz ao espírito e isso for confirmado 
na Sua Palavra, tiraremos conclusões corretas. Porém, se 
raciocinarmos em nossas mentes humanas, teremos uma 
imagem errada. Infelizmente, isso não acaba aí. Uma vez que 
recebemos uma imagem falsa e a consideramos verdadeira, 
com eçam os a crer nela. Essas im agens geram uma 
expectativa errada por meio da qual filtramos palavras e 
experiências. Assim, a validade das nossas falsas imagens
90
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
iniciais são confirmadas. Os anos passam e tais confirmações 
são profundamente estabelecidas em nossa alma dificultando 
seu extermínio.
Além de essas falsas imagens nos arruinarem, elas 
ferem o nosso relacionam ento com Deus. Sempre que 
operarmos na carne, endurecemos o nosso coração nessa 
direção. A Bíblia nos diz que, quando fazemos isso, mesmo 
que inconscientemente, nos excluímos da vida de Deus nessa 
área.
“obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da 
ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração.”
(Efésios4:18)
Então, como devemos nos ver? Simplesmente como 
novas criaturas que somos em nosso espírito nascido de novo. 
Fazemos isso ao permitir que Deus revele a área em que 
concordamos com o diabo sobre nós mesmos para que 
possamos nos arrepender e começar a concordar com Deus.
“Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a 
carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não 
o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é 
nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram no­
vas.”
(2 Coríntios 5:16-17)
Se você começar a se ver como você é no espírito, 
você poderá ver os outros da mesma maneira. Paulo disse 
que você não deve reconhecer homem algum de acordo com 
a carne. Em outras palavras, “considere cada crente nascido 
de novo como ele verdadeiramente é no espírito e relacione- 
se com ele dessa forma” . Mesmo quando alguém agir na 
carne, você não deve reconhecê-lo dessa forma. Não fale com 
ele ou sobre ele e não pense nele relacionando-o com a carne, 
pois a Palavra diz que devemos reconhecer o espírito.
Se isso é verdade, como você deve considerar um 
incrédulo? Seu espírito não está redimido e ele continua tendo
91
enganado? Eu?
a mesma natureza da sua carne. É óbvio que você não 
conseguirá vê-lo de acordo com o seu espírito, pois ele não 
está redimido. O segredo é considerarmos os incrédulos como 
Jesus considera:
“Deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos 
seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos;’’
(Isaías: 11:3)
Jesus nunca julga ou tira conclusões baseadas nos 
Seus cinco sentidos. Ao contrário, Jesus sempre vê as pessoas 
com uma atitude de amor. O amor não vê as pessoas na carne, 
mas sempre as vê com uma visão redentora. Assim, é dessa 
forma que devemos ver os outros:
“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este 
crucificado.”
(1 Coríntios 2:2)
A palavra grega traduzida como “entre”, no versículo 
acima, na realidade, significa “em, dentro ou sobre”. Paulo 
estava dizendo que ele havia determinado não saber nada sobre 
os coríntios, exceto Jesus Cristo, crucificado. Mesmo tendo 
que repreender os coríntios, Paulo os repreendeu em amor, e 
recusou-se a considerá-los “de acordo com a carne”.
Sua mente lhe dirá imediatamente: “Se você começar 
a tratar os outros dessa maneira, essas pessoas vão tirar 
vantagem disso e acabarão pisando em você.” A idéia é que 
você deve manter suas defesas erguidas contra a carne dos 
outros ou você será ferido. Sua mente lhe dirá que a melhor 
maneira de ajudar uma pessoa a mudar é apontando seus 
problemas para que ela possa se arrepender. Na verdade, essa 
é a atitude oposta que a Bíblia nos instrui a fazer. Ao apontarmos 
os defeitos dos outros, nós os identificamos de acordo com a 
carne e os ajudamos a se identificarem com a sua carne. (Não 
estou falando sobre uma situação de aconselhamento, mas 
de um relacionamento.)
92
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
Jesus nos diz que as mudanças das circunstâncias e 
dos relacionamentos vêm por meio da oração, pedindo ao Pai 
e crendo e agindo como se já tivéssemos recebido aquilo pelo 
qual oramos. Esse é o mecanismo pelo qual as nossas 
orações são respondidas:
“porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: 
Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer 
que se fará o que diz, assim será com ele. Por isso, vos digo que tudo 
quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim 
convosco.” (Marcos 11:23-24)
Talvez o seu cônjuge ou o seu filho tenham áreas em 
suas vidas que pareçam insuperáveis para você. Pare de 
concordar com o diabo sobre as pessoas que ama. Não aceite 
uma imagem falsa em suas vidas ao se relacionar com elas 
como se a área problemática continuasse existindo. Mesmo 
se você vir o problema, não deposite fé nele. Deposite a sua fé 
em Deus ao crer que você recebeu aquilo pelo qual orou: uma 
mudança na vida das pessoas que ama.
O princípio de Deus é para que você declare as coisas 
que são verdadeiras, mas que ainda não se manifestaram no 
natural. Uma pessoa nascida de novo possui toda a plenitude 
de Jesus Cristo no seu espírito, na forma de semente. 
Entretanto, pode ser que essa semente ainda não esteja 
totalmente manifestada na sua alma. Para vermos mudanças 
na vida de uma pessoa, visualize-a no espírito e declare a 
existência das coisas que ainda não existem no natural, mas 
que já estão presentes no sobrenatural, no seu espírito: o 
caráter de Jesus.
“como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí, perante 
aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência 
as coisas que não existem.”
(Romanos 4:17)
O mecanismo pelo qual recebemos a resposta de
93
Enganado? Eu?
oração é crendo que já a recebemos. Nós a declaramos com 
a nossa boca e agimos como se ela já existisse. Não fale e 
declare aquilo que você já possui. Você não precisa disso! 
D eclare o que você não tem . Se o seu m arido fica 
freqüentemente irado,ou se a sua esposa é mal-humorada, 
não visualize isso e não fale com ele, ou com ela, sobre seus 
pontos negativos. Isso, s im plesm ente, fo rta lece rá as 
características negativas em você e nele. Por que declarar 
mais ira ou mau humor? Você já tem ira e mau humor. Mas 
declare paz, alegria e vida no espírito.
A m elhor ana log ia que podem os usar para 
compreender esse princípio é o da gravidez. Qualquer hora, 
depois da concepção, uma mãe pode verdadeiramente dizer: 
“Tenho um bebê”, mas isso não será fisicamente manifestado 
em plenitude até o nascimento. Quando declaramos a Palavra 
de Deus numa circunstância, ou na vida de alguma pessoa, 
estamos plantando uma semente e a concepção ocorre. Du­
rante o tempo de gravidez, continuamos acreditando que 
recebemos aquilo pelo qual oramos. Quando um nascimento 
ocorre, vemos manifestado no natural aquilo pelo qual oramos. 
Assim, desejamos que as nossas palavras concordem com 
a verdade no espírito, não com a manifestação na alma.
“porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, 
serás condenado. ” (Mateus 12:37)
“A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come 
do seu fruto. ” (Provérbios 18:21)
Certifique-se de que a sua língua sempre declare vida, 
e não morte, a outros e sobre os outros. Você só poderá fazer 
isso ao andar no espírito e ao permitir que a natureza de Jesus 
Cristo encha a sua alma no seu espírito.
Em Mateus 12:34, Jesus disse que a sua boca fala do 
que está cheio o coração. Se o seu coração estiver cheio de 
amor e da vida de Jesus Cristo, sua boca automaticamente 
falará palavras de amor e vida. Se ela estiver cheia da carne e
94
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
de morte, será isso o que ela falará. Não use a Palavra apenas 
como uma lei, ao tentar controlar as suas palavras com a força 
de vontade humana. Se você perceber palavras carnais saindo 
da sua boca sobre alguém, deixe que isso seja uma indicação 
de que a sua carne está dominando essa área.
Pergunte a si mesmo se você está confiando esse 
relacionamento nas mãos de Deus e busque-0 em oração. 
Ele o ajudará a compreender na esfera espiritual e a se 
convencer do pecado na sua carne. Então, você poderá se 
arrepender e ser purificado pelo sangue, ativando, assim, a lei 
da vida.
Uma vez visitei um casal polonês para pedir-lhes ajuda 
numa tradução que precisava enviar a amigos na Polônia. 
Disse a minha esposa Jan: “Volto em uma hora.” Durante a 
visita, aquele casal soube que eu estava envolvido com 
aconselhamento cristão, e me pediram que os aconselhasse 
sobre uma situação em suas vidas. Quase quatro horas depois, 
telefonei a Jan para avisá-la de que eu estava atrasado e já 
estava voltando para casa. Mas percebi que ela estava zangada 
comigo, pois nosso filho de dois anos, Josué, não lhe estava 
obedecendo e ela sentia que eu deveria estar em casa para 
ajudá-la.
Enquanto eu voltava para casa, sentia-me terrível. Minha 
alma estava morta e eu não queria voltar para casa. Eu já havia 
passado por aquilo antes, e, geralmente, quando Jan ficava 
mal-humorada, seu mau humor durava a noite toda. Sentindo- 
me culpado, eu compensaria a minha ofensa ao ocupar-me 
tomando conta de Josué, ao falar de maneira amorosa, ao 
fazer o maior número de trabalhos domésticos que fosse 
possível e ao tentar acalmar a carne de Jan. Mas aquilo nunca 
funcionou, e o nosso relacionamento geralmente esfriava du­
rante toda a noite.
Naquela noite, enquanto voltava para casa, orei em 
espírito e o Senhor falou comigo: “Comece a declarar em 
oração a verdade sobre quem Jan é no espírito.” Comecei a 
orar: “Obrigado, Senhor, por Jan ser redimida da lei do pecado 
e da morte. Em nome de Jesus Cristo, declaro que ela anda
95
Enganado? Eu?
no espírito, e não na carne. Obrigada, Senhor, por Jan ser cheia 
de vida, paz, alegria e perdão.”
Então, o Espírito Santo disse: “Você está apenas 
confessando as palavras. Você continua vendo a sua esposa 
na carne. Você espera que, quando voltar para casa, ela fique 
irada a noite toda, pois é isso o que aconteceu no passado. 
Você continua vendo uma imagem de morte.! O Senhor me 
mostrou que eu era como um piloto sentado num avião que 
confessava voar na oração, mas que não ligava os motores 
para operar a lei da aerodinâmica.
Eu me arrependi por ver Jan na carne e por depositar 
minha confiança naquilo que eu havia ouvido com os meus 
ouvidos. Decidi ir em frente e crer que eu já havia recebido 
aquilo pelo qual havia orado. Determinei voltar para casa e, 
independente das circunstâncias ou das palavras que ela me 
dissesse, eu reconheceria apenas “Jesus Cristo, crucificado” . 
Deus me disse: “Aja como se ela estivesse no espírito, mesmo 
se ela se comportar na carne.”
Quando cheguei em casa, Jan continuava frustrada e 
irada comigo. Deus havia me convencido de que eu havia 
demorado muito e desonrado Jan por não ter ligado antes. Ao 
vê-la, primeiro confessei o meu erro e pedi-lhe perdão. Ela 
disse que havia me perdoado, mas eu continuava sentindo a 
sua ira. Então, em vez de agradá-la e de alimentar a sua carne, 
continuei falando com Jan como se ela estivesse dominada 
pelo seu espírito. (Foi difícil, porque a sua carne incitava a 
minha!) Porém, eu já tinha determinado não saber nada além 
de Jesus Cristo no seu espírito.
Depois de uns vinte minutos, todo o mau humor de Jan 
havia desaparecido, e ela havia voltado a andar no espírito. 
Fiquei muito impressionado, pois toda vez que ela ficava mal­
humorada, ela demorava a noite toda para se acalmar. Sem 
dúvida nenhuma, a lei do espírito da vida em Cristo Jesus nos 
libertou da lei do pecado e da morte. São as imagens falsas 
que temos de Deus, de nós mesmos e dos outros que nos 
fazem desviar da lei da vida em Jesus.
Muitas vezes ouvi cristãos dizendo que precisamos
96
Capítulo 4 - Nossa Verdadeira Imagem em Cristo
“transferir o conhecimento bíblico que temos na mente para o 
coração”. Mas não creio que o nosso conhecimento intelectual 
da Palavra tenha que ser transferido. O que precisamos é que 
a nossa mente, a nossa vontade e as nossas emoções sejam 
renovadas pelo poder do Espírito Santo e pelo poder da água 
purificadora da Palavra (Efésios 5:26), para nos mostrar a 
verdade de quem já somos no espírito. Nossas almas são o 
que precisa ser renovado com o conhecimento da nossa 
identidade no espírito. Não precisamos que o nosso espírito 
seja renovado com o entendimento intelectual da Bíblia, mas 
as nossas mentes devem ser renovadas para a verdade 
daquilo que Deus já fez em nossos espíritos. Deus não está 
tentando mudar a nossa identidade no espírito. Ele está apenas 
tentando nos ajudar a caminhar em nossa verdadeira identidade 
daquilo que já somos no espírito. Nossos espíritos já foram 
redimidos, libertos da lei do pecado e da morte e já se tornaram 
santos, justos e puros.
Quando Jesus disse aos judeus: “e conhecerás a 
verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos 
descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; 
como dizes tu: Sereis livres?” (João 8:32-33). Eles não 
reconheciam sua escravidão devido às imagens falsas pelas 
quais viam Deus, a si mesmos e o pecado.
Para pôr um ponto final nessas imagens e ganhar uma 
nova imagem, precisamos permitir que o Espírito Santo revele 
as imagens falsas que temos de nós mesmos, de Deus e dos 
outros em nossas mentes. Caso contrário, assim como os 
judeus, permaneceremos em escravidão e não teremos o 
conhecimento da verdade:
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela 
renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, 
agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)
Precisamos permitir que as nossas mentes sejam 
renovadas para a verdade no nosso espírito. Quando Deus 
revela uma imagem falsa, uma fortaleza carnal na sua mente,
97
Enganado? Eu?
derrube-a por meio do arrependimento e do reconhecimento 
da verdade de Deus no seu espírito.
“Porque, embora andando na carne, nãomilitamos segundo a carne. 
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas 
em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez 
que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo 
pensamento á obediência de Cristo. ” (2 Coríntios 10:3-5)
Ao derrubar as imagens falsas e começar a caminhar 
na verdadeira identidade do seu espírito, a semente incorruptível 
da vida, no seu espírito, gerará fruto da sua própria espécie e 
esse fruto será manifestado em cada área da sua vida.
98
Capítulo 5
Manifestações Superficiais da Carne
A nossa carne utiliza quatro instrumentos poderosos 
para nos manter escravos da lei do pecado e da morte. Esses 
instrumentos são: 1) julgamento de raiz de amargura, 2) 
expectativas falsas provenientes do julgamento, 3) expectativas 
falsas baseadas na falsa auto-imagem, e 4) manipulação.
A raiz de amargura surge do julgamento inicial que uma 
pessoa tem de outra. Dessa raiz de amargura provém não 
apenas um, porém, muitos julgamentos subseqüentes. Esses 
julgamentos de raiz de amargura estão baseados em imagens 
falsas estabelecidas na alma. Tais imagens nos motivam a 
caminhar, inconscientemente, na carne, mesmo depois de 
nascermos de novo.
"atentando, diligentemente, porque ninguém seja faltoso, separando- 
se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, 
brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;"
(Hebreus 12:15)
O tipo de julgamento aqui não deve ser confundido 
com o discernimento espiritual. O julgamento de raiz de 
amargura significa tirar uma conclusão negativa sobre o caráter 
de outra pessoa, especialmente se ela se relaciona com você. 
Essas conclusões estão baseadas no valor que você dá à 
atitude, às palavras e ao comportamento que elas têm com 
você, o que o faz julgar a pessoa. Porém, a Bíblia nos diz para 
não julgarmos as pessoas de tal maneira.
A Palavra de Deus nos diz para não julgarmos, pois o 
julgamento é um indicador de que temos ou teremos a mesma
99
Enganado? Eu?
atitude pela qual julgamos os outros.
Você pode dizer: “Se eu julgar um homossexual, vou 
me tornar um homossexual?” Creio que não, mas você abrirá 
a sua vida para ser controlada pela sua carne na área mais 
fraca. O julgamento também tem a habilidade de reproduzir, 
nas vidas das pessoas ao seu redor, as mesmas atitudes 
carnais e comportamentos pelos quais você julgou os outros.
Quantas mulheres reclamam que seus maridos as 
tratam como seus pais as trataram? Ou quantos homens 
reclamam que suas esposas os tratam como suas mães os 
tratavam? Isso não aconteceu por acidente. Esses maridos e 
esposas, através do engano do pecado e do julgamento, 
criaram esses padrões de comportamento ou atitudes em seus 
cônjuges.
O julgamento opera dessa maneira ao criar em você 
uma imagem falsa de outras pessoas e de si mesmo no 
relacionamento com elas. Essas imagens falsas são sementes 
plantadas na alma: elas reproduzem sementes de sua própria 
espécie de acordo com a lei de semear e colher.
“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem 
semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria 
carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito 
do Espírito colherá vida eterna.” (Gálatas 6:7-8)
Um aspecto da lei de semear e colher é que você 
sempre colhe mais do que semeia. Qualquer fazendeiro sabe 
que, ao semear uma semente, ela vai se transformar em uma 
planta com muitos fru tos, cada fru to contendo muitas 
sementes novas. Ao julgar essas imagens falsas, formadas 
em si mesmo e nos outros,elas tornam-se um enfoque 
emocional na sua alma. Lembre-se, a sua alma é como uma 
câmera fotográfica que produz na sua vida aquilo que focaliza. 
O ju lgam ento foca a alma, incorretamente, através das 
imagens falsas e negativas que resultam uma má colheita de 
frutos.
Tenho um amigo pastor chamado Steve. Ele é usado
100
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
poderosamente por Deus para pregar, ensinar e aconselhar. 
Entretanto, algum tempo atrás, o Senhor lhe revelou como 
alguns julgamentos de raiz de amargura estavam diminuindo 
a eficácia do ministério e destruindo sua vida pessoal e familiar. 
Steve cresceu num bairro pobre e, para piorar, ele considerava 
seu pai preguiçoso e tolerante àquela terrível situação. 
Aparentemente, aquele pai não queria mudar, e Steve o julgava 
pela sua preguiça e por não tentar mudar a situação da família. 
Mais tarde, Steve jurou que nunca seria como seu pai, mas 
esses julgamentos não se limitaram aos problemas do lar. Ele 
julgava os políticos do governo e a sociedade pela sua 
insensibilidade às necessidades do povo.
Ao crescer, ele se tornou um militante e se uniu a um 
grupo terrrorista na tentativa de fazer algo pelos americanos 
pobres. Enquanto estava nesse grupo, pela misericórdia de 
Deus, Steve nasceu de novo, deixou o grupo e começou a 
viver uma vida para Jesus Cristo. Porém, esses julgamentos 
continuaram operando a morte dele, sem que os percebesse 
ou os consentisse.
Os dois julgamentos principais que operavam em Steve 
estavam relacionados à preguiça e à insensibilidade para com 
as necessidades dos outros. Porém, desde que havia nascido 
de novo, em vez de esses julgamentos serem eliminados, 
muitas outras sementes de julgamento foram reproduzidas e 
semeadas. Steve ju lgava os cristãos que considerava 
preguiçosos e ministérios insensíveis às necessidades do 
povo. Ao fazer isso, ele, inconsciente e conscientemente, se 
comparava com outras pessoas e comparava o seu ministério 
com outros ministérios. É claro que ele sempre achava que 
era um árduo trabalhador e mais sensível do que qualquer outra 
pessoa. Essa auto-imagem emanava do orgulho na sua carne, 
e não da natureza de Cristo no seu espírito. Porém, ele pensava 
que sua atitude era santa, pois o julgamento o cegava nessa 
área, então aquele pecado (orgulho) na sua carne o enganava. 
Isso é o que Jesus quis dizer quando se referiu a uma trave no 
olho.
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com
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Enganado? Eu?
que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes 
medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de 
teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou 
como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando 
tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, 
então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão. ”
(Mateus 7:1-5)
O problema é que, quando você tem uma trave no seu 
olho, sem que perceba, você é enganado pelo pecado. Steve 
pregava, aconselhava e ministrava pessoas de 12 a 14 horas 
por dia porque não queria ser considerado preguiçoso ou 
ineficiente. Entretanto, estava sempre atrasado para todos os 
seus compromissos e raramente voltava para casa no horário 
que havia prometido voltar.
Enquanto seu casamento começava a se deteriorar, a 
eficácia do seu ministério diminuía. Finalmente, desesperado, 
ele procurou aconselhamento cristão e ficou surpreso ao 
descobrir que a maior queixa de sua esposa era que ele era 
insensível às necessidades dela e às necessidades dos filhos, 
pois estava sempre tão ocupado com o ministério. A atitude e 
o comportamento de Steve com os outros se desenvolveram 
nele e em sua família.
O pecado na carne de Steve, operando por meio do 
julgamento, o havia enganado e levado a fazer da sua família 
exatamento aquilo que ele desprezava, odiava e julgava nos 
outros. Além disso, pelo fato de o seu ministério estar enraizado 
no orgulho, ele havia exaltado a si mesmo ao se comparar 
com outros a quem via como menos eficazes, preguiçosos e 
insensíveis. Assim, o seu ministério era bem menos eficaz do 
que poderia ser, pois ele não estava operando no espírito. Steve 
era um homem de Deus e profundamente comprometido com 
os propósitos do Senhor em sua vida. Quando o Espírito de 
Deus lhe revelou essas coisas, ele se arrependeu e começou 
a permitirque a Palavra renovasse sua mente e que a verdade 
o libertasse. Quando julgamos os outros, um mecanismo in­
terior faz com que decidamos não ser como aquela pessoa a 
quem julgamos. Essa atitude permite que o pecado na nossa
102
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
carne nos engane e nos torne como a pessoa a quem julgamos, 
geralmente, em algumas outras áreas de nossas vidas que 
ainda não enxergamos. É por isso que a Bíblia nos diz para 
não julgarmos ninguém, nunca, pois suas conseqüências são 
difíceis de serem suportadas.
Outro mecanismo de destruição que opera por meio 
do julgamento são as expectativas futuras. Esperamos um 
comportamento semelhante de outras pessoas que consiste 
de imagens falsas recebidas por meio do julgamento. Hebreus 
12:15 nos diz que, através da raiz de amargura, muitas pessoas 
são contaminadas. Essas expectativas ocorrem da seguinte 
forma: quando julgamos a pessoa e a maneira como ela se 
relaciona, formamos uma imagem falsa. Assim, por causa 
dessa imagem, esperamos que os outros, futuramente, ajam 
da mesma forma e nos tratem da mesma maneira como a 
pessoa a quem julgamos nos tratou.
Por exemplo, se uma pessoa de uma certa raça agiu 
cruelm ente com você, você poderá esperar que outras 
pessoas da mesma raça o tratem da mesma forma cruel. O 
mundo chama isso de preconceito. A Bíblia simplesmente 
chama isso de pecado.
E se, por exemplo, você julgou o seu pai pela forma 
como ele o tratou? Se você permanecer nesse julgamento, 
você poderá esperar que outras pessoas, talvez seu marido, 
chefe, policial ou, em última análise, Deus, o tratem como o 
seu pai o tratou.
Essa expectativa pode ser vista mais facilmente em 
um re lac ionam en to de casam ento . Os hom ens, 
freqüentemente, fazem com que as qualidades julgadas em 
suas mães surjam na vida de suas esposas e as esposas 
fazem com que as qualidades julgadas em seus pais surjam 
na vida de seus maridos.
Conseqüentemente, os homens tendem a ter as 
qualidades que julgaram em seus pais, e o mesmo ocorre com 
as mulheres e suas mães. Você já imaginou por que a sua 
esposa tem algumas qualidades negativas exatamente iguais 
às da mãe dela? A razão é que sua esposa julgou a mãe dela
103
Enganado? Eu?
nessas áreas. Você já imaginou por que o seu marido a trata 
da mesma maneira que ele trata a mãe dele? É porque ele 
espera que você aja da mesma maneira que a mãe dele nas 
áreas que a julgou.
Lembra-se de Terry e da sua dificuldade de ouvir a voz 
de Deus? N aquela sessão de aconse lham ento , não 
discutimos o ju lgamento que tinha de seus pais, mas o 
julgamento baseado nos efeitos atuais em sua vida. Imagino 
que ela tenha julgado o seu pai por tê-la feito se sentir sem 
importância. Ao crescer, ela esperou que outros homens, que 
namorasse ou com quem considerasse se casar, a tratassem 
da mesma forma. Por exemplo, quando começava a namorar 
um homem, o cenário seria semelhante ao seguinte: Ela 
esperava que ele a rejeitasse, pois se achava sem importância 
e sem valor. Inicialmente, ela se sentia atraída a esse homem 
por ele honrá-la e considerá-la, como se ela fosse valiosa. Mas 
ela esperava que, mais cedo ou mais tarde, ele descobrisse a 
‘Verdade” de quão sem importância e sem valor ela realmente 
era e finalmente a rejeitasse.
Por causa de sua falsa imagem, Terry interpretava as 
palavras dos homens, sua linguagem corporal e atitudes de 
acordo com suas falsas expectativas de rejeição, mesmo que 
tais pensamentos não fossem verdade. Então, ela começava 
a agir na defensiva, acusando-os de não se importarem com 
ela.
A essa a ltu ra , os hom ens ficavam con fusos 
imaginando o que tinha acontecido para que Terry se sentisse 
re je itada . Com o passar do tem po, em qua lquer 
relacionamento, Terry interpretava erroneamente as palavras 
e as ações de acordo com as suas falsas expectativas. 
Eventualmente, os homens ficavam frustrados e incomodados. 
Até então, eles sentiam apenas amor e consideração por Terry. 
Mas esse amor se transformava em rejeição. Você consegue 
ver com o a sem ente da mágoa em Terry operava 
poderosamente e fazia com que os homens tivessem as 
mesmas atitudes que ela odiava em seu pai?
Por toda sua vida, Terry orou e pediu a Deus que a
104
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
ajudasse num relacionamento e lhe desse um marido. Com a 
rejeição, ela enxergava Deus por meio da mesma imagem falsa 
pela qual ela via o homem que namorara. Essa imagem de si 
e de Deus provinha do julgamento que ela fazia de seu pai. 
Devido às circunstâncias, ela concluiu (como ela sempre 
esperou) que Deus não a amava de verdade e que ela não 
tinha importância e valor para Ele. Para Terry, as circunstâncias 
mostravam a verdade de suas expectativas: “Se Deus 
realmente me amasse e me valorizasse, Ele me daria um 
marido. Ele poderia ter me ajudado nesse relacionamento, mas 
Ele não me ajudou. Então, é óbvio que ele não se importa.”
Terry fora enganada pelo pecado baseado em imagens 
falsas estabelecidas em sua alma através do julgamento ao 
seu pai. Essa expectativa prejudicou o seu relacionamento com 
Deus e a impediu de receber um marido e outras coisas boas 
que o Seu Pai Celeste lhe desejava dar. Então, o julgamento 
específico que Terry fez de seu pai no passado gerou nela 
uma expectativa da forma como os homens, no geral, a 
tratariam no presente e no futuro. Esse é um mecanismo pelo 
qual muitos são contaminados por um julgamento de raiz de 
amargura (Hebreus 12:15).
Vamos olhar um outro exemplo. Suponhamos que um 
garoto cresça ao lado de uma mãe obesa e ele a julgue pela 
obesidade. Agora, suponhamos que uma menina cresça com 
um pai a quem nunca conseguia agradar. Ele sempre a 
criticava, e ela o julgava por isso. Vamos supor que esse jovem 
e essa moça se casem.
No início, tudo funciona bem. Esse homem sentiu-se 
atraído pela esposa por ela ser bonita e magra, diferente de 
sua mãe. A jovem mulher sentiu-se atraída por ele porque ele 
era amoroso, sensível e a agradava. Ele nunca a criticava, 
pois ela era linda e era tudo o que desejava numa esposa.
Nenhum dos dois tinha expectativas conscientes um 
do outro, mas, inconscientemente, gravadas em suas almas 
estavam imagens falsas com expectativas provenientes do 
julgamento. Ele, inconscientemente, esperava que as mulheres 
fossem gordas. Ela, inconscientemente, esperava que os
105
Enganado? Eu?
homens fossem críticos. Provavelmente, ele deve ter tido 
algumas professoras obesas quando pequeno, o que ajudou 
a confirmar uma imagem, e ela deve ter tido alguns professores 
e chefes críticos.
Após um curto período de casamento, o marido 
começa a notar que sua esposa ganhara alguns quilos desde 
que se casaram. No seu esforço de ser uma boa esposa e de 
agradá-lo, ela prepara comidas um pouco mais calóricas do 
que deveria, o que a impede de manter a forma. Imediatamente, 
por causa da expectativa e da imagem que tem, ele começa a 
se alarmar com o fato de sua esposa estar engordando. Na 
realidade, ela havia ganhado apenas uns dois quilos, mas ele 
vê apenas o aspecto que não tolerava em uma esposa 
tornando-se realidade. Então, ele aborda esse assunto da 
maneira mais delicada possível: “Querida, tenho observado 
que você ganhou uns quilinhos. Talvez você devesse procurar 
uma academia.”
Esse comentário não é terrível nem crítico, mas devido 
às expectativas e às imagens da esposa, ela fica extremamente 
preocupada: “Ele nunca me criticou antes!" E aquilo que ela 
não podia tolerar em um marido começa a se tornar realidade. 
Ela continua pensando naquela crítica e fica preocupada. Então, 
começa a fazer o que muitas mulheres fazem depois que se 
casam ou quando ficam nervosas: começa a “beliscar” entre 
as refeições.
Como resultado disso, a esposa ganha mais alguns 
quilos, o que realmente preocupa o marido. Ele pensa: “Talvez 
eu não tenha sido muito claro da última vez. Talvez ela não 
tenha compreendido como sua boa forma e beleza são 
importantes para mim.” Então, da maneiramais doce possível, 
mas um pouco mais enfático, ele expressa sua preocupação 
com o peso dela.
A reação à critica é mais tensão e estresse, o que 
resulta em comer mais. Logo, por meio das expectativas dele, 
ele cria uma esposa obesa, e ela, por meio das expectativas 
dela, gera um marido crítico.
Talvez esse casal finalmente descubra que cometeram
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Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
um erro ao se casarem. Cada um pensa: “Meu cônjuge não é 
realmente a pessoa com quem pensei ter me casado.” Não! A 
verdade é que eles mudaram um ao outro por meio de suas 
expectativas de raiz da amargura. Se esse casal se divorciar 
e se casar com outras pessoas, eles simplesmente iniciarão 
o processo todo novamente.
O ju lgam en to de raiz de am argura ocorre 
inevitavelmente com cada um de nós nas áreas pelas quais 
julgamos outros. É por isso que a Bíblia é tão dura sobre não 
julgarmos ninguém, especialmente os nossos pais.
"Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu Deus, te ordenou, 
para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra 
que o Senhor, teu Deus, te dâ.” (Deuteronômio 5:16)
Se você julgar seus pais por qualquer área da vida 
deles, essa área não prosperará e seus dias não serão 
prolongados na terra. Você estará constantemente colhendo 
as conseqüências da lei do pecado e da morte sem saber o 
porquê. Então, você pode dizer: “Deus está ensinando algo 
através desse relacionamento” ou “O diabo está me atacando”. 
Ou você ficará frustrado e irritado, certo de que o seu problema 
é culpa da outra pessoa.
Saiba que, na maioria dos casos, você está retirando 
esse comportamento de alguém através das suas expectativas. 
Se você estiver tendo problemas com a maneira pela qual seu 
cônjuge, chefe, amigos e outros o tratam, talvez isso seja devido 
ao seu ju lgam ento, às falsas imagens e expectativas. 
Provavelmente, inconscientemente, você enxergue Deus da 
mesma maneira. Talvez você não acredite nisso de imediato, 
mas a Palavra diz isso e o Espírito Santo lhe mostrará se você 
estiver aberto a Ele.
“Se alguém disser: Amo a Deus e odiara seu irmão, é mentiroso; pois 
aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, 
a quem não vê." (1 João 4:20)
107
Enganado? Eu?
A Escritura diz que, se você julgar uma pessoa, você 
não a está amando, e sim odiando-a (não há meio termo!). 
Essa Escritura diz que, da mesma forma, quando você julga, 
você vê Deus através dessa mesma imagem. Algumaô 
pessoas ficam surpresas ao descobrir que a maneira como 
se relacionam e reagem sexualmente com seus parceiros de 
casamento é igual à maneira como elas os vêem de forma 
geral e é a mesma imagem através da qual elas vêem Deus.
Terry, a moça que me procurou para aconselhamento, 
odiava seu pai em seu julgamento, e, subseqüentemente, 
odiava outros homens que namorara. E, em última análise, 
ela odiava a Deus também, porque o via através da mesma 
imagem falsa. Você percebe por que ju lgar outros é tão 
perigoso?
Uma outra forma de expectativas faisas não provém, 
necessariamente, do julgamento, mas é tão destrutiva quanto 
ele. Ela provém de imagens falsas em nossa alma que foram 
depositadas ali por outros meios. Essas expectativas falsas 
fazem com que consideremos, erroneamente, os outros da 
mesma maneira como consideramos a nós mesmos.
Essa forma de expectativa está intimamente ligada com 
o julgamento de rate de amargura. Geralmente, elas andam 
juntas. Por exemplo, Terry queria se casar, mas ela não 
esperava apenas que o homem que namorasse a tratasse 
como seu pai a tratou, ela também esperava que ele a 
considerasse da mesma maneira como ela se considerava.
Por exemplo, se eu acho que tenho um nariz comprido, 
espero que todos vejam e saibam que tenho um nariz 
comprido. Se eu âchar que sou menos inteligente que outros, 
então, quando eu for entrevistado para um emprego, vou crer 
que a pessoa que está me en trev is tando perceba 
imediatamente que me falta inteligência. A verdade é que o 
entrevistador ainda não formou uma opinião sobre mim e não 
sabe nada sobre mim. Pelo fato de eu me ver através de uma 
imagem falsa, me considerar burro, e ter a certeza de que 
essa pessoa me considera burro, perco a confiança e 
conseqüentemente ajo tolamente. Então, a pessoa que está
108
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
me entrevistando percebe que ajo como se fosse burro, forma 
a opinião de que eu não devo ser muito inteligente e me trata 
de acordo com essa opinião.
Novamente, eu criei o meu mundo para ser compatível 
com a minha falsa imagem por meio de uma expectativa falsa. 
Agora, quando o entrevistador me trata como se eu fosse burro, 
a minha falsa auto-imagem é fortalecida e me confirma que, 
na verdade, eu não devo ser muito inteligente.
Esse é o mecanismo pelo qual a nossa carne opera. 
As fa lsas au to-im agens em nossa alma form am um 
comportamento (portanto, não está presente) proveniente dos 
outros e que nos confirma a “verdade” de uma imagem falsa 
na qual acreditamos.
Suponhamos que um menininho cresça sem que seus 
pais o tenham disciplinado da maneira apropriada. Em vez de 
tomarem atitudes disciplinadoras, os pais apenas gritam e 
berram e ele continua desobed ien te . Os pais dizem 
constantemente a ele a a outras pessoas quão malcriado e 
desobediente ele é. Quando essa criança começa a estudar, 
no seu primeiro ano, a professora não conhece nenhuma das 
crianças da sala. Porém, esse garotinho tem uma imagem de 
si mesmo já incutida na sua alma: "Sou um menino malcriado 
e indisciplinado." Ele também acredita que todos os outros 
adultos ao seu redor já saibam e acreditem que ele é assim.
No primeiro dia de aula, ele vai para a sua classe e 
espera que a professora o trate como se ele fosse malcriado 
e desobediente. Em sua mente, o menino faz com que a 
p ro fessora tire conclusões sobre ele baseadas nos 
pensamentos que ele tem de si mesmo. Ele age de forma 
malcriada e desobediente, e, adivinhe... a professora o trata 
como se ele fosse malcriado e desobediente! Isso confirma a 
verdade sobre a sua auto-imagem. A verdade é que a carne 
do menininho formou esse comportamento e fez com que ela 
lhe confirmasse a própria auto-imagem. Esse é o mecanismo 
pelo qual a nossa carne manipula a carne dos outros para 
fazer com que eles nos confirmem a falsa auto-imagem na 
qual estamos andando.
109
Enganado? Eu?
As duas expectativas falsas discutidas anteriormente 
são usadas pelo diabo para manter você e os outros ao seu 
redor escravos dessas falsas auto-imagens incutidas em 
nossas mentes e emoções pelo pecado em nossa carne. O 
primeiro tipo de expectativa falsa é designado basicamente 
para manter as pessoas ao seu redor escravas das imagens 
de relacionamentos passados através da visão que você tem 
delas.
Por exemplo, suponhamos que o homem que julgou 
sua mãe por causa da obesidade subitamente reconhecesse 
que estava julgando e que estava enxergando sua mãe e sua 
esposa por meio da sua carne, e não do seu espírito. 
Suponhamos que o Senhor também o tenha convencido de 
que ele estava tentando, através da força e da sabedoria da 
sua carne, m anipular sua esposa por meio de “doces 
sugestões” (crítica) para fazê-la perder peso em vez de vê-la 
no espírito, chamar à existência aquilo que ainda não exite, 
crer e receber aquilo pelo qual orou (Romanos 4:17, Marcos 
11:24). Suponhamos que ele confesse tudo isso para a sua 
esposa, se arrependa e comece a caminhar no espírito.
Por outro lado, a esposa ainda não enxerga o seu 
julgamento, sua falsa expectativa e sua falsa imagem. Ela con­
tinua esperando que o marido a critique, mesmo tendo se 
arrependido. Essa lei espiritual negativa continuará operando 
nela na tentativa de fazer com que o marido a critique. Se ele 
continuar andando no espírito, não conseguirá ser manipulado 
pela carne. A carne, em uma pessoa, consegue gerar um 
comportamento apenas por meio da carne de uma outra 
pessoa.
Porém, por causa da imagem e da expectativa falsasque a esposa tem, ela não permite que o marido mude. 
Insconscientemente, ela faz o possível para que ele se 
conforme à sua imagem e a critique.
Se o marido permanecer no espírito, ele mudará de 
qualquer forma, independente de sua esposa vê-lo no espírito 
ou não. Mas, por não liberá-lo e não vê-lo no espírito, ela não 
estará ajudando o marido a viver na verdade de quem ele é em
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
Cristo. Basicamente, as atitudes carnais da esposa operam 
sem cessar contra o mesmo desejo do seu coração: ter um 
marido que não a critique. Essa é a maneira pela qual o primeiro 
tipo de expectativas falsas opera para manter as outras 
pessoas em dois tipos de escravidão: à sua carne e também 
às imagens falsas que temos delas.
O segundo tipo de expectativas falsas nos mantém em 
escravidão às nossas próprias auto-imagens. Esse mecanismo 
faz com que outras pessoas nos considerem da mesma 
maneira pela qual nos consideramos. Uma vez que essa 
imagem é estabelecida nos outros, eles acreditarão nas 
imagens falsas sobre nós e não nos liberarão dessas imagens 
se nos arrependermos mais tarde.
Se você acreditar que você é burro, então, através 
dessas expectativas falsas, você pode convencer o seu chefe 
de que você é burro. Porém, mais tarde, você pode vir a 
compreender a verdade de Jesus Cristo (de que você não é 
burro) no seu espírito. Assim, você se arrepende de caminhar 
na carne sob o engano no pecado. Entretanto, o seu chefe 
continua tratando-o como se você fosse burro devido à imagem 
que tem de você (criada pela sua própria carne).
Andar na verdadeira imagem no espírito é muito mais 
difícil quando os outros o lembram e o tratam de acordo com 
as imagens falsas que tem de você.
Uma quarta área na qual a nossa carne opera é através 
da manipulação dos outros com o propósito de alcançar 
objetivos próprios. Isso significa usar quaisquer métodos ou 
palavras que a nossa carne considere necessárias para fazer 
com que a outra pessoa faça o que desejamos.
O exemplo mais comum é um marido crente que usa 
um estudo bíblico sobre submissão (Efésios 5) para convencer 
a esposa a concordar com ele sobre algum ponto. Talvez a 
esposa também tente fazer com que o marido faça algo por 
ela. Por ele ser cabeça dura, ela se afasta sexualmente dele. 
Imediatamente, o marido lê 1 Coríntios 7 que fala que o corpo 
da mulher não é dela, mas do marido. Assim, o marido não 
está amando sua mulher, pelo contrário, está usando a Palavra
111
Enganado? Eu?
de Deus para manipulá-la.
Esse é um exemplo de como cada pessoa usa a 
manipulação carnal na tentativa de fazer as coisas da sua 
maneira. Provavelm ente, nesse momento você este ja 
m anipulando alguém ou sendo m anipulado. Isso está 
acontecendo em uma área da sua vida na qual a sua carne 
está exercitando o seu domínio, provavelmente, sem que você 
perceba. Você não pode ser manipulado em nenhuma área 
onde o seu espírito tem domínio, e o seu espírito não permitirá 
que você manipule outros porque o seu espírito o leva a confiar 
em Deus para atingir o seu propósito.
A manipulação carnal, como mencionei anteriormente, 
pode ser muito sutil. Podemos até usar a Palavra de Deus na 
carne para manipular alguém a dar dinheiro para a igreja, 
receber a Jesus, ser batizado no Espírito Santo ou arrepender- 
se do pecado. Todas essas coisas são objetivos nobres e 
correios, mas se não confiarmos em Deus para ungir a Sua 
Palavra e convencer as pessoas por meio do Espírito Santo, 
caímos facilmente na armadilha da manipulação carnal.
Nos tempos de Jesus, os escribas e os fariseus 
constantemente manipulavam Jesus para atingir seus próprios 
objetivos. Eles estavam sempre preparando uma armadilha 
na carne para manipulá-Lo a conformar-Se com suas doutrinas 
e imagens falsas de santidade.
Porém, Jesus nunca foi manipulado. Ele sempre reagia 
no espírito. Um espírito nascido de novo não pode ser 
manipulado pela carne e não manipula outras pessoas.
A manipulação está enraizada na imagem falsa de um 
Deus infiel e incapaz de suprir as nossas necessidades ou de 
cumprir os Seus propósitos em nossas vidas.
Como conseqüência de não ter recebido o amor de 
Deus nessa área, e de não confiar em Deus, as nossas 
mentes, governadas pela carne, elaboram planos para alcançar 
os objetivos por meio da manipulação.
A manipulação pode ser uma coisa muito perigosa. Em
2 Samuel 13:1-19, um jovem, Amnom, destruiu a vida de sua 
irmã, Tamar, ao manipulá-la a satisfazer suas necessidades e
112
Capítulo 5 - Manifestações Superficiais da Carne
ao alcançar os objetivos.
Se Deus estiver convencendo-o de que você está 
manipulando alguém, arrependa-se por não ter confiado Nele 
e por ter permitido que a sua carne governasse essa área. Se 
você está sendo manipulado por alguém, arrependa-se por 
estar vivendo na carne e determine andar no espírito. Lembre- 
se, o seu espírito recriado possui a natureza de Jesus Cristo e 
não pode ser manipulado por mais ninguém.
Esses são alguns dos mecanismos e técnicas que a 
nossa carne usa para capturar a nossa alma e nos escravizar 
à lei da morte em nossas vidas e nos relacionamentos com 
outras pessoas. Tire um tempo para buscar Deus e permita 
que Ele lhe revele, no espírito, os julgamentos, as expectativas 
falsas, as imagens falsas e a manipulação. Ao perceber tais 
coisas, não se desespere, mas regozije-se com a bondade 
de Deus. Saiba que não é você, mas o pecado na sua carne 
que opera ilegalmente em você. Arrependa-se, seja purificado 
pelo sangue e ganhe o entendimento da verdade. Ande no 
espírito e seja santo porque Ele (em você) é santo.
113
Capítulo 6
O Leão, o Urso e a Serpente
Talvez, ao ler esses últimos capítulos, você tenha se 
convenc ido de um ju lga m en to de raiz de am argura , 
manipulação ou outras manifestações de domínio carnal em 
sua vida. São áreas onde o pecado, na sua carne, o enganou 
por meio de imagens falsas e o escravizou à lei do pecado e 
da morte. Porém, essas manifestações de domínio carnal não 
são sim p lesm ente eventos iso lados e desconexos. O 
julgamento, as expectativas falsas e a manipulação são 
meramente manifestações superficiais de todo um estilo de 
operação da sua carne possivelmente presente em sua vida 
desde a sua infância.
O julgamento, as expectativas falsas e a manipulação 
são simplesmente pontas de um iceberg que, primeiro, nos é 
visível no espírito. O Senhor não deseja que paremos na ponta 
do iceberg, mas que revelemos todo um sistema de engano 
que causa os ju lga m en tos , a m an ipu lação e ou tras 
manifestações superficiais da nossa carne. Isso provém de 
im agens fa lsas en ra izadas a través das qua is, 
inconscientemente, enxergamos a vida durante anos.
É verdade que cada uma dessas manifestações da 
carne deve ser lidada in d iv idua lm e n te por m eio do 
arrependimento e da purificação pelo sangue de Jesus. Porém, 
parar por aí e não se arrepender mais das motivações 
inconscientes por trás delas é semelhante ao ato de espantar 
os mosquitos da cozinha com a porta aberta enquanto há um 
latão de lixo exposto ali dentro.
Em outras palavras, existem estilos de operação 
baseados em certas imagens falsas das quais surgem as
115
Enganado? Eu?
manifestações superficiais e invisíveis da nossa carne. O 
pecado operando na carne é um inimigo sutil, porém, mortal, 
que reside dentro de nós ilegalmente e é designado para a 
nossa destruição.
A Palavra de Deus nos dá um quadro muito claro da 
operação do pecado na nossa carne por intermédio do profeta 
Amós. O pecado é como uma serpente venenosa que reside 
secretamente na alma e a contamina.
“Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse 
com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostando a mão à 
parede, fosse mordido de uma cobra. ” (Amós 5:19)
Posso imaginar um homem bem perto de um leão. Ele 
sabe que, se ele for pego, perderá a sua vida. O leão o fará em 
pedacinhos. Ele corre e finalmente consegue escapar do leão. 
Enquanto recuperao fôlego e contorna uma rocha, ele dá de 
cara com um urso, que levanta suas patas e ruge. Imagine o 
desespero desse pobre camarada ao dar meia volta e 
novamente correr para se salvar.
Finalmente, ele consegue despistar o urso e escapar. 
Decide voltar para casa, descansar e relaxar, pois tivera 
aventura o suficiente para apenas um dia. Imagine uma casa 
do Oriente Médio com paredes em pedra sem reboque e com 
buracos e fendas entre as pedras. Quando o homem se senta 
para relaxar e encosta na parede, subitamente, uma cobra 
venenosa sai de dentro da fenda e pica a sua mão, injetando 
um veneno mortal.
Você já se sentiu como esse pobre homem? Em todas 
as direções há alguém ou alguma coisa que se opõe a você, 
que quer roubá-lo, feri-lo e destruí-lo.
Enquanto eu buscava o Senhor para compreender essa 
escritura, Ele me mostrou que os leões e os ursos são pessoas 
e circunstâncias que colocam uma pressão destrutiva sobre 
nós. Os leões ou os ursos podem ser coletores de impostos, 
a Receita Federal, seu chefe, um companheiro de trabalho, o 
desemprego, a economia, sua esposa, seu marido, seus filhos
116
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
ou a sua saúde. Quaisquer problemas externos que roubam a 
sua alegria e paz são leões e ursos. Algumas vezes, parece 
que, assim que você escapa de um problema ou consegue 
vencer um problema, outro imediatamente se levanta para 
atormentá-lo.
Os leões e os ursos são problemas visíveis que ocupam 
o seu tempo e gastam a sua energia. Porém, a serpente está 
escondida na parede do seu coração. Ela não é externa nem 
visível sem a revelação de Deus. Você sempre acha que, 
quando os leões e os ursos procuram destruí-lo, esses 
problemas são desconexos e externos. Eles sobrevêm a você 
devido às circunstâncias que estão além do seu controle ou 
devido ao pecado das outras pessoas.
Em m uitos casos, essa não é a verdade . 
Freqüentemente, as cirscuntâncias e os relacionamentos 
negativos ocorrem devido ao pecado em nossa carne que 
enganou e capturou a nossa alma. O* pecado na carne é a 
serpente escondida nas paredes do nosso coração. A serpente 
se ocupa em envenenar a nossa mente, a nossa vontade e as 
nossas emoções do lado de dentro, o que cria muitos dos 
nossos problemas externos (leões e ursos).
O problema básico é que, pelo fato de termos sido 
enganados pela serpente na parede, não vemos a ligação en­
tre os leões e ursos externos e a operação interna da nossa 
própria carne. Enquanto o diabo puder manter a nossa atenção 
centralizada na luta e na fuga dos leões e ursos, nunca 
veremos a cobra venenosa escondida nas paredes do nosso 
coração. E o veneno dessa cobra nos engana e cria as 
situações que parecem ser leões e ursos.
Se a sua vida está cheia de leões e ursos, você pode 
estar certo de que isso não está acontecendo porque Deus 
não o ama e está punindo-o ou porque Satanás está 
orquestrando todos esses problemas. Isso está acontecendo 
por causa da serpente, da qual você está despercebido, que 
está escondida no seu coração e está envenenando a sua 
alma. Mesmo se você não perceber os leões e os ursos em 
sua vida, há, sem dúvida nenhuma, uma serpente operando
117
Enganado? Eu?
sutilmente em você, designada para a sua destruição.
Como é que o pecado consegue nos enganar e 
capturar a nossa alma? Isso acontece basicamente por meio 
das imagens falsas que se estabelecem em nossa alma pelas 
qua is m edim os e in te rp re tam os todas as pa lavras, 
experiências, e relacionamentos presentes e futuros. Em 
Am ós, no capítu lo sete, a Palavra nos dá um m aior 
esclarecimento desse processo.
“Mostrou-me também isto: eis que o Senhor estava sobre um muro 
levantado a prumo; e tinha um prumo na mão. O Senhor me disse: 
Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então, me disse o Senhor: 
Eis que eu porei um prumo no meio do meu povo de Israel; e jamais 
passarei por ele." (Amós 7:7-8)
Nesse trecho, o Senhor falou a Amós sobre um prumo. 
O prumo é usado na construção de estruturas verticais, como 
uma parede, para assegurar que a parede não fique torta. O 
prumo é um peso de metal pendurado na extremidade de uma 
corda, que, devido à força da gravidade da terra, sempre pende 
perfeitamente na vertical.
Desde os tempos antigos, se uma pessoa deseja 
construir uma parede de tijolos, ela precisa de um prumo 
comprido bem ao lado da parede para se assegurar de que 
ela seja construída exatamente na vertical e não penda para 
nenhum ângulo. Isso não pode ser observado minuciosamente 
a olho nu. Se um homem tentar construir uma parede apenas 
a olho nu, sem a ajuda de um prumo, seu muro certamente 
ficará torto e perderá a integridade estrutural desejada. É por 
isso que o prumo é algo essencial.
O Senhor disse para Amós que Ele colocaria um prumo 
no meio do Seu povo. Em outras palavras, o Senhor tinha um 
prumo e desejava medir a verticalidade de uma parede no Seu 
povo. O que é o prumo e o que é a parede?
Creio que o prumo de Deus é a Sua Palavra. Podemos 
medir se as nossas vidas estão de acordo com a Palavra que 
é absolutamente reta e imutável. A parede, creio eu, é a alma
118
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
do homem, que é a sede da sua personalidade. Então o Senhor 
queria medir as almas do Seu povo, de onde manifestavam os 
pensamentos, sentimentos e as ações, com o seu prumo di­
vino, a Sua Palavra.
A sua alma é semelhante a uma parede vertical que foi 
construída, tijolo após tijolo, durante a sua vida. Esses tijolos 
de construção são as palavras e as experiências que formaram 
as imagens que você tem de si, dos outros e de Deus. Por 
meio da interpretação humana e lógica das informações dos 
cinco sentidos, você estabelece, desde cedo, as imagens do 
prumo pelas quais você medirá e considerará cada experiência 
nova e estabelecerá as palavras. Assim, certos padrões de 
pensam entos, de em oções e de com portam ento são 
estabelecidos na sua alma bem cedo, de acordo com as 
imagens do prumo que você tem de si mesmo, de Deus e dos 
outros e pelas quais você determina a verdade sobre todas as 
experiências, palavras e relacionamentos.
Para construir uma parede vertical de integridade 
estrutural, é necessário usar o prumo. Se alguém tentar 
construir uma parede sem a ajuda do prumo, a parede, sem 
dúvida nenhuma, ficará torta e perderá a integridade estrutural. 
Porém, a pior situação é construir uma parede usando um 
prumo defeituoso no qual você deposita toda a sua confiança 
achando ser um prumo vertical, que, na realidade, não é.
Suponhamos que você estivesse construindo a sua 
parede com a ajuda de um prumo. Um inimigo se aproxima de 
você e se esconde nos arbustos com um ímã poderoso. Toda 
vez que você segura o prumo para checar a verticalidade da 
sua parede, o inimigo aparece com o ímã e atrai sutilmente o 
peso da linha. Ao continuar a construção da parede, você 
acredita que ela está reta por causa das medições, mas, na 
realidade, o prumo está se desviando cada vez mais do centro.
É exatamente isso o que ocorre com cada pessoa na 
terra, ao construir a parede da personalidade de acordo com 
os prumos das imagens falsas. O inimigo é o diabo. O ímã é o 
pecado na sua carne (e inicialmente no seu espírito). Os 
prumos são as imagens que você tem de si mesmo, de Deus
119
Enganado? Eu?
e dos outros. Com o passar do tempo, ao se tornar um cristão, 
o seu espírito é recriado e possui a natureza de Cristo. Mas, 
em muitas áreas da sua alma, você continua a medir e retirar 
conclusões sobre experiências, palavras e relacionamentos 
presentes ao acreditar nas imagens de prumos defeituosos.
Na maioria dos casos, devido ao engano do pecado na 
carne, os cristãos não percebem que muitos dos seus 
pensamentos, emoções e ações procedem das imagens de 
prumos falsos através das quais a carne tem prendido a alma 
e operado por anos. O estabelecimento e a operação das 
imagens falsas são o mecanismo pelo qual a serpente 
venenosa de Amós 5 contamina a mente, a vontade e as 
emoções. O inimigo, com o seu ímã,não está lá fora, mas o 
desvio do centro do prumo é um processo que ocorre dentro 
das nossas almas (a parede). No capítulo anterior, falei sobre 
Steve, o homem que havia julgado seu pai por ser preguiçoso 
e inútil. Ele julgou outras pessoas por serem insensíveis e mais 
tarde colheu os frutos de tais julgamentos. Esses julgamentos 
não surgiram do nada, mas foram meramente os tijolos de 
uma parede construída por meio de uma imagem de um prumo 
defeituoso.
Ao crescer, Steve tinha a sensação de que, não 
importava o quanto se esforçava, ele nunca conseguia agradar 
seu pai. Devido à interpretação mental das palavras e das 
experiências, uma imagem de prumo começou a ser formada, 
fazendo-o se sentir: “Sou um joão-ninguém nesse mundo. Não 
importa o que eu faça ou o quanto eu trabalhe, ninguém nota o 
que eu faço. A sociedade em geral e “o sistema” estão 
operando contra mim para me destruir. Mas, se eu trabalhar 
bastante, eu serei alguém, forçarei uma mudança na sociedade 
e ganharei a apreciação e a aceitação das pessoas ao meu 
redor.”
Depois que Steve nasceu, ele, inocentem ente, 
enxergou Deus através dessa mesma imagem e se relacionou 
com Ele dessa maneira: “Sou indigno de me aproximar de 
Deus, pois sou um ninguém. Parece que, não importa o quanto 
eu trabalhe, eu nunca consigo agradar a Deus. Mas, se eu
120
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
trabalhar bastante para o Senhor, um dia serei reconhecido e 
apreciado pelos outros ao meu redor e pelo meu Pai Celes­
tial.”
Sem que percebesse, sua imagem tornou-se um prumo 
pelo qual S teve m edia as pa lavras, expe riênc ias e 
relacionamentos. Ele trabalhava para Jesus ensinando, 
pregando e aconselhando durante 12,14 e algumas vezes 18 
horas por dia. Entretanto, ele sempre se sentia indigno perante 
Deus e depreciado pela sua família e pelos outros. Steve 
acreditava que as longas horas de trabalho eram prova do seu 
serviço diligente a Deus e isso lhe trazia uma satisfação de 
realização. Para ele, a falta de dignidade significava humilhação 
e qualquer falta de apreciação dos outros era porque eles não 
compreendiam a importância do ministério e do seu chamado. 
Com tudo isso, Steve cria sinceramente que estava andando 
no espírito.
A verdade é que ele foi guiado pela sua carne para 
trabalhar longas horas, pois sentia que, aos olhos de Deus, 
ele era indigno e rejeitado. No profundo do seu interior, havia 
uma mentira: “Se você for obediente e justo o suficiente, se 
você ministrar às pessoas e se seu desempenho for melhor 
do que o dos outros, você alcançará aprovação e aceitação 
de Deus.” Essa imagem falsa de si e de Deus era o mecanismo 
pelo qual a serpente venenosa, que estava em sua carne, 
estava enganando e aprisionando a sua alma e arruinando o 
seu ministério e destruindo os relacionamentos da sua família.
Steve já agradava a Deus e Deus o aceitava, não da 
maneira que pensava, mas através daquilo que o sangue de 
Jesus havia feito. Porém, essa imagem de prumo manteve 
Steve escravo à sua carne. Ele “tentava agradar a Deus e 
ganhar apreciação” , por isso, a verdadeira natureza de Jesus 
Cristo, no seu espírito, não estava liberta para manifestar-se 
em sua alma.
Através do pecado na carne, vemos o mecanismo do 
engano acontecendo. Steve estava certo de que ele estava 
andando no espírito. Ele se considerava compromissado, 
diligente e até perseguido por causa do nome de Jesus pela
121
Enganado? Eu?
sua fam ília e outras pessoas que não dem onstravam 
apreciação ou aceitação. Na verdade, ele era motivado pela 
sua carne. Ele não era humilde. Ele não era perseguido por 
causa do nome de Jesus. Pelo contrário, ele estava apenas 
colhendo as conseqüências da lei do pecado e da morte que 
uma serpente destruidora e venenosa, que estava escondida 
no seu interior, havia semeado. Steve não fazia idéia da verdade 
até que o Espírito Santo lhe revelou. Ao perceber a verdade, 
ele se arrependeu e a sua mente começou a ser renovada 
para a verdade de quem ele já era no espírito. Ele começou a 
ser liberto.
É im portan te reconhecerm os que todos nós 
estabelecemos imagens falsas através das quais a nossa carne 
nos controla e nos motiva. Recebemos essas imagens falsas 
antes de nascermos de novo e continuamos a recebê-las e a 
reforçar muitas delas desde o momento em que conhecemos 
a Jesus.
Talvez você tenha crescido em um lar evangélico e não 
acredite que seja escravo de imagens falsas. Creio que, ao 
continuarmos, o Espírito Santo lhe revelará laços e formas da 
operação carnal imperceptíveis em sua vida.
O mundo tem uma mensagem poderosa e evidente 
que, inicialmente, perverte o prumo que está dentro de nós. 
Cada pessoa recebeu, no in te rio r de sua alma, essa 
mensagem em um grau ou outro. A mensagem provém de 
Satanás, o deus deste mundo, e é propagada em todas as 
áreas da nossa vida pelo sistema do mundo. Essa mensagem 
é transmitida pelo governo, pela educação, pelo emprego, pela 
mídia, pelos relacionamentos familiares e até pela igreja. A 
mensagem básica é que Deus não o ama, honra, estima ou 
aceita. Juntamente com essa mensagem há outra mensagem 
de que as outras pessoas também não o amam ou não o 
aceitam.
As pessoas no mundo podem dizer: “Eu não acredito 
em Deus, por isso, não recebi essa mensagem.” Mas a Bíblia 
nos diz que cada pessoa nasce com o conhecimento inato de 
Deus (Romanos 1:18-21), e eu creio que essa é a receita dessa
122
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
imagem falsa que desviou as pessoas de Deus. As pessoas 
não-cristãs podem admitir terem sentido a rejeição de outras 
pessoas. Mas no seu interior há uma dúvida ou uma negação 
do amor de Deus. Essa dúvida do amor de Deus resulta, 
imediatamente, no surgimento de um temor na alma do homem. 
O medo opera a lei do pecado e da morte na vida de uma 
pessoa, como falamos no capítulo três. O medo impede que a 
pessoa receba o amor de Deus, confie Nele em fé e, assim, 
caminhe na lei do espírito da vida em Cristo Jesus.
Qual é a natureza do medo resultante da dúvida do 
amor de Deus por nós? O que é esse medo? O autor do livro 
de Hebreus nos diz que, em última análise, é o medo da morte.
“Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, 
destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, 
destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o Diabo, e 
livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão 
por toda a vida.” (Hebreus 2:14-15)
O medo da morte nos mantém em escravidão à nossa 
carne e ao diabo. O que é a morte? A morte é a ausência da 
vida. Basicamente, existe um medo no interior de cada pessoa 
quanto ao término da vida física. Porém, também existe um 
medo, igualmente forte, da morte da alma. A morte da alma é 
a perda da vida nas áreas, em particular, das nossas mentes, 
vontades e emoções.
A nossa própria carne, motivada pelo temor, sempre 
busca a sua própria preservação e sobrevivência. Isso é 
verdade, independente de ser uma sobrevivência física, men­
tal ou emocional. O temor de perder a vida ou de não sobreviver 
em qualquer uma dessas áreas é o pavor da morte do qual 
Hebreus 2:15 fala: “estavam sujeitos à escravidão por toda a 
vida”.
O medo de não satisfazer uma necessidade emocional 
é o pavor da morte. Temos medo de perder a nossa vida 
emocional. Quando um marido fica com medo da reação car­
nal de sua esposa por estar duas horas atrasado para o jantar,
123
Enganado? Eu?
ele fica com medo de ouvir as palavras e sentir as emoções 
que destruirão o seu bem-estar emocional e que trarão morte 
à sua alma. Quando uma criança fica com medo da punição 
do seu pai, ela teme uma morte emocional. Quando um 
intelectual considera entregar a sua mente a Jesus Cristo, ele 
teme a morte mental. Ele teme que o seu bem-estar mental 
seja ameaçado. Quando uma criança ouve do seu professor 
que é burra e que nunca será bem-sucedida, ela teme a morte 
da sua identidade pessoal. Ela fica com medo de ser uma 
pessoa fracassada e sem valor.Nenhuma pessoa pode sobreviver emocional ou 
mesmo fisicamente se a sua alma estiver cheia do pavor da 
morte.
Se a morte entrar na alma de uma pessoa, ela será 
motivada pelo medo dessa morte e fará tudo o que a sua mente 
carnal achar necessário para livrar-se dessa morte. O medo, 
certamente, a motivará a fazer isso na carne.
Assim , o m edo é a fo rça m ais poderosa, e 
freqüentemente inconsciente, através da qual a serpente, que 
está em nosso coração, pode envenenar as nossas almas. 
Jesus disse em João 10:10 que Ele veio para nos trazer vida 
abundante. A palavra grega para essa vida trazida por Jesus é 
zoe. A vida zoe é a vida eterna da qual Deus originalmente 
soprou o fôlego na vida e na alma de Adão em Gênesis 2:7. 
Essa é a vida de Deus que entra em nosso espírito e o recria 
quando nascemos de novo. A vida zoe é a vida que habita o 
próprio Pai e que foi dada ao Filho (João 5:26). Essa é a vida 
que João disse que estava em Jesus e era a luz dos homens 
(João 1:4).
A vida zoe é a vida sobrenatural de Deus, que habita 
nos espíritos nascidos de novo e recarrega constantemente 
os nossos espíritos enquanto nos mantemos firmes na Palavra 
e na oração. A vida zoe pode apenas entrar em uma alma 
através de um espírito nascido de novo. Quando o seu espírito 
tiver o domínio em sua alma, você anda na lei do espírito da 
vida e a sua alma se enche da vida zoe. Porém, quando você 
anda na carne, você separa a sua alma da vida zoe de Deus
124
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
no seu espírito.
Uma outra palavra grega no Novo Testamento, algumas 
vezes traduzida como vida, é a palavra psuche. Psuche 
literalmente significa “alma” e é a palavra da qual derivam 
palavras como psiquê ou psicologia (o estudo do psiquê). 
Quando a psiquê é traduzida por “vida” na Bíblia, geralmente 
podemos substituí-la por “alma”, que se refere à alma-vida. 
Jesus nos diz no evangelho de Marcos:
“Quem quiser, pois, salvara sua vida perdê-la-á; e quem perdera vida 
por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem 
ganhar o mundo inteiro e perdera sua alma?” (Marcos 8:35-37)
Vemos nessa passagem que a palavra traduzida por 
“vida” é, na realidade, a palavra grega psuche, que significa 
“alma”. Então, Jesus disse que quem buscar salvar a sua 
própria vida a perderá e quem renunciar a sua alma a Ele será 
salvo. Jesus não está falando sobre a vida espiritual, sobre a 
salvação. Ele também não está falando sobre a vida física, 
mas sobre psuche, a vida da alma.
O que poderia fazer com que um homem buscasse 
salvar a sua própria alma da morte? O medo da morte da alma. 
Se a sua carne governa a sua alma em uma certa área e você, 
o homem espiritual, deseja crucificar essa área da carne e 
submeter-se ao seu espírito, o que ocorrerá em sua alma? A 
sua carne, é claro, lutará pela sobrevivência. Ela tentará motivá- 
lo através do medo da morte para não exterminar a sua vida 
dela. A sua carne lhe dirá que está lhe dando vida e paz e que, 
se você cortá-la, você experimentará a morte da alma. A 
verdade é que sua carne o impedirá de experimentar a 
verdadeira vida, a vida zoe de Deus na sua alma.
Vamos tomar um exemplo meio exagerado de uma 
mulher que é escrava do álcool. Através do álcool, ela está em 
escravidão devido ao medo da morte e retira uma medida de 
paz e conforto para a alma. Ao pensar em crucificar a sua 
carne, andar no espírito e confiar que Deus trará paz e conforto 
para a sua alma, um temor terrível se levanta imediatamente
Enganado? Eu?
dentro de si. Sua carne lhe diz que ela m orrerá 
emocionalmente. Se ela não beber, se sentirá para baixo, 
deprimida e com uma enorme ausência de paz e desconforto 
que ela não será capaz de suportar. Esse é um engano 
venenoso da serpente, que está no coração. A carne lhe diz 
que, se essa mulher tentar matá-la e andar no espírito zoe, ela 
perecerá. É claro que a verdade é justamente o oposto. Se ela 
matar a carne e andar no espírito zoe, a vida de Deus inundará 
a sua alma e trará vida, paz, conforto, alegria e amor.
Quando a sua carne o motiva, por meio do medo, a 
buscar o livramento da morte em qualquer área da sua vida, 
você andará na carne e, assim, se isolará da vida zoe de Deus 
no seu espírito. No final, você perderá a vida que tanto tentou 
obter:
“O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras 
que eu vos tenho dito são espírito e são vida. ” (João 6:63)
Observe os três versículos que descrevem isso de uma
só vez:
‘‘Quem quiser, pois salvara sua vida perdê-la-á; e quem perdera vida 
por causa de mim e do evangelho salvá-la-a. " (Marcos 8:35) “e livrasse 
todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por 
toda a vida. ” (Hebreus 2:15) “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico 
que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade 
dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, 
alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela 
dureza do seu coração. ” (Efésios 4:17-18)
Se você buscar salvar o seu próprio psuche (alma), 
você será motivado pelo medo da morte e andará na futilidade 
da sua mente (carne). Você será excluído da vida zoe de Deus 
e, como resultado disso, perderá a sua psuche (alma). As 
nossas almas são salvas apenas quando andamos no espírito, 
(Romanos 8:13) rendendo o controle carnal, recebendo uma 
transmissão da Palavra de Deus nas nossas almas (Tiago 
1:21) e o Seu amor.
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
Como mencionei antes, a dúvida quanto ao amor de 
Deus dá origem a um temor da morte. Alguns cristãos são 
motivados pelo temor da morte física e outros pela morte 
espiritual (perda da salvação). Entretanto, geralmente essas 
duas coisas são motivações conscientes de uma pessoa. Cada 
cristão, a menos que caminhe cem por cento do tempo no 
espírito, também é motivado pelo temor da morte da alma. 
Esse temor é geralmente um fator de motivação inconsciente 
e pode motivar um cristão a não caminhar em fé.
O medo da morte na alma se manifesta basicamente 
em duas áreas, ambas estão enraizadas na dúvida quanto ao 
amor de Deus. A primeira área está na esfera de nossas 
identidades pessoas.
Para evitarmos a morte emocional, precisamos nos 
sentir valorizados e importantes. Porém, quando uma pessoa 
recebe a mensagem de que Deus não a ama e de que o seu 
valor próprio é prejudicado, ela pensa: “Se Deus não me ama, 
não me honra e não me estima, então tenho pouco valor. Não 
sou importante. As outras pessoas tem mais valor e importância 
do que eu. Eu não sou ninguém.”
O valor é determinado pelo amor, pela honra e pela 
estima. As coisas as quais você ama e honra e nas quais 
investe enormes quantias de dinheiro e tempo são aquelas 
que você considera de grande valor. As outras pessoas a quem 
você ama e estima são muito valiosas para você. O valor 
máximo no universo é determinado pelo amor e pela honra de 
Deus. Tudo o que for amado por Deus é valioso. Tudo o que 
Deus não ama e não honra é de pouco valor. A Bíblia nos diz 
que Deus tem um grande amor por cada pessoa e, assim, 
cada pessoa tem grande valor (João 3:16). Essa é a verdade 
e a base do prumo divino de Deus pelo qual devemos medir 
todas as palavras, experiências e relacionamentos.
A segunda manifestação do temor da morte está na 
esfera do bem-estar pessoal. Se um homem crê que as suas 
necessidades não serão supridas e que ele não será cuidado 
e beneficiado por Deus, ele será motivado por um grande medo. 
Ele pensará: “Pelo fato de Deus não me amar, Ele não está
127
Enganado? Eu?
realmente preocupado comigo. Os meus interesses não são 
importantes para Ele e Ele não é fiel ou digno de confiança 
para suprir as minhas necessidades, para me proteger e para 
cuidar de mim. Eu seria um tolo de confiar a minha vida a 
alguém mais poderoso do que eu, se não estivesse certo de 
que esse alguém me ama ou de que está interessado no meu 
bem-estar.”
Essas duas manifestações do medo da morte são 
reações quase instantâneas da dúvida quanto aoamor de 
Deus. Toda vez que você questionar o amor de Deus, a sua 
identidade pessoal e o seu bem-estar, ambos enraizados Nele, 
são sub itam ente pre jud icados. O medo se m an ifesta 
imediatamente nessas duas áreas. Ao duvidar do amor de 
Deus, você não consegue confiar Nele. Se a sua confiança e 
a sua fé não estiverem em Deus, você necessita depositá-las 
em alguém ou em outra coisa, geralmente em si mesmo! Isso 
sempre produzirá medo, pois Deus é o único que pode ser 
cem por cento digno de confiança e fiel a você.
Se a sua confiança estiver em si mesmo ou em uma 
outra pessoa, o temor surgirá em sua vida, pois nem você ou 
a outra pessoa têm a sabedoria e a habilidade de sempre agir 
de acordo com o que for melhor para você. Somente Deus 
pode fazer isso. Duvidar do amor de Deus sempre resulta no 
temor da morte relacionado ao valor pessoal e ao bem-estar, 
que é a força principal de motivação da carne. Somente o 
recebimento do amor de Deus pode derrotar o tormento do 
medo da morte.
“A/o amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. 
Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado 
noamor.” (1J°ão4:18)
A serpente enganou Adão e Eva, ao gerar a dúvida 
quanto ao amor de Deus e o medo. Em Gênesis 3:1, a serpente 
questionou Eva quanto à Palavra de Deus: “É assim que Deus 
disse..."A serpente começou a semear uma semente de dúvida 
na Palavra de Deus. Nos versículos 4 e 5, ela disse; “É certo
128
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele 
comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis 
conhecedores do bem e do mal.”
Eu creio que a serpente deve ter falado algo parecido 
com: “Deus não o ama de verdade. Você não tem valor nesse 
estado atual. Mas você poderia ter um valor bem maior se você 
saísse da escravidão de Deus. Se você comesse a fruta, você 
se tornaria como Deus e seria tão sábio e poderoso como Ele. 
Você não precisaria mais depender Dele. Deus sabe disso e 
se sente muito ameaçado pelo seu potencial. Ele tem medo 
de perder o Seu status e a Sua autoridade. Na verdade, essa 
proteção de Deus é uma forma de enganá-la e mantê-la 
ignorante.Talvez Ele tenha lhe dito para não comer dessa fruta, 
mas Ele disse isso apenas para o Seu próprio bem-estar. Deus 
não está preocupado com você, apenas consigo mesmo. Ele 
é egoísta.Você o intimida. E Ele o tem enganado ao fazer com 
que você acredite que não possa atingir todo o seu potencial. 
Essas regras não estão de acordo com o melhor para o seu 
bem. Vamos lá, Eva. Acorda! Você confiou em alguém que 
mentiu para mantê-la em escravidão para que, assim, Ele 
possa manter o Seu poder. Coma essa fruta e torne-se 
semelhante a Deus.”
Com essas palavras nos versículos 4 e 5, a serpente 
fez com que Eva: 1) duvidadasse do amor de Deus por ela, 2) 
questionasse o seu valor como pessoa e 3) duvidasse da 
preocupação de Deus pela sua vida e da fidelidade Dele em 
suprir suas necessidades e agir de acordo com o que fosse 
melhor para ela.
Tenho certeza de que, quando Eva começou a dar 
ouvidos ao engano da serpente, um sentimento terrível de 
inferioridade se apossou de seu coração. Aquele a quem ela 
havia confiado sua vida a tinha traído e mentido com fins 
egoístas. Provavelmente,o próximo passo lógico no seu 
raciocínio foi: “Se Deus é um impostor e não está preocupado 
com o meu bem-estar, é melhor eu tomar conta de mim 
mesma, se eu quiser sobreviver fisica e emocionalmente. Eu 
achei que era preciosa e valiosa, mas agora vejo que não passo
129
Enganado? Eu?
de uma tola sem valor. Bem, vou ser alguém e vou fazer coisas 
importantes e dignas de valor. Vou comer a fruta e me tornar 
tão sábia, poderosa e importante quanto Deus.”
Então, Eva comeu a fruta em uma tentativa de exaltar- 
se em soberba para ser igual a Deus e para suprir as suas 
próprias necessidades. Esse engano e o envenenamento da 
alma foi o mecanismo pelo qual a serpente estabeleceu na 
vida de Eva um prumo falso. E ela mediu a Palavra e o seu 
relacionamento com Deus através disso. A mensagem básica 
da serpente foi que Deus não a ama. As duas manifestações 
de temor que acompanham isso, o medo de não ter valor e o 
medo de não ter as necessidades supridas, são o poder 
magnético que desvia o prumo do centro e cria uma direção 
falsa e torta pela qual enxergamos a vida e a personalidade é 
desenvolvida. Todas as pessoas na terra são continuamente 
bombardeadas com essa mensagem e afetadas pelo medo, 
que as acompanha em diferentes graus. Algumas pessoas 
têm a consciência de serem motivadas pelo medo, pois 
freqüentemente se sentem sem valor e sem importância e 
ficam com medo de que suas necessidades não sejam 
supridas. Outras talvez não estejam conscientes disso, mas 
suas almas são, inconscientemente,motivadas pelo medo.
Embora várias pessoas reajam de maneiras diferentes 
à dúvida quanto ao amor de Deus e aos temores que as 
acompanham, essa mensagem é o poder da carne mais 
evidente e motivador em todo o mundo. Vamos examinar mais 
detalhadam ente o medo da morte relacionado à nossa 
identidade pessoal.
Se você perguntasse a algumas pessoas: “Você sente 
que o seu trabalho e as suas atividades não são importantes e 
significativas?” ou “Você se sente sem importância e sem 
valor?” . Muitos responderiam afirmativamente. Descobri que 
isso é algo bem peculiar e real nas vidas das esposas de 
pastores e de importantes líderes espirituais, de homens de 
negócios e de políticos. Freqüentemente, para essas esposas, 
seus maridos são muito importantes, mas elas mesmas não 
se consideram valiosas. Entretanto, isso não se limita apenas
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
às mulheres.
M uitas pessoas consideradas “bem -suced idas” 
espiritualmente, ou nos negócios, ou na política não sentem 
uma desvalorização consciente. Na realidade, para os outros 
elas são muito seguras. Porém, a menos que tais pessoas 
tenham realmente ganhado a compreensão de quem são no 
espírito, haverá uma imagem de prumo falso relacionada às 
suas identidades.
Foi muito difícil para mim enxergar esse prumo falso 
em minha vida. Eu não tinha consciência de que duvidasse do 
amor de Deus por mim. Se alguém me dissesse que eu estava 
sendo motivado por um medo de não ser adequado, valioso e 
importante, eu teria rejeitado tal conselho e pensado: “Você 
não sabe o que está dizendo.” Desde o momento em que eu 
nasci de novo, senti-me muito confiante em relação à minha 
identidade em Jesus Cristo. Sempre me considerei muito auto- 
confiante e bem distante de ter uma baixa auto-imagem ou de 
me sentir sem valor.
Porém, o Senhor começou a me revelar em espírito 
que a minha carne me havia enganado. Minha alma fora 
motivada pelo medo da desvalorização e rejeição. O Senhor 
me revelou isso da seguinte maneira.
Eu desejei compartilhar uma visão particular de um 
ministério que o Senhor havia me dado com Wallace e Marylin 
Hickey, pastores de nossa igreja. Eu havia compartilhado essa 
v isão com C h ris ty Jam es, d ire to ra do cen tro de 
aconselhamento e ela achou que eu deveria compartilhar isso 
com os H icheys. Num dom ingo de m anhã, duran te a 
inauguração de um novo prédio do ministério, vi Marylin em 
seu escritório, me aproximei e mencionei que eu e minha 
esposa gostaríamos de compártilhar algumas coisas com ela 
e Wally. Perguntei se poderíam os nos encontrar e ela 
respondeu: ‘Tudo bem. Também gostaríamos de compartilhar 
algo com vocês.”
No dia seguinte, quando vi Christy, contei-lhe sobre a 
conversa com Marylin. Disse-lhe com grande entusiasmo: 
“Christy, vi Marylin ontem à noite e, glória a Deus, antes que
131
Enganado? Eu?
pudesse me aproximar dela, ela me disse que ela e Wally 
tinham algo em seus corações e desejavam compartilhar 
comigo e com Jan. Ela quer que almocemos juntos alguma 
hora.”
Logo que falei com ela, o Espírito Santo falou ao meu 
espírito: “Mentiroso. Não foi assim que aconteceu. Arrependa- 
se e confesse a verdade para Christy.”Pensei comigo: “Bem, 
acho que a verdade não foi exatamente essa, mas quem se 
importa? Christy não vai contratar um detetive particular para 
descobrir a verdade sobre a conversa. Isso é irrelevante. O 
que importa é que vamos nos encontrar com Wally e Marylin e 
compartilhar com eles a visão do ministério. Não importa quem 
convidou quem.”
O Espírito Santo disse: “Eu me importo. Isso tem 
importância, porque é uma mentira. É um pecado e você não 
odeia isso. Para falar a verdade, você nem reconhece que isso 
seja pecado, e isso me entristece muito.” Ele continuou: “Não 
é a primeira vez que você mente assim, mas o seu coração 
está tão endurecido que você não consegue enxergar isso. 
Agora que você enxerga, você nem ao menos pensa que isso 
seja mau. Mas isso é mau. É o pecado operando em sua carne 
e£stá trazendo morte. Ao não se arrepender e ao permitir que 
isso continue, você está na carne e você está me odiando.”
Fui convencido por essas palavras. O arrependimento 
divino caiu sobre mim. Senti-me terrível por odiar a Deus e por 
continuar permitindo que a minha carne controlasse a minha 
alma. Arrependi-me e pedi ao Senhor que me perdoasse. 
Depois fui até Christy e lhe confessei a mentira e pedi a ela 
que também me perdoasse.
Perguntei ao Senhor: “De onde veio essa mentira? Eu 
não a p lane je i com an tecedênc ia ! Eu não p lane je i 
conscientemente mentir para Christy. Aquilo saiu da minha 
boca antes mesmo de eu pensar. Senhor, de onde surgiu isso?”
Deus me mostrou: “A sua vida estava enraizada no 
orgulho. O orgulho é o desejo de nos exaltarmos acima de 
outras pessoas e acima da verdade.” Ele também disse: “Você 
estava em orgulho, você desejava se exaltar para fazer com
132
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
que Christy pensasse que você é tão importante que Wally e 
Marilyn esião constantemente procurando-o para consultá-lo 
e para compartilhar os planos deles com você. Você deseja 
ser altamente estimado e honrado. Portanto, a sua carne decidiu 
distorcer a verdade para gerar essa honra e estima de Christy.” 
Eu disse: “Sim, Senhor. Mas por que eu permiti que o 
orgulho capturasse a minha mente e a minha vontade?”
Ele falou: “Foi por causa do medo de não ser aceito e 
estimado por Christy. A sua segurança e confiança não 
estavam em Mim ou na Minha natureza no seu espírito. O que 
você sempre buscou como forma de autoconfiança e auto- 
estima é simplesmente isso: confiança em si, estima por você 
próprio, inteligência, criatividade e habilidade na sua própria 
carne. Você disse que confiava naquilo que é em Cristo. Mas 
na maioria das áreas da sua vida, a sua confiança está em 
você e na sua habilidade de ser obediente a Mim, na sua 
habilidade de ministrar a Minha Palavra aos outros e na sua 
habilidade de conduzir relacionamentos com outros.”
Pelo fato de minha confiança estar em mim mesmo, 
eu fiquei com medo de aparentar ser insignificante, injusto ou 
improdutivo, o que causaria uma falta de aceitação e estima. 
Eu temia todas essas coisas por uma razão: Porque aquela 
era a maneira como eu verdadeiramente me considerava. “Se 
você realmente confiasse na verdade de quem você é em 
Cristo no espírito, você não precisaria operar no orgulho, 
distorcer a verdade ou mentir para os outros. Bem no fundo do 
seu interior, você não acredita de verdade que Eu o amo e o 
estimo. Você não está descansando no Meu amor por você.” 
Depois que o Senhor me revelou isso, eu me arrependi 
de ter mentido, e, também, do orgulho, da incredulidade e da 
m inha fa lsa au to -im agem , que havia operado, 
inconscientemente, em minha carne durante toda a minha vida. 
Entretanto, eu nunca havia enxergado isso até que o Senhor o 
revelasse por meio dessa experiência.
No passado, eu usei “a imagem positiva e negativa” , 
“auto-estima” e “auto-aceitação” para descrever como os 
cristãos se vêem. Porém, o Senhor me mostrou que esses
J 33
Enganado? Eu?
são os termos importados do mundo e contextualizados no 
meio cristão. Mas eles não são bíblicos. Eles dissipam na 
mente uma visão de nós mesmos de acordo com o modelo 
mundano do homem, e não de acordo com o modelo de Deus. 
Com base na Palavra, a nossa auto-imagem reside em nossa 
alma, mas pode emanar da carne ou do espírito. Qualquer 
imagem própria que proceder do nosso espírito nascido de 
novo e recriado é correto. Qualquer outra imagem que não 
estiver de acordo com a verdade de Deus sobre nós é errada 
e falsa.
Durante todos esses anos que era nascido de novo, 
considerei ter uma boa auto-estima e um alto nível de auto­
confiança. Por outro lado, pensei que Jan, minha esposa, 
tivesse uma auto-imagem fraca e pouca autoconfiança. O 
mundo e a igreja me consideravam mais bem-sucedido e 
produtivo para Deus do que Jan, e eu também pensava assim. 
Ela ficava mais deprimida e parecia ter mais problemas do 
que eu.
Pensei: “Se ela apenas confiasse mais no Senhor e 
tivesse uma au to -im agem m elhor, seus prob lem as 
desapareceriam . Ela seria bem-sucedida como eu.” Eu 
pensava que eu confiava em Deus e Jan não.
Finalm ente, o Senhor me mostrou como aquele 
pensamento era enganoso. A minha auto-imagen não era 
melhor ou “mais espiritual” do que a de Jan. Ambas auto- 
imagens emanavam do mesmo lugar: da carne. Eu era 
considerado vitorioso e Jan era considerada derrotada, mas, 
na realidade, ambos estávamos sendo governados pela nossa 
carne. Nenhuma era melhor do que a outra. Ambas eram 
simplesmente falsas. Posso compartilhar esse testemunho 
hoje porque eu e Jan nos arrependemos dessas imagens 
falsas e experimentamos uma grande liberdade enquanto o 
Espírito Santo renova as nossas mentes para a verdade de 
quem realmente somos no espírito.
Não importa quão “boa” sua auto-imagem seja, se ela 
estiver enraizada na autoconfiança e nas suas habilidades, 
ela está enraizada na carne e possui o mesmo nível de
134
Capítulo 6 - O Leao, o Urso e a Serpente
“bondade” como todas as suas “ realizações justas” que 
também procedem da sua carne:
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, 
como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as 
nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam.” (Isaías 64:6)
Jesus disse, em João 3:6: “O que é nascido da carne é 
carne, e o que é nascido do Espírito, é espírito.” Isso inclui a 
sua auto-imagem ou a experiência pessoal, mesmo na área 
da alma. O conceito de uma auto-imagem boa ou fraca, auto- 
estima, autoconfiança ou auto-aceitação é mundano e 
contraditório à Palavra de Deus. O Senhor me disse: “Pare de 
usar esse conceito e permita que Eu renove a sua mente para 
a verdade. Você é um ser com o espírito recriado cuja 
necessidade principal é ter a sua mente, vontade e emoções 
renovadas para a verdade da sua recriação (2 Coríntios 5:17). 
Qualquer imagem própria enraizada na süa carne não é boa, 
nem é fraca: é simplesmente errada. Não importa quão boa 
possa aparentar, ela foi construída de acordo com um prumo 
falso. Ela provém da carne e pode apenas reproduzir frutos da 
sua própria espécie e o fruto da carne (Gálatas 5:19-21). 
Qualquer imagem de nós mesmos enraizada em nosso espírito 
nascido de novo é correta. Ela também pode apenas reproduzir 
frutos de sua espécie e produzir o fruto do espírito em vida 
(Gálatas 5:22-23).
Ao continuarmos examinando uma imagem falsa, 
descobrim os que nossas reações na carne d ife rem 
dependendo de termos experimentado, conscientemente, a 
realidade do medo ou não.
Se alguém experimenta conscientemente o sentimento 
de desvalorização e falta de importância, a imagem falsa 
através da qual ele enxerga Deus, a si mesmo e os outros é 
diferente de uma pessoa que experimenta conscientemente o 
sentimento de ser valioso, estimado e importante. É esse medo 
que motiva as pessoas a andarem na carne.
Por favor, tenha em mente que estamos discutindo os
135
Enganado? Eu?
prumos falsos da nossa carne. Estamos discutindo a maneira 
pela qual o pecado em nossa carne nos enganou e capturou 
as nossas almas.Quando você reconhecer alguns dos 
pensamentos e comportamentos a seguir, lembre-se de que 
não estamos descrevendo a verdade no espírito sobre você, 
mas a mentira na sua carne. Assim, não identifique a si mesmo 
ou qualquer outra pessoa de acordo com essa imagem de 
prumo falso. Mas, se você reconhecer essas imagens na sua 
pessoa, arrependa-se e peça ao Espírito Santo que comece a 
renovar a sua mente para a verdade no seu espírito.
A experiência consciente da mensagem: “Não tenho 
valor porque Deus não me ama” determina basicamente se 
você se considera ser um alguém ou um ninguém. Se você 
expe rim e n ta r consc ien tem en te o sen tim en to de 
desvalorização, você se considerará sem importância, sem 
valor para contribuir para o Reino ou para a sociedade. Por 
outro lado, se você não perceber o sentimento consciente da 
desvalorização, você se verá como uma pessoa importante, 
com uma valiosa contribuição para o Reino e para a sociedade.
A experiência consciente da valorização determina a 
imagem básica do prumo que você tem de si, de Deus e dos 
outros. O cristão que experim enta uma desvalorização 
consciente sente que, na realidade, não é amado, valorizado e 
estimado por Deus e pelos outros. Ele sente que nunca foi 
ap rec iado . Ele tam bém espera que os ou tros não o 
reconheçam e não o tratem com respeito. Devido à lei de 
semear e colher no ju lgam ento ou na expectativa, ele, 
freqüentemente, tem experiências que confirmam a “verdade” 
da sua auto-imagem.
Os cristãos que não experim entam o medo da 
desvalorização consciente sentem que são dignos do amor e 
da estima de Deus. Conscientemente, eles podem dizer que 
isso se deve a sua confiança em Jesus, mas no seu interior 
eles acreditam que isso acontece devido ao seu compromisso, 
sua obediência a Deus e sua justiça. Eles esperam que os 
outros os reconheçam e os tratem com respeito por causa da 
posição que têm no Reino e na sociedade.
136
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
Ambas são falsas auto-imagens, pois nascem da 
carne, e não do espírito. Porém, o mundo chama a primeira de 
fraca auto-imagem e a segunda de boa auto-imagem A pessoa 
que tiver a segunda imagem parece ser mais bem-sucedida 
do que uma pessoa que tem a primeira imagem, mas a verdade 
é que o pecado e a morte reinam em ambas.
Vamos, agora, examinar a segunda manifestação do 
medo da morte. Esse é o medo relacionado ao bem-estar da 
pessoa. É o medo de não ser cuidado ou de não ter as 
necessidades supridas. Como a primeira manifestação do 
medo, esse medo pode ser experimentado conscientemente 
por algumas pessoas e pode motivar outras, sem que estas 
estejam conscientes.
Novamente, antes de o Senhor me mostrar como esse 
medo me motivava inconscientemente, eu não tinha a mínima 
idéia da sua operação em minha carne. No mesmo dia em 
que Deus me convenceu de ter mentido para Christy e do medo 
de não ser estimado e valorizado, Ele começou a me revelar 
também a operação inconsciente em mim do medo da morte 
relacionada com o meu bem-estar emocional.
Eu havia marcado reuniões de aconselhamento para o 
dia todo até às oito horas da noite e disse a Jan que voltaria lá 
pelas oito e meia, depois do último aconselhamento. Porém, 
meu último aconselhamento terminou tarde e, ao sair do 
escritório, me dirigi a uma outra conselheira que começou a 
compartilhar algo da Palavra que Deus lhe havia mostrado. Ao 
conversarmos, continuamos recebendo uma nova visão da 
Palavra naquele assunto em particular.
Saí da igreja às nove e quarenta e cinco. Enquanto dirigia 
o carro, meu espírito estava cheio de entusiasmo sobre a nova 
revelação e visão que eu havia acabado de receber. Eu estava 
cantando louvores a Deus enquanto dirigia. Subitamente, me 
conscientizei de que, enquanto a minha boca estava ocupada 
cantando louvores a Deus, a minha mente estava pensando 
naquilo que eu iria dizer a Jan quando chegasse em casa. 
Surpreendi-me pensando: “Jan ficará brava comigo por eu estar 
uma hora e meia atrasado. Ela me perguntará sobre a razão
137
Enganado? Eu?
do meu atraso e eu não quero dizer-lhe que fiquei conversando 
com outra mulher sobre coisas espirituais. Ela ficará brava 
porque eu gastei meu tempo limitado com outra mulher. Ela 
também ficará brava porque eu preferi ministrar e porque eu 
coloquei o meu prazer acima da família. Seria melhor lhe dizer 
que o meu último aconselhamento terminou tarde (o que era 
uma meia verdade: atrasou 10 minutos). Dessa forma ela não 
ficaria tão brava.”
Meu espírito falou à minha mente: “Por que você 
simplesmente não diz a verdade?” Minha mente respondeu: 
“Ela ficará realmente brava e isso será desagradável para mim. 
Eu não quero ter que aturar essa situação desagradável e a 
acusação. É melhor modificar a história para suavizar as 
conseqüências.”
O Espírito Santo falou ao meu espírito: “Você está 
inventando uma mentira novamente. Você não está meramente 
modificando detalhes insignificantes. Você está inventando 
uma mentira porque está com medo das conseqüências de 
contar a verdade. Você não crê que eu posso suprir as suas 
necessidades emocionais e operar na vida de Jan.”
Foi naquele momento em que comecei a reconhecer o 
medo. Eu quase decidi que preferiria contar uma mentira e 
evitar, o máximo, a raiva de Jan do que contar a verdade e 
enfrentar sua raiva. Eu pensei que poderia me arrepender mais 
tarde. Naquele ponto, percebi o quanto eu temia minha esposa 
e sua possível reação emocional. O medo em mim me 
motivava poderosamente a escolher mentir para encobrir a 
verdade e a pecar para encobrir a justiça.
Toda vez que eu começava a pensar em dizer a 
verdade, eu ficava com um medo emocional enquanto a minha 
mente considerava as possíveis conseqüências. Eu estava 
experimentando o medo da morte em minhas emoções. Assim, 
eu decidi tomar alguns passos que supririam as minhas 
próprias necessidades emocionais ao mentir, em vez de 
enfrentar a perspectiva de um tormento e da morte mental e 
emocional (Hebreus 2:15).
Ao experimentar o medo da morte e, pela primeira vez,
138
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
reconhecê-la conscientemente, Deus me disse: “Não lhe dei 
o espírito de covardia.” Esse medo emanava da minha carne, 
e não do meu espírito. Ao reconhecer isso, eu me arrependi e 
permiti que o meu espírito começasse a reinar em minha mente 
e em minhas emoções.
Basicam ente , o medo de não te r as m inhas 
necessidades supridas havia me enganado, prendido a minha 
alma e me levado a enxergar Jan na carne, e não no espírito. 
Assim, eu a havia mantido em escravidão por meio de uma 
expectativa falsa baseada em experiências passadas. Deus 
me disse que eu devia me arrepender de ter enxergado minha 
esposa por meio de expectativas carnais. Eu me arrependi de 
ter desonrado Jan por não ter cumprido o meu compromisso 
de horário e lhe pedi perdão logo que cheguei em casa. Jan 
me perdoou e reagiu no espírito, e toda a conseqüência 
negativa que eu estava esperando nem mesmo aconteceu. 
Eu não experimentei o tormento emocional ou a morte, pelo 
contrário, eu experimentei a vida zoe de Deus.
Assim como o primeiro medo relacionado à identidade 
pessoal, o medo de não ter as necessidades supridas se 
manifesta de forma diferente, dependendo da consciência que 
temos dele. A experiência consciente e atual de termos as 
necessidades supridas ou não determina a consciência do 
medo de termos as necessidades supridas no futuro. A 
consciência desse medo determ ina se há esperança de 
sucesso e v itó r ia na vida ou de fracasso e derro ta , 
independente de a pessoa ser vencedora ou perdedora.
O crente que experimenta conscientemente a realidade 
do medo relacionada ao seu bem-estar pessoal (como Deus 
não o ama, suas necessidades não são supridas) sente que 
há pouca esperança de sucesso e vitória na vida. Pelo fato de 
ele ge ra lm en te expe rim e n ta r s ituações onde suas 
necessidades não são supridas, ele teme que elas também 
não sejam supridas no futuro, pois Deus “Nãoajudou no 
passado” . Tal pessoa acha que as desvantagens de ganhar 
ajuda de Deus é muito grande, por isso ela também desiste.
Por outro lado, o cris tão que não experim enta
139
Enganado? Eu?
conscientemente a realidade desse medo, espera ter vitória e 
sucesso na vida. Como ele experimenta ter suas necessidades 
supridas, ele sente que já ganhou favor e a bênção de Deus 
ou que, pelo menos, as vantagens de se fazer isso são muito 
boas. Ele acredita que derrotará o diabo, as circunstâncias 
negativas e outras pessoas que tentam se levantar contra ele, 
e, assim, experimenta, em última análise, vitória e sucesso. 
Ele crê que isso acontece devido a sua confiança em Jesus e 
a sua autoridade como crente. Mas, na realidade, ele está 
confiando na sua própria habilidade de ouvir a voz de Deus, de 
ser obediente a Ele e de ser justo para obter o favor e a bênção 
Dele.
Novam ente, am bas as im agens são fa lsas por 
nascerem da carne, e não do espírito. O mundo chama a 
primeira pessoa de “perdedor” e a segunda, de “vencedor” . A 
verdade é que, novamente, o pecado e a morte reinam na 
carne, igualmente, em ambos os casos.
Muitas vezes, porque as nossas mentes não estão 
renovadas nessa área, tentamos motivar as pessoas por meio 
da pregação, do ensino e do aconselhamento para que elas 
se arrependam de uma auto-imagem fraca e ganhem uma 
auto-imagem forte ou para que deixem a auto-imagem de 
fracasso e derrota e sejam motivadas pelo sucesso e pela 
vitória. Freqüentemente, tudo o que fazemos é nos esforçar 
para que as pessoas se “arrependam” de um estilo de andar 
na carne para outro estilo. O problema é que elas nunca 
ganham a compreensão da verdade de quem são no espírito.
Já identificamos agora os quatro estilos diferentes de 
andar na carne baseados em quatro auto-imagens diferentes 
do prumo. Elas são firmadas na experiência consciente do 
medo da morte com relação à identidade e ao bem-estar 
pessoal. O cristão pode sentir-se: 1) um ninguém com 
esperança de vitória, 2) um alguém com esperança de vitória, 
3) um ninguém sem esperança de vitória, 4) um alguém sem 
esperança de vitória.
O quadro a seguir representa esses quatro estilos de 
andar na carne em relação à experiência consciente da
140
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
mensagem de ambas as manifestações do medo.
Experiência do Medo 
prumo
A auto-imagem do 
considera-se como um:
Identidade 
Sem valor
Bem-estar 
Necessidades não supridas
1. Consciente Inconsciente
Ninguém, esperança-vitória-vencedor
2. Inconsciente Consciente
Alguém, esperança-vitória-vencedor
3. Consciente Inconsciente
Ninguém, desesperança-derrota-perdedor
4. Inconsciente Consciente
Alguém, desesperança-deirota-percledor
A nossa carne tem duas reações básicas para lidar 
com as duas manifestações do medo da morte. Essas reações 
são o orgulho e a rebelião. O orgulho reage devido ao medo de 
não ser valorizado, enquanto a rebelião reage devido ao medo 
de as necessidades não serem supridas. Lembra-se dessas 
reações ao medo em Adão e Eva?
O orgulho enfoca e confia em si, em vez de enfocar e 
confiar em Deus. É a exaltação do ser por meio da falta de 
confiança em Deus, seja em arrogância ou em autopiedade. 
Basicamente, o orgulho é a maneira pela qual a nossa carne 
lida com a auto-imagem e o sentimento de falta de valor e 
importância. Quando você recebe a mensagem: “Você não é 
bom e não tem valor, você não é importante”, a sua carne reage 
imediatamente em orgulho, retirando a sua atenção de Jesus 
Cristo e focando-a em si mesmo. Isso se manifestará em duas 
maneiras diferentes, dependendo da experiência consciente 
do medo da desvalorização.
Se você experimentar conscientemente o medo de não 
ser valioso para Deus, a sua carne o motivará a tentar ganhar 
o amor e a estima de Deus (obedecer a Deus, sendo íntegro, 
etc). Mas se você confia em si mesmo e se convence de que 
é impossível ganhar a estima e a honra de Deus, o orgulho 
motiva a autopiedade. É o mesmo orgulho de antes, mas enfoca
141
Enganado? Eu?
o interior em derrota.
Por ou tro lado, se você não expe rim en ta r 
conscientem ente o medo da desvalorização, o orgulho 
motivará a sua carne a crer que você já é digno do amor de 
Deus. Por quê? Por causa do seu passado, da atual justiça e 
da sua obediência a Ele. O orgulho o motiva a olhar as suas 
próprias obras e a confiar em si mesmo. Em ambos os casos, 
o orgulho faz com que a pessoa confie em si mesma e na sua 
carne.
A segunda manifestação do medo da morte, de que as 
necessidades não serão supridas, começa a motivar a alma 
sempre que o amor de Deus por nós for questionado. A reação 
carnal para esse medo é a rebelião, a oposição ou a fuga de 
um relacionamento. Se você estiver se relacionando com 
alguém ou sob a autoridade de uma pessoa em particular, em 
quem não confia e desconfia de suas intenções, a sua carne, 
motivada pela autopreservação e pelo medo da morte, não 
terá qualquer interesse em submeter qualquer área da sua 
vida a essa pessoa. O seu relacionamento com essa pessoa 
estará baseado no medo, e a sua única escolha natural será 
opor-se e prejudicar a autoridade de tal pessoa ou fugir e 
romper o relacionamento. Isso é rebelião.
Quando duvidam os do amor de Deus por nós e 
ficam os com medo de que Ele não supra as nossas 
necessidades, então não confiamos que Ele cuidará de nossas 
vidas. Também não confiamos nas pessoas que Ele colocou 
como autoridade em nossas vidas. Assim, nos rebelamos con­
tra Deus e contra outras pessoas. Foi isso o que eu fiz quando 
planejei contar aquela pequena mentira a Jan sobre o meu 
atraso. A rebelião pode ser uma oposição à pessoa temida ou 
à fuga dessa pessoa. Em ambos os casos, ela pode ser uma 
rebelião aberta e evidente ou, encoberta e sutil.
Vimos dois tipos de rebelião nas crianças. Algumas 
dizem abertamente aos pais: “Não, vão plantar batatas!” Outras 
dizem: “Sim” , mas encontram maneiras sutis de não se 
submeterem e de minar as intenções dos pais.
A rebelião pode manifestar-se pelo menos em quatro
142
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
maneiras: 1) Oposição aberta, 2) Fuga aberta, 3) Oposição 
ocultada, 4) Fuga ocultada.
Aqui está um exemplo. Quando o professor pede a um 
estudante que se sente, ele pode: 1) permanecer de pé e dizer 
“não”, 2) dar de costas e sair da classe, 3) sentar-se, mas 
permanecer com uma atitude e achar desculpas “legítimas” 
para ficar em pé, 4) sentar, se fechar em autopiedade e se 
recusar a se relacionar com o professor.
Não é importante saber quais os fatores, além do medo, 
que determ inam essas m an ifestações de rebe lião . É 
necessário apenas com preender que todas essas 
manifestações são rebelião e estão enraizadas no medo e na 
dúvida quanto ao amor de Deus. Devemos reconhecê-las e 
nos arrepender delas.
Todas as formas de orgulho e rebelião emanam do 
pecado em nossa carne, operam por meio de imagens falsas 
de Deus, de si e dos outros baseadas na dúvida quanto ao 
amor de Deus e do temor que acompanha essa dúvida e nos 
motiva inconscientemente. Essa é a serpente na parede das 
nossas almas nos enganando e nos prendendo por meio das 
im agens fa lsas do prum o que estão p ro fundam en te 
estabelecidas ali.
A intensidade do orgulho e da rebelião que opera em 
nós é diretamente proporcional à intensidade do medo no qual 
estão ligados, e é representada pela distância que o prumo é 
desviado do centro. Quando o medo da desvalorização e da 
insignificância se aprofunda, o orgulho se torna uma força mais 
forte na carne para compensar o profundo sentimento de 
mágoa. Quanto mais esse medo se intensifica, devido à 
circunstância ou à experiência, maior é a possibilidade de essa 
pessoa tentar mudar os estilos de andar na carne, enquanto o 
medo muda de uma m otivação inconsciente para uma 
percepção consciente.
N enhum a form a de andar na carne descreve 
exatamente uma pessoa. Pelo fato de o prumo poder ser 
posicionado em qualquer lugar entre a posição de total 
verticalidade e totalhorizontalidade, dependendo da intensidade
143
Enganado? Eu?
do medo, há um número indefinido de formas de se andar na 
carne. Nos próximos capítulos, descreverei quatro maneiras 
pelas quais podemos considerar quatro estilos distintos, com 
muitas nuances gradativas entre si.
Também é possível que uma pessoa caminhe no 
espírito em uma parte de sua vida, e na carne, em outra parte. 
Ela pode, em um momento, andar na carne de uma maneira 
em particular, em uma área em particular e, em outro momento, 
andar de maneiras diferentes, em áreas diferentes da vida, ou 
ela pode alternar as maneiras em uma área em particular da 
vida.
É improvável que um cristão caminhe cem por cento 
do tempo em todas as áreas da sua vida na carne, exatamente 
de acordo com uma das quatro maneiras que descreverei. 
Esse não é o ponto crucial. Não estou tentando criar uma nova 
doutrina ou teoria nas quais todos os cristãos que andam na 
carne devam se encaixar. Ninguém se encaixará exatamente 
nessas descrições. Porém, ao ler este livro, você poderá pedir 
ao Senhor que lhe revele, em espírito, as características mais 
pertinentes da maneira pela qual a sua própria carne o 
enganou, prendeu a sua alma e opera inconscientemente em 
você. Uma vez que você tenha recebido a revelação de um 
estilo de andar na carne, não continue a identificar-se dessa 
forma, mas arrependa-se e identifique-se ao seu espírito.
As várias características dessas maneiras de operação 
na carne não são “características negativas de personalidade” , 
“fraqueza no seu caráter” ou “problemas pessoais”. Pensar 
dessa maneira faz com que nos identifiquemos com a nossa 
carne, acreditemos que essa característica seja eu, e que 
tentemos barrá-la ou superá-la. Essas coisas sempre nos 
levam a tentar vencer a nossa carne ao usar a Palavra como 
uma lei em nossa mente. Entretanto, em Romanos 7, Paulo 
disse claramente que isso não é você. Não se identifique 
pessoalmente com o pecado na sua carne. Isso é o pecado 
operando em você, mas não é você.
Vamos, resumidamente, recapitular a auto-imagem de 
cada um dos quatro estilos da operação carnal. No primeiro
144
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
estilo, é a pessoa operando baseada na crença: “Não sou 
importante, não sou amado e sou um ninguém. Mas, posso 
ser um alguém e ter vitória na minha vida através daquilo que 
eu faço.”
A pessoa que opera no segundo estilo acredita: “Sou 
importante e valioso. Eu sou um alguém por causa daquilo 
que sou e daquilo que faço. Posso continuar sendo um alguém 
ao continuar o que estou fazendo hoje e ao fazer coisas ainda 
maiores no futuro. Terei vitória em minha vida.”
A pessoa que opera na terceira maneira acredita que: 
“Não sou importante, sou um ninguém. Não posso vencer na 
vida. Estou condenado a essa vida terrível e sempre serei um 
ninguém. Não terei vitória. Não há razão para tentar.”
A pessoa que opera no quarto estilo crê: “Eu sou um 
alguém, sou importante e tenho valor. Porém, não tenho vitória 
agora e não terei porque os outros (talvez Deus) estão contra 
mim e eu não posso vencer. É injusto e estou condenado a 
essa vida de derrota.”
Saúde, circunstâncias financeira, relacional, profissional 
e outras não são apenas determinadas pela carne, mas 
também ajudam a determinar as maneiras pelas quais os 
cristãos caminham na carne. Essas circunstâncias estão todas 
ligadas basicamento ao medo da morte. Conseqüentemente, 
as pessoas cujas circunstâncias são positivas, geralmente, 
operam no primeiro e no segundo estilo. As pessoas cujas 
circunstâncias não são tão boas, geralmente, caminham no 
terceiro ou quarto estilo.
Cada um dos estilos pelos quais caminhamos na carne 
está enraizado na mentira de que o amor, a estima, o favor e a 
bênção de Deus chegam até nós baseados no nosso 
desempenho. “Se eu tiver um bom desempenho, Deus me 
amará e me abençoará.” Cada um desses estilos motiva um 
crente a confiar inconscientemente na “justiça de obras”.
Isso pode ser tão sutil que motiva os cristãos a julgar 
os outros que andam abertamente em “justiça de obras".
Quando menti para Christy sobre a conversa com 
Marilyn, eu não escolhi fazer aquilo, minha carne capturou a
145
Enganado? Eu?
minha alma e começou a “tocar a fita” ou a operar no corte 
que foi estabelecido naquela área da minha alma.
Uma vez que a nossa carne começa a operar em um 
corte em particular, temos pouco controle sobre nossos 
pensamentos e comportamento. Então, a carne toca aquilo 
que foi gravado na fita. Ela já capturou a mente, as emoções e 
a vontade devido ao engano. Não estam os realm ente 
conscientes de que a nossa carne nos controla. Porém, quando 
nos tornamos conscientes disso por meio da revelação do 
Espírito Santo, podemos nos arrepender e permitir que a Palavra 
e o sangue de Jesus preencham o corte de m aneira 
sobrenatural. Ele fará um novo corte de acordo com a verdade 
de Cristo no espírito.
Muitos crentes acreditam que a dureza do coração 
provém apenas da desobediência proposital. Entretanto, isso 
não é verdade, e essa crença dificulta que reconheçamos a 
dureza de coração, pois não estamos conscientes de qualquer 
desobediência proposital a Deus. Mas, toda vez que operamos 
na carne, sem que tenhamos consciência do pecado devido 
ao engano, nós endurecemos o nosso coração.
“Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como 
também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios 
pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus 
por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração.”
(Efésios 4:17-18)
A dureza do coração ocorre sempre que aceitamos 
uma mentira no lugar da verdade, acreditamos que estamos 
no espírito quando estamos na carne ou cremos em algo sobre 
Deus ou sobre nós mesmos que não esteja de acordo com a 
verdade, independente de ocorrer por meio da rebelião 
consciente ou inconscientemente através do engano. O 
resultado é igual em ambos os casos. Nossos corações são 
endurec idos nessas áreas, nossa vida com Deus é 
interrompida e experimentamos as conseqüências da lei do 
pecado e da morte.
146
Capítulo 6 - O Leão, o Urso e a Serpente
Os cortes em nossa alma são as áreas de dureza do 
coração. Quando uma falsa imagem é criada, ela forma um 
padrão de pensamento, sentimento e comportamento (corte) 
que é moldado e endurecido por cada palavra ou experiência 
nova vista por meio dessa imagem falsa. O pecado em nossa 
carne é muito enganoso e muito da dureza do coração provém 
inconscientemente do engano do pecado em nossa carne.
“pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo 
que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo 
engano do pecado.” (Hebreus 3:13)
Marcos 6 registra o incidente de Jesus caminhando 
sobre a água e indo em direção ao barco no qual os discípulos 
estavam navegando. No começo, os discípulos estavam com 
medo, mas depois eles reconheceram Jesus.
“E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou (parou 
para descansar, como se tivesse ficado exausto devido aos seus 
próprios movimentos). Ficaram entre si atônitos, porque não haviam 
compreendido o milagre (o ensinamento e o significado do milagre) 
dos pães; antes, o seu coração estava endurecido (tornaram-se 
entorpecidos e perderam o poder do entendimento)”
(Marcos 6: 51 -52, tradução da Bíblia Amplificada)
Os discípulos enxergaram a experiência com Jesus 
por m eio de im agens de prum os fa lsos, eles não se 
relacionaram com Jesus de acordo com a verdade de quem 
Ele era e o que Ele estava fazendo. Conseqüentemente, em 
vez de serem transformados pela experiência deles com Jesus, 
seus corações foram meramente endurecidos e eles não fo­
ram libertos.
O grau de dureza do coração em qualquer área em 
particular é diretamente proporcional ao nível de fé e confiança 
estabelecidas na mentira. As nossas mentes foram moldadas 
de acordo com o mundo em muitas áreas por meio do engano 
do pecado, e os nossos corações foram endurecidos nessas 
áreas.Nossas almas necessitam desesperadamente de
147
Enganado? Eu?
limpeza e de purificação, e as nossas mentes precisam ser 
renovadas. Esse processo de transformação por meio da 
renovação da mente é mencionado por Paulo em Romanos 
12:2.
Muitos cristãos estão grandemente frustrados com o 
Senhor “por causa da ignorância que está dentro deles e de 
sua dureza de coração”. Freqüentemente, já fizeram tudo o 
que sabem para se libertarem de uma certa área ou certas 
circunstâncias negativas. Eles oram, jejuam e clamam a Deus. 
Eles se arrependem, declaram o sangue e confessam a 
Palavra, mas as circunstâncias não mudam. Então, eles 
acabam por concluir que a Palavra não funciona e que Deus 
não é fiel.
Esse é o caso de muitos cristãos que são enganados 
na fu tilid a d e de suas m entes, obscu rec idos no seu 
entendimento e excluídos da vida de Deus em certas áreas. 
Eles não consideram que seus corações possam ser 
endurec idos por estarem in consc ien tes de qua lquer 
desobediência proposital a Deus. Essa é a “ignorância” de 
Efésios 4:18. Uma maneira de operação carnal, profundamente 
estabelecida no coração de um crente e confirmada pelas 
palavras e experiências com o passar do tempo, é o 
endurecimento do coração, e, freqüentemente, isso não é 
instantaneamente extirpado e substituído pela verdade. Pelo 
arrependimento, o poder purificador do sangue de Jesus e a 
limpeza da água da* Palavra, esses cortes endurecidos da 
operação carnal podem ser amolecidos, torcidos e moldados 
e podem ser remodelados de acordo com a verdade no espírito. 
Louvado seja o Senhor!
148
Capítulo 7
O Primeiro Estilo de Operação Carnal
Vamos examinar agora as características do primeiro 
estilo do andar na carne.
Esta é a forma caracterizada abaixo:
Experiência do Medo Experiência do Ser
Identidade Bem -estar Auto-lmagem
Sem valor Necessidades do Prumo
não supridas
1. Consciente Inconsciente Ninguém
esperança-vitória-vencedor
Ao andar nesse estilo carnal, um crente crê que: “Não 
sou importante, não sou amado e sou um ninguém. Mas posso 
me tornar um alguém e ter vitória e sucesso na vida ao servir 
a Deus.”
Para compreender um crente que anda na carne nesse 
estilo, vamos imaginar um homem chamado Bill. Ele recebeu 
no fundo de sua alma a mensagem de que Deus não o ama 
de verdade. Assim, ele se considera sem valor e sem 
importância. Ele se vê de acordo com essa mensagem e 
sempre considera os outros mais importantes e abençoados 
por Deus do que ele.
Não importa o status e a posição que tem no mundo 
ou no Reino de Deus, Bill sempre se sente sem importância e 
sem valor. Ele sente que não é realmente honrado e estimado 
pelos outros e por Deus. Depois que conheceu ao Senhor e 
começou a crescer no seu relacionamento com Deus, Bill
149
Enganado? Eu?
sempre se sente indigno da graça e da bênção de Deus. 
Mesmo quando o Senhor derrama uma grande bênção sobre 
sua vida, ele tem dificuldades de recebê-la. Quando Bill não 
sente a bênção de Deus, geralmente ele acredita que isso 
acontece por causa da desvalorização e da incapacidade de 
agradar a Deus. Porém, algumas vezes Bill fica frustrado e 
acredita que fez o suficiente para ser digno da bênção de Deus. 
Entretanto, Deus, de maneira desleal e injusta, “retém” a 
bênção dele.
O medo de não ter as necessidades supridas não é 
um sentim ento consciente em Bill. Contudo, o medo 
relacionado ao seu bem-estar pessoal motiva a sua carne sem 
que esteja consciente. Pelo fato de Bill não sentir medo, ele 
tem esperança quanto ao futuro. Ele espera ser bem-sucedido 
e vitorioso na vida porque ele obedece ao Senhor e por causa 
da capacidade própria de obter favor e bênção de Deus por 
meio da sua obediência.
Por sentir que Deus e as outras pessoas não o 
valorizam e o estimam de verdade como deveriam, o orgulho 
o motiva a exaltar-se e a colocar-se em uma posição superior 
aos olhos de Deus e dos outros. A rebelião opera em Bill de 
maneira camuflada e oculta, de modo que ele aparente ser 
humilde e submisso.
A operação nesse estilo da carne em particular tem a 
tendência de afetar a auto-imagem de Bill da seguinte maneira: 
“Não sou realmente uma pessoa muito valiosa ou importante, 
mas quero ser e serei. Se eu for submisso e obediente ao 
Senhor, farei grandes coisas no Reino de Deus e me tornarei 
uma pessoa valiosa e importante.”
Você pode perceber que Bill não reconhece o fato de 
que ele já é amado e aceito incondicionalmente por Deus, pois 
o sangue de Jesus Cristo purificou o seu espírito e o fez santo 
e aceitável no espírito. Bill acreditou na mentira que diz: “Posso 
ganhar o amor e a estima de Deus para que isso gere um 
valor por meio de obras e da obediência.” (Tito 3:5)
Andar na carne, dessa maneira em particular, gera em 
Bill a seguinte percepção: “Ele não me valoriza de verdade.
150
Capítulo 7 - Estilos de Operação Carnal
Não importa o quanto eu tente ou o que eu faça, Deus não me 
reconhece e não me abençoa. Eu desejo ouvi-Lo dizendo: 
‘Muito bem, servo bom e fiel’, mas Ele nunca diz isso Na 
realidade, parece que Deus só abençoa os outros que não 
são obedientes a Ele. Você acha que todos os meus anos de 
serviço a Deus valeram alguma coisa, mas Deus parece nunca 
reconhecer o meu trabalho. Porém, se eu continuar servindo- 
O, Ele reconhecerá . Pelo m enos recebe re i a m inha 
recompensa no céu.”
Para Bill Deus é injusto. Ele está convencido, no seu 
subconsciente, de que o amor, a aceitação e a bênção de Deus 
estão prognosticados no desempenho. Deus parece ser injusto 
porque, não importa o que faça, Bill nunca consegue agradá- 
Lo e ser reconhecido pelo trabalho que realizou. Essa é a 
mentira. Ele enfoca o desempenho, contudo crê que está 
simplesmente confiando em Deus e sendo obediente a Ele. O 
fato é que Bill não está confiando em Deus, mas em si mesmo 
e está sendo conduzido pelo orgulho na sua carne para 
desempenhar e receber o amor e a aprovação de Deus.
Para um cris tão que anda nesse estilo carnal, 
geralmente, o seu valor pessoal passa a ser seu emprego ou 
ministério. Entretanto, na realidade, ele experimenta um 
profundo sentimento de desvalorização, desonra e rejeição por 
Deus e pelos outros. O orgulho se manifesta de maneira visível 
como se a pessoa se esforçasse para tornar-se importante 
por meio da sua carreira ou do ministério.
Esse crente tem a tendência de considerar as outras 
autoridades da sua vida e aqueles ao seu redor da mesma 
maneira que considera Deus. Ele tem uma grande tendência 
de com para r-se com outros c ris tão e m antém -se, 
secretamente, informado do desempenho dos outros e se 
certifica de estar sempre ganhando. (Provavelmente, ele nunca 
admitiria isso a ninguém.) Para que ele se sinta bem, ele precisa 
ter a certeza de que está tendo um desempenho melhor do 
que o das pessoas ao seu redor, com quem ele, secretamente, 
compete nas áreas nas quais pode se destacar.
Essa pessoa terá a tendência de julgar seus pais por
151
Enganado? Eu?
não estimá-lo e apreciá-lo. Ela também espera que os outros 
a desrespeitem, rejeitem e ignorem. Se ela se casar, esperará 
que seu cônjuge a rejeite e a desonre. Possivelmente, ela 
competirá até mesmo com a espiritualidade do seu cônjuge 
ou, o oposto, se exaltando ao rebaixar seu cônjuge para 
compensar a sua desvalorização interior. Enquanto faz isso, 
ela espera que todas as pessoas ao seu redor o valorizem e o 
estimem devido ao seu desempenho e ao seu trabalho, mas 
as pessoas, raramente, demonstram isso.
Quando isso acontece, esse homem fica irritado, mas 
acredita que deve continuar: “Um dia serei reconhecido e 
apreciado.” Freqüentemente, ele manipula inconscientemente 
as pessoas ao seu redor para que elas vejam o seu trabalho e 
o honrem.
Essa pessoa chama a atenção das autoridades em 
sua vida e tenta ganhar a estima e a aceitação delas ao agradá- 
las através do seu desempenho. Por ela crer que essa seja a 
maneira de obter o seu valor pessoal, é difícil receber amor, 
aceitação e estima dos outros, com exceçãode obtê-las por 
merecimento.
Pelo fato de o sentimento de insignificância estar 
presente de forma consciente, graus e títulos são geralmente 
importantes para essa pessoa. A aparência externa pode 
também ser importante. Automóveis, casas, outros bens 
materiais e a riqueza podem ser importantes, pois essa pessoa 
acredita que tais coisas provocam a estima e a honra dos 
outros.
Comumente, uma pessoa que anda na carne nesse 
estilo pode tornar-se viciada em trabalho e negligenciar a sua 
família, pois, para ela, a aceitação, a estima e a honra provêm 
do desempenho, e a sua família não o aprecia de qualquer 
maneira. Muitos pastores e líderes espirituais operam nesse 
estilo de pensamento e comportamento carnal. Em primeira 
instância, eles são atraídos para se tornarem pastores e líderes 
espirituais numa tentativa de fazer alguma coisa importante 
para Deus e, assim, obterem o Seu amor e favor. Eles não 
percebem que já têm o amor e a aceitação de Deus devido a
152
Capítulo 7 - Estilos de Operação Carnal
um sentimento consciente de ter pouco valor aos Seus olhos.
Mulheres que operam nesse estilo têm mais tendência 
a sofrer de anorexia e de bulimia do que aquelas que andam 
em outros estilos. Elas se sentem sem valor e focam na 
aparência como forma de atribuir valor próprio. Elas não estão 
em total desespero, mas acreditam que podem controlar, por 
si mesmas, suas circunstâncias e seu corpo físico para serem 
amadas. Andar nessas mentiras do diabo leva essas mulheres 
à anorexia e/ou à bulimia. Essas pessoas precisam ganhar 
nessas áreas de desempenho que escolheram competir. Se 
elas não atingem o alvo que esperavam atingir, ou se elas são 
derrotadas por outros, elas devem fazer alguma coisa para 
conseguir ganhar. Elas precisam tentar mais. No caso da ano­
rexia, o corpo é o foco.
Vamos olhar para um exemplo na Palavra de uma 
pessoa que vivia no primeiro estilo de vida carnal.
“O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, 
vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também 
e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este 
meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E 
começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; 
e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as 
danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele 
informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, 
porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; 
saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu 
pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem 
tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os 
meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus 
bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. 
Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o 
que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e 
nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, 
estava perdido e foi achado. ” (Lucas 15:22-32)
Sem dúvida nenhuma, você sabe que esse texto é a 
parábola de Jesus sobre o filho pródigo. Sendo assim, não 
vamos nos deter para analisar o filho pródigo, mas o seu irmão
153
Enganado? Eu?
mais velho, que andou no primeiro estilo de comportamento 
carnal.
Jesus contou essa parábola basicam ente para 
demonstrar o amor incondicional pelos Seus filhos. Esse amor 
é revelado pelo pai ao filho mais novo, cujo desempenho foi 
admirável. E foi esse ponto que o irmão mais velho não 
conseguiu entender ou aceitar. Em sua mente, ele nunca foi 
capaz de receber o amor incondicional do pai. Ele estava 
convencido de que o amor, a aceitação, a estima e a honra 
eram, e deveriam ser, condicionais e baseadas na obediência 
e no desempenho.
Nessa parábola, Jesus não fala muito sobre a infância 
desses dois irmãos. Mas baseado nos resultados que 
percebemos na fase adulta, posso imaginar que esses dois 
irmãos, provavelmente, competiam muito entre si para obter 
amor e atenção do pai. Porém, o mais velho precisava vencer 
sempre. Provavelmente, ele era bom na maioria das coisas 
que decidia fazer. O mais novo deveria ter sentido que não 
conseguia competir com seu irmão. Sem dúvida nenhuma, o 
irmão mais velho era cruel na sua compulsão de ser melhor 
que seu irmão caçula em tudo para que pudesse obter o amor 
e a estima do pai.
Ambos acreditaram na mentira de que o amor e a 
aceitação do pai provinham do desempenho. Porém, ao 
crescer, o mais novo percebeu que, para ganhar o amor e a 
atenção do pai, ele teria de superar o irmão mais velho, o que 
era muito difícil. Ele tentou, mas seu irmão aproveitava cada 
oportunidade para rebaixá-lo e exaltar-se. O irmão mais novo 
simplesmente passou para o estilo baseado na experiência 
consciente da morte atual e do temor da morte futura, na esfera 
da identidade pessoal e do bem-estar.
O irmão mais velho sentia-se de pouco valor, pois era 
direcionado pelo desempenho. Ele acreditava que um dia seu 
pai notaria e reconheceria a sua obediência. Ele continuou se 
aproximando do pai na tentativa de obter amor e atenção.
Se o pai dissesse: “Trabalhe oito horas no campo” , o 
irmão mais velho trabalhava dez horas para que a sua diligência
154
Capítulo 7 - Estilos de Operação Carnal
fosse reconhecida. Mas, independente do quanto ele se 
esforçasse ou do que fizesse para demonstrar a sua fidelidade, 
ele nunca era reconhecido.
Então, o irmão mais novo volta para casa depois de 
gastar a fortuna da família no pecado.
O pai o recebe de volta com alegria, reconhecendo-o, 
banhando-o de amor, honrando-o como um d ignatário 
estrangeiro ao oferecer uma grande festa e ao mandar matar 
um novilho cevado. Para o filho mais velho, que acreditava 
com todas as suas forças que a estima e a honra deveriam 
estar baseadas no desempenho, isso foi como se seu pai o 
tivesse insultado e dado um tapa em seu rosto.
A rebelião súbita de rejeitar o amor do pai e confiar na 
sua própria capacidade de suprir suas necessidades 
obviamente não funcionou.
C onstrang ido agora pelo medo in tens ificado , a 
esperança de obter sucesso e prestígio havia dissipado para 
o irmão mais velho. Ele percebeu que estaria condenado ao 
fracasso e que nunca obteria a estima e a honra do pai, não 
importava o que fizesse. Portanto, concluiu que continuar 
tentando seria em vão e passou do estilo um para o estilo três.
A súbita rebelião não funcionou, então, enquanto o medo 
se intensificava, ele perdeu a esperança, passou do estilo um 
para o estilo três e partiu para uma rebelião mais intensa e 
visível. Ele se recusou a comparecer ao banquete e se opôs 
abertamente ao seu pai.
Quando o medo se intensifica, assim como aconteceu 
com esse jovem, a única maneira de a nossa carne operar é 
através da exaltação própria em orgulho, ou na oposição em 
rebelião, ou em ambas as formas. Esse jovem fez as duas 
coisas! Ele foi consumido pela ira e pelo ódio quando seu pai 
demonstrou honra, amor e estima ao irmão “sem valor” , ou 
seja, tudo o que ele havia se esforçado para obter em toda a 
sua vida. Ao rebelar-se, ele se afastou e decidiu que não se 
relacionaria mais com seu pai.
Ele se recusou a entrar no banquete. Mas o pai, que 
amava o filho, foi à sua procura.
155
Enganado? Eu?
Esse filho exaltou-se verbalmente na frente do pai e 
relatou todo o seu trabalho diligente, seus atos de justiça e 
sua obediência. A primeira palavra proferida ao pai foi: “Olhe” , 
como se ele dissesse: “Você não percebe? Você está cego? 
Você atribui honra e estima à prostituição e à embriaguez, em 
vez de atribuir honra e estima à obediência, à lealdade e ao 
trabalho diligente.”
Você percebe como a serpente no coração desse filho 
havia estabelecido imagens falsas de prumo que o impediram 
de receber o amor do Pai? Por causa do medo de não ter 
nenhum valor de suas necessidades não serem supridas, 
especialmente da necessidade de sentir-seimportante, ele 
desperdiçou toda a sua vida naquilo que havia tanto desejado: 
“Aquele que busca salvar a sua vida, perdê-la-á” .
Q uando o filh o soube que o pai o am ava 
incondicionalm ente e que esse amor não dependia do 
desempenho, em vez de aceitar essa verdade, arrepender-se 
e ser liberto, o filho mudou para um estilo diferente de orgulho 
e rebelião e justificou -se disso.
Ele achou que o primeiro estilo carnal não havia 
funcionado, então ele intensificou o orgulho e a rebelião para 
lidar com a dor e a frustração ao passar para o terceiro estilo. 
Quando o estilo do orgulho e da rebelião não funciona, 
freqüentemente, a nossa carne nos motiva a tentar outro estilo.
Pode ser que esse filho tenha contado a outros quão 
injusto seu pai o tratara. Por causa da serpente escondida na 
sua carne e da mentira de que o amor e a honra provêm do 
desempenho, ele teria continuado a se relacionar com Deus, 
seu patrão, cônjuge, amigos íntimos e outras pessoas da 
mesma forma como se relacionava com seu pai. Ao seu ver, 
ele nunca fora apreciado e as pessoas não o valorizavam como 
deviam valorizar. Para ele, essas pessoas eram “leões” e 
“ursos”. Enquanto ele não recebesse a revelação divina sobre 
a serpente e o prumo falso, ele continuaria permitindo que a 
sua carne o dominasse. Suas necessidades continuariam sem 
serem supridas, e ele sempre acreditaria que a razão de seus 
problemas estivesse nas outras pessoas e na maneira como
1S6
Capítulo 7 - Estilos de Operação Cama!
elas o tratavam in justam ente, quando, na verdade, os 
problemas devem-se ao veneno da serpente em sua alma.
Nos capítulos anteriores falei sobre Steve, um pastor, 
amigo meu, que havia julgado seu pai e outros por o terem 
tratado de maneira injusta. Steve julgou “o sistema” e outros 
m inistérios por serem insensíveis às necessidades das 
pessoas. Ele colheu o fruto daqueles julgamentos em sua 
própria vida, em sua família e no seu ministério.
Porém , podem os ver que esses ju lga m en tos 
procederam do estilo estabelecido no qual sua carne havia 
operado durante anos. Steve não estava ciente de que a sua 
carne governava a sua alma desta forma. Na realidade, ele 
estava operando no mesmo estilo carnal que o irmão mais 
velho (Lucas 15).
Por causa do sentimento consciente da falta de valor, 
o orgulho operou na carne de Steve para exaltá-lo aos olhos 
de Deus e aos o lhos dos ou tros . Ele tam bém , 
inconscientemente, acreditava que o amor, a estima e a honra 
eram obtidas no desempenho.
Assim, Steve foi levado e guiado pelo medo para 
trabalhar longas horas no ministério. Ele realmente tornou-se 
um “ministroholic” para Jesus e cria que, ao fazer isso, estava 
sendo diligente e obediente ao Senhor. Ele não percebia que 
não estava sendo motivado para tal obra pelo Espírito de Deus 
no seu espírito, mas pela sua carne, que buscava obter amor 
e estima de Deus e dos outros ao seu redor.
Freqüentemente, Steve se comprometia com os outros 
porque dese java ag radá -los e ser sensíve l às suas 
necessidades. Algumas vezes ele dizia: “Eu te ligo”, quando 
sabia que não teria tempo para tal compromisso. A sua carne 
o enganava a ponto de levá-lo a acreditar que, mais tarde, po­
dia apenas dizer à pessoa que ele não pôde cumprir com o 
que havia prometido.
Na verdade, ele estava mentindo para as pessoas 
porque não queria desapontá-las ou não queria dar a aparência 
de que não se preocupava com elas. Tudo isso provinha de 
uma imagem falsa de que ele não era estimado e honrado por
157
Enganado? Eu?
Deus ou pelos outros e de que era sem importância e de pouco 
valor.
A diferença básica entre Steve e o irmão mais velho é 
que, quando Steve ouviu a verdade sobre a carne estar 
governando a sua vida de tal maneira, ele não rejeitou a 
verdade, nem reagiu com mais orgulho e rebelião, nem passou 
para outro estilo. Pelo contrário, ele recorreu ao seu Pai Ce­
lestial e pediu-Lhe que lhe revelasse a verdade da questão. 
Ao orar, o Espírito Santo lhe revelou a operação da serpente 
no seu interior. Ele se arrependeu, pediu o perdão de Deus e 
começou a permitir que a sua mente fosse renovada para a 
verdade.
Porém, uma pessoa pode endurecer o seu coração, 
continuar operando no mesmo estilo e tentar a todo custo obter 
o amor e a estima por meio das boas obras. Essa pessoa 
pode escolher “arrepender-se” ao passar para outro estilo de 
domínio carnal.
Ela pode cair na autopiedade e retrair-se ou cair na 
rebelião aberta do estilo três. Neste caso, ela diria: “Sei quão 
diligente, obediente e justo tenho sido, e não me importo se 
Deus ou qualquer outra pessoa reconheça isso. Sei que 
mereço honra e estima.” Ela se rebelaria contra aqueles que 
a machucaram ao cortar os relacionamentos e ao se recusar 
a se relacionar, opondo-se abertamente, ou ao fazer as duas 
coisas.
Quando a pressão negativa ou as circunstâncias se 
levantam contra a pessoa cuja carne opera no primeiro estilo, 
ela pode reagir de várias formas e de diferentes maneiras. A 
forma correta, é claro, é recorrer ao Senhor e pedir-Lhe uma 
revelação de como a serpente, que está em nossa carne, nos 
engana e faz com que semeemos algo, cujos resultados 
podemos estar colhendo hoje. Ao recebermos a revelação, 
podemos nos arrepender de todo um estilo de operação e 
começarmos a ser purificados, limpados e curados.
158
Capítulo 8
O Segundo Estilo de Operação Carnal
Este segundo estilo é caracterizado como:
Experiência do Medo Experiência do Ser
Identidade Bem -estar 
Sem valor Necessidades 
não supridas
Auto-lmagem 
do Prumo
1. Inconsciente Inconsciente Alguém
esperança-vitória-vencedor
Ao andar nesse estilo carnal, um crente acredita: “Sou 
importante e valioso. Sou um alguém, por causa de quem eu 
sou e do que eu faço. Posso continuar sendo um alguém ao 
continuar o que estou fazendo agora e ao fazer coisas ainda 
maiores no futuro. Terei vitória em minha vida e serei um 
sucesso.” Vamos supor que o cristão que anda nesse segundo 
estilo se chame “Sue” .
Sue recebeu, no profundo de sua alma, a mensagem 
de que Deus não a ama de verdade, e, assim, sua vida não é 
importante e suas necessidades não são supridas. Porém, 
ela não está consciente desses dois tipos de medo que operam 
nela. Ela crê que é valiosa, digna e importante. Sue diz que 
isso é por causa de Jesus em sua vida e dá todo o crédito do 
seu sucesso a Deus. A verdade é que ela se sente valiosa por 
quem ela é e por aquilo que ela fez ou faz.
Sem que percebesse, Sue colocou a confiança e a 
segurança em si mesma. Entretanto, ela acha que ambas as 
coisas estão depositadas em Jesus Cristo e que ela confia na 
Palavra de Deus. Na realidade ela está confiando na sua própria
159
Enganado? Eu?
capacidade de compreender a Palavra de Deus. Ela acha que 
está confiando na revelação de Deus, mas ela está confiando 
na sua própria capacidade de receber a revelação de Deus. 
Ela acha que está confiando na justiça de Jesus dentro de si. 
Ela confia em sua própria capacidade de andar em justiça. 
Essas coisas parecem ter diferenças sutis, mas são, na 
realidade, a diferença entre confiar em Deus e confiar em si 
mesmo.
Pelo fato de Sue estar andando no segundo estilo de 
domínio carnal, ela considera seu relacionamento com Deus 
da seguinte forma: “Deus está contente comigo. Deus me 
honra, me estima e me valoriza. Ele está me abençoando.” 
Ela crê que Deus a está tratando de maneira justa e declara 
com seus lábios que Ele a está abençoando devido ao Seu 
amor e misericórdia. Mas ela realmente crê no seu coração 
que tudo isso se deve a sua retidão e obediência a Deus.
Para as outras pessoas, Sue aparenta ser muito segura 
e autoconfiante. Ela também acha isso e acha que é confiante 
e competente. Ela não está consciente do medo de que suas 
necessidades não sejam supridas, pois, geralmente, suas 
necessidades são supridas numa medida substancial. Por 
causa de sua confiança e competência, Sue consegue que 
suas necessidades sejam supridas. Ela é independente, tem 
iniciativa enão espera as coisas acontecerem. Ela faz as 
coisas acontecerem. Na realidade, Sue confunde a criatividade 
de sua própria mente humana com a direção do Espírito Santo.
Como o crente que opera no primeiro estilo, Sue 
freqüentemente se compara com outros. Ela também precisa 
ter a certeza de que é superior aos outros com quem escolheu 
com petir. Pelo fa to de o seu va lo r como pessoa ser 
determinado em sua mente pelas conquistas, Sue é guiada 
por sua carne para superar cada área em que escolheu 
empenhar-se. No geral, ela simplesmente não se empenha 
para competir ou executar em áreas que ela não esteja certa 
(antecipadamente) de que possa vencer.
Geralmente, a pessoa que opera nesse segundo estilo 
aparenta ser bem-sucedida aos outros. Ela sempre se mantém
160
Capítulo 8 - Estilos de Operação Carnal
distante dos outros e não se abre muito para falar de seus 
sentimentos verdadeiros. Ela discute visões e projetos com 
os outros, mas, no geral, não está disposta a colocar-se numa 
posição vulnerável para que os outros vejam quem ela é de 
verdade. Ela tem medo de que os outros vejam qualquer área 
em que ela não seja competente ou confiante, pois precisa 
sentir-se superior às pessoas ao seu redor para que não 
experimente o medo da morte da sua identidade pessoal. 
Geralmente, as pessoas sentem-se intimidadas pelo ar de 
“confiança e competitividade” que rodeia a pessoa que opera 
nesse estilo.
Esse cristão está sempre muito ocupado executando 
“a obra do Senhor”. É muito fácil para ele intimidar de imediato 
as pessoas que, ao seu ver, estão atrapalhando o seu caminho 
na realização dos “propósitos de Deus”. No geral, essa pessoa 
é bem insensível às necessidades dos outros, pois ela é guiada 
para conquistar e está focada no cumprimento dos objetivos. 
Pelo fato de essa pessoa ser forçada a conquistar e a superar 
as pessoas, freqüentemente, ela machuca os sentimentos dos 
outros ao seu redor e faz com que sintam que ela não se importa 
com eles.
Esse cristão pode ser bem crítico aos outros e, 
freqüentemente, sarcástico. O seu humor geralmente baseia- 
se às custas de alguém. Ele, constantemente, manipula as 
pessoas e as circunstâncias, especialmente ao rebaixá-las 
sutilmente por meio do humor, da crítica e do sarcasmo com o 
propósito de se exaltar. Essa pessoa é, geralmente, otimista 
e, raramente, deprimida.
A pessoa que opera no segundo estilo do controle car­
nal não sente o medo da desvalorização. Conseqüentemente, 
o orgulho a motiva a confiar em si mesma e nas suas 
conquistas para gerar para si valor e estima.
A rebelião geralmente opera nessa pessoa de maneira 
pública e aberta. Por sentir-se que é um alguém, se ela for 
contrariada ou tratada “injustamente” , ela se oporá ou fugirá 
do relacionamento.
No geral, essa pessoa se aproximará das autoridades
161
Enganado? Eu?
em sua vida por ter a habilidade de agradá-las e obter seu 
favor e estima por meio de suas realizações. Ela espera que 
as pessoas a estimem, pois, conscientemente, ela crê que 
possui valor e é digna de estima e, geralmente, é isso o que as 
pessoas demonstram.
No período em que Jesus viveu na terra, havia um judeu 
na Palestina que era dominado por esse segundo estilo de 
operação carnal. Enquanto esse homem crescia, ele era guiado 
pelo orgulho de superar cada área de suas conquistas. O desejo 
mais profundo do seu coração era servir a Deus e ser o melhor 
para o seu Deus. Esse homem se considerava especialmente 
abençoado, pois ele não era apenas um judeu, um dos 
escolhidos de Deus, mas ele também era de uma família judia 
abastada, de uma das tribos de líderes e nascera numa família 
considerada santa e que guardava a lei. Todas as ordenanças 
apropriadas da circuncisão, do bar mitzvah e de outros direitos 
e mandamentos judaicos haviam sido realizadas na família 
desse homem no tempo certo e da maneira certa. A sua 
família via que todas as áreas de importância estavam sendo 
supridas. Esse homem, sem dúvida nenhuma, se sentia muito 
afortunado de ser da nação escolhida de Deus, de ser de uma 
tribo líder e de nascer numa família de prestígio que foi treinada 
para guardar a lei de Deus desde o nascimento. Como se não 
bastasse, também foi-lhe concedida a cidadania romana.
Ele tinha tudo para vencer na vida. E não foi surpresa 
quando, ao crescer, ele superou todos os seus 
contemporâneos. Ele sentia que não era apenas uma pessoa 
afortunada que tinha tido todas as oportunidades. Ele criou as 
oportunidades. Esse homem não ficava sentado e esperando 
que as portas se abrissem para ele, mas ele deu todos os 
passos necessários e fez com que as portas se abrissem. 
Ele tornou-se rapidamente um líder fariseu em toda a Judéia, 
extremamente zeloso por Deus e pela preservação da lei de 
Deus.
Considerando-se superior em todos os aspectos, esse 
homem se achava mais justo, mais zeloso, mais estudado, 
mais criativo, mais determinado e ele realizou mais em sua
162
Capítulo 8 - Estilos de Operação Carnal
vida do que seus contemporâneos. Se isso não tivesse 
acontecido, ele teria feito o que fosse necessário para que 
acontecesse.
Depois da ressurreição de Jesus, quando ele tomou 
conhecimento dos seguidores de Jesus, que promoviam a idéia 
de que a justiça vinha através da expiação de Jesus, e não por 
meio da lei judaica, ele determinou, em seu coração, que 
aniquilaria totalmente tal ensino e as pessoas que o seguiam. 
Ele acreditava que esse grupo de cristãos estava tentando 
destruir e afastar as pessoas de tudo o que era bom, justo, 
santo e precioso.
A identidade e o valor pessoal desse homem estavam 
sendo desafiados pelo ensino dos cristãos, pois, no seu inte­
rior, ele duvidava do amor de Deus por ele e ele havia acreditado 
que a sua posição e conquistas lhe traziam o valor, a estima e 
a honra. Ao ser desafiado pelos seguidores de Jesus, o medo 
de não ser valorizado e de não ter suas necessidades supridas 
tornou-se mais intenso. Conseqüentemente, o orgulho e a 
rebelião se levantaram em grande intensidade enquanto ele 
buscou exaltar a si mesmo, suas crenças e o seu “grupo” , 
que era contra os cris tãos. Em rebelião, ele se opôs 
abertamente aos cristãos e jurou exterminá-los. Sem dúvida 
nenhuma, o Espírito Santo estava falando com esse homem, 
mesmo durante esse tempo, mas ele não podia escutar Deus 
por causa da rebelião que operava no seu interior.
Finalmente, esse homem nasceu de novo quando 
conheceu Jesus numa visão, na estrada para Damasco. Ele 
era o Apóstolo Paulo. No terceiro capítulo dessa carta aos 
filipenses, ele descreve a sua antiga fé e a confiança em suas 
própria capacidade, no seu status e conquistas.
“Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro 
pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao 
oitavo dia, da linhabem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de 
hebreus; quanto à lei, fariseu, quando ao zelo, perseguidor da igreja; 
quanto à justiça que há na lei, irrepreensível." (Filipenses 3:4-6)
163
Enganado? Eu?
Nos versículos 7 a 9, Paulo nos diz como ele se 
arrependeu de todo esse estilo de operação carnal. Ele 
considerou as coisas nas quais confiara no passado como 
lixo. Ele parou de se identificar com sua vida antiga e buscou 
identificar-se apenas de acordo com a verdade do homem 
espiritual que Deus havia criado. Ele conheceu e experimentou 
o amor de Deus por ele e confiou nesse amor.
Entretanto, apesar do novo nascimento e da substancial 
renovação da mente, havia ainda um estilo de operação car­
nal baseado na velha imagem do prumo falso na qual ele 
continuou operando de tempo em tempo. A característica 
básica desse estilo de andar carnal foi a exaltação de si em 
orgulho, por meio da confiança em si mesmo, nas suas 
próprias habilidades e no seu status. Em 2 Coríntios 12:7-9 
percebemos que essa serpente continuava operando em Paulo 
e trazendo morte em certas áreas da sua vida.
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, 
foi-me posto um espinho na carne, mensageirode Satanás, para me 
esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes 
pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha 
graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa 
vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim 
repouse o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12:7-9)
Paulo recebeu uma tremenda revelação de Deus. 
Porém, ele escorregou de volta para o antigo corte, ainda 
presente no seu coração, que o motivava a acreditar que ele 
era realmente mais especial do que as outras pessoas para 
receber tal revelação. Ele começou a crer que essa revelação 
veio por causa do seu status como Paulo o Apóstolo e pela 
sua tremenda justiça, obediência a Deus e zelo por Deus. Esse 
orgulho que Paulo permitiu operar tornou-se a porta pela qual 
um mensageiro de Satanás tinha acesso e o atormentava.
Então, vemos que, embora Paulo tenha caminhado 
tanto tempo e de form a tão intensa com o Senhor, ele 
continuava sujeito a ser enganado pela serpente em sua carne
164
Capítulo 8 - Estilos de Operação Carnal
e a se afastar do espírito, permitindo que a sua alma fosse 
presa e dominada pela sua carne. O prumo falso, o medo e a 
reação de orgulho contra o medo eram os mesmos que haviam 
operado nele antes de nascer de novo.
O segundo estilo do andar carnal pode, algumas vezes, 
ser bem sutil, e as pessoas ao redor da pessoa que opera 
nesse estilo podem não discernir que ela está andando, 
inconscientemente, na carne.
O segundo estilo carnal pode ser, algumas vezes, bem 
sutil e o fato de uma pessoa andar, inconscientemente, na 
carne, pode passar despercebido às pessoas que estão ao 
seu redor. Pode ser que elas mesmas enganaram a si próprias 
e acham que a outra pessoa está no espirito. Na verdade, 
grandes líderes espirituais andam nesse estilo e conduzem 
parte de seus ministérios mais no estilo de domínio carnal do 
que em quaisquer outros estilos.
Quando a pressão negativa é aplicada a um cristão 
que anda nesse segundo estilo ca rna l, dessa form a 
intensificando o medo, tal pessoa intensificará o orgulho e a 
rebelião para lidar com o medo e a dor. Porém, ela pode também 
tentar abandonar esse estilo e tentar qualquer outro dos três 
estilos. Se tal pessoa continuar acreditando que está certa e é 
justa, mas, se as circunstâncias, Deus, os outros ou o diabo 
forem muito poderosos e ela não puder vencê-los, pode ser 
que ela desista e passe para o quarto estilo.
Vamos olhar para um exemplo do Vellho Testamento 
de uma pessoa que operava no segundo estilo.
“Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora seja 
eu íntegro, ele me terá por culpado. ” (Jó 9:20)
Jó declara aqui que ele é justo e Deus é injusto porque 
Ele condena o íntegro. Com a aflição de Jó o medo foi 
g randem ente in ten s ificad o e o o rgu lho e a rebe lião 
correspondentes também foram intensificados. Além disso, 
Jó decidiu que o segundo estilo não era adequado para lidar 
com a situação e decidiu tentar o quarto estilo. No decorrer de
165
Enganado? Eu?
quase todo o livro, Jó fala com grande orgulho e rebelião crendo 
que ele é justo e bom e é um alguém por causa dessas 
qualidades, mas não consegue vencer e ser bem-sucedido. 
Sabemos, é claro, que não era Deus, mas Satanás que estava 
trazendo morte e destruição à vida de Jó. Van Gayle escreveu 
um livro excelente Jó - A História da Redenção, o qual eu 
recomendo a qualquer um que tenha questionam entos 
relacionados a esse assunto.
Antes da aflição, creio que o capítulo 29 de Jó nos 
revela como ele estava andando na carne de acordo com o 
segundo estilo. Ele achava que era um alguém e que a sua 
confiança em si mesmo estava produzindo frutos. Jó fora 
temporariamente bem-sucedido e tinha uma esperança e 
expectativa de continuar bem-sucedido e vitorioso no futuro. 
Os versículos seguintes do capítulo 29 revelam como Jó 
costumava enxergar a si mesmo e a sua vida antes da aflição.
"Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça, 
quando eu, guiado por sua luz, caminhava pelas trevas; como fui nos 
dias do meu vigor, quando a amizade de Deus estava sobre a minha 
tenda; Ouvindo-me algum ouvido, esse me chamava feliz; vendo-me 
algum olho, dava testemunho de mim; porque eu livrava os pobres 
que clamavam e também o órfão que não tinha quem o socorresse. A 
bênção do que estava a perecer vinha sobre mim, e eu fazia rejubilar- 
se o coração da viúva. Eu me cobria de justiça, e esta me servia de 
veste; como manto e turbante era a minha eqüidade. Eu me fazia de 
olhos para o cego e de pés para o coxo. Dos necessitados era pai e 
até as causas dos desconhecidos eu examinava. Eu quebrava os 
queixos do iníquo e dos seus dentes lhe fazia eu cair a vitima. Eu 
dizia: no meu ninho expirarei, multiplicarei os meus dias como a areia. 
A minha raiz se estenderá até às águas, e o orvalho ficará durante a 
noite sobre os meus ramos; a minha honra se renovará em mim, e o 
meu arco se reforçará na minha mão. Os que me ouviam esperavam 
o meu conselho e guardavam silêncio para ouvi-lo. Havendo eu falado, 
não replicavam; as minhas palavras caíam sobre eles como orvalho. 
Esperavam-me como â chuva, abriam a boca como à chuva de 
primavera. Sorria-me para eles quando não tinham confiança; e a luz 
do meu rosto não desprezavam. Eu lhes escolhia o caminho, 
assentava-me como chefe e habitava como rei entre as suas tropas,
166
Capítulo 8 - Estilos de Operação Carnal
como quem consola os que pranteiam." (Jó 29:3-4,11 -25)
Os acusadores de Jó não estavam escarnecendo dele 
porque Deus havia perdido o controle e estava afligindo-o. Jó 
estava s im p lesm ente co lhendo as conseqüências do 
julgamento que ele semeou. Ele tratara outros homens como 
a escória da terra, que nem eram mesmo dignos de viverem 
com seus cães pastores. Jó estava colhendo os frutos desse 
julgamento. Ele estava experimentando a morte que sempre 
ocorre quando andamos na carne.
No capítulo 42, Jó, finalmente, recebeu o conhecimento 
da revelação de Deus e se arrependeu. Durante toda a sua 
aflição, ele tentou “descobrir” a solução usando o raciocínio 
lógico humano. Ele interpretou as circunstâncias erradamente 
e, é claro, tirou conclusões erradas. Finalmente, nos versículos 
5 e 6 do capítulo 42, ele recebeu a revelação de Deus. Pela 
primeira vez, Jó viu a verdadeira imagem de Deus e de si através 
da revelação no espírito. Antes, ele tinha apenas visto e ouvido 
Deus por meio de uma imagem falsa da sua mente natural.
"Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por 
isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza." (Jó 42:5-6)
Sou bem familiarizado com esse segundo estilo car­
nal porque o Senhor me mostrou que esse é o estilo por meio 
do qual o meu pecado em minha carne tem a tendência de 
operar. No primeiro capítulo, compartilhei uma experiência que 
tive quando o Senhor começou a lidar comigo sobre minhas 
críticas a outras pessoas. Aprendi mais tarde que essa não é 
uma manifestação isolada da minha carne, mas apenas uma 
manifestação superficial de todo um estilo de vida carnal. As 
críticas estavam enraizadas no orgulho e operavam em mim 
sem que eu tivesse consciência. O orgulho era uma reação 
carnal ao meu medo de não ter valor e, em última análise, de 
não ser amado por Deus.
A mentira que contei a Christy sobre o meu encontro 
com Marilyn e a mentira que quis contar a Jan sobre o porquê
167
Enganado? Eu?
do meu atraso foram manifestações superficiais do meu andar 
carnal e foram resultados do envenenamento da serpente em 
minha alma. Isso resultou em imagens falsas do prumo que 
haviam endurecido o meu coração. Essa foi a revelação que o 
Senhor desvendou por meio de minha amiga Jean, quando 
estávamos viajando na Polônia. Ao descobrir a forma como eu 
estava intimidando minha esposa, ensinando a Palavra na minha 
própria força e sabedoria, criticando outros e, geralmente, 
operando em muito orgulho, o Senhor começou a desvendar 
todo esse estilo de operação da minhacarne.
Quando reconheci a verdade da minha operação 
nessas coisas, comecei a pedir ao Senhor que me revelasse 
como a minha carne havia prendido a minha alma, motivando- 
me a andar na carne e confiando em mim mesmo, enquanto 
eu pensava que estava confiando em Deus.
O Senhor me mostrou que, quando eu era um garotinho, 
aprendi a não confiar em outras pessoas para suprir minhas 
necessidades. Decidi que, se eu tivesse que fazer alguma coisa 
e se meus objetivos tivessem que ser realizados, eu seria a 
melhor pessoa em quem confiar. Eu decidi que não tinha 
necessidade de depender de outras pessoas ou de confiar 
nelas, pois eu era a pessoa mais fidedigna e confiável para 
alcançar meus objetivos e propósitos, os quais , desde que eu 
nascera de novo, eu cria que eram os objetivos e propósitos 
de Deus.
O Senhor me mostrou que, no orgulho, eu havia 
reba ixado e m enosp rezado pessoas que não eram 
competentes e confiantes nas mesmas áreas nas quais eu 
era co n fia n te . Para que eu não expe rim e n ta sse 
conscientemente a falta de valor e dignidade, o orgulho me 
guiou a ser o melhor em tudo o que eu havia escolhido fazer 
em toda a minha vida. Se eu pudesse ser o melhor, então eu 
poderia continuar sendo exaltado (no orgulho) aos meus olhos 
e aos olhos dos outros (assim eu pensava). 
Conseqüentemente, descobri que, se eu escolhesse fazer 
coisas exóticas, seria mais fácil competir e ser o melhor.
No ginásio, gastei muitas horas treinando para ser um
168
Capitulo 8 - Estilos de Operação Carnal
piloto comercial competente e sobrevoando as Montanhas 
Rochosas. Ninguém em minha escola sabia, nem ao menos, 
pilotar um planador, por isso, eu era o melhor. No colegial, eu 
gastava o meu tempo livre em quedas livres, balões e aviões. 
Poucos, com a minha idade, podiam competir comigo nessas 
áreas.
O Senhor me revelou que, por toda a minha vida, eu 
simplesmente evitei lidar com áreas nas quais eu não podia 
ser o melhor por meio da minha capacidade natural. Eu escolhi 
atividades exóticas nas quais a competição era menor. Isso 
foi motivado pelo meu orgulho a pela minha confiança em mim 
mesmo como uma reação do medo de não ser honrado e 
estimado e da falta de valor. Fui capaz de criar valor e estima 
por mim mesmo aos olhos dos outros através das minhas 
próprias idéias “brilhantes” e das minhas habilidades.
Deus me mostrou que, mesmo depois de eu ter nascido 
de novo, esse mesmo estilo de vida carnal continuou em mim 
e influenciou o meu andar com o Senhor. Por eu nunca ter 
realmente aprendido a confiar nos outros e a depender deles, 
eu pensei que era mais competente e confiável do que qualquer 
outra pessoa para suprir m inhas necessidades e meus 
objetivos. Eu também não confiava no Senhor nem dependia 
Dele. Sempre pensei que confiava Nele, mas o Senhor me 
mostrou que eu confiava em meus próprios conceitos e 
habilidades. Eu ainda escolhia áreas exóticas de ministério (por 
trás da C ortina de Ferro, e tc .) para que ou tros se 
impressionassem.
Não estou dizendo que Deus me mostrou que esse 
ministério na Europa Oriental, que aprender russo, voar ou 
qualquer outra atividade dessas era errado. Ele apenas me 
revelou que a motivação no meu coração emanava do pecado 
em minha carne, e não da justiça no meu espírito. Essas coisas 
todas motivavam o meu orgulho e o meu desejo de exaltar- 
me, de ser aceito por Deus e pelos outros através das obras 
que, na realidade, eram executadas pela criatividade e 
habilidade da alma. Eu sempre tinha uma medida de sucesso 
ao fazer essas coisas, e, assim, pensava que era muito
169
Enganado? Eu?
espiritual e que “tudo estava bem”.
Porém, ao começar a olhar para os resultados e para 
a eficácia da minha vida e do meu ministério, vi que o fruto 
atual era bem limitado. Havia confusão e inconsistência. Eu 
tinha algum sucesso aqui e ali, mas nenhum resultado 
consistente. O Espírito Santo me mostrou que isso acontecia 
porque eu não estava dependendo Dele como eu achava, mas 
estava sendo compelido pelo orgulho para conquistar e estava 
dependendo da minha própria sabedoria humana. Mesmo 
quando eu recebia revelação e direção de Deus, eu confiava 
na minha sabedoria e nas minhas habilidades para executar o 
plano.
“Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de 
sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo 
contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento 
faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta 
não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e 
demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão 
e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, 
primeiramente, pura, depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de 
misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento.”
(Tiago 3:13-17)
O Espírito Santo chamou a minha atenção para as 
frases: “sentim ento facc ioso” e “sabedoria lá do a lto ” , 
relacionadas à minha vida cristã.
Enquanto o Espírito Santo me convencia dessas coisas, 
eu me arrependia de cada aspecto, reconheci cada um como 
pecado, pedi perdão e recebi a purificação pelo sangue de 
Jesus Cristo. Porém, pelo fato de as imagens falsas serem 
“cortes” profundos em minha alma, esse estilo de vida carnal 
não desapareceu instantânea e totalmente. Esses cortes ainda 
continuam no processo de serem preenchidos e encobertos. 
A minha mente e as minhas emoções continuam sendo 
renovadas para a Verdade. Mas, louvado seja o Senhor! Todo 
esse estilo do caminhar na carne foi-me exposto e eu posso
J70
Capítulo 8 - Estilos de Operação Carnal
agora andar na luz (1 João 1:7), arrepender-me e ser purificado 
cada vez que o Espírito Santo me pegar andando em orgulho 
ou incredulidade. Antes, o engano era tão poderoso que eu 
nem sabia que estava andando na carne. Agora, estou aberto 
para receber a revelação de Deus e Ele pode me mostrar 
quando eu ando na carne. Toda vez que eu a vejo operando, 
eu me arrependo e me torno cada vez mais livre. Glória a Deus 
pelo poder redentor do Sangue de Jesus Cristo.
171
Capítulo 9
O Terceiro Estilo de Operação Carnal
O terce iro e o quarto estilo de operação carnal 
geralmente desenvolvem-se a partir do primeiro e segundo 
estilos.
Uma pessoa passa do estilo um para o estilo três, ou 
do estilo dois para o estilo quatro, quando o medo foi 
suficientemente intensificado para convencê-la de que ela não 
consegue vencer e de que ela não conseguirá ser bem- 
sucedida ou vitoriosa.
Enquanto nos estilos um e dois a pessoa tem suas 
necessidades bem supridas, resultando em mais orgulho para 
obter valor, nos estilos três e quatro a pessoa não tem suas 
necessidades supridas, perdendo a esperança de vencer e 
utilizando da rebelião para lidar com o medo.
O orgulho e a rebelião sempre operam em níveis que 
variam em todos os quatro estilos.
Quando uma pessoa opera no estilo um e perde a 
esperança de vitória e de ser valiosa, ela passa para o estilo 
três. O terceiro modelo é caracterizado abaixo:
Experiência do Medo Experiência do Ser
Identidade Bem -estar Auto-lmagem
Sem valor Necessidades do Prumo
não supridas
1. Consciente Consciente Ninguém
deseperança-derrota-perdedor
Ao andar no terceiro estilo carnal, um crente crê: “Não 
sou importante, não sou ninguém. Não posso vencer na vida.
173
Enganado? Eu?
Sou sempre derrotado por Deus, pelo “sistema”, por mim 
mesmo, pelos outros , pelo diabo, pelas circunstâncias. Estou 
condenado a essa vida terrível e sempre serei um ninguém. 
Nunca vencerei, por isso, não adianta me esforçar.”
O crente que anda nesse estilo sente-se condenado a 
um estilo de vida em particular, pois “a vida é simplesmente 
assim” . A mente dessa pessoa tem uma habilidade incrível de 
criar situações com duas alternativas negativas. Estar 
condenado em ambos os casos: “Se eu fizer, saio perdendo. 
Se eu não fizer, saio perdendo.” (Por exemplo, “Se eu não der 
duro no trabalho, não conseguirei ir bem financeiramente. Se 
eu continuartrabalhando muito para o patrão, minha esposa 
se divorciará de mim.”)
Vamos chamar o crente que vive no terceiro estilo car­
nal de “Karen” . Karen vive sob muitos fardos. A vida não é 
muito prazerosa para ela, mas ela crê que é assim que as 
coisas são. Esses fardos são a “cruz” que ela suporta para o 
Senhor. Ela não percebe que essas cargas são simplesmente 
resultados da morte em sua alma provocada pelo estilo de 
vida carnal.
A imagem falsa em que Karen anda faz com que ela 
enxergue Deus como se Ele não estivesse satisfeito com ela. 
Ela não tem apenas a consciência da sua desvalorização, mas 
está convencida de que, por causa disso, não merece uma 
vida melhor. Como qualquer pessoa que anda num estilo car­
nal, ela duvida do amor de Deus e está convencida de que o 
Seu amor e a Sua estima provêm do desempenho. Pelo fato 
de ela não ter desempenhado muito bem e de estar convencida 
de que não consegue desempenhar bem o suficiente para 
agradar a Deus ou para obter o Seu amor e favor, Karen está 
certa de que nunca será muito espiritual ou abençoada por 
Deus. Karen sente-se tão inútil e terrível que chega a sentir 
que Deus a considera da mesma forma. Ela pensa: “Sou inútil 
e ruim. Não sou justa ou espiritual. Não mereço ser amada. 
Deus não poderia me amar. Eu, constantemente, estrago tudo. 
Tenho certeza de que as circunstâncias negativas em minha 
vida são resultado da punição de Deus por eu não ser mais
174
Capítulo 9 - Estilos de Operação Carnal
espiritual e obediente.”
Por último, pode ser que Karen pare de tentar se 
relacionar com o Senhor por achar que: “Ele nunca me ajudou, 
então porque continuar tentando?” Satanás opera nesse estilo 
de pensamento carnal e tem uma oportunidade bem maior de 
levar uma pessoa ao alcoolismo, ao vício de drogas e ao 
suicídio do que a qualquer outro estilo.
Freqüentemente, as pessoas que vivem nesse estilo 
tiveram um pai muito dominador ou uma mãe que agia, 
constantemente, de maneira arbitrária e que raramente se 
agradava dos filhos. Freqüentemente, também, essas pessoas 
podem ter crescido com um irmão ou irmã que operavam no 
estilo um ou dois, que eram guiados para conquistar e vencer, 
geralmente às custas dos irmãos. Em geral, o crente que anda 
nesse estilo carnal sente que Deus sempre ajuda e abençoa 
os outros, mas nunca ele mesmo. Ele conclui que Deus não o 
ama ou, nem mesmo, gosta dele, e não é de espantar que ele 
não goste de si próprio.
Karen se considera sem valor, fraca e um capacho para 
os outros limparem seus pés. Ela opera na culpa, condenação 
e, conseqüentemente, na autopiedade. No seu interior há uma 
ira violenta contra Deus e outras pessoas que a “rejeitam e 
magoam”. Sua confiança em si mesma a coloca em grande 
temor, pois, muitas vezes, ela experimentou a desvalorização, 
incompetência e incapacidade de suprir as suas próprias 
necessidades.
Karen está muito irada e cheia de acusação contra 
Deus e outros por causa de sua pobre circunstância. Essa ira 
está enraizada na rebelião e é um mecanismo carnal para li­
dar com a culpa e o medo. A maior parte do tempo, ela se 
considera e se mostra aos outros como uma vítima das 
circunstâncias das outras pessoas e de Deus. Suas emoções 
são geralmente bem instáveis e ela está sujeita a enfurecer- 
se ou, talvez, em profunda depressão e autopiedade. Karen, 
freqüentemente, reclama e as pessoas ao seu redor raramente 
a agradam.
Ao identificar-se com a sua carne, Karen enxerga a
175
Enganado? Eu?
maioria das outras pessoas mais valiosas e importantes do 
que ela. Ela sente que os outros crentes são mais espirituais 
e estão mais próximos de Deus. Ela se sente inferior à maioria 
das pessoas ao seu redor em muitas áreas e recusa-se a 
competir com elas em qualquer área, pois ela não quer arriscar 
experimentar outra derrota. Se alguém tentar chamar a sua 
atenção para competir ou a encoraja a tentar algo novo, ela se 
afasta e pára ou interrompe o relacionamento.
As pessoas acham Karen quieta e reservada. Ela não 
se abre muito com os outros. Isso é geralmente verdade para 
aqueles que andam nesse estio carnal, mas há exceções. As 
pessoas podem, muitas vezes, aparentar extrovertidas e 
barulhentas e intimidar os outros com seu humor e piadinhas. 
Seja qual for o caso, essas pessoas não permitem que 
ninguém se aproxime delas a fim de que não descubram quão 
inúteis e desprezíveis realmente são e sejam rejeitadas. Elas 
temem grandemente serem rejeitadas, se alguém descobrir 
quem realmente são, assim como elas rejeitam a si mesmas. 
Essa expectativa de serem rejeitadas é o mesmo mecanismo 
usado para extrair um tratamento negativo dos outros.
Pelo fato de Karen estar faminta por amor e estima, 
ela, freqüentemente, exige amor e atenção dos outros com 
quem está desenvolvendo um relacionamento, mas ela 
mesma não está disposta a se comprometer a eles ou, 
realmente, a se abrir com medo de se machucar. Através das 
suas atitudes e ações, ela diz para os outros: “Prove que você 
realmente me ama incondicionalmente e eu me abrirei para 
você e te amarei também.” Essa exigência de um amor 
incond ic iona l dos outros faz com que eles se sintam 
desconfortáveis e se afastem. Ao fazer isso, essas pessoas 
ficam com m edo, reagem em rebe lião e fogem do 
relacionamento, confirmando, mais uma vez a Karen, sua 
expectativa de ser rejeitada e ser uma vítima da crueldade dos 
outros.
Jesus é o único que pode fornecer o amor incondicional 
a uma pessoa cem por cento do tempo. Buscar nos outros o 
amor que apenas Deus pode fornecer é uma motivação gerada
176
Capítulo 9 - Estilos de Operação Carnal
pelo orgulho, uma busca para ganhar respeito, estima e amor 
dos outros numa tentativa vã de preencher o vazio terrível da 
desvalorização e do medo existente dentro da alma.
A rebelião opera poderosamente em Karen, fazendo 
com que ela se afaste de Deus, dos outros e fuja de todos os 
relacionamentos potencialmente dolorosos. Para as pessoas, 
ela aparenta ser humilde e reservada e na maioria das vezes 
a rebelião opera nela de uma maneira encoberta. Por sentir- 
se um ninguém , Karen se sente ind igna de se ab rir 
publicamente com qualquer pessoa. Ela também não quer mais 
saber de ser rebaixada e derrotada, em vez disso, Karen 
simplesmente se afasta e se distancia dos relacionamentos. 
Mesmo quando o Senhor tenta, bondosamente, atraí-la para 
um relacionamento com Ele, o medo é tão intenso que ela 
geralmente se rebela contra o Senhor e se distancia ainda mais.
Karen sente-se condenada até mesmo ao ler a Bíblia. 
Uma vez, quando deixou de ler a Bíblia por três meses, ela 
decidiu tentar se levantar mais cedo e fazer o devocional com 
o Senhor. De alguma forma, ela se sentia culpada por não ter 
lido a Palavra durante um período tão longo, mas ela decidiu 
tentar. Ela se levantou e pensou: “Vamos ver. O que eu devo 
ler? Preciso de algo alegre e encorajador. Já sei, Salmos. 
Geralmente esse livro é bem encorajador. Vou começar com 
Salmos 1: ‘Bem aventurado o homem que não anda no 
conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, 
nem se assenta na roda dos escarnecedores! Antes o seu 
prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de 
noite’.”
Ela pensa: “Acho que é por isso que não sou 
abençoada. Sou ímpia. Sou uma pecadora e provavelmente 
uma escarnecedora também. O meu prazer não está na 
Palavra porque eu não a tenho lido há três meses e não medito 
nela dia e noite. Não é de admirar que a minha vida esteja 
essa bagunça. Sou inútil. Deus não consegue amar alguém 
que nem ao menos lê a Sua Palavra e que, com certeza, não 
tem prazer nela.”
Karen acaba se sentindo deprimida e desencorajada e
177
Enganado? Eu?
desiste de ler a Bíblia por mais três meses. Ninguém gosta da 
culpa e da condenação. Na realidade, essa reação é a rebelião 
operando na carne, reagindo ao medo da morte e, como 
resultado, criando a morte da alma que ela temia. Isso prova 
que o orgulho e a rebelião sempre geram a morte da alma.
Alguns capítulos atrás,eu falei sobre uma mulher, Terry, 
que me procurou para aconselhar-se sobre uma decisão 
profissional, mas descobriu que estava irada com Deus por 
Ele não lhe ter providenciado um marido. Sem perceber, Terry 
estava andando na carne de acordo com esse terceiro estilo. 
Esse modo de operação fez com que ela tivesse a expectativa 
de conhecer homens, maridos em potencial, que a rejeitassem 
e rompessem o relacionamento.
Pelo fato de ela não perceber que era valiosa e digna 
de amor, Terry esperava que os outros a considerassem dessa 
maneira. Na tentativa de conquistar amor e atenção de um 
homem com quem estivesse se relacionando, ela acabava 
afugentando-o.
Ao viajar por países estrangeiros, aconselhei Larry, uma 
pessoa que andava nesse estilo. Larry havia nascido de novo 
havia um ano e, por algum tempo, envolveu-se com o karatê. 
Por meio do estudo do karatê, Larry abriu a sua alma para ser 
afligido por um espírito demoníaco que ocasionalmente o 
controlava e provocava-lhe uma ira descontrolada. Ele temia 
que algum dia matasse alguém inconscientemente com essa 
raiva. Muitas vezes, Larry recebeu oração de libertação, mas 
esse espírito não o havia deixado.
Ao conversarmos, Larry me falou mais sobre sua vida. 
Ele tinha 19 anos e havia três ou quatro anos morava com 
sua namorada. Ambos haviam nascido de novo havia quase 
um ano. Naquele momento, o Espírito Santo confirmou a eles 
que deveriam se casar. Mas primeiro eles deveriam interromper 
o relacionamento sexual ilícito até o casamento. Eles estavam 
convictos daquilo havia oito meses, mas não fizeram nada até 
um mês antes de nossa conversa. Larry se sentia culpado e 
envergonhado perante Deus por ter sido tão vagaroso em 
obedecer a Ele.
178
Capítulo 9 - Estilos de Operação Carnal
Simultaneamente, Larry havia tentado estudar numa 
universidade, mas não passou nos testes por apenas três 
pontos. Pelo fato de não ter entrado na universidade, ele era 
agora obrigado a servir o exército e logo seria convocado. Além 
de tudo isso, sua namorada dava indícios de estar grávida.
O pobre Larry sentia-se como um homem que estava 
constantemente sendo perseguido por leões e ursos. Ele 
estava certo de que todas as circunstâncias negativas eram a 
punição de Deus pela sua desobediência. Ele também sentiu 
que era por isso que Deus não o libertava do espírito demoníaco 
que o afligia. Certo de que havia perdido a salvação, Larry me 
perguntou o que precisava fazer para ter o seu nome escrito 
no Livro da Vida. Sentindo-se sem valor e envergonhado 
perante o Senhor, Larry não conseguia se aproximar do Senhor 
por estar certo de que Ele o considerava da mesma forma que 
ele se considerava. Isso foi confirmado pela ausência da ajuda 
divina e pelas crescentes circunstâncias negativas.
Ao ministrar o amor de Deus a Larry, a verdade de 
quem ele era no espírito e o poder do sangue de Jesus, ele 
começou a ter esperança. Então, ele se arrependeu do medo 
de seu Pai Celestial e pediu que fosse purificado pelo sangue 
de Jesus. Enquanto estávamos orando, ele teve uma visão 
literal do sangue de Jesus sendo derramado em cima de sua 
cabeça, escorrendo pelo seu corpo, até que limpou e purificou 
cada célula.
D epois dessa v isão, Larry d isse : “S in to -m e 
completamente limpo.” Ele sabia que era santo, justo e puro 
em seu espírito, por causa do sangue de Jesus. Eu lhe disse: 
“Você tem autoridade no nome de Jesus para ordenar que o 
espírito demoníaco saia da sua vida de forma permanente.” 
Larry ordenou isso e sentiu um tremendo livramento.
Eu disse: “Larry, você pode confiar que o Senhor 
cuidará do seu bem-estar e ter a certeza de que Deus não 
criou essas circunstâncias negativas. Se você confiar no 
Senhor, as c ircunstânc ias podem todas ser m udadas 
completamente e você pode ter vitória em cada uma delas.”
Três meses mais tarde, tive a oportunidade de ver esse
179
Enganado? Eu?
jovem novamente. Ele estava estudando na universidade e não 
fora para o exército. Ele e sua namorada estavam casados e 
esperavam ansiosamente pelo nascimento de seu primeiro 
filho. Ele estava completamente livre do espírito demoníaco, 
que desde a sua libertação não retornara mais.
De alguma maneira, é comum que os cristãos que 
operam no te rce iro es tilo carna l a lte rnem d ife ren tes 
manifestações de orgulho e rebelião. Eles balançam de um 
lado para o outro como um pêndulo, passando da culpa, auto- 
piedade e condenação para a justificação, justiça própria e 
culpa. Quando eles estão bem emocionalmente, eles operam 
em orgulho externo (arrogância) e rebelião pública. Quando 
estão para baixo, operam em orgulho interno (autopiedade) e 
rebelião escondida. A morte, destruição e problemas continuam 
em ambos os casos. Mas, quando uma pessoa está “para 
cima” , os problemas são considerados “culpa de Deus” . 
Quando a pessoa está para baixo, o culpado pelos problemas 
é a própria pessoa.
Uma vez eu aconselhei um homem que chegou em 
meu escritório muito deprimido e desesperado. Harvey estava 
vivendo em tremenda morte na maioria das áreas da sua alma 
e tinha um profundo medo de sofrer mais morte. Ele sentiu 
que Deus estava totalmente contra ele e independente do que 
fizesse, ele nunca poderia obter o amor e o favor de Deus. 
Harvey estava perdendo muitas batalhas devido ao pecado 
escondido em sua vida e sentia-se totalmente culpado, 
condenado e sem esperança.
Ministrei o amor de Deus e o perdão na vida de Harvey, 
incluindo a verdade de quem ele era em Cristo, no seu espírito. 
Ele se arrependeu de confiar em si mesmo, de duvidar do amor 
de Deus e do medo, do orgulho e da rebelião.
Porém, em vez de permitir que o seu espírito lhe 
dissesse a verdade e governasse a sua alma, Harvey 
simplesmente mudou as manifestações exteriores de orgulho 
e rebe lião e con tinuou a cu lpar Deus por todas as 
circunstâncias negativas em sua vida. Mas, em vez de se 
sentir sem valor, Harvey decidiu: “Mereço um tratamento muito
180
Capítulo 9 - Estilos de Operação Carnal
melhor do que o que Deus tem me dado.” Ele estava orando, 
lendo a Bíblia e tentando servir a Deus. Ele estava fazendo a 
sua parte. Mas, até onde Harvey sabia, Deus estava sendo 
infiel. Qualquer problema era “culpa de Deus”, pois ele, Harvey, 
era “fiel e justo”.
Ao ministrar-lhe, apontei o orgulho e a rebelião que 
ainda estavam sendo manifestados na sua alma, apenas num 
estilo diferente. Eu lhe disse: “Você continua andando na carne 
e permitindo que o orgulho e a rebelião destruam a sua vida.” 
Então ele passou, imediatamente, para as técnicas carnais 
anteriores: “Você está certo”, ele reconheceu. “Independente 
do que eu faça, nunca posso agradar a Deus ou outra pessoa. 
Eu sempre falho. É por isso que Deus não me abençoa. É 
tudo minha culpa.”
O medo era tão intenso que foi muito difícil para ele 
liberar o controle da sua alma ao seu espírito. Toda vez que ele 
pensava que estivesse fazendo isso em arrependimento, ele 
estava, na verdade, apenas se arrependendo de certas 
técnicas carnais para lidar com o medo das pessoas. O medo 
continuava a motivá-lo, e, conseqüentemente, o orgulho e a 
rebelião ainda governavam a sua alma por meio de outras 
manifestações diferentes.
Quando o medo é intensificado na vida de um crente, 
se ele não se arrepender e se dirigir a Deus em espírito de fé, 
freqüentemente, ele pode tentar muitas variações de orgulho 
e rebelião para lidar com o medo achando que está se 
arrependendo. Na realidade, ele está apenas mudando as 
manifestações externas da sua carne.
Considere novamente um exemplo da Escritura de uma 
pessoa que opera nesse terceiro estilo carnal. O irmão do filho 
pródigo andou no primeiro estilo, enquanto o filho pródigo andou 
no terceiro. Ambos sentiam, conscientemente, que não tinham 
valor, mas o irmão mais velho acreditou que ele poderia tornar- 
se valioso ao ganhar o amor e a estima do pai, enquanto o 
caçula sentiu que não havia mais esperança de ganhar a 
competição do seu irmão e, assim, desistiu de continuartentando.
181
Enganado? Eu?
A única forma de o irmão mais novo lidar com o medo 
da morte na sua alma foi fugindo e escapando em rebelião 
das pessoas e circunstâncias “produtoras de morte”. Ele pediu 
a sua parte da herança e deixou a cidade. Ele viajou, em rebelião 
contra o seu pai e irmão, o mais distante possível da sua família 
e viveu um estilo de vida totalmente diferente do estilo de vida 
da sua família.
Essa rebelião acabou produzindo exatamente aquilo 
que ele temia: mais morte na sua alma, assim como pobreza 
e adultério.
Quando o filho pródigo finalmente retornou para o seu 
pai, ele ainda estava cheio de culpa, vergonha e medo. Porém, 
nessa parábola, Jesus nos dá um ótimo quadro de como Deus 
realmente enxerga cada um de nós, mas, especialmente, os 
cristãos que andam na carne de forma explícita. O pai correu 
para encontrar seu filho quando o avistou. Ele não queria que 
o filho ficasse constrangido na presença dos outros, então o 
vestiu com uma túnica cara, sandálias, e com o anel da família, 
símbolo de autoridade, antes que alguém o visse em seu 
estado original e deplorável.
Esse pai restituiu ao filho toda autoridade familiar e 
financeira e o honrou com uma grande festa, digna de um 
dignitário estrangeiro. É dessa forma que nosso Pai Celestial 
enxerga cada um de nós. Ele anseia e deseja nos honrar, 
estimar e derramar o Seu amor sobre nós. Ele deseja nos dar 
vida. Apenas a morte produzida pelo caminhar na carne nos 
impede de receber essa vida, honra e amor do Senhor.
Veja mais um exemplo no Velho Testamento de um 
homem que andava nesse terceiro estilo de vida carnal.
‘Então, veio o Anjo do Senhor, e assentou-se debaixo do carvalho que 
está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, 
estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas. 
Então, o Anjo do senhor lhe apareceu e lhe disse: O Senhor é contigo, 
homem valente. Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o Senhor 
é conosco, porque nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as 
suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos
182
Capítulo 9 - Estilos de Operação Carnal
fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora, o Senhor nos desamparou 
e nos entregou nas mãos dos midianitas. Então, se virou o Senhor 
para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos 
midianitas; porventura, não te enviei eu? E ele lhe disse: Ai, Senhor 
meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre 
em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. Tomou-lhe o Senhor: 
Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só 
homem. Ele respondeu: Se, agora, achei mercê diante dos teus olhos, 
dá-me um sinal de que és tu, senhor, que me falas. Viu Gideão que 
era o Anjo do Senhor e disse: Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo 
do Senhor face a face. Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo! 
Não temas! Não morrerás! Então, Gideão edificou ali um altar ao Senhor 
e lhe chamou de O Senhor É Paz. Ainda até ao dia de hoje está o altar 
em Ofra, que pertence aos abiezritas.” (Juizes 6:11-17,22-24)
Nesse tempo, os midianitas estavam oprimindo Israel. 
G ideão sentiu-se um ninguém. Ele não conseguia ver 
esperança de sucesso ou vitória. Quando o anjo chegou, 
Gideão estava simplesmente tentando sobreviver ao esconder- 
se dos inimigos na prensa de lagar. Imediatamente, o anjo se 
dirigiu a Gideão da maneira como Deus o via. Como um 
guerreiro valente. Naquela hora, o comportamento de Gideão 
não era de um guerreiro valente.
Gideão estava certo de que Deus não o amava. Se Ele 
o amasse, por que Ele permitiu que tal calamidade sobreviesse 
a Israel? (vs 13) Gideão estava cheio do temor da morte física 
e da alma. Ao olhar totalmente para si para suprir suas próprias 
necessidades, os olhos de Gideão estavam focados em si 
mesmo, em autopiedade. Ele disse: “Mesmo se Deus me 
amasse e estivesse comigo, eu sou um ninguém. Não posso 
fazer nada. A minha família é de uma tribo sem importância 
em Israel. Além disso, minha família é menosprezada e 
rebaixada, mesmo em nossa própria tribo. Além disso, sou o 
filho mais novo e sou o menos importante em minha família. 
Se você quiser libertar Israel, procure um homem melhor, de 
uma família melhor, de uma tribo melhor. Sou totalmente sem 
valor e incapaz. Sou um nada.”
No início, Gideão não percebeu que era um anjo do
183
Enganado? Eu?
Senhor que estava falando. Ao descobrir a verdade, no versículo
22, Gideão ficou convencido de que ele morreria. Finalmente, 
o Senhor conseguiu tirar Gideão do seu engano e das imagens 
falsas do prumo ao lhe falar constantemente a palavra da 
verdade. O anjo continuou insistindo: “Deus o favoreceu. Ele 
está contigo. Você é um guerreiro valente. Você é valioso e 
importante. Deus o usará.”
Podemos ver como o medo dentro de Gideão foi gerado 
pelas circunstâncias negativas, imagens falsas do prumo e 
mentiras sobre Deus e sobre si. Enquanto Gideão focava em 
si mesmo, na autopiedade, desvalorização e rebelião, o medo 
o motivava a andar no orgulho. Quando o Senhor encontrou- 
se com Gideão e lhe revelou a Sua vontade para a vida dele, 
Gideão se rebelou e se opôs a Deus e a Sua vontade.
Ao ser motivado pelo medo, no início, Gideão decidiu 
depositar a sua fé nas imagens falsas do prumo, em vez de 
depositá-la na verdade que Deus havia declarado. Esse foi o 
envenenamento da serpente. Glória a Deus! Gideão foi liberto 
ao ouvir a Palavra do Senhor, depositou fé naquela Palavra e 
em Deus e experimentou a verdade de quem Deus disse que 
ele era em vez de experimentar a verdade de quem ele 
acreditou e experimentou ser anteriormente.
184
Capítulo 10
O Quarto Estilo de Operação Carnal
O quarto estilo pelo qual um crente pode andar na carne 
é caracterizado pelo sentimento da pessoa como um alguém, 
mas sem a esperança de vitória ou sucesso na vida. Isso 
ocorre quando ela se convence, através de interpretação errada 
das palavras e experiências, de que sempre será derrotada 
pelas forças externas ao seu controle as quais são mais fortes 
do que ela. Esse quarto estilo carnal é caracterizado da 
seguinte forma:
Experiência do Medo Experiência do Ser
Identidade Bem -estar Auto-lmagem
Sem valor Necessidades do Prumo
não supridas
1. Inconsciente Consciente Alguém
deseperança-derrota-perdedor
Ao andar nesse estilo carnal, um crente acredita: “Sou 
um alguém, sou importante e tenho valor. Mereço ser tratado 
justa e adequadamente. Entretanto, não estou sendo tratado 
justamente e constantemente sou enganado e roubado. No 
momento não estou em vitória e nunca estarei, pois os outros 
(talvez Deus) estão contra mim e eu não posso vencer. É injusto 
e estou condenado a uma vida de derrota. Assim, se ‘eles’ 
(Deus ou outros) não jogarem o jogo justamente, então não 
jogarei no jogo deles.”
O “eles” nesse estilo de pensamento pode ser Deus, 
pais, chefes, cônjuges ou qualquer um com quem essa pessoa
185
Enganado? Eu?
tenha um relacionamento. Se as coisas não saíram tão bem 
como essa pessoa gostaria que saísse, então ela culpa Deus 
e os outros pelas suas circunstâncias negativas. Ela confia 
em si mesma e nas suas próprias habilidades e crê que fez 
todas as coisas necessárias para receber a bênção e a 
prosperidade de Deus em sua vida. Porém, pelo fato de essas 
coisas não terem funcionado e de ela não ter recebido a 
bênção, essa pessoa culpa Deus por Ele ser injusto e 
inadequado em Seus sentimentos.
Vamos chamar essa pessoa de “Ricardo” . Ricardo, 
como todas as pessoas que andam nos outros estilos carnais, 
duvida de que Deus o ame e acredita que o amor, a honra e a 
estima são recompensadas com base no desempenho. Ele 
acredita que desempenhou mais do que adequadamente e que 
ele é justo e merece o amor, a honra e a estima de Deus e dos 
outros. Por estar fazendo o possível para ser vitorioso e, 
mesmo assim, as circunstâncias não melhorarem, Ricardo 
sente-se frustrado e irado.
O grande temor de morte é gerado em sua vida porque 
Ricardo sesente à mercê das forças sobre as quais não tem 
controle. Elas são “muito mais poderosas” do que ele. Ricardo 
pensa que mesmo a oração, a confissão da Palavra e o nome 
de Jesus, aparentemente, não ajudam muito. Assim, um 
orgulho intenso e a rebelião operam em sua vida para lidar 
com o medo. Ele vive em grande justificação própria e confia 
em seu próprio raciocínio e habilidades. Ele está convencido 
de que ele é certo e está fazendo tudo o que deve fazer. Isso 
deveria funcionar. Mas não está funcionando. O resultado? Mais 
medo, pois o orgulho não está funcionando e Ricardo não pode 
exaltar-se sobre as circunstâncias. Ele se rebela contra 
qualquer pessoa ou coisa que o culpe pela sua situação 
negativa, e essa rebelião geralmente é evidente. Ele se oporá 
diretamente ou fugirá de qualquer pessoa ou circunstância que 
possam estar criando morte em sua vida.
A percepção de Ricardo é de que Deus é uma poderosa 
autoridade que é injusta e não o trata justamente. Deus não 
pode ser agradado. Não é possível ganhar o seu favor e a sua
186
Capitulo 10- Estilos de Operação Carnal
bênção. Ricardo observa Deus abençoando os outros que são 
bem menos justos e obedientes, mas Ele nunca o abençoa. 
Ele crê que Deus é realmente a fonte dos problemas e das 
circunstâncias negativas em sua vida. Para ele, isso é muito 
injusto. No seu interior, ele se sente bem frustrado e irado com 
Deus.
A sua carne o motiva a considerar-se justo e digno de 
valor e estima. Ele crê que tem valor por causa do seu status 
e do seu desempenho. Ele achou que essa justiça própria está 
em si e vem de si mesmo por causa de sua obediência e boas 
obras. Todas as vezes que Ricardo trabalha duro para alcançar 
um objetivo bom e correto, algumas outras pessoas, ou o 
próprio Deus (ele pensa), puxam o tapete debaixo dos seus 
pés para mantê-lo distante de cumprir com o objetivo. Ele não 
percebe que a verdadeira fonte da sua calamidade é a serpente 
venenosa que mora no interior do seu coração.
Enquanto Ricardo anda em rebelião contra Deus e 
contra outras pessoas, ele justifica a sua atitude de orgulho 
por meio da justiça própria. Ao considerar as pessoas ao seu 
redor da mesma forma que ele considera Deus, Ricardo sente 
que aqueles com quem ele se relaciona também o tratam 
in jus tam en te e sem o respe ito e a honra dev ida . 
Aparentemente, ele é sempre enganado e roubado pelos 
outros. Por causa do orgulho e da autojustificação, ele sempre 
usa a Palavra de Deus como uma lei nas vidas das pessoas 
ao seu redor (e a lei sempre gera morte). As pessoas com 
quem ele geralmente reage dessa forma tendem a se afastar 
dele para evitar a morte emocional da lei. Ricardo, cego, devido 
ao seu próprio orgulho, acredita que acabou de ministrar a 
Palavra de Deus. Se outra pessoa não o aceita e o rejeita por 
fazer esse tipo de coisa, então, ele está “sofrendo e sendo 
perseguido pelo amor de Cristo e do evangelho”. A verdade é 
que ele está sofrendo por causa da sua própria carne.
Pelo fato de suas necessidades não serem supridas e 
por se encontrar em grande temor, Ricardo, freqüentemente, 
estabelece exigências substanciais de compromisso, amor e 
honra àqueles que estão ao seu redor. Isso faz com que essas
187
Enganado? Eu?
pessoas fiquem com medo, pois elas não conseguem sup rir, 
suficientemente, as necessidades dele. Elas se afastam. 
Então, porque Ricardo fracassa em sua tentativa de orgulho e 
rebelião, ele interpreta essa atitude como um tratamento injusto 
e uma rejeição cruel.
Por julgar as pessoas que o rejeitam, ele espera que a 
maioria das pessoas o rejeite. A menos que a outra pessoa 
ande no espírito, Ricardo é capaz de fazer com que as pessoas 
o rejeitem. Toda vez que alguém ministra a verdade à pessoa 
que anda nesse quarto estilo, de que ela está andando na carne 
em orgulho e rebelião, ela pode negar, justificar-se e considerá- 
lo como “mais uma pessoa que não o entende”. Outra opção 
é que Ricardo possa verdadeiram ente ver a verdade e 
concordar com ela, mas trocar as manifestações de orgulho e 
rebelião pelas de culpa, condenação e autopiedade. Ele pode 
dizer: “Você está certo. É minha culpa e eu nunca vou servir 
para nada. Tudo o que faço é machucar os outros e a mim 
mesmo. Estou certo de que Deus desistiu de mim há muito 
tempo e é por isso que nada dá certo para mim.”
O melhor exemplo bíblico de uma pessoa que anda na 
carne nesse quarto estilo é Jó durante a sua aflição. Lembre- 
se de que, antes da aflição, Jó andava no segundo estilo car­
nal. Devido à experiência de aflição e do medo da morte física 
(física, material, relacional e da alma) Jó passou para o quarto 
estilo de maior orgulho exterior e rebelião aberta.
“Oh! Se a minha queixa, de fato, se pesasse, e contra ela, numa 
balança, se pusesse a minha miséria, esta, na verdade, pesaria mais 
que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras foram 
precipitadas. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim 
cravadas, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus 
se arregimentam contra mim. Isto ainda seria a minha consolação, e 
saltaria de contente na minha dor, que ele não poupa; porque não 
tenho negado as palavras do Santo. ” (Jó 6:2-4,10)
Jó acreditou na mentira de que Deus o estava afligindo. 
No versículo 2, ele revelou a sua crença de que a bênção de 
Deus ou a ira vinham de acordo com o seu desempenho. No
188
Capítulo 10 - Estilos de Operação Carnal
versículo 10, Jó fala em justiça própria de que ele não rejeitara 
Deus, mesmo que Deus o tenha afligido (assim pensava e le ).
“Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora seja 
eu íntegro, ele me terá por culpado. Eu sou íntegro, não levo em 
conta a minha alma, não faço caso da minha vida. Para mim tudo é o 
mesmo; por isso, digo: tanto destroíele o íntegro como o perverso.
Se qualquer flagelo mata subitamente, então, se rirá do desespero do 
inocente. ” (Jó 9:20-23)
Aqui, novamente, Jó declara a sua justiça e o tratamento 
injusto de Deus. De acordo com Jó, Deus condena o 
sentimento de culpa e zomba do desespero do inocente.
“Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo 
juntamente a juízo. Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre 
nós ambos. Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte 
o seu terror; então, falarei sem o temer; do contrário, não estaria em 
mim. Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que 
vier." (Jó 9:32-35,13:13)
Como Deus é Deus, Jó não consegue discutir com 
Ele. Jó diz: “Deus é arbitrário e injusto.” Porque Deus é injusto, 
Jó acredita que ele tem razão em discutir e se rebelar.
‘Então, Jó respondeu: Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá 
a sabedoria. Também eu tenho entendimento como vós; eu não vos 
sou inferior, quem não sabe coisas como essas? Eu sou irrisão para 
os meus amigos; eu, que invocava a Deus, e ele me respondia; o 
justo e o reto servem de irrisão. ” (Jó 12:1 -4)
Jó diz aos seus conselheiros: “Sou justo e inteligente 
como vocês, não tentem me aconselhar.”
“Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier. 
Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a vida na minha mão. 
Eis que me matará, já não tenho esperança; contudo, defenderei 
o meu procedimento. Também isto será a minha salvação, o fato 
de o ímpio não vir perante ele. Atentai para as minhas razões e dai
189
Enganado? Eu?
ouvidos à minha exposição. Tenho já bem encaminhada minha causa 
e estou certo de que serei justificado. Quem há que possa contender 
comigo? Neste caso, eu me calaria e renderia o espírito. Quantas 
culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o 
meupecado.” (Jó 13:13-19,23)
Aqui Jó usa a técnica manipulativa de “abertura e 
humildade falsa” : “Eis que me matará, já não tenho esperança, 
contudo, defenderei o meu procedimento.” Quão justo e devoto! 
Essas palavras soam tão bonitas. Jó deve ter pensado que 
ele era realmente espiritual para dizer tal coisa. No versículo
23, ele disse: “Senhor, se estouem pecado e rebelião, mostra- 
me.” Mas eu creio que, na verdade, ele estava pensando neste 
acréscimo: “Mas tenho certeza de que não sou. Sou certinho 
e Deus terá que descobrir isso logo.”
“sabei agora que Deus é que me oprimiu e com a sua rede me 
cercou. Eis que clamo: violência! Mas não sou ouvido; grito, socorro! 
Porém não há justiça. Compadecei-vos de mim, amigos meus, 
compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu."
(Jó 19:6-7,21)
“Cessaram aqueles três homens de respondera Jó no tocante ao se 
ter ele por justo aos seus próprios olhos. Então, se acendeu a ira de 
Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua 
ira contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus.”
(Jó 32:1*2)
Durante esse período, o pobre Jó foi enganado (pela 
serpente no seu coração) ao acreditar que ele era realmente 
bom e que Deus estava errado e era injusto. Mas a verdade é 
que Satanás, e não Deus, o estava afligindo. Por meio do engano 
e das imagens falsas do prumo que já estavam em Jó, Satanás 
pôde convencê-lo de que Deus era o inimigo, e não a proteção. 
A única pessoa que verdadeiramente poderia libertá-lo era 
aquele a quem Jó estava temendo. Jó duvidou do amor de 
Deus por ele e não acreditava que Deus se importasse com 
ele e lhe desejasse o melhor. O medo em Jó era muito intenso 
e, assim, o orgulho e a rebelião também eram intensos.
190
Capítulo 10- Estilos de Operação Carnal
Ele precisava ir até Deus desesperadamente, confiar 
no Seu amor, arrepender-se da incredulidade, do temor, do 
orgulho e da rebelião e receber o perdão de Deus. Sem dúvida 
nenhuma, hoje, por meio do sangue de Jesus, temos uma 
aliança com Deus que é muito mais eficaz e temos maior 
poder e autoridade sobre o diabo do que Jó. Mas, naquele 
tempo, Jó não usufruía do poder que lhe estava disponível. 
Conseqüentemente, ele foi separado da vida zoe de Deus 
pelo orgulho e pela rebelião devido à ignorância que provém 
do endurecimento do coração (Efésios 4:18). Assim como Jó, 
nós precisamos saber que a nossa luta na vida não é contra 
Deus, mas contra o pecado em nossa carne que nos engana, 
e contra o diabo e os espíritos demoníacos. Agora, olhemos 
para outro exemplo bíblico de uma pessoa que andava no quarto 
estilo carnal.
“Já Samuel era morto, e todo o Israel o tinha chorado e o tinha sepultado 
em Ramá, que era a sua cidade; Saul havia desterrado os médiuns e 
os adivinhos. Ajuntaram-se os filisteus e vieram acampar-se em 
Suném; ajuntou Saul a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa. 
Vendo Saul o acampamento dos filisteus, foi tomado de medo, e 
muito se estremeceu o seu coração. Consultou Saul ao Senhor, 
porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, 
nem por profetas. Então, disse Saul aos seus servos: Apontai-me 
uma mulher que seja médium, para que me encontre com ela e a 
consulte. Disseram-lhe os seus servos: Há uma mulher em En-Dor 
que é médium. Saul disfarçou-se, vestiu outras roupas e se foi, e com 
ele, dois homens, e, de noite, chegaram ã mulher; e lhe disse: Peço- 
te que me adivinhes pela necromancia e me façais subir aquele que 
eu te disser. Respondeu-lhe a mulher: Bem sabes o que fez Saul, 
como eliminou da terra os médiuns e adivinhos; por que, pois, me 
armas cilada à minha vida, para me matares? Então, Saul lhe jurou 
pelo Senhor, dizendo: Tão certo como vive o Senhor, nenhum castigo 
te sobrevirá por isso. Então, lhe disse a mulher: Quem te farei subir? 
Respondeu ele: Faze-me subir Samuel. Vendo a mulher a Samuel, 
gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? 
Pois tu mesmo és Saul. Respondeu-lhe o rei: Não temas; que vês? 
Então, a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que sobe da terra. 
Perguntou ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo
191
Enganado? Eu?
um ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, 
inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou. Samuel disse a Saul: 
Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui 
angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus 
se desviou de mim e já não me responde, nem pelo ministério dos 
profetas, nem por sonhos, por isso, te chamei para que me reveles o 
que devo fazer. Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me 
perguntas, visto que o Senhor te desamparou e se fez teu inimigo? 
Porque o Senhor fez para contigo como, por meu intermédio, ele te 
dissera; tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi."
(1 Samuel 28: 3-17)
Quando uma pessoa opera na carne em qualquer 
estilo, ela não pode ouvir a Deus ou receber a revelação em 
espírito, mas ela sempre acreditará que Deus a deixou, e não 
que ela deixou Deus. Saul não foi capaz de ouvir a voz de 
Deus por vários anos. Ele nunca compreendeu o porquê de 
isso ter acontecido. A intensificação do medo na vida de Saul 
aumentou com o passar dos anos, e, neste capítulo, nós o 
vemos passar por um trem endo medo da morte física. 
Conseqüentemente, Saul foi motivado pelo pecado em sua 
carne a se mover em grande orgulho e rebelião.
Ao ser incapaz de ouvir a voz de Deus, em vez de Saul 
Lhe pedir que Ele lhe revelasse em que área ele estava andando 
na carne e qual era o bloqueio que o impedia de ter comunhão 
com o Senhor, Saul arquitetou o seu próprio plano (motivado 
pelo medo, pelo orgulho e pela rebelião) para descobrir a 
vontade de Deus. Ele decidiu se aliar a uma médium espírita 
para fazer com que o profeta Samuel ressuscitasse.
Saul não confiava em Deus. A sua confiança estava 
totalmente nos homens, em Samuel e em si mesmo. Pelo 
fato de Deus não lhe responder diretamente, Saul se sentia, 
sem dúvida nenhuma, irado, amargurado e frustrado com Deus. 
Na realidade, Saul sentia-se completamente justificado em 
fazer o que Deus o havia terminantemente proibido, pois “Deus 
não está ajudando”. Ele provavelmente pensou: “Deus não está 
me ajudando. Ele nem ao menos me revelará a Sua vontade. 
Eu orei. Eu jejuei. Eu O busquei dia e noite. Já fiz tudo o que
192
Capítulo 10- Estilos de Operação Carnal
era possível e mesmo assim Ele continua em silêncio. Se eu 
não conseguir alguma direção, todos seremos destruídos pelos 
filisteus.”
Deus havia falado com os líderes anteriores de Israel, 
e mesmo com Saul. Quando Deus parou de falar, Saul pensou: 
“Deus quer que o Seu povo simplesmente morra. Toda essa 
situação é culpa Dele. Se Ele me apontou como rei de Israel, 
por que Ele não me dá a orientação para a nação? Se Samuel 
estivesse vivo! Talvez um médium possa ressuscitá-lo para 
que ele me fale o que eu devo fazer.” Por causa do grande 
medo de Saul, ele aplicou a sabedoria humana para obter 
direção. Entretanto, esse plano acarretava fazer exatamente 
aquilo que Deus havia proibido! Em rebelião, Saul uniu-se a 
uma médium espírita para ressuscitar Samuel e, ao fazer isso, 
usou o tipo de sabedoria de Tiago 3:15, o qual não vem do alto, 
mas é terrena, ímpia e até mesmo demoníaca. Saul estava 
em total oposição à verdade.
O medo da morte sempre acaba por produzir numa 
pessoa a mesma coisa que ela teme. Por meio da rebelião de 
Saul contra Deus, o resultado é mais medo. Saul nunca se 
arrependeu e, por último, perdeu a sua vida física no dia seguinte 
ao lu tar contra os filis teus. A parte tris te é que Saul, 
inconscientemente, sentia que Deus o havia condenado ao 
fracasso e à derrota. Deus havia se retirado da presença de 
Saul e não lhe falara por vários anos, por isso ele se sentiu 
apenas uma “vítima inocente” no plano de Deus para dar o 
reino a Davi. O destino de Saul era morrer nas mãos dos 
filisteus. Esse é o tipo de raciocínio produzido pelo quarto estilo 
carnal. Na verdade, Saul poderia ter recebido a revelação de 
Deus sobre o pecado, se arrepender, recorrer a Deus (e não 
correr Dele em rebelião) e receber a vida e a paz a qualquer 
momento. Pode ser que o crente que opera nesse quarto estilo 
carnal não se rebele contra Deus externa e abertamente. Ele 
anda em rebelião a Deus, mas ele pode estar fazendo issototalmente no engano. Ele pode pensar: “Estou servindo a Deus 
e sendo obediente a Ele” , mas estar arquitetando um plano 
carnal inspirado em Deus, e em oposição a Ele.
193
Enganado? Eu?
Anos atrás, um casal vei ao meu escritório buscando 
um aconselhamento matrimonial. Ambos estavam andando 
na carne no relacionamento um com o outro. George estava 
andando de acordo com o quarto estilo e Linda de acordo com 
o terceiro. George estava tão convencido de que estava certo 
e sua esposa estava errada que ele não sentia a necessidade 
de aconselhar-se. Conseqüentemente, eles não vinham às 
sessões de aconselhamento juntos, mas ele sempre me 
telefonava para marcar os aconselhamentos para a sua 
esposa.
Ambos já tinham sido casados antes e carregavam 
ju lgam en tos e expecta tivas consigo dos casam entos 
anteriores. Os dois operavam em muito medo. Linda tinha 
consciência dos seus medos. Mas George não reconhecia o 
medo que operava em sua vida. No início do casamento, 
nenhum deles estava firme com Deus, mas no decorrer dos 
onze anos, George cresceu significativam ente na área 
espiritual, Linda não.
Quando conheci George e Linda, eles já eram crentes, 
mas George tinha um conhecimento espiritual bem maior do 
que sua esposa e realmente se considerava mais espiritual 
do que ela. Ele lia a Palavra e orava freqüentemente, enquanto 
ela não. George tinha sofrido abusos verbais severos em seus 
casamentos anteriores, o que havia afetado gravemente a sua 
auto-imagem. Assim, ele não se sentiu honrado, estimado ou 
valorizado nos relacionamentos anteriores. Logo que ele 
desenvolveu um relacionamento mais íntimo com o Senhor, 
ele percebeu que ele tinha valor e importância para Deus. Ele 
decidira que não serviria mais de capacho para que as pessoas 
pisassem. Ele era digno de honra e estima porque Deus o 
havia criado assim por meio de Jesus e ele devia ser o cabeça 
do lar.
George acreditava que, ao tomar essa atitude, estava 
confiando no Senhor e tendo uma “boa auto-im agem ” . 
Anteriormente, ele tinha uma “fraca auto-imagem” e ele sabia 
que Deus lhe desejava muito mais. A verdade era que ele não 
estava confiando no Senhor ou andando no espírito. Ele estava
194
Capítulo 10 - Estilos de Operação Carnal
andando na carne e confiando em si mesmo como se tivesse 
um valor inato na sua carne. Ele não estava confiando em 
Jesus. Motivado inconscientemente pelo medo da morte, o 
medo de ser rebaixado fisicamente ou agredido verbalmente e 
de ser magoado, sua carne reagia ao medo em orgulho e 
rebelião. Para evitar que Linda o magoasse mais, George 
andava em orgulho, exaltando-se espiritualmente. Ele se sentia 
extremamente justo, paciente e longânimo para agüentar o 
medo, a ira e a falta de espiritualidade de sua esposa. Se 
alguém tentasse chamar-lhe a atenção quanto ao seu orgulho, 
George enxergava isso como uma forma de rebaixá-lo a um 
nível de “fraca auto-imagem”. Conseqüentemente, ele resistia 
a isso veementemente.
Esse orgulho fazia com que Linda sentisse mais medo 
e se afastasse de George ainda mais. Basicamente, o orgulho 
o motivava a fazer comentários sarcásticos sobre ela. Quando 
Linda se afastava, ou retaliava irada, ou rebatia com algum 
comentário maldoso, George acreditava que ela estava 
tentando rebaixá-lo novamente e ele se recusava a permitir 
que isso acontecesse! Ele acreditava que, “em nome da 
justiça” , estava sendo injustamente perseguido. Com esse 
rac ioc ín io , G eorge me te le fona va para m arcar os 
aconselhamentos para Linda para que, então, ela parasse de 
tratá-lo injustamente.
Inconscientem ente, George não estava reagindo 
apenas em orgulho, mas em grande rebelião contra sua 
esposa. Por considerar-se espiritual e considerar Linda não 
espiritual, ele não sentia que as opiniões ou os pensamentos 
dela tinham valor. Ele era muito “espiritual e humilde” para 
admitir isso diretamente, mas sutilmente ele acreditava nisso 
e comunicava isso a Linda.
Conseqüentemente, ele operava independente de Linda 
e a contrariava em quase todas as suas idéias e planos. Ele 
continuou muito envolvido na igreja, estudando a Palavra e 
encorajando sua esposa a ir nos aconselhamentos. Enquanto 
ele operava quase que totalmente na sabedoria humana e na 
confiança própria, George pensava que estava no espírito,
195
Enganado? Eu?
confiando em Deus.
Por estarem se aproximando da aposentadoria, George 
começou a considerar num emprego que pudessem manter 
durante esse período. Esse negócio estava numa área em que 
George tinha uma experiência e prática considerável. Ele 
acreditava com todo o seu coração que o Senhor lhe havia 
dado a idéia e o plano. Porém, esse negócio exigia o 
investimento de uma quantia substancial do dinheiro que eles 
haviam economizado havia anos. Ao compartilhar essa visão 
com sua esposa, G eorge esperava que ela ficasse 
entusiasmada como ele. Infelizmente, Linda não ficou nada 
entusiasmada. Ela temia que eles perdessem todo o dinheiro. 
Imediatamente, ele presumiu que essa fosse uma reação típica 
de Linda. Afinal de contas, ela vivia com medo, não era 
espiritual e não conseguia ouvir a voz de Deus. Ele estava 
totalmente convencido de que Deus o havia chamado para 
seguir em frente com aquela visão, pois estava ligado com 
alguns aspectos do ministério. George disse a sua esposa 
que pretendia continuar com o plano profissional/ministerial que 
Deus lhe havia dado, independente de ela concordar ou não. 
Ele tinha que obedecer a Deus acima dos homens. Mesmo se 
Linda não conseguisse ouvir a voz de Deus e vencer o seu 
medo e falta de confiança Nele, George tinha que obedecer ao 
chamado do Senhor. Essa informação, é claro, só serviu para 
amedrontar Linda ainda mais. George acreditava que, ao tomar 
tal posição, ele estava confiando em Deus e obedecendo a 
Ele. Disposto a sacrificar o seu casamento para cumprir aquela 
visão, ele disse à esposa: “Não se coloque no meio da minha 
obediência a Deus.”
Na realidade, George não estava confiando em Deus. 
Ele estava confiando em si mesmo e na sua sabedoria humana 
para prosseguir com a visão que, particularmente, eu não creio 
que tenha sido de Deus. Também não foram a falta de 
espiritualidade ou o medo que fizeram com que Linda resistisse 
a George, mas foram o tremendo orgulho dele e a rebelião 
contra ela que lhe provocaram o medo e a motivaram a opor- 
se a ele. A serpente que estava operando no interior havia
196
Capítulo 10 - Estilos de Operação Carnal
enganado George, impedindo-o de receber esta revelação de 
Deus.
George, ao ser enganado, estava andando em orgulho, 
basicamente no quarto estilo. Porém, aparentemente, ele não 
culpava Deus pela sua situação. Ele culpava sua esposa. Na 
crença de que estava obedecendo a Deus ao rebelar-se con­
tra ela, ele estava usando a sua sabedoria humana, andando 
na carne para cumprir sua visão e rebelando-se contra Deus 
no processo, assim como fez Saul.
Para com plicar mais a situação, George estava 
“orando” juntamente com vários amigos cristãos que o haviam 
encorajado a tomar aquela posição com sua esposa. Eles 
diziam: “Sim, você não pode rejeitar a Deus por causa da sua 
esposa.” Assim, eles ajudaram a justificar ainda mais a sua 
posição quanto à Palavra:
“Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, 
não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem 
chamado à paz.” (1 Coríntios 7:15)
George e seus amigos cristãos disseram que Linda 
estava agindo como uma descrente. Como ela estava agindo 
como uma não cristã, esse versículo se aplicava à situação e 
ele estava livre para tratá-la como uma esposa não cristã. Seus 
amigos o encorajaram a continuar na sua “obediência” ao 
Senhor quanto aos seus planos empresariais/ministeriais, 
independente de sua esposa. Se ela “desistisse de sua 
obstinação e rebeldia” e o acompanhasse, tudo bem. Mas se 
ela continuasse agindo como uma não cristã, resistindo-lhe e 
se afastando dele, então ele não estaria mais sob a obrigação 
como marido. Ou seela escolhesse deixá-lo, então, ela estaria 
livre para ir.
Os propósitos de Deus na vida de George eram de 
revelar como ele havia sido enganado e tratado sua esposa 
em orgulho e rebelião. Ele poderia se arrepender, permitir que 
a sua mente começasse a ser renovada para andar no espírito 
com sua esposa. Isso a ajudaria a se libertar do seu medo e
197
Enganado? Eu?
ela poderia ouvir a voz do Senhor. Deus desejava que ambos 
encontrassem unidade com relação àquilo que deveriam fazer.
Na realidade, o relacionamento matrimonial tinha uma 
prioridade muito maior do que o cumprimento dos planos 
empresariais/m inisteriais de George. Deus desejava que 
George visse como a sua carne estava governando a sua alma 
e destruindo o seu casamento para que ele pudesse se 
arrepender e andar no espírito no seu relacionamento com sua 
esposa. Então, em unidade, eles poderiam prosseguir na visão 
empresarial/ministerial. Porém,ao agir na teimosia e ao intimidar 
sua esposa por meio de rebelião, George também estava se 
rebelando contra Deus. Pode ser que o Senhor tenha lhe dado 
a visão, mas ao tentar cumpri-la na carne, ele estava se 
rebelando contra Deus e jogando fora a prioridade número 1 
de sua vida.
Sem perceber isso, George estava agindo na carne, 
assim como Moisés matou um egípcio e tentou se exaltar como 
um líder dos israelitas para livrá-los do Egito (Êxodo 2:11-14). 
Ele havia recebido a visão correta de Deus para tirar Israel da 
escravidão egípcia. Mas, quando Moisés tentou cumprir essa 
visão na carne, ele acabou fugindo para salvar sua vida e viver 
40 anos no deserto, apascentando ovelhas, antes que a visão 
se cumprisse.
Motivado pelo intenso medo interior, George sentiu que 
precisava rebaixar Linda. Ele sentiu que a sua visão não se 
cumpriria, a menos que forçasse que acontecesse. Ele ficou 
terrivelmente frustrado, pois Linda não mudava e parecia que 
a situação apenas piorava. A serpente (o pecado na sua carne) 
havia envenenado tanto a sua alma que ele simplesmente 
culpava a sua esposa pelas dificuldades, fechando-se e 
impedindo que o Senhor lhe revelasse o pecado. Ele via sua 
esposa como um leão ou urso. Ele não via a serpente 
escondida na parede do seu coração.
Não estou fazendo aqui uma afirmação sobre a 
liderança dentro da família. Existem muitos outros livros que 
abordam esse assunto. Você pode perguntar: “Será que não 
existem alguns assuntos que são tão importantes (talvez
198
Capítulo 10- Estilos de Operação Carnal
assuntos na área moral) que, se você não concordar, é 
necessário quebrar a unidade ou o relacionamento matrimo­
nial?” Concordo que haja raros momentos nos quais isso possa 
ser necessário. Porém, antes que um parceiro de casamento 
faça isso, é melhor que ele busque diligentemente no Senhor 
quanto e como a sua própria carne possa ter causado o 
desacordo entre os parceiros e a reação negativa e se 
disponha a se arrepender de qualquer pecado que Deus lhe 
revelar.
Antes que um marido ou esposa quebre a unidade com 
seu cônjuge devido a algum assunto não resolvido, é melhor 
que ele ou ela es te ja certo de que essa questão é 
verdadeiramente uma questão de consciência e mal- entendido 
e não simplesmente um resultado de sua carnalidade. Caso 
contrário, eles podem achar que estão sendo obedientes a 
Deus e sendo perseguidos em nome da justiça, quando, na 
realidade, estão experimentando as conseqüências naturais 
da lei do pecado e da morte.
A última vez que os vi, Linda estava um pouco mais a 
favor dos planos empresariais/ministeriais de George. Porém, 
ele continuava fechado para receber a revelação de Deus 
sobre o seu m edo, o seu o rgu lho e a sua rebe lião . 
Conseqüentemente, ele continuava andando na carne na 
maioria das áreas da sua vida.
Então, vemos que os crentes que operam em qualquer 
estilo carnal podem facilmente andar em rebelião contra Deus 
por meio de tentativas carnais em obedecer a Ele. Pelo fato de 
eles não confiarem em Deus e não receberem Sua clara 
direção, eles continuarão levando em frente planos divinos e 
usando a sabedoria natural e motivações carnais, resultando, 
assim, no fracasso e na frustração.
199
Capítulo 11
Andar no Espírito: Libertação
“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfazeis à concupiscência 
da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra 
a-carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, 
porventura, seja do vosso querer. ” (Gálatas 5:16-17)
Se andarmos no espírito, a nossa mente, a nossa 
vontade e as nossas emoções serão dirigidas pelo nosso 
espírito nascido de novo. Os últimos cinco capítulos mostraram 
o pecado em nossa carne como um fator inconsciente de 
motivação muito enganoso e poderoso em nossas vidas. 
Porém, é muito mais importante lembrar que a natureza de 
Jesus em nosso espírito é muito mais poderosa do que o 
pecado na nossa carne. Na verdade, o pecado na nossa carne 
não tem poder algum, exceto se permitirmos a sua atuação 
por meio do engano.
Então, de acordo com Gálatas 5:16-17,0 caminho para 
a liberdade não é lutar contra o pecado na carne, mas andar 
no espírito. Nossas tentativas não são direcionadas para evitar 
de andar na carne. Pelo contrário, devemos seguir a direção 
do Espírito. Se você tentar evitar de andar na carne, você será, 
inevitavelmente, tentado a usar a Palavra como uma lei na sua 
mente e você perderá a batalha.
A nossa única identificação deve ser com a verdade 
de quem somos em Jesus Cristo em nosso espírito. Ao fazer 
isso, evitaremos as trocas intermináveis de um estilo carnal 
para outro sem lidar com as imagens falsas do prumo e com 
o medo.
Gálatas 5 alista várias manifestações da carne e as
201
Enganado? Eu?
rotula como “obras da carne”. Isso inclui: idolatria, lascívia, ódio, 
inveja, assassinato, adultério, avareza, amargura, roubo, 
calúnia, conflito, feitiçaria. Essas obras, é claro, emanam do 
pecado em nossa carne o qual, por sua vez, captura a nossa 
alma. Creio que cada uma dessas m anifestações está 
enraizada no orgulho, na rebelião ou em ambas as coisas. 
Cada uma delas se origina do desejo de uma pessoa exaltar- 
se a si mesma (orgulho) ou atingir seus objetivos e suprir suas 
necessidades sem depender de Deus (rebelião).
Essas obras da carne se manifestam em nós apenas 
quando a nossa carne governa a nossa alm a e não 
permanecemos no amor de Deus. Assim, a solução para 
qualquer uma dessas manifestações é receber a revelação 
sobre as nossas falsas imagens do prumo baseadas na dúvida 
quanto ao amor de Deus. Essa imagem pode produzir apenas 
medo, e o medo nos motiva a não confiarmos em Deus ou 
não permanecermos no Seu amor. O amor de Deus é a chave 
para entrarmos na plenitude da Sua vida no Espírito:
“Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos 
os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. ” (1 João 3:14)
No novo nascimento, nosso espírito passou da morte 
para a vida. Agora, a nossa alma precisa iniciar uma nova vida 
ao andar no espírito. Você pode se perguntar: “Como, então, 
eu realmente ando no espírito? Eu não quero apenas pular de 
um estilo carnal para outro. Como posso ser liberto do engano 
para andar no espírito?”
Se você estiver fazendo essa pergunta com toda a 
honestidade, então você já deu o primeiro passo em direção à 
liberdade. O primeiro passo é perceber que a maior parte do 
tempo que você pensou que estava andando no espírito, na 
realidade, você havia sido enganado e estava andando na 
carne. A simples revelação de que você foi enganado pelo 
pecado na sua carne lhe permite abrir-se perante Deus para 
que você receba uma revelação proporcional a esse engano. 
Agora, Ele pode começar a libertá-lo do engano para andar no
202
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
espírito.
O Senhor revelou sete passos importantes que tem 
me ajudado a andar no espírito. Esses passos não são uma 
fórmula mágica para andar no espírito. Andar no espírito é o 
que permite que a sua alma seja dirigida e dominada peloEspírito Santo po r m eio do seu espírito. Isso gera um 
relacionamento vital e dinâmico com a pessoa viva de Jesus 
Cristo. Assim, nenhuma “fórmula de sete passos” irá libertá- 
lo, por si só, da escravidão carnal. Apenas o poder de Jesus 
Cristo, ativado pela sua fé Nele, pode libertá-lo. Senti a direção 
do Senhor de compartilhar esses sete passos com você 
apenas como uma motivação para você depositar a sua fé no 
Deus vivo que o ama, que deseja lhe dar a revelação, que o 
liberta, que transmite o amor zoe a sua vida e que o faz bem- 
sucedido.
Ao ler o resto deste capítulo, por favor, lembre-se de 
que apenas os princípios e a compreensão não quebrarão o 
jugo da escravidão na sua alma. A unção de Deus que vem 
por meio da Sua Palavra é o que quebra o jugo da escravidão 
(Isaías 10:27). Permita que Deus lhe dê uma revelação pessoal 
em seu espírito e então seja obediente a Ele.
PASSO UM: Convicção
“agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes 
contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo 
Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a 
tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a 
ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte."
(2 Coríntios 7:9-10)
Uma vez que você descobriu estar andando na carne 
em certas áreas da sua vida, permita que Deus o convença 
do seu pecado. Tentar arrepender-se sem a convicção do 
pecado não é bom. Sem a conv icção do pecado, o 
arrependimento não trará a vida zoe e a liberdade à sua alma.
Nove ou dez meses antes de ministrarmos na Polônia,
203
Enganado? Eu?
Jean tentou ministrar sobre o orgulho em minha vida. Pensei 
sobre aquilo e orei. Mas eu não acreditei que aquilo fosse 
verdade. Finalmente concluí: “Se Jean enxergou isso, então 
deve ser verdade.” Então orei e me arrependi do orgulho e 
pedi o perdão do Senhor.
O ponto é que, pelo fato de eu não ter realmente 
recebido a revelação do Senhor quanto ao pecado e por eu 
não me sentir convicto disso, eu não fui liberto. Eu continuei 
no mesmo engano inicial. Somente mais tarde, na Polônia, 
que eu realmente me abri ao Senhor, permiti que Ele me 
revelasse o engano e então experimentei a convicção do 
pecado.
A convicção do pecado ocorre quando você se abre ao 
Senhor e Lhe pede honestamente que Ele lhe revele o pecado 
que capturou a sua alma (Romanos 7:17-20). Ao abrir-se para 
o Senhor, perm ita que Ele o convença de suas obras 
superficiais e das imagens falsas e pecaminosas do prumo. 
Permita-Lhe convencê-lo de sua lascívia, ira, ódio, inveja, 
adultério, avareza, alcoolismo, amargura, roubo, calúnia, briga. 
Deixe que Ele lhe mostre os julgamentos, a manipulação e as 
expectativas falsas. Depois peça ao Senhor que lhe mostre o 
orgulho e a rebelião que têm operado em sua vida. Peça a 
Deus que lhe convença de qualquer medo da falta de 
importância e de valor para Ele e para os outros. Permita que 
Ele o convença do medo da infidelidade e da indiferença de 
Deus quanto às suas necessidades. Deixe que Ele o convença 
de sua confiança em si mesmo e de acreditar que o amor 
Dele depende do seu desempenho. O Senhor revelará qualquer 
falta de confiança no Seu amor. Tudo isso é o pecado do qual 
você precisa estar consciente e convicto.
Antes de abrir-se para o Senhor de tal maneira e Lhe 
pedir para trazer a convicção do pecado, é muito importante 
repreender Satanás e os espíritos demoníacos para que eles 
não falem com você. Você pode fazer isso ao ordenar que, em 
nome de Jesus, eles fiquem quietos. O objetivo deles é trazer 
condenação e aflição mundana, o que não resulta em 
arrependimento e vida, mas na morte da alma. Se você sentir
204
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
condenação e julgamento, essas coisas não provêm de Deus. 
Deus o ama e nunca o condena! (Romanos 8:1)
Ao achegar-se ao Pai com um coração honesto e 
pedindo a Ele que lhe convença do pecado, Ele lhe dará uma 
revelação profunda em espírito do pecado que opera em você. 
Tal convicção do pecado automaticamente o direcionará ao 
segundo passo.
PASSO DOIS: Arrependa-se do Pecado
“Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a 
esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: 
Este é o caminho, andai por ele. E terás por contaminados a prata 
que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas 
imagens de fundição; lançá-las-á fora como coisa imunda e a cada 
uma dirás: Fora daqui!" (Isaías 30:21 -23)
“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. 
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas 
em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez 
que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo 
pensamento à obediência de Cristo. ” (2 Coríntios 10:3-5)
Depois que Deus nos convence do pecado, um pesar 
divino nos leva ao arrependimento. Então, lidamos com as 
im agens escu lp idas nas qua is andam os e às qua is 
renunciamos. Diga a essas imagens falsas do prumo, assim 
como Isaías falou, “Fora daqui!” (Isaías 30:22).
Arrependimento significa “dar a volta”, “ renunciar” e 
“morrer para o pecado na sua carne” . Você precisa se 
arrepender de tudo aquilo de que Deus o convenceu em cada 
nível. Por último, você precisa se arrepender por ter depositado 
a fé e a confiança em imagens falsas do prumo. Elas são as 
imagens esculpidas que devem ser lançadas fora.
As imagens falsas do prumo são mentiras que, na sua 
mente, se tornaram fortalezas. Você conviveu com essas 
imagens a maior parte da sua vida. Pode ser que você sinta 
que uma parte de você está sendo retirada de sua vida. E,
205
Enganado? Eu?
num certo sentido, isso é verdade. Mas a parte que está sendo 
retirada é maligna, cancerígena, e está envenenando-o e 
matando-o. Na verdade, não faz parte de você. Você é quem 
Jesus criou para ser no espírito. A identidade considerada pelas 
imagens falsas do prumo é aquela a que você deve renunciar 
agora por completo e permitir que morra. É uma identidade 
falsa baseada em mentiras. A sua verdadeira identidade é Jesus 
Cristo no seu espírito.
Assim como já foi dito em 2 Coríntios 10:4, derrube 
essas fortalezas. Arrependa-se das imagens falsas, do medo, 
do orgulho e da rebelião. Você pode orar algo mais ou menos 
assim: “Renuncio à mentira de que Deus não me ama, de que 
Ele é infiel e de que Ele não cuidará de mim. Pai, confesso que 
acredite i nessas m entiras sobre Ti e sobre mim. Hoje 
com preendo que são m entiras. Arrependo-m e por ter 
acreditado nelas. Peço-Te que me perdoes e me purifiques 
por meio do sangue de Jesus.”
Pode ser que, enquanto você estava orando, várias 
experiências do passado venham à sua mente. Talvez essas 
experiências a tenham ajudado a criar ou a reforçar uma ou 
mais imagens falsas do prumo. Descobri que o Espírito Santo 
nos relembra dessas experiências para que possamos nos 
arrepender das interpretações erradas das circunstâncias.
Se o Senhor lhe trouxe à mente alguma experiência, 
aprove ite a oportun idade para arrepender-se dessas 
interpretações e reações erradas. Essa é uma parte importante 
para permitir que Deus renove a sua mente para a verdade de 
quem Ele é e de quem você é. Finalmente, lembre-se de que, 
se Deus não relembrar nada a você, não tente “criá-los” . Deixe 
que o Espírito Santo faça a obra.
Talvez o Senhor também lhe traga à memória várias 
pessoas que o tenham magoado no passado, ou que o estejam 
magoando hoje. Esse é o momento para perdoá-las! Perdoar 
significa “não mantê-las mais em prestação de contas”. Libere- 
as. Deixe-as ir. Considere-as como se elas não o tivessem 
ofendido. Somente o engano do pecado na sua carne tentaria 
convencê-lo de que reter amargura contra alguém é justificável.
206
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
Arrependa-se desse ressentimento e dessa amargura, pois 
isso é parte da fortaleza na sua alma. Derrube-a. Diga “Fora 
daqui!”
O arrependimento é um instrumento tremendamentepoderoso nas mãos de Deus para a cura e a renovação. 
Porém, por si só, é insuficiente para trazer a liberdade no 
espírito dentro de nós. Assim, devemos passar para o próximo 
passo.
PASSO TRÊS: Visão no Espírito
“Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a 
came, e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não 
o conhecemos deste modo. ” (2 Coríntios 5:16)
“e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e 
levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,"
(2 Coríntios 10:5)
Almeje enxergar-se no espírito. Não se identifique mais 
com a sua carne. Leve cada pensamento relacionado a si 
próprio cativo à obediência de Cristo.
Vimos anteriormente que a alma é como uma câmera 
que cria a imagem que foca. Dessa forma, você passa a 
visualizar-se por meio dessas imagens falsas. Agora que você 
se arrependeu dessas imagens, é necessário criar uma nova 
auto-imagem na sua alma. Essa imagem está baseada na 
verdade de quem você é no seu espírito. Esse é o seu enfoque.
Se você perceber que ainda está experimentando o 
pecado na sua carne, não o receba como se fosse parte de 
você. Ele não é. É o pecado na sua carne. Arrependa-se 
imediatamente e não visualize a si mesmo na carne.
A propósito, não visualize ninguém na carne. Veja cada 
pessoa como Jesus a vê. (Mesmo aqueles que possam estar 
magoando-o.) Permita que o amor de Jesus Cristo flua do seu 
espírito para alcançar a sua alma e as outras pessoas. Esse é 
o mecanismo pelo qual os outros são curados e entram num
207
Enganado? Eu?
PASSO QUATRO: Receba a Verdade
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas 
já passaram; eis que se fizeram novas. ’’ (2 Coríntios 5:17)
“pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de 
incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”
(1 Pedro 1:23)
“e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)
A) Receba a verdade de quem você é em Jesus Cristo. 
Reconheça quem você é no espírito. Comece a depositar 
a sua confiança e a sua fé em quem você é na Palavra 
de Deus, não na maneira como você se considerava 
antigamente ou naquilo que as suas emoções dizem ou 
naquilo que qualquer pessoa diz.
B) Receba a verdade de quem Deus realmente é. Esse é o 
momento de você se aproximar do seu Pai Celeste, que 
o ama, e de receber o Seu amor incondicional. A dúvida 
quanto ao Seu amor é o que faz com que as imagens 
falsas surjam, mas o recebimento do Seu perfeito amor 
as afugenta. Agora você está livre para substituir, em sua 
alma, a antiga imagem pela nova imagem de Deus.
PASSO CINCO: Tenha Fé no Sangue de Jesus
“sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção 
que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como 
propiciação, mediante a fé, para manifestara sua justiça, por ter Deus, 
na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriores cometidos,”
(Romanos 3:24-25)
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos 
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos 
purifica de todo pecado." (1 João 1:7)
relacionamento correto com Deus.
208
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
Deposite fé no poder purificador do sangue de Jesus 
Cristo. Deus promete que o sangue de Jesus o purifica de 
todo o pecado! Receba o Seu poder purificador. João 1:7 não 
diz “purificou”, mas “purifica” . Neste momento! O sangue de 
Jesus é válido e eficaz para purificá-lo de todo o pecado neste 
momento. Romanos 3:25 diz que você ativa o poder purificador 
do sangue de Jesus pela fé. Simplesmente confie em Deus! 
Creia que Ele é fiel e que o sangue de Jesus o purifica 
agora.
Ao depositar a sua fé no sangue de Jesus, você 
recebe o perdão e a purificação do pecado na sua alma. 
O sangue de Jesus purifica e limpa literalmente a região 
da alma e cura o corpo físico enquanto você recebe a 
vida zoe de Deus por meio do seu espírito.
João 1:1 nos diz que no princípio era o verbo e o verbo 
estava com Deus, e o verbo era Deus. João 1:14 nos diz que 
o verbo se fez carne. Sabemos que esse Verbo que se fez 
carne é Jesus Cristo. Levíticos 17:11 revela que “a vida da 
carne está no sangue” e que “é o sangue que fará expiação 
em virtude da vida". João 1:4 diz que “ a vida estava em Jesus 
e a vida era a luz dos homens” .
Como a vida da carne está no sangue, a vida (zoe) do 
Verbo que se fez carne (Jesus) está no Seu sangue. Como a 
vida (zoe) que está em Jesus é a luz dos homens, o sangue, 
que é a vida (zoe), é a luz dos homens.
Jesus disse em João 6:63 : “É o espírito que vivifica 
(zoe)] a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos 
tenho dito são espírito e são vida (zoe).”
Quando recebemos a vida zoe de Deus ao andar no 
espírito, receber a Sua Palavra e depositar fé em Jesus, as 
nossas almas e corpos recebem o sangue de Jesus para 
limpar, purificar, curar e libertar.
Deposite a sua confiança em Deus e no sangue de 
Jesus. Ao fazer isso, receba a vida zoe de Deus na sua alma. 
Anule a lei do pecado e da morte na sua vida e ative a lei do 
espírito da vida em Jesus.
209
Enganado? Eu?
PASSO SEIS: Caminhe na Luz
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos 
comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos 
purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, 
a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se 
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar 
os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:7-9)
Sabemos, através do versículo acima, que a “luz” é a 
Palavra, na vida (zoe) e no sangue de Jesus. Permanecer na 
Palavra, na vida zoe e no sangue de Jesus é caminhar na Sua 
luz. Essa não é uma experiência única, mas um processo 
contínuo.
É o processo pelo qual as nossas almas (Tiago 1:21) e 
a nossa mente são trasformadas (Romanos 12:2). Você pode 
caminhar na luz constantemente ao repetir os cinco passos 
anteriores diariamente. Tenho percebido um processo de 
transformação em minha própria vida ocorrendo enquanto eu 
caminho continuamente na luz.
Quando reconheci a minha motivação inconsciente 
para distorcer a verdade com Christy e Jan, fui tomado por 
uma convicção de medo, orgulho, rebelião, incredulidade, auto­
confiança e dúvida quanto ao amor de Deus. Eu me arrependi 
desses pecados, me arrependi por ter agido carnalmente, 
recebi a verdade, depositei a minha fé no sangue de Jesus e 
comecei a caminhar na luz. Porém, depois de pouco tempo, 
eu percebi algumas das mesmas manifestações do pecado 
operando em mim novamente. Imediatamente, me arrependi 
e recebi a verdade outra vez. Isso aconteceu várias vezes. 
Toda vez eu colocava em prática os primeiros cinco passos. 
Depois de um tempo, percebi que eu estava começando a me 
conscientizar do pecado, mesmo enquanto a ação estava 
acontecendo. Cada vez que acontecia isso, eu me arrependia 
e praticava os outros passos.
Não muito tempo depois, percebi que havia ocorrido 
uma metamorfose significante: comecei a pegar minha mente
210
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
planejando distorcer a verdade, mesmo antes de eu fazer 
qualquer coisa. Eu pude me arrepender e me revestir da 
verdade antes de agir baseado numa mentira!
Ao desenvolver um hábito de me arrepender do pecado 
toda vez que eu me conscientizava dele, comecei a notá-lo 
cada vez mais cedo. Creio que esse é o processo de 
“renovação da mente” sobre o qual Paulo falou em Romanos 
12:2. Cada vez que eu me arrependia, a minha mente se 
renovava um pouco mais para a verdade.
Eu descrevi anteriorm ente os estilos carnais do 
pensamento, das emoções e das ações que se estabelecem 
na alma como cortes profundos. Toda vez que andamos em 
um desses estilos, aprofundamos e endurecemos mais o corte. 
Porém, toda vez que nos conscientizamos da motivação do 
pecado e nos arrependemos, amolecemos e , lentamente, 
apagamos esses cortes. Enquanto o Espírito Santo continua 
nos convencendo e nos ensinando a confiarem Deus, nós 
nos arrependemos e recebemos a verdade, e, assim, os cortes 
em nossa alma dim inuem consideravelm ente. Passo a 
passo,os cortes são enchidos e remodelados até que são 
finalmente apagados. Aleluia! E novos cortes são feitos de 
acordo com a verdade de Deus.
Toda vez que você se arrepende, rejeita a mentira e 
caminha na verdade, você elimina a morte na sua alma com a 
vida zoe de Deus e permite que o sangue de Jesus purifique e 
limpe a sua mente, a sua vontade e as suas emoções.
Algumas vezes, essa recriação (em áreas específicas 
da sua alma) é um processo que leva algum tempo. Porém, 
algumas vezes, a unção de Deus vem sobre nós de forma tão 
poderosa que a recriação de uma área em particular da nossa 
alma ocorre instantaneamente. Tenho visto essas mudanças 
ocorrendo das duas maneiras. Não se surpreenda ou se frustre 
seja qual for o caso. Simplesmente, seja dirigido pelo Espírito 
de Deus e continue a caminhar na luz.
Uma vez, um homem, a quem eu estava aconselhando, 
veio no seu horário de aconselhamento sentindo-se muito 
frustrado. Ele estava lidando com um problem a que o
Enganado? Eu?
acompanhara durante toda a sua vida, relacionado ao seu 
temperamento. No início, ele pediu-me que eu o aconselhasse 
sobre os seus freqüentes acessos de ira. Durante a sessão 
de aconse lham ento da sem ana anterior, ele havia se 
arrependido da ira, do medo, da falta de confiança em Deus e 
por não receber o amor de Deus. Tudo correu bem durante 
uns quatro a cinco dias, mas na noite anterior ã nossa sessão, 
ele havia estourado em ira, falado e feito coisas das quais 
estava muito arrependido.
Quando esse homem retornou ao aconselhamento, 
ele se sentia frustrado e derrotado, pois acreditava que havia 
sido completamente liberto da ira e do seu temperamento 
explosivo.
Ao explicar-lhe o processo de renovação da mente e 
da transformação da alma ao andar na luz, aquele homem 
tornou a te r esperança. O ram os novam ente e ele se 
arrependeu do pecado e de ter se identificado com a maneira 
antiga.
Esse homem acreditava que era um homem irado. 
Porém , ele não era irado no seu esp írito , ela havia 
simplesmente submetido sua alma à sua carne. Algumas 
semanas depois dessa sessão, ele continuou enxergando a 
si mesmo no espírito. Toda vez que a ira se levantava, ele se 
arrependia. Ele começou a perceber que, diferente das vezes 
passadas, ele havia começado a flagrar a ira e arrepender-se 
antes que ela capturasse a sua alma. Esse homem também 
descobriu que a ira se levantava cada vez menos enquanto 
continuava a identificar-se no espírito e a andar na luz.
Esse é o processo de crucificar a carne e andar no 
espírito, que é descrito em Tiago como a “provação da vossa 
fé que produz perseverança”.
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias 
provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, 
produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, 
para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes."
(Tiago 1:2-4)
212
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
Lembre-se, Deus opera na sua vida por meio da lei do 
espírito da vida (zoe) em Cristo Jesus, não por meio da lei do 
pecado em sua mente. As provações e os testes não são 
conseqüências dos problem as finance iros, mentais ou 
emocionais, do tormento, do conflito, da calamidade, da 
destruição ou da morte que Deus lhe envia para testá-lo.
Somente a nossa carne faz com que enfrentemos as 
várias provações e testes. Podemos nos tornar perfeitos e 
completos, sem necessitar de nada, apenas ao morrer para a 
nossa carne, andar no espírito e exercitar a fé em Deus e no 
Seu amor por nós. Se andássemos no espírito cem por cento 
do tempo com a perfeita confiança em Deus e no Seu amor, 
teríamos constante vitória em cada circunstância e situação. 
Não importa como Satanás, os espíritos demoníacos ou outras 
pessoas nos ataquem, nunca experimentaríamos a morte de 
nossa alma. Estaríamos sempre fluindo na lei do espírito da 
vida em Jesus. Seríamos sempre vitoriosos.
Por isso, eu acredito que o processo de transformação 
da alma na verdadeira identidade do espírito é o que gera as 
provações e os testes. O homem afligido pela ira teve a sua fé 
testada cada vez que a sua carne se levantava em ira. Cada 
vez que, por meio do espírito, do arrependimento e da fé, ele 
crucificava a sua carne, a vida zoe inundava a sua alma e lhe 
dava vitória.
Há outros dois aspectos muito importantes. O primeiro 
tem a ver com a permanência diária na Palavra de Deus. Jesus 
disse que as Suas Palavras são espírito e vida (zoe). 
Caminhamos (João 6:63) na luz ao permanecermos na Palavra 
de Deus (Bíblia). A vida zoe de Deus, que está repleta do poder 
purificador, permite que a nossa verdadeira identidade espiritual 
se manifeste em nossas almas. Tiago 1:21 nos assegura de 
que a Palavra implantada é capaz de salvar (transformar) a 
sua alma. Ao ler a Palavra diariamente e permitir que o Espírito 
de Deus a implante em sua alma, você receberá a vida zoe de 
Deus.
É de vital importância que você leia a Palavra de Deus 
todos os dias e medite sobre ela. Se você não tiver uma maneira
213
Enganado? Eu?
pela qual Deus o tenha dirigido a ler a Palavra e meditar sobre 
ela, peça-Lhe que lhe revele hoje. Existem muitos guias de 
estudos excelentes. Mas você precisa receber a revelação do 
Senhor de como Ele deseja que você medite na Sua Palavra. 
É abso lutam ente essencial que você gaste um tempo 
significativo na Palavra de Deus todos os dias.
O segundo aspecto importante de andar na lei é um 
compromisso de orar diariamente em Espírito Santo.
“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, 
visto que ninguém o entende, e em espirito fala mistérios. Mas o que 
profetiza fala aos homens, edificando, exortanto e consolando. O que 
fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica 
a igreja.” (1 Coríntios 14:2-4)
A Palavra nos diz que, quando oramos em espírito, 
edificamos a nós mesmos. Nós nos edificamos na fé. Somos 
mantidos no amor de Deus. Falamos com Deus. No nosso 
espírito, falamos mistérios. Creio que um dos mistérios que 
falamos está expresso em Colossenses 1:27, que diz: “Cristo 
em você, esperança da glória” .
Quando oramos em espírito, o nosso espirito ora e 
ultrapassa a nossa mente humana (1 Coríntios 14:14). O 
resultado é que a nossa alma é edificada na fé.
A vida de Jesus Cristo no nosso espírito é liberada em 
nossa alma quando oramos em espírito. Cristo em você, a 
esperança da glória, já manifestado no seu espírito, torna-se 
mais manifestado na sua alma à medida que você submete a 
sua língua e a sua voz ao seu espírito. Isso é algo do qual a 
sua carne não tem o controle.
Sua mente humana, dominada pela sua carne, pode 
tentar lhe dizer que você não está realmente orando em espírito. 
“Você está inventando palavra.” Ela pode lhe dizer que orar em 
espírito não tem valor algum. Ela lhe dirá toda mentira 
imaginável para fazer com que você pare de orar em espírito. 
Isso acontece porque a sua mente carnal não deseja que você 
submeta a sua língua e a sua voz ao Espírito de Deus no seu 
espírito. A edificação no espírito é a sua chave para uma alma
214
Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
que está mais submissa ao espírito do que à carne.
‘Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa 
fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo 
Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. 
E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, 
porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos."
(Romanos 8:26-27)
O Espírito Santo sonda o seu coração (espírito e alma). 
Ele (o Espírito Santo) sabe quais são os planos de Deus para 
você. E Paulo diz que o Espírito Santo intercede por você de 
acordo com a perfeita vontade. O que poderá impedir que você 
ande na plenitude da vontade de Deus? A resposta é: a sua 
carne. Porém, o versículo 26 prometeque o Espírito Santo o 
ajuda na fraqueza. Essa palavra fraqueza é a palavra grega 
asthenia. O Dicionário Descritivo de Palavras Bíblicas define 
essa palavra como “uma incapacidade de produzir resultados". 
Por isso, o versículo 26 diz que, quando você ora em espírito, 
o Espírito Santo o ajuda a superar a incapacidade humana para 
produzir resultados de acordo com a vontade de Deus.
Resumindo tudo isso: O Espírito Santo conhece a 
vontade de Deus para cada área da sua vida. A sua carne é o 
impedimento principal para a verdadeira identidade em Cristo 
da sua alma (já manifestada no seu espírito). Isso o impede de 
conhecer a vontade de Deus e caminhar nela. O Espírito Santo, 
conhecendo a vontade de Deus para a sua vida, sonda o seu 
coração e discerne a sua incapacidade de produzir resultados 
por causa da sua carne. Ao orar em espírito, o Espírito Santo o 
dirige a orar orações perfeitas, de acordo com a vontade de 
Deus. Os impedimentos da sua carne são vencidos e Cristo 
em você, a esperança da glória, é manifestado na sua alma.
É por isso que Paulo o exorta a orar em espírito, por 
ser uma importante arma ofensiva que derrota os poderes das 
trevas (Efésios 6:17-18). Na realidade, Paulo acreditava que 
isso é tão essencial que ele disse para os efésios orarem todo 
o tempo em espírito!
215
Enganado? Eu?
Paulo ligava o orar em espírito com a Palavra de Deus. 
Eu creio que orar em espírito edifica e abre a alma para receber 
a Palavra. Afinal de contas, a Palavra implantada salva a sua 
alma (Tiago 1:21). Sem a revelação de Deus no espírito por 
meio da Sua Palavra, ela não pode ser implantada. Orar em 
espírito edifica a nossa alma e sensibiliza o espírito para que 
a alma receba a revelação de Deus por meio da Palavra.
Anos atrás, ouvi um estudo científico que correlacionava 
o crescim ento da vegetação floresta l com os sons dos 
pássaros e de outros animais. Esse estudo revelava que a 
vegetação crescia muito mais fértil na presença do gorjear dos 
pássaros e do barulho de outros animais do que em lugares 
isolados dos sons naturais da floresta. Com bases científicas 
com provadas, foi descoberto que certa in tensidade e 
freqüência sonora tende a causar a abertura dos stomata, ou 
poros, para que estes recebam os nutrientes que estão 
naturalmente disponíveis no ambiente da floresta. Os cientistas 
descobriram que, quando uma vegetação semelhante foi 
isolada dos sons naturais, embora os mesmo nutrientes 
estivessem à disposição, os poros das plantas não abriram o 
suficiente para receber os nutrientes no mesmo nível e o 
crescimento foi consideravelmente menor.
De maneira semelhante, creio que orar em espírito 
estimula a nossa alma a abrir-se para o nosso espírito. Quando 
lemos a Palavra, depois de orarmos em espírito, a nossa alma 
recebe uma revelação muito maior de Deus. Dessa forma, a 
Palavra se torna implantada dentro de nós.
Eu experimentei isso pessoalmente. Geralmente, 
recebo uma revelação maior da Palavra quando gasto 45 
minutos ou mais orando em espírito. Estabeleça uma hábito 
diário de orar e meditar na Palavra de Deus. Isso o ajudará a 
caminhar no espírito.
Eu não aconselho a orar exclusivamente em espírito. 
Paulo nos exorta a orar também da seguinte maneira:
“Porque, se eu orarem outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a 
minha mente fica infrutífera. Que farei, pois? Orarei com o espírito,
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Capítulo 11 - Andar no Espírito: Libertação
“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas 
a minha mente fica infrutífera. Que farei, pois? Orarei com o espírito, 
mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também 
cantarei com a mente.” (1 Coríntios 14:14-15)
PASSO SETE: Seja transformado
“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há 
liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como 
por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em 
glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.”
(2 Coríntios 3:17-18)
Esse passo não é, na verdade, um passo a ser tomado, 
mas é o resultado final de se caminhar os outros seis passos. 
Na medida em que você permite que Deus o convença das 
áreas nas quais você andou na carne, se arrepende 
continuamente, anda na verdade e confia em Deus, as calhas 
profundas das imagens falsas são naturalmente apagadas e 
substituídas pelas calhas de acordo com a verdade no espírito. 
Esse é o processo de renovação da mente.
Continue a identificar-se com o seu espírito, e não com 
a sua carne, e a natureza de Jesus Cristo se manifestará na 
sua mente, na sua vontade e nas suas emoções. Essa é uma 
transformação verdadeira! Você não está simplesmente 
passando de um estilo carnal para outro. Você não é mais 
motivado pelo medo. Pelo contrário, você está no espírito e 
recebe o amor incondicional de Deus. Ao fazer isso, você 
operará na Lei do Espírito da Vida em Cristo Jesus. Assim, 
você ficará totalmente livre da Lei do Pecado e da Morte. Você 
começará a enxergar a sua vida de acordo com a verdade da 
sua identidade em Cristo.
217
Romanos 8:2
Lei do Espírito da Vida em Cristo Jesus
Recebendo o Amor de Deus
Mensagem:
Você é amado e aceito incondicionalmente por Cristo e 
as suas necessidades são supridas por Ele.
Fé
2Coríntios3:17-18 
Vida no Espírito
Lei do Pecado e da Morte
Dúvida Quanto ao Amor de Deus
Mensagem: Mensagem:
Você não tem valor, desvalorização Deus não suprirá suas necessidades
Medo
Identidade Bem-estar
/ \ / \ . 
Consciente Inconsciente Consciente Inconsciente
Ninguém Alguém Desesperança Esperança
/ \ Fracasso Vitória
/ \ / \
Orgulho Orgulho Rebelião Rebelião
1. Permita que Deus o convença do seu pecado (ex.:dúvida quanto ao amor 
de Deus, medo, orgulho, rebelião) (2 Co 7:9-10).
2. Arrependa-se do pecado (Is. 30:21-23,2 Co 10:3-5).
3. Não se considere baseado na carne (2 Co 5:16,10:5).
4. Reconheça e receba a verdade de quem você é em Cristo (2 Co 5:17,1 Pe 
l:23e Jo8:32).
5. Deposite a fé no sangue de Jesus e receba o perdão e a purificação (Rm 
3:25,1 Jo 1:7).
6. Caminhe na luz (1 Jo 1:7-9).
7. Seja transformado assim como a sua mente é renovada para a verdade do 
amor eda fidelidade de Deus (Rm. 12:2,2 Co 3:17-18).
218
A Visão do Seminário Veredas Antigas
A nossa visão e o nosso propósito é ajudar a retransmitir, 
na cultura do corpo de Cristo, as proteções que facilitam 
a transmissão natural da identidade e do destino de Deus 
às pessoas. Sem elas, o diabo tem transmitido a sua 
mensagem da desvalorização e da falta de propósito a 
milhões de pessoas ao redor da terra.
Quem Deve Participar?
Qualquer pessoa que deseje uma mudança permanente 
em sua vida. Muitas vezes, vemos padrões desagradáveis 
e prejudiciais a nossas vidas, mas não sabemos por que 
eles estão ali e/ou não os podemos mudar. Esse ministério 
é designado para identificar as raízes desses padrões e 
para trazer uma mudança permanente nessas áreas 
problemáticas.
Para maiores informações sobre o Seminário Veredas 
Antigas ou sobre outros materiais, por favor, entre em 
contato conosco:
Associação Nova Shalom
Rua Dr. José de Moura Resende, 211
Caixa Postal 44
CEP 17580-000
Pompéia - SP
Telefone: (0XX14) 452-1839 
Fax: (0XX14) 452-2041 
E-mail: ladolado@terra.com.br
mailto:ladolado@terra.com.br
Não perca o: 
Seminário do Family Foundations 
(Veredas Antigas)
O que é:
É um período intensivo de ensino da Palavra de Deus, 
seguido de compartilhamento, oração e ministração em 
pequenos grupos. Ao abordarmos os assuntos, os 
pequenos grupos dão a oportunidade para a ministração 
na área específica da vida, casamento ou família da 
pessoa ministrada.
Assuntos Abordados 
Comunicação
Reconhecendo os diferentes níveis da comunicação 
Resolvendo Conflitos 
O Propósito e o Plano para o Indivíduo e a Família 
Uma visão geral dos planos e propósitos de Deus 
para o indivíduo e para a família 
Identidade e Destino
Os 7 Períodos Críticos da Bênção 
Estilos de Vida
8 Estilos da Vida Adulta 
Impacto da

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