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ESPECIAL
No discóbolo de Myron, um ideal olímpico
da Grécia Antiga: o corpo nu é mais ágil,
forte e próximo dos deuses
Endereço da página:
https://novaescola.org.br/conteudo/1440/em-busca-
do-corpo-perfeito
Publicado em NOVA ESCOLA 01 de Agosto | 2004
Planejamento
Em busca do corpo
perfeito
Desde a Grécia Antiga, os homens correm atrás de um
corpo ágil, capaz de alcançar cada vez mais velocidade,
força e destreza. Mas a história do esporte, escrita pelos
Jogos Olímpicos, mostra diferentes motivações para essa
conquista
Ricardo Falzetta
NOVA ESCOLA
Paola Gentile
Carlos Eduardo Matos
Antiguidade - A perfeição dos Deuses
Na Grécia Antiga, os homens - só
eles tinham esse direito -
malhavam por um físico ideal de
inspiração divina Atleta, ginástica,
estádio, pentatlo - ligadas ao esporte, todas
essas palavras são de origem grega. Na Grécia
Antiga, berço da civilização ocidental, surgiu a
idéia do corpo perfeito conquistado por meio
da atividade física. Os homens helênicos não
se envergonhavam de exibir-se despidos em
jogos e danças. Mais do que isso, gostavam de
se admirar. Eles perceberam que a nudez,
além de bela, melhorava o desempenho do
atleta, sobretudo nas competições
periodicamente disputadas na península
grega, os Jogos Olímpicos.
Deuses e homens
A celebração das divindades por meio de
https://novaescola.org.br/conteudo/1440/em-busca-do-corpo-perfeito
/jogos-olimpicos-londres-2012/
Se vivesse na Grécia Antiga, o velocista
Eronilde Araújo, 79 kg, 1,82 m, além de
atleta, seria um poderoso guerreiro
Maila Machado, 65 Kg, 1,67 m, corre os
100 metros com barreiras na casa dos 12
segundos: é o tempo que você demora
para ler esta legenda
provas físicas expressava as concepções
politeístas dos gregos. Eles consideravam os
deuses semelhantes aos homens em virtudes
e defeitos, sujeitos às mesmas paixões e
impulsos, embora dotados de imortalidade e
de força, velocidade e beleza superiores.
Assim, desejar um corpo belo, forte e rápido
era um meio de se aproximar dos deuses e,
com isso, da perfeição.
Não era somente essa busca divina que fazia
os gregos dedicar especial atenção ao corpo.
Para a Grécia, ter bons atletas entre os
cidadãos significava contar com soldados
fortes e resistentes, preparados fisicamente
para combater os exércitos das cidades-estado
vizinhas. Não por acaso, provas como a corrida
e o lançamento de dardo tiveram origem no
treinamento militar, que era feito dentro do
gymna-syum, a academia da época.
Os mais famosos e importantes jogos
esportivos eram os que ocorriam a cada
quatro anos em Olímpia, na cidade-estado de
Elis, para homenagear Zeus, o deus supremo
do Olimpo. Os primeiros registros dos
vencedores datam de 776 a.C., mas há indícios
de que as competições já eram realizadas 500
anos antes. Os Jogos Olímpicos assumiram
tamanha importância que os antigos gregos os
utilizaram como medida de tempo: a palavra
olimpíada designava o intervalo de quatro
anos entre dois períodos de competição - e até
hoje é assim. Além disso, durante as provas,
realizadas em agosto e setembro, qualquer
guerra em curso na região era suspensa para que os cidadãos pudessem se
deslocar até Olímpia a fim de aplaudir seus campeões. Se as guerras eram
precedidas de sentimentos de tristeza, inquietação e medo, a disputa dos
jogos gerava disciplina, método, respeito e uma alegre expectativa. Toda essa
movimentação amargava um detalhe: as mulheres não participavam das
competições nem podiam assistir a elas.
Força e velocidade
As primeiras competições olímpicas se limitavam a corridas. Ao longo do
tempo, foram introduzidos o pentatlo - no qual um atleta disputava em um
mesmo dia provas de salto, lançamento de dardo e de disco, corrida e luta - e
as corridas de biga. Também surgiu uma forma primitiva de boxe, em que
tudo era válido a não ser mordidas e dedos nos olhos. Inicialmente, os
vencedores recebiam apenas a coroa de louros. Com o tempo, viraram
profissionais disfarçados, com direito a prêmios e privilégios.
O surgimento da filosofia, no final do século 7 a.C., colocou as crenças
religiosas tradicionais em segundo plano e enfatizou a importância da
construção de um corpo perfeito. Dessa vez, o modelo não eram os deuses
mas o próprio homem, qualificado como "medida de todas as coisas". Platão
sustentava que "ginástica e música, uma intercalada com a outra", eram a
fórmula do equilíbrio entre corpo e espírito. Ele próprio foi um lutador, e o
nome pelo qual ficou conhecido se originou da palavra platys (largo). Tudo
por causa dos ombros fortes do filósofo, cujo verdadeiro nome era Arístocles.
Conquistadores da Grécia e herdeiros da cultura helênica, os romanos não
mantiveram o ideal olímpico dos gregos. A qualidade física e a técnica
apurada perderam importância, abrindo espaço para disputas quase
circenses e cada vez mais violentas. O objetivo dos governantes era distrair o
povo com espetáculos grandiosos. Buscando a liberdade, escravos
confinados e submetidos a rígido treinamento tornaram-se astros - os
gladiadores. Provas puramente atléticas, como as corridas rasas e o
arremesso de dardo e disco, chegaram a ser alvo de zombaria dos
espectadores.
Nesse cenário, que atingiu seu ápice no século 2, o poeta satírico Juvenal
mencionou a máxima mens sana in corpore sano. Dada a personalidade
irônica atribuída ao autor, nunca se soube exatamente qual sentido ele
pretendeu dar a essas palavras.
Na escola
Proponha aos alunos que recortem de revistas imagens de atletas de provas
rápidas e de fundo e que as comparem. Leve-os a notar a diferença na massa
muscular e nos tipos de roupa e acessórios.
Conte à turma uma das versões da história da maratona, prova que exalta o
soldado grego Fidípedes. Diz a lenda que, na guerra contra os persas, em 490
a.C., ele correu 40 quilômetros, da cidade de Maratona a Atenas, pedindo
reforços pelo caminho. Voltou com 10 mil soldados, que venceram a batalha.
Inflamado, o comandante ordenou ao esforçado Fidípedes que voltasse a
Atenas (correndo!) para dar a notícia. Extenuado, Fidípedes deu o recado, mas
caiu morto.
Sugestões do professor Laércio Pereira, do Centro Esportivo Virtual
Renascimento - A arte para exaltar a beleza
Era Moderna - O corpo a serviço do esporte
Atitudes campeãs - O importante é viver bem
http://www.cev.org.br
A Vênus retratada por Boticelli recupera
depois de séculos o ideal dos dilósofos
gregos: o ser humano como medida de
todas as coisas
Larissa Barata, 42,5 kg, 1,58 m, estica ao
máximo cada uma de suas fibras
musculares. Tudo isso sem perder o
charme e, é claro, seguindo à risca a
sensível coreografia de seus movimentos
Murilo Fischer, 66 kg, 1,70 m, mostra
concentração: o esforço, aliado à
tecnologia dos acessórios, da roupa e da
bicicleta, faz o atleta se superar na prova
de estrada
Uma história de
conquistas
Ouro para um
pastor
As poucas
modalidades
olímpicas
disputadas nos
Jogos de 1896,
em Atenas, são
praticadas por
amadores. O
vencedor da
maratona é um
pastor de
ovelhas, o
grego Spiridon
Louis, que vira
herói.
 
Da paralisia ao
pódio
Ray Ewry teve
pólio e, até os 8
anos, se
locomoveu em
cadeira de
rodas. Nos
jogos de 1900,
com 26 anos e a
força que
adquiriu nas
pernas depois
de muita
terapia, "voa"
na pista de
Paris e ganha
ouro nas três
provas de salto
parado (sem
corrida).
 
Mulheres na jogada
Paris, 1900: começa a participação feminina e 11 elegantes senhoritas
disputam os torneios de tênis e de golfe. A inglesa Charlotte Cooper é a
primeira mulher a levar a medalha de ouro, ao vencer a final de simples, no
tênis.
 
Velozes na raça 
1904, Saint Louis: o americano Thomas Poage, bronze nos
400 metros com barreira, sobe no pódio e marca outro tento.
Ele é o primeiro negro a receber uma medalha olímpica.
 
Recordes femininos 
Em 1928, as mulheres já estão competindo pesado. Representam agora 10%
dos atletas participantes e quebram recordes mundiais nas cinco provas de
atletismo disputadas em Amsterdã. A canadense Ethel Catherwood salta 1,59
metro e bate o recorde do salto em altura.
Apesar de Hitler
1936,Berlim: o nazismo tenta provar pelo esporte a "superioridade" dos
arianos. Mas os negros vencem todas as corridas nas distâncias entre os 100
e os 800 metros, ganhando oito medalhas de ouro (quatro para Jesse Owens),
três de prata e duas de bronze.
Tênis para quê? 
Correndo por fora - descalço! -, o etíope Abebe Bikila vence pela primeira vez
a maratona, em Roma (1960), mostrando que os negros, além da supremacia
nas provas de velocidade, se destacam também nas corridas de fundo.
Menores e melhores 
Olga Korbut, 17 anos, e Nadia Comaneci, 14, ambas com 1,49 m, derrubam o
padrão das competidoras de ginástica olímpica, até então mais velhas e
corpulentas. Olga (Munique, 1972) ameaça o ouro, mas escorrega nas barras
assimétricas. Quatro anos depois, Nadia honra as baixinhas: leva três ouros,
uma prata e um bronze. É eleita a ginasta mais completa da competição.
A escalada do doping 
Em Seul (1988), o canadense Ben Johnson consagra-se o homem mais veloz
do mundo. Mas sua glória é efêmera: o antidoping revela uso de
anabolizantes. Hoje, o doping químico corre o risco de se tornar obsoleto,
dando lugar ao doping genético. A nova versão se caracteriza pelo uso de um
vírus sintetizado em laboratório que altera a informação genética das fibras
musculares sem deixar vestígio no sangue ou na urina do competidor.

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